O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Livros, livros, livros: uma selecao de leituras (de 2014)

Minha biblioteca tem... não sei quantos livros, mas sempre estou adquirindo ou recebendo muitos mais, sem contar os que eu retirava das bibliotecas públicas de Harford, entre 2013 e 2015, antes de voltar ao Brasil no final desse ano. Os livros abaixo foram lidos por mim em 2014. Fiz pequenas notas sobre cada um deles, e penso que ainda são atuais.
Eu gosto particularmente do Maquiavel de Lauro Escorel, um jovem secretário brasileiro, trabalhando na embaixada do Brasil em Roma, nos anos 1950, refletindo sobre o "segretario" do serviço diplomático da antiga Toscana, trabalhando em Firenze (ou Florença), mas tendo feito missões diplomáticas junto a vários reinos (os estados papais, outras repúblicas ou ducados italianos, reino da França, etc.) e, sobretudo, refletido sobre as paixões e loucuras dos homens políticos quando estão no poder, ou fora dele (como era o seu próprio caso, quando escreveu O Príncipe, em desgraça relativa).

Paulo Roberto de Almeida


Algumas recomendações de leituras: lista seletiva

Paulo Roberto de Almeida


Sergio Florencio: Os Mexicanos (São Paulo: Contexto, 2014, 240 p.)
            Você sabia que os mexicanos têm uma lista dos mais amados (Benito Juarez e Pancho Villa, entre eles), mas também dos mais odiados (Cortez, obviamente, e também Porfírio Díaz) personagens da sua história? Sabia que somos parecidos com eles? Este livro, por quem foi embaixador no México, apresenta uma história diferente do país que é apresentado como competidor do Brasil; de fato é, mas não como esperado: buscam os dois a prosperidade, a partir de bases sociais e comportamentos econômicos similares. Uma análise exemplar, feita do ponto de vista de um brasileiro que é fino observador das qualidades e idiossincrasias de um povo dotado de uma rica história de realizações, mas também de frustrações. Os desafios parecem semelhantes; serão também as soluções? Descubra um México diferente num livro em que o Brasil está presente.

Paulo Estivallet de Mesquita: A Organização Mundial do Comércio (Brasília: Funag, 2013, 105 p.)
            Parece difícil resumir em menos de 100 pequenas páginas a teoria do comércio internacional, a evolução prática do próprio, o estabelecimento do sistema multilateral de comércio, desde o Gatt e seus caminhos tortuosos, até chegar na OMC e todos os seus acordos e funcionamento. Uma proeza realizada por este engenheiro agrônomo que se fez diplomata, e que aplica o rigor da sua ciência de origem à análise dos problemas das relações econômicas internacionais, com ênfase no comércio e nos seus conflitos. O sistema parece uma bicicleta: é preciso avançar, pois qualquer parada pode significar retrocesso, não estabilidade. A interrupção da Rodada Doha, o recuo no protecionismo em alguns grandes países (alguns até próximos) são desafios graves, mas os acordos de livre comércio não são a resposta ideal. Só faltou a bibliografia para uma obra perfeita.

Lauro Escorel: Introdução ao Pensamento Político de Maquiavel (3a. ed.; Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, FGV, 2014, 344 p.)
            Escrito em 1956, publicado pela primeira vez em 1958, novamente em 1979, este clássico da maquiavelística brasileira é agora apresentado por um acadêmico e complementado por uma conferência de 1980 do autor, que se tornou “maquiavélico” ao servir na capital italiana em meados dos anos 1950. Para Escorel, “as observações de Maquiavel sobre a política externa dos Estados continuam a apresentar... uma extraordinária atualidade”. O florentino foi o primeiro grande teórico da política do poder.  Mas no plano interno também, Escorel segue Maquiavel em que a política é um “regime de precário equilíbrio entre as forças do bem e as forças do mal, em que estas muitas vezes superam aquelas...”. Os dois colocam o “problema cruciante das relações da política com a moral”, que está no centro da obra do italiano.

