O Brasil
caminha para um declínio econômico de meio século?
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Reprodução de
uma postagem no blog Diplomatizzando em março de 2006, com uma nova introdução
e posicionamento com respeito à dúvidas de que possamos superar a presente
letargia, de mais de 4 décadas.
Já que estamos
“comemorando” os primeiros 20 anos do blog Diplomatizzando – e já antecipo que
não teremos outra “comemoração” 20 anos à frente –, permito-me reproduzir uma
postagem de março de 2006, pouco antes, portanto, do "nascimento do blog
em questão (que foi em 17 de junho daquele ano) que tem a ver com minhas
angústias ANTES, durante e DEPOIS, ou seja, nos últimos 20 anos, em face do
aparente declínio, ou semi-estagnação, da economia brasileira, naquela altura
já configurada nos 20 anos anteriores, isto é, desde os anos 1980, mas que eu
acreditava que se manteria por mais 20 anos à frente, dada as características de
nossas políticas econômicas – macro e setoriais. Creio que se possa afirmar que
se trata de um fato verificável: o Brasil não cresce dinamicamente há mais de
40 anos; ele se arrasta, abaixo da América Latina, do mundo, e três ou quatro
vezes menos que os emergentes dinâmicos da Ásia Pacífico, os chamados
"tigres asiáticos" (que também passaram por crise profundas nesse
período de quase meio século, mas que se restabeleceram e que continuam
dinâmicos.
Eu parti de
fatos conjunturais – o dinamismo econômico britânico na era Tatcher, que depois
se desfez –, mas enfoquei traços estruturais e institucionais no caso
brasileiro, que explicam nosso fraco desempenho, desde as grandes crises dos
anos 1980.
Vamos ver o
que eu dizia então, e o que ainda pode ser válido para os dias que correm, ou
seja, meados de 2026.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 21 junho 2026
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sábado, 28 de
maio de 2011
A decadência
econômica brasileira: um trabalho perdido
Já que estamos
falando de problemas brasileiros para crescer, vamos dramatizar o quadro.
Não que eu
queira ser pessimista, mas por puro acaso.
Eu estava
compondo uma lista de livros sobre relações internacionais e de política
externa do Brasil, e dentro dela os livros escritos por diplomatas (em qualquer
gênero, aliás), quando deparei com este registro, de um trabalho que já não me
lembrava mais ter escrito:
1557. “A
decadência econômica brasileira: uma inevitável tendência pelos próximos vinte
anos?”
Brasília, 7 de março de 2006, 5
p.
Publicado no blog do Instituto
Millenium em 8.03.06 (link). Reproduzido no site do Instituto Internacional de
Planejamento Educacional (link).
Desparecidos nestes links nos
dois sites.
Relação de publicados nº 630.
Procurei nos
links, e eles obviamente já não funcionavam mais. Por isso vai aqui postado
gentilmente.
Não, não sou
pessimista, apenas realista...
Paulo Roberto
de Almeida
A decadência
econômica brasileira: uma inevitável tendência pelos próximos vinte anos?
Paulo Roberto de Almeida
Peço desculpas
aos meus leitores pelo tom passavelmente pessimista, quando não francamente
niilista, do título deste artigo, mas é que não pude evitar certa sensação de
desalento (e talvez também de inveja) ao ler sobre o recente e espetacular
recorde na captação de investimentos estrangeiros diretos pela Grã-Bretanha no
decorrer de 2005. Nada menos do que US$ 209 bilhões, ultrapassando em muito o
segundo colocado, os EUA, que figuram há muitos anos no primeiro lugar, tanto
como receptor quanto como principal investidor, seguido, nos últimos dez anos,
pela China, como segundo colocado do lado da captação (com cerca de US$ 60
bilhões) e primeiro dos países emergentes. Comparados aos pouco mais de US$ 15
bilhões obtidos pelo Brasil em 2005, a cifra é realmente impressionante para
qualquer país engajado no processo de globalização. Mesmo descontando-se, da
cifra britânica, US$ 100 bilhões relativos a operações da Shell, que concentrou
suas operações a partir da Holanda, remetendo então recursos aos sócios ingleses,
ainda assim a Grã-Bretanha ultrapassa os EUA, que “só” atraíram 106 bilhões de
dólares em 2005.
