O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

Mostrando postagens com marcador estatísticas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador estatísticas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

IBGE: aumento da pobreza no Brasil

IBGE: aumento da pobreza no Brasil

Atenção: nenhum dos deploráveis indicadores sociais constantes do comunicado puramente informativo do IBGE, transcrito abaixo, se deve a políticas ou ações do governo atual, iniciado em meados de 2016. A lamentável situação se deve integralmente às medidas e políticas econômicas equivocadas e irresponsáveis dos governos anteriores, identificados com a gestão inepta e corrupta do lulopetismo.
Paulo Roberto de Almeida

Resumo do comunicado do IBGE:
Proporção de pessoas na pobreza sobe de 25,7% para 26,5% de 2016 para 2017. Em números absolutos, esse contingente era de 52,8 milhões, em 2016, e subiu para 54,8 milhões de pessoas, em 2017. Crescimento de 3,11%.
Na extrema pobreza, estavam 6,6% da população do país, em 2016, participação que aumentou para 7,4% em 2017. Em números absolutos, esse contingente aumentou de 13,5 milhões em 2016 para 15,2 milhões de pessoas, em 2017. Crescimento de 12,12%.
A proporção de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos que viviam em domicílios com renda de até US$ 5,5 por dia (R$ 406 por mês) passou de 42,9% em 2016 para 43,4% em 2017. Crescimento 1,17%.


Base: Ano de 2017

Síntese de Indicadores Sociais: indicadores apontam aumento da pobreza entre 2016 e 2017

A Síntese de Indicadores Sociais (SIS) analisou o tema pobreza utilizando diferentes medidas que mostram o aumento da pobreza entre 2016 e 2017. Segundo a linha de pobreza proposta pelo Banco Mundial (rendimento de até US$ 5,5 por dia, ou R$ 406 por mês), a proporção de pessoas pobres no Brasil era de 25,7% da população em 2016 e subiu para 26,5%, em 2017. Em números absolutos, esse contingente variou de 52,8 milhões para 54,8 milhões de pessoas, no período. Nessa mesma análise, a proporção de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos que viviam rendimentos de até US$ 5,5 por dia passou de 42,9% para 43,4%, no mesmo período.

Já o contingente de pessoas com renda inferior a US$ 1,90 por dia (R$ 140 por mês), que estariam na extrema pobreza de acordo com a linha proposta pelo Banco Mundial, representava 6,6% da população do país em 2016, contra 7,4% em 2017. Em números absolutos, esse contingente aumentou de 13,5 milhões em 2016 para 15,2 milhões de pessoas em 2017.

Em 2017, o rendimento médio mensal domiciliar per capita no país foi de R$ 1.511. As menores médias foram no Nordeste (R$ 984) e Norte (R$ 1.011), regiões onde quase metade da população (respectivamente, 49,9% e 48,1%) tinha rendimento médio mensal domiciliar per capita de até meio salário mínimo. Estas são algumas informações da Síntese de Indicadores Sociais 2018, que analisou o mercado de trabalho, aspectos educacionais e a distribuição de renda da população brasileira, a partir dos dados da PNAD contínua do IBGE e de outras fontes.

A SIS 2018 mostrou que 27 milhões de pessoas (13,0% da população) viviam em domicílios com ao menos uma das quatro inadequações analisadas. O adensamento excessivo (domicílio com mais de três moradores por dormitório) foi a inadequação domiciliar que atingiu o maior número de pessoas: 12,2 milhões, ou 5,9% da população do país em 2017.

Na análise educacional, a SIS 2018 mostrou que a proporção de matrículas por cotas no ensino superior público triplicou nos últimos 7 anos: de 2009 a 2016, esse percentual subiu de 1,5% para 5,2%. Nas instituições privadas, no mesmo período, o percentual de matrículas com PROUNI subiu 28,1%, passando de 5,7% para 7,3%.

A taxa de ingresso ao ensino superior dos alunos oriundos da escola privada era 2,2 vezes a dos que estudaram na rede pública. Entre os que concluíram o nível médio na rede pública, 35,9% ingressaram no ensino superior, contra 79,2% dos que cursaram a rede privada.

Na análise do mercado de trabalho, a SIS 2018 mostrou que a taxa de desocupação era de 6,9% em 2014 e subiu para 12,5% em 2017. Isso equivale a 6,2 milhões de pessoas desocupadas a mais entre 2014 e 2017. Nesse período, a desocupação cresceu em todas as regiões e em todos os grupos etários.

Em 2017, o trabalho informal alcançou 37,3 milhões de pessoas, o que representava 40,8% da população ocupada, ou dois em cada cinco trabalhadores do país. Esse contingente aumentou em 1,2 milhão desde 2014, quando representava 39,1% da população ocupada.

Em 2017, os trabalhadores brancos (R$ 2.615) ganhavam, em média, 72,5% mais que os pretos ou pardos (R$ 1.516) e os homens (R$ 2.261) recebiam 29,7% a mais que as mulheres (R$ 1.743). O rendimento-hora dos brancos superava o dos pretos ou pardos em todos os níveis de escolaridade, e a maior diferença estava no nível superior: R$ 31,9 por hora para os brancos contra R$ 22,3 por hora para pretos ou pardos. O material de apoio da SIS 2018 está nesta página.

