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sexta-feira, 3 de julho de 2020

O Itamaraty humilhado - Guilherme Amado

O ITAMARATY HUMILHADO

Na semana passada, Ernesto Araújo solicitou ao órgão que fossem recolhidos os principais feitos de sua gestão. Não tem sido fácil. Saltam aos olhos o que o Brasil perdeu neste um ano e meio: influência, respeito, espaço

GUILHERME AMADO
Revista Época, 03/07/2020 - 03:00

Ernesto Araújo tenta escapar da caça aos olavistas na Esplanada.
O Itamaraty sob Araújo teve aproximação cega com Trump e perdeu influência na América Latina e na Europa.

Ernesto Araújo chegou ao momento de maior fragilidade de seu um ano e meio no comando da chancelaria brasileira. Sob pressão do núcleo mais racional do governo, em parte formado pela equipe econômica, em parte pelos militares da reserva e da ativa com cargos no governo, Araújo disparou na semana passada um e-mail para as secretarias do Itamaraty solicitando que fossem recolhidos com os diversos departamentos e divisões os principais feitos de sua gestão. O objetivo é preparar um dossiê positivo para levar a Bolsonaro e calar as críticas de que os excessos ideológicos do chanceler estão atrapalhando a agenda brasileira no exterior. Não tem sido fácil, segundo diplomatas incumbidos de fazer o levantamento. Saltam aos olhos, mesmo entre sua equipe mais próxima, o que o Brasil perdeu neste um ano e meio: influência, respeito, espaço. Ganhou atritos desnecessários com a China, o Irã e os países árabes, em nome de uma aproximação cega, sem benefícios claros, com os Estados Unidos e com Israel. Perdeu importância na América Latina. Tudo isso e um tanto mais têm sido usados contra Araújo pelos mesmos que celebram a disposição de Bolsonaro de colocar alguém menos aloprado no Ministério da Educação. Derrubado Weintraub, o próximo tentáculo olavista a ser cortado é o chanceler. E ele não tem muito tempo para tentar reverter isso.
Até hoje perdura no Itamaraty a dúvida sobre se Ernesto Araújo teve um tremendo senso de oportunidade, ao perceber antes de muitos a enorme chance de vitória que a extrema-direita teria em 2018 ou se ele é de fato um true believer em tudo que escreve e diz. O artigo “Trump e o ocidente”, publicado ao fim de 2017, em que o chanceler faz uma defesa da política externa trumpista, cita de maneira positiva o filósofo fascista Julius Evola e namora teses olavistas, foi sua melhor vitrine. Aquelas foram as linhas que despertaram o interesse de Eduardo Bolsonaro, o filho de Bolsonaro que queria ser embaixador nos Estados Unidos, mas admitiu em uma entrevista não saber quem foi Henry Kissinger. Correndo em páreos com adversários sem muita bagagem — o assessor internacional de Bolsonaro, Filipe Martins, é um influenciador digital de 30 e poucos anos —, Araújo se tornou um dos mais extremistas da Esplanada, transformando o Itamaraty em um órgão cada vez mais de governo e menos de Estado.

Nesse período, um dos momentos em que o Itamaraty mais foi humilhado em nome do extremismo foi quando a Fundação Alexandre de Gusmão, o braço de estudos do Itamaraty, organizou transmissões ao vivo com militantes olavistas investigados no Supremo Tribunal Federal no inquérito das fake news e no dos ataques às instituições democráticas.
Mas a humilhação também se dá na atividade fim do Itamaraty. O chanceler articulou a saída do Brasil de fóruns regionais como a Unasul e a Celac; encerrou as atividades de sete embaixadas na África e no Caribe, abertas nos anos do PT, em nome do projeto de dar ao Brasil mais influência na ONU; mudou posições históricas do Brasil em organismos multilaterais para agradar aos Estados Unidos; e afastou o país do primeiro time europeu, privilegiando Hungria e Polônia, também governadas pela extrema-direita e com quem as relações comerciais brasileiras têm pouquíssima complementaridade. Bolsonaro, aliás, até hoje não visitou oficialmente a Europa.

“DESDE COLLOR, TODOS OS PRESIDENTES ELEITOS FORAM RECEBIDOS EM PELO MENOS TRÊS PAÍSES EUROPEUS COM HONRAS DE CHEFES DE ESTADO”
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O ex-capitão foi somente à Suíça, no Fórum Econômico Mundial de 2019, o que não equivale a uma visita de Estado.
A voz brasileira hoje também não tem mais a força que tinha na América Latina. O Brasil era o único capaz de fazer pontes entre todos os matizes ideológicos do continente. Na questão venezuelana, vai se tornando claro que não haverá saída sem o grupo de Nicolás Maduro, com quem o Brasil cortou relações e consequentemente a capacidade de influenciar os rumos do país.
As relações com a Argentina estiveram em seu pior momento quando Bolsonaro se meteu na eleição daquele país e, diante da vitória de Alberto Fernández, cogitou ser o primeiro presidente brasileiro na história recente a não ir à posse presidencial. A missão brasileira em Buenos Aires está em seu momento de maior inércia. Nada de efetivo avança sob Araújo, que privilegia a diferença ideológica aos interesses de dois parceiros históricos.

