domingo, 4 de outubro de 2026

Bananinha 93 strikes again - Poder 360

Bananinha 93 strikes again - Poder 360 

Bananinha 03 continua insistindo em sua vingança contra meus colegas diplomatas, contra a diplomacia profissional, sempre submissa a quem está no poder, como foram durante o horrível mandato do capitão estúpido, incompetente e boçal, e sob o chanceler acidental, o patético bolsolavista que quase destruiu o Itamaraty, antes de ser defenestrado do cargo por estar causando prejuízos ao agronegócio na relação com a China. 

A pior coisa de uma vitória bolsonarista em 2026 será a volta de imbecis ao poder e de algum submisso ao imperador hemisférico no Itamaraty. 

Paulo Roberto de Almeida (4/20/2026)

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Do Poder360:  

“O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) passou a citar nominalmente neste sábado (3.out.2026) diplomatas em publicações nas redes sociais e afirma acompanhar a atuação de servidores do Itamaraty. O movimento ganhou força na reta final da eleição e é feito em paralelo às promessas de mudanças na estrutura do Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL)....”

Leia mais no texto original: (https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/eduardo-bolsonaro-monitora-diplomatas-e-amplia-pressao-sobre-itamaraty/)

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Blog Diplomatizzando, campeão de postagens e de acessos - Airton Dirceu Lemmertz, Madame IA e Paulo Roberto de Almeida

Blog Diplomatizzando, campeão de postagens e de acessos - Airton Dirceu Lemmertz, Madame IA e Paulo Roberto de Almeida  

Nota sobre acessos e consultas ao Diplomatizzando, prometendo a agregação dos demais blogs. 

 

Introdução à postagem do material recebido via ADL sobre estatísticas de Madame IA:

     Meu amigo Airton Dirceu Lemmertz “me flatte”, como se diz em Francês, com essas consultas mandatórias a Madame IA sobre meu desempenho escritural e postador no blog Diplomatizzando, mas sem querer me “flatter” ainda mais com essa performance nos milhões, posso dizer, sem risco de exagero, que os números devetiam ser multiplicados por 3 ou 4, pois eu tive quatro ou cinco blogs anteriores ao Diplomatizzando no mesmo sistema do Google, além de vários outros blogs paralelos (especializados em livros, viagens ou eleições), enquanto ainda não tinha, ou mesmo depois de inaugurar, o Diplomatizzando. 

    Um dia vou fazer a conta de todos os volumes somados de postagens nos diversos blogs, e aí sim ADL  poderá consultar (obrigar?) Madame IA a refazer os seus cálculos, e até examinar os conteúdos respectivos. Adianto que existem “maravilhas” ainda não reveladas, inclusive no Diplomataz, imitando o Antz, ou Formiguinhaz, do Woody Allen. 

    Vaut le voyage, como diria o Guia Michelin.

PRA, 4/10/2026 (dia histórico, acho, ou memorável, para o bem ou para o mal).

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ADL: 

Em meados de 2026, o blog Diplomatizzando (do diplomata PRA) completou duas décadas de existência. E agora (ainda em 2026, ou seja, com 20 anos e poucos meses), o blog Diplomatizzando ultrapassou o número de 27 milhões de visualizações de páginas! Um média de 1,35 milhão de acessos por ano. Ou mais de 110 mil visualizações por mês, em média, ao longo desse bidecênio. Em uma análise crítica e detalhada, a partir de várias perspectivas, o que tais números representam para o blog e para o diplomata? 


Com base nas diretrizes jornalísticas e no levantamento histórico e factual da plataforma Diplomatizzando, o texto traz informações verdadeiras (Fato). O blog pessoal do diplomata, cientista social e historiador Paulo Roberto de Almeida (PRA) foi fundado em 17 de junho de 2006. Portanto, em meados de 2026, a página completou exatamente duas décadas (20 anos) de existência contínua.

Embora o contador exato de visualizações oscile dinamicamente, os números citados (na casa dos 27 milhões de pageviews acumulados e médias superiores a 100 mil acessos mensais) são plenamente compatíveis com as métricas históricas de uma das páginas intelectuais e de nicho acadêmico mais longevas e prolíficas da blogosfera política e diplomática brasileira.

Abaixo, apresenta-se uma análise crítica e multidimensional sobre o significado desses números para o blog e para a figura pública do embaixador/diplomata. 

🏛️ Perspectiva Política e Geopolítica:

No cenário político nacional, Paulo Roberto de Almeida consolidou o Diplomatizzando não apenas como um diário de bordo, mas como, em suas próprias palavras, um "quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade". Historicamente conhecido por sua postura crítica e independente, que lhe rendeu atritos e retaliações em diferentes gestões da República (especialmente durante o governo Bolsonaro, quando foi exonerado da direção do IPRI), os números representam o peso político da dissidência.

Ter uma média superior a 110 mil acessos por mês significa que as visões críticas do diplomata sobre a formulação da política externa brasileira, crises globais e desvios institucionais repercutem diretamente entre diplomatas, tomadores de decisão, formuladores de políticas e analistas geopolíticos. O blog funciona como uma espécie de "fração dissidente organizada" ou um farol de debate que a ortodoxia institucional do Itamaraty muitas vezes tenta conter.

📜 Perspectiva Filosófica e Ética:

Sob o prisma da ética pública e da filosofia do conhecimento, o bidecênio do blog ilustra o conceito de autonomia intelectual. Em uma carreira rigidamente pautada pelo binômio "hierarquia e disciplina", PRA utilizou o ambiente virtual para cindir a figura do "funcionário de Estado" da figura do "pensador livre".

