quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Gilberto Freyre no longo século XIX do Brasil: prefácio ao livro de André Heráclio do Rego: O século XIX na obra de Gilberto Freyre - Paulo Roberto de Almeida

 Meu colega e amigo André Heráclio do Rego, acaba de publicar seu livro mais recente, para o qual ele me convidou para escrever o prefácio, que reproduzo abaixo:


Gilberto Freyre no longo século XIX do Brasil
Paulo Roberto de Almeida
Prefácio ao livro de André Heráclio do Rêgo:
O século XIX na obra de Gilberto Freyre: entre o Império e a República
(Rio de Janeiro: Letra Capital, 2026).

Sempre gostei de começar os livros pelo fim, isto é, pelo índice remissivo, que pode ser revelador sobre o conteúdo de cada um. Especialmente nos livros americanos, nos quais é obrigatório o Index, tenho o hábito de procurar diretamente o que o autor tem a dizer sobre o Brasil, sobre a América Latina, ou outros assuntos de meu interesse especial. Uma passagem pela bibliografia também é indispensável para constatar a amplitude das leituras do autor, assim como a concentração em determinadas áreas, quando não a descoberta de livros ou autores já conhecidos. Pois foi o que fiz quando percorri o manuscrito deste livro de meu colega e amigo, o historiador André Heráclio do Rego. A última página é ocupada por uma curta nota sobre o autor, apenas cinco linhas: além de doutor em história, seu vínculo a vários institutos históricos e geográficos, a começar pelo IHGB, nacional.
Vou em seguida às referências bibliográficas, ou seja, os livros usados para compor a sua obra: cerca de 40 livros e artigos dos mais pertinentes no tratamento do personagem principal e suas obras voltadas para o século XIX brasileiro, o tema título. O mais importante, porém, é o apêndice que relaciona as mais de cinco dezenas de obras de Gilberto Freyre usadas para compor um panóptico dos sete capítulos substantivos dedicados ao Brasil entre o Império e a República, abordando assuntos tão diversos, e complexos, quanto o movimento da independência, o processo revolucionário (especialmente presente no Nordeste), as singularidades da monarquia, as rupturas e continuidades entre o Império e a República, a questão da unidade nacional, e um pouco de assuntos internacionais, entre o Ocidente e o Oriente, tudo isso para confirmar que o sociólogo de Apicucos (sua residência recifense) era uma espécie de intelectual de sete instrumentos, da antropologia à sociologia, da política à história, passando pela cultura e pelas relações internacionais.
Gilberto Freyre, segundo a opinião de acadêmicos brasileiros de diversas correntes, foi um dos intelectuais mais singularmente antenado com aspectos por vezes corriqueiros da realidade social do país, não ordinariamente focados pelos analistas das grandes questões nacionais, como, por exemplo, sua mania seguir recortes de jornais locais tratando, entre outros assuntos, de compra, venda ou aluguel de escravos para trabalhos domésticos ou até para empreendimentos comerciais. O presente livro de André Heráclio do Riego constitui um notável esforço de síntese interpretativa sobre um dos autores mais fecundos do pensamento social brasileiro. Junto com Oliveira Lima e Manoel Bomfim, Gilberto Freyre foi um dos primeiros historiadores sociais do Brasil. Na verdade, ele foi bem mais do que isso: um antropólogo de formação, tendo estudado com Franz Boas, na Columbia (NY), veio a empreender um levantamento da cultura material e humana do Brasil colonial e imperial, compreendendo não apenas a sua análise da Casa Grande e [da] Senzala, o título de sua primeira grande obra (1933), como também a miscigenação geral do povo brasileiro a partir de suas fontes étnicas, os aportes estrangeiros à cultura material e espiritual, assim como a lenta emergência, a partir da sociedade patriarcal, de formações urbanas ao longo da costa atlântica e no interior próximo, tal como refletida em Sobrados e Mucambos (3 volumes, 1936) e no seu outro clássico, Ordem e Progresso. O extenso subtítulo dessa terceira grande obra, em 2 volumes (1959), revela, aliás, a extensão de seu trabalho analítico: “Processo de desintegração da sociedade patriarcal e semipatriarcal no Brasil sob o regime de trabalho livre: aspectos de um quase meio século de transição do trabalho escravo para o trabalho livre; e da Monarquia para a República”.
Gilberto Freyre antecipou, de certa forma, a famosa escola francesa dos Annales, com sua forte ênfase no cotidiano das famílias, nos costumes do povinho miúdo, na alimentação e nas técnicas do trabalho humano; mais de um acadêmico francês em estágio universitário no Brasil dos anos 1930 e 40, na recém fundada Universidade de São Paulo por exemplo, se declarou pronto a reconhecer certa dívida interpretativa em relação ao “mestre de Apipucos”, sua residência e escritório de trabalho no Recife senhorial. Bem antes que entrassem na moda, justamente a partir da USP, críticas à sua visão do mundo patriarcal, supostamente na origem do mito da “democracia racial” no Brasil, muitos acadêmicos brasileiros reconheciam em Gilberto um dos intelectuais que mais se destacaram na tentativa de substituir o “olhar estrangeiro” por um olhar nacional na compreensão do Brasil, inclusive por conta da vastidão de sua obra. Para o historiador Evaldo Cabral de Mello, talvez por uma não secreta simpatia para com o colega e primo pernambucano, a riqueza e a variedade da obra de Gilberto de Mello Freyre exigiriam o “trabalho aturado” de muitos especialistas para ser bem compreendida.
É um fato que, até Freyre, a historiografia brasileira se ocupava muito pouco do lado antropológico da cultura popular como ele o fez desde seus primeiros trabalhos. Capistrano de Abreu se havia aventurado parcialmente pelo lado social da formação do Brasil, e ainda assim de forma esparsa e sem continuidade. “Os historiadores desconheciam o povo, como continuam a desconhecê-lo”, acusou José Honório Rodrigues numa de suas obras historiográficas mais marcadas por seu tradicional antielitismo. A história social brasileira teve, assim, seu iniciador em Capistrano de Abreu e seu continuador no antropólogo e sociólogo pernambucano, “pela maior atenção ao povo, às frustrações psicológicas, às alterações nas relações de família, às atitudes e ajustamentos sociais, às crenças fundamentais”. O mestre de Apipucos sugeriu que sua própria ambição seria a de ser o Ticiano ou o El Greco da história brasileira. Estes dois pintores, bem como Rembrandt, valeriam mais, para tais propósitos, por sua habilidade de evocação da vida e da atmosfera que circundava seus modelos do que pela beleza estrita de suas obras, como o autor escreve na Introdução.
Ganha corpo nesse sentido a interpretação de Evaldo Cabral de Mello da obra de Gilberto Freyre. Para este seu primo, a novidade da sua abordagem consistia na transposição para uma sociedade de tipo histórico, como a brasileira, até então examinada exclusivamente a partir dos métodos diacrônicos da História, da visão sincrônica desenvolvida pela antropologia para a descrição das sociedades primitivas. “O que era então uma ousadia teórica habilitou o mestre de Apipucos a dar uma das contribuições mais originais à cultura ocidental do século XX”, concluiu Evaldo Cabral de Mello.
Oliveira Lima, por quem Gilberto Freyre nutria uma grande admiração, que aliás era recíproca da parte do historiador e diplomata pernambucano, parece ser o sujeito oculto das influências freyreanas, pelo menos durante um certo período. Assim, conquanto o mestre de Apipucos tenha sido um grande divulgador da obra do dom Quixote Gordo, o reconhecimento de sua influência sobre a própria, ademais de escasso, é esporádico. Com a crítica é pior aindaː escreveu-se muito sobre Franz Boas e Gilberto Freyre, sobre o pensamento hispânico na obra freyreana, sobre o Gilberto Freyre vitoriano nos trópicos, mas pouquíssimo sobre a influência de Oliveira Lima, o maior historiador diplomático, mas também da história social do Brasil imperial. A obra de Gilberto Freyre influenciou fortemente a maneira como o brasileiro de hoje vê o seu passado, tendo contribuído, com sua obra de hermenêutica da sociedade nacional, para a valorização do mesmo passado e para a identificação de ligações que a sociedade transpõe do passado para a formação das imagens que, em cada presente, se desenham do próprio presente e, também, do futuro do país.
José Honório Rodrigues, o grande historiador brasileiro autor de livros de referência na metodologia, sempre demonstrou enorme respeito pela obra produzida pelo antropólogo recifense. Já na sua “Introdução Metodológica” à Teoria da História do Brasil (1949), Rodrigues reconhece a contribuição de Freyre para a plena realização do ideal de Martius de se traçar a história do Brasil pelo “estudo do indígena, do colonizador português e do escravo negro na formação da família e da sociedade brasileira”, referindo-se particularmente a Casa Grande e Senzala, Sobrados e Mucambos e Ordem e Progresso:
Se Varnhagen seguiu o plano de Martius, seguiu-o apenas na colheita do material, mas foi Gilberto Freyre que, demonstrando uma enorme capacidade de interpretação, reuniu e selecionou os fatos numa caracterização geral da sociedade e da família brasileiras. (4ª edição, 1978, p. 142)

