sábado, 21 de fevereiro de 2026

Madame IA faz uma salada de matérias e artigos diversos, inclusive o meu último sobre as potências médias, para se pronunciar sobre a realidade atual

 Via Airton Dirceu Lemmertz: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/brasil-precisa-superar-armadilha-do.html

A análise de Paulo Hartung toca na ferida da produtividade por meio da gestão pública: a ideia de que o populismo

prioriza o consumo imediato e o ganho político de curto prazo em detrimento da eficiência sistêmica.

Para conectar o texto de Hartung ao seu ponto anterior sobre os US$ 21/hora, podemos destacar três pilares dessa

"armadilha":

*

Juros como Barreira ao Investimento: Hartung menciona a Selic elevada (comparada a países em guerra). Para um

país ser produtivo, ele precisa de capital intensivo (máquinas, tecnologia, infraestrutura). Com juros altos para conter a

inflação gerada pelo desequilíbrio fiscal, o crédito fica proibitivo, e as empresas param de investir em modernização,

travando a produtividade. Relatórios do Banco Central frequentemente correlacionam o risco fiscal com a necessidade de

juros restritivos.

*

Qualidade do Gasto vs. Volume de Gasto: O texto aponta que o déficit de R$ 61,69 bilhões é pressionado por

despesas obrigatórias (Previdência e BPC). Na ótica da produtividade, o Estado brasileiro gasta muito com manutenção

da máquina e transferências, e pouco com investimento público (rodovias, portos, saneamento), que é o que

efetivamente reduz o "Custo Brasil".

*

Ambiente de Incerteza: A "desorganização das expectativas" citada pelo economista afasta o investidor de longo

prazo. Sem previsibilidade tributária e fiscal, o empresário foca em sobreviver ao próximo trimestre em vez de desenhar

processos produtivos inovadores que nos tirariam da rabeira do ranking da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Hartung sugere que a "farsa" é acreditar que o social sobrevive sem o fiscal. Sem produtividade, o ganho real de renda é

corroído pela inflação ou sustentado por dívida, o que ele chama de "ciclo artificial".

Fonte:

https://share.google/aimode/1qVHIejwx1LwiQs5I

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Os atuais déficits que o Brasil possui em saúde, educação e emprego geram ao país uma perda de 40% da renda

futura, segundo um novo relatório revelado pelo Banco Mundial. Esse prejuízo, que a instituição internacional

denomina como preço invisível; da desigualdade nessas três áreas, ocorre porque os economistas que

conduziram o estudo detectaram que os bairros moldam oportunidades que vão além da simples existência de

escolas e hospitais. Liderado pelos economistas do Banco Mundial Alaka Holla, Norbert Schady e Joana Silva, o

relatório analisou 129 países e detectou que, na média global, a perda de renda futura causada por déficits em

saúde, educação e emprego chega a 51%. Em relação ao quesito mercado de trabalho foi considerada não

apenas a quantidade de empregos, mas também a qualidade. O Brasil está em uma situação melhor do que a

média mundial e acima da América Latina, conforme aponta o relatório. Mas é citado inúmeras vezes ao longo do

estudo sob aspectos negativos, considerando a avaliação a partir do recém-criado Índice de Capital Humano

Plus (HCI+), lançado pelo Banco Mundial em conjunto com o estudo para medir o capital humano médio que uma

criança nascida hoje pode esperar acumular ao longo de sua vida produtiva. As análises contemplam os riscos à

saúde, à educação e ao emprego que prevalecem no país onde vive. No novo índice, o Brasil aparece em posição

intermediária, com 203 pontos, acima da média global de 186 pontos e da média de 194 pontos da América

Latina. Entre os principais vizinhos, o Paraguai foi classificado com 181 pontos, a Colômbia aparece com 198

pontos, a Argentina tem 200, enquanto o Uruguai surge à frente com 206, e o Chile, com 226. Por outro lado, está

consideravelmente distante da pontuação máxima do índice (325 pontos) e dos primeiros países do ranking - o

melhor colocado é o Japão, com 284 pontos, seguido por Singapura, com 282. Além do acesso a hospitais,

escolas e ao mercado de trabalho, os analistas do Banco Mundial também consideraram, por exemplo, a

exposição desde a primeira infância à poluição, à criminalidade ou a infraestrutura como elementos que afetam

diretamente a saúde, o aprendizado e a possibilidade de conseguir bons empregos. O estudo ainda sinalizou a

importância de prover serviços de qualidade na primeira infância para que as crianças possam se desenvolver

