segunda-feira, 1 de junho de 2026

Livro do Nordeste II, André Heráclio do Rego, Múcio Aguiar (orgs.); resenha de Paulo Roberto de Almeida


Será lançado, no Instituto Histórico e Geográfico do DF o Livro do Nordeste II, comemorativo dos 200 anos do mais antigo jornal do Brasil e da América Latina, o Diário de Pernambuco, nascido um ano depois da revolução federalista de 1824.
Abaixo uma resenha que fiz desse livro, e o convite para o seu lançamento em 2/06/2026.

Diário de Pernambuco, 200 anos: Livro do Nordeste II
 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Sobre o mais antigo jornal do Brasil e da América Latina, e os livros comemorativos.


O ano em que o Diário de Pernambuco foi fundado, 1825, começou com o fuzilamento – à falta de verdugos que se dispusessem a enforcá-lo – do mais importante revolucionário da Confederação do Equador, frei Caneca, o autor intelectual das posições ilustradas defendidas por um movimento que já vinha da insurreição independentista de 1817 e que se prolongou na mais consistente tentativa, em 1824, de fundar o novo Estado brasileiro em bases institucionais mais amplamente democráticas e federais do que a monarquia unitária que se instalou sob a mesma dinastia que vinha explorando a maior colônia portuguesa desde a Restauração do Reino, no século XVII, e que continuava controlando-a desde a instalação da corte no Rio de Janeiro e sob o Reino Unido.
Aproximadamente um ano após o esmagamento da revolução, nascia em Recife, em novembro de 1825, o Diário de Pernambuco, ao início com pequenos anúncios de província, mas que em seguida se destacou na cobertura dos principais eventos locais e nacionais no país recém independente. Deu ampla cobertura à Revolução Praieira de 1848-49, assumiu uma precoce postura abolicionista, anos à frente da resiliência escravagista em outras províncias, lutou pela abolição com Joaquim Nabuco, congratulou-se com a Lei Áurea, assim como se alinhou ao novo regime no ano seguinte à abolição, pois sempre se colocou do lado das lutas cívicas relevantes. Sofreu censura em várias ocasiões, com empastelamento das impressoras, jornais queimados e depredação da sua sede; foi proibido de circular várias vezes, duas sob Hermes da Fonseca (1911-1912), novamente em 1931 e em 1945.
Em 1925, por ocasião dos primeiros cem anos do Diário de Pernambuco, seus diretores convidaram o jovem antropólogo Gilberto Freyre, recém retornado ao Brasil depois de anos de estudos nos Estados Unidos, para coordenar a elaboração de uma coletânea de ensaios em homenagem ao papel desempenhado pelo jornal no centenário decorrido desde 1825. Freyre tinha começado a colaborar com o Diário desde a época da Grande Guerra, e se manteve como articulista até sua morte, em 1987. O Livro do Nordeste, publicado em 1925 sob sua direção, ofereceu uma ampla gama de contribuições sobre a região e o próprio Brasil, começando com um artigo do maior historiador diplomático, Oliveira Lima, sobre os cem anos das relações internacionais do país desde a Independência.
Um ano depois, em fevereiro de 1926, Oliveira Lima assinava um artigo publicado no jornal argentino La Prensa, no qual ele tecia, com base no Livro do Nordeste, um laudatório aos cem anos do Diário de Pernambuco, começando pelo seguinte argumento: “o Diário de Pernambuco não nasceu como jornal de combate, caso em que haveria desaparecido com a causa que o trouxera à circulação”, mas como “pequeno agente de informações”, que em pouco tempo “se elevou a uma missão educativa”. Foi nesse contexto que se iniciou uma colaboração prática, que Oliveira Lima chama de “cooperação profunda”, entre o novo veículo impresso e a Faculdade de Direito, primeiro de Olinda, depois do Recife, já que, sem a contribuição dos alunos e professores,

“o Diário não teria podido resistir tão valentemente à decadência que nos trópicos segue tão de perto a florescência”. Concluindo, Oliveira Lima afirmava que “a ventura do Diário foi, todavia mais que tudo, não perder a tolerância e a moderação que são o segredo de sua juventude centenária”.