Paulo Roberto de Almeida: Nunca Antes na Diplomacia...: a política externa brasileira em tempos não convencionais (Curitiba: Appris, 2014, 289 p.)
            Tudo o que você sempre quis saber sobre a diplomacia companheira e nunca teve a quem perguntar? Agora talvez já tenha, sobre quase tudo. Em todo caso, figura aqui uma avaliação do que representaram, para a política externa, os anos do lulo-petismo, com a independência de um acadêmico que também integra a diplomacia. Existem episódios que ainda vão requerer pesquisa em arquivos para saber como foram exatamente decididos, e provavelmente lacunas subsistirão, tendo em vista justamente as características especiais de uma diplomacia que não partiu essencialmente de sua casa de origem, mas andou combinada a outros estímulos, não arquivados. Parece que ela foi ativa, altiva e soberana, como nunca antes tinha acontecido. Outros traços emergirão num futuro balanço, ainda sem data. A História a absolverá? A ver...

Rogério de Souza Farias: A palavra do Brasil no sistema multilateral de comércio (1946-1994) (Brasília: Funag, 2013, 885 p.)
Uma coletânea, de alta qualidade, dos mais importantes pronunciamentos feitos por representantes brasileiros desde as negociações que precederam a constituição do Gatt (1946-47), passando pela Unctad (1964), até a criação da OMC (1994). O livro representa um repositório de grande relevância para todos os pesquisadores da história econômica brasileira, uma vez que compila documentos originais e outros materiais de referência (fotos, resumos biográficos dos negociadores brasileiros, etc.), mas constitui, igualmente, um instrumento de trabalho para os negociadores diplomáticos de nossos tempos. O livro vem acompanhado por informações e fotos dos representantes e de notas de rodapé explicativas de cada contexto negociador. O denso prefácio e a longa introdução merecem leitura atenta; os temas abordados em cada capítulo constituem matéria prima indispensável para conhecer a história econômica e diplomática brasileira no plano do comércio internacional. Parece que pouco mudou...

Eugênio Vargas Garcia: Conselho de Segurança das Nações Unidas (Brasília: FUNAG, 2013, 133 p.)

Carlos Márcio B. Cozendey: Instituições de Bretton Woods (Brasília: FUNAG, 2013, 181 p.)
            Cada linha da obra está impregnada de um triplo conhecimento: histórico, teórico e prático, sobre as origens, o desenvolvimento, nas décadas seguintes, e sobre o funcionamento atual dos dois irmãos de Bretton Woods, o Banco e o Fundo, que foram criados em 1944 na pequena cidade do New Hampshire para presidir à ordem econômica do pós-guerra. O autor é o secretário de Assuntos Internacionais da Fazenda, e como tal segue, no G20 e em outras instâncias, as negociações para a reforma do sistema monetário, que já passou por fases melhores do que a atual. Depois das paridades cambiais estáveis, o regime de flutuação não ajuda a manter a estabilidade mundial, mas o maior perigo advém dos desequilíbrios fiscais nacionais, um tema que todavia foge do escopo deste livro.

Harvey J. Kaye: The Fight for the Four Freedoms: What Made FDR and the Greatest Generation Truly Great (New York: Simon & Schuster, 2014, 292 p.).

O livro foi feito a partir dos papeis deixados por Franklin Delano Roosevelt em seus arquivos de Hyde Park: o eixo central é dado pelas quatro liberdades que Roosevelt proclamou no State of the Union de janeiro de 1941, logo após conquistar o seu terceiro mandato, antes, portanto, que os Estados Unidos fossem atacados e entrassem na guerra. Roosevelt, que já vinha procurando superar as resistências isolacionistas do Congresso, para converter os EUA no “Arsenal da Democracia”, insistiu na tecla de que seria ilusório tentar esconder-se atrás de muralhas defensivas. Os quatro grandes conceitos, em torno dos quais os americanos deveria estar unidos, não apenas para si mesmos, mas para todo o mundo, foram os seguintes: liberdade de expressão, de religião, da penúria e do medo. Esses princípios seriam inscritos na Carta do Atlântico, que Roosevelt assinou com Winston Churchill, em agosto de 1941, nas costas do Canadá, e foram consagrados no ano seguinte na Carta das Nações Unidas, uma espécie de “New Deal for the world”, que seria a base da Carta da ONU, assinada em San Francisco, em 1944.