Proporção de pessoas na pobreza sobe de 25,7% para 26,5% de 2016 para 2017
Na ausência de uma linha oficial de pobreza no país, a Síntese de Indicadores Sociais analisou este tema utilizando diferentes medidas que, em sua maioria, mostram o crescimento da pobreza, entre 2016 e 2017.
Considerando-se a linha de pobreza proposta pelo Banco Mundial (rendimentos de até US$ 5,5 por dia, ou R$ 406 por mês), a proporção de pessoas pobres no Brasil subiu de 25,6% da população, em 2016, para 26,5%, em 2017. Em números absolutos, esse contingente era de 52,8 milhões, em 2016, e subiu para 54,8 milhões de pessoas, em 2017.
No Nordeste, 44,8% da população estava em situação de pobreza, o equivalente a 25,5 milhões de pessoas. Por outro lado, a Região Sul possuía cerca de 3,8 milhões de pessoas em situação de pobreza, o equivalente a 12,8% dos quase 30 milhões de habitantes. No Sudeste, o percentual de pessoas abaixo dessa linha subiu para 17,4% da população, abarcando 15,2 milhões de pessoas.
Porto Velho (RO) e Cuiabá (MT) também se destacam, pois foram as duas únicas capitais onde a proporção de pessoas abaixo da linha dos US$ 5,5 por dia superava a dos respectivos estados: em Porto Velho era 27,0%, contra 26,1% em Rondônia; em Cuiabá, 19,2%, contra 17,1% em Mato Grosso.
País tinha 15,2 milhões de pessoas na extrema pobreza em 2017
O contingente de pessoas com renda inferior a US$ 1,90 por dia (R$ 140 por mês), que estariam na extrema pobreza de acordo com a linha estabelecida pelo Banco Mundial, representava 6,6% da população do país, em 2016, participação que aumentou para 7,4% em 2017. A proporção de pessoas abaixo dessa linha aumentou em todas as regiões, com exceção do Norte, que ficou estável. Em números absolutos, esse contingente aumentou de 13,5 milhões em 2016 para 15,2 milhões de pessoas, em 2017.
Cresce a proporção de crianças e adolescentes abaixo da linha de pobreza
A proporção de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos que viviam em domicílios com renda de até US$ 5,5 por dia (R$ 406 por mês) passou de 42,9% para 43,4%. A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE também analisa a prevalência de pobreza considerando as características das pessoas de referência dos domicílios.
Do total de moradores em domicílios em que a pessoa de referência era uma mulher sem cônjuge e com filhos de até 14 anos, 56,9% estavam abaixo dessa linha. Se a responsável pelo domicílio era uma mulher preta ou parda (igualmente sem cônjuge e com filhos no mesmo grupo etário), essa incidência subia para 64,4%.
A intensidade da pobreza aumentou entre 2016 e 2017
O hiato da pobreza é um cálculo aproximado do montante necessário para erradicar a pobreza. Em 2017, foi estimado em R$ 10,2 bilhões mensais, perfeitamente alocados, para que as pessoas com rendimentos inferiores a US$ 5,5 por dia atingissem essa linha. A distância média do rendimento dos pobres em relação à linha aumentou, entre 2016 e 2017, de R$ 183 para R$ 187 reais.
O hiato da pobreza também pode ser calculado para outras linhas. Para a linha de extrema pobreza (R$ 140 por mês ou US$ 1,90 por dia), o montante necessário para que todos alcancem essa linha era de R$ 1,2 bilhão por mês.
Dado que a pobreza é um fenômeno dinâmico o hiato apenas traz um elemento de estimação do valor de sua erradicação no ano em que foi calculado.
Em 2017, o Distrito Federal era líder em desigualdade, segundo o Índice de Palma
Em 2017, os 10% das pessoas com os maiores rendimentos (de todas as fontes) do país acumulavam 43,1% da massa total desses rendimentos, enquanto os 40% com os menores rendimentos detinham apenas 12,3%. Esse estrato do topo concentrava 3,51 vezes mais rendimentos do que a base, razão conhecida como o Índice de Palma. Nessa mesma comparação, o Distrito Federal foi a unidade da federação mais desigual, onde os 40% das pessoas com os menores rendimentos acumularam 8,4% da massa e os 10% das pessoas com os maiores rendimentos detinham 46,5%. Em 2017, a razão entre esses dois valores chegou a 5,57 no DF, e superou as outras 26 unidades da federação.
Metade da população de Norte e Nordeste vive com até meio salário mínimo
Em 2017, o rendimento médio mensal per capita domiciliar no país foi de R$ 1.511. As menores médias foram no Nordeste (R$ 984) e Norte (R$ 1.011), regiões onde quase metade da população (respectivamente, 49,9% e 48,1%) tinha rendimento médio de até meio salário mínimo. Ainda nessas regiões, apenas 7,8% e 7,7% das pessoas possuíam rendimento mensal (de todas as fontes) superior a dois salários.
Pretos ou pardos continuam a predominar entre os mais pobres
Entre os pretos ou pardos, 13,6% estavam entre os 10% da população com os menores rendimentos. No outro extremo, porém, apenas 4,7% deles estavam entre os 10% com maiores rendimentos. Já entre os brancos, 5,5% integravam os 10% com menores rendimentos e 16,4% os 10% com maiores rendimentos.
Por faixa de renda, os pretos ou pardos representavam, em 2017, 75,2% das pessoas com os 10% menores rendimentos, contra 75,4% em 2016. Na classe dos 10% com os maiores rendimentos a participação de pretos ou pardos aumentou: de 24,7% em 2016, foram para 26,3% em 2017. Apesar dessa evolução, a desigualdade permanece alta.
Pretas ou pardas sem cônjuge e com filhos têm mais restrições a direitos e serviços
A análise por restrição de acesso a bens em múltiplas dimensões complementa a análise monetária e permite avaliar as restrições de acesso à educação, à proteção social, à moradia adequada, aos serviços de saneamento básico e à internet.
Nos domicílios cujos responsáveis são mulheres pretas ou pardas sem cônjuge e com filhos até 14 anos, 25,2% dos moradores tinham pelo menos três restrições às dimensões analisadas. Esse é também o grupo com mais restrições à proteção social (46,1%) e à moradia adequada (28,5%).
Acesso à internet aumenta para pessoas em situação de pobreza
A proporção da população com acesso à internet no domicílio passou de 67,9% em 2016 para 74,8% em 2017. Entre a população com renda domiciliar per capita inferior a R$ 406 por mês (US$ 5,5 por dia), a alta foi mais intensa, de 47,8% em 2016, para 58,3% em 2017.
A desigualdade de acesso entre o total da população e aqueles abaixo da linha da pobreza é mais marcante no acesso por computador, 40,7% contra 14,5%, do que no acesso por meio de outros equipamentos como tablets, celulares e televisores, 73,7% frente a 57,5%.
Moradia inadequada afeta 27 milhões de pessoas
A SIS mostrou que 27 milhões de pessoas (13,0% da população) viviam em domicílios com ao menos uma das quatro inadequações analisadas. O adensamento excessivo (residência com mais de três moradores por dormitório) foi a inadequação domiciliar que atingiu o maior número de pessoas, foram 12,2 milhões (5,9% da população) em 2017.
O ônus excessivo com aluguel (quando o aluguel supera 30% do rendimento domiciliar) afetou 10,1 milhões de pessoas (4,9%), num contexto em que 17,6% dos imóveis residenciais são alugados. Essa inadequação foi mais presente no Distrito Federal (9,1%) e São Paulo (7,1%), as duas unidades da federação com maior renda média.
Em 2017, 5,4 milhões de pessoas (2,6% da população) viviam em domicílios sem banheiro de uso exclusivo. Da população com renda inferior a R$ 406 por mês (US$ 5,5 por dia), 28,6% tinham pelo menos uma inadequação domiciliar (contra 13,0% da população em geral).
Ainda entre as pessoas abaixo dessa linha de pobreza, 57,6% tinham restrição a pelo menos um serviço de saneamento (contra 37,6% da população em geral).
Mais de um terço da população não tem acesso ao serviço de esgoto
Em 2017, mais de um terço (35,9%) da população tinha restrição de acesso ao serviço de esgotamento sanitário por rede coletora ou pluvial. O Piauí registrou a maior proporção da população com essa restrição, 91,7%.
Já a ausência de coleta direta ou indireta de lixo atingiu 10,0% da população e 15,1% do total de pessoas não era abastecida por rede geral de água. Uma proporção de 37,6% residia em domicílios onde faltava ao menos um desses três serviços de saneamento básico.
Em relação ao abastecimento de água por rede, a maior restrição foi em Rondônia (54,0%). A maior restrição à coleta de lixo foi no Maranhão (32,7%).
Ceará e Piauí têm maiores taxas de acesso à pré-escola
Entre 2016 e 2017, a proporção de crianças de 0 a 5 anos que estava frequentando escola ou creche passou de 50,7% a 52,9%. No grupo de crianças de 4 e 5 anos, para quem a frequência a escola ou creche é obrigatória, esse percentual passou de 90,2% para 91,7%, insuficiente para atingir a meta de universalização proposta pelo Plano Nacional de Educação (PNE). O PNE tinha como prazo, para o grupo de crianças de 4 e 5 anos, o ano de 2016.
Nenhuma das grandes regiões ou unidades da federação atingiu a meta da universalização. Nordeste (94,8%) e Sudeste (93,0%) alcançaram taxas acima da média nacional e o Norte (85,0%) teve o menor índice. Entre as UFs, as maiores proporções de crianças de 4 e 5 anos frequentando escola ou creche estavam no Ceará (97,8%) e Piauí (97,6%) e as menores, no Amapá (72,4%), Amazonas (77,8%) e Acre (79,5%).
A proporção de crianças com 4 anos de idade frequentando escola ou creche no Brasil era de 87,1%. Na comparação com países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil fica imediatamente abaixo da média de 88,0%, ocupando o 27º lugar entre 35 países, à frente de Chile, Finlândia e Estados Unidos, por exemplo.
