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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Historia da Literatura Ocidental - Otto Maria Carpeaux: disponivel

Uma oportunidade a não perder, para quem não tem a edição impressa da monumental obra do grande intelectual austríaco, naturalizado brasileiro, Otto Maria Carpeaux (nome afrancesado a partir do original em alemão), um dos maiores conhecedores da literatura universal, em especial a ocidental.


Resumo

Apresentada em quatro alentados volumes, esta é uma das mais importantes obras publicadas no Brasil no século XX. A Folha de S.Paulo, no final do século passado, reuniu especialistas para escolher as cem melhores obras de não-ficção do século XX e a História da literatura ocidental de Carpeaux alcançou o 18.º lugar.
No primeiro volume, Otto Maria Carpeaux (Viena, 1900-Rio de Janeiro, 1978) parte da Antiguidade greco-latina, percorre as expressões literárias da Idade Média e analisa o Renascimento e a Reforma. No segundo volume, faz a exegese do Barroco e do Classicismo, analisa a poesia, o teatro, a epopeia e o romance picaresco, entre outros temas e autores, tais como Cervantes, Góngora, Shakespeare e Molière. Ainda no segundo volume, continua o estudo do neobarroco, do Classicismo racionalista, do Pré-Romantismo, os enciclopedistas e o que chama de “o Último Classicismo”. O terceiro tomo refere-se à literatura do Romantismo até nossos dias. Nele está incluído o Romantismo brasileiro, o que contribui para o entendimento de autores brasileiros como José de Alencar, Castro Alves e Álvares de Azevedo, além de Machado de Assis na sua fase cunhada de “romântica”. Ainda nesse terceiro volume, estão o Realismo e o Naturalismo e seu espírito de época: Balzac, Eça, Tolstói, Zola, Dostoiévski, Melville, Baudelaire, Machado, Aluísio Azevedo, Augusto dos Anjos, entre tantos autores, aqui são estudados para expressar um período de grande transformação social com o aparecimento do marxismo e das lutas sociais mais politizadas. O quarto volume traz extensa análise sobre a atmosfera intelectual, social e literária do fin du siècle oitocentista e o surgimento do Simbolismo naquilo que o autor chama de “a época do equilíbrio europeu”. E, por fim, depois de enveredar pelas vanguardas do século XX e de fazer esboço das tendências contemporâneas, o autor austro-brasileiro encerra sua obra, monumental não somente pela extensão e abrangência de autores e estilos de época, mas também pela verticalidade com que analisa e aprofunda cada época, autor e assunto. Elogiada por Antonio Candido, Drummond, Álvaro Lins, Aurélio Buarque de Holanda e outros intelectuais e escritores, a História da literatura ocidental de Otto Maria Carpeaux é definitiva, enciclopédica e multidisciplinar, fundamental na bibliografia literária e cultural brasileira. Vol. 107A: CXLIV + 542 páginas; Vol. 107B: 816 páginas; Vol. 107C: 732 páginas; Vol. 107D:796 páginas 

Baixe o livro em pdf: http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/528992



terça-feira, 28 de agosto de 2012

Intelectuais e o nazismo: Otto Maria Carpeaux

Recebi, via email, o link para este outro blog que publica matérias relativas à vida cultural: ArtLivros.
O nazismo, como seus êmulos autoritários em outras partes do mundo, em outras épocas, sempre perseguiu intelectuais independentes.
Por aqui só temos uma pequena amostra do que ainda pode vir...
 Apenas postando o que me parece relevante, de um ponto de vista cultural.
Neste link: http://artlivros.wordpress.com/2012/08/26/herancas-da-segunda-guerra-i-parte-diplomatas-brasileiros-e-sua-atuacao-na-ajuda-aos-judeus/
Paulo Roberto de Almeida 

Heranças da segunda guerra – I parte – Diplomatas Brasileiros e sua atuação na ajuda aos Judeus.

