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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

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sábado, 16 de setembro de 2017

Uma outra China fora da China: Sudeste Asiatico - Marcos Jank

O Sudeste Asiático como rota alternativa à China

Jornal “Folha de São Paulo”, Caderno Mercado, 16/09/2017

Marcos Sawaya Jank (*)

O Sudeste Asiático é ótima alternativa para reduzir nossa dependência da China em comércio e investimentos.

Marcos Sawaya Jank[1]

Aproveitando a visita do presidente Temer à China, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, realizou uma missão a Malásia, Singapura e Vietnã, no Sudeste Asiático. Há um ano o ministro Blairo Maggi também esteve em quatro países da região.

Quando se fala em Ásia no Brasil, todo o mundo pensa em China, tamanha a influência que esse gigante exerce hoje na geopolítica, no comércio e nos investimentos globais. Quando não é a China, as nações asiáticas mais presentes no imaginário brasileiro são a Índia e o Japão.

Mas no campo do comércio quem, de fato, rivaliza com a China é a desconhecida Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), um bloco formado por países que somam 640 milhões de habitantes e um PIB de US$ 2,6 trilhões que cresce 6% ao ano: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei, Camboja, Laos, Vietnã e Mianmar.

Basta dizer que hoje exportamos US$ 35 bilhões ao ano para a China, mas 75% da pauta é composta por só duas commodities: soja em grãos e minério de ferro. Já a Asean compra US$ 11 bilhões do Brasil, mas a pauta é bem mais diversificada, ainda que fortemente concentrada no agronegócio: soja e derivados, milho, açúcar, algodão, carnes, celulose e outros.

O potencial dos países da Asean para comércio e investimentos do Brasil é evidentemente inferior ao da China, mas é mais fácil fazer negócios naquela região. 

As oportunidades são imensas. Por exemplo, as importações totais de produtos agropecuários e alimentos da Asean passaram de US$ 30 bilhões para US$ 90 bilhões ao ano nos últimos dez anos, superando o Japão e perdendo apenas para a China, que importou US$ 120 bilhões.

O Brasil responde por apenas US$ 6 bilhões anuais, valor muito pequeno que nos posiciona atrás de EUA, China e Austrália como supridor.

Trata-se de região com alto potencial para diversificar produtos e mercados-destino, adicionar valor e marcas aos produtos exportadores e realizar ou receber grandes investimentos. Singapura, por exemplo, tem dois fundos soberanos com presença e imenso interesse de investimento no Brasil: GIC e Temasek.

Vejo o Sudeste Asiático como ótima alternativa para reduzir nossa crescente dependência da China em comércio e investimentos. 

Talvez não consigamos construir acordos comerciais mais ambiciosos na região, mas claramente esses países buscam alternativas de parceria após a retração dos EUA de Trump e da União Europeia do "brexit". Basta dizer que a Asean já é o segundo bloco econômico do planeta e que os 11 países da TPP (Parceria Transpacífica) querem seguir com o bloco sem os EUA.

Mesmo que não consigamos fechar acordos comerciais ambiciosos, deveríamos ao menos tentar construir parcerias estratégias com todo país asiático que conta com população superior a 50 milhões. Só no Sudeste Asiático são cinco países.

Os portugueses foram visionários quando se lançaram ao mar nas grandes navegações, por volta de 1500. Vasco da Gama descobriu a rota marítima para a Índia, chegando a Calicute em 1498.

Em 1510, Afonso de Albuquerque conquista Goa e logo depois a cidade de Malaca (na atual Malásia), situada no centro de um dos estreitos de mar mais estratégicos do planeta, rota obrigatória dos navios que vão do Índico para o Pacífico e a China

De Malaca eles foram para o reino do Sião (Tailândia), Java (Indonésia) e Angkor (Camboja), sempre em busca das famosas especiarias asiáticas.

A China é importante, mas agir além dela na Ásia é absolutamente crucial. Há mais de cinco séculos os portugueses foram pioneiros nas suas incursões pelo Sudeste Asiático. É hora de o Brasil fazer o mesmo, mas desta vez não para buscar, mas sim para levar nossas especiarias tropicais.

(*) Marcos Sawaya Jank é especialista em questões globais do agronegócio. Escreve aos sábados, a cada duas semanas.
 

[1]. Marcos S. Jank é especialista em questões globais do agronegócio. Escreve aos sábados, a cada duas semanas. Email: marcos@jank.com.br

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Comercio internacional e serguranca na Asia: perspectivas japonesas - palestras no IPRI

Gostaria de lembrar a todos os interessados sobre as duas palestras programadas para esta terça-feira à tarde, no Bolo de Noiva, do Itamaraty



Palestras no IPRI-Funag: Japão, comércio e segurança

O presidente da Funag, embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima, e o diretor do IPRI-Funag, ministro Paulo Roberto de Almeida, convidam para as palestras sobre "International Trade and Security in Asia: Japanese Perspectives", a serem proferidas no dia 1º de novembro, às 16h, no Auditório Paulo Nogueira Batista (Anexo II), respectivamente pelo professor de Economia Política Internacional da Keio University, Yorizumi Watanabe, e pelo Diretor Geral do Japanese Institute of International Affairs, Shingo Yamagami. Ambos, enviados especiais pelo gabinete do primeiro ministro do Japão, são eminentes especialistas em suas esferas de estudo e de atividades, tendo participado de inúmeras negociações diplomáticas a serviço do Japão. Dois diplomatas da Casa comentarão suas palestras, feitas em inglês (sem tradução simultânea), após o que haverá um debate aberto a todos os participantes do evento.