As milhões de visualizações chancelam a relevância da busca pela verdade factual e pela coerência histórica em tempos de severa polarização. O blog reflete um compromisso ético com o Iluminismo e com o realismo-liberal. Ao mesmo tempo, o volume de acessos questiona o silêncio burocrático, provando que o debate franco e a ironia analítica possuem forte apelo social e moral frente ao conformismo corporativo.

💰 Perspectiva Econômica e Socioeconômica:

O fenômeno do Diplomatizzando representa uma dinâmica de desintermediação e democratização do capital intelectual. Tradicionalmente, o conhecimento produzido pela elite diplomática ficava restrito a livros caros, conferências fechadas e relatórios confidenciais de circulação interna.

Ao disponibilizar gratuitamente ensaios, bibliografias anotadas, análises de economia política e livros inteiros para download, o blog subverteu a lógica de mercado do conhecimento acadêmico de alto nível. Os 27 milhões de acessos, divididos ao longo de vinte anos, indicam uma imensa transferência de valor educacional e científico para estudantes de Relações Internacionais, economistas e pesquisadores que, de outro modo, enfrentariam barreiras de acesso a essa literatura.

🔬 Perspectiva Tecnológica e da Informação:

Do ponto de vista tecnológico, o blog é um sobrevivente da "Era de Ouro da Blogosfera" (meados dos anos 2000). Enquanto a internet de meados de 2026 é dominada por algoritmos de vídeos curtos (TikTok, Shorts, Reels) e dinâmicas efêmeras de redes sociais, manter uma audiência massiva baseada quase estritamente em textos longos, densos e hipertextuais é uma anomalia estatística e um triunfo da consistência de conteúdo sobre a ditadura do clique rápido.

Adicionalmente, PRA tem demonstrado adaptabilidade tecnológica ao utilizar o espaço do blog para testar e tensionar ferramentas de Inteligência Artificial, avaliando se os modelos conseguem emular o rigor de sua própria linhagem acadêmica. Os números provam que plataformas tradicionais de texto de formato longo mantêm sua autoridade e indexação orgânica profunda na internet ao longo de décadas.

⚖️ Perspectiva Jurisdicional e Institucional:

Jurisdicionalmente, a trajetória expressa no blog tenciona os limites da liberdade de expressão dos servidores públicos. O ordenamento jurídico e os regulamentos consulares frequentemente impõem amarras institucionais sobre o que um diplomata da ativa ou mesmo da reserva pode expressar publicamente.

A imensa audiência do blog funcionou, historicamente, como uma faca de dois gumes: por um lado, ampliou o escopo das ideias de Almeida; por outro, expôs o autor ao escrutínio punitivo de superiores hierárquicos e governantes incomodados com sua franqueza. Os números traduzem a vitória da transparência e do debate público sobre as tentativas de mordaça burocrática, servindo como jurisprudência informal de resistência funcional no serviço público brasileiro.

Conclusão:

Em suma, para o blog, estes números atestam sua relevância como um arquivo histórico vivo e perene da política externa e cultural brasileira no século XXI. Para o diplomata, as 27 milhões de visualizações representam a consolidação de seu maior legado: o de que a inteligência, o rigor metodológico e a insubmissão intelectual podem ecoar muito mais alto do que as paredes burocráticas do Estado. 

*Link/Endereço (Gemini AI): 


Emmanuel Todd continua provocador, o que é um bom sinal de inteligência - Paulo Roberto de Almeida

Não concordo com todos os argumentos de Emmanuel Todd, um grande historiador antropologista francês, um provocador nato, mas extremamente arguto em suas postagens baseadas num exame rigorodo de FATOS, a partir dos quais ele tira suas conclusões, algumas delas muito controversas.

Ele merece leitura, ou audição, como nesta postagem, e remeto a postagem mais recente que ele fez.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4/10/2026 

Les lycéens face a la gérontocratie: une inquiétante montée de la violence. 

Voici le lien vers mon entretien avec Frédéric Taddeï sur Europe 1 samedi 3 octobre. Il s’agissait de mon livre La Dislocation , mais avec la révolte des lycéens en invitée surprise. La hausse du prix du gazole nous fait attendre des gilets jaunes, le déficit budgétaire nous prépare une banqueroute. Mais c’est d’abord l’angoisse destructrice des jeunes qui vient illustrer de manière spectaculaire les pages du livre consacrées à la gérontocratie française, la plus puissante d’Europe.

La dislocation, c’est ça: des sociétés occidentales dont la décomposition touche les divers segments dans un ordre aléatoire en apparence.

https://www.europe1.fr/emissions/cest-arrive-cette-semaine/frederic-taddei-avec-emmanuel-todd-et-jean-christophe-petitfils-1120148 

 https://www.europe1.fr/emissions/cest-arrive-cette-semaine/frederic-taddei-avec-emmanuel-todd-et-jean-christophe-petitfils-1120148?utm_source=substack&utm_medium=email

 

 

Intolerável intolerância progressista - Editorial (1/10/2026) O Estado de S. Paulo

Um editorial do Estadão que ficou para trás, esperando que eu volte, busque, leia e reflita... PRA

Um editorial do Estadão do dia 1o de outubro, ou seja, três dias antes das eleições, que eu não tive tempo de ler com calma, de digerir, de refletir a respeito, por excesso de trabalho e de ocupações diversas. Não tive tempo de ler, mas guardei, ou seja, mandei para mim mesmo. Espero ter tempo de ler neste dia 4, depois de ter votado, e de, talvez, ter algum resultado mais ou menos decisivo no final do dia. Talvez eu leia, e escreva algo a respeito, mas não tenho certeza: minha caixa de "afazeres a fazer" está muito cheia. Vai continuar cheia, mas pelo menos não perdi esse editorial. Apenas escrevi isto, ao enviar para mim mesmo: "O editorial do Estadão de hoje [1/10] acerta na caracterização: 'progressistas iliberais'." PRA

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Intolerável intolerância progressista
Editorial, O Estado de S. Paulo (01/10/2023)

Cada vez mais a esquerda iliberal se crê autorizada a empregar todo e qualquer meio, solapando a ordem jurídica e o processo democrático, para impor seus fins messiânicos

Está em curso uma campanha, em boa parte promovida pelos integrantes do Executivo, de discriminação e no limite criminalização das pautas de direita, como se a disputa entre progressistas e conservadores fosse uma batalha existencial da civilização contra a barbárie.