Entre as crianças de 0 a 3 anos, 32,7% frequentavam escola ou creche em 2017. Para este grupo etário, a meta de frequência à escola ou creche é atingir os 50% até o ano de 2024. Em 2017, a Região Norte teve o menor percentual de frequência escolar nesse grupo etário, com 16,9%. As maiores taxas estavam no Sudeste (39,2%) e no Sul (40,0%). Amapá (6,2%), Amazonas (10,3%) e Acre (18,0%) tiveram os menores percentuais de frequência escolar. Os maiores foram apresentados por Santa Catarina (46,1%) e São Paulo (46,0%).
Acesso à escola ou creche é menor nas áreas rurais
A frequência escolar de crianças residentes em domicílios rurais era de 43,4%; a das residentes em domicílios urbanos era de 54,7%, em 2017. As disparidades em função do critério urbano/rural são ainda mais marcantes entre as crianças de 0 a 3 anos de idade: para domicílios urbanos a taxa foi de 35,4% e, para rurais, 18,3%, diferença de 17,1 p.p.
As crianças de 0 a 5 anos residentes em domicílios cujo nível de instrução do morador mais escolarizado era o fundamental incompleto ou equivalente foram as que menos frequentavam escola ou creche em 2017 (46,9%). Com a maior frequência escolar (62,2%) estavam as crianças em domicílios com, pelo menos, um morador com ensino superior completo.
Rede pública atende 74,1% da educação pré-escolar
Em 2017, 74,1% das crianças de 0 a 5 anos frequentavam escola ou creche da rede pública de ensino. Essa proporção aumenta à medida que cai a renda domiciliar per capita: o quinto com renda mais baixa concentra 92,9% de crianças na rede pública e o da mais alta, 25,1%.
A frequência à escola ou creche na rede privada prevaleceu entre as crianças de 0 a 5 anos residentes em domicílios com algum morador com ensino superior, com proporção de 62,9%. Entre os domicílios em que o morador mais escolarizado tem superior incompleto, 33,8% das crianças estão na rede privada. Quando a escolarização mais alta é o fundamental incompleto ou sem instrução, 96,2% estão na rede pública.
A proporção de matrículas por cotas triplicou nos últimos 7 anos
De 2009 a 2016 a proporção de matrículas por cotas no ensino superior público cresceu 3,5 vezes, passando de 1,5% para 5,2%. Nas instituições privadas, no mesmo período, a proporção de matrículas com PROUNI subiu 28,1%, passando de 5,7% para 7,3%. Logo, a rede pública foi a principal responsável pelo aumento de matrículas que adotaram critérios de democratização do acesso ao ensino superior previstos na meta 12 do Plano Nacional de Educação.
Em relação aos cursos de bacharelado (nível superior) presencial nas instituições públicas, houve aumento de 809 mil para 1,2 milhão no total de matrículas. Nas instituições privadas, no mesmo período, as matrículas nesses cursos subiram de 2,8 milhões para 3,9 milhões.
A proporção de alunos que frequentavam o bacharelado presencial nas instituições públicas por meio de cotas quadriplicou de 2009 a 2016, passando de 5,6% para 22,7%, atingindo 270,6 mil matrículas em 2017.
Do total de 2,84 milhões de matrículas no setor privado em cursos de bacharelado presenciais em 2009, 26,3% contavam com algum tipo de auxílio financeiro, seja por meio de financiamentos sem contração de dívida por parte do aluno, seja através de subsídios aos juros. Em 2016, mais da metade (52,0%) das 3,88 milhões de matrículas no setor privado nesses cursos se beneficiava de algum tipo de auxílio financeiro.
Taxa de ingresso no ensino superior da escola privada era 2,2 vezes a da pública
Em 2017, entre a população com ensino médio completo, apenas 43,2% entraram no ensino superior. Entre os que concluíram o nível médio na rede pública, 35,9% ingressaram no ensino superior, contra 79,2% dos que cursaram a rede privada. Assim, a taxa de ingresso no ensino superior dos alunos oriundos da escola privada era 2,2 vezes a dos que estudaram na rede pública.
A desigualdade de acesso ao ensino superior também se manifesta na análise por cor ou raça. Em 2017, 51,5% dos brancos com ensino médio completo foram para o ensino superior, enquanto 33,4% dos pretos e pardos nas mesmas condições tiveram acesso a esse nível. A taxa de ingresso dos brancos provenientes da rede pública foi de 42,7% e a dos pretos ou pardos dessa mesma rede, de 29,1%. A taxa de ingresso dos brancos provenientes do ensino médio privado foi de 81,9% e a dos pretos ou pardos, de 71,6%.
População ocupada diminui 1,1% nos últimos três anos
Entre 2012 e 2014, o número de trabalhadores no país aumentou 3,1%, para depois recuar 1,1% nos três anos seguintes. De 2012 a 2017, as quatro atividades que perderam trabalhadores foram Agropecuária (-15,9%), Administração pública (-12,14%), Indústria (-7,9%) e Construção (-6,4%). Já os Serviços domésticos (0,7%) percorreram uma trajetória inversa: redução de 2,9% até 2014 e elevação de 3,7% de 2014 a 2017.
De 2012 e a 2017, o rendimento médio habitual mensal da população ocupada cresceu 2,4%, em termos reais, passando de R$ 1.992 para R$ 2.039. Administração pública (14,6%), Agropecuária (11,9%) e Serviços domésticos (9,7%) foram as atividades que apresentaram maiores crescimentos. Por outro lado, Construção (-0,7%), Comércio e reparação (-7,1%) e Demais serviços (-3,8%) registraram quedas no rendimento médio.
Segundo a posição na ocupação, os Empregadores possuíam o rendimento médio mensal mais elevado (R$5.211) e o mais baixo, os Empregados sem carteira de trabalho assinada (R$1.158), que recebiam o equivalente a 56,8% do rendimento do Empregado com carteira (R$ 2.038).
Brancos ganhavam 72,5% mais que pretos ou pardos
Em 2017, os a população ocupada de cor branca (R$ 2.615) ganhava, em média, 72,5% mais que a preta ou parda (R$ 1.516) e os homens (R$ 2.261) recebiam 29,7% a mais que as mulheres (R$ 1.743).
O rendimento-hora dos brancos superava o dos pretos ou pardos em todos os níveis de escolaridade, e sendo a maior diferença no nível superior: R$ 31,9 por hora para os brancos contra R$ 22,3 por hora para pretos ou pardos.
Em 2017, os trabalhadores pretos ou pardos possuíam maior inserção em atividades com menores rendimentos médios: Agropecuárias (60,8%), Construção (63,0%) e Serviços domésticos (65,9%). Já os brancos tinham maior participação nas atividades de Educação, saúde e serviços sociais (51,7%).
Os rendimentos médios das pessoas ocupadas nas Regiões Norte e no Nordeste equivaliam, respectivamente, a 77,0% e 69,1% da média nacional. Os menores rendimentos médios eram do Maranhão (R$ 1.170), Piauí (R$ 1.233) e Alagoas (R$ 1.309), e os maiores, do Distrito Federal (R$ 3.805), São Paulo (R$ 2.609) e Santa Catarina (R$ 2.259).
Número de desocupados cresceu 6,2 milhões entre 2014 e 2017
A taxa de desocupação era de 6,9% em 2014 e subiu para 12,5% em 2017. Esse aumento equivale a 6,2 milhões de pessoas desocupadas a mais entre 2014 e 2017.
Nesse período, a taxa de desocupação cresceu em todas as regiões: no Norte, passou de 7,5% para 11,9%; no Nordeste, de 8,5% para 14,7%; no Sudeste, de 7,0% para 13,3%; no Sul, de 4,3% para 8,3% e no Centro-Oeste, de 6,0% para 10,5%.
A desocupação cresceu também em todos os grupos etários. Entre as pessoas com 14 a 29 anos de idade, a taxa era de 13,0% em 2014 e aumentou para 22,6% em 2017. Entre as pessoas com 60 anos ou mais de idade a taxa havia se mantido abaixo de 2,0% entre 2012 e 2014, mas ultrapassou pela primeira vez os 4,0% em 2017.
Ao longo de toda a série histórica, a taxa de desocupação da população preta ou parda foi maior do que a da população branca, tendo alcançado a maior diferença em 2017 (4,76 p.p.).
Mulheres são minoria entre os ocupados, mas predominam entre os subocupados
Em 2017, as mulheres representavam 43,4% da população ocupada, mas eram 53,6% da população subocupada por insuficiência de horas, ou seja, aqueles que trabalham menos de 40h semanais, e gostariam e estão disponíveis para trabalhar mais.
Outros grupos estavam em situação similar: os pretos ou pardos eram 53,2% dos ocupados, mas 65,4% dos subocupados; os trabalhadores de 14 a 29 anos eram 26,6% dos ocupados, mas 34,1% dos subocupados e os trabalhadores sem instrução ou com fundamental incompleto eram 27,6% dos ocupados e 37,7% dos subocupados.
Em 2017, dois em cada cinco trabalhadores do país eram informais
Em 2017, o trabalho informal alcançou 37,3 milhões de pessoas, o que representava 40,8% da população ocupada (ou dois em cada cinco trabalhadores). Esse contingente aumentou em 1,2 milhão desde 2014, quando representava 39,1% da população ocupada.
Entre 2015 e 2016, a proporção de trabalhadores informais permaneceu em torno de 39,0%. Já em 2017, o emprego formal continuou a cair e o número de postos informais aumentou. Assim, a proporção de informais subiu para 40,8%, com destaque para o crescimento das categorias dos empregados sem carteira assinada 13,0 milhões, em 2014, para 13,5 milhões, em 2017) e trabalhadores por conta própria não contribuintes (de 15,5 milhões, em 2014, para 16,1 milhões, em 2017).
Em 2017, a proporção de trabalhadores informais era de 59,5% na região Norte e 56,2% no Nordeste. Já no Sudeste e no Sul, as proporções eram de 33,8% e 29,1%, respectivamente.
Informalidade atinge mais de 2/3 dos Serviços domésticos e da Agropecuária
Em 2017, as atividades com as maiores proporções de trabalhadores informais eram os Serviços domésticos (70,1%) e a Agropecuária (68,5%), ou seja, mais de 2/3 do pessoal ocupado em cada atividade. Com exceção da Agropecuária, a proporção de trabalhadores informais cresceu em todas as outras atividades, de 2014 a 2017, com destaque para Construção (+4,7 p.p.), Indústria (+4,4 p.p.) e Demais serviços (+4,2 p.p.).
Em 2017, entre as mulheres, as taxas mais elevadas de informalidade eram nas atividades de Serviços domésticos (71,2%) e na Agropecuária (75,5%). Já o trabalho informal masculino predominava na Agropecuária (66,8%) e na Construção (63,7%).

