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Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

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terça-feira, 10 de julho de 2018

Fim da Unasul, fim do lulopetismo diplomático: seria real? - PRAlmeida

Na apresentação à compilação que efetuei de alguns trabalhos meus –  poucos, fui seletivo – sobre o que chamei de "lulopetismo diplomático", e colocada à disposição dos leitores com este título: 
Apogeu e declínio do lulopetismo diplomático
(disponível neste link: https://www.academia.edu/s/e421c22bd9/miseria-da-diplomacia-apogeu-e-declinio-do-lulopetismo-diplomatico)
eu perguntava o seguinte: 
    Treze anos de misérias diplomáticas: estaria o Brasil vacinado?

Creio sinceramente que não. Grande parte da academia, e algumas partes da própria diplomacia profissional parecem achar que a tal de "ativa e altiva" era a melhor diplomacia que o dinheiro pode comprar (ou roubar). Muitos suspiram de saudade em relação a essa estupidez geográfica chamada "Sul Global", imaginando que um país "periférico" como o Brasil só poderia mesmo praticar essa burrice da chamada "diplomacia Sul-Sul". Alguns, não sei se ingênuos, desinformados, ou simplesmente de má-fé acham que agora passamos a olhar só para o Norte, esperando as diretrizes desse monstro metafísico chamado "Consenso de Washington". 
Mas, a desocupação da sede da Unasul pelo governo pouco leninista de Lenin Moreno, no Equador, prometer encerrar com a triste trajetória desse outro avatar bolivariano que foi a Unasul, uma invenção original do lulopetismo para escapar da "tutela do império", e logo dominada, desviada e dominada pelos petrodólares chavistas para cumprir um triste papel de linha auxiliar do Foro de S. Paulo, essa emanação do Partido Comunista Cubano, orquestrada servilmente pelos companheiros alinhados do Brasil para servir como uma espécie de Cominform do castrismo enquanto durou a aventura dos ineptos e corruptos.
Ainda há muita coisa a ser feita para limpar o entulho totalitário deixado pelos êmulos do neobolchevismo latino-americano.  Mas já é alguma coisa.
Reproduzo aqui o sumário dessa minha compilação e a sua introdução escrita rapidamente no primeiro semestre deste ano, mais exatamente em fevereiro.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 10 de julho de 2018

Apogeu e declínio do lulopetismo diplomático

Índice geral

Treze anos de misérias diplomáticas: estaria o Brasil vacinado? , 9

1.     Epitáfio do lulopetismo diplomático , 15
2.     O Itamaraty e a diplomacia em tempos não convencionais , 19
3.     Do lulopetismo diplomático a uma política externa profissional , 29
4.     O renascimento da política externa , 37
5.     Política externa e política econômica no Brasil pós-PT , 51
6.     O que faria o Barão hoje, se vivo fosse? , 57
7.     Auge e declínio do lulopetismo diplomático , 65
8.     O lulopetismo diplomático: um experimento exótico , 85
9.     O Itamaraty e a nova política externa brasileira , 91
10.   A política externa e a diplomacia no século XXI , 109
11.   Crimes econômicos do lulopetismo na frente externa , 123
12.   Uma visão crítica da política externa: a da SAE-SG/PR , 131
13.   Depois da diplomacia companheira: o que vem pela frente? , 153
14.   A diplomacia na construção da nação: qual o seu papel? ,  157
15. Política externa brasileira recente: algumas questões tópicas , 167

Relação cronológica dos trabalhos recentes sobre diplomacia brasileira , 179
Livros de Paulo Roberto de Almeida ,  181
Nota sobre o autor  ,  185

Treze anos de misérias diplomáticas: estaria o Brasil vacinado? 

