Diplomatizzando
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Uma nova cúpula do BRICS+: estou aguardando uma nova declaração lacunar, capciosa, mentirosa - Paulo Roberto de Almeida
A Convenção contra a Corrupção da OCDE e um ministro corrupto da Suprema Corte do Brasil - Vladimir Aras, Paulo Roberto de Almeida
As decisões monocráticas delituosas de certo personagem que NUNCA poderia ter sido aceito para a Suprema Corte do país.
Nota preliminar: Vladimir Aras foi meu aluno no mestrado do Uniceub e fui eu quem, como chefe da Divisão de Política Financeira e Desenvolvimento do Itamaraty, providenciou para que o Brasil aderisse à Convenção Anticorrupção da OCDE, em 1997, mesmo sem que o Brasil fosse parte da OCDE. PRA
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Vladimir Aras 🇧🇷. (Dr. Direito, Prof. UnB, IDP, Procurador Federal)
@VladimirAras
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10 de set 2026
CASO ODEBRECHT
Em setembro de 2023, o ministro Dias Toffoli, do STF, tomou uma decisão inusitada.
Monocraticamente e com base em informações incorretas passadas pelo governo, ele anulou todas as provas obtidas por meio de acordo de leniência no caso Odebrecht. Essas provas estavam no exterior, na Suíça e na Suécia.
Agora, 30 organizações da sociedade civil de 21 países enviaram uma carta ao Grupo de Trabalho sobre Suborno da OCDE (WGB) no 3º aniversário dessa decisão.
A carta das ONGs destaca que a decisão monocrática de Toffoli barrou a cooperação com autoridades estrangeiras, beneficiando indevidamente ao menos 28 pessoas ou empresas de 8 países, inclusive ex-presidentes peruanos.
As entidades globais anticorrupção pedem ao WGB que, como órgão de monitoramento da Convenção, solicite ao STF o julgamento pelo plenário dos três recursos pendentes, interpostos pela PGR, pela ANPR e pelo MPSP.
Pedem também que o WGB consulte os Estados membros da OCDE sobre impactos dessa morosidade em casos em curso.
Por fim, solicitam que o WGB recomende a continuidade de investigações baseadas nos HDs da Odebrecht, podendo os Estados valer-se de cooperação com países que possam oferecer provas oriundas de fontes independentes (como a Suíça).
Embora o Brasil não seja parte da OCDE, nosso País é membro do WGB, por haver ratificado a Convenção Anticorrupção de 1997 (OECD Anti-Bribery Convention).
Apenas uma reflexão sobre o grave momento que vivemos - Paulo Roberto de Almeida
Apenas uma reflexão sobre o grave momento que vivemos
Paulo Roberto de Almeida
A política brasileira em geral, mas também os três poderes da República, vivem atualmente uma grave crise MORAL, e também um IMPASSE INSTITUCIONAL, uma vez que a corrupção, a venalidade, a mentira e a desfaçatez, todas essas más qualidades de simples mortais, PENETRARAM as instituições e a própria prática da política, a da sua execução (o Executivo), da sua legalidade republicana (o Parlamento) e a do julgamento de eventuais crimes (o Judiciário), o que faz com que tudo isso e todas essas instituições da República encontram-se, e se revelam CONTAMINADAS por práticas delituosas, algumas já reveladas, outras ainda não. Daí muitas dúvidas, sinceras algumas, oportunistas e rasteiras, outras.
Em consequência, nós, simples observadores, pessoas civis, ou seja, as pessoas que assistem, que participam do processo como eleitores que são, assistimos, alguns estupefatos, outros incrédulos, outros assustados, a todo esse espetáculo deplorável de uma FALÊNCIA MORAL da nossa "Quinta República" (talvez mais), reagimos como simples cidadãos que somos, mas também como seres pensantes que somos, alguns mais à esquerda, outros à direita, muitos centristas ou moderados, ou apenas indiferentes ao mundo da política, cuidando dos nossos afazeres, mas AFETADOS por todos os agentes públicos que atuam nos três poderes e nos órgãos de controle e de segurança pública, todos somos levados a expressar a nossa opinião sobre essa CONFUSÃO GERAL que se instalou no país, e que ATINGE O VOTO de cada um de nós ao sermos chamados para a urna no começo de outubro, de maneira definitiva para os cargos representativos, ou de maneira provisória, em previsão do segundo turno, para cargos executivos (presidente e governadores).
Como simples observador da vida pública, mas também como ser pensante, modestamente participante, como emissor de opiniões pessoais sobre a política, a economia e as relações exteriores do Brasil, também estou imerso no espetáculo deplorável que se oferece todos os dias aos nossos olhos, e preocupado com os destinos do país, de nossos filhos e netos, com a imagem do país na comunidade internacional, sou levado a refletir essa realidade em meus canais de comunicação social (como assinante de certos meios oferecidos por entidades privadas da área, como administrador de um blog pessoal, o Diplomatizzando), com inevitáveis lapsos de informação, e com julgamentos pessoais, escolhas políticas, opções MORAIS, no que posso acertar ou me equivocar nos julgamentos e opiniões.
Tenho de tomar partido, escolher quem, quais serão os eleitos como Executivos (no país ou num estado) ou Representantes nos corpos legislativos, nacional ou estadual, para o próximo período subsequente às eleições de outubro (geralmente por quatro anos, 2027-2030, senadores por oito anos, o que acho um exagero).
As "ofertas" que temos não são as ideais, algumas no domínio do continuísmo, outras como "novidade", mas praticamente todas marcadas por graves deficiências morais, políticas ou até criminosas (até julgamento), algumas, poucas, como esperança de uma melhor condução dos assuntos públicos. Não tenho muita ilusão de que o Brasil vai melhorar dramaticamente nos próximos anos, naquilo que conta: o bem-estar dos simples cidadãos na vida diária, especialmente os mais modestos e necessitados de ajuda, a estabilidade e a prosperidade na vida econômica e financeira de cada um, a credibilidade e a correção da postura do país na comunidade internacional, vale dizer, a qualidade da nossa política externa e da nossa diplomacia (o que me concerne pessoalmente). Sem ilusão, portanto, creio que vamos ter de escolher aquelas figuras, aqueles candidatos que possam trazer, acarretar, produzir o MÍNIMO de prejuízos para a nação em todas essas esferas da vida.
