quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Política fiscal e política monetaria no Brasil: incongruencias?


Política fiscal não substitui a política monetária do BC
O Estado de S.Paulo, 27 de Setembro de 2011

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao explicar em Washington a política econômica do Brasil, declarou que o governo havia decidido substituir a política monetária pela fiscal. Isso não é novidade para quem acompanha a evolução da economia brasileira. Na recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), sob a influência do governo, as autoridades monetárias tomaram uma decisão que as levou perto da renúncia à política de metas de inflação. Mas nunca o ministro havia sido tão explícito em relação à mudança da política econômica.
Existe, no entanto, uma grande dúvida quanto às possibilidades dessa substituição, dado o contexto da economia brasileira.
A política monetária não se limita ao aumento ou queda da taxa de juros básica. Também atua sobre o volume do crédito, seja por meio do recolhimento compulsório sobre os depósitos à vista ou a prazo, seja por meio de exigências quanto ao capital das instituições financeiras em relação a seus empréstimos, com o objetivo principal de evitar o excesso de liquidez.
No seu arsenal de instrumentos de controle, pode escolher o que tem o efeito mais rápido sobre a atitude dos bancos em relação à expansão de crédito. Mas o grande inimigo dos instrumentos da política monetária é o governo, que pode injetar na economia uma grande liquidez por meio de seus gastos, sejam eles financiados por emissões monetárias ou pela captação de recursos com a emissão de títulos da dívida pública colocados especialmente no exterior. E esse excesso de liquidez, se favorece a atividade econômica, sem dúvida propicia uma elevação das pressões inflacionárias.
Em princípio, a política fiscal poderia contribuir para a contenção da alta dos preços, aliviando a carga tributária das empresas. Essa, porém, não é a orientação do Ministério da Fazenda, que deixou claro que não pretende reduzir as despesas do governo e continuará alimentando a liquidez da economia. O esforço de poupança se limitará a não gastar todo o excesso de arrecadação. Ou seja, não se reduz a carga tributária; ao contrário, ela é ampliada com o novo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Deste modo, os gastos do governo - cada vez maiores e menos produtivos, uma vez que o que menos se privilegia são os investimentos em infraestrutura - criam uma pressão de demanda que a produção nacional não pode atender, recorrendo as empresas à importação de componentes para ter preços mais condizentes com os dos produtos estrangeiros.
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O BC e a subversão dos fatos - a mais longa marcha

