O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org.

sábado, 26 de maio de 2018

AL: sempre deixando escapar às oportunidades

Roberto Campos, a propósito do Brasil. Dizia que era um país que não perde a oportunidade de deixar escapar às oportunidades.
Creio que o mesmo se aplica inteiramente— com a possível exceção  do Chile — à América Latina, como constata este longo artigo analítico.
Paulo Roberto de Almeida

Eterno retorno de turbulências

Por Carlos Rydlewski | Para o Valor, de São Paulo

Um otimista, define uma antiga máxima, é alguém que acredita que o futuro é incerto. Pois, nos dias correntes, há pouco espaço para o otimismo na Argentina. A crise deflagrada no início do mês devastou incertezas e expôs as entranhas econômicas do país. Não foi agradável a imagem que emergiu dali - déficits gêmeos (externo e fiscal), inflação em alta, reservas minguantes (cerca de US$ 30 bilhões líquidos) e juros lançados à estratosfera (40% ao ano). Esse tombo reanimou até o velho fantasma do Fundo Monetário Internacional, o FMI, que atemorizou emergentes por décadas (o governo argentino pediu um empréstimo de US$ 30 bilhões ao organismo). Não por acaso, esses fatos disseminaram pela América Latina uma sensação formada por um misto de medo e déjà vu. Afinal, o vaivém de colapsos econômicos representa um capítulo relevante - e recorrente - da história da região.
O tranco que chacoalhou a Argentina, como se sabe, teve origem, entre outros fatores, no aumento dos juros nos EUA. Esperado havia anos, cumpriu o que prometia: sugou dólares mundo afora e reduziu a liquidez global. Até aqui, as demais nações latino-americanas vêm aguentando bem esse novo abalo no cenário internacional, mas ao menos três países despertam cuidados especiais. São eles o Brasil, o México e a Colômbia. (Isso sem contar com a Venezuela, cujo desmonte político-econômico inviabiliza qualquer análise). E, nesses três casos, a raiz do problema não se limita à vulnerabilidade dos fundamentos econômicos. Ela pesa, mas o sinal de alerta vem de nuvens densas que embaçam a cena política.
O México é um exemplo. Não pairam sobre o país prognósticos tenebrosos, ainda que a economia local tenha perdido ímpeto no ano passado. Organismos internacionais preveem um crescimento próximo de 2,3% em 2018, um resultado similar aos 2% obtidos em 2017. O número não é ruim, principalmente ante um avanço médio de 1,9% estimado para a América Latina e o Caribe neste ano. Mas o enrosco eleitoral não é desprezível. Os mexicanos vão às urnas, em apenas um turno, em 1º de julho. Vencerá a disputa quem receber um voto a mais do que os concorrentes.
O argumento de que o desemprego é un fenômeno mundial, apesar de verdadeiro, não o quadro em que o mercado de trabalho
Esse candidato, indicam as pesquisas, pode ser Andrés Manuel López Obrador, de 64 anos, conhecido como Amlo, as iniciais do seu nome, do Movimento de Regeneração Nacional (Morena). Obrador, que já participou de duas disputas presidenciais, em 2005 e 2012, move-se à esquerda do espectro político, em uma faixa em que se embrenham nacionalismo, um discurso antiestablishment e a promessa de enfrentar as elites corruptas do país.
Hoje, López Obrador se fortalece sobretudo com doses crescentes do desencanto da população com o governo atual, exercido por Enrique Peña Nieto, um conservador do velho Partido Revolucionário Institucional (PRI). Isso sem falar em índices de violência inéditos na história mexicana, com o registro de perto de 70 assassinatos ao dia (detalhe: no Brasil são mais de 150).
López Obrador já defendeu em disputas anteriores a estatização de bancos e indústrias, além da saída do México do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). Hoje, descarta tais propostas, mas sua ampla coalizão, a Juntos Haremos Historia, defende medidas controversas. Uma delas, típica da bipolaridade ideológica latino-americana, é a realização de um referendo para validar a reforma energética que, em 2014, pôs fim ao monopólio do petróleo exercido por 75 anos pela Petróleos Mexicanos, a Pemex.
Obrador tem ainda apetite acentuado e peculiar por polêmicas, ainda que os críticos definam tal pendor como apego a "papagaiadas". Recentemente, lançou-se contra alguns empresários mexicanos. Ele os definiu como "traficantes de influência que se beneficiam da corrupção". Entre seus desafetos, só há gigantes: Alberto Baillères, o segundo homem mais rico do país (o primeiro é Carlos Slim), dono do Grupo BAL, que atua em quase uma dezena de setores; Gérman Larrea, CEO do Grupo México, um colosso da mineração; e Alejandro Ramirez, da Cinépolis, a maior cadeia de cinemas do país, espalhada por quase cem cidades.
Os principais desafios do próximo presidente mexicano estão muito mais ligados ao ambiente externo do que a questões internas, mesmo as fiscais, embora os analistas não negligenciem as últimas. A maior pedra no caminho, em suma, é o pungente (para dizer o mínimo) Donald Trump. O México foi escolhido como alvo privilegiado da retórica protecionista do presidente americano, embora nesse campo ele se mostre um hábil franco-atirador.
A grande dúvida, portanto, é saber o que ocorrerá com o Nafta. Até aqui, os indicadores internos estão reagindo bem a essa interrogação. O emprego cresceu entre os mexicanos em fevereiro e houve queda da inflação no primeiro trimestre. "Ainda assim, o investimento está sendo prejudicado", afirma João Pedro Bumachar, economista do Itaú Unibanco. "Quem vai querer abrir uma fábrica no México diante dessas dúvidas?"
Já na Colômbia, avaliam analistas, a balança política pende para o outro lado - o do mercado -, ainda que o quadro político não esteja totalmente nítido. O primeiro turno da corrida presidencial ocorrerá neste domingo. Até março, os candidatos à Presidência permaneciam embolados. Três deles ocupavam a casa dos 20% das intenções de voto. Desde então, porém, o conservador Iván Duque, de 41 anos, descolou-se desse bloco. Em algumas pesquisas, ele alcança 40% da preferência do eleitorado.
O candidato conta com o apoio do direitista Álvaro Uribe, embora seja mais moderado do que o ex-presidente colombiano. Duque foi definido pelo escritor Mario Vargas Llosa como um homem culto, "que não se envergonha de ler poesia". Mas enfrenta uma campanha pouco romântica. Os adversários exploraram, por exemplo, supostas ligações de seu partido, o Centro Democrático, com a Odebrecht, cujas pegadas suspeitas se espalham pela América Latina. Até o fechamento desta edição, Gustavo Petro, de 57 anos, ex-guerrilheiro do M-19 e ex-prefeito de Bogotá, era o nome mais cotado para compor a dupla para o segundo turno das eleições, em 17 de junho.