Trata-se de um
notável feito da economia britânica, hoje, inquestionavelmente, o melhor lugar
europeu – e provavelmente mundial, pelo lado financeiro – para se fazer
negócios e desenvolver novos projetos, nas diversas áreas da nova e da velha
economia, quer seja a indústria manufatureira, quer sejam os “novos serviços”,
um conglomerado de atividades que junta tecnologias da informação e pesquisa de
ponta em nano ou em biotecnologia. Ele é tanto mais notável em vista do fato de
que, duas décadas atrás, a Grã-Bretanha era um dos piores lugares do mundo para
se começar novos negócios ou mesmo para manter os existentes. Como isso foi
possível?
Lembro-me de
que quando eu estava terminando minha tese de doutoramento, em 1984, uma
digressão aborrecidamente sociológica sobre os desempenhos capitalistas em
escala comparada, a Grã-Bretanha era o protótipo mesmo da decadência econômica,
o exemplo acabado de declínio industrial, um modelo notório do atraso
tecnológico, da desesperança científica – com sua exportação contínua de
cérebros para os EUA – e do desalento político, de que eram testemunhos os
freqüentes movimentos grevistas, que conseguiam paralisar até mesmo o enterro
dos mortos (um serviço obviamente estatal). Em escala e em estilo talvez
diferentes de um outro notável exemplo de decadência, o da Argentina, mas numa
dimensão provavelmente comparável à da nação “peronista”, pela amplitude e profundidade
do declínio econômico auto-infligido, a Grã-Bretanha, promotora e pioneira da
primeira revolução industrial e centro indisputável das finanças internacionais
nos 150 anos que seguem aos conflitos napoleônicos, tinha sido vítima, durante
todo o século XX, mas mais especialmente no decorrer dos anos 60 e 70 desse
século, de um dos mais acabados processos de decadência econômica a que nos foi
dado assistir na história econômica mundial.
Lembro-me
também que minha bibliografia sobre o “caso” inglês vinha marcada pelos
conceitos de “decline”, “fall”, “end” e vários outros do gênero. Naqueles
tempos – final dos anos 1970 e início da década seguinte – não parecia haver
nenhum limite para a extensão da decadência britânica. Ela era feita de baixo
crescimento, inflação, déficits orçamentários e de transações correntes,
desvalorização da libra, “sucateamento” da indústria e dos transportes,
deterioração dos serviços públicos – notadamente nas áreas da saúde e da
educação –, aumento da violência nas metrópoles, enrijecimento dos conflitos
sociais, empobrecimento dos equipamentos urbanos, desemprego mais do que
residual ou setorial e desesperança geral na sociedade, em especial na
juventude. O cenário estava mais para “Laranja Mecânica” do que para “A
Wonderful World”, mais para George Orwell do que para Winston Churchill e seu
otimismo inveterado quanto ao futuro do império, que aliás já não existia mais,
tendo sido irremediavelmente deixado num passado distante de glórias
irrecuperáveis.
E, no entanto,
vinte anos depois, o que ocorreu? Um notável “renascimento” da indústria e dos
negócios na Grã-Bretanha – mais notavelmente ainda na Irlanda vizinha, não
esquecer –, um surto de progresso e de modernização que não deixa nada a
invejar nos melhores centros da tecnologia mundial, uma recuperação econômica
segura, que fez do país o mais dinâmico membro – com a Irlanda – da União
Européia, exibindo, ao mesmo tempo, as maiores taxas de crescimento e as
menores de desemprego e inflação. Trata-se, como já dito, do melhor lugar para
se fazer negócios no continente – mas a Grã-Bretanha sempre brincou com a idéia
de que o continente é que vivia “isolado” –, o que vem apoiado no fato de que
os investimentos estrangeiros, inclusive dos emergentes da Ásia, têm-se
concentrado na ilha. Como foi isso possível, volto a perguntar?
