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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

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sábado, 18 de novembro de 2017

Rubens Ricupero: video sobre A Diplomacia na Construcao do Brasil - YouTube

Coordenei a feitura de um vídeo, com fundo musical  (Bachianas Brasileiras n. 7, de Heitor Villa Lobos), contendo imagens e frases do livro de Rubens Ricupero: A Diplomacia na Construção do Brasil, 1750-2016 (Rio de Janeiro: Versal Editores, 2017), elaborado por Maria Luisa dos Anjos (IPRI), sob a coordenação de Paulo Roberto de Almeida, Diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, IPRI-Funag/MRE.
Disponível neste link do meu canal no YouTube: https://youtu.be/R3Ijz2KDkEU
Disponível neste link do canal do IPRI no YouTube: https://youtu.be/y3SsC0v_i5Q





sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Rubens Ricupero e a diplomacia brasileira: Casa Thomas Jefferson (Asa Sul), 20/11, 19hs


Rubens Ricupero recebe na Casa Thomas Jefferson para um debate informal, seguido de coquetel, em torno de seu livro: A diplomacia na construção do Brasil, 1750-2016 (Rio de Janeiro: Versal Editores, 2017), que estará disponível na ocasião.


Todos são bem vindos.



quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Rubens Ricupero: A Diplomacia na Construcao do Brasil: IRel-UnB, 20/11, 14h30


Aproveito para divulgar a minha resenha deste livro:

“Construindo a nação pelos seus diplomatas: resenha do livro de Rubens Ricupero”, Brasília, 27 setembro 2017, 3 p. Resenha de A diplomacia na construção do Brasil, 1750-2016 (Rio de Janeiro: Versal Editores, 2017). Encaminhada ao Estado de S. Paulo. Publicado, sob o título “O Brasil segundo a diplomacia”, na versão impressa, no jornal O Estado de S. Paulo (domingo, 8 de outubro de 2017, p. , Caderno Aliás-Política; sob o título, na versão digital, de História da diplomacia no Brasil tem novo livro definitivo”, em 7/10/2017; link: http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,historia-da-diplomacia-no-brasil-tem-novo-livro-definitivo,70002030739). Divulgado no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/09/cesse-tudo-o-que-musa-antiga-canta.html); novamente, depois de publicada, no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/10/resenha-do-livro-do-ricupero-publicada.html).