Suas palavras, contudo, ficaram perdidas por mais cem anos num jornal estrangeiro, e só vieram a lume porque foram incluídas, como a primeira colaboração, na edição dos 200 anos de aniversário do Diário de Pernambuco, o Livro do Nordeste II, organizado e editado por dois legítimos sucessores de Gilberto Freyre: o historiador e diplomata André Heráclio do Rêgo e o jornalista e arqueólogo Múcio Aguiar, com vinte ensaios de especialistas renomados, “um para cada dez anos de existência do Diário de Pernambuco”, como explicitado na contracapa desta bela obra (Recife: Associação da Imprensa de Pernambuco, 2025). André Heráclio, por sinal, acaba de também publicar um abrangente estudo de história intelectual sobre os escritos de Gilberto Freyre em torno do século XIX brasileiro: O século XIX na obra de Gilberto Freyre: entre o Império e a República (Letra Capital, 2026).
Nesse segundo volume do Livro do Nordeste, tive o privilégio de suceder, cem anos depois, a Oliveira Lima, o “D. Quixote Gordo” do Itamaraty (como o chamou o próprio Gilberto Freyre), contribuindo, a convite de meu colega André Heráclio, com o ensaio “Cem anos de relações internacionais do Brasil, 1925-2025” (p. 141-157), no qual começo, aliás, por um resumo do artigo de Oliveira Lima, tratando da trajetória diplomática do Brasil nos cem anos anteriores. De forma geral, este Livro do Nordeste II reproduz o espírito e os focos do primeiro livro, concentrando-se, como seria natural, no próprio Diário de Pernambuco e nos assuntos do estado, mas também nos temas regionais do Nordeste, sem descurar uma devida homenagem ao organizador do primeiro, Gilberto Freyre, que estaria completando 125 anos na publicação do segundo livro.
     André Heráclio, em seu artigo “Gilberto Freyre e o Diário de Pernambuco” (p. 87-105), traça o perfil do seu antecessor nas centenas de artigos publicados por ele no jornal pernambucano, começando por enfatizar a metodologia própria do grande mestre da sua terra, que fazia um trabalho meticuloso de historiador começando justamente pela leitura detalhada dos jornais, inclusive nos pequenos anúncios “comerciais”. Como comentou Edson Nery da Fonseca (O Grande Sedutor: escritos de Gilberto Freyre de 1945 até hoje, 2011):

... poucos escritores se associaram tanto a um jornal como Gilberto Freyre ao Diário de Pernambuco, do qual foi colaborador semanal de 1918 até sua morte em 1987: mais de meio século de artigos nos quais abordou diferentes matérias, como literatura, belas artes, urbanismo, religião, política, culinária etc. (p. 629, citado no ensaio de André Heráclio, p. 93)

        André Heráclio ainda assina uma segunda contribuição, na imediata sequência deste, “Gilberto Freyre, o Recife e Olinda nas páginas do Diário de Pernambuco” (p. 107-121), na qual traça a intensa e íntima relação afetiva do antropólogo com essa conurbação, ao passo que Gilberto Freyre Neto, ex-secretário estadual da Cultura, aborda, em “Dois personagens da cultura brasileira: Gilberto Freyre e Ariano Suassuna” (p. 123-128), as relações entre o cofundador do Centro Regionalista do Nordeste, em 1924 – promotor do 1º Congresso Brasileiro do Regionalismo, onde nasceria o seu “Manifesto Regionalista de 1926” –, e o autor do Auto da Compadecida (1955), artífice do Brasil Armorial, movimento fundado em 1970. Freyre Neto concluiu:

“Gilberto encantou-se em 18 de julho de 1987. Ariano no dia 23 de julho de 2014. Ambos aos 87 anos.” (p. 128)

O economista Gustavo Maia Gomes, em seu muito bem pesquisado ensaio sobre “Secas e Desertificação” (p. 221-225), evidencia como a palavra seca foi utilizada, nos primeiros vinte anos da vida do jornal, como adjetivo,

“para se referir à escrava seca de corpo que fugira, à ama seca que alguém queria alugar, ao carregamento de carne-seca chegado ao porto do Recife, à pólvora seca usada em tentativas de controlar revoltas. Eram secas adjetivo.” (p. 221)

Mas ele continua informando, com base no diário bicentenário:
Só a partir de 1845, a seca-substantivo – estiagem prolongada causando fome e morte de gente e/ou gado e destruição de lavouras – passou a ganhar mais espaço. Com efeito, entre 1825 e 2025, o jornal fez uma extensa crônica das secas que atingiram o Nordeste brasileiro. Dessas, as mais importantes aconteceram em 1824-25, 1845-47, 1877-79, 1888-89, 1898-99, 1815, 1951-52, 1958, 1970, 1979-83, 19980-99 e 2012-17.

