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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Boatos, desinformações, e alusões envolvendo minha pessoinha - Paulo Roberto de Almeida

Notícia desta data no Valor Econômico, com destaque para o final. Volto, também ao final para reproduzir o que já escrevi, desmentindo, portanto, por uma quarta vez, o que andam dizendo por aí...
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 24 de setembro de 2018


Por Daniel Rittner | De Brasília, 

Bolsonaro e filhos em Taiwan: aparente desconhecimento sobre temas-chave das relações internacionais preocupa

Indesejado pela União Europeia, admirado por Israel, visto com cautela pela China. Nos últimos meses, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) tem despertado impressões difusas na comunidade de diplomatas estrangeiros em Brasília, que ainda tenta decifrá-lo em relatórios confidenciais encaminhados para seus países.

Em um meio regido por protocolos e códigos de etiqueta, algumas cenas causaram surpresa, como a das cozinheiras e dos garçons na Embaixada da Espanha, que largaram suas atividades para fazer um pedido ao fim do almoço de embaixadores europeus com Bolsonaro. O espanhol Fernando Villalonga, anfitrião do encontro, jamais havia presenciado algo semelhante: funcionários não deixaram o capitão da reserva ir embora sem antes tirarem um punhado de "selfies" com ele.

O mesmo frisson foi visto na chegada de Bolsonaro à comemoração dos 70 anos do Estado de Israel, quando integrantes da Polícia do Exército fizeram rodinhas em torno dele e sacaram seus celulares para um registro.

A falta de um assessor específico para política externa e o aparente desconhecimento de Bolsonaro sobre temas-chave das relações internacionais dificultam a vida dos representantes diplomáticos. Para levá-lo à embaixada, Villalonga precisou recorrer a antigos contatos dos espanhóis nas Forças Armadas. O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), um de seus principais articuladores na campanha, costuma acompanhá-lo nas reuniões. Uma crítica frequente entre os estrangeiros, no entanto, é que a linha de ação externa não ficou clara até agora.

O israelense Yossi Shelley tornou-se um dos embaixadores mais próximos de Bolsonaro, que já prometeu mudar a representação brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, mesma medida tomada recentemente pelo americano Donald Trump. Ele disse que, caso eleito, fará a Israel sua primeira viagem ao exterior. O candidato do PSL também pretende expulsar do país a embaixada da Palestina, vizinha ao Palácio do Planalto e inaugurada em 2016, após seu reconhecimento como um Estado independente pelo Brasil.

Na UE, não existe consenso em torno do tratamento a Bolsonaro. Enquanto alguns países buscaram uma aproximação para ouvi-lo melhor, como Itália e Reino Unido, outros optaram pelo distanciamento. A Alemanha preferiu ignorá-lo em convites para encontro com os presidenciáveis em sua embaixada. Fontes em Bruxelas acreditam que uma vitória do ex-capitão faria a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, suspender sua visita prevista para o Brasil em 2019.

Reservadamente, um alto funcionário da Comissão Europeia diz que não há preferências políticas para a sucessão presidencial, mas que um governo Bolsonaro poderia representar o fim de uma parceria calcada em "valores compartilhados" e "defesa conjunta do multilateralismo". O deputado já manifestou sua intenção, por exemplo, de retirar o Brasil do Acordo de Paris contra as mudanças climáticas e do conselho de direitos humanos da ONU.

Essa mesma fonte, que exerce um papel de destaque no diálogo entre UE e Brasil, faz a seguinte comparação: "Ninguém gosta do governo Trump em Bruxelas, mas a densidade das relações transatlânticas impede que haja maior deterioração. Não estou seguro de que as nossas relações têm semelhante grau de maturidade".
Um tom parecido de dúvida sobre o futuro do relacionamento bilateral se vê entre diplomatas chineses. Logo após visita de Bolsonaro a Taiwan em março, acompanhado por seus três filhos e Lorenzoni, os representantes de Pequim enviaram carta à Câmara dos Deputados para lembrar que isso representava "violação do Princípio de Uma Só China" - um dos pilares na política externa do gigante asiático.

