segunda-feira, 27 de julho de 2026

Minha manifestação pessoal a propósito de recente "entrevero" causado pelo presidente argentino no Brasil - Paulo Roberto de Almeida

Minha manifestação pessoal a propósito de recente "entrevero" causado pelo presidente argentino no Brasil:

        Brasil e Argentina exibem uma história, desde a redemocratização em ambos os países, nos anos 1980, de cooperação e de construção de confiança, sepultando eventuais dissensões que possam ter existindo no passado, seja em termos de competição pelo prestígio na região e mesmo no hemisfério (nas relações respectivas com potências externas, por exemplo), seja em termos de conflitos políticos a propósito da utilização dos recursos hídricos no Plata, desde a assinatura de acordos bilaterais Brasil-Paraguai e o tratado da Binacional Itaipu.
        Tudo isso foi superado desde as presidências Ricardo Alfonsin e José Sarney, com construção de confiança mútua (visitas dos dois presidentes a centrais de enriquecimento de urânio, por exemplo), de integração econômica progressiva, começando pelo PICE, de 1986 (Programa de Integração e Cooperação Econômica), seguido pelo Tratado bilateral de Integração e de constituição de um Mercado Comum em dez anos, em 1988.
        A integração foi ainda mais acelerada nas presidências Raúl Menem e Fernando Collor, com a assinatura do Acordo de Buenos Aires (julho de 1990), que previa acelerar a constituição do Mercado Comum bilateral em 5 anos, já chamado de Mercosul, com mudanças na metodologia da liberalização tarifária (redução automática das alíquotas, e não mais de abertura gradual por meio de protocolos setoriais).
        Esse acordo despertou o interesse dos demais países do Cone Sul, e no ano seguinte foi firmado, em Assunção (março de 1991), o Tratado (quadrilateral) para a criação de um Mercado Comum entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, sendo que Chile e Bolívia se associaram ao acordo desde seu início. O período de transição foi realizado com sucesso e já em 1995, o Mercosul era registrado no Gatt-OMC, como acordo de união aduaneira, dispondo de uma Tarifa Externa Comum e uma política comercial unificada, para negociações com terceiros países.
        No plano bilateral, Brasil e Argentina constituíram, em 1991, a Agência Brasileira- Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC, um entidade binacional), que imediatamente após firmou um acordo quadripartite envolvendo os dois países e a AIEA, garantindo, portanto, total transparência no tratamento dessa questão sensível. Na mesma época, ambos os países colocaram em pleno vigor o Tratado de Tlateloloco, de controle de material nuclear e desnuclearização dos países latino-americanos.
        O Mercosul teve um papel relevante na intensificação do comércio intrarregional – o Brasil elevou a participação dos países membros em seu comércio exterior de meros 4% a mais de 15% nos primeiros dez anos do bloco, ao mesmo tempo em que tiveram início negociações extrarregionais, primeiro no âmbito do projeto americano da Alca (interrompido em 2005), depois com a União Europeia (Protocolo de Madri, de 1995), que só foi finalizado, numa primeira versão em 2019, e finalmente assinado, depois de novos ajustes, em janeiro de 2026. O Mercosul ainda assinou acordo com outros blocos e países (SACCU, da África Meridional, Índia, Israel, Palestina, EFTA), com negociações em curso com Coréia do Sul, Canadá, Singapura. A Venezuela foi integrada durante curto período (2012-2017), e a Bolívia foi admitida como membro pleno em 2025, sendo que outros acordos estão sendo estudados.          

