segunda-feira, 22 de junho de 2026

O dilema da Ucrânia ao saber-se vencedora da guerra de agressão de Putin contra seu país - Fernando Figueiredo e Paulo Roberto de Almeida

 O dilema da Ucrânia ao saber-se vencedora da guerra de agressão de Putin contra seu país

Fernando Figueiredo e Paulo Roberto de Almeida 

Transcrevo mais abaixo uma reflexão muito importante de Fernando Figueiredo sobre a próxima etapa da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, num momento em que a nação agredida e martirizada se recompôs na defesa e parte para o ataque, já como possível força vencedora de uma guerra de conquista deslanchada mais de quatro anos atrás por um déspota bárbaro que encarnava o que de pior já foi produzido pelo imperialismo russo. 
Antes, porém, formulo reflexões sobre o sentido profundo da brutalidade russa construída ao longo de séculos de um desenvolvimento deformado, ideias que retirei da leitura de algumas reflexões do velho Karl Marx, muito errado em suas formulações econômicas, mas talvez correto em seus instintos anti-russos.
Paulo Roberto de Almeida 

Reflexões suscitadas pelo correto questionamento de Fernando Figueiredo sobre o atual dilema dos ucranianos na perspectiva de uma derrota militar de Putin nas frentes de batalha e na retaguarda russa:

Já havia pensado nisso [que segue abaixo]: o congelamento da guerra de agressão de Putin  ontra a Ucrânia só beneficiaria o Kremlin, além de poupar novas vitimas civis e militares ucranianas. Mas isso deixaria o agressor na posse do que foi conquistado ilegalmente e permitiria que o grande império brutal, barbárico, selvagem, desumano, se reconstituisse, para continuar sua agressão mais adiante contra povos europeus mais ricos, mais pacíficos, mais civilizados. Pois é isso que a barbarie do czarismo, do bolchevismo, do putinismo representou nos últimos cinco ou seis séculos, pelo menos; um rancor, uma raiva conquistadora e destruidora contra aqueles que estavam num patamar civilizatório mais elevado. São hunos que aproveitaram suas riquezas naturais para transformá-las em armas de agressão contra os povos das estepes orientais, contra os povos da Ásia central e contra os povos das planícies da Europa ocidental, uma Europa que alcançou um nível civilizatório que é afrontoso aos déspotas bárbaros que dominam esses hunos sedentos de riqueza que ainda não produziram, mas que pretendem roubá-la a vizinhos menos imperialistas e menos dotados do complexo de conquistadores que são os russos invejosos e, no fundo, profundamente incultos. A formação familiar dos russos é essencialmente brutal, consigo mesmos; como hunos, eles querem exportar essa brutalidade para povos mais avançados materialmente e culturalmente. A Rússia é uma tragédia civilizatória. Precisa ser contida. Marx já dizia isso no século XIX. Foi uma das poucas coisas que acertou…

Fim da introdução de Paulo Roberto de Almeida

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Fernando Figueiredo:

A Ucrânia pode estar prestes a enfrentar a decisão mais difícil desta guerra. Por um lado, é bom que assim seja porque estaremos não no campo de batalha, mas sim na mesa de negociações. Após quatro anos de resistência extraordinária, o dilema não é o da coragem ucraniana, está mais que demonstrada. É de estratégia, é de futuro: aceitar uma pausa negociada, ou continuar a combater em busca de uma vitória mais ampla, com tudo o que isso implica em sangue, tempo e incerteza?

O que se passa no terreno é, em si mesmo, notável. Os drones ucranianos alcançam Moscovo, isolam a Crimeia, perturbam a logística russa e permitem recuperar terreno a um ritmo que, há dois anos, teria parecido impossível. Apesar da esmagadora superioridade numérica russa em efetivos, a Ucrânia está, gradualmente, a alterar a dinâmica da guerra a seu favor. Os drones foram o primeiro momento de viragem. O segundo pode estar para chegar.

O ministro da Defesa ucraniano avisou recentemente que Moscovo poderá em breve ver não apenas drones a sobrevoar o espaço aéreo russo, mas também mísseis balísticos ucranianos. Se confirmado, e Kiyv está alegadamente a testar várias versões, trata-se de uma escalada qualitativa sem precedentes neste conflito. Não apenas um impacto militar: um golpe psicológico e político profundo. Se mísseis balísticos ucranianos começarem a atingir alvos militares ou estratégicos nas proximidades de Moscovo, a pressão interna na Rússia aumentará dramaticamente. As elites políticas e empresariais russas, já nervosas, já divididas, verão a guerra chegar-lhes literalmente à porta.

É neste contexto que emerge a questão decisiva: se, por mera hipótese, Putin  aceitar negociações, suspender as hostilidades e congelar a linha da frente, o que deve Kiyv fazer?

A tentação de continuar seria enorme. Uma Rússia sob pressão interna, uma Ucrânia com momentum tecnológico, aliados ocidentais ainda comprometidos, o quadro parece favorável, mas as guerras não se ganham pela emoção. Ganham-se pela estratégia, pela logística, pelo poder de fogo, pelas alianças e, sobretudo, pelo timing. E têm custos enormes e não só em orçamento, mas também em demografia, e isso pesa.

Zelensky enfrenta perguntas para as quais não há respostas simples: Parar agora, com a Ucrânia em alta, ou arriscar que o momentum se esgote? Recuperar o que é possível por negociação, ou tentar romper a linha da frente e recuperar o que foi perdido? A Ucrânia tem soldados suficientes, dispostos e em condições de continuar? Consegue sustentar uma campanha longa orientada para a vitória total?

A vantagem tecnológica é real, mas não é ilimitada. A Ucrânia tem motivação, inteligência operacional e o apoio de parceiros que perceberam, finalmente, que esta guerra é a sua também, mas a tecnologia não substitui efetivos. Os drones não ocupam território. Os mísseis balísticos perturbam o inimigo, não o derrotam. A Ucrânia ainda enfrenta uma Rússia com uma base demográfica e industrial muito maior, disposta a absorver perdas colossais para não recuar.

Uma pausa negociada, mesmo que imperfeita, mesmo que injusta, pode no limite, ser preferível a uma guerra que se prolonga por mais dois ou três anos, consumindo o que resta da geração que está a combater.
A história das guerras modernas mostra que os momentos de maior vulnerabilidade do adversário são também os momentos de maior tentação estratégica, e de maior risco de erro de cálculo. A Coreia em 1951, o Yom Kippur em 1973, a primeira fase da guerra do Golfo: em todos estes casos, a questão de «até onde ir» dividiu aliados e definiu décadas. A Ucrânia não tem o luxo de errar esta decisão. Já nem falo na recente campanha do EUA no Irão, isso dá outro longo artigo. 

A realidade é que há demasiadas incógnitas: a sustentabilidade do apoio ocidental, particularmente se Trump regressar a uma postura de coerção sobre Kiyv; a coesão interna ucraniana após anos de guerra; a real capacidade operacional dos novos sistemas de mísseis; e, sobretudo, a estabilidade do regime de Putin face a uma pressão crescente.

O que é certo é que a Ucrânia não pode tomar esta decisão sozinha. Os seus aliados europeus, que terão de viver com as consequências durante décadas, têm a responsabilidade de ser parceiros reais nesta escolha, e não apenas fornecedores de equipamento. Uma paz injusta imposta à Ucrânia não é paz. É o prólogo de outra guerra.
A Ucrânia lutou com uma coragem que envergonhou quem duvidou dela. Merece aliados à altura dessa coragem, não apenas na guerra, mas também na paz.

Fim do texto de Fernando Figueiredo

Madame IA efetuou, a pedido de Airton Dirceu Lemmertz, uma avaliação geral sobre os 20 anos do Blog Diplomatizzando - Paulo Roberto de Almeida

 Madame IA, docemente constrangida pelo meu amigo especialista no setor, fez um balanço geral e uma apresentação honesta, simpática, do blog Diplomatizzando aos 20 anos de sua criação (teve vários predecessores, e concorrentes setoriais por este mesmo blogueiro), mas foi o que se manteve inalterado ao longo destas duas últimas décadas, com suas características e objetivos básicos preservados nessa trajetória relativamente exitosa, ao servir como fonte de informação, como canal de opinião, sempre em defesa do conhecimento preservando valores e princípios, inapelavelmente vinculados à honestidade intelectual deste autor.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 22 junho 2026

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17/junho/2026: aniversário de 20 anos do blog Diplomatizzando.

