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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Brazil in the World: um livro de Sean Burges: apresentacao no Itamaraty em 14/11, as 16hs


Sean Burges, professor titular de Relações Internacionais da Universidade Nacional da Austrália e Vice-coordenador do  Centro Nacional australiano para Estudos Latino-americanos encontra-se no Brasil, para participar de um encontro sobre cooperação ao desenvolvimento, envolvendo a Funag e Wilton Park.
Ele é autor de um livro precedente sobre o Brasil após a Guerra Fria: “Brazilian Foreign Policy After the Cold War” (Gainesville: University Press of Florida, 2009) e acaba de publicar  Brazil in the World: The International Relations of a South American Giant (Manchester: Manchester University Press, 2016), sobre a política externa brasileira nas últimas décadas, tanto no plano multilateral quanto bilateral (China, EUA, América do Sul, Sul-Global). 


Para falar um pouco de seu último livro e de suas pesquisas sobre a diplomacia brasileira, o presidente da Funag, embaixador Sérgio Eduardo Moreira Lima, e eu, em minha qualidade de Diretor do IPRI, tomamos a iniciativa de organizar uma apresentação-debate na próxima segunda-feira, 14 de novembro, a ser feita na sala D do Itamaraty, às 16:00hs.
Creio que será uma excelente oportunidade para abordar com Sean Burges as grandes linhas da diplomacia e da política externa do Brasil nas últimas décadas.

 Sumário do livro:

1 Thinking about Brazil in the world 1
2 The domestic foreign policy context 25
3 O jeito brasileiro … the Brazilian way 48
4 Brazil’s multilateralist impulse 64
5 Trade policy 86
6 Brazil Inc. 110
7 Security policy 134
8 Brazil and Latin America 153
9 Brazil and the Global South 174
10 Brazil and the United States 197
11 Brazil and China 222
12 Conclusions and future possibilities 241

Description:


Drawing on over seventy interviews, fieldwork in five countries, and a comprehensive survey of government documents, media reports and scholarly literature, Burges examines a series of issue areas - multilateralism, trade, and security - as well as the pattern of bilateral relations in South America, the Global South and with China and the USA to trace how Brazil formulates its transformative foreign policy agenda and works to implement it regionally and globally.


                Specific focus is given to tracing how and why Brazil has moved onto the global stage, leveraging its regional predominance in South America into a global leadership role and bridge between the North and South in international affairs. The analysis highlights the extent to which foreign policy making in Brazil is changing as a field of public policy and the degree to which sustained political attention is necessary for a dynamic and innovative international engagement approach. Of interest to students, scholars and policy makers, this book casts light not only how an emerging power rises in the international system, but also isolates the blind spots that existing analytical approaches have when it comes to thinking about what power means for the increasingly vocal rising states of the global South.



                About the Author

                Sean W. Burges is Senior Lecturer in International Relations and Deputy Director of the Australian National Centre for Latin American Studies at the Australian National University and a Senior Research Fellow with the Washington, DC-based Council on Hemispheric Affairs.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Itamaraty: a grande deformacao - Sean Burges, Fabrício H. Chagas Bastos

Cortes em Brasília, perdas pelo mundo
Fabrício H. Chagas Bastos e Sean W. Burges 
O Estado de S. Paulo, 19/07/2015

A cúpula do Mercosul se reúne em Brasília esta semana para tentar destravar, e de algum modo incrementar, as transações comerciais intrablocos, bem como anunciar a Bolívia como novo membro pleno do acordo depois de quase uma década como membro associado. Fora as formalidades inerentes, há um ponto que as negociações entre as chancelarias perdem de vista e que toca diretamente ao ministro da Fazenda Joaquim Levy.

Durante os últimos dois anos o Itamaraty tem sofrido cortes orçamentários drásticos, fundamentalmente derivados de uma perda de vigor institucional que não faz jus ao status e tamanho que o país se outorgou ao longo dos últimos doze anos. A prática diplomática não significa somente cerimônias e encontros pomposos, mas também (muitas) negociações de bastidores que demandam recursos para que os custos de transação sejam diminuídos em favor dos ganhos para a política externa. Que fique claro: os ganhos não são apenas políticos, seguramente estão também no campo econômico.