Construindo a nação pelos seus diplomatas: o paradigma Ricupero

Paulo Roberto de Almeida


Em meados do século XX, os candidatos à carreira diplomática tinham uma única obra para estudar a política externa brasileira: a de Pandiá Calógeras, publicada em torno de 1930, equivocadamente intitulada A Política Exterior do Império, quando partia, na verdade, da Idade Média portuguesa e chegava apenas até a queda de Rosas, em 1852. Trinta anos depois, os candidatos passaram a se preparar pelo livro de Carlos Delgado de Carvalho, História Diplomática do Brasil, publicado uma única vez em 1959 e durante muitos anos desaparecido das livrarias e bibliotecas. No início dos anos 1990, passou a ocupar o seu lugar o livro História da Política Exterior do Brasil, da dupla Amado Cervo e Clodoaldo Bueno. Finalmente, a partir de agora uma nova obra já nasce clássica: A Diplomacia na Construção do Brasil, 1750-2016 (Rio de Janeiro: Versal, 2017, 780 p.), do embaixador Rubens Ricupero, ministro da Fazenda quando da introdução do Real, secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento nos anos 1990, atualmente aposentado.
O imenso trabalho não é uma simples história diplomática, mas sim uma história do Brasil e uma reflexão sobre seu processo de desenvolvimento tal como influenciado, e em vários episódios determinado, por diplomatas que se confundem com estadistas, aliás desde antes da independência, uma vez que a obra parte da Restauração (1680), ainda antes primeira configuração da futura nação por um diplomata brasileiro a serviço do rei português: Alexandre de Gusmão, principal negociador do Tratado de Madri (1750). Desde então, diplomatas nunca deixaram de figurar entre os pais fundadores do país independente, entre os construtores do Estado, entre os defensores dos interesses no entorno regional, como o Visconde do Rio Branco, e entre os definidores de suas fronteiras atuais, como o seu filho, o Barão, já objeto de obras anteriores de Ricupero.
O Barão do Rio Branco, aliás, é um dos poucos brasileiros a ter figurado em cédulas de quase todos os regimes monetários do Brasil, e um dos raros diplomatas do mundo a se tornar herói nacional ainda em vida. Ricupero conhece como poucos outros diplomatas, historiadores ou pesquisadores acadêmicos a história diplomática do Brasil, as relações regionais e o contexto internacional do mundo ocidental desde o início da era moderna, professor que foi, durante anos, no Instituto Rio Branco e no curso de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. Formou gerações de diplomatas e de candidatos à carreira, assim como assessorou ministros e presidentes desde o início dos anos 1960, quando foi o orador de sua turma, na presidência Jânio Quadros.
Uma simples mirada pelo sumário da obra confirma a amplitude da análise: são dezenas de capítulos, vários com múltiplas seções, em onze grandes partes ordenadas cronologicamente, de 1680 a 2016, mais uma introdução e uma décima-segunda parte sobre a diplomacia brasileira em perspectiva histórica. Um posfácio, atualíssimo, vem datado de 26 de julho de 2017, no qual ele confessa que escrever o livro foi “quase um exame de consciência... que recolhe experiências e reflexões de uma existência” (p. 744). Ricupero concluiu o texto principal pouco depois do impeachment da presidente que produziu a maior recessão da história do Brasil, e o fecho definitivo quando uma nova crise “ameaça engolir” o seu sucessor. O núcleo central da obra é composto por uma análise, profundamente embasada no conhecimento da história, dos grandes episódios que marcaram a construção da nação pela ação do seu corpo de diplomatas e dos estadistas que serviram ao Estado nessa vertente da mais importante política pública cujo itinerário – à diferença das políticas econômicas ou das educacionais – pode ser considerado como plenamente exitoso.
A diplomacia brasileira começou por ser portuguesa, mas se metamorfoseou em brasileira pouco depois, e a ruptura entre uma e outra deu-se na superação da aliança inglesa, que era a base da política defensiva de Portugal no grande concerto europeu. Já na Regência existe uma “busca da afirmação da autonomia” (p. 703), conceito que veio a ser retomado numa fase recente da política externa, mas que Ricupero demonstra existir embebido na boa política exterior do Império. A construção dos valores da diplomacia do Brasil se dá nessa época, seguido pela confiança no Direito como construtor da paz, o princípio maior seguido pelo Barão do Rio Branco em sua diplomacia de equilíbrio entre as grandes potências da sua época. Vem também do Barão a noção de que uma chancelaria de qualidade superior devia estar focada na “produção de conhecimento, a ser extraído dos arquivos, das bibliotecas, do estudo dos mapas” (p. 710). Esse contato persistente, constante, apaixonante pela história, constitui, aliás, um traço que Ricupero partilha com o Barão, o seu modelo de diplomata exemplar, objeto de uma fotobiografia que ele compôs com seu antigo chefe, o embaixador João Hermes Pereira de Araujo, com quem ele construiu o Pacto Amazônico, completando assim o arco da cooperação regional sul-americana iniciada por Rio Branco setenta anos antes.
O livro não é, como já se disse, uma simples história diplomática, mas sim um grande panorama de mais de três séculos da história brasileira, uma vez que nele, como diz Ricupero, “tentou-se jamais separar a narrativa da evolução da política externa da História com maiúscula, envolvente e global, política, social, econômica. A diplomacia em geral fez sua parte e até não se saiu mal em comparação a alguns outros setores. Chegou-se, porém, ao ponto extremo em que não mais é possível que um setor possa continuar a construir, se outros elementos mais poderosos, como o sistema político, comprazem-se em demolir. A partir de agora, mais ainda que no passado, a construção do Brasil terá de ser integral, e a contribuição da diplomacia na edificação dependerá da regeneração do todo” (p. 738-9). O paradigma diplomático já foi oferecido nesta obra; falta construir o da nação.

[Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 27 de setembro de 2017]

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Historia da Riqueza no Brasil - livro de Jorge Caldeira

Não concordo em que Geisel e Lula tenham tido "ideologias diferentes", e ainda assim tenham praticado "políticas econômicas semelhantes". Eles tinham ideologias absolutamente idênticas, o mesmo nazismo econômico, o mesmo nacionalismo obtuso, o mesmo intervencionismo idiota, o mesmo estatismo desenfreado, talvez por motivos e caminhos diferentes, mas exatamente iguais em intenções e resultados, ou  seja, o nosso atraso.
Não concordo, tampouco, em que Mao Tsé-Tung tenha decidido lançar a China no comércio internacional. Mao, como Lênin, podia ser um grande líder político, este bom organizador de um partido de revolucionários profissionais e ousado líder de um putsch, o primeiro o condutor de homens em armas para a conquista violenta do poder pela guerra civil, mas ambos foram absolutamente estúpidos em matéria econômica, fechando mercados, liderando um processo de escravidão moderna, praticando deformações econômicas monstruosas.
Mas, preciso ler o livro de Caldeira, para opinar sobre suas ideias, argumentos, demonstrações, mas desde já afirmo que não considero Piketty digno de citação como metodologia econômica.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 27 outubro 2017

HISTÓRIA DA RIQUEZA NO BRASIL
AUTOR: Jorge Caldeira
EDITORA: Estação Brasil (622 págs.)
QUANTO: R$ 69,90

...” a proximidade do ponto de vista econômico do governo Geisel, na década de 70, e do segundo mandato de Lula, na segunda metade dos anos 2000. Para Caldeira, no intuito de reforçar o mercado interno, ambos reduziram o contato da economia do Brasil com o exterior, levando o país à recessão.”...

...”Com as mudanças implantadas por Ruy Barbosa, em 1890, começa uma onda de crescimento gigantesca. Em 1906, a política de valorização do café contribuiu para o grande desenvolvimento econômico. O país crescia perto de 6% ao ano, às vezes mais. Houve ainda uma modernização acelerada do Brasil. Em 1929, a indústria já era do tamanho da agricultura no PIB brasileiro."...
...Em 1973, o PIB do Brasil era maior que o da China. Foi neste momento que esses dois países tomaram decisões opostas.
Mao Tsé-Tung decidiu lançar a China ao comércio internacional, o que ocorreu também com Japão e Cingapura. 
No Brasil, Ernesto Geisel interpretou o momento de modo diferente. Decidiu aumentar o isolamento do país porque o mercado interno parecia para o governo dele muito melhor do que as oportunidades no mundo. Pegou, então, dinheiro emprestado no exterior para investir em estatais. 
Houve uma recessão brutal, ou seja, o Brasil perdeu a aposta contra a globalização." ...


