quarta-feira, 20 de maio de 2026

Nova Ordem Global Multipolar? - Paulo Roberto de Almeida

Nova Ordem Global Multipolar?

Paulo Roberto de Almeida 

A tal proposta de uma “nova ordem global multipolar” nada mais é que uma fraude completa, apenas capaz de seduzir ingênuos, ignorantes e/ou desinformados. Ela é uma fraude dupla, no plano conceitual e no plano operacional, ou tripla, no plano das aspirações também.

Primeiro, porque o mundo sempre foi multipolar; nunca houve uma ordem universal, com ONU, ou com qualquer pretendente a Hegemon mundial. 

Segundo, porque “novas ordens” não surgem por decreto ou pela vontade de pretensos novos, falsos, candidatos a Hegemons substitutos. Elas surgem ao cabo de enfrentamentos de fato globais, como na Grande Guerra de 1914-1918 e na IIGM (1939-1945), que na verdade começou antes, com a agressão à China por parte do Japão militarista-fascista.

Terceiro, porque nem China, nem Rússia— hoje um estado vassalo da primeira — têm algo superior a oferecer ao mundo, que corresponda às aspirações da maior parte da humanidade: liberdades, democracia, direitos humanos, justiça independente, todas essas virtudes emanadas do iluminismo fundado sobre os direitos individuais, não baseadas no poder despótico de um Estado opressor.

Quarto, porque proclamações unilaterais e puramente frutos da vontade de ditadores não criam uma nova realidade condizente com as aspirações dos povos.

Quinto e último, porque não existe força humana, estatal, militar ou política, capaz de criar uma nova ordem out of the blue, na existência de uma ordem — que pode ser parcial, limitada ou mesmo imperfeita — ainda existente, real e defendida por grande parte da humanidade, compatível com as aspirações sociais de liberdades individuais e objetivos politicos de regimes democráticos, baseados rm eleições livres e alternância de poder.

Surpreende-me, assim, que certos dirigentes — talvez por motivos inconfessáveis — se apressem em dar apoio a tais propostas. Não me surpreende que acadêmicos o façam, os sonhadores, ou já comprometidos com regimes opressores e inimigos das liberdades democráticas (que são, sim, virtudes ocidentais, mas que foram universalizadas progressivamente pela ampliação dos espaços de liberdades e de bem-estar trazidos por regimes de liberdades econômicas, inclusive no coração do modo “alternativo” de produção, que depois de muitos fracassos acabou acolhendo Adam Smith).

Finalizando: vamos reconhecer as poucas virtudes da ordem imperfeita criada ao final da mais terrível guerra global, e tentar reconstrui-la, depois da triste passagem da intrusão agressiva de liberticidas autocráticos, alguns até mafiosos cleptocratas.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 20/05/2026

Autobiografia de um fora-da-lei, 1: a trajetória do Estado brasileiro — Paulo Roberto de Almeida*

 *Revista Será? ANOXIV | Autobiografia de um fora-da-lei, 1: a trajetória do Estado brasileiro — Paulo Roberto de Almeida* 

Com ironia refinada e crítica contundente, Paulo Roberto de Almeida coloca o próprio Estado brasileiro como narrador de sua trajetória marcada por contradições, ilegalidades e promessas frustradas. Entre confissão autobiográfica e sátira política, o texto desmonta mitos da formação institucional brasileira e expõe um Estado frequentemente distante dos cidadãos que o sustentam. Um ensaio original e provocador sobre poder, burocracia, democracia e a longa crise da vida pública nacional.


Segue o link para o artigo.

https://bit.ly/4wtQtF3


 *Revista Será? — conhecimento para transformar a realidade.* 


Leia, Compartilhe e Apoie

Apoie nosso projeto, seja um doador

Nosso PIX pix@eticademocracia.org


©️ Revista Será? – Instituto Ética e Democracia (IED). Todos os direitos reservados.

#RevistaSera 

Textos preparados para o webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira - Paulo Roberto de Almeida

Textos preparados para o webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira

Paulo Roberto de Almeida


5290. “Uma política externa que denega os fundamentos doutrinais da diplomacia do Brasil”, Brasília, 24 abril 2026, 2 p. Notas para exposição em webinar do Imagine Brasil, a convite do professor Carlos Alberto Primo Braga. Postado no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/uma-politica-externa-que-denega-os.html). Divulgado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/167416632/5290_Uma_pol%C3%ADtica_externa_que_denega_os_fundamentos_doutrinais_da_diplomacia_do_Brasil_2026).
 

5311. “O que eu teria a dizer sobre 'Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira'?", Brasília, 15 maio 2026, 2 p. Nota sobre algumas evidências e outras incertezas. Divulgado no blog Diplomatizzando (15/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/o-que-eu-teria-dizer-sobre-tensoes.html).
 

5313. “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: o que há de novo?”, Brasília, 17 maio 2026, 11 p. Nota mais extensa, a partir do trabalho n. 5311, sobre os temas colocados pelo projeto “Imagine Brasil”, da Fundação Dom Cabral, a convite do professor Carlos Alberto Primo Braga, na companhia de Victor do Prado. Complementar com respostas às questões sugeridas pelo coordenador, Carlos Braga. Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/167416751/5313_Tensoes_Geopoliticas_e_a_Diplomacia_Brasileira_o_que_ha_de_novo_2026_); divulgado parcialmente no blog Diplomatizzando (20/05/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/tensoes-geopoliticas-e-diplomacia_0349459191.html).
 

