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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Imigrante ideal: livro do historiador Fabio Koifman (Civilização Brasileira, Pesquisa Fapesp, 2012)

Os indesejáveis

Política imigratória do Estado Novo escondia projeto de branqueamento



Revista Pesquisa Fapesp,  ED. 201 | NOVEMBRO 2012

© ACERVO DO MUSEU LASAR SEGALL – IBRAM / MINC
“Navio de emigrantes”, de Lasar Segall (1939/41), pintura a óleo com areia sobre tela, 230 x 275 cm
Quando, em 1995, o Arquivo Histórico do Itamaraty foi aberto ao público, parte da documentação revelou que a instituição havia participado da política racista e discriminatória de estrangeiros do Estado Novo, colocando o passado do Ministério das Relações Exteriores na incômoda posição de “porteiro do Brasil”. Uma nova pesquisa, Imigrante ideal (Civilização Brasileira), do historiador Fábio Koifman, da Universidade Federal Rural Fluminense (UFRF), isenta o Itamaraty de toda a responsabilidade por essa política restritiva. “É um equívoco historiográfico, já que se ignora que, entre 1941 e 1945, o Serviço de Visto estava alocado no Ministério da Justiça, o real responsável pela palavra final da aceitação ou não de estrangeiros”, diz Koifman. Esse foi o único momento na história da República que a atribuição não esteve no âmbito do Itamaraty.
O pesquisador afirma que é a primeira vez que se analisa o papel central do Ministério da Justiça, de seu titular, o jurista Francisco Campos (1891-1968), e de Ernani Reis (1905-1954), parecerista do ministério, burocrata que, através de sua interpretação, dizia, baseado na legislação, quem entrava ou não no país. Suas sugestões quase sempre eram aceitas pelo ministro e se baseavam na seleção dos imigrantes “desejáveis”, que se encaixassem no projeto de “branqueamento” da população brasileira da ditadura Vargas. Negros, japoneses e judeus, assim como idosos e deficientes, não estavam nos padrões estabelecidos e eram recusados como “indesejáveis”.
A pesquisa de Koifman começou quando ele encontrou o decreto-lei 3.175, de 1941, que passava o poder de decisão de concessão dos vistos do Ministério das Relações Exteriores para o Ministério da Justiça. Mas o Serviço de Visto em si não foi criado por decreto, embora existisse com papel timbrado e tudo. Não foi, porém, instituído formalmente e sua verba vinha de outros órgãos. “Ele foi criado para isolar seus técnicos e tomar as decisões de forma puramente técnica e fria. Eles achavam mais fácil negar o visto do que ter de decidir no porto”, conta o historiador. “Todo o processo não chegou a conhecimento público e é nele que o Francisco Campos explica para  Vargas por que o Brasil deveria restringir a imigração”, fala.
Funcionários do Itamaraty eram obrigados a informar o ministério com detalhes sobre a pessoa que pedia o visto e aguardar o parecer do ministro para concedê-lo ou não. A desobediência de diplomatas às diretrizes do ministério provocava ação direta de Vargas, que poderia determinar a instauração de inquérito administrativo ou até a demissão sumária do infrator. “Esse controle aumentou quando a situação europeia se agravou com a guerra e a escalada do antissemitismo na Alemanha. Judeus e perseguidos políticos começam a sair da Europa, gerando um aumento da demanda nos consulados. Nesse momento, a política imigratória brasileira se voltou contra eles.”
“No início do Estado Novo cabia ao Itamaraty gerir a política de vistos, mas isso mudou a partir de 1941. Essa troca refletia o debate na elite brasileira sobre qual era o imigrante ‘desejável’ para o ‘aprimoramento’ do povo brasileiro”, fala Koif-man. Vargas era simpatizante aberto do ideário eugênico. Em 1930, num discurso de campanha à Presidência, avisou: “Durante anos pensamos a imigração apenas em seus aspectos econômicos. É oportuno obedecer agora ao critério étnico”. Em 1934, durante a Constituinte, o lobby eugenista, bem organizado, conseguiu a aprovação de artigos baseados nas teorias racistas. O alvo, então, era o japonês. De forma silenciosa foi institucionalizado um sistema de cotas para cada nacionalidade que foi manipulado para restringir a entrada de orientais no país.
“O Brasil não foi o único a adotar medidas restritivas contra imigrantes e até ‘demorou’ a implantá-las. Democracias como os EUA e o Canadá já o faziam nos primeiros anos da década de 1920”, lembra o autor. Mas, uma vez iniciado o processo, foram rápidos. Não satisfeitos com as leis de 1934, setores da elite e intelectuais exigiram uma maior intervenção do Estado e uma seleção mais rigorosa na política imigratória. O resultado foi o decreto-lei 3.010, de 1938: exigia-se do solicitante de vistos que se apresentasse pessoalmente ao cônsul para que o diplomata visse o candidato e relatasse se era branco, negro, ou se tinha alguma deficiência física. “Segmentos letrados da sociedade brasileira e muitos homens do governo, incluindo Vargas, acreditavam que o problema do desenvolvimento brasileiro estava relacionado à má formação étnica do povo. Achavam que trazendo ‘bons’ imigrantes, ou seja, brancos que se integrassem à população não branca, o Brasil em 50 anos se transformaria em uma sociedade mais desenvolvida”, conta o pesquisador.
O estrangeiro ideal era branco, católico e apolítico. A preferência pessoal de Vargas era pelos portugueses. “A maioria dos imigrantes vindos de Portugal era de origem modesta e instrução limitada, acostumados à ditadura salazarista”, diz Koifman. Europeus, mas sem “ideias dissolventes”, ao contrário dos grupos intelectualizados originários da Alemanha, França, Áustria, entre outros países, que produziam reflexões em jornais e livros sobre as mazelas nacionais. O ministro da Justiça detestava particularmente os intelectuais estrangeiros e chegou a propor o fechamento total do Brasil à imigração enquanto durasse a guerra na Europa, medida que o pragmatismo de Vargas rejeitou.
“O Brasil, que não contribuiu para que se criassem na Europa as perseguições e as dificuldades de vida, não pode se converter numa fácil hospedaria da massa de refugiados. Não nos serve esse white trash, rebotalho branco que todos os países civilizados refugam”, argumentava Campos, também conhecido como “Chico Ciência”. “Um dos inspiradores intelectuais do Estado Novo foi influenciado pelos fascismos português e italiano, defendendo uma legislação imigratória calcada nas teorias eugênicas americanas.” Para Campos, na contramão do entusiasmo pela imigração em voga no país desde o século XIX, estrangeiros só atrasavam o desenvolvimento do país, “parasitas” que nada contribuíam para o progresso nacional. “Os judeus, por exemplo, só se dedicavam a atividades urbanas, ao pequeno comércio. O problema é que Campos e Reis logo perceberam que essas eram as mesmas atividades às quais os portugueses se dedicavam, apontando a Vargas essa contradição, para ira do ditador, que queria imigrantes de Portugal”, fala Koifman.