Mr. Yorizumi WATANABE is Professor of International Political Economy, Faculty of Policy Management of Keio University. Prof. Watanabe’s distinguished career has featured significant engagement in all the major bilateral and multilateral trade negotiations in which Japan has been involved in the past two decades. This included the role of policy advisor to relevant Ministers, and postings to Japan's foreign service such as Deputy Director-General of the Economic Affairs Bureau and Chief Negotiator for the Japan-Mexico Economic Partnership Agreement (EPA).

Ambassador Shingo Yamagami is Director General (Acting) of the Japan Institute of International Affairs which is a private, nonpartisan policy think-tank focused on foreign affairs and security issues in Japan, founded in 1959. He was Ambassador for Policy Planning and International Security Policy, and Deputy Director-General of Foreign Policy Bureau at the Ministry of Foreign Affairs, Japan (MOFA). He has great expertise in international politics and security from his experience including working as Political Minister at the Embassy in London (2009-12).

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Palestras no IPRI-Funag: Japao, comercio e seguranca - 1/11/2016, 16:00hs (MRE)

Palestras no IPRI-Funag: comércio internacional e segurança na Ásia

O presidente da Funag, embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima, e o diretor do IPRI-Funag, ministro Paulo Roberto de Almeida, convidam para as palestras sobre:

International Trade and Security in Asia: Japanese Perspectives

a serem proferidas no dia 1º de novembro, às 16h, no Auditório Paulo Nogueira Batista (Anexo II do Itamaraty), respectivamente pelo:

professor de Economia Política Internacional da Keio University, 
Yorizumi Watanabe,

e pelo Diretor Geral do Japanese Institute of International Affairs, 
Shingo Yamagami.

      Ambos, enviados especiais pelo gabinete do primeiro ministro do Japão, são eminentes especialistas em suas esferas de estudo e de atividades, tendo participado de inúmeras negociações diplomáticas a serviço do Japão.


Diplomatas da Casa comentarão suas palestras, feitas em inglês (sem tradução simultânea), após o que haverá um debate aberto a todos os participantes do evento.

Mini CVs dos palestrantes: 


Mr. Yorizumi WATANABE is Professor of International Political Economy, Faculty of Policy Management of Keio University. Prof. Watanabe’s distinguished career has featured significant engagement in all the major bilateral and multilateral trade negotiations in which Japan has been involved in the past two decades. This included the role of policy advisor to relevant Ministers, and postings to Japan's foreign service such as Deputy Director-General of the Economic Affairs Bureau and Chief Negotiator for the Japan-Mexico Economic Partnership Agreement (EPA).

Ambassador Shingo Yamagami is Director General (Acting) of the Japan Institute of International Affairs which is a private, nonpartisan policy think-tank focused on foreign affairs and security issues in Japan, founded in 1959. He was Ambassador for Policy Planning and International Security Policy, and Deputy Director-General of Foreign Policy Bureau at the Ministry of Foreign Affairs, Japan (MOFA). He has great expertise in international politics and security from his experience including working as Political Minister at the Embassy in London (2009-12).

quinta-feira, 5 de maio de 2016

O papel do Brasil no cenario Internacional e as perspectivas do comercio exterior - Paulo Roberto de Almeida (Millenium hangout)

No início de 2016, fui contatado pelo Instituto Millenium para conceder uma entrevista sobre temas de comércio internacional e o Brasil, o que foi feito no dia 17 de fevereiro pela manhã.
Como geralmente sempre faço quando dou palestras ou entrevistas, elaboro notas mais ou menos completas, que me servem apenas para organizar as ideias, sem nunca ler ou seguir visualmente minhas notas. 
Elas permitem, depois, postar o que penso sobre as questões, de uma forma geralmente melhor organizada do que uma resposta feito de improviso, em linguagem coloquial, com algumas improvisações no meio, e deixando alguns aspectos de lado.
Foi o que ocorreu com essa entrevista, que nem sabia que já tinha sido postada online, o que só descobri agora, acessando uma outra gravação minha, sobre meus livros, que também foi ao ar, posteriormente.
A entrevista, "O papel do Brasil no cenario Internacional e as perspectivas do comercio exterior", conduzida por uma estudante do movimento Estudantes Pela Liberdade, figura neste link:
https://www.youtube.com/watch?v=kHTPV9qUY7s
Publicado em 17 de fev de 2016
Paulo Roberto de Almeida e Débora Góis conversam sobre o papel do Brasil no cenário Internacional e as perspectivas do comercio exterior.