Lourdes Sola*
O Estado de S.Paulo, 29 de setembro de 2011

Os 'Fatos são Subversivos' é o título de um livro de Garton Ash, um dos mais lúcidos "historiadores do presente". É um chamado à responsabilidade histórica dos formuladores de políticas públicas que se valem de conjunturas de grande incerteza para fazer valer suas prioridades. "Os fatos são subversivos (...) porque subvertem os argumentos dos líderes democráticos eleitos tanto quanto dos ditadores (...), porque subvertem as mentiras, as meias-verdades e os mitos de todos aqueles de fala fácil". O argumento reporta-se a um contexto de incerteza ainda mais extremo do que o atual cenário econômico. Mira as mentiras e meias-verdades oficiais que levaram o povo e o Congresso americanos a legitimar a invasão do Iraque e à guerra no Afeganistão em resposta ao 11 de Setembro. Sem esses recursos, retóricos, mas nada inofensivos, a História mundial teria sido outra.
O que dá um sentido trágico a essa constatação é a impossibilidade de reverter o que foi consumado com apoio em meias-verdades e mitos. Restam dois recursos corretivos: as lições de História que os fatos propiciam e a oportunidade para uma correção de rumos. Mesmo assim, há uma boa dose de otimismo na constatação de Garton Ash, porque ancorada num suposto forte: a vigência de instituições democráticas e de uma mídia investigativa, graças às quais cedo ou tarde os fatos virão à luz. No essencial, tem razão, pois toda tentativa de impedir que os fatos venham à tona traz à luz também um déficit democrático. Que as decisões da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ilustram. Ao subtrair da agenda pública a disparidade entre a taxa oficial e a taxa efetiva da inflação, com medidas legais restritivas à autonomia de consultores e jornalistas, lança luz sobre a subordinação do Judiciário ao Executivo - e sobre indícios anteriores de regressão autoritária.
No novo contexto de incerteza global voltam a entrar em pauta entre emergentes temas correlatos, como inflação, disciplina fiscal e monetária, papel do mercado interno e crescimento. No Brasil volta à cena um velho espectro - a questão da autonomia do Banco Central (BC) - que os mercados e os analistas julgavam exorcizado desde 1999, graças ao mandato (informal) para exercer sua autoridade no marco de um conjunto de regras e normas, caracterizado como regime de metas de inflação. O debate que se seguiu à redução abrupta da taxa de juros interbancária dá o que pensar. Há convergência entre analistas quanto aos rumos da política econômica: substituição do regime de metas de inflação por metas ad hoc para a taxa de juros, adoção de uma banda oculta para as variações na taxa de câmbio. Dá o que pensar, também, sobre o modo de fazer política do governo. Por um lado, há elementos que reforçam o contraste entre a nossa trajetória e a da Argentina. O presidente do BC, o ministro da Fazenda e assessores informais do governo vieram a público legitimar tecnicamente as medidas mencionadas - sob o escrutínio dos seus pares. Com isso atestam a vigência (tênue) de um requisito democrático: a prestação de contas pelos decisores e a chance de responsabilização futura por suas apostas. Isso compõe o quadro de credibilidade econômica acumulada ao longo dos últimos anos, graças à qual foi afastada a possibilidade de reproduzirmos o padrão errático da Argentina - o "efeito vodca".
Há duas questões intrigantes a respeito. Em que momento definidor se consolidou a divergência de rumos entre os dois países? Além disso, o argumento sobre a função subversiva dos fatos pressupõe que, uma vez revelados, a capacidade para elaborá-los está dada e bem distribuída. Seria assim sempre? A resposta à primeira questão é simples: os momentos definidores foram as decisões políticas tomadas em duas encruzilhadas, em resposta aos choques externos de 1999 e 2002-2003. Respectivamente, a adoção do tripé regime de metas de inflação-flutuação cambial-superávit primário e a opção pela continuidade em 2002-2003 e nos anos seguintes. Esse rumo é posto em causa pelo governo, de forma concertada e pouco transparente. Baseia-se na aposta numa crise sistêmica internacional deflacionária, que estaria a exigir políticas fiscal e monetária expansivas aqui e agora. É uma questão em aberto, mas não se esgota nisso. Vale a pena refletir também nos termos de Garton Ash. Na hipótese de que o horizonte de crescimento dos emergentes seja menos negro do que o suposto, quais as chances de que uma nova onda inflacionária em 2012-2013 tenha um efeito subversivo sobre os mitos, as ideologias e meias-verdades de curso oficial?
Há razões para ceticismo, estruturais e históricas. As democracias de massa, num mundo globalizado, caracterizam-se pela existência de um hiato entre a democratização das informações, por um lado, e a capacidade de elaborá-las adequadamente, por outro. A experiência da inflação e das flutuações no poder de compra internacional da moeda é imediata, brindada por indicadores diários nos jornais televisivos. Dependemos da intermediação de vários atores sociais para elaborar o que significam - incluídos os que detêm o saber especializado, os ideólogos, os legisladores.
A experiência histórica também justifica o ceticismo. Uma das características da trajetória econômica brasileira é a opção pelo que caracterizo como "fuga para a frente". Diante da falsa disjuntiva estabilidade ou crescimento, reapresentada em encruzilhadas históricas como 1956-1957, ou quando dos choques do petróleo no governo Geisel, ou no Plano Cruzado, recria-se um impulso inexorável: por políticas expansionistas, ponto. Hoje enfrentamos um teste de estresse. Mas se explica a resistência à institucionalização da autonomia do Banco Central. É histórica, mas contou com a cumplicidade dos mercados para os quais essa é uma questão residual - até evidência em contrário.
* Ph.D em Ciência Política pela Universidade de Oxford, professora aposentada da USP, é membro da Academia Brasileira de Ciências.