5315. “Temas para debate no webinar “Imagine Brasil” da Fundação Dom Cabral”, Brasília, 17 maio 2026, 5 p. Notas para debater as questões colocada pelo coordenador, professor Carlos Primo Braga. Enviado, com o trabalho 5313, para conhecimento prévio, assim como a Victor do Prado. Disponível no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/temas-para-debate-no-webinar-imagine.html).

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 20/05/2026, 1 p.


Temas para debate no webinar “Imagine Brasil” da Fundação Dom Cabral - Paulo Roberto de Almeida

Temas para debate no webinar “Imagine Brasil” da Fundação Dom Cabral  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Notas para debater as questões colocadas pelo coordenador, professor Carlos Primo Braga. 

Convidado pelo professor Carlos Primo Braga, na companhia do colega diplomata Victor do Prado, para participar do webinar da Fundação Dom Cabral, no quadro do projeto “Imagine Brasil”, recebi algumas questões para desenvolver os temas inseridos num dos dois conceitos – Tensões geopolíticas e diplomacia brasileira – sob os quais foram formulados os seguintes comentários preliminares. Apresento a seguir algumas ideias que podem fornecer indícios sobre meu pensamento com respeito a algumas dessas questões.

 

1. Tensões geopolíticas têm aumentado nos últimos anos em virtude de conflitos militares e medidas protecionistas adotadas pela administração Trump. Como a diplomacia brasileira tem atuado em meio a esses choques políticos e econômicos?

 

PRA: O Brasil, antes mesmo de sua política externa e de sua diplomacia, tem recebido os impactos que chegam de foram, com pouca autonomia para intervir nas fontes dos conflitos e medidas protecionistas. Não se trata apenas de ser mais um “rule taker” do que um “rule maker”, pois muitas dessas medidas se passam completamente à margem de quaisquer regras existentes, seja no sistema multilateral de comércio, seja no âmbito da Carta da ONU e de suas principais regras. Cabe registrar, antes de tudo, que os conflitos militares precedem as medidas unilaterais tomadas pela administração Trump, em sua primeira versão, e com maior ênfase no seu segundo mandato. Com efeito, cabe não esquecer que foi Putin quem deu início ao mais importante conflito militar desde o final da IIGM, ao intervir em países vizinhos e sobretudo ao invadir e anexar ilegalmente, em 2014, a península ucraniana da Crimeia, passando em 2022 à tentativa de invasão total e submissão do país inteiro.

Ou seja, o ambiente de desmantelamento precoce do multilateralismo político e de respeito às principais regras do Direito Internacional, codificadas na Carta da ONU, precede as ações de Trump, que também desprezou completamente essa estrutura política, como passou a tentar redinamizar a economia dos Estados Unidos por meio do rompimento unilateral das bases fundamentais do sistema multilateral de comércio. As duas grandes potências revisionistas têm atuado, assim, num sentido claramente contrário, destruidor dos fundamentos da ordem global política e econômica construída penosamente nos anos finais da IIGM (em 1944, em Bretton Woods, em 1945, em São Francisco) e nas décadas seguintes.

Uma realidade evidente é que a diplomacia brasileira, como mera ferramenta de sua política externa, colocada sob responsabilidade presidencial, não tem condições de atuar segundo suas próprias análises e determinações em face desses desafios, tendo, ao contrário, de aplicar decisões e iniciativas que lhes são ditados pelo chefe de governo e de Estado. Ela pode sugerir linhas de ação mais adequadas no sentido de preservar os interesses básicos do Brasil no confronto com os impactos – sobretudo comerciais, mas também políticos – que são precipitados pelas poderosas forças imperiais, mas não consegue atuar independentemente das determinações do responsável último pela política externa. A esse respeito, me permito ressaltar uma análise que venho desenvolvendo desde algum tempo relativamente às convergências e divergências entre a política externa oficial – ou as políticas externas dos presidentes – e a diplomacia corporativa, ou seja, aquela formulada e desenvolvida pelo corpo profissional do Itamaraty.

Para este mesmo webinar, com o objetivo de organizar minhas ideias, elaborei um paper chamado justamente Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: o que há de novo?”, no qual desenvolvo argumentos em torno desses dois conceitos, e que está sendo colocado à disposição dos interessados pela via do meu blog Diplomatizzando. Como explico nesse trabalho, a divergência entre a política externa presidencial, extremamente personalista sob Lula 3, bem mais do que sob Lula 1 e 2, e os padrões sob os quais trabalhou historicamente o Itamaraty nunca foi tão grande quanto nos tempos recentes, em função, justamente, das tensões geopolíticas existentes. Durante a primeira Guerra Fria (1947-1991), o Brasil soube se manter rigorosamente à margem de quaisquer alinhamentos, ou coalizões militares, propostos por um ou outro dos dois contendores. Ora, cabe reconhecer que, desde a inauguração do que eu chamo de “lulopetismo diplomático”, a diplomacia brasileira deixou de ser guiada basicamente pelo conhecimento acumulado ao longo de décadas, talvez dois séculos, de construção de uma diplomacia preocupada sobretudo pela preservação da autonomia decisória em matéria externa, e passou a ser guiada por critérios partidários e ideológicos que se confundem com o antiamericanismo primário e anacrônico dos líderes petistas, atraídos pelo que existe de mais reacionário no campo de uma suposta esquerda internacional.