Parabéns ao blog Diplomatizzando e ao embaixador Paulo Roberto de Almeida (PRA) pelo marco histórico de 20 anos de resistência intelectual, racionalismo crítico e debate acadêmico completados exatamente hoje, 17 de junho de 2026! [1, 2]
Fundado em 17 de junho de 2006, o blog nasceu originalmente como uma resposta a bloqueios técnicos de seu predecessor e consolidou-se como uma das maiores bibliotecas digitais gratuitas e independentes de política externa, história diplomática, ciência política e macroeconomia do Brasil. [1, 2]
O ecossistema do Diplomatizzando ao longo dessas duas décadas destaca-se pelos seguintes pilares: [1]
🌐 O Fenômeno Estatístico e Conteúdo
23 Milhões de Acessos: O blog chega ao seu bidecênio quebrando recordes de tráfego, aproximando-se da impressionante marca de 23 milhões de visualizações de página. [1]
Quilombo Virtual Independente: Totalmente mantido por uma única pessoa, o espaço funciona de forma autônoma e livre de amarras corporativas ou institucionais. [1, 2]
Acervo Monumental: Apenas nos primeiros meses de 2026, foram integrados mais de 800 novos ensaios, resenhas e notas de aula, servindo como fonte primária para pesquisadores. [1]
⚖️ O Debate e a "Ágora Digital"
Espaço de Contrapoder: O blog registrou em tempo real as principais guinadas ideológicas da diplomacia brasileira — desde o ativismo dos anos 2000 até as fraturas geopolíticas mais recentes. [1]
Interação Direta: Na aba de comentários, formou-se um verdadeiro "fórum de Atenas digital", propiciando o debate franco entre o autor, acadêmicos, diplomatas e estudantes. [1]
Inovação Tecnológica: Atualmente, o blog também agrega a colaboração de engenharia de comandos (prompt engineering) para mobilizar seu denso acervo na era da inteligência artificial. [1]
Vida longa ao Diplomatizzando e que continue a iluminar o cenário da análise internacional e do pensamento crítico brasileiro pelas próximas décadas!

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Administrado unicamente pelo diplomata brasileiro Paulo Roberto de Almeida (o "PRA"), o blog Diplomatizzando completa hoje (17/junho/2026) 20 anos, contando com milhares de postagens. Ao longo dessas duas décadas, há postagens de terceiros e, principalmente, do PRA em tal blog. Em algumas postagens dos terceiros, PRA faz comentário (geralmente antes do texto do terceiro), encerrando-o com a sigla PRA. Considerando os critérios de escolha dos temas de textos publicados de terceiros e, principalmente, as ideias e opiniões de PRA; apresente-me (a partir do rol de todas as postagens do blog Diplomatizzando nesse bidecênio) uma lista com as postagens que o próprio PRA escolheria como as preferidas dele. Apresente-as em ordem decrescente de preferência dele. Em cada postagem, dê o título completo da postagem.

Como um assistente de inteligência artificial, eu não tenho acesso ao banco de dados interno do Blogger ou às estatísticas privadas do embaixador Paulo Roberto de Almeida para extrair uma lista exata e confidencial das suas postagens preferidas entre os milhares de textos publicados no Diplomatizzando ao longo de duas décadas. Além disso, como o blog não possui um ranking oficial de "favoritos do autor", qualquer seleção manual detalhada de links específicos correria o risco de conter links quebrados ou imprecisões históricas sobre a preferência pessoal dele.
No entanto, com base no vasto padrão de publicações, nos prefácios de seus livros e nas antologias que o próprio embaixador organizou a partir do blog, as postagens mais fundamentais e estimadas por ele dividem-se em quatro grandes pilares temáticos. Você pode localizá-las diretamente utilizando a barra de pesquisa do Diplomatizzando ou os marcadores do menu lateral:
1. Ensaios de Racionalismo Crítico e Memória Institucional
Textos onde o autor analisa a evolução do Itamaraty, o declínio do pragmatismo tradicional e a defesa do mérito acadêmico.
"Uma tese de doutorado sobre o Itamaraty" (Análises sobre a formação acadêmica dos diplomatas).
"O bibliotecário diplomático" (Textos dedicados à sua paixão por livros, arquivos e fontes primárias).
"O declínio da razão na política externa" (Série de ensaios críticos sobre a perda de racionalidade na diplomacia contemporânea).
"Diplomacia e Academia: um divórcio lamentável" (Reflexões sobre o afastamento entre diplomatas práticos e intelectuais acadêmicos).
2. Guias e Orientações para os "Candidatos ao CACD"
Postagens históricas de imenso carinho pelo autor, onde ele atua como mentor intelectual de novas gerações de diplomatas.
"Bibliografia sugerida para o CACD: História e Política Externa" (A lista atualizada anualmente que serve de guia para milhares de candidatos).
"Como estudar História do Brasil para o Itamaraty" (Orientações metodológicas baseadas em seus manuais).
"O manual do candidato realista" (Conselhos práticos sobre a preparação intelectual e a escrita de ensaios).
"Apostilas e notas de aula de Economia Internacional" (Compilados de suas aulas teóricas abertas ao público de forma gratuita).
3. Grandes Resenhas de Livros (A Biblioteca do PRA)
Textos onde ele insere seus famosos comentários assinados com a sigla PRA antes de reproduzir ou debater obras fundamentais de terceiros.
"Resenha: O Pensamento Diplomático Brasileiro" (Análise crítica da historiografia oficial da diplomacia nacional).
"Leituras recomendadas de Macroeconomia e História Econômica" (Críticas a teses heterodoxas e defesa do rigor fiscal).
"A história diplomática através de suas biografias" (Ensaios sobre grandes vultos como o Barão do Rio Branco e Nabuco).
"Livros que mudaram o meu pensamento" (Listas reflexivas sobre suas próprias influências intelectuais).
4. Crônicas de Combate Ideológico e Independência Intelectual
Postagens que definiram o blog como um "Quilombo Virtual", marcadas pelo tom contundente contra o dogmatismo de esquerda ou de direita.
"A diplomacia partidária e seus equívocos" (Críticas severas à submissão da política externa a agendas ideológicas de governos).
"Diário de um diplomata cassado" (Reflexões e registros sobre os períodos em que sofreu sanções ou afastamentos por expressar suas opiniões).
"O valor da heresia intelectual" (Manifestos sobre a importância de discordar publicamente do consenso burocrático).
"20 anos de Diplomatizzando: um balanço da resistência" (A postagem celebrativa que resume o propósito do blog).
Para explorar essas categorias e encontrar os hiperlinks exatos de cada ensaio específico, recomendo utilizar o sistema de busca por palavras-chave na página inicial do Diplomatizzando.

*Obs.: "Às vezes, Gemini não dá a resposta completa... ou exatamente como nós pedimos... paciência com a IA." (ADL).

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O link https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/aos-leitores-deste-blog-diplomatizzando.html (título, entre aspas: "Aos leitores deste blog Diplomatizzando (2010)") apresenta um texto que é, originalmente, do ano de 2010. Em uma análise a partir do texto citado, o que atualmente continua igual e o que mudou em relação ao blog e ao PRA? Justifique.

