terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Orbis Universalis, mapa de Jerônimo Marini (1512) - Arquivo Histórico Diplomático do Itamaraty

 

Orbis Universalis, 1512


Reprodução do fac-simile existente na mapoteca do Ministério das Relações Exteriores, situada no Arquivo Histórico Diplomático, no Rio de Janeiro.

O mapa-mundi do veneziano Jerônimo Marini, de 1512, é a primeira carta onde aparece o nome Brasil para designar as terras até então conhecidas como de Vera Cruz, Santa Cruz, dos papagaios ou ‘del brazille’. 

Desenhado em pergaminho, é um dos poucos mapas manuscritos do início do século 16 hoje existentes. Está de cabeça para baixo, pois, por influência dos costumes árabes, ele é orientado pelo sul. A Palestina, onde há um presépio, é colocada no centro da Terra, conforme a tradição medieval. 

O mapa apresenta os defeitos da época, como a representação errada da Inglaterra. Por outro lado, é inovador quanto à colocação mais exata da Escandinávia e da península de Malaca. A obra de Marini, cujo original está na Libreria Antiquari Pio Luzzeti, em Roma, é de grande importância na história geral da cartografia, pois documenta a concepção veneziana do mundo que ainda estava sendo descoberto. 

O Equador, embora passando ao sul de Gibraltar, corta o Mediterrâneo, ainda considerado, como na Idade Média, o eixo das terras habitadas. É, também, característica veneziana a presença maciça das regiões asiáticas, pólos de atração da época. Da América, vê-se apenas a costa oriental, com destaque para o Brasil. 

Em torno do mapa estão alegorias representando o Sol, a Lua, as estrelas e os ventos. Nos extremos oriental e ocidental, duas esfinges simbolizam os mistérios do mundo, que só mais tarde Fernão de Magalhães decifraria.

Fonte: http://www.novomilenio.inf.br/santos/mapa83.htm

Imagem: http://www.dissonancia.com/2006/77-06-008.jpg


2 comentários:

GUILHERME FRAZAO CONDURU disse...

Querido Paulo,

Há dúvidas sobre a autenticidade deste mapa e de outro, também do MRE, de certo Barbolan, formuladas por Leo Bagrow, alemão, autor da primeira sistematização da história da cartografia, originalmente publicada ainda nos anos 1940.

O argumento principal é no sentido de que não há referências adicionais sobre os dois supostos cartógrafos, Marini e Barbolan.

Seria interessante averiguar as respectivas aquisições, não coincidentes. Adonias informa que o Marini foi comprado em Roma, em 1912 e que o Barbolan foi doado pelo embaixador Régis Novais, depois de adquirido de colecionador particular em Londres.

Forte e saudoso abraço

Anônimo disse...

Já eu gosto mais do Mapa de Cantino:O planisfério de Cantino é uma das mais antigas cartas náuticas que representam os descobrimentos marítimos portugueses. Recebeu seu nome de Alberto Cantino, que o obteve clandestinamente em Portugal, em 1502, enviando-o a seu empregador, o duque de Ferrara, na Itália. O seu original conserva-se, atualmente, na Biblioteca Estense, em Módena, na Itália.O planisfério de Cantino é uma das mais antigas cartas náuticas que representam os descobrimentos marítimos portugueses. Recebeu seu nome de Alberto Cantino, que o obteve clandestinamente em Portugal, em 1502, enviando-o a seu empregador, o duque de Ferrara, na Itália. O seu original conserva-se, atualmente, na Biblioteca Estense, em Módena, na Itália.

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