O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

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sexta-feira, 2 de junho de 2017

Um dialogo com um fantasma, de paradeiro desconhecido - Paulo Roberto de Almeida

Como eu tivesse participado de um "entrevero" -- como diriam gauchescos -- a propósito de uma carta manifesto, supostamente em defesa do diálogo nacional sobre a democracia no Brasil, tal como patrocinado por diplomatas e servidores bem intencionados do Serviço Exterior, um resgatado das catacumbas veio, subrepticiamente, criticar por supostas "frases fortes" que eu teria escrito a respeito do texto desse manifesto enviesado.
Como o fantasma permanece desconhecido, mas possui certo senso de humor, resolvi responder-lhe por esta via, que ele certamente lerá, pois parece ter prazer em atazanar todos aqueles que não se escondem nos subterrâneos como ele.
Nunca tive nenhum problema em fazer diálogos e até enfrentar "duelos" verbais, com quem pensa diferente, mas tem gente que prefere o anonimato confortável a expor suas próprias ideias (if any).
Paulo Roberto de Almeida

On 2 Jun 2017, at 09:45, Joaquim Nabuco <quincasnabucoobelo@gmail.com> wrote:

Genteeeem,

Que coisa chata esse arenga do "culeguinha"? Não vê que o ídalo dele anda se reunido com o Lulinha paz-e-amor? Só love, bicho. 
E o moço qdo escreve parece que está torcendo pelo Mengão...
Ah... e ainda acha que faz "frases fortes". #SQN
Frases banais, né, mor? Parece que está no grêmio estudantil, meldels... Affff.

Ô, Paulo, gasta metade dessa energia com trabalho, quem sabe assim a SAE não ficaria aporrinhando os diplôs.

Bisous do
Barão

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Minha resposta, que agora segue para o além:

Sempre existem os que não gostam de descer na arena, o que é compreensível, tendo o perfil que aparentam ter.
Quem não tem idolo, ou bandido, nenhum a defender, não se exime de fazê-lo, inclusive porque participação cidadã se faz assumindo plena responsabilidade pelo que se pensa, se escreve, se publica, assinando embaixo do que se divulga, abertamente.
Só pessoas diáfanas preferem a sombra dos coqueirais, já de pijamas, ou então, se na ativa, deixam o cérebro em casa quando vão trabalhar.
Nunca foi o meu caso, talvez por isso incomode as “almas cândidas”, como diria o velho Aron...
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Paulo Roberto de Almeida
pralmeida@me.com

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Politica externa brasileira, de 1987 a 2017 - Emb. Sergio Florencio, 2/06. 15hs (IPRI)


Inscrições abertas para palestra-debate com o embaixador Sergio Florencio 

A Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) e o Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) abrem inscrições para a apresentação-debate “A política externa brasileira no contexto internacional: 1987-2017” com o embaixador Sergio Florencio, em 02 de junho, às 15h, no auditório Paulo Nogueira Batista, anexo II, do Palácio Itamaraty.

A palestra será em torno do capítulo “Política externa” do livro “O Brasil no contexto 1987-2017”, organizado por Jaime Pinsky (São Paulo: Contexto, 2017). O ensaio aborda questões da redemocratização e política externa brasileira, as diplomacias dos sucessivos presidentes da nova República; o reformismo econômico do período Fernando Henrique Cardoso; as transformações sob o governo do presidente Lula; e o declínio político e econômico do mandato de Dilma Rousseff.

As inscrições estão abertas até às 12h desta sexta-feira, 02 de junho. As vagas são limitadas e será emitido certificado de participação aos interessados. Clique aqui e inscreva-se!

Sergio Florencio
Atualmente é diretor de estudos e relações econômicas e políticas internacionais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). É graduado em ciências econômicas pela Universidade do Estado da Guanabara (UEG), atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Graduado no curso de preparação à carreira de diplomata pelo Instituto Rio Branco (1970). É mestre em economia pela University of Ottawa e possui vasta experiência em economia internacional, desenvolvimento econômico e relações internacionais. Foi ministro de primeira classe do Itamaraty, e desempenhou, desde 1971, inúmeras missões diplomáticas, destacando-se como embaixador do Brasil junto aos Estados Unidos Mexicanos (México), em 2008; embaixador Alterno na delegação brasileira permanente em Genebra (Suíça), em 2006; e embaixador do Brasil junto à República do Equador, em 2002.

