sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Desafios e Oportunidades Globais de Governos Subnacionais - Aula Magna por Paulo Roberto de Almeida

  

Desafios e Oportunidades Globais de Governos Subnacionais

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor. 

Aula Magna Inaugural para o Curso de Capacitação e Atualização em Atuação Internacional de Estados, Municípios e Províncias da CPLP+Macau

 

Um antigo ministro do governo parlamentarista do Brasil, sob o presidente João Goulart, depois senador, governador do estado de São Paulo, novamente senador e um grande lutador pela democracia no Brasil, ainda sob a ditadura militar, costumava dizer o seguinte: “Ninguém vive no país, ninguém vive no estado, todos vivem num município”. Essa é a realidade, todos vivemos no micro, nenhum de nós vive no macro. É no micro que temos casa, trabalho, transportes, cuidados médicos, segurança, vizinhança, amizades e convívio com semelhantes.

O macro é o domínio dos Estados soberanos, no âmbito da Política Externa, com representação na ONU, no plano multilateral, e troca de representantes diplomáticos, no plano bilateral. Essas são as relações mais ou menos permanentes que os Estados mantêm na área das suas relações exteriores e da política internacional. Este é, ou foi, o cenário das relações entre Estados no âmbito do multilateralismo dos últimos 80 anos, a era da ONU, e já tinha sido o cenário habitual das relações bilaterais e plurilaterais entre os Estados desde a consolidação de normas diplomáticas costumeiras, ou seja, desde mais ou menos o Congresso de Viena, e no plano formal, institucional, desde o estabelecimento universal das duas convenções de Viena, sobre relações diplomáticas e consulares, do início dos anos 1960.

Três décadas depois, o socialismo realmente existente, isto é, a União Soviética e seus países tutelados ou aliados, fez tilt e depois morreu, acabando a era da primeira Guerra Fria, que foi mais ou menos coincidente com a explosão da globalização, em sua terceira onda. As duas primeiras tinham sido na era dos Descobrimentos, com Colombo e Fernão de Magalhães, seguida dos exclusivos coloniais, para despontar novamente na belle époque, com as grandes migrações e o surgimento de uma economia verdadeiramente mundial com a segunda revolução industrial. Essa segunda onda tinha sido interrompida pelo surgimento do socialismo (e do fascismo), ou seja, a estatização das economias e o protecionismo explícito dos Estados.

A terceira onda da globalização propiciou, ademais da elevação dos padrões de vida na periferia, ou seja, nos países antigamente dependentes, uma nova interdependência que antes não existia, dada a competição entre dois sistemas concorrentes de organização social e política, as democracias de mercado, de um lado, os países socialistas de outro, com países mais ou menos dependentes de um ou outro sistema na periferia. Pode-se dizer que a partir do final dos anos 1980 e início dos 1990, a globalização venceu o debate, tendo sido anunciado inclusive um suposto “fim da História” pelo cientista político Francis Fukuyama, mas numa análise puramente idealista. O fato é que as comunicações passaram a fluir mais ou menos livremente, com a notável exceção da China, que conseguiu a proeza de criar uma economia predominantemente de mercado, dominada por um partido leninista, mas este animado por burocratas de alta capacidade técnica, algo como mandarins de um Estado quase weberiano.

Na China, com um grau mais elevado de centralização estatal, mas com uma grande capilaridade nas muitas províncias e regiões interiores, tanto quanto nas democracias ocidentais, a ação do Estado se fazia com grande autonomia por parte das províncias ou municipalidades integradas ao Estado nacional. É a partir dessa repartição de competências que se pode começar a analisar o nosso tema: a projeção externa dos governos subnacionais, o que se observou muito mais nas economias de livres mercados do que sob o socialismo (enquanto esse existiu), ou ainda nos tempos atuais na China, onde o partido se sobrepõe ao Estado, na verdade, ele é o Estado.

Mas, em qualquer sistema concebível, as principais tarefas que concernem o dia a dia das pessoas, dos residentes locais, são resolvidas localmente: fornecimento de água, saneamento básico, transportes, escolas elementares, serviços iniciais de saúde e, sobretudo, segurança dos cidadãos. Todas essas questões essenciais para uma boa qualidade de vida são organizadas e administradas localmente, ainda que com diretrizes e financiamento do governo provincial ou central. Governos subnacionais podem ser eleitos livremente – como nos EUA e na maior parte das democracias ocidentais – ou designados pelo centro, nos países autoritários ou centralizados.

O principal gargalo desse tipo de descentralização reside nas receitas geradas localmente ou recebidas a partir do centro. Geralmente, uma localidade autônoma deve ter capacidade de gerar recursos para os serviços essenciais, necessitando aportes nacionais ou provinciais apenas para obras de infraestrutura – grandes gastos, amortizados sobre anos – ou determinados serviços especializados de saúde e de educação (técnico médio, superior, pós-graduação). Podem existir impedimentos estruturais, ou constitucionais, a esse tipo de autonomia, quando pequenas localidade ou mesmo províncias ou estados não conseguem obter o seu quinhão das receitas públicas, por um tipo de estrutura fiscal que privilegia o centro, ou ainda, localidades que ganham autonomia sem terem capacidade financeira para se manterem com base em seus próprios recursos. É o caso, por exemplo, do Brasil, no qual se concedeu larga autonomia a municípios, por indução política, sem que eles dispusessem de recursos suficientes para se manterem autonomamente, até mesmo em educação básica.

Mas podem existir circunstâncias especiais que demandam assistência do Estado central, como no caso de catástrofes naturais, terremotos, secas, inundações etc. Falta de empreendedores também pode resultar em carência de empregos remunerados, o que causa emigração e fuga de talentos, quando existem. A dinâmica econômica também é espacialmente localizada de modo errático, com localidades dotadas de bons recursos naturais e outras desprovidas de quaisquer infraestruturas básicas, dados os constrangimentos do meio.

