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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A partilha de 1947, entre Israel (nascido em 1948) e a Palestina (bloqueada pelos arabes) - Osias Wurman

Opinião

O sonho da Partilha

Estado judeu perdeu mais de 23 mil cidadãos

por Osias Wurman
A Palestinian Media Watch noticiou que a TV oficial da Autoridade Palestina transmitiu, em 1º de novembro, uma entrevista com o historiador Abd Al-Ghani Salameh, que abordou os cem anos da Declaração Balfour e explicou que, em 1917, não havia povo palestino.
Na entrevista, o jornalista perguntou: “Muitos quiseram dominar a Palestina ao longo da história. Como estas aspirações de governá-la afetam a existência palestina, as opções dos palestinos e as suas possibilidades de desenvolvimento?”
Salameh respondeu: “Antes da Declaração Balfour, quando o governo otomano terminou (1517-1917), as fronteiras políticas da Palestina, como as conhecemos hoje, não existiam, e não havia nada chamado de povo palestino, com uma identidade política, como conhecemos hoje. As linhas de divisão administrativa da Palestina se estendiam de leste a oeste e incluíam a Jordânia e o sul do Líbano. Como todos os povos da região, (os palestinos) foram libertados do domínio turco e imediatamente passaram para o domínio colonial (britânico e francês), sem formar uma identidade política”.
É este principio fundamental, da não existência de uma identidade palestina secular, no sentido de tempo, que impede uma aglutinação coesa e harmônica do dito povo palestino, sempre fracionado por disputas internas entre facções e personalidades inimigas.
O símbolo mais importante de uma identidade palestina foi Yasser Arafat, que se notabilizou por não perder uma oportunidade de perder a oportunidade, para declarar um Estado palestino independente.
Na semana passada, completaram-se 70 anos da Assembleia das Nações Unidas, de 1947, que decidiu por maioria de dois terços, pela Partilha da Palestina.
O eminente brasileiro Oswaldo Aranha presidiu a assembleia que previu a criação de dois estados, um árabe e o outro judeu, que deveriam viver lado a lado. Era o desejo de todas as nações que apoiaram a Resolução 181 de 29 de novembro.
Em seu livro “Brasil, segredo de Estado”, Sergio Corrêa da Costa relata, com riqueza de detalhes de quem participou da sessão da Partilha com Oswaldo Aranha, como os embaixadores árabes saíram do recinto antes do encerramento da assembleia.
Os diplomatas árabes tinham convocado uma entrevista no luxuoso salão do Hotel Waldorf Astoria, onde manifestaram seu total repúdio à resolução 181.
Os árabes não esconderam seus propósitos, ao declarar que “a resolução aprovada seria o fim das Nações Unidas e que as fronteiras de Israel seriam traçadas a sangue”. Erraram na primeira afirmação, mas tornaram uma triste realidade o segundo libelo.
Em quase 70 anos de independência, o Estado judeu perdeu mais de 23 mil cidadãos, vitimas de guerras e atentados terroristas, o que não impediu seu povo de ganhar 12 prêmios Nobel.
E o sonho de Oswaldo Aranha, a criação de dois estados na região, continua dependente de um líder palestino que reconheça o aspecto judaico de Israel e manifeste sinceramente a vontade de conviver em paz com o seu vizinho Estado judeu.

Osias Wurman é cônsul honorário de Israel

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Declaracao Balfour sobre um lar judeu na Palestina: cem anos atras - Ishaan Tharoor (WP)

The Balfour Declaration still divides the Middle East 100 years later

Ishaan Tharoor

The Washington Post, November 2, 2017


In a year brimming with profoundly symbolic centennials, Thursday marks perhaps the most politically fraught one. Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu will appear in London alongside his British counterpart, Theresa May, to commemorate the 100th anniversary of the Balfour Declaration, a 67-word missive from Britain’s then-foreign secretary expressing his government's support for a Jewish homeland in Palestine.

The Nov. 2, 1917, public letter was written by Lord Arthur Balfour to Baron Walter Rothschild, the head of the British wing of the influential European Jewish banking family. Balfour articulated the British desire for the establishment of “a national home for the Jewish people” and promised that his government would “facilitate the achievement of this object.” It would take three further decades — and a great deal more politicking and bloodshed — before Israel declared independence in 1948.
But the Balfour Declaration is held up as a seminal event, the first formal utterance of the modern Israeli state’s right to exist (though some historians quibble that a “national home” is not the same thing as a state). For that reason, it is also bitterly regarded by many Palestinians as the first instrument of their dispossession. In 1917, Jews made up less than 10 percent of Palestine’s population — a century later, they are now the majority, while millions of Palestinians live in exile or in refugee camps. Protests are planned in the Palestinian territoriesto mark the centennial.
A photo taken in 1925 and obtained from the Israeli Government Press Office on Oct. 24, shows a copy of the Balfour Declaration. (Agence France-Presse/Getty Images)
A photo taken in 1925 and obtained from the Israeli Government Press Office on Oct. 24, shows a copy of the Balfour Declaration. (Agence France-Presse/Getty Images)
For many Israelis, the centennial is something to celebrate — especially on British soil. It was partially thanks to the efforts of a coterie of Britain-based Zionists, particularly Russian-born chemist Chaim Weizmann, that Balfour and his government were persuaded to eventually seek a colonial mandate for Palestine as Western powers carved up the crumbling Ottoman Empire. “I am proud of Britain’s part in creating Israel,” wrote British Foreign Secretary Boris Johnson in a column for the Sunday Telegraph.
But the occasion is a bit more awkward for the British prime minister, who is expected to spar with Netanyahu over the Israeli leader’s hawkish line on the Iran nuclear deal. Meanwhile, May’s chief opponent, Labour leader Jeremy Corbyn, is known for his pro-Palestinian sympathies and has opted against attending the Thursday dinner commemorating the Balfour Declaration. His hesitance is not unique: A recent survey found that only 17 percent of Britons hold favorable views of Israel.
Across Europe, there’s a great deal of support for the recognition of an independent Palestinian state amid anger at the policies of Netanyahu’s right-wing government, which is expanding Israeli settlements in the West Bank while maintaining a stifling military occupation over the Palestinian territories. Critics point to a line in Balfour’s letter that “nothing shall be done which may prejudice the civil and religious rights of existing non-Jewish communities in Palestine” — a stipulation that doesn’t seem to have been followed amid the conflicts and upheavals that came after.
“The Balfour declaration is not something to be celebrated — certainly not while one of the peoples affected continues to suffer such injustice,” wrote Palestinian Authority president Mahmoud Abbas in a column published this week in the Guardian. “The creation of a homeland for one people resulted in the dispossession and continuing persecution of another — now a deep imbalance between occupier and occupied. The balance must be redressed, and Britain bears a great deal of responsibility in leading the way. Celebrations must wait for the day when everyone in this land has freedom, dignity and equality.”
Palestinian protesters burn a banner of Balfour, British and Israeli flags during a protest in the city of Bethlehem on Nov. 1. (Abed Al Hashlamoun/European Pressphoto Agency-EFE)
Palestinian protesters burn a banner of Balfour, British and Israeli flags during a protest in the city of Bethlehem on Nov. 1. (Abed Al Hashlamoun/European Pressphoto Agency-EFE)
Israeli officials liken the Palestinian refusal to accept the declaration as evidence of their broader rejection of Israel. “The vehement Palestinian Arab opposition to the Balfour Declaration was and has remained rooted in the anti-historical view that Jews were aliens, with no connection to the land and no right of any kind to live there as a people,” wrote top Israeli diplomat Yuval Rotem. “This spawned an Arab exclusivism and sense of supremacy, which continues to drive the Arab-Israel conflict to this day.”
Of course, the motives driving Balfour, an influential Conservative statesman who briefly served as prime minister, had as much to do with geopolitics as any abiding sympathy for the Zionist plight. On an earlier visit to the region, he described Palestine as a “dolorous country on the whole” and Jerusalem as a “miserable ghetto, derelict and without dignity.”
Just days before issuing the declaration, Balfour said at a cabinet meeting that appealing to Jewish nationalism would serve as “extremely useful propaganda both in Russia and in America” — two countries with significant Jewish populations and whose contributions were necessary to winning World War I. After the declaration was announced, British leaflets were dropped over Jewish communities in German and Austrian territory pointing to the good deeds done for the “people of Israel.”
The Balfour Declaration was just one piece in a series of British diplomatic efforts that helped shape the map of the modern Middle East. In 1916, Britain had already agreed in secret with France and Russia to a division of the Ottoman possessions that saw Palestine designated under joint “international control.” A year later, with the Bolshevik Revolution upending some of these plans, Britain sought to consolidate a buffer between a French-dominated Levant and their colonial concerns in Egypt — and so a mandate for Palestine looked more and more appealing. Zionists, buoyed by the British support, lobbied for Palestine to be placed under British rule, which it eventually was.
As for Lord Roderick Balfour, the great-great-nephew of the declaration’s architect, he sees flaws still unaddressed in his ancestor’s famous act.
“I have major reservations,” he recently told reporters. “There is this sentence in the declaration, ‘Nothing shall be done which may prejudice the civil and religious rights of existing non-Jewish communities in Palestine.’ That’s pretty clear. Well, that’s not being adhered to. That has somehow got to be rectified.”