Neill Lochery: Brazil: The Fortunes of War, World War II and the Making of Modern Brazil (New York: Basic Books, 2014, 314 p.)
O autor é um historiador britânico, professor de Mediterranean and Middle Eastern Studies do College University of London, e seu livro está dedicado ao envolvimento do Brasil na guerra, o que é feito de maneira minuciosa e competente. A introdução da obra já começa destacando o famoso documento-guia que Oswaldo Aranha preparou para as conversas de Vargas com Roosevelt, no encontro que ambos tiveram no Rio Grande do Norte, em janeiro de 1943, uma lista de objetivos de guerra que o Brasil declarava aos EUA, mas que também podem ser vistos como uma espécie de planejamento estratégico feito pelo grande chanceler para assegurar uma posição de realce para o Brasil na ordem internacional que estaria sendo desenhada pouco mais à frente para assegurar a paz e reconstruir o mundo. Oswaldo Aranha acreditava, pragmaticamente, que a política tradicional do Brasil, de apoiar os Estados Unidos no mundo, em troca do seu apoio na América do Sul, deveria ser mantida “até a vitória das armas americanas na guerra e até a vitória e a consolidação dos ideais americanos na paz.” Os Estados Unidos iriam liderar o mundo quando a paz fosse restaurada e seria um grave erro se o Brasil não estivesse do seu lado. Ambas nações eram “cósmicas e universais”, com características continentais e globais. Ele tinha plena consciência de que o Brasil era uma “nação economicamente e militarmente fraca”, mas o seu crescimento natural, ou as migrações do pós-guerra, lhe dariam o capital e a população que o fariam tornar-se, “inevitavelmente um dos grandes poderes políticos do mundo”. Pena que Oswaldo Aranha não se tornou presidente do Brasil.

Henry Kissinger: World Order (New York: Penguin Press, 2014, 433 p.)
Trata-se, provavelmente, do último livro, de tipo conceitual, de um dos mais destacados intelectuais americanos (de origem germânica), acadêmico de longa carreira, que também se destacou em atividades executivas, primeiro como conselheiro de segurança nacional, depois como Secretário de Estado, ator de primeiro plano das relações exteriores dos Estados Unidos e das próprias relações internacionais, consultor de quase todos os presidentes americanos desde os anos 1950 e de alguns governos estrangeiros também. Frustrante para os leitores de nossa região, o livro não devota nem mesmo um capítulo, sequer uma mísera seção, à América Latina ou ao Brasil, nas dez grandes unidades da obra, todas elas dedicadas aos grandes atores ou aos problemas percebidos como relevantes para o estabelecimento ou a preservação de uma ordem que de fato não existe. Após uma introdução de tratamento conceitual da questão título, ele dedica dois capítulos à ordem europeia surgida com a paz de Westfália e o sistema de balanço de poder daí resultante, um ao mundo islâmico e às desordens do Oriente Próximo, outro voltado exclusivamente para as relações entre os Estados Unidos e o Irã, dois outros sobre a Ásia (sua multiplicidade e a emergência de uma ordem “asiática”), dois capítulos inteiros sobre a diplomacia dos Estados Unidos (a ideia de uma ordem internacional na tradição wilsoniana e o seu papel atual como “superpotência ambivalente”) e, finalmente, dois capítulos finais voltados para questões tecnológicas e de informação e de proliferação, e sobre a evolução provável de uma ordem mundial ainda largamente indefinida. Para ser mais preciso, a América Latina não aparece sequer no índice remissivo do livro, embora nele exista a entrada western hemisphere. O Brasil só é mencionado duas vezes, ambas en passant e de maneira irrelevante: a primeira para falar sobre o impacto mundial das revoluções europeias de 1848, a segunda na companhia da Índia (que recebe tratamento mais amplo nos capítulos asiáticos da obra) como exemplo de nações emergentes. Fora isso, um grande livro.