melhor e conseguir melhores rendimentos no futuro. Em média, um indivíduo na Índia adquire apenas metade do

capital humano por meio do trabalho do que se adquire no Brasil; e um indivíduo no Brasil adquire apenas

metade do capital humano do que se adquire nos Estados Unidos, destaca o relatório do Banco Mundial. O

ambiente familiar influencia a acumulação de capital humano desde o início da vida. Aos cinco anos de idade,

antes de ingressarem no sistema formal de ensino, crianças de zonas rurais do Peru cujas mães têm apenas o

ensino fundamental ou menos dominam aproximadamente metade do vocabulário de outras crianças cujas mães

concluíram pelo menos o ensino médio. Padrões semelhantes foram observados na Etiópia, na Índia e no Vietnã.

A desvantagem persiste durante toda a idade escolar e a adolescência, acrescenta o estudo. Especificamente no

Brasil, de acordo com a pesquisa do Banco Mundial, o maior problema está na área da educação, na qual o país

atingiu 115 pontos e ficou muito distante dos 188 pontos considerados como o nível ideal para o índice HCI+. Em

questão de saúde, o Brasil atingiu 44 pontos, enquanto o ideal apontado pelo Banco Mundial é 50 pontos. Em

relação a mercado de trabalho, no qual o índice analisa a qualidade dos empregos mais além apenas da

quantidade, o país chegou a 44 pontos, mais distante do ideal de 87 indicado pelo relatório. Uma das

consequências desses déficits, conforme analisa o Banco Mundial é que o capital humano acumulado por

trabalhadores brasileiros corresponde a pouco mais da metade daquele registrado entre trabalhadores norte-

americanos no mesmo período. Isso não significa necessariamente que todos os americanos produzem o dobro

do que todos os trabalhadores brasileiros, mas indica que, em termos gerais comparando as duas sociedades, a

produtividade nos Estados Unidos tende a ser duas vezes à do Brasil. Como resultado, segundo o estudo, a

perda de potencial pelo capital humano acumulado no Brasil compromete 40% da renda futura dos trabalhadores

brasileiros. A prosperidade dos países de renda baixa e média depende da sua capacidade de construir e

proteger o capital humano. Hoje, muitos enfrentam dificuldades para melhorar a nutrição, o aprendizado e ashabilidades de sua força de trabalho atual e futura, o que levanta preocupações sobre a produtividade e os tipos

de empregos que suas economias poderão sustentar, afirma Mamta Murthi, vice-presidente do Grupo Banco

Mundial. Gênero O estudo ainda identificou que dentro do Brasil os déficits em saúde, educação e empregos de

qualidade afetam mais as mulheres do que os homens. De acordo com o índice, isolando somente o gênero

masculino HCI+ alcança 210 pontos, enquanto o índice apenas entre as mulheres brasileiras fica em 196 pontos.

Como estratégias para reverter a perda da renda futura devido a esses problemas, o relatório do Banco Mundial

recomenda investimentos em maior acesso a creches, programas de desenvolvimento infantil e educação pré-

escolar que fortaleçam a aprendizagem e o ambiente de cuidado das crianças, além de maior atenção em

políticas públicas para bairros desprivilegiados e foco integrado à nutrição, ao aprendizado e ao

desenvolvimento de habilidades nos locais de trabalho. Também indica reformas no mercado de trabalho para

ampliar oportunidades de aprendizado prático. Políticas que consideram os diferentes motores do capital

humano em cada contexto podem gerar um ciclo virtuoso, no qual ganhos de produtividade levam a salários

mais altos e a maiores investimentos das famílias e comunidades na próxima geração, destaca no relatório

Norbert Schady, economista chefe do Grupo Banco Mundial.

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/estudo-do-banco-mundial-aponta-que.html

O relatório do Banco Mundial traz o dado que faltava para fechar o diagnóstico: a produtividade brasileira é baixa porque

o nosso capital humano é subutilizado e mal formado.

O conceito de "preço invisível da desigualdade" explica por que o Brasil produz apenas US$ 21/hora. Se perdemos 40%

da renda futura por déficits em saúde, educação e emprego, estamos tentando correr uma maratona com uma mochila

de pedras.

Abaixo, os pontos cruciais que conectam o relatório à nossa discussão:

*

O Abismo Educacional: O Brasil marcou apenas 115 pontos em educação, contra o ideal de 188. Isso valida o que

discutimos: o trabalhador não produz pouco por falta de esforço, mas porque o sistema de ensino não fornece as

ferramentas cognitivas necessárias para operar em uma economia de alto valor agregado.