domingo, 29 de novembro de 2015

This Day in History: Palestina Partition, Oswaldo Aranha (NYT)

ON THIS DAY

On Nov. 29, 1947, the U.N. General Assembly passed a resolution calling for Palestine to be partitioned between Arabs and Jews.
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ASSEMBLY VOTES PALESTINE PARTITION; MARGIN IS 33 TO 13; ARABS WALK OUT; ARANHA HAILS WORK AS SESSION ENDS



U.N. REJECTS DELAY
Proposal Driven Through by U.S. and Soviet Will Set Up Two Sates
COMMISSION IS APPOINTED
Britain Holds Out Hand to It - Arabs Fail in Last-Minute Resort to Federal Plan
By THOMAS J. HAMILTON
RELATED HEADLINES Arabs See U.N. 'Murdered,' Disavow Any Partition Role: Angry Delegates Stalk From Assembly Hall Before Formal Closing -- Silver Voices Gratification, Offers Friendship
Peace Gains Noted: Brazilian Says Contacts Inspired No Forecast of Imminent War: Cites Role of Minority: Lie Regrets That Economic Issues Were Sidetracked -- Others Hail Aranha
Zioninst Audience Joyful After Vote: Tears, Excited Laughter Mark Tension -- Aranha Commends Public's Good Behavior
OTHER HEADLINES Schuman Bars Discussion of French Labor Overture; Communist Papers Seized: Premier Adamant: Strikers Must Go Back on Regime's Terms -- Labor Curbs Urged: Assembly Split on Code: 324 Saboteurs Are Arrested -- Paris to Expel Aliens Who Help Ruin Economy
U.S. Troops to Stay in Italy Beyond Dec. 3 Sailing Date: Change in Plans Is Linked to Disturbances Led by Communists -- Milan Is Calm Following Compromise on Prefect
No Parking Area Is Created From City Hall to Canal St.
War Pay Racket Hunted by Truman: Gen. Vaughan Says President Wants Army, Navy, Air House-Cleaning on Disability Cases
Congress Action Lags on Aid Bill Despite Warnings Need Is Urgent
Vast G.I. Housing to Rise Near Site of World's Fair: 21 14-Story Apartment Units to Form Nation's Largest Veterans' Cooperative: Cost Put at $58,000,000: Occupancy on Tenant-Owner Basis -- Work Will Start Before End of Year
Molotov Insists on Regime Before Treaty on Germany
Company Asks Rise in Gas Rate From $1.15 to $2 Sliding Scale
The United Nations General Assembly approved yesterday a proposal to partition Palestine into two states, one Arab and the other Jewish, that are to become fully independent by Oct.1. The vote was 33 to 13 with two abstentions and one delegation, the Siamese, absent.
The decision was primarily a result of the fact that the delegations of the United States and the Soviet Union, which were at loggerheads on every other important issue before the Assembly, stood together on partition. Andrei A. Gromyko and Herschel V. Johnson both urged the Assembly yesterday not to agree to further delay but to vote for partition at once.
The Assembly disregarded last minute Arab efforts to effect a compromise. Although the votes of a dozen or more delegations see-sawed to the last, supporters of partition had two votes more than the required two-thirds majority, or a margin of three.
How Members Voted
The roll-call vote was as follows: For (33) - Australia, Belgium, Bolivia, Brazil, Canada, Costa Rica, Czechoslovakia, Denmark, Dominican Republic, Ecuador, France, Guatemala, Haiti, Iceland, Liberia, Luxembourg, the Netherlands, New Zealand, Nicaragua, Norway, Panama, Paraguay, Peru Philippines, Poland, Sweden, Ukraine, South Africa, Uruguay, the Soviet Union, the United States, Venezuela, White Russia.
Against (13) - Afghanistan, Cuba, Egypt, Greece, India, Iran, Iraq, Lebanon, Pakistan, Saudi Arabia, Syria, Turkey, Yemen.
Abstentions (10) - Argentina, Chile, China, Colombia, El Salvador, Ethiopia, Honduras, Mexico, United Kingdom, Yugoslavia.
Absent (1) - Siam.
All other questions before the Assembly were disposed of a week ago, and it ended its second regular session at 6:57 P.M. after farewell speeches by Dr. Oswaldo Aranha, its President, and Trygve Lie, the Secretary General. The Assembly's third regular session is to open in a European capital on Sept. 21.
The vote on partition was taken at 5:35 P. M. Representatives of Iraq, Saudi Arabia, Syria, and Yemen, four of the six Arab member states, announced that they would not be bound by the Assembly's decision and walked determinedly out of the Assembly Hall at Flushing Meadow. The Egyptian and Lebanese delegates were silent but walked out, too.
Briton Seeks Contact
Sir Alexander Cadogan, representative of Britain, which is to terminate the League of Nations mandate over Palestine and withdraw all British troops by Aug. 1, made a brief statement after the vote. He requested the United Nations Palestine Commission to establish contact with the British Government about the date of its arrival in Palestine and the coordination of its plans with the withdrawal of British troops.
The United Nations commission which will be responsible to the Security Council in the event that the Arabs carry out their threats to fight rather than agree to partition, will be composed of representatives of Bolivia, Czechoslovakia, Denmark, Panama and the Philippines.
This state, which is understood to have the backing of the United States, was proposed by Dr. Aranha and approved without opposition after the Arab delegates had walked out.
The commission, as proposed by the partition subcommittee, of the Assembly's Ad Hoc Committee on Palestine, was to have been composed of Denmark, Guatemala, Iceland, Poland, and Uruguay, but the question was left to the Assembly because of United States opposition.
The Assembly, without discussion, also approved an appropriation of $2,000,000 for the expenses of the commission, which will take over authority in Palestine after the British terminate the mandate and will then transfer it to the "shadow governments" of the two states.
The walkout of the Arab delegates was taken as a clear indication that the Palestinian Arabs would have nothing to do with the Assembly's decision. The British have emphasized repeatedly that British troops could not be used to impose a settlement not acceptable to both Jews and Arabs, and the partition plan does not provide outside military force to keep order.
Instead, it provides for the establishment of armed militia by the two nascent states to keep internal order and that any threats to peace by the neighboring Arab states are to be referred to the Security Council.
