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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

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quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Livro de Rubens Ricupero vence o Premio Jose Ermirio de Moraes

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Livro de Rubens Ricupero vence o Prêmio José Ermírio de Moraes

O livro “A diplomacia na construção do Brasil – 1750-2016” é o vencedor do Prêmio José Ermírio de Moraes em 2018.
De autoria de Rubens Ricupero, o livro foi escolhido pela Academia Brasileira de Letras, dentre todos os gêneros literários, como o melhor editado no Brasil em 2017 por autor brasileiro e por editora brasileira.
O prêmio será entregue ao autor em sessão solene e pública da ABL, em data ainda não definida.

INFORMAÇÕES SOBRE O LIVRO
Obra única sobre a história das relações do Brasil com o mundo.
Poucos países devem à diplomacia tanto como o Brasil. Além da expansão do território, em muitas das principais etapas da evolução histórica brasileira, as relações exteriores desempenharam papel decisivo. Com seus acertos e erros, a diplomacia marcou profundamente a abertura dos portos, a independência, o fim do tráfico de escravos, a inserção no mundo por meio do regime de comércio, os fluxos migratórios, voluntários ou não, que constituíram a população, a consolidação da unidade ameaçada pela instabilidade na região platina, a industrialização e o desenvolvimento econômico.
Até recentemente, a história das relações diplomáticas do Brasil se refugiava quase em notas ao pé da página ou, no melhor dos casos, em parágrafos esparsos dissociados do eixo central da grande narrativa. Com uma carreira dedicada ao serviço público, especialmente ao Itamaraty e à ONU, o diplomata e professor Rubens Ricupero enfrentou o desafio de “inserir o fio da diplomacia na teia sem costura da vida nacional,da qual é indissociável”.
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Ricupero publicou A diplomacia na construção do Brasil (Versal Editores) em 2017, quando completou 80 anos de idade. O livro analisa a diplomacia como causa e consequência da política interna e da economia do período colonial até os dias de hoje, incluindo a atual crise brasileira. Mostra, ao mesmo tempo, como a política externa contribuiu para a definição dos valores e ideais da identidade do país, de como os brasileiros se veem a si mesmos e sua relação com o mundo.
Com documentos originais dos arquivos norte-americanos, o livro traz revelações novas sobre episódios como a intervenção militar de 1964 nos seus aspectos externos. Recorre a perspectivas comparativas com países latino-americanos e os Estados Unidos e renova a maneira de examinar a diplomacia em estreita ligação com os fatos políticos e as condições econômicas. “A ambição da obra é dialogar com os estudantes etambém com aqueles que se interessam pela história do Brasil e sentem curiosidadepela forma como o país se relacionou com o mundo exterior e foi por ele influenciado”,explica o autor.
Com 784 páginas, o livro foi publicado em duas edições: ilustrada, com cerca de 80 imagens e mapas) e brochura

SOBRE O AUTOR
Nascido em São Paulo em 1937, Rubens Ricupero ingressou no Instituto Rio Branco em 1958 e iniciou a carreira diplomática em 1961.
Embaixador do Brasil junto às Nações Unidas em Genebra, Suíça, nos Estados Unidos e na Itália, foi ministro do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, ministro da Fazenda durante a implantação do Real, subchefe da Casa Civil e assessor especial do presidente José Sarney. Atuou como assessor de política externa de Tancredo Neves na campanha para a Presidência da República, em 1984/5, e registrou a experiência no livro Diário de bordo: a viagem presidencial de Tancredo Neves (2010). Entre 1995 e 2004, dirigiu, como Secretário Geral, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), em Genebra.
Diretor, mais tarde Decano, da Faculdade de Economia e Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), professor do Instituto Rio Branco e da Universidade de Brasília, colaborador dos mais influentes órgãos de imprensa do país e de publicações especializadas nacionais e estrangeiras, Ricupero é autor de nove livros sobre história diplomática, política, comércio e economia internacional, entre os quais se destacam Rio Branco: o Brasil no mundo (2000), O Brasil e o dilema da globalização(2001), Esperança e Ação A ONU e a busca de desenvolvimento mais justo (2002). A diplomacia na construção do Brasil é sua mais recente obra.
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PARA MAIS INFORMAÇÕES
José Enrique Barreiro 
Diretor Editorial da Versal
jbarreiro@versal.com.br
(21) 2239 4023
(21) 9 8123 8764
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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Ricupero, Affonso Santos, livros de historia diplomatica - RJ, 25/07