Lula e Geisel tomaram rumo semelhante na economia, diz autor

NAIEF HADDAD
DE SÃO PAULO 
Autor de obras relevantes para a compreensão da história econômica do país, como "Mauá, Empresário do Império" (1995) e "Nem Céu Nem Inferno" (2015), o escritor e jornalista Jorge Caldeira, 61, lança "História da Riqueza no Brasil", um de seus livros mais ambiciosos. 
Mestre em sociologia e doutor em ciência política, ambos pela USP, Caldeira reavalia parte expressiva dos rumos econômicos trilhados pelo país. 
Ele diverge da historiografia tradicional, por exemplo, nos capítulos dedicados ao Brasil colônia. De acordo com os autores clássicos, nesse período só o latifúndio produzia riqueza, que era enviada ao exterior em sua quase totalidade. Caldeira, contudo, escreve que a colônia tinha um mercado interno forte, muito além das grandes propriedades, e uma economia mais dinâmica que a da metrópole. 
Para alcançar conclusões como essa, ele recorreu intensamente à antropologia e à econometria, que aplica a matemática e a estatística à teoria econômica. 
"A história econômica do país está em processo de mudança. Basta ver o sucesso que o Piketti tem feito no Brasil", diz Caldeira.
O francês Thomas Piketty é autor do best-seller "O Capitalismo no século 21", que reúne novas informações sobre a economia mundial partir da comparação de dados estatísticos de dezenas de países. 
"Quando você tem esses dados no computador e consegue comparar as informações, é possível chegar a um retrato espetacular. Os livros que faço são filhos dessa mudança tecnológica", afirma o autor, que não critica a historiografia tradicional. 
"Informações como as que eu obtive, a partir da econometria, simplesmente não estavam ao alcance dos clássicos", afirma.
Nos capítulos finais de "História da Riqueza no Brasil", que tem mais de 600 páginas, ele indica a proximidade do ponto de vista econômico do governo Geisel, na década de 70, e do segundo mandato de Lula, na segunda metade dos anos 2000. Para Caldeira, no intuito de reforçar o mercado interno, ambos reduziram o contato da economia do Brasil com o exterior, levando o país à recessão. 
"É difícil entender como, a partir de ideologias opostas, Lula e Geisel tenham tomado rumos semelhantes na economia. Essa é uma pergunta sobre a ideologia para a qual não tenho respostas. O livro traz perguntas, não respostas", diz ele, que estuda a história econômica brasileira há mais de três décadas. 
* 
BRASIL COLÔNIA
"A ocupação antes da chegada dos portugueses é definida pela historiografia tradicional por meio do conceito de economia de subsistência, segundo o qual povos que não têm um grau de desenvolvimento alto produzem apenas o mínimo necessário para manter a existência vital. Agora, [há uma nova visão] que indica uma economia produtiva, capaz de reagir a novidades.
Já sobre o Brasil colônia, os autores clássicos dizem que, nesse período, a riqueza foi para fora do país, e só o latifúndio produzia riqueza. Pela definição atual [baseada em estudos de econometria], a economia da colônia se tornou mais dinâmica que a da metrópole, mesmo com o governo central mandando dinheiro para fora do país. Esse é o retrato do Brasil em 1800.
Faço comparações possíveis com o resto do mundo. A essa altura, o Brasil tinha aproximadamente a mesma dimensão da economia dos EUA."
IMPÉRIO
"Segundo a historiografia tradicional, esse é o período em que o Brasil começou a ter algum progresso. Pelos dados recentes da econometria, porém, foi uma economia que permaneceu estagnada durante 70 anos. Nessa fase, o crescimento da renda per capita foi zero. 
Isso ocorreu justamente quando as economias do Ocidente começaram a crescer. Ao fim desse período, a economia brasileira passou a representar menos de 10% da economia dos EUA" 
A PRIMEIRA REPÚBLICA
"A visão tradicional é de um período agrário, em que o Brasil não progrediu muito. Prevalecia a política dos coronéis. De fato, a política era ruim, mas a economia não, como mostra a econometria. 