Não pretendo
retomar aqui a história da “batalha ideológica” do século XX, já enfaticamente
tratada no livro – e vídeo – conjunto de Daniel Yergin e Joseph Stanislaw sobre
a luta pelo controle e administração dos commanding heights da economia. Essa
batalha política entre os modelos de comando centralizado e de administração
pelo mercado se encerrou e não é preciso dizer quem venceu. A Inglaterra lutou
o bom combate e conseguiu reverter sua terrível decadência econômica e
política. Antes disso, porém, a batalha foi dura: ela teve, primeiro, de ser
levada nos “corações e mentes” dos cidadãos britânicos, nos súditos da rainha,
para convencê-los de que a decadência não era inevitável ou uma fatalidade do
destino, de que era possível, sim, colocar um ponto final na descida para o
declínio social e começar lentamente a obra de recuperação. Depois foi preciso
se desfazer de velhos mitos – e não apenas mitos, já que respondendo a
construções históricas de seu passado mais ou menos “fabiano” – ligados aos
papéis respectivos do Estado e do mercado no provimento de emprego e bem-estar
social, de modo geral. Foi uma tremenda “reversão de expectativas”, como diria,
em relação ao Brasil, o economista Roberto Campos:
Margareth
Tatcher teve de sustentar lutas políticas e batalhas literais contra os
interesses corporativos consolidados no antigo modelo de “welfare state”, que
de “welfare” já não tinha nada e cujo “estado” era um corpo disforme, esgarçado
entre as tendências protecionistas da velha indústria, os protestos
enraivecidos (mas puramente de retaguarda) dos sindicatos dos setores
estatizados e o desalento geral da maioria da população. Foi uma luta terrível
para livrar a Grã-Bretanha do “pacto perverso” entre o Labour e a TUC – Trade
Union Congress, a confederação sindical – que, durante a maior parte do
pós-Segunda Guerra, tinha conduzido o país direto para a decadência, ao
garantir aumentos reais de salários para os setores assim protegidos e ao
repassar os custos para o conjunto da sociedade. Foi como se, no Brasil, a CUT
e a FIESP, por hipótese no exercício do poder central, tivessem “complotado”,
durante anos a fio, para se concederem e assim garantirem, reciprocamente,
aumentos generosos de preços e de salários, repassando em seguida a conta para
os contribuintes e consumidores, o que aliás não deixou de existir, de certo
modo, durante as fases de alta inflação no Brasil. Trata-se da mais segura
receita para inviabilizar qualquer processo de crescimento com estabilidade que
se possa conhecer e ela foi seguida, conscientemente ou não, por vários
governos britânicos durante boa parte da segunda metade do século XX na
Inglaterra.
Pois bem, isso
agora acabou, e a Grã-Bretanha renasce de sua antiga decadência, renovação
tanto mais segura de continuar que o “novo Labour” aderiu ao processo e ao
modelo iniciados por Lady Tatcher e deles não pretende se desvencilhar. Um
pouco, aliás, como vêm fazendo os socialistas e democratas chilenos, que
herdaram do período militar uma gestão mais ou menos em ordem e uma economia em
franco crescimento nos quadros da globalização e da liberalização comercial.
Alguma lição a tirar?
Claro que sim,
e a primeira lição a tirar seria, além da inveja, desejar sorte e sucesso
continuado a britânicos e chilenos, que podem desfrutar de baixo desemprego,
estabilidade de preços, aumento razoável das expectativas de bem-estar,
diminuição das “deseconomias” e das externalidades negativas associadas à má
gestão da economia, melhora, ainda que gradual, nos padrões gerais dos serviços
públicos – ou privados, não importa muito a forma de provimento – relativos à
saúde, educação, facilidades urbanas em transporte, segurança etc. Enfim, sem
ser preciso nenhuma revolução ou mudança dramática na situação corrente, deve
ser melhor viver numa sociedade que conhece progressos incrementais nas
condições de vida do que numa outra que, por hipótese, afunde progressivamente
na delinqüência, no desemprego, na inflação, na deterioração dos equipamentos
sociais, na compressão do poder de compra, na desesperança trazida pela
sensação de aumento na corrupção política, enfim, que se debata com vários
males de que padecem hoje muitos países ao redor do mundo.
