quarta-feira, 22 de abril de 2026

ISW assessment of the Russian aggression war against Ukraine

 ISW assessment of the Russian aggression war against Ukraine, April 21, 2026


https://understandingwar.org/research/russia-ukraine/russian-offensive-campaign-assessment-april-21-2026/ 

Eventos do Peterson Institute for International Economics sobre a economia global

 O amigo Alvaro Manoel, do FMI, me chama a atenção para dois eventos importantes do Peterson Institute for International Economics:


I am sharing two recent seminars organized by the Peterson Institute for International Economics (PIIE) regarding international macroeconomics that may be of interest to you. You can watch the discussions in the links below:

1. International imbalances again? Still? Forever?
This discussion features Joseph E. Gagnon, Maurice Obstfeld, Hélène Rey, Alan Taylor, and Isabel Vansteenkiste. It covers policy negotiations regarding international imbalances, the potential impact of a second "China shock," and the outlook for the international monetary system.
https://www.piie.com/events/2026/international-imbalances-again-still-forever

2. Decentering the Dollar: A conversation
Featuring Klaas Knot, Maurice Obstfeld, and Adam S. Posen, this session examines the sustainability of the dollar's dominance amid changes to trade and geopolitical arrangements, as well as the implications for global financial stability and government debt.
https://www.piie.com/events/2026/decentering-dollar-conversation

Rupturas e continuidades na política externa brasileira, 1985-2023 (um texto de agosto 2022) - Paulo Roberto de Almeida



Análises de Conjuntura PT

Rupturas e continuidades na política externa brasileira, 1985-2023

Vicissitudes da diplomacia no Brasil

Alonga e lenta construção de uma política externa autônoma sob o regime militar

De todas as políticas públicas definidas e implementadas durante o regime militar de 1964 a 1985, a política externa foi, possivelmente, a que menos rupturas sofreu na transição da ditadura para a democracia naquele último ano. Tal se deveu por uma série de razões, não todas de ordem política, ou ideológica, uma vez que já havia uma longa tradição de trabalho conjunto entre o ministério das Relações Exteriores e as Forças Armadas desde o período da guerra do Paraguai, cooperação bastante reforçada durante a era do Barão e em períodos especiais, como nos dois conflitos globais da primeira metade do século XX e durante a bipolaridade do pós-Segunda Guerra. A diplomacia profissional incorporou naturalmente a visão tecnocrática e nacionalista do estamento militar, e até reforçou os fundamentos de uma diplomacia do desenvolvimento que foi quase a “ideologia oficial” do Itamaraty a partir do Estado Novo até praticamente a atualidade.

Não obstante a paranoia anticomunista e as obsessões típicas da Guerra Fria, nos anos 1950 e início dos 1960, os diplomatas se tornaram bem mais progressistas e alternativos do que os militares, ao flertar com o não-alinhamento e ao receberem entusiasticamente os conceitos introduzidos pela Política Externa Independente (PEI), ainda antes que ela fosse conhecida sob essa designação, já na proposta da Operação Pan-Americana feita na segunda metade do governo Juscelino Kubitschek. A descolonização, as promessas da détente e até a defesa de uma posição juridicamente sólida por ocasião da conferência de Punta del Este (1962; quando os americanos pressionaram pela expulsão de Cuba da OEA - Organização dos Estados Americanos) foram muito bem acolhidas pelos jovens diplomatas, que logo se viram frustrados com o golpe e o início de um regime que declarou pertencer à “civilização ocidental e cristã”, como mote para alinhar o Brasil às posições americanas durante uma primeira (e curta) fase. 

A primeira grande ruptura com os padrões normalmente pouco ideológicos, e basicamente desenvolvimentistas, da política externa dos anos 1951-1964 foi justamente a “diplomacia dos círculos concêntricos” anunciada pelo general Castelo Branco, o primeiro presidente da ditadura, aos formandos do Instituto Rio Branco em 1964. Pouco a pouco, porém, esse “desvio” de posturas mais independentes foi sendo corrigido e restaurado já no segundo general-presidente, quando voltam, praticamente, os fundamentos básicos da PEI, ainda que obviamente sem o nome: não aceitação do Tratado de Não Proliferação Nuclear, postura reivindicatória nas conferências da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) e em outras reuniões negociadoras da ONU, quanto começou o alegado (pelos americanos) “terceiro-mundismo” do Itamaraty na defesa de teses que não coincidiam em quase nada com a visão do mundo de Washington. 

Já no quarto presidente do ciclo ditatorial – não obstante uma espécie de “diplomacia blindada” em direção de regimes esquerdistas na América do Sul, a exemplo do apoio dado em 1973 ao golpe do general Pinochet no Chile e os entendimentos com militares linha dura na Argentina, Uruguai e Bolívia –, a “continuidade” com a linha de autonomia na política externa se completa, com o estabelecimento de relações diplomáticas com a China comunista e o reconhecimento do novos regimes saídos das independências das ex-colônias lusófonas africanas. A convergência de militares e diplomatas se fundava na confiança mútua, tanto que três diplomatas se sucederam à frente do Itamaraty, a partir do terceiro presidente militar, sem mencionar algumas “missões” menos prestigiosas, como a vigilância dos militantes exilados de esquerda no exterior. Para o resto, a política externa era praticamente aquela determinada pelo Itamaraty, com as poucas exceções dos temas-tabu da era militar (Cuba, ameaças de cooperação externa com as guerrilhas no país, enfim, o comunismo mundial).

Assim que, ao ter início a “Nova República” não se pode falar propriamente em ruptura de padrões diplomáticos, ou sequer de política externa, que continuou a seguir os cânones daquele momento: multilateralismo, desenvolvimentismo, unctadianismo, defesa do acesso às tecnologias e aos mercados dos países do Norte, adesão à Nova Ordem Econômica Internacional, enfim, todos os temas reivindicatórios do G77 e do Grupo Latino-Americano (como as teses do Consenso de Cartagena sobre a renegociação da dívida externa da região).