Isso é triste de se reconhecer, de afirmar, pois significa que as opções são todas muito limitadas, uma vez que os candidatos são muitos, e neles, com eles, suas respectivas qualidades, ou falta delas, podem ser duvidosas ou até mentirosas. O que fazer? Não tenho nenhuma recomendação especial, nominal, a fazer, apenas o uso de minha inteligência e informação, nenhum interesse pessoal, tão somente o uso do tirocínio pessoal para escolher – considero a abstenção uma renúncia ineficiente – os candidatos que se aproximam de certos princípios morais e políticos que julgarmos os mais qualificados, ou os menos danosos para a continuidade da democracia de qualidade em nosso país.
Esta é apenas uma mensagem reflexiva. Talvez eu volte com algum pronunciamento mais engajado (já tenho opinião formada sobre vários candidatos), ou apenas formulando sugestões de escolhas bem informadas, numa escala de prioridades que julgo relevantes na vida nacional. Apenas antecipando: sou contra mentirosos e falsificadores de suas próprias "qualidades", contra os vendidos e cúmplices da venalidade, da soberania nacional e dos preceitos simplesmente republicanos, não tenho partido ou religião (usada muitas vezes de maneira sórdida), tenho apenas a consciência de que nossas escolhas são provisórias, até que a crise, as CRISES que nos abatem atualmente sejam resolvidas da melhor forma possível, do que tenho enormes dúvidas.
O Brasil caminha para as eleições mais dramáticas de sua história, não tanto pela falta de informação, mas por informações deformadas pelos próprios impasses que nos atingem atualmente. Temos menos de um mês para refletir e escolher, sabendo que essa escolha vai se refletir em nossas vidas nos próximos anos, para alguns um futuro já curto, para outros uma esperança relativamente duvidosa.
Espero poder contribuir para um futuro melhor, com os meios de que disponho, com a inteligência formada no estudo e na experiência de vida.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 11 de setembro de 2026
O economista Marcelo Guterman passa um pito irônico no econonmista Felipe Salto
Sem alarmismo
O economista Felipe Salto reclama do “alarmismo” de certos analistas econômicos, que estariam inflando artificialmente as taxas de juros. Como se os traders do mercado fossem crianças assustadiças, que se impressionam com histórias de bicho-papão. A narrativa, e não os fatos, seria a culpada pelo nível de taxa de juros. Patético.
Sem nomear ninguém especificamente, Salto acusa alguém indeterminado de espalhar que o Estado brasileiro caminha para a insolvência. “Diz-se” e “afirma-se” são os tempos verbais usados. Trata-se do velho truque de eleger um falso espantalho para vencer uma discussão que não está sendo travada. Desafio Salto a indicar um analista sério que esteja falando de insolvência. O que se fala sim é que a trajetória da dívida é insustentável, e que a saída mais provável, se nada for feito, será um surto inflacionário que “queime” a dívida. Daí o prêmio de risco nos juros, que nada mais é do que um seguro contra a inflação. Se houvesse realmente receio de um calote, não haveria taxa de juros suficiente para a colocação da dívida.
Não Salto, não é o “alarmismo” que provoca as altas taxas de juros. É o justo oposto: são as altas taxas de juros que provocam o acionamento dos alarmes nas mesas de operações. E o que provoca as altas taxas de juros? A possibilidade de reeleição de um governo que “não vê problema” na alta dívida pública e no déficit primário, é isso que provoca as altas taxas de juros.
Salto acusa analistas genéricos de causarem pânico com suas “avaliações catastrofistas, descoladas da realidade”, ao invés de “colaborar com a construção de saídas inteligentes”. Vamos aqui deixar de lado a contradição em termos de um raciocínio que, a um só tempo afirma que “não temos um problema” e “precisamos construir uma solução para o problema”. Vou apenas constatar a sabujice do economista, que exige dos analistas uma colaboração com o governo, naquilo que o governo que ele sempre apoiou jamais foi capaz de entregar. Ora, quem tem que aparecer com “saídas inteligentes” é o governo, não os analistas. É o governo que tem a responsabilidade política de resolver os problemas. Os analistas não fazem parte do governo, ainda que Salto desejasse muito.
Como nota final, a bandeira do aumento da meta de inflação, abraçada por Salto e outros economistas ligados ao governo, é também um dos fatores que pressionam as taxas de juros. Os agentes do mercado não são idiotas, e vendo essa discussão crescer, já colocam no preço dos ativos a perspectiva de uma inflação estruturalmente mais alta no futuro. Salto, portanto, colabora para que tenhamos taxas de juros mais altas. Sem alarmismo.
Blog do Marcelo Guterman é uma publicação apoiada pelos leitores.
Exame circunstanciado da Declaração do Brics de 2025 - Paulo Roberto de Almeida
Procedi a pequenas observações contraditórias sobre as posições contraditórias do BRICS em sua reunião de 2025. Vale mais o que não é dito do que o que é dito:
Destaques curiosos da Declaração do Rio de Janeiro do Brics+, 2025
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor
Ressaltando certas afirmações incongruentes da dita declaração, com pequenas observações contrarianistas.
