Objetivo:

Este blog constitui um complemento e a continuidade de blogs anteriores (ver as listas dos blogs na coluna da direita, bem como a explicação das mudanças, no post 488 deste blog, de 17 de junho de 2006). Ele visa, como os anteriores e os demais, apresentar e informar sobre livros, questões culturais em geral, bem como discutir temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Website: www.pralmeida.org.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

1324) OEA: debil na defesa da democracia

Mr. Obama should press for change at the OAS
Editorial, Washington Post, Wednesday, February 10, 2010

SINCE ITS founding in 1948, the Organization of American States has defined its two top purposes as "to strengthen peace and security" and "to consolidate and promote representative democracy." On the second count, it is failing.

Despite the adoption in 2001 of a "democracy charter," the OAS has done little to stem what has been a steady erosion of free elections, free press and free assembly in Latin America during the past five years. When Honduras's president was arrested and dispatched to exile by the military last year, the organization was aggressive but clumsy -- and ended up making a democratic outcome harder to achieve. In the case of countries where democracy has been systematically dismantled by a new generation of authoritarian leaders, including Venezuela and Nicaragua, the OAS has failed to act at all.

The embodiment of this dysfunction has been OAS Secretary General José Miguel Insulza. A Chilean socialist, Mr. Insulza has unabashedly catered to the region's left-wing leaders -- which has frequently meant ignoring the democratic charter. Last year, he pushed for the lifting of Cuba's ban from the OAS, even though there has been no liberalization of the Castro dictatorship. When Venezuelan strongman Hugo Chávez launched a campaign against elected leaders of his opposition, stripping them of power and launching criminal investigations, Mr. Insulza refused to intervene, claiming the OAS "cannot be involved in issues of internal order of member states." Yet when leftist Honduran President Manuel Zelaya tried to change his own country's internal order by illegally promoting a constitutional referendum, Mr. Insulza supported him, even offering to dispatch observers.

Now Mr. Insulza is up for reelection; a vote is scheduled for late next month. The United States, which supplies 60 percent of the funding for the OAS's general secretariat -- $47 million in 2009 -- ought to have a prime interest in replacing him with someone who will defend democracy. Yet the Obama administration is paralyzed: It has yet to make a decision about whether to support a new term for Mr. Insulza. Partly because of that waffling, no alternative candidate has emerged.

There is some reason for this. Five years ago, an effort by the Bush administration to promote a couple of friendly candidates backfired, and a U.S.-backed nominee this year would surely trigger pushback by Mr. Chávez and his allies, and by center-left governments such as Brazil. But the potential resistance to Mr. Insulza is growing. Panama, Colombia, Canada and Mexico could be enlisted in the search for an alternative. Even Chile's new center-right president has so far declined to endorse his compatriot.

At a minimum, the administration should embrace the recommendation of a recent Senate report on the OAS drawn up by the staff of Sen. Richard G. Lugar (R-Ind.). It calls for the OAS permanent council to require that Mr. Insulza make a presentation about his proposals and priorities for a second term, and for any other candidate who steps forward to offer such a presentation as well.

The United States should make clear that it will not support any secretary general whose platform on democracy issues is inadequate. Congress should meanwhile consider whether the United States should continue to provide the bulk of the funding for the OAS when it fails to live by its own charter.

Links: Democratic Charter of the OAS

OAS refusal to defend democracy in Venezuela

Richard Lugar proposal on OAS

1323) Inovacao tecnologica no Brasil: um quadro preocupante

Brasil registra menos patentes que Toyota sozinha
Jornal Brasil Econômico, 9/02/2010

Dados divulgados pela OMPI mostram primeira queda global no registro em 30 anos
Em 2009, em plena recessão, a Toyota sozinha registrou no mercado internacional mais de mil patentes. No mesmo ano, todas as empresas brasileiras reunidas não conseguiram registrar pelo sistema internacional nem metade desse volume.

Multinacionais como Sharp, LG, Dupont, Motorola ou Microsoft também registraram mais patentes que todo o setor privado e institutos de pesquisa do Brasil, o que mostra a distância entre o país e os principais centros de inovação. Só a Panasonic registrou um número de patentes cinco vezes maior que todo o Brasil.

Entre 2005 e 2009, o Brasil praticamente dobrou o número de patentes de empresas nacionais registradas no mundo. Mas a constatação é que ainda representa apenas uma fração das inovações registradas pelo setor privado e entidades de pesquisa no planeta. Em 2009, o Brasil era responsável por apenas 0,3% das patentes internacionais registradas.

Dados divulgados nesta terça-feira (9/2) pela Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) apontam que o volume de patentes registradas no mundo em 2009 sofreu a primeira queda em 30 anos diante da recessão. Mas os países emergentes continuaram a aumentar o número
de registros.

Desenvolvimento

O registro de patentes é considerado como um índice do desenvolvimento tecnológico e de pesquisa dos países. O Brasil, entre 2005 e 2009, subiu da 27ª posição no ranking de países que mais registram patentes para a 24ª posição em 2009. Há cinco anos, o Brasil havia registrado 270 patentes. Em 2009, esse número chegou a 480, superando Irlanda, África do Sul e Nova Zelândia.

Apesar do avanço, o Brasil ainda está distante de outras economias. Só a China registrou em 2009 mais de 7,9 mil patentes e já superou França e Reino Unido em inovação. Hoje, a China é a quinta economia mais inovadora do mundo. Entre 2008 e 2009, os chineses aumentaram os registros em 29,7% e uma de suas empresas, a Huawei Technologies, é a segunda maior responsável por patentes no planeta.

Sozinha, a empresa tem mais de 1,8 mil patentes registradas apenas em 2009. Ela só é superada pela Panasonic, do Japão. A maior responsável por patentes no Brasil em 2009 foi a Whirlpool, com 31 pedidos de patentes e a 565ª maior do mundo. A Universidade Federal de Minas Gerais é a 858ª maior responsável por patentes no mundo em 2009, com 20 pedidos.

Elas são as duas únicas representantes brasileiras entre as mil empresas e instituições que mais registram patentes. No ranking geral, o país emergente melhor colocado é a Coreia do Sul, em quarto lugar e com 8 mil patentes em 2009. A liderança ainda é dos Estados Unidos, que registrou no ano passado 45,7 mil patentes, quase 30% de todas as patentes existentes no mundo em 2009.

Mas o número de invenções nos Estados Unidos vem caindo. Entre 2008 e 2009, a queda foi de 11,4%. Em segundo lugar vem o Japão, seguido pela Alemanha. Todos os países ricos sofreram uma queda nos registros no ano passado.

Para Francis Gurry, diretor geral da OMPI, a redução de 4,5% em médio no mundo ocorre diante de dificuldades que empresas possam ter em obter financiamento e o corte de orçamentos no setor de pesquisa. Em 2008, foram 164 mil patentes registradas pelo sistema internacional. Em 2009, esse número caiu para 155,9 mil.

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Uma recomendação de leitura:

Ross Thomson:
Structures of Change in the Mechanical Age: Technological Innovation in the United States, 1790-1865
Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2009. xiv + 432 pp.
$68 (hardcover), ISBN: 978-0-8018-9141-0.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

1322) Politica Externa do Brasil e do PT: construindo o novo paradigma

A política externa do PT e a do governo
Sergio Leo
Valor Econômico, 8.02.2010

Embora tenham em comum o destaque conferido à figura do professor Marco Aurélio Garcia, assessor internacional da Presidência e hoje coordenador de programa de governo da candidata governista ao Planalto, Dilma Roussef, governo e PT não estão totalmente afinados em matéria de política externa. No partido, por exemplo, é grande o desconforto com o acordo de livre comércio entre Mercosul e Israel, apresentado como um dos feitos diplomáticos do governo Lula, e há críticas ao empenho oficial pela rodada de liberalização comercial na Organização Mundial do Comércio (OMC). A relação entre governo e as multinacionais brasileiras também é vista de maneira distinta pelo partido e pelo governo.

É patente a ideia de que a eventual eleição de um candidato do PSDB, seja José Serra ou outro, provocaria mudanças significativas nas políticas de Brasília para as relações externas do país. Afinal, vêm do campo tucano as críticas mais veementes e constantes à atuação do Itamaraty e do Planalto contra, entre outra iniciativas, o ativismo pela cadeira permanente no Conselho de Segurança nas Nações Unidas e a cordialidade nas relações com a Venezuela de Hugo Chávez; e Serra não esconde sua antipatia por certas limitações impostas no Mercosul à ação internacional do país.

Mas, para quem se arrisca a prever como seria um futuro governo Dilma Roussef, é importante notar as diferenças de ênfase entre as visões do principal partido governista e o próprio governo, como ficou evidente para quem assistiu a reunião realizada pelo PT no sábado, em Brasília, para recolher contribuições ao Congresso Nacional do partido. Uma delas está na maneira como figuras importantes do partido levantam preocupações com a atuação de empresas brasileiras no exterior, nos conflitos surgidos entre os interesses dessas firmas e as populações locais.

As diferenças começam na maneira de avaliar o avanço das esquerdas no continente. Diferenças que Marco Aurélio Garcia fez questão de marcar, publicamente, ao pedir ao secretário internacional do PT, Valter Pomar, que não retirasse da sala os jornalistas durante os debates, como estava programado.

Mesmo que houvesse uma correlação de forças favorável para confundirmos a política do Estado e as diretrizes do partido, não deveríamos fazer essa confusão, sob uma perspectiva democrática de esquerda, discursou Garcia. Não que o PT tenha proposto a tomada do Estado pelo aparelho partidário - o documento até reconhece que o governo, por natureza, deve ter posições mais comedidas e pragmáticas que o partido. Garcia se opôs, porém, à visão do documento partidário de que as esquerdas no continente estão estrategicamente na defensiva em seu projeto de implantação do socialismo (ou num estado defensivo estratégico, segundo o documento).

Há esquerdas muito diferenciadas e que podem ter fortes elementos não só de diferenciação, mas inclusive de antagonismo entre si, defendeu Marco Aurélio Garcia, claramente contrário à ideia de formação de um bloco de governos de esquerda como parece sugerir o PT. Mas talvez uma das principais diferenças de tom entre o que diz o assessor internacional de Lula e o que manifestam dirigentes partidários é a maneira de tratar a expansão das companhias brasileiras nos mercados dos países vizinhos. Sem a predominância do interesse estratégico do Estado, segundo o PT, a dinâmica das empresas privadas brasileiras pode colocar em risco os objetivos estratégicos de desenvolvimento com integração.

Garcia, que já se viu envolvido intensamente em discussões para salvar empresas brasileiras da ira de governos bolivarianos, argumenta que a presença das companhias brasileiras tem se dado por convite explícito dos governantes, e que há crescente consciência dos executivos sobre a necessidade de atender às suscetibilidades locais. O debate dentro do PT, que inclui até sugestões de código de conduta para as multinacionais brasileiras, mostra que esse tema deve ganhar impulso na discussão interna do governo sobre política externa, caso avance a candidatura Dilma, sob uma plataforma mais à esquerda, como prometem seus aliados. Em última análise, são os governos que recebem as empresas que devem fixar os limites da atuação, admite Valter Pomar.

No debate sobre o documento, militantes do partido e líderes como o deputado Dr. Rosinha, que já presidiu a Comissão do Mercosul, reforçaram a mensagem do texto, de que há, em países vizinhos, forte temor de subimperialismo brasileiro, reforçado pela atitude arrogante e predatória de empresas brasileiras. Nos países vizinhos, políticos de direita ou de esquerda criticam o avanço imperialista do Brasil mas também defendem a presença de empresas brasileiras, se servirem para a correção de assimetrias, comentou Dr. Rosinha.

As empresas vão pelo lucro, vão especular mesmo, comentou o deputado. Qual o comportamento que teremos?, perguntou, manifestando o dilema do partido, que, nos países da América do Sul, tem articulações com outros partidos de esquerda, alguns de discurso anti-capitalista. Ou fazemos um processo de correção das assimetrias, ou se faz como os Estados Unidos no México: constrói um muro para evitar a imigração.

Enquanto o governo defende cooperação com os EUA e coordenação para atuação conjunta em terceiros países e na esfera mutilateral, os autores do documento a ser apresentado para a Executiva do PT são da opinião de que a política externa brasileira faz o Brasil competir com os EUA. É, explicam, uma competição de baixa intensidade, até porque a doutrina oficial do Brasil é de convivência pacífica e respeitosa. Mas a imensa importância geopolítica do Brasil tem o potencial de transformá-lo em ameaça aos EUA.

O documento debatido na semana passada ainda passará pelas instâncias superiores do partido, até ser submetido à Convenção Nacional do PT. Será interessante comparar esse ponto de partida com o que resultará do debate voltado ao fortalecimento da campanha da candidata de Lula à sua sucessão.

Sergio Leo é repórter especial e escreve às segundas-feiras

E-mail: sergio.leo@valor.com.br

1321) Esquerda do B, do C, do D, do "n"...

Sempre me surpreenderá ver brotar catapora ideológica em gente de mais idade... Pensei que isso só dava em moçoilos imberbes, crianças, jovens ainda não pubescentes... Pois não é que, num desses blogs políticos que percorro distraidamente, deparei-me com:

Uma terminologia política do pré-cambriano partidário

O autor, que não preciso dizer quem é, defende uma verdadeira alternativa de esquerda, isto é, socialista e revolucionária, para o Brasil nas próximas eleições. Não surpreende que ele seja pessimista, o que me espanta é a linguagem usada, como se o Brasil estivesse com bolcheviques prontos a tomar o poder de assalto, em plena atmosfera revolucionária, bastando uma pequena fagulha (iskra) para incendiar toda a pradaria.
Senão vejamos (eu faço comentários, PRA):

O adolescente em questão -- que deve ter pelo menos 65 anos -- começa lamentando
"a difícil situação da esquerda revolucionária brasileira, "reduzida a apenas três pequenos partidos com registro eleitoral" e a grupos sem os apoios para tal. Fraqueza que se agrava com a "conjuntura" nacional "extremamente adversa" aos trabalhadores, associada à "desorientação do movimento socialista" mundial."

PRA: eu me pergunto onde ele viu essa coisa chamada "movimento socialista mundial"!!!

Mais adiante, o pubescente revolucionário anuncia a boa nova:
"A imprescindível unificação político-organizacional da esquerda brasileira ocorrerá, caso ocorra, em torno de avaliação comum mínima da superação das contradições essenciais da sociedade nacional e internacional. Paradoxalmente, essa condição política essencial se encontra substancialmente satisfeita, no que se refere a uma enorme parte das organizações, dos movimentos e de militantes revolucionários esparsos do Brasil.
Atualmente, enormes parcelas organizadas e desorganizadas da esquerda socialista concordam sobre o caráter acabadamente capitalista do Brasil e sobre a necessária superação de suas contradições, através da concretização simultânea das tarefas democráticas e socialistas, sob a direção da classe trabalhadora. Processo que as organizações de origem trotskista e o PCB definem como "revolução permanente".
"

PRA: "Superação das contradições" (sic): deve fazer pelos menos uns 30 anos que eu não leio ou não ouço mais falar ou escrever nessa linguagem gongórica. Bem, pelo menos devemos saudar a genial trouvaille: "caráter acabadamente capitalista do Brasil",. Parabéns ao garoto: descobriu a pólvora!

Mas, nosso juvenil autor volta a ficar pessimista logo em seguida:
"A difícil realidade que vivemos torna as eleições momento determinante para a construção de prática unitária, em torno da defesa de programa socialista para a população e para sua organização."
PRA: Acho que a população ainda não foi devidamente apresentada às quatro minúsculas organizações revolucionárias que sustentam a luta no Brasil. Não seja por isso: o início do programa eleitoral gratuito lhes dará meio minuto diário de propaganda.

Continua a linguagem barroca, retirada do pleistoceno socialista:
"As contradições sociais são várias e polifacetadas, ao igual que as classes e frações de classes que conformam a sociedade capitalista atual."
PRA: Sem comentários...

Por fim, não custa sonhar um pouco:
"Paradoxalmente, a desistência de Heloísa Helena de lançar-se como candidata do PSOL e de uma frente de esquerda, para tentar abocanhar uma senadoria, criou as condições para o surgimento de uma verdadeira frente de esquerda nas eleições deste ano, em torno de um programa classista e socialista, que enseje uma autêntica associação da esquerda revolucionária em torno de uma militância comum."
PRA: Sinceramente, eu desejo todo o sucesso para os bravos companheiros da infância militante: eles são perseverantes.
O que seria de nós sem essa linguagem diretamente retirada de outros tempos, que pensávamos definitivamente enterrada?

Oh que saudades que eu tenho,
da minha infância querida,
da aurora da minha vida,
que os tempos não trazem mais...


Paulo Roberto de Almeida (9.02.2010)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

1320) Itamaraty do B

PT planeja criar conselho de política externa
Bernardo Mello Franco
O Globo, 8.02.2010

Proposta, que será votada no congresso do partido, prevê que ONGs, sindicatos e movimentos sociais integrem o órgão

BRASÍLIA A cúpula do PT quer ampliar a influência do partido sobre a política externa brasileira com a criação de um conselho federal dedicado ao tema. O órgão teria caráter oficial e funcionaria paralelamente ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), que sempre foi o único responsável por formular e executar a política externa do país.
Pela proposta, o conselho seria integrado por representantes de ONGs, sindicatos e movimentos sociais — redutos tradicionais da militância do partido.
Sua criação é um dos itens do documento “A política internacional do PT”, que será votado no IV Congresso Nacional da legenda, entre os dias 18 e 21.
Elaborado pela Secretaria de Relações Internacionais do PT, o texto sugere o nome do órgão: Conselho Nacional de Política Externa. Ele é apresentado como um “organismo consultivo com participação social”, a exemplo dos que já existem em áreas como saúde e educação.

Itamaraty já abre espaço para ONGs e centrais sindicais
O documento afirma que o Itamaraty já estaria abrindo espaço, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para a atuação de ONGs e centrais sindicais.
A aproximação incluiria convites a representantes das entidades para acompanhar diplomatas de carreira em eventos no exterior.
“Atualmente, o MRE tem sido também mais aberto à participação dos movimentos sociais, centrais sindicais e ONGs nos eventos internacionais, inclusive muitas vezes como membros da delegação oficial, e os diplomatas do MRE têm se disponibilizado para dialogar e participar de eventos organizados pela sociedade civil quando convidados. Entretanto, ainda faz falta a criação de um Conselho Nacional de Política Externa”, cobra o texto.
O PT também quer que o governo federal convoque uma conferência nacional de relações exteriores, nos moldes de encontros recentes que geraram polêmicas nas áreas de comunicação e direitos humanos.
Segundo o documento, o seminário oficial “permitiria debater as diretrizes de política externa entre os movimentos, organizações e partidos que se interessam e atuam na área”.
A proposta de resolução do PT foi discutida em debate sobre política externa realizado anteontem na sede nacional do partido, em Brasília. Participaram o ministro de Assuntos Estratégicos, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, e Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Lula e coordenador do programa de governo da candidatura a presidente da ministra Dilma Rousseff.
Responsável pela redação do texto, o secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, disse que não poderia revelar detalhes sobre composição e funcionamento do conselho: — Isto é uma proposta feita no debate. É recente e não há nenhum tipo de detalhamento desta proposta, portanto não tenho como te responder.
Segundo Pomar, a conferência nacional de política externa não seria realizada em 2010, último ano do governo Lula. O encontro, portanto, só aconteceria após a eleição presidencial.
— Fazer algo do gênero exige uma preparação de mais de um ano — justificou Pomar.

Documento elogia governos de Cuba e Venezuela
Se seguir os moldes de órgãos já existentes em outras áreas de governo, o Conselho Nacional de Política Externa terá presença maciça de ONGs e sindicatos.
Um exemplo é o Conselho Nacional de Meio Ambiente, cujas resoluções têm força de lei e são publicadas no Diário Oficial. O órgão tem 22 representantes da sociedade civil, incluindo entidades pouco conhecidas como Sócios da Natureza e Instituto O Direito por um Planeta Verde.
Além de propor a criação do conselho e atacar a atuação do Itamaraty no governo Fernando Henrique Cardoso, como O GLOBO noticiou ontem, o documento afirma que o PT deve acompanhar a política externa de Lula, “defendendo-a dos ataques da oposição de direita”.
O texto elogia os governos de Cuba e da Venezuela e prega a intervenção do partido na política de países vizinhos: “Do ponto de vista regional, o PT contribuirá para que a esquerda latinoamericana não perca nenhum governo para a direita; e também para acelerar o processo de integração regional.

1319) Ainda um momento de humor: La vem o Chavez, Chavez, Chavez...

Acredito mesmo que a cópia saiu melhor que o original.
Simplesmente hilariante, inebriante, inesperado, impagável, indescritível, incomparável...
(O post eu retirei do excelente site-blog do Jefferson Tolentino, neste link)

Twitter é uma arma terrorista, diz Chávez
Posted on 8 February 2010

Um momento de descontração, se me permitem.

Camarada Chávez consegue me fazer rir tanto quanto seu homônimo do SBT.

Depois de uma intensa manifestação virtual no Twitter, onde vários internautas pediram a renúncia do presidente, com liberdade de imprensa e opinião, Hugo Chávez, solicitou aos deputados da Assembléia Nacional que preparem uma lei para controlar a internet.

Até aí normal…

Mas Chávez afirmou que o Twitter poderia ser declarado como um “instrumento de terrorismo” e “a favor del bienestar del pueblo“, e imprescindível eliminar “las amenazas terroristas que suponen las redes sociales”.

Rede sociais e armas terroristas.. Cháves está vendo muito Sci-fi ou Duro de Matar 4.0…

Link

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Com o personagem em questão podemos ficar absolutamente seguros: todo dia tem novidade.
Infelizmente, nem sempre tão hilariante...

1318) Ainda bem que o Brasil tem leis...

Deve ser chato viver num país que não possui uma tal profusão de leis, como o Brasil, leis que garantem nossa segurança física e nosso conforto espiritual:


Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 12.199, DE 14 DE JANEIRO DE 2010.

Institui o Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Fica instituído o Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento, a ser comemorado anualmente no dia 28 de agosto.
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 14 de janeiro de 2010; 189o da Independência e 122o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
José Gomes Temporão

PS.: Definição de escalpelamento (segundo Beto e Silva): "Comportamento individual que se processa quando o indivíduo recebe o contra-cheque e contas à pagar. Esse é o único que conheço."

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Poder Legislativo - Lei n. 12.206/2010, de 20/01/2010.
LEI Nº 12.206, DE 19 DE JANEIRO DE 2010 -
DOU 20.01.2010

Institui o Dia Nacional da Baiana de Acarajé.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Fica instituído, no calendário das efemérides nacionais, o Dia Nacional da Baiana de Acarajé, a ser comemorado, anualmente, no dia 25 de novembro.

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 19 de janeiro de 2010; 189º da Independência e 122º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Ranufo Alfredo Manevy de Pereira Mendes

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Ufa! Eu me sinto mais aliviado, assim...
(PS.: Mas eu me pergunto como, exatamente, combater o escalpelamento? Isso a lei não diz. OK, fico só com o acarajé, mas para mim com pouca pimenta, por favor...)

1317) A ideia politicamente ingenua da abolicao da arma nuclear

Op-Ed Columnist
The Dream of Zero
By ROSS DOUTHAT
The New York Times, February 7, 2010

MUNICH
In many ways, Barack Obama has taken a more cold-eyed approach to foreign affairs than George W. Bush. He’s emphasized realism over human rights, negotiation over regime change, the national interest over the promotion of democracy.

But there’s been one great exception to this realpolitik revival: the realm of nuclear strategy.

There Obama has been all about idealism. His speeches have committed the U.S. to the pursuit of a “world without nuclear weapons,” and linked the fight against proliferation to the goal of total nuclear abolition. His policy priorities have included a new arms control agreement with the Russians, the ratification of the Comprehensive Test Ban Treaty and a Nuclear Posture Review, to be released next month, that may limit both the size of the American arsenal and the circumstances it which it could be used. Two decades after the end of the cold war, Obama has put the dream of disarmament back on America’s agenda.

The world has noticed. Last week in Paris, the antinuclear “Global Zero” movement staged its coming-out party, with a summit meeting and keynote speech by George Shultz, the former U.S. secretary of state and a late-in-life convert to the cause of abolition. And over the weekend, the Munich Security Conference, an annual gathering of global power players, convened a panel on the question, “Is Zero Possible?” The panelists, who included former defense officials from Russia, India and Germany, as well as Senator John Kerry, answered unanimously in the affirmative.

It’s doubtful that they all believed it. But the fact that they felt obliged to offer lip service to the ideal of disarmament marks an important victory for Obama, and for the antinuclear cause.

The only question is whether this is good news for global security.

Certainly the United States has room to reduce its nuclear arsenal. As an aspirational flourish amid our negotiations with the Russians, a nod toward the dream of a nuclear-free world may be harmless enough.

But the argument for chasing “Global Zero” can also turn dangerously naïve. This is particularly true of the conceit, touted by Obama, that by reducing or eliminating our nuclear stockpiles, we can dissuade other nations from pursuing nuclear weapons of their own.

In reality, the reverse is likely true. The American nuclear arsenal doesn’t encourage local arms races; it forestalls them. Remove our nuclear umbrella from the North Pacific, and South Korea and Japan would feel compelled to go nuclear in a hurry. If Iran gets the bomb, the protections afforded by American missiles may be the only way to prevent nuclearization in Saudi Arabia, Egypt and Turkey. (In the panel immediately following the “Is Zero Possible?” colloquy, the Turkish foreign minister declared that his country has no need of nuclear arms — because, he quickly added, “we are part of the NATO umbrella, so that is sufficient.”)

The notion that lesser powers only want nuclear weapons because the United States has so many reflects a peculiar kind of American provincialism. In reality, nuclearization is usually driven by regional concerns — from India’s rivalry with Pakistan to Israel’s fear of Middle Eastern encirclement. So is disarmament, when it happens: South Africa gave up its nuclear capability only after it gave up apartheid, and Brazil and Argentina dropped their nascent programs as part of a broader march toward regional détente.

Moreover, even when the fear of American power is a factor in a country’s quest for W.M.D., the fear of our nuclear weapons usually isn’t. Saddam Hussein wasn’t chasing fissile material because he thought the United States would drop an ICBM on Baghdad. For rogue states, the bomb is an obvious way to offset America’s enormous conventional military advantage — and this will hold true no matter how low our nuclear stockpiles go.

This doesn’t mean that America shouldn’t enter into reasonable arms control agreements. But linking the antiproliferation agenda to the dream of universal abolition makes an already difficult problem even harder to solve.