Poucas descontinuidades na política externa e na diplomacia da Nova República

Os princípios básicos e as grandes diretrizes de política externa estabelecidos no governo Sarney, com grande continuidade com o que já vinha sendo feito na última década do regime anterior, permaneceram praticamente intactos nas décadas seguintes, a não ser pelo aprofundamento de tendências já presentes anteriormente – como a integração regional e a prioridade nas relações com os países vizinhos –, a “ideologia desenvolvimentista”, a ativa participação nos foros econômicos negociadores – sobretudo em comércio e finanças internacionais –, a insistência no desarmamento, mas com novas posturas em relação a temas que possuíam “peculiaridades” sob os governos militares: direitos humanos e meio ambiente, sobretudo. O segundo governo da era democrática, o de Fernando Collor, inova em diversos terrenos de importância substantiva, como o grande impulso dado à integração no Cone Sul – com uma visão bem mais aberta do que o tradicional dirigismo econômico seguido até então – e, sobretudo, a atualização da “diplomacia ambiental” brasileira, com o acolhimento da segunda Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro em 1992. A questão nuclear também avança, tanto na frente interna – inclusive por dispositivos inscritos na Constituição de 1988 –, quanto na externa, na construção de confiança com os argentinos, na plena entrada em vigor do Tratado de Tlatelolco (de não introdução de armas nucleares na América Latina), na constituição da Abacc (a agência binacional argentino-brasileira de contabilidade e controle de material nuclear) e no tratado quadripartite entre essa agência, os dois países e a Agência Internacional de Energia Atômica. 

Em direitos humanos e em temas sociais, livres dos constrangimentos existentes no período ditatorial, os diplomatas puderam expressar plenamente, nos foros multilaterais e nas grandes conferências diplomáticas internacionais, a nova postura de uma política externa totalmente engajada no avanço de problemas e propostas compatíveis com essa visão progressista: racismo e discriminação, direitos das mulheres e das minorias, tortura, direito humanitário, habitação, saúde, etc. Pode-se dizer que há uma continuidade ascendente na participação engajada do Brasil em todas as áreas pertinentes aos objetivos de crescimento econômico e desenvolvimento social em debate nos foros internacionais, o que torna o Brasil um grande protagonista em todas essas discussões, sobretudo comércio internacional, saúde e desarmamento; nas rodadas do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) e nas reuniões da Organização Mundial do Comércio, o Brasil se tornou incontornável.

O processo de estabilização macroeconômica obtido, após sucessivos planos frustrados, sob o ministro da Fazenda, depois presidente por dois mandatos, Fernando Henrique Cardoso, projetou uma nova imagem do Brasil, não só na interlocução com os países desenvolvidos, mas também com grandes países emergentes do Sul, sobretudo em direção da América do Sul, que passa a ser o conceito básico da nova diplomacia regional, em substituição ao anterior termo relativamente vago de América Latina. Uma de suas iniciativas, a adesão ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, consagrará a adesão do Brasil a um dos cânones centrais do sistema de segurança internacional, mas em ruptura com a postura anterior da diplomacia – e das Forças Armadas – de não aceitação de tratados discriminatórios, em contradição com uma das bases doutrinais da diplomacia brasileira, a igualdade soberana dos Estados. Na prática, o tema já estava coberto por dispositivo constitucional, e representou uma concessão em troca de maior acesso desimpedido a tecnologias de ponta e cooperação em áreas sensíveis. 

A pequena ruptura da era Lula: o engajamento no combate à fome e à pobreza

Os três governos e meio do Partido dos Trabalhadores, em especial os dois mandatos do presidente Lula, representaram uma “ruptura” mais conceitual do que efetiva, pelo menos em relação à quase totalidade dos temas e métodos de trabalho mobilizados pela diplomacia profissional na defesa dos temas quase permanentes da agenda brasileira em política externa: políticas nacionais de desenvolvimento, combate às desigualdades entre os países, forte apoio ao multilateralismo e à integração regional, diálogo construtivo entre países avançados e em desenvolvimento, políticas sociais progressistas e novo ativismo em direitos humanos e em meio ambiente. Novidades se manifestaram na criação de foros regionais e plurilaterais de interesse desse ativismo diplomático, na busca de parcerias estratégicas para a consecução de um objetivo mais enfatizado nesse período – a “democratização das relações internacionais”, por meio da reforma da Carta da ONU e a ampliação do seu Conselho de Segurança, inclusive na aliança do G4, com Índia, Japão e Alemanha –, na reafirmação prioritária do combate à pobreza e a fome no mundo, o que valeu a conquista da direção da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.

As parcerias estratégicas se desenvolveram tanto em direção dos países do Norte – em especial com os europeus –, como no estabelecimento de vínculos e novos grupos de consulta e coordenação na direção do chamado Sul Global: Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), União de Nações Sul-Americanas (Unasul), BRIC-BRICS, Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), foros organizados pelo Brasil reunindo presidentes da América do Sul e seus contrapartes africanos (Afras) e árabes (Aspa), assim como maior engajamento na cooperação internacional para o desenvolvimento e em missões de paz da ONU (entre elas, enfaticamente, a Minustah, para a estabilização do Haiti). A participação do Brasil aumentou qualitativamente e em volume em todos os foros abertos ao engenho e arte de uma diplomacia de grande sofisticação técnica e de excelente preparação intelectual, mesmo se alguns temas passaram mais pela “diplomacia partidária” do PT – como reconhecido pelo próprio presidente – do que pelos canais oficiais da diplomacia profissional (em especial as relações com Cuba e os países “bolivarianos”).