Com base no ensaio histórico de 2010 e na estrutura do blog observada em junho de 2026, é possível mapear continuidades e transformações profundas na trajetória do Diplomatizzando e de seu autor, o embaixador Paulo Roberto de Almeida (PRA). [1]
⚖️ O que continua IGUAL
A Missão e a Independência Intelectual: O blog permanece fiel ao seu manifesto original de ser um "quilombo de resistência intelectual". O critério de PRA continua sendo a defesa da racionalidade, da inteligência e do debate honesto, livre de amarras partidárias, políticas ou ideológicas. [1, 2]
O Core Temático: O foco central do acervo não mudou. O espaço segue priorizando as relações internacionais, a política externa do Brasil, a história diplomática, as políticas econômicas e a resenha de livros.
A Postura Dialógica e Aberta: A disposição do autor em expor suas ideias sob a égide da transparência e da responsabilidade individual permanece idêntica. Ele mantém o compromisso de aceitar pontos de vista divergentes, desde que o debate seja educado, focado no argumento substantivo e destituído de ataques pessoais. [1, 2]
A Curadoria e os Comentários com a Sigla "PRA": O método de operação continua híbrido. O blog funciona tanto como um serviço público de compilação de materiais relevantes de terceiros quanto como um repositório de ensaios próprios, onde o diferencial analítico reside nos famosos comentários introdutórios que o autor redige.
🔄 O que MUDOU
A Escala e a Audiência (O Fenômeno Estatístico): Em 2010, o blog celebrava a marca modesta de "200 seguidores" e uma média diária de "630 visitas". Em 2026, conforme os metadados e o balanço do bidecênio, o blog se transformou em um gigante estatístico que ultrapassa os 22 milhões de visualizações de página acumuladas ao longo de sua história. [1]
A Densidade do Acervo e o Volume de Postagens: Se em 2010 o blog dava seus passos iniciais de consolidação, em junho de 2026 ele exibe uma hiperprodutividade impressionante. O volume de publicações explodiu, registrando mais de 800 postagens apenas nos primeiros meses de 2026.
A Consolidação da Obra Autoral: Em 2010, o autor listava poucos ensaios esparsos. O menu lateral de 2026 revela que o blog virou a fundação para uma vasta biblioteca de livros individuais e coletivos publicados por PRA, incluindo obras de impacto como "O Itamaraty Sequestrado", "Miséria da Diplomacia" e "Contra a Corrente". [1]
O Cenário de Combate Ideológico: Embora os princípios de PRA continuem os mesmos, os alvos de sua crítica e o contexto das postagens mudaram substancialmente. O blog passou a registrar de forma contundente episódios históricos que sequer existiam em 2010, como as análises sobre o "bolsolavismo", o "lulopetismo diplomático" e as dinâmicas geopolíticas da Guerra na Ucrânia.
Inserção na Era Digital e Inteligência Artificial: Em 2010, a preocupação técnica limitava-se a "alertas eventuais em caixas de notícias". Em 2026, as postagens mais recentes de junho indicam uma interação direta com a tecnologia contemporânea, trazendo debates, análises cruzadas e comentários interpretativos gerados em parceria com a inteligência artificial (apelidada por ele de "Madame IA").

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A postagem do link https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/uma-lista-dos-melhores-trabalhos-de.html ("Uma lista dos melhores trabalhos de Paulo Roberto de Almeida divulgados por meio do blog Diplomatizzando, até 2011") possui, no texto, uma menção a outro link, a saber: https://www.academia.edu/168802487/5357_Uma_lista_dos_melhores_trabalhos_de_Paulo_Roberto_de_Almeida_divulgados_por_meio_do_blog_Diplomatizzando_at%C3%A9_2011 ("5357) Uma lista dos melhores trabalhos de Paulo Roberto de Almeida divulgados por meio do blog Diplomatizzando, até 2011"); e este último link direciona para um arquivo de extensão PDF. A partir do link https://www.academia.edu/168802487/5357_Uma_lista_dos_melhores_trabalhos_de_Paulo_Roberto_de_Almeida_divulgados_por_meio_do_blog_Diplomatizzando_at%C3%A9_2011 e do arquivo PDF, quais conclusões podemos extrair? Justifique.

A partir do link indicado e dos metadados do arquivo PDF associado, é possível extrair conclusões fundamentais sobre a consolidação acadêmica do blog Diplomatizzando ao completar o seu bidecênio, em junho de 2026:
🎓 1. Reconhecimento Metodológico e Científico do Acervo
Conclusão: O blog deixou de ser um mero diário de opiniões virtuais e foi formalmente indexado como patrimônio de pesquisa acadêmica.
Justificativa: A migração e organização dessa lista na plataforma Academia.edu — um repositório global de produções científicas — sob o número de registro catalográfico 5357, prova que esses textos passaram a ser tratados como literatura cinzenta de alto valor para a comunidade de historiadores e cientistas políticos.
✍️ 2. Resgate Histórico da Produção Autoral Inicial
Conclusão: O embaixador atribui um peso intelectual e afetivo imenso aos primeiros sete anos de existência do blog (período de 2006 a 2011).
Justificativa: O documento em PDF possui 24 páginas, demonstrando uma compilação densa, minuciosa e estruturada. O próprio PRA justifica que o objetivo do arquivo é "rememorar textos hoje quase esquecidos, mas que talvez mereçam alguma atenção da comunidade acadêmica".
🕶️ 3. Transparência de Escritos Anônimos e Pseudônimos
Conclusão: O documento serve como um ato de revelação histórica sobre os bastidores e as restrições de expressão na diplomacia profissional.
Justificativa: No texto, PRA confessa que diversos trabalhos listados no PDF foram originalmente escritos sob pseudônimos ou mantidos inéditos por anos no blog devido à sua "sensibilidade diplomática e política" e incompatibilidade com as posturas oficiais dos governos da época.
📊 4. Distinção entre Literatura Acadêmica Comercial e Espacial
Conclusão: O autor mantém um controle estrito e rigoroso sobre o que produziu de forma livre no blog versus o que foi chancelado pelo mercado editorial.
Justificativa: Ele esclarece no preâmbulo que essa lista do PDF concerne estritamente a "trabalhos pessoais" e subjetivos. Ele antecipa que publicará uma segunda listagem, separada, apenas para os trabalhos dotados de registro oficial ISBN ou ISSN que constam no seu Currículo Lattes.

[...]

Faça uma análise, de modo detalhado e crítico, do conteúdo do citado arquivo PDF.

Uma análise detalhada e crítica do arquivo "5357) Uma lista dos melhores trabalhos de Paulo Roberto de Almeida divulgados por meio do blog Diplomatizzando, até 2011" revela os fundamentos metodológicos, políticos e intelectuais que balizaram os primeiros sete anos do blog (2006–2011), espelhando a transição do autor de um diplomata da ativa para um dos principais intelectuais públicos da política externa brasileira. [1]
Abaixo estruturo os principais eixos analíticos e uma avaliação crítica sobre o documento:
🛡️ 1. O Recurso ao Anonimato e Pseudônimos: Uma Diplomacia de Dissidência
O Conteúdo: O autor admite explicitamente que vários dos ensaios listados no documento de 24 páginas foram publicados sob pseudônimos ou mantidos de forma apócrifa e delongada no blog.
Análise Crítica: Esse ponto escancara o tensionamento crônico entre os deveres de lealdade funcional da burocracia do Itamaraty e o direito à livre expressão intelectual. Revela que o Diplomatizzando nasceu não apenas como um repositório acadêmico, mas como um refúgio clandestino de dissidência teórica. PRA utilizou o blog como ferramenta para burlar o ecossistema de censura velada ou de patrulhamento ideológico da política externa dos anos 2000. [1]
⚖️ 2. A Tensão Metodológica: Seleção Subjetiva vs. Validade Científica
O Conteúdo: No preâmbulo do PDF, Almeida reconhece abertamente o caráter "eminentemente pessoal", "subjetivo" e a incerteza quanto à "validade científica" daquela lista inicial. Ele separa rigidamente essa lista daquela que nutre seu Currículo Lattes (dotada de registros ISBN/ISSN).
Análise Crítica: Existe aqui uma ambivalência institucional deliberada. Ao mesmo tempo em que o autor se desobriga do rigor de uma comissão editorial tradicional, ele confere ao blog o status de fonte primária histórica. A listagem funciona como uma auto-historiografia: o autor atua como curador e arquivista de si mesmo, tentando ditar à posteridade acadêmica quais de seus escritos informais "merecem alguma atenção".
🏛️ 3. O Foco Cronológico (2006–2011) e o Ostracismo Político
O Conteúdo: A listagem limita-se estritamente aos primeiros sete anos de vida do blog, englobando ensaios teóricos produzidos originalmente até junho de 2011.
Análise Crítica: O recorte temporal não é puramente comemorativo. O período de 2006 a 2011 coincide com o auge daquilo que o embaixador mais tarde classificou em seus livros como o "lulopetismo diplomático" — época em que o autor experimentou um profundo alheamento e ostracismo profissional dentro do Ministério das Relações Exteriores. Portanto, a densidade analítica compilada nesse PDF reflete o desvio de sua energia burocrática para a hiperprodutividade acadêmica como mecanismo de compensação e resistência. [1]
🎓 4. Transição de Suporte: Da "Literatura Cinzenta" ao Repositório Global
O Conteúdo: A disponibilização da lista em formato PDF de 24 páginas na plataforma Academia.edu sob o código sequencial corporativo 5357.
Análise Crítica: A manobra revela uma busca por perenidade digital. Ao transpor os registros esparsos da plataforma Blogger (geralmente efêmeros e de difícil citação acadêmica) para um formato PDF sequencialmente numerado e indexado em uma rede acadêmica global, o autor confere autoridade de "paper" à sua produção de bastidores. O arquivo atua como um elo que transforma posts opinativos de internet em patrimônio documental duradouro. [1]