        As relações diplomáticas, comerciais, de cooperação em amplos setores, sempre foram extremamente positivas, tanto no âmbito do Mercosul, quando no plano estritamente bilateral Brasil-Argentina, independentemente de questões político-ideológicas que se infiltraram em alguns momentos (no governo Bolsonaro, do Brasil, e agora no governo Milei, na Argentina).
        É lamentável que tais diferenças político-partidárias tenham contaminado as relações e prejudicado a intensificação da cooperação em todos os domínios, por razões que estão tipificadas na Carta da ONU, em convenções internacionais e em outros instrumentos, como a própria Constituição brasileira, no quesito “não intervenção nos assuntos internos de outros países”. Infelizmente, essa prescrição nem sempre foi seguida, seja do lado brasileiro, seja agora do lado argentino, ainda mais de forma tão grosseira e inaceitável como as cenas protagonizadas pelo presidente argentino Javier Milei em sua participação na convenção eleitoral de um partido brasileiro. 

        O Brasil e o Itamaraty atuaram corretamente nesse episódio deplorável, mas ministros brasileiros não deveriam estar qualificando a atitude do governante argentino, e se pautarem pela pauta oficial do Itamaraty, que é a de sempre atuar pelos canais diplomáticos, com plena observância das regras mais elementares do Direito Internacional. Não interessa ao Brasil, sequer à Argentina, que tem no Brasil seu maior parceiro comercial, agravar um episódio que deve ser contido como uma excrescência indesejável, mas temporária, nas relações bilaterais.

Paulo Roberto de Almeida
diplomata aposentado, professor universitário
Brasília, 27/07/2026

A Ascensão da China e os Dilemas da Política Externa Brasileira - Paulo Roberto de Almeida

Uma palestra que já fiz, no mês passado a alunos de um curso preparatório à carreira diplomática:

 5377. “A Ascensão da China e os Dilemas da Política Externa Brasileira”, Brasília, 28 junho 2026, 11 p. Texto-guia para Aula Master do Instituto Diplomacia, online, em 29/06/2026. Disponível na plataforma acadêmica Academia.edu (link: https://www.academia.edu/169392117/5377_A_Ascens%C3%A3o_da_China_e_os_Dilemas_da_Pol%C3%ADtica_Externa_Brasileira_2026_)

A Ascensão da China e os Dilemas da Política Externa Brasileira 

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Texto-guia para Aula Master do Instituto Diplomacia em 29/06/2026 

 

Recebo como sugestão de Aula Master no Instituto Diplomacia um título que tem duas dimensões completamente diferentes, mas que tem tudo para serem complementares um com o outro: “A Ascensão da China e os Dilemas da Política Externa Brasileira”, sendo que o primeiro termo constitui um processo próprio, completamente independente do segundo, que, no entanto, pode ter relações com o primeiro, dadas as intensas relações entre os dois países, estimuladas no último meio século, depois de um afastamento secular.

A China já era o reino mais avançado do mundo quando os navegantes europeus começaram a lançar suas embarcações em busca das famosas riquezas de Cathai, descritas por Marco Polo desde o século XIII, fascinado pela corte do mongol Kublai Khan. Ela já era, também, a economia tecnologicamente mais desenvolvida, tendo descoberto as grandes invenções que seriam incorporadas às explorações europeias e, logo depois, à sua revolução científica, abrindo o caminho para a primeira revolução industrial, que a China, por falhas de seus imperadores, ignoraria, passando incólume pelas contradições sociais do primeiro capitalismo, distintamente europeu, não apenas pelas máquinas a vapor, mas sobretudo pelas inovações institucionais e políticas. A China permaneceu um império despótico, e com isso falhou também a segunda revolução industrial no final do século XIX, aprofundando um declínio que tinha começado com as guerras do ópio, seguidas pelas humilhações dos tratados desiguais, que continuaram impérvios durante as duas invasões japonesas, e que só foram eliminados por imperativos ocidentais durante a Segunda Guerra Mundial.