Uma frente que cresceu enormemente nas duas décadas deste século foi a assistência aos brasileiros no exterior, o que representou um grande esforço da diplomacia profissional no trabalho consular, geralmente menos prestigiado em épocas anteriores, mas que passou a absorver atenção especial do Itamaraty, pois que o Brasil deixou de ser um país de imigração para se tornar um “exportador” de sua própria mão-de-obra, primeiro pouco qualificada, no período recente até envolvendo quadros especializados e pessoal de excelente formação. No conjunto, a chamada diplomacia lulopetista preservou as linhas básicas da política externa tradicional – sobretudo quanto aos métodos centrais do multilateralismo –, mas inovou bastante no estilo da diplomacia, como manifestado no slogan triunfalista da “diplomacia Sul-Sul”. Nessa vertente, as relações com países sul-americanos, africanos, do Oriente Médio e os grandes emergentes integrantes do IBAS e logo em seguida do BRIC-BRICS foram as que receberam as maiores atenções dos governos do PT, o que não pode ser visto exatamente como uma ruptura de padrões anteriores, mas como ênfases reforçadas do antigo “terceiro-mundismo” tantas vezes criticado pelos parceiros americanos. Aliás, os dirigentes à frente da diplomacia lulopetista faziam questão de vincular a política externa do PT à Política Externa Independente do início dos anos 1960. 

A caminho da grande ruptura: a desafeição ao PT e a ascensão de uma direita extrema

O terceiro governo do lulopetismo foi um desastre, sobretudo no campo econômico, mas também um retrocesso operacional em relação ao grande protagonismo internacional exercido pela diplomacia presidencial de Lula. Dilma Rousseff não escondia sua desafeição ao Itamaraty, como tampouco seu enfado no diálogo com parceiros estrangeiros, ainda que a diplomacia profissional e a paralela – “partidária” – tenham continuado a defender os grandes temas da política externa do PT: protagonismo sul-americano – uma liderança contestada e, em parte, desafiada por outras lideranças regionais, entre eles Chávez e Néstor Kirchner –, a projeção plurilateral por meio do BRICS – que se dotou de um “banco de desenvolvimento” e de um mecanismo de reservas contingentes, na cúpula de Fortaleza, em 2014 – e uma grande liderança em temas sociais e ambientais. Mas, a grande corrupção revelada pela Operação Lava Jato, a partir de 2014, assim como a maior crise econômica e recessão da história do Brasil em 2015-2016, precipitaram a desafeição popular e o desentendimento entre a presidente e sua base congressual, redundando no impeachment em meados deste ano. 

O novo governo liderado pelo até então vice-presidente Michel Temer representou uma pequena ruptura com a política externa imediatamente anterior, mas simplesmente por um retorno a padrões mais tradicionais seguidos pela diplomacia profissional dos anos anteriores ao lulopetismo, sem os apelos ribombantes a um pouco definido “Sul Global”, e em especial no terreno da política externa regional, na qual desapareceu a diplomacia paralela de alianças com os países “bolivarianos” e com Cuba. A Venezuela chavista, que tinha sido incorporada de maneira oportunista ao Mercosul (e até de forma ilegal, uma vez que ela não cumpria nenhum dos requisitos formais do bloco, entre elas a adesão à Tarifa Externa Comum) acabou sendo suspensa do esquema de integração, assim como o Brasil de Temer e a Argentina de Macri decidiram se afastar da Unasul, que tinha sido praticamente controlada pelos “bolivarianos”. 

A “grande ruptura” ocorreu mesmo na campanha presidencial de 2018, quando, pela primeira vez na história republicana, um governo declaradamente alinhado com uma extrema direita que já fazia progressos no plano internacional conseguiu capturar apoios suficientes no eleitorado para dar início a um governo e uma política externa jamais vistos nos anais do Estado independente. Pela primeira vez em quase duzentos anos de história, um governo rompia com padrões normalmente aceitos por todas as administrações anteriores, no sentido de atuar pragmaticamente com vizinhos e com a comunidade internacional, a despeito de qualquer orientação política que pudessem ter países com os quais se mantinham relações diplomáticas formais. O programa de governo do candidato Bolsonaro já anunciava, de maneira oficial, em agosto de 2018, que ele faria uma pequena revolução na política externa e na diplomacia, ainda que o seu enunciado fosse o mais esquizofrênico possível. A anunciada ruptura com todos os padrões e diretrizes das políticas externas e das diplomacias anteriores foi tão explícita que suas linhas básicas contidas no documento entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (2018, 79) – feitas provavelmente por completos amadores em temas internacionais – merecem ser transcritas na íntegra (e isso foi tudo): 

  1. Deixaremos de louvar ditaduras assassinas e desprezar ou mesmo atacar democracias importantes como EUA, Israel e Itália. Não mais faremos acordos comerciais espúrios ou entregaremos o patrimônio do Povo brasileiro para ditadores internacionais. 
  2. Além de aprofundar nossa integração com todos os irmãos latino-americanos que estejam livres de ditaduras, precisamos redirecionar nosso eixo de parcerias. 
  3. Países, que buscaram se aproximar, mas foram preteridos por razões ideológicas, têm muito a oferecer ao Brasil, em termos de comércio, ciência, tecnologia, inovação, educação e cultura. 
  4. Ênfase nas relações e acordos bilaterais. 