Com as mudanças implantadas por Ruy Barbosa, em 1890, começa uma onda de crescimento gigantesca. Em 1906, a política de valorização do café contribuiu para o grande desenvolvimento econômico. O país crescia perto de 6% ao ano, às vezes mais. 
Houve ainda uma modernização acelerada do Brasil. Em 1929, a indústria já era do tamanho da agricultura no PIB brasileiro."
A PARTIR DE 1930
"No período que vai de 1930 ao regime militar, há coincidência entre a interpretação tradicional e a econometria. A economia continua crescendo em ritmo acelerado, e os outros países, em geral, não.
Considerando o intervalo entre 1890 e 1970, a economia brasileira foi a que mais cresceu no mundo, um desempenho excepcional.
O que mais interessa, no entanto, é o que aconteceu dos anos 70 em diante. Em 1973, o PIB do Brasil era maior que o da China. Foi neste momento que esses dois países tomaram decisões opostas. 
Mao Tsé-Tung decidiu lançar a China ao comércio internacional, o que ocorreu também com Japão e Cingapura. 
No Brasil, Ernesto Geisel interpretou o momento de modo diferente. Decidiu aumentar o isolamento do país porque o mercado interno parecia para o governo dele muito melhor do que as oportunidades no mundo. Pegou, então, dinheiro emprestado no exterior para investir em estatais.
Houve uma recessão brutal, ou seja, o Brasil perdeu a aposta contra a globalização." 
ÚLTIMOS 30 ANOS
"[A partir da redemocratização], os governos Collor, Itamar e Fernando Henrique tentaram refazer essas ligações internacionais para aproveitar as oportunidades. O Lula inicialmente também. 
Mas depois o Lula teve a brilhante ideia de nacionalizar o pré-sal. Imaginava-se que os royalties resolveriam os problemas do país.
A aposta vai no mesmo sentido do que fez Geisel, para quem apostar no que está aqui dentro é muito melhor do que manter a integração com os demais países. À parte a corrupção e outros problemas, esse erro estratégico do Lula, apoiado pelo Congresso e por empresários, resultou nessa recessão recente. Foi, portanto, uma segunda aposta perdida contra a globalização." 
RECESSÃO
"Tenho a impressão de que a recessão que se seguiu à renúncia de Dom Pedro 1º, em 1831, foi maior que a crise econômica dos anos recentes. Houve uma destruição social, que resultou, por exemplo, na Cabanagem, no Pará, e acabou em prostração econômica. Mas digo isso intuitivamente, não há dados econométricos para comprovar isso. 
Com os números em mãos, podemos dizer que essa de 2015 e 2016 foi mais grave que a de 1929 e também que a dos anos 1980". 
IDEOLOGIAS
"É difícil entender como, a partir de ideologias opostas, Lula e Geisel tenham tomado rumos semelhantes na economia. Essa é uma pergunta sobre a ideologia para a qual não tenho respostas. Esse livro traz perguntas, não respostas. 
Me pergunto também se essas ideologias que nós vemos como opostas não são apenas sobras de uma era que ficou no passado. E me pergunto também se o Fla-Flu ideológico dos dias de hoje não é só um modo de manter vivo algo que não explica mais o Brasil. 
Sobre o governo Dilma, tenho a seguinte impressão: quando já havia indícios suficientes de que essa condução da economia não daria certo, em 2012, 2013, Dilma ainda tinha convicção de que era o melhor caminho. Até o ponto que não deu mais, depois da reeleição dela. 
Por outro lado, é preciso entender que a situação é sempre difícil para quem dirige a nação. Passado o tempo, é fácil julgar a história. Quanto mais perto do presente, mais complicado é fazer isso".
ALTOS E BAIXOS
"Se pensarmos no longo período de que esse livro trata, 520 anos, o Brasil tem cerca de 400 bons anos. Portanto, não é o fim do mundo.
O que há em comum nessas fases ruins, que somam 120 anos, é tratar uma peculiaridade local como se fosse boa para o universo. O Brasil não é o centro do mundo. 
Quando a economia brasileira deixa de olhar para o resto do mundo, oportunidades são perdidas"
- 
HISTÓRIA DA RIQUEZA NO BRASIL
AUTOR: Jorge Caldeira
EDITORA: Estação Brasil (622 págs.)
QUANTO: R$ 69,90