Cerimônia de lançamento das obras:


Barão do Rio Branco – Cadernos de Notas: a questão entre o Brasil e a França (maio de 1895 a abril de 1901)
Affonso José Santos 
(Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão–FUNAG, 2018)

e  
A Diplomacia na Construção do Brasil: 1750-2016
Rubens Ricupero 
(Rio de Janeiro: Versal, 2017)

a realizar-se no dia 25 de julho de 2018 (quarta-feira), às 10 horas no Palácio Itamaraty, Rio de Janeiro.

“Barão do Rio Branco – Caderno de Notas” examina o período de 1895 a 1901,
em especial no que diz respeito ao arbitramento dos limites da fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa. A publicação distingue-se pela ampla documentação francesa pesquisada, a par dos registros pessoais do Barão e de documentos da chancelaria brasileira. Com a leitura da documentação, pode-se avaliar o desempenho de Rio Branco como advogado do Brasil na Questão do Amapá. O prefácio da obra é do embaixador Rubens Ricupero.

Por sua vez, “A Diplomacia na Construção do Brasil” é reconhecida com a mais completa e atualizada história das relações internacionais do Brasil, um livro decisivo para a compreensão de nossa diplomacia e de seus resultados.

A cerimônia contará com apresentação das obras por seus autores, que
responderão a perguntas do público.

Muito agradeceríamos a gentileza de confirmar sua presença pelo correio
eletrônico cgp@funag.gov.br.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Cultura Brasileira: livros, entre eles o do Ricupero de historia diplomatica


Cultura Brasileira

Rubens Nogueira 
https://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/906611/cultura-brasileira


O "Jornal do Brasil" dedicou, uma página inteira ao livro "Cultura Brasileira de hoje", mostrando, graças a Deus, que o mais que centenário veículo de comunicação – impresso e digital – está aí para incentivar os valores eternos da Educação e da Cultura.  

A autora do livro enriquece a reportagem com o artigo: "Diálogos interartísticos". O livro é um projeto da Fundação Casa de Ruy Barboza. Flora Sussekind, do setor de Filologia da (FCRB) e seus parceiros Tânia Dias, Bia Lessa, Ronaldo Brito, Carlito Azevedo, Arjan Martins, José Rezende e Silviano Santiago foram fundo na realização dos depoimentos conjuntos – duplas de intelectuais e artistas de atuação relevante em áreas diversas. "O trabalho tem a intenção de investigar o estado das artes, da literatura e da crítica no país, assim como as formas de interação entre esses campos". Que beleza! A obra – em três volumes – é apenas o começo, de um projeto ambicioso que vai ter continuidade. Algo que precisava ocorrer em nosso Brasil, tal como acontece no exterior há muito tempo. Parêntese: tenho prá mim que, apesar dos pesares, estamos melhorando. Um outro livro: "A diplomacia na construção do Brasil – 1750 – 2016", fantástica realização de um homem extraordinário, o embaixador Rubens Ricupero, "A mais completa e atualizada história das relações do Brasil com o mundo". Comparo seu trabalho com a façanha de nosso conterrâneo Francisco Adolfo de Varnhagen, que inaugurou a história escrita da pátria brasileira com seu livro seminal: "História da Independência do Brasil", no século 19. Uma edição deste monumental registro historiográfico foi publicado pelo Instituto Nacional do Livro e veio à luz em 1972.  

Voltando ao nosso assunto de hoje:  

O cineasta, escritor e professor Sylvio Tendler, consagrado pelos documentários que realiza desde a juventude – entre eles "Os anos JK", é um dos personagens dos livros que compõem os "Diálogos". Ele, porém, não conseguiu participar do lançamento, por que o local escolhido não dispõe de condições para cadeirantes. Vexame! Mas não é novidade, nem aqui, nem alhures.  