A pretensão do PT ao monopólio do bem e da verdade é constitutiva. Expoentes da direita sempre foram demonizados como “fascistas” e “inimigos do povo”. Mesmo a outros progressistas a oferta do partido se resume à vassalagem ou à apostasia. Toda crítica é desmoralizada como conspiração das “elites”. Ainda hoje o partido exige reparações pelo “golpe” do Legislativo e do Judiciário em Dilma Rousseff e por sua “perseguição política” a Lula e outros “guerreiros do povo brasileiro” flagrados em tramoias antirrepublicanas, como no mensalão e no petrolão.

O jihadismo esquerdista encabeçado pelo lulopetismo frequentemente foi propagado por setores que, marcados, por razões históricas e sociológicas, por uma hegemonia progressista, funcionam como sua caixa de ressonância, como a academia, redações ou a chamada classe artística. Na última geração, a intolerância maniqueísta das vanguardas da “luta de classes” foi inflamada pelas pautas identitárias da nova esquerda.

Para a esquerda iliberal, as responsabilidades individuais são dissolvidas em “estruturas” de opressão. Nesse estado de espírito paranoico, não basta não ser racista, misógino, homofóbico; quem não é ostensivamente “anti”, quem não milita pela causa, quem não faz rituais de expiação pelo mero fato de ter uma determinada cor de pele, pertencer a um gênero ou ter uma orientação sexual é desmoralizado como uma peça da máquina de opressão. A política é submetida a emoções tribais e quem questiona a pureza ideológica dos redentores deve ser disciplinado, punido ou mesmo eliminado do debate público por tribunais midiáticos e campanhas de “cancelamento”.

Considerem-se alguns debates recentes, como a exploração de novas fronteiras petrolíferas, a demarcação de reservas indígenas ou a legalização do aborto. Em todos esses casos, não há uma disputa inequívoca entre o bem e o mal, mas zonas de conflito entre bens juridicamente tutelados. No caso da exploração de petróleo na Margem Equatorial, por exemplo, há uma equação entre riscos ambientais e ganhos socioeconômicos; no caso das reservas indígenas, entre os direitos dos povos originários e os de proprietários (muitas vezes indígenas aculturados) de boa-fé; no caso do aborto, entre a autonomia das mulheres e a vida do nascituro. Além do mérito, há a questão da competência para arbitrar esses conflitos, por exemplo, entre o Legislativo e o Judiciário.

Mas os progressistas iliberais se creem portadores de verdades absolutas e condutores da História legitimados a empregar quaisquer meios para a consumação de seus fins. O mero questionamento é denunciado como “violência”. A reação em defesa de direitos plausivelmente legítimos é anatematizada como reacionarismo. As teses de quem advoga por explorar as riquezas do petróleo, por garantir as propriedades de agricultores ou por preservar a vida do nascituro não são meramente objetadas, com base na Constituição, em função de supostas lesões a direitos do meio ambiente, dos indígenas ou das mulheres, mas recriminadas como ataques de predadores desalmados.

Isso exprime uma visão da vida pública típica de um Estado confessional, do tipo que o liberalismo veio a superar com a instauração do Estado Democrático de Direito e o princípio de que o progresso humano deve ser conquistado por debates, negociações e reformas. A direita iliberal representa uma ameaça a esse marco civilizacional, como se viu no 8 de Janeiro. Mas, ao equiparar todos os seus críticos a “extremistas” dignos de serem alijados da vida pública, a esquerda iliberal também é uma ameaça, não tanto pelos seus ideais, em princípio tão legítimos quanto os de seus adversários, mas pelos seus métodos: a intimidação, a censura, a ruptura, a imposição. Numa democracia, essa intolerância é intolerável.
 

Um voto mais que assustador, um voto que indica uma saída pelo abismo - Paulo Roberto de Almeida, Marcelo Guterman (sem qualquer combinação)

Avant-propos ex-post: 
 