CRÍTICA 

Amparado em números, Caldeira explica cinco séculos de Brasil

 O jornalista e historiador Jorge Caldeira


NAIEF HADDAD
DE SÃO PAULO 
Não faltassem dois meses para o arremate de 2017, seria possível cravar: "História da Riqueza no Brasil" (ed. Estação Brasil), de Jorge Caldeira, é o grande lançamento de não ficção do ano no país. 
O livro representa o ápice até aqui da carreira do escritor e jornalista Caldeira, 61, em seus estudos de mais de três décadas sobre a história econômica do país. 
É o 16º livro dele, cuja bibliografia é composta por obras de prestígio como "Mauá, O Empresário do Reino" (1995), "O Banqueiro do Sertão" (2006) e "Júlio Mesquita e seu Tempo" (2015). 
Para a concepção de "História da Riqueza no Brasil", Caldeira não abandonou os métodos usuais dos historiadores, como a consulta aos documentos de época. Mas a excelência do projeto se deve sobretudo a duas outras iniciativas, ambas em ascensão, embora ainda sejam incomuns no ambiente acadêmico brasileiro. 
A primeira foi lançar mão da antropologia para uma leitura mais completa da história econômica, especialmente do período que antecede a chegada dos portugueses e do Brasil colônia. 
Mestre em sociologia e doutor em ciência política, ambos pela USP, o autor se valeu de uma variedade de estudos de campo, entre os quais se destacam as pesquisas da cultura guarani pelo antropólogo francês Pierre Clastres (1934-1977). 
A segunda, e mais importante, decisão de Caldeira foi usar a econometria, como, aliás, tem feito nos seus livros mais recentes. Grosso modo, trata-se de um método estatístico de análise de dados econômicos, que só se tornou plenamente viável graças ao avanço da tecnologia nas últimas quatro décadas. 
Caldeira não é o primeiro historiador brasileiro a recorrer às fontes da antropologia e da econometria. O caráter pioneiro da sua obra está, na verdade, na combinação exaustiva desses novos conhecimentos e técnicas de pesquisa para montar um retrato tão abrangente, ou seja, mais de cinco séculos dos rumos econômicos do país. 
Em geral, a historiografia clássica descreve o Brasil colônia como período em que só os latifúndios produziam riqueza, e todo o excedente seguia para Portugal. Não existia dinamismo mercantil.
O livro recém-lançado reavalia, para dizer o mínimo, essa abordagem tradicional. 
"Com a acumulação dos dados, ficou cada vez mais evidente que, no final do século 18, a economia colonial brasileira era pujante, e pujante em decorrência do crescimento do seu mercado interno. Mais ainda, era uma economia bem maior que a da metrópole", escreve Caldeira no capítulo 19.
Também redimensiona outros períodos, como o Império e a Primeira República. 
Ao comparar dados do Brasil e de outros países, como os Estados Unidos, Caldeira mostra onde caímos do bonde da história –ou deixamos de pegá-lo. 
Por volta de 1800, a economia brasileira tinha porte equivalente à dos EUA. Ao fim do período imperial, nos últimos anos do século 19, o peso econômico do país representava menos de 10% do ostentado pelos americanos.
Amparado em números, "História da Riqueza no Brasil" poderia resultar em um inextricável compêndio de estatísticas. Não é o que acontece graças à capacidade de Caldeira de escrever como um jornalista faz –ou como deveria fazer. Prevalecem no livro a clareza, a fluência e a atenção ao contexto e às boas histórias. 
Outro cuidado do autor é, à luz das divergências, não soar desrespeitoso com os clássicos. Afinal, o acesso às comparações entre bancos de dados é muito recente. 
Caldeira nos faz crer que seu livro é só um passo inicial de um longo trabalho de reescrever o passado.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Filosofia chinesa: aspectos internacionais - Fung Yu-Lan (1947)

Trechos de um livro de História da Filosofia Chinesa, que a Carmen Lícia trouxe para casa, e que estou copiando de um capítulo dedicado apenas a aspectos internacionais desse pensamento:

"When the Mongols and Manchus conquered China, they had already to a considerable extent adopted the culture of the Chinese. They dominated the Chinese politically, but the Chinese dominated them culturally. They therefore did not create a marked break of change in the continuity and unity of Chinese culture and civilization, with which the Chinese were most concerned.
(...)
The introduction of Budhism seems to have given many Chinese the realization that civilized people other than Chinese existed, but traditionally there have been two kinds of opinion regarding India. Those Chinese who opposed Budhism believed that the Indians were simply another tribe of barbarians. Those who believed in Budhism, on the other hand, regarded India as the 'pure land of the West'. (...)
As a result of these concepts, when the Chinese first came in contact with Europeans in the sixteenth and seventeenth centuries, they thought that they were simply barbarians like preceding barbarians, and so they spoke of them as barbarians. As a consequence they did not feel greatly disturbed, even though they suffered many defeats in fighting with them. They began to be disturbed, however, when they found that the Europeans possessed a civilization equal to, though different from, that of the Chinese. What was novel in the situation was not that peoples other than Chinese existed, but that their civilization was one of equal power and importance."

p. 346, 348-350, of:
Fung Yu-Lan
A Short History of Chinese Philosophy
Beijing: Foreign Language Teaching and Research Press, 2017
A partir de um original de Fung Yu-Lan
June 1947, University of Pennsylvania

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Nesta sexta-feira, 20 de outubro, o CEBRI realizará o seminário 
"A Diplomacia na construção do Brasil", 
para lançamento do livro do Ministro Rubens Ricupero. 
O evento ocorrerá na Academia Brasileira de Letras, localizado n
Av. Presidente Wilson, 203,  das 10h às 12h.
Você pode se inscrever clicando na imagem abaixo.
 