Serviço:
Tema: A política externa brasileira no contexto internacional, 1987-2017
Palestrante: Embaixador Sergio Florencio
Local: Auditório Paulo Nogueira Batista, Palácio Itamaraty, Anexo II, Brasília – DF
Data: 02 de junho, às 15h

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Um novo espirito do capitalismo? - um debate (em frances) sobre o sistema atual

FELLOWS
 
 
Fellows #25 : Un nouvel esprit du capitalisme ?
 
Parler d'esprit du capitalisme renvoie immanquablement au célèbre ouvrage publié en 1905 par le sociologue allemand Max Weber et à la version raisonnée, besogneuse et protestante qu'il en a proposé. Cette lecture n'est bien évidemment pas la seule – mentionnons pêle-mêle celles de Marx, de Schumpeter ou de Braudel – mais elle ne correspond plus à un capitalisme aujourd'hui mondialisé, financiarisé et dérégulé. Quel compréhension peut-on/doit-on avoir du capitalisme et de sa variante contemporaine? Quels en sont les ressorts hier comme aujourd'hui?

Dany-Robert Dufour, professeur en sciences de l'éducation à l'université Paris VIII et ancien résident à l'IEA de Nantes, propose une autre analyse du capitalisme à travers la redécouverte du philosophe néerlandais du XVIIIe, Bernard Mandeville. Raouf Boucekkine, économiste et directeur de l'IMéRA-IEA d'Aix-Marseille, s'intéresse quant à lui à l'impact des nouvelles technologies dans la dynamique du capitalisme contemporain.
 
 
Mandeville, l'autre esprit du capitalisme
 
Depuis cent ans, c'est-à-dire depuis Max Weber et son livre majeur, L'Éthique protestante et l'esprit du capitalisme, on a tendance à voir le capitalisme comme ascétique, rigoriste, autoritaire, puritain et patriarcal. Or, la compréhension de...
 
Lire l'article de Dany-Robert Dufour
 
 
De la nouvelle économie et sa stagnation séculaire
 
Le concept crépusculaire de stagnation séculaire, communément utilisé depuis Alvyn Hansen (1939) pour désigner un essoufflement durable de l'activité économique, est régulièrement mis sur la table pour décrire des situations de...
 
Lire l'article de Raouf Boucekkine
 
 
RFIEA Réseau français
des instituts d'études avancées

54 boulevard Raspail, 75006 Paris
Tél. : 01 40 48 65 57
contact@rfiea.fr
www.rfiea.fr

 
 
 
 
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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Post-Western World: um livro e um debate com Oliver Stuenkel (IPRI, 13/12/2016)

Com a presença do autor, e uma audiência composta de diplomatas, professores e estudantes, o IPRI e a Funag realizaram nesta terça--feira 13/12/2016, no auditório do Anexo II do Itamaraty, um debate-apresentação em torno deste livro: 

Oliver Stuenkel
Post-Western World: How Emerging Powers Are Remaking Global Order
(Malden, MA: Polity Press, 2016, 252 p.; ISBN: 978-1-5095-0457-2)

Oliver Stuenkel é Professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo, onde coordena a Escola de Ciências Sociais e o MBA em Relações Internacionais. Tem graduação pela Universidade de Valência, na Espanha, Mestrado em Políticas Públicas pela Kennedy School of Government de Harvard University, e Doutorado em Ciência Política pela Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha. É colunista da revista Americas Quarterly e autor de outros livros, entre eles este anterior:


O índice do livro Post-Western World é o seguinte: 

Introduction, 1
1. The Birth of Western-Centrism, 29
2. Power Shifts and the Rise of the Rest, 63
3. The Future of Soft Power, 97
4. Toward a Parallel Order: Finance, Trade, and Investment, 120
5. Toward a Parallel  Order: Security, Diplomacy, and Infrastructure, 154
6. Post-Western World, 181
Conclusion, 195
Notes, 206

Sua apresentação, intitulada "Rumo ao mundo sinocêntrico?: as transformações globais e suas implicações para o Brasil", consistiu num resumo geral das principais teses do livro, entre elas a visão ainda enviesada, construída pelo mundo ocidental, da ordem global, que vem sendo transformada significativamente ao longo dos séculos, e especialmente nas últimas décadas de retomada do processo de globalização e de ascensão de novas potências emergentes, entre elas, com destaque, a China, que já foi a maior economia do planeta até o final do século 18. 