A participação da população preta ou parda em trabalhos informais (46,9%) superava a dos trabalhadores brancos (33,7%). Entre os ocupados sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, a participação dos informais era de 60,8%, contra 19,9% para aqueles com ensino superior completo.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Indulging with myself: estatisticas de trabalhos produzidos e publicados, 1964-2014


Indulging with myself: estatísticas de trabalhos produzidos e publicados entre 1964 e 2014

Paulo Roberto de Almeida

Uma pequena digressão em torno das estatísticas de produção e de publicação de trabalhos, entre 1964 (o primeiro recuperado, embora não o primeiro elaborado) e 2014: são exatamente 50 anos dedicados a ler, anotar, refletir, escrever e publicar o que escrevo. A tabela, com os números consolidados ano a ano, e algumas médias calculadas ao final, pode ser vista neste link do Academia.edu: https://www.academia.edu/10801844/Estatisticas_de_Trabalhos_PRA_originais_e_publicados_1964-2014_. Devo ter começado a registrar meus trabalhos escritos, guardados e publicados, apenas depois de realizado o doutoramento, em 1984, quando tentei colocar em ordem (pela primeira vez, depois acho que desisti, mais ou menos) os papeis acumulados para a elaboração dos dois grossos volumes apresentados na Universidade de Bruxelas. Já prometi várias vezes que iria limpar a tralha, mas ainda não cumpri o prometido. Um dia, quem sabe...
Mudanças são ótimas oportunidades para se desfazer de papeis, mas na dúvida, ou seja, na hipótese de pretendermos usar aquele artigo copiado e não processado na devida forma para algum futuro trabalho, acabamos guardando e embalando de volta. Manias de leitor compulsivo e de escrevinhador inquieto com as devidas citações, sem dúvida. Mas o fato é que acabei consolidando uma primeira lista, feita em máquina de datilografia, e depois fui tentando manter ordem nessa bagunça, do contrário não me encontraria. Data dessa época a mania de colocar um número nos trabalhos finalizados, e apenas nos realmente finalizados, e, consequentemente, nos publicados. Segundo as pastas de papeis que ainda guardo, e as inúmeras pastas de working files que guardo no computador, desde que comecei a gravar e guardar arquivos eletrônicos, os papers disponíveis para reprocessamento são em número infinitamente maior do que os que foram registrados numericamente nestas duas listas; um dia prometo colocar ordem nessa outra bagunça, mas não sei quando esse dia vai chegar exatamente, pois as pastas continuam a aumentar de tamanho, e minha capacidade de processamento, et pour cause, não aumenta proporcionalmente.
Os interessados em saber quais são, exatamente, os trabalhos produzidos e publicados, podem se referir às dezenas de listas disponíveis em meu site pessoal, sob as rubricas de “Livros”, “Publicações” e “Trabalhos Originais”, listas que prometo melhorar a apresentação e corrigir eventuais links indisponíveis ou certas informações lacunares (ver em www.pralmeida.org).
O que figura na tabela estatística acima indicada são apenas alguns números consolidados, cuja informação relevante, como totalizações e média, já figura no final dessa tabela, mas que eu reproduzo aqui, com alguns comentários.
Entre 1964 (data simbólica, a mais de um título, quando de certa forma me dei conta, adolescente, de que o mundo e o Brasil eram um pouco mais complicados) e o final de 2014, são 50 anos de produção identificada, mas vários trabalhos originais (e um ou outro publicado) foram perdidos, no descuido da juventude, na saída (um pouco apressada) do Brasil, no final de 1970, no nomadismo europeu, com muitas mudanças de residência e poucas possibilidades de manter uma biblioteca organizada. Outros trabalhos, anteriores a 1964, e muitos outros intermediários até 1984, também se dispersaram na natureza, e entre esses figuram vários trabalhos tipicamente acadêmicos, que não deveriam, a rigor, contar para fins dos trabalhos escritos voluntariamente.
Considerando, portanto, unicamente aqueles que elaborei de forma sistemática ou metódica, registrei nessas listas 2.740 trabalhos originais, o que poderia fazer uma média de 54,8 trabalhos por ano, se ela não fosse relativamente enganosa pela escassez de produção registrada numa fase em que sequer de máquina de escrever eu dispunha. Nesses primeiros anos de vida estudantil, as ferramentas de trabalho eram aquelas disponíveis nos locais de trabalho, nas bibliotecas públicas, ou empréstimos de amigos. Em algum momento devo ter adquirido uma máquina de escrever pessoal, mas não consigo me lembrar absolutamente de quando ou onde, e o mais provável é que não tivesse meios de fazê-lo. A primeira máquina portátil de que me lembro foi uma de presente, que ganhei de um economista francês, socialista, trabalhando nas Comissões Europeias em torno de 1976, antes portanto de terminar o mestrado. Serviu-me para isso e depois levei ao Brasil de volta, em 1977. O teclado francês é aquele do azerty...
Para o doutoramento, já burguês quase convertido, adquiri uma IBM elétrica, de esferas, uma fortuna na Suíça, no início dos anos 1980, mas que me serviu durante anos, até praticamente o segundo ou terceiro computador, no final dessa década. Foi na volta do doutorado, em 1984, que comecei, portanto, a registrar linearmente (embora com várias lacunas no meio) todos os trabalhos produzidos, e os publicados, duas listas paralelas que se vinculam reciprocamente. Quais são os números, portanto?
São, então, 2.740 trabalhos originais, num total de 47.483 páginas escritas, o que representa 949 páginas por ano, e cerca de 70 trabalhos por mês. Na média são 17,3 páginas por trabalho, o que faz, digamos, um típico trabalho acadêmico. Se formos dividir essa maçaroca no inteiro período, seriam 2,6 páginas escritas por dia, todos os dias, mas não creio que seja uma média fiável para a produção verdadeiramente relevante. Se considerarmos o ano do doutoramento (incluído, portanto), a partir de 1984, o número de páginas produzidas representaria um volume de 46.247, ou 1.541 páginas por ano, ou 128,4 por mês, ou perto de 4,2 páginas por dia, o que aumenta, nesses 30 anos, a média anterior. O número de páginas por trabalho, que no total chegam a 2.657, permanece, no entanto, relativamente similar, de 17,4 páginas cada.
No que se refere aos trabalhos publicados, eles são em número de 1.160 para todo o período, ou cerca de 23,2 trabalhos por ano, ou quase dois trabalhos por mês publicados, com um total de 35.869 páginas publicadas; isso dá uma média de 717,4 páginas por ano, e de 30,9 páginas por trabalho publicado.
Mas, neste caso também existem grandes decalagens ao início, quando o número de trabalhos publicados é extremamente diminuto: apenas 17 (e deixo de lado algumas pequenas diversões estudantis, entre elas resenhas de livros, publicadas em pasquins de escolas e colégios). Portanto, se adotarmos o ano de 1984 (término do doutoramento) como ponto de partida, isso também aumenta significativamente a média da produção de trabalhos publicados a cada ano. Seriam 38 trabalhos publicados cada ano, ou mais de 3 por mês, nos mais diversos meios. Essas estatísticas são enganosas, pois há muita duplicação, voluntária e involuntária, permitida pelas ferramentas de comunicação que foram surgindo no período recente, e até publicações indesejadas, ou seja, reproduzidas em boletins e apenas detectadas a posteriori (é possível até que outros trabalhos tenham sido publicados sem que eu saiba, como uma pesquisa na internet poderia revelar).
Vou separar, quando tiver tempo, as publicações “científicas” – ou seja, as que passaram por algum processo de avaliação – daquelas meramente de ocasião, o que está parcialmente realizado na minha página do Academia.edu, à qual remeto para fins de verificação dessas listas: https://uniceub.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida. A maior parte dos trabalhos também está aí disponível, ou então em minha página. Não tenho nada a esconder em termos de produção intelectual, nem nada a apagar...
Feito em Hartford, em 15 de fevereiro de 2015.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

E agora, um pouco do mundo real: queda economica em todos os setores...

Síntese dos dados do IBGE, pelo economista Ricardo Bergamini:

Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Brasil – Fonte IBGE
Base: Agosto de 2014

Produção industrial cresce 0,7% em agosto
Agosto 2014 / Julho 2014: 0,7%
Agosto 2014 / Agosto 2013: -5,4%
Acumulado em 2014: -3,1%
Acumulado em 12 meses: -1,8%
Média móvel trimestral: -0,1%

Em agosto de 2014, a produção industrial nacional avançou 0,7% frente ao mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, após também crescer 0,7% em julho, quando interrompeu quatro meses seguidos de resultados negativos, período em que acumulou perda de 3,4%. Na série sem ajuste sazonal, no confronto com igual mês do ano anterior, o total da indústria apontou redução de 5,4% em agosto de 2014, sexta taxa negativa consecutiva nesse tipo de comparação. Assim, o setor industrial acumulou queda de 3,1% nos oito meses do ano, intensificando, portanto, o recuo de 2,6% registrado no primeiro semestre de 2014. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses, com o recuo de 1,8% em agosto de 2014, manteve a trajetória descendente iniciada em março último (2,0%) e assinalou o resultado negativo mais intenso desde dezembro de 2012 (-2,3%).

O setor industrial, em agosto de 2014, permanece com o quadro de ligeira melhora no ritmo produtivo, ao marcar o segundo avanço seguido que interrompeu quatro meses consecutivos de queda na produção. Vale destacar que com o resultado positivo desse mês, o total da indústria recuperou apenas parte da perda de 3,4% acumulada entre março e junho e ficou 6,2% abaixo do nível recorde alcançado em junho de 2013. Ainda na série com ajuste sazonal, os sinais de menor dinamismo da atividade industrial nos últimos meses também ficaram evidenciados na evolução do índice de média móvel trimestral, que embora tenha reduzido o ritmo de queda frente aos meses anteriores, manteve a trajetória descendente iniciada em março último.

14 dos 24 ramos investigados registram crescimento em agosto contra julho

O crescimento de 0,7% da atividade industrial na passagem de julho para agosto teve predomínio de índices positivos, alcançando 14 dos 24 ramos pesquisados, com destaque para o avanço de 2,4% registrado porindústrias extrativas, que apontou o sexto resultado positivo consecutivo, acumulando nesse período expansão de 7,3%. Outras contribuições positivas importantes sobre o total da indústria vieram dos setores de máquinas e equipamentos (3,9%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,5%), de produtos alimentícios (1,1%), de produtos de borracha e material plástico (4,1%), de produtos do fumo (15,4%) e deprodutos de metal (2,7%). Por outro lado, entre os dez ramos que reduziram a produção nesse mês, os desempenhos de maior importância para a média global foram assinalados por bebidas (-6,1%), perfumaria, sabões, detergentes e produtos de limpeza (-4,2%), produtos farmacêuticos e farmoquímicos (-7,4%), veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,5%) e outros equipamentos de transporte (-6,9%). Vale ressaltar que, com exceção do primeiro setor, que mostrou taxa negativa pelo segundo mês seguido e acumulou perda de 8,6% nesse período, as demais atividades apontaram resultados positivos em julho último: 2,8%, 4,1%, 8,4% e 31,0%, respectivamente.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda na comparação com o mês imediatamente anterior, somente bens intermediários (1,1%) assinalou avanço na produção nesse mês e interrompeu quatro meses consecutivos de taxas negativas nesse tipo de confronto, período em que acumulou recuo de 1,4%. O segmento de bens de capital (0,0%) repetiu o patamar registrado no mês anterior, após apontar expansão de 15,0% em julho último, quando reverteu quatro meses seguidos de queda na produção, com perda acumulada de 19,4% nesse período. Os setores produtores de bens de consumo duráveis (-3,0%) e de bens de consumo semi e não-duráveis(-0,8%) mostraram as taxas negativas nesse mês, com o primeiro voltando a recuar após crescer 26,3% no mês anterior, e o segundo eliminando o crescimento de 0,6% verificado em julho.