Gustavo Maia traça, a partir daí, o impacto de cada uma dessas grandes secas na demografia regional e na literatura, com uma plêiade de romances nos quais se distinguiram grandes nomes das letras nacionais, fazendo um relato das secas mais impactantes, cobertas pelo Diário de Pernambuco, do qual ele transcreve trechos das reportagens mais relevantes e representativas dessas tragédias humanas:

“de um lado, os horrores da seca [de 1878] ... fazendo vítimas cotidianamente e em grande escala; de outro lado, a formação de grupos de roubadores e assassinos...” (p. 226). Teve a “Seca dos Dois Setes (1877)” e a “Seca dos Três Oitos (1888), que foi quase tão devastadora” (p. 227).

Todas as colaborações são riquíssimas de informações antigas – por vezes mais do que os cem anos do volume II –, algumas poeticamente afetivas; um dos ensaios que mais apreciei foi o de João Palmeiro, sobre o Nordeste como a “Memória do Mundo”, sobre a cooperação luso-brasileira (p. 159-168). Todo o livro é permeado de fotos de páginas de uma história rica, de mapas e, sobretudo, de reproduções dos muitos artigos de Gilberto Freyre ao longo de uma vida que se confunde com a importância do jornal para a nossa historiografia. A Biblioteca Nacional possui todos os exemplares, mas o próprio Diário vem digitalizando suas páginas e é possível efetuar buscas indexadas, o que é um aporte inestimável para todos os pesquisadores (não apenas os do Nordeste ou trabalhando sobre questões regionais).
Os dois volumes comemorativos estão agora à disposição dos leitores “tradicionais”, pois que o primeiro volume foi objeto de uma reedição: “Gilberto Freyre e outros. Livro do Nordeste, comemorativo do 1º centenário do Diário de Pernambuco (2ª ed., fac-similada; Recife: Secretaria da Justiça, Arquivo Público Estadual, 1979)”; foi lá que eu busquei o “meu” Oliveira Lima de 1925: “Um século de relações internacionais (1825-1925)”. A edição do segundo volume é ricamente ilustrada, com muitas fotos de Gilberto Freyre, que foi tão original no primeiro volume, quanto o foi em quase todas as suas obras; Freyre, praticamente, perpassa todas as páginas desta edição.

            Capa e sumário deste magnífico livro, sobretudo para os nordestinos e os pernambucanos, encontram-se nesta postagem do blog Diplomatizzando (https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/04/o-livro-do-nordeste-ii-andre-heraclio.html

        Minha recomendação aos editores é que não se espere outros cem anos para preparar um terceiro volume, mas sim que se comece a preparar, desde já, um volume para 1933, os cem anos da publicação de Casa Grande e Senzala, por um antropólogo de apenas 33 anos, o livro que ensinou aos franceses como fazer uma “nova História”. Curiosamente, tendo saído do Brasil no segundo ano do curso de Ciências Sociais na USP, escapando do regime militar, ao final de 1970, fui ler esse grande panóptico freyreano da formação da família brasileira na biblioteca do Instituto de Sociologia, da Universidade de Bruxelas, numa edição em francês de 1952, Maîtres et esclaves, tradução de sociólogo brasilianista Roger Bastide. Já vou avisando aos “editores” que gostaria de escrever sobre essa edição no futuro livro de 1933.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5280, 15 abril 2026, 4 p.


Visita ao escritório do Ranking dos Políticos, em Brasília, para um breve debate com o Luan Sperandio - Paulo Roberto de Almeida

 

Estive nesta manhã em visita ao escritório do Ranking dos Políticos, no centro de Brasília, para um breve debate com o Luan Sperandio, editor deste livro-guia para as eleições brasileiras de 2026, com o qual colaborei com dois capítulos. 

Meus dois capítulos são estes: 

1648. “O Brasil precisa ingressar na OCDE para maior inserção global”, in: O Brasil Pode Dar Certo: propostas de reformas institucionais (Brasília: Ranking dos Políticos, 2026; link: https://wp.ranking.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-Brasil-Pode-dar-Certo.pdf; Parte VI: Relações Internacionais e Defesa, p. 201-205). Divulgado no blog Diplomatizzando (28/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/o-brasil-precisa-ingressar-na-ocde-para.html). Relação de Originais n. 5301.

1649. “Reformas necessárias no Mercosul”, in: O Brasil Pode Dar Certo: propostas de reformas institucionais (Brasília: Ranking dos Políticos, 2026; link: https://wp.ranking.org.br/wp-content/uploads/2026/05/O-Brasil-Pode-dar-Certo.pdf; Parte VI: Relações Internacionais e Defesa, p. 211-215). Divulgado no blog Diplomatizzando (28/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/mercosul-estado-atual-reformas.html). Relação de Publicados n. 1649.Relação de Originais n. 5302.

