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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Perspectivas da politica externa em um Brasil em redefinicao (Encontro da ABRI) - Paulo Roberto de Almeida

Notas para apresentação-debate em mesa redonda do 5o. Encontro Nacional da ABRI, realizado em Belo Horizonte, em julho último.



Paulo Roberto de Almeida
Diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, IPRI-Funag
Professor de Economia Política nos programas de mestrado e doutorado
em Direito do Centro Universitário de Brasília (Uniceub).
 [Notas para mesa redonda; 5o. Encontro da ABRI; BH, 27/07/2017]


O que está em redefinição: o mundo ou o Brasil?
Recebo convite para falar das “Perspectivas da política externa brasileira em um mundo em redefinição”, em mesa redonda no quadro do quinto encontro nacional da ABRI, Associação Brasileira de Relações Internacionais, em Belo Horizonte. O título da mesa redonda se encaixa no tema geral do encontro: “Redefinindo a diplomacia em um mundo em transformação”. Esse tema geral é apresentado da seguinte maneira: “Há no ambiente internacional contemporâneo um desafio bastante óbvio para a atividade diplomática: a redefinição do relacionamento entre os Estados, à luz do elevado grau de incerteza associado à ascensão de diversos deles a novas posições de influência e protagonismo — em alguns casos, duradoura e consistente; em outros, uma trajetória mais errática, ambígua e ainda indefinida.” Suponho que o Brasil esteja nesse segundo caso, ou pelo menos assim pensaram os autores do texto de apresentação do encontro.
Minha primeira reação é considerar que a segunda parte do título da mesa redonda, a expressão “um mundo em redefinição”, constitui uma redundância ou uma tautologia. O mundo está sempre em redefinição, qualquer que seja o momento retido para falar a seu respeito, algumas vezes de forma mais pronunciada, em outras vezes de forma menos evidente, mas sempre em constante redefinição, pois esta é sua característica essencial, incontornável, aliás imutável. Tudo é movimento, diria um antigo filósofo grego, e assim deve continuar. As razões são perfeitamente conhecidas: dinâmicas e letargias econômicas; alternâncias, mudanças ou mesmo rupturas políticas, sobretudo nas democracias de mercado; mutações sociais e demográficas; tensões e conflitos entre Estados ou entre líderes políticos; tais são os elementos que compõem os ambientes nacionais, os cenários regionais, ou o sistema internacional de poderes reconhecidos. Tais cenários apresentam essa tendência, talvez irritante aos olhos dos conservadores, que é a de estar sempre mudando (algumas vezes para pior).
Em todo caso, se o mundo está ou não em redefinição, em determinadas fases ou momentos da história, isso pode ser um assunto de preocupações e afazeres acadêmicos, mas raramente o é para um diplomata, pois este toma o ambiente mutante dos sistemas regionais ou o do cenário internacional como um dado essencial para o seu trabalho analítico e de formulação de posições destinada a iluminar a tomada de decisões em sua esfera de atuação. Ou seja, longe de ser um dado secundário, essa tal de “redefinição do mundo” perpassa todo e qualquer ambiente próprio de trabalho no qual se exercem acadêmicos e diplomatas. Não há propriamente algo que possam fazer, acadêmicos ou diplomatas, a propósito dessas supostas redefinições do mundo, a não ser tentar entender, interpretar corretamente e indicar possíveis tendências em relação a “coisas” relativamente fora do seu alcance, no sentido em que seria vão esperar qualquer tentativa de influenciar a direção das mudanças esperadas, ou imprimir ao processo uma direção determinada. No caso do Brasil tal incapacidade parece evidente: o país consegue influenciar, se tanto, copas do mundo de futebol, algum desabastecimento de café (mas cada vez menos, pois já existem outros grandes fornecedores no mercado) e, agora, uma novidade “literária”: graças à Odebrecht, o Brasil figura com destaque no livro Guinness dos recordes de corrupção, hemisférica e mundial.
Prefiro, portanto, falar das perspectivas da política externa num Brasil em redefinição, pois é um fato que o Brasil se encontra em um governo de transição, embora ainda não saibamos bem para qual direção. Na verdade nem sabemos se teremos governo no próximo mês ou até o final do ano. E vamos fingir que nós, acadêmicos ou diplomatas, conseguimos exibir alguma inteligência na definição de perspectivas para a política externa num Brasil em redefinição. Vamos então ver o que um acadêmico disfarçado de diplomata teria a dizer sobre essa política externa nesse Brasil em transformação para algo desconhecido: seria para algo melhor, ajuste feito, crescimento de novo, ou algum desastre pela frente, desastre econômico, política delinquente?

O que é esta tal de redefinição do Brasil? Alguém prevê melhoras?
Admitindo-se que o Brasil é o país que necessita de “redefinições”, por ter permanecido atrasado durante muito tempo, vejamos quais seriam as perspectivas de uma política externa adequada às novas circunstâncias sob as quais o Brasil precisa necessariamente viver. Existem várias dimensões associadas a uma eventual política externa futura do Brasil, isto é, diferente da atual, sendo que algumas são impostas pela agenda internacional, outras derivadas das próprias opções e iniciativas brasileiras.
Eu começaria por estas últimas, pois como já sugerido é o Brasil que necessita de redefinições adotadas por vontade própria, sob o comando de seus próprios líderes e representantes setoriais, inclusive neste caso os responsáveis pela chancelaria e os decisores da política externa. Aplicando o princípio do first things first, comecemos pelo mais importante: a despeito de o maior atraso brasileiro ser mais exatamente mental e não propriamente material, temos de começar pelo que é factível fazer, e mudar mentalidades é algo muito difícil de acontecer. Sendo a modernização econômica o aspecto mais urgente a ser objeto de políticas decisivas de inserção do Brasil na economia global, isto significa abandonar todas as políticas introvertidas, protecionistas ou autárquicas adotadas nas últimas décadas, em especial no período lulopetista (na verdade, algumas dessas atitudes nos acompanham desde sempre, apenas amenizadas temporariamente em raras fases de nosso processo de desenvolvimento).
O Mercosul, por exemplo, retrocedeu tremendamente durante o período lulopetista, ao longo do qual as autoridades políticas no mais alto escalão consentiram em aceitar as salvaguardas ilegais impostas pela Argentina e até tiveram a petulância de requerer a concordância dos exportadores brasileiros para tais práticas ilegais. Na política comercial, de modo geral, o Brasil se encontra hoje na incômoda e vergonhosa posição de se ver condenado num painel da OMC por ter infringido normas básicas nessa área, tanto em matéria de subsídios à produção, quanto no que tange discriminação à oferta estrangeira, ou seja, desrespeito ao princípio do tratamento nacional. Na esfera dos investimentos estrangeiros, os governos lulopetistas recusaram ratificar todos os acordos de promoção e proteção recíproca de investimentos (APPIs) que o Brasil havia voluntariamente aceito, vários deles, aliás, assinados pelo mesmo chanceler do lulopetismo em sua primeira encarnação como ministro do governo Itamar Franco, num outro período de transição.
Em várias esferas, o Brasil lulopetista conseguiu enorme projeção internacional para o seu governo, o que lhe trouxe imenso prestígio externo e grande aprovação por parte da academia. Acadêmicos gramscianos, ou mesmo desprovidos de qualquer base ideológica preferencial, são propensos a aceitar acriticamente certos gestos simbólicos de caneladas no império, e de resistência simulada a projetos de potências hegemônicas. A militância, de seu lado, ficou entusiasmada com todas essas alianças bolivarianas feitas ao longo do período, com a formação de “parcerias estratégicas” com países supostamente identificados com projetos alternativos aos das antigas potências coloniais e com essa preferência por uma “nova geografia do comércio internacional”. Fazendo, entretanto, um balanço objetivo dos resultados efetivos dos grandes objetivos do lulopetismo diplomático – conquista de uma cadeira permanente no CSNU, reforço e ampliação do Mercosul, conclusão bem sucedida das negociações comerciais da Rodada Doha – o que emerge são rotundos fracassos em toda a linha, sem considerar aqui o lado criminoso de diversos projetos conduzidos com recursos do BNDES, sem que garantias apropriadas fossem oferecidas para diversos desses financiamentos geralmente feitos com perfeitas ditaduras e regimes corruptos (o lado negro do formidável ativismo externo do lulopetismo mafioso).