O que abalou Campos, cuja ideologia não era isenta de interesses pessoais. Chico Ciência disputava as atenções de Vargas com Oswaldo Aranha, então à frente do Itamaraty. Para atacar o rival, martelava a tecla de que, apesar das restrições, estrangeiros continuavam a entrar no Brasil, prova da incompetência do Itamaraty na gestão da questão imigratória. Bem-sucedido, convenceu o ditador da validade de suas ideias e ganhou o poder de seleção de “desejáveis” e “indesejáveis” para o seu Setor de Vistos. Não conseguiu, porém, impor o ideário eugênico que admirava, sendo obrigado a “tropicalizá-lo”. “As raças admiradas pelos americanos eram minoria num país composto majoritariamente por grupos considerados ‘inferiores’”, lembra o historiador. Isso levou Campos a se concentrar no combate aos imigrantes “infusíveis” que, supostamente, tinham um grau de miscigenação baixo e, logo, não serviam ao projeto de “branqueamento” por miscigenação, entre esses, os judeus.
© ACERVO MARIA LUIZA TUCCI CARNEIRO
Passaporte cancelado pelos nazistas, mas aceito pelas autoridades brasileiras
“Mas as restrições à entrada de judeus, tema recorrente nos estudos sobre a política imigratória do Estado Novo, devem ser vistas num contexto maior, em que vários outros grupos foram igualmente classificados como “indesejáveis”. Se a condição de judeu dificultava a emissão de um visto, a comprovação da ausência dessa condição tampouco era garantia de um visto”, avisa Koifman. Para o pesquisador, o antissemitismo de um fascista como Campos não era análogo ao racismo dos nazistas. “Após a Intentona Comunista de 1935 o Estado adotou uma visão genérica dos judeus que os associava ao comunismo, um antissemitismo de fundo político compartilhado por Vargas”, observa o pesquisador. Nas palavras de Campos: “Os judeus se tem aproveitado do descuido das autoridades brasileiras. Embora o Brasil não seja fascista ou nacional-socialista, o certo é que esses elementos comunizantes, socialistas, esquerdistas ou liberais leem por uma cartilha que está longe de nos convir”.
Sem negar o antissemitismo de membros individuais do governo e da sociedade brasileira, Koifman acredita que o critério adotado mais importante, ao lado da “ameaça vermelha”, era a capacidade, ou não, da suposta capacidade de “fusão” dos imigrantes. “A preocupação estava no potencial de união de europeus brancos com descendentes de africanos e indígenas, condição necessária para conseguir o ‘aprimoramento’ das gerações futuras”, fala. “O Estado Novo não queria reproduzir o racismo, então muito em voga nos EUA e na Europa. A segregação deveria ser evitada a qualquer custo, pois dificultaria a miscigenação, força-motriz do ‘branqueamento’”, diz. Vargas não tolerava racismos contra grupos étnicos dentro do Brasil.
Esse cuidado também se devia à manutenção de uma boa imagem internacional, para agradar, em especial, os EUA, cuja política racial para os outros não refletia a sua realidade interna. “Ser acusado de racista ativo, nas décadas de 1930 e 1940, colocava qualquer nação, diplomata ou intelectual, em posição constrangedora de alinhamento com a política de exclusão da Alemanha nazista”, explica a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, da Universidade de São Paulo (USP) e autora do estudo referencial Antissemitismo na era Vargas (1987). “Ainda assim o Estado Novo, por meio do Ministério da Justiça e de uma política nacionalista, não admitia fissuras, combatendo grupos migrantes, vistos como elementos de ‘erosão’. O ideal do regime era a homogeneidade em detrimento da diversidade”, continua.
Ambiguidades
Para o brasilianista Jeffrey Lesser, da Emory University e autor de A questão judaica no Brasil (1995), é preciso cuidado ao retratar as políticas de imigração da época apenas com base em documentos oficiais, do Itamaraty ou do Ministério da Justiça. “Os escritos dão conta das ambiguidades que regiam essa política. Como explicar, por exemplo, a entrada expressiva de judeus logo após os decretos restritivos e a absorção expressiva desses grupos ao lado de árabes e japoneses na sociedade brasileira em fins dos anos 1930”, questiona. Para ele, houve muita incongruência entre discurso e prática, gerando curiosos paradoxos. “Os imigrantes viraram o discurso eugênico de brancura, que os discriminava, em favor de seus interesses e conseguiram conquistar um espaço na sociedade. Perceberem que ser branco no Brasil era melhor do que ser negro e também adotaram a retórica eugênica.”
“Há uma série de boletins policiais sobre brigas entre estrangeiros e negros. Imigrantes pobres não queriam ser vistos como os novos escravos e afirmavam sua superioridade atacando os negros”, conta Lesser. Se os documentos contam uma história, no cotidiana do Estado Novo o movimento xenófobo não funcionou como pretendido. O brasilianista não nega o discurso contra a imigração e o antissemitismo das elites brasileiras, mas, ao estudar casos reais, viu que a ação do governo era mais flexível do que letra “dura” dos papéis timbrados. “Um bom exemplo é que, antes de colocar em vigor, em 1934, as leis que restringiam a entrada de japoneses, o governo brasileiro avisou o ministro das Relações Exteriores do Japão. Um diplomata brasileiro contou ao ministro japonês o que estava para acontecer e o acalmou prometendo que os orientais continuariam a entrar no Brasil, utilizando cotas de países como a Finlândia, que praticamente não eram usadas”, conta. Lesser reuniu outros casos do “jeitinho brasileiro” de tratar os entraves da legislação.
Para o americano, a história mais rocambolesca dessa flexibilidade que não se lê nos arquivos oficiais é a cooptação secreta pelo Itamaraty de funcionários do consulado alemão, para que eles falsificassem a assinatura do cônsul, liberando imigrantes para entrar no Brasil. “Numa palestra chamei o cônsul de nazista e pessoas da plateia ficaram indignadas, mostrando vistos assinados pelo cônsul, a quem chamavam de herói, sem imaginar que eram falsificações”, conta.
Koifman respeita a hipótese de Lesser sobre uma “negociação” das leis, mas afirma que os documentos do Serviço de Visto não sustentam essa visão. “A lei foi, sim, aplicada, e a maleabilidade estava condicionada à origem do imigrante. Basta ver a questão pouco conhecida dos suecos: eles tinham colônia representativa no país e tampouco se interessavam em imigrar para o Brasil, mas o Serviço de Visto estava particularmente interessado na vinda deles” observa.
Como revela o caso de um sueco que passou mal numa viagem, desembarcou para se tratar e, quando percebeu, já estavam tratando do seu visto. Ele não queria ficar no país. “Ao mesmo tempo, muitas pessoas com todas as condições de emigrar, que tinham os documentos necessários, enfrentavam medidas protelatórias e pareceres que dificultavam sua entrada, se não fosse o ‘imigrante ideal’. Isso mostra como os critérios se baseavam na bandeira da eugenia”, explica. Para Koifman, isso desmascara o discurso nacionalista e a flexibilidade com as leis, reduzidos à sua real dimensão: a utopia de aprimoramento étnico.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Quem quer estudar os judeus nas Americas? Bolsa da Universidade da Florida. Aproveitem!