Ao findar de seu primeiro mandato, Rousseff tinha um Ministério de Relações Exteriores quase três vezes maior do que FHC (1995-2002). O número de diplomatas subiu de 1.084 em 2003 para 1.590 em 2014, mas com uma participação orçamentária em queda ante o total do Executivo, caindo quase à metade em 2013 em relação a 2003 (de 0,5% do PIB para 0,28%). Em 2014, os gastos em custeio e pessoal representaram 0,27% (US$ 2,54 bilhões) do orçamento da União.

Em abril de 2015, o MRE recebeu o aval para gastar R$ 58 milhões mensais, mais uma autorização para gastos suplementares de R$ 38,46 milhões, menos R$ 40,7 milhões cortados em maio. Isto é, entre mortos e feridos o ministério conta hoje (julho de 2015) com um orçamento de R$ 693,76 milhões. Cifras muito diferentes das apresentadas pelo Projeto de Lei Orçamentária para 2015 (PL Nº 13, de 2014-CN) que alocava R$ 2,5 bilhões para a pasta, sendo: administração geral (49,3%), relações diplomáticas (29,4%), previdência do regime estatutário (11,8%), atenção básica (4,3%), cooperação internacional (2,3%), difusão cultural (1,3%), promoção comercial (0,7%) etc.

Se considerarmos o crescimento da máquina do ministério desde 2003, com a criação de 77 novas embaixadas, consulados e representações, correspondendo a mais da metade dos 150 postos existentes, a redução de capacidade de engajamento internacional do país é dramática. Esta rede de novos pontos de conexão com o mundo é que fazem com que contratos sejam firmados, problemas com cidadãos brasileiros sejam resolvidos mais rapidamente, empresas encontrem no Brasil condições de investimento (com informações seguras oriundas dos postos do país no exterior), entre outros.

O Itamaraty é um alvo fácil para os cortes orçamentários, e também para alguns setores da Esplanada amealharem pontos no jogo político. Afinal, os diplomatas vivem uma vida privilegiada ante o cenário de cortes necessários. Suas belas casas subsidiadas pelos contribuintes nas mais diversas capitais do mundo, os convites para jantares suntuosos e recepções espumantes. O que se deve ter em conta é que tais casas não são propriedades adquiridas com o dinheiro público, não são fruto de uma ostentação inútil, e os compromissos sociais não uma questão brilhar no novo circuito de Elizabeth Arden.

Cada interação por um diplomata em serviço, seja profissional ou social, produz laços que se dirigem diretamente ao avanço do interesse nacional brasileiro. As ligações construídas por meio das vidas dos funcionários do serviço exterior brasileiro são as chaves que abrem as portas para a obtenção de tratados assinados e contratos garantidos por empresas e para o Estado brasileiro.

Uma comparação simples pode ser feita, válida especialmente para o momento de cortes de orçamento, entre o orçamento do Itamaraty e o potencial dos contratos que empreiteiras e outras empresas brasileiras podem receber ao expandirem-se além das fronteiras nacionais. Alguns poucos contratos de USD 1 bilhão em construções no exterior, com lucros internalizados e impostos pagos, seguramente valeriam os esforços de manter a máquina diplomática funcionando - e possivelmente cobririam os custos de contatos diplomáticos 'off the record' para alavancar algumas negociações.

Os grandes atores globais como os Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, China e até mesmo Austrália e Canadá tem substancial engajamento no orçamento público e suporte fiscal para ajudar seus diplomatas a construírem estas redes de 'soft power', essenciais na moderna diplomacia. Ao longo dos últimos doze anos o Brasil lucrou tremendamente com o trabalho duro do corpo diplomático, que se valeu de seu estilo de vida privilegiado para, diligentemente, abrir portas para companhias brasileiras e para construir coalizões que bloqueassem as reiteradas tentativas imperialistas dos norte-americanos e europeus.

É certo que os diplomatas e o Itamaraty precisam prestar contas de sua atividades ao contribuinte. Entretanto, também é certo que isso é uma atividade a ser conduzida pelo Congresso de modo equilibrado, com engajamento, e não com inspirações populistas. Como  lembra Dawisson Lopes, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, "a relação entre política externa e democracia possui um potencial elevado para alterar a consistência entre os relacionamento do Estado brasileiro e seus cidadãos".