Entre as tarefas cruciais do eleito, está a conclusão do processo de paz com os guerrilheiros das Farc, cujo atual acordo é visto com ressalvas por Duque. Isso além de recuperar a um enfraquecido resultado primário e lidar com um problemão oferecido pelo hermano Nicolás Maduro, reeleito no domingo, entre dúvidas sobre a legitimidade do pleito: perto de 1 milhão de refugiados venezuelanos entraram na Colômbia desde meados de 2017.
O Chile, por outro lado, continua desfrutando entre analistas do posto de queridinho do pedaço. Tal brilho recebeu uma nova demão de polimento em dezembro, com a eleição do presidente Sebastián Piñera. Bilionário, conservador, empresário, economista com doutorado em Harvard, ele havia presidido o país entre 2010 e 2014. Neste pleito, derrotou Alejandro Guillier, da esquerdista Frente Amplio. Piñera assumiu a Presidência em março, substituindo a socialista Michele Bachelet. As previsões de crescimento do Chile apontam para algo próximo de 3,5%. Isso tanto em 2018 como em 2019.
Além do clima empresarial tido como positivo, essas estimativas levam em conta a alta do preço do cobre (30% em 2017), disparado o principal item da pauta de exportações do país. O comércio do metal sofre forte dependência da China, que consome metade da produção mundial. Mas, no médio e longo prazos, tal limite pode mudar. O cobre é usado na fabricação de veículos elétricos e híbridos, tanto em baterias como em outras peças. Esa produção pode saltar de 3 milhões de unidades em 2017 para 27 milhões daqui a dez anos. Ainda assim, flutuações no preço do cobre e potenciais disputas trabalhistas nas grandes minas chilenas pontuam algumas das fragilidades do país.
Alista das demais economias que avançam com firmeza na região inclui a Bolívia e o Paraguai. Embora pequenas, elas devem crescer perto de 4% em 2018, as maiores taxas da região. O Peru pode alcançar um nível semelhante. O país acaba de driblar uma crise política cabeluda, o que não deixa se ser surpreendente. Ali, Pedro Pablo Kuczynski renunciou ao cargo de presidente em março. Ele foi mais uma baixa da Odebrecht, ao ser acusado de receber dinheiro da empreiteira brasileira. Foi substituído pelo vice, Martín Vizcarra. Entre os países de menor porte e em situação delicada estão a Nicarágua, do líder Daniel Ortega, alvo de protestos permanentes, e o Equador, cuja economia é dolarizada desde 2000, que passa por uma crise severa, com déficit primário e dívida crescentes.
Sob o ponto de vista econômico, a crise na Argentina, em si, não deve contaminar os demais países, ainda que ela tenha algum impacto nos dados agregados da região. Depois de cinco anos patinando entre desacelerações e recessões, o PIB da América Latina registrou um avanço modesto em 2017, com elevação de 1,3%. Para 2018 e 2019, são esperadas taxas de 1,9% e 2,6%, respectivamente. Parte desse fôlego para o crescimento da região tinha como lastro uma possível recuperação no Brasil e na Argentina. Esta já descambou, e o problema complementar é que a economia brasileira avança em ritmo mais lento do que o esperado. Além do mais, o real sofre forte pressão do dólar, e o país está prestes a enfrentar uma das eleições presidenciais mais indecifráveis desde sua redemocratização, em 1989. O quadro político são fragmentos. Neste momento, até a tradicional polarização PT-PSDB parece improvável.
"Ainda assim, se houver redução no PIB total dos países latino-americanos, ela deve ser muito tênue", diz Mauricio Molon, economista-chefe do Santander. "No Brasil, por exemplo, o impacto negativo pode ser de 0,1 ponto percentual."
Em toda essa confusão, no entanto, há um detalhe relevante - e também é de natureza política. Mauricio Macri foi eleito em 2015 como o novo apóstolo do liberalismo econômico na região. A vitória de Sebastián Piñera, no Chile, renovou os sinais de que o pêndulo ideológico sul-americano avançava à direita. Agora, com a derrapada argentina, a direção final desse movimento torna-se menos óbvia. Com a crise, não são poucos os observadores que dizem acreditar em um fortalecimento do peronismo na Argentina, especialmente da ala próxima à ex-presidente Cristina Kirchner.
Macri já vinha perdendo popularidade por causa de reajustes nas tarifas de gás, eletricidade e transporte. Agora, essa tendência deve-se agravar. Mesmo porque juros a 40% ao ano vão afetar o crédito, sobretudo das empresas. Além do mais, existem outras tarifas públicas que precisam ser corrigidas. Caso o câmbio não se estabilize, a dívida externa também deve aumentar. Em resumo, como a imagem de um político pode sobreviver a tamanho bombardeio? Por outro lado, se a Argentina der a volta por cima até as eleições presidenciais, em 2019, nasce um novo herói latino-americano: Mauricio Macri.
O pior é que a situação não era tão trôpega até a mudança do cenário internacional. As perspectivas para a Argentina eram boas, ainda que não fossem pródigas. O país amargou uma queda de 2,2% do PIB em 2016, mas, no ano seguinte, cresceu quase 3%. A inflaçãocaiu para 24,8% em 2017, bastante alta, é verdade, mas inferior aos quase 40% registrados de 2016. Esperava-se um avanço de 3,5% do PIB em 2018. Por causa da severa seca que prejudicou a safra agrícola, esse percentual já havia sido reduzido para 2,7%, em março. Agora, as estimativas entornaram ainda mais, batendo em 2,3% - e não param de cair. "Nos últimos trimestres, podemos ter resultados negativos do produto", diz Bumachar, do Itaú Unibanco.
A questão que fica é por que as crises econômicas são tão recorrentes na América Latina, dando forma a uma espécie de "mito do eterno retorno" dos colapsos. Existem algumas práticas que ajudam a entender esse fenômeno. Como observa a economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics e diretora do Programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade Johns Hopkins, ambos em Washington, são elas o populismo econômico, que promove intervenções arbitrárias e deixa inconclusas reformas cruciais, além da má gestão.