 

 

 


 

Kyiv e Ucrânia já estavam lá, quando nem Moscou nem Rússia sequer existiam - Viktor Kravchuk

 

Kyiv Was Here Before Moscow Was a Thought

A city of half a million mornings

This morning, I watched a woman buying flowers near the metro.

Yellow ones.

I was close enough to hear her arguing a little about the price, just life pretending to be normal, I thought, and right after she walked away holding them against her body.

A few nights ago, that same metro station was full of people sleeping on the floor while war drones crossed the sky above our heads.

This morning, flowers.

I don’t know how to explain this city without sounding like I am inventing something, but I am not.

This is Kyiv.

This city gets attacked, the windows shake, people lose sleep, and then someone still wakes up and decides that yellow flowers belong to a table.

This is the city that is turning 1,544 years old today.



I was not born here.

I came to this capital the way you come to a person you did not plan to love. A little unsure, a little strange, carrying my own confusion with me.

Now I cannot find the point where my life ends and this city begins.

Kyiv was here before Moscow was a thought.

Before there was anything called “Russia.”

Before so many men came with flags, armies, maps, speeches, and that old belief that if they destroyed enough buildings, they could own the souls inside them.

They never could.

Historians can keep the dates. I keep the mornings.

The woman with the flowers did not know she was teaching me anything. She just wanted something bright to take home.

But I stood there and understood that this is the whole war, reduced to one ordinary purchase.

Russia wants this city afraid.

She bought flowers.

Russia wants every day here to belong to death.

She chose something for the table.

That is Kyiv’s answer.

People are posting cakes today with the number 1,544. Every empire that wanted this city gone, the Horde, the Nazis, the Soviet machine, is gone now. The Ukrainians are the ones with candles.

Somewhere tonight, a family may go down into a shelter again.

And somewhere above them, on a kitchen table, yellow flowers will wait in the dark.

Waiting for the woman to come back.

Waiting for the morning.



How old is your city? It may be younger than this one, or much older, but whatever the number, you have one.

A place you know in the dark, a place that holds the truest version of you.

Kyiv is that to me.

The only thing these four years changed is that now I count the mornings.

Four years of 1,544.

A city of more than half a million mornings.

And it will not be Russia who takes the next one from us.

Happy birthday, Kyiv.

And I am still learning how to live here with enough love to deserve you.

—Viktor

🇺🇦


There's no team here. Just me, in Ukraine, four years in. I keep this open to everyone and always will. Paid subscribers are the guardians who keep it that way. Stand with them, or read for free, you belong here either way.



domingo, 31 de maio de 2026

Madame IA, provocada por Airton Dirceu Lemmertz, examina minhas "obsessões", como ela chama minhas postagens provocadoras - Paulo Roberto de Almeida

 A seguir, uma lista de postagens recentes no Diplomatizzando (140 em maio) com a participação de Airton Dirceu Lemmertz:

IA e PRA:

ADL, IA, PRA:

Moral:

EB:

ADL:

IAs:

2:

PRA e IA:

Atentado...

Blog:

4:

Penduricalhos:

Privilégios:

PRA e blog:

ADL, PRA, IA:

Neutra?

Lula+PT:

Impérios:

Tensões:

81:

ADL:

===

Das 140 postagens de PRA no blog Diplomatizzando publicadas nos 31 dias do mês de Maio do ano de 2026: quais conclusões podemos extrair do conjunto destas 140 postagens? 