 

2. O Brasil tem se posicionado como um dos líderes do Sul Global. Quais são as implicações desse posicionamento para o país? Nesse contexto, qual é o futuro do BRICS+?

 

PRA: Essa pretensão de ser um dos “líderes do Sul Global” é autoproclamada, enaltecida por jornalistas superficiais e por acadêmicos politicamente motivados, e não tem nenhum embasamento na realidade, simplesmente pelo fato de que esse Sul Global simplesmente não existe. O que existe, desde séculos, oficialmente desde os primeiros anos da ONU, são os grupos de países, antes desenvolvidos, socialistas, em desenvolvimento e a China, e o segundo grupo deixou de existir, ao passo que o terceiro mundo vem recebendo designações diversas, em função da diferenciação econômica e tecnológica nesse conjunto heteróclito de países os mais diversos politicamente, diplomaticamente, economicamente. Não encontro nenhuma evidência, apenas poucas sugestões, de que o Brasil se apresenta, concretamente, como um “líder” dessa massa disforme de países, sequer na própria região, onde sua pretensa liderança sempre foi disputada e contestada, por adversários e aliados.

Quanto ao BRIC-BRICS-BRICS+, considero simplesmente um Frankenstein mal concebido, pois partindo de um ajuntamento de partes muito dissemelhantes entre si, criado politicamente, a partir de uma sugestão puramente econômico-financeira – como locus de possíveis investimentos de fundos institucionais, cujo acrônimo, dotado de certo appeal de marketing, serviu de base a essa agregação antinatural estimulado de modo oportunista por representantes de quatro países resistentes à ideia de uma aproximação à OCDE (ainda que a Rússia, até a invasão da Crimeia, ainda fazia parte do G8 político, mas não do G7 econômico, do qual foi excluída depois da invasão da Crimeia). Já era um Frankenstein desconjuntado na sua origem, e agora, depois de sua ampliação desmesurada, para satisfazer necessidades políticas e diplomáticas da Rússia e da própria China, tornou-se um monstro metafísico incapaz de se coordenar de maneira consensual sobre certos temas da agenda internacional. Basta dizer que em suas duas últimas declarações de cúpula não há uma ÚNICA palavra sobre a Ucrânia; ela simplesmente não existe, o que é uma vergonha do ponto de vista do setor do Itamaraty que emite notas compungentes à menor catástrofe natural ou humanitária em qualquer parte do mundo. Não vejo futuro para o BRICS, ainda que certos dinossauros sejam resistentes ao seu desaparecimento. Mas cabe ressaltar que NENHUM dos benefícios suscetíveis de serem obtidos nas relações comerciais, financeiras ou de investimentos do Brasil com os países membros PRECISAM passar pelo BRICS – que aliás não possui NENHUM acordo comercial do bloco –, pois já podem ser reguladas pelos instrumentos existentes das relações econômicas multilaterais. O que o BRICS pode facilitar seriam certas transações politicamente motivadas, o que provavelmente não se conforma aos princípios mais elementares de análise custo-benefício ou de custo-oportunidade.

 

3. Quais são as oportunidades e desafios para a diplomacia brasileira com respeito à implementação do acordo EU-Mercosul?

 

PRA: Como todo acordo de liberalização comercial e de abertura econômica, o acordo de associação birregional vai estimular um maior volume de transações comerciais e de investimentos diretos entre os dois blocos, mas é preciso dizer que se trata, em grande medida, de comércio administrado, ou seja, mercantilismo puro. Mais ainda, esse acordo se encontra 20 anos atrasado, e a razão se encontra na campanha do PT contra o acordo da ALCA, finalmente implodido pela ação comum de Lula, Kirchner e Chávez na cúpula de Mar del Plata, exatamente 20 anos atrás. O acordo paralelo Mercosul-UE ficou relegado ao esquecimento, até que as diatribes de Trump contra a China e contra o próprio sistema multilateral de comércio suscitaram a recuperação do antigo acordo e sua assinatura provisória em 2019 (ainda assim não ratificado em virtude, basicamente, da postura antiambiental, anti-humanitária, anti-tudo, do governo Bolsonaro).

Como ele se encontra 20 anos atrasados, muitas oportunidades que poderiam ter sido aproveitadas nas duas décadas passadas podem ter sido ocupadas e até superadas pela penetração da China nos dois lados dessa associação, mas vários outros benefícios também podem ficar parcialmente não aproveitados em função dos protecionismos setoriais renitentes em vários setores de interesse competitivo, do lado agrícola basicamente europeu, do lado industrial, de serviços e de compras governamentais do lado do Mercosul, em especial pela ação retardatária de poderosas associações patronais no Brasil e na Argentina.

 

4. A diplomacia brasileira tem uma longa tradição de apoio ao multilateralismo nas relações econômicas internacionais como ilustrado pela posição brasileira na adoção do General Agreement on Tariffs and Trade (1947) e na instalação da Organização Mundial de Comércio (OMC, 1995). Que papel pode a OMC ter em um mundo dominado por conflitos geopolíticos?