Reflexos da Guerra Fria: coloquio na Alemanha


20, Liste de diffusion en Histoire Politique du XXème siècle

COLLOQUE
Les dimensions transnationales de l’anticommunisme de guerre froide: actions, réseaux, transferts
Fribourg, 26-29 octobre 2011
Université de Fribourg, Allemagne

Alors que la lutte contre le communisme pendant la guerre froide est souvent associée à une « croisade », sur laquelle plane par ailleurs l’ombre – la « main invisible » – des Etats-Unis et de leurs services secrets (CIA), et que l’historiographie de ces dernières années a beaucoup étudié des aspects tels que la guerre psychologique et la diplomatie culturelle, tout en développant le concept d’histoire transnationale, le moment semble venu de faire le point sur la part de « transnationalité » de l’anticommunisme. Dans quelle mesure celui-ci a-t-il été réellement concerté, coordonné et ramifié de manière transnationale ? Quelles interactions et interdépendances observe-t-on entre les différents types d’anticommunisme à l’échelle européenne et transatlantique ? Quelles ont été les dynamiques de transfert à l’œuvre tant au niveau des pratiques que des idées ? Quels réseaux et quelles configurations enjambant les frontières le combat contre le « péril rouge » a-t-il engendrés ? Comment se sont articulées activités clandestines et publiques, privées et étatiques ? Telles sont les principales questions auxquelles des spécialistes européens et américains tenteront d’apporter des réponses, en se penchant sur tout l’éventail des connexions hétérogènes qui se sont manifestées dans le cadre de la lutte anticommuniste. Ainsi le colloque vise-t-il à rendre compte des accomplissements aussi bien que des limites de la « solidarité anticommuniste occidentale » durant la guerre froide.

Organisation
Département des Sciences Historiques – Histoire contemporaine - Université de Fribourg :
• Prof.  Claude Hauser
• Prof.  Damir Skenderovic
• Dr Luc van Dongen (FNS Ambizione)
• Dr Stéphanie Roulin
• Assistant de colloque : Dr Grzegorz Sienkiewicz
Institute for History, Université de Leiden (Pays-Bas) :
• Prof.  Giles Scott-Smith

Partenaires
Les organisateurs remercient les institutions suivantes pour leur généreux soutien financier :
Faculté des Lettres de l’Université de Fribourg - Fondation Pierre du Bois pour l’histoire du temps présent (Lausanne) - Fonds national suisse de la recherche scientifiques - Gebert Rüf Stiftung (Zurich/Bâle) et Institut interfacultaire d’Europe orientale et centrale (Université de Fribourg) -Institute for History de l’Université de Leiden (Pays-Bas) - Rectorat de l’Université de Fribourg -Secrétariat d’Etat à l’éducation et à la recherche.

Programme
MERCREDI 26 OCTOBRE 2011 (BÂTIMENT MISÉRICORDE, AUDITOIRE C)
17.15    Ouverture du colloque

KEY­NOTE
17.30  Giles SCOTT-SMITH (Université de Leiden et Roosevelt Study Center à Middleburg)
Tracking the Bear ? Anticommunism and the Transnational Imperative
18.30    Discussion
19.00    Vin d’honneur de la Chancellerie de l’Etat de Fribourg (Hall Mosaïque)

JEUDI 27 OCTOBRE 2011 (BÂTIMENT VKHS)