Parto da “Declaração do Rio de Janeiro” da reunião de cúpula do Brics+, emitida em 6 de julho de 2025, apenas destacando o que me pareceu mais curioso dentre as dezenas de afirmações, promessas, compromissos do referido documento. Minhas observações seguem em meio ao texto, entre colchetes, ou ao final de cada frase destacada, sempre em itálico, atendendo à sua numeração. Três quintos, talvez mais, dos 126 parágrafos da declaração, cobrem todos os campos possíveis da cooperação internacional, bilateral, plurilateral, regional, multilateral e setorial, esgotando todas as possibilidades humanas e sociais, no mais perfeito mundo ideal dos sonhos de todos os internacionalistas, globalizadores e promotores do bem-estar coletivo e da felicidade geral dos povos. Vários deles contêm muita hipocrisia, ou mentiras flagrantes, como a tentativa de obscurecer a responsabilidade primordial da Rússia de Putin pelas ameaças à paz e a segurança internacionais, facilmente detectáveis pelas lacunas mais flagrantes dessa super-declaração, da qual vou destacar apenas as contradições mais chocantes.
[0. Título: “Fortalecendo a Cooperação do Sul Global...”
PRA: Curioso que Rússia e China estejam incluídas no Sul Global, cujos contornos geográficos e convergência de propósitos são altamente incertos.]
2. Reafirmamos nosso compromisso com o espírito do BRICS de respeito e compreensão mútuos, igualdade soberana, solidariedade, democracia, abertura, inclusão, colaboração e consenso. (...) aprimorar nossa parceria estratégica em benefício de nossos povos por meio da promoção da paz, ...
PRA: Vou destacar tão somente os conceitos mais eloquentemente bizarros, em função da realidade da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia.
5. (...) reafirmamos nosso compromisso com o multilateralismo e a defesa do direito internacional, incluindo os Propósitos e Princípios consagrados na Carta das Nações Unidas (ONU), em sua totalidade e interconexão como seu alicerce indispensável, e o papel central da ONU no sistema internacional, (...) assegurar a promoção e a proteção da democracia, dos direitos humanos e liberdades fundamentais para todos, bem como da cooperação baseada na solidariedade, no respeito mútuo, na justiça e na igualdade. ...
PRA: Tudo isso seria válido se não fosse por uma única realidade: a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia.
6. (...) apoio às aspirações do Brasil e da Índia de desempenhar um papel mais relevante nas Nações Unidas, incluindo o seu Conselho de Segurança.
PRA: Isso foi tudo o que Rússia e China, que se opõem, como os demais membros do CSNU, a essa acessão ao CSNU, consentiram em afirmar, hipocritamente, como se estivessem fazendo uma concessão ao Brasil e à Índia, sabendo que nada será concretizado.
7. (...) reiteramos nosso compromisso em dotar as Nações Unidas com todo o suporte necessário para cumprir seu mandato.
PRA: Como se pode ver, é o que a Rússia vem fazendo desde que Putin assumiu o poder, mas tudo ao contrário.
8. ... Destacamos a importância do Sul Global como motor de mudanças positivas, especialmente diante de significativos desafios internacionais, incluindo o agravamento das tensões geopolíticas, ... Acreditamos que os países do BRICS continuam a desempenhar um papel central na ... promoção de uma ordem internacional mais justa, sustentável, inclusiva, representativa e estável, com base no direito internacional.
PRA: Não poderia ser mais contrário às realidades.
9. Recordando que 2025 marca o octogésimo aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial..., manifestamos nosso pleno apoio [às] Nações Unidas, concebida para proteger as gerações futuras do flagelo da guerra.
PRA: Apoio inclusive da Rússia?
13. O sistema multilateral de comércio está há muito tempo em uma encruzilhada. A proliferação de ações restritivas ao comércio, seja na forma de aumento indiscriminado de tarifas e de medidas não-tarifárias, seja na forma de protecionismo sob o disfarce de objetivos ambientais, ameaça reduzir ainda mais o comércio global, interromper as cadeias de suprimentos globais e introduzir incerteza nas atividades econômicas e comerciais internacionais, potencialmente exacerbando as disparidades econômicas existentes e afetando as perspectivas de desenvolvimento econômico global. Expressamos sérias preocupações com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais que distorcem o comércio e são inconsistentes com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Nesse contexto, reiteramos nosso apoio a um sistema multilateral de comércio baseado em regras, aberto, transparente, justo, inclusivo, equitativo, não discriminatório e consensual, com a OMC em seu núcleo, com tratamento especial e diferenciado (TED) para seus membros em desenvolvimento.
PRA: Por uma vez, uma declaração absolutamente correta, inclusive porque o grande culpado é o presidente atual dos EUA.
14. Condenamos a imposição de medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional ... Reafirmamos que os estados-membros do BRICS não impõem nem apoiam sanções não autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU.
PRA: Cabe registrar que as sanções introduzidas por um punhado de países amantes do Direito Internacional, contra a Rússia, em virtude de sua guerra de agressão à Ucrânia, ilegal, portanto, são plenamente consistentes com a letra e o espírito da Carta das Nações Unidas, e respondem a um de seus artigos relativos ao apoio a ser prestado POR TODOS OS MEMBROS, à parte agredida.
16. Reconhecemos que a Inteligência Artificial (IA) representa uma oportunidade singular para impulsionar o desenvolvimento rumo a um futuro mais próspero. (...) Para apoiar um debate construtivo em direção a uma abordagem mais equilibrada, lançamos a Declaração dos Líderes do BRICS sobre Governança Global da Inteligência Artificial, que visa a promover o desenvolvimento, a implantação e o uso responsáveis de tecnologias de IA para o desenvolvimento sustentável e o crescimento inclusivo ... e respeitando a soberania dos estados.
PRA: O vezo intrusivo, intervencionista e regulatório por via estatal combina com as políticas nacionais da maior parte dos Brics+, se não for de todos. Imaginemos que na primeira revolução industrial a Inglaterra tivesse decidido regular o uso e aplicação das caldeiras a vapor e tecnologias correlatas, ou que só o Estado inglês pudesse investir em ferrovias e locomotivas a carvão.