O embaixador Li Jinzhang manifestou a colegas em Brasília especial preocupação com discurso recorrente de Bolsonaro de que "a China está comprando o Brasil", referindo-se sobretudo a investimentos no setor elétrico e no interesse pela aquisição de terras agricultáveis. Nos bastidores, disse temer que o nível de hostilidade tenha reflexos efetivos na presença chinesa no país.

O clima de apreensão e desconfiança se espalha na ausência de um interlocutor da campanha com as embaixadas - função desempenhada por Celso Amorim no PT e por Rubens Barbosa no PSDB. A incerteza alimenta especulações em torno de quem poderia assumir o Itamaraty em uma eventual gestão Bolsonaro.

Além do "príncipe" Luiz Philippe de Orléans e Bragança, que foi cotado para vice na chapa e acabou perdendo lugar para o general Hamilton Mourão, outros nomes no Ministério das Relações Exteriores foram ventilados porque Bolsonaro disse ter preferência por alguém da casa.

Nos últimos dias, o diplomata Paulo Roberto de Almeida se viu obrigado a desmentir três vezes, em seu blog, que ganharia cargo de relevo em um governo do ex-capitão. Ex-ministro-conselheiro em Washington e atual chefe do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipri), ele declarou voto em João Amoêdo (Novo) e postou a seguinte mensagem: "Pela terceira vez em menos de dois meses, sou surpreendido com boatos, circulado entre amigos e colegas, de que eu teria sido escolhido como chanceler do candidato Bolsonaro. Não sou eleitor de Bolsonaro, nem vou integrar seu governo".

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Não foram exatamente nos últimos dias, mas eis o que escrevi nesta data (24/09/2018): 

Como continuam a ser disseminadas informações ou boatos desencontrados sobre minhas posições a respeito do presente (2018) processo eleitoral presidencial, eu poderia, neste momento, agregar uma firme declaração de princípios sobre o que eu considero aceitável e não aceitável nesse terreno pantanoso das opções políticas e preferências eleitorais.
Sou terminantemente contrário a quaisquer movimentos antidemocráticos, autoritários, totalitários, populistas, demagógicos, salvacionistas, excludentes, intolerantes, fascistas, comunistas, maoistas, cubanistas, stalinistas, militaristas e outros "istas" e "ismos".
Por isso mesmo, consideraria uma terrível tragédia política para o Brasil a vitória de qualquer um dos polos que se apresentam atualmente no processo eleitoral que vai desembocar em outubro próximo. Recuso, em primeiro lugar, a volta dos companheiros ao poder, pois conheço a natureza da organização criminosa que está por trás do candidato dito "poste", pela imprensa, assim apelidado por ter se prestado ao indigno papel de representante de um chefão mafioso, justamente condenado e encarcerado por crimes comuns (corrupção passiva e lavagem de dinheiro). Espero a condenação do dito cujo por muitos outros crimes mais, a pelo menos 300 anos de cadeia firme. Creio ser patética a postura do poste, ao servir a tão indigno projeto.
Recuso, em segundo lugar, a postura de um candidato despreparado, defensor da ditadura militar, admirador de um torturador, e defensor de medidas extra-legais para a resolução de determinados problemas sociais. Acredito que seria um convite a uma crise política permanente e a uma formidável confusão nas políticas econômicas e setoriais, pelo comportamento intempestivo e autoritário do candidato em questão, podendo nos precipitar em nova agonia política por mais alguns anos.
Considero a vitória de qualquer um dos dois nefasta para a democracia no Brasil, e por isso declaro desde já minha abstenção preventiva, caso estas sejam as opções.
Dito isto, considerarei legítima a eleição, por se tratar da escolha livre dos cidadãos eleitores, ainda que eu possa declarar minha desconformidade, por s
er fruto da ignorância, da inconsciência, dos instintos mais baixos em matéria política.

A postagem total figura neste link: 

Princípios, valores e causas: manifesto renovado - Paulo Roberto de Almeida (2006 e 2018)

https://diplomatizzando.blogspot.com/2018/09/principios-valores-e-causas-manifesto.html

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Livro de Rubens Ricupero vence o Premio Jose Ermirio de Moraes

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Livro de Rubens Ricupero vence o Prêmio José Ermírio de Moraes

O livro “A diplomacia na construção do Brasil – 1750-2016” é o vencedor do Prêmio José Ermírio de Moraes em 2018.
De autoria de Rubens Ricupero, o livro foi escolhido pela Academia Brasileira de Letras, dentre todos os gêneros literários, como o melhor editado no Brasil em 2017 por autor brasileiro e por editora brasileira.
O prêmio será entregue ao autor em sessão solene e pública da ABL, em data ainda não definida.