9.00    Accueil par les organisateurs

9.25­11.45 PANEL I : FIGURES

9.25    Modération : Brigitte Studer (Université de Berne)
9.30     Bernard LUDWIG (Université de Paris I) « Dr. Anti » : Eberhard Taubert, de l’Antikomintern au Volksbund für Frieden und Freiheit (VFF)
9.50    Olivier DARD (Université de Metz) Suzanne Labin, cinquante ans d’« expertise » anticommuniste
10.10     Discussion
10.30     Pause
10.45     Pierre ABRAMOVICI (journaliste et IHEAL Paris 3 Sorbonne) Stefano Delle Chiaie, combattant de l’anticommunisme ou terroriste d’extrême­droite ? Mythe et réalité
11.05     Luc VAN DONGEN (Université de Fribourg) « Brother Tronchet », un leader syndical suisse dans l’orbite des Etats­Unis
11.25     Discussion
11.45    Repas

14.00­15.15 PANEL II : RENSEIGNEMENT ET SECURITE / INTELLIGENCE AND SECURITY

14.00    Modération : Damir Skenderovic (Université de Fribourg)
14.05     Daniele GANSER (Université de Bâle) Der internationale Kontext der NATO Geheimarmeen und der Terroranschlag in München 1980
14.35     Peer Henrik HANSEN (Cold War Museum Langelandsfort de Rudkøbing) « How to Dismantle a Communist Party From the Inside » : Anti­Communism and Danish­US Intelligence Operations 1947­1963
14.55    Discussion
15.15    Pause

15.30­17.35 PANEL III : LE CONGRES POUR LA LIBERTE DE LA CULTURE / THE CONGRESS FOR CULTURAL FREEDOM

15.30    Modération : Claude Hauser (Université de Fribourg)
15.35     Mikael NILSSON (Chercheur indépendant) Herbert Tingsten and the Congress for Cultural Freedom : the Intellectual History
of the « Death of Ideology » Thesis in Sweden
15.55    Maren ROTH (Amerika-Institut Ludwig-Maximilians-Universität de Munich)
Melvin Lasky – ein intellektueller Agent im kulturellen Kalten Krieg
16.15    Discussion
16.35     Nicolas STENGER (Université de Genève)
Anticommuniste parce que chrétien : Denis de Rougemont et le Congrès pour la
liberté de la culture
16.55    Paola CARLUCCI (Scuola Normale Superiore de Pise)
« Tempo Presente » (1956­1968) : A Transnational Journal in Italy
17.15-17.35  Discussion

VENDREDI 28 OCTOBRE 2011 (BÂTIMENT VKHS)

9.00­11.20 PANEL IV : CHRISTIANISME / CHRISTIANISM

9.00    Modération : Stéphanie Roulin (Université de Fribourg)
9.05    Markku RUOTSILA (Université de Helsinki) Transnational Fundamentalist Anticommunism : The International Council of Christian Churches
9.25     Johannes GROSSMANN (Université de Sarre) Ein « christliches Kominform » ? Das Comité International de Défense de la Civilisation Chrétienne
9.45     Discussion
10.05    Pause
10.20    Bent BOEL (Université d’Aalborg) Bible Smuggling and Human Rights in the Soviet Bloc during the Cold War
10.40     Matthieu GILLABERT (Université de Fribourg) La soviétologie fribourgeoise de Józef M. Bochenski (1955­1965)
11.00    Discussion
11.20    Repas

13.30­14.55 PANEL V : INFORMATION ET PROPAGANDE / INFORMATION AND PROPAGANDA

13.30    Modération : Alain Clavien (Université de Fribourg)
13.35    Hugh WILFORD (California State University de Long Beach) The American Society of African Culture : The CIA and Transnational Networks of African Diaspora Intellectuals in the Cold War
13.55    Tity DE VRIES (Université de Groningen) Not An Ugly American – a Dutch Reporter As Agent of the West in Africa
14.15    Simona TOBIA (journaliste et Université de Reading) How the USA Conquered the RAI : the Transnational Struggle on Short­Waves,
1945­1956
14.35    Discussion
14.55    Pause