Esses fatores não são excludentes e nem sequer seguem uma só cartilha ideológica. Ao contrário, combinam-se com frequência e são usados com a bênção de quaisquer partidos. Como dizia Leonel Fernández, ex-presidente da República Dominicana, um "déficit fiscal não é de direita, nem de esquerda; é de gestão". "O pior é que todo o desequilíbrio gerado por medidas de caráter populista não tem uma solução no curto prazo", diz Otto Nogami, professor de economia do Insper. "Em parte, é isso o que está ocorrendo na Argentina. O atual governo herdou um problema e, ao deixar de agir, agravou a situação." O fato é que mudanças profundas tendem a ser impopulares. "E quando se veem ameaçados", acrescenta Monica de Bolle, "invariavelmente, políticos e partidos arrancam as reformas da tomada para garantir a sobrevivência".
Outro mau hábito latino-americano, observam especialistas, é o desperdício de oportunidades que poderiam corrigir trajetórias, ou mesmo, promover guinadas rumo ao desenvolvimento. Na opinião do economista chileno José Gabriel Palma, professor da Universidade Cambridge, na Inglaterra, foi isso o que ocorreu durante o "boom das commodities", entre meados da década passada e 2014. Esse tipo de receita extra e transitória, ressalta Palma, é raro.
"Por isso, o que tinha de ser feito era investir esses recursos na geração de novas capacidades produtivas", diz o professor. "Era possível industrializar o setor exportador e diversificar a economia em geral. Assim, quando o preço das commodities retornasse a níveis "normais", haveria outras maneiras de gerar receitas sob a forma de salários, lucros, investimentos e impostos. Isso daria sustentação ao crescimento."
Não foi o que se viu. "Nos países da região, e em particular no Chile, boa parte da elevação de receita ficou com as multinacionais que atuam no setor de commodities", afirma Palma. "O que sobrou consumimos quase tudo." É por isso que o economista considera que a verdadeira "década perdida" não se deu nos anos 80, quando a América Latina sucumbiu à estagnação econômica. "Ela ocorreu durante o boom das commodities."
O professor de Cambridge nota que nem sempre foi assim. Nos anos 1880, o governo chileno fixou um royalty de um terço sobre o valor das exportações de salitre, extraído a partir da crosta rica em nitrato encontrada no deserto. A receita adicional do "ouro branco", como o produto era chamado, permitiu que os gastos com educação fossem multiplicados por seis, quadruplicou as despesas com saúde e resultou na construção de centenas de quilômetros de estradas de ferro. Por fim, possibilitou o desenvolvimento de uma nova política industrial. Eram outros tempos, claro. Mas o exemplo não deixa de ser ilustrativo.
Outra discussão em torno das crises econômicas latino-americanas é sobre o quanto elas estão associadas ao próprio modelo de desenvolvimento adotado pelos países da região. Ou seja, até que medida elas são fruto das ineficiências estruturas que as mantêm? Esse é um debate antigo. Ele encorpou após a Segunda Guerra, quando a ONU criou a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal). Foi nesse momento que o economista Raul Prebisch (1901-1986), então presidente do Banco Central da Argentina - na época um país rico -, apresentou uma nova abordagem analítica sobre o tema crescimento. Ela se tornou o catecismo para os cepalistas.
O ponto de partida de Prebisch foi a crítica à teoria das vantagens comparativas de David Ricardo, segundo a qual os países deveriam se especializar na produção de itens para os quais apresentassem vantagens comparativas de custo. Para o economista argentino, tal lógica trazia um problema de origem: as relações comerciais entre a periferia exportadora de artigos primários e o centro industrializado, consumidor e responsável pela transformação dessas matérias-primas, eram tremendamente assimétricas. Nessas trocas, também existiria uma transferência real de progresso técnico. Para Prebisch e seus discípulos a alternativa para o desenvolvimento das nações periféricas seria a industrialização, levada a cabo por meio da substituição de importações e da diversificação dos mercados externos.
No Brasil, naquele momento, o pensamento cepalino sofreu críticas de economistas como Eugênio Gudin e Octávio Gouveia de Bulhões. Para esse grupo, com formação liberal, o crescimento é resultado de uma economia estabilizada, fundado em ganhos de produtividade, e não em políticas expansionistas. As críticas a Prebich também miraram em um eventual efeito indesejável de sua teoria. Isso porque, na avaliação dos opositores, ela atribuía a culpa por todos os males econômicos da região à dominação estrangeira, em vez de voltar-se ao próprio umbigo com maior atenção - e rigor crítico. Esse debate, note-se, ainda fervilha.
Por fim, é inegável que a América Latina sofre com a ausência de pilares sociais sólidos, o que aumenta a suscetibilidade dos países a solavancos econômicos. Prova disso são os indicadores de educação, saúde, competitividade e inovação. Isso sem contar problemas adicionais, como a violência. Um levantamento recente do Instituto Igarapé, com sede no Rio, indica que, com apenas 8% da população mundial, a região registra 33% dos homicídios cometidos no planeta.
Não existem dúvidas também sobre o impacto das crises econômicas sobre as nações. Quem discorre sobre esse ponto é a economista Monica de Bolle: "Esse custo que, em geral, resulta da ausência de reformas está bem documentado. Luc Laeven e Fabián Valencia, dois economistas do FMI, expuseram o tamanho desses danos em um artigo publicado em 2012 ["Systemic Banking Crises Database: An Update"]. A dupla constatou que a crise entre 2001 e 2003, na Argentina, custou 71% do PIB do país. Ou seja, o produto interno foi 71% menor do que teria sido caso não houvesse o tropeço. No Brasil, a crise de 1990, em que se deu o fracasso do confisco promovido no governo Collor de Mello, levando à desvalorização do câmbio e à volta mais agressiva da hiperinflação, custou 62% do PIB nacional."
A economista nota que há outros estudos desse tipo, mas Laeven e Valencia aplicaram a mesma metodologia a vários países. Isso entre 1970 e 2011. Durante esse mesmo período, houve 147 crises bancárias, 218 cambiais e 66 de dívida espalhadas pelo mundo. Os países latino-americanos aparecem diversas vezes na compilação dos dados. A Argentina, em 2018, portanto, nem de longe é um caso isolado, ainda que tal constatação não soe nada otimista.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Is There a Difference Between Economic Power and Political Power? - Per Bylund (Mises)