Jews in the Americas: A Visiting Research Fellowship at the University of Florida
The Alexander Grass Chair in Jewish History and the Isser and Rae Price Library of Judaica at the University of Florida are pleased to invite applications for short-term research fellowships during the 2017-2018 academic year. Researchers studying different aspects of the Jewish experience in Latin America, the Caribbean, and the southern regions of the United States from the sixteenth century until present day will have the opportunity to spend a maximum period of a month researching in the Price Library. They will have access to the other special and area studies collections of the University of Florida and other library services. Recipients will be expected to deliver a public talk and/or seminar at UF during or after their research visit which will be recognized with an honorarium payment. Recipients of the fellowship will be invited to return and participate in a conference on the Jewish experience in the Americas during fall 2018.
The Price Library was founded in 1981 and is located in the Department of the Special and Area Studies Collections of the George A. Smathers Library at the University of Florida. Today it holds about 110,000 items and its online collections include over 180,000 digital pages. This diverse collection, which offers in-depth insights into numerous fields of research within Jewish studies, is considered the foremost Jewish studies research library in the southeastern United States. The Price Library also collaborates closely with UF’s prestigious Florida and Latin American and Caribbean collections, and thanks to a generous Challenge Grant from the National Endowment for the Humanities, the Price Library is now focusing its collecting activities on recording and preserving Jewish history in Latin America, the Caribbean, and Florida. This fellowship program created by the Alexander Grass Chair in Jewish history aims to help researchers develop new scholarship within these geographical fields based on the Price Library’s holdings.
Preference will be given to advanced graduate students and recent PhDs. We ask applicants to study the Price Library collections and the other UF collections they may want to use during their researchhttp://cms.uflib.ufl.edu/. Please consult the Price Library’s archivesdigital collections, and the materials in UF’s other digital collections, such as the Digital Library of the Caribbean (dLOC), and the Cuban Collection. Applications should not exceed 1000 words and should include the description of the project, and an explanation of how it complements earlier research in the field and what new element it brings to the respective field. Please, indicate the period you plan or prefer to spend in the Price Library. Finally, we ask applicants to attach a CV to their project applications.
We encourage researchers working on themes related to the following topics: migration, community and religious life, institutions (e.g. cemeteries, synagogues); literature in Yiddish, Spanish, Portuguese, Hebrew; food (production, consumption, cuisine); Sephardi experience in the colonial period, transatlantic connections from the colonial era until today, Jewish presses, memory and commemoration, and antisemitism. Proposals of research conducted on other subjects are equally welcome.
Expenses covered: The Research Fellowship covers long distance and local transportation and lodging. The entire Research Fellowship stipend, including honorarium, transportation and lodging does not exceed $5,000. Deadline of application: June 15, 2017.
Successful applicants will be informed until July 15, 2017.
Please send your application to Rebecca Jefferson at rjefferson@ufl.edu and Katalin Rac at katalin.rac@ufl.edu.
Questions and comments should be sent to the same address.
Contact Info: 
Please send your application to Rebecca Jefferson at rjefferson@ufl.edu and Katalin Rac at katalin.rac@ufl.edu
Contact Email: 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Diplomatas que salvaram judeus na Segunda Guerra Mundial - HypeScience

 Um artigo bem intencionado, mas construído por pessoas pouco informadas e seletivas. Existiram mais diplomatas que salvaram judeus antes e durante a Segunda Guerra e o artigo exclui os diplomatas português Agostinho de Souza Mendes e o brasileiro Luiz de Souza Dantas, ao mesmo tempo em que perpetua o mito de Aracy de Carvalho (que não era diplomata, mas funcionária local), cuja história está engrandecida por uma versão construída em causa própria.
Paulo Roberto de Almeida 

Dez corajosos diplomatas da Segunda Guerra Mundial que salvaram a vida de milhares de judeus
HypeScience, 20/02/2016
http://hypescience.com/10-corajosos-diplomatas-da-segunda-guerra-mundial-que-salvaram-a-vida-de-milhares-de-judeus/

Enquanto muitos almejam a posição pelo prestígio e pela imunidade, há, surpreendentemente, alguns diplomatas que realmente querem ajudar as pessoas. Esse foi o caso em algumas histórias que aconteceram durante a Segunda Guerra Mundial, quando cônsules de todo o mundo ajudaram judeus a escapar da perseguição na Alemanha nazista. Confira alguns desses relatos, de restaurar a fé na humanidade:

10. Príncipe Constantin Karadja, da Romênia

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Acredita-se que Constantin Karadja, como Cônsul Geral da Romênia em Berlim entre 1931 e 41, tenha salvado a vida de nada mais nada menos do que 51 mil pessoas.
Constantin teve uma educação humanística e jurídica, dedicando atenção especial para a garantia dos direitos humanos ao longo de sua carreira. O príncipe se dedicou a proteger principalmente os cidadãos romenos, independentemente de etnia ou religião.
O trabalho salvador de Constantin consistia em emitir centenas de vistos tanto para judeus romenos quanto para os não romenos durante a guerra. Os boatos sobre a ajuda que prestava ultrapassou os limites da cidade de Berlim e se espalhou principalmente pela França e pela Hungria.
Porém, ele não apenas concedia visto aos que eram perseguidos por serem judeus – ele desafiava as ordens de seu próprio país ao fazê-lo. No dia 7 de março de 1941, Constantin desobedeceu a imposição feita por seu governo para começar a colocar uma indicação da religião nos passaportes de judeus romenos, temendo que a informação atrapalhasse quem tentasse fugir.
Mais tarde, naquele mesmo ano, depois de ter sido nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros romeno, Constantin Karadja foi capaz de aprovar uma lei que protegia todos os romenos no exterior, sem distinção ou discriminação. Indo ainda mais longe, em 1943, convenceu o governo romeno a mudar sua postura pró-Alemanha. Na realidade, ele era tão irritantemente bom em seu trabalho de salvar pessoas que acabou sendo demitido. Mais tarde, o país se recusou a lhe pagar pensão.

9. Carl Lutz, Suíça

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Nominado vice-cônsul suíço em Budapeste no ano de 1942, Carl Lutz causou o maior rebuliço em seu país de origem quando “ameaçou” sua neutralidade, inventando uma “carta de proteção” que concedia esta neutralidade a judeus.
Carl entregou estes modelos de carta a mais de 10 mil crianças judias, permitindo-lhes fugir. Quando os alemães tomaram o controle da capital húngara, em 1944, Lutz conseguiu negociar a proteção de 8 mil judeus locais. Explorando o acordo que ele havia criado, Lutz imediatamente começou a proteger 8 mil famílias judias – ou seja, concedeu proteção à família inteira daqueles primeiramente amparados.
O vice-cônsul foi além e instalou 76 casas seguras por toda a cidade, declarando-as solo suíço. Cerca de 3 mil judeus estavam abrigados em um único prédio. Lutz chegou a pular em um rio atrás de uma mulher judia que estava ferida. Ele, depois, declarou que a moça em questão era cidadã suíça. Lutz salvou a vida dela e, segundo estimativas, foi o responsável por salvar outras 62 mil vidas também.

8. Hiram Bingham IV, dos Estados Unidos

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Hiram Bingham IV servia como o Cônsul dos Estados Unidos em Marselha, na França, quando se deu a eclosão da guerra. Em uma tentativa de manter boas relações com a França de Vichy (o Estado francês entre os anos 1940 e 1944 basicamente era um fantoche sob a influência nazista dos vizinhos alemães), o governo dos Estados Unidos desencorajava seus diplomatas a ajudar refugiados.
Harry foi uma exceção a esta regra desumana. Em 1940, Hiram emitiu ilegalmente um falso conjunto de documentos de viagem a Varian Fry, romancista norte-americano e membro do Comitê de Resgate de Emergência. Com esses documentos de viagem, Fry ajudou mais de 2 mil judeus a escaparem da França.
Hiram também refugiou judeus desabrigados e se reuniu com grupos de escape para auxiliar a evacuação dos perseguidos. No final de 1940, Bingham começou a visitar campos de concentração e emitir ordens de proteção e vistos às pessoas que lá estavam. Estes campos incluíam Gurs, Le Vernet, Argelès-sur-Mer, Agde e Les Milles.
Bingham concedia a cidadania àqueles que sofriam nos campos, colocando-os sob a proteção norte-americana. Em 1941, o governo dos Estados Unidos retirou Bingham de seu cargo e o transferiu para a Argentina, provavelmente apenas para tentar se livrar dele. Bingham foi, posteriormente, fundamental no rastreamento de criminosos de guerra nazistas.

7. Arcebispo Angelo Giuseppe Roncalli (Papa João 23), do Vaticano

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O arcebispo Angelo Giuseppe Roncalli, que mais tarde se tornou o Papa João 23, atuou como Delegado Apostólico na Turquia e Grécia. Angelo usou sua posição para ajudar o movimento clandestino judeu e salvar milhares de refugiados na Europa. Ele ainda auxiliou refugiados judeus que chegavam a Istambul a fugir para a Palestina ao arranjar dinheiro, transporte e suprimentos.
Angelo ainda liberou um grande número de judeus dos campos de concentração Jasenovac e Serede, concedendo-lhes documentos falsos de batismo. Em 28 de outubro de 1958, ele foi eleito papa e, mais tarde, foi o responsável por convocar o Concílio Vaticano II, que teve como objetivo renovar os ritos da Igreja Católica. O Papa João 23 também eliminou a descrição dos judeus como “enganosos” na liturgia da sexta-feira santa e fez uma confissão em nome da Igreja pelo pecado do anti-semitismo.

6. Selahattin Ulkumen, da Turquia

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O turco Selahattin Ulkumen era o Cônsul da Turquia em Rhodes, na Grécia, durante a Segunda Guerra Mundial. Ele agiu contra os desejos dos nazistas quando interveio na perseguição contra os judeus na cidade, a qual começou em 19 de julho de 1944. Ulkumen exigiu que os judeus turcos que haviam sido reunidos para a deportação fossem liberados, uma vez que o governo turco não discriminava os direitos de proteção dos seus cidadãos.
Finalmente, depois de muitos entraves burocráticos (e com medo de fazer ainda mais inimigos), a Gestapo desistiu dos judeus, que, em seguida, ficaram sob os cuidados e a proteção de Ulkumen. Em represália, os alemães bombardearam a embaixada turca, matando a esposa grávida de Ulkumen e prendendo-o junto com sua equipe durante todo o resto da guerra. Ulkumen sobreviveu ao conflito e morreu apenas em 2003.