O que será a política externa no futuro imediato? Brilhante? Razoável?
Em resumo, o Brasil precisaria abandonar todo um capítulo de política econômica externa caracterizado por vários ismos anacrônicos: protecionismo, nacionalismo, isolacionismo, intervencionismo, que se somaram a diversos outros ismos tradicionais, como o patrimonialismo, o corporativismo, o fisiologismo, o nepotismo, o prebendalismo, o burocratismo, etc.
Nesse sentido, a demanda por ingresso na OCDE pode e deve ajudar muito nesse aggiornamento da política econômica, embora a tendência seja a de que os negociadores nacionais insistam em, tentem preservar o máximo das características atuais da economia brasileira, que é tudo aquilo que precisa realmente mudar num sentido mais liberal e globalizador. No plano da política global, aliás, não creio que se deva investir tempo, energia e recursos nessa pretensão de se conquistar uma cadeira permanente no CSNU: trata-se de um objetivo fútil, típico de quem se crê melhor do que realmente é. Quando, e se, a Carta da ONU for reformada, o Brasil parece ser um candidato natural a ocupar um lugar permanente, e nem precisaria fazer campanha para tal objetivo: a cadeira virá, quase que por inércia ou por ação da lei de gravidade.
No plano regional, essas alusões à liderança, geralmente autopropostas, são no mínimo ridículas, quando não inconvenientes, no limite prejudiciais à própria pretensão do país fazer da América do Sul um espaço econômico unificado, uma zona de paz e de segurança conectada fisicamente, um continente democrático e respeitador dos direitos humanos, partilhando mecanismos regulatórios comuns ou harmônicos entre si de maneira a explorar conjuntamente os imensos recursos de que dispõe o continente, em alimentação, energia, matérias primas, comunicações, enfim, uma ampla gama de bens e serviços ofertados e intercambiados segundo os velhos princípios do livre comércio e da abertura aos investimentos externos.
Mas pode a política externa do Brasil caminhar para tal revolução copernicana em seus fundamentos conceituais, em seus propósitos ambiciosos, em suas grandes linhas de atuação? Poder pode, ou poderia, se depender apenas de seus diplomatas, que são capazes de todas as mudanças que se revelarem parte do imperativo categórico determinado pelo Príncipe de plantão. Em outros termos, os diplomatas se adaptam a quaisquer ordens e instruções que emanem do Príncipe, e unicamente do Príncipe que os comande. Os diplomatas são assim.
Seria, no entanto, por demais esperar que surja, assim como que por encanto, um Príncipe iluminado, esclarecido, inteligente, corajoso, consciente da necessidade de abertura econômica, de liberalização comercial, que tome todas as iniciativas necessárias em prol da plena aceitação da globalização, o que requereria, antes de qualquer outra coisa, um desarme psicológico por parte das elites atrasadas do Brasil? Pode-se esperar que uma tal personalidade ideal, um estadista modernizador seja eleito por um desses golpes de sorte, por alguma astúcia da história, e empreenda o duro caminho do estabelecimento de plenas liberdades econômicas e transforme, por vera arte do convencimento, a superestrutura mental da sociedade brasileira? Registre-se que tal empreendimento exigiria, no mínimo, o desmantelamento de todo um arcabouço regulatório, que teima em amarrar os empresários, e os próprios trabalhadores, em grilhões burocráticos muito piores do que os do antigo cartorialismo português?
Mesmo que tal Príncipe existisse – o que já é uma dessas apostas que qualquer broker londrino não aceitaria por menos de que dez contra um – e fosse eleito por uma feliz conjunção de circunstâncias favoráveis, com tantos nomes horríveis circulando nas pesquisas de opinião, ele teria de haver-se, em primeiro lugar, com toda a fragmentação partidária, com um Congresso verdadeiramente representativo da sociedade brasileira, ou seja, corporativo ao extremo, disfuncional, além de disfuncional por causa dos muitos lobbies e grupos de interesse bastante fortes ali representados. Ele teria, ademais, de confrontar-se com outras fontes de poder, a maior parte delas comprometida com uma mentalidade anacrônica, favorável ao protecionismo, à introversão, a um nacionalismo rastaquera, em uma palavra, a mesma carga de atraso mental já referida.
Os demais grandes temas da agenda diplomática do Brasil não mudarão muito, ou praticamente nada. A política externa brasileira continuará seguindo o farol do multilateralismo principista além de todo o aparato conceitual do politicamente correto nos vários itens dessa agenda: direitos humanos, meio ambiente, não proliferação, cooperação ao desenvolvimento, preferência pelo chamado Sul global, com os Palops à frente, integração retórica na América do Sul, enfim toda a gama mais de transpiração do que de inspiração a que já estamos acostumados desde longos anos. Em uma palavra, o Brasil continuará a ser o que sempre foi: um país ricamente dotado em recursos naturais mas insuficientemente desenvolvido, lutando contra suas próprias contradições e limitações, mas também continuando a agitar os velhos fantasmas internacionais de sempre. Estes seriam: a assimetria nas relações internacionais – o que é um dado do sistema internacional; a desigualdade de representação nos organismos internacionais; a baixa disposição dos países avançados em matéria de acesso a tecnologias favoráveis ao desenvolvimento dos países em desenvolvimento; o monopólio nuclear das grandes potências e o seu total descompromisso com o desarmamento nuclear; enfim, temas e agendas que já fazem parte da retórica diplomática brasileira desde largo tempo.