Is There a Difference Between Economic Power and Political Power?

The term capitalism is highly confusing. The definition is clear enough: the private ownership of the means of production (capital). But the implications are very different depending on one's political or economic perspective. Both are right and wrong. Let's take a look at them.
Politically speaking, private ownership of the means of production provides owners with power. Why?
Because society is dependent on the production of value, and production is undertaken using capital. Whoever has ownership of capital can then influence society. Consequently, it is only intuitive that owners of immense capital can make demands from policy-makers, who need to at least consider this perspective when making new laws.
So the power of the state (usually thought of as the power of "the people") is in a sense limited by capital ownership. And, no doubt, policy-makers feel that their power is to some extent circumscribed by the influence of capital owners. (Whether this is a good or bad thing is a different issue.) So there's a constant scratching of each other's backs between the state and capital owners, as should be expected. Both want it their way, and the state's apparatus (and the state's means, to refer to Oppenheimer) only allows for one way. So no wonder capital owners and politicians are both cooperating and covering their own behinds.
In other words, politically capitalism is about power because capital ownership implies influence over the political process and capital owners are, in fact, invited to take part in policy-making by political decision-makers. They both gain from such wheeling and dealing.
Economically speaking, this analysis makes little sense. Why?
Because capital as a means of production has value only because and to the extent it is used to satisfy consumers' wants. As Menger famously exemplified this point already in 1871, a machine used to produce tobacco products has value because consumers like to buy and use tobacco products. But should they, suddenly, not be interested in (and thus not demand) tobacco products, that machine would immediately become worthless. (Or, rather, it would have only scrap value.)
In other words, capital ownership is strictly in the service of consumers. Whenever a capital owner chooses to restrict his/her use of existing capital, it becomes valueless. Capital that is not in use simply has no value. Capital that is used sub-optimally has more value in the hands of other capital owners, which means the owner's greatest "power" is achieved by selling it! But capital owners have no power over consumers: the consumer is still king and is sovereign in deciding what goods/services are worth his/her time and money.
In other words, what uses of capital are to be valuable. This is hardly a position of power for capital owners - it is the position of a servant. Capitalists have wealth only to the degree they are and continue to be of service to consumers (that is, the "masses"). As soon as they stop, they lose that value or are "forced" (in an economic sense) to sell their capital to producers who better understand how to serve consumers. So how does this servant become a master? That's the question that requires an answer in order to bridge the economic and political definitions.
One way is to adopt a faulty economic theory, such as Marx's, and thus claim that capital has objective or intrinsic economic value and that people are desperate to get jobs. But such a theory only begs the question, and leads back to the political dimension. Because there is nothing in an economy forcing anyone to work for a "capitalist." The very existence of productive capital implies that the economy is somewhat advanced. And this, in turn, means labor is specialized and productive. Which means there are options (see my book on the Unrealized).
The reason there are not options for people, so that they "have to" be employed by capitalists, has an extra-economic cause: it is, in other words, of political origin. So we're necessarily back to politics.
Another way is to consider a different political system, one that which is not based on hierarchical power claiming the monopoly of violence, which would then not provide policy-makers with power (as there would be no policies to be made) and thus no wheeling and dealing with capital owners: the former would need to contribute to the economy rather than be a burden on it, and the latter would be strictly servient of consumers.
The problem here is to treat both dimensions as they are equal. People of the left focus on the power aspect, and assert that it somehow has economic origin (in other words, they're economically illiterate). People of the right focus on the economic aspect, and assert that there is no power (or, at least, no problem) due to capital ownership (in other words, they're ignorant of the state's influence on society and economy). Still, they use the same term for their very different concepts.
No wonder there is confusion!