The Assembly decided Friday to take a recess of twenty-four hours to give the Arabs time to submit a comprise proposal, but this turned out to be what Mr. Johnson called a mere resurrection of the proposal for a federal Palestine, which had been recommended by a minority of the United Nations Special Committee on Palestine.
The resolution to return the entire question to the Ad Hoc Committee on Palestine, introduced by Mostafa Adl, the representative of Iran, would furthermore have directed the committee to take into account the last-minute Arab proposal.
A simple procedural resolution returning the question to the committee would have had precedence over the partition proposal, but Dr. Aranha, after considerable reflection, ruled that the extraneous provisions barred it from being treated as a procedural motion and that it could not be voted on until after the Assembly's decision on partition.
Vote on Principles Sought
Camille Chamoun, the Lebanese representative, tried to meet Dr. Aranha's ruling by demanding that the committee vote first on the eleven principles on the future government of Palestine, which had been approved unanimously by the Special Committee on Palestine last summer.
Mr. Chamoun remarked that the resolution before the Assembly did not mention these principles, but Dr. Aranha replied that they were covered by the plan substituted by the Palestine committee, to which the Assembly's resolution will give effect, and rejected the final Arab attempt to postpone a decision.
Dr. Alfonso Lopez, the Colombian representative, who on Friday had submitted a complicated proposal that, among other things, would have returned the question to the committee, had arranged with another delegate to make a simple proposal to recommit. However, the delegate, sensing the mood of the Assembly, remained silent and Dr. Aranha called for the decisive vote.
U.S. Efforts Praised
The United States delegation played its part in persuading the delegate in question not to present the motion for recommittal, and supporters of partition agreed that, after long hesitation, it had sincerely done its best to obtain Assembly approval of partition.
It was still difficult to account for the fact that Greece, which otherwise followed United States leadership throughout the long Assembly, voted against partition and that some Latin American countries abstained.
Britain, which brought the Palestine question before the Assembly last March, abstained on all votes in the Palestine committee and in poling on the issue in the Assembly.
It was expected that had the Assembly failed to reach a decision the United States would have asked Britain to stay on in Palestine. Sir Alexander's statement after the decision was taken was welcomed as being more cooperative than previous ones. It was generally expected that the United States and Britain would now agree on a working arrangement to facilitate the commission's work.
The Arab delegates, particularly after the vote, referred bitterly to the "heavy pressure" exerted on other delegations. Other delegates interpreted these complaints as attacks on the United States.
The Syrian representatives led this attack. Faris el-Khoury, in a statement before the vote, charged that the proportion of Jews to the rest of the population in the United States was 1 to 30. Jews were trying to "intimidate the United Nations ... and hiss the speakers here," which, he said was "proof that they are dominating here."
This assertion drew hisses from the gallery, and Dr. Aranha pounded his gavel for order.
A few minutes before the Assembly convened Arab spokesmen announced that they had drawn up a new six-point program in twenty-four hours of conferences. The program involved this formula:
(1) A federal independent state of Palestine shall be created not later than Aug. 1, 1949.
(2) The Government of Palestine shall be constituted on a federal basis and shall include a federal government and governments for Arab and Jewish countries.
(3) Boundaries of the cantons will be fixed so as to include a federal basis and shall include a federal government and governments for Arab and Jewish countries.
(4) The population of Palestine shall elect by universal, direct suffrage a Constituent Assembly, which shall draft the Constitution of the future federated state of Palestine. The Constituent Assembly shall be composed of all elements of the population in proportion to the number of their respective citizens.
(5) The Constituent Assembly, in defining the attributes of the federated government of Palestine as well as of its legislative and judiciary organs and the attributes of the governments of the cantons and of the relation of the governments of these cantons with the federal government, shall draw its inspiration chiefly from the principles of the Constitution of the United States as well as from the organization of laws in the states of the United States.
(6) The Constitution will provide, among other things, for protection of the holy places, liberty of access to visit the holy places and freedom of religion as well as safeguarding of the rights of religious establishments of all nationalities in Palestine. >

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Um judeu antissionista e contra a ocupacao de Israel de territorios palestinos - Marcelo Gruman

Transcrevendo um comentário sincero, independente de quais sejam suas posições. Trata-se de um "intelectual" (ou algo próximo a isso) judeu, que não se sente representado por Israel e que está cançado do vitimismo para justificar o expansionismo israelense.
Paulo Roberto de Almeida

Não em meu nome
Marcelo Gruman (*)
[Recebido em 4/08/2014, de Maurício David]

Na minha adolescência, tive a oportunidade de visitar Israel por duas vezes, ambas na primeira metade da década de 1990. Era estudante de uma escola judaica da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. As viagens foram organizadas por instituições sionistas, e tinham por intuito apresentar à juventude diaspórica a realidade daquele Estado formado após o holocausto judaico da Segunda Guerra Mundial, e para o qual todo e qualquer judeu tem o direito de “retornar” caso assim o deseje. Voltar à terra ancestral. Para as organizações sionistas, ainda que não disposto a deixar a diáspora, todo e qualquer judeu ao redor do mundo deve conhecer a “terra prometida”, prestar-lhe solidariedade material ou simbólica, assim como todo muçulmano deve fazer, pelo menos uma vez na vida, a peregrinação a Meca. Para muitos jovens judeus, a visita a Israel é um rito de passagem, assim como para outros o destino é a Disneylândia.