A entrevista sobre os meus livros, por sua vez, está aqui: 
https://www.youtube.com/watch?v=qh4ULayECgQ

O texto que eu fiz na ocasião, preparando-me para a entrevista, foi este aqui:
“A posição bizarra do Brasil no na economia mundial”, Brasília, 17 fevereiro 2016, 6 p. Ensaio sobre a desestruturação econômica externa do Brasil, a partir de notas para hangout do Instituto Millenium sobre temas de comércio internacional e o Brasil, no dia 17 de fevereiro (feito virtualmente pela manhã); revisão em 2/03/2016. 
Publicado no boletim Mundorama (9/03/2016; link: http://www.mundorama.net/2016/03/09/a-posicao-bizarra-do-brasil-na-economia-mundial-por-paulo-roberto-de-almeida/); reproduzido no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/03/a-posicao-bizarra-do-brasil-na-economia.html).

Ainda estou devendo um resumo de uma página e meia para o Instituto Millenium. Prometi fazer, mas ainda não tive tempo, por uma razão muito simples: a coisa mais difícil para mim, não é exatamente escrever sobre um tema qualquer no qual eu possua um certo domínio, de conhecimento, de leituras, de experiência. Meu problema é escrever pouco.
Isso é um problema enorme, pois jornais e revistas sempre exigem trabalhos sintéticos, e eu tendo a ser prolixo, escrever demais, indo desde Adão e Eva até o futuro longínquo. Vou ter de aprender a escrever pouco...
Paulo Roberto de Almeida  

quarta-feira, 9 de março de 2016

I Concurso de Artigos em Comercio Internacional - FGV-SP

I Concurso de Artigos em Comércio Internacional

Cátedra OMC no Brasil
Centro do Comércio Global e Investimentos – CCGI
Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas –
EESP/FGV

I Concurso de Artigos em Comércio Internacional
Edital 002/2016-CACI

A Cátedra OMC no Brasil, representada por sua Titular, Professora Vera Thorstensen, diretora do Centro de Estudos do Comércio Global e Investimentos da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (CCGI-EESP/FGV), com endereço na Rua Itapeva, 286, 10º andar, Bela Vista – São Paulo/SP, 01332-000, torna público aos interessados o Edital com o regulamento do Concurso de Artigos em Comércio Internacional, com as regras que seguem.

1. Objeto

O presente Concurso tem por objetivo selecionar seis artigos científicos que versem sobre o seguinte tema: “O Novo Sistema Econômico Internacional”. Os artigos científicos poderão ser submetidos em duas categorias: (i) graduação; e (ii) pós-graduação, não sendo requerida formação em área especifica para participação. Serão selecionados três artigos científicos na categoria de graduação e três na categoria de pós-graduação. O artigo científico vencedor em cada categoria.

2. Critérios para a inscrição

Poderão participar do Concurso de Artigos em Comércio Internacional estudantes universitárias/os brasileiras/os e estrangeiras/os matriculadas/os em Instituições de Ensino Superior brasileiras, Universidades e/ou Faculdades, que apresentem artigos científicos em matéria de comércio internacional seguindo o tema “O Novo Sistema Econômico Internacional”, conforme disposto no item 3.

3. Tema

Os artigos científicos devem seguir o tema: “O Novo Sistema Econômico Internacional”, podendo ser abordados aspectos legais, econômicos, políticos e/ou de gestão relativos aos seguintes subtemas:

a. A coerência do Sistema Econômico Internacional;
b. Estabilidade financeira, regulação financeira e supervisão de riscos sistêmicos;
c. As novas barreiras regulatórias ao comércio (barreiras técnicas, sanitárias, fitossanitárias e
padrões privados);
d. Os mega-acordos, o futuro da política de acesso a mercados e acordos comerciais regulatórios;
e. Investimentos, comércio e regimes tributários;
f. Desenvolvimento sustentável, direitos humanos e o seu papel no novo sistema econômico internacional;
g. O papel do Comércio Internacional e suas instituições no Sistema Econômico Internacional;
h. Organização Mundial do Comércio (OMC) e os novos temas do comércio internacional no Século XXI;
i. Análise de instituições do Sistema Econômico Internacional.

A proposta desse concurso de artigos científicos endereça um problema que vem crescendo nos debates sobre economia internacional, que é a profusão de áreas e instituições com competências duplamente positivas ou duplamente negativas. Nesse sentido, é necessário reavaliar, primeiro, o conteúdo tratado no âmbito do Sistema Econômico Internacional, que envolve áreas como o Direito Internacional Econômico, Economia Internacional, Política Internacional, dentre outros. Nos últimos anos, novos temas têm ganhado corpo nas negociações internacionais e gerado um conflito de coerência sistêmica. Nesse sentido, até que ponto o sistema financeiro interfere no comércio internacional ou no sistema bancário internacional, ou na regulação de disciplinas ambientais? O sistema internacional está pronto para não apenas enfrentar novas questões sistêmicas que se apresentam, mas está dotado de instituições que funcionam com esse objetivo? A atualização do Sistema Econômico Internacional, passando por sua coerência interna, e as áreas a ele ligadas, é o que torna o tema aqui proposto atual e instigante para a/o jovem pesquisadora e interessada/o na área.