5. Angelo Rotta, do Vaticano

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Como diplomata do Vaticano em Sofia, capital da Bulgária, Angelo Rotta salvou milhares de judeus por meio da emissão de certidões de batismo falsas, que concediam a eles uma passagem segura para a Palestina. Apesar de ter praticado repetidas vezes esse crime, passível de ser punido com a morte pelos nazistas, Monsignore não parou por aí.
Quando ele se tornou decano do corpo diplomático em Budapeste, na Hungria, ativamente condenou o holocausto no quintal de Hitler. Rotta emitiu mais de 15 mil certificados de conduta segura, o que concedia neutralidade aos judeus.
Angelo até mesmo visitou campos de trabalhos forçados e participou de marchas da morte para distribuir ainda mais certidões falsas de batismo. Além disso, ele pessoalmente instalou e protegeu diversas casas seguras em toda a cidade de Budapeste para acolher aqueles que havia salvado.

4. Friedrich Borns, da Cruz Vermelha da Suíça

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Friedrich Born foi delegado da Cruz Vermelha em Budapeste, capital húngara, entre maio de 1944 e janeiro de 1945. Seguindo o exemplo de Carl Lutz, Born também salvou milhares de judeus na cidade. Ele recrutou cerca de 3 mil para “trabalhar” em seu escritório, concedendo-lhes proteção, além de declarar várias casas seguras por toda a cidade e protegê-las por meio da Cruz Vermelha.
Além de tudo isso, ele também distribuiu 15 mil documentos de proteção que impedia a deportação de judeus húngaros. No total, estima-se que Fredrich tenha sido o responsável por poupar a vida de 11 a 15 mil pessoas.

3. Gilberto Bosques Saldivar, do México

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O mexicano Gilberto Bosques Saldivar era o Cônsul do México na França de Vichy durante a guerra. Gilberto ordenou sua equipe a emitir vistos a qualquer pessoa em busca de refúgio, em sua maioria judeus. Mais de 40 mil foram expedidos.
Giberto chegou a alugar um castelo e uma casa de veraneio na cidade de Marselha para abrigar os refugiados sob a proteção do território mexicano. Em 1943, Saldivar e sua família, juntamente com 40 de seus funcionários, foram presos pela Gestapo e detidos por um ano. Ele foi liberado durante uma troca de prisioneiros entre os governos mexicano e alemão. Gilberto não apenas sobreviveu à guerra como também só faleceu aos 103 anos. Outro caso de “anjo” que viveu muitos anos depois para contar suas histórias.

2. José Castellanos Contreras, de El Salvador

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Trabalhando como Cônsul de El Salvador na Suíça, José começou pequeno, concedendo a um empresário judeu da região da Transilvânia, na Romênia, e a seus familiares um visto para salvar a família inteira de um esquadrão da Gestapo que estava prestes a deportá-los.
Depois que ele se tornou o Cônsul Geral de El Salvador em Genebra, em 1942, José passou a emitir milhares de vistos para refugiados judeus, permitindo-lhes fugir para o continente americano.
Em 1944, a distribuição de documentos salvadorenhos tinha se tornado uma produção em série: José ajudava grupos judaicos para que eles próprios pudessem produzir as falsificações ilegais e permitir que mais judeus fossem salvos. Nesse ano, ele percebeu que poderia fazer ainda mais, de modo que secretamente começou a emitir 13 mil “certificados de cidadania salvadorenha” para judeus da Europa Central de graça.
O consulado salvadorenho foi o primeiro da América Latina a produzir esse tipo de documento contra a vontade de seus superiores e, obviamente, dos nazistas. Os judeus que possuíam o certificado ganhavam o direito de buscar refúgio com a Cruz Vermelha, além do próprio consulado suíço em Genebra. Os documentos foram os responsáveis por salvar milhares de judeus da extradição para os campos de extermínio nazistas. Acredita-se que as ações de José Castellanos Contreras e sua equipe salvaram a vida de uma quantia espantosa de vidas: entre 30 e 50 mil pessoas.

1. Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, do Brasil

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A brasileira Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, segunda esposa do escritor Guimarães Rosa, não podia ficar de fora desta lista. Aracy foi muito além dos deveres como uma funcionária que trabalhava no departamento de vistos na embaixada brasileira em Hamburgo, na Alemanha.
Ela usou sua posição como chefe da Seção de Passaportes – e contrariou ordens – para conceder vistos a judeus entre os anos de 1938 até 1942, quando o Brasil se juntou aos Aliados. O chamado Anjo de Hamburgo não só fornecia vistos, como também ajudava os refugiados financeiramente e com suprimentos para a viagem ao Brasil comprados com o dinheiro de seu próprio bolso. Ela ainda abrigava alguns deles.
Em 1938, entrou em vigor no Brasil a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Aracy ignorou a ordem oficial e continuou preparando vistos para judeus, permitindo a entrada deles por aqui. Como despachava documentos com o Cônsul Geral, a paranaense colocava os vistos entre a papelada para ser assinada. Para obter a aprovação dos vistos, Aracy simplesmente deixava de por neles a letra J, que identificava quem era judeu.
Nessa época, Guimarães Rosa era Cônsul Adjunto e eles ainda não eram casados. Ele soube do que ela fazia e apoiou sua atitude, com o que Aracy intensificou aquele trabalho, livrando muitos judeus da prisão e da morte. O “anjo” viveu até os 102 anos de idade, e faleceu apenas em 2011. Certamente podemos dizer que ela mereceu estes anos extras.

domingo, 10 de agosto de 2014

Raoul Wallenberg, salvador de judeus: em tempos obscuros, surgem homens dignos...


Schindler sueco' desafiou nazistas e salvou judeus da morte há 70 anos
SILVIO CIOFFI
OLIVIA FREITAS
DE SÃO PAULO
09/08/2014  Folha.Mundo.