A equivalência de Israel e Disneylândia tem um motivo. A grande maioria dos jovens não religiosos e sem interesse por questões políticas realizam a viagem apenas para se divertir. O roteiro é basicamente o mesmo: visita ao Muro das Lamentações, com direito a fotos em posição hipócrita de reza (já viram ateu rezando?), ao Museu da Diáspora, ao Museu do Holocausto, às Colinas do Golan, ao Deserto do Neguev e a experiência de tomar um chá com os beduínos, ir ao Mar Morto e boiar na água sem fazer esforço por conta da altíssima concentração de sal, a “vivência” de alguns dias num dos kibutzim ainda existentes em Israel e uma semana num acampamento militar, onde se tem a oportunidade de atirar com uma arma de verdade. Além, é claro, da interação com jovens de outros países hospedados no mesmo local. Para variar, brasileiros e argentinos, esquecendo sua identidade étnica comum, atualizavam a rivalidade futebolística e travavam uma guerra particular pelas meninas. Neste quesito, os argentinos davam de goleada, e os brasileiros ficavam a ver navios.

Minha memória afetiva das duas viagens não é das mais significativas. Aparte ter conhecido parentes por parte de mãe, a “terra prometida” me frustrou quando o assunto é a construção de minha identidade judaica. Achei os israelenses meio grosseiros (dizem que o “sabra”, o israelense “da gema”, é duro por natureza), a comida é medíocre (o melhor falafel que comi até hoje foi em Paris...), é tudo muito árido, a sociedade é militarizada, o serviço militar é compulsório, não existe “excesso de contingente”. A memória construída apenas sobre o sofrimento começava a me incomodar.

Nossos guias, jovens talvez dez anos mais velhos do que nós, andavam armados, o motorista do ônibus andava armado. Um dos nossos passeios foi em Hebron, cidade da Cisjordânia, em que a estrada era rodeada por telas para contenção das pedras atiradas pelos palestinos. Em momento algum os guias se referiram àquele território como “ocupado”, e hoje me envergonho de ter feito parte, ainda que por poucas horas, deste “finca pé” em território ilegalmente ocupado. Para piorar, na segunda viagem quebrei a perna jogando basquete e tive de engessá-la, o que, por outro lado, me liberou da experiência desagradável de ter de apertar o gatilho de uma arma, exatamente naquela semana íamos acampar com o exército israelense.

Sei lá, não me senti tocado por esta realidade, minha fantasia era outra. Não encontrei minhas raízes no solo desértico do Negev, tampouco na neve das colinas do Golan. Apesar disso, trouxe na bagagem uma bandeira de Israel, que coloquei no meu quarto. Muitas vezes meu pai, judeu ateu, não sionista, me perguntou o porquê daquela bandeira estar ali, e eu não sabia responder. Hoje eu sei por que ela NÃO DEVERIA estar ali, porque minha identidade judaica passa pela Europa, pelos vilarejos judaicos descritos nos contos de Scholem Aleichem, pelo humor judaico característico daquela parte do mundo, pela comida judaica daquela parte do mundo, pela música klezmer que os judeus criaram naquela parte do mundo, pelas estórias que meus avós judeus da Polônia contavam ao redor da mesa da sala nos incontáveis lanches nas tardes de domingo.

Sou um judeu da diáspora, com muito orgulho. Na verdade, questiono mesmo este conceito de “diáspora”. Como bem coloca o antropólogo norte-americano James Clifford, as culturas diaspóricas não necessitam de uma representação exclusiva e permanente de um “lar original”. Privilegia-se a multilocalidade dos laços sociais. Diz ele:

As conexões transnacionais que ligam as diásporas não precisam estar articuladas primariamente através de um lar ancestral real ou simbólico (...). Descentradas, as conexões laterais [transnacionais] podem ser tão importantes quanto aquelas formadas ao redor de uma teleologia da origem/retorno. E a história compartilhada de um deslocamento contínuo, do sofrimento, adaptação e resistência pode ser tão importante quanto a projeção de uma origem específica.

Há muita confusão quando se trata de definir o que é judaísmo, ou melhor, o que é a identidade judaica. A partir da criação do Estado de Israel, a identidade judaica em qualquer parte do mundo passou a associar-se, geográfica e simbolicamente, àquele território. A diversidade cultural interna ao judaísmo foi reduzida a um espaço físico que é possível percorrer em algumas horas. A submissão a um lugar físico é a subestimação da capacidade humana de produzir cultura; o mesmo ocorre, analogamente, aos que defendem a relação inexorável de negros fora do continente africano com este continente, como se a cultura passasse literalmente pelo sangue. O que, diga-se de passagem, só serve aos racialistas e, por tabela, racistas de plantão. Prefiro a lateralidade de que nos fala Clifford.

Ser judeu não é o mesmo que ser israelense, e nem todo israelense é judeu, a despeito da cidadania de segunda classe exercida por árabes-israelenses ou por judeus de pele negra discriminados por seus pares originários da Europa Central, de pele e olhos claros. Daí que o exercício da identidade judaica não implica, necessariamente, o exercício de defesa de toda e qualquer posição do Estado de Israel, seja em que campo for.
Muito desta falsa equivalência é culpa dos próprios judeus da “diáspora”, que se alinham imediatamente aos ditames das políticas interna e externa israelense, acríticos, crentes de que tudo que parta do Knesset (o parlamento israelense) é “bom para os judeus”, amém. Muitos judeus diaspóricos se interessam mais pelo que acontece no Oriente Médio do que no seu cotidiano. Veja-se, por exemplo, o número ínfimo de cartas de leitores judeus em jornais de grande circulação, como O Globo, quando o assunto tratado é a corrupção ou violência endêmica em nosso país, em comparação às indefectíveis cartas de leitores judeus em defesa das ações militaristas israelenses nos territórios ocupados. Seria o complexo de gueto falando mais alto?

Não preciso de Israel para ser judeu e não acredito que a existência no presente e no futuro de nós, judeus, dependa da existência de um Estado judeu, argumento utilizado por muitos que defendem a defesa militar israelense por quaisquer meios, que justificam o fim. Não aceito a justificativa de que o holocausto judaico na Segunda Guerra Mundial é o exemplo claro de que apenas um lar nacional única e exclusivamente judaico seja capaz de proteger a etnia da extinção.

A dor vivida pelos judeus, na visão etnocêntrica, reproduzida nas gerações futuras através de narrativas e monumentos, é incomensurável e acima de qualquer dor que outro grupo étnico possa ter sofrido, e justifica qualquer ação que sirva para protegê-los de uma nova tragédia. Certa vez, ouvi de um sobrevivente de campo de concentração que não há comparação entre o genocídio judaico e os genocídios praticados atualmente nos países africanos, por exemplo, em Ruanda, onde tutsis e hutus se digladiaram sob as vistas grossas das ex-potências coloniais. Como este senhor ousa qualificar o sofrimento alheio? Será pelo número mágico? Seis milhões? O genial Woody Allen coloca bem a questão, num diálogo de Desconstruindo Harry (tradução livre):

- Você se importa com o Holocausto ou acha que ele não existiu?

- Não, só eu sei que perdemos seis milhões, mas o mais apavorante é saber que recordes são feitos para serem quebrados.