O “programa” de política externa para o “novo Itamaraty” pode parecer bizarro, e até mesmo ridículo, mas por incrível que pareça ele foi seguido na íntegra, senão na letra, pelo menos no espírito de suas recomendações estapafúrdias, pelo primeiro chanceler designado pelo governo que tomou posse em 1º de janeiro de 2019, já tendo anunciado nas semanas seguintes à vitória de outubro de 2018 que afastaria o Brasil do Acordo de Paris de 2015, sobre mudanças climáticas, que desassociaria o país do Pacto Global sobre as Migrações, que mudaria a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv a Jerusalém, que promoveria uma revisão nas relações bilaterais com a China – denunciada por querer “comprar o Brasil”, pelo próprio candidato, depois de visitar Taiwan – e, sobretudo e especialmente, que comporia uma estreita aliança com o governo americano (na verdade uma política de quase submissão a tudo que desejasse o presidente Trump, com ênfase na derrubada do governo chavista da Venezuela). De fato, a política externa ordenada pelo presidente – assistido por um bando de amadores e por um chanceler visivelmente submisso a essa “franja lunática” – foi muito pior do que a que figurava no “programa” registrado no Tribunal Superior Eleitoral, feita de hostilidade com governos progressistas da América Latina e até de desavenças pessoais com líderes europeus cuja única postura tinha sido a de manifestar uma legítima preocupação com a antipolítica ambiental verdadeiramente desastrosa que passou a ser a marca internacional negativa do Brasil desde os primeiros dias do novo governo. 

A sucessão de enfrentamentos, na região e no mundo todo, protagonizados pelo próprio presidente, assim como pelos integrantes da “franja lunática”, foi construindo um isolamento internacional do Brasil nunca antes visto nos anais da nossa diplomacia, sequer durante a ditadura militar, quando notícias sobre a repressão política, a censura, a eliminação ou “desaparecimento” de opositores políticos frequentavam as páginas dos principais jornais internacionais. Alguns episódios realmente constrangedores, até surrealistas, do ponto de vista da diplomacia profissional, se tornaram frequentes no noticiário brasileiro e do exterior, como as diatribes do presidente e do chanceler acidental contra a ditadura chavista, contra o novo presidente peronista da Argentina, contra líderes europeus e contra a “ditadura comunista” da China, como feito em diversas ocasiões pelo próprio filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, chefe virtual (e real) do chanceler apenas formal. Ao lado e em oposição a esses enfrentamentos, as únicas relações desejadas e buscadas pelo governo assumidamente de direita no Brasil eram aquelas com dirigentes dos países do pequeno arco iliberal e antimultilateralista, nomeadamente o presidente Trump (objeto de uma declaração virtualmente servil: “I love you Trump”), o líder de extrema direita da Itália Mateo Salvini (depois retirado de um novo governo de coalização), o primeiro ministro da Hungria Viktor Orban e poucos outros representantes dessa direita orgulhosa de sê-lo. 

O isolamento internacional do Brasil foi sendo construído pelo próprio presidente e por seu governo, inclusive pelo chanceler, que chegou a reconhecer que o país tinha virado um “pária” na comunidade mundial, num dos episódios mais constrangedores para os diplomatas do corpo profissional, pois que feito num “Dia do Diplomata”, em 2020. Os crescentes desentendimentos do chanceler com líderes congressuais acabaram causando sua demissão, em março de 2021, o que se trouxe algum alívio do ponto de vista dos diplomatas não mudou grande coisa na postura e nas declarações do presidente, que continuou a provocar desavenças no plano interno e no cenário externo por uma postura completamente anti diplomática e por uma política externa que seguiu na mesma linha ideológica anterior, ainda que mitigada por um virtual afastamento do chefe de Estado de reuniões internacionais, a não ser para discursos formais preparados pelo Itamaraty e sua assessoria mais responsável. 

Nas primeiras semanas de 2022 – já em meio ao acirramento de desavenças com ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, a propósito do sistema de votação eletrônico, provavelmente motivado pela intenção de conflagrar o processo eleitoral –, instalou-se uma outra desavença entre o Itamaraty, secundado por assessores presidenciais, e o próprio presidente, com respeito a uma planejada visita ao presidente russo Vladimir Putin, comprovadamente preparando uma invasão militar à Ucrânia vizinha, que Bolsonaro insistiu em fazer, mesmo depois de diversos alertas emitidos por dirigentes americanos. A viagem consagrou mais uma das desastradas iniciativas do presidente, pois suscitou uma declaração de “solidariedade” com os russos que causou outros constrangimentos à diplomacia profissional, pouco tempo antes da guerra de agressão deslanchada pelo dirigente russo contra a Ucrânia. Tratou-se de outra ruptura com a prudente e pragmática diplomacia do Itamaraty, feita tradicionalmente de estrito respeito pelo Direito Internacional e à Carta da ONU, flagrantemente violada pela Rússia, ainda que essa mesma postura indiferente a princípios e valores consagrados da lei internacional já tinha sido registrado na invasão, pela mesma Rússia, da península ucraniana da Crimeia, ato de agressão ignorado na ocasião, em 2014, pela presidente Dilma Rousseff.

Uma nova “ruptura diplomática” em 2023? 

No início de agosto de 2022, pesquisas eleitorais apontam uma provável vitória, no primeiro ou no segundo turno do pleito presidencial de outubro, do ex-presidente Lula, com declarações “diplomáticas” já registradas pelo próprio e pelo seu ex-chanceler, e possível futuro conselheiro presidencial, Celso Amorim. A ruptura, obviamente, é em primeiro lugar com a diplomacia bolsonarista, um acidente exótico e desastroso em duzentos anos de política externa caracterizada por certos traços básicos que nem as ditaduras ou episódios de exceção ousaram contestar, mas que foram terrivelmente deformados durante quatro anos de amadorismo ignaro e de instintos primitivos próximos a uma extrema direita muito rústica. Mas também poderá representar uma nova ruptura com padrões consagrados de política externa e de diplomacia que foram seguidos invariavelmente durante quase toda a trajetória do Estado independente: o pragmatismo, o equilíbrio nas relações bilaterais, o respeito pelo Direito Internacional, o afastamento de considerações ideológicas ou partidárias na condução da atuação externa do Estado, a ênfase no multilateralismo e o universalismo das relações diplomáticas. Não que um futuro governo petista venha a romper com tais padrões e métodos de trabalho, mas, com base no registro da experiência anterior, é possível um retorno a certo determinismo geográfico – representado por essa miopia do Sul Global – e uma preferência pelo aprofundamento do relacionamento plurilateral no âmbito do BRICS, atualmente um grupo crescentemente manipulado pela China, e agora pela Rússia, para atender seus objetivos e interesses estritamente nacionais, e antiocidentais. 