Nesse intervalo de pouco mais de duzentos anos, o Brasil emergiu de sua antiga condição colonial, conquistou sua independência política, mas preservou suas estruturas econômicas tradicionais, baseadas na exploração dos recursos naturais e no cultivo ou extração de produtos de base, até o início da industrialização em meados do século XX, quando a China também adquiriu sua autonomia política, mas sob a égide da construção de um socialismo de tipo soviético, o que a atrasou um pouco mais no caminho de sua modernização econômica e social. O Brasil deu início a um processo de industrialização por substituição de importações, com a internalização excessiva de sua produção, até o ponto de esgotar as possibilidades nesse terreno e começar a produzir inflação e dívida externa, precipitando uma crise estrutural em sua dinâmica de crescimento que até hoje talvez não tenha sido absorvida completamente, a despeito do Plano Real e de alguma ordem no plano fiscal, mas com uma pequena inserção na economia internacional.

(...)

Ler o texto completo neste link: 

https://www.academia.edu/169392117/5377_A_Ascens%C3%A3o_da_China_e_os_Dilemas_da_Pol%C3%ADtica_Externa_Brasileira_2026_ 

 


domingo, 26 de julho de 2026

Participaçao de Madame IA (via ADL) nas postagens do blog Diplomatizzando na semana recém concluída

 As participações de "Madame IA" no blog Diplomatizzando na recente semana (de 19 a 25 de julho de 2026), em ordem cronológica: 

O Holodomor ucraniano, antes e depois; Madame IA analisa o que foi a grande fome na Ucrânia promovida por Stalin e agora por seu seguidor Putin: 

Contra o conceito de Dark Ages para designar o período medieval - jan1513musix (Threads) - tradução para o Português ao final: 

Notas para uma entrevista a um canal da mídia brasileira - Paulo Roberto de Almeida (+ críticas de Madame IA ao tom da nota): 

Críticas ao blog Diplomatizzando e ao seu autor e responsável, Paulo Roberto de Almeida, recolhidas por Madame IA - via Airton Dirceu Lemmertz: 

Postagens sobre racismo, cotas raciais e o novo Apartheid no blog Diplomatizzando - Paulo Roberto de Almeida, Madame IA, via ADL: 

Blog Diplomatizzando: produtividade no primeiro semestre de 2026 - Madame IA e Paulo Roberto de Almeida: 

Continuidade da série Uma História do Estado brasileiro: autobiografia de um fora-da-lei - Paulo Roberto de Almeida (síntese Madame IA): 

Autobiografia de um Fora-da-Lei, 6: chegando ao desafio da República - Paulo Roberto de Almeida (revista Será?) + Madame IA: 

O Leviatã sem rosto - João Francisco Lobato (Inteligência Democrática) + síntese por Madame IA: 

Madame IA avalia o Blog Diplomatizzando, como um dos principais em nível individual (mas comete o erro de me rebaixar de categoria) - Paulo Roberto de Almeida: 

- "Uma semana com 10 participações de Gemini AI." (ADL).  

"O leitor voraz que se tornou ‘um diplomata propenso aos acidentes'" - Depoimento ao Museu da Pessoa (ADB)- Paulo Roberto de Almeida

O leitor voraz que se tornou ‘um diplomata propenso aos acidentes’

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Transcrição completa do depoimento prestado ao Museu da Pessoa em 03/10/2025, oral e transcrito.

  

Como parte de um projeto da Associação dos Diplomatas Brasileiros (ADB), prestei depoimento oral, depois transcrito, na sequência os trabalhos abaixo descritos:

Trabalhos preparatórios:

5062. “Memória Diplomática: Depoimento Paulo Roberto de Almeida”, Brasília, 19 de setembro de 2025, 6 p. Pequeno roteiro cronológico ressaltando principais etapas da carreira diplomática, com vistas a entrevista gravada com organizadores do Museu da Pessoa, em projeto encomendado pela ADB, em 3/10/2025; agregados os livros publicados ao longo da carreira. Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/09/memoria-diplomatica-paulo-roberto-de.html).