Conclusões pouco conclusivas
Imaginemos, por um instante, totalmente  por acaso, que seria possível traçar uma política externa ideal, sem pretensões megalomaníacas, uma política engajada na construção de um país satisfeito consigo mesmo, sem angústias terceiro-mundistas ou projetos de grande potência, propenso a abrir-se a todos os vizinhos de maneira ampla e sem qualquer critério de reciprocidade, apenas acolhendo bens e serviços, trabalhadores, em bases unilaterais, de maneira generosa, um país apto a contribuir para a formação de um espaço econômico integrado, como seria teoricamente possível ocorrer se o Brasil fosse esse país dotado de uma política externa ideal. Mas esta é uma projeção utópica que não parece próxima de realizar-se no futuro previsível.
A única coisa que deveria realmente mudar, no âmbito mais geral das políticas públicas, mas envolvendo também a política externa, seria um compromisso inarredável com ampla abertura externa, em especial com as liberdades econômicas vinculadas ao exercício das atividades produtivas, expostas estas à concorrência externa. Mudará isto?
Não acredito! O Brasil, e sua política externa, é um país que preza um alto grau de soberania econômica, e orgulhoso de assim proceder, o que significa que continuará patinando no mesmo lugar pelo futuro previsível. Isso também nos garantirá um crescimento medíocre nos anos à frente.
Os diplomatas poderiam ajudar nessa tarefa de modernização mental das elites e da própria agenda brasileira de modernização globalizante? Não tenho certeza disso. Eles sempre foram, são e continuarão sendo educados no mesmo espírito do nacionalismo desenvolvimentista que caracteriza as elites brasileiras desde sempre. O que significa que eles continuarão submissos ao consenso nacional que é também o que emerge de Príncipes timoratos e concordantes com os interesses de suas elites gatopardianas.
O mundo, em maior ou menor transformação, seguirá o seu curso, ou seja, passando por constantes mudanças, sobretudo econômicas. O Brasil também seguirá o seu curso, que é o de progredir a passos pequenos, hesitantes, em direção a um futuro indefinido. Existem motivos de preocupação? Talvez, mas como já dizia Mario de Andrade em 1924: “progredir, progredimos um tiquinho, que o progresso também é uma fatalidade.”

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 22/06/2017; Em voo Brasília-Lisboa, 23-24/2017; Lisboa, 25-26/06/2017.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Perspectivas da politica externa em um Brasil em redefinicao - Paulo Roberto de Almeida

Este trabalho não pode ser considerado completo ou acabado, mas como vou ter de debater a respeito nesta data, no encontro da ABRI, deixo-o disponível no formato em que se encontra, para acesso pelos interessados em saber o que eu teria a dizer a respeito do tema escolhido para debate nesta mesa de que participo no evento:

3131. “Perspectivas da política externa em um Brasil em redefinição”, Brasília, Lisboa, 22-26 junho 2017, 7 p. Notas para mesa redonda no 5o. encontro da ABRI em Belo Horizonte, em 27 de julho. Em revisão.
Paulo Roberto de Almeida 



Paulo Roberto de Almeida
 [Notas para mesa redonda; 5o. Encontro da ABRI; BH, 27/07/2017]
Programa: http://www.encontro2017.abri.org.br/programacao


O que está em redefinição: o mundo ou o Brasil?
Recebo convite para falar das “Perspectivas da política externa brasileira em um mundo em redefinição”, em mesa redonda no quadro do quinto encontro nacional da ABRI, Associação Brasileira de Relações Internacionais, em Belo Horizonte. O título da mesa redonda se encaixa no tema geral do encontro: “Redefinindo a diplomacia em um mundo em transformação”. Esse tema geral é apresentado da seguinte maneira: Há no ambiente internacional contemporâneo um desafio bastante óbvio para a atividade diplomática: a redefinição do relacionamento entre os Estados, à luz do elevado grau de incerteza associado à ascensão de diversos deles a novas posições de influência e protagonismo — em alguns casos, duradoura e consistente; em outros, uma trajetória mais errática, ambígua e ainda indefinida.” Suponho que o Brasil esteja nesse segundo caso, ou pelo menos assim pensaram os autores do texto de apresentação do encontro.
Minha primeira reação é considerar que a segunda parte do título da mesa redonda, a expressão “um mundo em redefinição”, constitui uma redundância ou uma tautologia. O mundo está sempre em redefinição, qualquer que seja o momento retido para falar a seu respeito, algumas vezes de forma mais pronunciada, em outras vezes menos de forma menos evidente, mas sempre em constante redefinição, pois esta é sua característica essencial, incontornável, aliás imutável. Tudo é movimento, diria um antigo filósofo grego, e assim deve continuar. As razões são perfeitamente conhecidas: dinâmicas e letargias econômicas; alternâncias, mudanças ou mesmo rupturas políticas, sobretudo nas democracias de mercado; mutações sociais e demográficas; tensões e conflitos entre Estados ou entre líderes políticos; tais são os elementos que compõem os ambientes nacionais, os cenários regionais, ou o sistema internacional de poderes reconhecidos. Tais cenários apresentam essa tendência, talvez irritante aos olhos dos conservadores, que é a de estar sempre mudando (algumas vezes para pior).
Em todo caso, se o mundo está ou não em redefinição, em determinadas fases ou momentos da história, isso pode ser um assunto de preocupações e afazeres acadêmicos, mas raramente o é para um diplomata, pois este toma o ambiente mutante dos sistemas regionais ou o do cenário internacional como um dado essencial para o seu trabalho analítico e de formulação de posições destinada a iluminar a tomada de decisões em sua esfera de atuação. Ou seja, longe de ser um dado secundário, essa tal de “redefinição do mundo” perpassa todo e qualquer ambiente próprio de trabalho no qual se exercem acadêmicos e diplomatas. Não há propriamente algo que possam fazer, acadêmicos ou diplomatas, a propósito dessas supostas redefinições do mundo, a não ser tentar entender, interpretar corretamente e indicar possíveis tendências em relação a “coisas” relativamente fora do seu alcance, no sentido em que seria vão esperar qualquer tentativa de influenciar a direção das mudanças esperadas, ou imprimir ao processo uma direção determinada. No caso do Brasil tal incapacidade parece evidente: o país consegue influenciar, se tanto, copas do mundo de futebol, algum desabastecimento de café (mas cada vez menos, pois já existem outros grandes fornecedores no mercado) e, agora, uma novidade “literária”: graças à Odebrecht, o Brasil figura com destaque no livro Guinness dos recordes de corrupção, hemisférica e mundial.
Prefiro, portanto, falar das perspectivas da política externa num Brasil em redefinição, pois é um fato que o Brasil se encontra em um governo de transição, embora ainda não saibamos bem para qual direção. Na verdade nem sabemos se teremos governo no próximo mês ou até o final do ano. E vamos fingir que nós, acadêmicos ou diplomatas, conseguimos exibir alguma inteligência na definição de perspectivas para a política externa num Brasil em redefinição. Vamos então ver o que um acadêmico disfarçado de diplomata teria a dizer sobre essa política externa nesse Brasil em transformação para algo desconhecido: seria para algo melhor, ajuste feito, crescimento de novo, ou algum desastre pela frente, desastre econômico, política delinquente?