Per Bylund is assistant professor of entrepreneurship & Records-Johnston Professor of Free Enterprise in the School of Entrepreneurship at Oklahoma State University. Website: PerBylund.com.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Relacoes exteriores do Brasil: Diálogos internacionais do IPRI: 30/05

Meu amigo, colega e verdadeiro gestor do IPRI, Marco Túlio Scarpelli Cabral, foi quem concebeu, montou, organizou, mobilizou, preparou este belo programa dirigido a estudantes e candidatos à carreira diplomática, cobrindo vários aspectos das relações exteriores do Brasil.
Venham todos.
Paulo Roberto de Almeida
Caro (a) Estudante,
1. Gostaríamos de convidá-la (o) para a próxima edição dos Diálogos Internacionais do IPRI sobre "Relações Exteriores do Brasil – Contexto e Temas", em 30/05 a partir das 9h00 no auditório Paulo Nogueira Batista, no anexo II do Ministério das Relações Exteriores.
2. Concebido especialmente para estudantes e candidatos ao Instituto Rio Branco, este evento consistirá em um ciclo de palestras, seguidas de debate, apresentando amplo panorama das relações internacionais e da política externa brasileira, conforme programa abaixo:

09:00 – Recepção pelo Diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, IPRI-Funag, ministro Paulo Roberto de Almeida
09:15 – MRE, Funag-IPRI, possibilidades de ingresso na carreira diplomática, Conselheiro Marco Tulio Scarpelli Cabral, coordenador geral do IPRI
10:00 – O Universalismo da Política Externa Brasileira, Secretário Filipe Nasser Silva, Secretaria de Planejamento Diplomático
10:45 – O Brasil e o Oriente Médio, Diplomata da Subsecretaria da África e do Oriente Médio
11:30 – As relações Brasil-América Latina, Conselheiro João Marcelo Soares, Subsecretaria da América Latina e do Caribe
12:15 – O Brasil e os EUA, Secretário Fabio Cereda Cordeiro, Divisão dos Estados Unidos e do Canadá
15:00 – O Brasil e a China, Diplomata da Divisão de China e Mongólia
15:45 – O Brasil e a Rússia, Secretário Fabiano Wollmann, Divisão da Europa Central e Oriental
16:30 – O Brasil e o Conselho de Segurança, Diplomata da Divisão de Paz e Segurança Internacional
17:15 – Debate Geral, Encerramento, Ministro Paulo Roberto de Almeida

3. Para confirmar presença, basta responder a esta mensagem informando o nome completo e, se for o caso, a instituição na qual estuda ou trabalha.

Atenciosamente,
_________________
Marco Tulio S. Cabral
Coordenador-Geral
Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais - IPRI
Ministério das Relações Exteriores

Liberalism: the life of an idea - Edmund Fawcett (The Economist)

Why liberals need to be vulgar

An interview with Edmund Fawcett on his book “Liberalism”

Insight and opinion on international news, politics, business, finance, science, technology, books and arts.
“A feeble creed for weedy people! Rightists and Leninists love that caricature,” says Edmund Fawcett about liberals. The Economist asked Mr Fawcett to reply to five direct questions in answers of roughly 100 words.
Mr Fawcett is the author of “Liberalism: The Life of an Idea”, which was published this month in a second edition, making room for President Donald Trump, Brexit and other political tremors that have shaken the liberal mindset. He was a journalist at The Economist for 30 years before retiring in 2003.
His responses are below. They are followed by an excerpt that he picked because, as he put it: “Liberalism is easy to recognise but hard to sum up. You have to start somewhere, though, and this extract — from my preface — works, I trust, as a front door.”
In a word, liberalism needs to become democratic again.

What is liberalism?

There’s no one-sentence answer, yet you can fill a library with complicated academic answers. The thing to hang on to is that we can all recognise liberalism, especially now it’s under threat. If pressed for a thumbnail, I’d pick out four key liberal beliefs: society is always in conflict; undue power — of the state, wealth or oppressive majorities — has to be resisted; human progress is possible; and everyone deserves society’s respect, whoever they are. Each idea has ancient roots. Looking for them in political form before the 19th-century is like looking for the Athenian bicycle or the medieval microchip.

Not long ago liberals won the Cold War. They dominated public argument and the agenda for policy. What went wrong for them?

When Soviet communism collapsed, liberals needed to wake up and see two things. One, there were attractive non-liberal roads to capitalist development. Liberals shouldn’t have been surprised by Turkey or Hungary, let alone Russia and China. Two, in the liberal West itself, liberalism’s strength and scope greatly varied. Liberalism could be more democratic or less democratic: more for everyone, or more for a few. Liberals are forever forgetting and having to relearn that lesson. After 1945, liberalism spread its benefits and protections to many. Now, liberalism looks too much like privilege. In a word, liberalism needs to become democratic again.

Liberalism devours itself by giving too much freedom and letting anti-liberals undermine it by, for example, banning certain kinds of speech.

No-platforming makes a handy bat for bashing liberals. But liberalism has nothing to answer for. Acceptable speech is bound to be fought over. What’s socially acceptable or unacceptable to say in public shifts. Think of blasphemy. Think of the word “fuck”. The fight now is over demeaning stereotypes and views that endorse them. Unacceptable? Some think yes, some no. Liberalism rightly sets a high bar against laws limiting speech. But legally permissible doesn’t mean socially acceptable. If talk of some kind becomes odious in society, it’s not for liberals to make society change its mind on behalf of free speech.
Liberals do need to sound tougher. They need clearer, shorter, more vulgar ways to say what they stand for.

Is the liberal credo intellectual and passive? Under attack from active, muscular creeds, does liberalism hide in its library?

