The New World Map the UN Wants You to Use
Visual Capitalist, Sept 16, 2026
The UN has endorsed a new world map using the Equal Earth projection.
See how the map compares and why Africa gains the most relative size.
Diplomatizzando
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
quarta-feira, 16 de setembro de 2026
The New World Map the UN Wants You to Use - Visual Capitalist
Crise pode colocar Justiça eleitoral em xeque, diz Lara Mesquita - Marcos de Moura e Souza Valor Econômico
Entrevista
Crise pode colocar Justiça eleitoral em xeque, diz Lara Mesquita
Cientista político avalia as possíveis implicações das disputas e denúncias no STF
Marcos de Moura e Souza
Valor Econômico, quarta-feira, 16 de setembro de 2026
A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e a decisão dos ministros de adiarem uma possível investigação contra Alexandre de Moraes tende a ajudar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Mas não é isso o que mais chama atenção. A questão é o peso que o Supremo e as suspeitas de relações indevidas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro assumiram no noticiário e no debate político, solapando o que a essa altura deveria ser o mais importante: o debate sobre projetos dos candidatos a presidente.
A avaliação é da cientista política, Lara Mesquita, professora da Escola de Economia de São Paulo da FGV. Ela chama atenção também para outro possível efeito colateral das suspeitas que pesam sobre ministros, envolvendo Vorcaro, que está preso.
Além de Moraes, André Mendonça, Nunes Marques e Dias Toffoli tiveram seus nomes ou de parentes de alguma forma associados a interesses do banqueiro.
Para Lara Mesquita, um dos riscos é que, com ministros do Supremo sendo questionados, futuras ações judiciais que tenham relação com as eleições poderão ser julgadas justamente por esses magistrados - alimentando narrativas sobre a credibilidade do processo eleitoral.
O que preocupa é que a crise faz com que ninguém preste atenção na eleição”— Lara Mesquita
“Se as pessoas estão dizendo que elas não confiam no STF, e se o STF é, de um lado, o guardião da Constituição e dá a última palavra em todo tipo de processo; e, de outro lado, se parte dos ministros do STF compõem o TSE, que é a corte que tem como papel administrar as eleições e resolver os conflitos eleitorais, qual é o grau de confiança que parte da sociedade vai afirmar ter no TSE como árbitro de conflitos eleitorais?”, afirma a professora. “Essa é a situação complicada que poderemos ter.”
A seguir, os principais trechos da entrevista de Lara Mesquita ao Valor:
Valor: Quem ganha com a crise no STF e com a decisão de adiar uma avaliação sobre investigar ou não ministros Moraes e Mendonça?
Lara Mesquita: A avaliação entre políticos é que o Flávio Bolsonaro é mais beneficiado porque se trata da possibilidade de ele manter o discurso de que aquele que condenou seu pai [o ministro Alexandre de Moraes, que foi relator da tentativa de golpe de Estado] está agora no olho do furacão, sendo questionado. Ou seja, o discurso que questiona o quanto se pode confiar que o julgamento foi correto, uma vez que o juiz que o condenou está ele próprio sendo acusado. E fortalece o discurso de que não se pode confiar no STF. Mas o que mais chama atenção não é isso. O mais chama atenção é que essa crise no Supremo faz com que ninguém preste atenção na eleição em si. Na segunda-feira, pesquisa Quaest mostrou que 40% dos eleitores dizem que estão pouco interessados, e que 22% dizem que estão nada interessados nas eleições. E, se não estão interessados na eleição presidencial, imagine na eleição para os outros cargos. E estamos falando de um próximo presidente que vai, no mínimo, indicar três novos ministros para o Supremo Tribunal Federal. Estamos falando de um Senado que, além de homologar ou rejeitar essas três ou mais indicações, poderá abrir processos de impeachment contra ministros. Estamos falando de um Congresso que vai, com certeza, iniciar uma discussão sobre a reforma do Judiciário, que poderá implicar na limitação de tempo de mandato e outras medidas. E os eleitores não estão dando suficiente atenção nas propostas e nos nomes. O pior dessa crise é que ela tira a atenção e o interesse do eleitor em uma eleição que já é bastante sensível, que tem temas como o ajuste fiscal, o financiamento de políticas sociais, crise climática, a questão das relações exteriores.