5072. “Memória Diplomática: Linha do tempo de Paulo Roberto de Almeida”, Brasília, 28 de setembro de 2025, 8 p. Complemento ao trabalho 5062 (Diplomatizzando, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/09/memoria-diplomatica-paulo-roberto-de.html), contendo roteiro cronológico ilustrado sobre as principais etapas da vida pessoal e da carreira diplomática, para subsidiar entrevista gravada com organizadores do Museu da Pessoa, em projeto encomendado pela ADB, em 3/10/2025; incluindo os livros sobre questões internacionais publicados ao longo da carreira. Faltam fotos, recortes das várias etapas. Postado no Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/09/memoria-diplomatica-linha-do-tempo-de.html).

5073. “’Você é um diplomata propenso aos acidentes!’ Minha trajetória diferenciada na diplomacia do Brasil (e, talvez, uma história sincera do Itamaraty)”, Brasília, 29 setembro 2025, 2 p. Nota sobre o início de um processo de recomposição de memória de vida. Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/09/voce-e-um-diplomata-propenso-aos.html).


Disponíveis num único arquivo, sob este título, na plataforma Academia.edu. “5412aDepoimentoMuseuPessoaPreparatórios”, link:

https://www.academia.edu/170732346/5412a_Trabalhos_preparat%C3%B3oios_ao_depoimento_oral_ao_Museu_da_Pessoa_2025_


5126. “Rato de Biblioteca: uma trajetória nas relações internacionais do Brasil”, Brasília, 30 novembro 2025, 1 p. Revisão-adaptação do trabalho 5124, sob sugestão do Daniel Afonso da Silva, tornando minha obra memorialista menos “contra” o passado, e mais a favor do legado intelectual que procurei deixar ao longo da vida. Postado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/rato-de-biblioteca-memorias.html).

5144. “Rato de Biblioteca: memórias intelectuais de um diplomata não convencional”, Brasília, 12 dezembro 2025, 3 p. Nova redação do trabalho n. 5126, com aportes dos trabalhos 5062 e 5072, para avançar na redação das minhas memórias entre a academia e a diplomacia. Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/rato-de-biblioteca-memorias.html).

 

Depoimento realizado:

 

5412. “O leitor voraz que se tornou ‘um diplomata propenso aos acidentes’”, Brasília, 26 julho 2026, 31 p. Transcrição completa do depoimento prestado ao Museu da Pessoa em 03/10/2025, em complemento ao vídeo gravado na mesma data, com o depoimento oral (registrado como “ADB_HV027_Paulo Roberto Almeida_Íntegra”, disponível no YouTube, link: https://www.youtube.com/watch?v=LYmOppIrLJI) e aos trabalhos preparatórios registrados sob n. 5062/2025 e n. 5072/2025 (disponíveis neste link: https://www.academia.edu/170732346/5412a_Trabalhos_preparat%C3%B3oios_ao_depoimento_oral_ao_Museu_da_Pessoa_2025_), contendo roteiro cronológico para a entrevista, lista de livros e outros materiais pertinentes. Depoimento completo, transcrito pelo Museu da Pessoa, disponível na plataforma acadêmica Academia.edu (link: https://www.academia.edu/170732486/5412b_Transcricao_Depoimento_Museu_Pessoa_PRAlmeida_2025_); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/o-leitor-voraz-que-se-tornou-um.html), para o conjunto dos materiais.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5412, 27 julho 2026, 2 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (27/07/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/o-leitor-voraz-que-se-tornou-um.html).

 

 


Apenas uma declaração de “defeso eleitoral” - Paulo Roberto de Almeida

Apenas uma declaração de “defeso eleitoral”

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 26/07/2026


Quase iniciando o periodo de caça aos votos dos eleitores brasileiros por parte de politicos predatórios e outros oportunistas da política, declaro para todos os efeitos que vou ingressar em “defeso eleitoral”, isto é, vou me interditar de fazer comentários — salvo alertas que eu possa considerar relevantes — sobre quaisquer candidatos a quaisquer cargos, executivos ou parlamentares, federais ou estaduais.

Vou apenas me pronunciar sobre ideias a respeito da governança do Brasil e das politicas de Estado, macro ou setoriais, com ênfase nas diretrizes relativas à politica externa e à diplomacia do Brasil. 