Esta nova compilação de trabalhos sobre a política externa e a diplomacia brasileira pode ser vista como dando continuidade a uma assemblagem anterior, que eu havia feito apressadamente para apoiar um curso sobre esses temas no primeiro semestre de 2017: Quinze anos de política externa: ensaios sobre a diplomacia brasileira, 2002-2017(Brasília: Edição do Autor, 2017, 366 p.; blog Diplomatizzando: (http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/05/quinze-anos-de-politica-externa-ensaios.html). Essa coletânea, por sua vez, já incorporava uma relação preliminar feita ao final de 2016: “Uma seleção de trabalhos sobre a política externa brasileira na era Lula, 2002-2016” (Brasília, 6 junho 2016, 13 p.; também disponível no blog Diplomatizzando:http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/06/a-politica-externa-brasileira-na-era.html). Ambas se ocupavam, basicamente, da política externa e da diplomacia nos primeiros três lustros do século XXI, quando vigorou aquilo que eu logo chamei de “lulopetismo diplomático”, uma das principais facetas do lulopetismo em geral, que havia literalmente atropelado o país durante todo aquele período. 
Tanto a política lulopetista em geral, quanto sua vertente externa foram por mim acompanhadas atentamente, a cada passo, a cada medida, a cada iniciativa do bizarro regime, que no entanto dispunha de amplo apoio na sociedade, nos meios políticos e especialmente na academia, sem esquecer a própria diplomacia. Na postagem dessa relação de junho de 2016 eu dizia que os trabalhos possuíam um “caráter geralmente acadêmico, mas não posso recusar certa orientação opinativa (e portanto subjetiva, mas bem informada, pela minha condição de diplomata) sobre esses tempos não convencionais nas relações exteriores do Brasil, um período no qual a diplomacia brasileira esteve associada ao Foro de São Paulo (uma organização controlada pelos comunistas cubanos) e aos chamados bolivarianos. Agora que isso passou, posso ser mais crítico, e incisivo, sobre esses anos de chumbo da diplomacia brasileira.”
Mas, antes mesmo de ser enterrado o bizarro regime, e sem ter certeza de que a sociedade conseguiria superar a fraude e a mistificação daqueles anos excepcionais, eu já tinha publicado um livro inteiro sobre o “rabo diplomático” do “cachorro lulista”, este aqui: Nunca Antes na Diplomacia...: a política externa brasileira em tempos não convencionais (Curitiba: Appris, 2014). Esse livro não foi feito pensando nas eleições presidenciais daquele ano, mas não deixou de ser surpreendente que, consideradas todas as informações já disponíveis sobre os descalabros econômicos, as fraudes políticos, e o espetáculo de corrupção desvendado desde o início daquele ano, que os companheiros obtivessem mais um mandato para arruinar o país. Por uma dessas ironias da história, a continuidade das investigações revelou que o candidato da oposição também estava profundamente envolvido numa gigantesca teia de corrupção, que unia as grandes empresas do país aos principais partidos políticos e seus líderes.
Seria inevitável que o ativismo lulopetista em todas as direções, por quaisquer meios disponíveis, não poupasse tampouco o lado internacional das políticas públicas. Aliás, o “rabo” da diplomacia chegou mesmo a abanar o “cachorro” do lulopetismo, tal a importância dada a essa política pelo chefe da “organização criminosa” – segundo o ministro Celso Melo, do STF – que dominou o país desde o início de 2003, como já tinha sido evidenciado por ocasião do Mensalão, em 2005. Essa importância foi bastante ressaltada pelas investigações de um jornalista, Fabio Zanini, cujo livro foi objeto de uma resenha aqui inserida; mas, à diferença do Mensalão, não haviam sido detectadas até recentemente todas as manobras criminosas empregadas pela tropa de meliantes políticos que desviou recursos de fontes brasileiras e estrangeiras.