Francis Fukuyama: The Origins of Political Order: From Prehuman Times to the French Revolution (New York: Farrar, Straus and Giroux, 2011, 620 p.) e Political Order and Political Decay: From the Industrial Revolution to the Globalization of Democracy (New York: Farrar, Straus and Giroux, 2014, 660 p.)
            Dois volumes que resumem o pensamento de um dos mais influentes cientistas políticos dos EUA, que retoma o trabalho seminal que tinha sido conduzido por um de seus mestres, o finado autor do “conflito de civilizações” (não um de seus melhores livros), Samuel Huntington, em seu clássico Political Order in Changing Societies (New Haven: Yale University Press, 1968), que tinha sido traduzido no Brasil por Heitor Ferreira Lima, um dos assessores do “guru” do regime militar no Brasil, Golbery do Couto e Silva em seus esforços de distensão e de transição política para uma ordem pós-autoritária durante a presidência Geisel. Os dois livros valem por um tratado de política, mas que praticamente confirmam um tese pré-concebida: o “fim da história”, se existir, se parece muito com o modelo político americano, que é a culminação das possibilidades democráticas nas sociedades liberais e avançadas de mercado. Mas o próprio Fukuyama reconhece que a democracia americana está sendo gradualmente conduzida a impasses institucionais pela rigidez do sistema bipartidário polarizado atualmente existente.

Hartford, 2782: 16 dezembro 2014
Divulgado, com reprodução das capas dos livros, no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2014/12/recomendacoes-de-leituras-para-curiosos.html).

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Nicolau Maquiavel, ou Niccolò Machiavelli, nascido em 3 de maio de 1469,


Nesta Data

Nasce Nicolau Maquiavel

 Considerado o "gênio do mal da política", Maquiavel, na verdade foi um patriota, que apenas queria libertar a sua Itália dos invasores estrangeiros e dos príncipes oligarcas, como tentei explicar em meu livro "O moderno Príncipe: Maquiavel revisitado".

Paulo Roberto de Almeida

 

No dia 3 de maio de 1469, nasce Nicolau Maquiavel, pensador político italiano autor de 'O Príncipe'

Nasce Nicolau Maquiavel
Maquiavel começou sua carreira política no governo da república de Florença (Foto: Reprodução/Internet)
O termo ‘maquiavélico’ é ligado a pessoas inescrupulosas que fazem de tudo para 
alcançar seus objetivos. A palavra é referência ao nome de Nicolau Maquiavel, 
um político e estudioso italiano que nasceu no dia 3 de maio de 1469.
A mais famosa obra de Maquiavel foi “O Príncipe” e foi por ela que nasceu 
o adjetivo. Em seu texto, Maquiavel inovou no estudo político ao tratar a 
ética como um item separado, abandonando a antiga concepção de política.
Nascido em Florença em uma família decadente e antiga da Itália, Maquiavel 
recebeu educação clássica. Seu primeiro trabalho com política foi no governo 
da República de Florença. Fez visitas diplomáticas à França e à Alemanha.
Foi exilado de seu país em 1513, quando a família Médici retornou ao poder. 
Nos oito anos que se seguiram, praticamente concluiu a sua mais famosa obra, 
publicada apenas 19 anos depois.
Voltou a Florença em 1520, quando conseguiu resolver suas diferenças com 
Lourenço de Médici, tornando-se historiador oficial da cidade-estado. 
Desenvolveu outras obras literárias e teatrais que não se relacionavam com 
seu pensamento político. Maquiavel morreu no dia 21 de junho de 1527.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Macchiavelli: ecce homo, ou ecco l'uomo, o patriota, numa nova biografia




Be Like a Fox by Erica Benner review – was Machiavelli really not Machiavellian?


The Prince was meant ironically, and its author was really a nice guy, argues this compulsively readable study

The Guardian, Wednesday 15 March 2017 

One has grown used to reading the kind of revisionist history in which the Renaissance was a myth, the Reformation never happened and the great Irish famine was a spot of food shortage. Britain blundered into ruling India by a series of unfortunate oversights, and Attila the Hun was by no means as bad as he has been painted.