Também numa obra posterior, A Pesquisa Histórica no Brasil (1952, 1968), José Honório destaca o papel de Gilberto Freyre na sugestão, feita aos próprios diplomatas, para a importância da correspondência consular na investigação sobre a produção intelectual dos historiadores a partir dos arquivos diplomáticos. Em sua seção sobre as “fontes” dessa obra, ele registra numa longa nota de rodapé:
Gilberto Freyre diferencia a correspondência consular da diplomática dizendo [citando seu livro Sociologia, na edição de 1945] que ‘os diplomatas propriamente ditos não se ocupavam em geral senão com o fato ou a ocorrência chamada única. Os cônsules é que nos seus relatórios se entregam principalmente ao registro das recorrências’. A distinção é resultado prático do princípio teórico estabelecido na sociologia, onde, inspirado por Rickert, Gilberto Freyre distinguira o fato sociológico, recorrente e plural, do fato histórico, único e singular. (3ª edição, 1978, p. 144)

Mais adiante, no mesmo volume (p. 197), José Honório chama a atenção para obras menos generalistas de Gilberto Freyre, como o Diário Íntimo do Engenheiro Vauthier, 1840-1846 (1940) e Um Engenheiro Francês no Brasil (1960), como exemplos de pesquisa que descem às minudências de processos microhistóricos, saindo do enfoque geral dos grandes conceitos, privilegiados em trabalhos como aqueles feitos na chamada “escola paulista de sociologia”, no âmbito da qual tinham sido feitas muitas críticas à visão inovadora de Freyre, em especial no tocante às relações raciais na sociedade tradicional.
Mas sua obra não influenciou apenas a visão dos brasileiros sobre o seu próprio passado, assim como a dos estrangeiros sobre o Brasil – pois que ela foi amplamente traduzida no exterior, inclusive em japonês –, mas igualmente a política externa oficial do Brasil, praticamente dominada, dos anos 1930 aos 60, por uma espécie de “lusotropicalismo binacional”, já que servindo a duas ditaduras unidas pelo conceito de Estado Novo, o de Salazar, em Portugal, e o de Getúlio Vargas, no Brasil, e até mais além, marcando a complacência diplomática brasileira com o ultracolonialismo português na África. Gilberto Freyre também foi o primeiro a destacar as conexões entre o Oriente e o Ocidente nesse mundo lusotropical, destacando os valores asiáticos absorvidos pela cultura lusobrasileira, chegando inclusive a falar, no caso do Brasil, de uma “China tropical”, tal como expresso em capítulo final ao seu livro dedicado ao público estrangeiro, New World in the Tropics.
Com sua visão originalíssima sobre essa imbricação de culturas, Gilberto Freyre padeceu, provavelmente, de uma ênfase analítica excessiva sobre seu primeiro grande clássico, causando uma distorção crítica quando da revisão historiográfica e sociológica sobre o regime escravocrata patriarcal da sociedade tradicional, considerada muito “nordestina”. De fato, é uma evidência acadêmica que grande parte dos estudiosos da obra de Freyre verteram um interesse desproporcionado por Casa Grande & Senzala. Como observou Peter Burke, “mesmo tendo sido prolífico em seus escritos e amplo em seus interesses, Gilberto Freyre é mais lembrado por um só livro, publicado em 1933, quando o autor tinha 33 anos”.
O leitor poderá observar no decorrer desta obra do também pernambucano André Heráclio do Rego, diplomata e historiador como Evaldo Cabral de Melo, que a análise de Gilberto Freyre sobre o século XIX não se limitou, de forma alguma, a Pernambuco e ao Nordeste. Ao contrário, sua abrangência é nacionalː o mestre de Apipucos tratou repetidamente de personagens como José Bonifácio e dom Pedro II, e de temas como a unidade nacional e a integridade territorial, ademais do movimento da Independência. O que ocorre é que fez isso em obras esparsas, publicadas em coletâneas, em plaquetes e em artigos de jornal, que na sua maior parte não tiveram a boa sorte de ser reunidas em volume mais vistoso. Esta é a matéria do livro que o leitor tem em mãos, graças à garimpagem muito bem conduzida por André Heráclio.
Ele se baseia num conhecimento profundo dessa obra esparsa de Gilberto Freyre e complementarmente naquelas obras “maiores” mencionadas por Peter Burke e Evaldo Cabral de Mello, ademais de trechos de várias outras em que se fazem referências e considerações sobre o século XIX no Brasil, seus personagens e seus temas. O resultado é um livro que passa a integrar o universo já bastante amplo dos estudos gilbertianos, mas de uma maneira original e inovadora, pois que chamando justamente a atenção para uma série de textos normalmente descurados na literatura interpretativa. Como referido ao início, seu apêndice, referenciando as dezenas de “pequenas” e grandes obras de Gilberto Freyre utilizadas por André Heráclio para compor este verdadeiro vade mecum do pensamento gilbertiano sobre nosso primeiro centenário independente, demonstra a intimidade do autor com o conjunto da obra de seu ilustre conterrâneo. Já sua introdução, ele oferece uma revisão atualizada de uma vastíssima bibliografia centrada no mestre pernambucano, à qual se seguem sete capítulos sobre o longo século XIX, explorando as ricas minas deixadas esparsas na obra multifacetada de Gilberto Freyre.
Destaco em particular a abordagem original do período monárquico, absolutamente fundamental para a preservação da unidade nacional, pois que as tentativas republicanas, no Nordeste e no Sul, poderiam ter levado à fragmentação da nação. Comparece, igualmente, na análise de André Heráclio, a importância da influência oriental na formação da cultura luso-brasileira, normalmente descurada na historiografia e na sociologia tradicionais. O capítulo final, “Considerações e sugestões”, é praticamente uma nova introdução e um convite ao aprofundamento continuado de novas interpretações sobre a densa produção intelectual do mestre pernambucano. André Heráclio não apresenta propriamente conclusões, mas faz algumas sugestões, entre elas esta:
E a primeira delas expressa de certa forma uma síntese do pensamento freyreano sobre a Independência, ao constatar que a pura Independência política não basta por si para que um povo se constitua em nação autônoma. É necessário, adicionalmente, que ela seja acompanhada por uma autonomia cultural ou, em outras palavras, por um estilo nacional de vida.

Aproximando, mais uma vez, Freyre do seu mestre autoexilado em Washington, quando ambos conviveram e aprenderam reciprocamente com as coisas do Brasil vistas de uma nova abordagem, André Heráclio faz uma outra consideração importante para a historiografia nacional:
É importante salientar que Gilberto Freyre, a exemplo de Oliveira Lima, nunca se limitou a ver Pernambuco com exclusividade, sem demonstrar interesse pelo restante do país. Ao contrário, procurou sempre ver a Nova Lusitânia como integrante e participante decisiva do todo nacional, e sem cuja participação o Brasil não existiria tal como é hoje, para o mal e para o bem. É assim que, nas suas análises, como nas do dom Quixote Gordo, destaca-se a participação pernambucana na formação nacional e no movimento da Independência, seja nas suas vitórias, como a de 1654, seja nas suas derrotas, como as de 1817 e 1824.