Média móvel trimestral tem variação negativa (-0,1%)

Ainda na série com ajuste sazonal, a evolução do índice de média móvel trimestral para o total da indústria mostrou variação negativa de 0,1% no trimestre encerrado em agosto frente ao nível do mês anterior, após também registrar resultados negativos em abril (-0,3%), maio (-0,6%), junho (-1,0%) e julho (-0,6%). Entre as grandes categorias econômicas, ainda em relação ao movimento deste índice na margem, bens de consumo duráveis (-2,3%) assinalou a redução mais acentuada em agosto e manteve a trajetória descendente iniciada em março último. O setor produtor de bens de consumo semi e não duráveis (-0,6%) também apontou taxa negativa nesse mês, após ficar praticamente estável nos dois últimos meses. Por outro lado, os segmentos debens intermediários e de bens de capital, ambos com variação de 0,2%, registraram os resultados positivos em agosto, com o primeiro revertendo o comportamento negativo iniciado em maio; e o segundo interrompendo quatro meses seguidos de queda nesse tipo de indicador.

Na comparação com agosto de 2013, produção industrial cai (-5,4%)

Na comparação com igual mês do ano anterior, o setor industrial mostrou queda de 5,4% em agosto de 2014, com perfil disseminado de resultados negativos, já que as quatro grandes categorias econômicas e a maior parte (21) dos 26 ramos apontaram redução na produção. Vale citar que agosto de 2014 (21 dias) teve um dia útil a menos do que igual mês do ano anterior (22). Entre as atividades, a de veículos automotores, reboques e carrocerias, que recuou 25,6%, exerceu a maior influência negativa na formação da média da indústria, pressionada em grande parte pela menor fabricação de automóveis, caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques e autopeças. Outras contribuições negativas relevantes sobre o total nacional vieram deprodutos alimentícios (-4,0%), de metalurgia (-11,2%), de produtos de metal (-12,0%), de máquinas e equipamentos (-6,6%), de outros produtos químicos (-5,7%), de produtos de borracha e de material plástico(-8,5%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-9,4%), de material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-9,3%) e de bebidas (-6,6%). Em termos de produtos, as pressões negativas mais importantes nesses ramos foram, respectivamente, açúcar cristal e VHP, sorvetes, picolés, carnes de bovinos congeladas, frescas ou refrigeradas e carnes de aves congeladas; artefatos e peças diversas de ferro fundido, barras de aços ao carbono, bobinas a frio de aços ao carbono, chapas, bobinas, fitas e tiras de aço relaminadas, tubos flexíveis e trefilados de ferro e aço, bobinas ou chapas de aços zincadas e de outras ligas de aço e tubos, canos ou perfis ocos de aços sem costura; estruturas de ferro e aço, parafusos, ganchos, pinos ou porcas de ferro e aço, esquadrias de ferro e aço, torres e pórticos de ferro e aço, construções pré-fabricadas de metal, artefatos diversos de ferro e aço estampado e pontes e elementos de pontes de ferro e aço; máquinas para colheita, motoniveladores, válvulas, torneiras e registros, guindastes, pontes e vigas rolantes, pórticos, pontes-guindastes e carros-pórticos, carregadoras-transportadoras, empilhadeiras propulsoras, rolamentos de esferas, agulhas e cilindros para equipamentos industriais e retroescavadeiras;tintas e vernizes para usos em geral, herbicidas e fungicidas para uso na agricultura; peças e acessórios de plástico para indústria automobilística, pneus, juntas, gaxetas e semelhantes de borracha vulcanizada não endurecida, garrafas, garrafões, frascos e artigos semelhantes de plástico e filmes de material plástico (inclusive BOPP) para embalagem; fios, cabos e condutores elétricos com capa isolante, motores elétricos de corrente alternada ou contínua, grupos eletrogêneos, interruptores, seccionadores e comutadores para tensão menor ou igual a 1kv, eletroportáteis domésticos, aparelhos elétricos de alarme para proteção e fogões de cozinha para uso doméstico; televisores, transmissores e receptores de telefonia celular, rádios para veículos automotores, placas de circuito impresso para informática, telefones celulares, computadores pessoais de mesa (desktops) e relógios; e refrigerantes, cervejas, chope e preparações em xarope para elaboração de bebidas para fins industriais. Por outro lado, ainda na comparação com agosto de 2013, entre as cinco atividades que aumentaram a produção, os principais impactos foram observados em indústrias extrativas(7,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (5,3%) e produtos de fumo (34,6%), impulsionados, em grande parte, pelos avanços nos itens minérios de ferro pelotizados, óleos brutos de petróleo e minérios de ferro em bruto, no primeiro ramo, óleos combustíveis, querosenes de aviação e álcool etílico, no segundo, e fumo processado industrialmente, no último.

Ainda no confronto com igual mês do ano anterior, bens de consumo duráveis (-17,9%) e bens de capital(-13,4%) assinalaram, em agosto de 2014, as quedas mais acentuadas entre as grandes categorias econômicas. Os segmentos de bens intermediários (-3,3%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (-3,1%) registraram os demais resultados negativos nesse mês, com ambos recuando com intensidade menor do que a média nacional (-5,4%).

O segmento de bens de consumo duráveis recuou 17,9% no índice mensal de agosto de 2014, sexta taxa negativa consecutiva nesse tipo de confronto e mais intensa do que a observada no mês anterior (-13,7%). Nesse mês, o setor foi particularmente pressionado pela menor fabricação de automóveis (-25,0%), ainda influenciado por reduções de jornadas de trabalho e pela concessão de férias coletivas em várias unidades produtivas. Outros impactos negativos importantes vieram de motocicletas (-18,3%), de eletrodomésticos da “linha marrom” (-21,0%), por conta da menor produção de televisores, de eletrodomésticos da “linha branca”(-5,4%), de outros eletrodomésticos (-9,9%) e de móveis (-14,7%).

O setor produtor de bens de capital, ao recuar 13,4% em agosto de 2014, também assinalou o sexto resultado negativo consecutivo no índice mensal e com queda mais intensa do que a verificada no mês anterior (-8,2%). Na formação do índice desse mês, o segmento foi influenciado pelo recuo observado na maior parte dos seus grupamentos, com claro destaque para a redução de 22,3% de bens de capital para equipamentos de transporte, pressionado principalmente pela menor fabricação de caminhões, de caminhão-trator para reboques e semirreboques, de reboques e semirreboques e de veículos para transporte de mercadorias. As demais taxas negativas foram registradas por bens de capital para construção (-22,9%), agrícola (-13,0%) e para finsindustriais (-1,2%), enquanto bens de capital para energia elétrica (6,3%) e de uso misto (1,7%) apontaram os resultados positivos em agosto de 2014.

A queda na produção de bens intermediários (-3,3%), que apontou o sexto resultado negativo consecutivo na comparação com igual mês do ano anterior, foi explicada principalmente pelos recuos nos produtos associados às atividades de veículos automotores, reboques e carrocerias (-25,1%), metalurgia (-11,2%), produtos de metal(-13,6%), outros produtos químicos (-5,6%), produtos de borracha e de material plástico (-8,8%), produtos alimentícios (-4,3%), produtos de minerais não-metálicos (-3,5%) e produtos têxteis (-5,5%), enquanto as pressões positivas foram assinaladas por indústrias extrativas (7,6%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,3%), máquinas e equipamentos (4,9%) e celulose, papel e produtos de papel (1,3%). Ainda nessa categoria, vale citar também os resultados negativos registrados pelos grupamentos de insumos para construção civil (-7,2%), que registrou a sexta queda consecutiva nesse tipo de comparação, e de embalagens(-2,3%), após também recuar em junho (-3,6%) e julho (-2,6%) últimos.

Ainda no confronto com igual mês do ano anterior, o segmento de bens de consumo semi e não-duráveis, ao recuar 3,1% em agosto de 2014, reverteu o avanço de 0,6% assinalado em julho último. O desempenho nesse mês foi influenciado em grande parte pelos recuos vindos dos grupamentos de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (-4,2%), de semiduráveis (-7,1%) e de não-duráveis (-1,2%), pressionados principalmente pela menor fabricação de sorvetes, picolés, refrigerantes, carnes de bovinos congeladas, frescas ou refrigeradas, cervejas, chope, carnes e miudezas de aves congeladas, biscoitos e bolachas, no primeiro subsetor, camisetas de malha, calças compridas de uso feminino, telefones celulares, camisas e blusas, exceto de malha, de uso feminino, calçados de material sintético e de couro de uso feminino, no segundo, e demedicamentos e livros, no último. Por outro lado, o grupamento de carburantes (3,2%) assinalou o único resultado positivo nesse mês, impulsionado pelo avanço na produção de álcool etílico e de gasolina automotiva.