Seguem os links para o Edital 002/2016-CACI e para a Ficha de Inscrição.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Diplomacia companheira: como a ideologia isolou o Brasil comercialmente

COMÉRCIO EXTERIOR

Como a ideologia isolou o Brasil comercialmente

Especialistas dizem que o País se afastou de grandes mercados, como o dos Estados Unidos

Jornal do Commercio (Pernambuco), 07/10/2015


Da Editoria de Economia

O Brasil apostou muito no comércio com países feito a Venezuela, que está com a economia se arrastando / Agência France Press

O Brasil apostou muito no comércio com países feito a Venezuela, que está com a economia se arrastando

Agência France Press

O anúncio da criação do bloco econômico Transpacífico reacendeu a discussão sobre o quanto a política comercial brasileira foi impactada pela ideologia antiamericana nos últimos 12 anos, na administração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, ambos do PT. O País focou sua atuação comercial no Mercosul, formado por alguns países da América do Sul que, além da instabilidade política, estão com a economia estagnada, como Argentina e Venezuela. Nesse período, o Brasil também aumentou as relações com a África, comércio que também não tem grande potencial, de acordo com especialistas. O problema brasileiro não foi mirar economias emergentes e sim dar as costas às grandes potências.

“Insistir no Mercosul foi um erro. O País está isolado comercialmente e isso foi o resultado de uma política isolacionista, que incluiu o alinhamento político como por exemplo ocorreu com a Venezuela. O Brasil deve despolitizar a política externa, pensar em relações comerciais que atraiam recursos via exportação. Deve se aproximar de países como os Estados Unidos, Canadá e União Europeia. Estes que deveriam ser parceiros preferenciais”, resume o professor do Departamento de Economia da UFPE Ricardo Chaves. Parceiro preferencial é quando dois países concordam em diminuir algum tipo de barreira tarifária para aumentar o comércio entre ambos. Já as barreiras são tarifas e taxas cobradas sobre importados.
Apesar dos EUA serem o 2º maior destino das nossas exportações, especialistas dizem que o Brasil se afastou, na última década, do mercado norte-americano. “Na própria América do Sul, muitos países fizeram acordos bilaterais com os EUA. O Chile vende frutas em condições especiais para os americanos”, afirma Chaves.
Professor de Economia Internacional da UFPE, Ecio Costa argumenta que a ideologia política teve um peso na composição do atual cenário do comércio exterior. “O Brasil se recusou a fazer parte da Alca por acreditar que era uma via de mão única a favor dos Estados Unidos. Depois disso, deveria ter feito acordos bilaterais, como fez o Chile”, conta, acrescentando que o nosso vizinho também fez acordos que incluíram a comercialização de uva, vinhos, cobre e móveis.
Ele diz também que o Brasil ficou esperando pelas negociações das Rodadas de Doha, iniciadas em 2002 e que até “agora não saíram do papel”. E cita que além da Transpacífico outras novas parcerias podem isolar mais ainda o comércio exterior do País. “Já começaram as negociações para um bloco chamado Transatlântico que vai transformar os Estados Unidos e a União Europeia numa área de livre comércio (com a diminuição das barreiras tarifárias). Se isso ocorrer, o Brasil vai perder a competitividade para esses destinos em produtos como a soja, frango, carne suína, aço e ferro, entre outros”, conta. A Transpacífico também deve impactar as vendas do Brasil ao exterior. Formada por 12 países, esse grupo consumiu 25% das exportações brasileiras no ano passado.
A falta de acordo bilateral faz um produto tipicamente nacional ser sobretaxado na União Europeia, o açúcar. Lá, para cada tonelada do produto nacional é adicionada uma taxa de <SC170,65> 68 (cerca de R$ 297). Somente 30% das importações de açúcar daquele bloco são taxadas. E, desse total, 84% dessa taxação incidem sobre o açúcar brasileiro. “Vários países da América do Sul fecharam acordos bilaterais recentemente sobre commodities. Isso não ocorreu com os nossos produtos”, lamenta o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco, Renato Cunha.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Global trade: longo editorial do New York Times em favor do modeloamericano

This Time, Get Global Trade Right 

Editorial The New York Times, 19/04/2014


Many Americans have watched their neighbors lose good-paying jobs as their employers sent their livelihoods to China. Over the last 20 years, the United States has lost nearly five million manufacturing jobs. In that same time, however, the prices that Americans pay for basic goods like T-shirts and televisions have fallen. The cost of clothing is down 8.2 percent since 1993, as “made in China” and “made in Bangladesh” labels have crowded out “made in U.S.A.” on the shelves of the local mall.

There is a national ambivalence about our trade of goods and services with the rest of the world, which has more than doubled in the last two decades. Americans want the benefits of trade — and they are potentially big and quite real, including opening up new markets to American cars and software — but they’re increasingly anxious about the downside, which includes closed factories and lower wages. The country needs to pursue new trade agreements, but this time we need to get the agreements right.