Ele traça, em suas considerações finais, um vasto panorama da participação das “classes humildes”, os “revolucionários rústicos”, na formação histórica do Brasil, na Independência, no Império e na República, o que faz do Brasil uma “nação única no mundo”, “una e plural no seu modo nacional de ser”, da mesma forma como Gilberto Freyre conseguia ser revolucionário e conservador ao mesmo tempo. No conjunto, a pequena, mas riquíssima, “freyreana” de André Heráclio já constitui – sem esquecer seus outros importantes trabalhos em torno da rica obra historiográfica de Oliveira Lima – um dos mais valiosos aportes ao estudo e ao conhecimento integral da obra de Gilberto Freyre no Brasil e sobre o Brasil.

Paulo Roberto de Almeida, diplomata e professor.
Brasília, novembro de 2025
[Revisto: 8/11/2025]

As razões da ganância de Trump pela Groenlândia - Daniel Gateno, William Brizola, Lucas Keske (Estadão)

 As razões da ganância de Trump pela Groenlândia

DANIEL GATENO 

WILLIAM BRIZOLA 

LUCAS KESKE

O Estado de S. Paulo, 19 de fev. de 2026

Presidente americano mira terras raras e usa argumentos militares

No meio do caminho entre Estados Unidos e Rússia, a Groenlândia virou objeto de cobiça de Donald Trump ainda em seu primeiro mandato. O presidente americano foi atraído pela posição estratégica do território, os minerais críticos e o potencial cada vez maior do Ártico por conta das mudanças climáticas. Apesar de a Dinamarca ter recusado a proposta de venda de Washington na primeira passagem de Trump pela Casa Branca, o republicano não esqueceu a ilha e parece irredutível em sua busca pelo território.

A tentativa de Trump em dominar uma parte ainda maior do Ártico adiciona mais tensão a uma região que se tornou mais disputada, militarizada e alvo de espionagem e sabotagem nos últimos anos. O Ártico é considerado um possível campo de batalha entre Rússia e o Ocidente, já que Washington, Moscou, Canadá e os países nórdicos possuem um flanco da região e o derretimento do gelo pode tornar os territórios mais acessíveis e próximos no futuro.

Segundo Trump, a disputa pelo Ártico é o que o motiva a tornar a Groenlândia parte dos Estados Unidos. “Existem barcos russos por todo lugar, barcos chineses por todo lugar – navios de guerra. Nós precisamos da Groenlândia”, afirmou o presidente americano em um discurso no Congresso no ano passado.

A alegação de Trump é rechaçada pelas autoridades locais da Groenlândia e por especialistas. “Não é útil para a China enviar navios militares tão ao norte e a Rússia não tem nenhuma razão para atacar a Groenlândia, já que o território faz parte do Reino da Dinamarca, que é da Otan”, opina Marc Lanteigne, professor de ciências políticas da Universidade de Tromso, na região do ártico norueguês.

Apesar disso, o especialista destaca que é necessário investir na segurança do Ártico porque a competição pelos recursos da região vai aumentar nos próximos anos. “Estima-se que em apenas 10 anos poderemos ver águas abertas sobre o Polo Norte no verão e os EUA acreditam que, se eles não conseguirem extrair os recursos do Ártico, outros países irão.”

ROTAS COMERCIAIS. As passagens estratégicas do Ártico também podem transformar o potencial comercial e geopolítico da região. As grandes potências já imaginam o dia em que os navios que viajam entre Ásia, Europa e América do Norte não precisarão mais seguir para os canais do Panamá e de Suez, e sim realizar rotas mais curtas pelo Ártico.

A chamada Passagem do Noroeste começa no Estreito de Davis, justamente entre a Groenlândia e o Canadá, enquanto a Passagem do Nordeste passa pela Rússia e termina no Estreito de Bering, que separa os EUA do território russo.

O derretimento cada vez mais rápido do gelo está abrindo outros caminhos, como a Rota Marítima do Norte, que se sobrepõe à Passagem do Nordeste e percorre a costa ártica da Rússia, da Europa à Ásia, e uma potencial rota ártica central, que pode ser viável através do Polo Norte no futuro relativamente próximo.

Em 2025, o navio porta-contêineres Istanbul Bridge se tornou o primeiro navio a viajar da China para a Europa pela Rota Marítima do Norte. O trajeto foi completado em cerca de 20 dias.

De acordo com a Marine Exchange of Alaska, uma organização de monitoramento marítimo, houve um aumento de 175% de navios que passaram pelo Estreito de Bering em 2024 em relação ao número registrado em 2010.

Em meio ao aumento de possibilidades comerciais e estratégicas, Rússia e China já deixaram claro que também querem expandir a sua presença no Ártico.

Pequim não possui território na região, mas sinalizou que deseja desenvolver a chamada “Rota da Seda Polar”, enquanto Moscou reativou bases navais e tem mísseis nucleares estacionados no Extremo Norte e na Península de Kola, perto da Noruega.

“O aumento da presença russa no Ártico abriu os olhos da Otan para uma possível rivalidade entre o Ocidente e Moscou na região”, avalia Lanteigne. Os movimentos da Rússia preocupam mais os países nórdicos, que sofrem com constantes casos de espionagem e sabotagem.

Para o professor da Universidade de Tromso, a região do Ártico central pode se transformar em uma zona de colisão entre Otan, Pequim e Moscou.

PRESENÇA MILITAR. Trump alega que os EUA são o único país com capacidade de garantir a segurança da Groenlândia.

Mas Washington não precisa ter soberania sobre a ilha se quiser reforçar a segurança do local.

Em 1951, Estados Unidos e Dinamarca firmaram um acordo de defesa que permitiu o estabelecimento de bases militares americanas na Groenlândia. Os EUA já tiveram mais de 20 bases na ilha e cerca de 10 mil soldados.

Durante a Guerra Fria, a Groenlândia se tornou peçachave no tabuleiro militar entre EUA e União Soviética, já que os possíveis ataques das duas partes seriam lançados pelo Círculo Polar Ártico.

Atualmente, Washington possui ali apenas a Base Espacial Pituffik, um dos pontos militares estrategicamente mais importantes do mundo, mas tem o poder de abrir mais bases militares quando quiser.

Apesar dos questionamentos aos argumentos trumpistas, a Dinamarca reconhece que pode fazer mais para defender a ilha e anunciou um pacote de US$ 2 bilhões em renovação militar para o Ártico, com a compra de novos navios, drones e satélites.

Segundo explica o professor da Universidade de Tromso, a Groenlândia precisa de mais bases para monitorar o chamado espaço GIUK (Groenlândia-Islândia-Reino Unido), ponto vital entre o Mar da Noruega e o Atlântico que fica entre os três países que compõem a sigla.

“Esse ponto é importante e precisa de monitoramento porque, se a Rússia quisesse enviar um navio de guerra ou submarino para o Atlântico, seria por essa rota que passa pela Groenlândia, Islândia e Reino Unido.”

TERRAS RARAS. A ilha semiautônoma da Dinamarca está entre os dez territórios com as maiores reservas de terras raras do mundo. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, a ilha tem 1,5 milhão de toneladas de minerais críticos.

A Groenlândia também abriga dois dos maiores depósitos conhecidos de terras raras, em Kvanefjeld e Tanbreez. A empresa chinesa Shenghe Resources é a segunda maior acionista do projeto Kvanefjeld, com uma participação de 6,5%.

A busca por minerais críticos tem sido um dos focos do presidente Trump para competir com a China. Pequim domina a extração e o refino de terras raras, controlando 50% das reservas mundiais e 70% da produção. “Na cabeça de Trump, o Ártico é visto como um lugar de recursos importantes para a nova economia: gás, petróleo e terras raras”, avalia Lanteigne.

APLICAÇÃO. As terras raras são importantes para a confecção de produtos de alto valor no mundo moderno, como carros elétricos, celulares, equipamentos médicos, turbinas eólicas e chips de computadores, além de terem, também, uso em maquinário militar.

Mas Trump não precisa comprar a Groenlândia para explorar as terras raras da ilha. O governo do território já deixou claro que está aberto a investimentos, mas poucas empresas se interessaram por conta dos custos da operação e problemas relacionados a infraestrutura, mão de obra e gelo.