15.10­16.35 PANEL VI : ECONOMIE ET ELITES / ECONOMICS AND ELITS

15.10    Modération : Thomas David (Université de Lausanne)
15.15    Valérie AUBOURG (Université de Cergy-Pontoise) L’atlantisme comme antidote du communisme : le cas du groupe de Bilderberg dans les années 1950­1960
15.35    Niels BJERRE-POULSEN (University of Southern Denmark) Abandoning the Road to Serfdom : The Mont Pelerin Society and the Reconstruction of Postwar Germany
15.55    Adrian HÄNNI (Université de Zurich) A Global Crusade against Communism : The Cercle and the 6I in the 1980s
16.15    Discussion
16.35    Fin de la journée

SAMEDI 29 OCTOBRE 2011 (BÂTIMENT MISÉRICORDE, AUDITOIRE 3115)

9.00    Accueil par les organisateurs

9.10­10.15 PANEL VII : JEUNESSE ET ÉTUDIANTS / YOUTH AND STUDENTS
9.10    Modération : Jean­François Fayet (Université de Genève)
9.15     Nick RUTTER (Université de Yale) Prohibit, Mimic, Torment, Engage ? Anti­Communist Answers to the World Youth Festival, 1947­1973
9.35     Karen M. PAGET (Chercheuse indépendante) Liberation Politics and US National Security Objectives during the Cold War : Students, Covert Action and the Case of Algeria
9.55    Discussion
10.15  Pause

10.30­12.00 PANEL VIII: ÉMIGRÉS

10.30    Modération : Lubor Jílek (Centre d’archives européennes de Coppet)
10.35    Bernard WIADERNY (Friedrich-Meinecke-Institut Freie Universität de Berlin) Der Kongress für kulturelle Freiheit und die polnische Pariser Exilzeitschrift « Kultura »
10.55     Gergely FEJERDY (Université Catholique Pázmány Péter de Budapest) Les Hongrois en émigration et la construction européenne comme outil de lutte contre le communisme au début de la Guerre Froide
11h15    Discussion
11.35    Conclusion
12.00    Fin du colloque et buffet dînatoire (Hall Mosaïque)

Contact :
Grzegorz Sienkiewicz

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cuba: um pequeno atraso de 50 anos...

A população cubana acaba de ser informada pelos seus dirigentes supremos que já está devidamente autorizada a vender seus automóveis particulares.
Isso mesmo: os cubanos já podem comprar e vender automóveis entre si, bastando pagar 4% da transação para as mesmas autoridades magnânimas.
Que bom! Essas autoridades são fabulosas, já que permitem transações entre particulares de um bem tão estratégico e precioso, como um carro individual.
Claro, as autoridades fizeram isso porque são boas, vindo em segundo lugar o desejo de ganhar um extra com esse tipo de negócio, mas a principal razão é que elas são boas e sábias.
Demorou um pouco, apenas cinquenta anos, mas nunca é tarde, inclusive porque os autos americanos em Cuba são resistentes: eles resistem bravamente por bem mais do que isso, talvez por seis décadas agora. Um museu ao vivo...


A marcha da (des)integracao no (e do) Mercosul: restricoes argentinas continuam, com passividade brasileira

As mesmas cenas se repetem praticamente desde 2003, e não se sabe de uma reação brasileira consistente, a não ser algumas demonstrações de "machismo" comercial no começo deste governo, apenas para constar. Depois tudo voltou ao normal, ou seja, argentinos adotam medidas ilegais e arbitrárias, e o Brasil não faz absolutamente nada...
Paulo Roberto de Almeida


Saiba por que o governo Dilma não ajuda os calçadistas gaúchos barrados na Argentina
Jornalista Políbio Braga, 28/09/2011

Há 213 dias estão parados nas fábricas brasileiras alguma coisa como 3,4 milhões de pares de calçados brasileiros, no valor total de US$ 33,8 milhões, simplesmente porque a sra. Cristina Kirchner mandou trancar as autorizações para o ingresso do produto na Argentina.