It’s precisely because the proliferation problem is so difficult, though, that the “Global Zero” movement can feel superficially appealing. The Munich nuclear-abolition panel took place just 24 hours before Iran’s president, Mahmoud Ahmadinejad, ordered his scientists to forge ahead with uranium enrichment. Faced with yet another round of Iranian brinkmanship, you can understand why Western leaders might prefer to talk about a world without nuclear weapons. By making the issue bigger, more long-term and more theoretical, they can almost make it seem to go away.

But when it comes to containing Tehran’s nuclear ambitions, the existing American arsenal simply isn’t part of the problem. And if Iran does acquire the bomb, our nuclear deterrent will quickly become an important part of the solution.

1316) Solidariedade e atencao: gestos apreciados

Agradecimento, conciso, mas sincero

Antes de encerrar mais uma jornada de trabalho intelectual, antecipando a retomada de uma dura semana de atividades profissionais, gostaria de agradecer os gestos de atenção, gentileza e solidariedade com que fui agraciado hoje, e nos últimos dias, com várias mensagens -- diretamente ou em comentários neste blog, pessoalmente ou anonimamente -- o de fato representa um estímulo para continuar meu trabalho de leituras, reflexões e de "escrevinhação" sobre temas que me são caros e que, visivelmente, interessam igualmente um círculo maior de leitores e visitantes em meus blogs e site.
Muito obrigado a todos, sinceramente.

Paulo Roberto de Almeida (8.02.2010)

1315) Colecao Brasilianista na Biblioteca Nacional de Brasilia

Brasilianistas: Call to Donate Your Works to the Biblioteca Nacional de Brasília
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Coleção Brasilianista

The Biblioteca Nacional de Brasília, part of the complex of the Museu da República where the opening ceremony of BRASA X will take place on July 22nd, has created a space for a collection of works on Brazil by “brasilianistas.” The following link gives some background information on the library and its initiatives in Brasília: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2006/12/15/materia.2006-12-15.2960437908/view

The library’s director Antonio Lisboa Carvalho de Miranda, a member of the Academia de Letras do Distrito Federal, has requested copies of scholarly books from BRASA members to inaugurate this special collection. BRASA Past President Ken Serbin, current President Peggy Sharpe and Vice President Randal Johnson visited the library in June 2009, saw the site for the new collection, and discussed a contribution of works by BRASA members with Prof. Miranda at that time.

BRASA invites all members to send copies of their published works for this special collection at the Biblioteca Nacional de Brasília. Books, DVDs and other scholarly materials should be received by the BRASA Secretariat before March 30, 2010. Please
mail materials to: BRASA, Vanderbilt University, VU Station B 350031, 2301 Vanderbilt Place, Nashville, TN 37235-0031. The Secretariat will arrange for shipment of the materials to Brazil in April.

Please direct any questions about this initiative to Peggy Sharpe at psharpe@fsu.edu or Marshall Eakin at marshall.c.eakin@vanderbilt.edu

domingo, 7 de fevereiro de 2010

1314) Breve reflexão sobre o colonialismo

Breve reflexão sobre o colonialismo

Muito se menciona, e se condena, em certos meios, com suporte no horror gestual e o devido repúdio no plano verbal, a adoção, supostamente acrítica e subserviente, de idéias, políticas e modismos estrangeiros, importados e disseminados no país a partir de fontes tidas como mais avançadas e como se esses elementos estrangeiros – vale o destaque – fossem, para os “importadores”, o nec plus ultra do aggiornamento cultural e dos processos de modernização material.
Chama-se a essa tendência, sempre vista da perspectiva severa do nacionalismo chauvinista, de colonialismo, uma chaga certamente reprovável. Muitos falam inclusive de colonialismo mental, como uma espécie de lepra intelectual, de tara política, ou uma atitude de simples renúncia a uma solução “nacional” aos problemas nacionais. Como se, consoante a “teoria da jabuticaba” – sobre a qual já escrevi alguma coisa –, só pudéssemos recorrer à inteligência nacional para resolver esses problemas, que só poderiam encontrar a justa solução com nossos próprios recursos e nossa própria sapiência.
Como justificativa à suposta independência de pensamento encontrar-se-ia a vontade secreta de potências estrangeiras de dominar e submeter a nação, posto que o mundo se caracterizaria por uma extraordinária concentração de poder: poder econômico, político, financeiro, tecnológico, militar e, mais que tudo, poder ideológico, o mais insidioso e perigoso de todos. Cabe, portanto, aos defensores da soberania e da autonomia nacionais velar pela independência da pátria, evitar qualquer manifestação de colonialismo material e mental, numa exacerbação do nacionalismo xenófobo que daria prazer ao major Policarpo Quaresma.
Pouco se fala, no entanto, de um outro tipo de colonialismo, que é uma espécie de prisão mental em suas próprias idéias e conceitos do passado, uma subserviência a velhas crenças, que no entanto são consideradas como válidas e suscetíveis de resolver os problemas de hoje com as soluções de antigamente. Esse tipo de sujeição ao dejà vu, às supostas glórias de princípios imorredouros, é tido como defesa dos valores nacionais, mesmo quando visivelmente inadequados aos problemas do presente.
Sem mencionar o fato de que a xenofobia e a autarquia nunca foram de fato soluções a quaisquer tipos de problemas – posto que, mesmo quantitativamente, patentes mundiais sempre representarão um melhor leque de escolhas do que a limitação forçada à tecnologia proprietária exclusivamente nacional – não se sabe bem por que as soluções nacionais sempre seriam superiores às sugestões e reflexões obtidas a partir da importação de idéias e conceitos do exterior.
O colonialismo interno, de tipo vertical, ou seja, aquele que opera um retorno na flecha do tempo em direção a um passado impoluto, quando éramos “pobres, mas autênticos”, é um tipo de autolimitação cuja lógica me parece difícil de compreender no contexto do mundo globalizado. Inclusive porque também representa um tipo de importação acrítica, não do repudiado exterior, mas do amado país da inocência infantil. Abertura de espírito, em qualquer direção, me parece um comportamento correto e condizente com os dados da ciência. Inclusive porque, se ainda estamos discutindo esse tipo de “problema”, é porque algo fizemos de errado no passado que nos impediu, até agora, de alcançar o estágio avançado dos “colonizadores” e dos “dominadores”. Se não fosse por certo complexo de inferioridade mental, não precisaríamos estar discutindo essa bobagem de “colonialismo”...

Paulo Roberto de Almeida (7.02.2010)

1313) Pequena reflexao sobre o poder

(Suprema ironia que este post se inscreva na série sob o número 1313; juro que foi pelo mais puro acaso...)

Pequena reflexão sobre o poder
(à maneira de um hai-kai)

Certo, certo, tem aquela coisa do Lord Acton:
"O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente"

Isso é conhecido, é velho como a Babilônia (Estado, quero dizer).
Mas tem também um fator presente em todas as situações:
O poder inebria, ensandece e dissolve o raciocínio correto.

Pessoas que passam a dispor de poder, de qualquer poder, mesmo o mais ridículo
(que é sempre o poder de mandar em outras pessoas)
se embriagam (súbita ou gradualmente, não importa) com essa nova capacidade.

Elas passam a achar que dispõem realmente de poder.
Outras pessoas passam a abrir portas na frente delas.
Outras carregam as malas, e trazem os papéis. Que satisfação!

Elas até acreditam, que dominando assim a vida de outras pessoas,
passam a dominar inclusive as mentes dessas pessoas, fazendo-as pensar como elas.
Acredito que seja ilusão, embora alguns se submetam voluntariamente a isso.

Na verdade, muitos, ou maioria se submete a isso, pois aqueles que detem momentaneamente o poder
Podem transformar suas vidas, para o bem e para o mal.
Apenas os rebeldes naturais ou independentes de espírito escapam a essa fatalidade.
Ao seu risco e perigo, como diriam alguns...

Paulo Roberto de Almeida (7.02.2010)

1312) Uma reflexao sobre o ato de pensar de forma independente


Por vezes, se tem a impressão de se estar sozinho, quando uma instituição inteira se inclina, voluntariamente ou compulsoriamente, para uma direção que não é aquela que corresponderia ao seu itinerário habitual, normal, ou esperado.
Nessas circunstâncias, não se deve ter medo de ficar sozinho, mesmo enfrentando adversidades, incompreensões ou ostracismo.
Quando se pensa com a própria cabeça, e não com réguas estranhas ao espírito da instituição, não se deve ter medo de ficar sozinho, em face da "desrazão" (como diria D. Quijote, ou melhor Cervantes) da maioria das pessoas.
Um dia a história fará com que ela retome seu curso natural.
A defesa da racionalidade, contra o espírito de submissão, ainda é uma arma poderosa dos que assim decidem proceder.
Argumentos de autoridades não valem nada contra a autoridade do argumento.

Paulo Roberto de Almeida (7.02.2010)

1311) Ainda o Mercosul: mais um trabalho

Retirando alguns trabalhos antigos das "catacumbas" de meus arquivos. Incrível como eu acabo esquecendo vários trabalhos que fiz, por falta de tempo para juntar os trabalhos, classificá-los e indexá-los devidamente, para maior facilidade de acesso.
Este trabalho também pertence ao ano de 2007

“Mercosul: uma revisão histórica e uma visão de futuro”
Brasília, 6 janeiro 2007, 16 p.)
Publicado no boletim eletrônico Meridiano 47 (n. 77, dezembro 2006, p. 7-17; ISSN: 1518-1219).

1310) Mercosul, algumas publicacoes (para nao me perder)

Recebi, nesta sexta feira, um livro do qual eu participei, em 2007, mas que nunca tinha recebido desde essa época.
O livro é este:

Rubens A. Barbosa (organizador):
Mercosul revisitado
(São Paulo: Fundação Memorial da América Latina, 2007, 80 p.; Coleção Cadernos da América Latina)

O trabalho com que participei é este aqui:
“Mercosul: uma avaliação retrospectiva e uma visão prospectiva”, p. 57-75.
(preciso ver uma maneira de disponibilizar esse texto, após um controle do original).

Na verdade, esse texto foi encaminhado ao Memorial para colaborar com a revisão do livro que tinha sido lançado em 2006:

Rubens Antônio Barbosa (org.):
Mercosul quinze anos
(São Paulo: Fundação Memorial da América Latina- Imprensa Oficial do Estado, 2007, 304 p.).

No seminário de lançamento eu apresentei este trabalho:

“Sete teses impertinentes sobre o Mercosul”
(Brasília, 14 março 2007, 4 p.)
Tratava-se de um enunciado de questões em torno das dificuldades do Mercosul e de propostas correspondentes para um reenquadramento no mainstream da integração.
Elas foram apresentadas, sob o título “O Mercosul e suas sete encruzilhadas”, em formato de Power Point no lançamento do livro acima citado.
Num formato de texto, eu publiquei esses comentários em Via Política (22.04.2007).
Creio, modestamente, que vale a pena, ainda, reler essas "teses impertinentes". Elas continuam impertinentes, inclusive porque o Mercosul não avançou, ao contrário, recuou.

No final do ano, eu respondi a uma consulta Delphi promovida por curso de Negociações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Minhas respostas, consolidadas, mas sem a divulgação quanto à utilização inicial, foram publicadas como abaixo:

Uma pesquisa sobre o Mercosul: sua possível evolução até 2011 e 2021
Revista Espaço Acadêmico (ano 7, nr. 79; ISSN: 1519-6186; dezembro 2007).

Antes, na época do seminário, eu tinha respondido a um questionário de jornalista, que nunca foi divulgado em sua integra. Aproveito esta oportunidade para fazê-lo:

“Mercosul revisitado”

(Brasília, 1740: 30 março 2007, Respostas a questões colocadas por jornalista)

1) Em sua resenha do livro Mercosul quinze anos (São Paulo: Memorial da América Latina-Imprensa Oficial do Estado, 2007), o Sr. compara o Mercosul a um “aborrecente”. Caso ele esteja de fato condenado a ser um eterno adolescente, quais seriam as implicações para o Brasil no contexto de pai-fundador?
PRA: O Mercosul foi concebido com base numa declarada intenção política dos dirigentes máximos, os presidentes dos países membros, de aprofundar os laços de interdependência recíproca e de caminhar no sentido de ser estabelecido um espaço econômico comum, sem que talvez se levasse em conta as dificuldades de um processo de integração em meio às crises hiperinflacionárias e aos programas de estabilização macroeconômica que esses países enfrentaram desde os anos 1980 até o início da presente década.
Tanto na fase bilateral (1986-1990), Brasil-Argentina, quando o processo foi mais afirmadamente “dirigista” (com administração quantitativa do comércio bilateral e com protocolos setoriais negociados entre os dois países), como no âmbito do Mercosul (a partir de 1991), quando a orientação era bem mais livre-cambista, o Mercosul foi concebido para alcançar objetivos muito ambiciosos, que ainda não puderam ser cumpridos em função das dificuldades naturais dos processos de integração e também da instabilidade macroeconômica enfrentada por alguns de seus membros.
Nesse sentido, ele ainda precisa “crescer” bem mais e aprofundar os compromissos internos de desgravação e abertura recíproca e os projetos externos de maior inserção econômica e competitividade mundial. O Brasil, que se sente realmente responsável pelos destinos do Mercosul, atua por vezes de forma descoordenada, no plano interno, e de maneira contraditória aos objetivos integracionistas, uma vez que as diferentes burocracias setoriais – proteção ao consumidor, Receita Federal, órgãos normativos diversos etc. – nem sempre se pautam por essa perspectiva ao adotarem ou implementarem diferentes medidas de âmbito interno que podem eventualmente impactar de modo negativo a construção ou o reforço do Mercosul.

2) O Sr. elaborou sete teses sobre o processo de dificuldades que enfrenta o Mercosul. Em uma delas - Mimetismo indevido e foco em supostas assimetrias – e também em sua resenha no livro citado acima, o Sr. mostra que o Brasil é considerado (por quem?) de maneira equivocada como um país não-assimétrico ou “então o assimétrico absoluto, portanto encarregado de redimir os males existentes”. Tal redenção dos males existentes significa que o Brasil tem de contribuir com 70% dos US$ 100 milhões de obrigações não-reembolsáveis do Focem (Fundo de Correção de Assimetrias), mas só se beneficia com 10% dos projetos a serem financiados, majoritariamente voltados para o Paraguai e Uruguai (que aportam 3% do capital)? Por quê? Até quando?
PRA: Acredito que os demais sócios do Mercosul consideram que o Brasil, por ser o país mais avançado industrialmente, e também o maior em volume absoluto e relativo – maior massa territorial, maiores mercados em vista da população, maior volume de comércio interno e externo ao Mercosul, capacitação tecnológica etc. – deveria ser o país a “conceder” maiores vantagens aos demais, sem necessariamente exigir reciprocidade. Pode-se até imaginar que nosso país, em vista dessa dotação favorável de fatores primários, deva, efetivamente, fazer o maior esforço para concretizar a integração, mas esta é uma suposição política, não uma conclusão derivada dos dados da realidade. De todos os países, nossos indicadores sociais só conseguem ser melhores do que os do Paraguai, e em termos de assimetrias internas – desigualdades sociais e desequilíbrios regionais –, nosso país é certamente o campeão.
Por outro lado, as chamadas “assimetrias estruturais” decorrem de fatores muito poderosos, que atuam em nível de mercado, não sendo necessariamente corrigidas por iniciativas governamentais que atuam na superfície dos problemas. A experiência histórica indica que problemas econômicos estruturais são mais facilmente corrigidos quando se atua em sentido coincidente com os mercados do que tentando corrigir supostas “falhas de mercado” que expressam competitividades derivadas de especializações adquiridas ao longo do tempo, muito difíceis de serem alteradas por pequenos programas de financiamentos governamentais.

3) Talvez já terá respondido esta nas questões acima. Do contrário, quais os principais prós e contras para o Brasil como integrante do Mercosul?
PRA: Existem muitos argumentos a favor do Mercosul: ampliação dos mercados, economias de escala, modernização tecnológica derivada da competição ampliada, maior inserção econômica internacional – uma vez que a integração é uma espécie de mini-globalização – e outros elementos mais vinculados à cooperação política, cultural, tecnológica etc. Todos eles recomendam e determinam a abertura econômica e a liberalização comercial recíproca, a construção de empresas sólidas para atuar no plano mundial, a atração de investimentos externos, a futura conversibilidade das moedas nacionais (e até a eventual adoção de uma moeda única, num mercado verdadeiramente unificado), enfim, são inúmeros os elementos positivos num processo de integração. O Brasil certamente se beneficiou do Mercosul na última década e meia, com ampliação significativa do comércio regional e expansão de suas empresas para os países vizinhos.
Quanto aos possíveis elementos menos positivos, poderiam ser citados: o desvio de comércio – ao dar preferência a produtos vizinhos, eventualmente de menor qualidade e até mais caros do que os de terceiros países, mas protegidos pela eliminação da tarifa –, o desvio de investimentos – que pode não obedecer a critérios unicamente econômicos – e outros elementos ligados a uma possível introversão do processo – quando os países visam mais os mercados recíprocos, num jogo limitado à própria região, do que os terceiros mercados, mundiais. Eles podem ser minimizados, se os países membros adotam políticas comerciais e industriais de abertura e de inserção na economia mundial, mas há sempre o risco de comportamentos predatórios no próprio bloco de integração.
A solução para alguns desses problemas está num firme decisão política de se ater às regras do jogo, consolidando-as, se necessário, num arcabouço jurídico capaz de garantir essas regras contra comportamentos protecionistas dos membros, eventualmente por via de um tribunal autônomo de solução de controvérsias (entre países e também de acesso às empresas e particulares).
Um possível problema, para um país como o Brasil, é a perda de soberania – sobre as políticas econômicas e setoriais, por exemplo – que todo processo de integração implica, em última instância. Quando se decide caminhar para a integração é preciso saber aceitar essa perda de soberania, pois se trata de uma limitação à capacidade nacional de adotar regras em benefício dos agentes econômicos e sociais do próprio país. A dimensão integracionista passa a estar integrada ao processo decisório e de formulação e implementação de políticas nacionais.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 30 de março de 2007

1309) Volta ao Mundo em 25 Ensaios (two, so far...)

Dei início, recentemente, a uma série interconectada de 25 ensaios sob o tema geral:

Volta ao Mundo em 25 ensaios

todos destinados ao site Ordem Livre, onde já tinha publicado outros trabalhos (neste link).

Até o presente momento dois ensaios foram publicados:

1. Por que o mundo é como é (e como ele poderia ser melhor...)
Ordem Livre (18.01.2010)

2. Economia mundial: de onde viemos, para onde vamos?
Ordem Livre (1.02.2010)
Republicado no Instituto Millenium (5.02.2010)

A série, cujos ensaios devem ser publicados a cada 15 dias aproximadamente, compreenderá ainda os seguintes artigos:

3. Política internacional: por que não temos paz e segurança?
4. Direitos humanos: o quanto se fez, o quanto ainda resta por fazer
5. Políticas econômicas nacionais: divergências e convergências
6. Cooperação internacional e desenvolvimento: isso muda o mundo?
7. Guerra e paz no contexto internacional: progressos em vista?
8. Individualismo e interesses coletivos: qual a balança exata?
9. Duas tradições no campo da filosofia social: liberalismo e marxismo
10. Como organizar a economia para o maior (e melhor) bem-estar possível
11. Livre comércio: uma idéia difícil de ser aceita (e, no entanto, tão simples)
12. Políticas ativas pelos Estados funcionam?; se sim, sob quais condições?
13. Competição e monopólios (naturais ou não): como definir e decidir?
14. Orçamentos públicos devem ser sempre equilibrados?
15. Países ou pessoas ricas o são devido a que os pobres são pobres?
16. Preeminência, hegemonia, dominação, exploração: realidades ou mitos?
17. Por que a América Latina não decola: alguma explicação plausível?
18. Por que o Brasil avança tão pouco: sumário das explicações possíveis
19. Distribuição de renda: melhor fazer pelo mercado ou pela ação do Estado?
20. Brasil: o que poderíamos ter feito melhor, como sociedade, e não fizemos?
21. Qual a melhor política econômica para o Brasil?: algumas opções pessoais
22. Qual a melhor política externa para o Brasil?: algumas preferências pessoais
23. O que podemos aprender com a experiência dos demais países?
24. Nossa contribuição para o mundo: onde o Brasil pode ser melhor
25. Uma volta ao mundo em 25 ensaios: itinerário percorrido e o que resta fazer

À suivre, donc...

1308) O Brasil e seus criterios de "prosperidade"

Legatum Prosperity Index for Brazil
Report for Brazil in pdf

O Brasil está melhor, no conjunto da América, do que os países ditos "bolivarianos", invariavelmente nas últimas colocações da região, graças, suponho, ao seu desapreço pelas liberdades individuais, pela economia de mercado e o total desestímulo à economia empreendedora, preferindo eles a economia estatal. Azar deles.
Mas o Brasil tampouco é privilegiado no terreno econômico e social, com sérios desequilíbrios internos e deficiências graves em áreas como segurança pessoal e educação.

Brazil 41st place
Fast Facts
Population: 198.7 mn (2009 est.)
GDP (per capita): $10,200 (2008 est.)
GDP (PPP): $93.8 bn (2008 est.)
GDP (growth): 5.1% (2008 est.)
Inflation: 3.6% (2007)
Life Expectancy: 60 years (2003)
Unemployment 9% (2007)
Average Life Satisfaction: 6/10 (2008)
Freedom House Rating: Free (2009)

Index Comparisons for Brazil:
Index Comparisons
(Rank / Number of countries)
Legatum Prosperity Index: 41st / 104
Average Life Satisfaction Ranking: 38th / 104
Per Capita GDP Ranking: 56th / 104
WEF Global Competitiveness Index: 56th / 133
UN Human Development Index: 70th / 179
Heritage/WSJ Economic Freedom Index: 105th / 178
TI Corruption Perceptions Index: 80th / 180
Vision of Humanity Global Peace Index: 85th / 144


Economic Fundamentals - Ranked 54th
A large labour force with access to high levels of physical capital leads to productivity in the economy

Brazil is Latin America’s largest economy. It has a large labour force and workers enjoy high levels of access to productive physical capital, such as machinery, factories and offices. However, the unemployment rate runs at 9%, putting Brazil in the bottom 30 on this variable. Loan defaults are very low, but Brazil has the second highest margin between lending and borrowing interest rates – 14 percentage points – indicating a serious lack of competition within the banking sector. Manufactured goods rather than raw materials generate most export revenues, but export revenues overall are very low when compared to the cost of imported goods, ranking the country only 80th worldwide. Brazil receives very little foreign direct investment, ranking the country 69th on this variable. However, domestic savings are slightly low at 19% of GDP, and household expenditure as a percentage of GDP is the 10th highest in the Index, which allows Brazil to sustain a significant domestic market.

Entrepreneurship and Innovation - Ranked 37th
Brazil has the most barriers to business start-ups, and yet the second highest number of new businesses

Despite the extremely high 17 formal business start up procedures, 490,542 new businesses were registered in 2007, the second highest figure in the Index, suggesting Brazil to be a place of entrepreneurial determination. The level of internet infrastructure as measured by bandwidth is the 23rd highest in the Index, but the number of secure servers per person only ranks around the global average. Computer access is very low by global standards at just 16 personal computers for every 100 citizens, but this is still the highest figure among the South American countries. High-tech and ICT exports as a percentage of manufactured exports are moderately strong at 12% and 3.2%, respectively, placing Brazil amongst the top 50 with respect to these variables. R&D as a percentage of GDP is very low at just 0.7%, a figure that compares badly with other large industrialised economies, indicating weak commercialisation of innovation. However, payment for royalties is high, indicating that Brazil is able to capitalise on its intellectual property. In terms of value added by the service industry, Brazil ranks in the top third, internationally.

Democratic Institutions - Ranked 38th
Brazil ranks as the third most democratic country in South America, but excessive checks and balances may be blocking effective policy implementation

There is open competition among rival political parties for the office of the President, and the office is assigned through free and fair democratic elections. There is also a high level of open political competition among multiple parties for the legislature. Political rights and civil rights are categorised as very high, allowing citizens to participate in elections and associate with political parties. The political system has the second highest number of checks and balances in the Index. In addition, the judiciary is not independent, but subject to interference from other branches of government, and regime stability is average, with Brazil ranking 43rd in the Index on this variable.

Education - Ranked 58th
Brazil’s educational expenditure is very low compared to other large industrialised economies

Primary school enrolment is above the global average, with 94% of school-aged children enrolled in primary school, but Brazil is fourth from bottom among South American countries on this variable. At this education level, there is one teacher for every 21 children and the enrolment ratio of girls to boys is very high, suggesting that girls enjoy good access to education. Brazil scores highly for gross secondary enrolment, ranking 13th, internationally, but falls to 65th for gross tertiary enrolment. Brazil ranks 63rd on the number of years of secondary education per worker, which suggests correspondingly low labour productivity. Levels of tertiary education are average, with 25% of the eligible population enrolled in a higher education establishment, and an average of 3.6 years of tertiary schooling per worker, which places Brazil at 65th and 73rd respectively on these measures. Educational expenditure per student is less than $1,400, a below average figure, internationally.

Health - Ranked 64th
Brazil competes with the world’s poorer countries on most measurements of health, including life expectancy

On average, Brazilians have a health-adjusted life expectancy of 60 years, with 21% of respondents saying they suffered non-age-related health problems and 28% reporting pain.* These figures are all significantly above the global average. Infant mortality, at 2%, also ranks around the average compared to other countries in the Index. The incidence of undernourishment is moderate at 7%. Brazil receives average ratings on the number of doctors and hospital beds for the population, at 12 and 24 per 10,000 people, respectively. 77% of the population has access to improved sanitation facilities and the same percentage of respondents said they were satisfied with the quality of their water.* Only two-thirds of respondents said they felt well rested but subjective reports of health satisfaction were the 38th highest in the Index.*

Safety and Security - Ranked 79th
Brazil ranks in the bottom 10 on political terror and murder, and many Brazilians are worried about personal safety

Brazil faces serious security concerns related to the presence of cross-border refugees and internally displaced persons. Human flight also poses a serious challenge, as does political terror, with the country ranking 94th on the variable that assesses the government’s use of violent methods against its own citizens. The murder rate is very high at approximately 29 people per 100,000 capita, putting Brazil amongst the bottom 10 countries in the Index for this variable, and 60% of Brazilians don’t feel safe walking alone at night.* Although subjective perceptions of safety are among the worst in the Index, crime rates are slightly closer to Index averages, with 11% of respondents having been a victim of assault and 18% reporting theft of household property in 2008; Brazil ranks 82nd and 71st on these two variables.* There were no deaths due to civil war in 2008.