Bolsonaro, entretanto, foi muito aos Estados Unidos. Esteve mais com Donald Trump do que na maioria dos estados do Nordeste e do Norte. A adesão cega aos americanos rendeu problemas com a China, o Irã e, de concreto, a deportação de centenas de brasileiros detidos como imigrantes ilegais. O presidente e sua família colaram sua imagem à de Trump de uma maneira que, caso o republicano seja derrotado por Joe Biden em novembro, hoje uma hipótese factível, o Planalto terá dificuldade para reconstruir a relação com a Casa Branca.
Mas a realidade não parece ser a dimensão de atuação do chanceler. Na reunião ministerial de 22 de abril, aquela cujo vídeo veio à público, o chanceler disse acreditar no nascimento de uma nova ordem global após a pandemia, em que o Brasil seria um dos protagonistas. “Eu estou cada vez mais convencido de que o Brasil tem hoje as condições, tem a oportunidade de se sentar na mesa de quatro, cinco, seis países que vão definir a nova ordem mundial”, disse.

O Itamaraty deverá fazer, por ordem do chanceler, uma série de tuítes contando os tais feitos. A lista deverá falar em aumento do número de parceiros comerciais. Entretanto, alguns diplomatas vêm pontuando que houve uma redução de 20% nas exportações brasileiras de 2018 para 2019, de US$ 58 bilhões para US$ 46 bilhões. Araújo também quer que seja incluída como conquista uma maior aproximação com o Golfo Pérsico. Mas, nesse meio-tempo, houve uma crise com o Irã, em janeiro, devido ao respaldo brasileiro ao ataque americano que matou o general iraniano Qassem Soleimani. Países do Golfo Pérsico que compõem a Liga Árabe também se indispuseram com a disposição do governo para trocar a embaixada em Israel de Jerusalém para Tel-Aviv.
Fora os tuítes, as transmissões ao vivo também têm sido uma maneira de ele tentar driblar as críticas. Para constrangimento de muitos, tem convocado os diplomatas a participar com ele das gravações. Há duas semanas, assim foi com os diplomatas André Simas e Ricardo Canto, do Departamento Econômico do Itamaraty, chamados para uma live sobre o papel do ministério na retomada econômica pós-pandemia. Dirigindo-se aos dois, perguntou, de maneira debochada: “Queria fazer uma pergunta para meus colegas. Diante de tudo isso que estamos conversando, o que vocês acham de alegações que existem por aí de que a nossa política externa prejudica nossos interesses comerciais e econômicos? Queria pedir a opinião de vocês, muito sincera e franca”. A resposta, claro, não teve críticas.

Mas, se quiser convencer quem pressiona Bolsonaro por sua degola, o chanceler terá de fazer mais do que colher afagos de subordinados.
Com Eduardo Barretto e Naomi Matsui

https://www.google.com.br/amp/s/epoca.globo.com/guilherme-amado/o-itamaraty-humilhado-24512129%3fversao=amp

Rejeição da ciência na crise tem origem em doutrina tradicionalista, diz autor - Beatriz Bulla