O Brasil sempre foi conhecido como um parceiro de braços abertos, mas a trajetória de sucessivos cortes orçamentários ameaçam a transformar o país em um país amigo, mas com os braços fechados.

Fabrício H. Chagas Bastos é pesquisador do Australian National Centre for Latin American Studies da Australian National University. Doutor pela Universidade de São Paulo. E-mail: fabricio.chagasbastos@anu.edu.au

Sean W. Burges Vice-Diretor do Australian National Centre for Latin American Studies da Australian National University e autor do livro Brazilian Foreign Policy After the Cold War. E-mail: sean.burges @anu.edu.au


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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sean W. Burges “Brazil as a Bridge Between Old and New Powers?”


BY DR. SEAN BURGES, SENIOR RESEARCH FELLOW AT THE COUNCIL ON HEMISPHERIC AFFAIRS AS WELL AS AN ASSISTANT PROFESSOR IN INTERNATIONAL RELATIONS AT THE AUSTRALIAN NATIONAL UNIVERSITY  – POSTED ON MAY 16, 2013
Source: Belfer Center for Science and International Affairs at Harvard University

The selection of Ambassador Roberto Azevêdo as Director General of the World Trade Organization (WTO) has once again put Brazilian diplomacy on the front pages of the world’s newspapers. While without a doubt superbly prepared and qualified for this new post, Azevêdo’s appointment also owes much to Brazil’s international reputation as a critical bridge between old and new powers. But is this really the case?
New research by the Australian National University’s Dr. Sean W. Burges published in the London-based Royal Institute of International Affairs’ journal International Affairs suggests that Brazil is not quite the international good citizen and selfless consensus builder it seems. As Burges notes: “Brazil is blessed with enormously clever and capable diplomats who consistently advance their own country’s national interest while making others think they are acting for the global good.” The point the paper makes is that Brazil is able to do this partly because it is trying to gain a greater voice in international affairs, not tear the global governance system down: “The current international system is quite a comfortable place for Brazil. What Brazil wants is to have more of a say about where the world is going and how it is going to be run in the future.”
Burges argues that Brazil has constructed a position for itself as a bridge between the developed and developing world. The result is a very cost-effective tactic for making Brazil a fixture at the major global governance decision-making tables such as the WTO and the G20. “Although Brazilian diplomats are far from cheap to train and deploy, the overall budget of the foreign ministry remains a tiny proportion of Brazil’s federal budget, let alone its national GDP.” To explain how this works, Burges looks at three distinct areas of Brazilian foreign policy. He first looks at how strengthened relations with South America and Africa are used to make Brazil a bridging point between the developing and developed world. Brazilian strategies in the WTO are covered in the next section, which charts the rise of Brazil as the major actor in global trade talks, culminating in Azevêdo’s recent appointment. The final section looks at Brazil’s efforts to control events in the United Nations and the inter-American system to advance its leadership ambitions.
Burges concludes the study with some observations for policy makers seeking to understand how to deal with the emerging power Brazil: “Assumptions about how Brazil will react to invitations to participate in international policy discussions need to be rethought. Brazil comes to the table with impressive diplomatic capacity and carefully crafted policy proposals behind which a broad base of support has often been marshaled.”  The good news that Burges leaves for OECD-country diplomats is one of hope: “Brazil’s core interests and ambitions align remarkably well with those of other major powers. Pursuit of these interests has been undertaken in a manner that has yet to raise hackles in the South.” This, Burges concludes, is probably a good thing and “makes Brazil a potentially valuable partner for the continued management of regional and global issues.”
Dr. Sean W Burges is a Senior Associate of the Australian National Centre for Latin American Studies at the Australian National University. He is also a non-Resident Senior Research Fellow of the Washington, DC-based Council on Hemispheric Affairs. His past publications include the book Brazilian Foreign Policy After the Cold War (University Press of Florida, 2009), over twenty academic journal articles and book chapters on inter-American affairs, and dozens of Op-Eds on Latin American foreign policy and development.

The paper is published as part of an issue of the journal focusing on rising powers in the world order. For an electronic copy of the paper, contact Dr Burges at sean.burges@anu.edu.au. The full issue of International Affairs can be accessed by clicking here.

Full citation for Burges’s paper: Sean W. Burges “Brazil as a Bridge Between Old and New Powers?” International Affairs 89 (3) (May, 2013): 577–594.

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