terça-feira, 6 de outubro de 2026

Philanthropy is weak. The state is strong. Safety has to work the system to survive - Nick Corvino (China Talk)

Filantropia na China, segundo China Talk, um Substack que eu sigo (não pago).
Um dos sinais da prosperidade e do espírito americano, como sabemos, é a filantropia, ou seja, as doações de milionários e bilionários para o bem público, em museus, universidades, instituições não governamentais e até governamentais.
Como é na China? Aqui algumas informações:

Philanthropy is weak. The state is strong. Safety has to work the system to survive.
NICK CORVINO
China Talk, October 5, 2025

A Brief Overview of Chinese Philanthropy

China has plenty of billionaires. Forbes puts the number at 539 billionaires in China worth $2.2 trillion. (The US counts 989 billionaires worth $8.4 trillion.)

It would take only one or two of them getting really into AI safety to finance a sizable funding ecosystem. So why has no Chinese equivalent of Coefficient Giving emerged?

The answer is related to the strange structure of Chinese philanthropy.

The modern Chinese charitable sector as it exists today expanded rapidly after the 2008 Sichuan earthquake, but it was plagued from the start by corruption scandals, inconsistent regulation, and government concerns about grassroots organizations operating outside of the state’s purview.

To streamline the system, the 2016 Charity Law 慈善法 clarified the legal status of domestic philanthropy, tax incentives, and fundraising. Charities would have to register, disclose their finances, and accept government supervision.

The goal wasn’t to reduce or get rid of philanthropy. Beijing still wanted private money to support education, health, poverty relief, and other social services. But it wanted civil society to help deliver state-approved public goods, rather than become an independent source of political organization or agenda-setting. Article 4 of the Charity Law made this principle explicit enough by stating that “charity work shall be conducted under the leadership of the Communist Party of China.”³

Scholars Angela Bies and Scott Kennedy write:

“There exists a current paradox of philanthropy and the state in China: a stronger social sector accompanied with growth in philanthropy is desired, but such strength and growth must also contend with the state’s own policy agenda and desire to limit aspects of advocacy and civil society typically associated with the third sector.”

The Charity Law may have legitimized the sector, but it has not erased longstanding distrust. China has long ranked near the bottom of the Charities Aid Foundation’s World Giving Index, which measures behaviors including donating money and volunteering. In off-the-record conversations for this piece, I likewise heard skepticism about donating due to corruption."

Eleições e incerteza - João Rego (IED)

 O editor da revista Será? (com a qual colaboro) e coordenador do Instituto Ética e Democracia, João Rego, se pronuncia sobre o quadro politico atual do Brasil, dos mais complicados.

Coloquei este texto de João Rego antes das eleições brasileiras do dia 4/10 e volto a reproduzi-lo no dia 6/10, pois o considero seminal, em termos pedagógicos e didáticos, sobre as incertezas e angústias de nossa frágil democracia, muitas vezes submergida pela barbárie, isto é, pela violência, como ocorreu nos EUA no dia 6/01/2021, e no próprio Brasil, em 8/01/2023. Que as lições sejam aprendidas por todas.

Eu o considero um texto, seminal (isto é, portador de frutos que projetam sua influência e determinação por longos anos sobre milhões de pessoas e sobre instituições) sobre as eleições brasileiras de 2026, com impulsos e determinantes de nossa convivência politica e econômica para os próximos anos e mais além, o que pesará sobre nossa evolução, nosso itinerário por algum tempo.

Paulo Roberto de Almeida

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ELEIÇÕES E A INCERTEZA

João Rego

Ontem, vendo os resultados das pesquisas, observa-se uma clara migração de eleitores de candidatos da segunda linha da direita para Flávio Bolsonaro.

No Sul, impressiona a força da direita mais radical. Lula, entretanto, mantém sua força no Nordeste e disputa espaços importantes no Sudeste. Aqui, como já era previsível, está solidamente à frente. No plano nacional, porém, as pesquisas revelam uma disputa apertada, com variações entre os diferentes institutos.

O mar de incertezas nos invade — e esta é a beleza da democracia. *A incerteza é prima legítima da tolerância:* quando ninguém pode ter antecipadamente a certeza de que sua vontade prevalecerá, somos obrigados a admitir a existência da vontade do outro. E, ao final, somos obrigados, por lei, a aceitar resultados que, às vezes, não são aqueles que esperamos — assim como na vida.

Os intolerantes, aqui e nos Estados Unidos, já mostraram que não aceitam resultados contrários à sua vontade, como vimos em 6 de janeiro de 2021, no Capitólio, e em 8 de janeiro de 2023, na Praça dos Três Poderes.

Que venham os desafios da democracia, pois essa mãe e herdeira dos valores civilizatórios nunca cessou de enfrentá-los.

Não se trata apenas de conflitos ideológicos. Estes talvez sejam expressões circunstanciais de uma luta muito mais profunda e milenar: *a luta entre a barbárie e a civilização — luta que funda nossa própria humanidade.* 

A barbárie, lembro, está em cada ato de violência de um ser humano contra outro. Ela nos invade a cada guerra, revelando, de maneira espantosa, que conhecimento, técnica e método, conquistas da civilização, podem ser apropriados pela própria barbárie e colocados a seu serviço.

A democracia, depois de milênios de guerras e destruição — e isso a história nos mostra com dolorosas evidências —, talvez seja o *momento civilizatório supremo que a humanidade conseguiu atingir.* 

E o mais surpreendente disso tudo acontece justamente na eleição.

É quando o poder concentrado nas instituições se abre e se pulveriza de forma microscópica. Por algumas horas, milhões de pequenas parcelas desse poder retornam às mãos dos cidadãos para que, por meio do voto, as instituições possam novamente se alimentar de legitimidade.

É como se o gigantesco Leviatã, imaginado por Thomas Hobbes, tivesse sido domesticado pela democracia : periodicamente, ele precisa retornar ao cidadão comum para renovar a legitimidade de sua força.

O pensamento político-filosófico e seus produtos — o conhecimento sobre o Estado e as formas de governo — vêm evoluindo há séculos para que este gesto aparentemente tão simples de votar esteja hoje em nossas mãos.

Milhares lutaram, morreram e foram sacrificados para que chegássemos até aqui.