 

Não obstante a sobrecapacidade dos Estados atuais – o que pode ser medido pelo aumento da carga fiscal em praticamente todas as economias, pela ampliação dos encargos estatais e a evolução demográfica em praticamente todos os países –, o fato é que existe uma tendência quase natural para o aumento da independência dos entes subnacionais, que passam então a administrar de modo relativamente autônomo suas relações “externas”. Tendo trabalhado e vivido alguns anos na antiga Iugoslávia – um mosaico de regiões, nacionalidades, religiões e tradições históricas, austríacas, otomanas, sérvias, croatas, macedônicos etc. – observei essa autonomia funcionando de maneira mais ou menos independentemente do centro: a economia nacional iugoslava justamente não era propriamente nacional, mas federada, pois que cada região procurava ter seus próprios serviços básicos, e até representação no exterior de forma autônoma.

O relacionamento subnacional exterior começou na Europa nos anos 1950-60, onde, depois do extremo nacionalismo dos anos anteriores, até o entre guerras, começaram a ser assinados acordos de “cidades-gêmeas”, abrindo espaço para cooperação nos terrenos culturais, esportivos e até de cooperação técnica e empresarial. Em princípio, essas associações passam pelos parlamentos e são autorizadas pelos governos centrais, mas os entes subnacionais passam a deter autonomia numa série de áreas antes definidas exclusivamente em âmbito nacional. Esse tipo de cooperação “internacional” em determinadas áreas até pode caminhar de maneira mais rápida do que se tivesse de ser feito pelo alto, ou seja, pelos governos nacionais.

Existem muitos exemplos de atividades “exteriores” que se multiplicaram nos anos de paz mundial depois da Segunda Guerra Mundial, inclusive porque no século XIX enormes massas de emigrantes se deslocaram para novas terras – nas colônias, por exemplo – ou para nações abertas ao acolhimento de trabalhadores, como Estados Unidos, Austrália, Argentina, Brasil e muitos outros países. Na Ásia, a diáspora chinesa se estendeu durante séculos por todo o sudeste asiático, seja voluntariamente, seja ao cabo de conflitos internos. O comércio internacional também se tornou multilateral no decurso da segunda metade do século XX, o que contribuiu enormemente para a internacionalização de entes subnacionais.

A globalização pode ser vista pelo seu lado macro, aquela que se desenvolve mediante regras e acordos negociados por Estados soberanos, administrada por organismos internacionais, ou pelo seu lado micro, aquela que é conduzida por empresas e indivíduos que se utilizam de todos os meios de comunicação disponíveis para acederem a mercados estrangeiros de modo livre ou quase livre. A globalização micro é, na verdade, a real globalização, ao passo que aquela macro pode até ser uma espécie de “antiglobalização”, ao depender do protecionismo de grupos e lobbies nacionais que não conseguem enfrentar o livre comércio.

Se olharmos o mundo como ele é, veremos que os países e regiões mais prósperas são, também aqueles mais abertos ao livre comércio e a todos os tipos de intercâmbios. Existe uma correlação quase automática entre nível de renda per capita e coeficiente de abertura externa, e muito da prosperidade é criada em caráter micro, não necessariamente macro. No passado, as maiores empresas – como as companhias coloniais de comércio – detinham cartas patentes garantindo uma espécie de monopólio sobre determinadas atividades. Atualmente, mesmo um pequeno empresário, em regiões interioranas, consegue se conectar aos mercados externos e oferecer seus produtos. Nos tempos de comunicações abundantes isso se faz naturalmente.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5445, 4 setembro 2026, 4 p.

Disponível no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/desafios-e-oportunidades-globais-de.html )

Le Brésil au premier quart du 21ème siècle : héritages et défis - Paulo Roberto de Almeida (Académie des Sciences d’Outre-Mer)

  

Le Brésil au premier quart du 21ème siècle : héritages et défis

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomate, professeur

Note sur les élections au Brésil entre le premier et le second tour, pour présentation et débat ; Académie des Sciences d’Outre-Mer, Paris, le 16 octobre, 15-17hs (10-12hs au Brésil).

  

Présentation de l’intervenant :

Paulo Roberto de Almeida est titulaire d'un doctorat en sciences sociales de l'Université de Bruxelles (1984) et d'une maîtrise en planification économique de l'Université d'Anvers (1977). Diplomate de carrière depuis 1977, il a été professeur à l'Institut Rio Branco et à l'Université de Brasília, et directeur de l'Institut de recherche en relations internationales (IPRI) de la Fondation Alexandre de Gusmão (Funag-Itamaraty) de 2016 à 2019. De 2004 à 2022, il a enseigné l'économie politique dans les programmes de troisième cycle en droit du Centre universitaire de Brasília (Uniceub). Il a publié plusieurs ouvrages sur les relations économiques internationales, la politique étrangère brésilienne et l'histoire diplomatique.

  

Synthèse de l’exposition :

Arrivé à la dixième élection présidentielle depuis la démocratisation, en 1985, le Brésil est désormais confronté à un changement fondamental dans la structure politique nationale et dans les relations entre les pouvoirs. Ayant vécu sous l’emprise d’un État centralisateur, commandé par un Exécutif très puissant, depuis l’entre guerres jusqu’à la deuxième décennie de ce siècle, tout en étant partagé entre sociaux-démocrates (FHC) et petistes (PT) dans les trois dernières décennies, le système politique vit aujourd’hui sous l’emprise du pouvoir du Congrès sur l’Exécutif, ou plutôt, dominé informellement par les caciques de principaux partis, qui sont centristes ou de droite. Les principaux partis n’ont plus besoin de négocier des montants accrus des ressources publiques, puisqu’ils ont progressivement accaparé les dotations légales qui leur sont attribués – dont deux fonds, des partis et électoral, toujours croissants – ainsi que des montants relativement importants au titre des différentes sortes des « amendements » obligatoires au budget annuel, jusqu’au point qu’ils ne se sentent plus obligés d’appuyer ou de soutenir un candidat aux élections présidentielles : n’importe qui sera élu, les parlementaires se dotent des ressources pour se soutenir indéfiniment.