“A Groenlândia poss ui uma grande riqueza mineral, mas a mineração na ilha é difícil e cara. É preciso esperar muito tempo até que uma empresa obtenha algum lucro”, disse o professor da Universidade de Tromso.

NEGOCIAÇÃO. Mesmo com os argumentos de especialistas sobre o poder que os Estados Unidos têm sobre a Groenlândia e sua segurança, Trump se mostra irredutível em sua vontade de anexar a ilha.

O presidente americano anunciou uma série de tarifas contra países europeus por conta de sua defesa da soberania da Dinamarca, mas voltou atrás depois de uma reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial.

De acordo com informações do jornal americano The New York Times, as negociações têm se concentrado em propostas para aumentar a presença da Otan no Ártico, conceder aos Estados Unidos uma reivindicação soberana sobre partes do território da Groenlândia e impedir que China e Rússia explorem os minerais da ilha.

A Dinamarca apontou que se opõe publicamente à cessão da propriedade de qualquer terra groenlandesa, mas está aberta a negociar outras áreas que não afetem a soberania da ilha.

“Existe a esperança de que algum tipo de acordo possa ser alcançado, mas que não afete a soberania da Groenlândia”, aponta Lanteigne. “Poderia ser um acordo militar ou algum memorando de preferência para a mineração de terras raras, existem muitos pontos possíveis.” •

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PRA: Grato a Walmyr Buzzatto pela transcrição.


A China como o melhor aluno do FMI em 45 anos

 A China tem sido o melhor aluno do FMI desde que se associou às entidades de Bretton Woods em 1980, ou seja 45 anos de prosperidade continua. PRA

Copio de postagem do professor Celso Hildebrand (FIA-USP) no Linkedin:

“O Programa de Comércio Exterior Brasileiro da FIA (USP), identifica um otimismo moderado do FMI em relação ao desempenho da economia chinesa.

O Fundo reconhece haver na economia chinesa uma “notável resiliência, apesar dos múltiplos choques enfrentados nos últimos anos”.

Aponta para o crescimento do PIB real de 5% em 2025, graças a seus volumes exportados e aos estímulos concedidos pelo governo central. Identifica ainda que a demanda interna privada é modesta, embora tivesse ocorrido no ano que passou um pequeno recrudescimento inflacionário. Mesmo assim, a inflação geral continua baixa, com média de 0%. Essa baixa inflação em relação aos seus principais parceiros comerciais provocou uma depreciação da taxa de câmbio real, trazendo apoio ao ritmo intenso de suas exportações e dando causa ao aumento no saldo da balança corrente (coisa de 3,3% do PIB, no ano que se findou).

Apesar dos conflitos geopolíticos, da guerra tarifária e de outras incertezas, o FMI projeta uma desaceleração do crescimento do PIB de apenas 0,5%, para 4,5% em 2026. A economia neste ritmo deve embutir uma taxa de ociosidade igual ou pouco maior que a de 2025, com pressões deflacionárias e redução da força de trabalho. Esse quadro deve comprometer, em alguma medida, os retornos sobre investimentos e produzir um crescimento mais lento da produtividade. 

Os riscos não se alteram muito. Permanecem associados à contração do mercado imobiliário, que associados aos elevados níveis de endividamento, podem fragilizar ainda mais a demanda interna, contribuindo para a persistência da deflação e para a maior dependência de suas exportações. A escalada das tensões comerciais é o principal risco externo negativo. Neste quadro é de se esperar por novos estímulos governamentais e por esforços negociais para reduzir as tensões comerciais.”


Uma nação de privilegiados? - Paulo Roberto de Almeida

 Uma nação de privilegiados?

Os ganhos efetivos, reais (pois vários sem IR), dos excelentissimos aristocratas da magistratura representaram TRÊS VEZES o teto máximo autorizado pela legislação. O ministro Dino pretende, também, cortar TODOS os “penduricalhos” e exigir explicações em 60 dias?

Transcrevo do Estadão 19/02/2026:


“Em mais um capítulo da série Ilustríssimo Privilégio, os repórteres Wesley Galzo e Gustavo Côrtes revelam que ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior do Trabalho (TST) e Superior Tribunal Militar (STM) receberam, na reta final de 2025, em média R$ 129 mil líquidos — o triplo do teto constitucional — impulsionados por penduricalhos. Esses vencimentos ocorrem graças a artifícios usados para driblar os limites legais por meio do pagamento de verbas indenizatórias além dos salários. 

O Estadão analisou os contracheques de todos os membros dos três tribunais em dezembro e identificou que os salários acima dos R$ 100 mil foram viabilizados por uma miríade de adicionais, como licença compensatória, licença prêmio, gratificação por tempo de serviço, abono permanência e auxílios variados. 

O levantamento não contabilizou o 13º ou a venda de férias, pois são benefícios garantidos por lei a funcionários públicos e trabalhadores da iniciativa privada. 

Procurados, o STJ e o TST afirmaram que valores abarcam diversos benefícios autorizados por lei pelo CNJ; demais tribunais não se manifestaram. 

Nos bastidores do poder em Brasília, o colunista Álvaro Gribel observa que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), quer criar uma teoria da conspiração para desviar o foco do principal: o suposto contrato milionário entre o escritório da sua esposa e o falido Banco Master e a sociedade do ministro Dias Toffoli em um resort de luxo por valores muito acima da sua renda acumulada como servidor público.

Segundo o colunista, comenta-se nos corredores que o magistrado faz parte de um grupo de autoridades próximas ao banqueiro Daniel Vorcaro, ao lado de Toffoli e de políticos como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o ex-presidente da Câmara Arthur Lira e o atual presidente da Casa, Hugo Motta. A lista ainda incluiria dezenas de deputados e senadores que, direta ou indiretamente, surfaram na onda de crescimento da instituição financeira nos últimos anos. 

O que não para em pé na conduta dele, sinaliza Gribel, é o uso do inquérito das fake news — que tem a ver com a tentativa de golpe por parte de Bolsonaro em 2022 — para investigar a quebra de sigilo de membros da Corte e de seus familiares a partir de 2023, ou seja, durante o governo Lula. Leia a coluna na íntegra.”


PRA: O venerando jornal conservador tem sido revolucionário ao denunciar os abusos da casta politica em nosso país, assim como os privilégios indefensáveis da aristocracia da magistratura, que destroi qualquer laivo de moralidade ao quebrar ela mesma regras e normas que impediriam que altos mandarins do Estado assaltassem a nação dessa forma desavergonhada como vêm fazendo ao longo de anos e anos e de forma crescentemente despudorada.

Vivem melhor do que a nobreza do Ancien Regime, que acabou provocando uma revolução popular, com destruições seguidas de um regime de Terror. 

É a isso que suas Excelências pretendem conduzir o pais?

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 19/02/2026


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Países de origem dos acessos a meus trabalhos Academia.edu - Paulo Roberto de Almeida

Países de origem dos acessos a meus trabalhos Academia.edu
(apenas acima de 10 acessos em um mês)

Paulo Roberto de Almeida
(19 de janeiro a 18 de fevereiro de 2026)

Country 30-Day Views All-Time Views
Brazil 854 236,204
The United States 211 31,066
Vietnam 159 1,251
Singapore 148 984
China 78 2,383
India 48 1,421
The Russian Federation 47 1,557
Portugal 44 9,219
The United Kingdom 32 2,534
Turkey 30 718
The Netherlands 29 973
Germany 29 2,099
France 27 4,535
Italy 26 1,656
Spain 26 2,972
Canada 23 2,575
Greece 22 423
Indonesia 20 664
Angola 19 3,424
Romania 19 437
Argentina 17 2,354
Switzerland 15 1,441
Venezuela 12 826
Iraq 12 253
Mexico 12 1,222
South Africa 11 486
Pakistan 11 367
Austria 10 272
Uruguay 9 620

Como acabar a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia? Eu não tenho a resposta, nem a Madame IA:

Grato ao Airton Dirceu Lemmertz pelo serviço IA, mas tenho de PROTESTAR imediatamente quanto a essa coisa de "guerra deliberada entre Ucrânia e Rússia".