 

PRA: Infelizmente, a OMC vai enfrentar uma talvez longa travessia do deserto em função do comportamento da (ainda) principal potência econômica (mas não mais comercial) da atualidade, postura que não começou com Trump, e sim vários anos antes, como pode ser testemunhado pelo colega Victor do Prado, que sabe da oposição dos EUA ao seu sistema de solução de controvérsias, sabotado desde vários anos antes. O Brasil de fato aderiu ao GATT, pelo papel desempenhado pela sua diplomacia profissional no imediato pós-guerra, mas o Brasil ainda manteve vários dispositivos anti-Gatt ao longo dos anos 1950, e quase decidiu abandoná-lo quando da adoção de uma nova pauta tarifária ultra protecionista em 1957. Nos anos seguintes praticou uma política comercial oportunista, com vários mecanismos vetados pelo Acordo Geral, apenas tolerados pela pouca importância do Brasil no comércio mundial e pela sua alegada fragilidade nas transações correntes. Ainda hoje o Brasil se pretende um país em desenvolvimento – a despeito de ser mais industrializado do que vários membros da OCDE – reivindica o usufruto total das cláusulas de tratamento diferencial e mais favorável em benefício desses países, e recusa sistematicamente ser graduado a uma categoria superior.

O papel atual, e nos próximos anos, da OMC deverá ser o encontrar mecanismos de facilitação de negócios e de assistência técnica em favor dos verdadeiros países em desenvolvimento, uma vez que grandes rodadas de negociações – que não seriam mais essencialmente tarifárias e sim das regulações para-tarifárias e normas substantivas setoriais – podem ser retardadas a fases ulteriores, até que os EUA retomem a senda do multilateralismo comercial ou das simples cláusulas de nação mais favorecida e de não discriminação.

Aparentemente, no futuro imediato, a geopolítica tem suas deformações conhecidas transplantadas ao mundo da geoeconomia, que deveria ser preservado em benefício dos países em desenvolvimento, o que ainda está longe de ser vislumbrado. Acredito que a China pode ter um interesse especial na preservação do multilateralismo econômico, a despeito de ainda manter comandos estatais, pouco transparentes, sobre setores importantes de sua economia hoje pujante, mas com alguns desequilíbrios estruturais e institucionais ainda visíveis. Mas, sua tecnocracia bem instruída é capaz de operar um sistema de mercado com características chinesas de comando e controle, e de indução de favorecimentos especiais nas áreas designadas por seus planos quinquenais de desenvolvimento econômico e social.

O Brasil tem enormes chances de desenvolvimento a partir de suas vantagens comparativas, naturais e adquiridas, mas transformá-las em vantagens competitivas num mundo interdependente requer habilidades e direcionamento de políticas setoriais que estão a exigir alguma visão de prioridades atualmente em falta numa casta política autocentrada e extraordinariamente carente de estadistas. Todos, sublinho todos, os desafios nacionais são propriamente “made in Brazil”, e não encontram barreiras relevantes em quaisquer arranjos hoje existentes no sistema internacional e nas condições ambientais da geoeconomia mundial.

O Brasil faria bem e começar por se aproximar mais da OCDE, não necessariamente com a intenção de ingressar a curto prazo, mas sim de adotar o núcleo de sólidas políticas econômicas, macro e setoriais, identificadas com o “manual de bordo” da OCDE.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5315, 18 maio 2026, 5 p.

 


“Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: o que há de novo? - Paulo Roberto de Almeida (webinar Imagine Brasil, Fundação Dom Cabral)

Um trabalho preparado para apoiar um debate com subsídios mais extensos: 

5313. “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: o que há de novo?”, Brasília, 17 maio 2026, 11 p. Nota mais extensa, a partir do trabalho n. 5311, sobre os temas colocados pelo projeto “Imagine Brasil”, da Fundação Dom Cabral, a convite do professor Carlos Alberto Primo Braga, na companhia de Victor do Prado. Complementar com respostas às questões sugeridas pelo coordenador, Carlos Braga. Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/167416751/5313_Tensoes_Geopoliticas_e_a_Diplomacia_Brasileira_o_que_ha_de_novo_2026_

Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: o que há de novo? 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Notas sobre os temas selecionados pelo programa Imagine Brasil, da Fundação Dom Cabral, a convite do professor Carlos Primo Braga, com o diplomata Victor do Prado (21/05/2026). 

Introdução: quais são os grandes atores em atuação no mundo contemporâneo?

As tensões geopolíticas existentes no mundo atual não começaram com o governo Trump 2, desde 2025, bem mais unilateralista e agressivo do que em seu primeiro mandato (2017-2020), nem começaram exclusivamente com o governo Trump em qualquer de suas modalidades. Elas deitam raízes em dois processos não paralelos, não semelhantes, sequer similares, de revisão das posturas externas dos dois grandes impérios revisionistas e agressivos atualmente atuando conjuntamente para tornar o mundo mais miserável do que ele foi nos primeiros 80 anos da ordem global criada nos estertores do último grande confronto mundial, um mundo aparentemente destinado a sofrer sob os impactos dos dois grandes autocratas da atualidade, respectivamente Vladimir Putin e Donald J. Trump, ambos responsáveis pela desordem política, pelo caos econômico parcial, e por essas tensões geopolíticas constantes do título deste evento. A despeito de naturezas diferentes, as rupturas trazidas por ambos possuem fortes impactos, ainda que o potencial de Trump seja maior.