Rejeição da ciência na crise tem origem em doutrina tradicionalista, diz autor
Especialista em extrema direita diz que crise atual faz movimento - que atua nos bastidores e coloca a espiritualidade e religiosidade no centro do debate político - ganhar mais influência
Entrevista com
Benjamin Teitelbaum, autor de 'War for Eternity - Inside Bannon's Far-Right Circle of Global Power Brokers'
Beatriz Bulla / Correspondente, O Estado de S.Paulo
02 de julho de 2020 | 11h58
Desdenhar da ciência na atual pandemia é um traço comum de governos que têm, nos bastidores, pessoas ligadas a uma filosofia conhecida como tradicionalismo. É o que defende o pesquisador Benjamin Teitelbaum, autor do livro "War for Eternity - Inside Bannon's Far-Right Circle of Global Power Brokers” (em tradução livre: Guerra pela eternidade - dentro do círculo dos poderosos de direita radical de Bannon).
Teitelbaum é especialista extrema direita e professor de relações internacionais da Universidade do Colorado. Durante quase dois anos, ele acompanhou reuniões de Steve Bannon, ex-assessor do presidente americano Donald Trump, e nome considerado responsável por bandeiras que ganharam apoio em outros países como a crítica à imigração e a defesa do nacionalismo.
No livro, o americano traça a forma de ação informal de Bannon e as relações com nomes como o conselheiro de Vladimir Putin Aleksandr Dugin e o ideólogo do governo BolsonaroOlavo de Carvalho, unidos pela doutrina do tradicionalismo. Em entrevista ao Estado, Teitelbaum explica por que o tradicionalismo vê na crise atual a oportunidade para ganhar ainda mais influência. Tradicionalistas, segundo ele, atuam sempre nos bastidores e, entre outras características, colocam a espiritualidade e religiosidade no centro do debate político e social.
A crise atual pode tornar os 'tradicionalistas' mais influentes?
Há figuras no governo brasileiro que rejeitam a expertise profissional e científica. Bolsonaro, Ernesto Araújo, Olavo de Carvalho e toda essa ala do governo. As pessoas não percebem que isso pode vir das referências da ideologia tradicionalista. Há um tipo de incentivo religioso para desacreditar os conselhos de cientistas e profissionais que têm mérito oficialmente reconhecido. Isso esteve neste governo brasileiro o tempo todo.
Eles não gostam de universidades, do establishment político, da imprensa, desacreditam qualquer um que tenha credenciais oficiais. Outro aspecto visto é que pessoas como Ernesto Araújo explicitamente conectam o vírus à China e ao comunismo, de um lado, e à globalização, do outro, pelo fato de haver essa disseminação enorme do vírus pelo mundo e sua superação de fronteiras.
Há tradicionalistas que esperam que isso possa reforçar fronteiras, esse sentimento nacionalista. Há esse potencial. Não é que os tradicionalistas tentem fazer disso um caso de sucesso, é como se sentissem que não precisam fazer nada e poderão sair dessa crise com mais valor no nacionalismo. Mas, da perspectiva deles, a crise também é traiçoeira, porque há o argumento de que isto é algo que saiu da China, que tenta fazer uma espécie de um só governo mundial. 
Claramente Ernesto leu René Guénon (francês, considerado um dos precursores da doutrina tradicionalista ao lado do italiano Julius Evola) e Dugin. Olavo também. Acho que é relevante o fato de que essas pessoas, com um fervor suplementar, estão dispensando conhecimento científico. Todos os governos populistas de direita pelo mundo tiveram reações variadas sobre a pandemia. Muitos têm líderes anti-establishment. Mas há uma intensidade maior com essa dimensão espiritual, de uma forma que acho que é importante que brasileiros entendam.
O Brasil está em posição diferente de outros países na crise atual?
Com Trump (EUA), você vê Anthony Fauci e a força-tarefa (de combate ao coronavírus) conseguindo conduzir um pouco a situação. Quando você olha internacionalmente vê Rússia, Brasil, EUA e Índia neste cenário. Em termos de países que rejeitaram medidas protetivas contra o vírus, temos visto dois tipos diferentes de ideologia de direita. Uma, com os liberais pró-mercado e capitalistas, que que querem priorizar a economia.
O Brasil tem isso no ministro da Economia. Do outro lado, você tem os populistas de direita com conspirações, que podem ou ir para a direção do alarmismo e defender o isolamento do país ou acusar uma suposta conspiração produzida pelo establishment. No Brasil, há esta última opção. Há no Brasil o capitalista de mercado livre e também a atitude desdenhosa, conspiratória, juntos em um só governo. Isso é bem incomum, vejo o Brasil como um caso único. 
O fato de os tradicionalistas rejeitarem a ciência, em um momento em que só a ciência consegue nos guiar, não pode gerar forte reação contra governos que seguem essa linha?
Pode haver uma repreensão poderosa, realmente. Em várias partes do mundo, a rejeição da ciência e da experiência é motivada e alimentada por alguns ideólogos de governos que acham que o conhecimento científico é uma piada completa, isso pode provocar um desprezo em relação a esses governos em alguns países e aos influenciadores ideológicos que vivem neles. Absolutamente.
O que será determinante na reação à crise? O que pode enfraquecer essa doutrina ou fortalecê-la nos próximos meses? 
Se a média das pessoas relacionar o fechamento de fronteiras com um grande ganho em termos de saúde, isso pode produzir o ressurgimento do tradicionalismo. Será um passo em direção à segurança, a uma sociedade mais fechada, essencialmente em um momento em que as pessoas têm medo e também sentem que o mundo exterior é uma ameaça para elas.
Do outro lado, os governos inspirados por tradicionalistas podem ignorar todas as indicações ou conselhos de especialistas médicos e colocar em risco suas populações. O complicado aqui é que o tradicionalismo atua nos bastidores, não é conhecido pelas pessoas comuns. Não é como se houvesse um partido político tradicionalista tentando ganhar votos. É bom ter isso em mente. Mas, para responder à sua pergunta, acredito que será uma questão de ter as fronteiras mostradas como proteção versus a responsabilização pela morte e destruição como causa da rejeição à ciência.
Decisões de fechamento de fronteiras estão sendo tomadas no mundo todo. Em um governo com tendências nacionalistas e avesso à imigração, como o de Trump, é possível dizer se medidas de suspensão de entrada de estrangeiros são influência tradicionalista ou parte da conjuntura mundial?
Eu não acho que seja ou um ou outro. Ambos são verdadeiros. Vamos pegar o papel do tradicionalismo no governo Trump. Havia alguém com uma energia fanática, Steve Bannon, que via algo que já existia em Trump. Trump não é um tradicionalista, ele não iria ler nenhum desses livros. Mas Trump é nacionalista, instintivamente gosta de fronteiras, controle e ordem, enquanto Bannon tinha uma devoção espiritual mais religiosa a essas ideias e estava extremamente empenhado em vincular Trump a elas, fazer Trump se mostrar como alguém que apoiava fronteiras rígidas. 
Controlar as fronteiras faz sentido da perspectiva de quando você está pensando na pandemia, mas também pode se tornar um mecanismo para motivações ideológicas que já estavam presentes. Aleksandr Dugin acredita que o que está acontecendo é uma punição divina pelo globalismo e que nossa única esperança é parar com a ideia de que haja uma única comunidade mundial. Esse é a nova lógica que está emergindo deles.
Há reportagens recentes sobre a reaproximação de Bannon com integrantes da Casa Branca. Ele está se reaproximando de Trump no período eleitoral?
Sou cético sobre essas reportagens, porque seria muito difícil politicamente para Trump trazer Bannon formalmente de volta ao seu entorno. O que não duvido, no entanto, é que pessoas que trabalham na Casa Branca e provavelmente uma massa crítica de pessoas estejam consultando Bannon. E, na verdade, isso vem acontecendo há um bom tempo, mas só recentemente recebeu atenção da mídia.
O círculo de pessoas que o consultam é extremamente grande. O poder formal dele pode não estar mudando tanto, mas o poder informal já existia e pode crescer. Mark Meadows, chefe de gabinete da Casa Branca, é próximo dele e isso não é segredo.
O real poder de influência de Bannon é questionado, com muitas de suas iniciativas sem sucesso na Europa. Ele é superestimado?
Há quem diga que ele é superestimado e quem pense que ele é um mestre secreto por trás de fantoches. Não é que a verdade esteja entre essas duas avaliações, mas sim que esteja nas duas extremidades ao mesmo tempo. Ele tem muitos projetos que fracassam, mas, ao mesmo tempo, tem momentos e canais que realmente funcionam e projetos que são bem-sucedidos.
O segredo dele é que tem tantos projetos em andamento, tantas iniciativas, que você pode olhar para sua carreira e ver todo o fracasso e não entender que um em cada 20 projetos do Bannon se torna incrivelmente influente. A Europa pode ter sido um fracasso para ele, assim como outros projetos. E, no entanto, ele provavelmente vai continuar por ali e seguir em frente. É muito revelador para mim que as pessoas estão há três anos dizendo que ele é irrelevante e ele continua aí, agindo.
Olavo de Carvalho já criticou seu livro e disse que não pode ser enquadrado no tradicionalismo.
Ele não quer ser associado a nada além de si mesmo. Ele é certamente um híbrido, um tipo de tradicionalista muito complicado. Vejo muito em seu pensamento inspirado por essa escola. Isso não significa que ele não o modificou, mas quase todo mundo que se identifica com o tradicionalismo o modifica de alguma maneira, portanto esse é o padrão e não exceção.
No caso dele, é presente a rejeição dos especialistas, a vontade de ver a leitura do mundo como sendo definida por, digamos, líderes espirituais, líderes militares. É esse arcabouço conceitual que deriva do tradicionalismo, a crença de que o que realmente importa na política e na sociedade é cultivar e semear uma espécie de espiritualidade. Há também referências explícitas a René Guénon e, no passado, Olavo teve uma passagem por uma tariqa e há documentos sugerindo que ele se converteu ao Islã. Isso tudo está descrito no livro.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Um bônus do século XVII que ainda paga juros - Yale University