A ascensão da China não se faz apenas com soft power, mas também  com base em fatores reais de poder, ou seja, crescimento econômico, expansão comercial, domínio de finanças e construção de novos vetores de poder real, que conformam o que ele chamou de "ordem paralela" expressa em novas instituições nas financas (Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, e Novo Banco de Desenvolvimento, dos Brics), comércio (explosão de acordos de liberalização e de livre comércio e de preferências em diversos esquemas regionais e mais além), investimentos (grandes obras e cooperação com um grande número de países, não só em desenvolvimento, mas também em países desenvolvidos), segurança (esquemas negociados com vizinhos e países selecionados, medidas de construção de confiança), diplomacia (ofensiva de charme e de realpolitik em formatos diversos, entre eles o Brics) e infraestrutura (nova rota da seda, grandes obras em outos continentes, como um canal na Nicarágua).
Essa "ordem paralela" não pretende substituir as instituições existentes, mas complementar os arranjos que resultaram da ordem anterior, com uma abordagem adaptada aos requerimentos dos emergenes, e com isso a ordem global se aproximaria do cenário do mundo pós-ocidental.  

Eis a apresentação sumária do livro "Post-Western World" e link na Amazon: 


With the United States’ superpower status rivalled by a rising China and emerging powers like India and Brazil playing a growing role in international affairs, the global balance of power is shifting. But what does this mean for the future of the international order? Will China dominate the 21st Century? Will the so–called BRICS prove to be a disruptive force in global affairs? Are we headed towards a world marked by frequent strife, or will the end of Western dominance make the world more peaceful?

In this provocative new book, Oliver Stuenkel argues that our understanding of global order and predictions about its future are limited because we seek to imagine the post–Western world from a parochial Western–centric perspective. Such a view is increasingly inadequate in a world where a billions of people regard Western rule as a temporary aberration, and the rise of Asia as a return to normalcy. In reality, China and other rising powers that elude the simplistic extremes of either confronting or joining existing order are quietly building a "parallel order" which complements today’s international institutions and increases rising powers′ autonomy. Combining accessibility with expert sensitivity to the complexities of the global shift of power, Stuenkel’s vision of a post–Western world will be core reading for students and scholars of contemporary international affairs, as well as anyone interested in the future of global politics.

Eu teria várias observações a fazer  às teses e argumentos do livro de Oliver Stuenkel, mas ainda tenho de ler o livro atentamente para comentar seus elementos mais importantes. Não que eu discorde do sentido geral da tese principal, ou seja, a de que estamos caminhando para uma ordem global, não só no terreno econômico, mas também no político, estratégico e militar, bastante diferente daquela ordem implementada na imediata sequência da Segunda Guerra Mundial, ou seja, Bretton Woods, Gatt-OMC, OCDE, e uma governança consolidada no G7 a partir dos anos 1970, mas que veio a termo nos anos 1990-2000, em especial com a ascensão da China e da Índia.
Existem vários desafios ao Brasil nesse novo cenário, e este é um debate que teremos de fazer novamente com Oliver Stuenkel, na primeira oportunidade que tivermos em 2017.

Creio que esse debate, que foi transmitido online e registrado em vídeo (que estará disponível no canal YouTube da Funag, dentro de algum tempo), constituiu uma excelente oportunidade para que Oliver Stuenkel apresentasse a um público seleto (e a todos os que assistiram, e os que ainda vão assistir, ao vídeo) suas principais teses sobre o mundo pós-ocidental. 

Na sequência, mantive um diálogo de 20 minutos aproximadamente com Oliver Stuenkel em torno dessas teses, e algumas outras questões, para a série "Relações Internacionais em Pauta", entrevistas em vídeo que vem sendo acumuladas no canal YouTube do site do IPRI, e que editaremos para fazer um próximo upload. Aguardem.
Nos agradecimentos prévios ao livro, Oliver agradece à sua esposa, Beatriz, em que reconhece trabalho extra, entre o ativismo político e a dedicação acadêmica, assim como a seus três filhos: Anna, Jan e Carlinha, que ele acredita crescerão num mundo pós-ocidental. 
Acredito que sim, mas seus filhos vão continuar bebendo Coca-Cola, mascando chiclete -- que são velhas contribuições da civilização ocidental, neste caso americana, ao mundo, assim como vão usar algum sucedâneo do iPhone e sucessores do iPad, até que os chineses ofereçam os seus equivalentes, provavelmente de performance maior, e custo menor, mais ainda assim baseados num conceito ocidental do mundo e das comunicações, que o mundo emergente ainda imita, sem verdadeiramente superar, até o momento. Vamos ver o que os pós-ocidentais oferecem de produtos e gadgets tão revolucionários quanto estes.
Vamos continuar esse debate de alto nível nos próximos meses, talvez anos, com a participação de todos os diplomatas e acadêmicos engajados em temas de política mundial e relações econômicas internacionais.