No acumulado em 2014, produção industrial cai (-3,1%)

No índice acumulado para os oito meses de 2014, frente a igual período do ano anterior, o setor industrial mostrou queda de 3,1%, com perfil disseminado de taxas negativas, alcançando três das quatro grandes categorias econômicas, 18 das 26 atividades, 56 dos 79 grupos e 64,3% dos 805 produtos investigados. O principal impacto negativo foi observado no ramo de veículos automotores, reboques e carrocerias (-18,8%), pressionado, em grande parte, pela redução na produção de aproximadamente 94% dos produtos investigados no setor, com destaque para os recuos registrados por automóveis, caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, veículos para transporte de mercadorias e autopeças. Outras contribuições negativas relevantes sobre o total nacional vieram dos setores de produtos de metal (-11,0%), de metalurgia (-6,6%), demáquinas e equipamentos (-5,6%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-8,1%), de outros produtos químicos (-3,8%) e de produtos de borracha e de material plástico (-4,4%). Em termos de produtos, as influências negativas mais importantes nesses ramos foram, respectivamente, estruturas de ferro e aço, artefatos diversos de ferro e aço estampado, esquadrias de ferro e aço, construções pré-fabricadas de metal, pontes e elementos de pontes de ferro e aço, parafusos, ganchos, pinos ou porcas de ferro e aço e andaimes tubulares e material para andaimes; artefatos e peças diversas de ferro fundido, bobinas ou chapas de outras ligas de aço, chapas, bobinas, fitas e tiras de aço relaminadas, tubos flexíveis e trefilados de ferro e aço e tubos de aços com costura; válvulas, torneiras e registros, tratores agrícolas, guindastes, pontes e vigas rolantes, pórticos, pontes-guindastes e carros-pórticos, retroescavadeiras, rolamentos de esferas, agulhas e cilindros para equipamentos industriais e máquinas para colheita; fios, cabos e condutores elétricos com capa isolante, interruptores, seccionadores e comutadores para tensão menor ou igual a 1kv, motores elétricos de corrente alternada ou contínua, aparelhos elétricos de alarme para proteção, eletroportáteis domésticos, máquinas de lavar ou secar roupas e refrigeradores ou congeladores para uso doméstico; fungicidas para uso na agricultura, tintas e vernizes para usos em geral e para construção, propeno não-saturado, éteres e peróxidos orgânicos, benzeno, aditivos para óleos lubrificantes e etileno não-saturado; e peças e acessórios de plástico e de borracha para indústria automobilística, borracha misturada não vulcanizada em formas primárias, juntas, gaxetas e semelhantes de borracha vulcanizada não endurecida, cartuchos de plástico para embalagem, filmes de material plástico (inclusive BOPP) para embalagem e garrafas, garrafões, frascos e artigos semelhantes de plástico. Por outro lado, entre as oito atividades que ampliaram a produção, as principais influências foram observadas em indústrias extrativas (4,9%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,3%), produtos farmacêuticos e farmoquímicos (5,6%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (4,8%) e produtos alimentícios (0,8%), impulsionadas, em grande parte, pelo crescimento na produção de minérios de ferro em bruto ou beneficiado e pelotizados, na primeira, de óleos combustíveis, álcool etílico, asfalto de petróleo, querosene para aviação e gasolina automotiva, na segunda, demedicamentos, na terceira, de televisores, aparelhos de comutação para telefonia, monitores de vídeo e gravador ou reprodutor de sinais de áudio e vídeo (DVD e home theater), na quarta, e de açúcar cristal, na última.

Entre as grandes categorias econômicas, o perfil dos resultados para o índice acumulado nos oito meses de 2014 mostrou menor dinamismo para bens de consumo duráveis (-10,3%) e bens de capital (-8,8%), pressionadas especialmente pela redução na fabricação de automóveis (-18,6%), na primeira, e de bens de capital para equipamentos de transporte (-16,9%), na segunda. O segmento de bens intermediários (-2,6%) também assinalou resultado negativo no índice acumulado no ano, mas com queda menos intensa do que a observada na média nacional (-3,1%). Por outro lado, o setor produtor de bens de consumo semi e não-duráveis(0,0%) foi o único que não apontou taxa negativa.

Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.

Ricardo Bergamini
http://www.ricardobergamini.com.br

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Pequenas estatisticas da produtividade escrevinhadora - Paulo Roberto de Almeida

Aproveitei um recesso de final de ano, e os dias de neve na Nova Inglaterra, que incitam a ficar em casa, entre livros e vinhos, para tentar colocar em ordem minhas listas de trabalhos, originais e publicados. Não é tarefa fácil, por diversos motivos, inclusive porque existem algumas repetições, mas também vários trabalhos não contados, por diferentes motivos (e isso não tem nada a ver com os não terminados, que pertencem a outra categoria).
Cada vez que termino um trabalho, ou seja que o considero acabado, com ponto final, quer seja para publicação ou não, ele leva um número, sequencial, linear, incontornável.
A lista dos publicados é outra, obviamente bem menor, e ainda assim difícil de ser estabelecida, pois nem sempre sou comunicado, ou recebo, exemplares ou links de trabalhos meus publicados (apenas os que sei, porque de vez em quando acabo achando um ou outro publicado sem minha autorização, em algum blog com certas motivações inescrutáveis).
Em todo caso, juntando tudo, mas ainda sujeito a revisão e contagem das páginas de forma mais exata, tenho aqui uma pequena estatística de tudo o que produzi desde que me conheço por escrevinhador, o que já faz quase meio século (é, o tempo passa...).

Tudo o que já escrevi, ou quase, está relacionado em meu site (www.pralmeida.org), mas preciso reformular algumas listas de trabalhos, que conservam pequenos erros de registro.

Cheguei ao final de 2013 com o trabalho de número 2.550, sendo que no ano passado produzi 92 trabalhos (mais de sete trabalhos por mês, num total de 831 páginas, ou mais de duas páginas escritas em cada dia do ano).
Publiquei 32 trabalhos neste ano (mais de 2 por mês), sendo estes discriminado em capítulos de livros (mais de dez no total), um livro inteiro, e o resto sendo sob a forma de artigos, tendo chegado à publicação de número 1.118.
Numa aproximação grosseira de tudo o que já escrevi, em 45 anos de atividades ininterruptas no contato com o papel e agora com o teclado, consegui contar quase 45 mil páginas, ou cerca de 996 por ano, o que faz uma média de 83 páginas escritas por mês e quase três por dia. Nunca encontrei outro louco desse tipo, mas deve existir.
Parece que Honoré Balzac, Agatha Christie, Isaac Asimov e Georges Simenon também tinham a mesma compulsão pela escrita, mas eles ficaram famosos, por escrever para o grande público. Eu que só escrevo para colegas de academia, permaneço em relativa obscuridade. É o que dá essa formação de sociólogo. Se eu fosse um novelista, provavelmente já teria ficado rico com tudo o que já escrevi (se interessasse ao público, evidentemente).
Vou pensar em mudar de profissão...
Paulo Roberto de Almeida
Hartford, 6 de janeiro de 2014.

sábado, 20 de abril de 2013

Mentiras oficiais, verdades oficialescas - Jose Roberto Guzzo


J. R. GUZZO
Revista Veja, 20/04/2013

O governo brasileiro viciou-se em confundir estatísticas com realidades. Está escrito em algum papel oficial? Então é verdade. Como fomos todos informados pela presidente Dilma Rousseff, não há mais miseráveis no Brasil desde o dia 31 de março, quando foi riscado do cadastro federal o nome do último cidadão brasileiro com renda inferior a 70 reais por mês. A partir daí, quem ganha 71 mensais deixou de ser miserável, pois para a ciência estatística a miséria acaba naqueles 70 reaizinhos — ou cerca de 1,25 dólar por dia, pela média dos critérios internacionais. Daí para a frente o sujeito é promovido a pobre e deixa de incomodar tanto.
“O cadastro foi zerado”, anunciou Dilma. Conclusão: como não existem mais nomes no cadastro, não existem mais miseráveis no Brasil. Ah, sim, ainda há um probleminha com gente que ganha menos de 70 reais por mês e que não estava inscrita na lista oficial; é mera questão de tempo até o governo encontrar todo mundo, dar um dinheirinho a mais para eles e acabar não apenas com a “miséria cadastrada”, como falam os técnicos do Palácio do Planalto, mas com o problema inteiro.
Nada disso faz nexo no mundo do bom-senso, mas o governo tomou-se dependente de um outro vício — massagear números aqui e ali e fazer uso deles para tratar como retardado mental todo brasileiro que foi à escola, prestou um pouco de atenção às aulas e acabou aprendendo alguma coisa. O problema de meter-se por essa trilha é que, com frequência, os especialistas em fazer mágicas aritméticas têm de experimentar o próprio veneno. Acaba de acontecer, mais uma vez, com as últimas cifras da ONU sobre o índice de Desenvolvimento Humano em 187 países — uma medida que informa o nível de bem-estar da população, e não da “economia”. em termos de vida saudável, acesso ao conhecimento e padrão de vida decente, traduzido em dinheiro no bolso do povo.
O Brasil pegou o 85° lugar em 2013, dezesseis postos abaixo do Cazaquistão e outras potências do mesmo quilate. Não é um desastre. É apenas aquilo que realmente somos — a mediocridade em estado puro. Só na América Latina, ficamos atrás de Argentina, Chile, Uruguai. Cuba, Panamá. México, Venezuela e Peru, com a Colômbia prometendo passar à frente já no próximo levantamento. Sobra o quê, aqui em volta? Só os casos de subdesenvolvimento que já estão num leito de UTI.
A coisa não para aí. Já que o negócio é ficar refogando números, como a presidente Dilma tanto gosta, por que não servir a salada inteira? Em 1980, mais de vinte anos antes de o ex-presidente Lula decidir que o Brasil tinha sido inventado por ele, o IDH brasileiro era de 522, numa escala que começa no zero e chega ao máximo de 1000; subiu sem parar nesse tempo todo, chegando a quase 700, ou perto de 35% a mais, no Ano I da Nova História do Brasil — 2003 —, quando Lula começou sua primeira Presidência.
Nestes dez anos de Lula, Dilma e PT, o índice foi para os 730 onde está hoje. Mais: durante os dois anos do governo Dilma, o IDH brasileiro ficou perto do nível de pressão zero por zero. com crescimento praticamente nulo. O que toda essa tabuada está dizendo, no mundo das coisas reais, é o contrário do que diz o mundo da propaganda oficial: com a sexta ou sétima maior economia do mundo em volume, o Brasil simplesmente não consegue repassar o bem-estar dessa grandeza, nem de longe, para os brasileiros que a constroem.
O governo, assim que recebeu os últimos números, entrou no seu modo habitual de indignação automática: a ONU está errada, as cifras são injustas etc. Quer que a população acredite na demência segundo a qual um cidadão que ganha 71 reais por mês não é mais miserável; ao mesmo tempo, não quer que acredite nos números da ONU. Mais que tudo. ignora o fato de que “a revolução na renda” registrada nos governos petistas. e patenteada como invenção pessoal e exclusiva de Lula, é uma mentira: o mundo inteiro, mesmo nos casos mais desesperados da África, viveu uma rápida e inédita redução da pobreza durante os dez anos de governo lulista.
De 2000 para cá, 70 milhões de pessoas saem da miséria a cada ano pelo mundo afora. Em apenas seis anos, de 2005 a 2011, a pobreza mundial foi reduzida em meio bilhão de seres humanos. Desde 2003, os países pobres vêm aumentando em 5% ao ano, em média, a sua renda per capita. De onde Lula e Dilma foram tirar a lenda segundo a qual fizeram o que ninguém jamais havia feito? Vá com calma ao mexer em estatísticas, presidente. É um produto que pode ter efeitos colaterais indesejáveis.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Esquizofrenia estatistica: duro de falar a verdade...