Na minha longeva carreira de leitor e escritor tive oportunidade de criar algumas frases. A melhor delas aconteceu durante a ditadura. O Planalto estava incomodado com o fora Temer da época: "Brasil, ame-o ou deixe-o". Aproveitando a maravilhosa atuação da seleção canarinho em Guadalajara, em 1970, em meio à uma reunião, um autêntico "Brain Storm", em uma segunda-feira, após arrasadora vitória do Brasil, a capa da "Veja" mostrava um carro esportivo com a capota arriada. Sentados e em pé, uma galera – moças e rapazes em trajes sumários – agitando a bandeira verde e amarela, na avenida Atlântica, em tarde de sol. A  

reunião já durava uma hora ou mais. De estalo, lembrei-me da foto e soltei: "Ninguém segura o Brasil". Foi um gol de placa. O coronel chefe da comunicação da Presidência gostou e pediu: "para a final, domingo próximo, vamos inundar o Rio com adesivos, cartazes e o que mais pudermos – a bandeira e a frase". Foi assim.  

Em outra ocasião para divulgar uma feira de livros, Josué Montello, então presidente do SNEL – Sindicato Nacional de Editores de Livro, pediu-me para produzir um folheto. Fí-lo, com alegria, sob o tema: "Sem leitura, não há Cultura". Acho que é isso, sempre!  

Serviço: "Jornal do Brasil", caderno B, página 5, 16-04-18; "A diplomacia na Construção do Brasil – 1750-2016 – Rubens Ricupero, Editora Versal Editores, 1a edição, Rio de Janeiro, 2017, páginas 22 e 760 (bibliografia seletiva).  

Reflexão: "Culto – instruído. Cultura: conhecimento, instrução; civilização cultural" – Mini Houaiss – Editora Objetiva, 2001

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Historia diplomatica: livros de Ricupero e de Affonso Santos


O trabalho feito pelo Affonso Santos, sobre os cadernos de notas do Barão, foi excepcional, pois que confrontadas as notas com documentos da chancelaria francesa.
Aproveito para transcrever minha resenha do livro do embaixador Ricupero:

“O Brasil segundo a diplomacia”, [Resenha de A diplomacia na construção do Brasil, 1750-2016(Rio de Janeiro: Versal Editores, 2017)], O Estado de S. Paulo(domingo, 8 de outubro de 2017, p. E2, Caderno Aliás, Política, sob o título “História da diplomacia no Brasil tem novo livro definitivo”,em 7/10/2017, link: http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,historia-da-diplomacia-no-brasil-tem-novo-livro-definitivo,70002030739). Divulgado no blog Diplomatizzando(link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/09/cesse-tudo-o-que-musa-antiga-canta.html); novamente, depois de publicada, no blog Diplomatizzando(link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/10/resenha-do-livro-do-ricupero-publicada.html).