Por isso, quando for à urna expressar o meu voto, não estarei apenas escolhendo um candidato.

Estarei, com milhões de outros cidadãos, refundando de forma celular a democracia e demarcando, de maneira indelével, a barreira que separa a civilização da barbárie.

Recife, 4 de outubro de 2026

João Rego é presidente do IED — Instituto Ética e Democracia.

www.eticademocracia.org 

REFERÊNCIAS 

HOBBES, Thomas. Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. São Paulo: Abril Cultural, 1980. (Coleção Os Pensadores);

6 de janeiro de 2021 — Estados Unidos. Invasão do Capitólio, em Washington, por apoiadores de Donald Trump durante o processo de certificação, pelo Congresso, do resultado da eleição presidencial de 2020.

8 de janeiro de 2023 — Brasil. Invasão e depredação das sedes dos Três Poderes — Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e Palácio do Planalto —, em Brasília, por participantes de manifestações contrárias ao resultado da eleição presidencial de 2022.

#Eleições2026 #EleiçõesBrasil #Democracia #Voto #Cidadania #EstadoDemocráticoDeDireito #Tolerância #Civilização #Liberdade #RevistaSerá

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Madame IA analisa em profundidade a substância e a forma do Diplomatizzando, com observações tópicas muito pertinentes

 

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https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/madame-ia-quer-melhorar-minhas.html ("Madame IA quer melhorar minhas ferramentas- Paulo Roberto de Almeida"). 

O post intitulado "Madame IA quer melhorar minhas ferramentas", de autoria do embaixador e historiador Paulo Roberto de Almeida e datado de 5 de outubro de 2026 no blog Diplomatizzando, é o objeto desta avaliação.
Abaixo, apresento o veredicto factual e o desdobramento analítico e crítico do conteúdo sob múltiplas perspectivas. 
🏛️ Checagem de Fatos: FATO:
O texto é um fato documental. Trata-se da reprodução autêntica de uma postagem real em que o embaixador transcreve e analisa uma consultoria digital fornecida por um modelo de Inteligência Artificial (no caso, o Gemini da Google, conforme o link de compartilhamento anexado no post). Não há criação de fake news ou falsidade ideológica; o documento reflete fielmente uma interação homem-máquina voltada para o aprimoramento de um repositório de propriedade intelectual consolidado. 
⚖️ Perspectiva Jurisdicional e Legal:
  • Direitos Autorais e Treinamento de Modelos: A terceira dica sugere a criação de um chatbot treinado exclusivamente com o acervo do autor. Sob o aspecto legal, isso levanta o debate sobre a "limitação de dados" (opt-out ou opt-in) e a criação de ecossistemas fechados de copyright. Ao restringir o escopo do robô aos seus próprios textos, o autor contorna o problema do plágio algorítmico, criando um modelo jurisdicionalmente seguro de licenciamento de sua própria obra para fins de IA.
  • A Transmissão de Direitos e a Clonagem de Voz: A sugestão de usar clonagem de voz por IA para ler os ensaios (Dica 2) esbarra em discussões jurídicas recentes sobre os direitos de personalidade, biometria e a proteção da identidade vocal contra o uso não autorizado. Embora o uso aqui seja consentido e autoral, a tecnologia cria precedentes complexos de preservação de direitos patrimoniais após a morte do autor. 
📊 Perspectiva Econômica e Administrativa:
  • Migração de Plataforma e Monetização da Atenção: A recomendação de migrar do Blogger para o Substack (Dica 1) aponta para uma tendência macroeconômica da Creator Economy (Economia dos Criadores). O Blogger opera em um modelo descentralizado focado em busca orgânica (SEO). Já o Substack internaliza a cadeia de valor ao transformar leitores em assinantes diretos por e-mail. Economicamente, isso representa a troca de uma audiência passiva (tráfego de busca) por ativos de dados proprietários (lista de e-mails), aumentando o valor intangível do acervo analítico.
  • Conteúdo Evergreen como Ativo de Longo Prazo: A IA identifica os mais de 20 anos de postagens do Diplomatizzando como "conteúdo perene" (evergreen). Economicamente, reaproveitar análises passadas para explicar o presente através de newsletters de resgate (Dica 4) dilui drasticamente o custo marginal de produção de conteúdo, maximizando o retorno sobre o investimento de tempo intelectual já realizado. 
🌍 Perspectiva Geopolítica e Política:
  • A Democratização do Conhecimento Estratégico: A proposta de criar pontes intergeracionais com influenciadores digitais mais jovens de Relações Internacionais (Dica 6) tem uma dimensão política importante. Historicamente, o debate sobre política externa e geopolítica no Brasil esteve confinado em círculos herméticos (o próprio Itamaraty e grandes universidades). A transição sugerida pela IA tenta democratizar a cultura de Estado, inserindo rigor documental e factual nas plataformas hiperdinâmicas consumidas pela juventude.
  • A Síntese Narrativa na Disputa de Narrativas: Ao sugerir formatos como YouTube Shorts ou Instagram Reels (Dica 2), a IA propõe que o autor dispute espaço nos ecossistemas de informação onde a guerra cultural e geopolítica moderna é travada. Reduzir ensaios densos a pílulas audiovisuais é uma resposta à saturação informativa e à necessidade de fincar marcos de racionalidade em ambientes altamente polarizados e propensos à desinformação. 
💻 Perspectiva Tecnológica e de Segurança da Informação:
  • A Falência Tecnológica do Modelo Web 2.0: O Blogger, embora robusto para indexação textual tradicional, é uma plataforma tecnologicamente obsoleta diante da Web 3.0 e das buscas semânticas. A análise expõe que a barra de pesquisa tradicional por palavras-chave falia em recuperar a riqueza de um acervo massivo.
  • Busca Semântica vs. Busca por Palavras-Chave: A implementação de um assistente de IA na barra lateral redefine a arquitetura da informação. O usuário deixa de indexar termos exatos e passa a dialogar com o banco de dados em linguagem natural. Tecnologicamente, isso transforma o blog de uma página estática de leitura para um ambiente dinâmico de computação cognitiva baseada em Retrieval-Augmented Generation (RAG). 
🧠 Perspectiva Filosófica e Ética:
  • A Diluição da Densidade vs.Eficiência Comunicativa: O principal dilema filosófico do texto reside no embate entre a profundidade do pensamento humanista clássico e a fragmentação do consumo moderno. A IA insiste que "o foco não deve ser a diluição do conteúdo denso", mas suas soluções (cortes de vídeo, podcasts de bolso, respostas mastigadas por IA) flertam inevitavelmente com a simplificação. Há um risco ético-epistemológico de o leitor abdicar da leitura crítica e linear do ensaio completo para se satisfazer com o resumo gerado pelo chatbot.
  • A Simbiose Epistêmica: O texto demonstra uma evolução na percepção da IA pelos intelectuais liberais clássicos. Em vez de ser vista como uma ameaça à autoria, a ferramenta é adotada como um "copiloto editorial" e arquivista. O ecossistema ilustra a máxima popperiana citada no próprio blog: o dever do cientista e do intelectual é comunicar-se de forma clara e acessível para garantir a sobrevivência da sociedade aberta, utilizando-se, para isso, dos meios técnicos mais avançados de sua época. 