With imports outpacing exports, America’s trade deficit has deepened and the country has lost manufacturing jobs.

The deficit in goods is much deeper with China than with the Nafta partners. But there is a job-creating surplus in services, which is bigger with Nafta countries.

This page has long argued that removing barriers to trade benefits the economy and consumers, and some of those gains can be used to help the minority of people who lose their jobs because of increased imports. But those gains have not been as widespread as we hoped, and they have not been adequate to assist those who were harmed. As the Obama administration negotiates two big trade agreements — one with 11 countries along the Pacific Ocean and the other with the European Union — it is appropriate to take stock of what we have learned in the 20 years since the passage of the North American Free Trade Agreement and use that knowledge to design better agreements.

To gain the support of a divided Congress and public, the administration must ensure that new agreements are much stronger than Nafta and other pacts. President Obama, who criticized the agreement with Canada and Mexico as a candidate in 2008, promised that his negotiations would avoid a race to lower costs and standards by requiring that countries adhere to common regulations in areas like labor rights, environmental protection and patents. Living up to that promise should be one of his highest priorities.

If done right, these agreements could improve the ground rules of global trade, as even critics of Nafta like Representative Sander Levin, Democrat of Michigan, have argued. They could reduce abuses like sweatshop labor, currency manipulation and the senseless destruction of forests. They could weaken protectionism against American goods and services in countries like Japan, which have sheltered such industries as agriculture and automobiles.

The Pacific agreement, known as the Trans-Pacific Partnership, could also encourage China, which is not part of the talks, to reconsider its currency and labor policies to avoid being at a disadvantage. (The participants are Vietnam, Malaysia, Japan, Australia, Canada, Mexico, Singapore, New Zealand, Chile, Peru and Brunei.) And a pact with the European Union could harmonize overlapping regulations to reduce the cost of doing business and increase competition. Both pacts could aid American foreign policy by strengthening alliances in Asia and Europe.

WELCOMING BUSINESS, NOT THE PUBLIC

One of the biggest fears of lawmakers and public interest groups is that only a few insiders know what is in these trade agreements, particularly the Pacific pact.

The Obama administration has revealed so few details about the negotiations, even to members of Congress and their staffs, that it is impossible to fully analyze the Pacific partnership. Negotiators have argued that it’s impossible to conduct trade talks in public because opponents to the deal would try to derail them.

But the administration’s rationale for secrecy seems to apply only to the public. Big corporations are playing an active role in shaping the American position because they are on industry advisory committees to the United States trade representative, Michael Froman. By contrast, public interest groups have seats on only a handful of committees that negotiators do not consult closely.

That lopsided influence is dangerous, because companies are using trade agreements to get special benefits that they would find much more difficult to get through the standard legislative process. For example, draft chapters from the Pacific agreement that have been leaked in recent months reveal that most countries involved in the talks, except the United States, do not want the agreement to include enforceable environmental standards. Business interests in the United States, which would benefit from weaker rules by placing their operations in countries with lower protections, have aligned themselves with the position of foreign governments. Another chapter, on intellectual property, is said to contain language favorable to the pharmaceutical industry that could make it harder for poor people in countries like Peru to get generic medicines.

Another big issue is whether these trade agreements will give investors unnecessary power to sue foreign governments over policies they dislike, including health and environmental regulations. Philip Morris, for example, is trying to overturn Australian rules that require cigarette packs to be sold only in plain packaging. If these treaties are written too loosely, big banks could use them to challenge new financial regulations or, perhaps, block European lawmakers from enacting a financial-transaction tax.

SEEKING THE REAL SOURCE OF JOB LOSS

Could these agreements lead to further job losses and exacerbate income inequality in the United States? Many critics are legitimately concerned about more outsourcing of jobs, and there is no doubt that trade, along with automation and financial deregulation, has contributed to income inequality.

But it’s important to remember that our trade with trade-agreement countries, like Mexico, is much more balanced than our trade with China. Those countries buy more American goods and services than they would without an agreement, sending money and jobs back in this direction.

A study published last year blamed increased imports from China for 44 percent of the decline in manufacturing employment from 1990 to 2007. People who lost those jobs were more likely to stop seeking work or to find lower-wage jobs in other industries, suggesting that government programs to retrain workers hurt by trade are inadequate. A second paper by the same scholars concluded that the negative impact of imports from Mexico and Central American nations with which the United States has agreements were “economically small and statistically insignificant.”

It’s easy to point the finger at Nafta and other trade agreements for job losses, but there is a far bigger culprit: currency manipulation. A 2012 paper from the Peterson Institute for International Economics found that the American trade deficit has increased by up to $500 billion a year and the country has lost up to five million jobs because China, South Korea, Malaysia and other countries have boosted their exports by suppressing the value of their currency.

HOW TO WRITE A BETTER AGREEMENT

The trade agreements the Obama administration is negotiating provide a chance for the United States to press countries to stop manipulating their currencies. The administration appears to be afraid that raising the issue could scuttle the talks. It’s time the administration stiffened its spine.