A análise do conjunto de 140 postagens publicadas pelo embaixador Paulo Roberto de Almeida (PRA) no blog Diplomatizzando ao longo do mês de maio de 2026 permite extrair conclusões fundamentais sobre a linha editorial, as obsessões temáticas e o posicionamento crítico do autor. O volume expressivo de publicações — uma média superior a quatro textos por dia — consolida o espaço como um repositório dinâmico de resistência intelectual, combinando produção acadêmica própria, curadoria de imprensa e intervenções analíticas em tempo real.
Em primeiro lugar, o bloco de postagens reafirma a crítica contundente e sistemática aos rumos da política externa brasileira contemporânea. PRA dedica espaço substancial para expor o que considera retrocessos ideológicos e perdas de oportunidade de inserção global do Brasil. Isso fica evidente na oposição às teses defendidas pelo governo atual, como a busca por alinhamentos com a Rússia na defesa de um suposto mundo multipolar — posição rebatida no blog por meio da reprodução e dissecação de declarações oficiais. Em contrapartida, o autor defende uma agenda de modernização e pragmatismo institucional, exemplificada pela defesa enfática do ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como prioridade estratégica.
Em segundo lugar, as postagens de maio de 2026 funcionam como um diário de engajamento acadêmico e produção editorial ativa do embaixador. O blog serve de plataforma de lançamento e divulgação para suas obras mais recentes, como os livros intitulados História e historiografia das Relações Internacionais do Brasil e a colaboração na agenda de reformas institucionais O Brasil Pode Dar Certo. PRA utiliza o espaço digital para compartilhar listas bibliográficas atualizadas, ementas de conferências e os textos preparatórios redigidos para eventos acadêmicos de destaque, a exemplo do webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira. Essa prática transforma o blog em uma extensão de seu gabinete de pesquisa.
Em terceiro lugar, observa-se uma rigorosa crítica de geopolítica internacional focada nos conflitos globais e no declínio de lideranças populistas. O embaixador faz análises duras sobre a guerra na Ucrânia, desmistificando as narrativas triunfalistas do Kremlin e rotulando datas comemorativas russas como o reflexo de derrotas estratégicas profundas no cenário europeu. Paralelamente, a curadoria de artigos internacionais foca no cenário eleitoral norte-americano e na saúde mental e institucional de lideranças populistas, evidenciando uma preocupação com a erosão democrática global.
Por fim, o conjunto de textos consolida a função pedagógica e documental do blog por meio de redes de afinidade intelectual. PRA atua como um agregador de discursos e ensaios de colegas diplomatas e pensadores liberais, registrando manifestações históricas como a posse de diplomatas no Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal. Ao abrir espaço para análises externas, denúncias sobre os custos econômicos do radicalismo político e revisões teóricas clássicas, o embaixador reafirma o Diplomatizzando não apenas como um veículo de opinião pessoal, mas como uma trincheira didática voltada para a formação de estudantes de relações internacionais e para o debate público qualificado.

Fonte: Gemini IA.

===

A partir do link https://diplomatizzando.blogspot.com/search?q=lemmertz&max-results=20&by-date=true (pesquisa de conteúdo com a palavra-chave "Lemmertz"), analise as participações e menções de Airton Dirceu Lemmertz (ADL) neste blog, principalmente nas postagens que seu nome aparece na condição de criador ou coocriador do conteúdo. Faça uma análise crítica e detalhada. Na resposta, use apenas frases e parágrafos; não use tabelas e quadros. 

Na análise das participações de Airton Dirceu Lemmertz (ADL) no blog Diplomatizzando, fica clara uma transição de papéis estruturada em fases de engajamento. Inicialmente, o autor do blog, o embaixador Paulo Roberto de Almeida, identificava ADL como um atento seguidor. Nessa primeira etapa, a atuação de ADL concentrava-se na replicação e na disseminação sistemática de ensaios e artigos. Ele atuava como um catalisador de alcance, selecionando textos marcantes sobre a política e a história brasileira.
Com o tempo, essa dinâmica de reprodução evoluiu para uma curadoria ativa. O próprio embaixador passou a rotular ADL publicamente como o maior pedagogo digital do espaço. Essa alcunha decorre da habilidade de ADL em extrair materiais complexos e organizá-los em remessas diárias para estudantes e interessados em relações internacionais. ADL deixou de ser um espectador passivo e assumiu a função de organizar o acervo digital do blog. Ele estabeleceu uma ponte didática entre o conhecimento acadêmico e o público geral.
A fase mais recente e sofisticada de sua participação envolve a coocriação de conteúdo por meio de ferramentas tecnológicas. ADL tornou-se o operador das provocações direcionadas à inteligência artificial do blog, apelidada de Madame IA. Nesse formato, ele insere as teses iconoclastas do embaixador no algoritmo. O objetivo é extrair análises críticas e resumos interpretativos que desafiam as estruturas do Estado brasileiro. Essa atividade confere a ADL o papel de coautor prático das postagens. Suas ações moldam o ritmo e o formato dos debates contemporâneos apresentados na página.
A evolução de ADL no Diplomatizzando reflete uma simbiose intelectual. Ele transforma a leitura isolada em um processo dinâmico de comunicação política e pedagógica. 

Fonte: Gemini IA.