A feeble creed for weedy people! Rightists and Leninists love that caricature. It’s cheap and easy. But who laughs last? Recall what liberals believe in. It takes tough-mindedness to see conflict in society as inevitable. You need toughness to stand up to undue power, to press for progress even if it rolls back on you, to stand up for everyone, however stupid, burdensome or seemingly useless. Liberals may look wet. But don’t push them. Think of Lincoln or Roosevelt. That said, liberals do need to sound tougher. They need clearer, shorter, more vulgar ways to say what they stand for.

Are there any modern or contemporary thinkers who you rank among the great liberals, or are all liberal heroes of a bygone era?

You can get a long way without giants and heroes. Liberalism hasn’t at present intellectual heroes like Constant, Humboldt or Mill in the 19th century. They not only thought and wrote about, but also practised, politics. On the other hand, liberalism is much better defended in depth intellectually than it was then. That’s hard to see, of course, as knowledge is fragmented and specialised. To make those deep defences accessible to a wide public takes breadth of view and skill at summary. Outstanding professors still combine learning and eloquence, for example, Thomas Nagel in America or Pierre Rosanvallon in France.


An excerpt from the preface of “Liberalism”, 2nd edition:
To shore up a weakened building, you need to understand its foundations. You need to grasp what it rests on, why it arose, and what it is for. So it is with democratic liberalism, or to use the more familiar name, liberal democracy. Nobody who witnessed recent political shocks and watched anti-liberal successes in Europe and the United States can doubt that liberal democracy is under challenge from inside and out.
As discrepancies of wealth and power widened in recent decades, disaffected citizens questioned liberalism’s aims and ideals. A great structure of historic wealth and shelter that lately appeared to be the envy of the world showed weaknesses and flaws. As the pride of its occupants gave way to self-doubt, people on all sides asked, were those flaws reparable or fatal? Across the world, liberalism’s geopolitical prestige was dimmed by rising powers that offered attractive-looking non-liberal paths to material progress and stability. The liberal democratic world itself appeared to be splitting as the United States and Britain took illiberal paths politically and unilateralist paths internationally, leaving a shaken France and Germany as European standard-bearers for the liberal order.
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  • A Italia fabricando uma nova crise europeia - Sebastian Mallaby (WP)

    Italy’s new government could be the force that finally breaks Europe

    Europe has weathered so many shocks — the near breakup of the euro zone, the chaotic influx of 2.5 million refugees, the Brexit referendum — that it is tempting to dismiss the latest existential crisis unfolding in Rome. But Italy’s emerging radical-populist government could be the force that finally breaks the continent’s cohesion. When the man proposed as Italy’s new finance minister declares that “Germany has not changed its vision of its role in Europe since the end of Nazism,” it is time to wake up.
    Whether or not Paolo Savona gets the finance job, there is no doubt that he represents the populists’ outlook — one that could have a devastating effect on Europe’s financial position. The two halves of Italy’s new coalition — the right-populist League and the left-populist Five Star Movement — disagree on many issues, but they are united in blaming Italy’s problems generally on the European Union and specifically on the Germans. After Savona’s outburst was published in an Italian newspaper this week, Matteo Salvini, the League’s leader, took to a Roman rooftop and announced on Facebook Live that Savona is “an economist, an expert recognized in Italy and the whole world . . . His only fault? He dared to say that this E.U. — as it is — doesn’t work.” 
    This growling cannot be dismissed because, if shorn of the gratuitous reference to Nazism, it contains much truth. The European Union comprises one brilliant success (a single market that facilitates trade not just in goods but also in services); a series of useful collaborations (in policing, scientific research, student exchanges and so on); one brave but politically risky principle (the free movement of people); and one outright catastrophe (the common European currency). Britain is crazy to leave the European Union, because it is not in the currency zone and its flexible labor market allows it to absorb European immigrants effectively. But Italy is different. 
    Indeed, Italy is the poster child for the flaws in Europe’s construction. It has amassed terrifying government debts not because it has the privilege of printing the world’s reserve currency (as the United States does); nor because it has a national central bank that can be relied upon to suppress borrowing costs (as Japan does); nor yet because it hid its borrowing behind Wall Street financial engineering and fake statistics (as Greece did). Rather, Italy has been plainly and openly reckless, because such were the incentives created by Europe’s monetary system. 
    Europe’s policy mix acknowledges this problem. A single central bank with a single interest-rate policy links the borrowing costs of weak and strong countries, so that the weak can run up debts too easily. Recognizing this temptation, Europe has imposed caps on government borrowing, but these have failed in two ways. First, they have ensured that the main word that national politicians hear from Brussels is “no!” — no to government pensions, no to infrastructure spending, no to teacher pay raises. Second, because any budget rule is arbitrary, the caps have not been enforced in practice. They combine maximum friction with minimum effectiveness. 
    Meanwhile, other European policies have actively promoted recklessness. The European Central Bank treats German government debt and Italian government debt equally, boosting the demand for Italian bonds that would otherwise be considered riskier. The central bank also encourages the presumption that, in a crisis, it would rescue Italy, dampening market discipline further. To get investors to believe Italy could plausibly default one day, Europe would have to break the “doom loop” between government and the banking system, so that the government could go bust without the banking system imploding. But that would require European-wide bank backstops. Despite much earnest discussion about centralized euro zone deposit insurance and a euro zone bond that banks could hold instead of dubious national bonds, neither is in the cards. 
    In the absence of both political discipline and market discipline, Italy has — guess what — borrowed. When the euro was launched in 1999, Italy had a public debt to gross domestic product ratio of 105 percent; today it is 133 percent. The same incentives are evident elsewhere: In France, for example, the debt ratio has gone from 59 percent to 97 percent. When Italy’s newly elected populists promise to cut taxes and raise spending, they are merely extending the pattern. Their principal innovation is to be brazen about it — and to compare modern Germans to Nazis even as they flout German-backed deficit caps. This will only harden Northern European opposition to centralized bank backstops and so paradoxically entrench the doom loop that perpetuates those incentives for the Italian government to borrow.
    How does this game end? In the short term, Europe’s economy is enjoying a cyclical upswing and the central bank is buying bonds via its quantitative easing program, so a crisis is unlikely. But in the longer term, Italy’s debt ratio seems headed into the stratosphere. When the next downturn comes, Europe may find itself dealing with a basket case many times the size of Greece during the last crisis. Greece was small enough to be containable. Italy will be too big to fail, and perhaps too big to save.

