O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

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domingo, 28 de abril de 2019

Tragédias: o primeiro artigo de Armínio Fraga na FSP

Tragédias

Somos um país de renda média e também um dos mais desiguais, atrasado portanto

Entrego aqui o primeiro artigo para o espaço mensal que esta Folha acaba de me conceder e pelo qual sou grato. 

Temendo algum bloqueio, sentei para escrever na Sexta-Feira Santa. Naquele dia, no caderno Mercado, li uma matéria sobre a evolução da participação do nosso PIB no PIB mundial desde 1980: caiu de 4,4% para 2,5%. Se tivéssemos acompanhado a média do crescimento global, teríamos um PIB 76% maior. Imaginem só como seria. 
Com frequência se diz que o Brasil é a oitava economia do mundo. Tudo bem, não é de se jogar fora. Mas o que importa mesmo é a renda per capita, e aí caímos para a 75ª posição. Somos um país de renda média e também um dos mais desiguais, atrasado portanto. Refiro-me a dados do FMI e do Banco Mundial.
Estamos como na estorinha irlandesa: um viajante perdido no campo verde para na estrada e pergunta a um velho pastor como se chega a Dublin. Ele responde: "Não sei, mas não começaria aqui...".
Como não temos essa opção, nos resta por ora evitar problemas maiores e avançar onde der. Mas as pessoas estão descrentes de tudo e todos, e sentem que se exige mais sacrifício dos que menos podem, não sem razão. Quero discutir neste espaço como criar genuínas oportunidades para os que menos podem e como exigir dos que mais podem uma contribuição relevante. 
Um país atrasado em tese deveria ser capaz de acelerar seu crescimento investindo mais do que os avançados, especialmente em gente, e absorvendo melhores tecnologias e práticas. Não foi o que aconteceu aqui. Isso fica claro quando se compara a evolução da nossa renda per capita com a dos Estados Unidos. A comparação é deprimente: estamos em torno de 20% desde 1960.
Perdura uma certa nostalgia quanto ao período do pós-guerra, quando atingimos 29% da renda americana, mas se ignora que a estratégia adotada (economia fechada e estatizada) foi incapaz de nos levar até os padrões de vida dos avançados, por falhas fatais de desenho (fragilidade macroeconômica, descaso com educação e desigualdade). A economia acabou se espatifando na década perdida de 1981-1993, quando se devolveu boa parte dos ganhos auferidos desde 1960.
Verdade que desde então avançamos bastante com a estabilização e a mudança de foco do Estado a partir de 1995, mas aos poucos um bom caminho foi sendo abandonado. A partir de 2011, o intervencionismo e a radical perda de disciplina fiscal levaram a um novo colapso. Foi uma volta a erros do passado, amplamente apoiada pelo andar de cima. A queda na renda per capita repetiu os 10% da década perdida, desta vez em um terço do tempo. Voltamos aos 20% da renda americana de 1960.
Não fora suficiente a atual depressão econômica, metade das pessoas empregadas não tem carteira assinada e se aposenta mais tarde. A educação continua deficiente e metade das moradias não tem esgoto adequado. Não há solução para melhorar a vida de quem mora nas favelas e tampouco para a violência. E por aí vai.
E agora? Como construir um caminho para um desenvolvimento mais inclusivo, acelerado e sustentável? Estamos diante de múltiplas crises, que se reforçam, desafiam as instituições e ameaçam a qualidade da democracia. Difícil imaginar um caminho completo, coerente e viável a partir daqui. 
No momento a prioridade é a reforma da Previdência, passo crucial para sanar a crise fiscal e redutora ela própria de desigualdade. Urge também uma reforma do Estado, que precisa fazer mais com menos. Em ambos os casos as resistências já estão se armando. Como parte da resposta, urge também a eliminação dos subsídios e vantagens tributárias aos de renda mais alta, que envenenam o tecido social. Só assim as pessoas apoiarão as transformações necessárias.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A contribuição teuta à formação da nação brasileira - Dietrich Böhnke

A contribuição teuta à formação da nação brasileira - por Dietrich Böhnke

Blog Brasil-Alemanha, 16/01/2014
A história teuto-brasileira está cheia de fatos impressionantes. Não dá para entender por que os brasileiros nada sabem a respeito da contribuição de seus concidadãos alemães. A historiografia brasileira está orientada só para o lado luso. 
Saiba mais >>>