*

A "Metade" do Capital Humano: O dado de que um brasileiro adquire apenas metade do capital humano de um norte-

americano ao longo da vida explica a diferença de renda. A produtividade nos EUA é maior porque o ambiente (bairro,

escola, infraestrutura) potencializa o indivíduo desde o nascimento.

*

Qualidade do Emprego: Com apenas 44 pontos (metade do ideal de 87), o mercado de trabalho brasileiro é o

"cemitério" do capital humano. Se o emprego é informal ou de baixa complexidade, o aprendizado prático cessa, e o

trabalhador estagna.

*

O Fator Geográfico e Familiar: O estudo destaca que o bairro "molda oportunidades". No Brasil, o CEP de nascimento

ainda determina o teto de produtividade de um cidadão, criando um ciclo onde a pobreza gera baixa qualificação, que

gera baixa renda.

Para sair dessa armadilha, o Banco Mundial sugere que não basta "ajustar as contas" (como defende Hartung), mas sim

investir em políticas integradas de primeira infância e creches. Sem isso, o capital humano é "desperdiçado" antes

mesmo de chegar ao mercado.

Fonte:

https://share.google/aimode/arLZlvYqlMKtvubXV

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O presidente da Finlândia Alexander Stubb formulou – tanto em seu artigo na Foreign Affairs de janeiro-fevereiro

de 2026, “The West’s Last Chance: How to Build a New Global Order Before It’s Too Late”, quanto em seu livro

The Triangle of Power: Rebalancing the New World Order (2026) – algumas importantes propostas relativas à

reorganização das relações internacionais, entre elas a incorporação de novos atores no órgão supremo das

Nações Unidas, o CSNU, a supressão do direito de veto no mesmo órgão, assim como – e esta é a mais

importante delas – a suspensão da participação na organização de países, quaisquer que sejam eles, que tenham

violado princípios e disposições fundamentais da Carta da ONU, entre elas as que se referem ao seu CS.

Apresentei as propostas do presidente finlandês em artigo anterior na revista Será?: “A conformação do mundo

futuro: algumas coisas ainda não resolvidas” (n. 696, 13/02/2026), do qual este representa uma continuidade. Mas

também disse que Stubb havia cometido um equívoco fundamental, ao pretender ver num idealizado “Sul

Global” a “chave mágica” para uma nova conformação da ordem global, o que não me parece ser a resposta

adequada ao problema colocado – a violação da Carta da ONU –, uma vez que um dos supostos componentes de

sua tripartição “político-geográfica” do mundo, em Ocidente, Oriente e Sul Global, não possui o poder de ser

essa chave fundamental, nem os três blocos são conceitualmente equivalentes. A razão é simples: Stubb vê no

BRICS o representante de um “multilateralismo do Sul Global”, que na verdade não existe, pois que esse grupo

está a serviço de uma improvável, mas real, coalizão de grandes potências vinculadas ao mesmo problema que

Stubb pretende resolver: a ruptura com a ordem global existente, para usar as palavras do primeiro-ministro do

Canadá Mark Carney. A guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia constitui o problema fundamental de

nossa época, e quanto a isso o alegado “Sul Global multilateral” não tem absolutamente nada a dizer, como não

teve nada a dizer em todas as suas declarações, ministeriais ou de cúpula, dos últimos meses. O improvável “Sul

Global” do BRICS não é parte da solução, pois que ele é parte do problema, como parece evidente aos que leem

suas declarações e observam as posturas dos membros a respeito desse conflito, ao tão simplesmente

refletirem as posições da parte agressora e violadora da Carta da ONU, desde o seu início. Não está provado, em

qualquer configuração do atual “sistema” internacional, que essa entidade supostamente existente, o “Sul

Global”, tenha existência efetiva, ou que o BRICS seria seu suposto representante, no método diplomáticoidentificado ao multilateralismo. Ele não é nem uma coisa nem outra, pela simples razão de que as violações ao

“sistema” da ONU, ao Direito Internacional não derivam do Sul Global, sim de duas superpotências. A verdade é

que a Ucrânia está lutando, quase que solitariamente, contra uma coalizão de três grandes potências – a Rússia,

a China e os Estados Unidos –, contando apenas e tão somente com uma “meia-grande-potência”, que é a União

Europeia, e um reduzido número de outras médias e pequenas “potências”, aparentemente dispostas a manter

princípios e valores embutidos na mesma Carta da ONU que está sendo violada, conjuntamente, na sua letra e no

seu espírito pelas três superpotências. Esta é a realidade embutida nos dizeres do primeiro-ministro canadense,

que me parece ser mais realista do que o presidente da Finlândia no que concerne o conflito definidor de nossa