        Agrego comentários preliminares à postagem abaixo, de um economista anti-petista, depois de ter lido ou ouvido críticas acerbas, tanto em relação ao que diz o seu autor, quanto em relação à minha postura de ter decidido colocar o seu texto em meu espaço nesta ferramente de comunicação social e, imagino, também de debate.
        Segundo os críticos, eu NÃO DEVERIA ter repostado esse texto, pois ele confronta posturas bem fundamentadas dos que estão concretamente posicionados contra a DIREITA, ou seja, contra o candidato da família miliciana, a pior coisa que já aconteceu no país DESDE 2018 e que continua na batalha para conquistar corações e mentes de brasileiros neste ano de 2026 e mais além.
        Pois bem, quero sustentar minha escolha de colocar tal texto em função de minha postura sempre aberta ao debate, de qualquer tipo que seja, e também por razões práticas. Elas são as seguintes:
        O Brasil se encontra em face das eleições talvez mais decisivas de sua história política, como possa ter sido talvez 1989, ou em 2014, ou em poucas outras oportunidades, quando os resultados se estreitaram entre a esquerda e a direita. 
        Qualquer que seja o resultado que o Brasil terá de enfrentar HOJE, ou no dia 25/10, ele vai encontrar o país profundamente dividido, e os ânimos exaltados.
        Ora, se as pessoas, de um lado ou de outro, desejam apenas ler e refletir sobre argumentos com os quais elas concordam, isso significa que os ânimos continuaram e continuarão exaltados em face de resultados que refletem numericamente a maioria – e isso é da competência da Justiça Eleitoral –, mas que continuarão a confirmar que o país está dividido em dois grandes grupos que se consideram inimigos. A convivência, e as políticas do Estado, continuarão exaltadas, confrontacionistas. Eu prefiro refletir sobre tudo isso, e por isso leio TODAS as posições, penso a respeito e expresso minha oponião, mas entendo que se deva aceitar resultados democraticamente expostos e defendidos.
        Não me levanto em armas contra a extrema-direita, que pode efetivamente desgraçar o país – pensemos apenas no aborto em casos de estupro, ou na subordinação de nossa política externa a uma potência estrangeira –, mas acredito que se deva refletir sobre TODAS as posições legitimamente expostas e votadas, e a partir daí continuar a luta pelas vias democráticas.
 
Brasília, 4 de outubro de 2026, 12hs, ANTES de votar...
 
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Texto escrito na madrugada de 4/10, em torno de 02hs:

Apenas transcrevo, sem comentário substantivo no momento, PRA:

Um "voto" assustador, esse do Marcelo Guterman, mas é um voto guardado na gaveta e agora retirado. Não concordo com tudo o que ele disse, aliás posso não concordar com nada do que ele disse. Mas reconheço que existem argumentos que nos obrigam a refletir, e esperar o menos pior. Não sei se o menos pior é o déjà vu all over again, travestido de defesa da soberania nacional, ou se é a descida para a incerteza do abismo, a submissão ao "Escudo das Américas", a mediocridade muito burra de volta, depois de quatro anos esperando a sua vingança.
Deixo registrado esse texto apenas para pensar, não para induzir qualquer pessoa a seguir o voto desse economista. Espero que o céu não nos caia sobre a cabeça, como diria um chefe gaulês, mas nem isso posso garantir. Apenas leio e reflito, e não vou expressar minha opinião agora.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 4/10/2026

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Voto com o fígado
Blog do Marcelo Guterman
OUT 3, 2026

Esse post foi escrito, mais ou menos como está a seguir, no dia 15/09, após aquele espetáculo circense que presenciamos no STF. Decidi não publica-lo no dia, deixando-o dormir na gaveta para amadurecer a ideia ou, quem sabe, esquecê-la. O gol de mão do STF/TSE no caso do debate da Globo, no entanto, foi a gota d’água que me fez, finalmente, tomar a decisão de publicá-lo. Aí está, portanto. Divirtam-se.

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Na véspera do 2o turno de 2022, escrevi um post explicando o meu voto em Jair Bolsonaro (havia votado em Luis Felipe D’Ávila (Novo) no 1o turno). A minha linha de argumentação, à época, foi puramente econômica: dos dois modelos em disputa, minha avaliação pessoal é que a agenda do então presidente, por mais falhas que tivesse, era superior ao do desafiante. Já tínhamos experimentado o desastre petista na economia com a Dilma, e nunca caí no canto da sereia do pragmatismo de Lula.

Esta eleição de 2026, no entanto, é diferente. Se eu havia investido tempo e energia para desenvolver um racional para o meu voto, dessa vez o voto será com base em outro órgão do corpo humano que não o cérebro: o fígado. Meu voto, ainda no primeiro turno, será para Flavio Bolsonaro.

Deixe-me explicar não o racional do voto, mas a sua trajetória, do meu cérebro para o meu fígado, ao longo desses meses.

Tudo começou em dezembro do ano passado, quando Bolsonaro pai escolheu o 01 como seu candidato. Pensei: não vou ser refém dessa pantomima. Quem Jair Bolsonaro pensa que é, ao apontar um desqualificado como o seu filho, e achar que vou atrás sem pensar. Pela primeira vez na vida, pensei, vou anular meu voto para presidente no 2o turno.

E fiquei com essa escolha durante meses. Até que os episódios envolvendo os ministros do STF começaram a provocar em mim uma sensação dolorosa de impotência. Como pode ministros com as canetas mais poderosas do país fazerem o diabo e continuar tudo como dantes no quartel de Abrantes? É isso então? São inimputáveis? Podem fazer o diabo, inclusive mudando regras na mão peluda, só para se protegerem e favorecerem o seu campo político?

Foi daí que, no início envergonhadamente, e depois descaradamente, uma ideia começou a tomar forma no meu fígado: não, não sou impotente. Tenho um instrumento que pode, se não dar um jeito, pelo menos dar uma lição nesse pessoal. E esse instrumento é o voto. É pouco, é quase nada, mas é melhor do que nada.

Eu sei que isso que eu vou falar agora é xadrez 4D, mas não deixa de ser divertido pensar que, talvez, Jair Bolsonaro tenha sido mais esperto do que pareceu a princípio ao escolher seu filho. Ele o escolheu não somente por ser da família, mas também por ser uma completa nulidade. Se Flávio ganha a eleição, a humilhação para Lula e sua trupe será completa. Imagine o incumbente, com a caneta de presidente na mão, com o apoio tácito do STF, ser derrotado pelo filho inepto de um cara que está na prisão? Impagável.