Minha relação de trabalhos cobrindo essas áreas é bem superior, mas coletei neste volume apenas aqueles que já tinham sido publicados ou divulgados pelos canais habituais que utilizo. Alguns outros serão divulgados oportunamente, o que permitirá justificar plenamente o título escolhido para este volume e esta apresentação: “miséria da diplomacia”, o que me parece muito evidente, sobretudo a partir de uma visão interna, portanto bem informada e “prevenida”, sobre as iniciativas tomadas na vertente externa do Brasil. Essa visão precede, inclusive, a própria diplomacia e o regime dos companheiros, pois se estende, originalmente, às organizações da esquerda armada que provocaram a radicalização do regime militar desde meados dos anos 1960 até o final do período autoritário. Um conhecimento sobre os métodos de atuação dos militantes neobolcheviques que se integraram ao partido hegemônico da esquerda, aqueles que eu chamei de “guerrilheiros reciclados”, permitiu retirar elementos de convicção quanto à ação deletéria, em grande medida encoberta, desenvolvida por eles igualmente na frente externa, o que entretanto é difícil de ser evidenciado, em virtude, precisamente, da falta de provas documentais de muitas dessas ações nessa vertente (sobretudo aquelas feitas em direção, e em acordo com regimes vinculados ao Foro de São Paulo). 
Esse lado da “miséria diplomática” talvez não possa ser exposta em toda a sua extensão, pois, à diferença daquilo que ocorreu com os papeis da Stasi, no momento da queda do muro de Berlim e da incorporação relativamente rápida da RDA à República Federal da Alemanha, os companheiros e seus aliados externos tomaram as devidas precauções para “neutralizar” possíveis evidências da diplomacia paralela conduzida de modo obscuro durante toda a duração do regime companheiro. Em alguns dos meus escritos aqui coletados eu abordo esse aspecto da “miséria diplomática”, que é o seu lado obscuro, mas que ainda não foi objeto de estudos mais detalhados. 
Como conhecedor de longa data do movimento comunista internacional, e de seus “derivativos” nacionais, surpreende-me que doutrinas, práticas e argumentos já devidamente denunciados e expostos claramente desde os estertores do regime stalinista nos anos 1950 – objeto de inúmeros livros esclarecedores a esse respeito, entre eles um dos mais famosos, O Ópio dos Intelectuais, de Raymond Aron, prefaciado no Brasil por Roberto Campos, o Aron brasileiro –, ainda tenham plena vigência nos meios políticos e acadêmicos do Brasil, e encontrem bastante aceitação em camadas mais amplas da opinião pública. Mais surpreendente ainda é que, a despeito de todas as denúncias e condenações já oficializadas quanto aos atos criminosos perpetrados pelos principais chefes do partido hegemônico da esquerda, várias dessas pessoas bem informadas ainda insistam em apoiar os personagens. Não é preciso lembrar aqui que o próprio chefe da chancelaria brasileira durante boa parte do regime lulopetista, diplomata de carreira, figura nessa tropa de choque constituído para uma defesa quase impossível, de certo modo desesperada, do grande responsável pela corrupção avassaladora a que assistimos durante todos esses anos de euforia, de fraudes e de mistificações. 
Meus textos não se ocupam de tais crimes comuns, mas várias das ações externas conduzidas pelo poder petista, com base em recursos nacionais, podem configurar o que eu chamaria de “crimes econômicos” (talvez não muito diferentes de crimes comuns), uma vez que diversas “intervenções” externas pelo então chefe de Estado, depois ex-presidente, foram precipuamente conduzidas para se integrar a essa cadeia de corrupção montada deliberadamente por esses líderes políticos em pleno acordo com os dirigentes de grandes empresas geneticamente corruptas. Por outro lado, pontos obscuros da ação externa dessa diplomacia lulopetista foram diversas vezes detectados em determinados episódios – nacionalização de ativos brasileiros no exterior, apoio financeiro a aliados ideológicos, por exemplo – também poderiam ser catalogados sob a rubrica de “crimes diplomáticos”, ou seja, mais um aditivo definidor da “miséria da diplomacia” que legitima a opção pelo título deste compêndio. Continua a existir uma imensa zona de sombras sobre o desenvolvimento de toda a diplomacia lulopetista.