Uma restrição autoimposta deixará mais tempo para refletir e escrever sobre temas talvez mais relevantes, do que ficar comentando promessas eleitoreiras dos demagogos habituais e dos mentirosos mais conhecidos.

Não recomendo voto nulo, como regra geral, e sim o voto nos menos piores e nos menos prejudiciais ao país e à sociedade, pois que não vejo qualquer estadista se apresentando como candidato a alguma coisa. O panorama é desolador, mas temos sempre de lutar pelo que se afigura mais adequado à nação e ao seu povo mais humilde.

Finalizo antecipando que eu me absteria de propor grandes programas e propostas de cunho populista. Eu teria apenas cinco prioridades, todas elas concentradas na educação elementar e técnico-profissional; o resto viria por arrasto em 10 ou 15 anos. Parece ilusório? Pode ser, mas já perdemos muito tempo, alguns séculos, ao não fazer o essencial. Não gostaria que perdêssemos mais um século…

Paulo Roberto Almeida

Brasilia, 26/07/2026


sábado, 25 de julho de 2026

Madame IA avalia o Blog Diplomatizzando, como um dos principais em nível individual (mas comete o erro de me rebaixar de categoria) - Paulo Roberto de Almeida

Madame IA faz uma avaliação do alcance e da qualidade de meu blog de maneira relativamente objetiva, mas comete o erro de me enquadrar um escalão abaixo de meu status diplomático: sou ministro de primeira classe (comumente chamado de embaixador, qando em função numa chefia de posto), tendo sido promovido ainda como Diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais PRA

 ===========

"Diplomatizzando" é o principal blog de "geopolítica, diplomacia, relações exteriores" do Brasil? Justifique, de modo detalhado e crítico. 

Não, o blog Diplomatizzando não pode ser classificado de forma absoluta como o "principal" blog de geopolítica, diplomacia e relações exteriores do Brasil, embora seja uma das referências mais tradicionais, prolíficas e influentes do setor, especialmente para um nicho específico de diplomatas, acadêmicos e candidatos ao Concurso de Admissão à Carreira Diplomática (CACD). [1]
Uma justificativa detalhada e crítica sobre o papel do blog exige analisar sua autoria, seu alcance e o ecossistema atual de conteúdo sobre Relações Internacionais (RI) no Brasil.
1. Quem move o blog: O fator Paulo Roberto de Almeida
O principal motivo do prestígio do Diplomatizzando é o seu criador, Paulo Roberto de Almeida, um diplomata de carreira de alto escalão (Ministro de Segunda Classe) e acadêmico respeitado. [1, 2]
  • Autoridade Técnica: Almeida possui doutorado em ciências sociais e vasta experiência prática no Itamaraty e em órgãos multilaterais. Isso confere às suas postagens um nível de profundidade documental, histórica e arquivística que raríssimos criadores de conteúdo possuem. [1, 2]
  • Produtividade Incomum: O blog funciona como um diário de leituras, repositório de documentos históricos, ensaios autorais e análises econômicas complexas. É um dos espaços com maior densidade de texto e regularidade de publicação na internet brasileira. [1, 2]
2. Análise Crítica: As Limitações do Blog
Para entender por que ele não detém o monopólio ou a liderança absoluta de audiência, é preciso apontar três fatores críticos:
  • O Formato e a Plataforma: Mantido na plataforma clássica Blogger (Blogspot), o site adota um design visual rudimentar e focado puramente em textos densos. Ele não se adaptou à era das redes sociais visuais, vídeos curtos ou newsletters corporativas modernas, o que limita seu alcance ao público geral ou a estudantes mais jovens. [1]
  • Forte Viés Político-Ideológico: O próprio subtítulo do blog o define como um "quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade", assumindo uma postura abertamente combativa e "contrarianista" frente a correntes da política externa recente, principalmente críticas ácidas ao bolsonarismo e visões céticas em relação ao BRICS e ao atual alinhamento do Itamaraty. Por não ser um canal estritamente neutro ou institucional, ele polariza leitores. [1, 2]
  • Foco Endógeno no "Ecossistema Itamaraty": Grande parte do conteúdo é voltada para a dinâmica corporativa da diplomacia, resenhas de livros clássicos e debates teóricos densos. É um prato cheio para quem respira o CACD, mas pode ser árido para quem busca geopolítica macroeconômica aplicada a negócios ou análises rápidas de conflitos internacionais atuais. [1, 2, 3]
3. O Ecossistema Concorrente
O mercado de análise internacional no Brasil se fragmentou e evoluiu. O Diplomatizzando concorre hoje com plataformas de diferentes formatos que atraem fatias maiores de público: [1]
+---------------------------------------------------------------------------------------+