*Link/Endereço (Gemini AI): 

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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Madame IA faz uma análise critica de todos os meus blogs

 Uma análise detalhada e altamente crítica desse conjunto de vários blogs do diplomata PRA. Ou seja, aspectos positivos e negativos; correlações e contradições; enfim, sempre mostrar "os dois lados da mesma moeda" (digo, do conjunto de blogs do diplomata PRA...). 


Uma análise do ecossistema digital do diplomata e acadêmico Paulo Roberto de Almeida (PRA) revela um impressionante esforço de documentação e preservação de memória política e intelectual. No entanto, avaliar esse conjunto exige enxergar as duas faces de uma mesma moeda: o valor de um arquivo histórico denso versus as limitações de uma arquitetura digital fragmentada e de uma linha editorial altamente homogênea.
Abaixo está uma radiografia crítica dividida entre os aspectos positivos e negativos, além das correlações e contradições estruturais que definem os blogs de PRA. 
1. Aspectos Positivos vs. Aspectos Negativos:
🪙 Lado A: O Valor Arquivístico e a Erudição (Positivos):
  • Profundidade Documental Sem Paralelos: O conjunto de blogs funciona como uma verdadeira "cápsula do tempo" da história política e econômica brasileira do século XXI. O nível de detalhamento ao registrar programas econômicos na íntegra (como nas eleições de 2006 e 2010) oferece a pesquisadores e cientistas políticos um material primário purificado e centralizado, algo raro na internet atual.
  • Erudição Transdisciplinar: PRA cruza com maestria as barreiras da diplomacia, da economia de mercado liberal, da sociologia e da literatura clássica. Seus textos não são reações superficiais; são fundamentados em pensadores que vão de Alexis de Tocqueville e Eugênio Gudin a Steven Pinker e Barry Eichengreen.
  • Estilo Literário Distinto: Diferente da velocidade efêmera e descuidada das redes sociais modernas, o autor preza pela clareza, pela correção estilística e pelo resgate de formatos esquecidos, como as crônicas e os ensaios analíticos mais longos.
🪙 Lado B: A Dispersão e a Câmara de Eco (Negativos):
  • Caos e Fragmentação Estrutural: A decisão do autor de criar um blog para cada assunto ou pleito eleitoral fragmentou sua audiência e sua relevância de busca. O próprio PRA assume que o Textos PRA é uma "biblioteca mal arrumada e mesmo caótica". Plataformas como o Eleições 2006 ou Shanghai Express foram abandonadas após o esgotamento de seus ciclos temporais, transformando o ecossistema em um cemitério de links com baixa manutenção técnica.
  • Ausência de Contraponto Dialético:Embora o autor se declare um entusiasta do debate rico, inovador e divergente no DiplomataZ, os espaços de comentários de quase todos os blogs são desertos ou desativados. O leitor não assiste a um debate; ele consome um monólogo acadêmico.
  • Doutrinação Ortodoxa: A crítica política do autor frequentemente abandona a neutralidade diplomática para adotar um tom panfletário agressivo. Termos como "máfia sindical", "república pelega" ou "câncer que tomou conta do país" reduzem análises que poderiam ser puramente técnicas a trincheiras ideológicas de paixões partidárias. 
2. Correlações e Convergências:
O grande trunfo do ecossistema de PRA é a sua consistência ideológica. Existe um cordão umbilical claro que une todos os 13 links anteriores:
  • O Casamento entre Diplomacia Econômica e Liberalismo: Seja analisando o mercado asiático no Shanghai Express, resenhando biografias no Book Reviews ou dissecando promessas eleitorais no Eleições 2010, o autor opera sob o mesmo filtro: a defesa intransigente do livre mercado, da responsabilidade fiscal e do afastamento do Estado como indutor da economia.
  • A Linha Auxiliar do Diplomatizzando:Todos os braços digitais (como Textos PRA, PRA Academia e Vivendo com Livros) funcionam como satélites organizados para desonerar seu blog principal. Eles se correlacionam para construir uma persona pública muito clara: a do diplomata-intelectual que se recusa a se submeter ao pragmatismo político de governos de turno. 
3. Contradições Centrais:
É nas frinchas da coerência ideológica que surgem as contradições mais flagrantes do conjunto da obra:
  • A Pluma Versus a Espada Funcional:No poema alegórico "A Espada e a Pluma", o autor coloca a pluma (as ideias, a escrita) como um instrumento libertário que busca salvar as pessoas da opressão exercida pela força da espada (o Estado, as burocracias). Contudo, o próprio PRA construiu toda a sua carreira profissional de sucesso como um alto funcionário do Estado — o Itamaraty —, que detém o monopólio da força e da burocracia que ele tanto critica em seus textos.
  • O Antiestatismo Financiado pelo Estado: Blogs como PRA Academia e Textos PRA tecem críticas ferozes ao planejamento estatal, ao corporativismo e aos "cabides de emprego comissionados". No entanto, a sólida formação acadêmica do autor, suas missões internacionais e o próprio tempo livre para manter mais de uma dezena de blogs foram viabilizados por sua estabilidade funcional como servidor público de uma das corporações mais tradicionais e fechadas do país.
  • A Defesa do Livre Debate Sem Interação: O autor frequentemente critica o "pensamento único" e a incapacidade das elites brasileiras de aceitarem visões não convencionais. Paradoxalmente, seus blogs utilizam uma plataforma engessada, unidirecional, sem moderação ativa de debates ou abertura para que vozes verdadeiramente dissonantes (como economistas heterodoxos ou de vertentes de esquerda) construam um diálogo simétrico nos seus espaços de publicação.
Conclusão Analítica:
Os blogs de PRA são uma faca de dois gumes. Quem procura pluralidade, design moderno, engajamento comunitário ou isenção política sairá profundamente desapontado. Por outro lado, quem busca uma crônica histórica detalhada, análises econômicas liberais sofisticadas e um vasto inventário de referências bibliográficas encontrará no ecossistema do diplomata um tesouro documental precioso e raríssimo na internet brasileira. 