Os interessados em adquirir o livro de Oliver Stuenkel, podem encontrá-lo aqui:
https://www.amazon.com/Oliver-Stuenkel/e/B00P1ZSQP0

Paulo Roberto de Almeida 
Brasília, 13 de dezembro de 2016
(Fotos de  Carmen Lícia Palazzo, a quem agradeço a cessão)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Defesa: debate no IEA-USP, 29/11/2016, 9-17hs

Seminário apresenta visão das Forças Armadas sobre a defesa no Brasil

por Mauro Bellesa - publicado 27/10/2016 17:10 - última modificação 31/10/2016 13:40

3º Pelotão Especial de Fronteira, sediado em Paracaima, RR, fronteira com a Venezuela
3º Pelotão Especial de Fronteira, sediado em Pacaraima,
Roraima, próximo à fronteira com a Venezuela
A Defesa no Brasil é o tema do encontro que se realiza no dia 29 de novembro, das 9h às 17h, na Sala de Eventos do IEA, atividade inaugural do Ciclo de Diálogos Estratégicos do IEA. Haverá exposições de representantes do Exército, Marinha, Aeronáutica e da indústria nacional de defesa.
Esse primeiro diálogo tem por objetivo proporcionar à comunidade acadêmica informações atualizadas e realistas que permitam debater e concluir sobre a situação e perspectivas do Brasil nesse campo, assim como os papeis das partes interessadas da sociedade.
"A atuação militar vem passando por uma transformação, seja pela posição que o país passou a ocupar no mundo ou pela incerteza e imprevisibilidade do cenário internacional", explica em artigo publicado no site do IEA o general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, comandante do Exército Brasileiro.
Já estão confirmadas as participações do capitão de mar e guerra Arthur Mendes de Oliveira, que falará sobre a fronteira marítima, e do representante do Departamento da Indústria de Defesa da Fiesp, Anastácio Katsanos. Os coordenadores serão o general da reserva do Exército Sergio Conforto e do vice-diretor do IEA, Guilherme Ary Plonski.
Alguns dos tópicos a serem discutidos no encontro são:
  • importância do mar para o Brasil. A "Amazônia azul"
  • a problemática decorrente da diversidade das fronteiras terrestres (sul, oeste, Amazônia)
  • controle e defesa do espaço aéreo brasileiro
  • as forças de paz
  • ciência, tecnologia e inovação e defesa
  • indústria e defesa
  • Política Nacional de Defesa
Ciclo
"Ao focalizar em temas estruturantes, o Ciclo de Diálogos Estratégicos convergirá com outras iniciativas do IEA e da USP na construção de um espaço de reflexão estratégica para o desenvolvimento sustentável e inclusivo do Brasil", segundo Plonski, que coordena o programa.

Relacionado

América do Sul: Integração, Geoestratégia e Segurança(painel realizado em 21/set/2006)
Notícia
Midiateca
O ciclo integra a série Strategic Workshops, organizada pela Pró-Reitoria de Pesquisa e pelo IEA, com apoio da Academia de Ciências do Estado de São Paulo.
Além desta primeira atividade do ciclo, o tema "segurança" será discutido no IEA também por meio da revista "Estudos Avançados", em futuro dossiê especial sobre o assunto.

A Defesa no Brasil
CICLO DE DIÁLOGOS ESTRATÉGICOS

29 de novembro, 9h
Sala de Eventos do IEA, rua da Praça do Relógio, 109, bloco K, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo
Evento gratuito e aberto ao público
Transmissão online ao vivo
Informações: com Sandra Sedini (sedini@usp.br), telefone (11) 3091-1678
Foto: Mauro Bellesa/IEA-USP

sexta-feira, 25 de março de 2016

Debate sobre o Free Trade nos EUA: esclarecendo posicoes -

Eu havia reagido (https://www.facebook.com/paulobooks/posts/1115225561874226), dias atrás, à carta de um leitor, pinçada na internet, questionando a validade do livre comércio do ponto de vista dos trabalhadores, mas não havia ainda lido o artigo original sobre essa questão, que me havia escapado. Agora leio o artigo e posto aqui, junto com minhas observacões feitas antes e depois de ter postado no Facebook.
Vejamos o que diz o artigo, e, depois, eu agrego meus comentários que foram feitos, é preciso dizer, PREVIAMENTE à leitura deste artigo, e baseado apenas num comentário de leitor.
Paulo Roberto de Almeida