O holocausto judaico não é inexplicável, e não é explicável pela maldade latente dos alemães. Sem dúvida, o componente antissemita estava presente, mas, conforme demonstrado por diversos pensadores contemporâneos, dentre os quais insuspeitos judeus (seriam judeus antissemitas Hannah Arendt, Raul Hilberg e Zygmunt Bauman?), uma série de características do massacre está relacionada à Modernidade, à burocratização do Estado e à “industrialização da morte”, sofrida também por dirigentes políticos, doentes mentais, ciganos, eslavos, “subversivos” de um modo geral. Práticas sociais genocidas, conforme descritas pelo sociólogo argentino Daniel Feierstein (outro judeu antissemita?), estão presentes tanto na Segunda Guerra Mundial quanto durante o Processo de Reorganização Nacional imposto pela ditadura argentina a partir de 1976. Genocídio é genocídio, e ponto final.

A sacralização do genocídio judaico permite ações que vemos atualmente na televisão, o esmagamento da população palestina em Gaza, transformada em campo de concentração, isolada do resto do mundo. Destruição da infraestrutura, de milhares de casas, a morte de centenas de civis, famílias destroçadas, crianças torturadas em interrogatórios ilegais conforme descrito por advogados israelenses. Não, não são a exceção, não são o efeito colateral de uma guerra suja. São vítimas, sim, de práticas sociais genocidas, que visam, no final do processo, ao aniquilamento físico do grupo.

Recuso-me a acumpliciar-me com esta agressão. O exército israelense não me representa, o governo ultranacionalista não me representa. Os assentados ilegalmente são meus inimigos.

Eu, judeu brasileiro, digo: ACABEM COM A OCUPAÇÃO!!!

(*) Marcelo Gruman é antropólogo.

Referências bibliográficas:
CLIFFORD, James. (1997). Diasporas, in Montserrat Guibernau and John Rex (Eds.) The Ethnicity Reader: Nationalism, Multiculturalism and Migration, Polity Press, Oxford

domingo, 27 de julho de 2014

Seria Israel um estado invasor, e portanto ilegítimo? - Rodrigo Constantino (Veja)

Seria Israel um país invasor e, portanto, ilegítimo?

Rodrigo Constantino  VEJA, 27/07/2014 

A primeira acusação que alguns fazem a Israel diz respeito ao próprio direito de a nação judaica existir. Judeus vivem naquela região há milênios. Os judeus europeus começaram a se mudar para onde hoje é Israel em números significativos desde 1880. Quem aceita a Austrália, para dar um exemplo, como sendo legitimamente uma nação, não pode questionar a legitimidade da presença judaica onde hoje é Israel. Várias nações surgiram por decisões políticas e diplomáticas, mas Israel parece ser a única julgada como não merecedora do direito de existir.
As terras adquiridas no Oriente Médio pelos judeus não foram fruto de colonização, mas sim compradas, muitas vezes de especuladores árabes que viviam no Líbano. Eram terras pobres, e os compradores eram refugiados de regimes opressivos que procuravam uma nova vida num lugar em que seus ancestrais viveram e foram expulsos.
A Judeia mudou de nome para Palestina no começo da era pós-Cristo, quando os judeus foram expulsos pelos romanos. Mas a região nunca deixou de contar com numeroso contingente judaico. Muitos viviam pacificamente com árabes, até que Maomé desferiu atrocidades contra seu novo inimigo, chegando a massacrar homens, mulheres e crianças judias. Suas ordens eram claras: “Jamais podem existir duas religiões na Arábia”. Ainda assim, Tel Aviv foi uma cidade predominantemente judaica desde a sua fundação em 1909. O argumento de que o Estado de Israel é colonizador na origem e não tem sequer o direito à existência é injusto e falso.
A Palestina sempre foi dividida em várias partes territoriais, sendo que a maior delas era governada de Damasco por um paxá. Mas não se pode dizer que os palestinos habitavam uma “nação” da Palestina antes da criação de Israel. A edição de 1911 da Encyclopaedia Britannicadescreveu a população da Palestina como compreendendo grupos “étnicos” muito diferentes, falando não menos do que 50 línguas.
Eram vastas milhas sem habitação alguma, e tribos de beduínos espalhadas pelo território. Nunca houve uma união em forma de nação, formando uma Palestina. Os judeus ocuparam, legal e pacificamente, uma pequena parcela desse vasto território, transformada em nação por medidas de segurança após a Segunda Guerra, quando ficou evidente a insustentabilidade de convivência mútua entre judeus e muçulmanos, cujos líderes haviam apoiado abertamente o nazismo de Hitler.
Já na Primeira Guerra, os árabes muçulmanos lutaram, em sua maioria, ao lado dos imperialistas otomanos, e mesmo derrotados, ficaram com cerca de 80% do território. O primeiro Estado estabelecido na Palestina foi um emirado, chamado Transjordânia, exclusivamente árabe. Mas havia clara oposição à formação de um Estado judaico, e os líderes árabes começaram a exigir a eliminação de qualquer presença judaica na Palestina.
Muitos gritavam que “a religião de Maomé nasceu com a espada”. Os ocidentais, em especial os britânicos, acreditaram que a centralização do poder nas mãos de um religioso ou político facilitaria o controle da região. Husseini foi escolhido, mas se tratava de um antissemita virulento, com declarado ódio aos judeus. O líder dos palestinos aproximou-se de Hitler, e insistiu que sua “solução final” chegasse à Palestina, liquidando os judeus do mapa. Em 1929, ocorreu o massacre de Hebron, quando 60 judeus foram mortos e o restante foi expulso da cidade.
Em 1937, a divisão em dois Estados foi proposta, e os judeus aceitaram de imediato, enquanto os árabes rejeitaram, alegando que a Palestina fosse toda colocada sob o controle árabe, com os judeus sendo transferidos para outro país. Durante o Holocausto, a suástica tornou-se um símbolo bem recebido entre muitos palestinos, e a SS deu tanto apoio financeiro como logístico aos pogroms antissemitas na Palestina.
Em 1944, uma unidade de comando árabe-alemã sob as ordens de Husseini foi lançada na Palestina num esforço para envenenar os poços de Tel Aviv. Mesmo estando novamente do lado perdedor da guerra, várias vantagens foram oferecidas aos palestinos após a queda de Hitler. Mas não era suficiente. Os judeus tinham de sumir dali, e a criação de Israel, para proteção dos judeus, nunca foi aceita.
Várias nações muçulmanas, lideradas pelo Egito, atacaram Israel, tendo como alvos civis inocentes. Suas bases militares eram deliberadamente cercadas por escudos civis, para qualquer reação de Israel causar danos a inocentes, afetando sua imagem frente à opinião pública. Apenas a perfídia impede alguém de notar a diferença moral entre alvejar expressamente civis e atingir acidentalmente civis, defendendo-se.
Em 1967, uma nova guerra contra os judeus teve início, pelas claras iniciativas de Nasser. Os exércitos árabes estavam aglomerados ao longo da fronteira de Israel, prontos para atacar. Os planos de guerra egípcios incluíam o massacre da população civil de Tel Aviv. Israel derrotou seus inimigos na Guerra dos Seis Dias, com um número de baixas civis árabes menor que em qualquer guerra comparável.
Em outubro de 1973, o Egito e a Síria desfecharam ataques-surpresa contra Israel no Yom Kippur, o dia mais sagrado do ano judaico. Israel tem armas nucleares desde os anos de 1960, mas jamais as usou, mesmo nessa guerra absurda. Ainda assim acusam de genocida aquele que se defendia de forma moderada dos inimigos fanáticos.
Israel simplesmente não podia existir. O terrorismo seria adotado como prática comum para esse objetivo final: exterminar o povo judeu. Nada além disso seria aceito pelos líderes palestinos, cuja existência do inimigo externo serve como escusa para o totalitarismo interno. O falecido terrorista Yasser Arafat não negou tal objetivo, ao declarar que a OLP planejava “eliminar o Estado de Israel e estabelecer um Estado puramente palestino”.
O sobrinho de Husseini, acusado de desviar milhões de dólares da OLP, continuou, afirmando que tornaria “a vida impossível para os judeus através de guerra psicológica e explosão populacional”. Enquanto a mulher e filha de Arafat viviam confortavelmente na França, filhos de palestinos, alguns com apenas 13 anos, eram mandados pelo líder como bombas humanas para o assassinato de crianças, mulheres e idosos judeus.
Até mesmo um deficiente físico foi jogado no mar em um seqüestro de um navio pelos terroristas palestinos. Suas ações incluem bombas em sinagogas, discotecas, jardim-de-infância, aviões e shopping centers. Ainda assim, a ONU recebia Arafat como um respeitado líder. O método estava funcionando, e os ataques terroristas se intensificavam. Hoje, a OLP é vista como “moderada” e o grupo terrorista Hamas é o radical que muitos querem na mesa de negociação. O vetor resultante caminha na direção do radicalismo.
O duplo padrão do julgamento internacional deixa evidente o viés antissemita. A ocupação da Palestina pela Jordânia e pelo Egito jamais foi condenada pela ONU, nem foi alvo de preocupação dos grupos de direitos humanos. O fato de os próprios árabes e muçulmanos serem os maiores assassinos dos palestinos nunca foi duramente criticado. São sempre dois pesos e duas medidas. Israel é sempre o culpado.
O Tibete foi ocupado pela China comunista, teve boa parte de seu povo dizimada sem qualquer motivo, mas a “ocupação” de Israel na Palestina merece infinitamente mais atenção da mídia, e a ONU jamais condenou a China por isso. Se Israel consegue matar um terrorista palestino em um ataque cirúrgico, é acusado de “terrorismo de Estado”. Até mesmo um muro construído por Israel foi condenado, e comparado ao Muro de Berlim, ignorando a obviedade de que um tenta impedir a entrada de terroristas, e o outro a saída do próprio povo escravo.
Não adianta: qualquer ação que Israel tome para combater o terrorismo será vista como condenável. É a sua própria existência que não aceitam.
Rodrigo Constantino