Construindo a nação pelos seus diplomatas: o paradigma Ricupero

Paulo Roberto de Almeida

Em meados do século XX, os candidatos à carreira diplomática tinham uma única obra para estudar a política externa brasileira: a de Pandiá Calógeras, publicada em torno de 1930, equivocadamente intitulada A Política Exterior do Império, quando partia, na verdade, da Idade Média portuguesa e chegava apenas até a queda de Rosas, em 1852. Trinta anos depois, os candidatos passaram a se preparar pelo livro de Carlos Delgado de Carvalho, História Diplomática do Brasil, publicado uma única vez em 1959 e durante muitos anos desaparecido das livrarias e bibliotecas. No início dos anos 1990, passou a ocupar o seu lugar o livro História da Política Exterior do Brasil, da dupla Amado Cervo e Clodoaldo Bueno. Finalmente, a partir de agora uma nova obra já nasce clássica: A Diplomacia na Construção do Brasil, 1750-2016(Rio de Janeiro: Versal, 2017, 780 p.), do embaixador Rubens Ricupero, ministro da Fazenda quando da introdução do Real, secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento nos anos 1990, atualmente aposentado.
O imenso trabalho não é uma simples história diplomática, mas sim uma história do Brasil e uma reflexão sobre seu processo de desenvolvimento tal como influenciado, e em vários episódios determinado, por diplomatas que se confundem com estadistas, aliás desde antes da independência, uma vez que a obra parte da Restauração (1680), ainda antes primeira configuração da futura nação por um diplomata brasileiro a serviço do rei português: Alexandre de Gusmão, principal negociador do Tratado de Madri (1750). Desde então, diplomatas nunca deixaram de figurar entre os pais fundadores do país independente, entre os construtores do Estado, entre os defensores dos interesses no entorno regional, como o Visconde do Rio Branco, e entre os definidores de suas fronteiras atuais, como o seu filho, o Barão, já objeto de obras anteriores de Ricupero. 
O Barão do Rio Branco, aliás, é um dos poucos brasileiros a ter figurado em cédulas de quase todos os regimes monetários do Brasil, e um dos raros diplomatas do mundo a se tornar herói nacional ainda em vida. Ricupero conhece como poucos outros diplomatas, historiadores ou pesquisadores acadêmicos a história diplomática do Brasil, as relações regionais e o contexto internacional do mundo ocidental desde o início da era moderna, professor que foi, durante anos, no Instituto Rio Branco e no curso de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. Formou gerações de diplomatas e de candidatos à carreira, assim como assessorou ministros e presidentes desde o início dos anos 1960, quando foi o orador de sua turma, na presidência Jânio Quadros. 
Uma simples mirada pelo sumário da obra confirma a amplitude da análise: são dezenas de capítulos, vários com múltiplas seções, em onze grandes partes ordenadas cronologicamente, de 1680 a 2016, mais uma introdução e uma décima-segunda parte sobre a diplomacia brasileira em perspectiva histórica. Um posfácio, atualíssimo, vem datado de 26 de julho de 2017, no qual ele confessa que escrever o livro foi “quase um exame de consciência... que recolhe experiências e reflexões de uma existência” (p. 744). Ricupero concluiu o texto principal pouco depois do impeachment da presidente que produziu a maior recessão da história do Brasil, e o fecho definitivo quando uma nova crise “ameaça engolir” o seu sucessor. O núcleo central da obra é composto por uma análise, profundamente embasada no conhecimento da história, dos grandes episódios que marcaram a construção da nação pela ação do seu corpo de diplomatas e dos estadistas que serviram ao Estado nessa vertente da mais importante política pública cujo itinerário – à diferença das políticas econômicas ou das educacionais – pode ser considerado como plenamente exitoso. 
A diplomacia brasileira começou por ser portuguesa, mas se metamorfoseou em brasileira pouco depois, e a ruptura entre uma e outra deu-se na superação da aliança inglesa, que era a base da política defensiva de Portugal no grande concerto europeu. Já na Regência existe uma “busca da afirmação da autonomia” (p. 703), conceito que veio a ser retomado numa fase recente da política externa, mas que Ricupero demonstra existir embebido na boa política exterior do Império. A construção dos valores da diplomacia do Brasil se dá nessa época, seguido pela confiança no Direito como construtor da paz, o princípio maior seguido pelo Barão do Rio Branco em sua diplomacia de equilíbrio entre as grandes potências da sua época. Vem também do Barão a noção de que uma chancelaria de qualidade superior devia estar focada na “produção de conhecimento, a ser extraído dos arquivos, das bibliotecas, do estudo dos mapas” (p. 710). Esse contato persistente, constante, apaixonante pela história, constitui, aliás, um traço que Ricupero partilha com o Barão, o seu modelo de diplomata exemplar, objeto de uma fotobiografia que ele compôs com seu antigo chefe, o embaixador João Hermes Pereira de Araujo, com quem ele construiu o Pacto Amazônico, completando assim o arco da cooperação regional sul-americana iniciada por Rio Branco setenta anos antes. 
O livro não é, como já se disse, uma simples história diplomática, mas sim um grande panorama de mais de três séculos da história brasileira, uma vez que nele, como diz Ricupero, “tentou-se jamais separar a narrativa da evolução da política externa da História com maiúscula, envolvente e global, política, social, econômica. A diplomacia em geral fez sua parte e até não se saiu mal em comparação a alguns outros setores. Chegou-se, porém, ao ponto extremo em que não mais é possível que um setor possa continuar a construir, se outros elementos mais poderosos, como o sistema político, comprazem-se em demolir. A partir de agora, mais ainda que no passado, a construção do Brasil terá de ser integral, e a contribuição da diplomacia na edificação dependerá da regeneração do todo” (p. 738-9). O paradigma diplomático já foi oferecido nesta obra; falta construir o da nação.

[Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 27 de setembro de 2017]


quinta-feira, 17 de maio de 2018

Historia diplomatica em fontes francesas: Quai d'Orsay

Histoire diplomatique


En France, l’histoire diplomatique a pour fondateurs Albert Sorel (1842-1906) et Albert Vandal (1853-1910), professeurs à l’École libre des sciences politiques. S’ils ne la réduisent pas à l’histoire des diplomates et des ambassades, ils limitent les relations internationales à des relations entre gouvernements. L’intérêt national est une réalité et une norme, défendu par chaque État dans la durée, quelle que soit l’idéologie des régimes politiques en place. L’histoire privilégie alors l’histoire événementielle, celle des grands hommes et des négociations entre chancelleries. A partir des années 1930, ce type d’histoire diplomatique est remis en cause. Lucien Febvre (1878-1956), Marc Bloch (1886-1944), Fernand Braudel (1902-1985), Pierre Renouvin (1893-1974) ou Jean-Baptiste Duroselle (1917-1994) élargissent le champ d’étude aux questions économiques et sociales. L’histoire des relations internationales n’est plus alors seulement l’histoire des rapports interétatiques mais aussi celle des rapports entre les peuples.
Le nombre considérable de documents dématérialisés relatifs à l’histoire diplomatique impose que cet ensemble documentaire soit subdivisé par période historique. Compte tenu du fait qu’ils concernent principalement la France, les tranches chronologiques ont été déterminées en fonction de ses régimes politiques successifs :  
La nature des informations très disparates contenues dans les manuscrits numérisés de correspondances diplomatiques a conduit à choisir cet ensemble documentaire pour les regrouper. Publiées, les lettres et instructions figurent dans l’accès « Documents diplomatiques ».

terça-feira, 20 de março de 2018

Bibliografia de historia diplomatica brasileira - Paulo Roberto de Almeida

Pediram-me uma breve bibliografia para uma palestra que vou dar dentro em breve. Como não sou de obrigar ninguém a comprar livros, recomendei o essencial, e o mais possível com textos de acesso público, devidamente linkados como estão abaixo, e neste caso vários meus, como parece natural.
O serviço é (quase) gratuito.
Aproveitem...
Paulo Roberto de Almeida

Evolução Histórica da Política Externa Brasileira


Paulo Roberto de Almeida

Bibliografia indicada:

Ricupero, Rubens, A diplomacia na construção do Brasil, 1750-2016 (Rio de Janeiro: Versal Editores, 2017)]; resenha: Paulo Roberto de Almeida: “O Brasil segundo a diplomacia”, O Estado de S. Paulo (8/10/2017, links: http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,historia-da-diplomacia-no-brasil-tem-novo-livro-definitivo,70002030739 e http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/10/resenha-do-livro-do-ricupero-publicada.html).
__________ , “Estudos de Relações Internacionais do Brasil: Etapas da produção historiográfica brasileira, 1927-1992”, Revista Brasileira de Política Internacional (ano 36, n. 1, 1993, pp. 11-36; link: https://www.academia.edu/12301173/346_Estudos_de_Relacoes_Internacionais_do_Brasil_Etapas_da_producao_historiografica_brasileira_1927-1992_1993_).
Mendonça, Renato, História da Política Exterior do Brasil (1500-1825): Do período colonial ao reconhecimento do Império (Brasília: Funag, 2013, link: http://funag.gov.br/loja/download/1071-historia_da_politica_exterior_do_brasil.pdf).
Carvalho, Carlos Delgado de, História Diplomática do Brasil (Brasília: Senado Federal, 2016); resenha Paulo Roberto de Almeida: “Em busca da simplicidade e da clareza perdidas: Delgado de Carvalho e a historiografia diplomática brasileira”, link: https://www.academia.edu/5828023/600_Delgado_de_Carvalho_e_a_historiografia_diplomática_brasileira_1997_).