Valor: Em termos de impacto eleitoral, o fato de dois ministros - Moraes e Mendonça - estarem em vias de serem investigados zera o jogo para a campanha de Lula e para a campanha de Bolsonaro? Uma vez que os dois lados têm nomes identificados com seu campo na berlinda?
Mesquita: Não sei se zera o jogo. O Felipe Nunes (da Quaest) disse esta semana que nas pesquisas qualitativas o eleitor, sobretudo esse eleitor indeciso, comprou o discurso do Flávio Bolsonaro de que o financiamento do filme “Dark Horse” [por Vorcaro] se tratou de uma questão privada. Enquanto no caso de Alexandre de Moraes, a questão colocada é a da desconfiança nas instituições como um todo. E quando há uma ambiente de insatisfação com o país, é mais fácil associar os problemas ao governo do que à oposição.
Valor: A poucos dias das eleições, qual a implicação desse sentimento de desconfiança no STF?
Mesquita: Se as pessoas estão dizendo que elas não confiam no STF, e se o STF é, de um lado, o guardião da Constituição e dá a última palavra em todo tipo de processo; e, de outro lado, a maior parte dos ministros que compõem o TSE, que é a corte que tem como papel administrar as eleições e resolver os conflitos eleitorais, qual é o grau de confiança que parte da sociedade vai afirmar ter no TSE como árbitro de conflitos eleitorais? Ou seja, com essa crise no STF, qual será a percepção de legitimidade que parte da sociedade terá do TSE para tomar decisões difíceis numa eleição que vai ser muito acirrada e que deverá ser muito judicializada? Como será a reação se uma maioria for formada [para julgar alguma eventual questão eleitoral] por ministros que estão sendo questionados?
Essa situação pode representar um problema de legitimidade para a democracia e para o processo eleitoral na medida em que parte da sociedade poderá dizer que não confia no árbitro do processo. Essa é a situação complicada que poderemos ter.
E não é por acaso que o ministro Kassio Nunes Marques [do STF] decidiu não participar da sessão de ontem. Disse que não há nada contra o filho dele, [um jovem advogado que esteve sob holofotes por um contrato com uma empresa ligada a Vorcaro], que não tem nenhuma mensagem para ele. Alegou que, por ser presidente do TSE, e para não contaminar o julgamento do tribunal, decidiu se abster de participar do julgamento. Foi uma saída criativa do lado dele, mas mostrou a preocupação em evitar que a crise do STF respingue no processo eleitoral.
Valor: Mas já respingou?
Mesquita: Já respingou. Não vai ter sabatina, não vai ter debate em que não seja tratada da questão do Supremo.
Valor: Se os ministros tivessem decidido encaminhar de outra forma a sessão da terça-feira, a imagem do STF sairia menos desgastada?
Mesquita: Os ministros do STF poderiam ter dado uma sinalização de que estão preocupados com a crise e não só em se autoproteger. Se a gente tivesse uma sinalização clara, rápida, ainda essa semana, faltando semanas para a eleição... E não se tratava de condenar nenhum ministro. Mas as suspeitas são graves o suficiente, então deveriam investigar, inclusive, para provar que o ministro Alexandre ou que o ministro Mendonça ou outros não têm nada. Seria essa sinalização para a sociedade de que no STF o que reina não é uma preocupação corporativista, é uma preocupação com a institucionalidade e com a democracia. Mas nada disso foi feito e eu tenho muito pouca expectativa que isso venha acontecer com este Supremo que não se furta nada e que este ano fez um julgamento em que eles criaram um teto de gastos paralelo para as carreiras do Judiciário.
Valor: Voltando à disputa eleitoral: para tentar se descolar da crise do STF e de Alexandre de Moraes, Lula tem algum movimento a fazer a poucas semanas do primeiro turno?