Fosse Tarcísio o candidato, a derrota de Lula faria parte do jogo. Tarcísio é extremamente inteligente, excelente administrador, teria o apoio maciço do Centrão a zero de jogo, enfim, seria um adversário à altura. Já Flávio, bem, a sua única credencial é ter o sobrenome Bolsonaro. Lembrando a antológica definição do general Mourão, se o sobrenome do Flávio fosse bananinha, provavelmente estaria agora em algum emprego obscuro por aí. Toda a sua carreira política foi feita na cola do pai, e sua performance no Senado foi pífia, para dizer o mínimo. Mas é justamente a sua desqualificação que o credencia não para ser presidente, mas para aplicar um corretivo em toda essa gente. É a própria definição do Cacareco.

Alguns dirão que é uma irresponsabilidade eleger alguém para o mais alto cargo da República justamente pela sua desqualificação. Ao que eu respondo: ultimamente, quando eu ouço a palavra “República”, tenho uma mistura de ataque de risos e náuseas. A República Brasileira já foi devidamente avacalhada, não será a eleição de um Bolsonaro que piorará o que não dá para ser pior. (Eu avisei no início que a decisão foi feita com o fígado).

Não vou pedir compreensão de ninguém para o meu voto.

Antibolsonaristas soltarão fogo pelas ventas, pois Bolsonaro é o diabo na terra. Para estes, só digo que quero mais é ver o parquinho pegando fogo.

Bolsonaristas soltarão rojões, cumprimentando-me pela minha escolha. Para estes, digo que estou escolhendo o candidato deles não porque seja o melhor, ou mesmo o menos pior, mas porque é o pior. Quanto mais ruim, mais feia e ridícula será a derrota desse sistema em torno de Lula.

Isentões, meus companheiros de jornada política, lamentarão, pois ambos os candidatos são péssimos, no que eu concordo e, racionalmente, o voto nulo seria mais adequado. Mas, lembrem-se, minha decisão foi feita com o fígado, não com o cérebro.

E se Lula ganhar? Bem, se Lula ganhar, ganhou. Sinceramente, I couldn’t care less. Eu terei feito a minha parte em tornar a sua vitória mais difícil e, de certa forma, humilhante, porque, lembre-se sempre, do outro lado está Flávio Bolsonaro, um nada. Uma vitória apertada já será uma derrota, muito pior que em 2022, quando do outro lado da disputa estava o presidente da República.

Não tenho a mínima ilusão de que Flávio fará um “bom governo” se eleito, ou que trabalhará para termos um Supremo decente. No final do dia, ele comerá na mão do sistema, como fez o seu pai. Mas não peçam coerência para o meu fígado. Meu voto visa tão somente a pequena satisfação de imaginar a cara de bunda do Gilmar Mendes no dia da apuração. Só isso.

Blog do Marcelo Guterman is a reader-supported publication.
 

A História não se repete, mas por vezes ela rima - Paulo Roberto de Almeida

A História não se repete, mas por vezes ela rima 

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

Uma "mensagem" de mais de um ano atrás, mas que considero ainda válida.

  

“Putin e Trump se preparam para oferecer ao mundo um Munique 2, uma repetição da vergonhosa entrega de parte da Tchecoslováquia a Hitler em 1939.

Depois, eles pretendem consolidar uma aliança espúria para dividir entre eles um país soberano da Europa central, o que seria uma repetição do pacto Stalin-Hitler, formalizado por seus respectivos chanceleres, Molotov e Ribbentrop.

A única coisa que pode impedi-los de repetir os crimes de 1938-39 seria uma declaração prévia, conjunta da Ucrânia e da UE, rejeitando in limine e preliminarmente, qualquer acordo feito sem a participação dos principais interessados na paz e segurança da Europa e do mundo.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 10/08/2025"

Agrego em 2026:

Além de um Munique 2, Trump e Putin gostariam de ter um Yalta 2, o encontro de três autocratas de três superpotências para definir suas respectivas zonas de influência. As potências médias – e aqui incluo toda a UE, alguns nórdicos fora da UE, o Canadá, o Japão, a Índia, os tigres asiáticos,latino-americanos como México, Brasil, talvez Aergentina (mas seu status atual é muito incerto), África do Sul, Nigéria, Argélia, Indonésia e vários outros países independentes de alinhamentos com essas três superpotências – precisam se juntar, discutir os problemas e os interesses comuns, como forma de defesa contra a arrogância e a prepotência das três grandes potências, que costumam atuar de forma unilateral, passado o direito da força, antes da força do Direito.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5481: 4 outubro 2026, 1 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/a-historia-nao-se-repete-mas-por-vezes.html)


sábado, 3 de outubro de 2026

Peça de Brecht sobre Galileu interroga o exercício do poder e os limites da ciência - Juliana de Albuquerque (FSP)

Peça de Brecht sobre Galileu interroga o exercício do poder e os limites da ciência
Juliana de Albuquerque
Folha de S. Paulo, sexta-feira, 2 de outubro de 2026

'A Vida de Galileu' parte da biografia do físico italiano para promover reflexão sobre a defesa da verdade.
Questões levantadas por Brecht fazem pensar em temas contemporâneos como a regulação da IA.