Governance - Ranked 53rd
In Brazil, politicians, businesses, and the judicial system are held in low regard and corruption is perceived to be widespread

Although Brazilians are free to participate in the political and electoral process, only 26% of respondents said they were confident in the honesty of elections – the 10th lowest ranking country in the Index.* The rule of law is implemented equally and universally but only 40% of respondents polled are confident in the judicial system.* Similarly, 72% of respondents said they believe local businesses and politicians are corrupt.* Regulation is poor and governmental effectiveness is low, suggesting uncompetitive conditions for enterprise and inefficient bureaucratic practices. Despite such perceptions, Brazil still has the second highest levels of confidence in local businesses in the region.* Confidence in the country’s military is also very low, with fewer than half of respondents expressing confidence in the armed forces.*

Personal Freedom - Ranked 16th
Brazil is a welcoming country for ethnic minorities and immigrants, and there are high levels of personal freedom

Brazilians enjoy the highest possible rating for freedom of movement, religion, and speech. Tolerance for ethnic minorities and immigrants is very high, with more than eight out of 10 respondents believing that Brazil is a good place for these minorities.* Eight out 10 respondents also said they were satisfied with their freedom to choose what to do with their lives.*

Social Capital - Ranked 62nd
Brazilians are very religious and more inclined to help a stranger than not but few say they trust others

While Brazil has the fifth highest religious membership in the Index at 77%, membership in arts, sports, and environmental associations is low, at 19%, 15%, and 7%, respectively.* Social support networks are strong, as almost half of Brazilians are married, and 88% believe they can rely on friends and family.* Volunteering and charitable giving are about average for the Index, with 26% of respondents giving money and 16% giving their time in 2008.* In Brazil, less than one in 10 believe others are trustworthy, but despite this, just over half of respondents say they would help a stranger, putting Brazilians in the top third of countries on this latter variable.*

* Data taken from the Gallup World Poll

1307) O Brasil no Indice Mundial de Prosperidade

O Legatum Institute publica, todo ano, um Legatum Prosperity Index, parte de um relatório que estabelece uma classificação de países segundo nove critérios (drivers) de prosperidade econômica e social, inclusive no terreno da governança e das liberdades pessoais.

O Brasil aparece muito mal na foto, pois só tem um UNICO critério classificado como satisfatório (liberdades pessoais), todo o resto estando na média (e possivelmente abaixo da média), com o critério "segurança pessoal" em vermelho (sabemos porque).
Ele está em 41. lugar, entre 104, sendo o primeiro a Finlândia e o último o Zimbabue.
Abaixo uma comparação entre esses três países, mostrando que se estamos bem melhor do que o país africano, ainda falta muito para alcançar o primeiro lugar.


Finlândia (verde); Brasil (azul); Zimbabue (vermelho)

The 2009 Legatum Prosperity Index
What is the Prosperity Index?

The Legatum Prosperity Index is the world’s only global assessment of wealth and wellbeing; unlike other studies that rank countries by actual levels of wealth, life satisfaction or development, the Prosperity Index produces rankings based upon the very foundations of prosperity – those factors that help drive economic growth and produce happy citizens over the long term.

* Read the executive summary

* Download the 2009 Report

The nine building blocks of prosperity:
• Economic Fundamentals
• Entrepreneurship and Innovation
• Democratic Institutions
• Education
• Health
• Safety and Security
• Governance
• Personal Freedom
• Social Capital

Regional Ranking: The Americas

7 Canada
9 United States
32 Costa Rica
33 Uruguay
36 Chile
38 Argentina
40 Trinidad and Tobago
41 Brazil
42 Panama
43 Mexico
49 Jamaica
52 Belize
54 Dominican Republic
57 Paraguay
60 El Salvador
64 Peru
65 Colombia
66 Honduras
67 Guatemala
71 Ecuador
72 Nicaragua
73 Bolivia
74 Venezuela

Em próximo post, os dados para o Brasil explicados.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

1306) Sobre a (ir)Responsabilidades dos Intelectuais

Meu mais recente artigo publicado:

Paulo Roberto de Almeida:
Sobre a responsabilidade dos intelectuais: devemos cobrar-lhes os efeitos práticos de suas prescrições teóricas?
Revista Espaço Acadêmico, Vol. 9, No 105 (2010), p. 149-159

Resumo:
Ensaio de natureza opinativa sobre o papel dos intelectuais marxistas na trajetória prática do socialismo no século 20, com seus resultados nefastos em termos de perdas de vidas humanas e de terríveis sacrificios sociais. Contrariamente à opinião de alguns, de que Marx e Engels não podem ser considerados responsáveis pelo Gulag e pelos crimes cometidos em nome do socialismo, deve-se, sim, atribuir-lhes plena responsabilidade pelos descaminhos do socialismo real, posto que ambos eram homens de partido, ambos manifestavam desprezo pela democracia representativa e recomendavam uma revolução violenta para a implantação da ditadura do proletariado. De forma geral, qualquer intelectual deve ser considerado responsável pelos efeitos práticos de suas obras, pensamento, recomendações.

Texto Completo: PDF

O Pensador, Auguste Rodin

Revista Espaço Acadêmico - revista multidisciplinar -ISSN 1519-6186 (on-line) - Departamento de Ciências Sociais - Universidade Estadual de Maringá (UEM) - Av. Colombo, 5790 - Campus Universitário 87020-900 - Maringá/PR – Brasil

1305) Pequena reflexao sobre o futuro de Cuba

Pequena reflexão sobre o futuro de Cuba
Paulo Roberto de Almeida

Percorrendo agora sites e blogs para minha informação habitual – o que faço de maneira regular – reencontrei um antigo texto meu, na verdade uma carta pessoal dirigida ao atual presidente de Cuba: “Carta aberta a Raul Castro sobre Cuba e o socialismo” (2 agosto 2009). Ela tinha sido publicada em Via Política (17.08.2009), onde assino uma coluna regular, e republicada no blog do Instituto Millenium (08.09.2009). Essa carta indagava sobre os dons de futurologista do irmão do comandante, que tinha previsto, pouco tempo antes, que o socialismo perduraria em Cuba, mesmo com o desaparecimento dos seus líderes. Eu me permitia duvidar da previsão e mostrava como todos os socialismos reais estavam em fase de rápido declínio e total desaparecimento, e convidava o personagem em questão a fazer um pronunciamento franco e sincero na televisão cubana, desculpando-se pelos cinqüenta anos de penúria e totalitarismo e anunciando uma transição resoluta para um regime político democrático e um sistema econômico capitalista.

Não tinha nenhuma ilusão de que isso fosse ocorrer; era apenas o que se poderia chamar de “apelo à razão”, embora eu tenha plena consciência de que o que menos esse pessoal ostenta é razão, ou simples racionalidade instrumental. Três meses depois, ao persistir a repressão na ilha-prisão, notadamente em direção da dissidente-blogueira Yoani Sanchez, eu escrevia uma “Nova carta a Raul Castro: seja um pouco mais Gorby e menos Ceausescu”, cujo título já diz tudo e que já não constitui um chamado à razão, mas uma pequena lembrança de como as coisas podem resultar em acontecimentos funestos para os donos do poder. O casal Ceausescu, como se sabe, acabou fuzilado sem julgamento e sem qualquer procedimento especial no final do ano memorável de 1989, como uma prova de como, às vezes, o povo pode ficar verdadeiramente enraivecido por anos e anos de repressão e miséria (nada de muito diferente do que acontece em Cuba, com a pequena distinção de que em Havana os dirigentes não residem em palácios; eles preferem se esconder...). Essa carta, que não mais formulava sugestões para uma volta ao capitalismo e a uma democracia de mercado, também foi publicada na newsletter de Via Política (16.11.2009).

Enfim, o que me permito imaginar agora é sobre como seriam as diversas alternativas de transição em Cuba, perspectiva que deve deixar muita gente desesperada na nomenklatura cubana e preocupados alguns companheiros aqui mesmo no Brasil (aqueles que, supostamente, colaboraram com o regime e tem seus nomes gravados nos arquivos oficiais ou registrados como “amigos” do regime, alguns até “muy amigos”, com direito a tratamento especial pela Seguridad cubana, ou seja, como fiel aliados da inteligência do decrépito regime).

Parece claro que os plutocratas do PC Cubano, em especial os “donos do poder”, não pretendem ‘evacuar’ – é a palavra – o poder voluntariamente. O trágico nessas ditaduras carismáticas – muito diferente do que ocorre na China, por exemplo – é que a sucessão é sempre traumática, pois é quase inviável uma passagem normal de poder segundo regras estabelecidas (como no caso do PC Chinês, justamente). Na verdade, todo o processo em Cuba está aberto, podendo-se imaginar diferentes saídas possíveis.
Na hipótese de uma queda rápida do regime – digamos, morte de Raul Castro, depois do desaparecimento de seu irmão, em condições de saúde bem mais precária – pode haver uma transição confusa, caótica mesmo, com saques nas sedes do governo e do PCC, destruição de bens imóveis e algum exagero na punição dos “esbirros” do regime. Se a inteligência ainda não expurgou os arquivos, poderíamos ter acesso a materiais muito interessantes, inclusive do ponto de vista brasileiro, como sucedeu, em parte, no caso da DDR e os papéis da Stasi (Staat Sicherheit). A Seguridad Cubana deve ter coisas bastante curiosas em relação a personagens ainda ativos na política e na vida cultural do Brasil.

Se, ao contrário, a transição for negociada, os responsáveis pela área vão ter tempo de expurgar esses arquivos, para supostamente acobertar seus próprios crimes, a corrupção endêmica do regime e certas alianças e atitudes incômodas (dentro e fora da ilha). Mais até do que a penúria material mantida por um regime totalitário ineficiente, são as misérias morais que mais preocupam seus defensores atuais: o quadro de delatores pagos, os chantageados a qualquer título, os colaboradores voluntários, os vira-casacas, os “dissidentes” infiltrados, enfim, todo o cortejo de patifarias e pequenos e grandes crimes que sempre acompanham esse tipo de empreendimento bárbaro que representam tiranias do partido único. A esse quadro se agrega o quadro de delinquência esquizofrênica que caracterizam todas as ditaduras personalistas. Reputações vão ser destruídas e traidores serão denunciados; enfim, tudo isso é conhecido, embora alguns personagens fiquem deveras preocupados, aqui mesmo no Brasil.

Esse ajuste de contas pós-regime pode ser relativamente rápido e organizado, ou pode ser dolorido, caótico e vingativo, como também ocorre. Mas, essa será a herança maldita que terá de ser resolvida pelo próprio povo cubano, sem interferência externa. Mais fácil, em qualquer hipótese de transição política na ilha, será o ajuste de volta a um regime capitalista. Colocando de lado, por enquanto, o problema das reintegrações de posse, das indenizações e das reparações devidas por expropriações e estatizações do finado regime comunista, resta a questão da construção do capitalismo em Cuba.

Nisso não vejo nenhum problema especial. Dinheiro não vai faltar: não apenas os “gusanos” de Miami – agora já na segunda geração, quase toda ela americana – dispõem de imensos capitais que podem ser facilmente mobilizados, como os próprios americanos teriam interesse em promover uma transição bem sucedida em Cuba, feita de ajuda e cooperação, grandes investimentos de recuperação e novas iniciativas, enfim, o capitalismo, uma vez deixado livre, se encarrega ele mesmo de encontrar e ocupar todos os nichos suscetíveis de serem “explorados” – no bom e no mau sentido – para um rápido processo de reinserção de Cuba à economia mundial.

Uma das poucas heranças positivas do comunismo é o fato de ter deixado uma população bem educada – embora os padrões sejam especiais, digamos assim –, apta a trabalhar em empresas capitalistas. Mas, faltarão administradores competentes nas técnicas capitalistas, o que não é difícil de aprender. A ilha está bem situada no plano geográfico e conta com alguns recursos naturais, mas sobretudo com a imensa vontade do seu povo de atingir níveis razoáveis de prosperidade, depois de tantos anos acostumados a um regime “normal” de escassez e miséria.

Minha previsão é a de que, não mais de seis meses depois da transição política – se esta for verdadeira, claro – o capitalismo estará no comando em Cuba – para desespero de seus muitos detratores fora de Cuba, no próprio Brasil, por exemplo – e produzindo taxas de crescimento espetaculares, pois há muito o que fazer, na ilha, depois de uma modorra de mais de meio século. Haverá desigualdades, claro, mas entendo que a população cubana prefere isso à escassez socialista e a repressão comunista. A desigualdade tem o dom de incomodar pretensos intelectuais, aqueles que vivem de recursos públicos e benesses do poder, mas não angustia demasiadamente os supostos “desiguais”. A diferença específica do capitalismo, em relação ao socialismo, é que neste todos são alegadamente iguais na modéstia de seus ganhos – isso não vale para a nomenklatura, claro – ao passo que no capitalismo todos (ou pelo menos uma grande parte dos trabalhadores) esperam suplantar os colegas e conhecidos, esforçando-se para adquirir bens e riqueza. Todos são pelo menos livres para fazê-lo.
Mas, nenhuma prosperidade material tem o dom de trazer tanta felicidade humana quanto a liberdade pessoal. Sentir-se livre para ir onde se deseja, poder escolher o que fazer, onde trabalhar, onde morar, ler o que se desejar, em livros impressos ou acesso à internet, tudo isso é pouco valorizado entre nós porque se trata de gestos corriqueiros, até mesmo impensados. Para os cubanos, seria um imenso progresso moral.
Que venha o mais cedo possível...

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 06/02/2010

1304) Contradicoes de comportamento no Brasil - Rolf Kuntz

Entre o G-20 e a forca
Rolf Kuntz
O Estado de S.Paulo, 04/02/2010
Reproduzido no blog do Instituto Millenium, 06/02/2010

Dois Brasis, um promissor, outro nem tanto, foram destaques em Davos, na reunião do Fórum Econômico Mundial, na semana passada. Pela primeira vez o Fórum conferiu o título de Estadista Global e o escolhido foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, entregou o troféu ao chanceler Celso Amorim, representante de Lula, e descreveu o presidente como um defensor dos pobres de todo o mundo. A homenagem foi o reconhecimento, também, do novo peso econômico e diplomático do Brasil, membro do Grupo dos 20 (G-20) e participante ativo de todos os debates sobre a reforma das finanças globais. O outro Brasil foi lembrado por um professor de Harvard, Ricardo Hausmann, num almoço planejado como complemento da premiação de Lula: a maior potência econômica da América Latina tem falhado, segundo o professor, como defensora da democracia na região.

Hausmann vive e trabalha nos Estados Unidos, é venezuelano e foi ministro do Planejamento em seu país em 1992-93. Mas isso não desqualifica seus comentários - inesperados, naquele ambiente - sobre a ação brasileira no conflito entre o governo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o do colombiano Álvaro Uribe. A parcialidade do presidente Lula foi evidenciada não só em episódios como o fechamento da fronteira com a Colômbia, pelo presidente Chávez, mas também quando o presidente Uribe anunciou o acordo militar com os Estados Unidos. A reação de Lula, lembrou Hausmann, foi convocar uma reunião de emergência da Unasul.

Outro venezuelano, Moisés Naim, editor da revista Foreign Policy, incluiu Lula entre os maiores hipócritas de 2009, em artigo publicado no jornal espanhol El País. Lula classificou Chávez como o melhor presidente venezuelano em cem anos, mas dele nunca se ouviu um comentário “sobre o comportamento autoritário de seu amigo”, escreveu Naim. Além disso, Lula atacou “furiosamente” as eleições em Honduras e na mesma semana “recebeu com honras Mahmoud Ahmadinejad”, vencedor de uma eleição também questionada. As eleições no Irã, segundo Naim, tiveram algo mais que as de Honduras: “enorme fraude, mortes, torturas e a repressão brutal ordenada pelo governo de Ahmadinejad.” “O afável líder brasileiro”, concluiu, “parece não se haver inteirado.”

Esse texto saiu em dezembro. Em Davos, na véspera da homenagem a Lula, o chanceler Celso Amorim discutiu com o colega iraniano, Manouchehr Mottaki, entre outros assuntos, a visita do presidente brasileiro ao Irã, em maio. Antes da reunião, um jornalista fez-lhe uma pergunta sobre execuções no Irã. O Brasil é contra a pena de morte, mas mantém relações com vários países onde vigora esse castigo, respondeu Amorim, contornando a questão.

Mas o problema político era outro. No mesmo dia haviam sido enforcados no Irã dois acusados de envolvimento em protestos contra o governo. Esses dois e mais nove foram sentenciados por crimes políticos e por haverem “movido guerra contra Deus”, segundo informou um porta-voz do Judiciário. O governo reafirmou nesta semana a intenção de executar os nove proximamente. Não se trata, portanto, apenas da manutenção da pena de morte entre as formas legais de punição, mas da execução de opositores presos durante manifestações de rua ou caçados em qualquer lugar.

A pena de morte ainda é aplicada em alguns países, normalmente em casos de homicídio. Pelo menos em democracias, ninguém é formalmente executado por ser adversário político do governo ou por participar de manifestações públicas.

O governo brasileiro parece desconhecer ou menosprezar essa diferença. Isso talvez explique seu comportamento bizarro. Em Brasília, nenhuma autoridade condenou, até ontem à tarde, o enforcamento de dois iranianos por crime político nem protestou contra a anunciada execução de mais nove. Mas o governo brasileiro insiste em evitar ou retardar a extradição de Cesare Battisti, condenado na Itália por participar de homicídios. Autoridades brasileiras classificaram essa condenação como política. Battisti, julgado por crime de morte, não foi condenado à execução. Sorte sua não ser um oposicionista iraniano. Provavelmente não teria escapado de seu país e, se conseguisse escapar, como seria recebido no Brasil? Mas é preciso reconhecer um ponto: não é preciso ter compromisso com a democracia e com a liberdade para frequentar as conferências de cúpula do G-20.

1303) Mitos historicos desmentidos

Estudo da USP desmonta hipótese Colombo da sífilis
Marcelo Leite
Folha de S.Paulo, 5/02/2010

Ossos antigos e genética inocentam marinheiros de levar doença para a Europa
Quem for ao portal do Ministério da Saúde pesquisar sobre a sífilis encontrará que a doença sexualmente transmissível, de péssima fama, foi levada por marinheiros de Cristóvão Colombo da América para a Europa, no final do século 15. Uma informação errada, segundo estudo que surgiu de um curso de pós-graduação da USP.

A disciplina foi ministrada um ano atrás por Sabine Eggers no Instituto de Biociências. Sob o título "Variabilidade em Homo sapiens: aspectos genéticos e ambientais", não tinha a princípio nada a ver com sífilis.

A geneticista deixou os alunos escolherem o que queriam fazer. Eles optaram por estudar o efeito da evolução darwiniana na medicina, aprender paleopatologia (estudo de doenças em vestígios fósseis) e escrever um artigo científico.

O resultado saiu em formato eletrônico no periódico "PLoS Neglected Tropical Diseases", dedicado a doenças tropicais negligenciadas, em janeiro: uma refutação da hipótese de que a doença só tenha chegado à Europa depois de 1492. Os marinheiros de Colombo e as índias com quem tenham mantido relações sexuais foram inocentados da acusação de ter iniciado a epidemia que devastou Nápoles em 1495.

Mal moderno

A sífilis pode ser uma doença devastadora. Inicia-se com uma pequena ferida nos órgãos genitais, 2 a 3 semanas depois da relação desprotegida, e em seguida parece sumir. Volta a manifestar-se depois, com manchas pelo corpo, queda de cabelos, cegueira, paralisias -e pode levar à morte.

Com a descoberta da penicilina, em 1928, pôde enfim ser tratada. A dificuldade de diagnóstico, no entanto, ainda a mantém em circulação e favorece a transmissão na gravidez. No Brasil, o número de casos de sífilis congênita mais que dobrou entre 1998 e 2006, passando de 2.840 para 5.749.

Importante para a pesquisa foi a sífilis causar deformações nos ossos -como a "tíbia em forma de sabre"- identificáveis em esqueletos antigos. E biólogos moleculares já haviam "soletrado" o DNA da bactéria Treponema pallidum pallidum, agente causador da doença.

O grupo multidisciplinar de alunos planejava desde o princípio combinar as ferramentas históricas e genéticas no estudo, portanto a sífilis se tornou uma candidata forte. "Era uma escolha interessante, pois havia saído um livro recentemente ["The Myth of Syphilis", O Mito da Sífilis, de Mary Lucas Powell e Della Collins Cook] que colocava bem a sua intrincada história", conta Eggers.

O primeiro passo foi reunir na literatura científica exemplos de esqueletos com vestígios característicos de sífilis. Após depurar casos duvidosos, restaram sete registros no Velho Mundo (Europa e Ásia) anteriores ao Descobrimento.

Esqueletos e genes

O diagnóstico por paleopatologia, no entanto, sempre deixa margem a dúvidas. Existem outras treponematoses (doenças causadas por bactérias do mesmo gênero) com efeitos comparáveis. O levantamento na literatura apontava evidências fortes para inocentar marinheiros europeus e índias americanas, mas não conclusivas.

É aí que o estudo da USP inova, ao complementar o registro histórico com ferramentas de biologia molecular. A ideia -usar o chamado "relógio molecular"- partiu do aluno Fernando Lucas de Melo, primeiro autor do artigo na "PLoS".

Relógio molecular é uma técnica que parte da taxa de mutação constatada em cada organismo. A sequência do genoma muda naturalmente, com o tempo, mas cada espécie o faz em velocidade mais ou menos característica. Simplificadamente se pode dizer que, com duas amostras obtidas em locais diferentes, é possível estimar se uma se originou da outra e quanto tempo atrás.

Para a sífilis venérea ter aparecido cinco séculos atrás de cepas menos virulentas, como pressupõe a hipótese Colombo, a bactéria precisaria ter taxa de mutação cem vezes mais rápida que o previsto. Pelo relógio da USP, a sífilis deve ter emergido há mais de 4.000 anos.

A combinação dos dois métodos não foi capaz, porém, de solucionar o mistério sobre a origem geográfica da sífilis. Só se sabe que ela estava presente no Novo e no Velho Mundo antes do Descobrimento, mas não qual continente exportou para o outro o "mal de Vênus" (a deusa do amor, origem da expressão "doença venérea").

1302) Bale nuclear do Iran: Brasil como parceiro?

Brasil nega acordo para receber urânio do Irã
Catarina Alencastro e Renato Grandelle
O Globo, 5/02/2010

Apesar da disposição de Teerã em enviar material nuclear ao exterior, AIEA ainda não foi notificada oficialmente
O Itamaraty evitou comentar nesta quinta-feira (4/2) as intenções do governo do Irã de ter o Brasil como destino de seu urânio enriquecido. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, ainda não houve qualquer conversa sobre o tema. A possibilidade foi levantada pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, dias depois da visita do colega brasileiro, Celso Amorim, a Teerã.

Outra hipótese aventada foi a de o Brasil servir como uma espécie de "fiador" do material, atuando na entrega do produto a outro país que realizaria o processo de enriquecimento para fins pacíficos. O Itamaraty nega que qualquer uma dessas possibilidades tenha sido discutida.

Brasil não tem condições de enriquecer a substância Qualquer acordo comercial entre os dois países envolvendo o urânio esbarraria em pelo menos duas limitações. O Brasil só enriquece a substância a até 3%, enquanto Teerã quer tê-la a 20%.

Outro obstáculo é a limitação da indústria brasileira. Apenas 2,6% do urânio usado nas usinas de Angra 1 e 2 são enriquecidos no país: o resto vem de um consórcio formado por Holanda, Alemanha e Reino Unido.

No início da década, um projeto do governo federal previa a instalação de dezenas de cascatas em Resende, cada uma contendo várias centrífugas, mas apenas uma está em funcionamento. Por falta de recursos, as demais nunca saíram do papel. O presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Guilherme Camargo, diz que seriam necessários até US$ 300 milhões para completar o programa.

- O Brasil é autossuficiente na produção de urânio concentrado para consumo próprio. Mas, quando se trata de urânio enriquecido, nosso domínio industrial está em fase embrionária - explicou Camargo.

O novo embaixador americano em Brasília, Thomas Shanon, evitou polemizar sobre a relação do Brasil com o Irã. Ele se limitou a dizer que o país é soberano e não precisa de autorização dos Estados Unidos para agir de acordo com seus interesses. Ele ressaltou ainda a importância do papel de mensageiro que o Brasil desempenha junto ao governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

- Temos um diálogo intenso com o Brasil e outros países dentro do Conselho de Segurança. O Brasil tem um papel importante, de comunicar o Irã sobre as preocupações mundiais com seu programa nuclear, especialmente com a falta de transparência, com os direitos humanos, políticos e civis, além da liberdade religiosa - afirmou o embaixador.

A súbita aceitação de Teerã do envio de urânio ao exterior pode ser um ato de boa vontade rumo à mesa de negociações.

Mas, enquanto não houver um comunicado formal à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), líderes mundiais veem com desconfiança as intenções do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Na Rússia, o presidente da comissão de Relações Exteriores do Parlamento, Konstantin Kosachyov, fez coro a Estados Unidos e França e afirmou que o Ocidente está cada vez mais perto de apertar as sanções econômicas ao país.

- O Irã muda constantemente de opinião - disse Kosachyov, referindo-se à indecisão de Ahmadinejad, que havia já sinalizado a possibilidade de enviar urânio ao exterior em novembro passado, voltando atrás pouco depois.

Já a China insiste no caminho da diplomacia. Segundo o chanceler chinês, Yang Jiechi, novas sanções ao regime dos aiatolás seriam "contraproducentes".

No último round da guerra de nervos travada acerca do programa nuclear nos últimos meses, oficiais iranianos acusaram ontem os EUA de incitar o mundo a uma "Irãfobia".

- Não querem ver boas relações entre nós e nossos vizinhos no Golfo - disse o chefe do EstadoMaior do Irã, general Hassan Firouzabadi, à agência estatal iraniana Irna.

1301) A novela dos avioes militares: falta de transparencia

O que mais impressiona, em todo este processo, é a absoluta falta de explicações credíveis para certos sinais emanados do núcleo central do governo. Tudo se resume a dizer que "a decisão é política", ou que se trata de uma "relação estratégica" e outras bobagens do gênero. Já ouvi até dizer que "às vezes, o barato sai caro" (sic); confesso que não sei o que isso quer dizer, a não ser que o caro sai caro, e pode sair mais caro ainda. Se os próprios militares da Aeronáutica preferiram a opção mais barata, porque é que eles poderiam se arrepender depois? Ou será que o dinheiro não sai do bolso deles também?
Nunca ofenderam tanto a minha inteligência como agora, ou talvez sim, em vários outros caso, como se sabe; mas nunca uma ofensa desse tipo custou tão cara no meu bolso...