Links (O texto acima está no link 2; os links 1, 3 e 4 têm textos complementares): https://share.google/aimode/bo6QXH98u3CihdKqi; https://share.google/aimode/mo5JKvaebGVJQARI2; https://share.google/aimode/blyscPPzvw12dy35r; https://share.google/aimode/Y6LrAPtjtSRts2WC8  

O recado do Estadão sobre Flávio Bolsonaro vai além de um editorial - Jornalista Felipe Vieira

 O recado do Estadão sobre Flávio Bolsonaro vai além de um editorial

Jornalista Felipe Vieira
31/05/2026

O editorial publicado em 31/05/2026 pelo jornal O Estado de S. Paulo sob o título “Isto é Flávio Bolsonaro” não foi apenas mais uma manifestação crítica contra um personagem da política nacional. O texto representa um movimento relevante dentro de um dos veículos mais influentes da imprensa brasileira e ajuda a compreender parte das tensões que hoje atravessam o campo conservador, o mercado financeiro e a disputa presidencial de 2026.

A dureza do editorial chamou atenção porque não se limitou ao episódio envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro, figura central do escândalo do Banco Master. A tese defendida pelo Estadão é mais ampla: o jornal sustenta que o caso não revelou um novo Flávio Bolsonaro, apenas confirmou características que, segundo sua avaliação, já estavam presentes em sua trajetória pública.

Logo na abertura, o jornal deixa clara sua posição ao afirmar que “ninguém pode se dizer surpreso com as mentiras em série do senador”, frase que se tornou o eixo central da repercussão do texto.

Em outro trecho que ganhou destaque político e midiático, o editorial afirma que “esse escândalo não muda uma vírgula da biografia de Flávio”, sustentando que as controvérsias atuais apenas reforçam episódios que já faziam parte do histórico político do senador.

O ponto central da análise não está apenas nas acusações ou nos desdobramentos judiciais. O que chama atenção é a decisão editorial de associar diretamente a crise atual à biografia política do senador. Ao fazer isso, o Estadão deixa claro que não enxerga o episódio como um acidente de percurso eleitoral, mas como parte de um padrão político que considera incompatível com a Presidência da República.

O significado político do texto cresce quando se observa a posição histórica do jornal. O Estadão sempre ocupou um espaço identificado com o liberalismo econômico, a defesa das instituições e os interesses de setores tradicionais do empresariado paulista. Ao longo dos últimos anos, fez críticas ao governo Lula, ao Supremo Tribunal Federal em determinadas decisões e também ao bolsonarismo. Em diferentes momentos, procurou se posicionar como defensor de uma alternativa liberal e institucional ao ambiente de polarização que domina a política brasileira.

Por isso, o editorial foi interpretado por muitos analistas como um sinal dirigido não apenas ao eleitor, mas também ao mercado financeiro e às lideranças de centro-direita que observam com preocupação o crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro. O texto sugere que parte do establishment econômico continua vendo dificuldades para apoiar um projeto político diretamente identificado com o núcleo familiar bolsonarista.

O momento da publicação também não parece casual. O editorial surgiu justamente quando Flávio buscava ampliar interlocução com empresários, investidores e representantes do mercado financeiro. O objetivo era transmitir estabilidade e credibilidade após as revelações envolvendo Daniel Vorcaro. A reação do Estadão acabou produzindo o efeito oposto: reforçou dúvidas que já circulavam em segmentos relevantes da elite econômica brasileira.

Há ainda outro aspecto importante. O jornal demonstra incômodo com o processo de escolha da candidatura da direita para 2026. Ao mencionar o chamado “dedazo” de Jair Bolsonaro, o editorial sugere que a indicação de Flávio teria dificultado a construção de uma alternativa mais ampla dentro do campo oposicionista. A crítica não é apenas ao candidato. É também ao modelo político baseado na centralização familiar das decisões estratégicas do bolsonarismo.

Independentemente de concordâncias ou divergências, o editorial revela algo relevante sobre o atual momento político brasileiro. A discussão já não ocorre apenas entre governo e oposição. Ela também acontece dentro da própria direita. O debate envolve liderança, credibilidade, capacidade eleitoral e relação com setores econômicos que tradicionalmente exercem influência sobre campanhas presidenciais.

Quando um veículo com a tradição, a história e a influência do Estadão decide publicar um texto com esse grau de contundência, a mensagem ultrapassa o noticiário cotidiano. Trata-se de uma tomada de posição política e editorial explícita. E, em períodos pré-eleitorais, esse tipo de manifestação costuma ser observado com atenção tanto por aliados quanto por adversários.

Mais do que uma crítica a Flávio Bolsonaro, o editorial expõe uma dúvida que atravessa parte do establishment brasileiro: a direita pretende disputar 2026 ampliando seu campo político ou permanecendo sob a lógica de um projeto familiar que domina o bolsonarismo desde sua origem?