*Link/Endereço (Gemini AI): 

Madame IA faz um resumo de minha lista resumida de todos os blogs que criei e alimentei nos últimos 21 anos Paulo Roberto de Almeida

 Madame IA faz um resumo de minha lista resumida de todos os blogs que criei e alimentei nos últimos 21 anos:

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O blog de Paulo Roberto de Almeida funciona como um repositório intelectual focado na defesa da economia de mercado, na crítica ao esquerdismo e na desmistificação da carreira diplomática. Suas postagens combinam rigor empírico, curadoria bibliográfica e um tom frequentemente irônico sobre o cenário político e as relações internacionais. Você pode acessar o conteúdo diretamente em Paulo Roberto de Almeida Blog. 

O blog "Cousas Diplomáticas", mantido por Paulo Roberto de Almeida, registra o cenário político e econômico de 2006 com críticas à esquerda latino-americana, análises sobre a crise do governo brasileiro e reflexões sobre a carreira diplomática. O espaço digital foi encerrado em abril de 2006 devido a limitações técnicas da plataforma, resultando na migração do autor para o blog Diplomatizando. Você pode ler o conteúdo original em Cousas Diplomáticas. 

A análise das postagens do blog "Diplomatizando" revela a consolidação do estilo de Paulo Roberto de Almeida e o aprofundamento de suas observações sobre a geopolítica e a política interna brasileira em 2006. O espaço digital funciona como um documento histórico do pensamento liberal-diplomático brasileiro, contraponto às narrativas nacionalistas e estatizantes da época. Para mais detalhes, visite Diplomatizando. 

O blog Diplomatizzando, mantido por Paulo Roberto de Almeida, consolidou-se ao longo de mais de duas décadas como um espaço de resistência intelectual e análise política, superando a marca de 27 milhões de acessos acumulados em 2026. As publicações recentes abordam desde alertas sobre a sustentabilidade fiscal brasileira e análises do cenário eleitoral com auxílio de inteligência artificial até reflexões sobre a pedagogia da formação diplomática. You can read more at Diplomatizzando. 

O blog "DiplomataZ", mantido por Paulo Roberto de Almeida entre 2006 e 2012, serviu como um espaço para crônicas, ensaios literários e a série de "Minitratados" de cunho crítico e reflexivo. A postagem final do espaço ocorreu em agosto de 2012 com a publicação do poema alegórico "A Espada e a Pluma". Você pode ler o conteúdo original em DiplomataZ. 

O blog "Eleições Presidenciais 2006", criado por Paulo Roberto de Almeida, funcionou como um diário de análise crítica focado no debate político, econômico e internacional do processo eleitoral brasileiro daquele ano. O espaço digital contrastou as propostas econômicas e a visão de política externa dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin. Você pode explorar o acervo no Eleições Presidenciais 2006. 

O blog "Textos PRA", mantido por Paulo Roberto de Almeida, atua como um repositório documental voltado para ensaios, transcrições e materiais acadêmicos que abordam o diagnóstico político-econômico brasileiro, o monitoramento de riscos de crédito e debates científicos globais. A plataforma funciona de forma acessória ao portal Diplomatizzando, preservando análises institucionais e econômicas do início do século XXI. Você pode ler mais no Textos PRA. 

O blog "PRA Academia", mantido pelo diplomata e acadêmico Paulo Roberto de Almeida, funcionava como um canal especializado de apoio a atividades docentes, de pesquisa e de resgate do pensamento liberal na história econômica brasileira. A plataforma destacava-se pela preservação da memória de pensadores como Eugênio Gudin e pela defesa da ciência econômica baseada em evidências empíricas e na crítica ao intervencionismo estatal. Você pode ler mais no PRA Academia. 

O blog "Book Reviews", mantido por Paulo Roberto de Almeida no Blogger, serve como um índice analítico e repositório digital de resenhas críticas sobre relações internacionais, história diplomática e comércio exterior. A plataforma complementa o portal principal do autor, o Diplomatizzando. Você pode ler o acervo completo em praresenhas.blogspot.com. 

O blog "Vivendo com Livros", criado em 2006 pelo diplomata Paulo Roberto de Almeida, é um espaço inteiramente dedicado a reflexões pessoais sobre a leitura, notas e resenhas de obras próprias e de terceiros. O acervo do blog, que se estende até 2013, aborda temas como a doação e a "libertação" de livros, a evolução tecnológica dos leitores digitais (Kindle), e análises sobre o mercado literário e o ato de escrever. 

O blog "Eleições Presidenciais 2010", mantido por Paulo Roberto de Almeida, funcionou como um diário de recortes jornalísticos e ensaios críticos voltados a acompanhar o pleito presidencial daquele ano. O espaço destacou debates sobre o equilíbrio das contas públicas, o papel de novas lideranças e as estratégias de articulação da política externa brasileira. Você pode acessar os arquivos originais diretamente no Eleições Presidenciais 2010. 

O blog Shanghai Express funcionou entre 2009 e 2012 como um espaço de análises sobre economia, política e geopolítica do Oriente com ênfase na China. O arquivo reúne debates sobre o modelo econômico chinês, segurança global e história monetária do país. Para mais detalhes, visite Shanghai Express. 