18. Notamos o atual contexto global de polarização e desconfiança e encorajamos ação global para fortalecer a paz e a segurança internacionais. Conclamamos a comunidade internacional a responder a esses desafios e às ameaças à segurança associadas por meio de medidas político-diplomáticas para reduzir o potencial de conflitos e enfatizamos a necessidade de engajamento em esforços de prevenção de conflitos, inclusive por meio do enfrentamento de suas causas profundas.
PRA: Parte da comunidade internacional já está respondendo aos desafios, ajudando a Ucrânia a se defender de uma grave ameaça cuja “causa profunda” à sua segurança provém da agressão russa unilateral. Registre-se que a expressão “causas profundas” é uma exigência russa na declaração, querendo sinalizar que só atacou a Ucrânia porque a “causa profunda” era uma suposta ameaça ucraniana ou da Otan à sua segurança.
19. ... Condenamos veementemente todas as violações do direito internacional humanitário, incluindo ataques deliberados contra civis e bens de caráter civil, incluindo infraestrutura civil, bem como a negação ou obstrução do acesso humanitário e o direcionamento de ataques contra o pessoal humanitário. Ressaltamos a necessidade de assegurar a responsabilização por todas as violações do direito internacional humanitário.
PRA: Puxa! Quanta preocupação com o direito humanitário. Os Brics já registraram onde são perpetradas as piores violações a esse direito atualmente? Por que esconder os exemplos mais “veementes”?
21. Condenamos os ataques militares contra a República Islâmica do Irã desde 13 de junho de 2025, que constituem uma violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, e expressamos profunda preocupação com a subsequente escalada da situação de segurança no Oriente Médio. Expressamos ainda séria preocupação com os ataques deliberados contra infraestruturas civis e instalações nucleares pacíficas sob totais salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em violação ao direito internacional e a resoluções pertinentes da AIEA.
PRA: A seletividade dos Brics é um caso estarrecedor: nenhuma palavra a respeito dos ataques militares contra a República da Ucrânia, inclusive sítios nucleares.
22. Recordamos nossas posições nacionais em relação ao conflito na Ucrânia, expressas nos fóruns apropriados, incluindo o CSNU e a AGNU.
PRA: “Posições nacionais” é um escape para a Rússia sequer admitir que atacou a Ucrânia unilateralmente.
34. Expressamos nossa firme condenação a quaisquer atos de terrorismo, considerados criminosos e injustificáveis, independentemente de sua motivação, quando, onde e por quem quer que os tenha cometido. (...) Reafirmamos nosso compromisso com o combate ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações, incluindo o movimento transfronteiriço de terroristas, o financiamento do terrorismo e os locais de refúgio para terroristas.
PRA: Aparentemente, os ataques diários da Rússia contra alvos civis na Ucrânia não são considerados pelos Brics como atos de terrorismo.
35. Condenamos nos termos mais fortes os ataques contra pontes e infraestrutura ferroviária que visaram deliberadamente civis nas regiões de Bryansk, Kursk e Voronezh, na Federação Russa, em 31 de maio e 1º e 5 de junho de 2025, resultando em várias vítimas civis, incluindo crianças.
PRA: Neste parágrafo, os Brics chegaram ao limite da desfaçatez vergonhosa e da seletividade imoral, ademais de registrarem uma mentira deslavada. A Ucrânia tem atingido basicamente alvos militares, ao contrário da Rússia, atacando deliberadamente hospitais, escolas e creches. Como diplomata brasileiro sinto vergonha pelo fato da delegacão do Brasil ter consentido num parágrafo vergonhoso como esse.
38. Expressamos preocupação com os crescentes riscos de perigo e conflito nuclear.
PRA: Parece incrível que nenhum dos Brics tenha registrado as constantes, reiteradas ameaças de recurso à arma nuclear na guerra de agressão à Ucrânia, direta e expressamente feitas pelo próprio Putin e seu presidente de conveniência.
42. Saudamos os resultados alcançados pela “Estratégia para a Parceria Econômica do BRICS 2025”.
PRA: Não existem resultados nessa área até o momento, apenas declarações de intenções e expressão de desejos. Não existe nenhum acordo de liberalização comercial, ou acordos de proteção de investimentos entre os países membros.
45. À medida que o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) se prepara para embarcar em sua segunda década de ouro de desenvolvimento de alta qualidade, reconhecemos e apoiamos seu crescente papel como um agente robusto e estratégico de desenvolvimento e modernização no Sul Global. (...) Apoiamos plenamente a liderança da Presidente Dilma Rousseff, cuja recondução recebeu forte apoio de todos os membros...
PRA: O NDB é apenas mais um banco de fomento, como existem vários no mundo, e com processos de avaliação de projetos muito técnicos e seguros com respeito à análise de custos e benefícios. Se o banco dos Brics for leniente na análise dos projetos, apenas para prover recursos aos países membros sem o devido rigor técnico, pode-se antecipar futuras inadimplências e crises de endividamento, como já registrado no passado em outras esferas.
49. Saudamos o foco do Mecanismo de Cooperação Interbancária do BRICS (ICM em inglês) em facilitar e expandir práticas financeiras inovadoras e abordagens para projetos e programas, incluindo a busca por mecanismos de financiamento em moedas locais aceitáveis. Saudamos o diálogo contínuo entre o ICM e o NDB.
PRA: Persiste entre os Brics, especialmente provocada pelo presidente Lula, essa ideia artificial – pois que apenas politicamente sustentada – de substituir o dólar nas transações internacionais, começando pelos próprios Brics, num desconhecimento total do funcionamento do sistema multilateral de pagamentos, e dos interesses dos comerciantes privados de adotarem os meios mais eficientes e baratos. Não é o caso, atualmente, de nenhuma das moedas nacionais do Brics, menos ainda de um novo instrumento criado politicamente para tal finalidade, sem considerar custos e desvantagens associadas a um novo meio de pagamento sem sustentação em bases econômicas reais.
53. Saudamos o progresso em relação ao Arranjo Contingente de Reservas (CRA em inglês), incluindo o consenso alcançado pela equipe técnica sobre a revisão do tratado e regulações.
