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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

1561) Mercosul: além de protecionista para dentro e para fora, retrocedendo na multilateralizaçao de pagamentos

Parece incrível, mas ao Mercosul se aplica o conhecido dito: desgraça pouca é bobagem...
Não contentes de serem protecionistas uns contra os outros e todos contra terceiros, os países do Mercosul também retrocedem na questão da multilateralização dos pagamentos.
Como se a deterioração do dólar impedisse comércio e pagamentos nessa moeda.
Bilateralização de pagamentos é um atraso, não um avanço, e os países deveria avançar para a plena conversibilidade de suas moedas, ou seja, a multilateralização cada vez mais ampla dos pagamentos.
Parece que certas pessoas apenas ostentam um preconceito irracional contra o dólar...

Ministro quer ampliar comércio com moedas locais
Valor Econômico, Terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Em uma situação irônica no Mercosul, que quase implodiu na virada da década por causa da desvalorização do real e do peso, a fragilidade do dólar tornou-se o principal ponto de discussão dos representantes de ministérios de Economia e dos bancos centrais do bloco. As maiores preocupações giraram em torno de seus efeitos para o comércio exterior e para o valor das reservas internacionais mantidas por Brasil e Argentina.

O ministro argentino da Economia, Amado Boudou, pediu a ampliação dos sistemas de pagamento de importações em moedas locais e dos swaps cambiais entre bancos centrais da região. O comércio sem uso do dólar abrange atualmente 2% das operações entre Brasil e Argentina. Com o Uruguai, o Brasil deverá iniciar o sistema em 2010.

Boudou disse que o Mercosul coordenará uma posição comum sobre o assunto para levar à próximo reunião do G-20, no Canadá. Não vamos mudar o mundo, mas não queremos o continente invadido por mercadorias chinesas, afirmou o ministro argentino.

Ele manifestou preocupação com a insistência da China em manter sua moeda, atrelada ao dólar, artificialmente desvalorizada. O chefe de gabinete do Ministério da Fazenda do Brasil, Luiz Melin, concordou. Para ele, os países com comércio em dólar não podem ficar reféns da disputa entre Estados Unidos e China sobre o valor do yuan.

Para evitar a apreciação do peso, o Banco Central da Argentina tem feito compras diárias de US$ 100 milhões, segundo Boudou. Ele defendeu a política de aumento das reservas internacionais pelos países da região: Todos sofremos com a falta de reservas no passado, afirmou.

Ele apontou, porém, outro problema: a perda de valor dessa poupança, com a trajetória de queda do dólar. Para o mundo inteiro, não ter uma ordem de grandeza para a taxa nominal de câmbio leva sempre os governos a ficar atentos e monitorar (a situação) com calma, acrescentou Melin.

Boudou sugeriu o monitoramento conjunto das reservas, mas rejeitou interpretações de que estava dando a ideia, por exemplo, de criação de uma espécie de fundo soberano regional. O ministro aproveitou para elogiar a recuperação da economia brasileira, que deverá ajudar a Argentina a crescer pelo menos 3% em 2010.

O Brasil teve um bom comportamento fiscal, um comércio internacional que foi melhorando ao longo do tempo e está investindo em infraestrutura, disse Boudou, marcando posição contrária às avaliações de economistas como o americano Paul Krugman, que esteve no Brasil na semana passada, e que apontam a existência de uma bolha financeira e do mercado de capitais no país.
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