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Resenha do livro do Ricupero publicada: OESP, 8/10/2017

Meu artigo mais recente publicado, na verdade a resenha do livro do Ricupero: 

Addendum intrometido: Programa Roda Viva com o Embaixador Ricupero, em 9/10/2017, neste link: https://www.youtube.com/watch?v=f7JGDD2POTo


1266. “O Brasil segundo a diplomacia”, [Resenha de A diplomacia na construção do Brasil, 1750-2016 (Rio de Janeiro: Versal Editores, 2017)], O Estado de S. Paulo (domingo, 8 de outubro de 2017, p. E2, Caderno Aliás, Política, sob o título ““História da diplomacia no Brasil tem novo livro definitivo”, em 7/10/2017, link: http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,historia-da-diplomacia-no-brasil-tem-novo-livro-definitivo,70002030739).  Divulgado no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/09/cesse-tudo-o-que-musa-antiga-canta.html). Relação de Originais n. 3168.


Transcrevo o texto, já postado neste espaço, para melhor leitura dos interessados:


Construindo a nação pelos seus diplomatas: o paradigma Ricupero

Paulo Roberto de Almeida 

Em meados do século XX, os candidatos à carreira diplomática tinham uma única obra para estudar a política externa brasileira: a de Pandiá Calógeras, publicada em torno de 1930, equivocadamente intitulada A Política Exterior do Império, quando partia, na verdade, da Idade Média portuguesa e chegava apenas até a queda de Rosas, em 1852. Trinta anos depois, os candidatos passaram a se preparar pelo livro de Carlos Delgado de Carvalho, História Diplomática do Brasil, publicado uma única vez em 1959 e durante muitos anos desaparecido das livrarias e bibliotecas. No início dos anos 1990, passou a ocupar o seu lugar o livro História da Política Exterior do Brasil, da dupla Amado Cervo e Clodoaldo Bueno. Finalmente, a partir de agora uma nova obra já nasce clássica: A Diplomacia na Construção do Brasil, 1750-2016 (Rio de Janeiro: Versal, 2017, 780 p.), do embaixador Rubens Ricupero, ministro da Fazenda quando da introdução do Real, secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento nos anos 1990, atualmente aposentado.
O imenso trabalho não é uma simples história diplomática, mas sim uma história do Brasil e uma reflexão sobre seu processo de desenvolvimento tal como influenciado, e em vários episódios determinado, por diplomatas que se confundem com estadistas, aliás desde antes da independência, uma vez que a obra parte da Restauração (1680), ainda antes primeira configuração da futura nação por um diplomata brasileiro a serviço do rei português: Alexandre de Gusmão, principal negociador do Tratado de Madri (1750). Desde então, diplomatas nunca deixaram de figurar entre os pais fundadores do país independente, entre os construtores do Estado, entre os defensores dos interesses no entorno regional, como o Visconde do Rio Branco, e entre os definidores de suas fronteiras atuais, como o seu filho, o Barão, já objeto de obras anteriores de Ricupero.
O Barão do Rio Branco, aliás, é um dos poucos brasileiros a ter figurado em cédulas de quase todos os regimes monetários do Brasil, e um dos raros diplomatas do mundo a se tornar herói nacional ainda em vida. Ricupero conhece como poucos outros diplomatas, historiadores ou pesquisadores acadêmicos a história diplomática do Brasil, as relações regionais e o contexto internacional do mundo ocidental desde o início da era moderna, professor que foi, durante anos, no Instituto Rio Branco e no curso de Relações Internacionais da Universidade de Brasília. Formou gerações de diplomatas e de candidatos à carreira, assim como assessorou ministros e presidentes desde o início dos anos 1960, quando foi o orador de sua turma, na presidência Jânio Quadros.
Uma simples mirada pelo sumário da obra confirma a amplitude da análise: são dezenas de capítulos, vários com múltiplas seções, em onze grandes partes ordenadas cronologicamente, de 1680 a 2016, mais uma introdução e uma décima-segunda parte sobre a diplomacia brasileira em perspectiva histórica. Um posfácio, atualíssimo, vem datado de 26 de julho de 2017, no qual ele confessa que escrever o livro foi “quase um exame de consciência... que recolhe experiências e reflexões de uma existência” (p. 744). Ricupero concluiu o texto principal pouco depois do impeachment da presidente que produziu a maior recessão da história do Brasil, e o fecho definitivo quando uma nova crise “ameaça engolir” o seu sucessor. O núcleo central da obra é composto por uma análise, profundamente embasada no conhecimento da história, dos grandes episódios que marcaram a construção da nação pela ação do seu corpo de diplomatas e dos estadistas que serviram ao Estado nessa vertente da mais importante política pública cujo itinerário – à diferença das políticas econômicas ou das educacionais – pode ser considerado como plenamente exitoso.
A diplomacia brasileira começou por ser portuguesa, mas se metamorfoseou em brasileira pouco depois, e a ruptura entre uma e outra deu-se na superação da aliança inglesa, que era a base da política defensiva de Portugal no grande concerto europeu. Já na Regência existe uma “busca da afirmação da autonomia” (p. 703), conceito que veio a ser retomado numa fase recente da política externa, mas que Ricupero demonstra existir embebido na boa política exterior do Império. A construção dos valores da diplomacia do Brasil se dá nessa época, seguido pela confiança no Direito como construtor da paz, o princípio maior seguido pelo Barão do Rio Branco em sua diplomacia de equilíbrio entre as grandes potências da sua época. Vem também do Barão a noção de que uma chancelaria de qualidade superior devia estar focada na “produção de conhecimento, a ser extraído dos arquivos, das bibliotecas, do estudo dos mapas” (p. 710). Esse contato persistente, constante, apaixonante pela história, constitui, aliás, um traço que Ricupero partilha com o Barão, o seu modelo de diplomata exemplar, objeto de uma fotobiografia que ele compôs com seu antigo chefe, o embaixador João Hermes Pereira de Araujo, com quem ele construiu o Pacto Amazônico, completando assim o arco da cooperação regional sul-americana iniciada por Rio Branco setenta anos antes.
O livro não é, como já se disse, uma simples história diplomática, mas sim um grande panorama de mais de três séculos da história brasileira, uma vez que nele, como diz Ricupero, “tentou-se jamais separar a narrativa da evolução da política externa da História com maiúscula, envolvente e global, política, social, econômica. A diplomacia em geral fez sua parte e até não se saiu mal em comparação a alguns outros setores. Chegou-se, porém, ao ponto extremo em que não mais é possível que um setor possa continuar a construir, se outros elementos mais poderosos, como o sistema político, comprazem-se em demolir. A partir de agora, mais ainda que no passado, a construção do Brasil terá de ser integral, e a contribuição da diplomacia na edificação dependerá da regeneração do todo” (p. 738-9). O paradigma diplomático já foi oferecido nesta obra; falta construir o da nação.

[Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 27 de setembro de 2017]

domingo, 8 de outubro de 2017

A Lei é para Todos: Polícia Federal - o livro, o filme

Acabamos de ver o filme: 

O filme conta a saga da maior e mais bem-sucedida operação de combate à corrupção da história do país – a Operação Lava Jato. Pelo ponto de vista do delegado Ivan (Antonio Calloni) e de sua equipe da Polícia Federal, em conjunto com a força-tarefa do Ministério Público Federal, o longa revela os esforços para desvendar o esquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas a executivos da Petrobras, empreiteiras, partidos políticos e parlamentares. O thriller mostra ainda o papel decisivo da Justiça para que a investigação não fosse destruída pelas forças políticas envolvidas.

falta ler o livro: 

POLICIA FEDERAL: A LEI E PARA TODOS - 

OS BASTIDORES DA OPERAÇÃO LAVA JATO

autor: Carlos Graieb | Ana Maria Santos

editora: Record

 

A Polícia Federal é protagonista na história da Operação Lava Jato, mas sua atuação impõe uma discrição que instiga a curiosidade sobre os bastidores de suas atividades. Ao acompanhar os policiais envolvidos em cada etapa da investigação, em ritmo de thriller, Ana Maria Santos e Carlos Graieb apresentam o olhar inédito da instituição sobre uma das maiores operações de combate à corrupção da história. Nunca antes um livro expôs tão detalhadamente todas as nuances — decorrentes de dúvidas e incertezas e consequentes de pressões de ordem política — do trabalho do policial.
 DADOS DO PRODUTO
título: POLICIA FEDERAL: A LEI E PARA TODOS - OS BASTIDORES DA OPERAÇAO LAVA JATOisbn: 9788501110527idioma: Portuguêsencadernação: Brochuraformato: 15,5 x 23páginas: 280ano de edição: 2017ano copyright: 2017edição: primeiro capitulo: clique aqui 

 

Filme: Polícia Federal – A Lei é Para Todos [Trailer Oficial]

https://www.youtube.com/watch?v=WdgD4g-JfFA