O que é esta tal de redefinição do Brasil? Alguém prevê melhoras?
Admitindo-se que o Brasil é o país que necessita de “redefinições”, por ter permanecido atrasado durante muito tempo, vejamos quais seriam as perspectivas de uma política externa adequada às novas circunstâncias sob as quais o Brasil precisa necessariamente viver. Existem várias dimensões associadas a uma eventual política externa futura do Brasil, isto é, diferente da atual, sendo que algumas são impostas pela agenda internacional, outras derivadas das próprias opções e iniciativas brasileiras.
Eu começaria por estas últimas, pois como já sugerido é o Brasil que necessita de redefinições adotadas por vontade própria, sob o comando de seus próprios líderes e representantes setoriais, inclusive neste caso os responsáveis pela chancelaria e os decisores da política externa. Aplicando o princípio do first things first, comecemos pelo mais importante: a despeito de o maior atraso brasileiro ser mais exatamente mental e não propriamente material, temos de começar pelo que é factível fazer, e mudar mentalidades é algo muito difícil de acontecer. Sendo a modernização econômica o aspecto mais urgente a ser objeto de políticas decisivas de inserção do Brasil na economia global, isto significa abandonar todas as políticas introvertidas, protecionistas ou autárquicas adotadas nas últimas décadas, em especial no período lulopetista (na verdade, algumas dessas atitudes nos acompanham desde sempre, apenas amenizadas temporariamente em raras fases de nosso processo de desenvolvimento).
O Mercosul, por exemplo, retrocedeu tremendamente durante o período lulopetista, ao longo do qual as autoridades políticas no mais alto escalão consentiram em aceitar as salvaguardas ilegais impostas pela Argentina e até tiveram a petulância de requerer a concordância dos exportadores brasileiros para tais práticas ilegais. Na política comercial, de modo geral, o Brasil se encontra hoje na incômoda e vergonhosa posição de se ver condenado num painel da OMC por ter infringido normas básicas nessa área, tanto em matéria de subsídios à produção, quanto no que tange discriminação à oferta estrangeira, ou seja, desrespeito ao princípio do tratamento nacional. Na esfera dos investimentos estrangeiros, os governos lulopetistas recusaram ratificar todos os acordos de promoção e proteção recíproca de investimentos (APPIs) que o Brasil havia voluntariamente aceito, vários deles, aliás, assinados pelo mesmo chanceler do lulopetismo em sua primeira encarnação como ministro do governo Itamar Franco, num outro período de transição.
Em várias esferas, o Brasil lulopetista conseguiu enorme projeção internacional para o seu governo, o que lhe trouxe imenso prestígio externo e grande aprovação por parte da academia. Acadêmicos gramscianos, ou mesmo desprovidos de qualquer base ideológica preferencial, são propensos a aceitar acriticamente certos gestos simbólicos de caneladas no império, e de resistência simulada a projetos de potências hegemônicas. A militância, de seu lado, ficou entusiasmada com todas essas alianças bolivarianas feitas ao longo do período, com a formação de “parcerias estratégicas” com países supostamente identificados com projetos alternativos aos das antigas potências coloniais e com essa preferência por uma “nova geografia do comércio internacional”. Fazendo, entretanto, um balanço objetivo dos resultados efetivos dos grandes objetivos do lulopetismo diplomático – conquista de uma cadeira permanente no CSNU, reforço e ampliação do Mercosul, conclusão bem sucedida das negociações comerciais da Rodada Doha – o que emerge são rotundos fracassos em toda a linha, sem considerar aqui o lado criminoso de diversos projetos conduzidos com recursos do BNDES, sem que garantias apropriadas fossem oferecidas para diversos desses financiamentos geralmente feitos com perfeitas ditaduras e regimes corruptos (o lado negro do formidável ativismo externo do lulopetismo mafioso).