    quarta-feira, 23 de maio de 2018

    American Foreign Policy; the jeffersonian tradition under Obama - Book review

    H-Diplo Article Review 769 on “Shielding the Republic: Barack Obama and the Jeffersonian Tradition of American Foreign Policy.”

    by George Fujii

    2018

    H-Diplo
    Article Review 
    No. 769
    23 May 2018



    Article Review Editors: Thomas Maddux and Diane Labrosse
    Web and Production Editor: George Fujii 

    Michael Clarke and Anthony Ricketts.  “Shielding the Republic: Barack Obama and the Jeffersonian Tradition of American Foreign Policy.”  Diplomacy and Statecraft 28:3 (2017): 494-517.  DOI:  https://doi.org/10.1080/09592296.2017.1347448.


    Review by Gustav Meibauer, London School of Economics and Political Science
     

     
    The foreign policy (or lack thereof) of the current presidency has led to a flurry of publications highlighting the purported influence of ‘Jacksonianism’ on the Trump administration’s thinking.[1] Indeed, at least since Walter R. Mead’s influential book, the four ideational traditions in U.S. grand strategy and foreign policy he identified—Jacksonianism, Hamiltonianism, Wilsonianism, Jeffersonianism—have captured the attention of researchers trying to account for both continuity and change in American foreign policy.[2] The recent focus on Jacksonianism is preceded by extensive scholarship on principles most closely connoted with Wilsonianism and Hamiltonianism: internationalism and interventionism, the active promotion of liberal values, democracy, human rights, and free trade; in short, the remaking of the world in America’s image.[3] In their excellently detailed and theoretically rich article, Clarke and Ricketts take it upon themselves to highlight the fourth tradition, namely Jeffersonianism,[4] and showcase its analytical value in elucidating what remains a topical puzzle: the seemingly inconsistent and contradictory nature of the Obama administration’s foreign policy, particularly vis-à-vis Libya and Syria.

    The authors argue that what they perceive as the current literature’s “inability to characterise President Barack Obama’s foreign policy adequately” (495) stems from the failure to account for Jeffersonian influences on President Barack Obama’s rhetoric, decision-making, and corresponding U.S. behaviour. In an impressive, theoretically rich exegesis of Jeffersonian thought, the authors then develop the core ideational tenets and principles of this grand strategic tradition. In that regard similar to Jacksonianism, Jeffersonian principles focus on the “perfection and protection” of the virtues of the republic. Instead of espousing populist values and military strength, however, Jeffersonianism highlights the maintenance of a functioning democratic system, prescribes inherent restraint (even detachment) in foreign affairs, and supports the use of force primarily for the purposes of self-defence, the protection of commerce, and the maintenance of neutrality (501). This, the authors argue, is quite different from simply “isolationism.” Instead, the avoidance of entanglement in the affairs of other states, and the focus on balance of power, on “unmolested commerce” and the principles of free trade, is informed, in their narrative, by Jefferson’s prudent estimation of the interests of what was, in his time, a “small but prosperous neutral power dependent on external trade” tasked with preserving “individual liberty and republican government” at home (502). The article is strongest in the authors’ meticulous, elegantly presented and all-round convincing presentation of Jeffersonian principles, which succeeds in establishing this tradition more firmly alongside its more prominent counterparts and contributes in important ways to the broader research field on the ideational underpinnings of U.S. grand strategy.[5]

    The authors proceed to argue that the principles they have identified can help explain what is often depicted as the contradictory quality of Obama foreign policy: “Such contradictory assessments are the result of a failure to account for the introverted influence of the Jeffersonian tradition” (504). In particular, the “various crises that have confronted the [U.S.] since 9/11” have opened up political space for the resurgence of such views—an assessment that broadly compares with those expressed elsewhere that the post-Cold War era and/or 9/11 respectively have increased ideational competition over America’s interests, strategies, and role in the world.[6] The authors criticise these approaches for their lack of synthesis and the failure to “account for the broader themes within Obama’s foreign policy approach” (506). 

    They therefore have set themselves the task to provide such synthesis, and try to demonstrate the uniquely Jeffersonian element in, variously, Obama’s rhetoric, decision-making, and resulting American foreign policy. It is to the authors’ credit that they focus on the Obama administration’s foreign policy vis-à-vis Libya and Syria to “situate Obama’s strategic response to these civil wars within a well-formed tradition of American foreign policy” (508). This poses a particular challenge, as an analysis highlighting common principles across both cases would have to account for U.S. support for intervention in the one case, and non-intervention in the other. Indeed, the authors argue that Obama’s response to both civil wars “prioritised American domestic ideals” (507) and direct American national security interests (510). Libya did not touch upon such core interests, and thus Obama, viewing the situation instead as a “European problem,” decided to support the intervention by “leading from behind” and “offloading” responsibilities (509): the authors agree with Jack Holland’s characterisation that Obama “utilised all available technological sophistication, coupled with elegant and lofty rhetoric, in order to minimise the costs and risks to the United States” (509-10).[7]  A similar principle was at play vis-à-vis Syria: Obama withstood pressures to intervene in a conflict he perceived as irrelevant to vital national interests, and instead opted for a more limited strategy of providing military assistance and concentrating on the fight against the “Islamic State of Iraq and Syria” (ISIS).