Tanto o ex-presidente Lula quanto seu principal conselheiro em assuntos internacionais já declararam que os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), senão o próprio presidente ucraniano, possuem alguma responsabilidade na crise que resultou no que se chama de “conflito” entre a Rússia e a Ucrânia, mas que na verdade é pura e simplesmente uma guerra de agressão do vizinho militarmente poderoso contra um país mais fraco, como tal sancionada pela Carta da ONU e pelos princípios mais elementares do Direito Internacional. Este, aliás, é um ponto de aproximação – prática, não doutrinal – com a diplomacia de Bolsonaro, que também tem manifestado claramente a postura de não censurar a Rússia, de não seguir de nenhuma maneira as sanções introduzidas contra ela por países do “Ocidente”, assim como de opor-se resolutamente ao fornecimento de armas e equipamentos militares para a defesa da Ucrânia contra seu agressor. 

Na ausência de perspectivas definidas para a diplomacia regional de um provável governo petista – uma vez que a fragmentação política e ideológica é uma realidade na América do Sul –, assim como para o fantasmagórico “Sul Global”, dilacerado pela pandemia e pela guerra na Ucrânia, a postura da futura diplomacia do Brasil em relação ao mais grave conflito inopinadamente surgido na agenda internacional deve ser o principal desafio desse governo, ademais da própria política em relação a um BRICS bastante diferente do formato e dos objetivos iniciais.

Na ausência de perspectivas definidas para a diplomacia regional de um provável governo petista – uma vez que a fragmentação política e ideológica é uma realidade na América do Sul –, assim como para o fantasmagórico “Sul Global”, dilacerado pela pandemia e pela guerra na Ucrânia, a postura da futura diplomacia do Brasil em relação ao mais grave conflito inopinadamente surgido na agenda internacional deve ser o principal desafio desse governo, ademais da própria política em relação a um BRICS bastante diferente do formato e dos objetivos iniciais. A ruptura, neste caso, não seria nem em relação ao governo Bolsonaro ou aos padrões tradicionais do Itamaraty, mas com respeito aos próprios princípios do Direito Internacional, gravemente comprometidos pela atual guerra de agressão de um “sócio” do Brasil num dos grupos privilegiados pelo lulopetismo diplomático, em contradição com posturas que sequer o Estado Novo ousou transgredir (ao recusar reconhecer a legitimidade da invasão violenta da Polônia pelas forças nazistas e da invasão e incorporação dos três países bálticos pela União Soviética). Uma ruptura a mais na longa história da diplomacia brasileira...

Referência Bibliográfica     

Tribunal Superior Eleitoral. 2018. O Caminho da Prosperidade - Proposta de Plano de Governo. TSE - Tribunal Superior Eleitoral. https://divulgacandcontas.tse.jus.br/candidaturas/oficial/2018/BR/BR/2022802018/280000614517/proposta_1534284632231.pdf.

Recebido: 7 de agosto de 2022

Aceito para publicação: 26 de setembro de 2022

Copyright © 2022 CEBRI-Revista. Este é um artigo em acesso aberto distribuído nos termos da Licença de Atribuição Creative Commons que permite o uso irrestrito, a distribuição e reprodução em qualquer meio desde que o artigo original seja devidamente citado. 

Viagem monumental (quase mundial) do Maurício David: roteiro na despedida

 O Maurício David vai me perdoar, mas não posso deixar de registrar sua partida para uma grande viagem familiar. Meus votos de excelente viagem, passeios, reencontros com amigos, familiares, lugares já conhecidos e outros nunca vistos.

Gostaria de fazer um percurso como esse, mas fica para uma próxima ocasião. PRA

Maurício David, 21/04/2026:
Até breve, caros amigos, queridas amigas. Estamos embarcando em alguns minutos mais para o nosso Cruzeiro marítimo. A entrada no navio se dará a partir das 11:30 da manhã, embora o navio só saia do cais na Praça Mauá, aqui no Rio, às 17:00 horas. Seguiremos pelas costas brasileira (Rio, Salvador, Maceió), africana (basicamente Marrocos, por Casablanca e Marrakech), depois a costa da Europa do Sul (França, Espanha e Portugal), Holanda e Inglaterra, depois Europa do Norte até Kiel, na Alemanha, onde encontraremos com o nosso filho caçula, a minha nora e o meu neto mais velho que acaba de concluir a sua formação de Engenharia em uma das Escolas especializadas de Paris. Será a nossa última grande viagem ? Talvez. Em setembro próximo completo 80 anos e talvez seja esta a minha última grande viagem... Já estou arrumando as malas repletas de livros, porque a viagem da Terra para o Paraíso talvez seja longa (nunca chequei isto com os meus amigos que já a fizeram anteriormente) e talvez eu não tenha a nave espacial Arthemis à disposição- by the way, sendo de uma família de origem grega, tive uma prima de de nome Arthemis, irmã de um outro primo meu de nome Heracles (Hércules em latim, os meus pais e tios tinham ainda fortes ligações com a Grécia clássica, que hoje se esvaíram, como sole acontecer nas famílias de emigrantes... Tenho um grande amigo que se chama Aristóteles, não sei porque meus pais não me chamaram Sócrates, Euclides ou Tales (de Mileto), eu poderia por exemplo ter sido o Tales de Bicas...). Bem, chega de sonhos e divagações filosóficas, agora AL MARE !
Até breve, agosto já está às portas, aproveitarei esta longa viagem (já estou me julgando um Américo Vespúcio ou Hernán de Magalhães do século XXI) para fazer alguns contactos internacionais com fellows para o think tank de Política Internacional e de Relações Internacionais do Brasil que, junto a um grupo de renomados acadêmicos e diplomatas aposentados, estamos sonhando criar,
abraços a todos e todas (como está agora na moda dizer, argh !),
Mauricio David
O Maurício David vai me perdoar, mas não posso deixar de registrar sua partida para uma grande viagem familiar. Meus votos de excelente viagem, passeios, reencontros com amigos, familiares, lugares já conhecidos e outros nunca vistos.
Gostaria de fazer um percurso como esse, mas fica para uma próxima ocasião. PRA