INFORMAÇÕES SOBRE O LIVRO
Obra única sobre a história das relações do Brasil com o mundo.
Poucos países devem à diplomacia tanto como o Brasil. Além da expansão do território, em muitas das principais etapas da evolução histórica brasileira, as relações exteriores desempenharam papel decisivo. Com seus acertos e erros, a diplomacia marcou profundamente a abertura dos portos, a independência, o fim do tráfico de escravos, a inserção no mundo por meio do regime de comércio, os fluxos migratórios, voluntários ou não, que constituíram a população, a consolidação da unidade ameaçada pela instabilidade na região platina, a industrialização e o desenvolvimento econômico.
Até recentemente, a história das relações diplomáticas do Brasil se refugiava quase em notas ao pé da página ou, no melhor dos casos, em parágrafos esparsos dissociados do eixo central da grande narrativa. Com uma carreira dedicada ao serviço público, especialmente ao Itamaraty e à ONU, o diplomata e professor Rubens Ricupero enfrentou o desafio de “inserir o fio da diplomacia na teia sem costura da vida nacional,da qual é indissociável”.
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Ricupero publicou A diplomacia na construção do Brasil (Versal Editores) em 2017, quando completou 80 anos de idade. O livro analisa a diplomacia como causa e consequência da política interna e da economia do período colonial até os dias de hoje, incluindo a atual crise brasileira. Mostra, ao mesmo tempo, como a política externa contribuiu para a definição dos valores e ideais da identidade do país, de como os brasileiros se veem a si mesmos e sua relação com o mundo.
Com documentos originais dos arquivos norte-americanos, o livro traz revelações novas sobre episódios como a intervenção militar de 1964 nos seus aspectos externos. Recorre a perspectivas comparativas com países latino-americanos e os Estados Unidos e renova a maneira de examinar a diplomacia em estreita ligação com os fatos políticos e as condições econômicas. “A ambição da obra é dialogar com os estudantes etambém com aqueles que se interessam pela história do Brasil e sentem curiosidadepela forma como o país se relacionou com o mundo exterior e foi por ele influenciado”,explica o autor.
Com 784 páginas, o livro foi publicado em duas edições: ilustrada, com cerca de 80 imagens e mapas) e brochura

SOBRE O AUTOR
Nascido em São Paulo em 1937, Rubens Ricupero ingressou no Instituto Rio Branco em 1958 e iniciou a carreira diplomática em 1961.
Embaixador do Brasil junto às Nações Unidas em Genebra, Suíça, nos Estados Unidos e na Itália, foi ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, ministro da Fazenda durante a implantação do Real, subchefe da Casa Civil e assessor especial do presidente José Sarney. Atuou como assessor de política externa de Tancredo Neves na campanha para a Presidência da República, em 1984/5, e registrou a experiência no livro Diário de bordo: a viagem presidencial de Tancredo Neves (2010). Entre 1995 e 2004, dirigiu, como Secretário Geral, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), em Genebra.
Diretor, mais tarde Decano, da Faculdade de Economia e Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), professor do Instituto Rio Branco e da Universidade de Brasília, colaborador dos mais influentes órgãos de imprensa do país e de publicações especializadas nacionais e estrangeiras, Ricupero é autor de nove livros sobre história diplomática, política, comércio e economia internacional, entre os quais se destacam Rio Branco: o Brasil no mundo (2000), O Brasil e o dilema da globalização(2001), Esperança e Ação A ONU e a busca de desenvolvimento mais justo (2002). A diplomacia na construção do Brasil é sua mais recente obra.
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PARA MAIS INFORMAÇÕES
José Enrique Barreiro 
Diretor Editorial da Versal
jbarreiro@versal.com.br
(21) 2239 4023
(21) 9 8123 8764
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terça-feira, 17 de julho de 2018

Celso Lafer: livro de seus textos sobre RI, PExt-Br e diplomacia. em preparação pela Funag

Acabo de revisar uma versão pré-impressão deste livro: 