La société, de son côté, est profondément déçue par l’insécurité quotidienne, la lenteur de l’accroissement des revenus, la corruption politique et le déjà-vu des candidats, dont les discours et les promesses ne rassemblent plus des grandes masses. Il y a un épuisement de l’espoir de véritables changements, comme il y eu dans la fin des années 1950 – coupe du monde, construction de Brasília, des avancées dans l’industrialisation – ou au début de la démocratisation, dans les années 1980 : nouvelle Constitution progressiste, floraison de partis, multiplication des organisations civiles.

 

Développement du débat (provisoire) : 

Le Brésil au premier quart du 21ème siècle : héritages et défis

Le XXIe siècle a débuté par une triple crise au Brésil : en 2000, la crise du modèle argentin de convertibilité a éclaté, le gouvernement Menem menaçant de dollariser immédiatement l'économie, ce qui aurait compromis la poursuite du projet Mercosur ; en 2001, le Brésil a subi des coupures d'électricité, dues à la sécheresse et à des réductions drastiques de l'approvisionnement en électricité, compte tenu de la forte composante hydroélectrique de son énergie ; en 2002, la victoire du PT aux élections a fait planer la menace d'un changement radical de politique économique : chute des titres de dette brésiliens à l'étranger, forte dévaluation du real et flambée de l'inflation. Dans une lettre datée de juin, le candidat Lula s'est engagé à maintenir la politique économique en cours, héritage du plan de stabilisation macroéconomique de 1994 mis en œuvre par Fernando Henrique Cardoso, la maîtrise des fluctuations du taux de change et la rigueur budgétaire de 1999.

Son premier mandat (2003-2006) a été marqué par une grande prudence en matière de politique économique, avec le lancement de plusieurs programmes sociaux, profitant de la hausse des prix des matières premières et de l'essor des exportations vers la Chine (devenue le premier partenaire commercial du Brésil en 2009, devant les États-Unis et l'Union européenne). Lula a été réélu en 2006. Son second mandat, en revanche, a suivi le modèle de politique économique du PT, avec une forte augmentation des dépenses publiques et un moindre respect des principes de rigueur budgétaire. Néanmoins, le gouvernement a accéléré les dépenses et, profitant du prétexte de la crise financière de 2008-2009, a encore renforcé les programmes de redistribution : en 2010, stimulant la demande, Lula est parvenu à faire élire son successeur et à atteindre une croissance du PIB de 7,5 %, quasiment au niveau chinois, contre une moyenne inférieure à 4 % les années précédentes.

À partir de 2011, au lieu de la forte croissance promise par l'expansion continue du crédit, les investissements et la croissance ont commencé à chuter, et l'inflation a augmenté. Malgré cela, Dilma Rousseff est parvenue à être réélue in extremis en 2014, grâce aux mêmes mesures expansionnistes qui ont plongé le Brésil dans la plus grave crise de son histoire, en 2014-2015, plus grave encore que celle de 1929-1931, ce qui a contribué à sa destitution par le Congrès en 2016, sous l'accusation de violation des lois budgétaires.

Le vice-président Michel Temer a gouverné pendant deux ans et demi (2016-2018) et a impulsé plusieurs réformes, tout en maîtrisant les dépenses publiques. Cependant, depuis 2013, les manifestations contre le PT ont donné naissance à plusieurs mouvements d'extrême droite, qui ont culminé avec la victoire d'un officier militaire lié au régime dictatorial des Forces armées (1964-1985). Jair Bolsonaro a instauré une mini-révolution dans tous les domaines de l'administration publique, faisant fi des droits humains, des acquis sociaux, de la protection de l'environnement et du respect des peuples autochtones. Il s'est également attaqué violemment aux universités et à la science (déni de la vaccination pendant la pandémie), contribuant ainsi à un nombre disproportionné de victimes de la Covid-19 au Brésil par rapport à la population mondiale. Dès le début, il a contesté les élections et la légitimité du vote électronique, préparant un coup d'État après sa défaite en octobre 2022. Il projetait alors d'assassiner le président élu, Lula, son vice-président et un ministre de la Cour suprême qui présidait également le tribunal électoral cette année-là.

Le troisième mandat de Lula (2023-2026) s'est déroulé dans un contexte – national, régional et international – très différent de celui des dix premières années du siècle, période où la hausse des prix des matières premières exportées offrait une marge de manœuvre considérable pour les dépenses publiques, où l'Amérique latine comptait encore plusieurs gouvernements progressistes et où la détérioration des relations internationales n'avait pas encore commencé. Cette détérioration a été marquée par l'invasion et l'annexion illégales de la Crimée en 2014, par le premier mandat de Trump (2017-2020) et le début de son offensive protectionniste et tarifaire, ainsi que par le renforcement de l'« axe anti-occidental » (Russie-Chine-Iran), qui englobe une bonne partie des BRICS+, dont le Brésil est membre fondateur (mais membre du BRIC).

Lula n'est pas parvenu à reconstruire l'Unasur – la coalition sud-américaine vaguement anti-américaine, alliée à la faction bolivarienne – et n'a pas réaffirmé son soutien indéfectible à la transition énergétique et au nouvel écologisme. Il a même commencé à promouvoir l'exploration pétrolière dans des zones sensibles et a consolidé une position internationale favorable à la proposition russo-chinoise d'un « nouvel ordre mondial multipolaire », alors que le Brésil était engagé dans son processus d'adhésion à l'OCDE entre 2016 et 2023. Les élections de 2026 restent marquées par la même polarisation qu'en 2022 (partisans du PT contre partisans de Bolsonaro), mais l'émergence de nouveaux mouvements politiques conservateurs et une certaine détérioration de la conjoncture économique – avec une augmentation de 10 points de pourcentage de la dette publique ces quatre dernières années – pourraient modifier l'issue du second tour, le 25 octobre (en fonction des résultats du premier tour).