Entre a esperança e a desilusão
Correio Braziliense, Conexão DIplomática - 06/02/2010

Apesar das declarações constantes do presidente Lula e do ministro da Defesa, Nelson Jobim, em favor do caça francês Rafale, as outras concorrentes não esconderam a surpresa diante da notícia de que a decisão já teria sido tomada pela proposta da Dassault — que continua sendo a mais cara. A posição oficial, tanto da norte-americana Boeing quanto da sueca Saab, é de que a disputa continua, que não há um anúncio oficial do governo, que Jobim negou a decisão diante das câmeras. Na verdade, o que a informação da escolha gerou nos outros dois candidatos foi um misto de desilusão e esperança. Desilusão pela falta de transparência, pelo privilégio dado a um dos concorrentes de negociar a oferta em separado, pela mudança nos critérios de avaliação. Esperança pela promessa expressa em um comunicado do Ministério da Defesa, divulgado na quinta-feira, de que o governo “levará em consideração, também, outras informações enviadas pelos governos interessados e pelos proponentes”.

A Saab já se mobiliza, e pretende enviar ao Ministério da Defesa, na próxima semana, um adendo à oferta apresentada em novembro, como um último suspiro. Mas, como a notícia pegou os suecos de surpresa, ainda será preciso espremer a proposta, principalmente nos quesitos preço e offset (contrapartidas), para ver se sai uma oferta melhor do que já foi a “melhor e última oferta”. A Boeing, no entanto, parece menos disposta a mexer em sua proposta sem antes saber do governo brasileiro o que, na verdade, está sendo pedido. “Queria que alguém pudesse me explicar os novos critérios de avaliação. Por que vou mexer no meu preço, se isso parece não estar importando para o governo, que prefere um avião ainda 20% mais caro?”, questionou o gerente de Desenvolvimento de Negócios Internacionais da Boeing, Mike Coogins. “Transferência de tecnologia, pelo que entendi, não é mais o principal, nem o preço”, desabafou.

Show mantido
O governo americano mantém a programação de enviar, ainda este mês, um porta-aviões para o litoral do Rio de Janeiro com pelo menos 15 aviões Super Hornet usados pela marinha americana. A demonstração dos caças seria a tentativa final do lado americano. Se, contudo, a decisão aparentemente tomada for irreversível, o show dos F-18 servirá para mostrar o que o governo brasileiro perdeu por um precinho mais camarada.

Mais que uma compra
Em seu primeiro dia de trabalho de fato à frente da representação dos Estados Unidos, o novo embaixador, Thomas Shannon, tentou recuperar a defasagem sofrida pelos últimos cinco meses sem um alto representante norte-americano no Brasil — justamente o período mais crítico da concorrência para a compra dos caças. Em encontro com o ministro Jobim, na tarde de ontem, Shannon se empenhou em mostrar ao brasileiro a importância da parceria bilateral em segurança e a sua expectativa de aumentar essa cooperação. A preocupação é mostrar ao governo brasileiro que não só os franceses oferecem os caças “acoplados” a uma estratégia maior de defesa.

1300) Por que intelectuais de esquerda sao coniventes com uma ditadura abjeta?

O caso, obviamente, é o de Cuba, em relação à qual intelectuais brasileiros, que se dizem democratas e amigos da liberdade no plano interno, flertam, quando não apoiam de maneira indecorosa, uma das piores ditaduras já surgidas no hemisfério.
Não se sabe, exatamente, o que os leva a essas posições não apenas contraditórias, como inaceitáveis no plano da moral e da ética políticas. Bem, isso se explica no caso de Niemayer, um stalinista impenitente e um dos grandes idiotas latino-americanos e universais. Os casos de outros são mais dificilmente explicáveis: deve ser uma mistura de estupidez política e anti-imperialismo infantil, igualmente estúpido.
A matéria abaixo trata do caso de outro intelectual idiota, Garcia Marquez.
Paulo Roberto de Almeida (5.02.2010)

Ideologia
Cem anos de adulação
Os bastidores da amizade entre Fidel Castro e Gabriel García Márquez ajudam a explicar de onde vem o fascínio de intelectuais pelo autoritarismo de esquerda
Diogo Schelp

Fotos Jose Gotia/AP e Bettmann/Corbis/Latinstock
QUEM COCHICHA O RABO ESPICHA
García Márquez e Fidel trocam confidências em Havana, em 2002. Em seu romance sobre Simón Bolívar (à dir.), o escritor homenageou o ditador cubano

A história da amizade entre o colombiano Gabriel García Márquez, de 82 anos, e o ditador cubano Fidel Castro, de 83, é uma fábula cujo fio condutor é o interesse mútuo, apesar de Castro dizer que o escritor é o seu melhor - e provavelmente único - companheiro do peito, e de García Márquez já ter afirmado que, se o barbudo morrer, não suportará visitar Cuba sem tê-lo por perto. Por trás das constantes trocas de mensagens afetuosas, Fidel aproveita-se do prestígio literário do colombiano para fazer propaganda do regime autoritário que personifica e tentar preservar sua imagem no exterior. García Márquez vale-se da intimidade com o ditador para exercer sua obsessão pelo poder e desfrutar vantagens materiais. Alguns aspectos dessa amizade são descritos na biografia Gabriel García Márquez - Uma Vida, do inglês Gerald Martin, que a Ediouro lança em março no Brasil. Como o próprio Martin é amigo do biografado e dele obteve a autorização para escrever o livro, não se poderia esperar mais do que uma narrativa acrítica e branda sobre o vínculo entre o escritor e o ditador. Uma versão mais honesta dessa relação é apresentada pelo espanhol Ángel Esteban e pela belga Stéphanie Panichelli no livro Gabriel García Márquez e Fidel Castro - Os Segredos de uma Amizade, recém-lançado nos Estados Unidos e publicado em Portugal pela editora Ambar. Trata-se de uma obra instigante não só pela riqueza de informações, todas sustentadas por inúmeras entrevistas e documentos, mas por introduzir uma discussão pertinente sobre o que leva intelectuais estrangeiros a apoiar um regime sanguinário como o cubano, que já matou mais de 7 000 pessoas e costuma reprimir qualquer opinião divergente com cadeia ou paredón. Esteban e Panichelli, ambos professores universitários de literatura e letras, buscam a resposta a essa questão com o inconformismo de fãs que descobriram a face nefasta de seu ídolo. "Considero García Márquez um dos maiores escritores do século XX, mas, como pessoa pública, ele precisava ser desmascarado", diz Esteban.

Mais de cinco décadas de repressão política e fracasso econômico, impostos aos cubanos pelo regime comunista, não foram o suficiente para privar Fidel do apoio de escritores e artistas esquerdistas, entre os quais brasileiros como o cantor Chico Buarque e o arquiteto Oscar Niemeyer. "Há uma tradição entre parte dos intelectuais latino-americanos de falar em nome dos outros, de se considerar a voz dos que não falam. É uma visão autoritária que, como não poderia deixar de ser, produz fascínio pela tirania de esquerda", afirma o historiador Marco Antonio Villa. Mas ninguém bajula ditadores com tanta convicção quanto García Márquez. Ele passou mais de quinze anos tentando se aproximar do ditador. Para isso, escreveu artigos chapas-brancas, fez propaganda do regime cubano em entrevistas e empenhou-se para não se envolver em polêmicas que pudessem desagradar a Fidel. Em 1971, quando os principais escritores de sua geração protestaram contra a prisão do poeta cubano Heberto Padilla, García Márquez foi o único que ficou em silêncio. A partir de 1975, ele começou a visitar Cuba com frequência, em busca de amizades que pudessem lhe dar acesso ao círculo de poder em Havana. Fidel, no entanto, só começou a se interessar pelo autor de Cem Anos de Solidão em 1977. Ele fez de García Márquez um embaixador informal de sua imagem no exterior e, em troca, deu ao escritor uma plataforma política para estabelecer contato com outros governantes esquerdistas, como François Mitterrand, da França. García Márquez usou essas amizades para fazer campanha pelo Prêmio Nobel de Literatura, conquistado por ele em 1982.

O prêmio inaugurou uma nova fase na amizade entre o escritor e o ditador. No mesmo ano, Fidel ordenou que fossem dados a García Márquez uma mansão em um bairro nobre de Havana e um automóvel Mercedes-Benz para que ele pudesse desfrutar melhor suas temporadas em Cuba, onde o escritor, posteriormente, ajudou a fundar uma escola de cinema. García Márquez também se acostumou a submeter os seus manuscritos ao ditador, para que ele fizesse observações ao estilo "censura vip". Esteban e Panichelli apresentam boas provas desse fato, incluindo o depoimento de três amigos de García Márquez. Segundo eles, o romance O General em Seu Labirinto, de 1989, é uma homenagem a Fidel. No livro, o colombiano descreve Simón Bolívar (1783-1830), herói da independência dos países andinos, exatamente com as qualidades que ele costuma atribuir, em entrevistas, a Fidel. Quando cobrado por sua conivência com a violação de direitos humanos em Cuba, García Márquez explica que usa sua influência para convencer Fidel a libertar oposicionistas e a deixá-los fugir para o exílio. O escritor deve achar que, assim, está comprando sua própria absolvição na história por desfrutar as benesses de um tirano. Em 1975, ele disse em uma entrevista: "O que eu posso fazer com minha fama? Vou gastá-la em política". Até o momento, foi um péssimo investimento.

1299) UnB e ex-ministro da Justica a favor do apartheid racial

A UnB é um caso sério de debilidade mental coletiva: não de todos os seus integrantes, claro, apenas dos racialistas que conseguiram converter um problema social (dificuldades de acesso de estudantes pobres, nem todos negros, mas uma grande maioria de negros) em um início de política do Apartheid no Brasil.
Agora, um ex-ministro da Justiça (que militou espertamente para livrar o presidente da República da corrupção criada e estimulada pelo seu partido) sai em defesa de políticas de exclusão racial dessa universidade decadente, como se isso fosse reparar qualquer dívida histórica, uma alucinação coletiva de um bando de racistas.
A nota abaixo vem da área de informação da UnB.
Ela é particularmente viciosa, viciada e deformada: tenta equiparar problemas de minorias ou de dificientes com uma política racialista (e racista) que concerne a maioria da população brasileira, que é notoriamente mestiça, ou seja, tem traços de antecessores africanos.
Paulo Roberto de Almeida (6.02.2010)

Márcio Thomaz Bastos participará do julgamento das cotas no STF
Ex-ministro da Justiça foi convidado pelo ministro da Promoção da Igualdade Racial. Audiências públicas começam em março
Marta Avancini - Da Secretaria de Comunicação da UnB
4 de Fevereiro de 2010

O advogado criminalista e ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos vai atuar em defesa do sistema de cotas raciais da Universidade de Brasília (UnB) no julgamento do Superior Tribunal Federal (STF).

Bastos afirmou à UnB Agência que decidiu participar do processo por considerá-lo uma “causa justa”. “As cotas são um mecanismo importante de justiça social”, afirmou. “É o pagamento de uma dívida histórica”.

O advogado participará do processo como amicus curiae, representando entidades que, embora não participem da ação, têm interesse na matéria. No caso do processo contra as cotas raciais da UnB, organizações sociais a favor e contrárias às cotas raciais têm direito de apresentar nomes de juristas que representem seu ponto de vista para participar do processo e, dessa maneira, subsidiar a decisão dos ministros do STF.

Os nomes devem passar pelo aval do relator do processo no STF, Ricardo Lewandowski, e, se aprovados, terão direito de se manifestar durante o julgamento do processo. O convite para participar do processo a Bastos foi feito pelo ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos.

Para o reitor da UnB, José Geraldo de Sousa Junior, a participação de Bastos fortalece a defesa das cotas. “Ele falará na condição de representante da sociedade e será uma expressão acolhida pelo STF. Isso significa que Tribunal quer ouvir o que ele tem a dizer sobre o tema”, analisa o reitor.

HISTÓRICO - Em junho de 2009, o Partido Democratas (DEM) entrou com uma ação no STF pedindo a suspensão do sistema de cotas na UnB, baseando-se no argumento de que, no Brasil, a exclusão do ensino superior decorre de problemas sócio-econômicos e não raciais – diferentemente do que acontece nos Estados Unidos e África do Sul.

O DEM também sustenta que o sistema de cotas raciais em universidades reforça o preconceito racial e é inconstitucional. Na UnB o sistema de cotas foi implantado em 2005 como uma política pensada para durar dez anos. Ele prevê a reserva de 20% das vagas do vestibular para afrodescendentes. Além da UnB outras 80 universidades públicas do país possuem algum tipo de sistema de ingresso diferenciado para afrodescendentes.

Para fortalecer a defesa das cotas, está sendo organizado um “abraço ao STF” em 2 de março, um dia antes das audiências públicas com pessoas interessadas no tema, promovidas pelo Supremo entre os dias 3 e 5 do próximo mês.

Segundo o ministro interino da Seppir, Elói Ferreira de Araújo, é importante que se faça uma ampla mobilização em defesa das cotas. “A tese que fundamenta a ação do DEM é contrária à justiça social e agride as políticas de promoção da inclusão como um todo” afirma Araújo.

“Está em desacordo com o ambiente que vivemos nesse país, além de ser cruel em relação à nossa história de exclusão e desigualdade”, complementa o ministro interino, que participou de uma reunião com o reitor da UnB sobre o tema nesta quarta, 03 de fevereiro.

José Geraldo analisa que a ação movida pelo DEM contra a UnB coloca em risco outros tipos de ações afirmativas que favorecem mulheres, deficientes, entre outros grupos sociais excluídos. “É fundamental que se perceba que esse tipo de política melhora o país ao promover a inclusão econômica e social”, defende.

1298) Crise de confianca nos PIGS da Uniao Europeia: o euro na berlinda

Os dois grandes jornais americanos, NYT e WP, publicaram materias analiticas sobre a crise de confiança nos chamados PIGS: Portugal, Irlanda (e Itália), Grécia e Espanha.

Debt Crisis in Euro Zone Is Severe Political Test for Bloc
By STEVEN ERLANGER
The New York Times, February 6, 2010

PARIS — What began with worries about the solvency of Greece in the face of high deficits, fake budget figures and low growth has quickly become the most severe test of the 16-nation euro zone in its 11-year history.

Anxiety about the health of the euro, which has spread from Greece to Portugal, Spain and Italy, is not simply a crisis of debts, rating agencies and volatile markets. The issue has at its heart elements of a political crisis, because it goes to the central dilemma of the European Union: the continuing grip of individual states over economic and fiscal policy, which makes it difficult for the union as a whole to exercise the political leadership needed to deal effectively with a crisis.

A policy of muddling through may be comfortable in political terms, but experts warn it can have dire economic consequences. Jean-Paul Fitoussi, professor of economics at the Institute of Political Studies in Paris, said that European leaders had “handled this crisis very badly,” feeding market speculation and greed.

Greece’s ratio of public debt to gross domestic product is no higher than Germany’s, and Greece has not defaulted, he said, but European leaders have done too little to calm the markets and rating agencies.

While no one expects that the European Union will allow Greece or the others to default or the euro zone to collapse, European leaders and the Central Bank will almost surely have to bend the rules to provide guarantees or loans, if necessary. But even tiding over countries in trouble will not solve the main flaw in the euro: the sharp divergence of national economies that share a common currency without significant fiscal coordination, let alone a single treasury.

“The challenges facing the euro zone are very serious,” said Simon Tilford, chief economist for the Center for European Reform in London. “For countries that have become pretty uncompetitive in the euro zone and have weak public finances, the current environment is very dangerous.”

It does not help matters that the European Union is undergoing a major political transition to new leaders, a new Commission and Parliament, and a new governing treaty, the Lisbon Treaty, which creates a new president and foreign affairs chief. But even if all these positions were filled, serious questions remain about whether the union or its leading member states will take charge before further damage is done.

In some sense, there is a game of chicken being played, with Greece counting on help and other countries holding back until Athens pays a steep price for its profligacy and manipulation of statistics. But the delay is costly, and there are deeper structural problems that few want to discuss.

Greece, Italy, Portugal and Spain — known now as the PIIGS, if Ireland is included — are the weak sisters of Europe, with high structural deficits matched with low prospects for the kind of economic growth and productivity improvements that can bring them back to health.

The north-south split is partly geographic, partly cultural, partly religious and partly historical, but the southerners tend to be poorer and to have less competitive economies.

“The markets are having fun testing the euro,” said Nicolas Véron, a senior fellow at Bruegel, an economic policy research institute in Brussels. But the markets are also increasing pressure on the biggest European economies, like Germany and France, to figure out ways to rescue Greece, which is already facing strikes in light of current austerity measures, and to bolster the others.

But with the European Union undergoing a triple political transition, it is not entirely clear where that leadership will come from.

“Who’s in charge now?” asked Antonio Missoroli, director of studies for the European Policy Center in Brussels. “Nobody yet, and it may still take time.”

There is a newly nominated European Commission and now a new European president, Herman Van Rompuy, and European minister for foreign affairs, Catherine Ashton. The commissioner in charge of this crisis, Joaquín Almunia, is a lame duck, due to switch jobs and become competition commissioner.

Mr. Van Rompuy has announced an informal economic summit meeting for next Thursday, to get the member nations to concentrate on the crisis.

Default for a member of the euro zone is simply unacceptable, European officials and analysts say — a country is not a bank. At the moment, even calling in the International Monetary Fund to help Greece is considered too embarrassing and not yet necessary, given the new Greek government’s apparent determination to deal realistically with its problems.

More likely, they say, is a set of bilateral loans or loan guarantees from richer countries like Germany. Leaders in France, Germany and other European nations have already begun discussing how such aid might be structured, officials said last week.

“It’s highly unlikely Greece will be allowed to default,” Mr. Missoroli said. “But no one wants to say that out loud to take the pressure off the Greek government.”

But it is also unprecedented, and difficult politically, for the European Union, or any member country, to impose conditions for economic adjustment on another member country, which is why some analysts urge the involvement of the International Monetary Fund.

Jacques Mistral, an economist at the French Institute for International Relations, said that the main actors now were Jean-Claude Trichet, president of the European Central Bank, and the leaders and finance ministers of Germany and France.

“That’s the troika, and they’re leading the process to explore different ways and compromises,” Mr. Mistral said. “When there is a will there is a path.”

But summoning that will has proved difficult in the northern tier, which mistrusts the southerners. Greece is a prime example of the disease in the euro zone, said Mr. Tilford, the economist in London, made worse by political mismanagement; the global recession, which has hit tax receipts; and the impossibility of devaluing a shared currency.

Portugal, the poorest country in the euro zone, has been stagnating for years, proving that membership in the euro “is not a panacea,” he added.

In addition, Portugal has something of a political crisis, with Parliament voting down an austerity plan on Friday that was promoted by the minority Socialist government.

Spain has relatively low debt, but high unemployment and weak banks, and after the bursting of the housing bubble it can no longer rely on construction and inflated asset prices to propel growth.

These aspects, together with the larger size of the Spanish economy, had led Nouriel Roubini, a professor at New York University, to suggest this week that Spain is a bigger threat to the euro zone than Greece.

At the same time, some northern countries, like Germany and the Netherlands, are still playing “beggar thy neighbor” by their reluctance to stimulate their own domestic purchasing, which could help weaker countries to export.

“The southerners can do their best to cut costs and be competitive,” Mr. Tilford said. “But they need the others to create more domestic demand and be less export dependent.”

Critics like Mr. Fitoussi are left wondering why the crisis was ever allowed to expand to this point. “This is much ado about nothing,” he said. “But the nothing can ruin the whole project. I don’t think the euro is in danger. But the leaders are taking too much time.”

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Debt crisis unsettles European economy
By Anthony Faiola
Washington Post Foreign Service
Saturday, February 6, 2010; A01

LONDON -- Governments in Athens, Madrid and Lisbon struggled on Friday to quell fears of a looming debt crisis in Europe that is pummeling the euro and rippling across global markets, as authorities vowed to impose fiscal austerity and plug their yawning budget deficits. The problem, however, is that investors don't appear to believe them.

Senior officials at the major rating agencies on Friday played down the risk of an immediate debt crisis, saying even nations such as Greece have enough reserves to put off for months a day of financial reckoning. Yet investor doubts over the will of Greece, Portugal and other nations to right their accounts have sparked a crisis of confidence that is seeping into stock and corporate bond markets across Europe and beyond. It is especially hitting banks and other institutions with broad exposure to the sovereign debt of the "PIGS" of Europe -- Portugal, Ireland, Greece and Spain.

Investor panic is threatening to drive up the cost of borrowing for myriad nations around the world and to destabilize global currency markets, with the falling euro and strengthening dollar already hitting U.S. exporters by making such items as American beef and U.S. steel more expensive overseas. The euro, the principal European currency, fell Friday to its lowest level in eight months, tumbling almost 1 percent against the dollar.

The crisis unfolding in Europe has some parallels to the debt crises that hit Latin America and Asia in the past, particularly in how Greece's problems have spread so quickly to other countries in the region with similar economic woes.

But there are major differences. Analysts said the healthy, large economies of the "eurozone" -- namely, Germany and France -- are likely to step in to prevent a default in a weaker neighbor, if only to head off the turmoil it might cause in the value of the euro.

Still, analysts remain concerned that the problems in Europe could spread to emerging markets. And although the chances of a default by Greece may be low, its impact would be felt by investors worldwide, including in the United States; roughly 70 percent of Greek bonds are held by foreigners, from pension funds to global commercial banks.

Investors also drove up to fresh highs the cost of insuring against a default in Greece, Spain and Portugal. In some instances, analysts say, those fears may not be wholly misplaced.

Portugal, in recent days, has been swallowed up in the debt market panic that began in Greece late last year. Portuguese officials have pledged to slash spending. Nevertheless, opposition lawmakers on Friday pushed through a controversial bill funneling tens of millions of euros to the Azores and Madeira islands in a move the country's finance minister openly warned could have "grave consequences for Portugal's public accounts."

In Greece and Spain, analysts additionally fear bouts of civil unrest that could roll back attempts to address the fiscal problems. The Greek government's pledge to slash spending and curb public- sector pay sparked protests in Athens on Thursday; customs officials and tax collectors walked off the job in the first of a number of planned mobilizations against government austerity measures set to continue next week.

Though E.U. officials demanding tighter spending have signed off on Greece's plan, they are dispatching a team to review government accounts, which were found late last year to have been grossly underestimating the extent of the country's economic woes.

In Spain, government union leaders on Thursday also vowed a series of protests against planned cuts, while opposition parties have threatened to hold a no-confidence vote on Prime Minister José Luis Rodríguez Zapatero. So far, analysts note, only Ireland, whose bonds have been less hard-hit by the current turmoil, has pushed through the serious cuts that have demonstrated its willingness to deal with its huge deficit.

"The fix of this problem needs to be a political solution, and you can't easily persuade people or politicians to accept this kind of medicine," said Steven Bell, chief economist of GLC, the London-based hedge fund.

Analysts said some institutional holders are dumping Greek bonds in particular because stricter borrowing rules are coming back into effect later this year at the European Central Bank. The ECB has been allowing banks, including those holding significant portions of Greek bonds, to put up riskier investments as collateral for loans to help them through the financial crisis.

But the ECB is tightening those standards later this year, when banks will be allowed to use only top-rated bonds as collateral. Fears that Greek bond ratings may lose their investment-grade status in the coming months have led some banks to sell them at a loss.

"As they see the ratings on these bonds going down, investors can't wait anymore -- they are acting now, liquidating them at huge losses into the market," said Steven Major, head of fixed-income research at London-based HSBC.

A default by Greece or any other country in the 16-nation eurozone would be potentially catastrophic to the region, leading, analysts say, to possible eviction from the monetary union and severely testing the soundness of Europe's integration. Most analysts believe the eurozone's economic powerhouses might ultimately come to the aid of Greece, currently the most troubled nation in the region, in much the way Washington bailed out Mexico in the 1990s. European officials have offered mixed signals about their willingness to do so.

But analysts say the alternative -- having the International Monetary Fund rescue a eurozone country -- would be so deeply embarrassing to Europe's major powers that they would opt to aid Greece.

Analysts are also growing more worried about the U.S. budget deficit, which remains higher than that of most eurozone nations. But Greece, Spain and other troubled countries in Europe do not command the kind of economic clout the United States does and, in many cases, have yet to escape the Great Recession.

Spain, for instance, reported Friday that it has yet to climb out of the recession, announcing that its economy contracted by 0.1 percent in the fourth quarter of 2009. Its unemployment rate is hovering near 20 percent and is still foundering amid a U.S.-style real estate bust.

1927) Diplomacia partidaria: o Itamaraty muda os costumes

Brasil: Política Externa
Bandeiras ideológicas
Diogo Schelp
Revista Veja, edição n. , 2151 - 10 de fevereiro de 2010

A análise das notas oficiais do Itamaraty durante o governo Lula mostra subserviência aos interesses de Chávez e desrespeito a princípios universais

UM PESO, DUAS MEDIDAS
As notas do Itamaraty condenam a prisão da birmanesa Aung San Suu Kyi, mas ignoram a de Raúl Baduel (à dir.). As posições brasileiras sobre questões regionais parecem emanar diretamente de Chávez (ao lado, entre Lula e Celso Amorim)

Na Venezuela, há quarenta cidadãos presos apenas por discordar de Hugo Chávez. Um deles é Raúl Baduel, ex-ministro da Defesa, que rompeu com Chávez por se opor aos planos do tirano de se perpetuar no poder. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil nunca emitiu uma única nota de repúdio à prisão de Baduel. Desde que Lula assumiu a Presidência, há sete anos, o Itamaraty mantém silêncio a respeito das medidas autoritárias na Venezuela. Outros países recebem um tratamento diferente. A diplomacia brasileira, por exemplo, divulgou três notas criticando a repressão política em Mianmar, na Ásia, duas delas contra a prisão domiciliar da vencedora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. O que motivou a posição desigual nos casos de Baduel e da dissidente birmanesa e em outros temas externos? Se fosse para defender os interesses nacionais do Brasil, o correto seria manter-se fiel aos princípios que norteiam as relações exteriores desde a promulgação da Constituição de 1988 – entre os quais a defesa dos valores democráticos e dos direitos humanos. "Contudo, o que tem orientado a diplomacia brasileira nos últimos anos são as posições ideológicas do partido que está no poder", diz Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington. "Com isso, o Itamaraty trocou uma política de estado por uma política partidária." A primeira interessava ao Brasil. A segunda, ao PT. A primeira obedece a princípios. A segunda, a bandeiras partidárias.