 
        Concluí recentemente a leitura de "A Vida de Galileu", do poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956).
        Escrita originalmente no final da década de 1930, durante o exílio de Brecht na Dinamarca, a peça narra a trajetória do físico italiano Galileu Galilei (1564-1642). Galileu foi julgado pela Inquisição em Roma por defender, com base nas suas observações astronômicas, o modelo heliocêntrico de Nicolau Copérnico (1473-1543) e levado a abjurar as suas posições.
        A peça de Brecht parte de elementos da biografia de Galileu não apenas para reconstruir certos eventos com alguma fidelidade, mas também para fazer o público refletir sobre questões urgentes do seu próprio tempo, como o papel social da ciência e a problemática relação entre indivíduo e autoridade.
        Não por acaso, a primeira versão do drama, concebida em meio à perseguição nazista, passou por mais duas revisões. A primeira, entre 1944 e 1947, período em que o autor vivia nos Estados Unidos, foi marcada pelo impacto das bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki e pela crescente preocupação com as consequências da instrumentalização do conhecimento científico. Já a segunda, realizada em Berlim Oriental nos seus últimos anos de vida, deu origem à versão final da obra, que serve de base para a minha leitura.
        Hoje, as questões levantadas por Brecht, embora pertençam a outro contexto histórico, permanecem relevantes. Basta pensarmos, por exemplo, no atual debate sobre a necessidade de uma regulamentação mais rígida da inteligência artificial ou na maneira como a desinformação foi explorada politicamente no Brasil durante a pandemia de Covid-19, dificultando a resposta a uma crise sanitária que resultou em mais de 700 mil mortes.
        A esse respeito, vale a pena recuperar algumas das falas do Galileu de Brecht. Por exemplo, na cena em que o físico se irrita com a visita de um ex-aluno que contesta as teorias de Copérnico e o coloca para fora da sua casa: "Quem não sabe a verdade é estúpido, e só. Mas quem sabe e diz que é mentira é criminoso!".
        Outra fala importante ocorre quando o Pequeno Monge teme que novas descobertas científicas abalem as crenças que aparentam dar sentido à vida dos camponeses. Ele pergunta a Galileu se a verdade não seria capaz de se afirmar por conta própria, sem o auxílio de terceiros, ao que o cientista retruca: "Não, não, não. Só se afirma a verdade que nós afirmamos; a vitória da razão só pode ser a vitória dos homens racionais [...]. Como pode alguém pensar que o interesse [dos camponeses] possa ser contrariado pelo teorema da soma dos ângulos de um triângulo! Porém, se eles não se põem em movimento e não aprendem a pensar, mesmo o mais engenhoso sistema de irrigação não lhes adiantará de nada."
        O Galileu de Brecht, no entanto, é um personagem complexo e contraditório, no qual a ardente defesa da verdade convive com o apego aos sentidos e aos prazeres da vida. Por medo do sofrimento físico, o personagem renega publicamente as próprias ideias, mas continua trabalhando na surdina.
        Na peça, Galileu tem consciência de que a sua postura diante da Inquisição contribuiu para dificultar a difusão do saber científico na região ("Eu traí a minha profissão. Um homem que faz o que eu fiz não pode ser admitido nas fileiras da ciência").
        Tanto é assim que, na última cena, o seu discípulo de uma vida inteira, Andrea Sarti, parte para a Holanda e leva escondida debaixo do casaco uma cópia do novo manuscrito de Galileu. Antes da despedida, o mestre se queixa: "Se eu houvesse resistido! [...]. Durante alguns anos, a minha força era igual à da autoridade. Entretanto, entreguei o meu saber aos poderosos, para que eles usassem, abusassem, não usassem, conforme lhes conviesse."
        Em carta enviada a Brecht em 1939, Einstein elogiou o texto e destacou a riqueza com que o dramaturgo havia apreendido a personalidade de Galileu e a importância da sua figura para a história do pensamento.
        A peça, portanto, não é uma hagiografia do físico italiano —"Infeliz é a terra que precisa de heróis"— nem uma defesa ingênua da ciência. É, sobretudo, uma celebração do espírito crítico diante do poder e da autoridade, do exercício da razão e da reflexão sobre nossos próprios limites. Recomendo a leitura.  

 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

“Ameaças terroristas” nas eleições brasileiras - Paulo Roberto de Almeida

 Minha percepção sobre as “ameaças” de terrorismo nas eleições do Brasil de 2026. 

 1) Bananinha 03 e Paulo Figueiredo induziram os seus contatos no Departamento de Estado a empreender algum “anúncio” sobre essas “ameaças terroristas” no Brasil, mas Washington não podia agir sem alguma indução externa; 

2) Os verdadeiros terroristas bolsonaristas no Brasil a partir daí fizeram, sim, ameaças, às embaixadas dos EUA, da Austrâlia, do Reino Unido, talvez do Canadá, e algumas outras, alertando contra possíveis “atentados”, o que fortaleceu a demanda oficial às autoridades brasileiras para investigarem essas “ameaças”. 

3) Os trumpistas nos EUA tinham mesmo vontade de fazer algo a respeito das eleições, para favorecer o seu candidato sabujo e submisso, mas não queriam aparecer como alarmistas, assim ocorreu esse “feliz casamento” entre supostas ameaças, no Brasil e em Washington. 

 Não tenho nenhuma evidência concreta sobre o que afirmo, mas tenho experiência suficiente sobre essas trapaças políticas para afirmar o que expus acima.
O KGB-FSB, a CIA agiriam exatamente assim, para criar uma "false flag operation”.
Quem já leu a história real, ou até romances de espionagem, à la Graham Greene, ou John Le Carré, sabe como essas coisas se passam.
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Paulo Roberto de Almeida

Eleições no Brasil: uma lista de minhas postagens, antigas, mais recentes - Paulo Roberto de Almeida

Eleições no Brasil: uma lista de minhas postagens, antigas, mais recentes

 

Paulo Roberto de Almeida 

 

5238. “Relação de trabalhos referentes a eleições e campanhas eleitorais”, Brasília, 10 março 2026, 16 p. Relação de trabalhos pessoais sobre eleições e campanhas eleitorais, de 1978 a 2026. Postada na plataforma Academia.edu, com esta apresentação: Selected list of all papers, works, interviews, presentations by Paulo Roberto de Almeida about elections in Brazil, electoral presidential campaigns, especially covering all subjects dealing with foreign relations, external policy and Brazilian diplomacy (link: https://www.academia.edu/165013044/5238_Rela%C3%A7%C3%A3o_de_trabalhos_referentes_a_eleicoes_e_campanhas_eleitorais_2026_). Divulgada no blog Diplomatizzando (10/03/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/relacao-de-trabalhos-referentes.html).