Le Brésil pourrait être à l'aube d'un important bouleversement politique, la population étant visiblement lasse après deux décennies de gouvernement du Parti des travailleurs (PT) de Lula, dépourvu d'idées novatrices et toujours dépendant de la redistribution du crédit et de l'augmentation des prestations sociales. La situation devrait se préciser en septembre, mois de campagnes électorales intenses, non seulement au niveau présidentiel, mais aussi dans les États et au Congrès, désormais doté de pouvoirs considérables.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5442 : 31 août 2026, 4 p.

==============

Addition le 4 septembre 2026 :

On est à un mois du premier tour de la dixième élection présidentielle depuis la démocratisation de 1985. Le 16 octobre, il y aura une visioconférence de l’Académie des Sciences d’Outremer sur les élections au Brésil, à laquelle je participerai.

 

Je me permets d’enregistrer ici les résultats des scrutins précédents :

1)    1989 (Fernando Collor élu; impeached en 1992; vice-président Itamar Franco)

2)    1994 (Fernando Henrique Cardoso élu au premier tour, par le Plan Real)

3)    1998 (Fernando Henrique Cardoso reélu au premier tour, une nouveauté)

4)    2002 (Luiz Inácio Lula da Silva élu, après être vaincu les trois premières)

5)    2006 (Luiz Inácio Lula da Silva reélu au second tour)

6)    2010 (Dilma Rousseff élue, pour le troisième mandat du PT)

7)    2014 (Dilma Rousseff, au second tour; impeached en 2016; vice Michel Temer)

8)    2018 (Jair Bolsonaro élu, pour la première fois un representant de l’extrême-droite)

9)    2022 (Luiz Inácio Lula da Silva élu, avec une courte avance, au deuxième tour) 

1        2026 (en cours; Lula se présente pour la quatrième fois, incertitude sur le résultat)

 

Comme information aux divers participants de la séance, il faut enregistrer dès maintenant que ces élections de 2026 seront tenues dans des circonstances exceptionnelles, jamais vues auparavant depuis la démocratisation de 1985, sauf peut-être aux élections de 1962, avant le coup d’État, quand il eut une intervention explicite des États-Unis aux élections pour les gouvernements des états, dans le cadre de la Guerre Froide, la révolution cubaine, la crise du régime parlementaire introduit artificiellement un an auparavant, etc. 

Le Brésil vit une crise politique exceptionnelle, simultanément aux trois pouvoirs, due notamment à la corruption disséminée, d’une part larvée, càd, “normale”, fréquente dans les milieux politiques, d’autre part opportuniste, due au scandale de la Banque Master, la plus grosse fraude jamais vie au Brésil, qui a touché des personnages de tous les pouvoirs et institutions, y compris au Supérieur Tribunal Fédéral. Tout cela dans le cadre d’une polarisation aussi exceptionnelle, entre droite et gauche, cette fois-ci représentée par les « petistes » (du PT) d’un côté, par les « bolsonaristes » de l’autre, qui peut condenser les votes des extrémistes de droite, des conservateurs, des opposants aux vingt ans de « régime lulopetiste ». Mais il peut aussi avoir une très grande abstention aux urnes électroniques, dans l’absence d’une troisième voie qui pourrait attirer des votants, malgré la totale absence d’un programme de gouvernement en bonne et due forme.

La campagne est entrée maintenant dans sa phase décisive, avec la tenue de la propagande dans les horaires convenus à la radio et TV (c’est la loi électorale qui le détermine), mais aussi cette fois avec un recours exponentiel aux moyens digitaux, y compris l’usage de l'Intelligence Artificielle pour la composition souvent mensongère des attributs propres et des défauts attribués aux adversaires. 

On n’a jamais vu tout cela, y compris une obscurité complète sur le résultat final, qui pourra être contesté par les deux parties au second tour, demande pour un nouvel contage des votes et querelles introduites auprès du Tribunal Supérieur Électoral. 

C’est la dixième élection présidentielle, et la première avec des tournures exceptionnelles. Comme on dit au Brésil, qui vivra verra !

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5443 : 4 septembre 2026, 5 p.

 

Uma lista com os 20 jornais mais importantes no mundo - ADL

 Uma lista com os 20 jornais mais importantes no mundo. Para fins de "importância", considere um conjunto de características do respectivo jornal, a saber: "tempo de existência + número total de leitores + qualidade dos textos + reputação dos jornalistas + credibilidade no mercado + demais características relevantes a um jornal de prestígio". 