E o que tem
nosso país a ver com isso tudo? O Brasil conhece alguns desses males e,
felizmente, está ao abrigo de outros, como poderia ser a inflação galopante que
ameaça, mais uma vez, a vizinha Argentina, ou a instabilidade política, que já
arrastou mais de um presidente para fora dos palácios presidenciais em outros
países da região. Mas, nós acabamos de nos converter, junto com o infeliz
Haiti, em campeões do baixo crescimento e da carga fiscal, aqui exclusivamente.
Mais ainda, conhecendo a trajetória das contas públicas nos próximos anos, não
hesito em dizer que teremos anos negros pela frente e, conhecendo também as
atuais condições para a atividade empresarial e o ambiente geral dos negócios,
tampouco hesito em dizer que o Brasil reúne, sem sombra de dúvida, todos os
requisitos para NÃO CRESCER no futuro previsível.
Se essa
trajetória não for revertida, a conclusão inevitável me parece ser apenas esta:
caminhamos inevitavelmente para a decadência econômica, o baixo crescimento
continuado, o desemprego mantido em altas taxas, a desesperança social
convertida em humor nacional e o desalento generalizado quanto à capacidade dos
nossos políticos em mudar esse quadro de declínio. O Brasil, por certo, não é
um país decadente, em espírito ou disposição para a luta, mas ele parece hoje
paralisado por um modelo de organização “estatal” da economia que nos garante,
apenas e tão somente, isso que vemos: baixo crescimento, incapacidade de
investimentos, “despoupança” líquida dos recursos do setor privado por uma
máquina estatal prebendalística e perdulária, comportamentos rentistas das
corporações que “assaltaram”, literalmente, o Estado, enfim, um quadro negativo
de “deseconomias” de escala que nos garante apenas o que já foi mencionado, ou
seja, baixo crescimento e perspectivas sombrias para o futuro.
A julgar pela
história exemplar de decadência continuada – em certas épocas, mais do que
agravada – dos dois casos mais notórios de baixo desempenho econômico no século
XX, a Grã-Bretanha e a Argentina, estamos ainda longe de termos atingido o
“auge” do declínio. Em outros termos, ainda teremos muitos problemas pela
frente, com um espaço ainda aberto para um desempenho ainda mais medíocre da
economia e uma deterioração ainda mais sensível dos costumes políticos. Talvez
tenhamos de passar, realmente, por vinte anos de decadência, como no exemplo
britânico, antes de sequer pensar no caminho da recuperação. Pelo menos é isso
que eu concluo, ao constatar, em pesquisas de opinião, que o brasileiro médio
ainda confia no Estado como um provedor de “soluções” a seus problemas
cotidianos. Pode até ser, mas certamente não será esse Estado que aí se
encontra. Reverter esse quadro vai ser difícil, mas não impossível, uma vez que
já começamos a reconhecer o problema.
O próprio fato
de se poder apontar para a decadência econômica inevitável do Brasil, como
acabo de fazer, talvez já seja o primeiro passo para a necessária tomada de
consciência e de posição, num sentido contrário à tendência declinista hoje
detectada. Esperemos que não tenhamos de esperar por vinte anos, ou mais, de
decadência, antes de conhecer uma reversão de tendência. Estou sendo muito
pessimista? Talvez, mas não vejo motivos para muito otimismo no momento e nas
condições presentes...
Paulo Roberto
de Almeida
Brasília, 7 de
março de 2006. Texto
Paulo Roberto de
Almeida
Brasília, 5361, 21 junho
2026, 7 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (21/06/2026;
link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/o-brasil-caminha-para-um-declinio.html).