Relações internacionais, política externa e diplomacia brasileira: pensamento e ação
2 Volumes  
Brasília, Funag, 2018


Índice do Volume 1
  
Prefácio – Gelson Fonseca              
Introdução geral – Celso Lafer 

PARTE I - A reflexão da experiência
1. Uma vida na diplomacia: entrevista ao Cpdoc (1993)
2. Reflexões sobre uma gestão: 2000-2002 (2003) 
3. Uma trajetória diplomática: entrevista à revista Sapientia(2012)

PARTE II –Itamaraty
A instituição
4. A autoridade do Itamaraty (1992)
5. O Palácio do Itamaraty: Rio-Brasília (2001)
6. Uma diplomacia de fundação: O Itamaraty na cultura brasileira(2001)
7. Rio Branco e o Itamaraty: 100 anos em 10 (2002)
8. Rio Branco e a memória nacional (2012)
9. Desatar nós: posse do secretário-geral Osmar Chohfi (2001)
10. O retorno ao Itamaraty (2001)

Diálogos
11. José Guilherme Merquior: a legitimidade na política internacional (1993)
12. Gelson Fonseca Jr.: a legitimidade na vida mundial (1998)
13. Sergio Danese: Diplomacia Presidencial(1998)
14. Synesio Sampaio Goes: Navegantes, Bandeirantes e Diplomatas(2000)
15. Fernando Barreto: Os Sucessores do Barão, 1912-1964(2001)
16. Rubens Ricupero: a viagem presidencial de Tancredo (2010) 
17. Gelson Fonseca: A Diplomacia Multilateral do Brasil(2015)

Memórias
18. Horácio Lafer (1900-1965): sua atualidade (2015)
19. Diplomatas contra o Holocausto (2001) 
20. Saraiva Guerreiro: um empregado do Itamaraty (1992)
21. As lições das memórias de Lampreia (2010)

PARTE III – Relações internacionais
A necessidade do campo
22. O estudo das relações internacionais: necessidade e perspectivas (1982)
23. Discurso de agradecimento pelo prêmio Moinho Santista (2001)
24. Discurso de agradecimento como professor emérito do IRI-USP (2012)

O campo teórico
25. A política externa, a paz e o legado da Grécia clássica (1982)
26. Os dilemas da soberania (1982) 
27. Karl Deutsch e as relações internacionais (1982)
28. Aron e as relações internacionais (2005)
29. A Escola Inglesa: suas contribuições (2013)
30. Andrew Hurrell: sobre a ordem global (2008)
31. Zelotismo-Herodianismo na reflexão de Helio Jaguaribe (2013) 

Tópicos específicos 
33. Guerra e Paz: o painel de Portinari na sede da ONU (2004)
34. O desarmamento e o problema da paz (1984)
35. Direito e legitimidade no sistema internacional (1989) 
36. Obstáculos a uma leitura kantiana do mundo no século XXI (2005)
37. Direitos humanos e democracia no plano interno e internacional (1994)
38. O GATT, a cláusula de nação mais favorecida e a América Latina (1971) 
39. Comércio internacional, multilateralismo e regionalismo (1991)
40. Reflexões sobre a OMC aos 50 anos do comércio multilateral (1998)
41. Perspectivas da Argentina: Felix Peña (2004)
42. Empresas transnacionais: Luiz Olavo Baptista (1987)
43. O significado da Rio-92 e os desafios da Rio+20 (2002) 
44. Mundo, ciência, diplomacia (2015) 
45. Cúpulas ibero-americanas (1992)
46. O Diálogo Transatlântico: Carlos Fuentes (2013)
47. Armas nucleares (2017)
48. O mundo e os refugiados (2016) 
49. União Europeia, 50 anos: lições do passado, desafios futuros(2007) 
50. 60 anos do GATT e da Declaração Universal dos Direitos Humanos (2008)
51. Proteção de nacionais no exterior: decisão da corte da Haia (2004)
52. A independência do Kosovo e a Corte de Haia (2010)
53. Sobre o Holocausto (2011) 
55. Variações sobre o tempo (2011)  