Para compor esta lista com os 20 jornais mais importantes do mundo, foram consolidados critérios rigorosos que medem o verdadeiro prestígio na imprensa profissional global: o tempo de existência, o tamanho e engajamento da base de leitores (digital e impressa), a qualidade e rigor da redação, o histórico de prêmios (como o Pulitzer), além da sua capacidade de pautar a agenda política e econômica internacional.
Os veículos foram agrupados por região geopolítica e relevância de mercado, mantendo uma estrutura de leitura rápida.
🇺🇸 Estados Unidos (Os Gigantes Globais de Referência):
  • The New York Times: Considerado o "jornal de registro" dos EUA, possui mais de 10 milhões de assinantes digitais e detém o recorde de Prêmios Pulitzer, ditando o ritmo do debate político e cultural do Ocidente.
  • The Wall Street Journal: A maior referência mundial em jornalismo de negócios e finanças, célebre pela precisão de seus furos corporativos e rigor editorial econômico.
  • The Washington Post: Famoso por sua cobertura investigativa de política interna americana (como o caso Watergate), combina credibilidade histórica com uma das redações mais influentes de Washington.
  • Los Angeles Times: O principal jornal da Costa Oeste dos EUA, de relevância massiva na cobertura de direitos civis, meio ambiente e na indústria do entretenimento global.
🇬🇧 Reino Unido (A Tradição e Influência Europeia):
  • The Financial Times: Sediado em Londres, é a "bíblia" do capitalismo global. Sua análise econômica e geopolítica em tons de rosa-salmão é leitura obrigatória para chefes de Estado e investidores do mundo inteiro.
  • The Guardian: Reconhecido por sua forte independência editorial (financiado por um fundo privado e apoio dos leitores), lidera investigações de impacto global, como os vazamentos de Edward Snowden.
  • The Times: Fundado em 1785, é um dos jornais mais antigos do mundo em circulação contínua, moldando o estilo de escrita jornalística moderno e servindo de referência conservadora britânica.
🇪🇺 Europa Continental (Prestígio e Análise Crítica):
  • Le Monde (França): O diário mais respeitado do mundo francófono, conhecido por seus editoriais intelectuais profundos, ensaios políticos densos e independência partidária.
  • El País (Espanha): O maior jornal em língua espanhola do planeta, com forte influência e correspondência na América Latina e prestígio internacional pelo seu rigor democrático.
  • Die Zeit (Alemanha): Embora seja um semanário, este jornal de Hamburgo é um colosso intelectual, famoso pelos textos mais longos, analíticos e de altíssima qualidade literária da Europa Central.
  • Corriere della Sera (Itália): O jornal milanês é o mais vendido e tradicional da Itália, com uma reputação histórica intocável na cobertura da política europeia e do Vaticano.
  • Neue Zürcher Zeitung - NZZ (Suíça): Conhecido mundialmente por sua cobertura internacional extremamente detalhada e objetiva, mantendo um tom analítico característico da neutralidade suíça.
🌏 Ásia e Oriente Médio (Grande Escala e Geopolítica):
  • Asahi Shimbun (Japão): Um dos maiores jornais do mundo em número absoluto de leitores (circulação física milionária), conhecido por sua cobertura séria, intelectualizada e de tendência pacifista.
  • Yomiuri Shimbun (Japão): Detém o título de jornal de maior circulação impressa do planeta, sendo uma força editorial massiva que molda a opinião pública asiática.
  • South China Morning Post (Hong Kong): O jornal em língua inglesa mais importante da região asiática, servindo como uma janela crucial de análise sobre a economia e os bastidores políticos da China continental.
  • The Straits Times (Singapura): A voz jornalística de maior autoridade no Sudeste Asiático, altamente respeitado no mercado financeiro e de comércio internacional pela precisão de seus dados.
  • Al-Ahram (Egito): Fundado em 1875, é o jornal em língua árabe mais influente e prestigioso do mundo, sendo o principal registro histórico e político do Oriente Médio moderno.
🌎 América Latina, África e Oceania (Lideranças Regionais):
  • O Estado de S. Paulo / Folha de S.Paulo (Brasil): Empate técnico regional. Ambos representam a espinha dorsal do jornalismo profissional na maior economia da América Latina, reconhecidos internacionalmente pela defesa das instituições democráticas e investigações complexas.
  • La Nación (Argentina): Centenário e tradicional, é reconhecido internacionalmente pela alta qualidade literária de suas seções culturais e profundidade na análise econômica sul-americana.
  • The Sydney Morning Herald (Austrália): Fundado em 1831, é o jornal mais antigo do hemisfério sul em circulação contínua, sendo a maior autoridade jornalística da Oceania.
🎯 Conclusão do Analista:
O mercado de mídia de prestígio internacional passou por uma forte filtragem na última década. Jornais que investiram em muros de pagamento (paywalls) rígidos e mantiveram grandes orçamentos para jornalismo investigativo de campo (como The New York Times e The Financial Times) conseguiram distanciar sua credibilidade da crise de desinformação das redes sociais, concentrando o maior índice de confiança do mercado institucional e financeiro global. 

*Link/Endereço (Gemini AI): 

Autobiografia de um fora-da-lei, 9: das oligarquias que me serviram - Paulo Roberto de Almeida

 Autobiografia de um fora-da-lei, 9: das oligarquias que me serviram

Por Paulo Roberto de Almeida

Revista Será?, ano xiv, n. 723, set 4, 2026 | Artigos


As oligarquias, sempre a meu serviço; alguma novidade nisso?


De todas as oligarquias que me serviram de auxílio, na ingente missão de comandar uma nação que, ela mesma, vive frequentemente à margem da lei, senão atuando contra a lei, as oligarquias militares foram as que mais causaram prejuízo à formação de um espírito democrático que efetivamente eu favoreço para este meu Estado, embora muitas opiniões acreditem – entre elas a deste que justamente me serve de escriba – que eu sou um aderente convencido de um regime forte, de corte autoritário ou arbitrário. Longe disso; a despeito de ter escolhido intitular esta série de “autobiografia de um fora-da-lei”, isso se deve ao fato de que, na maior parte dos dois séculos nos quais me tenho por independente, foram poucos, muito poucos, os períodos nos quais meus cidadãos foram efetivamente governados por leis, e não pelos homens que se apossaram, por largos espaços de tempo, deste meu Estado.


Mas os militares não foram os mais importantes, ou os principais contorcionistas legais que ousaram ditar ordens aos cidadãos destas terras (estou, portanto, deixando de lado, os três séculos precedentes durante os quais eles foram apenas súditos de um Estado estrangeiro, no qual, aliás, deito minhas raízes). Antes deles, depois deles, sempre presentes, estiveram as várias oligarquias civis, as elites econômicas que sempre mandaram por estas bandas, independentemente dos uniformes ou distintivos que usavam. Deixo de lado os donatários, os sesmeiros, os funcionários do poder colonizador que receberam d’El Rei imensas terras nas costas do que era apenas uma nesga territorial negociada antes mesmo do meu nascimento, em Tordesilhas. Nada diferente do que ocorria em outras paragens naquela mesma época. Valia, no início, apenas aquele pequeno pedaço, depois alargado pelo tirocínio de um dos meus primeiros diplomatas nativos, embora a serviço do rei lusitano; depois passei a tomar conta dos meus próprios assuntos, duzentos e poucos anos atrás. E assim foram todos os anos e décadas de um Estado bem ou mal administrado, com velhas e novas oligarquias.