PRA: Se o CRA é mera cópia dos mecanismos existentes no FMI ele é redundante; se ele for mais permissivo, pode estimular maiores posições de risco e possível esgotamento dos recursos em algum momento do futuro.
55. Saudamos a iniciativa da presidência brasileira de lançar o Seminário do BRICS sobre Compras Governamentais Sustentáveis como uma plataforma para troca de conhecimentos e cooperação Sul-Sul.
PRA: Parece mais um outro nome para a continuidade de reservas de mercado nacionais, ou seja, custos mais altos e ineficiências.
65. Notamos que altos níveis de endividamento de alguns países reduzem a margem fiscal necessária para enfrentar desafios atuais ao desenvolvimento, agravados por efeitos de transbordamento de choques externos, particularmente de oscilações em políticas financeiras e monetárias em algumas economias avançadas, assim como os problemas inerentes à arquitetura financeira internacional.
PRA: Nenhuma potência financeira internacional, ou órgão financeiro multilateral, empurrou qualquer um dos países membros, e outros, a altos níveis de endividamento, que resulta de um comprometimento soberano com empréstimos externos excessivos.
70. Enfatizamos a importância de assegurar a segurança alimentar e nutricional, bem como de mitigar os impactos da volatilidade aguda dos preços dos alimentos e de crises abruptas de abastecimento, incluindo a escassez de fertilizantes.
PRA: Uma das principais ameaças à segurança alimentar no mundo foi (ainda é) a iniciativa russa de bloquear a exportação de grãos a partir dos portos do Mar Negro. Sobre isso, a declaração do Brics não tem nada a dizer.
126. Estendemos total apoio à Índia em sua presidência do BRICS em 2026 e na realização da XVIII Cúpula do BRICS na Índia.
PRA: Boa sorte! Trump talvez ainda esteja desvairado nos tarifaços contra os Brics.
Paulo Roberto de Almeida
São Paulo, 13 julho 2025, 5 p.
Disponível Academia.edu (link: https://www.academia.edu/136882058/4988_Destaques_curiosos_da_Declaracao_do_Rio_de_Janeiro_do_Brics_2025); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/07/4988-destaques-curiosos-da-declaracao.html).
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Madame IA faz o balanço das postagens no Diplomatizzando, aos 20 anos e 3 meses de existência do blog - ADL, Madame IA e Paulo Roberto de Almeida
Eu deveria talvez me sentir elogiado, mas Madame IA, sob instigação de Airton Dirceu Lemmertz, efetua uma nova avaliação sobre o meu quilombo de resistência intelectual:
- Dividindo a marca histórica informada de 26 milhões de visualizações pelo período transcorrido, a média anual resultante é de aproximadamente 1,285 milhão de acessos por ano.
- A média mensal se estabelece em torno de 107 mil visualizações por mês. Ambas as projeções dão suporte exato às afirmações contidas no texto.
Sobre os acasos da História- Paulo Roberto de Almeida
Reflexões sobre as inconstâncias dos chamados Estados Soberanos, um contraponto, nos últimos quatro ou cInco séculos, aos grandes impérios mais ou menos resilientes
Paulo Roberto de Almeida
Certas coisas podem ser inéditas na história da humanidade: colusão e coalizão entre grandes potências, cada uma com interesses próprios, mas interagindo entre elas por razões independentes cada uma.
O Império do Meio foi o primeiro e mais importante poder avançado na história mundial. Decaiu, por motivos próprios, de incompetência no topo e por invasões estrangeiras. Foi humilhado durante mais de um século, pelos imperialismos ocidentais, depois invadido e esquartejado pelo imperialismo expansionista japonês. Parte do seu território foi roubado pelo império czarista. A partir de Deng Xiaopingcomeçou um processo de reconstrução de seu antigo poderio, alcançando, sob Xi Jimping, preeminência econômica em vários setores.
O império russo se formou gradualmente a partir de Kyiv-Rus e depois foi sendo aumentado de maneira brutal pelos tiranos que produziram formas precoces de regimes autoritários, mas a forma especifica de totalitarismo surgiu com o império soviético. Decaiu, sob o irracional regime comunista, e agora está sendo reconstruido sob o regime cleptocrático mafioso de Vladimir Putin.
O império americano começou a ser formado depois da guerra de Secessão e se tornou, pelo vigor econômico, a maior potência durante os últimos cem anos. Uma grande democracia sendo erodida e deztruída pelo maior débil mental jamais conhecido na história das grandes potências. Esse mesmo débil mental está destruindo não só a democracia, mas também a economia, com sua insanidade tarifária. O mais incrivel é que o Congresso democraticamente eleito não vonsegue conter o idiota em sua insanidade.
O fato é que o debiloide americano ama o (ou é dominado pelo) tirano de Moscou, que por sua vez fez uma “aliança sem limites” com o novo imperador chinês, que já vassalizou a Rússia decadente.
A nenhuma interessa uma confrontação direta com as demais, que são observadas preocupadamente pelo meio império da UE (que ainda não conseguiu superar os efeitos de guerras do passado), assim por potências médias que definem suas próprias alianças temporárias.
É possivel que os três grandes impérios encontrem uma formula de convivência temporária, que deixará de existir com a decadência independente de cada um deles. Ambições desmedidas de dirigentes irracionais obstam a que o mundo possa se desenvolver uniformemente à base de livre comércio, livre circulação de capitais e de capital humano, parte dele ainda não educado e miserável.