NUNCA houve isso, o que existe é:

GUERRA DE AGRESSÃO DA RÚSSIA CONTRA A UCRÂNIA!

Com muitos crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Essa é a realidade...

PRA

 Elabore uma lista com as 20 principais perguntas a serem feitas para alguém que quer entender realmente o porquê de entrarmos/estarmos em quatro anos consecutivos de guerra deliberada entre Ucrânia e Rússia. Apresente as 20 perguntas em ordem decrescente de importância. Justifique o porquê de cada pergunta (ou seja, qual a sua respectiva importância para a compreensão dessa guerra).


https://diplomatizzando.blogspot.com/search?q=Ucr%C3%A2nia&max-results=20&by-date=true

Entender a persistência da guerra entre Rússia e Ucrânia por quatro anos consecutivos (2022-2026) exige analisar camadas que vão desde a segurança regional até as mudanças na ordem mundial.
Abaixo, elenco as 20 perguntas essenciais em ordem decrescente de importância para compreender este conflito prolongado:
Qual é o papel da expansão da OTAN na percepção de segurança da Rússia?
Importância: É o principal argumento geopolítico de Moscou. Entender se a OTAN é vista como uma ameaça existencial ou um pretexto para o expansionismo russo é a base para compreender o início e a continuidade do conflito.
Por que a Ucrânia considera sua soberania e integridade territorial inegociáveis?
Importância: Explica a resiliência ucraniana. Sem entender o desejo da Ucrânia de se autodeterminar fora da esfera de influência russa, não se compreende por que o país aceita o alto custo humano e econômico da guerra.
Qual a importância estratégica e histórica da Crimeia para ambos os lados?
Importância: A anexação de 2014 foi o ponto de ruptura. A Crimeia abriga a Frota do Mar Negro e simboliza a identidade russa, sendo o "nó górdio" de qualquer acordo de paz.
Como a Revolução de Maidan (2014) alterou a trajetória política da Ucrânia?
Importância: Marcou a guinada definitiva da Ucrânia em direção ao Ocidente (UE e OTAN), o que a Rússia interpretou como um "golpe" arquitetado por potências estrangeiras para isolá-la.
Qual o peso dos conflitos em Donbas (Donetsk e Luhansk) para a justificativa russa?
Importância: A proteção das populações de língua russa foi o argumento central para a "operação militar especial". Analisar o separatismo financiado por Moscou é crucial para entender o início da invasão em larga escala.
Como a ajuda militar e financeira do Ocidente sustenta o esforço de guerra ucraniano?
Importância: Sem o apoio dos EUA e da Europa, a capacidade defensiva da Ucrânia seria drasticamente reduzida. Isso explica como uma guerra de atrito pode durar tanto tempo.
De que forma as sanções econômicas falharam (ou tiveram sucesso) em parar a máquina de guerra russa?
Importância: A economia russa demonstrou uma resiliência inesperada ao redirecionar suas exportações para países como China e Índia, o que financia a continuidade dos combates.
Como a visão de Vladimir Putin sobre a "unidade histórica" entre russos e ucranianos motiva o conflito?
Importância: Revela o componente ideológico e imperialista. Putin frequentemente argumenta que a Ucrânia não é uma nação real, mas uma parte integrante do "Mundo Russo".
Qual o impacto da chegada de Donald Trump à presidência dos EUA (2025) no desenrolar da guerra?
Importância: Mudanças na política externa americana podem forçar negociações ou alterar o fluxo de armas, impactando diretamente o equilíbrio de forças no campo de batalha.
Por que a região de Zaporizhzhia e suas usinas nucleares são pontos críticos?
Importância: Além de ser um centro industrial, o controle de infraestrutura energética e o risco de um desastre nuclear elevam a guerra a uma ameaça de segurança global.
Como o apoio de países como Irã, Coreia do Norte e China beneficia a Rússia?
Importância: Mostra que a Rússia não está totalmente isolada. O fornecimento de drones, munições e componentes tecnológicos é vital para que Moscou sustente uma guerra longa.
O que é a "desnazificação" alegada pela Rússia e por que ela é contestada?
Importância: É o principal elemento da propaganda russa. Entender como Moscou constrói essa narrativa ajuda a compreender a mobilização da sua opinião pública interna.
Qual o papel dos interesses energéticos (gás e petróleo) nesta guerra?
Importância: A guerra reconfigurou o mercado energético mundial e a dependência da Europa do gás russo, sendo uma arma de pressão política significativa.
Como o nacionalismo ucraniano se transformou desde a invasão de 2022?
Importância: A guerra consolidou uma identidade nacional ucraniana unida e profundamente anti-russa, o que torna a ocupação russa de longo prazo quase impossível de sustentar socialmente.
Quais as implicações da guerra para a segurança alimentar global?
Importância: A interrupção da exportação de grãos e fertilizantes da Ucrânia e Rússia afeta preços mundiais, tornando o conflito uma questão vital para o Sul Global.
Como o Tribunal Penal Internacional e as acusações de crimes de guerra influenciam o isolamento de Putin?
Importância: As questões jurídicas internacionais complicam qualquer saída diplomática que envolva a reabilitação das lideranças russas no cenário mundial.
Qual a relevância da indústria de defesa russa e ucraniana na autonomia do conflito?
Importância: A capacidade de produção interna de drones e mísseis determina quem tem fôlego para uma guerra de atrito que ultrapassa os quatro anos.
Por que a adesão da Ucrânia à União Europeia é um ponto de discórdia tão grande?
Importância: Representa a integração econômica e política definitiva ao bloco ocidental, algo que a Rússia vê como a perda total de sua zona de amortecimento.
Como a opinião pública na Rússia e na Ucrânia reagiu ao prolongamento do conflito?
Importância: O apoio ou o cansaço das populações internas são os limites reais para a continuação de qualquer esforço de guerra deliberado.
Quais são os possíveis cenários para um cessar-fogo ou acordo de paz em 2026?
Importância: Analisar se a guerra terminará com "fronteiras congeladas" (estilo coreano) ou uma vitória militar clara é essencial para prever a nova arquitetura de segurança da Europa.

Fonte (IA Gemini, a IA do Google):
https://share.google/aimode/er8iZa6gPMXJK1qlL

A IMENSA CORRUPÇÃO RUSSA no âmbito das FFAA: a cleptocracia em ação em todos os setores

Billet : Poutine piégé par son propre système : pourquoi la Russie ne pourra jamais gagner en Ukraine   

La corruption : cancer métastasé de l'armée russe

Un système bâti sur le mensonge

Maxime Marquette
Votre Dose Quotidienne, 16 Fev 2026
https://dosequotidienne.ca/2026/02/16/billet-poutine-piege-par-son-propre-systeme-pourquoi-la-russie-ne-pourra-jamais-gagner-en-ukraine/#google_vignette

La corruption dans les forces armées russes n’est pas un phénomène nouveau, mais elle a atteint sous Poutine des proportions proprement sidérantes qui auraient dû alerter les observateurs bien avant le premier coup de canon. Les pratiques qui auraient valu des procès en cour martiale dans n’importe quelle armée professionnelle sont devenues la norme institutionnelle en Russie, où chaque maillon de la chaîne logistique représente une opportunité de gain personnel aux dépens de l’efficacité militaire. Cette corruption n’épargne aucun secteur, du simple soldat qui revend son carburant sur le marché noir aux généraux qui siphonnent les budgets d’équipement pour s’offrir des dachas luxueuses et des comptes en Suisse.

Les témoignages recueillis depuis le début du conflit sont éloquents sur l’étendue du désastre. Des colonnes entières de véhicules se sont retrouvées à court de carburant à quelques dizaines de kilomètres de leur base de départ, non pas parce que les réserves n’existaient pas, mais parce que les officiers responsables de la logistique avaient revendu le précieux liquide bien avant que les premiers chars ne prennent la route. Des unités d’élite censées bénéficier des meilleurs équipements se sont retrouvées avec des gilets pare-balles expirés, des jumelles de vision nocturne inopérantes et des systèmes de communication incapables de fonctionner au-delà de quelques centaines de mètres. L’argent était là, alloué par le budget de l’État, mais il n’a jamais atteint sa destination finale, dévoré par une clique de profiteurs qui prospèrent sur l’incompétence généralisée.