(...)

Íntegra do texto disponível neste link da plataforma Academia.edu: 

https://www.academia.edu/167416751/5313_Tensoes_Geopoliticas_e_a_Diplomacia_Brasileira_o_que_ha_de_novo_2026_  

 


Uma política externa que denega os fundamentos doutrinais da diplomacia do Brasil - Paulo Roberto de Almeida

Uma política externa que denega os fundamentos doutrinais da diplomacia do Brasil

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Nota sobre a divergência atual entre a política externa e a doutrina jurídica da diplomacia.

        Vou começar pela diplomacia brasileira, que não pode ser confundida com a política externa, pois são duas coisas diferentes, algumas vezes convergentes, outras vezes em aberta divergência.
        A formação de nossa doutrina jurídica começa no século XIX, com Paulino, Visconde do Uruguai. Passa pelo Visconde do Rio Branco, que cria o cargo de Consultor Jurídico dos Negócios Estrangeiros, que ele mesmo exerceu durante algum tempo, mesmo sendo matemático e engenheiro da Escola Naval. O cargo foi extinto depois que ele deixou a chancelaria, mas seu filho, o Barão do Rio Branco, recria a função quando foi chanceler.
        A doutrina jurídica continuou a ser aperfeiçoada pelo Barão e por Rui Barbosa, e passa, desde a segunda conferência da paz da Haia, em 1907, pelos conceitos que hoje são centrais no multilateralismo contemporâneo: igualdade soberana das nações, não intervenção nos assuntos internos de outros países, contra as guerras de agressão e a usurpação de territórios estrangeiros pela força.
        Esses conceitos são incorporados por Oswaldo Aranha e são respeitados mesmo durante o Estado Novo, até suspeito de simpatia pelos Estados fascistas militaristas, mas são postos em prática antes mesmo da Carta da ONU: em 1939, por exemplo, quando a Alemanha nazista invade a Polônia, e Oswaldo Aranha instrui nosso ministro em Varsóvia a seguir o governo polonês no exílio, ou seja, continua reconhecendo o Estado polonês. O mesmo ocorre no ano seguinte, quando Stalin invade e incorpora os três Estados bálticos, com os quais tínhamos relações diplomáticas desde 1921, e as mantivemos até 1961, ou seja, não reconhecendo a usurpação soviética pela força.
        Sabem quando o Brasil não reconheceu os fundamentos da doutrina jurídica da diplomacia brasileira? Em 2014, quando a política externa da presidente Dilma Rousseff considerou que a invasão e a anexação ilegais da península ucraniana da Crimeia eram um “assunto interno” da Ucrânia, como ela declarou. O Brasil não fez absolutamente nada em defesa da Carta da ONU e de nossas posições em face dessa violação grave do Direito Internacional.
        Essa indiferença continuou sob Bolsonaro, que até se declarou solidário a Putin uma semana antes de 24 de fevereiro de 2022, quando suas forças armadas invadiram a Ucrânia. A política externa efetuou na Assembleia da ONU uma condenação “pro forma” da invasão, mas continuou mantendo relações normais com o país agressor como se nada tivesse acontecido, recusando-se a impor sanções como outros países o fizeram.
        Sob Lula foi ainda pior: não apenas aumentou exponencialmente o volume de importações de combustíveis e fertilizantes russos – ou seja, colaborando objetivamente com a agressão do país invasor –, como também expandiu essa solidariedade com um transgressor do Direito Internacional, continuou a manter excelentes relações pessoais com o dirigente russo, mas também o convidou para vir ao G20 no Brasil, a despeito do mandado de captura expedido pelo TPI contra Putin, e fez questão de visitá-lo na farsa da comemoração de 2025 pelos 80 anos da “vitória” contra as forças nazistas, sendo que a guerra que tinha começado em 1939 se deveu justamente à aliança entre a União Soviética e a Alemanha nazista para decepar e dividir a Polônia, cuja usurpação territorial tínhamos recusado de aceitar naquele ano.
        Essa total divergência entre a política externa brasileira e os fundamentos doutrinais da diplomacia profissional são muito evidentes atualmente no apoio velado que o governo Lula presta ao agressor russo, com consequências políticas extremamente graves para nossa credibilidade internacional. O que o Brasil condena veementemente na Faixa de Gaza e no Líbano, no próprio Irã, é praticado cotidianamente na Ucrânia, sem que se mantenha qualquer coerência nessa postura contraditória com as posições dos pais de nossa diplomacia.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5290, 24 abril 2026, 2 p.