Em julho de 1944, o sueco Raoul Wallenberg tinha 31 anos e uma missão na cabeça: salvar da deportação nazista estimados 100 mil judeus-húngaros que ainda viviam em Budapeste.
Naquele mês, ele chegava à Embaixada da Suécia na capital da Hungria.
Até essa data, o alemão Adolf Eichmann (1906-1962), oficial nazista em Budapeste, já havia enviado cerca de 400 mil pessoas ao campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, na Polônia.
Formado em arquitetura pela Universidade de Michigan (EUA) e vindo de uma família conhecida como "os Rockefellers da Suécia", Wallenberg contou com mais do que um clã influente para adquirir imunidade diplomática sueca e, com ela, agir numa Budapeste convulsionada pela ocupação alemã.
A ajuda extra veio do presidente americano Franklin Roosevelt, que nos derradeiros seis meses da guerra criou a organização "War Refugee Board", à qual o governo sueco aderiu.
A Suécia era neutra na Segunda Guerra Mundial; assim, na condição de diplomata (embora não de carreira), Wallenberg pôde emitir passaportes provisórios ("shutz-passes") e alugar prédios que, pintados de amarelo, serviriam de moradia e de "território seguro", garantindo a sobrevivência para milhares de perseguidos.
Por sua atitude, Wallenberg passou a ser chamado de "Schindler sueco", uma referência ao industrial alemão Oskar Schindler (1908-1974), famoso mundialmente por ter salvado cerca de 1.200 judeus do Holocausto, a maioria empregados de suas fábricas.
No último dia 9 de julho, em memória aos 70 anos da chegada de Wallenberg a Budapeste, o Congresso americano lhe concedeu postumamente a Medalha de Ouro. A honraria foi recebida por sua irmã, Nina Lagergren.
DISCUSSÃO ÁSPERA
Inimigos nada cordiais, Wallenberg e Eichmann possivelmente discutiram as deportações de judeus num jantar na casa do diplomata sueco Lars Berg, no fim de 1944.
Berg relembrou o diálogo áspero que ambos teriam tido em entrevista publicada pela "The New York Times Magazine" em 1980. "Foi um jantar especialmente civilizado para uma época brutal. Tomamos brandy, ninguém falou alto, mas era possível ver o fogo da artilharia russa através da janela [o Exército Vermelho começava o cerco a Budapeste para expulsar os nazistas]."
Nesse encontro, Wallenberg teria afrontado Eichmann e dito: "Veja, você tem que enfrentar isso. Perdeu a guerra. Por que não desistir agora?"
Eichmann teria respondido que o fim até poderia estar próximo, mas continuaria a fazer seu trabalho, mesmo que fosse morto.
Então, sempre de acordo com o relato de Berg, Eichmann e Wallenberg se encararam. "Não pense que você é imune só porque é um 'diplomata neutro'", teria dito o alemão.
Coincidência ou não, alguns dias depois, o carro diplomático de Wallenberg, sem a sua presença, foi esmagado por um caminhão.
Presidente do instituto que leva o nome de Raoul Wallenberg, o empresário argentino de origem armênia Eduardo Eurnekian, 81, que administra 52 aeroportos e é dono de bancos e vinícolas, diz não ter dúvidas de que Eichmann tinha conhecimento das atividades de Wallenberg.
Eurnekian o define como "brilhante, charmoso, falante e cheio de imaginação", além de ter sido "um dos principais salvadores que a humanidade já teve".
SUMIÇO E MISTÉRIO
Seis meses após a chegada de Wallenberg a Budapeste, o Exército Vermelho concluiu a ocupação da cidade, em 17 de janeiro de 1945.
Como os soviéticos eram aliados dos americanos, ele foi ao encontro do general russo Malinovsky.
Quando essa reunião ocorreu, a diplomacia soviética enviou telegrama aos suecos dizendo que Wallenberg estava a salvo, mas ele nunca mais foi visto.
A mãe de Wallenberg procurou a embaixada soviética em Estocolmo, capital sueca, em 1945, com um pedido de esclarecimentos sobre seu paradeiro. Como resposta, ouviu que ele "estava bem de saúde, num local seguro, em Moscou".
A diplomacia sueca não fez muito empenho em afrontar a União Soviética, pois Wallenberg não era, de fato, um diplomata de carreira. E, à época, ninguém queria confusão com os soviéticos.
Em 1947, um informe da chancelaria em Moscou disse que Wallenberg tinha morrido depois de sofrer um ataque cardíaco.
Logo depois, no mesmo ano, um encarregado de negócios estrangeiros soviético respondeu à questão do paradeiro de Wallenberg de modo diferente: "Ele não é uma pessoa conhecida na União Soviética".
Surgiram, então, rumores de que ele tinha morrido numa escaramuça de rua durante a tomada de Budapeste.
Em 1957, vários prisioneiros foram libertados e, entre eles, houve quem confirmasse ter visto Wallenberg num 'gulag' (campo de trabalhos forçados) soviético, afirmando que se referiam a ele como "o prisioneiro número 7".
ESPIÃO?
Presidente do instituto, Eurnekian acredita na possibilidade de o ditador soviético Josef Stálin (1878-1953) ter inferido que a operação de resgate dos judeus-húngaros poderia ser apenas um disfarce para Wallenberg, pois havia a suspeita de ele ser um espião a serviço dos EUA.
Hoje é sabido que Wallenberg tinha contato com agentes do Escritório de Serviços Estraégicos (OSS, na sigla em inglês), o serviço de segurança americano durante a Segunda Guerra, que foi o predecessor da CIA.
Especula-se que ele tenha sido cooptado ainda bem jovem, quando estudava na Universidade de Michigan.
"O sumiço de Wallenberg é um capítulo da história que permanece em aberto, e a verdade ainda pode emergir com a abertura de arquivos da burocracia moscovita", afirma Eurnekian.
O instituto que ele dirige oferece recompensa de € 500 mil (aproximadamente R$ 1,53 milhão) para quem der informações que ajudem a esclarecer o paradeiro de Wallenberg. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Ironias da Historia: nazistas retrataram um bebe judeu como perfeito representante da raca ariana...