sexta-feira, 25 de julho de 2014

De anoes e de gigantes, e de subs dos subs dos subs (bota sub nisso) - Israel-Palestina, encore...


O assessor para Assuntos Internacionais da presidente Dilma Rousseff disse que o Brasil"não busca a 'relevância' que a chancelaria israelense tem ganhado nos últimos anos". Em artigo para o "Opera Mundi", Marco Aurélio Garcia rebateu a declaração do porta-voz da chancelaria israelense, Yigal Palmor, de que o Brasil seria "irrelevante politicamente". Para Marco Aurélio, o Brasil busca "menos ainda a 'relevância' militar que está sendo exibida vis-à-vis populações indefesas".

Na quarta (23), o Itamaraty divulgou uma nota condenando Israel pelo número elevado de mortes de civis no conflito na faixa de Gaza, sem fazer menção ao Hamas, o que provocou a declaração de Palmor e uma nota de condenação do Ministério das Relações Exteriores de Israel.

"Como temos posições claras sobre a situação do Oriente Médio -reconhecimento do direito de Israel e Palestina a viverem em paz e segurança- temos sido igualmente claros na condenação de toda ação terrorista, parta ela de grupos fundamentalistas ou de organizações estatais", diz Marco Aurélio.

O assessor diz também que os palestinos vivem em situação de "virtual apartheid" e que o conflito entre Hamas e Israel é de "alcance global" porque "ameaça a paz mundial".

Marco Aurélio Garcia disse ser "preocupante que os acontecimentos atuais na Palestina sirvam de estímulo para intoleráveis manifestações antissemitas, como têm ocorrido em algumas partes, felizmente não aqui no Brasil".

Ele relembra ainda o Holocausto e diz que "antissemitismo não pode ser um álibi que justifique o massacre atual na Faixa de Gaza".

Comentário de Israel foi de 'sub do sub do sub do sub', diz assessor de Dilma

FLÁVIA FOREQUE

Folha de S. Paulo, 24/07/2014


O assessor da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, minimizou as declarações de porta-voz de Israel, que qualificou o Brasil como "um anão diplomático" e lembrou o desempenho da seleção na Copa do Mundo.

Em entrevista ao Jornal Nacional, Yigal Palmor afirmou que "desproporcional" é perder de 7 a 1, em referência ao jogo entre Brasil e Alemanha. A mesma palavra havia sido utilizada em nota do Itamaraty sobre o uso da força por Israel contra palestinos.

Questionado nesta sexta-feira (25) sobre as declarações do porta-voz, Marco Aurélio Garcia afirmou a jornalistas que não iria comentar. "Ele é um sub do sub do sub do sub", disse. Perguntado se as declarações foram deselegantes, respondeu: "Não sou especialista em elegância".

Ainda ontem, o chanceler Luiz Alberto Figueiredo buscou acalmar os ânimos. "Nós jamais contestamos o direito de Israel de se defender, o que contestamos é a desproporcionalidade", afirmou.

O impasse teve início após o Itamaraty divulgar nota apontando como "inaceitável a escalada de violência entre Israel e Palestina". Não há menção a ataques palestinos, ao contrário de manifestações anteriores.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Existe um conflito Israel e Palestina? Nota do Itamaraty

Por certo, que existe, e ele é velho, ou antigo, longo, terrível, mas no momento atual o que parece existir é uma invasão da faixa de Gaza por tropas do IDF contra terroristas do Hamas, e certamente Israel está exercendo força desproporcional, vitimando um número enorme de civis inocentes.
Tudo isso é certo, mas não deveria impedir que as palavras, os conceitos, os termos exatos fossem empregados, certo?
Enfim, cada um tem o direito de interpretar a realidade como vê, mas quanto mais exatas forem as palavras, me parece melhor...
Ao que parece, além do "conflito entre Israel e Palestina", existe um conflito de conceitos e um uso estranho das palavras...
Paulo Roberto de Almeida

Conflito entre Israel e Palestina
Nota do Itamaraty, 23/07/2014 -

O Governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças.

O Governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes.

Diante da gravidade da situação, o Governo brasileiro votou favoravelmente a resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre o tema, adotada no dia de hoje.

Além disso, o Embaixador do Brasil em Tel Aviv foi chamado a Brasília para consultas.
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Addendum, em 24/07/2014:

Agencia EFE 24/07/2014 10h27 - Atualizado em 24/07/2014 15h09

Israel chama Brasil de 'anão diplomático' por convocar embaixador

Brasil classificou de 'inaceitável' a violência em Gaza e pediu explicações.
Declaração foi feita por porta-voz do ministério das Relações Exteriores.