Outros títulos: 
Cervo, Amado Luiz; Bueno, Clodoaldo, História da Política Exterior do Brasil (diversas edições).
Moreira Lima, Sérgio Eduardo; Almeida, Paulo Roberto de; Farias, Rogério de Souza (orgs.), Oswaldo Aranha: um estadista brasileiro (Brasília: Funag, 2017, 2 vols.; Vol. 1, link: http://funag.gov.br/loja/index.php?route=product/product&product_id=913; Vol. 2, link: http://funag.gov.br/loja/index.php?route=product/product&product_id=914).
Almeida, Paulo Roberto de; Rêgo, André Heráclio do, Oliveira Lima: um historiador das Américas, (Recife: CEPE, 2017).
Almeida, Paulo Roberto de, “A diplomacia na construção da nação: qual o seu papel?”, Mundorama (9/01/2018; link: http://www.mundorama.net/?p=24351).
__________ , “Diplomacia regional brasileira: visão histórica das últimas décadas”, in: Sérgio Florêncio (org.), Política Externa em Debate (Brasília: Ipea, 2018; link: https://www.academia.edu/s/e843ccb1ba/diplomacia-regional-brasileira-visao-historica-das-ultimas-decadas).
__________ , “A construção do direito internacional do Brasil a partir dos pareceres dos consultores jurídicos do Itamaraty: do Império à República”, Cadernos de Política Exterior (ano II, n. 4, 2016, p. 241-298; link: http://funag.gov.br/loja/download/1186-cadernos-de-politica-exterior-ano-2-volume-4.pdf).
“Contribuições à História Diplomática do Brasil: Pandiá Calógeras, ou o Clausewitz da política externa” [Artigo-resenha dos livros de João Pandiá Calógeras, A Política Exterior do Império (volume I: As Origens; volume II: O Primeiro Reinado; volume III: Da Regência à Queda de Rosas; edição fac-similar: Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, Câmara dos Deputados, Companhia Editora Nacional, coleção “Brasiliana, 1989, xl + 490, 568 e 620 pp.], Estudos Ibero-Americanos (Porto Alegre: PUC-RS, v. XVIII, n° 2, dezembro 1992, p. 93-103; link: https://www.academia.edu/36213687/Contribuicoes_a_Historia_Diplomatica_do_Brasil_Calogeras).

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 21 de março de 2018


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Oliveira Lima: um historiador das Americas:lancamento de livro no Recife, 13/12/2017

Um convite da Companhia Editora de Pernambuco, CEPE, que editou meu livro e do André Heráclio do Rego, sobre o grande escrito, jornalista, historiador e diplomata, entre outras qualidades, Oliveira Lima:



domingo, 26 de novembro de 2017

Oliveira Lima: um diplomata pouco... diplomatico - proximo livro - Paulo Roberto de Almeida, Andre Heraclio do Rego

Nosso próximo livro, sobre um colega diplomata de cem anos atrás, pouco diplomático, mas um grande historiador, e pensador, das coisas do Brasil e internacionais:

Manuel de Oliveira Lima
Um historiador das Américas



No Brasil fala-se ou muito bem ou muito mal dos Estados Unidos. Apontam-nos os seus admiradores como o único modelo a seguir... Os seus detratores culpam-nos de todos os crimes, desde a ambição devoradora de terras e de nacionalidades, até a corrupção política e social mais desbragada. […] apenas olhei para os Estados Unidos com olhos de brasileiro, ... buscando o que de aproveitável para nós poderia a meu ver resultar do exame e da confrontação.
Nos Estados Unidos, impressões políticas e sociais (1899)