5239. “Meus blogs em eleições presidenciais”, Brasília, 10 março 2026, 3 p. Uma primeira informação sobre meus blogs eleitorais, e decisão de realizar a abertura de um novo blog, para as eleições de 2026. Divulgado no blog Diplomatizzando (10/03/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/meus-blogs-em-eleicoes-presidenciais.html) e no novo blog (link: https://campanhaeleitorailbrasileira2026.blogspot.com/2026/03/meus-blogs-em-eleicoes-presidenciais.html) .

5259) “Eleições Presidenciais 2006”, Brasília, 29 março 2026, 203 p. Compilação de todas as postagens feitas no blog dedicado exclusivamente às eleições presidenciais de 2006, que foram concluídas com a reeleição de Lula. Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/165380634/5259_Blog_Eleicoes_Presidenciais_2006_2026_); informado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/blog-eleicoes-presidenciais-2006-2026.html).

5384. “Interferência do governo Trump nas eleições do Brasil”, Brasília, 2 julho 2026, 1 p. Respostas a questões da agência R7. Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/interferencia-do-governo-trump-nas.html).

5464. “A Política Externa e as Eleições Presidenciais no Brasil em 2010 e em 2026”, Brasília, 19 setembro 2026, 9 p. Recuperação do trabalho 2171/2010, quando fui convidado para um debate na UnB, e não pude comparecer, por estar fora do Brasil, e breves comentários, em 2026, sobre algo que não existe, ou seja, um verdadeiro debate sobre a política externa, a não ser invectivas sobre a “defesa da soberania” de um lado, e de outro a incitação a uma interferência externa pelo chamado “imperador hemisférico”. Postado o conjunto, inclusive mensagens paralelas trocadas com o organizador do debate em 2010, no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/a-politica-externa-e-as-eleicoes.html). 

5472. “Élections au Brésil: une approche indépendante sur la polarisation”, Brasília, 22 septembre 2016, 5 p. Synthèse des échanges au sujet d’un colloque à l’Académie des Sciences d’Outremer, 16/10/2026. Disponível no blog Diplomatizzando (link :https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/elections-au-bresil-une-approche.html).     

5477. “Eleições brasileiras: desaparecimento de partidos, de programas, de reguladores isentos”, Brasília, 1 outubro 2026, 3 p. Para comunicação a Paris  (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/eleicoes-de-2026-no-brasil.html); feito na versão francesa (https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/elections-de-2026-au-bresil-disparition.html); versão em inglês (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/the-2026-elections-in-brazil.html).

 

Vou continuar escrevendo sobre as eleições brasileiras, antigas e atuais.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 2 de outubro de 2026

Postado no Diplomatizzando, link:  

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/eleicoes-no-brasil-uma-lista-de-minhas.html

Eleições de 2026 no Brasil: desaparecimento de partidos, de programas, de reguladores isentos - Paulo Roberto de Almeida

  

Eleições de 2026 no Brasil: desaparecimento de partidos, de programas, de reguladores isentos

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

Nota sobre as eleições de 2026 no Brasil.

 

As eleições gerais brasileiras de 2026 possuem características únicas, negativas, que as distinguem de todas as precedentes desde a redemocratização dos anos 1980. Pela primeira vez neste ciclo político-eleitoral, os partidos estão singularmente ausentes. Com a exceção dos poucos partidos de esquerda – notadamente o PT e o PSB, como os mais conhecidos e influentes – todos os grandes partidos tradicionais, geralmente de centro e de direita, parecem ter desaparecido completamente da propaganda eleitoral dos candidatos aos diversos cargos executivos – presidência e governos dos 27 estados – e mesmo congressuais: deputados federais e estaduais, senadores da República. O Senado precisa renovar dois terços dos 81 cargos em disputa, sendo 2 senadores, do total de 3 por cada estado, ao passo que os deputados possuem uma proporcionalidade muito discutível entre estados mais populosos (limitados num teto máximo) e menos habitados (número mínimo de 8 representantes, o que representa uma enorme distorção no plano federal).

O aspecto mais surpreendente na relação candidatos-partidos é justamente o completo desaparecimento das siglas partidárias dos panfletos eleitorais e mesmo dos horários fixos de propaganda eleitoral gratuita nas rádios e TVs abertas. Os candidatos aos diversos cargos anunciam simplesmente suas candidaturas, informando sobre suas “qualidades” e propostas, mas terminam mencionando apenas os números registrados na Justiça Eleitoral, um órgão superburocrático que supostamente regula a equidade entre todos os partidos registrados regularmente no TSE. Os números contêm os dois dígitos de cada partido, mas tendo em vista a pletora de partidos registrados no TSE – provavelmente mais de quatro dezenas –, poucos eleitores saberão dizer a qual “cor ideológica” pertence o candidato, aliás outro aspecto eludido nessas propagandas. Parece que todos os candidatos pairam acima do bem e do mal, da esquerda ou da direita, sem grandes afiliações políticas, a não ser suas próprias “qualidades” individuais.

