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sábado, 1 de julho de 2017

Corrupção no Brasil: Uma revolução pelas panelas? Por que não? - Carlos Mauricio Ardissone

Postura muito sensata e correta de meu colega acadêmico e profissional Carlos Mauricio Pires Albuquerque Ardissone, que aprovo inteiramente, e que por isso mesmo reproduzo aqui em sua integralidade, a partir de uma postagem no seu Facebook.

"SOBRE A COBRANCA PELO SILÊNCIO DAS PANELAS:

 Sinto-me aliviado pelo PT não estar mais no poder. E por ter saído por uma via institucional - não vou cair no relativismo de discutir as intenções dos agentes porque nunca as intenções de todos serão nobres - se for entrar nessa "vibe", não saíremos dessa espiral de narrativas nunca. A saída foi institucional e legal sim. Intenção de X ou Y pouco importa. 

E em um Estado democrático de direito (ainda que imperfeito) é assim que funciona: via instituições e leis. Instituições e leis erram? Claro que sim. Algumas das nossas são débeis? Com certeza. Mas ainda assim é melhor respeitar suas decisões do que apostar na virtude que cada um ou que uma ala da sociedade pensa carregar, em detrimento dos demais que julga "mal intencionados" ou "pouco iluminados". Pior ainda acreditar em qualquer objetivo altruísta decorrente de um suposto virtuosismo revolucionário. 

Caímos em um governo do PMDB? Sim, infelizmente. Mas não por obra e graça de quem protestou pelo impeachment e sim por força do que determina a Constituição. Quanto aos protestos, já participei de três depois que Temer assumiu - pelo fim do foro privilegiado, pelas dez medidas contra corrupção, contra o voto em lista fechada e por outras agendas em que acredito.

 Acho que o "Fora Temer" - com o qual concordo - só ganhará força e energia no dia em que a parcela da sociedade que foi favorável ao impeachment de Dilma tiver certeza de que o "Fora Temer" não é também (ou principalmente) um "Volta Lula" ou "Volta PT". E também não vão aderir ao "Fora Temer" como alguma forma de arrependimento pelo "Fora Dilma" porque não há arrependimento nenhum. 

Não é difícil explicar. Vou lamentar se Temer sair, se for processado e até preso? Nem um pouco, assim como a esmagadora maioria da população também não. Mas não farei a mesma força que fiz para a Dilma sair se achar que poderei estar contribuindo, ainda que involuntariamente, para a volta de Lula e do PT ao Planalto. 

A luta contra a corrupção segue. Mas a bandeira do impeachment foi sim a luta contra a corrupção petista que é diferenciada em relação à tradicional ou endêmica por ser uma corrupção que não se exaure no fisiologismo dos tradicionais tomadores de grana. É associada a um projeto autoritário que visava substituir as instituições do Estado pelo partido, em uma espécie de politburo tupiniquim/cucaracho/chavista. É uma corrupção com "intelligentsia" e que tem seu fermento ideológico no gramscianismo neobolchevique de caras como Dirceu e Rui Falcão e no sindicalismo-patrimonialista-populista de quem segue Lula. 

Portanto, para resumir: ninguém está nada feliz com Temer mas zero de arrependimento por ter pedido a saída do PT. Finalmente, posso reverter a equação e cobrar agora dos que ainda lamentam a saída de Dilma e criticam os paneleiros porque jamais foram às ruas para dar força para a Lava-Jato que, comprovadamente, tem investigado e punido gente não só do PT. Por que não apoiam a operação que, mesmo com eventuais excessos, tem sido tão positiva para o país? A prova é que todos os principais partidos estão se unindo (PT inclusive) para miná-la, contando com o valoroso auxílio de alguns Ministros do STF. 

Assim, a mesma cobrança que dirigem aos "paneleiros" eu dirigo agora aos que os criticam por não estarem mobilizados pela defesa da Lava-Jato. Essa omissão, que existe desde 2015, para mim, é muito pior do que o atual silêncio das panelas. Por fim, aceito gritar a plenos pulmões "Fora Temer" se os críticos do impeachment também toparem gritar com força "Lula na cadeia"! Topam? Vamos nessa?

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