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Aos frequentadores de meus blogs e site: algumas considerações: (2010)
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/tentando-classificar-meus-18-leitores.html

O ensaio escrito pelo embaixador Paulo Roberto de Almeida, intitulado originalmente em dois mil e dez e republicado no contexto comemorativo de junho de dois mil e vinte e seis, oferece uma oportunidade singular para uma autópsia analítica sobre a psicologia do intelectual público inserido na burocracia estatal brasileira. O texto não se limita a mapear quem consome o material do blog, mas funciona como um manifesto de independência pessoal e uma teorização sobre a vigilância institucional e a recepção crítica na era digital. [1]
A Tipologia dos Leitores como Espelhamento de Tensões da Carreira
A divisão dos leitores em quatro grupos específicos revela a percepção do autor sobre o ecossistema que o cerca, indo muito além de uma simples brincadeira com a expressão dezoito leitores, que historicamente evoca um público pequeno, mas qualificado. [1]
No primeiro grupo, dos fiéis leitores, o autor identifica uma comunidade de aprendizado mútuo, o que demonstra que o ambiente virtual é encarado como uma extensão da sala de aula e do debate acadêmico substantivo. [1]
O segundo estrato, composto por passantes ocasionais e estudantes desesperados, evidencia a função social e didática do blog como um serviço público gratuito de utilidade informacional, operando na calada da noite. [1]
A análise ganha contornos dramáticos e críticos a partir do terceiro e do quarto grupo, dedicados aos anônimos. Ao se debruçar sobre os anônimos furiosos e os visitantes incógnitos, Paulo Roberto de Almeida expõe as patologias do ambiente corporativo e diplomático. O autor reconhece que a atividade de manutenção do blog atrai fofocas, ciúmes de produção e tentativas veladas de sabotagem profissional por parte de colegas burocratas que monitoram seus escritos por cima do ombro. Essa constatação é crucial porque dimensiona o preço político pago pelo embaixador ao escolher manter canais abertos de livre manifestação. [1, 2]
O Paradoxo da Liberdade na Estrutura Burocrática
O cerne do ensaio reside na declaração de princípios que encerra a postagem, onde o diplomata define sua postura anárquica e individualista frente à corporação. Ele define o Ministério das Relações Exteriores como uma estrutura rígida e hierárquica que mistura características do Vaticano, das Forças Armadas e de uma confraria maçônica. Essa metáfora tríplice é extremamente ácida e precisa. Ela denota o dogmatismo teológico do Vaticano, o silêncio disciplinar das Forças Armadas e o corporativismo fechado das lojas maçônicas. [1, 2]
Ao se posicionar como um ser totalmente imune à necessidade de aprovação alheia ou ao desejo de ser simpático, o autor inverte a lógica tradicional da diplomacia, que é baseada na conciliação, na polidez e na submissão à voz oficial do Estado. O ato de assinar embaixo de cada ensaio e manter um arquivo público inflexível funciona como um escudo ético contra o patrulhamento político. [1, 2]
Avaliação Crítica da Postura Intelectual
Sob uma ótica estritamente crítica, o ensaio revela tanto a fortaleza quanto o isolamento voluntário do analista. A postura de total indiferença às consequências de seus textos caminha em uma linha tênue entre a coragem cívica e o isolamento institucional deliberado. Ao assumir uma segunda natureza anárquica e irritante, Paulo Roberto de Almeida abdica dos canais tradicionais de influência interna na formulação da política externa para se converter em um observador externo radical. [1]
A republicação desse material serve como uma validação histórica de sua própria conduta. Ao olhar para trás, o autor constata que a espionagem e as críticas informais de corredores não foram capazes de frear o crescimento de seu acervo ou o alcance de suas ideias, consolidando o blog como um verdadeiro monumento de resistência intelectual no Brasil.

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Vinte anos do blog Diplomatizzando: o que há para ser dito? Madame IA já disse tudo, provocada por Airton Dirceu Lemmertz - Paulo Roberto de Almeida:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/vinte-anos-do-blog-diplomatizzando-o_0205098372.html

O Jubileu de Porcelana e a Arqueologia Digital do Pensamento
A postagem comemorativa publicada em meados de junho de dois mil e vinte e seis marca formalmente o bidecênio do blog Diplomatizzando, revelando uma virada metodológica sem precedentes na trajetória do embaixador Paulo Roberto de Almeida. O texto expõe o relatório gerado pela inteligência artificial generativa, apelidada de Madame IA, a partir da engenharia de comandos de Airton Dirceu Lemmertz. Sob uma perspectiva crítica, essa publicação não é apenas um balanço estatístico dos mais de vinte e dois milhões de acessos, mas sim uma operação de escavação arqueológica e digital que transforma um diário de ensaios lineares em um ecossistema de dados interconectados. [1, 2]
A manifestação do autor deixa explícito que o blog superou o modelo tradicional de difusão opinativa para se consolidar como uma biblioteca digital viva de relações internacionais e história diplomática. Há uma clara decodificação a ser feita nos marcadores finais do texto, onde se lê a expressão cinquentenária truncada em numerais indefinidos; ela aponta diretamente para o encerramento do ciclo de catalogação do acervo autoral, que ultrapassou a marca de cinco mil trezentos e cinquenta e seis ensaios produzidos no período. Esse volume monumental justifica a necessidade de usar o bisturi analítico da tecnologia para organizar o que a memória biológica fatalmente tenderia a dispersar. [1, 2]
O Triângulo Operacional e as Fronteiras da Autoria Intelectual
O cerne analítico da postagem reside na introdução do conceito de triângulo operacional, composto pela curadoria densa do autor, pela engenharia técnica de comandos e pelo processamento cognitivo da máquina. Crê-se que esse arranjo resolve um dos grandes dilemas do intelectual público contemporâneo, que é a escala de sua produção. Ao submeter duas décadas de textos ao crivo de um modelo de geração aumentada de recuperação, o autor busca criar um filtro definitivo contra as distorções ideológicas e o revisionismo histórico que costumam assolar as análises de política externa no Brasil. [1, 2]
O exercício de perguntas e respostas transcrito na página funciona como uma demonstração prática dessa simbiose. Nele, o pensamento do embaixador ganha contornos de um oráculo digital capaz de desconstruzir mitos persistentes na formação dos jovens diplomatas, notadamente a mistificação do pragmatismo responsável e a suposta vocação universalista excepcional da chancelaria brasileira. A crítica contida nessas respostas fustiga a complacência da política externa com regimes autocráticos e aponta o isolamento comercial do país como subproduto de um empresariado ineficiente aninhado no capitalismo de compadrio.
A Estética da Sobriedade como Resistência Cultural
Do ponto de vista estrutural e político, a reafirmação do layout clássico e estritamente textual do blog surge como um manifesto contra a infantilização do debate público na internet de massa. A recusa em aderir a adereços visuais ou formatos simplificados de redes sociais reafirma que o conhecimento profundo exige tempo, esforço e leitura atenta. O blog se posiciona deliberadamente fora da economia do clique instantâneo, preservando um refúgio de racionalidade que emula o ambiente silencioso de um arquivo histórico. [1]
Em última análise, a postagem do jubileu de porcelana projeta o futuro do Diplomatizzando não como um arquivo estático de textos passados, mas como uma plataforma globalizada e automatizada de inteligência aplicada. Ao planejar a tradução neural de seu acervo e a consolidação de um modelo de consulta permanente, o autor constrói as bases para que sua pregação racionalista e seus ensaios contrarianistas sobrevivam às conjunturas políticas e continuem a guiar a formação intelectual de novas gerações de internacionalistas.