Mesquita: Ele já foi a público dizer que todos sejam investigados, que todos os sigilos caiam. Quando questionados também se isso vale para o caso do INSS, porque isso envolveria o filho dele, ele disse que sim, todo mundo, em todos os casos. Eu acho difícil o presidente da República fazer mais do que isso. O que o presidente pode seria tentar trazer o debate para o campo das ideias, mas acho que ele não vai ter muito sucesso nisso. Para a campanha petista, o que poderia dar um alívio é se aparecesse algo mais forte envolvendo o Flávio e a família Bolsonaro, além do caso Dark Horse. O que já apareceu até agora, aparentemente, não prejudicou muito a campanha do Flávio.
Valor: Para Flávio Bolsonaro, jogar parado agora parece ser o mais acertado?
Mesquita: A despeito de não ter dado explicação de nada, de não ter justificado nada, de não ter comprovado nada [sobre os recursos de Vorcaro no filme sobre Jair Bolsonaro] aparentemente, ele está numa situação confortável e numa situação de que pode dizer, “nós falamos o tempo todo que éramos vítimas do Supremo, que o Supremo não era confiável. Vejam, como esses caras não são confiáveis”.
Valor: Durante a sessão de ontem, Gilmar Mendes, num bate -boca com André Mendonça disse que houve uma tentativa de arrastar o Supremo para as eleições. Parte do eleitorado tende a mudar de voto olhando o que se passa no STF?
Mesquita: Eu não sei dizer se está situação afeta a decisão do voto do eleitor. Mas está tirando o foco do eleitor e porque está minando a confiança do eleitor nas instituições que deveriam ser os árbitros da eleição. E há um outro aspecto. Um possível impedimento do ministro Alexandre de Moraes abre margem para se repetir a Lava-Jato. Para se anular todo o julgamento da trama golpista. O julgamento é um marco importante, não só pela condenação do ex-presidente Bolsonaro, mas porque pela primeira vez o país condenou generais, os militares envolvidos. E me parece que uma das grandes conquistas do atual governo Lula é que os militares voltaram para a caserna. Eles não estão mais ocupando cargos de destaque, eles não estão mais se manifestando sobre política. Vamos lembrar que no governo Dilma Rousseff eles estavam já se manifestando sobre a política. Mas voltaram para o espaço que eles devem ocupar numa democracia. E reverter tudo isso, talvez signifique os militares de volta para a vida política do país.
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Secessão à vista no Reino (Des)Unido?
Interessante essa secessão da Escócia, do País de Gales e da Irlanda do Norte da Grã-Bretanha, um reino desunido.
A Irlanda foi conquistada à força, e sua maior parte conseguiu a independência, em 1921, depois de muita luta contra a prepotência inglesa, que também se exerceu ao norte da “ilha que Deus na Mancha ancorou” (apud Castro Ales) e que depois subjugou definitivamente os valentes escoceses em 1704.
De Wales, eu só sei que eles estão, como os escoceses, na FIFA, que é maior que a ONU, o que já é um bom começo.
Acho que não vai dar muito certo, por causa do vil metal, como sempre, mas não custa tentar. Sou totalmente a favor.
What Putin is waiting for in Europe - MIKHAIL KHODORKOVSKY (Nest)
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What Putin is waiting for in EuropePutin sees the AfD’s success in Saxony-Anhalt as grounds for optimism
I am deeply skeptical that Putin will agree to stop the war without achieving the goals he has declared. He is convinced that the political changes which may take place in Europe will lead to a reduction in support for Ukraine. And if that support decreases, he believes he will be able to achieve his objectives and, in effect, force Ukraine to capitulate. He is counting on these changes over the next six to nine months. While he has that expectation, I find it very difficult to believe that he will agree to stop.