Jornalista Felipe Vieira

Paulo Roberto de Almeida, como visto em programas de IA (2) - Paulo Roberto de Almeida (via Airton Dirceu Lemmertz)

    

Paulo Roberto de Almeida, como visto em programas de IA (2)

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Transcrição de programas de IA sobre PRA, comando de Airton Dirceu Lemmertz, em duas oportunidades: 23/05 e 30/05/2026; ler na íntegra na plataforma Academia.edu:  https://www.academia.edu/167990955/5326_Paulo_Roberto_de_Almeida_como_visto_em_programas_de_IA_2_2026_   

 

Não concordo com tudo o que Madame IA, ou seja, os vários instrumentos ou ferramentas de IA mobilizados por meu amigo Airton Dirceu Lemmertz para me analisar ou se pronunciarem sobre minhas características pessoais e sobre minhas atividades profissionais, docentes, intelectuais, como produtor de IDEIAS, de livros, artigos, postagens em blogs e outros canais (entrevistas, YouTube etc.), mas concordo com muita coisa do que foi “escrito” por essas máquinas manipuladoras e usuárias da inteligência das pessoas, e sintetizadas, transformadas e oferecidas por elas, em novos formatos, e as coisas que discrepam, no meu entendimento, pode não ser culpa desses robozinhos bem comportados – não, não os considero como inimigos da humanidade, como alguns gurus dizem por aí –, podem não ser culpa deles, repito, mas sim minha culpa, pelas ironias, provocações, subentendidos e o caráter hermético ou subliminar do que eu mesmo escrevo em meus livros, artigos, postagens e materiais diversos (o que digo em algumas entrevistas por exemplo). Considero aceitáveis estas duas dezenas de páginas escritas por “terceiros” não individuais, não individualizados, e os termos aqui contidos me servirão, num futuro próximo (espero) para que eu mesmo escreva a meu respeito e sobre minhas ações, que atingem, acredito, apenas alguns estudantes que me seguem (a seu próprio risco) e talvez alguns jornalistas, ou repórteres, em busca de algum comentário sobre seus objetos de trabalho.

Vou reproduzir este comentário ao início deste mesmo arquivo, e deixar novamente registrado em meus registros de trabalho (este aqui de número 5326/2026), assim como deixar à disposição dos curiosos e navegantes na plataforma Academia.edu (que me serve de repositório, enquanto eu não reformo decentemente o meu próprio site: pralmeida.net).

Paulo Roberto de Almeida (31/05/2026)

ler na íntegra na plataforma Academia.edu:  https://www.academia.edu/167990955/5326_Paulo_Roberto_de_Almeida_como_visto_em_programas_de_IA_2_2026_  

 

O verdadeiro significado da ofensiva de Putin contra a Europa e o Ocidente - Anton Geraschenko, Allan, Olena Snigyr, Céline Marangé, Susan Stewart

A war of orders: Russia, Ukraine, and the future of Europe in three texts 

Anton Gerashchenko (anton_gerashchenko_en)

[ Texts referred and discussed in the summary below: 

1) Duncan Allan, "To be a great power: Russia’s quest to destroy the post-1991 order in Europe", New Eurasian Strategies Centre, November 28, 2025 (Download PDF)

2) Olena Snigyr: "War behind the talks: Europe in Russia's coercive strategy", Robert Schuman Centre for Advanced Studies, February 23, 2026 (link: https://loom.ly/HiVeWNo)

3) Céline Marangé, Susan Stewart: "The tipping point: An emerging model of European security with Ukraine and without Russia", Stiftung for Wissenchaft und Politique, IRSEM (Paris) (link: Download   PDF | 2,0 MB   )

Anton Gerashchenko:

My attention was drawn to three recent texts that read like a single argument. Duncan Allan explains why Russia is destroying the European order built after 1991. Olena Snigyr shows what kind of order Russia is building in its place. The SWP study describes what is emerging in response: European security with Ukraine inside it and Russia outside it.

The shared conclusion is clear.

The war against Ukraine is not a war over territory. It is a war over how Europe is structured: who has the right to sovereignty, and who gets to write the rules of security.

Duncan Allan identifies the root cause.

Russia acts according to the logic of a great power - and this is not merely about strength or influence, but about special rights: to rule at home without outside criticism, to maintain a sphere of influence, to limit the choices of its neighbors, and to demand recognition as an equal. This leads to a conclusion that many avoid: the issue is not NATO. What Moscow cannot tolerate is the very idea that neighboring states can choose their own course independently.