Ainda assim, e a despeito de todas as evidências e sinais “precursores” de que coisas estranhas estavam acontecendo na diplomacia brasileira durante esses anos de euforia do lulopetismo, sua vertente diplomática continuou a dispor de amplo apoio entre os principais formadores de opinião no Brasil, notadamente nos meios acadêmicos e jornalísticos, com ampla capacidade de convencimento dos “corações e mentes” dos brasileiros comuns, simples eleitores ou até membros das chamadas elites. Nisso, a esquerda em geral e o lulopetismo em particularmente foram particularmente eficientes – sobretudo usando recursos do Estado para divulgar sua versão deformada da realidade e sustentar propaganda mentirosa por diversos canais de comunicação – na veiculação e na disseminação de uma visão do mundo conforme a seus princípios ideológicos, que encontram, por isso mesmo, grande aceitação em diversos meios. 
Tenho plena consciência de que meus escritos destoam, em grande medida, das análises acadêmicas e dos próprios argumentos diplomáticos normalmente encontrados nos diferentes veículos que se dedicam à discussão e análise da política externa, das relações internacionais e da diplomacia brasileira. Talvez porque eu me dedique não só a uma exposição descritiva do que é feito na vertente externa das políticas públicas do Brasil, mas também por que é feito, e por quem é conduzido, e com quais motivações. Começo, aliás, por discordar frontalmente da terminologia geralmente empregada nas exposições e análises “normais”, que tendem a caracterizar as ações diplomáticas como sendo “do Brasil”, quando eu me inclino a falar diretamente da “diplomacia lulopetista” como sendo diferente, específica e peculiar às forças que controlaram o poder do Estado durante os anos de seu controle dos executivos federais (e até de outros poderes). 
Meus artigos – os aqui compilados, os demais em livros ou periódicos, inclusive os ainda não divulgados  – não esgotam, obviamente, a análise de todos os aspectos conceituais e operacionais daquilo que eu chamei de “miséria da diplomacia” no Brasil. Isso que vai requerer ainda certa pesquisa (mas existem muitos fatos sem documentação adequada) e acesso adequado a atores envolvidos em vários episódios não devidamente documentados ao longo desses anos de fraudes, mentiras, de mistificações e de crimes, de diversas ordens. De minha parte não tenho nenhuma hesitação em expressar minha opinião fundamentada sobre esses anos pouco gloriosos de nossa trajetória política. Só não tenho certeza de que o Brasil e os brasileiros estejam devidamente vacinados contra essa “doença de pele”, que representou o lulopetismo, a despeito de todos os crimes desvendados e de todos os processos concluídos ou em curso. Talvez ele seja mais do que uma simples “doença de pele”, e conforme uma predisposição “genética” na incorporação de concepções políticas e econômicas absolutamente nefastas e prejudiciais à boa governança do país, e nisso se confunda com outras “epidemias” muito comuns no Brasil: patrimonialismo tradicional, corporativismo entranhado, protecionismo exacerbado, nepotismo e fisiologismo extensivos, nacionalismo primário e ingênuo, estatismo atávico e outros “ismos” desde longe presentes em nossa cultura e no sistema político. 
Na diplomacia, no entanto, vigorava, um profissionalismo meritocrático – ainda que contaminado por diversos resquícios “feudais” – e uma excelente capacitação dos recursos humanos, o que sempre distinguiu o serviço exterior no conjunto das carreiras de Estado e das instituições de boa qualidade a serviço do Estado e dos governos. O período lulopetista afetou apenas superficialmente o serviço diplomático em si, ainda que tenha contaminado mais amplamente a orientação da política externa e da atuação do Estado brasileiro em escala regional e internacional. Esperemos que ao menos o serviço diplomático tenha sido vacinado contra o exotismo e a bizarrice dessa presença deformadora em nossa diplomacia, com um mínimo de efeitos colaterais sobre suas ações futuras. É o que posso esperar como participante e analista – relativamente objetivo e independente – de nossa política externa e de nossa diplomacia nos últimos 40 anos de atividades e de reflexões nesse campo especializado da ação estatal.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 17 de fevereiro de 2018