Cette corruption généralisée n’est pas qu’une simple question d’argent détourné, elle représente une trahison envers chaque soldat envoyé au front avec un équipement défaillant, chaque famille qui attend le retour d’un proche parti se battre avec des armes inférieures à celles promises. Le système russe a sacrifié ses propres enfants sur l’autel du profit personnel, et c’est peut-être le crime le plus impardonnable de cette guerre.

Les conséquences mortelles sur le terrain

L’impact de cette prédation institutionnalisée se mesure en vies humaines sur le terrain ukrainien. Les rapports font état de soldats russes contraints de pourchasser les pigeons pour se nourrir, de vider les fermes environnantes de leurs animaux pour éviter la famine, pendant que les officiers supérieurs continuaient de profiter des confortables allocations de terrain. Cette situation grotesque rappelle les pires moments des campagnes napoléoniennes, sauf que Napoléon avait au moins l’excuse de la distance et de l’hostilité du terrain, tandis que les forces russes opèrent à quelques centaines de kilomètres de leurs bases, sur un territoire dont les infrastructures n’ont pas été totalement détruites.

Logistique et approvisionnement : le talon d'Achille mortel©Adobe Stock

Une chaîne d’approvisionnement brisée

La logistique militaire est souvent décrite comme l’art de faire arriver les bonnes choses au bon endroit au bon moment, et c’est précisément dans cet art que l’armée russe a brillé par son incompétence totale. Les rapports des instituts de recherche occidentaux, notamment le Chatham House et le Royal United Services Institute, ont documenté avec précision l’effondrement progressif de la capacité russe à maintenir ses lignes d’approvisionnement. Ce qui devrait être la base fondamentale de toute opération militaire moderne s’est transformé en un casse-tête insurmontable pour un État qui prétendait pouvoir projeter sa puissance sur plusieurs continents.

Les problèmes logistiques russes s’inscrivent dans une tradition historique de négligence organisationnelle, mais ils ont été considérablement aggravés par les sanctions internationales qui ont privé l’industrie militaire russe de composants essentiels. Les chaînes de production d’équipements de haute technologie dépendaient massivement d’importations occidentales que Moscou ne peut plus se procurer légalement. Cette dépendance, jamais admise publiquement, a révélé au grand jour l’incapacité de l’industrie russe à produire de manière autonome les composants électroniques, les systèmes optiques et les matériaux avancés nécessaires aux armements modernes. Les usines tournent au ralenti, les ingénieurs qualifiés fuient le pays, et les tentatives de contourner les sanctions par des circuits parallèles ne suffisent pas à combler les besoins.

Il y a une ironie cruelle à voir la Russie, héritière d’une industrie militaire soviétique qui fut jadis l’envie du monde entier, réduite à mendier des drones iraniens et des munitions nord-coréennes pour maintenir son effort de guerre. Le géant aux pieds d’argile n’a jamais été aussi fragile, et chaque mois qui passe révèle de nouvelles fissures dans une structure que la propagande s’acharnait à présenter comme indestructible.

Le piège de l’attrition

La stratégie russe s’est progressivement enlisée dans une guerre d’attrition que Moscou n’avait absolument pas anticipée et pour laquelle elle n’était pas préparée. Les planificateurs militaires russes avaient conçu leurs opérations pour un conflit court, intense, se terminant par une victoire rapide qui aurait légitimé l’ensemble de l’entreprise aux yeux de la population et de la communauté internationale. Au lieu de cela, l’armée russe se retrouve engagée dans une guerre de positions qui épuise ses ressources humaines et matérielles à un rythme insoutenable, sans perspective de percée décisive. Cette transformation d’un conflit censé être éclair en une guerre d’usure interminable représente l’un des plus graves échecs stratégiques de l’histoire militaire moderne.  

L'échec des réformes militaires : une modernisation fantôme©Adobe Stock

Les promesses non tenues du programme 2011-2020

Le programme de modernisation lancé en 2011 devait être la pierre angulaire de la renaissance militaire russe, transformant une armée soviétique vieillissante en une force moderne capable de projeter sa puissance au-delà des frontières. Dix ans plus tard, les résultats parlent d’eux-mêmes : une grande partie des équipements présentés comme nouveaux étaient en réalité d’anciens modèles légèrement modernisés, et les systèmes véritablement innovants annoncés avec fracas restaient invisibles sur le terrain. Cette situation s’explique par la conjonction de plusieurs facteurs : la corruption endémique qui a détourné les budgets d’équipement, l’incompétence industrielle qui a retardé les programmes de développement, et le conservatisme des états-majors qui a préféré les équipements familiers aux systèmes plus performants mais moins bien maîtrisés.

Les exemples d’équipements qui n’ont jamais atteint les unités de première ligne sont légion. Les nouveaux chars T-14 Armata, présentés comme les plus avancés au monde lors des parades de la Victoire, brillent par leur absence sur le front ukrainien, leurs systèmes trop complexes et trop coûteux ayant été jugés impossibles à déployer en nombre suffisant. Les systèmes de communication modernes qui devaient permettre une coordination parfaite entre les différentes unités se sont révélés inexistants ou inopérants, obligeant les commandants à utiliser des réseaux civils facilement interceptés par les Ukrainiens. Les drones de combat qui devaient donner à la Russie une supériorité aérienne sans précédent ont été supplantés par des engins iraniens importés en urgence pour combler les lacunes d’une industrie nationale incapable de produire des plateformes compétitives.

Cette incapacité à honorer les promesses de modernisation révèle quelque chose de profondément dysfonctionnel dans le système russe : un écart permanent entre les ambitions affichées et les capacités réelles, entre la propagande et la réalité, entre ce que le pays prétend être et ce qu’il est vraiment. Ce n’est pas simplement un échec industriel ou militaire, c’est l’échec d’un modèle entier de gouvernance.

L’industrie de défense en déliquescence

Les arsenaux russes qui produisaient jadis des armes utilisées dans le monde entier traversent une crise sans précédent qui menace leur existence même. Les sanctions occidentales ont coupé l’accès aux composants essentiels, les ingénieurs qualifiés ont fui le pays par milliers, et les investissements dans la recherche et le développement ont été sacrifiés au profit d’une production de masse d’équipements obsolètes. Cette situation crée un cercle vicieux : plus l’industrie produit des équipements dépassés, moins elle est capable de développer des systèmes compétitifs, et plus l’armée dépend d’équipements qui la rendent vulnérable face à des adversaires technologiquement supérieurs.   

L'impasse stratégique : une victoire impossible©Adobe Stock

L’erreur fondamentale de sous-estimation

Les experts du Royal United Services Institute ont parfaitement résumé l’erreur fondamentale du Kremlin dans leur assessment : les Russes ont surestimé leurs propres capacités tout en sous-estimant spectaculairement les Ukrainiens, aveuglés par une vision raciste et impérialiste qui considérait les Ukrainiens comme des « petits Russes », un peuple inférieur incapable de résister à la puissance militaire de leur grand voisin. Ce mépris, ancré dans des décennies de propagande impériale, a conduit à une planification désastreuse qui n’a jamais envisagé sérieusement la possibilité d’une résistance prolongée. Les opérateurs russes ont été envoyés au combat avec des ordres de ne pas tirer, convaincus que la population ukrainienne les accueillerait en libérateurs, une erreur d’appréciation qui a coûté cher en vies humaines et en équipements dès les premiers jours du conflit.

Cette erreur d’appréciation n’était pas qu’une simple question de renseignement défaillant, elle reflétait une culture institutionnelle incapable de concevoir que des peuples anciennement soumis puissent développer une identité nationale distincte et une volonté de défense farouche. Les planificateurs russes ont projeté leurs propres fantasmes impériaux sur la réalité ukrainienne, imaginant un pays divisé, une armée démotivée, une population prête à se soumettre. Chacun de ces présupposés s’est heurté à une réalité radicalement différente, transformant ce qui devait être une promenade militaire en une épreuve de force dont la Russie ne sortira pas intacte.