GermanyThe AfD’s victory in Saxony-Anhalt has, of course, caused a very serious discussion in Europe, and certainly in Germany itself. The party received 43.8% of the vote while advocating an end to sanctions against Russia, military assistance to Ukraine, and a return to purchases of Russian oil and gas. All of this encourages Putin’s expectations. Nevertheless, we have to understand what kind of election this was. It was an election in one relatively small German ‘state’. Moreover, in eastern Germany, which has been a base of support for the radical right for decades. I think it highly unlikely that the AfD will achieve the same result in a federal election. And it is the federal government that determines German foreign policy. This is a very important signal. But let me say again: it is a signal, and the German government and German political parties still have time to make changes to their policies. The conduct of some of these parties in the European Parliament is certainly disturbing. We recently held an event there—we, meaning the Anti-War Committee of Russia—to discuss why Russia’s elections cannot be considered legitimate. A few days beforehand, Russia’s foreign intelligence service issued a statement about enemies preparing to discredit the elections. Then representatives of right-wing European parties turned up and kicked up an enormous row, trying to prevent even an ordinary expert hearing. In effect, they were supporting the position of Russian foreign intelligence. This was a fairly routine discussion, and they were trying to stop even that. But we also need to understand why people vote for these parties. Of course, there are people in Germany who think it would be good to receive cheap Russian gas again, and perhaps to help Ukraine less. In Saxony-Anhalt, that position has particular importance because chemical enterprises there depended heavily on cheap Russian gas. Nevertheless, if we look at the German economy as a whole, the practical significance of restoring those supplies is much smaller. Russia offers discounts to its customers, and it is these discounts that some AfD voters are counting on. But the savings are not decisive for an economy of Germany’s size. In my view, even assistance to Ukraine is a secondary question for German voters. The central question is migration. This is a serious concern for German voters, and they direct that concern at their government. If the government hears its population, the AfD can go back below the five-per-cent threshold. If it does not, the German political system, and the European political system more generally, face serious upheaval. These problems will remain with European politicians for years. FranceFrom this point of view, Marine Le Pen coming to power in France could create considerably greater problems. We would be talking about the presidency, and the French president has exceptionally broad powers in foreign policy. But there is another question here. We cannot simply equate the radical right with supporters of Putin. Or, incidentally, with supporters of Trump. In many cases these are isolationists, opponents of the Atlantic alliance. We have seen this kind of expectation before. Stalin tried to be friends with Hitler. There were raw-material supplies, industrial supplies, all these apparently mutually beneficial relations. We know how that ended. I very much hope the lessons have been learned, and even today’s most extreme European parties do not display Hitler’s level of radicalism. But the assumption that such parties will necessarily be Russia’s friends deserves some skepticism. For now, Putin expects their success to reduce support for Ukraine. That expectation is one reason I doubt he will agree to stop fighting without getting what he wants. As for whether these politicians will turn out to be friends of Russia, or friends of Putin personally, that is something Mr Putin still has to find out. For a closer look at Putin’s expectations of Europe’s rightward shift, read NEST’s weekly briefing and subscribe to receive a new one next Monday. Thanks for reading How to Slay a Dragon! Subscribe for free to receive new posts |
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
The war did not change Russia. It revealed Russia.” - Rihards Kols
A natureza profunda da Rússia eterna é OPRESSÃO, sobre os seus e sobre a vizinhança. Marx já tinha escrito sobre isso na segunda metade do século XIX. PRA
“The war did not change Russia. It revealed Russia.” - Rihards Kols
Rihards Kols, Latvian Member of the European Parliament, speaking at the #RigaConf2026 plenary session "Preparing for Russia Remade by War".
“It is important correction we need to make in this room. The war did not change Russia. It revealed Russia. And this is precisely, and I will reiterate, that for years some of us in this region said this plainly, and we were told that we are exaggerating. There are some who are still saying that the Baltics, our region, we are exaggerating, that we were prisoners of our own history. So the war did not create new Ru
ssia. It stripped away the excuses that let people pretend the old one was becoming something else. And that is something being spread across Europe. Already was mentioned the dynamics on day to day. What is the changing on the war efforts, war economy? And obviously we can reiterate the numbers. Obviously the Russia today spends roughly 7 to 8% of GDP and roughly 40% of federal budget expenditure on defense and security. And it is the highest share since the Soviet collapse. And that should be noted. But on top of that, which is more alarming, is that church, state media, education curricula, industry, the courts have all been folded into a single machine whose output is the war effort. And that has to be registered. And really, do not make no mistake. That is not wartime mobilisation in the sense we understand in democracy, when we speak about a temporary redirection of resources toward an external goal. It is the opposite. The war has become the organising principle of the state itself, and the state has organised everything else around sustaining it.