Unasul: epilogo de uma fantasia - Jose Casado (O Globo)

Nunca deveria ter sido criada, mas o lulopetismo diplomático tinha suas obsessões antiamericanas e anti-imperialistas, e o desejo ridículo de ver o Brasil liderar o continente, o que nunca iria acontecer.
Desde o início eu me coloquei contra essa aventura sem sentido, e por isso ganhei o ódio dos companheiros no poder.
Deveria ter sido encerrado com mais estardalhaço do que foi, mas creio que ainda demorou para acabar de vez...
Paulo Roberto de Almeida 


Epílogo de uma fantasia
Jose Casado
O Globo, 10 Julho 2018 
Custou R$ 220 milhões. Parece um prédio parado no ar, com vidros refletindo montanhas ao fundo e cercado por espelhos d’água. Tem 19,5 mil metros quadrados distribuídos em cinco andares e dois subsolos. Desde a inauguração, em 2008, abrigou três dezenas de diplomatas, um para cada 650 metros quadrados de construção. Em dez anos, eles quase nada tiveram para fazer, além de receber salários de R$ 60 mil por mês e desfrutar mordomias.
Era símbolo do principal projeto petista para a política externa brasileira, traçado no 1º de janeiro de 15 anos atrás em jantar no Palácio da Alvorada, quando Lula celebrou a posse na Presidência da República. Nasceu da ambição de líderes regionais que desejavam impor um contraponto à influência dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA).
No fim de semana, o governo do Equador mandou a polícia interditar o edifício-sede da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), na Metade do Mundo, periferia de Quito. Quer o prédio de volta, para instalar uma universidade. Lenín Moreno, presidente equatoriano, alega razões objetivas: seu país gastou uma fortuna numa fantasia política, porque, na prática, a Unasul nunca funcionou, e há anos sobrevive em coma político.
Metade dos países associados abandonou a entidade — inclusive o Brasil, que pagou 39% das despesas na última década, o equivalente a R$ 168 milhões. “Me pergunto se algum dia a Unasul serviu para alguma coisa”, argumenta Moreno.
Dos quatro presidentes-fundadores, Lula está preso, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro; a argentina Cristina Kirchner e o equatoriano Rafael Correa têm prisão decretada, acusados de corrupção, fraudes, sequestro e associação a grupos terroristas; e o venezuelano Hugo Chávez morreu. A Unasul foi comandada por ex-presidentes com biografias turvadas por episódios de corrupção. O primeiro, Néstor Kirchner, falecido marido de Cristina, enriqueceu na Presidência argentina. Assumiu em 2003 com patrimônio de US$ 1,9 milhão, saiu cinco anos depois com fortuna 7,5 vezes maior (US$ 14,2 milhões), segundo as próprias declarações juramentadas. Kirchner morreu em 2010. A viúva gastou US$ 116 mil dos contribuintes para homenageá-lo com uma estátua de 2,2 metros de altura, plantada na entrada da sede da Unasul. O último secretário-geral da entidade foi o ex-presidente colombiano Ernesto Samper, cuja biografia está marcada por vínculos com cartéis de drogas. Em 1995, na Presidência da Colômbia, ele assistiu a confissões públicas sobre o patrocínio do narcotráfico à sua eleição. Os principais doadores foram os irmãos Miguel e Gilberto Rodríguez Orejuela, na época chefes do Cartel de Cáli. Até hoje, Samper não pode entrar nos Estados Unidos.
Se passou década e meia desde que o entusiasmado chanceler brasileiro Celso Amorim apresentou o projeto da Unasul ao venezuelano Hugo Chávez, e sorriu ao ouvi-lo dizer: “O que vocês estão propondo é uma ‘Alquita’”, referência à versão menor, regionalizada, do projeto dos EUA para uma Área de Livre Comércio das Américas (Alca). A iniciativa do governo Lula foi festejada e apropriada por Chávez e pelo casal Kirchner. Dela sobraram um prédio vazio na Metade do Mundo e dúzias de burocratas bem remunerados, absolutamente sem nada para fazer. É o epílogo melancólico de uma fantasia política chamada Unasul.
Principal projeto de política externa nos anos Lula, a Unasul acabou com a sede interditada no fim de semana e burocratas absolutamente sem nada para fazer.

sábado, 7 de julho de 2018

Texto PRA sobre o ocaso do lulopetismo diplomatico: atraindo leitores em poucas horas

No espaço de um único dia, aliás no próprio dia em que eu havia colocado este trabalho, a partir das 3:52 da manhã: 