Ele poderia se refugiar na Argentina, por exemplo, onde parece não haver problema nenhum em manipular estatísticas...
Paulo Roberto de Almeida

Prosecuting the Messenger: Chief Greek Statistician Threatened with Jail

By Georgios Christidis in Athens
Greece is going after the messenger.Zoom
AP
Greece is going after the messenger.
He was hired to bring Greece's debt statistics in line with European norms. Now, chief statistician Andreas Georgiou faces jail time for allegedly producing inflated sovereign debt numbers. He says he was merely being honest, and he has plenty of support in Europe.
The hour was late, but Andreas Georgiou was still at his office last Friday evening. He sounded calm and poised, certain that he had done his duty. But Georgiou, 53, also sounded dumbfounded. "It strikes me as odd," he says, "that we are being prosecuted in a European Union member state for actually following European law."
Der Spiegel, February 12, 2013
When Georgiou decided in the summer of 2010 to take over leadership of the revamped, newly independent Greek statistics service ELSTAT, he never imagined that the position could land him a jail sentence. But at the end of January, felony charges were filed against Georgiou and two senior ELSTAT staffers for allegedly inflating the 2009 deficit. In other words, at a time when the rest of the world was furious that Greece had artificially improved the country's budget statistics, Greek prosecutors are accusing Georgiou of doing the opposite. Prosecutors acted after a 15-month investigation into allegations made by a former ELSTAT board member. If found guilty, Georgiou faces five to 10 years in prison. At stake in the ELSTAT case is more than the credibility of a senior statistician, one who previously worked for 20 years at the International Monetary Fund. The entire bailout of Greece was based on the numbers provided by ELSTAT on the deficit figures for 2009 onwards. ny deal with the troika might unravel were the foundation of the agreement to be suddenly altered.
ELSTAT head Andreas Georgiou: "Sticking to the truth."Zoom
AP
ELSTAT head Andreas Georgiou: "Sticking to the truth."
The ELSTAT affair also tests the cohesion of the already fragmented three-party coalition government, made up of the conservative party New Democracy and its junior partners PASOK and Dimar. Several New Democracy parliamentarians blame Georgiou and their former PASOK adversaries for falsifying the data in an attempt to place all the blame for the Greek economy's maladies on the New Democracy-led government of Kostas Karamanlis, who led Greece from 2005 to 2009. Simply Overzealous?
But what would Georgiou have to gain by deliberately making the Greek economy look to be in even worse shape than it actually was? Georgiou's detractors have a number of theories. Some say he was simply overzealous. University of Athens economics professor Yanis Varoufakis, for example, argues that: "When the whole world assumes that Greek statistics are always going to under-estimate the budget deficit, changing this reputation and impressing the world that things have changed meant one thing: getting it right or, since statistics can never be precisely right, issuing predictions that err on the side of over-estimation."
That, though, is the most generous of the explanations currently circulating in Athens. Some argue that the technocrat Georgiou was serving his former superiors at the IMF and the European statistics agency Eurostat, which is led by a German. This theory holds that Greece was to be brought to its knees by imposing harsh austerity measures based on bloated deficit figures.
There is also no love lost between Georgiou and ELSTAT employees, with the union representing those workers having waged war against him almost from the start. It is telling that the union greeted the prosecution announcement with hardly concealed joy. "There is a moral obligation to remove ELSTAT's chairman until there is a final ruling," the union said. "It is beyond belief that ELSTAT should be led by a man of our creditors."
Many say the charges against Georgiou are over the top, if not outright fabricated. Miranda Xafa, CEO of E.F. Consulting and a former member of the IMF executive board, told SPIEGEL ONLINE that "the investigation is motivated by a desire to blame the Greek debt crisis on external factors, such as speculators, bankers or austerity imposed by (German Chancellor Angela) Merkel and the IMF. Instead of investigating whether the Greek government understated the deficit before the crisis, they are investigating whether it overstated the deficit after the crisis!"
A Witch Hunt
Even prominent opponents of policies pursued by Greece's creditors, like professor Varoufakis, believe this is a witch hunt. Georgiou's prosecution, he wrote in his blog, is an attempt to pacify the anger of government supporters with the ongoing austerity-driven economic problems "while staying the course with the same austerity policies that the Papandreou government first implemented three years ago."
Mr. Georgiou's line of defense is that most of the revisions that corrected the budget deficit from a projected 6 percent of gross domestic product in 2009 to a whopping 15.4 percent 12 months later were undertaken during the PASOK-led government of Georgios Papandreou. They also took place before Georgiou had taken up his post. Furthermore, Greece had already agreed on a bailout with its euro-zone partners and with the IMF before he took over the reins at ELSTAT. Under his leadership, the deficit only rose from 13.6 to 15.4 percent, a substantial revision to be sure, but irrelevant to Greece's bailout.
Xafa says that all Georgiou did when he took over as head of the Greek statistical service was to comply with EU rules. She notes that nearly half of the revisions undertaken under Georgiou's watch were the result of adding loss-making entities such as rail, public transport, defense and other sectors to the government books. "These losses were real and had to be financed, whether they were included in the deficit" or not, she says.
Georgiou himself feels that, if he is guilty of anything, it is for breaking with tradition and bringing the infamously dodgy Greek public finance records in line with EU standards. "Since taking up my post two-and-a-half years ago, the biannual publications of government deficit and debt statistics of the Greek statistics office have been accepted without any reservation by Eurostat," he told SPIEGEL ONLINE. "All my energy is focused on preserving and extending this unprecedented track record for Greece with the upcoming release of public finance statistics in April."
'Sticking to the Truth'
Georgiou has also received support from his European colleagues. When word got out about the prosecution, Eurostat expressed its "deep concern" about developments in Greece, while confirming that ELSTAT's numbers under Georgiou's watch have been impeccable. In a statement released on January 23, the German head of Eurostat Walter Radermacher wrote: "As we all know, the independence of a statistical office is crucial for the credibility of its statistics and, in this difficult situation, Mr. Georgiou retains my full confidence." The ELSTAT head is also supported by the Finance Ministry. According to a senior ministry staffer, the government accepts the 2009 numbers and has no intention of getting rid of Georgiou. Technically, firing him wouldn't be possible anyway; the independent ELSTAT is under the purview of parliament. Prior to the redesign of ELSTAT, the Finance Ministry had the final work on the public finance figures reported to Eurostat. The resulting political influence, as is by now well known, was detrimental.
Georgiou is painted by his critics almost as a traitor. According to ELSTAT unionists, "the national statistics agency is an indivisible part of our country's national sovereignty." Georgiou says he has heard the accusation before. And his response is always the same: "There is only one way to serve the public interest," he says. "By sticking to the truth."

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

FMI-Argentina: me engana que eu NAO gosto...

Estadísticas tramposas
El FMI censura al Gobierno de Cristina Fernández por falsear datos económicos relevantes
EL PAÍS, 6 Febrero 2013

El Gobierno de Cristina Fernández ha reaccionado mal al ser acusado por el Fondo Monetario Internacional de falsificar estadísticas de precios. Oficialmente la inflación alcanzó en Argentina el 10,8% en 2012, menos de la mitad del 25% que estiman los expertos. Tras la acusación, el Gobierno optó por negarlo. Después minimizó la falsedad, generalizándola a todos los países, incluido EE UU. Al final se decantó sin mayores explicaciones por el control de precios alimentarios, presentado como un mero acuerdo con las cadenas de supermercados.

El engaño viene de lejos. Lo denunció hace ya un lustro un economista ahora convertido en influyente ministro. También lo delataron los propios funcionarios encargados de elaborar los datos. Trece de ellos fueron despedidos. Y en consonancia, el kirchnerismo prohibió, bajo multa de 100.000 euros, que las consultoras publicaran sus estimaciones independientes. Si la realidad molesta, basta con borrarla.

Hasta ahora el asunto no causaba mayores problemas. Pero la caída del crecimiento económico, del 7% al 2%, provocó en 2012 que la inflación erosionase el poder adquisitivo y se convirtiese de nuevo en motivo de protesta. Un factor que viene a confluir con el malestar del campo, la polémica de las nacionalizaciones sin indemnización y el autoritarismo contra los principales medios de comunicación.

El motivo alegado para falsear los datos era reducir la cuantía de los pagos a los inversores que compraron deuda pública referenciada a la inflación oficial. Y una razón subyacente: enmascarar un factor de malestar social. O sea, un doble abuso.

Un Gobierno que maquilla sus datos acaba conduciendo a los ciudadanos al abismo; y a su país, a la condición de paria internacional. El FMI ha tratado de evitarlo. El año pasado ya le sacó la tarjeta amarilla y ahora, tras un aplazamiento, saca la roja: acaba de emitir una “declaración de censura” contra el Gobierno argentino. Es la primera vez que toma una medida tan grave en sus 69 años de historia.