O que será a política externa no futuro imediato? Brilhante? Razoável?
Em resumo, o Brasil precisaria abandonar todo um capítulo de política econômica externa caracterizado por vários ismos anacrônicos: protecionismo, nacionalismo, isolacionismo, intervencionismo, que se somaram a diversos outros ismos tradicionais, como o patrimonialismo, o corporativismo, o fisiologismo, o nepotismo, o prebendalismo, o burocratismo, etc.
Nesse sentido, a demanda por ingresso na OCDE pode e deve ajudar muito nesse aggiornamento da política econômica, embora a tendência seja a de que os negociadores nacionais insistam em, tentem preservar o máximo das características atuais da economia brasileira, que é tudo aquilo que precisa realmente mudar num sentido mais liberal e globalizador. No plano da política global, aliás, não creio que se deva investir tempo, energia e recursos nessa pretensão de se conquistar uma cadeira permanente no CSNU: trata-se de um objetivo fútil, típico de quem se crê melhor do que realmente é. Quando, e se, a Carta da ONU for reformada, o Brasil parece ser um candidato natural a ocupar um lugar permanente, e nem precisaria fazer campanha para tal objetivo: a cadeira virá, quase que por inércia ou por ação da lei de gravidade.
No plano regional, essas alusões à liderança, geralmente autopropostas, são no mínimo ridículas, quando não inconvenientes, no limite prejudiciais à própria pretensão do país fazer da América do Sul um espaço econômico unificado, uma zona de paz e de segurança conectada fisicamente, um continente democrático e respeitador dos direitos humanos, partilhando mecanismos regulatórios comuns ou harmônicos entre si de maneira a explorar conjuntamente os imensos recursos de que dispõe o continente, em alimentação, energia, matérias primas, comunicações, enfim, uma ampla gama de bens e serviços ofertados e intercambiados segundo os velhos princípios do livre comércio e da abertura aos investimentos externos.
Mas pode a política externa do Brasil caminhar para tal revolução copernicana em seus fundamentos conceituais, em seus propósitos ambiciosos, em suas grandes linhas de atuação? Poder pode, ou poderia, se depender apenas de seus diplomatas, que são capazes de todas as mudanças que se revelarem parte do imperativo categórico determinado pelo Príncipe de plantão. Em outros termos, os diplomatas se adaptam a quaisquer ordens e instruções que emanem do Príncipe, e unicamente do Príncipe que os comande. Os diplomatas são assim.
Seria, no entanto, por demais esperar que surja, assim como que por encanto, um Príncipe iluminado, esclarecido, inteligente, corajoso, consciente da necessidade de abertura econômica, de liberalização comercial, que tome todas as iniciativas necessárias em prol da plena aceitação da globalização, o que requereria, antes de qualquer outra coisa, um desarme psicológico por parte das elites atrasadas do Brasil? Pode-se esperar que uma tal personalidade ideal, um estadista modernizador seja eleito por um desses golpes de sorte, por alguma astúcia da história, e empreenda o duro caminho do estabelecimento de plenas liberdades econômicas e transforme, por vera arte do convencimento, a superestrutura mental da sociedade brasileira? Registre-se que tal empreendimento exigiria, no mínimo, o desmantelamento de todo um arcabouço regulatório, que teima em amarrar os empresários, e os próprios trabalhadores, em grilhões burocráticos muito piores do que os do antigo cartorialismo português?
Mesmo que tal Príncipe existisse – o que já é uma dessas apostas que qualquer broker londrino não aceitaria por menos de que dez contra um – e fosse eleito por uma feliz conjunção de circunstâncias favoráveis, com tantos nomes horríveis circulando nas pesquisas de opinião, ele teria de haver-se, em primeiro lugar, com toda a fragmentação partidária, com um Congresso verdadeiramente representativo da sociedade brasileira, ou seja, corporativo ao extremo, disfuncional, além de disfuncional por causa dos muitos lobbies e grupos de interesse bastante fortes ali representados. Ele teria, ademais, de confrontar-se com outras fontes de poder, a maior parte delas comprometida com uma mentalidade anacrônica, favorável ao protecionismo, à introversão, a um nacionalismo rastaquera, em uma palavra, a mesma carga de atraso mental já referida.
Os demais grandes temas da agenda diplomática do Brasil não mudarão muito, ou praticamente nada. A política externa brasileira continuará seguindo o farol do multilateralismo principista além de todo o aparato conceitual do politicamente correto nos vários itens dessa agenda: direitos humanos, meio ambiente, não proliferação, cooperação ao desenvolvimento, preferência pelo chamado Sul global, com os Palops à frente, integração retórica na América do Sul, enfim toda a gama mais de transpiração do que de inspiração a que já estamos acostumados desde longos anos. Em uma palavra, o Brasil continuará a ser o que sempre foi: um país ricamente dotado em recursos naturais mas insuficientemente desenvolvido, lutando contra suas próprias contradições e limitações, mas também continuando a agitar os velhos fantasmas internacionais de sempre. Estes seriam: a assimetria nas relações internacionais – o que é um dado do sistema internacional; a desigualdade de representação nos organismos internacionais; a baixa disposição dos países avançados em matéria de acesso a tecnologias favoráveis ao desenvolvimento dos países em desenvolvimento; o monopólio nuclear das grandes potências e o seu total descompromisso com o desarmamento nuclear; enfim, temas e agendas que já fazem parte da retórica diplomática brasileira desde largo tempo.

Conclusões pouco conclusivas
Imaginemos, por um instante, totalmente  por acaso, que seria possível traçar uma política externa ideal, sem pretensões megalomaníacas, uma política engajada na construção de um país satisfeito consigo mesmo, sem angústias terceiro-mundistas ou projetos de grande potência, propenso a abrir-se a todos os vizinhos de maneira ampla e sem qualquer critério de reciprocidade, apenas acolhendo bens e serviços, trabalhadores, em bases unilaterais, de maneira generosa, um país apto a contribuir para a formação de um espaço econômico integrado, como seria teoricamente possível ocorrer se o Brasil fosse esse país dotado de uma política externa ideal. Mas esta é uma projeção utópica que não parece próxima de realizar-se no futuro previsível.
A única coisa que deveria realmente mudar, no âmbito mais geral das políticas públicas, mas envolvendo também a política externa, seria um compromisso inarredável com ampla abertura externa, em especial com as liberdades econômicas vinculadas ao exercício das atividades produtivas, expostas estas à concorrência externa. Mudará isto?
Não acredito! O Brasil, e sua política externa, é um país que preza um alto grau de soberania econômica, e orgulhoso de assim proceder, o que significa que continuará patinando no mesmo lugar pelo futuro previsível. Isso também nos garantirá um crescimento medíocre nos anos à frente.
Os diplomatas poderiam ajudar nessa tarefa de modernização mental das elites e da própria agenda brasileira de modernização globalizante? Não tenho certeza disso. Eles sempre foram, são e continuarão sendo educados no mesmo espírito do nacionalismo desenvolvimentista que caracteriza as elites brasileiras desde sempre. O que significa que eles continuarão submissos ao consenso nacional que é também o que emerge de Príncipes timoratos e concordantes com os interesses de suas elites gatopardianas.
O mundo, em maior ou menor transformação, seguirá o seu curso, ou seja, passando por constantes mudanças, sobretudo econômicas. O Brasil também seguirá o seu curso, que é o de progredir a passos pequenos, hesitantes, em direção a um futuro indefinido. Existem motivos de preocupação? Talvez, mas como já dizia Mario de Andrade em 1924: “progredir, progredimos um tiquinho, que o progresso também é uma fatalidade.”

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 22/06/2017; Em voo Brasília-Lisboa, 23-24/2017; Lisboa, 25-26/06/2017.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Meridiano 47: numero especial sobre pesquisa e extensao em RI - ABRI 2017

Meridiano 47 – Journal of Global Studies
Dossiê especial sobre Ensino, Pesquisa e Extensão em RI no Brasil

Permanece aberta até 30/03 a chamada de contribuições para o Dossiê Especial sobre Desafios e Caminhos do Ensino, Pesquisa e Extensão em Relações Internacionais no Brasil, em organização em Meridiano 47 – Journal of Global Studies.

A ampliação dos cursos de graduação e de pós-graduação, a diversidade das atividades com interface internacional, assim como os avanços teóricos e empíricos da disciplina nos últimos anos evidenciam a consolidação do campo das Relações Internacionais no Brasil. Ao mesmo tempo, as mudanças nas tecnologias da informação, as novas possibilidades de atuação profissional e os desdobramentos interdisciplinares estimulam a discussão sobre o perfil dos egressos, bem como sobre as expectativas do mercado de trabalho e do Estado em relação ao campo.