. É muito dinheiro.

. Os calçadistas dos vales do Sinos e Panharana estão alarmados com a falta de reação do governo brasileiro. A Piccadilly, segundo o jornal NH, de Novo Hamburgo, tem depositadas 200 mil caixas na sua fábrica de Teutônia. A Argentina é o seu maior mercado.

. A Argentina é o terceiro maior mercado para os calçados brasileiros. Só perde para Estados Unidos e Reino Unido. Este ano, subiu para o segundo posto.

. No ano passado, o RS exportou US$ 43,4 milhões de calçados para a Argentina, valor muito parecido com a média anual dos anos anteriores. De qualquer modo, são números dramaticamente inferiores a 2000 e 2001, quando as exportações anuais superaram a casa dos US$ 90 milhões.

. Cobro do ministro e nada", queixou-se até mesmo um deputado do PT, Luis Lauermann. O deputado João Fischer, ligado aos calçadistas, reclamou: "É hora de deixar a diplomacia de lado e retaliar".

. Dilma Roussef não quer marola às vésperas da eleição presidencial da qual a presidente Cristina Kirchner é a candidata mais competitiva.

. O   governo federal tolera as retaliações argentinas porque o Brasil exporta mais do que importa da Argentina. Segundo pesquisas do editor, a balança comercial brasileira foi superavitária em 2009, 2010 e 2011 (até julho): US$ 1,5 bilhão, US$ 4,1 bilhões e R$ 3 bilhões.

. O problema maior nem é político, porque a economia brasileira é complementar à economia argentina, mas a economia gaúcha compete com a economia argentina. Os números são claríssimos. No ano passado (nos anos anteriores não foi muito diferente) eis como se comportou a balança comercial com os argentinos: exportações, US$ 1,2 bilhão; importações, US$ 2,2 bilhões; déficit, US$ 1,2 bilhão.

- Saídas ? Medidas compensatórias para os produtos gaúchos que competem com os argentinos e também uma política econômica local de agregação maior de valor. 

A frase da semana, do mês, do ano (e de 2012, tambem...)

A inflação está sob controle e irá convergir para o centro da meta em 2012.

Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em depoimento na Comissão Econômica do Senado Federal (28/09/2011)

Rendez-vous em 2012, para conferir...

Doutorado Honoris Causa da humildade: os melhores elogios sao sempre em causa propria...

Honni soit qui mal y pense...
Imaginem se fosse proibido falar de seus próprios méritos num evento como esse: o novo doutor teria de ficar calado, por não poder falar bem de si mesmo e de tudo de bom que ele fez por Garanhuns, pelo Brasil, pela humanidade?
Seria terrível...
Ainda bem que os franceses, sendo egocêntricos eles mesmos, são condescendentes com os muito egocêntricos: como eles inventaram tudo de bom que existe no mundo desde que Paris é Paris, eles devem saber que esse tipo de exercício pode ser permitido, inclusive pelo politicamente correto que representa: não é todo dia que a Europa se curva ante um personagem do Terceiro Mundo, embora isso seja mais comum na França...
Paulo Roberto de Almeida

Aclamado por estudantes, Lula recebe honoris causa em Paris

Recebido como pop-star, ex-presidente elogia o próprio mandato e dá conselhos à Europa em crise durante cerimônia