Cette arrogante sous-estimation de l’adversaire rappelle les pires moments de l’histoire militaire, ces moments où des puissances convaincues de leur supériorité intrinsèque se heurtent à la dure réalité d’un ennemi qui refuse de jouer le rôle qu’on lui a assigné. La résistance ukrainienne restera dans les annales comme un exemple lumineux de ce qu’un peuple déterminé peut accomplir face à un agresseur techniquement supérieur mais moralement vide.

L’impossibilité d’une victoire conventionnelle

Trois ans après le début des hostilités, la victoire conventionnelle que Poutine avait promise est devenue un objectif manifestement impossible à atteindre. L’armée russe a démontré son incapacité à percer les lignes de défense ukrainiennes de manière décisive, à maintenir des avancées territoriales significatives, ou à détruire la capacité de résistance adverse malgré des ressources théoriquement supérieures. Chaque tentative d’offensive majeure s’est soldée par des pertes considérées pour des gains territoriaux minimes, transformant le conflit en une guerre de positions où les deux camps s’épuisent sans qu’aucun ne puisse prétendre à une victoire décisive.  

Les conséquences économiques : une Russie appauvrie©Adobe Stock

Le spectre de l’effondrement soviétique

Les services de renseignement ukrainiens ont dressé un parallèle saisissant entre la situation économique actuelle de la Russie et la crise qui a précédé l’effondrement de l’Union soviétique. Si l’échelle des problèmes actuels reste inférieure à celle des années 1990, la trajectoire est identique : des difficultés financières croissantes masquées par l’endettement, une économie de plus en plus dépendante de l’exportation de matières premières, une fuite des capitaux et des talents qui prive le pays de ses forces vives. Cette comparaison n’est pas qu’une simple analogie, elle reflète une réalité économique où la Russie s’engage dans une spirale de déclin qui pourrait s’avérer irréversible si les tendances actuelles se poursuivent.

Les sanctions économiques imposées par l’Occident ont accéléré un processus de marginalisation économique qui était déjà en cours avant le conflit. La Russie s’est retrouvée coupée des marchés financiers internationaux, privée d’accès aux technologies occidentales, contrainte de restructurer l’ensemble de ses chaînes d’approvisionnement vers des partenaires asiatiques moins exigeants mais aussi moins fiables. Cette réorientation forcée a un coût considérable en termes de compétitivité économique, de qualité des produits disponibles, et de capacité d’innovation à long terme. Le pays qui ambitionnait de devenir une puissance technologique alternative à l’Occident se retrouve transformé en un fournisseur secondaire de ressources naturelles pour les économies chinoise et indienne en pleine expansion.

Il y a quelque chose de profondément triste dans ce déclin économique d’un pays qui avait tous les atouts pour prospérer : des ressources naturelles immenses, une population éduquée, une tradition scientifique respectable. Ces atouts ont été gaspillés par un système incapable de les valoriser, une gouvernance qui a préféré l’enrichissement immédiat d’une élite corrompue au développement durable du pays tout entier.

L’avenir économique bouché

Les perspectives économiques à long terme de la Russie sont parmi les plus sombres de son histoire récente, avec une combinaison de facteurs qui s’alimentent mutuellement pour créer une spirale négative difficile à inverser. La fuite des cerveaux a privé le pays d’une partie significative de sa main-d’œuvre qualifiée, les investissements étrangers ont fui un environnement devenu trop risqué, et la dépendance croissante envers la Chine transforme progressivement la Russie en un État vassal économique de son puissant voisin asiatique. Cette situation représente un échec stratégique majeur pour un pays qui ambitionnait de redevenir une puissance mondiale autonome.   

L'impératif impérial : une menace persistante©Adobe Stock

Une ambition qui ne mourra pas

Même si la Russie sortait du conflit ukrainien dans un état considérablement affaibli, son impulsion impériale ne disparaîtra pas avec les échecs militaires. Cette ambition de domination régionale est ancrée dans l’ADN de l’État russe depuis des siècles, alimentée par une vision du monde qui considère les pays voisins comme des zones d’influence légitimes plutôt que des souverainetés indépendantes. Les experts s’accordent à dire que seule l’effondrement complète de l’État russe pourrait mettre fin à cette dynamique expansionniste, une perspective qui reste improbable même dans les scénarios les plus pessimistes pour Moscou. La paix durable en Europe de l’Est nécessitera donc une vigilance permanente et des garanties de sécurité robustes pour les pays frontaliers de la Russie.

Cependant, les capacités militaires russes ont été suffisamment dégradées par le conflit ukrainien pour rendre improbable toute tentative d’agression contre les pays baltes ou la Pologne dans un avenir prévisible. Les pertes en équipements modernes, en personnel entraîné et en ressources financières ont repoussé de plusieurs décennies la capacité russe à projeter sa puissance militaire contre un adversaire de niveau comparable. Cette dégradation n’élimine pas la menace à long terme, mais elle offre une fenêtre d’opportunité cruciale pour les pays de l’OTAN afin de renforcer leurs défenses et de consolider leur dissuasion face à une Russie qui restera dangereuse malgré ses faiblesses apparentes.

Cette réalité d’une Russie affaiblie mais toujours dangereuse oblige l’Occident à maintenir une vigilance que l’histoire a trop souvent démontrée nécessaire. Les cycles d’expansion et de repli de la puissance russe font partie de l’ADN européen depuis des siècles, et l’erreur serait de croire que la défaite actuelle sonne le glas définitif des ambitions impériales moscovites.

La nécessité d’une présence occidentale

Les experts du Royal United Services Institute ont souligné un point crucial : la seule manière d’assurer une paix viable en Ukraine serait le déploiement de troupes de l’OTAN comme force de dissuasion contre toute nouvelle agression russe. Sans cette garantie concrète, les Ukrainiens n’auraient aucune raison de croire en la pérennité de leur État, et les investissements nécessaires à la reconstruction du pays deviendraient impossibles à justifier. Cette présence occidentale ne serait pas une provocation mais une réponse nécessaire à une agression qui a démontré sa réalité par trois ans de conflit destructeur.

L'Occident face à ses responsabilités©Adobe Stock

Ne pas céder au chantage

L’un des enseignements les plus importants de ce conflit est la nécessité pour l’Occident de ne pas céder au chantage nucléaire et aux menaces d’escalade systématiquement brandies par le Kremlin. La Russie a développé une rhétorique de l’intimidation qui menace régulièrement de conséquences catastrophiques en cas de soutien occidental à l’Ukraine, une stratégie qui a fonctionné pendant des années pour limiter l’engagement des puissances occidentales. Or, cette intimidation repose largement sur du bluff, comme l’a démontré le fait que chaque escalade de l’aide militaire occidentale n’a jamais déclenché les représailles massives promises par Moscou. Reconnaître cette réalité est essentiel pour définir une politique de soutien à l’Ukraine qui ne se laisse paralyser par des menaces creuses.

Le rapport du European Council on Foreign Relations publié en janvier 2026 a parfaitement résumé cette nécessité : l’Occident doit cesser de croire au mythe de l’invincibilité russe et exploiter les faiblesses du Kremlin pour obtenir une négociation authentique plutôt qu’une capitulation déguisée. Cette approche implique de maintenir et d’augmenter le soutien militaire à l’Ukraine, de renforcer les sanctions économiques contre la Russie, et de démontrer clairement que la patience occidentale n’est pas illimitée mais que la détermination à soutenir un allié agressé reste intacte. C’est seulement par cette démonstration de résolution que Moscou peut être contraint à des négociations sincères.

Le moment est venu pour l’Occident de comprendre que la fermeté n’est pas une provocation mais une nécessité, que céder au chantage ne fait qu’encourager de nouvelles exigences, et que la crédibilité des démocraties est en jeu dans leur capacité à soutenir un peuple qui défend ses valeurs face à l’agression. L’Ukraine ne demande pas que l’on combatte à sa place, mais qu’on lui donne les moyens de se défendre.