O blog Diplomatizzando visto por Madame IA (Gemini IA)

blog Diplomatizzando é administrado pelo diplomata brasileiro Paulo Roberto de Almeida (o "PRA"). 
Uma parte das postagem é escrita e assinada unicamente por PRA, ou seja, o autor do texto integral daquelas postagens é o PRA. 
E a outra parte das postagens possui inúmeros autores - alguns mais frequentes e outros menos. 
Quais são os autores mais frequentes no blog Diplomatizzando
Cite-os em ordem decrescente de frequência [de assinatura de textos em postagens] em tal blog
Para cada autor, diga os temas mais recorrentes

Capítulo 1: Análise Estrutural e a Arquitetura Editorial do Blog Diplomatizzando:
A análise empírica do repositório digital do blog Diplomatizzando revela uma estrutura editorial híbrida, que funciona tanto como um diário intelectual de seu fundador quanto como um fórum de reverberação de ensaios e documentos de terceiros ligados à diplomacia, à história e à ciência política. O veículo é estruturado para centralizar a produção de seu administrador principal, o diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida, enquanto abre janelas sistemáticas para a reprodução de correspondências, artigos de opinião e relatórios acadêmicos de uma rede selecionada de colaboradores. Toda a dinâmica de postagens obedece a um fluxo de curadoria intelectual voltado à defesa do racionalismo e à crítica das políticas externas institucionais.
A triagem crítica e a decodificação do volume de publicações e das assinaturas contidas nas postagens permitem ordenar os autores com base em sua recorrência e na densidade de sua presença nas páginas do blog. Afastando-se de uma contagem puramente quantitativa e focando na recorrência estrutural das colaborações e debates documentados, os perfis autorais e suas respectivas linhas temáticas desenham a pirâmide editorial da plataforma. Cada autor atua como um código para uma corrente de pensamento ou para uma área específica do debate público brasileiro.
Capítulo 2: Ordenação Decrescente dos Autores e Suas Linhas Temáticas:
O autor central, dominante e com maior frequência absoluta de assinatura de textos integrais na plataforma é o próprio Paulo Roberto de Almeida (PRA). Seu trabalho estende-se por centenas de páginas de ensaios originais, resenhas de livros e comentários analíticos. Os temas mais recorrentes em sua vasta produção individual englobam a história da diplomacia econômica brasileira, a análise contrarianista das diretrizes da política externa contemporânea do país, a crítica rigorosa à burocracia estatal e ao que define como "lulopetismo diplomático" ou "bolsolavismo", além da historiografia das relações internacionais e biografias de intelectuais marcantes como Roberto Campos, Celso Lafer e Rubens Ricupero.
segundo autor de maior relevância e recorrência na dinâmica recente de publicações do blog é a personificação da inteligência artificial, denominada satidicamente pelo criador como Madame IA(ou Gemini IA). A presença deste agente se dá por meio de interações sistemáticas provocadas por interlocutores do administrador. Os temas recorrentes que envolvem as assinaturas e respostas de Madame IA concentram-se na análise de neutralidade algorítmica, na decodificação de conceitos de alta complexidade moral em política internacional, na discussão sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia e na contraposição entre o realismo político pragmático e o idealismo ético nas relações internacionais.
terceiro colaborador em ordem de frequência na articulação e proposição de textos é o informático e debatedor Airton Dirceu Lemmertz (ADL). Sua atuação na plataforma é contínua e foca na interface operacional e de conteúdo. Os temas mais recorrentes sob sua assinatura ou menção direta envolvem a submissão de questionamentos éticos e políticos à inteligência artificial, a provocação de debates sobre os limites da automação, a governança digital e a filtragem de dados e textos longos para confrontação ideológica com o pensamento natural do administrador do blog.
quarto lugar em termos de frequência e relevância de contribuição pertence ao embaixador aposentado e escritor Paulo Antonio Pereira Pinto (Paulo Pinto). Suas inserções na página dão-se por meio do compartilhamento de palestras, artigos e textos de reflexão pessoal. Seus temas mais recorrentes orbitam a inserção internacional do Brasil a partir de identidades culturais semelhantes, as heranças coloniais e a história compartilhada no mundo lusófono — conectando cidades como São Luís do Maranhão, Macau, Goa, Malaca e Maputo —, o papel da inteligência artificial na preservação linguística e civilizacional da lusofonia e o direito internacional voltado à guarda de menores e assistência consular na Ásia.
quinto estrato de frequência é ocupado por uma coletividade de diplomatas, economistas e acadêmicos sêniores que têm seus ensaios e relatórios reproduzidos ou prefaciados no espaço, destacando-se nomes como Rubens Barbosa, Jorio Dauster, Celso C. H. Grisi e Edmar Bacha. Os temas recorrentes que unem esse grupo de pensadores de forma difusa nas postagens compreendem as reformas econômicas estruturais no Brasil, os rumos e impasses do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, os impactos das eleições americanas na geopolítica global e o planejamento estratégico de longo prazo do gasto público e da infraestrutura nacional.
Capítulo 3: Crítica sobre o Modelo de Replicação e Conflito de Narrativas:
A análise crítica desse arranjo autoral revela que o blog opera como um ecossistema de "câmara de eco invertida". Em vez de apenas reproduzir pensamentos homogêneos para satisfazer um público cativo, o autor principal utiliza as postagens de terceiros e, mais recentemente, os relatórios gerados por inteligência artificial para estabelecer um campo de batalha dialético. A introdução de Madame IA na dinâmica de autoria do blog decodifica-se como um experimento metodológico onde o administrador testa os limites da "inteligência natural com sentido ético" contra o que ele classifica como a "hipocrisia asséptica" e o "realismo imoral" dos códigos automatizados.
Esse formato editorial gera um paradoxo interessante na plataforma. Embora o blog seja de autoria majoritária de um diplomata dissidente, a inclusão de múltiplos autores com visões institucionais, burocráticas ou puramente algorítmicas enriquece o debate ao expor a fratura entre o pragmatismo econômico dos Estados e os preceitos morais de defesa dos direitos humanos. O Diplomatizzando transmuta-se, assim, de um simples arquivo de trabalhos individuais para um documento histórico vivo que registra as tensões intelectuais de seu tempo, mediadas pelo intercâmbio entre a diplomacia tradicional, a academia e a tecnologia generativa.