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O Brasil caminha para um declínio econômico de meio século? - Paulo Roberto de Almeida:
Capítulo 1: O Diagnóstico do Declínio Estrutural de Meio Século
O artigo escrito pelo diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida, intitulado O Brasil caminha para um declínio econômico de meio século?, publicado em seu blog Diplomatizzando em vinte e um de junho de dois mil e vinte e seis, apresenta uma análise profundamente cética e detalhada sobre a trajetória macroeconômica brasileira. O autor utiliza o marco comemorativo de vinte anos de existência de sua página na internet para resgatar e endossar um ensaio de sua autoria elaborado originalmente em março de dois mil e seis. Na visão retrospectiva e crítica do acadêmico, o cenário de semi-estagnação e letargia que ele projetava há duas décadas não apenas se confirmou, como se consolidou em um fato empírico verificável: o país acumula mais de quarenta anos de incapacidade de crescimento dinâmico, arrastando-se economicamente abaixo da média da América Latina e do mundo.
A argumentação de Almeida baseia-se na comparação do fraco desempenho brasileiro com o dinamismo de economias que passaram por reformas estruturais profundas. Ele evoca o exemplo histórico do renascimento econômico da Grã-Bretanha a partir da era comandada por Margaret Thatcher, quando o país reverteu uma decadência industrial e inflacionária severa ao combater privilégios corporativos e redefinir os papéis do Estado e do mercado. Ao traçar um paralelo com o ambiente doméstico, o autor diagnostica que o Brasil falha sistematicamente em ingressar na modernidade global devido à manutenção de políticas econômicas obsoletas e à resistência de corporações que capturaram as estruturas estatais para a preservação de vantagens setoriais.
Capítulo 2: A Decodificação do Pacto Prebendalístico e do Peso Fiscal
A análise crítica do texto exige a decodificação de conceitos da ciência política e da economia utilizados pelo diplomata para descrever a paralisia institucional brasileira. Ao classificar a máquina governamental como uma estrutura estatal prebendalística e perdulária, Paulo Roberto de Almeida aponta diretamente para o patrimonialismo e para o uso de cargos e recursos públicos como moedas de troca política, o que anula a capacidade de investimento do Estado. O termo prebendalismo, neste contexto, define o arranjo em que o orçamento público é distribuído para satisfazer o apetite de clientelas partidárias e oligarquias financeiras, gerando o que ele qualifica como uma despoupança líquida dos recursos do setor privado. O Estado, em vez de atuar como indutor do desenvolvimento, drena a riqueza gerada pelos setores produtivos para sustentar sua própria burocracia ineficiente.
Outra expressão codificada que demanda esclarecimento é o comportamento rentista das corporações que assaltaram o Estado. Com esta metáfora contundente, Almeida expõe a aliança perversa entre frentes sindicais e associações empresariais protecionistas que buscam subsídios, desonerações exclusivas e reajustes salariais acima da produtividade. Na visão do autor, esse mecanismo funciona como um complô que repassa integralmente a conta da insolvência fiscal para os contribuintes e consumidores através de uma carga tributária escorcorante. Ele ressalta que o Brasil se converteu no campeão mundial exclusivo do binômio alarmante composto por baixo crescimento econômico e alta carga fiscal, eliminando qualquer previsibilidade ou segurança jurídica para a atividade empresarial de longo prazo.
Capítulo 3: A Falência das Expectativas e a Ilusão do Provedor Estatal
No encerramento de sua exposição, o professor manifesta um desalento realista quanto à capacidade da classe política atual em promover uma reversão de expectativas na sociedade. Ele alerta que o país reúne todos os requisitos técnicos para não crescer no futuro previsível, agravando a deterioração dos costumes políticos e alimentando um sentimento de desesperança convertido em humor nacional. A maior barreira cultural para a superação desse declínio crônico, segundo o autor, reside no fato de que o brasileiro médio ainda mantém uma confiança anacrônica no Estado como o provedor absoluto de soluções para as demandas cotidianas. Almeida conclui que este modelo paternalista está esgotado e que o reconhecimento da decadência iminente constitui o primeiro e indispensável passo para uma tomada de consciência crítica pela cidadania.