Collectible coins and banknotes

University Discovered 1648 Bond that Still Pays Interest – And they Collected!

 Reginald Martyr
Collectible coins and banknotes
Experts at Yale University discovered a Dutch water bond from 1648 that amazingly still pays interest. At some point or another, people usually hear about some of the outrageous bond agreements to which persons have been subjected over the years. That said, hearing about a bond which was originally issued in the 17th century yet is still accruing interest 300 years later doesn’t happen often: in fact, some might argue that it’s impossible. Well, that’s not quite the case – it would seem that there isn’t just one, but a few bonds issued in the 1600s which have stood the test of time and are still very much relevant to the respective payers’ pockets.
YaleNews revealed that a water bond dating as far back as 1648 still contractually binds the obligated parties to pay annual interest today. Upon its discovery and subsequent analysis of its terms and agreements, reports indicate that at the time of its execution, the bond operated as a perpetual bond.
The original clauses of the agreement bound the payer to “5 percent interest in perpetuity,” a rate which was later lowered to 3.5 percent and then 2.5 percent respectively in the 1600s. At the time, physical notations of interest payments were inscribed on the bond as they were made as a means of recording them. Being of Dutch-origin and made out of goatskin, when the bond was issued, it was apparently made out to Mr. Niclaes de Meijer, a man who was ordered to pay the “sum of 1000 Carolus Guilders of 20 Stuivers a piece.”
Yale Dutch water bond
This bond was issued in 1648 by a Dutch water board to finance improvements to a local dike system. A perpetual bond, it continues to pay interest. Photo courtesy of Yale News.
The manuscript was filed at Yale’s Beinecke Rare Book & Manuscript Library in 2003 after Yale managed to come into possession of it. After Timothy Young, the curator of Modern Books and Manuscripts at the library, conferred with a Dutch water authority named Stichtse Rijnlanden, not only did he discover that this bond was only one of five ever found, all five of them were administered by the Hoogheemraadschap Lekdijk Bovendams.
Beinecke rare book library
Beinecke rare book library at Yale. Photo by Michael Kastelic CC by SA-4.0
This entity was actually a water board which comprised a combination of highly-esteemed citizens and landowners. Apart from collecting the interest payments, the board oversaw a number of man-made constructions, including canals and dikes. Based on YaleNews’ report, the money collected served to compensate workers who had just completed a project in which they had to construct a formation of piers located close to a bend in one of the rivers. The project was supposed to help prevent erosion by assisting the river in properly regulating its flow.
In 2015, when Timothy Young returned from meeting with the relevant Dutch authority, he also brought back with him 12 years of back interest which was owed on the bond, a total which amounted to approximately 136.20 euros. Prior to 2015, the last time that the bond payments were collected was in 2003 when Yale first acquired it. At that time, as the reports states, “Geert Rouwenhorst, professor of corporate finance and deputy director of the International Center for Finance, took the bond back to the Netherlands to collect 26 years of back interest.”
Related Video: The modern day revival of the Knights Templar
https://youtu.be/gb5U053HP6g
Rouwenhorst was quite surprised that such a bond hadn’t been deemed null and void yet, going on to say “Yale’s bond is an extremely early example of a security that was issued without maturity and still pays interest. One ought to be astounded that such a thing exists.”
That said, when the bond initially came into Yale’s possession, the Beinecke Rare Book & Manuscript Library did experience some difficulty in categorizing it considering that the bond was still very much valid.
According to Young, in order for the bond to remain valid, “we need to take it to the issuing authority in the Netherlands every couple of decades to collect the interest, but unless we’re loaning an item to another institution, we don’t allow collection material to leave the library.” For this reason, authorities were a bit divided as to how to best proceed with the filing of the document.
However, later on, something happened which enabled the relevant parties to come to an agreement. In 1944, the vellum no longer had any more space where the new interest payments could have been recorded. As a result, authorities elected to add a paper addendum which served to record future payments, a paper which they allowed to be sent to the Netherlands in order to retrieve and record the necessary payments.
At present, the bond is considered a bearer bond as anyone who shows the attached addendum to the authority in charge of issuing the payment is allowed to accept it.