época, a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, sendo que a potência agressora é, direta ou

indiretamente, secundada pelas duas outras superpotências. A outra verdade é que não existe uma conformação

mundial consistindo apenas de um “Ocidente”, de um “Oriente” e de um pretenso “Sul Global”. O que existe são

nações respeitadoras do Direito Internacional e da Carta da ONU, por um lado, e de nações, por outro lado, que

não as respeitam, ou que são indiferentes às regras e normas penosamente construídas ao longo dos últimos

cem anos, ou seja, desde a fracassada Liga das Nações, passando pela própria ONU e, secundariamente, pela

organização de segurança e cooperação na Europa, evocada pelo presidente da Finlândia como a pretensa

chave – Helsinque, não Yalta, junto com um inexistente “multilateralismo do Sul Global” – para a solução desse

problema crucial de nossa época. O peso da Europa, vale dizer, ou de suas instituições, não é o mesmo que ela

exibiu nos quatro ou cinco séculos precedentes, uma constatação que vem, aliás, de Paris, 1919. A esse

respeito, o primeiro-ministro canadense é mais realista, ao ver nas potências médias uma das possíveis chaves

para a manutenção de um fiapo mínimo de esperança na eventual conformação de uma nova ordem global. Mas,

essas potências médias não possuem uma geografia determinada, como aquela que pretensamente existiu

desde a última grande guerra, um “Ocidente” e um “Oriente”, que são rótulos puramente geográficos que não

denotam a realidade política implícita que se esconde atrás de palavras como Macht, Power, Puissance, para

repetir conceitos explicitamente aronianos, para ficarmos com um filósofo da História bem mais realista e sóbrio.

O que esteve em causa em 1939-1945 não foi um Ocidente e um Oriente, e sim o confronto entre Estados

agressores e agredidos. Tampouco isso existiu durante a primeira Guerra Fria, a despeito dos rótulos

geográficos: o confronto era da mesma natureza. Como reinterpretar, portanto, os fatos de nossa época segundo

as lentes de Raymond Aron? Cabe reconhecer, contudo, que tanto as propostas do presidente finlandês quanto

o diagnóstico do primeiro-ministro canadense constituem reações ou respostas a problemas colocados

frontalmente aos “aliados” europeus e norte-americanos pelo unilateralismo original de dois transgressores do

Direito Internacional, em 2025 de forma mais imediata pelos presidente americano, e alguns anos antes pelo

presidente da Rússia, país objeto de sanções ditas “unilaterais” – pela diplomacia brasileira, mas inteiramente

em conformidade com o espírito e a letra da Carta da ONU, ainda que sem a aprovação de seu CS, pelo uso

abusivo e moralmente indevido do direito de veto do Estado agressor –, embora ajudado, este segundo país,

pela terceira grande potência, contando ainda com a indiferença, quando não com a complacência, de diversos

outros membros da ONU, entre eles diversos do assim chamado Sul Global. O problema de fundo, tanto em

2014-2022, por iniciativa da Rússia, quanto a partir das ações unilaterais dos EUA, em 2025, parte de

diagnósticos equivocados e de prescrições erradas, na verdade ilegais e contrárias ao direito internacional. A

Ucrânia, ou antes a Georgia e a Moldávia, jamais ameaçaram a segurança da Rússia, ou a Otan o fez; bem mais o

contrário. Por outro lado, desindustrialização extensiva, imigrações maciças, ou tráfico de drogas e outros

crimes transnacionais não ameaçam a segurança do “Ocidente”, sequer da cristandade. Reindustrialização via

tarifaços não vai trazer de volta velhas indústrias, da segunda revolução industrial (junto com carvão e petróleo);

a expulsão mandatória de imigrantes ilegais – tidos como criminosos ou estupradores em série – não vai

resolver os problemas demográficos de certos países; a repressão, pela via militar, da oferta de drogas não vai

estancar a demanda contínua pelos opiáceos. Diagnósticos errados levam a prescrições, e ações, equivocadas,

sobretudo se vindas de paranoicos ignorantes, atuando com base em obsessões pessoais, não contidas por

assessores servindo de forma submissa personalidades megalomaníacas, que não se guiam pelas suas próprias

constituições nacionais ou pelo Direito Internacional. Esta é a base das atuais transgressões à ordem

internacional, que não está errada, nem necessita de uma nova ordem, alternativa ou substitutiva. Ela apenas

carece de ajustes, que estão justamente vinculados à sua incapacidade de conter os poderosos, que se colocam