What Americans really think about free trade

For decades, the benefits of free trade have been something that both political parties have agreed on. Eliminating tariffs, proponents said, would reduce the cost of goods for U.S. consumers and put more people to work in exporting industries.
Recently, though, some economists have concluded that the costs of free trade have been greater than expected, and both Democratic candidate Sen. Bernie Sanders and Republican Donald Trump have run successful presidential primary campaigns on protectionist platforms. Many of their supporters are now rejecting more than half a century of bipartisan economic consensus.
Outside of Sanders's and Trump's coalitions, however, there is little evidence of a broad reaction against free trade. Americans are deeply conflicted about the issue, as shown in two recent polls that came to opposite conclusions about public opinion on free trade.
One was a Gallup poll published last month, which found that a majority of Americans — 58 percent — see foreign trade as an economic opportunity. Just 33 percent said foreign trade was an economic threat. The share of respondents who are optimistic about trade has increased since the financial crisis. Perhaps as Americans are seeing the country as more economically secure, they've become less worried about competition from abroad.
Seven years ago, at the beginning of 2009, just 44 percent of those polled said that trade presented an opportunity. Among Democrats — who are more optimistic about the state of the economy under President Obama — the number seeing economic opportunity in trade increased even more sharply, from 43 percent in 2009 to 63 percent today. The figure among Republicans shifted from 45 percent to 50 percent.
That finding — overall optimism about trade, with partisan divisions — contrasted with the conclusion of a poll published Thursday by Bloomberg. "Opposition to free trade is a unifying concept even in a deeply divided electorate," the authors wrote.
Some of the Bloomberg poll's more striking findings seem to suggest a deep skepticism of international economic exchange. For example, Americans are overwhelmingly resistant to the idea of foreign ownership of factories on U.S. soil. Sixty-eight percent said they'd prefer a domestically owned factory in their communities to a Chinese-owned plant offering twice as many jobs.
Likewise, nearly two-thirds said that there should be more restrictions on imported goods, and 82 percent said they'd be willing to pay "a little more" for domestically produced goods in order to protect domestic workers from foreign competition.
These contrasting results show that Americans see both sides of the debate over trade. They also suggest that politicians can win over voters by focusing on either the costs or the benefits, Frank Newport, the editor in chief at Gallup, said in an interview.
"Americans are very much looking for guidance" on complex economic issues, he said. "You can shift people one way or the other. They’re open to argument."
For example, Newport noted, the Bloomberg poll asked about restrictions on imports, but not on exports, which would mean fewer opportunities for U.S. workers. Americans even have different feelings about imports depending on the industry. They are comfortable with the idea of imported electronics but want to protect American agriculture, Gallup has found.
A Pew poll last year revealed even more contradictions. Respondents were more likely to say that free trade had helped their families' finances than that free trade had made them worse off. When asked about the economy in general, though, they were more negative. The poll found that Americans were equally divided on the question of whether free trade improved economic growth, and much less likely to say that trade created opportunities for employment than that it reduced wages and put Americans out of work.
Previously, economists had argued that workers displaced because of competition with manufacturers overseas would quickly find work in other sectors. That hasn't happened, wrote economists David Autor, David Dorn and Gordon Hanson in a paper earlier this year. The costs of trade in the labor market have been higher than predicted, and they've been concentrated in particular sectors and regions of the country.
Those consequences for particular groups aren't clearly reflected in the overall polling data. As Newport said, there are some people in both parties who vehemently oppose trade, maybe because they have been affected by globalization themselves. Those are the groups that Trump and Sanders hope will help mobilize their campaigns.
These candidates might be able to win over some voters if they can focus on how competition from imports has negatively affected those workers, Newport said. "Jobs," he added, is "a magic word."
"There are a few words out there that Americans react very strongly to," he said. "They're willing to sanction almost anything to bring in more jobs."
Max Ehrenfreund writes for Wonkblog and compiles Wonkbook, a daily policy newsletter. You can subscribe here. Before joining The Washington Post, Ehrenfreund wrote for the Washington Monthly and The Sacramento Bee.
 