A política externa é atribuição do Poder Executivo e, como tal, está subordinada ao presidente da República. Em governos anteriores, as decisões nessa área levavam em conta o conhecimento técnico dos diplomatas de carreira, a tradição brasileira e os princípios universalmente consagrados da convivência pacífica entre os povos. Essa tradição foi rompida ao se delegar a política externa aos humores dos radicais esquerdistas. Para compreender o alcance do viés ideológico na definição da política externa brasileira, VEJA fez um levantamento de todas as notas oficiais divulgadas pelo Itamaraty desde 2003, o começo do governo Lula. No total, foram mais de 4 600 comunicados, muitos deles informes técnicos sobre viagens do presidente. A reportagem se fixou na análise de 296 dessas notas, justamente aquelas em que o Itamaraty dá a saber a posição oficial do Brasil a respeito de questões conflituosas ou polêmicas. São notas reveladoras.

As notas sobre o conflito no Oriente Médio são a manifestação clara de opção ideológica em detrimento dos interesses nacionais permanentes (veja o quadro ao lado). Ao Brasil, que almeja legitimamente aumentar seu protagonismo internacional, interessaria não o engajamento ao lado de um dos contendores, mas a mais notória neutralidade nas complexas disputas do Oriente Médio. O comprometimento do Itamaraty é ainda mais evidente nos temas latino-americanos. As notas defenderam manobras liberticidas dos governos esquerdistas da Bolívia, da Venezuela e de Cuba, mas condenaram a deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya. Como ficou claro no episódio, Zelaya decidiu rasgar a Constituição de seu país para, com o apoio de Hugo Chávez, dar um golpe. "O episódio de Honduras confirmou um fenômeno preocupante: as posições do Itamaraty e de Chávez na política regional coincidem quase sempre", diz José Botafogo Gonçalves, presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, no Rio de Janeiro.

O Executivo tem todo o direito de buscar suas preferências em política externa e – desde que isso tenha sido abertamente discutido na campanha eleitoral – fazer guinadas nos rumos da diplomacia. Os limites dessas manobras, porém, são dados pela tradição diplomática do país e pela persecução dos interesses nacionais permanentes – aqueles que são revertidos em benefício da maioria, e não da minoria no poder. Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama mudou o tom da diplomacia, mas não seus objetivos básicos: vencer a guerra ao terror e barrar a proliferação nuclear em países párias, para citar dois exemplos. No Brasil, a mudança de rumo foi desastrosa. É antiga, legítima e positiva para todos os brasileiros a reivindicação de um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A diplomacia petista está sempre reafirmando essa meta. Mas também não perde uma chance de arruinar qualquer possibilidade de isso vir a ocorrer. O alinhamento automático de Brasília com ditaduras da América Latina, Ásia e África é uma deferência aos radicais do PT, mas um desastre internacional de previsíveis, duradouras e trágicas consequências para as pretensões brasileiras.

1926) Universidades americanas: a excelencia vem de baixo

A receita é muito simples: se você quer ter universidades excelentes, comece com escolas primárias e secundárias excelentes, públicas, de preferência...

Tales Out of School
By CLAUDIA GOLDIN
The New York Times Book Review, February 7, 2010

Book Review:
THE GREAT AMERICAN UNIVERSITY
Its Rise to Preeminence, Its Indispensable National Role, Why It Must Be Protected

By Jonathan R. Cole
616 pp. PublicAffairs. $35

Of the top 20 universities in the world, according to one 2008 reckoning, just three were outside the United States. Of the top 50, just 14 were. American colleges and universities are unquestionably pre-eminent in teaching and research, attracting students and faculty members from around the world. We may no longer be the nation that exports cars. But we are the nation that exports higher education.

This is a relatively new phenomenon. Before the 1940s many of America’s greatest scholars and scientists went abroad to study. Americans have won a majority of Nobel Prizes in science and medicine since 1955, but before 1935 Americans took home far fewer of those trophies.

As provost of Columbia University for 14 years and a professor of sociology and dean of faculties before that, Jonathan R. Cole is in an excellent position to write about the rise of the American research university and its special contribution to American life. In “The Great American University,”he makes a case for the extraordinary role such institutions play in improving our daily lives. He also argues that these “jewels in our nation’s crown” face a host of serious threats.

As the parents of every prospective college student know all too well, America offers a mind-boggling array of choices. About 1,600 public and nonprofit private institutions grant a bachelor’s degree, while an additional 1,100 two-year colleges are often the gateway to a four-year education. But Cole is concerned primarily with research universities (and medical schools), the 125 or so institutions that do the most to foster innovations that “enhance our standard of living and our quality of life.”

He lists their dazzling achievements, which in biology and medicine include findings on gene-splicing, recombinant DNA, retroviruses, cancer therapies, coch­lear implants, the fetal ultrasound scanner, the hepatitis B vaccine, prions, stem cells, organ transplantation and even a treatment for head lice. In the physical sciences, universities have contributed to the Hubble telescope, lasers, LEDs, bar codes, radar, transistors, M.R.I. technology and numerous advances in computing. In a chapter on the social sciences, he cites, among many others, such useful innovations as theories of human capital and social mobility, research in linguistics and even the use of prices to reduce traffic jams.

No one can for a moment doubt the special role universities play in innovations that arise from research in pure science and an interest in solving problems. But a 150-page inventory like the one Cole provides here tells us as much about why some universities are “great” as a list of names of accomplished people in a large family shows us why their family is “great” relative to others. Moreover, it does nothing to illuminate whether universities did it alone and what kind of incentives were used to enhance researcher productivity.

Private enterprise and government agencies work with universities, as Cole’s own roll call of great achievements demonstrates; they also compete with them. For example, the University of California scientist who isolated the gene for insulin founded Chiron. The cancer drug Gleevec originated in research at M.I.T. and U.C.L.A. but was produced by Novartis. The fetal scanner was produced by Physionic Engineering Inc., formed by researchers who had left the University of Colorado. Organs can be transplanted only with the immunosuppressive drug cyclosporine, developed by Sandoz (now Novartis). The head-lice shampoo developed at Purdue was marketed by Nature’s Sunshine. The Hubble telescope was a joint venture among the European Space Agency, NASA and others, though the idea came from a Princeton astrophysicist. The laser came from research at American universities and Bell Labs.

Cole notes these collaborations but does little to address the numerous questions they raise. What is the optimal division of research among universities, private enterprise and the government? Some universities allow faculty members to hold patents; some give them joint interests in private sector ventures. Which arrangement is most advantageous for research output? Which is best for the integrity of the university? “At Columbia, we pursued technology transfer aggressively,” Cole writes. “If we succeeded, we could use the resources generated to compete effectively with wealthier universities.” But was Cole really just acting as a modern Robin Hood, or does the profit motive pervert the mission of his and other universities?

According to Cole, the current threats to the American university don’t come from the outside — no other nation’s universities are within striking distance — but from within our borders and even within the university itself. Since the Sept. 11 attacks, foreign students and professors find it more difficult to venture to the United States. Cole devotes two chapters to the Bush administration, which he sees as a “frightening example of how the distrust of scholarly and scientific work — because it chal­lenges the ideological views of the prince — can begin to seriously erode the structure of knowledge production that has made our universities the finest in the world.”

But he also sees a grave threat from inequalities among the great universities. A few universities have colossal endowments, but most do not. In 2008, before the financial crisis, 76 had endowments of more than $1 billion; 19 (including Columbia) had endowments of more than $5 billion; and 6 had endowments exceeding $10 billion. “The alarming growth of inequality among university endowments over the past two decades has produced an unnerving potential for a few institutions to be able to dominate the competition for talent,” thus sapping vital competition, Cole argues. But are such inequalities good or bad? Could 125 equally sized automobile firms produce cars as cheaply as a few very large ones? Probably not. So why isn’t that the case for university research as well?

In his conclusion, Cole plays with the notion that universities could engage in cross subsidies, as in baseball, where a luxury tax applies to total payroll. Only one team can win, and taxing rich teams keeps the game more interesting. But knowledge creation, unlike baseball, is not a zero sum game. Everyone can win.

Cole then reverses course and proposes cost-saving mergers among universities. Provosts may see institutional boundaries, but professors, separated by miles and oceans, already work together, sharing research ideas, course syllabuses and students. University researchers are truly scholars without borders; ideas do not wear school colors.

Today, the greatest threats to American higher education probably do not concern any of the things Cole discusses. Rather, they relate to the openness of the system and the academic preparedness of its students, who, as Cole acknowledges at the outset, play almost no role in this volume. But teaching and research cannot be so easily separated. The great research universities educate a substantial fraction of all four-year undergraduates and produce more than three-quarters of all Ph.D.’s. As Cole acknowledges, “excellence in teaching and excellence in research” are “mutually reinforcing.”

But many students are finding it harder to gain access to that teaching. In 1980 average private tuition was 20 percent of median family income, but it is 50 percent today; average public tuition was 4 percent of median family income in 1980 and is 11 percent today. We have witnessed, just this past year, the vulnerability of the great California system.

American universities became the very best in the world because of the nation’s early commitment to universal high school education. Maintaining excellence at the highest educational levels requires sustaining the pipeline from the lower levels. Without renewed commitment to preparedness and access, the great American university may not remain great.

Claudia Goldin is a professor of economics at Harvard. Her latest book, with Lawrence F. Katz, is “The Race Between Education and Technology.”

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

1925) Estatisticas deste blog (cinco dias e meio)

Recebi, do SiteMeter, estas estatisticas para este blog: Diplomatizzando
(desde 30 de janeiro as 14hs até o dia 4 de fevereiro as 24hs, ou seja, cinco dias e meio, aproximadamente)

-- Site Summary ---
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Average Visit Length .......... 3:06
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1924) Avioes militares: nada como ser rico...

É samba, é ginga, é dinheiro que voa
Coluna Carlos Brickmann, 7 de fevereiro de 2010

É Brasil brasileiro, terra de samba e pandeiro. Fale de nós quem quiser falar, mas com os Rafale o ministro Jobim e o presidente Lula estão pertinho do céu.

Comprando os caças supersônicos franceses, os mais caros que participaram de nossa concorrência internacional, o Brasil mostrou uma série de virtudes:

1 - É soberano. Escolheu sozinho. Os Rafale são caros mas são nossos. E só nossos: nenhum outro país quis comprá-lo da França.

2 - Está com a economia em ordem. Países menos afortunados, como a Índia, anunciam ter recebido ofertas do Rafale por bem menos do que o Brasil pagou, e até agora o recusaram, por achá-lo caro. Aqui não se faz economia de tostões.

3 - O Brasil faz sua parte na luta contra a crise internacional. A fabricante do Rafale, que andou tendo problemas, agora respira tranquila. Além disso, o Brasil salvou alguns milhares de empregos na França, nossa aliada.

4 - O Brasil, caso raro entre os países latino-americanos, demonstra o predomínio dos civis sobre os militares. Não deu a menor bola para o relatório da Aeronáutica sobre a concorrência, que colocou o Rafale em terceiro lugar e o sueco Grippen em primeiro; militar, aqui, obedece às ordens do ministro civil, mesmo que o ministro adore vestir uma farda camuflada tamanho GG - XL, certamente fabricada sob medida, para acomodar tanta musculatura.

E, se o Brasil comprou da França um porta-aviões que, em dez anos de operação, passou quatro no estaleiro, por que iria reclamar dos supersônicos?

Brickmann & Associados Comunicação - B&A - 05/02/2010

1923) China: economia neoclassica ou neoliberal

Alguns ingênuos, sobretudo da academia brasileira, acreditam que o sucesso econômico da China se deve a políticas econômicas ainda intervencionistas ou dirigistas, não à sua adesão ao capitalismo de mercado, de pura concorrência, ou seja, de sua vertente neoliberal, como acredito que seja.
Pois bem, quem está dizendo que a direção do PCC segue a linha da economia de mercado, com ênfase na doutrina neoclássica, é simplesmente o Decano adjunto da Escola Nacional de Desenvolvimento e diretor do Centro Chinês para a Pesquisa Econômica da Universidade de Pequim, portanto, uma voz abalizada para ostentar tais tipos de argumentos.
Vejam seu artigo abaixo.

The End of the Beijing Consensus
Yang Yao
YANG YAO is Deputy Dean of the National School of Development and the Director of the China Center for Economic Research at Peking University.
Foreign Affairs, January/February 2010, Volume 1, Number 89, February 2, 2010

Can China's Model of Authoritarian Growth Survive?

Since China began undertaking economic reforms in 1978, its economy has grown at a rate of nearly ten percent a year, and its per-capita GDP is now twelve times greater than it was three decades ago. Many analysts attribute the country's economic success to its unconventional approach to economic policy -- a combination of mixed ownership, basic property rights, and heavy government intervention. Time magazine's former foreign editor, Joshua Cooper Ramo, has even given it a name: the Beijing consensus.

But, in fact, over the last 30 years, the Chinese economy has moved unmistakably toward the market doctrines of neoclassical economics, with an emphasis on prudent fiscal policy, economic openness, privatization, market liberalization, and the protection of private property. Beijing has been extremely cautious in maintaining a balanced budget and keeping inflation down. Purely redistributive programs have been kept to a minimum, and central government transfers have been primarily limited to infrastructure spending. The overall tax burden (measured by the ratio of tax revenue to GDP) is in the range of 20 to 25 percent. The country is the world's second-largest recipient of foreign direct investment, and domestically, more than 80 percent of its state-owned enterprises have been released to private hands or transformed into publicly listed companies. Since the Chinese Communist Party (CCP) lacks legitimacy in the classic democratic sense, it has been forced to seek performance-based legitimacy instead, by continuously improving the living standards of Chinese citizens. So far, this strategy has succeeded, but there are signs that it will not last because of the growing income inequality and the internal and external imbalances it has created.

Ler o texto completo neste link.

1922) Diplomacia da generosidade - gas da Bolivia

'Brasil compra gás para ajudar Bolívia'
O Estado de S. Paulo - 04/02/2010

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o Brasil continuará importando gás da Bolívia mesmo após atingir a autossuficiência na produção do combustível. A afirmação foi feita em cerimônia de inauguração do maior gasoduto brasileiro em capacidade, investimento, de R$ 2,54 bilhões, que vai garantir a chegada de até 40 milhões de metros cúbicos por dia aos principais mercados consumidores.

Segundo ele, o contrato com a Bolívia é uma forma de "ajudar" o país vizinho. "Eu acho que, dentro de algum tempo mais, a gente vai poder bater no peito e dizer: "Nós temos gás suficiente". E vamos continuar comprando da Bolívia, porque nós temos que ajudar a Bolívia, que é um país pobre. O papel de uma nação do tamanho do Brasil é ajudar os países menores do lado dele", disse o presidente.

"Temos boas relações com a Bolívia, nunca tivemos problemas para importar e não acreditamos no risco de um corte", acrescentou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em entrevista após o evento.

O Brasil tem contrato para importar 30 milhões de metros cúbicos por dia da Bolívia até 2019. Embora haja excesso de oferta de gás no País, Lula voltou a afirmar que a prioridade para o uso do combustível está na geração de energia elétrica.

"É importante saber disso. Quem tiver fábrica, carro ou piscina a gás tem de saber que, se tiver uma crise energética, a primeira coisa que nós vamos utilizar para levar energia para as casas das pessoas é o gás'', destacou o presidente.

O gasoduto inaugurado pelo presidente, Cabiúnas-Reduc III (Gasduc III), começará a operar com algo em torno de 15 milhões de metros cúbicos por dia, por causa da demanda, que está abaixo da capacidade total.

A partir de março, quando está prevista a inauguração do Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene), este duto permitirá levar o gás produzido na Região Sudeste ? e futuramente do pré-sal ? para abastecer o mercado nordestino, hoje deficitário e dependente do Gás Natural Liquefeito (GNL) importado.

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Comentário PRA:
Mesmo a generosidade, quando bem intencionada, e não apenas por falsa mangnanimidade, demagogia ou desejo de parecer benevolente (unilateralmente), não dispensaria algum cálculo de custo-benefício, apenas para que o Estado, e também a cidadania, possam fazer uma estimativa de quais são as melhores opções para se ajudar a Bolívia.
Pode-se, hipoteticamente, pensar, por exemplo, que seria melhor para a Bolívia deixá-la exportar o gás agora excedentário para terceiros países e passar a estabelecer outras relações de comércio com o país vizinho.
"Monopolizar" o gás boliviano apenas porque ela aparenta ser um país pobre (o que já constitui uma ofensa em si, no dizer) pode não ser a melhor coisa para ela ou para o Brasil.
Pessoas no governo deveriam fazer um simples cálculo de custo-oportunidade, para o Brasil e para a Bolívia. Apenas porque o presidente não sabe, ou não pensa nisso, não é motivo para uma assessoria competente, em primeiro lugar no MME, recomendar-lhe o que seja melhor para o Brasil e para a Bolívia.

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Addendum em 5.02.2010:
Bolívia reage à fala de Lula sobre gás
Jornal do Brasil, 5/02/2010

O governo boliviano reagiu negativamente às declarações do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que disse que o Brasil não deixará de importar gás natural da Bolívia por uma questão de "solidariedade".
O ministro da Presidência da Bolívia, Oscar Coca Antezana, enfatizou ontem que as negociações do hidrocarboneto com o Brasil estão sujeitas a um compromisso contratual, que "deve ser respeitado acima de outras disposições".
– Há contratos e nós trabalhamos com contratos.
Fez-se um duto que custou mais de US$ 2 bilhões porque havia um convênio e este tem que ser cumprido. Aqui não há sentimentos nem paixões – afirmou Coca Antezana.
Na quarta-feira, Lula discursou, durante a inauguração de um gasoduto no Rio, que o Brasil tem cada vez menos necessidade do produto importado da Bolívia, mas que continuaria importando o gás porque “o papel de uma nação como o Brasil é ajudar países menores”.
Coca Antezana rebateu as palavras de Lula explicando que “não é correto nem próprio” falar desta maneira “quando há um contrato no meio”.
– Definitivamente, o Brasil está cumprindo um acordo que foi assinado anteriormente.
O não cumprimento vai implicar-lhes sanções – advertiu o ministro.
A Bolívia exporta para o Brasil entre 19 milhões e 27 milhões de metros cúbicos de gás por dia. A quantidade varia segundo a demanda e o preço. Atualmente, com os índices de consumo de energia alcançando cifras recordes no Brasil, cerca de 40% do gás natural utilizado no país é boliviano.
Coca Antezana afirmou que discurso do presidente “não é correto.”

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Novo comentário PRA:

O ministro boliviano tem razão, especialmente quando disse: "Há contratos e nós trabalhamos com contratos."
Pena que o governo boliviano rasgou um tratado bilateral e contratos com a Petrobras para invadir e tomar uma propriedade que não era dele, ou seja, o governo boliviano agiu ilegalmente, traiçoeiramente e em total contradiçnao com práticas diplomáticas normais, e na ausência de qualquer reação digna por parte do governo brasileiro.
O que seria de se esperar, era um aviso da Bolívia que pretendia rever o tratado e os contratos, passar nota ao governo brasileiro propondo negociações e aguardar as conversações. Não, atuaram de modo totalmente desrespeitoso.
O que o governo brasileiro deveria fazer, quando o Brasil estiver totalmente abastecido de gás nacional, seria propor ao governo boliviano rever os contratos, apenas isso. Acredito que a Bolívia se sentiria, e se sairia, melhor, tendo liberdade para vender mais caro (se puder) o gás excedentário de que dispõe e do qual o Brasil não venha mais a necessitar. Afinal de contas tem o valor do transporte. Se a eliminação deste se coadunar com a amortização do gasoduto, creio que se pode considerar a mudança nos contratos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

1921) Economia mundial: de onde viemos, para onde vamos?

Economia mundial: de onde viemos, para onde vamos?
Paulo Roberto de Almeida
(da série: Volta ao mundo em 25 ensaios)
Ordem Livre, 01 de Fevereiro de 2010

Economia mundial não é um termo que se possa empregar antes do século XVI et encore: mesmo a partir da unificação geográfica conduzida por Colombo, Vasco da Gama e Fernão de Magalhães, a economia mundial não era, em absoluto, universal. Nessa primeira onda de globalização, de caráter mercantil, tratava-se, mais exatamente, de um arquipélago de economias centrais, predominantemente de origem européia, vinculadas a suas respectivas periferias nas novas terras descobertas, mediante um sistema usualmente conhecido como "exclusivo colonial". Os demais centros regionais – o "Império do Meio" (China), o império Mogul, na Índia, o mundo muçulmano (que começava a ser unificado sob o jugo otomano) e outros "blocos" sub-regionais, na Eurásia ou nas Américas – não tinham realmente condições de disputar qualquer hegemonia econômica mundial, como diriam os marxistas.

Até o final do século XVIII, China e Índia constituíam duas grandes economias, que produziam bens valorizados nos mercados ocidentais, mas dotadas de instituições pouco adaptadas aos desafios da nova economia industrial, caracterizada pelo que se poderia chamar, ainda no jargão marxista, de um "modo inventivo de produção". Foi precisamente a partir da revolução industrial na Inglaterra, nessa mesma época, que teve início a diferenciação dos centros econômicos mundiais, processo que os historiadores econômicos chamam de "grande divergência", ou seja, a aceleração da transformação tecnológica no Ocidente, seguida da dominação absoluta das potências européias sobre o resto do mundo (destinada a durar cinco séculos, talvez até hoje).

Essa segunda grande onda da globalização, de natureza industrial, conforma o que se poderia pela primeira vez chamar de economia mundial, uma rede integrada de centros produtores de matérias primas, de um lado, servidas pelos centros financeiros europeus – com a libra inglesa e os bancos britânicos em seu núcleo – e as oficinas manufatureiras, de outro, dotadas das novas tecnologias industriais de produção em massa. As economias nacionais, até então pouco diferenciadas entre si – posto que uniformemente e predominantemente de base agrícola ou mercantil – começam a exibir diferenças estruturais, a partir de níveis de produtividade bem mais elevados nos sistemas industriais. A defasagem de renda começa sua escalada para índices sempre crescentes, entre o centro e a periferia, num processo que se desenvolveria durante praticamente dois séculos, com um recrudescimento ainda maior durante a maior parte do século XX, para diminuir apenas a partir da terceira onda de globalização, já no último quinto desse século.

No intervalo, a economia mundial capitalista seria desafiada por duas ameaças muito diferentes, entre si, mas concordantes em sua ação desagregadora de um sistema verdadeiramente unificado de relações mercantis e financeiras. A partir da primeira guerra mundial, as crises recorrentes dos centros capitalistas desenvolvidos no entre guerras (em especial a de 1929 e a depressão que se seguiu) e a implantação de sistemas coletivistas (de natureza soviética, desde 1917, e os fascismos, pouco depois), com suas experiências estatizantes e antiliberais, representaram uma "breve" interrupção de setenta anos no processo de globalização. No imediato pós-segunda guerra mundial, as muitas experiências de nacionalizações e de estatizações no Ocidente capitalista, com seu cortejo de práticas intrusivas, dirigistas e planos de "desenvolvimento" (com muito planejamento estatal centralizado, mesmo no capitalismo) representaram, igualmente, um retrocesso na reunificação de um sistema de mercado verdadeiramente mundial, desde então colocado sob a égide dos dois irmãos de Bretton Woods (o FMI e o Banco Mundial) e do GATT (OMC, em 1995).

Foi somente a partir das reformas econômicas "neoliberais" iniciadas na China a partir dos anos 1980 e da implosão e quase completo desaparecimento dos regimes socialistas, entre 1989 e 1991, que o processo de reunificação da economia mundial é retomado, no bojo da terceira onda de globalização capitalista, desta vez dominada pela sua vertente financeira (mas que inclui também os investimentos diretos). O fim do socialismo representou pouco em termos de concorrência manufatureira – já que o socialismo era um produtor medíocre de bens industrializados – e menos ainda em termos de fluxos financeiros e tecnológicos – onde os países socialistas eram ainda mais marginais, senão irrelevantes; mas significou um impacto decisivo em termos de mercados e, sobretudo, de mão-de-obra (com destaque absoluto para a China).

A fase atual, se ainda não pode ser identificada com um novo processo de "convergência" da economia mundial, caracteriza-se, pelo menos, pela diminuição da divergência entre as regiões – com notáveis exceções, como nos casos da África, do Oriente Médio e em grande medida da América Latina – e pelo rápido catch-up experimentado por alguns emergentes dinâmicos. No curso dos últimos vinte anos de globalização, a China e a Índia retiraram centenas de milhões de pessoas de uma miséria abjeta, colocando-as numa situação de pobreza moderada, justamente em função das reformas econômicas empreendidas e de sua inserção na globalização. Esse processo deve continuar, pelo menos naqueles países que decidiram substituir antigas políticas protecionistas e estatizantes por uma abertura ao comércio internacional e aos investimentos estrangeiros diretos.

O lado financeiro permanece ainda a dimensão problemática da globalização, não porque a liberdade de circulação de capitais seria, em si, desestabilizadora das economias nacionais, mas porque os governos ainda insistem em praticar políticas monetárias e cambiais inconsistentes com os novos dados da economia mundial. O monopólio dos bancos centrais na emissão de moedas-papel, na fixação das taxas de juros (sem correspondência efetiva com o equilíbrio real dos mercados de capitais) e seu papel na manutenção de regimes cambiais irrealistas e desajustados, explica muito das crises financeiras ocorridas na segunda metade dos anos 1990 e em 2007-2009. As bolhas que se formam não são o resultado de "forças cegas do mercado" – como políticos inescrupulosos e economistas pretensamente keynesianos proclamam – mas sim a consequência das manipulações dos governos em setores sensíveis da economia real. A possibilidade de maiores progressos em direção à convergência econômica mundial depende, assim, tanto da continuidade da abertura dos países ao processo de globalização, quanto da habilidade dos governos em manterem soberania monetária e cambial no novo contexto criado pela unificação paulatina dos mercados de capitais.

Não é provável que essa convergência se dê rapidamente, tendo em vista a resistência de muitos governos à abertura comercial e financeira e sua tendência a continuar manipulando taxas de juros e regimes cambiais; mas é previsível que a globalização continue avançando naqueles países e regiões propensos a aceitarem as novas regras de mercado. Independentemente do que digam aqueles que condenam as novas políticas "neoliberais", é um fato que os países que mais progressos fizeram no plano do crescimento econômico e da prosperidade de seus povos são aqueles que mais rapidamente souberam se integrar comercialmente na economia mundial, e dela puderam tirar proveito dos efeitos benéficos dos investimentos diretos, que trazem capitais, know-how e tecnologia. A lição parece ter sido aprendida, mas nem todos souberam dela tirar os ensinamentos adequados.
Ça viendra, à son temps...