Esta sanción verbal podría llegar a convertirse en la expulsión del país infractor del organismo multinacional si, antes del próximo 29 de septiembre, el Gobierno de Cristina Fernández no arregla el desaguisado. El lamento victimista y las medidas de intervencionismo artificial —y por tanto, insostenibles— con que ha reaccionado no auguran nada bueno.

sábado, 17 de novembro de 2012

O mundo no meu site (mais a CIA, o MI6, a ABIN, o sucessor do KGB, etc...)

Paranóia?
Pas du tout!
Só divertimento, ou divertissement, como eu gosto de dizer...
Tem um bocado de "desconhecidos" nesta lista de países, ou locais de origem, de bisbilhoteiros em meu site.
Claro, a maior parte são inocentes aluninhos procurando algum material para exercer o mais frequente exercício dos trabalhos acadêmicos: o copy and paste...
Não me importo com isso, e não vou atrás de royalties.
Um dia, se fizer alguma busca, vou encontrar  um bocado de trabalhos meus sob outros nomes...
Aí vou soltar a minha matilha de advogados autorais, para caçar os plagiadores impenitentes. Just kidding...
Mas, enfim, preciso pensar em alguns truques e trics para distrair, ou ocupar, esse pessoal dos serviços de informação. 
Afinal de contas, eles devem pensar que eu devo trabalhar para alguma poderosa central de conspirações políticas, tramando a queda de alguma república dos companheiros...
Pas du tout...
Espero eles caírem de podre, porque podres por dentro eles já são...
Só falta a centelha da consciência popular...
Enfim, enquanto isso, ficam as estatísticas de acesso ao site, inocentes como elas são...
Alguém já identificou algum curioso de Tuvalu?
É para lá que eu quero ir, antes que desapareça no próximo aquecimento global. Sim, também tem a federação da Micronésia, as ilhas Solomon, e o atol de Muroroa.
Que mal pergunte: o Lula não mandou abrir embaixadas nesses lugares?
É para lá que eu quero ir...
Paulo Roberto de Almeida


Brazil
br9987333971.41 GBPages: 9987
Hits: 33397
Bandwidth: 1.41 GB
UnknownUnknownip41959836505.45 MBPages: 4195
Hits: 9836
Bandwidth: 505.45 MB
comCommercialcom38594289287.08 MBPages: 3859
Hits: 4289
Bandwidth: 287.08 MB
netNetworknet7951767112.64 MBPages: 795
Hits: 1767
Bandwidth: 112.64 MB
ptPortugalpt419104450.45 MBPages: 419
Hits: 1044
Bandwidth: 50.45 MB
deGermanyde12314417.95 MBPages: 123
Hits: 144
Bandwidth: 17.95 MB
ruRussian Federationru9310717.20 MBPages: 93
Hits: 107
Bandwidth: 17.20 MB
mzMozambiquemz32683.89 MBPages: 32
Hits: 68
Bandwidth: 3.89 MB
uaUkraineua3232835.21 KBPages: 32
Hits: 32
Bandwidth: 835.21 KB
arArgentinaar26493.66 MBPages: 26
Hits: 49
Bandwidth: 3.66 MB
aoAngolaao23694.51 MBPages: 23
Hits: 69
Bandwidth: 4.51 MB
caCanadaca21402.58 MBPages: 21
Hits: 40
Bandwidth: 2.58 MB
frFrancefr20527.32 MBPages: 20
Hits: 52
Bandwidth: 7.32 MB
UnknownUnknownsjdc18182.98 MBPages: 18
Hits: 18
Bandwidth: 2.98 MB
bizBiz domainsbiz1717394.85 KBPages: 17
Hits: 17
Bandwidth: 394.85 KB
eduUSA Educationaledu17182.85 MBPages: 17
Hits: 18
Bandwidth: 2.85 MB
arpaOld style Arpanetarpa17342.06 MBPages: 17
Hits: 34
Bandwidth: 2.06 MB
UnknownUnknowniad116162.36 MBPages: 16
Hits: 16
Bandwidth: 2.36 MB
ukUnited Kingdomuk14141.04 MBPages: 14
Hits: 14
Bandwidth: 1.04 MB
itItalyit13301.64 MBPages: 13
Hits: 30
Bandwidth: 1.64 MB
czCzech Republiccz1314896.69 KBPages: 13
Hits: 14
Bandwidth: 896.69 KB
cnChinacn11111.38 MBPages: 11
Hits: 11
Bandwidth: 1.38 MB
inIndiain1010627.54 KBPages: 10
Hits: 10
Bandwidth: 627.54 KB
tvTuvalutv1010190.00 KBPages: 10
Hits: 10
Bandwidth: 190.00 KB
mxMexicomx911831.21 KBPages: 9
Hits: 11
Bandwidth: 831.21 KB
orgNon-Profit Organizationsorg889.10 MBPages: 8
Hits: 8
Bandwidth: 9.10 MB
chSwitzerlandch7611.07 MBPages: 7
Hits: 61
Bandwidth: 1.07 MB
zaSouth Africaza771.00 MBPages: 7
Hits: 7
Bandwidth: 1.00 MB
plPolandpl7791.18 MBPages: 7
Hits: 79
Bandwidth: 1.18 MB
seSwedense7301.32 MBPages: 7
Hits: 30
Bandwidth: 1.32 MB
noNorwayno7341.69 MBPages: 7
Hits: 34
Bandwidth: 1.69 MB
thThailandth66472.05 KBPages: 6
Hits: 6
Bandwidth: 472.05 KB
beBelgiumbe672.07 MBPages: 6
Hits: 7
Bandwidth: 2.07 MB
jpJapanjp69928.74 MBPages: 6
Hits: 99
Bandwidth: 28.74 MB
dkDenmarkdk55694.99 KBPages: 5
Hits: 5
Bandwidth: 694.99 KB
ltLithuanialt55164.38 KBPages: 5
Hits: 5
Bandwidth: 164.38 KB
joJordanjo55412.66 KBPages: 5
Hits: 5
Bandwidth: 412.66 KB
huHungaryhu44452.92 KBPages: 4
Hits: 4
Bandwidth: 452.92 KB
esSpaines44665.00 KBPages: 4
Hits: 4
Bandwidth: 665.00 KB
clChilecl420602.80 KBPages: 4
Hits: 20
Bandwidth: 602.80 KB
myMalaysiamy33155.46 KBPages: 3
Hits: 3
Bandwidth: 155.46 KB
govUSA Governmentgov319706.83 KBPages: 3
Hits: 19
Bandwidth: 706.83 KB
UnknownUnknowntl33144.16 KBPages: 3
Hits: 3
Bandwidth: 144.16 KB
fiFinlandfi33196.04 KBPages: 3
Hits: 3
Bandwidth: 196.04 KB
pyParaguaypy319180.75 KBPages: 3
Hits: 19
Bandwidth: 180.75 KB
zwZimbabwezw33372.32 KBPages: 3
Hits: 3
Bandwidth: 372.32 KB
pkPakistanpk3349.07 KBPages: 3
Hits: 3
Bandwidth: 49.07 KB
roRomaniaro2287.45 KBPages: 2
Hits: 2
Bandwidth: 87.45 KB
sgSingaporesg22252.85 KBPages: 2
Hits: 2
Bandwidth: 252.85 KB
grGreecegr22230.26 KBPages: 2
Hits: 2
Bandwidth: 230.26 KB
infoInfo domainsinfo237360.05 KBPages: 2
Hits: 37
Bandwidth: 360.05 KB
gyGuyanagy22169.41 KBPages: 2
Hits: 2
Bandwidth: 169.41 KB
phPhilippinesph218166.60 KBPages: 2
Hits: 18
Bandwidth: 166.60 KB
idIndonesiaid22142.46 KBPages: 2
Hits: 2
Bandwidth: 142.46 KB
ioBritish Indian Ocean Territoryio23132.01 KBPages: 2
Hits: 3
Bandwidth: 132.01 KB
ieIrelandie22252.85 KBPages: 2
Hits: 2
Bandwidth: 252.85 KB
UnknownUnknowngbl22943.50 KBPages: 2
Hits: 2
Bandwidth: 943.50 KB
trTurkeytr11223.97 KBPages: 1
Hits: 1
Bandwidth: 223.97 KB
bmBermudabm11263.12 KBPages: 1
Hits: 1
Bandwidth: 263.12 KB
nameName domainsname1143.72 KBPages: 1
Hits: 1
Bandwidth: 43.72 KB
UnknownUnknowncorp1197.32 KBPages: 1
Hits: 1
Bandwidth: 97.32 KB
keKenyake11274.37 KBPages: 1
Hits: 1
Bandwidth: 274.37 KB
uyUruguayuy11108.31 KBPages: 1
Hits: 1
Bandwidth: 108.31 KB
skSlovak Republicsk11126.42 KBPages: 1
Hits: 1
Bandwidth: 126.42 KB
veVenezuelave11473.21 KBPages: 1
Hits: 1
Bandwidth: 473.21 KB
ilIsraelil1125.15 KBPages: 1
Hits: 1
Bandwidth: 25.15 KB
mdMoldovamd11126.21 KBPages: 1
Hits: 1
Bandwidth: 126.21 KB
auAustraliaau11126.42 KBPages: 1
Hits: 1
Bandwidth: 126.42 KB
eeEstoniaee1192.06 KBPages: 1
Hits: 1
Bandwidth: 92.06 KB
nlNetherlandsnl12205.78 KB