3296. “Fim de reino na política externa: o ocaso do lulopetismo diplomático”, Brasília, 7 julho 2018, 5 p.; DOI:10.13140/RG.2.2.16348.69766.Nota introdutória e listagem de alguns trabalhos sobre o fim do reinado lulopetista na diplomacia, aproveitando a compilação de textos efetuada no livro de autor Miséria da diplomacia: apogeu e declínio do lulopetismo diplomático(trabalho n. 3247, Brasília, 18 fevereiro 2018, 188 p.). Divulgado no blog Diplomatizzando(link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2018/07/o-ocaso-do-lulopetismo-diplomatico.html); Academia.edu (http://www.academia.edu/36997245/Fim_de_reino_na_politica_externa_o_ocaso_do_lulopetismo_diplomatico) e Research Gate (https://www.researchgate.net/publication/326246591_Fim_de_reino_na_politica_externa_o_ocaso_do_lulopetismo_diplomatico).

ele foi acessado 23 vezes, dos seguintes lugares: 




Date
University
City & State
Country
1)     16:45 Jul 7
Montréal, QC
Canada
2)     16:05 Jul 7
Montecristi
Ecuador
3)     14:24 Jul 7
Porto Alegre
Brazil
4)     14:23 Jul 7
Porto Alegre
Brazil
5)     13:40 Jul 7
Itaquaquecetuba
Brazil
6)     13:38 Jul 7
Itaquaquecetuba
Brazil
7)     12:29 Jul 7
São Paulo
Brazil
8)     12:29 Jul 7
São Paulo
Brazil
9)     12:15 Jul 7
São Paulo
Brazil
10)   11:50 Jul 7
Recife
Brazil
11)   11:49 Jul 7
Recife
Brazil
12)   11:13 Jul 7
Recife
Brazil
13)   10:27 Jul 7
Brasília
Brazil
14)   10:27 Jul 7
Brasília
Brazil
15)   10:27 Jul 7
Brasília
Brazil
16)   9:52 Jul 7
Rio De Janeiro
Brazil
17)   9:45 Jul 7
Porto Alegre
Brazil
18)   9:44 Jul 7
Porto Alegre
Brazil
19)   8:13 Jul 7
Rio De Janeiro
Brazil
20)   8:13 Jul 7
Rio De Janeiro
Brazil
21)   5:10 Jul 7
Ann Arbor, MI
The United States
22)   3:53 Jul 7
Menlo Park, CA
The United States
23)   3:52 Jul 7
Catanduva
Brazil



Agradeço ao Analytics de Academia.edu a precisão da informação. Selecionando uma outra opção desse recurso é possível, inclusive, ver o nome e outras informações relativas aos que acessaram o trabalho.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 7/07/2018, 23:54hs

O ocaso do lulopetismo diplomatico? - Paulo Roberto de Almeida

Fim de reino na política externa: o ocaso do lulopetismo diplomático

Paulo Roberto de Almeida
 [Objetivo: compilação de textos; finalidade: divulgação]