Doubler les efforts pour la victoire ukrainienne

La conclusion des experts est sans appel : l’Occident doit doubler son soutien à l’Ukraine plutôt que de chercher des accommodements avec un régime qui n’a jamais respecté ses engagements internationaux. Cette approche n’est pas simplement une question de solidarité avec un allié agressé, elle répond à un impératif stratégique de longue portée pour la sécurité européenne. Une Russie qui sortirait du conflit avec des gains territoriaux validés par un accord de paix précipité serait encouragée à reproduire le même scénario contre d’autres voisins, tandis qu’une Russie confrontée à un échec clair serait forcée de reconsidérer ses ambitions expansionnistes. Le choix occidental entre ces deux scénarios déterminera la configuration de la sécurité européenne pour les décennies à venir.  

Les leçons militaires du conflit©Adobe Stock

L’importance de la logistique

Ce conflit a cruellement démontré l’importance de la logistique militaire dans les opérations modernes, une leçon que les armées occidentales avaient tendance à sous-estimer dans un contexte de projection de puissance lointaine. Les Russes ont échoué non pas parce qu’ils manquaient d’armes sophistiquées, mais parce qu’ils ont été incapables d’acheminer les munitions, le carburant et les pièces de rechange nécessaires aux opérations soutenues. Cette carence a transformé ce qui aurait pu être des offensives décisives en avancées timides suivies de replis humiliants, chaque poussée étant limitée par l’incapacité à maintenir les lignes d’approvisionnement. Les armées occidentales, qui ont pris l’habitude de combats de haute intensité mais de courte durée au Moyen-Orient, doivent tirer les leçons de ce conflit pour leurs propres doctrines d’approvisionnement.

L’importance des drones et des systèmes de surveillance a également été soulignée par ce conflit, qui a vu l’émergence d’une forme de combat où chaque mouvement peut être détecté et frappé en temps réel. Les armées russes et ukrainiennes ont dû adapter leurs tactiques à cette nouvelle réalité, renonçant aux mouvements de masse au profit d’actions dispersées et camouflées. Cette évolution impose une révolution doctrinale que les armées occidentales n’ont pas encore pleinement intégrée, et qui nécessite des investissements considérables en contre-mesures électroniques et en systèmes de protection active pour les véhicules terrestres.

Cette évolution technologique du champ de bataille représente à la fois un défi et une opportunité pour les armées occidentales. Un défi parce que les équipements actuels n’ont pas été conçus pour ce type d’environnement saturé de drones et de senseurs. Une opportunité parce que les démocraties occidentales possèdent les capacités technologiques et industrielles pour développer les solutions de demain, à condition d’investir maintenant plutôt que d’attendre d’être confrontées au même type de menace.

La résilience ukrainienne comme modèle

La résistance ukrainienne a démontré qu’une nation déterminée pouvait compenser une infériorité numérique et technologique par une supériorité morale et organisationnelle. Les Ukrainiens ont su adapter leurs tactiques, exploiter les faiblesses adverses, et maintenir une cohésion nationale malgré les pertes et les destructions massives. Cette résilience offre des enseignements précieux pour tous les pays qui pourraient se trouver confrontés à une agression similaire et qui doivent planifier leur défense en conséquence. L’importance de la préparation de la population, de la formation des réservistes, de la dispersion des stocks militaires, et de la planification de la résistance en territoire occupé a été cruellement démontrée par ce conflit.    

Le prix humain d'une guerre inutile©Adobe Stock

Les victimes oubliées

Derrière les analyses stratégiques et les considérations géopolitiques, il ne faut jamais perdre de vue le prix humain effroyable de cette guerre qui n’aurait jamais dû avoir lieu. Des centaines de milliers de soldats russes et ukrainiens ont perdu la vie, des millions de civils ont été déplacés, des villes entières ont été rasées, des familles ont été déchirées par des lignes de front qui traversent des communautés autrefois unies. Ces souffrances ne sont pas des dommages collatéraux inévitables d’un conflit nécessaire, mais le résultat direct d’une aventure militariste lancée par un régime qui a sciemment sacrifié des vies humaines pour des ambitions de grandeur délirantes.

Les crimes de guerre documentés sur le territoire ukrainien ajoutent une dimension supplémentaire à cette tragédie humaine. Les exécutions sommaires, les déportations forcées, les bombardements indiscriminés des zones résidentielles, les actes de torture et de violence sexuelle perpétrés par les forces russes constituent une souillure morale qui ne sera pas effacée par un accord de paix. Ces actes exigent une justice que les victimes sont en droit d’attendre, et dont l’absence constituerait une victoire supplémentaire pour l’impunité dont bénéficient les puissants qui lancent des guerres sans jamais en subir eux-mêmes les conséquences.

Cette guerre a créé une génération d’orphelins, de veuves, de blessés à vie dont les cicatrices ne guériront jamais vraiment. Ces victimes méritent que le monde se souvienne d’elles, que leur sacrifice ne soit pas oublié derrière les négociations diplomatiques et les calculs géopolitiques. Chaque vie perdue est un monde détruit, et le devoir de mémoire est le minimum que nous devons à ceux qui ont souffert pour les errements d’un dictateur.

Les cicatrices durables

Même après la fin des hostilités, les séquelles de cette guerre perdureront pendant des générations. Les traumatismes psychologiques, les invalidités permanentes, les destructions environnementales, la contamination des sols par les munitions et les mines créeront des obstacles au développement de l’Ukraine pour des décennies. La reconstruction du pays nécessitera des investissements considérables que la communauté internationale aura la responsabilité d’assumer, non pas par charité mais par solidarité avec une nation qui a défendu des valeurs communes face à une agression injustifiée.  

Conclusion : Un avenir à construire ensemble©Adobe Stock

L’espoir malgré tout

Malgré l’ampleur des destructions et la gravité des défis qui attendent l’Ukraine et l’Europe, il reste des raisons d’espérer. La détermination ukrainienne n’a jamais faibli, la solidarité occidentale s’est révélée plus robuste que prévu, et la Russie a démontré ses faiblesses de manière irréfutable. Ces éléments offrent une base pour construire un avenir où l’agression ne paie pas, où les frontières ne peuvent être redessinées par la force, et où les peuples ont le droit de choisir leur propre destin. Cette vision n’est pas une utopie naïve mais un objectif réaliste si l’Occident maintient sa résolution et refuse de céder aux pressions du Kremlin.

Le chemin vers la paix durable sera long et difficile, semé d’obstacles et de rechutes possibles. Il nécessitera une vigilance constante, des investissements militaires soutenus, une coopération renforcée entre alliés occidentaux, et une détermination inébranlable à ne pas abandonner les Ukrainiens à leur sort. Mais l’alternative, une capitulation face à l’agression qui encouragerait d’autres aventures similaires, est inacceptable. L’histoire jugera les dirigeants occidentaux sur leur capacité à rester fidèles aux valeurs qu’ils prétendent défendre, et les peuples d’Europe sur leur solidarité envers une nation qui a payé le prix fort pour sa liberté.

Le combat de l’Ukraine est le combat de tous ceux qui croient que la liberté vaut mieux que la soumission, que le droit doit primer sur la force, que les peuples ont le droit de décider de leur propre avenir. Ce combat n’est pas terminé, mais chaque jour qui passe confirme que la cause de la liberté, aussi difficile soit-elle à défendre, reste la seule qui vaille la peine d’être menée jusqu’au bout.

La responsabilité de l’Occident

L’Occident porte une responsabilité historique dans l’issue de ce conflit, une responsabilité qui va bien au-delà des intérêts géopolitiques immédiats. Les valeurs de liberté, de démocratie et de droit international que l’Ukraine défend sont celles que les démocraties occidentales prétendent incarner. Abandonner l’Ukraine ce serait trahir ces valeurs et admettre qu’elles ne valent que lorsqu’elles ne coûtent rien. Soutenir l’Ukraine jusqu’à la victoire, en revanche, ce serait affirmer que ces valeurs ont un prix et que les démocraties sont prêtes à le payer pour les défendre. Ce choix définira le monde de demain, et l’histoire n’oubliera pas ceux qui auront eu le courage de faire le bon.

Le moment est venu de choisir son camp, non pas entre l’Est et l’Ouest, mais entre le droit et la force, entre la liberté et la soumission, entre un avenir où les peuples décident de leur destin et un monde où les dictateurs imposent leur volonté par les armes. L’Ukraine a fait son choix avec une clarté exemplaire. À l’Occident d’honorer le sien.  


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Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...