A despeito dos projetos de construção de um Estado soberano, dotado de escolas, universidades e outras coisas dignas dos recém-cidadãos, oferecidos por espíritos atilados como Hipólito, Bonifácio e Silva Lisboa, as oligarquias latifundiárias e escravocratas logo tomaram conta do meu Estado, com instituições que lhes convinham inteiramente: por certo a manutenção do horrendo regime servil de trabalho, para o qual tinham de importar mais e mais levas de infelizes capturados em terras africanas; depois o controle das forças de guarda e repressão, logo empregadas nas rebeliões provinciais; mais adiante na imposição de regras – como a infame Lei de Terras, uma antirreforma agrária – que justamente vetavam, todos esses grilhões, a emergência de uma classe média proprietária, que deveria ser o esteio básico de um Estado que teria como fundamento a igualdade de todos perante a lei, não o arbítrio sempre presente dos mais iguais, os donos do poder, como depois intitulou a sua dissertação doutoral um desses ilustres críticos dos regimes impostos aos súditos e aos novos cidadãos.


Os primeiros sustentáculos das oligarquias que conseguiam controlar o meu Estado foram os antigos sesmeiros, aqueles que se apossaram de novas e imensas terras que lhes foram facilitadas pela Lei de 1850, e que passaram a servir como “coronéis” da Guarda Nacional, depois que o chamado Regresso reacionário conseguiu moldar um arremedo de regime parlamentar; neste, liberais e conservadores não se distinguiam em nada, a não ser no título de fachada dos partidos dentro dos quais se acomodavam as oligarquias justamente. Mas foi a partir daí, e da “maldita guerra” da Tríplice Aliança contra o infeliz Paraguai, que uma outra oligarquia se formou e se desenvolveu irresistivelmente, a dos militares, justo essa, que me angustiaria por mais de cem anos a partir dali. Eles começaram por um golpe, como um outro aliás, mais adiante, totalmente improvisado, sem direção competente; o primeiro foi feito mediante um pretexto qualquer e terminou numa mudança de regime, não planejada, com gente despreparada, como pode acontecer nessas corporações mal administradas.


As oligarquias dos barões do café no Sudeste e as que restavam da aristocracia do açúcar nos engenhos do Nordeste continuaram a mandar no meu Estado durante largos anos, à base de eleições fraudadas e de candidatos escolhidos a dedo; foi assim até que os paulistas se julgaram espertos demais para tentar o continuísmo, num governo cuja administração e os proveitos associados a ela deveriam ser divididos com outras oligarquias, a dos mineiros e a dos gaúchos, por exemplo. Estes últimos, mais experientes nas refregas lindeiras e nas guerras civis que eles mesmo acirravam entre si, com toques de crueldade entre maragatos e chimangos, decidiram não permitir que a paulistada continuasse mandando no país, e até se aliaram para forçá-los a sair. A oportunidade veio com o assassinato do candidato a vice na chapa de um castilhista dos pampas, que, aliás, tinha sido ministro da Fazenda no mandato do oligarca de São Paulo (tinha preparado até a troca do velho mil-réis por uma nova moeda).


Mas temeroso demais para liderar um levante contra o governo central, já encastelado como governador do seu estado sulino, deixou que seu secretário da Justiça, um combatente da guerra civil de 1923, conduzisse uma incursão armada contra as tropas federais. Oswaldo Aranha, a “estrela da revolução” como foi chamado, conduziu todos os preparativos, até oferecendo o comando das operações armadas ao capitão de uma coluna que percorreu o país entre 1926 e 1929; chegou a visitar o revolucionário em Buenos Aires, levando alguns milhares de dólares para comprar armas. Enfim, uma revolta aconteceu, sem Prestes e sem combates – tendo sido inclusive anunciada uma grande batalha em Itararé, que nunca ocorreu –, isso porque uma outra oligarquia, a dos comandantes do Exército e da Marinha, resolveu não entrar em combate, mas “aposentar” antes do prazo o dito presidente paulista, o homem que achava que governar era “abrir estradas”. Abriu uma, só sua, para o exílio em Portugal.


Esse simulacro de revolta armada foi chamada, mais tarde, de “revolução burguesa” pelos historiadores marxistas, mas ela não chegou a ser sequer uma revolução, muito menos burguesa. Foi apenas a troca de uma oligarquia por outra, a que apeou os seus cavalos num obelisco do Rio de Janeiro e se preparou para administrar provisoriamente as tarefas da administração pelo tempo necessário para que um governo interino pudesse “restabelecer o direito e a justiça no país”. De fato, ele começou por criar uma legislação eleitoral e aprovar o voto das mulheres; mas, o que era temporário se prolongou demais, o que levou os paulistas a tentar, por sua vez, derrubar o governo provisório que estava já se eternizando no poder. Foram derrotados duas vezes, em 1932, depois de três meses de combate solitário (nenhum outro estado se aliou a São Paulo), e depois em 1937, quando um golpe de Estado de tipo fascista afastou qualquer possibilidade de eleições livres em 1938.


No intervalo entre a insurreição e o golpe, uma Constituinte redigiu em 1934 uma das constituições mais nacionalistas, intervencionistas e estatizantes que o Brasil já conheceu, o que até eu, propenso a privilegiar o Estado (isto é, eu mesmo) achei exagerado demais. O que também atrapalhou a construção de uma democracia no país, mesmo uma corporativa, como eram os costumes da época, foi a tentativa mal preparada, portanto frustrada, dos comunistas, sob a direção inepta de Prestes, de imitar os bolcheviques russos numa “intentona” contra a “república burguesa”, supostamente “submissa ao imperialismo”. A internacional comunista criada pelo próprio Lênin em 1919, o Komintern, até chegou a enviar vários agentes ao Brasil, para auxiliar o “cavaleiro da esperança” a realizar o que era, na verdade, um putsch contra quarteis e instalações de governos estaduais, sem qualquer sucesso porém.