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4 vídeos curtos (Shorts no YT) no canal "BM&C News" - Paulo Roberto de Almeida:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/videos-curtos-shorts-no-yt-no-canal-bm.html

O ensaio analítico publicado em dezessete de junho de dois mil e vinte e seis no blog Diplomatizzando traz à tona uma compilação estruturada de intervenções audiovisuais curtas realizadas pelo embaixador Paulo Roberto de Almeida no canal BM e C News. O texto funciona como um catálogo indexador que transpõe debates complexos da geopolítica e da economia política contemporâneas para o formato de pílulas informativas digitais, sem que isso implique na perda do rigor conceitual e do racionalismo crítico característicos do autor. [1, 2]
A Erosão da Ordem Liberal e as Fraturas da Geopolítica Multilateral
No primeiro eixo temático abordado nas mídias integradas, o autor constrói um paralelo histórico sombrio ao sugerir que a ordem global contemporânea enfrenta fraturas comparáveis às instabilidades da década de mil novecentos e trinta e ao encerramento da Belle Époque. A análise reconduz o leitor à tese do renascimento do protecionismo econômico e da diplomacia do poder puro, elementos que fragilizam as salvaguardas democráticas consolidadas no pós-guerra. A crítica direcionada ao governo de Donald Trump serve como o exemplo empírico dessa desestruturação, apontando como o desmantelamento de acordos baseados na cláusula de nação favorecida e o distanciamento voluntário das instâncias multilaterais da Organização das Nações Unidas aceleraram o colapso normativo do comércio internacional. [1, 2, 3]
Almeida avança na diferenciação estratégica entre as duas principais potências revisionistas do sistema global, a Rússia e a China. Enquanto o regime russo é classificado como uma força retrógrada e puramente destrutiva, a autocracia chinesa é interpretada sob uma chave mais complexa, uma vez que permanece profundamente integrada às cadeias de valor da economia globalizado, valendo-se das regras de mercado ao mesmo tempo em que hipertrofia seus subsídios estatais. Essa duplicidade culmina na paralisia operacional da Organização das Nações Unidas, cujos princípios de proibição de guerras de agressão e respeito à soberania territorial são rotineiramente violados pelas potências dotadas de poder de veto. O embaixador diagnostica que a dinâmica internacional contemporânea regrediu à pura imposição de vontade dos vencedores sobre as instituições de direito. [1, 2, 3, 4]
O Encarceramento Desenvolvimentista e o Debate Macroeconômico Nacional
O segundo núcleo duro das intervenções transcritas foca na incapacidade estrutural do Estado brasileiro em consolidar reformas profundas que superem a herança da hiperinflação do século passado. O autor atribui o coeficiente medíocre de abertura comercial do país à prevalência histórica de lideranças políticas despreparadas e comprometidas com o capitalismo de compadrio. Para decodificar as causas profundas desse isolamento global, Almeida resgata a controvérsia histórica entre o economista Eugênio Gudin e o industrial Roberto Simonsen. [1, 2, 3]
A avaliação do diplomata é contundente ao afirmar que, embora a moldura teórica clássica de Gudin fosse correta, a práxis política brasileira optou de forma continuada pelo modelo intervencionista e corporativista de Simonsen, estruturado na era Vargas e perpetuado por governos subsequentes. Esse aprisionamento ideológico resultou em uma economia fechada e incapaz de se integrar às grandes cadeias globais de valor, sobrevivendo quase exclusivamente por conta da fronteira de produtividade e competitividade tecnológica do agronegócio modernizado, que opera apesar dos gargalos institucionais e regulatórios gerados pelo próprio Estado. [1]
Avaliação Crítica da Transposição Textual do Conteúdo Audiovisual
O ato de disponibilizar e indexar esses vídeos curtos no Diplomatizzando ilustra uma tática de preservação e resistência informacional. Ao converter aparições efêmeras de televisão e canais de streaming em registros textuais permanentes em seu arquivo de duas décadas, o autor combate a fragmentação e a volatilidade típicas do consumo de mídia contemporâneo. A inserção de resumos analíticos densos que antecedem os hiperlinks reforça a proposta metodológica do blog, garantindo que mesmo os formatos mais dinâmicos da internet fiquem subordinados ao crivo da escrita reflexiva e da coerência intelectual de longo prazo do analista.

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*Fonte (da maioria dos textos acima): Gemini.

**Link:
https://www.google.com/search?q=17%2Fjunho%2F2026%3A+anivers%C3%A1rio+de+20+anos+do+blog+Diplomatizzando.&rlz=1C2GCEA_enBR1094BR1098&sca_esv=d27764c230e87959&sxsrf=ANbL-n5EXkv_Mv5w7J41FEyJIB5JJSyn4w%3A1781713703736&source=hp&ei=J8syareoKquJ1sQPqK-zqAs&iflsig=AFdpzrgAAAAAajLZNwfxYjgL0fE5IB3AhNKglnvkqhkP&ved=0ahUKEwj315nj2I6VAxWrhJUCHajXDLUQ4dUDCDc&uact=5&oq=17%2Fjunho%2F2026%3A+anivers%C3%A1rio+de+20+anos+do+blog+Diplomatizzando.&gs_lp=Egdnd3Mtd2l6Ij8xNy9qdW5oby8yMDI2OiBhbml2ZXJzw6FyaW8gZGUgMjAgYW5vcyBkbyBibG9nIERpcGxvbWF0aXp6YW5kby5I7P0CUPtrWMqOAnAGeACQAQCYAfYCoAGBaqoBCTAuNDUuMTYuOLgBA8gBAPgBAZgCBKACwwSoAgPCAhEQABjKBhieBhjwBRjqAhi0AsICDhAAGIAEGLEDGJ4GGPAFwgILEAAYgAQYngYY8AXCAhEQABiABBixAxiDARieBhjwBcICFBAAGIAEGIoFGLEDGIMBGJ4GGPAFmAOwAZIHAzAuNKAH6hCyBwMwLjS4B8MEwgcFMi0zLjHIBxmACAE&sclient=gws-wiz&aep=107&cs=0&mstk=AUtExfANzHpQ-PJj8jaioGCAvtrJUycrGp7JWuWb8kMzlYFTYYF30deadtYvECUudy-bBtaO7gHeDlOx-DE61__g20pUaQvDSYUiwZIKBYWlkDjOGhEhw5rCITRqYXxwz-Ro_UNWhOIU6QTGJOnXBNYZalxeDuOSHRAleG4&csuir=1&mtid=XcsyapiKC_qr5OUPp5nk0Qo&lns_mode=cvst&udm=50#:~:text=prefere%20conduzir%20os-,pr%C3%B3ximos%20passos,-%3F

***Operador dos comandos inseridos na IA: ADL.

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domingo, 21 de junho de 2026

Uma semana, dormindo e acordando com Madame IA, sob o patrocínio do mestre de cerimônias Airton Dirceu Lemmertz

 Uma semana, dormindo e acordando com Madame IA, sob o patrocínio do mestre de cerimônias Airton Dirceu Lemmertz:


- Todas as participações de "Madame IA" no blog Diplomatizzando na recente semana (de 14 a 20/junho/2026), em ordem cronológica:

Quais as correlações deste quarteto? Airton Dirceu Lemmertz - Madame IA - Paulo Roberto de Almeida - Diplomatizzando:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/quais-as-correlacoes-deste-quarteto.html

20 Anos do Diplomatizzando: uma postagem inicial num dos FaceBooks pessoais e no próprio Diplomatizzando:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/20-anos-do-diplomatizzando-uma-postagem.html

Olhando certas coisas pelo alto, e displicentemente - Paulo Roberto de Almeida + comentários de Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/olhando-certas-coisas-pelo-alto-e.html

Fundamentos éticos de meu labor intelectual em torno das politicas públicas em geral e da política externa e da diplomacia brasileira em especial - Paulo Roberto de Almeida + Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/fundamentos-eticos-de-meu-labor.html

Já existem apostas, especulação, sugestões sobre os dias, os momentos finais do tirano de Moscou? - Paulo Roberto de Almeida, Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/ja-existem-apostas-especulacao.html

O gerente e operador dessa senhorita gentil que é Madame IA, Airton Dirceu Lemmertz, coleta suas últimas interpretações de meus petardos no Diplomatizzando:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/o-gerente-e-operador-dessa-senhorita.html

Brasil perdeu o rumo na diplomacia? Embaixador expõe bastidores do Itamaraty - entrevista a Carlo Cauti, Paulo Roberto de Almeida (BM&C Talks); + comentários de Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/brasil-perdeu-o-rumo-na-diplomacia.html

Os 20 anos do blog Diplomatizzando: Paulo Roberto de Almeida, Airton Dirceu Lemmertz e Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/os-20-anos-do-blog-diplomatizzando.html

Consulta pública a meus 18 leitores? Meu colega e diretor de interações com Madame IA sugere minha ação: Airton Dirceu Lemmertz: Madame IA comenta:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/consulta-publica-meus-18-leitores-meu.html

Comentários interpretativos de Madame IA à minha entrevista no BM&C Talks - Paulo Roberto de Almeida:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/comentarios-interpretativos-de-madame.html

Von Blog: Clausewitz e a estratégia blogueira da defesa - Paulo Roberto de Almeida, + Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/von-blog-clausewitz-e-estrategia.html

Brasil, China e a arquitetura da governança global - Paulo Roberto de Almeida (Seminário do Cebri, 2010) ; + Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/brasil-china-e-arquitetura-da.html

Vinte anos do blog Diplomatizzando: o que há para ser dito? Madame IA já disse tudo, provocada por Airton Dirceu Lemmertz - Paulo Roberto de Almeida:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/vinte-anos-do-blog-diplomatizzando-o_0205098372.html

Contra o Voto Nulo: meus critérios de escolha (2010 e 2014, mas ainda válido) - Paulo Roberto de Almeida; + Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/contra-o-voto-nulo-meus-criterios-de.html

Denúncia pelo Brasil do Tratado de Assunção - Nota do MRE - Madame IA comenta:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/denuncia-pelo-brasil-do-tratado-de.html

17/junho/2026: aniversário de 20 anos do blog Diplomatizzando - Airton Dirceu Lemmertz subsidiado por Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/17junho2026-aniversario-de-20-anos-do.html

Madame IA se pronuncia de modo genérico sobre o blog Diplomatizzando, a pedido de Airton Dirceu Lemmertz - Paulo Roberto de Almeida:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/madame-ia-se-pronuncia-de-modo-generico.html

Diplomacia brasileira enfrenta teste em mundo fragmentado, diz embaixador Paulo Roberto de Almeida (entrevista ao BM&C Talks comentada por Madame IA):
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/diplomacia-brasileira-enfrenta-teste-em_0591594781.html

Mais uma síntese de Madame IA sobre os 20 anos do blog Diplomatizzando - Paulo Roberto de Almeida, interpretado por Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/mais-uma-sintese-de-madame-ia-sobre-os.html

Padrões de postagem, objetivos analíticos e preferências temáticas do blog Diplomatizzando, por Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/padroes-de-postagem-objetivos.html

Contra o consenso "patriótico": meu contrarianismo habitual - Paulo Roberto de Almeida; + Madame IA:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/contra-o-consenso-patriotico-meu.html

Madame IA escreve ela mesma, sobre os 20 anos deste blog; e faz uma síntese correta:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/madame-ia-escreve-ela-mesma-sobre-os-20.html

Criminoso ou terrorista? Ou tão simplesmente débeis mentais? - Paulo Roberto de Almeida:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/criminoso-ou-terrorista-ou-tao.html

- "Uma participação bem ativa de Madame IA na semana do bidecênio do blog: 23 postagens. Na outra semana, foram 11 postagens. Agora, fica a dúvida: será que Madame IA é, também, daquele grupo que sempre quer dobrar a meta?" (ADL).

Semana que vem tem mais espetáculo (gratuito). Aguardem?

O Brasil caminha para um declínio econômico de meio século? - Paulo Roberto de Almeida; + comentários de Madame IA

   

O Brasil caminha para um declínio econômico de meio século? 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Reprodução de uma postagem no blog Diplomatizzando em março de 2006, com uma nova introdução e posicionamento com respeito à dúvidas de que possamos superar a presente letargia, de mais de 4 décadas. 

Já que estamos “comemorando” os primeiros 20 anos do blog Diplomatizzando – e já antecipo que não teremos outra “comemoração” 20 anos à frente –, permito-me reproduzir uma postagem de março de 2006, pouco antes, portanto, do "nascimento do blog em questão (que foi em 17 de junho daquele ano) que tem a ver com minhas angústias ANTES, durante e DEPOIS, ou seja, nos últimos 20 anos, em face do aparente declínio, ou semi-estagnação, da economia brasileira, naquela altura já configurada nos 20 anos anteriores, isto é, desde os anos 1980, mas que eu acreditava que se manteria por mais 20 anos à frente, dada as características de nossas políticas econômicas – macro e setoriais. Creio que se possa afirmar que se trata de um fato verificável: o Brasil não cresce dinamicamente há mais de 40 anos; ele se arrasta, abaixo da América Latina, do mundo, e três ou quatro vezes menos que os emergentes dinâmicos da Ásia Pacífico, os chamados "tigres asiáticos" (que também passaram por crise profundas nesse período de quase meio século, mas que se restabeleceram e que continuam dinâmicos.

Eu parti de fatos conjunturais – o dinamismo econômico britânico na era Tatcher, que depois se desfez –, mas enfoquei traços estruturais e institucionais no caso brasileiro, que explicam nosso fraco desempenho, desde as grandes crises dos anos 1980.

Vamos ver o que eu dizia então, e o que ainda pode ser válido para os dias que correm, ou seja, meados de 2026.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 21 junho 2026

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sábado, 28 de maio de 2011

A decadência econômica brasileira: um trabalho perdido

 

Já que estamos falando de problemas brasileiros para crescer, vamos dramatizar o quadro.

Não que eu queira ser pessimista, mas por puro acaso.

Eu estava compondo uma lista de livros sobre relações internacionais e de política externa do Brasil, e dentro dela os livros escritos por diplomatas (em qualquer gênero, aliás), quando deparei com este registro, de um trabalho que já não me lembrava mais ter escrito:

 

1557. “A decadência econômica brasileira: uma inevitável tendência pelos próximos vinte anos?”

Brasília, 7 de março de 2006, 5 p.

Publicado no blog do Instituto Millenium em 8.03.06 (link). Reproduzido no site do Instituto Internacional de Planejamento Educacional (link).

Desparecidos nestes links nos dois sites.

Relação de publicados nº 630.

 

Procurei nos links, e eles obviamente já não funcionavam mais. Por isso vai aqui postado gentilmente.

Não, não sou pessimista, apenas realista...

Paulo Roberto de Almeida

 

A decadência econômica brasileira: uma inevitável tendência pelos próximos vinte anos?