A publicação deste Dossiê pretende contribuir para o debate sobre as Relações Internacionais no Brasil, congregando avaliações sobre questões e metodologias que movem o campo nas dimensões do Ensino, da Pesquisa e da Extensão, inclusive nas suas inter-relações. Nessa perspectiva, convidamos a comunidade a submeter trabalhos que abordem, entre outros, os seguintes temas:

- a relação entre o ensino na graduação e na pós-graduação;
- desenvolvimentos recentes de temas substantivos nas agendas de pesquisa e sua inter-relação com o ensino e a extensão;
- formas de aprendizado ativo e experienciais;
- o desenvolvimento da área no Brasil e/ou comparação com a experiência de outros países, o papel das simulações; projetos pedagógicos, conteúdos programáticos e análise de currículos;
- perspectivas e expectativas do mercado de trabalho; modalidades de avaliação, inclusive da área; experiências de integração entre disciplinas; metodologias de pesquisa.

As normas de colaboração da Revista podem ser verificadas aqui e submissões se fazem aqui
O lançamento do dossiê se fará em julho de 2017, no contexto do Encontro Nacional da Associação Brasileira de Relações Internacionais – ABRI.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

ABRI anuncia novo numero de Carta Internacional, vol. 11, n. 3/2016

Caros leitores,

A revista Carta Internacional acaba de publicar seu último número, disponível em https://www.cartainternacional.abri.org.br/Carta. Convidamos a navegar no sumário da revista para acessar os artigos e outros itens de seu interesse.

Agradecemos seu interesse e apoio contínuo em nosso trabalho,
Administrador da Carta Internacional
Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI)
cartainternacional@abri.org.br

Carta Internacional
v. 11, n. 3 (2016)
Sumário
https://www.cartainternacional.abri.org.br/Carta/issue/view/35

Artigos
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A identidade internacional do Brasil: uma síntese da literatura (5 - 31)
    Rafael Mesquita
Rumo à cooperação e ao desenvolvimento: as políticas brasileiras para a faixa de fronteira (32 - 55)
    Marcio Scherma
A Política Externa do Império no Prata e a Missão Bellegarde ao Paraguai (1848 - 1852) (56 - 76)
    Pedro Henrique Verano
Enriquecimento de animosidades: o início da política nuclear brasileira (77 - 98)
    Túlio Sérgio Henriques Ferreira,    Vanessa Horácio Lira
Comunidades epistêmicas e de prática em Defesa na Argentina e no Brasil: entre a organicidade e a plasticidade (99 - 123)
    Samuel Alves Soares
As razões de ser do Conselho de Defesa Sul-Americano da UNASUL (124 - 148)
    Tamires Aparecida Ferreira Souza
O Brasil e o acender das luzes das independências de Angola e Moçambique (1974-1975) (149 - 171)
    Jose Alejandro Sebastian Barrios Diaz
Reconsidering the consistency between principles and practices for Technical Cooperation between Developing Countries: A critical analysis of ProSavanah. (172 - 198)
    Niels Søndergaard
O Sudeste Asiático entre Estados Unidos e China: “arquipélago de economias de mercado” ou palco da competição interestatal capitalista? (199 - 222)
    Isabela Nogueira,    Bruno Hendler
O Brasil como potência regional: uma análise de sua liderança na América Latina no início do século XXI (222 - 252)
    Patricia Nasser de Carvalho,    Fernanda Cristina Izidro Nanci Gonçalves
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Edição Completa (1 - 252)
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Editoria da Revista Carta Internacional
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Associação Brasileira de Relações Internacionais - ABRI

sexta-feira, 8 de abril de 2016

ABRI realiza seu seminario de RI em Florianopolis, 29-30/09/2016


ABRI realizará em Florianópolis 3º Seminário de RI

Entre os dias 29 e 30 de setembro a Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI) promoverá o 3º Seminário de Relações Internacionais, com o tema Repensando interesses e desafios para a inserção internacional do Brasil no século XXI. O evento acontecerá na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, e promoverá a discussão de trabalhos através de painéis, workshops doutorais e mostra de iniciação científica, agrupados de acordo com as sete áreas temáticas da Associação:
  1.  Análise de Política Externa;
  2. Economia Política Internacional;
  3. História das Relações Internacionais e História da Política Externa;
  4. Instituições e Regimes Internacionais;
  5. Segurança Internacional, Estudos Estratégicos e Política de Defesa;
  6. Teoria das Relações Internacionais;
  7. Ensino de Relações Internacionais.
O objetivo do seminário é discutir e aprofundar as temáticas específicas da área de conhecimento, com o intuito de melhor qualificar o ensino e a pesquisa no campo das relações internacionais no país. Nos anos 2000, o Brasil assumiu uma nova posição de proeminência internacional. Em um cenário internacional em transformação, o país ampliou a sua presença em alguns temas e arenas centrais da política internacional, ao mesmo tempo em que reafirmou aspectos estruturais do seu comportamento externo.
Mudanças internas no país e no âmbito regional e internacional confluíram para a implementação de uma política externa com novos horizontes, trazendo também novos interesses, desafios e dilemas, cujos significados ainda não foram suficientemente dimensionados. Entre a primeira e a segunda década dos anos 2000, apesar do curto intervalo, a política externa brasileira passou por oscilações significativas, que incidiram sobre as próprias bases e as perspectivas da estratégia de atuação global do Brasil. Assim, na medida em que a política externa do país se torna cada vez mais complexa, é fundamental uma reflexão aprofundada sobre os interesses e desafios para a inserção internacional do Brasil, bem como sobre a própria natureza do ambiente internacional no século XXI e seus contornos definidores.
Insformações adicionais e inscrições no evento podem ser realizadas aqui.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Carta Internacional: chamada para artigos

"Carta Internacional" Journal is dedicated to the publication of scientific papers related to international relations field. Its main objective is to promote qualified intellectual debate about fundamental issues of international relations that affect or are affected by Brazil.

The Journal was created in 1993 by the International Research Center of USP (University of São Paulo), and since 2011 it is under responsibility of Brazilian International Relations Association.

Carta Internacional publishes papers in Portuguese and in English that have relevant contributions to development of the international relations study in Brazil.