Paixões e interesses ainda continuam a moldar o mundo, com imensas perdas para todos, mais pelo custo oportunidade da não liberalização ampliada do que por enfrentamento direto entre eles (que de toda forma não ocorrerá, devido à possibilidade de destruição total pela arma atômica). A guerra de Troia, pelo seu efeito delongado, não está muito longe dos cenários possíveis no século XXI.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 10/09/2026
O czar em pessoa; sim, ele mesmo, Vladimir Putin, o ditador que quer superar os 30 anos de Stalin - Roman Badanine et Mikhaïl Roubine (Le Point)
“NELE, TUDO É MENTIRA” : O VERDADEIRO PUTIN, CONTADO POR AQUELES QUE O ESTUDARAM DE PERTO
« LE TSAR »
« Chez lui, tout est mensonge » : le vrai Poutine raconté par ceux qui l’ont étudié de près
ENTRETIEN. Les enquêteurs russes Roman Badanine et Mikhaïl Roubine, auteurs du livre événement sur Vladimir Poutine « Le Tsar en personne » (éditions Les Arènes), se confient en exclusivité au « Point ».
Publié le 09 septembre 2026 à 06h30

Le président russe Vladimir Poutine au Kremlin, à Moscou, le 5 septembre 2026. AFP/GAVRIIL GRIGOROV
De Vladimir Poutine, on parle beaucoup, mais on sait en réalité peu de choses. Pour qui regarde la télévision russe et lit les dépêches de propagande du Kremlin se dessine le portrait d’un dirigeant conservateur, attaché aux traditions chrétiennes comme aux valeurs familiales, proche de son peuple et menant une vie sobre, loin de tout faste. Rien de tout cela n’est vrai. Ou plutôt : la vérité est à l’exact opposé.
Roman Badanine et Mikhaïl Rubin comptent parmi les meilleurs journalistes d’investigation de Russie. Le premier a fondé et dirige le média indépendant Proekt, le second fut reporter accrédité au cœur même du pouvoir. Pendant des années, ils ont scruté les arcanes du Kremlin : la personnalité du maître, ses réseaux familiaux, sa santé, ses maîtresses, son patrimoine immobilier… Jusqu’au point de rupture. Contraints à l’exil en 2021, estampillés « agents de l’étranger » et visés par le FSB, ils ont trouvé refuge au sein de prestigieuses universités américaines (Stanford et North Carolina).
Le fruit de leurs travaux paraît dans leur livre Le Tsar en personne, publié le 17 septembre (éditions Les Arènes). La somme d’informations impressionne, les photos exclusives abondent et la rigueur des sources atteste d’une enquête aussi minutieuse que discrète – « se méfiant autant de Signal que de Telegram, l’un de nos informateurs nous a donné rendez-vous en République dominicaine : il exigeait un échange de vive voix. Nous l’avons vu débarquer d’un yacht ! » témoigne Roman Badanine.
De cet empilement de faits émerge le visage du véritable Poutine. Un homme obsédé par son image, au point d’avoir fait interdire toute publication de biographie et d’avoir truqué celles déjà parues – semant la confusion jusque dans son propre esprit, puisqu’il intervertit parfois les dates de décès de sa mère et de son père.
Un dirigeant hypocondriaque, escorté en permanence d’un collège de cinq médecins – un ORL, un dermatologue, un réanimateur, un traumatologue et un oncologue. Un assidu de la messe de Pâques orthodoxe, qui plonge dans un trou de glace pour l’Épiphanie et prône les valeurs familiales, mais a longtemps gravité autour d’un bar de strip-tease de Saint-Pétersbourg et collectionne les maîtresses, dont certaines auraient l’âge d’être ses filles. Un prétendu serviteur de l’État, qui affectionne pourtant les yachts et s’est fait bâtir à Guelendjik une résidence pharaonique dotée d’un trône. Poutine se verrait volontiers en Nicolas Ier ; on découvre un personnage plus proche du Tony Montana de Brian De Palma.
Le Point : Poutine cultive l’image d’un homme pieux, attaché aux valeurs familiales et étranger au luxe. Votre livre démontre le contraire. Comment est-il parvenu à cette « complète inversion des valeurs », selon votre expression ?
Roman Badanine : Cela lui a pris vingt-six ans. Il a façonné pas à pas son image d’homme pieux et dévoué aux siens, mû par des convictions qu’il prétend inébranlables : amour de la patrie et dévouement au peuple. Dans le même temps, Poutine et son entourage ont bâti une machine de propagande et de mensonges immense, sans précédent – seule la Chine, peut-être, peut rivaliser. Des dizaines de milliers de personnes font de la propagande à différents postes en Russie, et toute cette machine a été conçue pour promouvoir l’image publique de Poutine.
En Occident, certains ont beaucoup contribué à entretenir cette fausse image. Il suffit de lire des articles publiés sur Poutine ces dernières années : on y retrouve les mêmes récits sur ses pseudo-convictions, dont les éléments factuels proviennent directement de la propagande russe. Je pense qu’il y a une forme de peur derrière tout ça. L’Occident a souvent eu peur de Poutine, il a préféré accepter ces mythes.
Mikhaïl Rubin : Notre but était de montrer que toute son image est un mensonge. Je comprends que les Russes y croient, car beaucoup n’ont malheureusement accès qu’à la propagande russe. Mais ce fut un choc de réaliser que dans les pays occidentaux, où les gens ont accès à des médias indépendants, cette image de dirigeant soi-disant conservateur ait pu s’imposer. Jeune journaliste, je voulais faire partie du pool du Kremlin pour découvrir la vérité sur Vladimir Poutine. Quand je suis devenu reporter accrédité au Kremlin, dans un média dont Roman était rédacteur en chef, j’ai découvert que tout, chez Poutine, est mensonge. Le voir en personne ne permet malheureusement pas de répondre à toutes les questions, mais on voit que son image publique est un mensonge.
Après quoi court cet homme « sans idéologie » ?
R.B. : Deux buts : s’enrichir et régner pour toujours. Il est déjà très riche et n’a rien contre l’idée d’être encore plus riche [rires]. Mais c’est du pouvoir qu’il est le plus avide.
Où vit-il réellement : dans l’un de ses palais ou au Kremlin ? Et que pensez-vous des théories sur ses sosies ?