O blog "Brasil, Eleições presidenciais 2018", administrado pelo diplomata e acadêmico Paulo Roberto de Almeida, foi criado para documentar e analisar o cenário político, os candidatos e os debates econômicos da corrida eleitoral de 2018. O espaço continuou recebendo atualizações ocasionais posteriormente, funcionando como um arquivo dinâmico sobre a polarização política e os rumos institucionais do Brasil. Você pode ler o acervo original em Brasil, Eleições presidenciais 2018. 

*Link/Endereço (Gemini AI): 

O capítulo fiscal do próximo governo, qualquer que seja ele - Élida Oliveira (InfoMoney)

 

Maurício David me enviou esta matéria importante sobre o capítulo fiscal do próximo governo, qualquer que seja ele:
Interessante matéria publicada hoje na revista INFOMONEY. Recomendo a leitura. Seria muito importante que homens públicos respeitados como os ex-ministros Rubens Ricupero, Pedro Malan e Bresser Pereira, o embaixador Paulo Roberto de Almeida, o ex-VP da Embraer, Henrique Rzezinski, os ex-VPs do Banco Mundial e do BID, Otaviano Canuto e Rogério Studart, e economistas respeitados de organismos internacionais e universidades de primeira ordem tais como José Alexandre Scheinkman (ex-Universidade de Chicago, onde foi por muitos anos Chefe do Departamento de Economia e é frequentemente mencionado na imprensa como um possível nobelizável em Economia) Roberto Mangabeira Unger (Harvard) e Antonio David ( do FMI) participassem desta importante discussão...
MD
 
Enviada em: segunda-feira, 5 de outubro de 2026 14:59
Assunto: INFOMONEY / 
O que esperar do debate econômico no segundo turno das eleições presidenciais?
INFOMONEY, 05out26
 
O que esperar do debate econômico no segundo turno das eleições presidenciais?
Economistas analisam cenários para Lula e Flávio Bolsonaro, destacando urgência do ajuste fiscal, da avaliação dos gastos públicos, a trajetória da taxa Selic e os impactos da reforma tributária
Élida Oliveira
O candidato à presidência que vencer o segundo turno das eleições terá que encarar um país com desafios econômicos que vão demandar articulação com o Congresso e decisões de grande impacto na população.
Para entender o que deve pautar a economia em um próximo governo e quais as sinalizações de cada campanha, o InfoMoney conversou com Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management; Samuel Pessoa, pesquisador associado do FGV IBRE e chefe da pesquisa econômica da Julius Baer Brasil; e Ivo Chermont, sócio e economista-chefe da Quantitas Asset.
Eles avaliam o cenário considerando o andamento das políticas já em curso, caso o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito, e o que se viu no governo anterior do pai do candidato Flávio Bolsonaro, além de sinalizações feitas pelas equipes econômicas de cada um dos concorrentes na primeira fase da campanha.
Ainda há pouca informação sobre as propostas que poderiam ser implementadas e, principalmente, como elas seriam colocadas em prática.
Política fiscal
O ajuste fiscal é considerado o tema mais urgente, segundo os economistas, já que o país precisaria desacelerar a trajetória de crescimento da dívida, que em agosto chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
O problema, no entanto, é que 90% dos gastos são obrigatórios e, para resolver essa questão, seria preciso elaborar propostas pouco populares. As medidas exigirão aprovação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) no Congresso e negociação com o Supremo Tribunal Federal (STF) para resistir às judicializações, que devem ocorrer.
“Se nada for feito, a dívida pública pode crescer cerca de 5 pontos percentuais do PIB ao ano, atingindo a marca de 100% do PIB em 4 anos”, alerta Solange Srour.
“O desafio do presidente Lula é achar um equilíbrio entre os interesses dos mais pobres, mas que, simultaneamente, atenda a capacidade da economia de entregar resultados”, avalia Samuel Pessoa.
A avaliação é de que o atual governo aposta em brechas no arcabouço fiscal e no aumento contínuo de arrecadação para fechar as contas, sem conter a expansão real de despesas.
Em um eventual futuro governo de Flávio Bolsonaro, a tendência é que ele tenha menor resistência para aprovar as reformas no Congresso — ainda mais após o 1º turno da eleição, marcado por uma onda conservadora que não havia sido captada pelas pesquisas.
A candidatura do PL aposta em um “choque de credibilidade” pró-mercado, respaldado por nomes de perfil liberal na equipe econômica, como Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e ex-braço direito de Paulo Guedes, e Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica e ex-ministro de Minas e Energia.
No entanto, há dúvidas se Flávio Bolsonaro usaria o capital político de início de mandato para aprovar tais reformas ou se essa força seria direcionada para aprovar pautas jurídicas, incluindo a revisão da pena aplicada ao pai do candidato, Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe. “Ele pode ter a habilidade de tocar as duas pautas [econômica e jurídica] ao mesmo tempo, mas essas questões geralmente demandam uma energia e capital político muito grande”, avalia Ivo Chermont.
Nenhum dos candidatos, seja Lula ou Flávio Bolsonaro, detalharam medidas de corte de gastos durante o primeiro turno da campanha, e a tendência é que se mantenham neutros por se tratar de uma pauta impopular que tira votos. Por conta dessa falta de sinalização, o vencedor precisará fazer anúncios fiscais convincentes logo após a eleição — antes mesmo de assumir o governo —, para evitar uma piora das expectativas, depreciação do câmbio e alta dos juros longos, avalia Srour.
Gastos públicos
Os economistas avaliam que a medida mais urgente é harmonizar o crescimento dessas despesas com a regra do arcabouço fiscal, o que exige rever a vinculação automática das despesas de saúde e educação à receita corrente líquida, bem como alterar a fórmula de reajuste do salário mínimo.
Solange Srour defende ainda o redesenho dos programas sociais, que foram ampliados após a pandemia. Isso poderia ser feito focando na qualificação profissional e na eficiência alocativa para atender à transição demográfica do país.
Ivo Chermont cita também como prioridade uma reforma administrativa ampla que reorganize as carreiras públicas, a eliminação de supersalários no Executivo, Legislativo e Judiciário, a revisão do volume de subvenções concedidas a setores privados e o aumento da transparência sobre as emendas parlamentares obrigatórias.
Neste quesito, o governo Lula tem demonstrado forte resistência em alterar as regras do salário mínimo e a vinculação das verbas de saúde e educação. Do lado de Flávio Bolsonaro, as promessas focam na redução do tamanho do Estado mediante a extinção de ministérios, suspensão de concursos e enxugamento administrativo. No entanto, os economistas ressaltam que ações administrativas têm pouco impacto financeiro frente ao peso das despesas obrigatórias.
Política monetária e inflação
A condução da taxa básica de juros (Selic) está diretamente condicionada ao ritmo da política fiscal. Para que o Banco Central consiga promover um ciclo sustentável de corte de juros e trazer a inflação para a meta de forma duradoura, o Poder Executivo precisa entregar um ajuste fiscal crível capaz de ancorar as expectativas de longo prazo e valorizar o câmbio.
Além do cenário interno, há pressões externas que vão impactar a inflação em 2027. Srour cita os impactos climáticos do El Niño, os custos de transição da Reforma Tributária sobre o setor de serviços e a eventual aprovação do fim da jornada 6×1, o que vai exigir prudência monetária, independentemente do vencedor.
Sob um novo governo Lula, e se houver a manutenção do atual modelo fiscal, a tendência é que a taxa Selic se mantenha em patamares elevados ao redor dois dígitos por tempo prolongado.
Chermont aponta que, embora a diretoria do Banco Central liderada por Gabriel Galípolo venha atuando com independência e aderência ao ciclo econômico, a falta de apoio do lado fiscal impede que os juros caiam para níveis confortáveis. Ele explica que os gastos colocam mais dinheiro na economia, pressionando a demanda e elevando a inflação que, por sua vez, exige juros altos para ser contida.
Para Flávio Bolsonaro, a expectativa do mercado é de uma reação positiva nos preços dos ativos e no câmbio. Caso consiga sinalizar reformas fiscais estruturais logo no início, a taxa Selic poderia recuar para a faixa entre 11% e 11,5%, segundo Chermont. Este patamar seria limitado pelo cenário de juros elevados nos Estados Unidos.
Comércio exterior
A condução recente do Itamaraty no governo Lula 3 tem sido proativa e pragmática, o que deve ser preservado, independentemente de quem vencer, avalia Pessoa.
Srour também não vê espaço para grandes rupturas em relação aos EUA, China ou Europa em eventuais governos do PT ou PL. Ela destaca que a China permanece como o maior parceiro comercial do agronegócio e da mineração brasileira, enquanto os Estados Unidos e a Europa são fontes vitais de capital e tecnologia.
Neste contexto, a prioridade para o próximo presidente deve ser aprofundar acordos de integração e evitar medidas protecionistas ou alinhamentos ideológicos automáticos que resultem em retaliações.
Na avaliação de Chermont, a vitória de Flávio Bolsonaro traria um alinhamento político mais forte com os EUA de Donald Trump e aproximação com a Argentina, além de maior flexibilidade em concessões, como no caso da exploração das terras raras. No entanto, as forças comerciais impedem um rompimento relevante com a China. Já o governo Lula tende a manter uma postura externa mais combativa e resistente a concessões.
Regulamentação da Reforma Tributária
A principal tarefa para o ciclo 2027–2030 é concluir a reforma tributária, definindo as alíquotas do IVA/CBS e do Imposto Seletivo, para dar segurança jurídica ao setor produtivo antes do início da transição.
Srour defende que o país não deve reabrir o texto constitucional já aprovado para criar novas exceções ou regimes favorecidos, uma vez que cada benefício concedido eleva a alíquota padrão paga pelos demais setores. Para ela, a prioridade de ambos os candidatos deve ser a de garantir a estabilidade das regras para que a transição ocorra sem sobressaltos.
Para Pessoa, a reforma tributária é o grande legado estrutural do atual mandato. Em um eventual quarto mandato de Lula, o andamento não deve sofrer alterações.
Já a candidatura de Flávio Bolsonaro sinalizou a intenção de “pausar” a implementação para promover uma “reforma da reforma” e rever pontos aprovados. Pessoa alerta para os riscos de retrocesso e insegurança jurídica ao se reabrir a discussão no Congresso, e Solange Srour destaca que adiar a regulamentação prejudicará o planejamento das empresas e aumentará as incertezas no ambiente de negócios.

