O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org. Para a maior parte de meus textos, ver minha página na plataforma Academia.edu, link: https://itamaraty.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida;

Meu Twitter: https://twitter.com/PauloAlmeida53

Facebook: https://www.facebook.com/paulobooks

Mostrando postagens com marcador Folha de S.Paulo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Folha de S.Paulo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Campanha do governo Bolsonaro contra a FSP: cabe assinar o jornal

Não sou um grande admirador da FSP, preferindo o velho jornal conservador Estadão, mas reconheço na FSP um jornal ágil, diversificado e bastante moderno. Vou fazer uma assinatura digital, apenas para responder ao ataque troglodita do governo contra esse jornal. Acho que meus leitores deveriam considerar o mesmo gesto, que não precisa ser dirigido exclusivamente à FSP, mas a qualquer outro jornal, como solidariedade, não apenas à Folha de SP, mas a toda imprensa brasileira, hostilizada pelo presidente autoritário.
Paulo Roberto de Almeida

Eduardo Bolsonaro e Carluxo riem de mensagem da Folha promovendo novas assinaturas

Os filhos do presidente decidiram ironizar uma campanha promovida pelo jornal feita para os leitores

Ouça o Fórumcast, o podcast da Fórum
Foto: Reprodução
Depois de o presidente Jair Bolsonaro anunciar o cancelamento de todas as assinaturas da Folha de S.Paulo, seus filhos decidiram ironizar uma campanha promovida pelo jornal feita para os leitores. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) republicaram a Folha com risadas.
O primeiro a debochar do jornal foi Carluxo, que postou o print de um tuíte do veículo com emojis de riso. “Leitores reagem à fala de Bolsonaro e defendem assinar a Folha como ato de resistência”, diz a mensagem postada pela Folhaque redireciona para uma matéria feita com assinantes.
Logo depois foi a vez de Eduardo seguir o irmão e postar um longo “Kkkkkkkkkkkkkk” para o jornal. Mais cedo, o parlamentar publicou uma mensagem dizendo que há uma “milícia jornalística” contra o pai. “Não há milícia virtual, há milícia jornalística organizada para assassinar a reputação do presidente”, disse. Ele também expôs uma repórter.
Censura
Na quinta-feira, o ex-capitão disse em entrevista ao apresentador José Luiz Datena que todas as assinaturas da Folha foram canceladas porque o jornal apenas “envenena o governo”. Questionado pelo apresentador se isso não seria uma forma de censura, Bolsonaro negou e disse que quem quiser pode comprar o periódico nas bancas de jornal.
Em resposta, a Folha lamentou a decisão e disse que Bolsonaro mentiu ao se referir a uma reportagem publicada pelo veículo. “A Folha lamenta mais uma atitude abertamente discriminatória do presidente da República contra o jornal e vai seguir fazendo, em relação a seu governo, o jornalismo crítico e apartidário que a caracteriza e que praticou em relação a todos os governos”, disse em nota.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Diplomacia bolsonarista: todos os passos estavam cientificamente calculados

Mais uma matéria, de meados de dezembro de 2018, que antecipava quais seriam as principais iniciativas da Bolsodiplomacia, sob condução prática do chanceler acidente, mas guiada pela mesma tropa olavobolsonarista que assegurou enorme influência no governo atual.
Não se pode dizer que não tenhamos sido avisados dos desastres que estavam sendo construidos...


Futuro chanceler propôs a Bolsonaro pacto cristão com EUA e Rússia
Artigo de Ernesto Araújo selou sua nomeação ao novo governo
Tatiana Bilenky
Folha de S.Paulo, 16 dezembro 2018 às 2h00