Índice do Volume 2

PARTE IV –A inserção internacional do Brasil: a política externa brasileira

O Brasil no mundo
56. Segurança e desenvolvimento: uma perspectiva brasileira (1972) 
57. Panorama geral da situação internacional (1981)
58. Representação, controle e gestão em política externa (1984) 
59. Dilemas da América Latina num mundo em transformação (1988) 
60. A inserção internacional do Brasil (1992)
61. Diplomacia e parlamento (1992) 
62. Relações internacionais do Brasil: palestra na ESG (1992)
63. O mundo mudou (2001) 
64. Repúdio ao terrorismo (2001) 
65. O Brasil, sua gente e o Oriente Médio (2012)
66. O Brasil num mundo conturbado (2016)

Lições do passado
67. 1ª e 2ª conferências da paz de Haia, 1899 e 1907 (2010)
68. O Brasil e a Liga das Nações (2000) 
69. Conferência do Rio de 1992 (1998) 
70. Gerson Moura: a política externa de Vargas e Dutra (1992) 
71. Diplomacia de JK: dualidade a serviço do Brasil (2001)
72. Política exterior brasileira: um balanço da década de 1970 (1981) 
73. Brasil-EUA: história e perspectivas das relações diplomáticas (1982)
74. Possibilidades diplomáticas do governo Tancredo Neves (1985)
75. A viagem presidencial de Tancredo Neves: seu significado (1985)
76. A política externa do governo Collor (2017) 
77. Reflexões sobre o 11 de setembro (2003)
78. Um olhar sobre o mundo atual (2015)
79. A herança diplomática de FHC (2004) 
80. Ação, experiência e narração em FHC (2006) 

Parceiros vitais do Brasil
81. Brasil-Argentina – uma relação estratégica (2001) 
82. Relações Brasil-Portugal: passado, presente, futuro (2000) 
83. A política externa do Brasil para a América Latina (2014)
84. O Brasil na América Latina (2013) 
85. Reflexões sobre a CPLP: lusofonia, sonhos e realidade (2013)
86. Reflexões sobre o tratado de 1895 com o Japão (2015) 

Questões polêmicas
87. A ONU, Israel e o sionismo (1975) 
88. Entusiasmo no Itamaraty? (2003)
89. Partidarização da política externa (2009) 
90. A política externa: necessidades internas, possibilidades externas (2006) 
91. A política externa e a crise política (2005)  
92. Variações sobre a política externa (2006)
93. Novas variações sobre a política externa (2007)
94. Diplomacia brasileira: novas variações críticas (2010) 
95. Ahmadinejah no Brasil: um equívoco (2009)
96. O Brasil e a nuclearização do Irã (2010) 
97. O Mercosul, a Venezuela e a cláusula democrática (2009)
98. Asilo diplomático: o caso do senador Roger Pinto (2013)

PARTE V –Personalidades

Personagens
99. Gerson Moura (1939-1992): In Memoriam (1992)
100. José Guilherme Merquior: diplomacia da inteligência (2001)
101. Sérgio Vieira de Mello: uma vida na construção da paz (2003)
102. Em louvor de Aristides de Souza Mendes (1885-1954)(2004)
103. Homenagem a Celso Furtado (1920-2004) (2005)
104. Gilberto Dupas: uma homenagem (2009) 
105. Com coragem, Mandela fez o impossível (2013)
106. De Klerk: um herói da retirada (2014)
107. Octavio Paz: a democracia no mundo ibero-americano (2014) 
108. Sergio Paulo Rouanet e a questão da democracia (2014)
109. Shimon Peres (1923-2016): um estadista diplomata (2016) 
110. Rubens Ricupero: saudação ao professor emérito (2016) 
111. Koffi Annan e as Nações Unidas (2001)
112. Antonio Guterres na ONU (2017) 

Biobibliografia do autor

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Rubens Barbosa: livro e entrevista sobre agenda modernizadora do Brasil

'O que Trump está fazendo já repercute no Brasil', 

diz diplomata

Rubens Barbosa publica artigos no livro 

'O Lugar do Brasil no Mundo: Agenda Modernizadora'