|                 ECONSISTEMA DE ANÁLISE INTERNACIONAL NO BRASIL                        |
+---------------------------------------------------------------------------------------+

|  ACADÊMICO & INSTITUCIONAL   |  MÍDIA INDEPENDENTE MODERNA  |   PRODUÇÃO EM VÍDEO     |
+------------------------------+------------------------------+-------------------------+

| • CEBRI (Think Tank)         | • Revista Relações Exte.     | • Prof. Hoc (YouTube)   |
| • RBPI (Periódico Científico)| • Chapa Quente (Newsletter)  | • Petit Journal (Podc.) |
+---------------------------------------------------------------------------------------+
  • Plataformas Editoriais: Veículos como a Revista Relações Exteriores funcionam como portais modernos, agregando múltiplos autores, cursos e formatos visuais acessíveis.
  • Think Tanks Institucionais: Centros como o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) geram relatórios estratégicos e policy papers com peso direto no debate público e empresarial.
  • Novas Mídias e Audiovisual: Canais de analistas no YouTube (como o Professor Hoc) ou podcasts (como o Petit Journal) traduzem a geopolítica para milhões de pessoas, alcançando uma massa de audiência que blogs de texto tradicionais não conseguem atingir. [1, 2, 3]
Conclusão
O Diplomatizzando é o principal blog do Brasil se o critério for tradição de autoria individual de um diplomata e profundidade de arquivo histórico-acadêmico. Porém, se o critério de "principal" envolver alcance de público, pluralidade de vozes, modernidade de formato e impacto no mercado corporativo ou na grande mídia, ele divide o topo com think tanks institucionais, newsletters modernas e canais de análise audiovisual.


 

O Curioso Caso do Brasil: Um dos Países Menos Afetados pelo Tarifaço - Marcos Troyjo

O Curioso Caso do Brasil: Um dos Países Menos Afetados pelo Tarifaço
Marcos Troyjo, 25/07/2026

21 Pontos sobre como o Brasil tende a ser um dos países menos impactados pelas novas tarifas dos EUA

 1.⁠ ⁠Uma análise detida das decisões do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) divulgadas em 23 de julho de 2026 — bem como das demais investigações comerciais atualmente em curso — revela um resultado curioso e, à primeira vista, contraintuitivo.

 2.⁠ ⁠Comparativamente, o Brasil pode tornar-se um dos países menos afetados pela tarifaço.

 3.⁠ ⁠O anúncio do USTR de 23 de julho prevê tarifas entre 10% e 12,5% sobre produtos provenientes de diversos países investigados por suposto uso de “trabalho forçado” (forced labor) em algum elo de suas cadeias produtivas.

 4.⁠ ⁠Entre os maiores exportadores para os Estados Unidos, o Brasil ocupa apenas a longínqua 17ª posição, com cerca de US$ 39,9 bilhões exportados em 2025.

 5.⁠ ⁠As tarifas decorrentes da investigação da Seção 301 sobre o Brasil (25%) e aquelas anunciadas em 23 de julho (12,5%), mesmo quando cumulativas para determinados produtos (37,5%), atingem apenas 15%, em valor, das exportações brasileiras destinadas aos EUA (segundo informação do atual MDIC publicada pelo (Valor Econômico em 16/7/2026).