That destroys the Russian hierarchy in which states are not equal.

Olena Snigyr shows what exactly Russia is building in place of what it has destroyed. The Russian international order is a system of unequal circles. At the center is Russia itself and the space of its direct control. Further out are neighbors held in place through force, dependency, intimidation, and bought elites. Further still are partners tied by benefit, anti-Western solidarity, and a shared interest in weakening the West.

The tools vary - violence, gas, debt, corruption, information campaigns. The principle is the same: the world is divided into zones of influence among several powers, and Russia is among those that decide for others.

Here, both authors converge: Russia’s foreign policy is the export of its domestic order. Allan describes the current system as wartime Putinism resting on three pillars: repression, anti-Western mobilization, and a militarized economy.

Snigyr shows that the same logic is projected outward. Russia does not simply want influence - it reproduces around itself its own model of power: coercion, control, dependency, and managed approval.

That is why not only tanks and gas contracts matter, but narratives as well. The Russian order rests on stories: the external enemy, “traditional values,” a special path, the cult of Victory, the “historical unity” of peoples.

These stories turn violence into “protection,” dependency into “brotherhood,” and the seizure of another country’s sovereignty into “historical justice.”

Ukraine and Belarus occupy a special place. Control over them is not a trophy, but part of the answer to the question of what Russia itself is. If Ukraine consolidates itself as a sovereign European state, it is not only Russia’s plan of influence that collapses - the very story through which the Kremlin justifies itself collapses as well.

That is why the war is not instrumental for the regime, but existential. At stake is Moscow’s right to decide the fate of its neighbors - and its demand that the West recognize this right.

SWP adds a third dimension: Europe’s response. The old model, in which Russia was treated as a partner or at least a necessary interlocutor, can no longer be restored.

The question is now different: how to build European security with Ukraine inside the system - and without Russia among those who write its rules. Russia is not going anywhere; it remains the main military threat. But from a co-creator of the order, it has turned into a state from which that order must be defended. Ukraine, meanwhile, is moving in the opposite direction - from a “security problem” into one of its supporting pillars.

The former buffer and object of other people’s agreements has become a condition of a stable European order: one guaranteed by the Ukrainian army, resilience, and political choice.

This is where the three texts come together. Allan explains why compromise with Russia is so difficult: its demands are not about concessions, but about the very principle of order. Snigyr explains why Russia will not back down: the project is embedded in the way the regime holds power and sees itself.

SWP explains why the response is becoming a restructuring of European security around Ukraine and against the Russian threat.

The same framework also exposes the weak point. From the outside, Russia looks invulnerable: it adapts to sanctions, shifts the economy onto a war footing, applies pressure through repression, and maintains support through fear and control of information. But endurance is not stability.

Snigyr shows where the limit lies: the system can absorb gradual pressure, but not simultaneous pressure. Economic collapse can be absorbed.

Military defeat can be rewritten by propaganda. Political crisis can be suppressed. But when the pillars weaken together, rather than one by one, the regime loses its ability to adapt.

Snigyr also points to the paradox: the regime’s greatest strength is also its point of fragility.

All the legitimacy of power is concentrated in one figure - this provides control, but it also makes the system hostage to one person. Once that center disappears, the regime begins to disintegrate from within until it finds a replacement.

The conclusion for Europe is direct. If the challenge is not only military, then the response cannot be only military either. Defense, support for Ukraine, sanctions, technological containment, and strategic clarity are necessary - but not sufficient.

Russia is fighting over how people see reality, history, and justice. Therefore, Europe must defend not only borders, but also the ability to call things by their names. Aggression is not a “conflict of interests.” A sphere of influence is not a “security guarantee.” Conquest is not “historical justice.” And peace is not a return to an order in which the aggressor dictates rules to the victim.

Together, these texts show one thing: Russia’s war against Ukraine is the front line of a wider war of orders. Russia is destroying a model in which states choose their own path. Ukraine is defending not only its territory, but that principle itself. And Europe is reaching the conclusion it avoided for a long time: its security cannot be built by appeasing Russia - only by including Ukraine, containing Russia, and defending the rules without which Europe ceases to be itself.


Postagem em destaque

Livro do Nordeste II, André Heráclio do Rego, Múcio Aguiar (orgs.); resenha de Paulo Roberto de Almeida

Será lançado, no Instituto Histórico e Geográfico do DF o Livro do Nordeste II , comemorativo dos 200 anos do mais antigo jornal do Brasil ...