It was inevitable, then, that someone would come up with a book arguing that Machiavelli was not Machiavellian. In one sense, to be sure, we have known this all along. The renowned 16th-century diplomat and politician was a staunch republican and reformer who denounced corruption in high places and detested tyrants, which was not the best recipe for a quiet life in the Florence of the Medici family. As a humanist in the mould of Livy and Cicero, he urged his fellow citizens to question conventional wisdom and take nothing on authority. Rulers were not to be deceived by false glory, and high birth was by no means a guarantee of virtue. The public good took precedence over private interests and political sectarianism. You should treat your enemies justly, uphold the rule of law and show respect to others, if only to win them over to your side.
Yet Machiavelli was writing at a time when this ancient humanist heritage was running up against the more sceptical vision of the modern age. If he thought despots were despicable, it was not because he believed that people could be trusted to run their own lives. On the contrary, his drastically low estimate of their abilities is typical of political conservatism. Conservatives tend to believe that human beings are flawed, limited creatures who need to be strictly disciplined if anything useful is to be squeezed out of them. Liberals, by contrast, place their faith in the more generous instincts of humanity, which will flourish if only they are allowed free rein.
There is no doubt about which camp the author of The Prince belongs to. We are entering an era of realpolitik, suspicious of grand ideals and noble motives; and what is striking about Machiavelli’s work is that this disenchanted view of politics is now becoming part of political philosophy itself. Thinking should be based on how men and women are, not how one would wish them to be. Princes should govern virtuously if they can, but if they can achieve their ends only by fraud, treachery and cruelty, then so be it. If necessary they should break their oaths, cheat their allies and assassinate their rivals. It is a stunning deviation from the classical tradition.
Erica Benner’s lively, compulsively readable biography finds this kind of stuff a problem. She sees Machiavelli not only as non-Machiavellian but as a good-hearted, Gary Lineker-type guy. This is revisionism with a vengeance. Hardly a word of rebuke for this admirer of the bloodstained Cesare Borgia passes Benner’s lips. She adopts a now-fashionable biographical mode, in which it is obligatory to refer to your subject by his or her first name and invent gestures or snatches of dialogue that make them seem more human. The mildly patronising assumption that the reader will be bored by history unless it is brought alive in this pseudo-fictional way lurks behind many a recent piece of life-writing. As a result, criticism gives way to empathy.
Despite her remarkably charitable treatment of “Niccolo”, Benner does not overdo the fake dialogue and dreamed-up scenarios. There are a few clunky moments in this respect – “‘I think,’ [his mother] Bartolommea says in low tones so their children can’t hear, ‘that Nencia might be pregnant.’” On the whole, though, the book avoids too much fictional embroidery, not least because 16th-century Florentine history is dramatic enough in its own right. There are some fascinating accounts of conspiracies and intrigues, political trouble-making and diplomatic trouble-shooting, fanatical friars and military disasters.
So what of the Machiavelli who advocates force and fraud? Most of this inconvenient stuff is to be found in The Prince, and in Benner’s view is meant to be ironic. The book is dedicated to Lorenzo de’ Medici, and commends, tongue in cheek, just the kind of unsavoury conduct that is likely to bring him and his kind low. There are problems with this explanation. For one thing, the biography has been seen as a kind of job application by its author for a post as political counsellor to the Medici, and even Benner has to admit that the family could hardly be expected to look benevolently on a man who advised them to act as villains, however much they did so anyway. For another thing, some of the discreditable attitudes of The Prince can be found elsewhere in Machiavelli’s writing, not least the view that the end justifies the means.
Demonising Machiavelli does no justice to the complexity of his life and work, though idealising him isn’t the answer either. Even so, Be Like a Fox is a valuable demolition-and-salvage job, fluently written and unshowily erudite. One awaits Martin Luther: Servant of the Pope with a certain sense of fatality.
 Terry Eagleton’s Materialism is published by Yale. Be Like a Fox is published by Allen Lane. To order a copy for £17 (RRP £20) go to bookshop.theguardian.com or call 0330 333 6846. Free UK p&p over £10, online orders only. Phone orders min p&p of £1.99
Sobre o livro:

One needs to be a fox to recognize snares, and a lion to frighten the wolves Niccolo Machiavelli lived in a fiercely competitive world, one where brute wealth, brazen liars and ruthless self-promoters seemed to carry off all the prizes; where the wealthy elite grew richer at the expense of their fellow citizens. In times like these, many looked to crusading religion to solve their problems, or they turned to a new breed of leaders - super-rich dynasties like the Medici or military strongmen like Cesare Borgia; upstarts from outside the old ruling classes. In the republic of Florence, Machiavelli and his contemporaries faced a choice: should they capitulate to these new princes, or fight to save the city s democratic freedoms? Be Like the Fox follows Machiavelli s dramatic quest for political and human freedom through his own eyes. Masterfully interweaving his words with those of his friends and enemies, Erica Benner breathes life into his penetrating, comical, often surprising comments on events. Far from the cynical henchman people think he was, Machiavelli emerges as his era s staunchest champion of liberty, a profound ethical thinker who refused to compromise his ideals to fit corrupt times. But he did sometimes have to mask his true convictions, becoming a great artist of fox-like dissimulation: a master of disguise in dangerous times. 