Diplomatas estrangeiros no Brasil: carreira e oportunidade de formação acadêmica - Paulo Roberto de Almeida

  

DIPLOMATAS ESTRANGEIROS NO BRASIL:

Carreira e oportunidade de formação acadêmica

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

Notas para intervenção em curso do Instituto Diplomacia em 5/10/2026, 19h30

  

Quantos são os diplomatas estrangeiros no Brasil?

Número impreciso, mas as embaixadas podem alcançar mais de 150 países com os quais o Brasil possui relações diplomáticas ativas, sendo mais de 130 com embaixadas residentes em Brasília, os demais tendo cumulatividade com alguma outra embaixada na região ou até na sede da ONU em NY. Considerando uma média de 6 diplomatas por embaixada – embora alguns países possuam bem mais, podemos estimar que existem, vivendo temporariamente em Brasília, cerca de 780 diplomatas estrangeiros, de diversos níveis, acreditados junto à nossa chancelaria, todos eles desfrutando dos privilégios e direitos concedidos pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (1961).

Ademais dos diplomatas exercendo suas funções junto às suas respectivas embaixadas, existem diversos outros vinculados a atividades consulares, que, em alguns países, são distintas das funções propriamente diplomáticas (como era o caso do Brasil até os anos 1930, duas carreiras distintas). Difícil calcular o número exato desses diplomatas lotados em postos consulares em SP, RJ e outras capitais.

Talvez um terço, ou mais, desses diplomatas, sejam secretários em começo de carreira, seguidos por conselheiros, de idade média, ministros, que são mais seniores, e os embaixadores, nem todos de carreira, muitos designados politicamente pelos seus respectivos chefes de Estado.

Com exceção dos próprios embaixadores e encarregados de negócios, todos os demais diplomatas podem, teoricamente, dedicar-se ao aperfeiçoamento de suas respectivas carreiras diplomáticas, embora nem todos o façam, pois já foram, digamos assim, formados e treinados originalmente em suas respectivas capitais, em âmbito universitário (onde a maior parte é recrutada) ou pelas próprias academias diplomáticas, para os países que os têm. Não é incomum que diplomatas em início de carreira decidam reforçar sua preparação intelectual, suas aptidões profissionais, seguindo cursos geralmente vinculados às relações internacionais, nos países onde servem.