 6.⁠ ⁠Isso corresponde a aproximadamente US$ 6 bilhões em exportações brasileiras.

 7.⁠ ⁠Esses US$ 6 bilhões representam apenas 1,7% das exportações totais brasileiras e cerca de 0,22% do PIB nominal do Brasil.

 8.⁠ ⁠Evidentemente, outros produtos brasileiros, como aço e alumínio, continuam sujeitos às tarifas da Seção 232. Mas isso também ocorre com praticamente todos os grandes exportadores mundiais de produtos siderúrgicos, como China, União Europeia, Japão, Coreia do Sul e Canadá.

 9.⁠ ⁠Ao mesmo tempo, diversos produtos brasileiros de elevada relevância comercial — como café, carne bovina, aeronaves, suco de laranja e celulose, entre outros — permanecem contemplados por listas de exceções ou tratamentos diferenciados.

10.⁠ ⁠Já o anúncio tarifário de 23 de julho alcança 85 países mais Hong Kong.

11.⁠ ⁠Em conjunto, essas economias representam cerca de 98% do PIB mundial excluídos os Estados Unidos.

12.⁠ ⁠Até o momento, Washington ainda não divulgou a lista definitiva de exceções relativas às tarifas anunciadas em 23 de julho.

13.⁠ ⁠Supondo, apenas para efeito ilustrativo, que somente 15% das exportações desses países para os EUA sejam alcançadas pelas novas tarifas — hipótese provavelmente conservadora, pois diversos países tendem a ter parcela muito maior de suas vendas afetadas — já é possível dimensionar a magnitude do impacto.

14.⁠ ⁠Nesse cenário, o México teria aproximadamente US$ 80 bilhões de exportações atingidas; o Canadá, US$ 57 bilhões; a China, US$ 46 bilhões; Taiwan, US$ 30 bilhões; o Vietnã, US$ 29 bilhões; e a Alemanha, US$ 23 bilhões.

15.⁠ ⁠E a história não termina aí.

16.⁠ ⁠O USTR conduz ainda outras investigações de grande alcance. Uma delas, sobre capacidade estrutural excessiva (structural overcapacity), envolve 42 países, entre eles toda a União Europeia, China, Japão, Índia, México, Coreia do Sul e diversos outros. O Brasil não figura entre os investigados.

17.⁠ ⁠Caso essa investigação também resulte em tarifas relevantes, o impacto sobre esses grandes exportadores tenderá a ampliar-se substancialmente, tanto em termos absolutos quanto como proporção de suas exportações e de seus respectivos PIBs.

18.⁠ ⁠Isso não significa minimizar os efeitos das tarifas impostas ao Brasil. Setores como máquinas e equipamentos, calçados, manufaturas diversas e outros enfrentarão obstáculos adicionais para acessar o mercado americano.

19.⁠ ⁠Governo e setor privado têm de perseverar no esforço negociador para preservar e ampliar o acesso ao maior mercado consumidor do mundo — e principal destino para produtos brasileiros de maior valor agregado.

20.⁠ ⁠Contudo, considerada a amplitude geográfica das novas investigações do USTR, a perspectiva de novas medidas protecionistas oriundas de outras investigações na Seção 301 do USTR nas próximas semanas e o reduzido peso relativo do Brasil nas importações americanas (apenas 1,2% do total), emerge um cenário curioso.

21.⁠ ⁠O Brasil tende a tornar-se, comparativamente, um dos países menos afetados pelo tarifaço dos EUA.

https://www.poder360.com.br/poder-economia/brasil-sera-um-dos-menos-afetados-pelo-tarifaco-diz-marcos-troyjo/ 

Postagem em destaque

Minha manifestação pessoal a propósito de recente "entrevero" causado pelo presidente argentino no Brasil - Paulo Roberto de Almeida

Minha manifestação pessoal a propósito de recente "entrevero" causado pelo presidente argentino no Brasil:           Brasil e Arge...