Até breve, caros amigos, queridas amigas. Estamos embarcando em alguns minutos mais para o nosso Cruzeiro marítimo. A entrada no navio se dará a partir das 11:30 da manhã, embora o navio só saia do cais na Praça Mauá, aqui no Rio, às 17:00 horas. Seguiremos pelas costas brasileira (Rio, Salvador, Maceió), africana (basicamente Marrocos, por Casablanca e Marrakech), depois a costa da Europa do Sul (França, Espanha e Portugal), Holanda e Inglaterra, depois Europa do Norte até Kiel, na Alemanha, onde encontraremos com o nosso filho caçula, a minha nora e o meu neto mais velho que acaba de concluir a sua formação de Engenharia em uma das Escolas especializadas de Paris. Será a nossa última grande viagem ? Talvez. Em setembro próximo completo 80 anos e talvez seja esta a minha última grande viagem... Já estou arrumando as malas repletas de livros, porque a viagem da Terra para o Paraíso talvez seja longa (nunca chequei isto com os meus amigos que já a fizeram anteriormente) e talvez eu não tenha a nave espacial Arthemis à disposição- by the way, sendo de uma família de origem grega, tive uma prima de de nome Arthemis, irmã de um outro primo meu de nome Heracles (Hércules em latim, os meus pais e tios tinham ainda fortes ligações com a Grécia clássica, que hoje se esvaíram, como sole acontecer nas famílias de emigrantes... Tenho um grande amigo que se chama Aristóteles, não sei porque meus pais não me chamaram Sócrates, Euclides ou Tales (de Mileto), eu poderia por exemplo ter sido o Tales de Bicas...). Bem, chega de sonhos e divagações filosóficas, agora AL MARE !
Até breve, agosto já está às portas, aproveitarei esta longa viagem (já estou me julgando um Américo Vespúcio ou Hernán de Magalhães do século XXI) para fazer alguns contactos internacionais com fellows para o think tank de Política Internacional e de Relações Internacionais do Brasil que, junto a um grupo de renomados acadêmicos e diplomatas aposentados, estamos sonhando criar,
abraços a todos e todas (como está agora na moda dizer, argh !),
Mauricio David
===========
Respondi o seguinte:

Querido Mauricio,
Espero que vc tenha levado um caderninho, ou um laptop, para fazer um pequeno diário de racconto storico de sua maravilhosa viagem, para nos brindar, durante e depois com o relato de suas observações turísticas, gastronômicas, políticas e diplomáticas desse tour monumental que vc está empreendendo agora na companhia da Beatriz, ao encontro de uma parte de sua monumental família.
Estaremos aguardando le journal d’un voyageur eduqué
O abraço do
---------------------------
Paulo Roberto de Almeida

As turbulências do mundo não começaram em 2026 com certo personagem bizarro - Paulo Roberto de Almeida

 O mundo não ficou mais turbulento apenas com as demonstrações da diplomacia da brutalidade de certo personagem a partir deste ano. Já no ano passo eu registrava os primeiros exemplos:


5089. “Uma avaliação das relações internacionais numa data significativa”, Brasília, 12 outubro 2025, 3 p. Nota sobre a ruptura da ordem internacional por autoritários desequilibrados. Postado no Blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/10/uma-avaliacao-das-relacoes.html