Do G1, em São Paulo
   Israel lamentou nesta quinta-feira (24) a decisão do Brasil de chamar para consultas seu embaixador em Tel Aviv, uma decisão que, segundo o governo israelense, "não contribui para encorajar a calma e a estabilidade na região" e chamou o país de "anão diplomático" por causa do gesto.
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, disse que a decisão brasileira “não reflete o nível de relação entre os países e ignora o direito de Israel defender-se”. De acordo com a publicação "The Jerusalem Post", Palmor afirmou que a medida "era uma demonstração lamentável de como o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua a ser um anão diplomático".
“Israel manifesta o seu desapontamento com a decisão do governo do Brasil de retirar seu embaixador para consultas", diz comunicado da chancelaria israelense. "Esta decisão não reflete o nível das relações entre os países e ignora o direito de Israel de se defender. Tais medidas não contribuem para promover a calma e estabilidade na região. Em vez disso, elas fornecem suporte ao terrorismo, e, naturalmente, afetam a capacidade do Brasil de exercer influência. Israel espera o apoio de seus amigos na luta contra o Hamas, que é reconhecido como uma organização terrorista por muitos países ao redor do mundo".
O governo brasileiro convocou para consultas o embaixador em Tel Aviv após considerar "inaceitável a escalada de violência" e condenar "energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza".
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, afirmou nesta quinta-feira (24), em entrevista à TV Globo, que o Brasil reconhece o direito de defesa de Israel, mas que as ações militares na Faixa de Gaza devem ser feitas com "proporcionalidade". O ministro criticou mortes de crianças e civis e as classificou como "inaceitáveis".
"O Brasil, desde o início, condenou tanto o lançamento de foguetes pelo Hamas, e nós fomos abundantemente claros com relação a isso, como condenamos tambem a reação de Israel. Nós não contestamos o direito de defesa que Israel tem. É um direito que ele tem. Nós contestamos a desproporcionalidade entre uma coisa e outra. Morreram cerca de 700 pessoas na Faixa de Gaza, a grande maioria delas civis e um número também bastante alto de mulheres e crianças. Isso não é aceitável e é contra isso que nós nos manifestamos", afirmou o ministro.
A Confederação Israelita do Brasil também divulgou uma nota nesta quinta manifestando sua “indignação” com a posição brasileira. A confederação diz compartilhar da “preocupação do povo brasileiro e expressa profunda dor pelas mortes nos dois lados do conflito. Assim como o Itamaraty, esperamos um cessar-fogo imediato.”
Entretanto, o grupo critica o governo brasileiro por eximir “o grupo terrorista Hamas de responsabilidade no cenário atual. Não há uma palavra sequer sobre os milhares de foguetes lançados contra solo israelense ou as seguidas negativas do Hamas em aceitar um cessar-fogo. Ignorar a responsabilidade do Hamas pode ser entendido como um endosso à política de escudos humanos, claramente implementada pelo grupo terrorista e que constitui num flagrante crime de guerra, previsto em leis internacionais.”
Nos 17 dias de ofensiva militar em Gaza, pelo menos 733 palestinos e 35 israelenses morreram. Além disso, 4.600 palestinos ficaram feridos.
Saiba mais

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Nao existe povo palestino, existe uma regiao com esse nome - Flavio Bierrembach

Palestina
Flavio Flores da Cunha Bierrenbach
Folha de S. Paulo, 6/07/2014

Ainda que não exista um povo palestino, o pensamento politicamente correto, que não costuma frequentar a razão, adotou a expressão

Não existe povo palestino. A Palestina é uma região geográfica, assim como a Patagônia ou o Pantanal. Seu nome vem do Império Romano. Era a forma como as legiões romanas se referiam aos sítios áridos do Oriente Médio, à estreita faixa de terra que se estende da franja do Mediterrâneo ao mar da Galileia e ao Mar Morto, delimitada ao norte pelas colinas de Golã e pelos montes do Líbano, e ao sul pelo deserto do Sinai e pelo golfo de Eilat. Antes, o pequeno território era conhecido pelos nomes atribuídos, desde tempos bíblicos, às suas sub-regiões, como a Galileia, a Judeia e a Samaria.

A expressão "povo palestino" é nova. Fruto de jogada magistral de marketing de Yasser Arafat, foi incorporada aos poucos e acabou digerida a contragosto por Israel, na vã esperança da paz, no amplo contexto dos acordos de Oslo, do espetáculo da entrega simultânea dos prêmios Nobel da Paz e do cansaço.

O preço tem sido caro, pois, embora seja fácil comprovar com argumentos históricos, geográficos, antropológicos, literários e até religiosos, a inexistência de um povo palestino, o pensamento único politicamente correto, que não costuma frequentar a razão, adotou-a.

Entretanto, sob qualquer critério utilizado pelas ciências sociais, não se identificará nos agrupamentos humanos agora chamados de "povo palestino" característica capaz de incorporar conceitos elementares aplicados à tentativa racional de definir o que seja um povo.

Como o Estado moderno afirma que todo poder vem do povo e em seu nome é exercido, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) não demorou a perceber que a utilização política da expressão "povo palestino" significaria a melhor fonte possível de legitimação do poder.

Entretanto, não faz muito tempo, quando seus integrantes se dedicavam ao ofício de explodir aviões de passageiros, ninguém se atrevia a usá-la; naquela época, isso soaria estranho até à ética peculiar do Fatah. Expulsa da Jordânia e inadaptável a qualquer outro país árabe, a organização de Yasser Arafat buscava apenas um território para exercer poder político. Nele, abrigaria grupos díspares e dispersos (Jihad, Hizbullah, Hamas), cujo singular fator de unidade era e é o ódio a Israel.

O antissemitismo é a mais antiga, renitente e perversa forma de preconceito. Foi matriz da diáspora, da Inquisição e do genocídio. Depois da Segunda Guerra Mundial, quando sobreviventes do holocausto migraram para a Palestina, unindo-se aos milhares de judeus que já residiam lá, e com a instituição do Estado de Israel, o antissemitismo vestiu uma camuflagem conveniente; apenas mudou de nome. Passou a chamar-se antissionismo.

Varrer Israel do mapa era um artigo programático do estatuto da OLP. Aniquilar os judeus, a "solução final" engendrada por Hitler, e executada em Auschwitz, Buchenwald, Dachau e alhures, continua a ser o objetivo de pessoas, grupos, organizações terroristas e até de Estados.


A Constituição diz que o Brasil repudia o terrorismo, o racismo, preconceitos e discriminações. Seja nas Nações Unidas, seja em qualquer foro, mais do que identidades ideológicas fugazes ou laços pessoais oportunistas, são esses fatos irrefutáveis que devem ser levados em consideração na adoção de qualquer posição oficial brasileira que diga respeito à região denominada Palestina.

FLAVIO FLORES DA CUNHA BIERRENBACH, 74, é ministro aposentado do Superior Tribunal Militar.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Progressos do Mercosul (ou não?)