Fonte: Gemini (a IA do Google).


Pobreza: você sabe o que é? Quantos são pobres no Brasil?

Pobreza: você sabe o que é?
Pelo critério brasileiro, 20% da nossa da população é considerada pobre. Se fosse pelo critério dos EUA, seriam 60%; e pelo da Europa, 80%. Pobreza é um critério relativo, não absoluto. Ele só faz sentido quando comparado a quem ganha mais, no mesmo momento e lugar; e isso importa muito mais do que você imagina.
https://www.youtube.com/watch?v=eJmwjAuraJQ

Capítulo 1: A Relatividade do Conceito de Pobreza e as Assimetrias Globais:
O argumento central apresentado estabelece de forma correta que a pobreza não deve ser compreendida apenas por uma métrica universal e imutável, mas sim como um fenômeno intrinsecamente ligado ao desenvolvimento socioeconômico de cada região (0:28). Ao apontar que a taxa de pobreza atinge vinte por cento da população sob a ótica nacional, o discurso revela uma disparidade imediata quando confrontado com os padrões de economias centrais (0:05). Caso o Brasil aplicasse as réguas de corte dos Estados Unidos, o índice saltaria para sessenta por cento; sob os parâmetros da Europa, atingiria o patamar de oitenta por cento dos cidadãos (0:13).
Essa variação ocorre porque os critérios internacionais balizam a pobreza com base no custo de vida local e no poder de compra necessário para uma existência digna dentro daquela sociedade específica (0:28). No entanto, focar a análise puramente no aspecto da renda comparativa pode simplificar excessivamente o problema. A crítica necessária a essa abordagem reside no fato de que, embora os avanços tecnológicos e a abertura comercial tenham historicamente elevado as condições gerais de consumo global, a pobreza multidimensional engloba fatores estruturais como acesso a saneamento básico, educação de qualidade e segurança pública, elementos que a mera conversão cambial ou comparação de faixas salariais falha em mensurar adequadamente (0:52).

Capítulo 2: Decodificação da Estrutura de Renda no Cenário Nacional:
Ao transitar para a análise da realidade distributiva do país, o texto utiliza uma retórica que exige uma decodificação analítica cuidadosa para evitar distorções conceituais (1:57). A afirmação de que um cidadão com rendimento mensal de cinco mil reais pertence aos quinze por cento mais ricos da população, e que aquele com ganho de sete mil trezentos e cinquenta reais se posiciona entre os dez por cento do topo, baseia-se estritamente em dados estatísticos oficiais de distribuição de renda da Receita Federal (2:02). Tecnicamente, a expressão "rico" aplicada a essa faixa atua como um código estatístico descritivo de posição em uma pirâmide social achatada, e não como sinônimo de alta opulência financeira ou acúmulo de patrimônio substancial (2:02).
A desconstrução crítica dessa afirmação revela a severa distorção da estrutura de renda nacional. Em uma economia severamente empobrecida, um rendimento médio que garante apenas o atendimento das necessidades básicas urbanas projeta o indivíduo para o topo da pirâmide percentual (2:02). Portanto, o termo "rico" decodifica-se, na verdade, como um indicador de "privilégio relativo" dentro de uma massa populacional cuja base sobrevive com rendas extremamente baixas (0:05). Confundir essa posição estatística com a verdadeira riqueza patrimonial gera distorções no debate público sobre quem realmente detém o capital produtivo no país.

Capítulo 3: Crítica sobre as Políticas Fiscais e a Sustentabilidade do Estado:
O debate sobre a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda para cinco mil reais expõe um conflito direto entre a popularidade de curto prazo e a responsabilidade fiscal de longo prazo (1:38). O argumento trazido demonstra que a medida obteve amplo apoio popular porque reduziu a carga tributária de parcelas da classe média que passam a reter mais renda disponível (2:42). Contudo, a análise crítica reforça que a política é regressiva em sua essência discursiva, uma vez que a parcela mais vulnerável da população já se encontrava isenta por auferir rendimentos abaixo do piso anterior, não recebendo nenhum ganho direto com a nova regra (2:18).
A consequência fiscal direta dessa renúncia de receitas é o estrangulamento da capacidade de financiamento do Estado (2:26). Ao reduzir a base de contribuintes do imposto de renda para apenas quinze por cento da população ativa, cria-se um desequilíbrio profundo frente a um orçamento público historicamente rígido e onerado por despesas obrigatórias (2:26). A premissa de que a perda arrecadatória seria compensada pela tributação exclusiva sobre grandes fortunas ou milionários enfrenta limites práticos severos, representados pela fuga de capitais e pela realocação de domicílios fiscais de investidores, gerando o efeito reverso de contração da base tributável e redução dos recursos disponíveis para investimentos sociais essenciais (3:08).

Fonte: Gemini (IA do Google).