M.R. : Tout chez lui étant mensonge, la seule réponse honnête est : nous ne savons pas. On le voit souvent dans un décor qui ressemble à sa résidence de la région de Moscou, mais il faut savoir qu’il existe plusieurs copies de ses bureaux. Il peut être n’importe où, dans un bunker, dans une autre résidence. En revanche, nous savons avec certitude qu’il ne séjourne jamais dans des lieux publics et qu’il ne dit jamais où il est réellement.
Nous savons aussi qu’il ne reste jamais longtemps dans le sud de la Russie, près de la frontière ukrainienne. Par peur, il ne se rend plus guère dans son fameux palais de Guelendjik, sa résidence de Sotchi ou celle de Crimée. Il passe plus de temps dans sa résidence autour de Moscou ou, quand il ne se sent pas en sécurité, il va dans la région de Valdaï, au nord. Pendant la mutinerie de Prigojine, nous pensons qu’il avait fui Moscou pour Valdaï. Il voyage aussi beaucoup désormais dans l’est de la Russie, loin des endroits où il pourrait être attaqué.
Nous savons tous que Poutine n’est pas célibataire.
R.B. : Concernant le palais de Guelendjik : on sait que Poutine y a séjourné il y a une dizaine d’années ou plus, quand le palais venait d’être construit. Il a l’air d’aimer cet endroit – Poutine aime la région de Sotchi, dont Guelendjik fait partie : le climat est doux, on peut boire le thé dehors ou au salon. Nous savons aussi que ce palais était rempli de jouets faits pour ses enfants ou ses nièces. Puis il y eut les scandales autour du luxe du palais, il est devenu plus simple pour lui de ne plus y aller, pour ne pas attirer l’attention. Une autre chose est certaine : Alina Kabaeva et leurs deux garçons [l’une des compagnes de Vladimir Poutine avec laquelle il a eu deux enfants, selon les auteurs, NDLR] ont vécu un long moment dans la datcha de Valdaï. Ils y étaient encore vraisemblablement en 2022, au début de la guerre.
Quant aux sosies, c’est un exemple de ces nouveaux mythes qu’on tente de créer autour de Poutine. Pas besoin de nouveaux mythes : il est déjà assez terrifiant comme ça. Nous avons beaucoup enquêté et nous n’avons pas trouvé la moindre preuve qu’il ait jamais utilisé un sosie. Nous avons entendu beaucoup de rumeurs, certaines venant de gens qui travaillent avec lui… Nous essayons de nous tenir à l’écart de ces mystères, car nous ne voulons pas reproduire ces mythes. Encore une fois : Poutine est déjà assez terrible tel qu’il est.
Détail cocasse ou cruel : depuis dix-sept ans, la déclaration de patrimoine de Poutine mentionne une remorque de camping datant de l’ère soviétique…
R.B. : Il se moque de toute la population russe, car tout le monde comprend que c’est une plaisanterie, et une mauvaise. C’est sa manière d’interagir avec sa population. « Allez vous faire foutre », voilà ce qu’il dit en réalité. « Je ne veux pas rendre compte de mes biens. » C’est sa réponse.
M.R. : Je suis entièrement d’accord avec Roman. Je me suis toujours demandé à qui il adresse ce message : au peuple, ou peut-être à quelqu’un d’autre… Il faut rappeler que les déclarations anticorruption ont été instaurées par Dmitri Medvedev quand il était président. Voilà la réponse de Poutine.
La version officielle dit que Poutine n’entretient aucune relation avec une femme depuis son divorce de 2013. Que faut-il en penser ?
R.B. : La Russie est un pays étrange : elle compte 140 millions d’habitants, elle a la bombe atomique, mais elle ne sait rien, absolument zéro, de la vie personnelle de son dirigeant. Tout le monde sait bien qu’il ment sur son statut marital. Nous savons tous que Poutine n’est pas célibataire, qu’il a eu, et a encore je pense, des liens avec différentes femmes. Certaines assez jeunes d’ailleurs.
M.R. : C’est intéressant car cela va à l’encontre de son image publique : officiellement, un leader conservateur devrait être marié et avoir une femme à ses côtés. Mais pour Poutine, une chose compte encore plus que son image : la dissimulation. Il y a deux sujets officiellement interdits en Russie : la vie personnelle du chef et sa santé. La version officielle est la suivante : il n’est jamais malade et n’a pas de famille.
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Vous lui attribuez plusieurs compagnes depuis son divorce…
R.B. : Oui, et même avant. D’après nos informations, il était séparé de son épouse Lioudmila bien avant que soit prononcé le divorce, en 2013.
Vous dites qu’il a ensuite fréquenté Svetlana Krivonogikh, plus de vingt ans sa cadette, puis la gymnaste Alina Kabaeva. Cette dernière est-elle toujours sa compagne ?
R.B. : Nous pensons que oui. D’après toutes les preuves dont nous disposons, ils étaient en couple il y a deux ou trois ans. Nous avons vu des éléments nous permettant d’affirmer que Kabaeva était présente à Valdaï ces dernières années, ce qui indique qu’ils sont toujours ensemble. Et puis ils ont deux garçons, dont l’un s’appelle Vladimir – le prénom de son père. Dans son monde, je pense que cela veut dire beaucoup : il aime cet enfant. Rien à voir avec Louisa Rozova, la fille qu’il a eue avec Svetlana Krivonogikh, qui n’a jamais bien connu son père.
M.R. : De nombreux indices, certes indirects, montrent qu’Alina Kabaeva jouit d’un statut de quasi-impératrice : elle est devenue très riche et très influente. Pas au point de nommer un ministre, mais dans sa sphère, le sport, elle est un personnage central. Elle est bien plus influente que le ministre des Sports officiel.
Poutine, chef du FSB, passait ses étés en France.
Pourquoi un tel secret autour de ses enfants ? On dit que l’une de ses filles travaille dans une galerie d’art à Paris. Qu’en savez-vous ?