Uma avaliação das relações internacionais numa data significativa

O dia 12 de outubro guarda um significado especial na história do mundo: marca a unificação da geografia e da própria história do mundo até então conhecido e registrado nas crônicas e relatos dos povos dotados de cultura escrita e das tecnologias adequadas ao comando da natureza e ao domínio de populações estrangeiras. A violência dos colonialismos e dos imperialismos nas primeiras ondas de globalização dominou as relações internacionais pelos quatro séculos seguintes, com o predomínio da Europa ocidental sobre parte significativa do mundo conquistado e explorado até a segunda revolução industrial.
Entre a primeira e a segunda onda da globalização, iniciada com as gestas de Cristóvão Colombo e de Fernão de Magalhães e continuada com a revolução das caldeiras a vapor, as máquinas fabris, os motores à explosão e a eletricidade, o tráfico comercial e o escravismo colonial produtivo marcaram terrivelmente o continente africano, violentado e depauperado de imensos contingentes humanos, assim como pela destruição de civilizações em estágios iniciais de desenvolvimento. A própria história do mundo, em especial nas Américas, ficou marcada pela violência do colonialismo e do imperialismo da Europa ocidental sobre praticamente todos os povos e civilizações existentes, culminando com a dominação da Ásia iniciada por Vasco da Gama. O Brasil foi parte quase passiva, durante mais de três séculos, nesse itinerário de conquista ocidental sobre o resto mundo, até conquistar sua independência pela própria força do povo aqui nascido e adquirido consciência política.
Depois de séculos lutando entre si, os impérios europeus provocaram duas guerras globais, na primeira metade século XX, que mudaram terrivelmente a geografia e a história do mundo, entre a segunda e a terceira onda de globalização. Em consequência, os velhos impérios europeus foram praticamente alijados do comando do mundo, em favor de duas grandes potências que se desenvolveram nas antípodas de concepções políticas e econômicas sobre sistemas constitucionais e sobre a organização dos seus respectivos modos de produção.
De Yalta a San Francisco, em 1945, moldou-se um sistema imperfeito, mas relativamente administrável, de relações internacionais, formalmente presidido pela ONU, de fato violado impunemente e constantemente pela ação unilateral de grandes potências, mais afetas ao seu próprio poder discricionário do que ao estrito respeito do Direito Internacional, duramente construído a partir de Kant e do liberalismo iluminista, também marcadamente ocidental.
Depois de quase 80 anos de predomínio incerto da autoridade do argumento sobre o argumento da autoridade, o funcionamento precário do sistema internacional onusiano começou a ser abalado por desejos de reconquista de seus antigos domínios coloniais por uma das potências herdeiras das vastas possessões imperiais czaristas e soviéticas.
Diferente das intervenções unilaterais na Ásia, no Oriente Médio e na própria América Latina, por parte do império ocidental, motivadas pela obsessão com o equilíbrio de poderes, na fase de disputas geopolíticas da primeira Guerra Fria, as novas intervenções unilaterais do império euro-asiático em seu entorno imediato atacaram profundamente os princípios fundadores da ordem internacional criada em Westfália e consolidada na Carta da ONU, a saber, a igualdade soberana dos Estados (cara a Rui Barbosa, e que se tornou o eixo central do multilateralismo contemporâneo), a não intervenção nos seus assuntos internos e a não usurpação pela força de territórios estrangeiros reconhecidos no Direito Internacional, ademais de cláusulas reconhecidas em declarações universais relativas a direitos humanos e às liberdades democráticas, precariamente resguardas nas relações entre os Estados membros da ONU ou de organizações regionais.
A Carta da ONU foi violada brutal e abertamente na Georgia, na Moldova, na península ucraniana da Crimeia e, finalmente, em toda a Ucrânia, no que se apresenta como a maior guerra de conquista empreendida por um poder imperial desde 1939-1941, duramente finalizada em 1945, em seus dois extremos, no continente europeu e na Ásia-Pacífico.
Países aderentes à Carta da ONU adotaram corretamente as sanções nela previstas, consideradas “ilegais” pelos relutantes em fazê-lo apenas por causa do uso abusivo do “direito” de veto justamente pela potência violadora, desconsiderando que a própria Carta prevê a solidariedade de todos os membros em socorro da parte injustamente agredida.
O Brasil, infelizmente, se coloca entre os “inadimplentes” desse dispositivo, por escusas formais e por razões atinentes a interesses politicos e inclinações ideológicas que não deveriam obstar ao seu estrito cumprimento do Direito Internacional, cujos princípios fundamentais foram, por sinal, incluídos entre as cláusulas de relações internacionais de sua Constituição.
O assim chamado “sistema internacional” atravessa atualmente uma de suas maiores crises, motivados pela ação imperialista de uma das duas grandes potências da primeira Guerra Fria, assim como pela ação destruidora do multilateralismo político e sobre o sistema multilateral de comércio pela outra grande potência daquela fase, hoje em aparente declínio em face do renascimento do antigo Império do Meio, hoje convertido em “parceiro” involuntário da segunda Guerra Fria, ainda em curso.
O cenário futuro é ainda imprevisível, mas estimo que o Brasil continuará aderente à sua tradicional autonomia decisória em matéria de politica externa, em face de conflitos entre grandes potências, e que a sua diplomacia confirme a credibilidade adquirida ao longo de um infalível respeito ao Direito Internacional.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 12/10/2025

terça-feira, 21 de abril de 2026

Revista Será? – Artigos publicados Paulo Roberto de Almeida

Revista Será? – Artigos publicados Paulo Roberto de Almeida

Compilação efetuada em 21/04/2026
(dos mais recentes aos mais antigos)
Disponíveis no site da Revista Será? (link: https://revistasera.info/author/paulo-roberto-de-almeida/).