The president also needs to make clear to America’s trading partners that they need to adhere to enforceable labor and environmental regulations. This would level the playing field for American workers and improve the lives of tens of millions of workers in developing countries.

The Obama administration also needs to do much more to counter the demands of corporations with those of the public interest. Consumer and workers groups should have been on the same industry advisory committees. And Mr. Froman, the trade representative, must make clear that these agreements will allow countries to adopt regulations without the threat of a lawsuit from powerful businesses. On patents, the agreements should not cut off developing countries’ access to lifesaving generic medicines.

In recent months the debate about trade, and the Pacific agreement in particular, has become increasingly polarized. Senior Democrats like the Senate majority leader, Harry Reid, and the House minority leader, Nancy Pelosi, have come out against granting the president trade promotion authority, under which Congress agrees to vote up or down on agreements without amendments.

To a large extent, the administration has only itself to blame. By keeping secret so much information about trade negotiations, which have ceased to be purely about trade matters like tariffs and quotas, the government has made itself a target for criticism. Mr. Obama and Mr. Froman argue that their critics have misunderstood or misrepresented their intentions. But that is precisely why the president should provide answers to the questions people have raised about these agreements. It is time for him to make a strong case for why these new agreements will be good for the American economy and workers.s (EUA) - This Time, Get Global Trade Right (Editorial)


Many Americans have watched their neighbors lose good-paying jobs as their employers sent their livelihoods to China. Over the last 20 years, the United States has lost nearly five million manufacturing jobs. In that same time, however, the prices that Americans pay for basic goods like T-shirts and televisions have fallen. The cost of clothing is down 8.2 percent since 1993, as “made in China” and “made in Bangladesh” labels have crowded out “made in U.S.A.” on the shelves of the local mall.

There is a national ambivalence about our trade of goods and services with the rest of the world, which has more than doubled in the last two decades. Americans want the benefits of trade — and they are potentially big and quite real, including opening up new markets to American cars and software — but they’re increasingly anxious about the downside, which includes closed factories and lower wages. The country needs to pursue new trade agreements, but this time we need to get the agreements right.

With imports outpacing exports, America’s trade deficit has deepened and the country has lost manufacturing jobs.

The deficit in goods is much deeper with China than with the Nafta partners. But there is a job-creating surplus in services, which is bigger with Nafta countries.

This page has long argued that removing barriers to trade benefits the economy and consumers, and some of those gains can be used to help the minority of people who lose their jobs because of increased imports. But those gains have not been as widespread as we hoped, and they have not been adequate to assist those who were harmed. As the Obama administration negotiates two big trade agreements — one with 11 countries along the Pacific Ocean and the other with the European Union — it is appropriate to take stock of what we have learned in the 20 years since the passage of the North American Free Trade Agreement and use that knowledge to design better agreements.

To gain the support of a divided Congress and public, the administration must ensure that new agreements are much stronger than Nafta and other pacts. President Obama, who criticized the agreement with Canada and Mexico as a candidate in 2008, promised that his negotiations would avoid a race to lower costs and standards by requiring that countries adhere to common regulations in areas like labor rights, environmental protection and patents. Living up to that promise should be one of his highest priorities.

If done right, these agreements could improve the ground rules of global trade, as even critics of Nafta like Representative Sander Levin, Democrat of Michigan, have argued. They could reduce abuses like sweatshop labor, currency manipulation and the senseless destruction of forests. They could weaken protectionism against American goods and services in countries like Japan, which have sheltered such industries as agriculture and automobiles.

The Pacific agreement, known as the Trans-Pacific Partnership, could also encourage China, which is not part of the talks, to reconsider its currency and labor policies to avoid being at a disadvantage. (The participants are Vietnam, Malaysia, Japan, Australia, Canada, Mexico, Singapore, New Zealand, Chile, Peru and Brunei.) And a pact with the European Union could harmonize overlapping regulations to reduce the cost of doing business and increase competition. Both pacts could aid American foreign policy by strengthening alliances in Asia and Europe.

WELCOMING BUSINESS, NOT THE PUBLIC

One of the biggest fears of lawmakers and public interest groups is that only a few insiders know what is in these trade agreements, particularly the Pacific pact.

The Obama administration has revealed so few details about the negotiations, even to members of Congress and their staffs, that it is impossible to fully analyze the Pacific partnership. Negotiators have argued that it’s impossible to conduct trade talks in public because opponents to the deal would try to derail them.

But the administration’s rationale for secrecy seems to apply only to the public. Big corporations are playing an active role in shaping the American position because they are on industry advisory committees to the United States trade representative, Michael Froman. By contrast, public interest groups have seats on only a handful of committees that negotiators do not consult closely.