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Meus comentários (PRA) feitos previamente à leitura deste artigo:
(https://www.facebook.com/paulobooks/posts/1115225561874226

Livre comércio só interessa às corporações?

Sou um leitor compulsivo, doentio. Leio não apenas as matérias objetivas -- os "reports", como se diz na linguagem do jornalismo americano, que se distinguem das "analysis", quando o jornalista elabora sobre a matéria -- como também os artigos de opinião, que por vezes contém dados ou argumentos que não estão nos dois primeiros. Mas leio também, por incrível que pareça, cartas de leitores e reações virtuais nas colunas de opinião, que são reveladoras do que vai pela cabeça do público em geral, que é um pouco a opinião da média da população (claro, tem muito ativista de causas determinadas, mas eu sei distinguir isso também).
Pois, o que encontro na minha versão eletrônica do Washington Post? Esta diatribe de um leitor contra um artigo anterior que eu não li (mas isso não importa muito, pois importa a tese):

"Free trade is a myth; all we have is managed trade. The question is for whom? In practice, only corporations benefit. Why not workers also?" -- Bruce Bartlett

Concordo inteiramente com o leitor em que não existe Free Trade, apenas Managed Trade, uma espécie de mercantilismo bem comportado, supervisionado de forma muito ineficiente por essa tia gorda (quase 170 membros) e complacente que se chama OMC.
Mas a pergunta dele é absolutamente equivocada: seja free, seja managed, o trade é para consumidores, e para empresas que se abastecem no mercado, ou seja, não é, nunca foi, um jogo de soma zero como sua última afirmação tenta fazer crer.
Não são apenas as corporações que se benficiam do comércio livre. Se esse comércio não fosse livre, esse leitor, Bruce Bartlett, nunca poderia comprar o seu microondas por apenas 80 dólares; se fosse fabricado nos EUA, ou na Europa, não saíria por menos de 180 ou 200 dólares. Não sei se vou convencê-lo, mas as pessoas precisam tomar consciência que, independentemente das formas mais ou menos liberais que regulam o comércio internacional, ele sempre se faz, em última instância, em benefício dos consumidores. No meio, as corporações lucram, o que é óbvio, mas o que pretende esse leitor? Mágica? Ele quer um microondas a 80 dólares feito no seu Arkansas natal? Esqueça...

Addendum: Agrego o que acabo de postar num debate com um amigo de velhas negociações comerciais:
"... eu acho que os grandes problemas, as maiores alienações dos tecnoburocratas como nós (e eu me incluo nessa tropa) é sempre olhar a realidade pela ótica dos nossos materiais privilegiados: relatórios e informações de outros burocratas, documentos de organizações internacionais e livros e artigos de acadêmicos. Isso é uma distorção. O mundo lá fora, o das grandes corporações, das empresas, das pessoas, está se movimentando, e o que quer que façam os governos, estes vão ter em algum momento de se adaptar aos movimentos reais das economias de mercado."

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Depois, sustentei um debate na sequência desta postagem no Facebook, que transcrevo aqui porque ele é instrutivo para todos: 

Marcos Fernandes Não, a todos.....mas que mal faz se sim!? Cadeia de valor diversificada regionalmente...
Paulo Roberto de Almeida
Paulo Roberto de Almeida Sim, qual é o problema das cadeias de valor diversificadas regionalmente? Você pode me indicar qual é, exatamente, o problema? Existe um complô de forças poderosas contra os interesses dos consumidores? Me explique isso direitinho...
Paulo Roberto de Almeida
Write a reply...

