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sábado, 18 de maio de 2013

Miseria universitaria no Brasil: as Humanidades ideologizadas...

Transcrevo a ementa de um trabalho encomendado por um professor a alunos de seu curso, no terreno das ciências sociais aplicadas, contendo além de mentiras, deformações, equívocos e fraudes. EU acabo de receber um pedido de ajuda, o que obviamente não vou fazer, por ser impossível concordar com desonestidade e má-fé.
Eis a demanda:


O novo relatório do Bird (Banco Mundial), divulgado ontem, mostra que no período de maior adesão ao neoliberalismo aumentaram a pobreza e o protecionismo em escala internacional. A receita liberal ganhou força nos anos 80 e os países em desenvolvimento aderiram rapidamente aos seus três principais ingredientes: abriram seus mercados, reduziram o papel do Estado e estimularam a entrada de investimentos estrangeiros. 
Em números absolutos, a quantidade de pessoas vivendo com menos de US$ 1 por dia passou de 1,2 bilhão em 1987 para 1,5 bilhão hoje. Segundo o Banco Mundial, se as tendências recentes persistirem, em 2015 haverá 1,9 bilhão de pessoas nessas condições. Como proporção da população, a América Latina está entre as regiões onde a pobreza mais cresce. 
O relatório lembra ainda que a relação entre melhoria na renda média e redução da pobreza nem sempre andam juntas, pois, mesmo quando a renda média aumenta, a redução da pobreza pode não ocorrer no mesmo ritmo. 
O futuro seria menos assustador se houvesse razões para crer na liberalização do comércio internacional, há quatro séculos cantada em prosa e verso pelos economistas como um fator essencial de desenvolvimento. Mas o Banco Mundial alerta para as reações protecionistas cada vez mais intensas, em especial nos países industrializados. O número de processos antidumping (ou seja, contra práticas comerciais consideradas desleais por produtores domésticos) tem aumentado desde os anos 80. Para o Bird, no futuro vai ser cada vez mais difícil manter o apoio às reformas liberais. As dificuldades são previstas para os próximos 25 anos. 
Analise o texto, relacionando-o com a dimensão comercial da globalização.


As afirmações são simplesmente falsas, fraudulentas, enganosas, mentirosas, totalmente desonestas.
Assim estão nossas faculdades de ciências sociais, e assim são certos professores: o que esses professores praticam é lavagem cerebral, simplesmente.
Paulo Roberto de Almeida

Em tempo: o último relatório do Banco Mundial se refere a empregos (Jobs), e não contém nenhuma dessas barbaridades.
Quem desejar lê-lo, pode fazê-lo neste link: http://siteresources.worldbank.org/EXTNWDR2013/Resources/8258024-1320950747192/8260293-1322665883147/WDR_2013_Report.pdf

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Addendum:
Localizado o texto de onde o " profeçor" retirou as suas afirmações boçais, abaixo transcrito.
O "ontem" se referia a 1999, ou seja, simplesmente 14 anos atrás.
Já não era verdade nesta época, e continuou não sendo verdade quase quinze anos depois.
Para contrabalançar esse tipo de análise idiota, eu já tinha feito vários textos, dos quais recomendo este aqui:


Distribuição mundial de renda: as evidências desmentem as teses sobre concentração e divergência econômica, Revista Brasileira de Comércio Exterior (Rio de Janeiro: Funcex, ano XXI, nr. 91, abril-junho 2007, p. 64-75); link: http://www.pralmeida.org/05DocsPRA/1716DistMundRendaRBCE.pdf


Agora a transcrição da matéria do século passado:
São Paulo, Quinta-feira, 16 de Setembro de 1999 
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GLOBALIZAÇÃO
Relatório do Banco Mundial afirma que 1,5 bilhão de pessoas vivem com menos de US$ 1 por dia
Abertura não reduz pobreza, diz BirdGILSON SCHWARTZ
Da Equipe de Articulistas 

O novo relatório do Bird (Banco Mundial), divulgado ontem, mostra que no período de maior adesão ao neoliberalismo aumentaram a pobreza e o protecionismo em escala internacional.
A receita liberal ganhou força nos anos 80 e os países em desenvolvimento aderiram rapidamente aos seus três principais ingredientes: abriram seus mercados, reduziram o papel do Estado e estimularam a entrada de investimentos estrangeiros.
Em números absolutos, a quantidade de pessoas vivendo com menos de US$ 1 por dia passou de 1,2 bilhão em 1987 para 1,5 bilhão hoje. Segundo o Banco Mundial, se as tendências recentes persistirem, em 2015 haverá 1,9 bilhão de pessoas nessas condições. Como proporção da população, a América Latina está entre as regiões onde a pobreza mais cresce.
O relatório lembra ainda que a relação entre melhoria na renda média e redução da pobreza nem sempre andam juntas, pois, mesmo quando a renda média aumenta, a redução da pobreza pode não ocorrer no mesmo ritmo.
De 4,4 bilhões de pessoas vivendo em países em desenvolvimento, cerca de 60% não têm acesso a condições básicas de saneamento, um terço não sabe o que é água limpa, 25% não têm moradia adequada e 20% estão sem acesso a serviços médicos. Entre as crianças, 20% não completam cinco anos de escolaridade nem se alimenta de modo adequado.
O futuro seria menos assustador se houvesse razões para crer na liberalização do comércio internacional, há quatro séculos cantada em prosa e verso pelos economistas como um fator essencial de desenvolvimento.
Mas o Banco Mundial alerta para as reações protecionistas cada vez mais intensas, em especial nos países industrializados. O número de processos antidumping (ou seja, contra práticas comerciais consideradas desleais por produtores domésticos) tem aumentado desde os anos 80. Para o Bird, no futuro vai ser cada vez mais difícil manter o apoio às reformas liberais. As dificuldades são previstas para os próximos 25 anos.
A última esperança talvez esteja no investimento estrangeiro direto. O Banco Mundial aponta um estoque de poupança global da ordem de US$ 13,7 trilhões no ano 2000. Em tese, todo esse dinheiro está em busca de retornos atraentes, típicos das regiões em desenvolvimento. O lado frustrante está não apenas na volatilidade dos capitais, mas no fato de que no máximo 25% dos recursos vão para países em desenvolvimento. Ou seja, o investimento é tão concentrado quanto a riqueza mundial.
O relatório chama a atenção para formas menos discutidas de promoção do desenvolvimento, como o planejamento nas grandes cidades, a preocupação com os efeitos da destruição do meio ambiente e os desafios das novas formas de inovação, especialmente nas tecnologias de informação.


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