So I want to be really blunt, because I think this room can handle it from seeing familiar faces. Russia is not a state that happens to be run by a strong man who came out of the KGB. Russia is a state built and operated by security services, for security services as a permanent condition.
putin is not aberration sitting on top of normal state apparatus. He is the product of the apparatus, and so is whoever comes after him. We, we ask often and in this format as well, in previous years, what happens after putin? We are asking the wrong question. The right question is what happens to the system whose entire logic is a threat detection, repression, and control regardless of who occupies the top chair. Individuals do leave voluntarily or through windows or having too much tea. The services, the networks, the operating logic, they remain.
And there is a comfortable story in the Western capitals that ordinary Russians are quietly against this war, that repression is holding back at Latin majority that would choose differently if only given a chance. I do not believe that, and frankly the evidence does not support it. If there were a real organised majority demand for change inside Russia, we would see it. Not because Russians are uniquely passive, history proves the opposite when the conditions are right. But because when a majority generally wants a change, it finds a way to make that one visible, costly to ignore, and difficult to suppress indefinitely.
So the simple, uncomfortable logic conclusion is this. The absence of visible mass demand for change is itself the evidence. Passive discontent that never translates into political consequence is not resistance, it is accommodation.
And there is the line I want people to sit with. You cannot wake up someone who is only pretending to be asleep. A society that quietly benefits from empire, that quietly enjoys the mobilisation of victimhood and grievance the Kremlin sells it, does not need waking. It needs to be confronted with costs it cannot ignore.”
“So this is where I want to challenge some of the optimism I'm hearing in European capitals about negotiated end to this war. So what would a ceasefire today actually deliver? If Russia is compelled to stop fighting tomorrow, under pressure, exhausted, out of reserves, the war economy does not simply switch off and the state build to run it does not simply dissolve.
We will still be dealing with a security service state now battle-hardened industry re-tooled for war production, more dependent on Beijing than it has been before, and with the domestic population conditioned to accept permanent hostility towards Europe as a status quo.
A ceasefire freezes the war. It does not reverse the transformation the war has produced. That is the distinction Europe keeps missing, the distinction between the end of fighting and the end to the threats.
So where does that leave the sanctions question, somebody will ask, right? Sanctions were never going to make ordinary Russians rise up. That was never the honest premise, and whoever sold it that way owes everyone an apology. The real premise is harder. Deny Moscow of components, the revenue and the technology this machine needs to function.
Reserves are close to exhausted, energy revenues are down sharply, growth has stalled. That is not collapse, it is a security service state running out of room, and it will double down rather than reform, because reform was never in its vocabulary.
Europe's task is not to wait for Russia to change from within. It will not, not on any timeline that matters to Ukraine or to us. Plan for Russia this war has actually produced is poorer, more repressive, more dependent on Beijing, and no less hostile. That is, I would say, not pessimism, it is realism, and realism is the only thing that has ever kept this region safe. So we build our architecture assuming the worst about Moscow and we have been proven right every time, and I see no reason to stop now. So that is my answer.”
Novo livro de Emmanuel Todd: La Dislocation (Gallimard)
O profeta da decadência do Ocidente, o antecipador de sua derrota, frente a impérios mais dinâmicos (quais, a China, provavelmente, a Rússia também?), anuncia seu novo livro. Não tenho certeza de comprar, pois seu último livro sobre a vitória da Rússia sobre o Ocidente, derrotado de forma humilhante, não contou com o meu assentimento. PRA
La Dislocation
EMMANUEL TODD
SEP 13, 2026
J’ai le plaisir d’annoncer la publication par les éditions Gallimard de La Dislocation. Conversations avec Diane Lagrange, le 24 septembre.
Réflexion sur le chaos occidental, ce livre est bien sûr la suite logique de La Défaite de l’Occident. Sa méthode est toutefois différente. C’est un livre d’un genre nouveau. La Dislocation est une analyse à chaud, par le dialogue, des évènements d’une année complète – aux États-Unis, en Allemagne, en France, en Israël, en Iran, en Russie, en Chine, au Japon – qui y sont replacés dans la longue durée de l’histoire.