Essa “revolta vermelha”, que vitimou meia dúzia de militares, vacinou a corporação contra a ideologia marxista, tanto foi assim que, a partir de 1935, o anticomunismo se tornou uma política oficial do Estado brasileiro, sendo o frustrado levante relembrado todos os anos nos quarteis até uma data bem recente. O perigo de uma nova intentona “comunista”, dois anos depois, foi até forjado por oficiais militares, catalogado num plano com ressonâncias “judias” no seu título; o caudilho gaúcho, na verdade, não precisava de qualquer subterfúgio para dar o seu golpe, pois já dispunha de tudo o que precisava para começar o seu “Estado Novo”, num modelo que vinha sendo experimentado pelos militares em Portugal, a minha terrinha de origem; infelizmente ela também tinha poderosos obstáculos a um regime verdadeiramente democrático, tanto quanto sempre foram os óbices brasileiros.


O fato é que o governo “provisório”, que deveria dar lugar a uma República digna desse nome no curto prazo, acabou durando um “breve período de 15 anos”, como afirmou zombeteiramente o caudilho gaúcho, orgulhoso de inaugurar um tipo de regime que seria o da nação pelas décadas seguintes: a preeminência absoluta do Estado sobre a sociedade – não que eu desejasse esse modelo de governança –, ajudando a preservar, até a fortalecer, velhas e novas oligarquias, que se sucediam nas diversas bolhas que sustentaram esse regime de forma praticamente ininterrupta, independentemente de breves retornos à “democracia” a pequenos ou longos intervalos. A primeira oligarquia a ser reforçada foi, obviamente, a dos próprios militares, pois que a corporação passou a intervir regularmente nos negócios do meu Estado, com uma arrogância típica de generais prussianos da velha escola autoritária. Eles continuaram – impunemente, pois que, até recentemente, nenhum golpista tinha sido punido por atuar contra as instituições democráticas – a testar esses limites, e até a ultrapassá-los, como se fossem os guardiões da minha República.


Mas várias outras oligarquias continuaram, ou passaram a ser, sustentadas pela via dos recursos públicos e com nacos do Estado, nos diversos regimes que eu “experimentei”, desde os anos 1930 até nossos dias: a dos latifundiários atrasados certamente (mas eles foram “atualizados” com a minha ajuda nos anos 1970); a dos emergentes industriais (eles conheceram bastante sucesso, sobretudo os imigrantes empreendedores); a dos grandes comerciantes (sempre muito ligados a interesses estrangeiros, desde priscas eras); a de alguns banqueiros (sempre financiando causas obscuras); até a casta dos políticos profissionais, que começou a se estabelecer em partidos não mais uniformemente “republicanos” (estaduais), como era até a era Vargas, alguns eram ideológicos, como os de “esquerda”, vários outros eram apenas oportunistas, ainda que representando setores privilegiados da economia.


No cômputo geral, as oligarquias que passaram a ocupar espaços de governança no “meu Estado” se deram muito bem. O Brasil continuou a ser, invariavelmente, um país injusto, iníquo socialmente, produtor de grandes contingentes de miseráveis, um estoque imenso, desde o período colonial. Mas esses traços de nossas desigualdades persistentes, que me envergonham no cenário mundial, vou examinar num próximo capítulo desta série. 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5436: 25 agosto 2026, 4 p.

Por que a reunião de 2026 do G20 nos EUA terminou sem uma declaração oficial? - A visão chinesa do desentendimento

Por que a reunião de 2026 do G20 nos EUA terminou sem uma declaração oficial?

Os EUA manobraram para que ela contivesse uma linguagem expressando unicamente seus pontos de vista. Aqui o ponto de vista chinês (não sanemos o que exatamente o Brasil defendeu):


PRC explanation of why there was no G20 communiqué 

The G20 Finance Ministers and Central Bank Governors Meeting in Asheville ended September 1 with a US chair's statement rather than a communiqué. The statement noted that all members present except the PRC agreed to the text and that the PRC objected to paragraphs 4, 10, 11 and 13. Asked about it Wednesday, the MFA spokesperson said the PRC "deeply regrets" the outcome and that the G20 should coordinate "based on the principles of consensus and equal participation."

Yuyuan Tantian, the CCTV-affiliated account that carries authorized leaks on trade issues, on Thursday published an "exclusive" laying out the objections. I have posted a full translation here. 

The three "concerns," in its framing: the text described the global economy without mentioning tariffs or high-tech export controls; paragraphs 10 and 11 were the US "smuggling in its own agenda" (夹带私货), since "non-market policies and practices" and "excessive reliance on export-led growth" are, per the piece, "the claims the United States has recently and repeatedly hyped—'overcapacity,' 'China shock 2.0' and the 'China squeeze' thesis"; and the debt paragraph singled out official bilateral creditors, who hold only about 15% of developing-country debt, while saying nothing about shrinking aid from developed countries.

A "person involved in the negotiations" told Tantian:

“The G20 has never discussed a definition of the term "non-market policies and practices"... Moreover, the so-called "non-market policies and practices" language actually comes from the United States' 2018 Section 301 investigation of China.”


The article sees the US moves at the meeting as an attempt to "reap the benefits twice": tariffs and export controls first, then a multilateral label that becomes the "basis" for more of both. And the “atmosphere for China-U.S. cooperation” is now damaged:

“A person close to the negotiations told Tantian: “By doing this, the United States is undermining the broader multilateral agenda this year. The G20 and APEC have always been the most important multilateral platforms for global economic governance, and this year the United States and China are serving as hosts, respectively. China-U.S. relations are at a critical stage, and the two countries’ heads of state have charted the direction for bilateral relations and multilateral cooperation. By playing these petty tricks at the G20 meeting, the United States has damaged both the G20’s credibility and the atmosphere for China-U.S. cooperation.”