sábado, 5 de setembro de 2015

O que nos separa de Maquiavel? - Paulo Roberto de Almeida

Meu Apêndice ao meu livro em formato Kindle O Príncipe, revisitado: Maquiavel para os contemporâneos:
(capa de Pedro Paulo Palazzo, sobre óleo de Santi di Tito)

O que nos separa de Maquiavel?

 Paulo Roberto de Almeida 

Se, por alguma fortuna histórica, Maquiavel retornasse, hoje, ao nosso convívio, com as suas virtudes de pensador prático, quase meio milênio depois de redigida sua obra mais famosa, como reescreveria ele o seu manual “hiperrealista” de governança política? Seriam os estados modernos muito diversos dos principados do final da Idade Média?
Este Maquiavel para os contemporâneos, voltado para a política dos nossos tempos, dialoga com o genial pensador florentino, segue seus passos naquelas “recomendações” que continuam aparentemente válidas para a política atual, mas não hesita em oferecer novas respostas para velhos problemas de administração dos homens. Aqui, como em outros aspectos, a constância dos “príncipes” nos desacertos é notável. Ela não parece ter evoluído muito, desde então.
De fato, Maquiavel permanece surpreendentemente atual – com o que concordariam os filósofos e cientistas políticos da atualidade –, mesmo (talvez sobretudo) nos traços malévolos exibidos pelos condottieri contemporâneos e pelos cappi dei uomine. Ainda que envenenamentos encomendados e assassinatos por adagas, tão comuns no Renascimento italiano, não estejam mais na moda – pelo menos fora do âmbito dos serviços secretos –, e que eles tenham sido substituídos por outros métodos para se desembaraçar de concorrentes e de adversários políticos, as técnicas para se apossar do poder e para mantê-lo exibem uma notável continuidade com aquelas descritas pelo experiente diplomata da repubblica fiorentina do Quattrocento.
O que pode estar ultrapassado, no seu “manual” de 1513, é meramente acessório, pois a essência da arte de comandar os homens revela-se plenamente adequada aos dias que correm, confirmando assim as finas virtudes de psicólogo político – avant la lettre – do perspicaz pensador do Cinquecento.
Este Príncipe, revisitado representa, antes de tudo, uma singela homenagem ao diplomata italiano que “inventou” a ciência política, ainda que ele o tenha feito nas difíceis circunstâncias do ostracismo, na sua condição de funcionário de Estado “cassado” pelos novos donos do poder em Florença. Obra de um momento político – talvez não muito diverso daqueles tempos vividos pelo segretario de cancelleria –, este novo Príncipe, que se pretende tão universal em seu escopo e motivações quanto seu modelo de cinco séculos atrás, oferece novos argumentos em torno dos velhos problemas da administração estatal.
A bem refletir sobre a política contemporânea, pouco nos separa de Maquiavel, se não é algum desenvolvimento institucional e uma maior rapidez nas comunicações. Quanto aos homens, tanto os condottieri quanto o popolo, eles não parecem ter mudado tanto assim...
 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A gift to myself: refletindo com Maquiavel sobre o estado da nacao - Paulo Roberto de Almeida

Não há coisa que eu valorize mais do que o conhecimento, não apenas a acumulação de conhecimento, em si mesmo, mas o uso do conhecimento para dele fazer o melhor uso, na compreensão dos problemas de nossa época, na eventual solução dos impasses enfrentados pelo país, na simples satisfação de compreender melhor nossas insuficiências, dificuldades e possíveis vias de escape, para uma melhor situação, de conforto material, mas sobretudo de satisfação intelectual.

Tenho encontrado muitos motivos de satisfação intelectual -- e alguns de angústia, também, mas isso é inevitável -- na companhia de Maquiavel, um dos maiores pensadores da humanidade, ponto.

Abaixo, um trabalho que acabo de compor, com base numa leitura de alguns de seus escritos.