O periodo da 2ª guerra mundial influenciou e influencia a humanidade em todos os campos. Da estratégia militar ao romance. Do teatro ao comportamento. Tudo parece transparecer o periodo turbulento que deixou profundas feridas na civilização ocidental. Não se pode mensurar as perdas e a carnificina lançada em razão de “ismos” e escolhas raciais. Mas há um lado pouco conhecido deste periodo. O lado oculto das batalhas diplomáticas em prol do salvamento ou da aniquilação dos Judeus. Há herois e crapulas que lucraram com a vida humana…é bem verdade. Porém, se não houvesse um acordo entre o Vaticano e o Brasil, para receber Judeus alemães convertidos ao cristianismo, não teriamos recebido em nossas plagas o vienense Otto Karpfen; filho de pai judeu e mãe católica. Compartilhou sua vida intelectual com figuras como Kafka, Arnold Zweig e outros frequentadores do café romanisches. Um humanista na Berlim dos anos 20. Interessado por assuntos distintos e idiomas. Amargurado, como Kafka, pelos rumos tomados na Europa pós 1ª guerra. Entendendo e antevendo a desgraça que se abateria sobre a Europa, em 1939, ficou sabendo da cota para judeus imigrantes celebrado entre o Vaticano e o Brasil. Decidido, resolveu apresentar-se ao vice-cônsul brasileiro na cidade de Antuérpia. Neste mesmo ano, 1939, casou-se  com uma cantora lírica austriaca e converteu-se ao catolicismo. E foi através  da ajuda de Octaviano Augusto Machado de Oliveira, que servia na cidade desde 1933, que Carpeaux vislumbrou uma chance de sobrevivência em meio a loucura que precipitava a Europa para a destruição. A atitude humanista do Cônsul garantiu ao jovem Otto e sua esposa Helene um visto para o Brasil. Quando cruzavam o oceano houve a invasão da Polonia e as declarações de guerra da Inglaterra e França à Alemanha. Ao chegar no Brasil adotou o nome católico “Maria” e mudou seu sobrenome germânico “Karpfen” para o frances “Carpeaux”. Há pouco reconhecimento ao trabalho dos diplomatas brasileiros no periodo pré 2ª guerra. Mas graças ao trabalho do cônsul Octaviano o Brasil recebeu e ganhou a herança intelectual de Carpeaux.
M.N (26/08/2012)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Um escritor que sabia escrever: Otto Maria Carpeaux

Parece redundância, ou erro de título, mas não é: hoje em dia, são poucos os escritores que sabem escrever, sobretudo no jornalismo. Minha homenagem a um mestre da escrita.

OBSERVATÓRIO LITERÁRIO
Um erudito que sabia escrever
Esdras do Nascimento
Observatório da Imprensa, 28.07.2010

Em parceria com a UniverCidade, do Rio, a Editora Topbooks está relançando em dez volumes toda a obra de Otto Maria Carpeaux, crítico literário austríaco que atuou durante muitos anos, de forma brilhante, na imprensa brasileira e escreveu, com inusitada clareza, ensaios de rara profundidade sobre dezenas de autores e compositores, muitos dos quais até então praticamente desconhecidos no país.

No suplemento Mais! , da Folha de S. Paulo, de 4/7/99, Nelson Ascher faz um perfil do ensaísta e lembra uma época em que havia, no Brasil, uma "atividade especial, mas não especializada, considerada antes uma disciplina humanística do que um tipo de ciência. Seus praticantes podiam ser diplomados em direito, engenharia, medicina etc. ou não ter diploma algum; escreviam em jornais, revistas, publicavam livros, davam conferências e aulas, mas sua hierarquia se devia mais aos méritos que à antigüidade e aos títulos".

Nelson Ascher ressalta, no seu artigo, a qualidade dos textos de Carpeaux, que mesmo quando abordavam temas controvertidos e complexos eram escritos na "língua comum dos seres humanos letrados" e "cumpriam uma função definida, qual seja, a de servir como intermediário entre algo em busca de um público e um público em busca de algo. Esse algo era a literatura, e a atividade em questão chamava-se crítica literária".

Muito oportuna essa observação de Nelson Ascher. Os trabalhos produzidos hoje nas universidades, na área das ciências humanas, são quase sempre pernósticos e mal-escritos, talvez porque os seus autores estejam mais preocupados em mostrar como são inteligentes, sabidos e eruditos, do que em prestar serviços aos leitores, transmitindo-lhe as informações que obtiveram e analisando-as de maneira compreensível. Isso provavelmente ocorre porque eles escrevem para os colegas, pensando na repercussão que seus trabalhos terão na área específica em que atuam, podendo render-lhes alguns lucros, em termos de promoções acadêmicas, prestígio, convites para congressos e simpósios etc. etc. Predominam as citações, as longas bibliografias, as notas de pé de página e a linguagem empolada. O leitor, em geral, não é levado em conta. E esses textos cumprem o seu natural destino de mofar na poeira dos arquivos das universidades.

Otto Maria Carpeaux, ao lado de Álvaro Lins, Nelson Werneck Sodré, Sérgio Milliet e alguns outros, era exatamente o contrário disso. Daí a importância do relançamento de suas obras.