    While empirically rich (as much as the current lack of primary data that afflicts all research on topical administrations allows), the case analysis cannot fully live up to the authors’ promise. It is not evident that the authors’ assessment that Obama did not want to commit military force “if there [wasn’t] a threat to national interests” is enough to qualify him as a Jeffersonian. Here, it seems that the authors’ case analysis could profit from a further focus on the domestic side of the story that is so important in the authors’ rich exegesis of Jeffersonian thought. Similarly, the authors’ focus on synthesis may have led them to overemphasise coherence in foreign policy decision-making. Infusing the empirical analysis with an argument around Jeffersonian principles makes sense, to be sure, because it helps flesh out the topical relevance of this foreign policy tradition. Conversely, however, the authors could probably have reached the same analytical conclusions from their cases (namely that the Obama administration had a more restrained understanding of the national interest compared to, for example, Obama’s activist, even expansionist, predecessor) by employing simpler, binary categories.[8]

    The authors themselves stress that Mead’s traditions were aimed squarely at moving beyond such binaries and false dichotomies towards a more nuanced account of American foreign policy (496). But then part and parcel of this move is a more ‘realistic’ conception of conflicting and ever-competing streams of thought. Rather than categorising Obama (or the Obama administration?) as (predominantly) Jeffersonian, then, additional focus could perhaps have been put on fleshing out how the different traditions interact in foreign policy.[9] The authors point to this themselves when they highlight the different voices and viewpoints present in the administration (are Obama, his Secretary of Defense Robert Gates and State Department Director of Policy Planning Anne-Marie Slaughter all similarly Jeffersonian?). Obama himself, who is mostly depicted as a Jeffersonian, seemed to think preventing a massacre in Libya is in America’s interest (511). Is this about domestic ideas, protecting commerce, or vital security interests, or might Obama be torn between principles of Jeffersonianism and others (perhaps more Wilsonian in nature)? [10] Finally, Jeffersonian principles end up causingeither reticent action (in Libya) or, for the most part, inaction (in Syria), only in part. Evidently, as the authors suggest, external factors such as “the inability to get multilateral cover” and “uncertainty over whether [intervention in Syria] would be the first step in an escalatory ladder leading to sustained […] military involvement” formed the other part of Obama’s calculus (511). This point towards a potentially fruitful integration of ideational drivers of foreign policy with external factors in a theory of strategic choice. As such, Clarke and Rickett’s article has enriched the field with a theoretically sophisticated take on the Jeffersonian tradition. By engaging critically with questions of foreign policy change and continuity, the authors offer a nuanced and intriguing account of Obama’s strategic choices. This makes their article a must-read for any scholar or practitioner seeking to understand the ideational underpinnings of past and current American foreign policy.

    Gustav Meibauer is a Postdoctoral Fellow at the London School of Economics and Political Science. His research focuses on U.S. grand strategy, coercive diplomacy, and the interaction of external stimuli and elite ideas in foreign policy decision-making.


    Notes

    [1] Taesuh Cha, “The Return of Jacksonianism: The International Implications of the Trump Phenomenon,” The Washington Quarterly 39:4 (2016): 83-97; Walter R. Mead, “The Jacksonian Revolt: American Populism and the Liberal Order,” Foreign Affairs 96 (2017): 2-7.
    [2] Walter R. Mead, Special Providence: American Foreign Policy and How It Changed the World, New York: Alfred A. Knopf, 2001).
    [3] Amilcar Antonio Barreto, American Identity in the Age of Obama (London: Routledge, 2013); Fraser Cameron, US Foreign Policy After the Cold War: Global Hegemon or Reluctant Sheriff?(London and New York: Routledge, 2002); Siobhan McEvoy-Levy, American Exceptionalism and US Foreign Policy: Public Diplomacy at the End of the Cold War (New York: Palgrave Macmillan, 2001).
    [4] Jack Holland, “Obama as Modern Jeffersonian,” in Jack Holland and Michelle Bentley, eds., The Obama Doctrine: A Legacy of Continuity in U.S. Foreign Policy (London: Routledge, 2016); Robert W. Tucker and David C. Hendrickson, “Thomas Jefferson and American Foreign Policy,” Foreign Affairs 69:2 (1990): 135-156.
    [5] Eric A. Nordlinger, Isolationism Reconfigured: American Foreign Policy for a New Century (Princeton: Princeton University Press, 1996); Adam Quinn, “The Art of Declining Politely: Obama’s Prudent Presidency and the Waning of American Power,” International Affairs 87:4 (2010): 803-824; Colin Dueck, “Ideas and Alternatives in American Grand Strategy, 2000-2004,” Review of International Studies 30:4 (2004): 511-535; Henry R. Nau, At Home Abroad: Identity and Power in American Foreign Policy (Ithaca: Cornell University Press, 2002); Barry R. Posen and  Andrew L. Ross, “Competing Visions of US Grand Strategy,” International Security 21:3 (1996): 5-53.
    [6] Holland, “Obama as Modern Jeffersonian.”
    [7] Holland, 49.
    [8] Tudor Onea, US Foreign Policy in the Post-Cold War Era (New York: Palgrave Macmillan, 2013; Quinn; Robert Singh, Barack Obama’s Post-American Foreign Policy: The Limits of Engagement(London and New York: Bloomsbury, 2012); Hal Brands, “Barack Obama and the Dilemmas of American Grand Strategy,” The Washington Quarterly 39:4 (2017): 101-125.
    [9] Dueck; Posen and Ross.
    [10] David Fitzgerald and David Ryan, Obama, US Foreign Policy and the Dilemmas of Intervention (Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2014).