The rules for paper submission are available in http://cartainternacional.abri.org.br/index.php/Carta/about/submissions#onlineSubmissions

Conditions to submit a paper:

1.    the article must be unpublished and may not be being evaluated by another journal. Otherwise, it must be justified in “Comments to the Editor”.
2.    the file must be in Microsoft Word, Open Office or RTF format.
3.    to inform, when necessary, the URL for the bibliography references.
4.    the article format must observe: single-space;  12-point size font; use italic rather than underlinning (except in URL); pictures and tables need to be inserted in the text, not in the end of the paper.
5. the text must follow the style patterns and bibliographic requirements that are informed in "Diretrizes para Autores", on page "Sobre a Revista".
6.   if the author is submitting a paper for a section with peer review, please check if all the instructions available in "Assegurando uma avaliação por pares cega" were followed.
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Carta Internacional

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Associação Brasileira de Relações Internacionais - ABRI

quinta-feira, 13 de março de 2014

Revista Carta Internacional - chamada para artigos

A despeito do que diz esta nota, a revista também publica artigos em espanhol.
Sendo internacional, aliás, deveria publicar em várias outras línguas, mas entendo que os revisores possam ter pequenas dificuldades com árabe, chinês ou russo...
Mas espanhol????
Eles não sabem que a república dos companheiros tornou compulsório -- o que é outra das imensa bobagens educacionais nunca antes feitas no Brasil, mas isso é outra questão -- o ensino do Espanhol desde o primário?
E vão perder essa notável capacidade dos companheiros em Portunhol?
Donde estamos compañeros?
Asi no más discriminando los vecinos?
Dejad diso... (estou gozando claro...)
Paulo Roberto de Almeida




A Revista Carta Internacional (ISSN 1413-0904), publicação da Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI), informa a chamada trabalhos inéditos nos idiomas português e inglês, sob a forma de artigos científicos na área de Relações Internacionais.  As submissões se fazem em fluxo contínuo e o período de análise editorial se estende por 120 dias.
Carta Internacional é uma publicação digital e semestral da Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI) destinada a promover o debate intelectual a respeito dos principais temas das relações internacionais, sob a perspectiva brasileira. Seu principal objetivo é promover intercambio de conhecimento entre pesquisadores e divulgar conteúdos de qualidade para a compreensão da realidade nacional e internacional.
A Revista está classificada na escala Qualis/CAPES em diversos comitês de área, e o seu conceito no comitê de Ciência Política e Relações Internacionais é B1.
Detalhes sobre o processo de submissão eletrônica e instruções aos autores podem ser encontrados aqui.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Livros sendo lancados no 4 Congresso da ABRI (Assoc.Br. de Relacoes Internacionais)

4º Encontro Nacional da ABRI (Associação Brasileira de Relações Internacionais), que acontece na cidade de Belo Horizonte, de 23 a 26 de julho de 2013, procurará refletir sobre o multilateralismo, plurilateralismo e a construção de uma ordem mundial. O evento consistirá de mesas redondas, painéis, workshops e mostra de iniciação científica, que se estruturarão em torno de cinco áreas temáticas:

• Segurança Internacional;
• Instituições Internacionais;
• Economia Política Internacional;
• História das Relações Internacionais;
• Política Externa

Lançamentos de Livros

25/07/2013 | QUARTA-FEIRA | 16:00 ÀS 17:00
Vias de mão dupla
Andre Luis Nascimento dos Santos
O prenúncio de uma agenda internacional para os Estados Latino-americanos. Reformas do Estado na América Latina: Argentina, Brasil e México em perspectiva comparada. A Reforma do Judiciário na América Latina: Argentina, Brasil e México. Acesso à justiça e aos seus novo repertórios: um estudo ilustrativo de três experiências estatais. 

Teoria das Relações Internacionais
Daniel Jatobá
As teorias são conjuntos articulados de conceitos, cujos significados apresentam conteúdos relacionados ao mundo em que vivemos. Elas são criadas pelos estudiosos para conferir sentido à realidade, mas não resultam apenas de esforços isolados ou daquele indivíduo, são elaboradas em meio aos debates entre os membros da comunidade acadêmica especializada e sob a influência das diversas áreas do conhecimento social. Considerando esses debates, a obra apresenta, com detalhes, as principais perspectivas teóricas (tradicionais e contemporâneas) das Relações Internacionais (RI) em linguagem clara e objetiva. Inicia com a formação da disciplina, no início do século passado, passa pelas teorias mais tradicionais desenvolvidas durante o período da Guerra Fria para, enfim, alcançar as perspectivas mais críticas e inovadoras, as quais se consolidam, principalmente, com o fim da bipolaridade, marco histórico que contribui para o processo de expansão teórica do campo.

DIREITO E SAÚDE GLOBAL - O caso da pandemia de gripe A(H1N1)
Deisy Ventura
Direito e Saúde Global é um estudo pioneiro e competente sobre um tema que a intensificação dos fluxos mundiais de recursos, produtos, serviços, pessoas e ideias – numa palavra, a globalização – terminou por inscrever na agenda de Problemas internacionais. 
Além de atestar domínio técnico das questões do direito internacional, o trabalho mostra, também, grande sensibilidade para a política e os interesses que se mobilizam em torno das pandemias.
Deste ângulo, tem parentesco com o eletrizante documentário de Charles Ferguson, Inside Job (mal traduzido para o Português como Trabalho Interno), que jogou luz sobre os bastidores da crise financeira de 2008, ao revelar como especialistas, supostamente neutros, podem defender interesses que conflitam com os do público. Uma leitura muito útil e prazerosa.