27 de setembro de 2011 | 18h 19
Andrei Netto, correspondente de O Estado em Paris
PARIS - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma recepção de pop star neta terça-feira, 27, em Paris, durante a cerimônia de entrega do título de doutor honoris causa pelo Instituto de Estudos Políticos (Sciences-Po), o maior da França. Em seu discurso, o ex-chefe de Estado enalteceu o próprio mandato e multiplicou os conselhos aos líderes políticos da Europa, que atravessa uma forte crise econômica. Antes, durante e depois, Lula foi ovacionado por estudantes brasileiros, na mais calorosa recepção da escola desde Mikhail Gorbachev.
Ex-presidente recebeu o prêmio e fez discurso de 40 minutos - Divulgação
Divulgação
Ex-presidente recebeu o prêmio e fez discurso de 40 minutos
A cerimônia foi realizada do auditório do instituto, com a presença de acadêmicos franceses e de quatro ex-ministros de seu governo: José Dirceu, Luiz Dulci, Márcio Thomaz Bastos e Carlos Lupi. Vestido de toga, o ex-presidente chegou à sala por volta de 17h30min, acompanhado de uma batucada promovida por estudantes. Ao entrar no auditório, foi aplaudido em pé pela plateia, aos gritos de "Olé, Lula".
Em seguida, tornou-se o primeiro latino-americano a receber o título da Sciences-Po, já concedido a líderes políticos como o tcheco Vaclav Havel. Em seu discurso, o diretor do instituto, Richard Descoings, se disse "entusiasta" das conquistas obtidas pelo Brasil no mandato do petista. "O senhor lutou para que o Brasil alcançasse um novo patamar internacional", disse, completando: "Não é mais possível tratar de um assunto global sem que as autoridades brasileiras sejam consultadas".
Autor do "elogio" a Lula - o discurso em homenagem ao novo doutor -, o economista Jean-Claude Casanova, presidente da Fundação Nacional de Ciências Políticas, lamentou que a Europa não tenha um líder "de trajetória política tão iluminada". Casanova pediu ainda que Lula aproveitasse "sua viagem para dar conselhos aos europeus" sobre gestão de dívida, déficit e crescimento econômico.
Lula aceitou o desafio e encarnou o conselheiro. Em um discurso de 40 minutos, citou avanços de seu governo, citando a criação de empregos, a redução da miséria, o aumento do salário mínimo e a criação do bolsa família e elogiou sua sucessora, Dilma Rousseff. "Não conheço um governo que tenha exercido a democracia como nós exercemos", afirmou, no tom ufanista que lhe é característico.
Então, lançou-se aos conselhos. Primeiro criticou "uma geração de líderes" mundiais que "passou muito tempo acreditando no mercado, em Reagan e Tatcher", e recomendou aos líderes da União Europeia que assumam as rédeas da crise com intervenções políticas, e não mais decisões econômicas. "Não é a hora de negar a política. A União Europeia é um patrimônio da humanidade", reiterou.
Na saída, estudantes cantaram a música Para não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré, e se acotovelaram aos gritos por fotos e autógrafos do ex-presidente, que não falou à imprensa. Impressionado com a euforia dos estudantes, Descoings comparou, em conversa com o Estado: "A última vez que vi isso foi com Gorbachev, há cinco ou seis anos. Mas com Lula foi ainda mais caloroso."
Veja também:
link Lula recebe título de doutor honoris causa da UFBA
link Lula receberá seu sexto título de Doutor Honoris Causa
link
Lula dedica título 'honoris causa' a José Alencar

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Terminando, sem terminar:

Bem, depois desses conselhos, a Grécia está com todos os seus problemas resolvidos, não é?
Ou não?
Será que o economista Jean-Claude Casanova não vai transmitir esses conselhos aos gregos, ao BCE, ao Conselho Europeu, ao G20, ao FMI?
Não há que perder tempo...
Paulo Roberto de Almeida

Cambio na OMC: wishful thinking (ou, ilusoes são as últimas que morrem...)


Desvalorização das moedas será tema da OMC
Renato Carvalho
DCI, 28/09/2011

A desvalorização artificial das moedas deve ser tema a ser tratado pela Organização Mundial do Comércio. A opinião é da professora da FGV,Vera Thorstensen, que foi assessora econômica da missão do Brasil em Genebra. "Ou a OMC assume a discussão sobre o câmbio ou perde o senso de realidade", afirmou. A manipulação de moedas, além de dar vantagem em relação aos concorrentes, anula o efeito de ações de proteção comercial.

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...