Muitos diplomatas brasileiros, inclusive eu mesmo, se formaram no exterior ou obtiveram títulos de pós-graduação em universidades estrangeiras, assim como os diplomatas estrangeiros lotados no Brasil possam fazê-lo, previamente ou concomitantemente ao trabalho na embaixada em Brasília ou em consulados em algumas capitais de estados.

O Brasil possui, desde 1946, uma academia diplomática, o Instituto Rio Branco, que desde essa data possui o monopólio do recrutamento e formação de diplomatas para a carreira profissional, com etapas ulteriores de aptidão como condição para a promoção, o que pode existir também em outros serviços diplomáticos. No caso do Brasil, ademais do curso de preparação à carreira diplomática – antes de dois anos, agora mais curto, com eventual estágio no exterior –, os segundos secretários são chamados a passar por um Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas (CAD, que são provas escritas), como condição à promoção ao escalão superior, assim como os conselheiros precisam necessariamente ser aprovados no Curso de Altos Estudos (CAE) para poderem ascender a ministros de segunda classe, o que implica na preparação e defesa de uma dissertação (algumas vezes chamada de tese), com uma temática possuindo relevância funcional para a diplomacia brasileira.

O IRBr desde algum tempo, nos anos 1970, provavelmente, passou a admitir como estudantes bolsistas diplomatas iniciantes de outros países, geralmente da América Latina, logo em seguida dos países lusófonos saídos da tardia descolonização portuguesa. Eu mesmo, quando professor no Instituto Rio Branco, na segunda metade dos anos 1980, tive como alunos diversos jovens diplomatas vindos de Angola, de Moçambique, de Guiné Bissau e de São Tomé e Príncipe, países independentes desde 1975. Continuamos a receber estudantes estrangeiros, também diplomatas lotados em Brasília, inclusive alguns de países europeus, alguns vindos diretamente como estudantes. Trata-se de um programa muito exitoso do Itamaraty, pois muitos desses “bolsistas” podem ter retornado como embaixadores de seus países em Brasília.

Existem inúmeras oportunidades de formação continuada no Brasil, embora poucas universidades brasileiras sejam realmente internacionalizadas, o que existe um conhecimento prévia da língua portuguesa para seguir alguns cursos. Creio que essa interação de formações de brasileiros no exterior, e a de jovens diplomatas estrangeiros no Brasil, vai continuar sendo feita nos moldes atuais ou vai se expandir ainda mais, tendo em conta os progressos já feitos e a serem alcançados nos meios e sistemas de comunicação e de interface linguística.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5484: 5 outubro 2026, 2 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/diplomatas-estrangeiros-no-brasil.html 

Madame IA analisa os resultados das eleições gerais do Brasil - Airton Dirceu Lemmertz

Madame IA analisa os resultados das eleições gerais do Brasil no primeiro turno em 4/10/2026, ela que é isenta politicamente, ideologicamente, e até de gênero, a despeito de eu considerá-la uma demoiselle:

Em um texto discursivo (somente frases e parágrafos), apresente uma análise do resultado das eleições de primeiro turno em 2026 no Brasil, especialmente aos cargos de Presidente da República, Senadores e Governadores, ocorridas ontem (04/outubro/2026). O texto deverá ter, no mínimo, 5500 caracteres; deverá ser detalhado e altamente crítico; deverá ser amparado no jornalismo profissional especializado; deverá trazer a repercussão na imprensa internacional. 