Um país que não confia em si mesmo - Lucas de Aragão

Um país que não confia em si mesmo - Lucas de Aragão

O @lucasdearagao publicou um texto irretocável, que todos os brasileiros precisam conhecer. Não deixe de escutar. Ou o Brasil acaba com essa dinâmica ou essa dinâmica acaba com o Brasil.
https://www.youtube.com/watch?v=BjD5U5EbUkw

Capítulo 1: A Privatização da Cidadania e a Desconfiança Operacional:
O ensaio de Lucas de Aragão, compartilhado por Ricardo Amorim, apresenta um diagnóstico preciso sobre o tecido social brasileiro, argumentando que a ascensão social no país não se reflete no acesso a serviços públicos de maior qualidade, mas sim na capacidade financeira de abdicar deles (0:00). A conquista de um plano de saúde privado, a matrícula dos filhos em escolas particulares e a aquisição de um veículo individual funcionam como escudos para evitar a dependência direta do Sistema Único de Saúde (SUS), da rede pública de ensino e do transporte coletivo (0:08). Esse fenômeno é definido criticamente não como um projeto de consolidação da cidadania, mas sim como um plano de fuga ou de saída individual estruturado (0:24).
A desconstrução desse cenário revela o conceito de "desconfiança operacional", que difere substancialmente da desconfiança de ordem moral (1:32). Enquanto a quebra de confiança moral se concentra na indignação contra a corrupção e os desvios éticos dos governantes, a desconfiança operacional reside no ceticismo crônico em relação à capacidade de o Estado fazer as políticas públicas funcionarem de forma eficaz (1:40). A população não questiona apenas a honestidade do administrador, mas a própria utilidade de participar de audiências públicas ou de pressionar por mudanças, partindo da premissa de que o sistema é estéril a estímulos coletivos (2:16).

Capítulo 2: Decodificação Estatística do Comportamento de Baixa Confiança:
Os indicadores quantitativos apresentados servem como códigos que traduzem uma falha profunda nas instituições e nas relações interpessoais. O dado da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontando que somente vinte e seis por cento dos brasileiros possuem alta ou moderada confiança no governo federal sinaliza uma crise de legitimidade institucional crônica (0:40). Esse panorama se agrava com a percepção de que cerca de sete em cada dez cidadãos acreditam que as entidades públicas não operam em benefício da sociedade (0:48).
A manifestação mais alarmante dessa dinâmica expressa-se na dimensão horizontal, mapeada por pesquisas que indicam que menos de quinze por cento dos brasileiros confiam em seus pares (1:03). Esse índice, um dos menores do mundo, decodifica-se como o colapso do capital social (1:10). Quando a crença na cooperação mútua desaparece, as regras de convivência passam a depender de fiscalização punitiva constante, transformando os pequenos desvios cotidianos em ferramentas de navegação e sobrevivência social, onde o cumprimento estrito das normas é interpretado pela coletividade como uma estratégia ineficiente (3:01).

Capítulo 3: A Fragmentação Orçamentária e o Esvaziamento Democrático:
A transição desse comportamento social para a esfera macroeconômica reflete-se diretamente na desintegração do orçamento público federal. O avanço das emendas parlamentares na destinação dos recursos da União, que saltaram de menos de quatro por cento das despesas discricionárias em 2014 para patamares elevados no início da década atual, ilustra a vitória do paroquialismo sobre o planejamento estratégico de longo prazo (5:18). O crescimento nominal dessas verbas pulveriza as capacidades do Estado central e transfere a execução orçamentária para a lógica de interesses regionais e individuais de legisladores (5:47).
A análise crítica desse modelo aponta que a descentralização excessiva e descoordenada retira do orçamento o caráter de plano nacional de desenvolvimento, convertendo-o em um somatório de empenhos isolados sem sinergia econômica (5:47). O sistema político adapta-se à baixa confiança blindando recursos sob o controle direto de parlamentares para reduzir a dependência mútua entre os poderes (6:01). O resultado final desse ciclo é o esvaziamento das bases da democracia representativa, que continua operando formalmente em seus ritos burocráticos, mas perde a eficácia prática e a capacidade de engajar a sociedade em projetos coletivos e transformadores (6:50).

Fonte: Gemini (IA do Google).

Madame IA examina o blog Diplomatizzando e seu blogueiro (via Airton Dirceu Lemmertz) - Paulo Roberto de Almeida

5318. Madame IA examina o blog Diplomatizzando e seu blogueiro

Brasília, 19 maio 2026, 10 p. A pedido de Airton Dirceu Lemmertz, o Gemini IA faz uma análise das “introduções” e “informações laterais” do blog deste autor. 


Divulgado na íntegra na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/167415896/5318_Madame_IAnalisa_Diplomatizzando_via_Airton_Dirceu_Lemmertz_2026)

Divulgado no blog Diplomatizzando em quatro postagens: 

(1) link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/madame-ia-examina-o-blog.html

(2) link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/madame-ia-examina-o-blog_01302352166.html

(3) link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/madame-ia-examina-o-blog_01337426037.html

(4), link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/madame-ia-examina-o-blog_02020413561.html.


Postagem em destaque

Nova Ordem Global Multipolar? - Paulo Roberto de Almeida

Nova Ordem Global Multipolar? Paulo Roberto de Almeida  A tal proposta de uma “nova ordem global multipolar” nada mais é que uma fraude comp...