Um artigo reservado do diplomata Ernesto Araújo com proposições de política externa, tais como a “contestação ao eixo globalista China-Europa-esquerda americana”, selou seu ingresso na equipe ministerial do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL).
O texto, obtido pela Folha, que Araújo fez chegar ao núcleo da campanha em setembro, foi o primeiro passo para sua posterior nomeação como chanceler do futuro governo.
Intitulado “Por uma política externa do povo brasileiro”, o artigo, de cinco páginas, é propositivo, uma espécie de carta de intenções.
Nele, o diplomata revisa o pacifismo nacional (“não estamos no mundo para ser Miss Simpatia”) e sugere um realinhamento internacional do Brasil com o eixo de direita populista em ascensão.
“É o caso dos Estados Unidos com Donald Trump, da Itália com seu atual governo, de alguns países da Europa do Leste como Polônia e Hungria. É o caso talvez de alguns países não ocidentais que desejam defender suas próprias civilizações e suas nações frente ao globalismo dominante”, escreve.
Em sua interpretação, “há países que resistem à demonização do sentimento nacional, ao esmagamento da fé (principalmente da cristã), que rejeitam o esvaziamento da alma humana e sua substituição por dogmas anêmicos que servem apenas aos interesses de dominação mundial de certas elites”. 
Folha o procurou para comentar o teor. Araújo respondeu que era complicado e que conversaria a respeito depois, o que não ocorreu.
Com a vitória nas urnas, a primeira das sugestões do artigo já foi anunciada: a saída do Brasil do Pacto Mundial para Migração, que propõe a cooperação internacional para enfrentar ondas migratórias.
No texto, Araújo já defendia o que chamou de “dessacralização da imigração, combatendo a ideologia do ‘imigrante intocável’, do direito universal à migração sobrepondo-se à soberania nacional”.
O texto propõe a “renacionalização das políticas comerciais”, alegando não se tratar “de negar o comércio, mas de tornar a política comercial um instrumento do Estado, e não [fazer do] Estado um instrumento da política comercial”. 
Nessa linha, Araújo defende que o Brasil questione os Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Sugeriu que se tente, no lugar, constituir “um agrupamento nacionalista Brasil – EUA – Itália – (Rússia?) – (Índia?) – (Japão?) – (países de Visegrado?)”, em suma “um Brics antiglobalista sem a China”.
Os países de Visegrado são Hungria, Polônia, República Tcheca e Eslováquia.
Sem entrar em detalhes, o futuro chanceler faz uma proposição inusitada no campo da geopolítica, que causou estranhamento entre interlocutores de Bolsonaro. Para Araújo, conviria ao governo “explorar a possibilidade de um núcleo composto pelos três maiores países cristãos, Brasil-EUA-Rússia”.
Ele expressa preocupação particular com a questão da fé, requerendo “promoção da liberdade religiosa, notadamente defesa do espaço para o exercício da fé cristã, ameaçada e acuada em todo o mundo”.
À China são reservadas numerosas linhas. Araújo quer impor ao país, principal parceiro comercial do Brasil, “pressão em todas as frentes”. 
“Condicionar qualquer avanço na relação com esses países ao exercício da liberdade religiosa e liberdades políticas básicas”, propõe. “Utilizar os organismos financeiros internacionais para frear a crescente dependência dos países em desenvolvimento em relação ao capital chinês. Virar o jogo da globalização contra a China.”
Em sintonia com o discurso de Bolsonaro, Araújo defende a “liquidação do bolivarianismo nas Américas”. Segundo o diplomata, “o Brasil poderia comandar o processo de deslegitimação do governo Maduro na Venezuela e pressão total, juntamente com os EUA, para sua substituição por um regime democrático”.

=============

 

comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.
1.              EDUARDO DE AZEVEDO SILVA
17.dez.2018 às 2h02
Quanta imbelicidade! Caminhamos a Passos largo para o abismo.
2.              WAGNER CASTRO
16.dez.2018 às 21h36
Defendem ora sectarismos, ora expurgos, ora assassinatos, ora torturas, ora opressões, ora tudo isso, a depender da posição relativa desses atos espúrios do centro ideológico, não obstante sejam espúrios de qualquer lado, e falam cinicamente de "pacto cristão"? "Hipócritas! Bem profetizou Isaías sobre vós, denunciando: Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; pois ensinam doutrinas que não passam de regras criadas por homens. (Mt. 15:8,9)
3.              MAURO UMBERTO ALVES
16.dez.2018 às 15h20
A Rússia não é um país com esse nível de primitivismo das vanguardas do atraso do Brasil, reunidas sob Bolsonaro. Religião não deve interferir nas relações entre os estados. a Rússia é aliada da China, influente nos países muçulmanos, mantém boas relações com Israel, Irã e Arábia Saudita, enfim, jamais vai querer estar vinculada a um projeto nefasto para o Brasil e o mundo, como o governo Bolsonaro.
1.                                MIRELLA KOLD
17.dez.2018 às 9h13
Muito bem posto !
4.              ERNESTO PICHLER
16.dez.2018 às 11h11
Esse chanceler representa a ideologia do atraso, com características medievais. Discriminar a China por não ser cristã é apenas uma Bozalidade. O Japão também não é cristão. Mesmo a Europa, é cada vez menos cristã e mais científica, à medida que a educação progride.