Os nazistas foram perfeitos criminosos, seres indignos da Alemanha, ou simplesmente da "raça" humana.
Eles o foram por preconceito, aliás debilóide, estúpido, ignorante no mais alto grau, ao pretenderem dividir a humanidade em raças, muito embora certa ciência do século 19 também afirmasse a existência de raças.
Até aí, seria apenas preconceito. Mas os nazistas foram além: pretenderam escravizar "raças inferiores" e exterminar uma raça em especial, além de várias outras categorias de seres humanos que eles julgavam indignos de continuar vivendo.
Mao Tsé-tung e Stalin mataram muito mais, infinitamente mais, do que Hitler, inclusive aliados e supostos inimigos de classe, e por diversas outras motivações, mas eles o fizeram contra o seu próprio povo, em nome de projetos de engenharia social e atendendo a uma ideologia violenta, como é o marxismo e sua teoria da luta de classes.
Mas só Hitler, como poucos na história da humanidade, pretendeu eliminar radicalmente todo um povo, ou mesmo mais de um povo, talvez uma civilização inteira, como eram os judeus europeus. Foi um monstro, sem dúvida.
O fato de que os nazistas estúpidos tenham sido enganados por um dos representantes de um povo submetido é altamente irônico, mas demonstra, mais uma vez, como são falhos os julgamentos humanos baseados nas aparências.
Os companheiros petistas, e os militantes da causa negra, estão cometendo mais um crime racial no Brasil, felizmente sem exterminação. Mas eles também dividem a sociedade em afrodescendentes e todo o resto, o que é um racismo estúpido e criminoso contra a história do Brasil. Fica sendo uma das heranças malditas dos companheiros, junto com os racistas da causa afrodescendente, que terá de ser superada mais adiante.
Por enquanto fiquem com esta boa história num dos blogs do Washington Post.
Paulo Roberto de Almeida
The ‘perfect Aryan’ child used in Nazi propaganda was actually Jewish
Morning Mix, July 7 at 5:12 AM
The newlyweds came to Berlin as students, a pair of Latvian Jews who wanted to make it big in singing. In 1934, just after Adolf Hitler took control of Germany, the young Jewish woman became pregnant with a child who would soon become known as the “perfect Aryan.”
The photo was everywhere. It first adorned a Nazi magazine that held a beauty contest to find “the perfect Aryan” and then was later splashed across postcards and storefronts.

Image excerpted from the video testimony of Hessy Taft. (Courtesy of USC Shoah Foundation)

Less well-known, however, was the fact that the “Aryan” girl was actually Jewish.
As remarkable as that revelation is, more remarkable is the story that accompanies it. The girl, now 80 and named Hessy Levinsons Taft, recently presented the magazine cover, emblazoned with her baby photo, to the Yad Vashem Holocaust Memorial in Israel and offered her tale to the German newspaper Bild. But the extended version of what happened is found in anoral history she gave to the United States Holocaust Museum in 1990.
It begins in 1928 when her parents came to Berlin. Both were singers. The father, Jacob Levinsons, crooned a chocolate-smooth baritone. His wife, Pauline Levinsons, had studied at the renowned Riga Conservatory in Latvia.
Jacob had accepted a position at a local opera house and taken the stage name of Yasha Lenssen, his daughter recalled in the lengthy interview with the Holocaust Museum. It was the time of surging anti-Semitism in Berlin, and when “they found out that his name really was Levinsons,” she said, “they decided to cancel his contract.”
“Without any money” and living in a “very, very cramped one-room” apartment, the young couple gave birth to Hessy Levinsons on May 17, 1934. She was beautiful. So when she was 6 months old, the parents decided to have her picture taken. “My mother took me to a photographer,” she told the museum. “One of the best in Berlin! And he did — he made a very beautiful picture — which my parents thought was very beautiful.”
They liked it so much, they framed it and propped it up on the piano her father had given her mother as a present after Hessy was born. They had thought the picture was a private family photo. But soon after, a woman who helped clean the apartment arrived to deliver some surprising news.
“‘You know,’” the woman said, “‘I saw Hessy on a magazine cover in town.’”
Hessy’s mother found that impossible to believe. A lot of babies look the same, the mother explained, and surely the helper was mistaken. But she wasn’t.
“‘No, no, no, no,’” the helperexplained to Taft’s mother. “It’s definitely Hessy. It’s this picture. Just give me some money, and I’ll get you the magazine.”
Money changed hands, and the helper soon returned with a magazine. A headline that said “the Sun in the Home” stretched across the top with the same picture that was there, resting on the piano. “The magazine was published out of Leipzig [in central Germany] and was very definitely one of the few magazines allowed to circulate at the time,” Taft said in the oral history, “because it was a Nazi magazine.” She said the pages brimmed with images of “men wearing swastikas” and even one of Hitler himself “reviewing the troops.”
The parents were terrified. Why was their Jewish infant on the cover of a Nazi magazine lauding Hitler’s exploits?
They contacted the photographer, according to Hessy’s account. “‘What is this?’” the daughter says her mother asked. “‘How did this happen?’”
The photographer told her to quiet down. “‘I will tell you the following,’” the story went. “‘I was asked to submit my 10 best pictures for a beauty contest run by the Nazis. So were 10 other outstanding photographers in Germany. So 10 photographers submitted their 10 best pictures. And I sent in your baby’s picture.’”
“‘But you knew that this is a Jewish child,’” the mother exclaimed.
“‘Yes,’” he said, explaining there had been a competition to find the “‘perfect example of the Aryan race to further Nazi philosophy…. I wanted to allow myself the pleasure of this joke. And you see, I was right. Of all the babies, they picked this baby as the perfect Aryan.’”
Family stories are always prone to hyperbole, distortion and exaggeration — but this appears to be true. Taft has reams of photographs that show her in numerous publications and cards. “I can laugh about it now,” the Telegraph quotes Taft, now a chemistry professor at St. John’s University in New York, as saying. “But if the Nazis had known who I really was, I wouldn’t be alive.”
The parents were equally shocked and “amazed at the irony of it all.” In the weeks afterward, the picture was everywhere. It was in storefront windows, in advertisements and on postcards. One time, Taft says her aunt went to the store to buy a birthday card for her first birthday in May of 1935 only to find a card with Taft’s baby picture on it. “My aunt didn’t say another word, but she bought the postcard which my parents brought with them throughout the years.”
Eventually, the family fled Europe and found refuge in Cuba for years before immigrating to the United States in the late 1940s and settling in New York City. Hessy Levinsons got married and became Hessy Taft. But the father stayed behind in Havana to operate a business, which eventually foundered under the rise of Fidel Castro. “He always said, ‘I have survived Hitler; I will survive Castro,’” Taft said. “And he did. He did.”