Thiago D'Ávila
Thiago D'Ávila Paulo Roberto de Almeida, só um detalhe: o comentarista da notícia não falava em consumidores. A pergunta dele foi outra: "Why not workers also?" Ele está perguntando sobre workers...
Paulo Roberto de Almeida
Paulo Roberto de Almeida O que são trabalhadores, Thiago D'Ávila, se não consumidores? Vc já se deu conta que seus salários de mercado valem muito mais, compram muito mais graças ao livre comércio? Ou vc acha que sobraria muita coisa se eles tivessem de comprar aqueles enormes televisores made in America?
 Thiago D'Ávila Bem, aí teremos uma infinidade de assuntos interligados. Primeiro, nem todo consumidor é trabalhador (gente rica que não trabalha, criança, idoso aposentado, adulto desempregado, doentes, etc). Trabalhador é uma categoria e consumidor é outra, ainda que em Economia ocorram interligações na análise. Segundo, consumidor beneficiado com baixo preço nem de longe significa trabalhador beneficiado. Se você compra, a preço de banana, uma camisa feita por trabalhador escravo na Ásia, você é um consumidor beneficiado por um trabalhador claramente prejudicado. A pergunta dele é sobre WORKERS. Ele está claramente falando em benefícios trabalhistas.
Paulo Roberto de Almeida
Paulo Roberto de Almeida Acho que vc ainda não pegou o espírito da coisa Thiago D'Ávila: o trabalhador asiático que você diz ser "prejudicado" (em quê, exatamente?, explique) estaria em muito pior situação se não fosse pelo livre comércio, já pensou nisso? Gente rica que não trabalha, doentes, desempregados, etc, estariam EM MUITO PIOR SITUAÇÃO se não fosse pelo livre comércio. É muito difícil entender isto? Benefícios trabalhistas são uma convenção social, um contrato, uma regra; não tem nada a ver com livre comércio, que é, sempre foi, sempre será infinitamente melhor que todas as situações de mercantilismo, de comércio administrado, de restrições. Acho que qualquer pessoa medianamente aberta aos fenômenos de mercado pode perceber isso, não é?
Thiago D'Ávila
Thiago D'Ávila Paulo Roberto de Almeida, ok. Essas são as ideias nas quais vc acredita. Essas podem ser até as ideias comprováveis empiricamente. Essas podem ser as tão buscadas verdades universais.

O que eu estou apontando, pura e simplesmente, é que o comentaris
ta a quem você critica (ELE) está insinuando que o livre mercado não existe de fato (afirmação com a qual você inclusive concordou acima) e ELE está perguntando em relação a benefícios para trabalhadores, não a consumidores. EU estou dizendo apenas e tão somente que trabalhadores e consumidores são categorias distintas.EU não estou dizendo que livre mercado não possa trazer benefícios a trabalhadores e consumidores.

Isto tudo esclarecido, VOCÊ no fundo concorda com o comentarista a quem crítica, porque assim como ELE, você está dizendo que livre mercado não existe de fato, a situação real (de NÃO livre mercado apenas beneficia algumas empresas). E eu ouso supor que você também concorda com ele de que a atual situação (de NÃO livre mercado) prejudica trabalhadores.

Por fim, EU estou dizendo que sua crítica está errada (porque no fundo você concorda com ele), não a sua ideia.
Esse é o espírito da coisa. smile emoticon
Paulo Roberto de Almeida Meu caro Thiago D'Ávila, desculpe o atraso, mas volto a este debate importante. Acho que você ainda não capturou minha posição, mas independependente da minha posição, você não capturou o espírito da coisa que anda, ou seja, o princípio do livre comércio. Se eu estou concordando com o comentarista de que o livro comércio não existe, isso NÃO QUER DIZER que ele não seja possível, ou que ele é IMPOSSÍVEL. Basta que um país, unilateralmente (como aliás já fez a Inglaterra em 1846, até o início do século XX) decrete o livre comércio para si, para que ele comece a existir na prática. Ou que algum dia ele seja implementado como regra universal (o que ainda está longe), e que restrições, tarifas, normas e outras barreiras sejam a exceção, não a regra. A humanidade estará muito melhor, como estaria se a Declaração Universal dos DIREITOS DO HOMEM fosse implementada na prática, efetivamente (mas ela é NORMA UNIVERSAL, e EXISTE, e os países que se desviam dela são DESVIANTES, não a norma escrita ou não escrita, como é o mercantilismo atual do sistema multilateral de comércio, Gatt-OMC). Não é o livre comércio que prejudica trabalhadores, pois ele apenas desemprega setorialmente ALGUNS trabalhadores, beneficiando TODOS OS DEMAIS, como consumidores e como trabalhadores (e são categorias distintas apenas na teoria, pois na prática são exatamente as mesmas pessoas), pois o NÃO LIVRE COMÉRCIO prejudicará aqueles trabalhadores temporariamente protegidos, pois o setor, o ramo industrial, o país ficará isolado das pressões competitivas do resto mundo e DIMINUIRÁ A RENDA de todos os seus habitantes, não apenas os trabalhadores de um ou outro setor.