Uma matéria marcante e abrangente sobre a presença alemã no Brasil desde o seu descobrimento está nas páginas 1 e 8 do semanário Brasil-Post de 20 de julho 2001. O jornalista e historiador Dieter Böhnke, ex-assessor de Imprensa da Bayer S. A., faz um amplo relato da participação contínua de alemães na história do Brasil, presentes já na esquadra de Pedro Álvares Cabral, e de sua profunda influência nos mais diversos setores. A bandeira do Brasil, por exemplo, é a expressão da feliz união de duas dinastias: o verde representa a Casa de Bragança de Dom Pedro I e o amarelo a Casa de Loríngia e Habsburg, da qual descende a Imperatriz Dona Leopoldina, esposa de Dom Pedro I. O verde e o amarelo representam também, como cores nacionais, a República. “Wo, bitte - fragt Dieter Böhnke – wird das an brasilianischen Schulen gelehrt - Onde, por favor - pergunta Dietrich Böhnke – isso é ensinado em escolas brasileiras?” Também o brasão da República do Brasil foi projetado por um engenheiro alemão, Artur Sauer, em 1889, por incumbência de seu amigo Marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente da nova República e grão-mestre do Grande Oriente dos maçons. (Íntegra, em alemão, do artigo de Dieter Böhnke em “Destaques” no site www.bralon.com  -  obs.: bralon foi durante algum tempo a forma abreviada de designar "brasilalemanhaonline"). Esperamos em breve recuperar este texto também no original alemão, publicado no BrasilAlemanha em 2001 - Nota da Redação).

* * * * *
Em complemento a este breve relato, BrasilAlemanha recebeu o seguinte Comentário esclarecedor, de André Luís Hammann, de Montenegro, RS, aqui reproduzido na sua sequência lógica e na íntegra:
“Olá caro Rockenbach,

Eu li o artigo postado no site Brasil-Alemanha, elaborado pelo Sr. Böhnke, o felicito pelo excelente e preciso resgate histórico sobre a importância dos imigrantes germânicos na formação do nosso país.

Quero apenas complementar que na parte de Economia se falou de uma forma mais exclusiva sobre a Indústria, porém gostaria de reforçar que o imigrante alemão e seus descendentes também foram a chave para o boom agrícola do Brasil, a produção em larga escala da soja protagonizada pela cidade de Santa Rosa no RS e com isto veio o surgimento e expansão da indústria agrícola ou de máquinas agrícolas, como grande ícone a antiga SLC de Horizontina RS – veja um breve relato que fiz um tempos atrás, mas que pode complementar este resgate histórico:

“Cito empreendedores de origem alemã como Gerdau (maior multinacional brasileira, com grande número de fábricas de aço nos EUA), a antiga SLC (Schneider, Logemann e Cia) fabricante da primeira colheitadeira de grãos (soja, milho, trigo, arroz...) brasileira, consagrando Horizontina como a capital nacional da colheita mecanizada, a IDEAL da família Gelbhaar de Santa Rosa (também fábrica de colheitadeiras), Eickhoff e Fankhauser fabricantes de plantadeiras, antiga fábrica de tratores Müller, as indústrias de couro e calçadistas do Vale do Rio dos Sinos no RS, cidades do noroeste gaúcho, colonizadas em sua maioria por alemães, responsáveis pela produção leiteira e de suínos do Estado, o pastor luterano teuto-americano Lehenbauer que trouxe as primeiras sementes de soja para Santa Rosa (“Capital Nacional da Soja”), de onde a cultura foi difundida, tornando-se hoje o produto agrícola mais produzido no Brasil, importantíssimo para a economia nacional e exportações. Temos ainda Kohlbach, Renner, WEG, Schulz, VARIG... Ainda temos indústriis de capital alemão, como Stihl, Thyssen Krupp, Mannesmann, Siemens, Voith, Volkswagen, Mercedes-Benz, Motores MWM... A Alemanha é um dos países que mais possui investimentos no Brasil, sendo responsável por cerca de 10% do seu PIB.”

Eu espero que o Governo Brasileiro e a Sociedade reconheçam neste ano Festivo a importância dos alemães e seus descendentes para a formação da nossa cultura e economia, além de outras áreas...”

André Luís HAMMANN 
Cab & Weld ME
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John Deere Brasil Montenegro - BM 

Comentários


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Historiadores em geral são brasileiros descendentes de portugueses de Rio e SP, e menosprezam a presença germânica, italiana, polonesa, japonesa, dentre outros tantos povos que construíram este país... Meu doutorado foi sobre os alemães no Rio de Janeiro, de 1816-1866, formada por negociantes, artífices, fabricantes e artistas.

Eu e minha turma de gastronomia da UNIMONTE de Santos, SP, estamos organizando um pequeno evento cujo tema é Alemanha no Sul do Brasil. Será realizado nas dependências da faculdade no dia 10/06. Agradeço por compartilharem conosco suas tradições e costumes. Nos sentimos honrados por divulgar esta rica cultura em nossa região. Este site foi de grande valia para nós.