Le dialogue encourage la spéculation: sur les faits, sur leurs causes, et sur le futur. Il révèle ici un potentiel prédictif supérieur à l’analyse classique. Je suis donc particulièrement heureux de publier ce livre maintenant parce que l’année qui vient sera sans doute, sur bien des fronts, celle du dénouement.
Emmanuel Todd
George Bernanos em Barbacena: 1940-1945 - Francisco Braga
George Bernanos em Barbacena: 1940-1945
VAMIREH CHACON brilhou como um dos mais brilhantes cientistas políticos, juristas, historiadores, professores e escritores brasileiros.
Tive a oportunidade de privar da amizade de Vamireh Chacon, um assíduo frequentador da Biblioteca do Senado Federal e funcionário do ILB-Instituto Legislativo Brasileiro (que goza de status de escola de governo do Legislativo, através das plataformas Saberes e Interleges), enquanto eu exercia o cargo de Consultor Legislativo. Mais tarde, mantivemos profícua correspondência e tive a honra de acolher seus comentários a muitas matérias de meus dois blogs.
Neste post, apreciaremos o ensaio desse grande jurista e cientista político sobre a estada de GEORGES BERNANOS em Barbacena (de agosto de 1940 a junho de 1945), enriquecida pela pesquisa de Chacon na correspondência do pensador católico francês e no testemunho de vários de seus amigos no Brasil.
Link: https://saojoaodel-rei.blogspot.com/2026/09/bernanos-em-barbacena.html
Cordial abraço,
Francisco Braga
Gerente do Blog de São João del-Rei
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segunda-feira, 14 de setembro de 2026
BERNANOS EM BARBACENA
Transcrevemos o ensaio intitulado Bernanos em Barbacena pelo notável pensador pernambucano, extraído do seu livro “O Humanismo Brasileiro”, São Paulo: Summus Editorial: Secretaria da Cultura, 1980, pp. 248-257.
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| VAMIREH CHACON de Albuquerque Nascimento (✰ Recife, 01/02/1934 ✞ Brasília, 18/09/2023) |
“Felizmente nossa casinha acha-se longe dessas agitações políticas, sobre uma colina solitária, como se ela tivesse vindo pousar naquele ponto, uma noite por acaso, depois de uma longa viagem aérea, esperando abrir as asas e retomar o voo àquela hora da madrugada em que os grandes eucaliptos fremem, antes de enrubescer até o cimo, ao levantar do sol.”
“Cada manhã, ao levantar, logo depois do café, o meu bom cavalo Osvaldo me esperava na porta. Como o frade ao seu ministério; como o soldado ao exército, ou mais exatamente, como o empregado ao escritório, íamos nós — um levando o outro — até a cidade, para de lá voltar ao meio-dia com o único fim de nos dar o prazer de retornar às três horas e não vir para a casa senão à noite — a noite seca, fria e penetrante de inverno ou essas admiráveis noites de verão; essas noites quentes de perfume selvagem como o flanco de uma fera.”
“Caros amigos: se algum de vós passar um dia por Barbacena e quiser se lembrar de mim, lance um olhar sobre esse café minúsculo e reflita que eu ali fiz a experiência de quase todas as formas de solidão; ali me achei muitas vezes — ali à beira da calçada, no vaivém dos transeuntes — só — sim, tão só! Como o meu país.” ⁵
“Do alto de nossa pequena colina da Cruz das Almas, vemos, há semanas, fundirem-se, pouco a pouco, nossos maus caminhos, como manteiga numa panela queimante. A graciosa cidade branca, a meia légua, parece tão perto, porém nenhum carro ousaria arriscar-se até nós e os próprios cavalos percorrem, com desconfiança, esta estrada arrasada que deslisa, pouco a pouco, sobre sua inclinação mesma.”
“O trabalho da terra foi reservado aqui — pelo menos em parte — desde longo tempo, aos escravos. Claro, que não tenho qualquer título para dirigir-me aos intelectuais brasileiros, senão, talvez, a profunda gratidão que lhes devo, pelo generoso, magnífico acolhimento, que quiseram por bem dar ao meu livro, escrito no exílio...”