Não é desconhecida de colegas, profissionais ou acadêmicos, assim como de leitores, ocasionais ou regulares, de meus textos, no blog Diplomatizzando– que eu sempre chamei de “quilombo de resistência intelectual” – ou em outros veículos, a minha aversão ao que (não só eu) designei de “lulopetismo diplomático”, o que, por si só, ao aceitar o conceito, parece conceder muita honra a esse animal bizarro em nossa paisagem política do início do presente século. Muitos dos que me leem regularmente, ou entre os que conhecem meus escritos pelos meios mais diversos, pensam que eu me posiciono tão acerbamente contra esse avatar medíocre de nossa política externa porque eu seria “de direita”, ou que eu sou contra o lulopetismo diplomático apenas porque este seria de esquerda, ou progressista, ou seja lá o que for nessa linha.
Nada mais equivocado. Nem o lulopetismo diplomático, nem a sua versão mais completa, nos terrenos político ou econômico, merecem o meu repúdio porque eles são, ou seriam, “de esquerda”, ou porque eu supostamente seria “de direita”. Errado! Eu sou visceralmente contra essas deformações políticas e diplomáticas implementadas no Brasil nos últimos três lustros (e um pouco mais, desde a formação desse bizarro animal partidário) basicamente porque ele apresenta duas características insanáveis no plano da doutrina política, no domínio das políticas públicas, assim como no terreno moral, ou ético, de ambas as dimensões: o lulopetismo é fundamentalmente inepto, como ator ou promotor de políticas públicas, mas principalmente ele é profundamente corrupto, em todos os aspectos que se possa conceber. Apenas por isto que eu sou contra todas as manifestações dessa gigantesca fraude que dominou o Brasil – e de certa forma ainda domina – nas últimas décadas, sendo ainda um fenômeno mais do que residual, um fator poderoso a influenciar corações e mentes de alguns milhares de abnegados militantes e de alguns milhões de brasileiros ingênuos, capturados pelo gênio do mal e seus fieis sequazes no empreendimento fraudulento e mistificador.
Eu teria, obviamente, como professor de economia política nos últimos 14 anos nos programas de mestrado e doutorado em direito de uma instituição universitária de Brasília, muito a dizer sobre os imensos equívocos cometidos pelo lulopetismo nos terrenos econômico e político, inclusive porque segui, passo a passo, cada uma das políticas macroeconômicas e setoriais implementadas pelos seguidores do culto e sacerdotes da doutrina, um bando de beócios conduzidos por um medíocre “flautista de Hamelin”, levando atrás de si uma tropa de seguidores descerebrados (pois que eles renunciaram a pensar com suas próprias cabeças, obedecendo disciplinadamente ao chefe da tropa sem sequer emitir um pio de contestação). Mas, por razões de ofício, dediquei-me também, ao lado da análise de alguns crimes econômicos cometidos pelo bando de aloprados (que se parecem, em vários casos, com crimes comuns), a um seguimento muito atento da política externa implementada pelos lulopetistas (os profissionais e os “sócios” na carreira), mesmo estando totalmente afastado de qualquer contato com a diplomacia prática, durante toda a duração do reino lulopetista no Brasil.
Minha atenção era um misto de olhar acadêmico e de visão profissional, tendo eu juntado essas duas vertentes numa observação tópica e geral de cada uma das ações e iniciativas tomadas por eles na frente externa. Como sempre fiz durante toda a minha vida adulta, sempre consignei tais observações em registros pontuais que eu guardava para mim, ou que eram apresentados sob a forma de artigos e comentários publicados ou divulgados de diversas formas, inclusive no formato de livros que foram sendo acumulados ao longo das últimas três décadas. Uma síntese desses meus escritos aparece no livro Nunca Antes na Diplomacia...: a política externa brasileira em tempos não convencionais (Curitiba: Appris, 2014), mas diversos outros textos – ensaios, notas, resenhas, comentários rápidos em postagens dispersas – foram sendo agregados à série de análises que eu fiz sobre esse nosso “acidente de percurso”, numa trajetória política também errática, como foi a do Brasil nas três décadas desde a redemocratização.
Muitos desses escritos foram compilados em “livros de autor” oferecidos e disponibilizados livremente nas redes de comunicação social, ou nas plataformas acadêmicas às quais me filio e das quais me sirvo para divulgar minha produção de natureza intelectual (e quase toda ela o é). Um exemplo é o “livro” Miséria da diplomacia: apogeu e declínio do lulopetismo diplomático (Brasília, 18 fevereiro 2018, 188 p.), tornado disponível, como vários outros, em plataformas acadêmicas (ver lista abaixo). Suponho que eles sejam acessados ocasionalmente ou regularmente pelos interessados na “literatura” sobre o lulopetismo em geral e sobre o lulopetismo diplomático em especial, o que na verdade conforma uma comunidade bastante reduzida de acadêmicos e alguns outros curiosos no assunto. Raramente recebi, dos leitores ocasionais, comentários a respeito de minhas opiniões, análises e críticas feitas contra (sim, contra) o lulopetismo diplomático, embora eu imagine que esses trabalhos sejam lidos por aderentes ou adversários desse animal bizarro que contaminou durante algum tempo nossa diplomacia e nossa política externa. 
Sem pretender agora retomar o núcleo central de minhas críticas a esse avatar tremendamente prejudicial às tradições de nossa política externa, e sem pretender me arvorar em porta-voz de um “purismo” diplomático que pareceria arrogante, tenciono apenas neste momento apresentar uma pequena lista de meus escritos sobre esse fenômeno, que agora entendo estar em seu ocaso, como forma de, mais uma vez, esclarecer minhas posturas sobre um período que eu reputo negativa em nossa trajetória diplomática, o que pode não parecer evidente aos olhos de toda uma geração que nasceu e se formou sob o lulopetismo (uma vez que 15 anos é o tempo normal de formação de uma geração no plano educacional). Como sempre, meu ânimo é puramente o de manter um diálogo de alto nível, ou seja, no plano das ideias, sobre temas, conceitos e práticas que apresentam extrema relevância para a inserção global do Brasil, tanto no plano estritamente econômico, quanto no plano propriamente político. 
O que segue, portanto, é uma seleção de escritos diversos, com seus respectivos links de localização, começando pelas duas compilações que já reproduzem a íntegra desses trabalhos selecionados. Bom proveito.