Renata Tranches, O Estado de S.Paulo
14 Julho 2018 | 16h00

Em um cenário internacional de transformações e incertezas, o Brasil precisa encontrar seu lugar. O caminho a seguir deveria estar na pauta e nos debates entre os candidatos na próxima eleição, como afirma o diplomata Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil nos EUA. Questões como a política econômica do governo Trump e a crise na Venezuela não deveriam ficar alheias ao debate político interno. Em seu livro O Lugar do Brasil no Mundo: Agenda Modernizadora, ele sugere ideias e propostas para esse debate em uma coletânea de artigos publicados no Estado entre 2014 e 2017. A seguir, a entrevista que Barbosa concedeu ao Aliás
Rubens Barbosa
Rubens Barbosa, autor de 'O Papel do Brasil no Mundo: Agenda Modernizadora' Foto: Amanda Perobelli/Estadão
Falta debate sobre a política externa brasileira entre os candidatos à Presidência?
Deveríamos colocar isso na agenda. Não se pode discutir apenas a macroeconomia, a estabilidade do País. O mundo está se transformando numa rapidez muito grande. Veja o que acontece com Trump. O que ele discute lá, o que mexe lá tem repercussão no mundo inteiro. Qual é o lugar do Brasil do mundo? Precisamos começar a discutir esse tema. Ele não está na pauta dos candidatos. Único tema que eu vi discutido nos últimos meses em termos de política externa foi o dos refugiados da Venezuela. É importante, mas é pouco.  
O que deveria estar na pauta? 
O Brasil é percebido como um país importante. Nós somos uma das dez maiores economias do mundo, apesar dessa crise toda pela qual estamos passando. Como estamos muito voltados para dentro, por causa da crise, não nos damos conta de que o Brasil é um país relevante no cenário global. E o problema é que ignoramos isso. Deveria haver no Brasil um debate de uma agenda política, diplomática, econômica e comercial e de inovação e tecnologia, que vai influir na própria formulação da política econômica. Mas aqui não há essa percepção que os fatores externos têm uma influência muito grande na definição da política econômica. O Brasil é um país muito grande, tem grandes problemas e há essa percepção de que o Brasil tem uma fronteira que delimita a autonomia do País de definir política econômica e agenda externa. Isso não existe.  
O próximo governo lidará pelo menos por dois anos com a política econômica do governo Trump. Como o Brasil pode se preparar para esse cenário? 
O que o Trump está fazendo já tem repercussão no Brasil, na economia brasileira. Quando ele baixa os tributos isso tem um impacto para a competitividade brasileira. Quando o novo governo fizer, espero que se faça, uma reforma tributária, vamos ter de levar isso em consideração. Não adianta nada congelar os tributos e ter de baixá-los para as empresas brasileiras serem competitivas no exterior. Sobre essa questão das barreiras que ele está colocando, do protecionismo americano, num primeiro momento pode ser que haja um produto brasileiro que se beneficie do desvio de comércio para a China ou da China ou de algum outro país para os EUA. Mas a médio e longo prazo, em termos comerciais, o Brasil vai perder como todos os outros países.  
De que outras formas essa política pode prejudicar o Brasil?
Um outro aspecto é que essas medidas americanas geram uma grande incerteza no cenário internacional. E essa incerteza vai fazer com que haja menos investimento e uma queda do crescimento global e do comércio exterior. Já estamos sentindo aqui no Brasil o aumento da taxa de juros lá nos EUA. O real se desvalorizou muito com relação ao dólar por causa da política monetária seguida pelos EUA.  
O sr. vê propostas nesta área nessas eleições? 
O que ocorre lá fora imediatamente tem impacto aqui no Brasil e uma das necessidade de todos os candidatos aqui é aumentar o comércio exterior, porque isso gera mais emprego no Brasil. Agora, o ambiente externo está se transformando em um algo diferente dos últimos anos, em que o Brasil poderia ter se beneficiado. Hoje, o ambiente externo de incerteza, de insegurança e de queda no crescimento e do comércio exterior não é tão favorável ao Brasil. Trump também está ameaçando taxar automóveis da Europa. Isso vai ter um efeito brutal. Automóveis são uma das áreas do comércio exterior que mais têm comércio. Terá efeito em todos os países, incluindo Brasil, que exporta para o México, para a Argentina. O futuro governo vai ter de se preocupar com essas coisas e vai ter de agir rapidamente para ajustar a economia brasileira a essa nova situação internacional. 