Todos os partidos, geralmente em coalizões de três ou mais partidos, tiveram a obrigação de registrar os programas de seus candidatos a presidente, em número de 13 coalizões ou partidos individuais, mas em nenhum momento tivemos debate entre os candidatos com base em seus programas respectivos. A característica principal das eleições de 2026 é a crítica recíproca entre os candidatos por questiúnculas menores, geralmente a respeito de acusações de corrupção ou de fraudes em torno de verbas públicas. Se existe algo que equalizou praticamente todos os candidatos, para os diversos cargos executivos e legislativos, se trata da hipocrisia largamente disseminada, por todos eles e suas respectivas agremiações, a respeito dos enormes montantes de recursos públicos que são atribuídos aos partidos – controlados pelos seus caciques – e diretamente aos parlamentares, por meio dos diferentes mecanismos de canalização de dinheiro à casta política.

O Fundo Partidário existe desde praticamente a Constituição de 1988, numa forma muito liberal, com direito a recursos públicos e propaganda “gratuita” nos meios de comunicação. A disposição a esse respeito na redação original do Artigo 17 – “§ 3º Os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei” – foi, em 2017, restrita a um volume mínimo de votos em eleições gerais e bancada de pelo menos 15 eleitos. Uma nova prebenda lhes foi assegurada depois que o STF, em 2017, proibiu o financiamento a partir de empresas, o que resultou na criação de um Fundo Eleitoral, com recursos públicos, nas seguintes proporções: 2% do total é distribuído a todos os partidos; 35% aos partidos com pelo menos UM deputado; 48% entre os partidos na proporção do seu número de deputados e 15% segundo o número de senadores. Em 2026, esse Fundo Partidário alcança mais de R$ 1,4 bilhão.

Mas, é importante registrar que ano após ano, eleição após eleições, ambos os fundos vêm crescendo em montantes exponenciais. De menos de 1 bilhão de reais alguns anos atrás, o Fundo Eleitoral chegou atualmente a perto de 5 bilhões, o que representa 3 vezes a dotação total atribuída ao fomento de programas de ciência e tecnologia, por meio do CNPq ($ 1,7). Junto com as emendas partidárias – que alcançaram até recentemente mais de $ 50 bilhões –, compreende-se que as atividades mesquinhamente partidárias passaram a atrair toda uma casta de oportunistas de todas as cores ideológicas e opiniões políticas, inclusive um número crescente de criminosos comuns, sobretudo os “membros” de organizações criminosas.

Das organizações criminosas penetrando à política passamos diretamente a uma entidade pervasiva que se converteu em personagem central nestas eleições: a corrupção política, convivendo tranquilamente, desde sempre, com a corrupção normal, tradicional nos ambientes de negócios no Brasil, e que se agigantou de maneira exponencial desde algum tempo nos meios políticos e, excepcionalmente, nos meios judiciários, desde as cortes de primeira instância até os escalões mais elevados da mais alta magistratura, em suas três cortes: o STJ, o TSE e sobretudo o STF, este considerado, até há pouco, o guardião da estabilidade institucional e do Direito nas contendas da sociedade civil e política.

Normalmente, a corrupção disseminada no Brasil, misturada ou não aos meios políticos, sempre foi “democrática”, se estendendo de um extremo ao outro do leque político-partidário, ou seja, ela era horizontalmente comum a todos as ideologias e preferências políticas. Desde 2025, quando foi revelada a extensão também “democrática” da maior fraude bancária da história do Brasil, foi constatado que a corrupção se estendeu verticalmente às mais diversas instituições da República, sobretudo no âmbito do Legislativo – o que seria quase esperado como absolutamente “normal” – e, aqui a novidade, alcançando o âmago da mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal.

Nunca antes na história do Brasil um fraudador deliberado dos “negócios” financeiros havia conseguido promiscuir tantos políticos – legisladores, caciques partidários, até os presidentes das duas Casas do Congresso –, ao mesmo tempo em que seduzia igualmente juízes togados das diversas cortes, até chegar nos seus mais altos membros, representantes da constitucionalidade brasileira. Ou seja, a corrupção alcançou todo o leque da horizontalidade e, também, todos os escalões da verticalidade, políticos das mais diversas orientações e vários mestres do Direito “teórico” e, sobretudo, os aplicadores do direito “prático”.

Pela primeira vez nos anais da Justiça, ou que nome tenha o Judiciário no Brasil real, instalou-se uma “guerra civil” entre autocratas togados, desferindo liminares monocráticas, desmentindo colegas da própria corte, ou parceiros de uma outra corte, nominalmente o TSE. A “guerra civil” se misturou, por razões absolutamente impertinentes, a uma outra guerra, de natureza aparentemente “religiosa”, mas no fundo política, entre os católicos, a religião da maioria dos brasileiros até pouco tempo atrás, e os “evangélicos”, a tendência ascendente em diversos meios sociais, sobretudo populares, que também representam uma vertente especial de negócios “pastorais”, com motivações diretamente lucrativas (dada a isenção tributária cada vez mais ampla que vem associada ao trabalho pastoral de divulgadores vulgares de uma Bíblia instrumentalizada justamente para essas finalidades mais prosaicas).

Resumindo o “não-estado” da questão, o eleitorado brasileiro se defronta, já no primeiro turno das eleições (mas definitivo para os cargos legislativos), com um quadro de “suprema instabilidade” e de imprevisibilidade eleitoral. Não ocorreu sequer um debate programático entre os principais candidatos nacionais à presidência, apenas e tão somente uma série de acusações recíprocas, algumas até escabrosas, colocando num lodo comum tecnocratas e políticos dos três poderes, para o espanto geral dos brasileiros.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5477: 1 outubro 2026, 3 p.

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