1) Quinze anos de política externa: ensaios sobre a diplomacia brasileira, 2002-2017 (Brasília: Edição do Autor, 2017, 366 p.) Blog Diplomatizzando(http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/05/quinze-anos-de-politica-externa-ensaios.html).
3) “Política externa brasileira recente: algumas questões tópicas” (Brasília, 10 fevereiro 2018, 12 p.) Diplomatizzando(link: https://diplomatizzando.blogspot.com.br/2018/02/politica-externa-brasileira-recente.html).
4) “Depois da diplomacia companheira: o que vem pela frente?” (Brasília, 26 novembro 2017, 3 p.) Gazeta do Povo (28/11/2017, link: http://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/depois-da-diplomacia-companheira-o-que-vem-pela-frente-di5ffopc0ywu56cc29s8s5hsr), blog Diplomatizzando(28/11/2017; link: https://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/11/depois-da-diplomacia-companheira-o-que.html).
5) “Crimes econômicos do lulopetismo na frente externa” (Brasília, 12 maio 2017, 7 p.; resenha do livro de Fabio Zanini, Euforia e fracasso do Brasil grande: política externa e multinacionais brasileiras na era Lula. São Paulo: Contexto, 2017, 224 p.; ISBN: 978-85-7244-988-5). Blog Diplomatizzando(link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/05/crimes-economicos-do-lulopetismo-na.html).
7) “O Itamaraty e a nova política externa brasileira” (Brasília, 19 novembro 2016, 18 p.) Blog Diplomatizzando(15/08/2017; link: https://diplomatizzando.blogspot.com.br/2017/08/o-itamaraty-e-nova-politica-externa.html).
8) “O lulopetismo diplomático: um experimento exótico no Itamaraty” (Porto Alegre, 4 setembro 2016, 5 p.) Blog Diplomatizzando(link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/09/o-lulopetismo-diplomatico-um.html).
9) “Auge e declínio do lulopetismo diplomático: um depoimento pessoal” (Brasília, 26/06/2016: 19 p.) Blog Diplomatizzando(1/07/2016; link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/07/ufa-um-depoimento-meu-sobre-o.html).
10) “Política externa e política econômica no Brasil pós-PT” (Brasília, 29 maio 2016, 6 p.) Blog Diplomatizzando(link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/06/politica-externa-e-politica-economica.html).
11) “O renascimento da política externa” (Brasília, 25 maio 2016, 14 p.) RevistaInteresse Nacional(ano 9, n. 34, julho-setembro de 2016) blog Diplomatizzando(link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/08/o-renascimento-da-politica-externa.html).
12) “Do lulopetismo diplomático a uma política externa profissional” (Brasília, 22 maio 2016, 7 p.) Diplomatizzando(http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/05/do-lulopetismo-diplomatico-uma-politica.html).
13) “O Itamaraty e a diplomacia profissional brasileira em tempos não convencionais” (Brasília, 15 maio 2016, 10 p.) Entrevista concedida ao Jornal Arcadas;Diplomatizzando(http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/05/um-anarco-diplomata-fala-sobre.html).
14) Epitáfio do lulopetismo diplomático” (Brasília, 2 maio 2016, 3 p.) O Estado de S. Paulo(17/05/2016); blog Diplomatizzando(link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/05/epitafio-do-lulopetismo-diplomatico.html).

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 7 de julho de 2018