Ou, usando a história para fins do presente (como sempre)

Paulo Roberto de Almeida
Leitura de um clássico, revisitado para fins atuais.

Sumário:
1. O que representam os Discorsi na obra maquiaveliana?
2. O que poderia ser o equivalente dos Discorsi no Brasil atual?
3. Do uso da história para objetivos da luta política corrente
4. Ensinamentos de Maquiavel para uso dos neófitos e litterati
4.1. A organização política
4.2. A qualidade da liderança
4.3. Coesão ou divisão do corpo social?
4.4. Políticas para o popolo grosso e para o popolo minuto
4.5. Alguma perspectiva de mudança?


 “Os homens elogiam o passado e se queixam do presente, quase sempre sem razão.”
(Maquiavel, introdução ao livro II dos Discorsi).

Este ensaio ainda não foi revisto, mas encontra-se disponível, mesmo em versão preliminar, neste link do Academia.edu: 
https://www.academia.edu/9393843/2716_Maquiavel_revisitado_os_Discorsi_e_o_Brasil_contempor%C3%A2neo_2014_ 
Paulo Roberto de Almeida  
Hartford, 19 de novembro de 2014

Longos anos de leituras e de produção acadêmica...

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Livro: uma leitura exemplar, Escorel sobre Maquiavel, e uma reflexao propria...

Estou lendo, para resenhar para o meu tradicional Prata da Casa, este livro aqui:



Lauro Escorel:
Introdução ao Pensamento Político de Maquiavel
(3a. ed.; Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, FGV, 2014, 344 p.; ISBN: 978-85-88777-59-0)

            Escrito em 1956, publicado pela primeira vez em 1958, novamente em 1979, este clássico da maquiavelística brasileira é agora apresentado por um acadêmico e complementado por uma conferência de 1980 do autor, que se tornou “maquiavélico” ao servir na capital italiana em meados dos anos 1950. 
Para Escorel, “as observações de Maquiavel sobre a política externa dos Estados continuam a apresentar... uma extraordinária atualidade” (p. 329-30). O florentino foi o primeiro grande teórico da política do poder.   
Mas no plano interno também, Escorel segue Maquiavel no sentido em que a política é um “regime de precário equilíbrio entre as forças do bem e as forças do mal, em que estas muitas vezes superam aquelas...” (34). Os dois colocam o “problema cruciante das relações da política com a moral”, que está no centro da obra do italiano.
Escorel argumenta, em sua introdução escrita em Roma, em 1956, que a política "é uma técnica e, como tal, está voltada naturalmente para um objetivo prático: o êxito na obtenção de seus fins específicos, que são a conquista e a manutenção do poder. Mas é uma técnica que deve servir a uma finalidade ética: a aplicação efetiva do poder em benefício da comunidade. Um político imoral, portanto, é aquele que utiliza a técnica política para satisfazer objetivos particularistas egoístas, caso em que serea também um político incompentente, uma vez que estará agindo em detrimento da comunidade a que deve servir" (36).
"Na medida em que a política é uma técnica e uma arte, dotadas de características e exigências peculiares, pode-se dizer que Maquiavel a conheceu e analisou como ninguém, legando ao mundo moderno a mais lúcida e implacável análise que jamais foi realizada de sua natureza ambígua e contraditória" (36-37).

Eu também procurei, como Maquiavel, embora numa escala bem mais modesta, ir em busca da verità effetualle della cosa, escrevendo um "O Príncipe, revisitado: Maquiavel para os contemporâneos" (disponível em edição Kindle), como informado abaixo. As circunstâncias dessa "reflexão no deserto", ou no ostracismo, foram mais ou menos similares, embora menos dramáticas as minhas do que as do florentino, torturado pelo novo regime que tomou o poder na sua cidade natal. No meu caso não era minha cidade natal, e a "tortura" assumiu outras formas...
Mudanças de regime são sempre desafiadoras para os que buscam certo equilíbrio entre a moral e a política, em face de novos donos do poder simplesmente imorais...
Paulo Roberto de Almeida 

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O Príncipe, revisitado: Maquiavel para os contemporâneos (Portuguese Edition) [Kindle Edition]

Paulo Roberto Almeida , Pedro Paulo Palazzo de Almeida

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