1636. “O Adam Smith escocês e o Adam Smith brasileiro”. Sobre as referências ao Brasil na obra de Adam Smith e avaliação do pensamento econômico do Adam Smith brasileiro: José da Silva Lisboa. Publicado na revista Será? (ano xiv, n. 706, 17/04/2026; link: https://revistasera.info/.../o-adam-smith-escoces-e-o.../); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../o-adam-smith...). Relação de Originais n. 5255.
1635. “A Política Externa do Próximo Governo: o que NÃO fazer!”. Sobre a preparação de uma nova diplomacia. Contribuição à revista Será? (vol. xiv, n. 705, 10 abril 2026; link: https://revistasera.info/.../a-politica-externa-do.../); divulgado no blog Diplomatizzando (10/04/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../a-politica...). Relação de Originais n. 5273.
1632. “De novo a submissão ao Império?”, Colaboração revista Será? (ano xiv, n. 704, 3/04/2026; link: https://revistasera.info/.../de-novo-a-submissao-ao-imperio/); reproduzido no blog Diplomatizzando (3/04/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../de-novo...). Relação de Originais n. 5262.
1629. “Como acelerar a derrocada de impérios pela concentração de poder”, Brasília, 17 março 2026, 4 p. Artigo sobre a derrocada dos impérios russo e americano em virtude do poder arbitrário dos dirigentes, em face da racionalidade burocrática do império mandarinesco. Contribuição para a revista Será? (ano xiv, n. 702, 20/03/2026; link: https://revistasera.info/.../como-acelerar-a-derrocada.../); reproduzido no blog Diplomatizzando (20/03/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../como-acelerar...). Relação de Originais n. 5246.
1627. “A submissão ao império: da envergonhada à declarada”, revista digital Será? (ano xiv, n. 701, 13/03/2026; link: https://revistasera.info/.../a-submissao-ao-imperio-da.../); reproduzido no blog Diplomatizzando (13/03/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../a-submissao-ao...). Relação de Originais n. 5240.
1626. “Rui Barbosa: 110 anos de um discurso memorável sobre o direito internacional”, Revista Será? (xiv, n. 699, 27/02/2026, link: https://revistasera.info/.../rui-barbosa-110-anos-de-um.../); republicado no blog Diplomatizzando (27/02/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../rui-barbosa-110...). Relação de Originais n. 5227.
1625. “As potências médias podem sustentar uma ordem global funcional?”, Brasília, 18 fevereiro 2026, 4 p. Contribuição à revista Será? (ano xiv, n. 698, 20/02/2026; link: https://revistasera.info/.../as-potencias-medias-podem.../); reproduzido no blog Diplomatizzando (20/02/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../as-potencias...). Relação de Originais n. 5221.
1622. “A conformação do mundo futuro: algumas coisas ainda não resolvidas”, revista Será? (ano xiv, n. 696, 13/02/2026; link: https://revistasera.info/.../a-conformacao-do-mundo.../); reproduzido no blog Diplomatizzando (13/02/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../a-conformacao-do...). Relação de Originais n. 5213.
1621. “O lado mais constante da nação brasileira: o Estado extrator”, revista Será? (ano xiv, n. 695, 06/02/2026; link: https://revistasera.info/.../o-lado-mais-constante-da.../); reproduzido no blog Diplomatizzando (06/02/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../o-lado-mais...). Relação de Publicados n. 5208.
1619. “Estaríamos outra vez em face de um novo “fim da História”?, revista Será? (ano xiv, n. 694, 30/01/2026; link: https://revistasera.info/.../estariamos-outra-vez-em.../); reproduzido no blog Diplomatizzando (30/01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../estariamos-outra...). Relação de Originais n. 5172.
1618. “Da Geopolítica da Desordem à Opção pelo Caos: um ano de destruição da ordem mundial”, revista Será? (ano xv, n. 693, 23/01/2026; link: https://revistasera.info/.../da-geopolitica-da-desordem.../); reproduzido no blog Diplomatizzando (23/01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../da-geopolitica...). Relação de Originais n. 5195.
1617. “O Brasil e a morte do multilateralismo, tal como o conhecíamos”, revista Será? (ano xiv, n. 692, 16/01/2026; link: https://revistasera.info/.../o-brasil-e-a-morte-do.../); reproduzido no blog Diplomatizzando (16/01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../a-morte-do...). Relação de Originais n. 5183.
1616. “O que muda para o Brasil na geopolítica da desordem de Trump?”, Revista Será? (ano xiv, n. 691, 09/01/2026; link: https://revistasera.info/.../o-que-muda-para-o-brasil-na.../); reproduzido no blog Diplomatizzando (9/01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../o-que-muda-para...). Relação de Originais n. 5175.
1615. “O Brasil num mundo turbulento, em 2026 e mais além”, revista Será? (ano xiv, n. 690, 02/01/2026; link: https://revistasera.info/.../o-brasil-num-mundo.../); reproduzido no blog Diplomatizzando (2//01/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../o-brasil-num... ). Relação de Originais n. 5155.
1612. “O Brasil em 2025, expectativas para 2026, no país e no mundo”, revista Será? (ano xiv, n. 689, 26/12/2025; link: https://revistasera.info/.../o-brasil-em-2025.../). Relação de Originais n. 5153.
1611. “O mundo marcha para a direita? Retornamos cem anos no passado?”, revista Será? (ano xiv, n. 688, 19/12/2025; link: https://revistasera.info/.../o-mundo-marcha-para-a.../); republicado no blog Diplomatizzando (6/2/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../o-mundo-marcha...). Relação de Originais n. 5138.
1608. “A estratégia de Trump para o “quintal” do Hemisfério Ocidental”, revista Será? ano xiv, n. 687, Recife, 12 de dezembro de 2025; link: https://revistasera.info/.../a-estrategia-de-trump-para.../); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../a-estrategia-de...). Relação de Originais n. 5133.
1607. “O mundo em três tempos: 1925, 1945, 2025”, revista Será? (ano xiv, n. 686, Recife, 5 de dezembro de 2025; link: https://revistasera.info/.../o-mundo-em-tres-tempos-1925.../); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../o-mundo-em-tres...). Relação de Originais n. 5128.
1603. “Política externa e diplomacia do Brasil: como são e como podem ser, 2”, revista Será? (ano xiv, n. 685, Recife, 28 de novembro de 2025; link: https://revistasera.info/.../politica-externa-e.../); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../politica-externa...). Relação de Originais n. 5110.
1602. “Política externa e diplomacia do Brasil: como são, como podem ser, 1/2”, revista Será? (ano xiv, n. 684, Recife, 21 de novembro de 2025; link: https://revistasera.info/.../politica-externa-e.../); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../politica-externa...). Relação de Originais n. 5109.
1601. “Rupturas nas relações internacionais no contexto do triunvirato imperial”, revista Será? (ano XIV, n. 683, 7/11/2025, link: https://revistasera.info/.../rupturas-nas-relacoes.../; divulgado no blog Diplomatizzando (9/11/2025, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../rupturas-nas...). Relação de Originais n. 5104.
1600. “Trump, ou a diplomacia pelo método confuso”, revista Será? (ano xiv, n. 682, 31/10/2025, link: https://revistasera.info/.../trump-ou-a-diplomacia-pelo.../); divulgado no blog Diplomatizzando (31/10/2025, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../trump-ou...). Relação de Originais n 5098.
1599. “Opções da diplomacia brasileira num mundo em desordem”, revista Será? (ano xiv, n. 681, 24/10/2025, link: https://revistasera.info/.../opcoes-da-diplomacia.../); divulgado no blog Diplomatizzando (24/10/2025, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/.../opcoes-da...). Relação de Originais n. 5097.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5210, 6/02/2026
Postado no blog Diplomatizzando (link:

Postagem em destaque

ISW assessment of the Russian aggression war against Ukraine

  ISW assessment of the Russian aggression war against Ukraine, April 21, 2026 https://understandingwar.org/research/russia-ukraine/russian-...