That lopsided influence is dangerous, because companies are using trade agreements to get special benefits that they would find much more difficult to get through the standard legislative process. For example, draft chapters from the Pacific agreement that have been leaked in recent months reveal that most countries involved in the talks, except the United States, do not want the agreement to include enforceable environmental standards. Business interests in the United States, which would benefit from weaker rules by placing their operations in countries with lower protections, have aligned themselves with the position of foreign governments. Another chapter, on intellectual property, is said to contain language favorable to the pharmaceutical industry that could make it harder for poor people in countries like Peru to get generic medicines.

Another big issue is whether these trade agreements will give investors unnecessary power to sue foreign governments over policies they dislike, including health and environmental regulations. Philip Morris, for example, is trying to overturn Australian rules that require cigarette packs to be sold only in plain packaging. If these treaties are written too loosely, big banks could use them to challenge new financial regulations or, perhaps, block European lawmakers from enacting a financial-transaction tax.

SEEKING THE REAL SOURCE OF JOB LOSS

Could these agreements lead to further job losses and exacerbate income inequality in the United States? Many critics are legitimately concerned about more outsourcing of jobs, and there is no doubt that trade, along with automation and financial deregulation, has contributed to income inequality.

But it’s important to remember that our trade with trade-agreement countries, like Mexico, is much more balanced than our trade with China. Those countries buy more American goods and services than they would without an agreement, sending money and jobs back in this direction.

A study published last year blamed increased imports from China for 44 percent of the decline in manufacturing employment from 1990 to 2007. People who lost those jobs were more likely to stop seeking work or to find lower-wage jobs in other industries, suggesting that government programs to retrain workers hurt by trade are inadequate. A second paper by the same scholars concluded that the negative impact of imports from Mexico and Central American nations with which the United States has agreements were “economically small and statistically insignificant.”

It’s easy to point the finger at Nafta and other trade agreements for job losses, but there is a far bigger culprit: currency manipulation. A 2012 paper from the Peterson Institute for International Economics found that the American trade deficit has increased by up to $500 billion a year and the country has lost up to five million jobs because China, South Korea, Malaysia and other countries have boosted their exports by suppressing the value of their currency.

HOW TO WRITE A BETTER AGREEMENT

The trade agreements the Obama administration is negotiating provide a chance for the United States to press countries to stop manipulating their currencies. The administration appears to be afraid that raising the issue could scuttle the talks. It’s time the administration stiffened its spine.

The president also needs to make clear to America’s trading partners that they need to adhere to enforceable labor and environmental regulations. This would level the playing field for American workers and improve the lives of tens of millions of workers in developing countries.

The Obama administration also needs to do much more to counter the demands of corporations with those of the public interest. Consumer and workers groups should have been on the same industry advisory committees. And Mr. Froman, the trade representative, must make clear that these agreements will allow countries to adopt regulations without the threat of a lawsuit from powerful businesses. On patents, the agreements should not cut off developing countries’ access to lifesaving generic medicines.

In recent months the debate about trade, and the Pacific agreement in particular, has become increasingly polarized. Senior Democrats like the Senate majority leader, Harry Reid, and the House minority leader, Nancy Pelosi, have come out against granting the president trade promotion authority, under which Congress agrees to vote up or down on agreements without amendments.

To a large extent, the administration has only itself to blame. By keeping secret so much information about trade negotiations, which have ceased to be purely about trade matters like tariffs and quotas, the government has made itself a target for criticism. Mr. Obama and Mr. Froman argue that their critics have misunderstood or misrepresented their intentions. But that is precisely why the president should provide answers to the questions people have raised about these agreements. It is time for him to make a strong case for why these new agreements will be good for the American economy and workers.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Politica comercial companheira, 2: Brasil perde espacos no comercio internacional - Editorial Estadao

O Brasil perde espaço no comércio internacional

17 de abril de 2014 
Editorial O Estado de S.Paulo
Com um déficit na balança comercial de US$ 6 bilhões, até 11 de abril, e uma evolução das exportações de apenas 1%, neste ano, pelo critério de média por dia útil, é frágil o comércio exterior do Brasil. A fraqueza fica explícita nas previsões da Organização Mundial do Comércio (OMC), divulgadas segunda-feira, que apontam para uma recuperação das exportações e das importações no mundo.
Em 2013, o crescimento do comércio global foi de apenas 2,1% em relação a 2012, com as exportações alcançando US$ 18,8 trilhões, mas as previsões da OMC indicam um avanço de 4,7%, neste ano. No ano passado, a China foi o principal país exportador com US$ 2,2 trilhões e uma participação de 11,8% no comércio mundial, enquanto o Brasil, com vendas externas de US$ 242 bilhões, ocupou o 21.º lugar, com peso de 1,3%. Entre os maiores importadores, a liderança é dos Estados Unidos, seguida por China e Alemanha - e o Brasil está no 20.º lugar, importando US$ 250 bilhões, com peso de 1,3% na importação global.
Os números da OMC são algo diferente dos números oficiais do País. Entre 2011 e 2013, segundo a OMC, as exportações brasileiras declinaram US$ 13,8 bilhões, enquanto as importações cresceram quase US$ 13,4 bilhões. Pelos números oficiais divulgados no País, as exportações caíram US$ 8 bilhões ou 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB).
A recuperação do comércio global, neste ano, dependerá tanto do ritmo da atividade nos Estados Unidos, que é promissor, como da União Europeia, que é lento, além da China. O comércio não recuperou a vitalidade que tinha antes da crise de 2008, registrando, em 2013, volume de trocas 17% menor. A recuperação será insuficiente para compensar a queda dos últimos 5 anos.
O diretor-geral da OMC, o brasileiro Roberto Azevêdo, argumenta que o aumento das importações do País tem um aspecto positivo. "Se o País importa substancialmente mais, tende a indicar que a economia está bem, o consumidor está comprando, a indústria está importando bens intermediários."
Mas esse é apenas um lado da realidade, pois a corrente comercial do Brasil - ou seja, a soma de importações e exportações - ficou estagnada entre 2011 e 2013. E não há indícios de que venha a se recuperar neste ano. O Brasil está, de fato, perdendo espaço no comércio internacional, por causa de custos e de ineficiências do governo Dilma.