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Para o primeiro ensaio da série "Volta ao Mundo em 25 Ensaios", ver aqui:
Por que o mundo é como é (e como ele poderia ser melhor...)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

1920) Haiti: nao se trata de reconstrucao, mas de construir um pais

Tenho lido na imprensa artigos de pretensos especialistas no Haiti que, invariavelmente, tocam na corda de que o país foi "esquecido" pelo mundo, quando não dominado e explorado pelo imperialismo americano, e por isso é o que é, ou seja, o país mais pobre do hemisfério, de fato um país africano na América Latina.
Não faltaram também aqueles que falaram de um Plano Marshall, ou até de um Plano Lula, como se fosse obrigação do mundo reconstruir o país, ou de se comprometer com essa tarefa nas próximas duas décadas.
Sou circunspecto quanto a isso, por "n" razões que não vou explicar agora. Permito-me, em todo caso, transcrever um artigo a respeito.

* OPINION
Haiti Needs to Be Built, Not Rebuilt
Calls for a 'Marshall Plan' are misguided.
By PETER A. COCLANIS
The Wall Street Journal, February 2, 2010

In our haste to help Haiti, we need to resist the kind of sloppy thinking that can lead to false assumptions and overly optimistic plans. The recent call by International Monetary Fund Managing Director Dominique Strauss-Kahn for a "Marshall Plan" for Haiti, which is now being echoed by many others, is a case in point. Such a plan, even if it was embraced by developed countries, has little chance of succeeding.

The Marshall Plan, officially known as the European Recovery Plan, was a U.S. policy that spent tremendous sums of money rebuilding war-torn Europe between 1948 and 1952. Popularly identified with Secretary of State George C. Marshall, the plan was largely developed by talented State Department officials, such as George F. Kennan and William L. Clayton. It had several goals, including providing relief to the poor, promoting economic development, and preventing a communist upsurge in Western and Southern Europe.

The U.S. and other nations distributed more than $13 billion—equivalent to more than $97 billion in 2008 dollars—to 17 nations. Some of the countries that received aid were historically poor: Greece, Ireland, Portugal and Turkey, for example. Most, however, were already developed countries that were simply reeling from World War II—such as Austria, Denmark, France, Western Germany, Luxembourg, the Netherlands, Norway, Sweden and the United Kingdom.

In many cases, factories, city centers and infrastructure were bombed out. In others, residents had fled ahead of the fighting or mobilized in response to the war. Heavy investment was required to restart the economies of these countries.

The Marshall Plan succeeded in helping to usher in the European "economic miracle" of the 1950s. But it did so, according to most historians, because the bulk of the aid went to developed nations that merely needed an economic jump start.

Before the war, these areas possessed high levels of human capital, relatively advanced technologies, and institutions and cultures that were conducive to growth. With short-term capital infusions, they reverted to form.

The case of Japan, another developed nation devastated by World War II, is also instructive. It too experienced an "economic miracle" after the war, a few years after Europe experienced its miracle. It did so with help from the U.S. (though it did not formally participate in the Marshall Plan).

The situation in Haiti today is vastly different than that of postwar Europe and Japan. Haiti is an economically exhausted place, as it was on the eve of the Jan. 12 earthquake. Its economic problems are not akin to those facing Europe or Japan in 1948, and what is required to put Haiti on sound economic footing is much different.

Instead, what policy makers need to focus on is creating the conditions—economic, social, educational, public health, political, and perhaps most importantly, cultural—necessary to put Haiti onto the first foothold of the development ladder.

No one should delude himself that a development scheme for Haiti will in the short run enable the country to scale that ladder, let alone claim a position at or near the top as did postwar France, Germany, Britain, and Japan. Rather, the hope should be that Haiti can begin the difficult and uncertain process of economic development.

This is obviously a worthy goal—one we should support—but misleading analogies won't make the goal come true. It would be much better to explicitly acknowledge the difficult task ahead. The Marshall Plan lasted for about four years and succeeded by jump-starting formerly functioning economies.

Haiti is by far the poorest country in the Western Hemisphere. Some 98% of the country is deforested. It lacks many of the fundamental institutions necessary for a vibrant economy, such as a reliable police force, protections for private property, and schools that boost literacy rates. Just 50% of Haiti's population is literate now. Haiti also lacks a culture that encourages a strong work ethic, the accumulation of capital, and the passing of assets on to future generations. Realistically, building an economic base for Haiti will take generations.

Before the quake there were more than 10,000 nongovernmental organizations in Haiti feeding the poor, providing health services and much more. This fact alone should give the world pause. Haiti doesn't need to be rebuilt. It needs to be built from the ground up.

Mr. Coclanis is a professor of history and director of the Global Research Institute at the University of North Carolina, Chapel Hill.

1919) A arte de ser contrarianista

Eu mesmo esqueço de certos textos mais antigos que deveriam estar linkados de forma permanente na coluna da direita. De vez em quando, um deles me cai, por acaso, "no colo", ou na tela do computador. Como nunca foi publicado em algum veículo formal, creio que não estou infringindo nenhum copyright (que seria meu mesmo) se republicá-lo novamente:

A arte de ser contrarianista...
O contrarianismo, na prática


Paulo Roberto de Almeida

Já me defini, em algum trabalho anterior, como um “contrarianista”, isto é, alguém que procura ver as “coisas da vida” com um olhar cético, sempre interrogando os fundamentos e as razões de por quê as coisas são daquele jeito e não de outro, ou de como elas poderiam ser ainda melhores do que são, aparentemente a um menor custo para a sociedade ou atendendo a critérios superiores de racionalidade e de instrumentalidade. Ou seja, em linguagem da economia política, o contrarianista é um indivíduo que está sempre procurando aumentar as externalidades positivas e diminuir as negativas, sempre efetuando cálculos de custo-oportunidade do capital empregado, sobre o retorno mais eficiente possível, adequando os meios disponíveis ao princípio da escassez.
O contrarianista não é, a despeito do que muitos possam pensar, um ser que sempre é “do contra”, um caráter negativo ou pessimista. Ao contrário, trata-se, para ele, de buscar otimizar os recursos existentes, indagando continuamente como fazer melhor, eventualmente mais barato, com os parcos meios existentes. Esta é a minha concepção do contrarianismo, uma arte difícil de ser exercitada, mais difícil ainda de ser compreendida. Eu a definiria, segundo uma lição que aprendi ainda na adolescência, como um exercício de “ceticismo sadio”, ou seja, o espírito crítico que não se compraz, simplesmente, em negar as “coisas” como elas são, mas que se esforça, em toda boa vontade, para que elas sejam ainda melhores do que são, questionando sua forma de ser atual e propondo uma organização que possa ser ainda mais funcional do que a existente.
Por isso mesmo, pretendo, neste curto ensaio, tecer algumas considerações sobre a arte de ser contrarianista, o que, confesso, não é fácil. Sempre nos arriscamos a ser incompreendidos, em aparecer como puramente negativos ou derrotistas, quando o que se busca, na verdade, é reduzir o custo das soluções “humanamente produzidas” (elas sempre são falhas). Talvez, a melhor forma de se demonstrar, na prática, a arte do contrarianismo, seria elaborar uma série de manuais de sentido contrário, isto é, em lugar dos How to do something, escrever sobre “como não fazer” determinadas coisas. Como eu exercito muito freqüentemente a resenha de livros, creio que não seria difícil oferecer algumas observações sobre essa prática corriqueira da vida cotidiana. Aliás, já o fiz, num dos primeiros posts de meu blog “Book reviews” dedicado aos livros, post nº 2, “A arte da resenha” (neste link).
Existem, de fato, muitos manuais e guias sobre a arte ou a maneira de se fazer isto ou aquilo, sendo os mais conhecidos, justamente, aqueles americanos que seguem as regras usuais do gênero “how to do this or that...”. Aperfeiçoando o gênero surgiram os “beginners’ guide to...” e os “idiot’s guide for...”. Antes dessa era de proliferação infernal de guias para todos os idiotas existentes, eu cheguei a consultar, quando estava elaborando a minha tese de doutoramento, um guia de um desses americanos do self-help, que se chamava, exatamente, How to complete, and survive... a doctoral dissertation: foi útil, confesso, ao menos em diminuir o stress com os ciclos ascendentes (eufóricos) e descendentes (que podem ser depressivos, para alguns candidatos) do longo périplo na direção do final da tese. Talvez, um dia, eu faça um manual sobre “Como não exercer a diplomacia”, para o que eu mesmo teria muito material primário – autoproduzido – a ser processado e apresentado a eventuais candidatos e outros incautos da profissão.
Esperando que este dia chegue, vejamos quais poderiam ser algumas regras simples do contrarianista profissional, aquele que leva esse método a sério, considera o exercício válido do ponto de vista das best practices e pretende aperfeiçoar os procedimentos e instrumentos para elevar essa prática ao estado de “arte”, se ela já não o é. Uma simples listagem, a ser detalhada em trabalhos posteriores, poderia compreender os seguintes pontos:

1) Questione as origens:
Toda vez que for apresentado a um novo problema, ou uma questão não corriqueira, veja se consegue detectar as origens daquele problema, porque ele surgiu dessa forma neste momento e neste local. Saber a etiologia de algum fenômeno, assim como saber a etimologia das palavras, sempre ajuda a detectar as razões de sua irrupção num dado contexto em que você é chamado a intervir. As origens e fundamentos de um processo qualquer podem contribuir para determinar seu possível desenvolvimento e eventual itinerário. É assim que procedem os epidemiologistas e, creio também, os linguistas, sempre preocupados em detectar os mecanismos fundamentais de criação de um fenômeno ou processo. Portanto, não tenha medo em perguntar: “de onde surgiu isso?; como é que isso veio parar aqui?; qual é a origem desse treco?”. Pode ajudar um bocado.

2) Determine se o que está sendo apresentado é realmente a essência da coisa:
Muitas vezes somos enganados pelas aparências, como já dizia um velho humorista. As coisas podem ter mais de uma dimensão – usualmente três, mas alguns apostam em dimensões “desconhecidas” – ou em todo caso todos os lados e facetas daquele problema podem não estar imediatamente visíveis ou serem perceptíveis da posição na qual você se encontra. Por isso, não hesite em fazer como Aristóteles e ir buscar a essência da coisa, sua natureza real. Na maior parte das vezes não é preciso bisturi ou serrote, apens um pouco de reflexão ou de exame mais acurado do que lhe é apresentado. Antes de qualquer pronunciamento, vire a coisa pelo avesso...

3) Pergunte por que aqui e agora?:
As coisas não sugem do nada, está claro, e, justamente, nos assuntos da alta política, da economia ou da diplomacia, elas deitam raízes lá atrás, em movimentos tectônicos que talvez tenham passado despercebidos aos contemporâneos, mas que já se moviam na direção que vieram a assumir na atualidade. O fato de estarem sendo colocadas na agenda neste momento significa que seu movimento natural as trouxe à superfície ou que alguém tenha interesse em que essas coisas sejam agora tramitadas e eventualmente resolvidas. Examine o contexto da “aparição”, determine as condições sob as quais elas estão sendo apresentadas e prepare-se para interrogar, você mesmo, as coisas surgidas na agenda. Essas medidas de caução são sempre importantes para evitar alguma reação precipitada ou incontornável, que possa comprometer seus próximos passos no tratamento dessas coisas.

4) Examine e avalie, preventivamente, todas as opções disponíveis:
Nunca existe uma única solução para qualquer problema humanamente concebível. Os problemas podem ser encaminhados por diferentes vias, seja quanto ao método (procedimentos), seja quanto à sua substância (a matéria em questão). As vias alternativas apresentam diferentes custos e produzem efeitos muito diversos, imediatos ou delongados. Sempre existe aquilo que os economistas chamam de trade-offs, isto é, uma maneira (supostamente racional) de se obter algo valioso cedendo alguma outra coisa, alegadamente menos importante para nós. O contrarianista pergunta, sempre, se a solução apresentada é a de menor custo possível, naquelas circunstâncias, e quais seriam os retornos esperados ou presumíveis da via adotada. Os custos devem sempre ser pesados em face dos ganhos esperados, ou de um emprego alternativo dos recuros disponíveis.
Por isso, é sempre recomendável fazer simulações, avaliar custos e oportunidades, enfim proceder de modo utilitário – como os velhos filósofos ingleses ensinaram –, afastando nossos preconceitos e as idées reçues. O instinto pode sté ser bom conselheiro, mas isso só vale para pessoas anormalmente sapientes ou dotadas de muita experiência de vida. Os simples mortais, como a maioria de nós, precisam se basear em algum estudo acurado da situação para poder determinar, justamente, se a solução proposta deliver the best available outcome, ou retorno. Isso só pode ser determinado após exame do problema e determinação do menor sacrifício a ser concedido, um pouco como no jogo de xadrez (aliás, recomendável para contrarianistas de todo o gênero).

5) Uma vez determinada a “solução”, engaje-se no resultado, mas criticamente:
No curso da vida, como diria Benjamin Franklin, só existem duas coisas inevitáveis: a morte e os impostos. Mas, mesmo estes podem ser modificados, ainda que não, helàs, evitados. Por isso, em matérias humanas, cabe se engajar em todo e qualquer empreendimento com alguma porta de saída, ou via alternativa. Determinada the best option for this problem, caberia engajar-se resolutamente na sua consecução, e seguir atentamente o desenvolvimento dos procedimentos. As muitas variáveis que interferem num determinado problema nem sempre são absolutamente determinadas pelos parceiros no jogo, podendo haver interferências externas, circunstâncias fortuitas e eventos imprevisíveis que alteram o curso ou o resultado final. Por isso mesmo, se deve acompanhar qualquer problema com olho crítico, vigiando cada etapa do processo, para ver se cabe ainda manter as premissas originais e o investimento efetuado naquela solução.

6) Reconsidere todo o processo e pratique um pouco de história virtual:
Todos já leram, ou pelo menos já ouviram falar, de hipóteses não realizadas no curso real da história mas que teriam sido possíveis em outras circunstâncias: “o que teria acontecido se, em Waterloo, Napoleão não tivesse sido derrotado?”; e se Churchill isto e Hitler aquilo?, ou seja, o impoderável resumido na pergunta clássica da história virtual “What if?”. O contrarianista deve ser, antes de mais nada, um praticante da história virtual e considerar todos os outcomes possíveis num determinado processo, pois eles poderiam ter efetivamente ter acontecido.
Minha pergunta básica, para um exercício espiritual e prático de todos os contrarianistas aprendizes, para os candidatos a “céticos sadios”, seria esta: “por que o Brasil não é um país desenvolvido?” Respostas tentativas para o meu e-mail, por favor...

Brasília, 1717: 3 de fevereiro 2007, 4 p.

1918) Assim caem os imperios...

Pelo menos é uma forma suave de cair, não no estilo wagneriano como feito por aquele imbecil do Hitler...

Deficits May Alter U.S. Politics and Global Power
By DAVID E. SANGER
The New York Times, February 2, 2010

WASHINGTON — In a federal budget filled with mind-boggling statistics, two numbers stand out as particularly stunning, for the way they may change American politics and American power.

The first is the projected deficit in the coming year, nearly 11 percent of the country’s entire economic output. That is not unprecedented: During the Civil War, World War I and World War II, the United States ran soaring deficits, but usually with the expectation that they would come back down once peace was restored and war spending abated.

But the second number, buried deeper in the budget’s projections, is the one that really commands attention: By President Obama’s own optimistic projections, American deficits will not return to what are widely considered sustainable levels over the next 10 years. In fact, in 2019 and 2020 — years after Mr. Obama has left the political scene, even if he serves two terms — they start rising again sharply, to more than 5 percent of gross domestic product. His budget draws a picture of a nation that like many American homeowners simply cannot get above water.

For Mr. Obama and his successors, the effect of those projections is clear: Unless miraculous growth, or miraculous political compromises, creates some unforeseen change over the next decade, there is virtually no room for new domestic initiatives for Mr. Obama or his successors. Beyond that lies the possibility that the United States could begin to suffer the same disease that has afflicted Japan over the past decade. As debt grew more rapidly than income, that country’s influence around the world eroded.

Or, as Mr. Obama’s chief economic adviser, Lawrence H. Summers, used to ask before he entered government a year ago, “How long can the world’s biggest borrower remain the world’s biggest power?”

The Chinese leadership, which is lending much of the money to finance the American government’s spending, and which asked pointed questions about Mr. Obama’s budget when members visited Washington last summer, says it thinks the long-term answer to Mr. Summers’s question is self-evident. The Europeans will also tell you that this is a big worry about the next decade.

Mr. Obama himself hinted at his own concern when he announced in early December that he planned to send 30,000 American troops to Afghanistan, but insisted that the United States could not afford to stay for long.

“Our prosperity provides a foundation for our power,” he told cadets at West Point. “It pays for our military. It underwrites our diplomacy. It taps the potential of our people, and allows investment in new industry.”

And then he explained why even a “war of necessity,” as he called Afghanistan last summer, could not last for long.

“That’s why our troop commitment in Afghanistan cannot be open-ended,” he said then, “because the nation that I’m most interested in building is our own.”

Mr. Obama’s budget deserves credit for its candor. It does not sugarcoat, at least excessively, the potential magnitude of the problem. President George W. Bush kept claiming, until near the end of his presidency, that he would leave office with a balanced budget. He never got close; in fact, the deficits soared in his last years.

Mr. Obama has published the 10-year numbers in part, it seems, to make the point that the political gridlock of the past few years, in which most Republicans refuse to talk about tax increases and Democrats refuse to talk about cutting entitlement programs, is unsustainable. His prescription is that the problem has to be made worse, with intense deficit spending to lower the unemployment rate, before the deficits can come down.

Mr. Summers, in an interview on Monday afternoon, said, “The budget recognizes the imperatives of job creation and growth in the short run, and takes significant measures to increase confidence in the medium term.”

He was referring to the freeze on domestic, non-national-security-related spending, the troubled effort to cut health care costs, and the decision to let expire Bush-era tax cuts for corporations and families earning more than $250,000.

But Mr. Summers said that “through the budget and fiscal commission, the president has sought to provide maximum room for making further adjustments as necessary before any kind of crisis arrives.”

Turning that thought into political action, however, has proved harder and harder for the Washington establishment. Republicans stayed largely silent about the debt during the Bush years. Democrats have described it as a necessary evil during the economic crisis that defined Mr. Obama’s first year. Interest in a long-term solution seems limited. Or, as Isabel V. Sawhill of the Brookings Institution put it Monday on MSNBC, “The problem here is not honesty, but political will.”

One source of that absence of will is that the political warnings are contradicted by the market signals. The Treasury has borrowed money to finance the government’s deficits at remarkably low rates, the strongest indicator that the markets believe they will be paid back on time and in full.

The absence of political will is also facilitated by the fact that, as Prof. James K. Galbraith of the University of Texas puts it, “Forecasts 10 years out have no credibility.”

He is right. In the early years of the Clinton administration, government projections indicated huge deficits — over the “sustainable” level of 3 percent — by 2000. But by then, Mr. Clinton was running a modest surplus of about $200 billion, a point Mr. Obama made Monday as he tried anew to remind the country that the moment was squandered when “the previous administration and previous Congresses created an expensive new drug program, passed massive tax cuts for the wealthy, and funded two wars without paying for any of it.”

But with this budget, Mr. Obama now owns this deficit. And as Mr. Galbraith pointed out, it is possible that the gloomy projections for 2020 are equally flawed.

Simply projecting that health care costs will rise unabated is dangerous business.

“Much may depend on whether we put in place the financial reforms that can rebuild a functional financial system,” Mr. Galbraith said, to finance growth in the private sector — the kind of growth that ultimately saved Mr. Clinton from his own deficit projections.

His greatest hope, Mr. Galbraith said, was Stein’s law, named for Herbert Stein, chairman of the Council of Economic Advisers under Presidents Richard M. Nixon and Gerald R. Ford.

Stein’s law has been recited in many different versions. But all have a common theme: If a trend cannot continue, it will stop.

1917) Como anda o marxismo no Brasil? (ou seria marquissismo?)

Um leitor de meu post:

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
1914) O Fim da Historia, de Fukuyama

o Equiano Santos, historiador da Bahia, mencionou em seu comentário a diatribe ocorrida algum tempo atrás a propósito de uma "resenha devastadora" que eu havia feito de um livro pretensamente marxista, organizado por um professor seu da Bahia, que se acredita marxista. O livro era este:
Jorge Nóvoa (org.) Incontornável Marx. São Paulo/Salvador: Unesp/UFBA, 2007, 407 p.
Confesso que a resenha era deliberadamente negativa (et pour cause), e mesmo que eu a tenha chamado de "nota crítica", ela simplesmente desmantelava uma compilação mal feita, com artigos medíocres (com algumas poucas exceções), de pessoas que digeriram mal Marx e seus discípulos. Mesmo tendo aposentado meus livros dessa vertente, creio conhecer o velho barbudo melhor do que muitos dos colaboradores a essa obra.
Acreditem, o livro era tão ruim que talvez nem merecesse a nota que fiz, pois falar dele já representou uma espécie de promoção ou propaganda, indevida, provavelmente.
De fato, parece que os organizadores e autores ficaram "órfãos" de outras resenhas a propósito dessa obra lamentável do ponto de vista do marxismo acadêmico, e se não fosse a polêmica involuntariamente despertada por mim, eles teriam ficado sem qualquer publicidade, coitados.

Pois bem, já que o assunto foi levantado novamente, permito-me remeter a essa "nota crítica, ao fim da qual eu recomendava aos eventuais candidatos à sua leitura que empregassem seu dinheiro de outra forma, mais apetitosa, comprando uma pizza:

Paulo Roberto de Almeida: “Marxistas totalmente contornáveis
Espaço Acadêmico (ano 7, n. 84, maio 2008, disponível neste link).

Bem, logo depois os ataques à minha resenha e, especialmente, contra a minha pessoa foram de tal forma virulentos, reveladores de um fundamentalismo tão sectário, que eu julguei por bem responder aos meus enraivecidas comentaristas, com um outro artigo, que retomava a maior parte dos ataques da tribo de esclerosados marquissistas de bar. Meu artigo-resposta foi este:

Manifesto Comunista, ou quase...: dedicado a “marquissistas” à beira de um ataque de nervos (a propósito de uma simples resenha)
Espaço Acadêmico (ano 8, n. 85, junho de 2008; disponível neste link).

Eu não diria que o bando de enfurecidos marquissistas de opereta se tenha redimido dos ataques, mas, ao ver expostos seus apelos inquisitoriais, censórios e gulaguianos, eles se guardaram de fazer novos ataques at large, ou seja, que chegassem ao meu conhecimento. Devem estar até hoje trocando insultos contra a minha pessoa, mas em privado, o que não deixa de alimentar ainda mais a sua raiva. Não fiquem com furúnculos, rapazes...

Se eu tiver tempo, algum dia, vou fazer uma análise detalhada de cada uma das contribuições a esse livro que representa um desserviço aos estudos sérios em torno do marxismo no Brasil, mostrando toda a esclerose e o reacionarismo desses marquissistas de departamentos universitários.
Por enquanto fica apenas o registro devido de um não-debate sobre um não-livro...

Paulo Roberto de Almeida (3.02.2010)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

1916) Concurso para a carreira diplomatica: alguns comentarios pessoais (esquizofrenicos, talvez...)

Depois que eu (levianamente) elaborei este post:

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
1912) Dicas para a carreira diplomatica

fazendo, como de hábito, meu anarquismo habitual em matéria de boas regras de conduta, mas atendendo, como sempre, demandas externas, alguns curiosos, legitimamente, perguntaram-me o que eu faria em termos de leituras e preparação, para me tornar um diplomata.
Sinceramente, não sei. Aliás, tudo o que eu não quero é me ocupar de concurso para o Itamaraty, por ser algo muito complicado e extremamente responsável.
Eu até acho que se eu fizesse o concurso hoje, seria reprovado, pelo menos com base na minha pouca preparação para o concurso que fiz, no século passado.
Não apenas porque as provas são realmente difíceis, o que elas são, de fato, mas também porque elas são, como dizer?, "peculiares".

Em todo caso, algumas das perguntas que recebi, foram estas:

1) O quê na sua opinião comporia uma boa base de leituras relativas ao Brasil?
2) Que obras você acrescentaria?
3) O quê você acha que falta?
4) Ou ainda: Se você tivesse que remontar a lista de “leituras brasileiras” o quê você colocaria de novo?
5) Por que você considera o CACD passavelmente esquizofrênico?
6) A carga de leitura deveria ser menor? Ou maior?
7) O que se requer de um candidato à diplomacia?
8) Quais os livros que acreditas tratarem melhor desses temas? (Independente de sua procedência)

Bem, são perguntas importantes para serem respondidas num "átimo", como diriam os italianos (sem o acento). Não vou sequer tratar aqui dos livros ou de uma bibliografia ideal, o que deixo para oportunidade futura.

Se eu tivesse esse tipo de concurso sob minha responsabilidade, não delegaria a função a "terceiros", professores de RI ou das matérias setoriais (salvo em casos muito específicos). Acho que uma comissão de diplomatas, de todas as classes, poderia elaborar algumas centenas de questões, que depois seriam selecionadas e misturadas, alteradas ligeiramente em sua redação, ou ordem (negativo, positivo, por exemplo, ou certo e errado), e depois preparadas para uma prova geral, a que se seguiriam provas setoriais.
Mas, eu começaria por abolir qualquer exigência de diploma para ser diplomata, mesmo de primeiro grau. Acredito que basta demonstrar preparação respondendo questões de forma objetiva e depois passando por uma banca seletiva para questões não exatamente objetivas.
Esse bacharelismo do Brasil me parece ridículo. Diplomata não é necessariamente alguém que tenha muitos diplomas, ou mesmo apenas um. Trata-se apenas de alguém preparado para a carreira. Isso é vocação, e pode ser por autodidatismo integral, ou seja, a pessoal aprendeu a ler com os pais, e estudou toda a vida por sua própria conta. Se não for um autista -- desses capazes de decorar uma lista telefônica inteira, e portanto apto a decorar os livros do programa oficial -- nem alguém maluco, talvez poss ser diplomata, sem diploma nenhum.
Voltarei ao assunto.
Paulo Roberto de Almeida (2.02.2010)

1915) Triste Fim de Policarpo Social Mundial (com desculpas a Lima Barreto)

Acho que o genial Lima Barreto não merece esta vinculação indevida. Ou talvez sim: ele gostava muito de fazer romances picarescos -- como, por exemplo, "O Homem que sabia Javanês", gozando do Itamaraty de sua época... -- e talvez encontrasse nesses convescotes animados do FSM um bom motivo para mais um conto de sua pluma implacável.
Bem, tentei ficar à altura desse outro gênio da raça...