Terrence McCoy is a foreign affairs writer at the Washington Post. He served in the U.S. Peace Corps in Cambodia and studied international politics at Columbia University. Follow him on Twitter here.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Uma nova historia dos judeus, pelas palavras, por Simon Schama - Dwight Garner (book review)


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Simon Schama, the prolific and protean British historian whose topics have included the French Revolutionand the history of art, arrives now with a history of the Jewish people, and it’s a multimedia happening: two books and a five-part television documentary being broadcast on the BBC and PBS.
The first volume, “The Story of the Jews: Finding the Words 1000 BC-1492 AD,” is before us. The second, out this fall, takes us up to the present day. It bears a rather more somber subtitle: “When Words Fail: 1492-Present.”
It’s no accident that the subtitles alight on language. Mr. Schama is a wordy, frequently witty writer about a wordy, witty culture. Considering the Dead Sea Scrolls, for example, he can’t help summarizing a bit of the implied content in one of them this way: “We are going to write the enemy into capitulation! Surrender to our verbosity or else!”
Mr. Schama’s own verbosity offers deep pleasures. If he occasionally writes the reader into capitulation — there are more zealots and harlots, uprootings and assaults, curses and hymns, doves and asses, and parched throats and sacrificed goats in this book than you can easily keep in your head at one time — he mostly wears his erudition lightly.
Photo

CreditSonny Figueroa/The New York Times
This story has, to be sure, been related many times before. “Anyone venturing into Jewish history has to be dauntingly aware,” Mr. Schama observes, “of the immense mountain ranges of multivolume scholarship towering behind him.” His is the kind of book that more academic historians sometimes disparage as paddling in a genre that’s been described as, “read 10 books, write an 11th.”
But Mr. Schama’s “The Story of the Jews” is exemplary popular history. It’s engaged, literate, alert to recent scholarship and, at moments, winningly personal. Observing the ancient jugs and amphorae and other kitchenware unearthed during an archaeological dig, for example, he spies a beautiful baking tray and comments, “I am suddenly at home in this kitchen, preparing a meal, reaching for the oil.”
Jewish history has survived, thanks to its people’s intense literacy. “From the beginning of the culture’s own self-consciousness, to be Jewish was to be Bookish,” Mr. Schama writes. Jews carried the Torah everywhere, sometimes in miniaturized versions on their persons. Burning it was little use; these people had it memorized.
The Torah had everything a mentally omnivorous culture needed. Mr. Schama describes it as “compact, transferable history, law, wisdom, poetic chant, prophecy, consolation and self-strengthening counsel.” Yet that the Jews have come so close to annihilation so many times also demonstrates the limits of words alone. As Mr. Schama writes elsewhere, “There are certain things poetry can’t do: prolong the life of doomed states, for example.”
Mr. Schama’s history commences around the time Jews began to be thought of, by scholars, as a unified people; it ends with the Spanish Inquisition and the Jews’ expulsion from Spain. In between, the author swivels among civilizations, depicting Jewish life in the ancient Near East, in the Roman and Hellenistic world, and mingled with early Christianity and Islam. His narrative stresses that Jews have not been, as is often imagined, a culture apart; their culture has busily intermingled with many others.
    Mr. Schama mediates between historians. He lingers on the “procession of pink-faced Anglos — Bible scholars, missionaries, military engineers, mappers and surveyors, kitted out with their measuring tapes, their candles, notebooks, sketchbooks and pencils, accompanied by their NCOs and fellah-guides,” who have crisscrossed biblical lands, searching for relics.
    Photo

    Simon SchamaCreditOxford Film and Television
    The author himself combs through all manner of historical evidence, and is winsome about much of it. “So much classical history can be written in its plumbing,” he says. We realize that Josephus is the first real Jewish historian, Mr. Schama comments, “when, with a twinge of guilt, he introduces his mother into the action.”
    At moments, this volume breaks into broad comedy. There is an extended riff on the surreptitious pickling that surely occurred on the Sabbath (“Woe betide you, O illicit pickler!”) that is nearly worth the price of admission alone.
    But comedy “The Story of the Jews” is not. To study Jewish history is to study what it means to be hurt, to be despised, to be considered filthy and homicidal. Mr. Schama is thorough on the vindictive paranoia that has run rampant through history. He pauses to detail, in particular, the Judeophobic mobs in 12th- and 13th-century England who slaughtered and expelled Jews on the slightest of pretexts, a bit of history his country pretends, he suggests, did not occur.
    Mr. Shama writes: “How can God permit such a thing to happen to His People? That’s what we always ask when cinders smart the eyes and we begin to spit soot.” Jewish faith and resilience are awesome to observe in this volume.
    Mr. Schama is Jewish, but not especially religious. (I find it impossible to apply the term “nonobservant” to someone who observes so well.) Yet he is aware that there are essentially two Jewish stories running parallel to each other: “one from the archaeological record, one through the infinitely edited, redacted, anthologized, revised work that will end up as the Hebrew Bible.”
    His loyalty is obviously to the hard evidence. At the same time, he declares that “the ‘minimalist’ view of the Bible as wholly fictitious, and unhooked from historical reality, may be as much of a mistake as the biblical literalism it sought to supersede.”
    As much as Mr. Schama revels in the language of Jewish religious texts, it’s the secular commentary he more often thrills to. He pauses to praise the medieval philosopher Maimonides’s “lip-smacking, fist-punching relish for detail.” Finding a scrap of text on a pottery shard, Mr. Schama suggests, is like discovering “the equivalent of a Hebrew tweet.” Sometimes, he writes, “the tweets turn into true texts: stories of grievances, anxieties, prophecies, boasts.”
    It’s a point this pungent book makes over and over: “In this story you don’t escape the words.”

    THE STORY OF THE JEWS

    Finding the Words 1000 BC-1492 AD
    By Simon Schama
    Illustrated. 496 pages. Ecco. $39.99.