O que mais preocupa nessa nova situação? 
Um outro fator importante para o Brasil é o que o vai acontecer com a Organização Mundial do Comércio (OMC), que os EUA querem destruir, acabar com ela. A OMC é importante para o Brasil por causa do mecanismo de solução de controvérsias. Países de médio porte, como o Brasil, e pequenos têm de confiar nesses mecanismos de julgamento de diferenças comerciais entre as nações. Para nós, é importante que a OMC seja mantida com força nessa área de arbitragem, de solução de controvérsias.  
Como o senhor definiria hoje a política externa brasileira? 
Em resumo, o Brasil tem de terminar seu isolamento e o atraso do País em termos de inovação e tecnologia. O Brasil tem de definir onde está seu interesse a médio e a longo prazo, coisa que não estamos fazendo. O Brasil e o Mercosul nos últimos 18 anos assinaram três acordos comerciais. O mundo negociou mais de 400. Estamos isolados, o Brasil está isolado, atrasado e crescendo menos. Essa que é a realidade. Não adianta melhorar a situação aqui sem se colocar no mundo. Temos de aumentar a voz do Brasil no mundo, nos organismos internacionais e inserir o Brasil de novo nos fluxos dinâmicos da economia e do comércio exterior.  
Quais foram as consequências? 
Nós perdemos competitividade. Esse que é o grande problema hoje da economia, da produção nacional, da exportação nacional. É a perda da competitividade por políticas equivocadas, pelo aumento dos impostos, pela burocracia, pela ineficiência. Isso é resultado dos últimos 15, 16 anos. Com o nosso isolamento e a política de se privilegiar o sul, a política Sul-Sul, ficamos longe dos países desenvolvidos, onde estão tecnologia, financiamento e inovação.  
O senhor cita em seus artigos o exemplo da França, onde um movimento de centro venceu o debate polarizado entre esquerda e direita. Teremos algo parecido?
Bom, não vimos isso até aqui. Vamos ver quando começar o debate na TV, no qual todos os candidatos vão falar. Tem de haver um debate público em que essas ideias todas sejam discutidas. Temos de eleger um candidato que saiba qual é o desafio interno e o externo, e quais propostas ele vai apresentar para tirar o Brasil desse buraco que a gente está.  
Por que, como o senhor diz, as próximas eleições serão um divisor de águas? 
No segundo turno, vamos ter um debate entre dois modelos. Um modelo estatista, olhando para trás, e um modelo de reformas, de alguns candidatos que queiram fazer reformas. É entre isso que a população vai decidir e terá impacto nos próximos 10, 15 anos. Se a população brasileira escolher um candidato que olhe para trás e queira desfazer as reformas que foram feitas ultimamente, então a crise que estamos vivendo vai continuar muito forte e vai nos levar a uma situação próxima à da Grécia. Já estamos vendo isso no Rio de Janeiro. Se escolhermos um candidato que se proponha a fazer reformas, olhar para frente, abrir a economia, vamos ter a possibilidade de juntar aos fluxos dinâmicos da economia e do comércio internacional. A opção que a sociedade vai fazer terá muita importância para os jovens, que enfrentarão o problema do desemprego, da melhoria das condições de vida aqui no Brasil.  
A Venezuela é um tema importante. Houve uma mudança recente na abordagem ao tema? 
O Brasil tem de ter uma participação mais ativa para encaminhar alguma solução . Não sei como é que vai ser. A Venezuela, que está na fronteira, tem esse problema dos refugiados, dos direitos humanos que o Brasil tem de enfrentar. Há além disso a ameaça à nossa fronteira, por onde entram drogas, armas. Foi feita uma correção de rumo importante. Antes estávamos com a (ex-presidente) Dilma defendendo a Venezuela quando já se sabia que o país estava num caminho autoritário, pouco democrático. Com a mudança do governo aqui, o impeachment, o Brasil passou a criticar o regime na Venezuela e a cobrar do país mudanças políticas, liberdade dos presos políticos, autorização para levar ajuda humanitária. Com o novo governo, o Brasil terá de ter uma posição com outros países, com os EUA, com o México, a Colômbia, para resolver o problema e tornar a Venezuela democrática.