Triste Fim de Policarpo Social Mundial
(Brasília, 2 fevereiro 2010, 5 p.; 2107)
Resumo e conclusão sobre o FSM-10: uma farsa, como sempre.

Publicado em Mundorama (02.02.2010; link).

1914) O Fim da Historia, de Fukuyama: agora com os links

Acho que já tinha anunciado neste espaço, mas é que agora recebi os links das respectivas publicações.

O Fim da História, de Fukuyama, vinte anos depois: o que ficou?

Paulo Roberto de Almeida
Doutor em Ciências Sociais, Mestre em Planejamento Econômico.
Diplomata de carreira, professor de pós-graduação do Uniceub.

Publicado em Mundorama (21.01.2010; link).

Republicado no Meridiano 47 (n. 114, janeiro 2010; link).
Relação de Publicados n. 949.


Sumário:
1. O que restou, vinte anos depois, da tese controversa de Fukuyama?
2. O que Fukuyama de fato escreveu?
3. Fukuyama tinha razão?
4. Do fim da História ao fim da Geografia
5. Existem opções aos órfãos do socialismo?

Resumo: Reavaliação das principais teses de Francis Fukuyama, em seu ensaio de teoria da história sobre a ausência de alternativas às democracias liberais de mercado, depois da derrocada dos sistemas socialistas e do início do processo de transição nos antigos Estados do sistema socialista, fenômeno equiparado por esse autor a um equivalente do ‘fim da História’ da tradição interpretativa hegeliana. A tese é válida em sua concepção geral, mas os processos concretos de transição não obedecem a um padrão único de organização política, econômica e social.
Palavras-chave: Francis Fukuyama, fim da História, socialismo, capitalismo.

1913) Economia brasileira: em face do ufanismo governamental, uma analise mais sobria

O BRASIL SAIU MUITO MAL DA CRISE!
Trechos da coluna de Cesar Maia, na Folha de S.Paulo (30.01.2010)

1. As projeções catastróficas feitas após setembro de 2008 e a quebra de instituições financeiras nos EUA apontavam para crise tão grave quanto a de 1929. Mas não levaram em conta que o gasto do Estado em nível mundial, como proporção do PIB, é agora quase três vezes maior. O gasto público não acompanha os ciclos econômicos e é sempre menor que a profundidade da crise. Mais ainda depois que o keynesianismo deu a receita para que cumprisse função anticíclica.

2. Sempre que se tem uma expectativa muito negativa sobre qualquer coisa e a realidade não é tão ruim quanto se imaginava, a sensação de alívio dificulta uma análise cuidadosa da crise e de seus desdobramentos. Isso ocorreu aqui no Brasil em 2009, sendo o maestro da banda o próprio presidente. Só interessava ver números de PIB e emprego. À medida que os números foram sinalizando um quadro menos sombrio, passou-se a dizer que o Brasil saíra da crise na frente. Mas o tempo vai mostrando que não foi assim. O Brasil saiu da crise muito pior do que entrou e, grave, num quadro econômico internacional muito mais competitivo.

3. A reação do governo à crise foi de um keynesianismo populista, de estímulo ao consumo. Uma inflação de 4% parece pequena olhando para trás. Mas, se levarmos em conta que o PIB caiu em 2009 cerca de 1% e que o câmbio despencou, que inflação seria essa com a economia crescendo e o câmbio num nível adequado? A taxa de juros poderia ter caído bem mais se os problemas não fossem tão evidentes. O déficit público nominal dobrou, passando para 4% do PIB.

4. O déficit em conta corrente no balanço de pagamentos vai na mesma direção, apontando em 2010 para US$ 40 bilhões. Isso reforçará a necessidade de juros altos para estimular a entrada de capitais e fechar o balanço sem recorrer às reservas. A dívida pública bruta cresce com a transferência de recursos da União aos bancos estatais.

5. O custo Brasil (infraestrutura econômica) continua subindo. A taxa de desemprego se manteve, mas com a precarização do emprego, indicativo de queda da produtividade. Com o derretimento de parte dos derivativos, a demanda agregada mundial será menor, e mais o mundo mais competitivo exigindo maior produtividade. Aqui se perdeu essa oportunidade por um populismo keynesiano. Câmbio, juros, contas públicas e externas, preços, produtividade, tudo em desalinho. Pode ser que as gorduras pré-crise segurem o tranco em 2010, até porque vale tudo em ano eleitoral. Os candidatos que se preparem para 2011.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

1912) Dicas para a carreira diplomatica

Sou frequentemente consultado bilateralmente (e por vezes multilateralmente também), por candidatos à carreira que me pedem dicas para ter sucesso nos exames de entrada.
Sou obrigado, muito frequentemente também, a decepcionar esses candidatos, pois eu nao estou no "mercado" da formação preparatória, não dou aula em nenhum cursinho, não pretendo dar, e nunca elaborei nenhum Guia de Estudos ou Manual do Candidato (ainda que algumas editoras já me tenham pedido para fazer). Não pretendo e não vou fazer, pelo menos não agora, pois não tenho capacidade, nem jeito para esse tipo de material didático.
Meu único "mercado" é o da pesquisa e o da elaboração de ensaios sobre temas da área, mas isso não tem nada a ver com os concursos de entrada, que não acompanho, nunca participei de um -- a não ser o meu próprio concurso DIRETO, muitos anos atrás -- e apenas concedo, de vez em quando, atender algum pedido especifico.
Pessoalmente, considero esse concurso do Itamaraty -- do qual tomo conhecimento episodicamente e somente induzido por alguém -- pouco representativo do que se requer de um candidato à diplomacia. A bibliografia brasileira é pobre, alguns livros são francamente risíveis, e algumas perguntas capciosas, para dizer o mínimo. Tempora...

Em todo caso, ainda hoje, alguém me pediu minha bibliografia resumida, que fiz, também a pedido, alguns anos atrás. Atenção: não se trata de livros que eu recomendaria, é apenas uma lista reduzida a partir da bibliografia então oficial. Eu teria outras escolhas e provavelmente eliminaria a maior parte do que vai abaixo. Mas, não se pode lutar contra instituições tão seguras de si quanto o Itamaraty...

Meu resumo da bibliografia oficial de 2005, que eu considerava absurdamente exagerada, foi feita, portanto, a pedido, e não renovada desde então. Não tomo conhecimento dos livros que se pedem num concurso que eu considero passavelmente esquizofrênico, e acho (mas apenas suspeito) que as leituras indicadas devem continuar em volume exageradamente alto.
A única coisa que eu posso fazer seria remeter novamente à bibliografia resumida que havia feito anos atrás, apenas recomendatória, mas suspeito que desatualizada. Agregaria apenas os dois volumes de Lessa e Altemani, sobre "Relacoes Internacionais do Brasil: temas e agendas", não por achar que sejam uma maravilha, mas por tocar na agenda diplomática corrente, cobrindo essencialmente os temas que constituem o 'ganha-pão' diario dos diplomatas, mas aqui vista por uma ótica exclusivamente acadêmica, com todos os defeitos que isso possa acarretar (já fiz uma longa resenha desses dois livros, dizendo o que penso deles).
Em todo caso, se ouso fazer uma recomendação para o concurso ainda deste ano, seriam os discursos dos próceres da nossa diplomacia (presidente, chanceler e assimilados), que devem ser lidos com atenção, pois parece que eles já fazem parte da História (com H maiúsculo) e são pedidos na interpretação dos fatos correntes, como a mais pura expressão da realidade (quem seguiu essa regra se deu bem, acreditando ou não, e provas desse tipo figuraram como exemplo do que era correto em guias passados).
Recomendo, também, para um pouco de tudo, uma consulta a esta seção de meu site, que tem uma salada geral de dicas, recomendações, comentários (faltando só alguma piada a respeito): http://www.pralmeida.org/04Temas/04AcademiaDiplom/02DiplomaciaGeral.html
Eis a bibliografia resumida, de 2005:
1481. “Recomendações Bibliográficas para o concurso do Itamaraty”, Brasília, 13 out. 2005, 6 p. Indicações resumidas a partir do Guia de Estudos do Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, versão 2005, para atender às demandas de candidatos à carreira diplomática. Circulada em listas de estudos internacionais.
Segue abaixo.
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Paulo Roberto de Almeida

Guia de Estudos do Concurso de Admissão à Carreira Diplomática, versão 2005
Recomendações Bibliográficas
Indicações resumidas por Paulo Roberto de Almeida

Nota inicial:
Como a bibliografia recomendada no Guia de Estudos do IRBr apresenta um volume considerável de leituras, elaborei, pensando nos muitos candidatos que me consultaram, ao longo dos dois últimos anos, uma lista reduzida, constando de leituras que eu pessoalmente considero essenciais. Evitei incluir novas leituras, de livros que poderiam ser recomendados, mas que não constam, atualmente, da bibliografia “oficial”, uma vez que a intenção foi, justamente, reduzir o volume total de leituras. Trata-se, obviamente, de uma escolha pessoal e portanto arbitrária, ou subjetiva, dos títulos que me parecem recomendáveis, apenas e tão somente nas matérias para as quais me julgo minimamente capacitado para opinar.

1) Indicação inicial de leituras gerais sobre o Brasil:
“A bibliografia e a orientação para estudo incluídas neste Guia de Estudos não têm caráter limitativo. Feita essa ressalva, recomendam-se as seguintes obras, com vistas a facilitar a preparação básica do candidato:
CANDIDO, Antonio. Formação da Literatura Brasileira. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1997.
FREYRE, Gilberto. Casa Grande e Senzala. São Paulo: Global, 2003.
FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2003.
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
PRADO Jr., Caio. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Brasiliense, 1996.
RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro. A formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.”

Nota PRA:
Eu pessoalmente considero que todo e qualquer candidato deve possuir uma boa base de leituras relativas ao Brasil, na qual se inclui, evidentemente, o conhecimento dos chamados “clássicos do pensamento brasileiro”. Aos que não têm tempo ou disposição para penetrar na leitura de obras por vezes maciças, em alguns casos “maçantes” (ou mesmo relativamente defasadas em relação às pesquisas mais recentes em seus respectivos campos), eu lembraria que a obra de todos esses autores, com a possível exceção de Ribeiro, já foi esmiuçada e resumida por gerações de cientistas sociais brasileiros, encontrando-se no “mercado” excelentes resumos desses livros ditos “essenciais”. Um instrumento de busca como o Google, por exemplo, ou mesmo o Google Scholar, pode ajudar na identificação desses trabalhos que, por vezes em 20 páginas, resumem o conteúdo das 300 ou 500 páginas dos originais. Por outro lado, vários desses autores são objeto de sites mantidos pela família ou por acadêmicos, admiradores ou discípulos, nos quais se encontram bons resumos e comentários das obras respectivas. Encontrei, por exemplo, um excelente site sobre o Gilberto Freyre, que traz o essencial da obra desse prolífico autor em poucos resumos muito bem feitos. Não tenho tempo de buscar, agora, os links respectivos para esses resumos ou comentários, mas agradeceria aos que o fizerem que me enviem esses endereços para inclusão numa futura edição deste pequeno Guia de Estudos resumido.

2) Teste de Pré-Seleção (TPS)
“Em termos de orientação para estudo, o TPS não comporta recomendações particulares, uma vez que não lhe corresponde um programa específico. Não obstante, cabem as indicações que se seguem, no entendimento de que não limitam o conteúdo das questões do TPS. Na preparação dos candidatos, serão certamente úteis as informações constantes deste Guia sobre as provas de Português (Segunda Fase), de História do Brasil e de Geografia (Terceira Fase). Da mesma forma, deve ser consultado o programa de História Mundial Contemporânea constante do Guia de Estudos de 2004, reproduzido ao final deste volume junto com a bibliografia pertinente.”
Nota PRA:
Considero basicamente correta essa indicação do Guia de Estudos 2005.

3) Português
Nota PRA:
Considero que a redação culta, mas não pedante, é essencial para qualquer candidato à carreira diplomática. Por isso, toda e qualquer leitura é essencial. O candidato precisa partir do requerimento básico que ele deve ser capaz de redigir pelo menos cinco páginas sobre qualquer assunto de maneira inteligente, com correção gramatical. Por isso a recomendação básica é o treino constante em redação. Tenha sempre consigo uma caderneta na qual o candidato deve se exercitar várias vezes por dia, colocando em linguagem formal os seus próprios pensamentos diários, sobre qualquer assunto. O importante é redigir bem, não o tema, necessáriamente.

Quanto à “Bibliografia sugerida” no Guia de Estudos, eu retiro os Dicionários e gramáticas, pois considero essa parte um requerimento primário, e me concentro nos seguintes livros:

SAVIOLI, Francisco e FIORIN, José Luiz. Manual do Candidato – Português. 2. ed. Brasília: FUNAG, 2001.
CAMARA Jr., Joaquim Mattoso. Manual de Expressão Oral e Escrita. 21. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.
GARCIA, Othon M. Comunicação em Prosa Moderna: aprenda a escrever, aprendendo a pensar. 21. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2002.
PENTEADO, J. R. Whitaker. A Técnica da Comunicação Humana. 8. Ed. São Paulo: Pioneira, 1993.
VANOYE, Francis. Usos da linguagem: problemas e técnicas na produção oral e escrita. Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
Nota final: Não me considero especialista em língua portuguesa para recomendar qualquer um dos livros acima indicados, mas entendo que se eles figuram na bibliografia “obrigatória”, deve ser por alguma razão.

4) História do Brasil
Bibliografia resumida por PRA:
CAMPOS, Flávio; Dohlnikoff, Miriam. Manual do Candidato: História do Brasil. 2. ed. Brasília: FUNAG, 2001.
CERVO, Amado e BUENO, Clodoaldo. História da Política Exterior do Brasil. Brasília: editora da UnB, 2002.
FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil. São Paulo: EDUSP/Imprensa Oficial, 2002. (Nota PRA: Na verdade, seria essencial ler o livro original, isto é, completo de Boris Fausto: História do Brasil, editado pela EDUSP em 1994).
HOLANDA, Sérgio Buarque de. O Brasil Monárquico: do Império à República. São Paulo: Bertrand Brasil, 1995. (História Geral da Civilização Brasileira, v. 7)
IGLESIAS, Francisco. Trajetória Política do Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 2000.
LINS, Álvaro. Rio Branco (Barão do Rio Branco): biografia pessoal e história política. São Paulo: Editora Alfa-Ômega, 1996.

5) Geografia
Bibliografia resumida por PRA:
ARAÚJO, Regina Célia. Manual do Candidato: Geografia. 2. ed.FUNAG:Brasília, 2000.
BENKO, George. Economia, Espaço e Globalização. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 1999.
CASTRO, Iná Elias de, et alii. Geografia: Conceitos e Temas. Rio de Janeiro: Bertrand, 1995.
GREGORY, Derek, et alli. Geografia Humana. Sociedade, Espaço e Ciência Social. Rio de Janeiro: Zahar, 1996.
RIBEIRO, Wagner Costa. A Ordem Ambiental Internacional. São Paulo: Contexto, 2001.
“A título de orientação, para os candidatos que desejarem aprofundar o estudo da matéria, sugerem-se as seguintes leituras adicionais:”

BECKER, Bertha & EGLER, Claudio. Brasil: Uma Nova Potência Regional na Economia Mundo. 3. ed. Rio de Janeiro: Bertrand, 1998.
CAVALCANTI, Clóvis et alii. Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Políticas Públicas. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001.
CASTRO, Iná Elias et alli. Explorações Geográficas. Rio de Janeiro: Bertrand, 1997.
MARTIN, André Roberto. Fronteiras e Nações. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1994.

6) Noções de Direito e Direito Internacional Público
Bibliografia resumida por PRA:
ACCIOLY, Hildebrando e Geraldo Eulálio do Nascimento e Silva. Manual de direito internacional público. 17ª ed. São Paulo: Saraiva, 2004.
BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 12ª ed. São Paulo: Malheiros, 2002.
BORCHARDT, Klaus-Dieter. O ABC do direito comunitário. Bruxelas: Comissão Européia, 2000. (Nota PRA: Muito material pode ser obtido no site da UE).
MELLO, Celso de Albuquerque. Curso de direito internacional público. 14ª ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2004.
MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 14ª ed. São Paulo: Malheiros, 2002.
QUOC DINH, Nguyen, Patrick Dailler e Alain Pellet. Direito internacional público. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1999.
REZEK, José Francisco. Direito internacional público: curso elementar. 9ª ed. São Paulo: Saraiva, 2002.
SEITENFUS, Ricardo. Manual das organizações internacionais. 3ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003.
SOARES, Guido Fernando Silva. Curso de direito internacional público. v. 1. São Paulo: Atlas, 2002.
THORSTENSEN, Vera. OMC: Organização Mundial do Comércio: as regras do comércio internacional e a nova rodada de negociações multilaterais. 2ª ed. São Paulo: Aduaneiras, 2001.
TRINDADE, Antônio Augusto Cançado. Tratado de direito internacional dos direitos humanos. Vol.- III. Porto Alegre: Fabris, 2003.
________. Direito das organizações internacionais. 3ª ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2003.

7) Noções de Economia
Bibliografia resumida por PRA:
VERSIANI, Flávio Rabelo. Manual do Candidato: Noções de Economia. Brasília: FUNAG, 1996.
ABREU, M. P. A Ordem do Progresso: 100 anos de política econômica republicana. Rio de Janeiro: Campus, 1992.
PINHO, D. B.; VASCONCELOS, M.A.S. (orgs.). Manual de Economia. São Paulo: Saraiva, 2004.
SAMUELSON. P. A.; NORDHAUS, W. D. Economia 16. ed. Lisboa: McGraw-Hill, 1999.

8) Política internacional
Bibliografia resumida por PRA:
MAGNOLI, Demétrio. Manual de Questões Internacionais Contemporâneas. Brasília: FUNAG, 2000, 360 p.
MORAES, José Geraldo Vinci de. Manual do Candidato - História Geral Contemporânea (séculos XVII-XX), Brasília: FUNAG, 2ª edição, 2002.
ASHWORTH, W. A short story of international economy since 1850, Londres: Longman, 1975.
BANDEIRA, Moniz. Brasil, Argentina e Estados Unidos. São Paulo: Editora Revan, 2003.
CERVO, Amado Luiz. (org.). O desafio internacional; a política exterior do Brasil de 1930 a nossos dias. Brasília: Unb, 1994.
________ & BUENO, Clodoaldo. História da política exterior do Brasil. Brasília: Unb, 2002.
GILPIN, R. M. A Economia política das Relações Internacionais. Brasília: editora da UnB, 2002.
MCNEILL, W. H. The pursuit of power. Chicago: University of Chicago Press, 1984.
MORGENTHAU, H. A política entre as nações, Brasília: Funag/IPRI, EdunB; São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2003.
MRE/FUNAG. A Palavra do Brasil nas Nações Unidas (1946-1995). Brasília: FUNAG, 1995.
PECEQUILO, Cristina S. A política externa dos Estados Unidos, Porto Alegre: UFRGS, 2003.
VIZENTINI, Paulo Fagundes. Relações Internacionais do Brasil: de Vargas a Lula. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2002.
“Os candidatos que desejarem se manter atualizados com o estado da arte das relações internacionais poderão servir-se de periódicos especializados, tais como Revista Brasileira de Política Internacional (http://www.ibri-rbpi.org.br), Política Externa (http://www.politicaexterna.com.br), Foreign Affairs (http://www.foreignaffairs.org), Foreign Policy (http://www.foreignpolicy.com) e Politique Internationale (http://www.politiqueinternationale.com), bem como das páginas eletrônicas do Ministério das Relações Exteriores (http://www.mre.gov.br) e da Rede Brasileira de Relações Internacionais (http://www.relnet.com.br).” [Agora Mundorama.]

9) História Mundial (TPS)

Bibliografia resumida por PRA:

BARRACLOUGH, G. Introdução à História Contemporânea, 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
BETHELL, Leslie. História da América Latina. São Paulo: EDUSP, 2001.
HALPERIN DONGHI, Tulio. História da América Latina. São Paulo: Paz e Terra, 1997.
HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003.
________. A Era do Capital. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.
________. A Era dos Extremos. Rio de Janeiro: Cia. das Letras, 2001.
________. A Era dos Impérios. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.
________. Nações e nacionalismo desde 1780. 3. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.
SARAIVA, José Flávio S. Relações Internacionais – Dois Séculos de História: entre a ordem bipolar e o policentrismo (de 1947 a nossos dias). Brasília: FUNAG/IBRI, 2001.
________. Relações Internacionais – Dois Séculos de História: entre a preponderância européia e a emergência americano-soviética (1815-1947).Brasília: FUNAG/IBRI, 2001.
“A título de orientação para os candidatos que desejarem aprofundar o conhecimento da matéria, ou que tiverem dificuldade em obter alguma das obras listadas acima e procurarem leitura alternativa, sugerem-se os seguintes livros adicionais:”
JOLL, James. Europe Since 1870. London: Penguin Books, 1990.
ROBERTS, J. M. History of the World. New edition. London: Penguin, 1990.
THOMSON, D. Pequena História do Mundo Contemporâneo. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1976.
VIZENTINI, Paulo. Da Guerra Fria à Crise (1945-1992). Porto Alegre: EDUFRGS, 1992.

Resumo elaborado por Paulo Roberto de Almeida
em 13 de outubro de 2005

1911) Farc, Colombia: um empreendimento narcotraficante e terrorista

Com base no que se lê abaixo, fica dificilmente compreensível a atitude do governo brasileiro em atribuir qualquer legitimidade às Farc, que seria, supostamente (como dizem os jornalistas que não querem ser processados por políticos corruptos ou declaradamente ladrões), um grupo de bandoleiros que luta alegadamente por mudanças políticas na Colômbia (!!!).

Farc vêm negociando diretamente com cartéis
Bloomberg
Valor Econômico, 01/02/2010

Os cartéis mexicanos de drogas vêm recebendo cocaína do maior grupo guerrilheiro da Colômbia, pacto que aumenta os riscos à segurança dos dois países, de acordo com um documento capturado pela inteligência militar colombiana e com um representante do governo.

A transação foi acertada em meados de 2007, em encontro entre um dos líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes, e o agente de um cartel mexicano, no esconderijo do guerrilheiro na selva, segundo uma carta escrita por Reyes a outros comandantes das Farc, à qual a Bloomberg teve acesso.

O acordo para evitar intermediários deu ao grupo de Reyes a oportunidade de dobrar seu lucro, vendendo diretamente ao cartel mexicano, segundo o representante do governo, que não quis se identificar. As Farc ganharam, no mínimo, US$ 1 bilhão nos últimos 12 meses, mas o valor poderia ser muito superior a isso, segundo autoridades a par dos negócios do grupo. O acordo fortaleceu os cartéis em um momento em que se sentem pressionados pela ofensiva ordenada pelo presidente do México, Felipe Calderón, de acordo com o integrante do governo colombiano.

"Isso seria um salto imenso e catastrófico em termos de internacionalização do padrão de tráfico de drogas das Farc", disse Jay Bergman, diretor para a região dos Andes da Agência de Vigilância Antidrogas americana (DEA, na sigla em inglês).

"Cortaria o tradicional traficante intermediário e aumentaria o volume de dinheiro que as Farc poderiam ganhar por quilo - lucro que seria gasto em munição e armamentos para perpetuar a insurgência."

A nova receita com drogas ajudou as Farc, que se transformaram de uma insurreição camponesa marxista no maior produtor mundial de cocaína, a continuar uma ameaça para o governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe.

A Colômbia produz mais de 90% da cocaína que entra nos EUA, maior mercado para a droga, segundo o Escritório de Política Nacional de Controle das Drogas, da Casa Branca.

O governo colombiano sustenta que as Farc são o maior traficante de cocaína do país. Um volume estimado de US$ 17,2 bilhões em drogas ilegais entra nos EUA por meio do México a cada ano, segundo do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

"Ouvi que a Farc obtêm entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões por ano com o comércio", disse Michael Braun, que renunciou em 2008 ao cargo de chefe de operações da DEA, em entrevista por telefone, em Alexandria, Virgínia. "Acontece que acredito que esse número é lamentavelmente subestimado."

O plano de Reyes buscou mudar a prática dos rebeldes de vender cocaína para gangues que os investigadores colombianos dizem atuar como intermediários. Em vez disso, as Farc estariam enviando as drogas diretamente para o cartel mexicano em consignação - na prática financiando o acordo e assumindo o risco da remessa, em troca da oportunidade de dobrar seu lucro, segundo a autoridade colombiana.

Reyes estava buscando novos caminhos para as Farc fazerem negócios após a ofensiva militar de Uribe, apoiada em US$ 6 bilhões em ajuda americana ter empurrado as guerrilhas para áreas cada vez mais remotas e outras situadas na Venezuela, Equador e Panamá, cortando suas receitas de extorsões e sequestros.

As Farc, cujos 45 anos de insurgência a tornaram o mais antigo grupo guerrilheiro na América Latina, vêm financiando sua luta há mais de uma década em grande parte com a venda de cocaína, dizem pesquisadores colombianos e funcionários da DEA. Os líderes das Farc, como Alfonso Cano continuar a dizer que estão lutando pelo o socialismo por meio de "luta de classes" e que estão em guerra contra o imperialismo.

Autoridades colombianas disseram, em março de 2008, que laptops de Reyes continham provas de que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, canalizara pelo menos US$ 300 milhões para as Farc, qualificadas de grupo terrorista pelo Departamento de Estado dos EUA. A incursão da Colômbia no Equador, um aliado da Venezuela, irritou Chávez, que mandou tanques para a fronteira e ameaçou "reagir de forma decisiva" à agressão colombiana.

A Colômbia também acusou Chávez de fornecer armas e abrigar guerrilheiros. Embora Chávez negue ter dado apoio às Farc, ele pediu repetidamente à comunidade internacional que reconheça o grupo como "beligerantes" legítimos, e disse que a guerrilha é um "verdadeiro exército" com objetivos políticos.

Ser capaz de obter cocaína diretamente das Farc aumentaria o poder de um ou mais dos cartéis, como os de Tijuana, Sinaloa e Juárez, disse William Hutchinson, chefe da DEA de 2001 a 2003. As Farc tinham vínculos intermitentes com os cartéis mexicanos desde a década de 1990, disse Braun.