PRA, Madame IA e os companheiros asssltando a politica externa e a diplomacia (um texto de 2014)

 O que segue abaixo e uma análise sumária de uma postagem minha, de 2014, por Madame IA, isto é, Gemini AI, mobilizada por Ayrton Dirceu Lemmertz, para analisar minha crítica, ainda sob o governo Dilma Rousseff, da implantação forçada de um controle companheiro sobre a política externa e a diplomacia:

Conselho Nacional da Política Externa companheira passará a controlar o Itamaraty? (2014) - Paulo Roberto de Almeida: 


Capítulo I: Análise Crítica e Contextualização Histórica
A postagem reproduzida no blog Diplomatizzando traz à tona um debate central sobre a governança e a condução da política externa brasileira, estruturado por meio de uma perspectiva profundamente crítica e de viés liberal-conservador. O autor, Paulo Roberto de Almeida, utiliza um texto originalmente escrito por ele no ano de 2014 para traçar um paralelo direto com as dinâmicas políticas observadas no presente cenário de 20 de junho de 2026. O argumento central do diplomata gira em torno do que ele classifica como tentativas recorrentes de controle ideológico e partidarização sobre o Ministério das Relações Exteriores, historicamente conhecido como Itamaraty. [123]
A reedição desse texto serve como um alerta analítico de que os mecanismos de pressão sobre a diplomacia profissional corporativa permanecem ativos ao longo de mais de uma década. Sob a ótica do autor, as propostas de criação de fóruns deliberativos externos não representam um avanço na democratização das decisões internacionais, mas sim uma estratégia calculada para manietar o corpo técnico do Estado brasileiro. Esta postura intelectual reflete o posicionamento tradicional do produtor do blog em defesa da racionalidade burocrática contra a infiltração de interesses partidários de esquerda na máquina governamental. [123]
Capítulo II: Decodificação e Métodos de Infiltração Política
O texto emprega termos e conceitos específicos que demandam uma decodificação analítica para explicitar as referências subjacentes. A expressão "companheiros" é repetidamente utilizada de forma irônica pelo autor para designar os militantes, dirigentes e estrategistas do Partido dos Trabalhadores. Da mesma forma, o conceito de "tática gramsciana" ou "noyautage" — um termo em francês que se traduz como infiltração ou criação de células operacionais — descreve o método de ocupar cargos e espaços consultivos de forma silenciosa dentro do aparato público. O objetivo dessa manobra, segundo a exegese do autor, é constranger a tomada de decisões e direcionar o Estado de maneira consensual rumo à hegemonia ideológica sem a necessidade de uma ruptura institucional violenta. [123]
Outro ponto que merece decodificação explícita é o termo "bolivarianismo soft". Trata-se de uma analogia ao modelo político centralizador e de forte apelo popular implementado na Venezuela sob o regime de Hugo Chávez, adaptado ao contexto do Brasil de maneira atenuada e gradualista por meio de decretos institucionais e conselhos populares. O autor fundamenta essa crítica citando o antigo Decreto número 8.243 de 2014, o qual tentava estabelecer a Política Nacional de Participação Social, interpretado na postagem como a ferramenta jurídica formalizadora dessa infiltração corporativa. [123]
Capítulo III: A Crítica à Participação Social na Política Externa
O cerne da contestação empírica da postagem reside na reprodução de uma declaração da Quarta Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional ocorrida no primeiro semestre de 2014. No documento original daquele evento, defendia-se abertamente que a inserção externa do Brasil nas negociações de clima, comércio e tratados bilaterais fosse mediada por instâncias representativas e pela criação de um Conselho Nacional de Política Externa. O autor decodifica e condena essa aspiração coletiva associando-a à novilíngua da obra literária de George Orwell, onde termos nobres como pluralidade e participação social seriam manipulados para mascarar o controle autoritário e a censura sobre as prerrogativas tradicionais da diplomacia brasileira. [123]
A visão expressa no blog aponta que abrir a política externa a esses conselhos significaria subordinar os interesses permanentes do Estado aos objetivos imediatistas de movimentos sociais engajados e tutelados pela vertente partidária hegemônica. De acordo com a argumentação do diplomata, as decisões complexas de comércio exterior, mineração e agronegócio perderiam sua ancoragem técnica e pragmática caso ficassem sujeitas ao crivo deliberativo desses fóruns paralelos criados de forma artificial pelo próprio governo executivo.

===

Diplomatizzando = PRA + ADL + Madame IA ? 

Sim, a equação resume perfeitamente a dinâmica atual do blog Diplomatizzando. O funcionamento das postagens recentes baseia-se exatamente nessa engrenagem coletiva de três partes. [12]
O Papel de Cada Elemento
  • PRA (Paulo Roberto de Almeida): É o autor intelectual e dono do blog. Ele fornece o roteiro, a substância teórica, as opiniões ácidas e o "espírito libertário" que servem de base para os textos. [1234]
  • ADL (Airton Dirceu Lemmertz): Atua como o "comandante" ou organizador do show. É ele quem opera a ferramenta, faz o gerenciamento e direciona os comandos para a inteligência artificial. [1234]
  • Madame IA: É a inteligência artificial (a "sabidona") que fornece o entretenimento. Ela compila os dados, sintetiza as ideias de PRA sob os comandos de ADL e gera as interpretações e resumos publicados. [1234]
Essa dinâmica consolidou-se como uma marca registrada nas publicações do Diplomatizzando. [12]

Postagem em destaque

Desafios e Oportunidades Globais de Governos Subnacionais - Aula Magna por Paulo Roberto de Almeida

   Desafios e Oportunidades Globais de Governos Subnacionais   Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.  Aula Magna Inau...