Ao passo que no vosso país [Estados Unidos], sob tantos aspectos o mais progressivo do globo, [...] permanece premente tal questão [a da segregação], acendendo violências, [...] nós a temos liquidado do modo mais satisfatório, pela fusão.
América Latina e América Inglesa (1913-14)

Desde que, segundo os etnólogos, as raças puras são um erro à luz da história [...] devemos admitir que a solução ibero-americana, isto é, a da fusão das raças, é mais promissora, mais benéfica e especialmente mais humana do que a separação ou a segregação praticada pelos Estados Unidos.
Aspectos da história e da cultura do Brasil (1923)

  
Manuel de Oliveira Lima
25 de dezembro de 1867, Recife, Pernambuco
24 de março de 1928, Washington, D.C., EUA


Sumário: 

Apresentação: O maior historiador diplomático brasileiro
       Paulo Roberto de Almeida, André Heráclio do Rêgo
1. O Barão do Rio Branco e Oliveira Lima: vidas paralelas itinerários divergentes
       Paulo Roberto de Almeida
2. Oliveira Lima, intérprete das Américas
       André Heráclio do Rêgo
3. O império americano em ascensão, visto por Oliveira Lima
       Paulo Roberto de Almeida
Apêndice: O Brasil e os Estados Unidos antes e depois de Joaquim Nabuco
       Paulo Roberto de Almeida

O Itamaraty, ao final do século XIX e início do XX, reunia três grandes nomes diplomáticos e culturais. O primeiro, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o barão do Rio Branco, era, ademais de negociador e chanceler, historiador, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e da Academia Brasileira de Letras. O segundo, Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, também historiador e memorialista, paladino do pan-americanismo e primeiro embaixador em Washington, deixou sua marca na história do Brasil, ao batalhar duramente pela causa abolicionista.
O terceiro, Manuel de Oliveira Lima, não teve consagração em vida, e ainda hoje não alcançou completamente nem a póstuma. Pernambucano como Nabuco, era bem mais jovem que os outros dois. Além da diferença de idades, não compartilhava com eles a formação nos cursos jurídicos de Olinda e de São Paulo. Ao contrário de Nabuco e de Rio Branco, foi republicano na juventude e monarquista na idade madura. Poderia ter sido um êmulo do barão do Rio Branco, o grande chanceler e modelo da diplomacia, se tivesse sido... mais ‘diplomático’.
Foi um ‘diplomata dissidente’, talvez até um ‘rebelde com causa’, que foi a da luta pelo desenvolvimento social, político e econômico e do Brasil, para ele espelhando, ao menos parcialmente, os magníficos progressos dos Estados Unidos, em cuja capital trabalhou como jovem diplomata, mas já totalmente consciente das grandes diferenças que separavam o mundo anglo-saxão do errático universo ibero-americano, que ele soube analisar tão bem numa fase já madura de sua vida.
Este livro, ademais de traçar paralelos entre os itinerários de Rio Branco e de Oliveira Lima, destaca, justamente, sua obra de historiador das Américas, mas também como intérprete da ascensão do grande império econômico e comercial, que ele analisou no momento crucial em que os EUA, já curados das feridas da guerra civil, flexionavam os músculos em suas primeiras aventuras no Caribe e na América Central, e já se preparavam para adentrar no cenário geopolítico mundial. Um texto final analisa um ensaio de Joaquim Nabuco sobre o papel dos Estados Unidos na ‘civilização’ do início do século XX e segue a trajetória de desenvolvimento do Brasil ao longo do século.

Paulo Roberto de Almeida é diplomata de carreira, doutor em ciências sociais e atual Diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI-Funag), do Itamaraty. 
André Heráclio do Rego, também diplomata de carreira, é doutor em história social e autor de diversos artigos e livros nessa área, entre os quais Família e coronelismo no Brasil – uma história de poder.