1910) Capitalismo monopolista de Estado no Brasil

Como bem lembra meu amigo Mauricio David, que me mandou a listinha abaixo, a atuação do BNDES sob a direção de Luciano Coutinho vem sendo a de acelerar e dinamizar o processo de concentração monopolista no Brasil, uma frase típica dos marxistas dos anos 1950.

A colusão Estado - grandes empresas no Brasil, por obra e graça do presidente do BNDES

Abril de 2008
Liberou R$ 2,6 bilhões para a compra da Brasil Telecom pela Oi. Com o dinheiro, os donos da Oi (grupos Andrade Gutierrez e La Fonte) compraram o controle da BrT e formaram a gigante das telecomunicações. No fim do ano passado, liberou mais R$ 4,4 bilhões para a Oi fazer investimentos.

Janeiro de 2009
Deu aporte de R$ 2,4 bilhões para a Votorantim comprar 28% do capital da Aracruz, criando a Fibria, a maior empresa de celulose do mundo.

Maio de 2009
Na fusão de Perdigão e Sadia, o BNDES investiu R$ 750 milhões para comprar 3% da nova companhia, a Brasil Foods, maior processadora de frangos do mundo.

Setembro de 2009
Apoiou a fusão realizada entre JBS e Bertin. Antes da operação, o banco estatal desembolsara R$ 3,8 bilhões, para comprar 27% da Bertin (R$ 2,4 bi, em 2008) e 13% da JBS (1,4 bi, em 2007).

No fim do ano passado, o BNDES anunciou que vai comprar US$ 2 bilhões em debêntures emitidas pelo JBS no exterior para comprar a empresa norte-americana do setor de aves Pilgrim’s Pride.

Janeiro de 2010
Facilitou a compra, pelo grupo Andrade Gutierrez, de 33% da Cemig, então nas mãos do BNDES devido à uma dívida que AES (antiga proprietária da fatia da Cemig) tinha com o banco. A AG ficou com a dívida e com a participação na distribuidora.

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PRA: Um comentário final. Deve-se registrar não apenas o uso de dinheiro público -- ou seja, o seu, o meu, o nosso dinheiro, posto que o BNDES recebeu aportes do Tesouro em mais de 100 bilhões de reais, e deve receber ainda mais em 2010 -- em favor de empresas que poderiam tranquilamente se abastecer no mercado, interno ou externo (mas talvez não às taxas de mãe para filho do generoso BNDES, o que é restrito a elas, não extensível ao conjunto dos empresários brasileiros), mas deve-se igualmente registrar o potencial de corrupção envolvido nesse tipo de negócio. É óbvio que as empresas assim premiadas podem, e o farão, certamente, não apenas contribuir para o caixa de campanha do partido hegemônico, como também podem contribuir para o caixa pessoal de certos personagens. Isto não é uma acusação, é apenas uma suposição, com base em tudo o que se conhece do mundo e especialmente da experiência brasileira nesse tipo de promiscuidade entre o capital e o poder...

1909) FSM: triste balanco?

Quem faz a constatação não sou eu, mas um jornalista de um dos jornais mais simpáticos a essas causas "alternativas" (estou sendo irônico, claro).
Eu teria muito mais a acrescentar para condenar a vergonha que é ver jovens idealistas aclamando velhacos do socialismo que louvam Fidel Castro e Hugo Chávez. Creio, pessoalmente, que isso representa uma espécie de degradação moral, ver jovens defensores da liberdade se alinhando com desonestos intelectuais aproveitadores das benesses de governos autoritários. Triste, de fato...

Que esquerda é essa?
Fernando de Barros e Silva
Folha de S. Paulo - 01/02/2010

Como retrato da esquerda, o Fórum Social Mundial nos oferece uma imagem melancólica. De um lado, o evento, encerrado ontem, se presta a ser um palco de aclamação do lulismo; de outro, reitera sem mais dogmas anticapitalistas, fazendo tabula rasa do legado ruinoso dos experimentos coletivistas do século 20.
Em sua 10ª edição, o fórum agrega uma esquerda que transita entre o novo pragmatismo e a utopia de antigamente, sem que se detenha na crítica de nenhum dos polos. Adesista e fundamentalista ao mesmo tempo, essa esquerda age como quem quer usufruir todos os benefícios possíveis deste mundo (lulista), sem prejuízo de manter intacto o clichê do "outro mundo possível".
Entre o radicalismo vazio e o apego ao poder, haveria uma trilha menos cômoda. Algo como o compromisso com a redução das desigualdades, com o combate à corrupção em todas as suas formas e a defesa da democracia e do pluralismo -tudo combinado numa perspectiva reformista, que se paute pelo realismo sem abrir mão de princípios.
Não é isso, como se sabe, o que seduz os funcionários da utopia. Mas que esquerda é essa que vira as costas aos estudantes venezuelanos e não se manifesta contra a escalada autoritária de Chávez? Que esquerda é essa, para quem o mensalão não existiu ou acha que "a vida é assim mesmo"? Que esquerda é essa, capaz de defender a barba de Fidel Castro e o bigode de José Sarney?
Não há dúvida de que existe uma maioria bem intencionada entre os participantes do fórum. Mas o evento se tornou coisa de profissionais. Com raríssimas exceções, os intelectuais que contam não perdem mais tempo por lá. Restou um lúmpen "pensante" que fez do fórum o seu negócio. Gente, aliás, que cansou de esperar Godot e hoje enche as burras à custa do lulismo. São parasitas do Estado que adoram ressuscitar o fantasma neoliberal diante de plateias embasbacadas para manter viva a sua boquinha. Será possível ainda ser de esquerda sem parecer idiota ou espertalhão?

1908) A inteligencia nacional regride...

Ou "regressa", alguns poderiam dizer, talvez...
Não sei realmente o que anda pior no Brasil: se a educação ou a política.
Talvez ambos, a se reforçarem mútua e reciprocamente, caminhando de mãos dadas direto para o brejo...
Eu fico cada vez mais surpreendido em constatar que, quando a gente acha que já viu tudo de ruim, sempre surge algo pior para nos assustar ainda mais.
O autor abaixo é bastante conhecido por suas posições radicais.
Os problemas que ele levanta não deixam de ser menos reais e preocupantes, qualquer que seja o grau de concordância que possamos ter, ou não, com ele.
Deve-se focar nas questões concretas que ele levanta, não no personagem.
Por isso mesmo espero não receber comentários que atirem no mensageiro, como certo estudante anti-Veja que passou o tempo todo condenando a revista, em lugar de tocar na matéria em si.
Estão avisados...
Paulo Roberto de Almeida (1.02.2010)

Caindo sem parar
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 1 de fevereiro de 2010

Em editorial do dia 25 último, a Folha de S. Paulo faz as mais prodigiosas acrobacias estatísticas para induzir o leitor a acreditar que a queda do Brasil do 76° para o 88° lugar em educação básica, na escala da Unesco, representa na verdade um progresso formidável. Não vou nem entrar na discussão. Entre a Unesco, o Ministério da Educação e o jornal do sr. Frias, não sei em quem confio menos. Mas confio nos testes internacionais em que os nossos alunos do curso médio tiram invariavelmente os últimos lugares entre concorrentes de três dezenas de países. Numa dessas ocasiões o então ministro da Educação buscou até consolar-se mediante a alegação sublime de que "poderia ter sido pior". Claro: se ele próprio fizesse o teste, a banca teria de criar ad hoc um lugar abaixo do último. Seríamos hors concours no sentido descendente do termo.

Confio também na proporção matemática entre o número de profissionais da ciência em cada país e o de seus trabalhos científicos citados em outros trabalhos, tal como aparece no banco de dados da Scimago (v. o site do prof. Marcelo Hermes, http://cienciabrasil.blogspot.com/2010/01/citacoes-por-paper-numero-minimo-de.html). Aí vê-se que, em número de citações -- medida da sua importância para a ciência mundial --, os cientistas brasileiros vêm caindo de posto com a mesma velocidade com que, forçada pelo CNPq e pela Capes, aumenta de ano para ano a sua produção de trabalhos escritos. Ou seja: quanto mais escrevem, menos utilidade o que escrevem tem para o progresso da ciência. Em medicina, passamos do 24° lugar, em 1997, para o 36° em 2008. Em bioquímica e genética, no mesmo período, do 19° para o 36°. Em biologia e agricultura, do 18° para o 32°. Em química, do 15° para o 28°. Em física e astronomia, do 18° para o 29°. Em matemática, do 13° para o 28°. Não houve um só setor em que os nossos cientistas não escrevessem cada vez mais coisas com cada vez menos conteúdo aproveitável para os outros cientistas. Em doses crescentes, o que se entende por ciência no Brasil vai-se tornando puro fingimento burocrático, pago com dinheiro público em doses também crescentes. Segundo o prof. Hermes, a coisa começou em 2003, mas piorou muito (ele grafa "muito" com letras maiúsculas) entre 2005 e 2008.

No entanto, de 1999 a 2009 "houve um aumento de 133 por cento no número de artigos científicos publicados em revistas especializadas. O investimento do ministério da Ciência e Tecnologia neste setor duplicou de 2000 a 2007. O investimento privado também aumentou nesse período" (v. http://labjor09.blogspot.com/2009/03/desafios-serem-enfrentados-neste-novo.html).

Obviamente, portanto, o que está faltando não é dinheiro. É o CNPq, a Capes e o governo em geral admitirem que há uma diferença substantiva entre fazer ciência e mostrar serviço para impressionar o eleitorado.

Se essa diferença parece obscura ou inexistente para os atuais senhores das verbas científicas no Brasil (bem como para a mídia que os bajula), fenômeno similar ocorre na educação primária e média, onde o governo dá cada vez menos educação a um número cada vez maior de alunos, democratizando a ignorância como jamais se viu neste mundo.

Mas, esperem aí, coisa parecida também não acontece no ramo editorial, onde a produção crescente de livros para o público de nível universitário acompanha pari passu o decréscimo de QI dos autores que os escrevem? Confio, quanto a esse ponto, na minha própria memória de leitor. Vejam bem. Entre as décadas de 50 e 70 ainda tínhamos, vivos e em plena efusão criativa, alguns dos mais notáveis escritores e pensadores do mundo. Tínhamos Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Cecília Meirelles, José Geraldo Vieira, Graciliano Ramos, Herberto Sales, Josué Montello, Antonio Olinto, João Guimarães Rosa, Jorge Andrade, Nélson Rodrigues, Vicente Ferreira da Silva, Mário Ferreira dos Santos, Miguel Reale, José Honório Rodrigues, Gilberto Freyre, José Guilherme Merquior, além dos importados Otto Maria Carpeaux, Vilém Flusser, Anatol Rosenfeld e tutti quanti. Que me perdoem as omissões, muitas e volumosas. O Brasil era um país luminoso, capaz, consciente de si, empenhado em compreender-se e compreender o mundo. Agora temos o quê? Fora os sobreviventes nonagenários e centenários, dos quais não se pode exigir que repitam as glórias do passado, é tudo uma miséria só, uma fraqueza, a obscuridade turva do pensamento, a paralisia covarde da imaginação e a impotência da linguagem. "Cultura", hoje, é rap, funk e camisinhas, "educação" é treinar as crianças para shows de drag queens ou -- caso faltem aos pimpolhos as requeridas aptidões gays -- para a invasão de fazendas, "pensamento" é xingar os EUA no Fórum Social Mundial, e "debate nacional" é a mídia competindo com a máquina estatal de propaganda para ver quem pinta a imagem mais linda do sr. presidente da República. Nesse ambiente, em que poderia consistir a "ciência" senão em imprimir cada vez mais irrelevâncias subsidiadas?

Será possível que todas essas quedas, paralelas no tempo e iguais em velocidade, tenham sido fenômenos autônomos, separados, casuais, sem conexão uns com os outros? Ou, ao contrário, compõem solidariamente, como efeitos de um mesmo processo causal geral, o quadro unitário da autodestruição da inteligência nacional?

E será mera coincidência que toda essa corrupção mental sem paralelo no mundo tenha sobrevindo ao Brasil justamente nas décadas em que a intromissão do governo na educação e na cultura veio crescendo até ao ponto de poder, hoje, assumir abertamente suas intenções dirigistas e controladoras sem que isto cause escândalo e revolta proporcionais ao tamanho do mal?

A resposta a essas duas perguntas é: Não, obviamente não. A História não se compõe de curiosas coincidências. A debacle da vida intelectual no Brasil é um processo geral, unitário, coerente e contínuo há várias décadas, e o fator que unifica as suas manifestações nos diversos campos chama-se: intromissão estatal, governo invasivo, controle oficial e transformação da cultura e da educação em instrumentos de propaganda, manipulação e corrupção.

A cultura, a arte, a educação e a ciência no Brasil só se levantarão do seu presente estado de abjeção quando a máquina governamental que as domina for totalmente destruída, quando toda presunção de autoridade dos políticos nessas áreas for abertamente condenada como um tipo de estelionato.

A Segunda Conferência Nacional de Cultura e o Plano Nacional de Direitos Humanos não passam de conspirações criminosas destinadas a agravar consideravelmente esses males que já deveriam ter sido extirpados há muito tempo.

1907) FSM, 10 anos: um balanco maaaaagro...

Não tive tempo ainda de analisar o catatau de banalidades conceituais e outras lacunas mentais da reunião do Forum Social Mundial em Porto Alegre, na qual os organizadores esperavam diversos chefes de Estado e só um, o da casa, compareceu. Vou ainda selecionar as "pérolas" do FSM, um pouco como esses professores desocupados fazem com as "pérolas" do vestibular, do ENEM, whatever. Não que eu seja desocupado, justamente não sou e por isso ainda não tive tempo e antecipo a chatice que vai ser ler toda aquela maçaroca de ideias vazias.
Segundo confessou o próprio organizador-mór, Cândido Grzybovski, "a tendência é de que o FSM se torne 'menos anti e mais pró', substituindo o discurso de desconstrução por propostas para se chegar ao outro mundo possível."
Bem, parece que eles ainda não sabem bem onde está, como é, como deveria ser, qual o perfil, o que ele conteria de diferente, esse "outro mundo possível". Tudo fica numa vaguidão do espírito e num vazio de ideias que só as mentes pouco iluminadas que frequentam aquele piquenique conseguem se entusiasmar com o nada.
Esse organizador de reuniões vazias acha que "a edição de Porto Alegre foi mais 'enraizada'," seja lá o que isso queira dizer. "Enraizada" no quê, cara-pálida? Favor dizer, do contrário pode se começar a chamar esse pessoal de "tubérculos", enraizados por um certo tempo, mas basta puxar que sai tudo...
Enfim, a acreditar nesse divagador de conceitos abstratos, "O fórum é um espaço de construção de inteligencia coletiva, de uma nova visão, um novo imaginário, novos conceitos, e isso a partir de agora vai ser a grande tarefa."
Tudo isso não quer dizer rigorosamente nada, e eu deixo vocês com a síntese oficial do encontro.
Quem encontrar alguma ideia concreta, favor me avisar.
Paulo Roberto de Almeida (1.02.2010)

Encontro reuniu 35 mil pessoas em Porto Alegre
Agência Brasil, 1.02.2010

O Fórum Social Mundial (FSM) de Porto Alegre chegou ao fim na última nesta sexta-feira, após uma semana de debates que avaliaram os dez anos do processo que nasceu para pensar “um outro mundo possível”. Com 35 mil participantes, a edição de Porto Alegre foi mais “enraizada”, segundo um dos idealizadores do FSM, Cândido Grzybovski.

“A participação local foi muito forte, o que é um aspecto muito positivo. Tivemos aqui o melhor debate que se fez até hoje na série de fóruns, com avaliação estratégica e pensando os próximos desafios”, afirmou.

O sociólogo disse que a valorização de eventos locais é importante para fortalecer o fórum e garantir a participação. “Não somos banqueiros, donos de empresa, como os que vão a Davos [na Suíça, para participar do Fórum Econômico Mundial], somos movimentos sociais, alguns se financiam com os próprios salários”, disse.

Em uma semana, a reunião de Porto Alegre teve 915 atividades na capital e em cinco cidades da região metropolitana. A organização registrou a participação de inscritos de 39 países, de empresários a desempregados. Dos inscritos, 59,3% eram mulheres e 40,7% homens.

Na conta dos dez anos do Fórum Social, os idealizadores incluem o enfraquecimento do modelo neoliberal – que deu sinais de colapso com a crise financeira internacional – e a criação de uma sociedade civil global, que se mobiliza mundialmente.

Segundo Grzybovski, dez anos depois, a tendência é de que o FSM se torne “menos anti e mais pró”, substituindo o discurso de desconstrução por propostas para se chegar ao outro mundo possível. “O fórum é um espaço de construção de inteligencia coletiva, de uma nova visão, um novo imaginário, novos conceitos, e isso a partir de agora vai ser a grande tarefa”, apontou.

A reunião na região metropolitana da capital gaúcha foi um dos 27 eventos programados para o FSM este ano em todo o mundo. Em Salvador, por exemplo, começa nesta sexta o Fórum Social Temático da Bahia, com caráter mais governamental do que a reunião original.

Em 2011, o FSM volta a ter uma reunião centralizada, dessa vez fora de Porto Alegre. Dakar, no Senegal, será a anfitriã da reunião no próximo ano.

As informações são da Agência Brasil

1906) O diplomata e o desenvolvimento do país

Um estudioso dos temas internacionais colocou-me, três meses atrás, uma pergunta complexa, mas cativante, que não tive tempo ainda de responder adequadamente, mas que permanece no meu "pipeline" de trabalhos a fazer, uma imensa pasta de working files, que tem do bom, do mau e do feio, com alguma divisão entre os timings desses trabalhos, algo como: "urgente", "urgentíssimo", "to rework", "to do" e outras loucuras do gênero. Mas, prometo que um dia vou responder. Por enquanto limito-me a transcrever o exchange, como sinal de alerta para terminar rapidamente esse trabalho sobre

O Papel do Diplomata no Desenvolvimento do Brasil

3.11.2009
Daniel disse...
Exmº. Dr.Paulo Roberto de Almeida,
Primeiramente gostaria de prestar congratulações e respeito por vossa biografia, de fato inspiradora, acredito que para todos nós aspirantes à carreira diplomática.
Tenho 31 anos, sou odontólogo, professor auxiliar de uma Universidade pública no Rio de Janeiro e dou início, no atual momento, ao doutorado em minha área.
Entretanto, a carreira diplomática sempre me foi no mínimo instigante e exatamente pela curiosidade e pela compulsão literária, sinto-me impelido a enveredar-me por este caminho de evolução intelectual, profissional e humano. Acerca deste
último campo, me chamou muito à atenção o lado humanista da profissão, o de servir aos brasileiros, não somente ao Estado.
Tendo-se em vista as desigualdades sociais de nosso país, como a carreira diplomática pode ajudar a aliviar as claras deficiências de desenvolvimento humano em nosso país? Pelo que devemos primar em nossas carreiras para transformar crescimento do Estado, muitas vezes fomentado pela atividade diplomática, em consequente desenvolvimento humano?
Cordialmente,
Daniel G. M.

Terça-feira, Novembro 03, 2009 2:48:00 AM

Ao que eu respondi logo em seguida:
Paulo R. de Almeida disse...
Excelentes perguntas, Daniel, que eu mesmo gostaria de responder agora, se tivesse tempo e capacidade (acho que tenho alguma).
Respondendo rapidamente de forma sintética, eu diria que o papel do diplomata no desenvolvimento brasileiro é claramente acessório, pois nenhum, REPITO NENHUM, dos grandes problemas brasileiros tem a ver com o cenário internacional, ou muito superficialmente.
Todos os nossos problemas -- falta de educação de qualidade, corrupção, políticas públicas inadequadas, baixo investimento em C&T, instituições governamentais deficientes, déficit previdenciário, baixo investimento em infraestrutura, baixa poupança, pequena abertura a comércio internacional e investimentos diretos estrangeiros -- todas essas deficiências são "made in Brazil", nossos próprios pecados, e tem de ser resolvidos aqui mesmo. Mas acredito que isso vai demorar um pouco.
O diplomata, como cidadão, pode ajudar um pouco, expondo o que fizeram de certo (e de errado) outros países, e porque alguns deram certo e outros deram errado.
Nós fizemos meio certo em muitas coisas, e muito errado em outras, como em educação, por exemplo.
Mas, isso não é algo que o diplomata possa resolver, não é mesmo?
Paulo Roberto de Almeida
PS.: Vou me dedicar a responder a esse seu questionamento em algum trabalho futuro.
Obrigado por formular a questão.

Terça-feira, Novembro 03, 2009 2:54:00 AM

Bem, continuo devendo uma resposta mais elaborada, que não sei exatamente quando vou poder dar. Mas, como disse, está no meu pipeline, e agora, deixando em aberto para cobranças outras, mais ainda...
Paulo Roberto de Almeida
(1.02.2010)

domingo, 31 de janeiro de 2010

1905) Um empreendedor do conhecimento: Khan Academy

The Khan Academy is a not-for-profit organization with the mission of providing a high quality education to anyone, anywhere.

We have 1000+ videos on YouTube covering everything from basic arithmetic and algebra to differential equations, physics, chemistry, biology and finance which have been recorded by Salman Khan.

Uma pequena amostra:

Current Economics
Economics of a Cupcake Factory
Cupcake Economics 2
Cupcake Economics 3
Inflation, Deflation & Capacity Utilization
Inflation, Deflation & Capacity Utilization 2
Inflation & Deflation 3: Obama Stimulus Plan
Unemployment
CPI Index
Simple Analysis of Cost per Job Saved from Stimulus
Unemployment Rate Primer

Banking and Money
Banking 1
Banking 2: A bank's income statement
Banking 3: Fractional Reserve Banking
Banking 4: Multiplier effect and the money supply
Banking 5: Introduction to Bank Notes
Banking 6: Bank Notes and Checks
Banking 7: Giving out loans without giving out gold
Banking 8: Reserve Ratios
Banking 9: More on Reserve Ratios (Bad sound)
Banking 10: Introduction to leverage (bad sound)
Banking 11: A reserve bank
Banking 12: Treasuries (government debt)
Banking 13: Open Market Operations
Banking 14: Fed Funds Rate
Banking 15: More on the Fed Funds Rate
Banking 16: Why target rates vs. money supply
Banking 17: What happened to the gold?
Banking 18: Big Picture Discussion
The Discount Rate
Repurchase Agreements (Repo transactions)
Federal Reserve Balance Sheet
Fractional Reserve Banking Commentary 1
FRB Commentary 2: Deposit Insurance
FRB Commentary 3: Big Picture

Venture Capital and Capital Markets
Raising money for a startup
Getting a seed round from a VC
Going back to the till: Series B
An IPO
More on IPOs
Equity vs. Debt
Bonds vs. Stocks
Chapter 7:Bankruptcy Liquidation
Chapter 11: Bankruptcy Restructuring

Finance
Introduction to interest
Interest (part 2)
Introduction to Present Value
Present Value 2
Present Value 3
Present Value 4 (and discounted cash flow)
Introduction to Balance Sheets
More on balance sheets and equity
Home equity loans
Renting vs. Buying a home
Renting vs. buying a home (part 2)
Renting vs. Buying (detailed analysis)
The housing price conundrum
Housing price conundrum (part 2)
Housing Price Conundrum (part 3)
Housing Conundrum (part 4)
Raising money for a startup
Getting a seed round from a VC
Going back to the till: Series B
An IPO
More on IPOs
Bonds vs. Stocks
Chapter 7:Bankruptcy Liquidation
Chapter 11: Bankruptcy Restructuring
Return on capital
Mortgage-Backed Securities I
Mortgage-backed securities II
Mortgage-backed securities III
Collateralized Debt Obligation (CDO)
Introduction to the yield curve
Introduction to compound interest and e
Compound Interest and e (part 2)
Compound Interest and e (part 3)
Compound Interest and e (part 4)
Bailout 1: Liquidity vs. Solvency
Bailout 2: Book Value
Bailout 3: Book value vs. market value
Bailout 4: Mark-to-model vs. mark-to-market
Bailout 5: Paying off the debt
Bailout 6: Getting an equity infusion
Bailout 7: Bank goes into bankruptcy
Bailout 8: Systemic Risk
Bailout 9: Paulson's Plan
Bailout 10: Moral Hazard
Credit Default Swaps
Credit Default Swaps 2
Investment vs. Consumption 1
Investment vs. Comsumption 2
Bailout 11: Why these CDOs could be worth nothing
Bailout 12: Lone Star Transaction
Bailout 13: Does the bailout have a chance of working?
Wealth Destruction 1
Wealth Destruction 2
Bailout 14: Possible Solution
Bailout 15: More on the solution
Banking 4: Multiplier effect and the money supply
Banking 3: Fractional Reserve Banking
Banking 2: A bank's income statement
Banking 1
Banking 2: A bank's income statement
Banking 3: Fractional Reserve Banking
Banking 4: Multiplier effect and the money supply

Valuation and Investing
Price and Market Capitalization
Introduction to the Income Statement
Earnings and EPS
Introduction to the Price-to-Earnings Ratio
P/E Discussion
ROA Discussion 1
ROA Discussion 2
Depreciation
Amortization
P/E Conundrum
Enterprise Value
EBITDA

Credit Crisis
The housing price conundrum
Housing price conundrum (part 2)
Housing Price Conundrum (part 3)
Housing Conundrum (part 4)
Mortgage-Backed Securities I
Mortgage-backed securities II
Mortgage-backed securities III
Collateralized Debt Obligation (CDO)
Bailout 13: Does the bailout have a chance of working?
Credit Default Swaps
Credit Default Swaps 2
Wealth Destruction 1
Wealth Destruction 2

Geithner Plan
Geithner Plan I
Geithner Plan II
Geithner Plan 2.5
Geithner Plan III
Geithner Plan IV
Geithner 5: A better solution

Paulson Bailout
Bailout 1: Liquidity vs. Solvency
Bailout 2: Book Value
Bailout 3: Book value vs. market value
Bailout 4: Mark-to-model vs. mark-to-market
Bailout 5: Paying off the debt
Bailout 6: Getting an equity infusion
Bailout 7: Bank goes into bankruptcy
Bailout 8: Systemic Risk
Bailout 9: Paulson's Plan
Bailout 10: Moral Hazard
Bailout 11: Why these CDOs could be worth nothing
Bailout 12: Lone Star Transaction
Bailout 14: Possible Solution
Bailout 15: More on the solution

Salman Khan (Sal) founded the Khan Academy with the goal of using technology to educate the world
Sal received his MBA from Harvard Business School. He also holds a Masters in electrical engineering and computer science, a BS in electrical engineering and computer science, and a BS in mathematics from the Massachusetts Institute of Technology