Parabenizo este site pela ótima reportagem, tivessem mais sites, escolas, e outros meios culturais no Brasil, que, infelizmente carece muito destes, o povo brasileiro teria mais acesso ao conhecimento e a sua história verdadeira! Infelizmente nada do que se pode ler acima é ensinado nas escolas e nem faculdades, o povo brasileiro sequer conhece metade de sua história! No desenvolvimento, nas artes, cultura, e até na criação de símbolos nacionais do nosso país sempre esteve o conhecimento e a participação dos valorosos imigrantes Alemães que, outrora e as vezes ainda pouco são valorizados e reconhecidos! A bem da verdade, sem a participação dos imigrantes Alemães, nem sei onde estaríamos hoje neste país, que mesmo assim, ainda engatinha e esta tão difícil conseguir tirar do atoleiro generalizado em que sempre está com suas corrupções, desvios, altos impostos e demais desorganizações, em todos os sentidos! Parabéns ao Sr. Dieter Böhnke por este belo trabalho de esclarecimento, e tamb... (...)



Olá caro Rockenbach, Eu li o artigo postado acima escrito pelo Sr. Böhnke, o felicito pelo excelente e preciso resgate histórico sobre a importância dos imigrantes germânicos na formação do nosso país. Quero apenas complementar que na parte de Economia se falou de uma forma mais exclusiva sobre a Indústria, porém gostaria de reforçar que o imigrante alemão e seus descendentes também foram a chave para o Boom agrícola do Brasil, a produção em larga escala da Soja protagonizada pela cidade de Santa Rosa no RS e com isto veio o surgimento e expansão da Indústria Agrícola ou de máquinas agrícolas como grande ícone a antiga SLC de Horizontina RS – veja um breve relato que fiz um tempo atrás, mas que pode complementar este resgate histórico: “Cito empreendedores de origem alemã como Gerdau (maior multinacional brasileira, com grande número de fábricas de Aço nos EUA), a antiga SLC (Schneider, Logemann e Cia) fabricante da primeira colheitadeira de grãos (soja, milho, trigo, arroz...) brasileira, consagrando Horizontina como a capital nacional da colheita mecanizada, a IDEAL da família Gelbhaar de Santa Rosa (também fábrica de Colheitadeiras), Eickhoff e Fankhauser fabricantes de plantadeiras, antiga fábrica de tratores Müller, as Indústrias de Couro e Calçadistas do Vale dos Sinos no RS, cidades do noroeste Gaúcho, colonizadas em sua maioria por alemães, responsáveis pela produção leiteira e de suínos do Estado, o Pastor Luterano Teuto-Americano Lehenbauer que trouxe as primeiras sementes de soja para Santa Rosa (capital nacional da soja), de onde a cultura foi difundida, tornando-se hoje o produto agrícola mais produzido no Brasil, importantíssimo para a economia Nacional e exportações, temos ainda Kohlbach, Renner, WEG, Schulz, VARIG... Ainda temos Indústrais de capital alemão, como Stihl, Thyssen Krupp, Siemens Voith, Volkswagen, Mercedes-Benz, Motores MWM... a Alemanha é um dos países que mais possui investimentos no Brasil.”
 (incompleto...)

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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Historia economica brasileira: biografia de Edmundo P. Barbosa da Silva - Rogerio S. Farias

Recomendo vivamente. Podem downloadar neste link: 
 http://funag.gov.br/index.php/pt-br/component/content/article?id=1986


Rogério de Souza Farias:
       Edmundo P. Barbosa da Silva e a construção da diplomacia econômica brasileira
       (Brasília: Funag, 2017, 589 p.; ISBN: 978-85-7631-682-4)

Assim como as memórias de Roberto Campos, Lanterna na Popa, constituem, bem mais que mera autobiografia, uma verdadeira história econômica do Brasil, esta densa biografia de um dos grandes construtores da diplomacia econômica no Itamaraty representa, igualmente, uma verdadeira reconstrução historiográfica de toda a história econômica do Brasil na segunda metade do século XX, sendo, como a obra de Campos, de leitura obrigatória por todos aqueles que pretendem abordar, doravante, as relações econômicas internacionais do Brasil, e as políticas econômicas, em especial a comercial e a industrial no período. Enriquecida por um belo e substantivo prefácio do colega de Edmundo, embaixador Marcílio Marques Moreira, a biografia se estende do século XIX ao XXI, e representa um monumento à inteligência econômica, como feita no Itamaraty.
Paulo Roberto de Almeida 


A Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG) publica a obra “Edmundo P. Barbosa da Silva e a construção da diplomacia econômica brasileira”, do doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília, Rogério de Souza Farias. Diplomata de carreira, Edmundo Penna Barbosa da Silva (1917-2012) exerceu papel crucial nas negociações em favor do comércio externo brasileiro, sendo personalidade central do desenvolvimentismo da década de 1950. Foi articulador da diplomacia econômica na busca de capital estrangeiro, na elevação das tarifas aduaneiras, no aumento de laços com os vizinhos, bem como na reabertura das relações comerciais com a União Soviética. A obra tem o prefácio assinado pelo embaixador Marcilio Marques Moreira.
O livro está disponível para download gratuito na biblioteca digital da FUNAG.