Sistema Internacional de Hegemonia Conservadora Governança Global e Democracia na era da Crise Climática
Eduardo Viola, Matías Franchini e Thais Lemos Ribeiro
Partimos da premissa de que a problemática da mudança climática se torna um vetor civilizatório central de nossa época, um elemento principal na definição do presente e do futuro das sociedades humanas, uma fronteira planetária fundamental para demarcar um espaço de operação segura da humanidade. O argumento não é novo nem incomum na literatura sobre clima em suas diversas vertentes, porém encontra maiores resistências para penetrar o campo das ciências sociais e em especial o âmbito acadêmico brasileiro, e quando inserido, é feito de forma marginal, superficial e inconvicta, isto é, incoerente. A pretensão de originalidade de nossa obra descansa no esforço – esperemos que bem sucedido – de, evitando aqueles vícios da incongruência, levar até as últimas consequências a consideração do clima como vetor civilizatório principal.
Para cumprir com os objetivos enunciados, dividimos o nosso livro em duas partes e oito capítulos. A primeira parte é a mais substancial e discute ao longo de seis segmentos as consequências empíricas e conceituais da transformação do clima em vetor civilizatório principal. No capítulo 1 apresentamos as três forças que, na nossa visão, moldam com maior intensidade os contornos das sociedades contemporâneas: globalização, democracia e clima. Aprofundamos no campo de interação entre esses três vetores e explicamos porque o vetor climático aparece hoje como o mais importante. No capítulo 2 abordamos o tratamento do sistema internacional contemporâneo, que inicia a transição para sua atual configuração com a consolidação da crise climática em 2007 e econômica em 2008. Enumeramos e discutimos essas transformações, fazemos uma revisão de como a literatura recente das Relações Internacionais as assimila e finalmente introduzimos a nossa própria imagem, que qualificamos de sistema internacional de hegemonia conservadora.
No capitulo 3, iniciamos o tratamento especifico da problemática do clima nas Relações Internacionais, abrindo justamente com a disciplina que trouxe o debate ao nosso campo de estudos: a economia do clima. Discutimos aqui as consequências econômicas (entendidas em sentido amplo, incluindo prosperidade, desenvolvimento, e sustentabilidade) do fenômeno, os mecanismos políticos de resposta e as alternativas do debate sobre a transição para uma economia de baixo carbono em um mundo extremamente interdependente. No capítulo 4 nos encontramos já em território exclusivo das Relações Internacionais – se é que esse domínio existe – na medida em que tratamos o clima como problemática abordada pela teoria da disciplina. Tratamos aqui a entrada do tópico no campo através da análise de regimes do liberal-institucionalismo, suas principais características conceituais, seu período de auge e finalmente, suas limitações epistemológicas.
A evidência dessas limitações explica e justifica a existência do Capítulo 5, onde apresentamos algumas visões alternativas sobre como cuidar da área de interação entre clima e Relações Internacionais e finalmente introduzimos a nossa própria arquitetura analítica, que vê o clima como uma área de governança global específica – com agentes e dinâmicas próprias – e onde o conceito de potência – como agente de particular importância para definir o produto social dessa área de governança – se torna fundamental para refletir sobre as perspectiva da transição para uma economia de baixo carbono. Finalmente, no Capítulo 6, testamos esse arcabouço conceitual construído ao falarmos do papel das potências na construção de uma estrutura de governança global sobre clima. Identificando cada um desses atores segundo o nível de agência – superpotências, grandes potências e potências médias – e discutimos seu comportamento em termos de compromisso climático.
Na segunda parte do livro apresentamos dois estudos de caso, o Brasil e a Argentina na transição para uma economia de baixo carbono, nos capítulos 7 e 8, respectivamente. O marcado contraste entre os dois países contribui para ilustrar as discussões contidas na primeira parte, dado que enquanto a sociedade e lideranças políticas brasileiras assimilam de forma progressiva a relevância civilizatória do vetor climático, a Argentina simplesmente ignora o processo e se consolida como potência conservadora. Em algum sentido, essas duas sociedades reproduzem o dilema civilizatório central de nossa época, quando e como as forças reformistas do clima se impõem sobre as conservadoras.

Energia e Relações Internacionais
Igor Fuser
O livro aborda a influencia o acesso aas fontes de energia e a disputa pelas receitas provenientes da sua exploração como um fator relevante nas relações internacionais. A energia eh enfocada em sua dimensão geopolítica, no contexto da globalização económica e das assimetrias de riqueza e poder no sistema internacional. Discutem-se o papel dos recursos energéticos na busca do desenvolvimento e os impasses ambientais relacionados com a sua exploração e consumo, assim como as perspectivas de substituição do petróleo por fontes alternativas de energia.


Hegemonia, revolução passiva e globalização - O sistema G7/8
Leonardo César Souza Ramos
O livro busca analisar, de uma perspectiva neogramsciana, o processo de surgimento e evolução do sistema G7/8, tendo como pano de fundo o contexto histórico-estrutural da economia política global desde os anos 1970. Destaque é dado aos processos de transnacionalização do Estado, dada a
relevância de tal conceito, juntamente com o de revolução passiva, para o entendimento do sistema G7/8. Feitas tais discussões de caráter teórico, parte-se para uma apresentação do sistema G7/8 e dos processos de institucionalização das relações entre os principais países capitalistas a ele
associados. Por fim, a partir de tais questões é apresentada uma leitura crítica do sistema G7/8 que é visto, assim, como um vetor do processo de transnacionalização do Estado e, por conseguinte, como um elemento fundamental para a constituição, difusão e consolidação do modelo de acumulação neoliberal e do bloco histórico liberal transnacional a ele associado. Mesmo com a emergência de crises a partir dos anos 1990 tal sistema G7/8 permanece relevante, agora vinculado também a uma estratégia de revolução passiva em escala global, da qual são expressões o G20 e o processo de
outreach do sistema G7/8, por exemplo.

Integração Regional uma introdução
Paulo Roberto de Almeida
Os acordos regionais há tempos já são realidade e tornam-se cada vez mais importantes nas negociações com a intensificação crescente do processo de globalização. A obra analisa esse processo histórico bem como a constituição de acordos e blocos econômicos e seus impactos para a economia mundial contemporânea. Destaca-se, também, por ter sido escrita não por um simples observador ou estudioso desses processos, mas por um protagonista de algumas das mais importantes negociações regionais de que participou o Brasil, a começar pelo Mercosul. Trata-se, portanto, do primeiro livro que tem por objetivo os processos de integração regional, ou seja, de formação dos blocos comerciais visando às disciplinas de Relações Internacionais. De forma sintética e objetiva, o livro consolida um itinerário bastante longo de estudos, pesquisas dirigidas, atividades práticas e escritos publicados sobre o assunto em suas múltiplas manifestações geográficas e políticas.

Relações Internacionais - Pesquisa, práticas e Perpectivas
Sérgio Luiz Cruz Aguilar e Hevellyn Menezes Albres (Organizadores)
Este livro apresenta ensaios e artigos de acadêmicos, diplomatas e pesquisadores que participaram da 9ª Semana de Relações Internacionais, seminário internacional realizado na Faculdade de Filosofia e Ciências da UNESP – Campus de Marília – SP, em agosto de 2011. Os textos, de autores com diferentes formações e trajetórias, e de diversos países, constitui um estimulante indicador da preocupação pelo aprofundamento dos estudos e da produção acadêmica na área das Relações Internacionais.

Introdução ao Estudo das Relações Internacionais
Thiago Gehre Galvão e Virgílio Arraes
Com o objetivo de apresentar aos alunos de graduação os alicerces teóricos, conceituais e metodológicos que sustentam a ciência das Relações Internacionais (RI), este primeiro volume da coleção traz, de forma clara e bastante didática, seus aspectos identitários, destacando as origens do pensamento teórico e as ideias fundamentais das principais instituições que caracterizam a vida internacional. A obra proporciona uma visão geral desse campo de estudo, mostrando a pluralidade científica das RI, explorando suas bases intelectuais, os principais debates teóricos, e apresenta os grandes pensadores da área, estimulando a curiosidade científica para que o leitor vá além, realizando pesquisas sobre temas, assuntos e personagens particulares.