“Que eles me permitam, contudo, uni-los hoje, no meu pensamento, a estes homens obscuros, cuja missão não é garantir a Liberdade, e sim assegurar à sua Miséria um bem ainda mais precioso, a Consciência da Liberdade. Pois não é a Servidão que faz os escravos, é a aceitação da Servidão. E há algo pior que a aceitação da Servidão: a ela conformar sua vida, a ponto de nela se achar à vontade e, enfim — ignorá-la.” (grifo nosso)
“Foi no sertão que tomei conhecimento da Queda de Paris. A tarde já empalidecia, o sol vermelho do curral entrava na pobre casa, com o voo dos primeiros morcegos. A floresta imensa, a floresta anã e disforme, torturada pela sede, estendia-se ao Infinito em torno dos nossos muros de argila. Lá estávamos sós, verdadeiramente sós, sós como mortos, enquanto a horrenda voz nasal de uma estação de rádio, alimentada por uma bateria fora de uso, anunciava-nos que a bandeira alemã flutuava sobre Notre-Dame... Tenho o direito de escrever que o Povo brasileiro odeia a Servidão, pois, desde a primeira notícia do desastre, eu o vi odiar a nossa...” ⁷ (grifo nosso)
“O Brasil não é, para mim, o hotel suntuoso, quase anônimo, onde depositei minha valise, esperando retomar o oceano e regressar à minha terra: é meu lar, é minha casa...”
“Foram vossos camponeses que me fizeram compreender vossos intelectuais — eis a verdade. Compreendi que vossos intelectuais se serviam da nossa cultura contra uma certa concepção da vida, que vosso povo repele instintivamente... Vossos intelectuais se servem da nossa cultura, porque ela é, para eles, o instrumento mais apropriado à defesa comum; porém é do fundo popular que têm o sentimento quase psíquico do perigo corrido, a vontade de vencê-lo.” (grifo nosso)
“A terra do meu país é uma terra amiga do homem. A vossa não é vossa inimiga, certamente, mas ela vos ignora; estais sós diante dela, sem aldeias, sem vizinhos, com vossas pobres famílias. Aqui, o homem conquista a terra selvagem pelas suas próprias forças, as mãos nuas.Que isto faça rir os mercadores de quinquilharia mecânica, bem o espero. Eles não rirão sempre.
Pois é assim que se formam os grandes povos, os povos livres; é assim que todas as forças e toda a paciência da terra passam aos músculos e corações dos homens. Assim o ritmo de vosso esforço não é o mesmo daquele nosso, ou melhor, vosso esforço guardou um ritmo que o nosso perdeu. Assim podeis sofrer e durar, lá, onde qualquer outro, além de vós, esgotaria em pouco tempo sua coragem. Porém este segredo de vossa força é também o de vossa incomparável resignação.” (grifo nosso)
“Por que Georges Bernanos, escritor de relativa fama, abandona a França, a Europa enfim, para vir residir no Brasil? Motivo de simpatia intelectual com os brasileiros é argumento de caça-níqueis. Bernanos é um difamador e um espião comunista (sic). Não são palavras nossas. É o arcebispo de Majorca, Dom José Miralles Sbert, quem o afirma publicamente em documento irrespondível.” ⁸
“Este país, esta cidade, não se podem crer. Esta cidade tão bela, tão prodigiosamente bela, tão bela e tão humilde. Tem o ar de deitar-se a vossos pés, com suas jóias, seus perfumes e seu olhar de inocência e a docilidade dos animais. O ar é uma doçura selvagem. E agora, graças ao Céu, estou como um velho guerreiro, curtido pela guerra, no meio de crianças.” ¹¹
“Estranho país! À primeira vista se é fortemente tentado de retomar o trem e fugir. Depois, acostuma-se pouco a pouco, e creio que se termina por amá-lo. O horizonte assemelha-se ao de certas províncias francesas, colinas bastante parecidas com as de Tours... Quanto à cidade, é uma autêntica aldeia de desbravamento, muito cinematográfica, com casas em construção por toda parte, uma desordem surpreendente.” ¹²
“Aquela voz apaixonada ressuscitava bravuras extintas, coragens de outras eras, teimosamente, como quem recusava nivelar-se ao morno conformismo das derrotas...” ²²
“Moços e moças do Brasil, o que hoje vos escrevo é tudo o que vos deixarei de mim e, quando vos lembrardes do velho escritor de Cruz das Almas, dentro de vinte anos, de trinta anos — se vossa memória, por um impossível, me for fiel até então — estas palavras, desde muito esquecidas, é que se levantarão talvez, a despeito de vós mesmos, das profundezas de vossa consciência.