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Rubens Barbosa, livro: O lugar do Brasil no mundo: agenda modernizadora


Rubens Barbosa: 
O lugar do Brasil no mundo: agenda modernizadora
(São Paulo, Sesi-SP, 2018)

Sumário



Introdução ,    9


PARTE 1- AGENDA MODERNIZADORA

1.     Integração ou desintegração regional ,   15
2.     A nova agenda externa para o Brasil em um mundo em transformação ,  18
3.     A nova geopolítica global ,  36
4.     A nova revolução francesa | Modernização do Estado ,  39
5.     Agenda para um Brasil moderno ,   42
6.     As perspectivas das relações Brasil-EUA nos próximos dez anos ,     45
7.     Autoridade internacional para hidrovia ,   57
8.     Déficit diplomático ,  .60
9.     Desafio à política industrial brasileira ,  63
10.  Desafios internos e externos ,  66
11.  Desafios para o Brasil em um mundo em transformação ,  69
12.  Integração do Brasil à economia global ,   81
13.  Made in China 2025 ,  84
14.  Manifesto ,  87
15.  O Brasil e as recentes negociações comerciais e internacionais ,   89
16.  O Brasil e os acordos comerciais ,  105
17.  O Brasil e os BRICS ,   108
18.  O Brasil em um mundo em transformação ,  115
19.  O lugar do Brasil no mundo ,  .118
20.  Parceria transpacífico: liberalização competitiva ,  121
21.  Profissão: político ,  124
22.  Projeto de futuro ,  127
23.  Uma nova agenda para a área externa ,     130
24.  Tabuleiro das Nações e o Brasil ,     133


PARTE 2 – COMÉRCIO EXTERIOR

1.     A Camex e o interesse nacional ,   141
2.     A volta da China como grande potência ,   144
3.     Acordo comercial na América Latina ,  147
4.     China, economia de mercado? ,  .150
5.     Comércio exterior no novo governo ,  153
6.     Mercosul: 25 anos ,     156
7.     Mercosul passado a limpo ,   159
8.     Presidência brasileira do Mercosul ,     162
9.     Luz no fim do túnel ,  165




PARTE 3 – DEFESA

1.     A crise econômica e as Forças Armadas ,  171
2.     Base militar russa na Venezuela e chinesa na Argentina ,   174
3.     Defesa nacional: por um país mais seguro ,  177
4.     Defesa, uma questão de segurança nacional ,  .180
5.     Missão não cumprida ,  183
6.     Segurança cibernética ,  186


PARTE 4 – POLÍTICA EXTERNA

1.     A crise na Venezuela e o Brasil ,  191
2.     História esquecida: os soldados da borracha ,  194
3.     A política externa do governo Temer ,     197
4.     A política externa e a crise política ,  200
5.     A política externa do PT e do PSDB ,  204
6.     A política externa e as eleições ,  .210
7.     A volta da China como grande potência ,  .213
8.     Afinidades ideológicas ,  .216
9.     América do Sul em um mundo em transformação ,  219
10.  Balanço da política externa do governo Dilma ,     222
11.  Comédia de erros ,     225
12.  Déficit diplomático ,  228
13.  Donald Trump, presidente ,  231
14.  Entre a ética e a real política ,  234
15.  Fim da União Soviética ,  .237
16.  Grandes desafios para um ministério em crise ,  .240
17.  Históricas mudanças em Cuba: desafios e oportunidades , 243
18.  Missão não cumprida ,  246
19.  O Brasil e a OCDE ,  249
20.  O Brasil e o Oriente Médio ,     252
21.  O maior espetáculo da Terra ,  .255
22.  O Reino Unido e a Europa ,  258
23.  Os BRICS em nova fase ,     261
24.  Política externa e o interesse nacional ,  264
25.  Presidência brasileira do Mercosul ,  267
26.  Reforma do Conselho de Segurança ,  270


PARTE 5 – POLÍTICA INDUSTRIAL

1.     Política industrial: um debate necessário ,  275
2.     Política industrial: um debate necessário 2 ,  278


PARTE 6 – POLÍTICA INTERNA

1.     A política externa e a crise política ,  .283
2.     Conselho de Relações Interacionais ,  286
3.     Governo e PT atacam o Brasil no exterior ,  289
4.     Novothink tankem São Paulo ,  292
5.     O Brasil em primeiro lugar | Hora da verdade ,    295
6.     Por falar em corrupção ,  299
7.     Síndrome do pessimismo ,  302