As eleições gerais ocorridas em quatro de outubro de 2026 consolidaram um dos capítulos mais impactantes da história política recente do Brasil, redesenhando as forças de poder em um cenário de polarização crônica que teima em não arrefecer. Amparada nos dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral e sob o escrutínio do jornalismo profissional especializado, nacional e internacional, a análise do primeiro turno revela um avanço avassalador das forças de direita e centro-direita, impondo uma severa derrota tática e simbólica ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que disputava sua permanência no Palácio do Planalto. O desfecho da contagem de votos reconfigurou o tabuleiro nacional, expondo um eleitorado cansado, endividado e cético, mas que, diante da urna, optou por referendar candidaturas ligadas ao conservadorismo e ao pragmatismo fisiológico em detrimento da cartilha progressista tradicional.
No topo da disputa majoritária, o resultado para o cargo de Presidente da República chocou institutos de pesquisa e analistas que previam uma liderança numérica estável do atual mandatário. Com a totalização das urnas na noite de domingo, o senador Flávio Bolsonaro, representando o Partido Liberal, consolidou-se na primeira colocação ao angariar 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56,1 milhões sufrágios. Ele superou diretamente o presidente incumbente, Lula, que obteve 45,17%, traduzidos em 53,8 milhões votos. A ida de ambos para o segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro de 2026, desenha um cenário de altíssima voltagem política.
O desempenho de Flávio Bolsonaro superou as projeções mais otimistas de sua campanha e expôs as vísceras de um governo federal fragilizado por crises econômicas silenciosas. Jornalistas especializados apontam que as estratégias de última hora adotadas pelo Palácio do Planalto, apelidadas pela oposição de pacote de bondades, como a articulação célere para o fim da escala de trabalho seis por um, a proibição tardia das casas de apostas virtuais e o aumento emergencial do Bolsa Família para 691 reais, não foram suficientes para estancar a sangria de apoio nas periferias urbanas brasileiras. O avanço da inflação de alimentos e o superendividamento das famílias de baixa renda, historicamente fiéis ao petismo, cobraram um preço alto na urna.
A análise crítica da campanha presidencial também joga luz sobre o esvaziamento do debate democrático formal. Pela primeira vez desde a redemocratização, os dois líderes das pesquisas ignoraram sistematicamente os confrontos diretos, ausentando-se de debates cruciais em veículos tradicionais, o que resultou no cancelamento de encontros de grande audiência. Essa fuga do debate programático favoreceu a proliferação de narrativas hiperfragmentadas e personalistas nas redes sociais, onde a militância bolsonarista historicamente navega com maior desenvoltura. Flávio Bolsonaro conseguiu mitigar os desgastes decorrentes das investigações sobre o caso Master e de escândalos passados, convertendo os ataques institucionais em combustível para sua narrativa de perseguição política, o que atraiu o eleitorado antipetista e garantiu sua dianteira na geografia do voto no Centro-Oeste, Sul e Sudeste.
A debacle governista ganha contornos ainda mais dramáticos quando se observa a renovação de duas terças partes do Senado Federal. O Partido Liberal realizou um verdadeiro arrastão legislativo, elegendo 19 senadores e estabelecendo a maior bancada da história recente daquela Casa. Figuras de proa do bolsonarismo triunfaram com margens expressivas, demonstrando que o eleitorado conservador compareceu de forma disciplinada para punir candidatos alinhados à esquerda. No Distrito Federal, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro conquistou sua cadeira com 29,05% dos votos válidos, acompanhada por Bia Kicis, carimbando a hegemonia da direita na capital federal.
A nível estadual, o avanço conservador no Senado foi implacável. No Paraná, o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro carimbou sua força política, enquanto no Rio Grande do Sul, as vagas ficaram com o delegado Ubiratan Sanderson e com o liberal Marcel van Hattem, derrotando as pretensões governistas no Sul do país. Até mesmo em Minas Gerais, tradicional termômetro da política nacional, o candidato do Partido Liberal, Domingos Sávio, liderou a votação para o Senado com 24,21%, embora a esquerda tenha conseguido salvar uma cadeira com Marília Campos, do Partido dos Trabalhadores. Esse novo desenho do Senado Federal impõe um nó górdio ao Executivo. Qualquer que seja o presidente eleito no final do mês, ele se deparará com um parlamento amplamente hostil a pautas progressistas, hipervigilante sobre o Supremo Tribunal Federal e fortemente inclinado a pautas de segurança pública e desregulamentação econômica. O enfraquecimento de partidos tradicionais de centro e de esquerda no Senado sinaliza uma legislatura de forte tensionamento institucional a partir de 2027.
A disputa para as esferas estaduais, que elegeu 20 governadores logo na primeira etapa da votação, escancarou o enraizamento do pragmatismo e do conservadorismo nas máquinas estaduais. Em Minas Gerais, Cleitinho, do partido Republicanos, liquidou a fatura no primeiro turno com 55,4% dos votos válidos, impondo uma derrota acachapante às articulações governistas no segundo colégio eleitoral do país. No Paraná, Sergio Moro acumulou o bônus político ao vencer a disputa para o Palácio Iguaçu logo de saída, consolidando a guinada à direita da região sulista. No Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, do Progressistas, garantiu sua reeleição com expressivos 67,3% dos votos, esmagando a candidatura do Partido dos Trabalhadores. A esquerda conseguiu respirar e manter seus bastiões históricos em poucos estados do Nordeste, como evidenciado pela reeleição de Jerônimo Rodrigues na Bahia. Essa fragmentação regional solidifica o muro invisível que divide a geopolítica interna do país, onde o Nordeste permanece como o porto seguro do lulismo, enquanto o restante do território nacional foi pintado com as cores do espectro conservador e do agronegócio.
A reação da imprensa internacional ao terremoto político brasileiro foi imediata, profunda e marcada por um tom de perplexidade misturado com realismo geopolítico. Grandes veículos globais interpretaram o resultado das urnas como parte de uma onda conservadora mais ampla que varre a América Latina e o Ocidente, destacando a resiliência do movimento de extrema-direita mesmo após anos de pressão judicial e midiática sobre o clã Bolsonaro. A revista britânica The Economist asseverou de forma contundente que o radicalismo político no Brasil não foi sepultado e que o país continua imerso em uma polarização severa que já dura quase uma década, indicando que as promessas de pacificação institucional falharam redondamente. O jornal francês Le Monde deu amplo destaque à surpreendente dianteira de Flávio Bolsonaro, ressaltando o peso da herança dinástica na manutenção do espólio eleitoral conservador no maior país da América do Sul.
O argentino Clarín debruçou-se sobre os aspectos macroeconômicos e o humor social, interpretando a abstenção expressiva de cerca de 21% como um voto de castigo disfarçado de apatia. De acordo com as análises do periódico portenho, o sufocamento das classes populares por dívidas crônicas e o custo de vida elevado neutralizaram o apelo emocional das campanhas lulistas tradicionais. Na Itália, o jornal La Repubblica classificou o resultado como uma derrota desastrosa para Lula e chamou a atenção para o fato de que a família Bolsonaro conseguiu estruturar seu futuro político e eleitoral de forma independente, sem a necessidade da presença constante de seu patriarca como candidato, o que demonstra a maturidade organizacional do movimento direitista. A rede de notícias Al Jazeera sublinhou que este veredicto ocorre em um momento econômico e social decisivo, impulsionado pela insatisfação popular generalizada com os índices de criminalidade urbana e a busca por discursos punitivos e focados na segurança pública. Por fim, jornais anglo-saxões como The Guardian descreveram a frustração e o desalento nas bases progressistas urbanas, concluindo que o Brasil emitiu um sinal inequívoco de guinada estrutural rumo ao conservadorismo profundo.
Em suma, o primeiro turno das eleições de 2026 funcionou como um choque de realidade para as forças governistas, evidenciando que as velhas fórmulas de conciliação de classes e pacotes de transferência de renda de curto prazo perderam a eficácia diante de uma sociedade que passou por profundas transformações socioculturais e econômicas na última década. O avanço acachapante da oposição no Senado, a consolidação de governos estaduais conservadores e o favoritismo numérico de Flávio Bolsonaro para a etapa final desenham um horizonte de imensa incerteza para o projeto político da esquerda brasileira. Independentemente de quem saia vitorioso das urnas em 25 de outubro, o espectro do bolsonarismo provou que possui raízes institucionais e sociais profundas, assegurando que o controle da agenda política do país continuará sob forte influência da direita pelos próximos anos. 

*Link/Endereço (Gemini AI): 

**Texto da resposta da IA gerado em 05/outubro/2026 às 13h21min. 

***Comando editado e inserido por ADL. 
 

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