Minha lista pessoal das não-realizações do chanceler acidental- Paulo Roberto de Almeida

As não-realizações do chanceler acidental


Paulo Roberto de Almeida
 [Objetivo: contribuição a um balanço; finalidade: debate público ção]



Preocupado em ser defenestrado do cargo, em virtude de um ano e meio de absoluta ineficiência na gestão do Itamaraty — ao tornar o Brasil um país pária no mundo —, o chanceler acidental ordenou a todas as unidades do Itamaraty que produzissem uma lista sintética de realizações.
Segundo circulou por todas as chefias, o pedido do Gabinete foi para fazer “um balanço de um ano e meio de gestão, com a conclusão de acordos, a eleição para o CDH, a eleição do nosso candidato na OEA, os investimentos dos países do Golfo, o convite para integrar o novo G-7, as repatriações, a reestruturação do Mercosul, acordos automotivos, os acordos com os EUA em tecnologia e defesa, a redução de gastos com fechamento de Embaixadas e vagas no exterior, etc..
O pedido está sendo feito para todas as secretarias.”
A lista não deveria ser exaustiva, mas precisaria conter “só o que foi feito,  muito brevemente”, e finalizava por uma ordem clara: “O pedido é urgentíssimo.”
Pois bem, consciente de que o chanceler acidental reune muito mais não-realizações do que realizações, apresso-me em estabelecer a minha lista, que pode não ser do agrado do dito chanceler, mas tem a vantagem de ser muito mais fiel à realidade do que a sua listinha de invenções altamente exageradas. Vamos a ela:

1.          Uma crença míope de que o “make America Great Again” era um chamamento de Trump para “salvar o Ocidente”;
2.          Uma outra crença beata em que “o Brasil acima de tudo”, era realmente um ato desprendido de patriotismo e não um subterfúgio para colocar à família acima de todos;
3.          Uma terceira crença, mais equivocada ainda, de que foi escolhido para conduzir o “novo Itamaraty” pelos caminhos de Deus e da Virgem Maria, quando o que se esperava desse personagem dotado de uma angústia propriamente kirkegaardiana era apenas submissão absoluta a seus novos mestres e senhores escrupulosos quanto ao controle total de todos os seus atos;
4.          A ilusão ingênua de que todas aquelas noites mal dormidas, na redação febril de textos tresloucados de devoção às novas causas do bolsolavismo lunático — num blog wagnerianamente chamado de “Metapolítica 17: contra o globalismo” —, fossem realmente servir de suporte intelectual a grandes aventuras no campo do “espírito que anda”, quando — com a minha solitária exceção — ninguém ligou a mínima para aqueles textos gongóricos, sem qualquer coerência doutrinal, apenas surrealistas na expressão mais errática da palavra;
5.          A pretensão de ser admirado e aplaudido por frases duramente capturadas no latim, no grego, no alemão e no tupi-guarani, quando aquilo só foi objeto do ridículo, uma vez que a pretensão alegada era a de fazer uma “política externa para o povo”;
6.          A loucura totalmente antidiplomática de querer fundar sua ação à frente do Itamaraty — uma Casa multilateralista por excelência — numa santa cruzada contra o “globalismo”, esse monstro metafísico que parecia encarnar todos os males da modernidade progressista, quando a intenção real era a de proceder a um retrocesso em regra, na direção das pregações místicas de tradicionalistas como René Guénon e de fascistas como Julius Evola, intermediados pelo subsofista da Virgínia, que lhe deu cobertura e patrocínio desde a anunciada adesão a uma inexistente campanha de “salvamento do Ocidente” por um egocêntrico que só pensava em seu país;
7.          Uma deformação caolha dos sentimentos patrióticos de muitos brasileiros, em especial os militares,  transformado em uma defesa de um nacionalismo rastaquera, que limitou o relacionamento antigamente universalista da diplomacia brasileira a uma pequena tribo de outros populistas nacionalistas que também só pensavam limitadamente em seus próprios países, não em qualquer aliança mundial da nova direita;
8.          Uma investida estúpida contra uma inexistente “China maoísta” — superada desde quatro décadas —, seguindo uma outra estúpida concepção de que o gigante asiático queria exportar o regime comunista, não todas as manufaturas produzidas pela maior locomotiva econômica do planeta, e principal compradora de nossas maiores exportações;
9.          Uma vergonhosa diplomacia de submissão automática aos projetos eleitoreiros de Trump — no tocante ao Irã, à China, à Israel e Venezuela— , conformando grave violação de preceitos constitucionais de “independência nacional” e de “não intervenção nos assuntos internos de outros Estados”, no limite da traição aos interesses nacionais e, na prática, levando ao completo isolamento do Brasil na região e no mundo;
10.       Uma absolutamente ridícula postura “anticlimatista”, junto com o antiministro do 1/2 ambiente, que tornou o Brasil um alvo fácil de comentários jocosos nas reuniões do setor, e de desprezo depreciativo por parte da comunidade científica engajada na agenda da sustentabilidade;
11.       Zombarias ainda mais jocosas por parte de sucessores dos perpetradores alemães e de vítimas judaicas do Holocausto quando tentou “provar”, contra as mais comezinhas evidências históricas, que o Nazismo era “de esquerda”, da mesma espécie que o odiado comunismo (que como se sabe encontra-se ativo e dinâmico, materializado inclusive no “comunavirus” dos maoístas chineses);
12.       Uma revolução hierárquica e gerencial no Itamaraty, materializada no afastamento brutal de postos de chefia de experientes embaixadores, colocados sob as ordens de ministros de segunda classe , conformando aquela situação esquizofrênica que os militares chamam de “coronéis mandando em generais”;
13.       Uma outra traição ainda mais grave, escabrosa mesmo, aos princípios e normas que regem o funcionamento do Serviço Exterior, tendente a contratar para cargos de responsabilidade no Itamaraty pessoas de fora do quadro de servidores públicos admitidos por concurso, apenas para contemplar um ou outro fanático da mesma seita dos tradicionalistas, mas — o que é muito pior — totalmente identificados com o serviço a uma potência estrangeira;
14.       Por fim, mas não menos grave, o total descomprometimento com temas relevantes da agenda externa do país em nome da adesão a mistificações ideológicas que se revelam objetivamente prejudiciais aos interesses nacionais concretos do Brasil.

Estas são, resumidamente, as não-realizações do patético chanceler acidental, o diplomata mais inepto e submisso a desígnios estranhos aos interesses nacionais e aos padrões tradicionais de trabalho do Itamaraty que jamais se sentou na cadeira de Rio Branco, para vergonha da quase totalidade do corpo profissional da Casa. A maioria dos diplomatas encontra-se de fato indignada com as aberrações fabricadas em 18 meses de diplomacia esquizofrênico, apenas que intimidada pelos arroubos autoritários do pior chanceler em quase dois séculos de nossa história de serviço exterior de qualidade.
O fato é que o chanceler acidental envergonha o Itamaraty, o governo e o Brasil. Está mais do que na hora de colocar um ponto final à mediocridade operacional e à indigência intelectual de sua desastrosa gestão.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 2 de julho de 2020


A Ordem Econômica Mundial e a América Latina: um novo livro - Paulo Roberto de Almeida

Meu novo livro está pronto e revisto. Só me falta esperar a capa para colocá-lo no circuito, desta vez em Kindle:

A ordem econômica mundial e a América Latina
ensaios sobre dois séculos de história econômica




Índice

Apresentação

1. As ideias e as realidades: a economia mundial do século XIX ao XX
     1.1. A força das ideias: os novos conceitos da história global
     1.2. A força das realidades: desenvolvimento desigual entre regiões e países
     
2. Economia mundial: de onde viemos, para onde vamos? 
     2.1. Existe uma economia mundial?
     2.2. Da Grande Divergência para uma modesta Convergência?

3. O equilíbrio europeu de poderes e os imperialismos 
     3.1. O retorno ao colonialismo, com tinturas imperialistas
     3.2. A importância econômica das colônias
     3.3. O novo exclusivo colonial e as restrições comerciais

4. O que move o mundo? A energia e suas transformações
     4.1. Uma história econômica essencial: a energia, sob todas as suas formas
     4.2. Todas as revoluções industriais são também revoluções energéticas
     4.3. A era do petróleo, e dos grandes conflitos globais
     4.4. Grandes mudanças institucionais, e políticas, no terreno energético 
     4.5. Brasil: acertos e equívocos em suas erráticas políticas energéticas
4.6. Quais perspectivas futuras na geopolítica da energia?