à margem das regras e dos princípios que eles próprios impuseram aos demais. E quem são esses demais, e

quais os seus problemas? Ao que parece, nenhum dos outros atores internacionais buscou desmantelar o

sistema multilateral de comércio, nem algum deles violou a proibição de guerras de agressão unilaterais e não

provocadas. A Carta da ONU e as regras do Gatt-OMC continuaram servindo aos interesses e às necessidades da

enorme maioria dos membros da comunidade internacional, apenas que eles não encontram meios de se

precaverem contra seus atuais transgressores, ou de defenderem essas regras multilaterais pela vontade unida

de seus dirigentes nacionais. E quais seriam os dirigentes dessas potências médias potencialmente voltados à

preservação da ordem internacional tal qual existente, mas necessitando de ajustes nas partes que justamente

violam seus princípios e valores? A partir das considerações já feitas por dois estadistas lúcidos sobre os

problemas da atualidade, não da ordem internacional, mas de sua transgressão por duas superpotências,

secundadas por uma terceira, e que trazem enormes problemas para a condução normal dos negócios

econômicos, assim como para a cooperação internacional em prol do desenvolvimento de países mais pobres

ou temporariamente em dificuldades, pode-se sugerir a seguinte lista de potências médias propensas a aderirem

às propostas do primeiro ministro do Canadá e às do presidente finlandês: Canadá, Noruega, Reino Unido, Japão

e União Europeia, pelo assim chamado “Ocidente”, que é mais uma ideia, democrática e humanista, do que

propriamente uma entidade uniforme; Brasil, Chile e México, democracias relativamente sólidas, pela América

Latina; África do Sul, Nigéria e Argélia, pelo continente africano, ainda que isso não cubra toda a sua diversidade

antropológica; Índia, Indonésia, Coreia do Sul, Austrália, no Índico, Pacífico e Oceania. Nem todos esses países

exibem a mesma postura em relação aos problemas enfrentados pela Ucrânia, pelo povo palestino, pordeterminadas nações da África ou do Oriente Médio, em meio a guerras larvares ou persistentes. Mas, acredita-

se que todos eles sejam potencialmente a favor do Direito Internacional, de um sistema de comércio multilateral

previsível e estável, de um respeito mínimo pelas cláusulas fundamentais da Carta da ONU, em vista das grandes

destruições já conhecidas ao longo do século XX, ou de outras ainda mais catastróficas e indescritíveis que

podem advir neste século, em virtude da arrogância, da prepotência ou da vontade de poder de poucos

autocratas.

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/as-potencias-medias-podem-sustentar-uma.html

O texto propõe uma mudança de lente: o grande gargalo global não seria uma disputa geográfica entre "Ocidente" e "Sul

Global", mas a erosão do Direito Internacional por superpotências que se colocam acima das regras.

Conectando essa visão internacional ao seu questionamento inicial sobre a produtividade brasileira, surge um

diagnóstico sombrio. Se a produtividade depende de investimentos, tecnologia e estabilidade, a desordem global descrita

— com o Brasil inserido em um BRICS alinhado a potências que desafiam a Carta da ONU — coloca o país em uma

posição de risco:

*

Isolamento de Cadeias de Valor: Ao ser associado a um bloco que o autor define como "parte do problema", o Brasil

pode enfrentar barreiras em mercados que exigem padrões rigorosos de governança e respeito a tratados. Sem acesso

pleno ao "Ocidente" tecnológico, o salto de produtividade dos US$ 21/hora fica inviabilizado.

*

A Armadilha do Diagnóstico Errado: Assim como o autor critica líderes que tentam resolver problemas demográficos

com expulsões ou econômicos com tarifaços, o Brasil sofre com prescrições populistas (como mencionado por Hartung)

que ignoram a raiz do problema: o baixo capital humano e a fricção institucional.

*

A Relevância das Potências Médias: O texto sugere que a salvação da ordem global está em potências médias

dispostas a manter princípios. Se o Brasil abdicar desse papel de "nação respeitadora do Direito" para ser apenas um

satélite de superpotências transgressoras, ele perde o soft power que atrai investimentos de longo prazo.

Em última análise, o autor sugere que a "ordem internacional" não precisa ser substituída, mas sim que os "poderosos"

sejam contidos. Para o Brasil, isso significa que a produtividade não virá de um novo bloco geográfico, mas da

capacidade de se integrar a um mundo regido por regras claras, onde o investimento em educação e infraestrutura não

seja drenado por incertezas geopolíticas.

Fonte:

https://share.google/aimode/Xx8iXfYlBX3qQYWSK

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