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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sorry Francisco, povo: este é o retrato do Brasil: lama de milhoes de reais...

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Local onde aconteceria parte da Jornada Mundial da Juventude em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio (Fonte: Reprodução/Reuters)
JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

Milhões para o ralo em visita do Papa?

Milhões gastos em terraplanagem em uma área alagadiça podem ir para o ralo; eventos da Jornada Mundial da Juventude foram transferidos após local virar um imenso lamaçal

fonte | A A A
A chuva dos últimos dias levou à transferência das celebrações da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que aconteceriam em Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, para a Praia de Copacabana. Além de frustrar as expectativas de comerciantes, moradores e peregrinos que já se preparavam para o evento, a mudança significou também muitos prejuízos.
A enorme área que estava sendo preparada para receber cerca de dois milhões de pessoas virou um imenso lamaçal — nada muito surpreendente, afinal trata-se de um local alagadiço. O fato é que a mudança se tornou mais um grande fiasco na visita do Papa Francisco ao Rio. O trânsito caótico e as falhas no sistema do metrô da cidade são outros problemas que vêm sendo enfrentados pela população nos últimos dias.
A decisão de transferir as celebrações de Guaratiba para Copacabana foi tomada quando a infraestrutura do local estava quase pronta. Não há informação oficial sobre os gastos com as obras no Campus Fidei, cuja área total é de 1,7 milhão de metros quadrados, dividida em 22 lotes.
No espaço foi construído um palco de 75 metros de largura, 15 postos médicos e 4.400 banheiros. Além disso, 32 telões de LED, 52 torres de som e 83 torres de segurança também faziam parte da infraestrutura montada para o evento.
O vice-presidente do Comitê Organizador Local da JMJ, dom Paulo Cesar Costa, justificou a mudança afirmando que “não poderíamos comprometer a beleza da Jornada levando a juventude para Guaratiba mediante a situação em que se encontra atualmente o Campus Fidei. Seria uma atitude irresponsável”. Questionado sobre os gastos no local, dom Paulo disse apenas que os custos totais da JMJ foram de mais de R$ 300 milhões.
A Prefeitura do Rio, por sua vez, garante que não teve gastos diretos no terreno, limitando-se a um investimento na dragagem dos rios próximos ao local. Dados oficiais revelam que foram utilizados R$ 26 milhões em recursos municipais na JMJ.

Impacto ambiental

Embora as autoridades afirmem que a chuva inesperada dos últimos dias seja a responsável pelo “imprevisto”, dados meteorológicos mostram que em quatro anos, entre 2003 e 2012, choveu bem mais na estação meteorológica local no mês de julho do que no mesmo período deste ano.
Além de todos esses problemas previamente conhecidos, incluindo os milhões gastos em terraplanagem em uma área alagadiça, moradores reclamam do corte de árvores do Campus Fidei. Em entrevista ao jornal O Globo, Flávio Menezes diz que sua casa está toda rachada por causa das obras, e que uma área gigantesca foi desmatada. Bichos que sempre apareciam no local, como capivaras e micos, não aparecem mais, segundo o morador.
Fontes das Forças Armadas, que falaram sob condição de anonimato, disseram que autoridades municipais foram alertadas sobre o risco de realizar eventos da JMJ em Guaratiba. “Esqueceram de calcular que para ser em Guaratiba era preciso fazer terraplanagem, rede de esgoto, dragagem e drenagem”, ressaltou uma fonte.
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