quinta-feira, 20 de junho de 2019

Deus no Itamaraty - Maria Herminia Tavares de Almeida (FSP)

Eu me pergunto, se já se mandou benzer o Palácio Itamaraty, como garantia.
Onde está Deus, sempre aparece um outro personagem...
Nunca se sabe...
Em todo caso, caminho no deserto, na terra do sol, não estou mais associado ao ridículo, um adjetivo que já levantou a ira do templário contra mim. Não sei se serei excomungado por postar novas peças acusatórias em meu blog.
Mas, em face do que vejo em certas mensagens de Twitter, não estou só no caminho da cruzada.
O exército é brancaleônico, eu sei, e por isso mesmo ridiculamente ridículo.
Paulo Roberto de Almeida

Deus no Itamaraty

Nacionalismo míope e alinhamento automático podem levar o país à insignificância

“Deus em Davos. Falei disso em minha apresentação na abertura do seminário Globalismo”, informou o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, em sua conta no Twitter.
Vale uma visita ao site da Fundação Alexandre de Gusmão para ouvir as conferências do seminário. Especialmente, as de duas figuras importantes na política externa brasileira: o chefe da diplomacia e o assessor internacional da Presidência.
Durante longos 45 minutos, o chanceler empilhou ideias e citações no esforço de explicar que o “globalismo” é uma espécie de religião ateia, cujo evangelho junta “ambientalismo”, a ideia de direitos
humanos universais e o politicamente correto. Tudo produto do “gramscismo” (de Antonio Gramsci, pensador e líder comunista italiano que morreu sob o fascismo, em 1937) e do “fisiologismo” (muito provavelmente o ministro queria dizer materialismo).
Ainda segundo a sua teoria, quando descartou a ideia de Deus, ao fim da Guerra Fria, o liberalismo ocidental haveria aberto o caminho para a expansão da ideologia globalista. Ao levar Deus ao Fórum Mundial de Davos, o presidente Jair Bolsonaro teria começado a alinhar o Brasil à cruzada conservadora mundial.
O seu assessor internacional Filipe Martins foi mais direto. O globalismo é a ideologia de uma tecnocracia apátrida e cosmopolita, instalada nas organizações multilaterais, querendo destruir a soberania nacional. 
Nacionalismo versus globalismo, eis o grande combate do século 21, proclamou o professor que se notabilizou também por enriquecer a agenda do país com a luta contra a tomada de três pinos, as urnas eletrônicas e a reforma ortográfica. Na guerra do século, avisou, estamos ao lado do nacionalismo, abraçados a Trump, ao húngaro Orban, ao indiano Modi. 
Não é possível avaliar o impacto desse livre-pensar sobre a política exterior do Brasil. Esta não depende só, nem principalmente, da vontade dos governantes, mas da pressão de interesses internos, assim como da geopolítica e dos recursos de poder e influência ao alcance de um país como este.
Muitas coisas continuarão a se mover sobre os mesmos trilhos de há muito assentados e sob a condução de um corpo diplomático treinado para buscar o melhor para o país.
Mas o nacionalismo míope à existência de problemas globais —como a degradação ambiental, as migrações ou as pandemias— somado a alinhamentos automáticos a governantes estrangeiros, na base de proximidade ideológica, podem isolar o Brasil e condená-lo à insignificância.
O Deus de Bolsonaro passou por Davos sem abalar a ordem mundial. Falta saber que estragos poderá fazer no Itamaraty.

=========

CQD: (20/06/2019)

Vetustatem novitas, umbram fugat veritas...

(Do hino "Lauda Sion", de Santo Tomás de Aquino, composto em 1264 para a primeira celebração de Corpus Christi)

E eu estarei convosco todos os dias, até o final dos tempos.


(Mateus, 28:20)

Adivinhem quem tuitou?