domingo, 26 de janeiro de 2014

A baixa participacao do Brasil no comercio internacional - Editorial Estadao

O Brasil fora do jogo comercial

Editorial O Estado de S.Paulo, 26/01/2014

As regras do jogo para os novos acordos internacionais de comércio estão sendo criadas sem a participação do Brasil - e podem ser contrárias às posições defendidas tradicionalmente pela diplomacia brasileira. Falando em Davos, no Fórum Econômico Mundial, o chefe dos negociadores americanos, Michael Froman, deixou clara a intenção de valorizar cláusulas sociais e ambientais nos acordos em discussão neste momento. Ele se referia aos projetos em negociação com a União Europeia, a Parceria Transatlântica, e com países do Pacífico, a Parceria Transpacífica. A ideia é estabelecer novos padrões, mais severos, para os futuros tratados de livre-comércio. "Vamos elevar a barra", disse Froman, usando uma imagem esportiva. A mensagem é inconfundível: a ideia é mudar as condições de competição e tornar o salto mais difícil.
O governo brasileiro se opôs à inclusão de cláusulas sociais e ambientais na Rodada Doha de negociações multilaterais, lançada no fim de 2001. Houve amplo apoio a essa posição e os governos do mundo rico, principais defensores daquelas cláusulas, tiveram de recuar. Mas a rodada empacou e nada importante ocorreu a partir de 2008, apesar das várias tentativas, lideradas pela OMC, de reativar as conversações.
Dezenas de governos continuaram, no entanto, construindo acordos bilaterais e inter-regionais, com isso fragmentando o sistema internacional de regras. Países grandes e pequenos participaram dessas discussões, mas o Brasil permaneceu à margem, por uma decisão política - de fato, ideológica - de dar prioridade à integração com os países do "Sul", uma entidade geopolítica imaginária, moldada segundo os padrões do terceiro-mundismo.
A diplomacia econômica brasileira funcionou basicamente com duas referências nos últimos dez anos. Um dos focos foi o multilateralismo, representado, na prática, pela Rodada Doha. O outro foi a decisão de buscar acordos parciais apenas com países em desenvolvimento e de aprofundar os laços com o "Sul" idealizado.
Esses acordos foram negociados em conjunto com o Mercosul, dominado pelo terceiro-mundismo brasileiro e pelo protecionismo argentino. Essa estratégia também refletiu, em parte, a fantasia do presidente Lula de liderar a região.
Essa liderança ficou na retórica. O sepultamento do projeto da Área de Livre-Comércio das Américas, promovido pelos governos brasileiro e argentino, criou um descompasso entre o Mercosul e os países com ambições mais amplas de integração internacional. Os poucos acordos concretizados pelo Mercosul foram negociados com mercados pouco importantes. Os sul-americanos mais empenhados na inserção internacional buscaram acordos com os EUA e outros países avançados.
Esses países conseguiram boas condições de acesso aos mercados mais desenvolvidos. Ao mesmo tempo, economias altamente competitivas, como China e Coreia, ampliavam sua participação nesses mercados. O Brasil foi um grande perdedor. De fato, perdeu também na América Latina, onde concorrentes de outras regiões conquistaram espaço nos últimos dez anos.
A Aliança do Pacífico, formada por Chile, Peru, Colômbia e México, tornou mais evidente o distanciamento entre as políticas comerciais do Brasil e das economias mais abertas da América Latina. Nesse acordo, o México faz uma ponte entre a América do Norte e a do Sul e assume, naturalmente, uma posição de liderança jamais conseguida pelo Brasil.
O novo governo mexicano mostra boa percepção dessas diferenças. A Aliança do Pacífico, disse o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, é a sua plataforma para acordos com países da América do Sul.
Fora das grandes negociações, o Brasil tem de assistir de longe, sem possibilidade de interferência, à formação de novos critérios para acordos comerciais. Quando a Rodada Doha novamente deslanchar - se deslanchar -, esses novos padrões poderão estar muito mais difundidos do que estiveram até hoje. O terceiro-mundismo requentado poderá ficar ainda mais custoso do que foi até agora.