R.B. : Il s’agit de Louisa Rozova, que j’ai déjà mentionnée. Elle est bien la fille de Poutine et Svetlana Krivonogikh. Comme je le disais, elle a vécu toute sa vie avec sa mère, presque entièrement à Saint-Pétersbourg. Sa mère est une femme très riche et toute cette richesse vient de Poutine ou de ses amis. Mais Louisa ne fait pas partie de la famille « officielle » de Poutine. Elle est assez indépendante. Et d’après ce que nous comprenons, elle a décidé de vivre sa vie de manière indépendante à Paris, en travaillant dans une galerie d’art.
M.R. : On peut ajouter que c’est à cause d’elle, du moins en partie, qu’ont commencé certains de nos problèmes et que nous avons dû quitter la Russie en 2021. Notre média, Proekt, a été le premier à révéler son existence. Avant 2020-2021, personne ne savait que Poutine avait une maîtresse et un enfant caché. Quelques mois après notre révélation, les télévisions d’État ont commencé à nous attaquer, expliquant aux Russes qu’il fallait se méfier de certains médias d’investigation. La propagande n’a jamais mentionné l’histoire de Louisa Rozova ni de sa mère, mais ses attaques ont commencé juste après cette enquête.
Votre livre s’intitule Le Tsar et certains, dans son entourage, le flattent en le comparant à Nicolas Ier. Vous décrivez un personnage qui tient davantage du parrain ou du petit mafieux…
M.R. : Notre idée générale est que Poutine est une combinaison des deux : moitié gangster, moitié KGB. Il est tout à la fois l’officier du KGB nostalgique de l’URSS et le voyou sorti des bas-fonds de Saint-Pétersbourg.
Vous racontez certains de ses séjours en France, un pays qu’il apprécie beaucoup, selon vous – du moins avant la guerre…
M.R. : D’abord, un bref rappel historique. C’est une tradition ancienne de l’élite russe : la culture française a longtemps été très influente et importante pour elle. Les nobles russes des XVIIIe et XIXe siècles parlaient mieux français que russe. Je ne sais pas si Poutine suit cette tradition, mais il a commencé à voyager en France avec toute sa famille dès qu’il a pu le faire.
R.B. : Deux événements majeurs pour lui sont survenus en France, alors qu’il y passait des vacances : le moment où il a appris qu’il était nommé futur chef du FSB et celui où il a été désigné successeur de Boris Eltsine. Boris Berezovsky a fait le déplacement en personne pour lui annoncer, en France, l’incroyable nouvelle.
M.R. : C’est drôle de se dire que Poutine, chef du FSB, passait ses étés en France avant de devenir l’ennemi idéologique de l’Occident. En réalité, il adorait l’Occident.
R.B. : Les agents actuels du FSB n’ont pas sa chance. Il leur interdit désormais de passer leurs vacances hors du pays.
Nous ne pouvons jamais nous sentir en sécurité, où que ce soit.
Le FSB a le bras long. Vous sentez-vous en sécurité aux États-Unis, ou lorsque vous voyagez en Europe ?
R.B. : Un jour, le FBI a sonné à ma porte pour me prévenir que je pourrais être une « personne d’intérêt » pour les services de renseignement russes. Comment l’interpréter : est-ce sérieux ? Une simple précaution ? Nous ne savons pas. Vivre dans un pays doté d’un système judiciaire relativement fonctionnel m’aide à me sentir un peu plus en sécurité que dans d’autres endroits du monde. Même chose pour les voyages : je n’irais pas dans des pays exposés, ou potentiellement exposés, à une action physique des services russes, comme la Turquie, ou d’autres pays « amis ». Nous savons bien que les autorités et les forces spéciales russes peuvent faire des choses graves à leurs ennemis, où qu’ils soient, même aux États-Unis. Nous ne pouvons jamais nous sentir en sécurité, où que ce soit.
Il vous est impossible de retourner en Russie depuis que la propagande vous a qualifiés d’« agents de l’étranger ».
R.B. : Pour la propagande, nous sommes des « agents de l’étranger » depuis des années – y compris lorsque nous étions en Russie. Travailler pour un média indépendant suffit. Personnellement, je n’ai plus rien en Russie : ni propriété, ni argent. Rien, sauf la tombe de mes parents. Alors, suis-je un agent de l’étranger, le patron d’une « organisation indésirable » ? Ce n’est pas agréable, mais cela m’indiffère.
M.R. : J’essaie, moi aussi, de ne pas me soucier de ce statut, et je ne me considère certainement pas comme un agent de l’étranger. Je n’ai plus rien en Russie, sauf mes parents. Je m’interdis de penser à la possibilité de retourner en Russie, de rentrer à la maison. J’ai tout coupé.
Vous regrettez que Poutine ait longtemps été présenté comme un dirigeant respectable. Ne craignez-vous pas qu’il retrouve cette respectabilité, à la faveur d’éventuelles négociations sur l’Ukraine ?
R.B. : Il s’agit là de l’une de nos plus grandes déceptions professionnelles. Pendant des années, nous avons travaillé dur pour dépeindre le vrai Poutine et la nature de son régime. Or personne ne nous a entendus, personne n’a réagi. Concernant le futur : je suis pragmatique et je crois à l’importance des vies humaines. Si Poutine, avec d’autres – Trump, les dirigeants européens, Zelensky – parvient à arrêter la guerre, les tueries, les déplacements, tout ce mal, et qu’ensuite Poutine est reçu comme dirigeant politique quelque part en Europe, je n’y vois pas d’objection. C’est la réalité politique. Il faut avant tout arrêter la guerre. Mais je ne veux pas qu’on ferme les yeux sur les assassinats en Russie, sur le meurtre de Navalny, sur les meurtres en Ukraine – cela dépasse mon entendement.
M.R. : Poutine a eu de la chance : certains journalistes ont écrit des sottises pendant des années à son sujet. Ils sont d’ailleurs toujours lus aujourd’hui. En Europe, des forces politiques ouvertement pro-Poutine sont aux portes du pouvoir. Je peux facilement les imaginer rencontrer Poutine prochainement.
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