Moços e moças, escutai-me bem, eis a minha última mensagem. A Liberdade não deve apenas ser amada, a Liberdade pouco se incomoda, atualmente de ser amada, ela deve ser salva, ela exige a sua salvação. Jovens amigos meus, é antes de tudo em vós mesmos, e em vossos espíritos, que salvareis a Liberdade. A Liberdade vos impõe uma clarividência heróica de que seríeis certamente dispensados numa sociedade digna desse nome. Se a exigência é de algum modo inumana, a culpa é de uma sociedade inumana. Pois, as místicas sanguinárias do Nacionalismo, do Racismo e do Partido substituíram as fidelidades tradicionais, as fidelidades humanas da Família e da Pátria, a obediência absoluta, totalitária, a idolatria do Estado ou do Partido. ²³ (grifo nosso)
Atentai para que essas opiniões e esses credos não sejam senão fórmulas de segurança. Católicos, vós vos assegurais contra os riscos do inferno. Socialistas, contra os riscos desse outro inferno, não menos cruel e inflexível, que se chama o determinismo econômico. Comunistas, contra o Fascismo. Fascistas, contra o Comunismo.
Por que haveis de vos assegurar contra o amanhã? O amanhã, sois vós!” ²⁴
Sua existência real é objeto de debates entre historiadores, mas sua figura moldou profundamente a espiritualidade do Oriente Médio Antigo e, séculos mais tarde, inspirou a filosofia ocidental.
Entre seus principais ensinamentos, estão os seguintes resumidamente:
- Deus Supremo: Há um único deus criador, Ahura Mazda (o "Senhor da Sabedoria"), que representa a luz, a verdade e a ordem cósmica;
- Dualismo ético: O zoroastrismo apresenta o universo como um campo de batalha entre o bem (representado por Ahura Mazda) e o mal (representado por Angra Mainyu ou Ahriman)
- Livre arbítrio: Para Zaratustra, os seres humanos possuem a liberdade de escolher entre o caminho da verdade (Asha) e o da falsidade/caos (Druj), sendo responsáveis por suas escolhas morais.
O pensador alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) usou o nome do profeta na famosa obra Assim Falava Zaratustra (1883). No livro, Nietzsche utiliza Zaratustra como um alter ego fictício para proclamar o niilismo, a "morte de Deus", a chegada do Além-do-homem ou Super-homem (Übermensch) e o anúncio da crise dos valores do Ocidente (a transvaloração dos valores tradicionais). O eterno retorno é outro conceito central do livro, segundo o qual toda a existência se repetiria infinitamente.
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Francisco José dos Santos Braga (compositor, pianista, escritor, tradutor, gerente do Blog do Braga e do Blog de São João del-Rei) disse...
Prezad@,
VAMIREH CHACON brilhou como um dos mais brilhantes cientistas políticos, juristas, historiadores, professores e escritores brasileiros.
Tive a oportunidade de privar da amizade de Vamireh Chacon, um assíduo frequentador da Biblioteca do Senado Federal e funcionário do ILB-Instituto Legislativo Brasileiro (que goza de status de escola de governo do Legislativo, através das plataformas Saberes e Interleges), enquanto eu exercia o cargo de Consultor Legislativo. Mais tarde, mantivemos profícua correspondência e tive a honra de acolher seus comentários a muitas matérias de meus dois blogs.
Neste post, apreciaremos o ensaio desse grande jurista e cientista político sobre a estada de GEORGES BERNANOS em Barbacena (de agosto de 1940 a junho de 1945), enriquecida pela pesquisa de Chacon na correspondência do pensador católico francês e no testemunho de vários de seus amigos no Brasil.
Link: https://saojoaodel-rei.blogspot.com/2026/09/bernanos-em-barbacena.html
Cordial abraço,
Francisco Braga
Gerente do Blog de São João del-Rei