Um acordo relevante de comércio: o do Mercosul com a Palestina. Estão previstos intensos fluxos de comércio entre as duas partes, o que fará saltar os volumes negociados a patamares nunca antes vistos (mesmo escondidos).
Por outro lado, o Mercosul possui um acordo de livre comércio com Israel, país com o qual um dos países candidatos a membro pleno do Mercosul, a Venezuela, não possui relações diplomáticas. Como fica, então, a situação?
Enfim, eis a notícia:

El Mercosur firmará en diciembre un acuerdo de libre comercio con Palestina

Mercosur logo
Infolatam/Efe
Montevideo, 3 de noviembre de 2011
El Mercado Común del Sur (Mercosur) firmará el próximo mes de diciembre un acuerdo de libre comercio con Palestina, anunció el canciller uruguayo, Luis Almagro, cuyo país ejerce este semestre la presidencia temporal del bloque.
La negociación sobre el acuerdo “está prácticamente concluida” y la firma será el 20 de diciembre durante la cumbre del Mercosur en la cual Uruguay traspasará la presidencia semestral a Argentina, agregó Almagro durante un encuentro con la Asociación de la Prensa Extranjera en Uruguay (APEU).
Almagro destacó que debido a la firma del acuerdo el presidente de la Autoridad Nacional Palestina (ANP),Mahmud Abás, fue invitado a participar en la cumbre del Mercosur.
Uruguay se convirtió a mediados del pasado marzo en el noveno país suramericano que reconoce formalmente a Palestina como Estado.
Venezuela, que no tiene relaciones diplomáticas con Israel desde 2009, hace años que lo reconoce con las fronteras de 1967, previas a la Guerra de los Seis Días, mientras que Brasil, Argentina, Bolivia, Chile, Ecuador, Perú y Paraguay lo hicieron recientemente.
Uruguay fue el primer país de América Latina en reconocer el Estado de Israel en 1948.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Palestina - Los BRICS y América Latina se equivocan: Jorge Castaneda

Los BRICS y América Latina se equivocan
Jorge Castaneda
InfoLatam, 29/09/2011


En la votación celebrada en las Naciones Unidas hace 64 años sobre lo que se conoció como la partición, a raíz de la cual se creó el Estado de Israel, y posteriormente se le otorgó la condición de miembro de pleno derecho, varios países latinoamericanos –Brasil, El Salvador, Argentina, Colombia, Chile y Honduras- se abstuvieron o, en el caso de Cuba, votaron en contra de las resoluciones pertinentes. En el tema de la partición México se abstuvo, pero votó a favor de admitir a Israel en las Naciones Unidas unos meses después, y más tarde reconoció al Estado judío, pues comprendió que no tomar ninguna postura en el embrollo de Medio Oriente servía más a su interés nacional.
En las siguientes semanas la mayoría de los países latinoamericanos votarán a favor de alguna forma de membresía en las Naciones Unidas o reconocimiento como Estado que la Autoridad Palestina está solicitando. Sin embargo, algunos países no lo harán. No es un asunto sencillo para Brasil y Colombia, los dos países latinoamericanos que son miembros no permanentes del Consejo de Seguridad, ni para Cuba, Nicaragua, Venezuela, Costa Rica, Argentina, Bolivia, Chile, Ecuador, Perú, Uruguay y Honduras, que ya reconocieron a Palestina, pero aún no han votado para darle la condición de “observador” en las Naciones Unidas.
Para ser miembro de pleno derecho de las Naciones Unidas, el Consejo de Seguridad debe hacer una recomendación a la Asamblea General; pero igualar la categoría de la Autoridad Nacional Palestina a la del Vaticano –que en teoría le permitiría participar en muchos organismos de las Naciones Unidas, incluida la Corte Penal Internacional – requiere solamente dos tercios de los votos de la Asamblea General. En cualquier caso, las consecuencias políticas relegan a segundo plano los asuntos legales o burocráticos. Obligar a los Estados Unidos a usar su veto en el Consejo de Seguridad u obtener el apoyo de más de 150 de los 193 Estados miembros de las Naciones Unidas en la Asamblea General sería una gran derrota para Israel y los Estados Unidos, por lo que el voto latinoamericano es importante.

Brasil ha señalado que tiene la intención de votar en el Consejo de Seguridad a favor de recomendar la admisión de Palestina a la Asamblea General; Colombia ha dicho que planea abstenerse. La mayoría de los otros países latinoamericanos votarán probablemente a favor de alguna forma de estatus ampliado de la Autoridad Nacional Palestina.
La comunidad judía de los Estados Unidos, y en menor medida la administración del Presidente Barack Obama, han intentado convencer a Chile y a México, que aún no han dado a conocer su postura, que de nada serviría aislar a Israel (o, para ese caso, a los Estados Unidos) en este asunto. En efecto, el que la Autoridad Nacional Palestina fuera un Estado de pleno derecho no cambiaría nada en la práctica si Israel y los Estados Unidos no lo aceptan –y México y Chile podrían perder mucho al distanciarse de un aliado en un asunto de gran importancia para él.
En resumen, como hace más de medio siglo, la región no se ha expresado con una sola voz en estos asuntos cruciales. Ahora como entonces, la mayoría de los países de América Latina no han tomado una posición de principio –a favor o en contra de Israel o de los palestinos. En cambio, han seguido un camino de conveniencia en función de la influencia y fuerza relativa de sus comunidades judías o árabes, y de la insistencia de Washington o del llamado bloque ALBA, compuesto por Cuba, Venezuela, Nicaragua, Bolivia y Paraguay.
La falta de convicción de los latinoamericanos en asuntos tan serios como ese –a excepción de los países del ALBA, que tienen ideales equivocados, pero al menos creen en ellos casi religiosamente- ha marginalizado a la región en otros asuntos internacionales importantes, como la reciente crisis en Libia, y la que se desarrolla en Siria. En cuanto a la resolución de las Naciones Unidas que establece una zona de exclusión aérea y la protección de civiles en Libia, Brasil, junto con los otros tres “BRICS” (y aspirantes a potencias mundiales) –Rusia, India y China- se abstuvieron. El cuarto, Sudáfrica, aceptó pero a regañadientes.
Y ahora, en lo que se refiere al intento estadounidense y europeo de imponer sanciones aprobadas por las Naciones Unidas al Presidente de Siria, Bashar al-Assad, los BRICS han ido de mal en peor. Primero, enviaron una misión de tres países (Brasil, India y Sudáfrica) a Damasco para “persuadir” a Assad de que no mate a su pueblo. Huelga decir que no les contestó que, en efecto, había asesinado unos cuantos miles, pero que ahora que lo mencionaban trataría de tener más cuidado.
Hicieron declaración tras declaración argumentando que Siria no era Libia y que no permitirían otra intervención occidental para cambiar el régimen en otro país árabe sólo porque su pueblo parecía molesto con el dictador local. Un alto funcionario de una ONG de derechos humanos dijo que: “Están castigando al pueblo sirio porque no les agradó que la OTAN transformara el mandato de protección a los civiles en Libia en uno para cambiar al régimen.”
Dada su creciente participación en la economía global, es comprensible que los países latinoamericanos más grandes, junto con los demás BRICS, estén buscando un papel mundial de mayor influencia. Esta no es la forma de lograrlo.