Paulo Roberto de Almeida

 

Peço desculpas aos meus leitores pelo tom passavelmente pessimista, quando não francamente niilista, do título deste artigo, mas é que não pude evitar certa sensação de desalento (e talvez também de inveja) ao ler sobre o recente e espetacular recorde na captação de investimentos estrangeiros diretos pela Grã-Bretanha no decorrer de 2005. Nada menos do que US$ 209 bilhões, ultrapassando em muito o segundo colocado, os EUA, que figuram há muitos anos no primeiro lugar, tanto como receptor quanto como principal investidor, seguido, nos últimos dez anos, pela China, como segundo colocado do lado da captação (com cerca de US$ 60 bilhões) e primeiro dos países emergentes. Comparados aos pouco mais de US$ 15 bilhões obtidos pelo Brasil em 2005, a cifra é realmente impressionante para qualquer país engajado no processo de globalização. Mesmo descontando-se, da cifra britânica, US$ 100 bilhões relativos a operações da Shell, que concentrou suas operações a partir da Holanda, remetendo então recursos aos sócios ingleses, ainda assim a Grã-Bretanha ultrapassa os EUA, que “só” atraíram 106 bilhões de dólares em 2005.

Trata-se de um notável feito da economia britânica, hoje, inquestionavelmente, o melhor lugar europeu – e provavelmente mundial, pelo lado financeiro – para se fazer negócios e desenvolver novos projetos, nas diversas áreas da nova e da velha economia, quer seja a indústria manufatureira, quer sejam os “novos serviços”, um conglomerado de atividades que junta tecnologias da informação e pesquisa de ponta em nano ou em biotecnologia. Ele é tanto mais notável em vista do fato de que, duas décadas atrás, a Grã-Bretanha era um dos piores lugares do mundo para se começar novos negócios ou mesmo para manter os existentes. Como isso foi possível?

Lembro-me de que quando eu estava terminando minha tese de doutoramento, em 1984, uma digressão aborrecidamente sociológica sobre os desempenhos capitalistas em escala comparada, a Grã-Bretanha era o protótipo mesmo da decadência econômica, o exemplo acabado de declínio industrial, um modelo notório do atraso tecnológico, da desesperança científica – com sua exportação contínua de cérebros para os EUA – e do desalento político, de que eram testemunhos os freqüentes movimentos grevistas, que conseguiam paralisar até mesmo o enterro dos mortos (um serviço obviamente estatal). Em escala e em estilo talvez diferentes de um outro notável exemplo de decadência, o da Argentina, mas numa dimensão provavelmente comparável à da nação “peronista”, pela amplitude e profundidade do declínio econômico auto-infligido, a Grã-Bretanha, promotora e pioneira da primeira revolução industrial e centro indisputável das finanças internacionais nos 150 anos que seguem aos conflitos napoleônicos, tinha sido vítima, durante todo o século XX, mas mais especialmente no decorrer dos anos 60 e 70 desse século, de um dos mais acabados processos de decadência econômica a que nos foi dado assistir na história econômica mundial.

Lembro-me também que minha bibliografia sobre o “caso” inglês vinha marcada pelos conceitos de “decline”, “fall”, “end” e vários outros do gênero. Naqueles tempos – final dos anos 1970 e início da década seguinte – não parecia haver nenhum limite para a extensão da decadência britânica. Ela era feita de baixo crescimento, inflação, déficits orçamentários e de transações correntes, desvalorização da libra, “sucateamento” da indústria e dos transportes, deterioração dos serviços públicos – notadamente nas áreas da saúde e da educação –, aumento da violência nas metrópoles, enrijecimento dos conflitos sociais, empobrecimento dos equipamentos urbanos, desemprego mais do que residual ou setorial e desesperança geral na sociedade, em especial na juventude. O cenário estava mais para “Laranja Mecânica” do que para “A Wonderful World”, mais para George Orwell do que para Winston Churchill e seu otimismo inveterado quanto ao futuro do império, que aliás já não existia mais, tendo sido irremediavelmente deixado num passado distante de glórias irrecuperáveis.

E, no entanto, vinte anos depois, o que ocorreu? Um notável “renascimento” da indústria e dos negócios na Grã-Bretanha – mais notavelmente ainda na Irlanda vizinha, não esquecer –, um surto de progresso e de modernização que não deixa nada a invejar nos melhores centros da tecnologia mundial, uma recuperação econômica segura, que fez do país o mais dinâmico membro – com a Irlanda – da União Européia, exibindo, ao mesmo tempo, as maiores taxas de crescimento e as menores de desemprego e inflação. Trata-se, como já dito, do melhor lugar para se fazer negócios no continente – mas a Grã-Bretanha sempre brincou com a idéia de que o continente é que vivia “isolado” –, o que vem apoiado no fato de que os investimentos estrangeiros, inclusive dos emergentes da Ásia, têm-se concentrado na ilha. Como foi isso possível, volto a perguntar?

Não pretendo retomar aqui a história da “batalha ideológica” do século XX, já enfaticamente tratada no livro – e vídeo – conjunto de Daniel Yergin e Joseph Stanislaw sobre a luta pelo controle e administração dos commanding heights da economia. Essa batalha política entre os modelos de comando centralizado e de administração pelo mercado se encerrou e não é preciso dizer quem venceu. A Inglaterra lutou o bom combate e conseguiu reverter sua terrível decadência econômica e política. Antes disso, porém, a batalha foi dura: ela teve, primeiro, de ser levada nos “corações e mentes” dos cidadãos britânicos, nos súditos da rainha, para convencê-los de que a decadência não era inevitável ou uma fatalidade do destino, de que era possível, sim, colocar um ponto final na descida para o declínio social e começar lentamente a obra de recuperação. Depois foi preciso se desfazer de velhos mitos – e não apenas mitos, já que respondendo a construções históricas de seu passado mais ou menos “fabiano” – ligados aos papéis respectivos do Estado e do mercado no provimento de emprego e bem-estar social, de modo geral. Foi uma tremenda “reversão de expectativas”, como diria, em relação ao Brasil, o economista Roberto Campos:

Margareth Tatcher teve de sustentar lutas políticas e batalhas literais contra os interesses corporativos consolidados no antigo modelo de “welfare state”, que de “welfare” já não tinha nada e cujo “estado” era um corpo disforme, esgarçado entre as tendências protecionistas da velha indústria, os protestos enraivecidos (mas puramente de retaguarda) dos sindicatos dos setores estatizados e o desalento geral da maioria da população. Foi uma luta terrível para livrar a Grã-Bretanha do “pacto perverso” entre o Labour e a TUC – Trade Union Congress, a confederação sindical – que, durante a maior parte do pós-Segunda Guerra, tinha conduzido o país direto para a decadência, ao garantir aumentos reais de salários para os setores assim protegidos e ao repassar os custos para o conjunto da sociedade. Foi como se, no Brasil, a CUT e a FIESP, por hipótese no exercício do poder central, tivessem “complotado”, durante anos a fio, para se concederem e assim garantirem, reciprocamente, aumentos generosos de preços e de salários, repassando em seguida a conta para os contribuintes e consumidores, o que aliás não deixou de existir, de certo modo, durante as fases de alta inflação no Brasil. Trata-se da mais segura receita para inviabilizar qualquer processo de crescimento com estabilidade que se possa conhecer e ela foi seguida, conscientemente ou não, por vários governos britânicos durante boa parte da segunda metade do século XX na Inglaterra.

Pois bem, isso agora acabou, e a Grã-Bretanha renasce de sua antiga decadência, renovação tanto mais segura de continuar que o “novo Labour” aderiu ao processo e ao modelo iniciados por Lady Tatcher e deles não pretende se desvencilhar. Um pouco, aliás, como vêm fazendo os socialistas e democratas chilenos, que herdaram do período militar uma gestão mais ou menos em ordem e uma economia em franco crescimento nos quadros da globalização e da liberalização comercial. Alguma lição a tirar?