5. Os cinquenta anos que mudaram o mundo 
     5.1. As alavancas da grande transformação
     5.2. A divergência na prática

6. Sobressaltos da globalização, da belle époque ao entre guerras 
     6.1. O “mundo de ontem” foi de fato melhor?
     6.2. A segunda onda da globalização e o grande retrocesso
     6.3. Uma primeira desglobalização
     6.4. Inflação, desvalorização, depressão

7. Economia mundial: do livre comércio ao protecionismo 
     7.1. O eterno debate entre livre comércio e protecionismo
     7.2. Todas as nações são mais favorecidas, antes do retrocesso
     7.3. Justificativas oportunistas para o retorno ao protecionismo
     7.4. Antes da guerra real, a ‘guerra das tarifas’
     7.5. Do escudo tarifário à muralha dos contingenciamentos
     7.6. O impossível cálculo econômico na comunidade capitalista
     7.7. O pensamento econômico da diplomacia brasileira

8. As grandes mudanças da ordem econômica mundial desde o século XIX
     8.1. Do liberalismo clássico ao neoliberalismo contemporâneo
     8.2. Intervencionismo estatal e multilateralismo econômico no pós-guerra
     8.3. Existem analogias atuais com o mundo econômico do passado?
8.4. Existem lições a tirar, partindo dos grandes desastres do passado?

9. Os dois grandes conflitos globais: impactos econômicos 
     9.1. O espírito guerreiro, quase feudal, do início do século XX
     9.2. O nacionalismo belicoso
     9.2. Os orçamentos das guerras
     9.3. Consequências econômicas das guerras
     9.4. A grande mudança nas políticas econômicas

10. Finanças internacionais: do padrão ouro às desvalorizações agressivas 
     10.1. Construção e desconstrução do sistema financeiro internacional
     10.2. A grande transformação nas finanças internacionais
     10.3. Formação progressiva e percalços do padrão ouro
     10.4. Descoordenação monetária e cambial: as dívidas da guerra
     10.5. Novos tremores, e a descida para a anarquia monetária

11. Fundamentos de uma nova ordem econômica mundial: Bretton Woods
     11.1. O aprofundamento da desorganização econômica mundial
     11.2. Bretton Woods começou no Brasil, em 1942

12. A grande divergência e a América Latina, 1890-1940
     12.1. A concentração industrial na origem da grande divergência
     12.2. A lógica da economia malthusiana e a disparidade de rendas no mundo
     12.3. A difusão diferenciada de tecnologias inovadoras ao redor do mundo
     12.4. A América Latina começa a ficar para trás
     12.5. Rico como um argentino? Apenas por algum tempo...
12.6. As divergências se aprofundam, inclusive para o Brasil
12.7. Divergências também entre os próprios latino-americanos
12.8. Por que o mundo todo não é desenvolvido?

13. A América Latina na ordem econômica mundial desde o século XIX
     13.1. O itinerário da América Latina em dois séculos
     13.2. Como o mundo mudou, do século XIX ao século XXI?
     13.3. A América Latina no contexto da Grande Divergência
13.4. Final do século XIX: progressos modestos e inserção internacional
     13.5. A grande catástrofe de 1914-18 e suas consequências estruturais
     13.6. Padrões de convergência e de divergência ao longo do século XX
     13.7. A Ásia começa a tomar o lugar da América Latina
     13.8. A América Latina também começa a divergir internamente
            13.8.1. Os globalizados
            13.8.2. Os reticentes
            13.8.3. Os bolivarianos
     13.9. O que mudou, o que permaneceu, no longo prazo?
     13.10. Lições de um século perdido?

14. Dinâmicas da economia no século XX 
     14.1. As grandes tendências da economia mundial
     14.2. Transformações econômicas na primeira metade do século XX
     14.3. Expansão e crise econômica no pós-II Guerra Mundial
14.4. Tendências do comércio mundial: liberalismo, protecionismo, multilateralismo e neoprotecionismo
14.5. Tendências das finanças mundiais: padrão-ouro, padrão ouro-dólar e flutuação generalizada de moedas
14.6. A globalização capitalista e as desigualdades estruturais
14.7. A estrutura institucional da economia internacional

15. O Bric e a substituição de hegemonias: um exercício duvidoso
15.1. Por que o Bric e apenas o Bric?
15.2. Bric: uma nova categoria conceitual ou apenas um acrônimo apelativo?
15.3. O Bric na ordem global: papel relevante, ou apenas instância formal?
15.4. O Bric e a economia política da ordem mundial: contrastes e confrontos
15.5. Grandezas e misérias da substituição hegemônica: lições da História
15.6. Um acrônimo talvez invertido

16. O Brasil no Brics
16.2. O sistema político brasileiro e sua posição na geopolítica mundial
16.3. Potencial e limitações da economia brasileira no contexto mundial
16.4. A emergência econômica e a presença política internacional do Brasil
16.5. A política externa brasileira e sua atuação no âmbito do Brics
16.6. O que busca o Brasil nos Brics? O que deveria, talvez, buscar?

Apêndices:
Livros publicados pelo autor
Nota sobre o autor 

Índice de tabelas e ilustrações: 

     1.1. Desempenho econômico em diferentes épocas, 1500-1980
     1.2. Crescimento da população, do PIB e do PIB per capita, 1870-1950
1.3. Evolução da população, do PIB e do PIB per capita, 1870-1950

     3.1. Importância econômica das colônias, 1913
     3.2. Domínios coloniais e semicoloniais em 1914
     3.3. Comércio dentro dos impérios (formais e informais), 1929-1938
     
     5.1. Indicadores econômicos de base das grandes potências, 1913-1940
     5.2. Evolução da renda per capita nas grandes potências, 1890-1945

     6.1. Evolução da produção de petróleo, 1890-1938
     
     7.2. Tarifas sobre bens manufaturados, 1902-2000
     7.3. Tarifas médias de manufaturados importados, 1875 e 1913
     7.4. Tarifas Gerais e de Manufaturados, 1913 e 1925
     7.5. Tarifas médias ad valorem aplicadas a produtos manufaturados, 1913
     7.6. Declínio nos valores do comércio internacional, 1928-1938
     7.7. Declínio nos valores e recuperação nos volumes do comércio mundial, 1929-1937

     9.1. Valores per capita dos gastos militares (inclusive navais), 1870-1914
9.2. Despesas militares em % do PIB 1a. e 2a. guerras mundiais

     10.1. Estrutura internacional do padrão-ouro, final do século XIX
     10.2. EUA: Empréstimos estrangeiros insolventes, 31/12/1936

11.1. Valores das ações, setembro-dezembro 1929

     12.1. Potencial industrial total, 1880-1938
     12.2. Potencial industrial dos países em % do mundo, 1880-1938
     12.3. Renda per capita e crescimento econômico no mundo, 1700-1820
     12.4. Renda per capita no mundo e como % da Europa ocidental, 1820-1913
     12.5. Renda per capita e crescimento econômico no mundo, 1913-1940
     12.6. Tempo de difusão internacional, em anos, de tecnologias inovadoras
     12.7. Exportações líquidas de fios e tecidos de algodão, 1910
     12.8. População mundial e renda, % por regiões, 1879-1913
     12.9. Taxas de crescimento do PIB per capita, 1890-1929
     12.10. PIB per capita nas Américas, 1890-1940
     12.11. Crescimento econômico em países da América Latina, 1870-1950
     12.12. Concentração de exportações na periferia, 1900
     12.13. Estrutura da proteção comercial em 1913
     12.14. Taxas de matrículas no ciclo primário, 1830-1975
     12.15. Desigualdade na América Latina e na Europa ocidental pré-industriais
     12.16. Desigualdade de renda na América Latina, 1870-1970

     13.1. Renda per capita e crescimento econômico por regiões, 1700-1820
     13.2. Tarifas Aduaneiras Comparadas, 1865-1913
     13.3. Tarifas protecionistas e tarifas normais, 1913
     13.4. Integração de países da América Latina na economia mundial, 1913
     13.5. PIB per capita da América Latina em % do PIB per capita dos EUA
     13.6. Termos de intercâmbio, produtos primários
13.7. Comércio exterior da América Latina, 1913-1938
13.8. PIB per capita e taxas anuais de crescimento nas Américas, 1850-1989
13.9. Desempenho do PIB per capita em três fases do desenvolvimento capitalista
13.10. PIB per capita em % do PIB per capita dos EUA
13.11. América Latina e Ásia dinâmica comparadas

     15.1. Brics: posições no ranking mundial, indicadores selecionados, 2008
     15.2. Brics: dados macroeconômicos fundamentais, 2003-2010
     15.3. Brics: transações internacionais
     15.4. Brics: PIB em PPC em proporção do PIB mundial (%)
15.5. G7 e Brics: participação no PIB agregado, nas exportações de bens e serviços e na população mundial, 2008
     
16.1. A primeira divisão do mundo entre portugueses e espanhóis, 1493, 1494
16.2. A linha de Tordesilhas e o alargamento posterior do Brasil
16.3. Constituições e regimes políticos no Brasil, 1824-2014
16.4: Indicadores econômicos em duas fases do regime militar, 1970-1984
16.5. Indicadores econômicos nos governos FHC: 1995-2002
16.6. Indicadores econômicos nos governos Lula: 2003-2010
16.7. Indicadores econômicos agregados para as presidências FHC e Lula
16.8. Indicadores econômicos do governo Dilma Rousseff: 2011-2014
16.9. Brasil: taxas de crescimento médio anual cumulativo, 1995-2013
16.10. Quadro SWOT para o Brasil
16.11. Resultados do PISA 2012 para os países do Brics
16.12. Brics: receitas públicas em % do PIB, 2013
16.13. Doing Business, 2013, países e indicadores selecionados
16.14. Índice de Competitividade Global, 2014, países selecionados
16.15. Poupança nos Brics, 2013
16.16. Índice de preços de todas as commodities, 2000-2014


A história econômica da América Latina nos últimos dois séculos é de desenvolvimento: sua população e o produto per capita cresceram enormemente. Embora ocorrendo mais lentamente, também são observadas melhorias na expectativa de vida ao nascer e na educação. A porcentagem da população que vive em condições de pobreza tem caído substancialmente, embora com notáveis altos e baixo.
A história da região é também de instabilidade, tanto pela volatilidade do financiamento externo e dos termos de troca internacionais como pelos resultantes ciclos de atividade produtividade, com períodos de progresso sucedidos por outros de relativa estagnação ou retrocesso. É igualmente uma história de modificações frequentes e profundas nas políticas e nos modelos de desenvolvimento, em resposta a processos econômicos, sociais, políticos e a ideologias.
Finalmente, e muito importante, é uma história de desigualdade, que não apenas se expressa nas bem conhecidas desigualdades dentro de cada país, mas também naquela existente entre países latino-americanos e, mais ainda, entre esses últimos e os líderes da economia mundial.
Luis Bértola e José Antonio Ocampo: 
O desenvolvimento econômico da América Latina desde a Independência
Rio de Janeiro, Elsevier, 2015; Prefácio, p. xi-xii.