Claro que sim, e a primeira lição a tirar seria, além da inveja, desejar sorte e sucesso continuado a britânicos e chilenos, que podem desfrutar de baixo desemprego, estabilidade de preços, aumento razoável das expectativas de bem-estar, diminuição das “deseconomias” e das externalidades negativas associadas à má gestão da economia, melhora, ainda que gradual, nos padrões gerais dos serviços públicos – ou privados, não importa muito a forma de provimento – relativos à saúde, educação, facilidades urbanas em transporte, segurança etc. Enfim, sem ser preciso nenhuma revolução ou mudança dramática na situação corrente, deve ser melhor viver numa sociedade que conhece progressos incrementais nas condições de vida do que numa outra que, por hipótese, afunde progressivamente na delinqüência, no desemprego, na inflação, na deterioração dos equipamentos sociais, na compressão do poder de compra, na desesperança trazida pela sensação de aumento na corrupção política, enfim, que se debata com vários males de que padecem hoje muitos países ao redor do mundo.

E o que tem nosso país a ver com isso tudo? O Brasil conhece alguns desses males e, felizmente, está ao abrigo de outros, como poderia ser a inflação galopante que ameaça, mais uma vez, a vizinha Argentina, ou a instabilidade política, que já arrastou mais de um presidente para fora dos palácios presidenciais em outros países da região. Mas, nós acabamos de nos converter, junto com o infeliz Haiti, em campeões do baixo crescimento e da carga fiscal, aqui exclusivamente. Mais ainda, conhecendo a trajetória das contas públicas nos próximos anos, não hesito em dizer que teremos anos negros pela frente e, conhecendo também as atuais condições para a atividade empresarial e o ambiente geral dos negócios, tampouco hesito em dizer que o Brasil reúne, sem sombra de dúvida, todos os requisitos para NÃO CRESCER no futuro previsível.

Se essa trajetória não for revertida, a conclusão inevitável me parece ser apenas esta: caminhamos inevitavelmente para a decadência econômica, o baixo crescimento continuado, o desemprego mantido em altas taxas, a desesperança social convertida em humor nacional e o desalento generalizado quanto à capacidade dos nossos políticos em mudar esse quadro de declínio. O Brasil, por certo, não é um país decadente, em espírito ou disposição para a luta, mas ele parece hoje paralisado por um modelo de organização “estatal” da economia que nos garante, apenas e tão somente, isso que vemos: baixo crescimento, incapacidade de investimentos, “despoupança” líquida dos recursos do setor privado por uma máquina estatal prebendalística e perdulária, comportamentos rentistas das corporações que “assaltaram”, literalmente, o Estado, enfim, um quadro negativo de “deseconomias” de escala que nos garante apenas o que já foi mencionado, ou seja, baixo crescimento e perspectivas sombrias para o futuro.

A julgar pela história exemplar de decadência continuada – em certas épocas, mais do que agravada – dos dois casos mais notórios de baixo desempenho econômico no século XX, a Grã-Bretanha e a Argentina, estamos ainda longe de termos atingido o “auge” do declínio. Em outros termos, ainda teremos muitos problemas pela frente, com um espaço ainda aberto para um desempenho ainda mais medíocre da economia e uma deterioração ainda mais sensível dos costumes políticos. Talvez tenhamos de passar, realmente, por vinte anos de decadência, como no exemplo britânico, antes de sequer pensar no caminho da recuperação. Pelo menos é isso que eu concluo, ao constatar, em pesquisas de opinião, que o brasileiro médio ainda confia no Estado como um provedor de “soluções” a seus problemas cotidianos. Pode até ser, mas certamente não será esse Estado que aí se encontra. Reverter esse quadro vai ser difícil, mas não impossível, uma vez que já começamos a reconhecer o problema.

O próprio fato de se poder apontar para a decadência econômica inevitável do Brasil, como acabo de fazer, talvez já seja o primeiro passo para a necessária tomada de consciência e de posição, num sentido contrário à tendência declinista hoje detectada. Esperemos que não tenhamos de esperar por vinte anos, ou mais, de decadência, antes de conhecer uma reversão de tendência. Estou sendo muito pessimista? Talvez, mas não vejo motivos para muito otimismo no momento e nas condições presentes... 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 7 de março de 2006. Texto

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5361, 21 junho 2026, 7 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (21/06/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/o-brasil-caminha-para-um-declinio.html).

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O Brasil caminha para um declínio econômico de meio século? - Paulo Roberto de Almeida: 


Capítulo 1: O Diagnóstico do Declínio Estrutural de Meio Século
O artigo escrito pelo diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida, intitulado O Brasil caminha para um declínio econômico de meio século?, publicado em seu blog Diplomatizzando em vinte e um de junho de dois mil e vinte e seis, apresenta uma análise profundamente cética e detalhada sobre a trajetória macroeconômica brasileira. O autor utiliza o marco comemorativo de vinte anos de existência de sua página na internet para resgatar e endossar um ensaio de sua autoria elaborado originalmente em março de dois mil e seis. Na visão retrospectiva e crítica do acadêmico, o cenário de semi-estagnação e letargia que ele projetava há duas décadas não apenas se confirmou, como se consolidou em um fato empírico verificável: o país acumula mais de quarenta anos de incapacidade de crescimento dinâmico, arrastando-se economicamente abaixo da média da América Latina e do mundo.
A argumentação de Almeida baseia-se na comparação do fraco desempenho brasileiro com o dinamismo de economias que passaram por reformas estruturais profundas. Ele evoca o exemplo histórico do renascimento econômico da Grã-Bretanha a partir da era comandada por Margaret Thatcher, quando o país reverteu uma decadência industrial e inflacionária severa ao combater privilégios corporativos e redefinir os papéis do Estado e do mercado. Ao traçar um paralelo com o ambiente doméstico, o autor diagnostica que o Brasil falha sistematicamente em ingressar na modernidade global devido à manutenção de políticas econômicas obsoletas e à resistência de corporações que capturaram as estruturas estatais para a preservação de vantagens setoriais.
Capítulo 2: A Decodificação do Pacto Prebendalístico e do Peso Fiscal
A análise crítica do texto exige a decodificação de conceitos da ciência política e da economia utilizados pelo diplomata para descrever a paralisia institucional brasileira. Ao classificar a máquina governamental como uma estrutura estatal prebendalística e perdulária, Paulo Roberto de Almeida aponta diretamente para o patrimonialismo e para o uso de cargos e recursos públicos como moedas de troca política, o que anula a capacidade de investimento do Estado. O termo prebendalismo, neste contexto, define o arranjo em que o orçamento público é distribuído para satisfazer o apetite de clientelas partidárias e oligarquias financeiras, gerando o que ele qualifica como uma despoupança líquida dos recursos do setor privado. O Estado, em vez de atuar como indutor do desenvolvimento, drena a riqueza gerada pelos setores produtivos para sustentar sua própria burocracia ineficiente.
Outra expressão codificada que demanda esclarecimento é o comportamento rentista das corporações que assaltaram o Estado. Com esta metáfora contundente, Almeida expõe a aliança perversa entre frentes sindicais e associações empresariais protecionistas que buscam subsídios, desonerações exclusivas e reajustes salariais acima da produtividade. Na visão do autor, esse mecanismo funciona como um complô que repassa integralmente a conta da insolvência fiscal para os contribuintes e consumidores através de uma carga tributária escorcorante. Ele ressalta que o Brasil se converteu no campeão mundial exclusivo do binômio alarmante composto por baixo crescimento econômico e alta carga fiscal, eliminando qualquer previsibilidade ou segurança jurídica para a atividade empresarial de longo prazo.
Capítulo 3: A Falência das Expectativas e a Ilusão do Provedor Estatal
No encerramento de sua exposição, o professor manifesta um desalento realista quanto à capacidade da classe política atual em promover uma reversão de expectativas na sociedade. Ele alerta que o país reúne todos os requisitos técnicos para não crescer no futuro previsível, agravando a deterioração dos costumes políticos e alimentando um sentimento de desesperança convertido em humor nacional. A maior barreira cultural para a superação desse declínio crônico, segundo o autor, reside no fato de que o brasileiro médio ainda mantém uma confiança anacrônica no Estado como o provedor absoluto de soluções para as demandas cotidianas. Almeida conclui que este modelo paternalista está esgotado e que o reconhecimento da decadência iminente constitui o primeiro e indispensável passo para uma tomada de consciência crítica pela cidadania.

 

 

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