domingo, 13 de setembro de 2026

Da extração de pau-brasil ao sequenciamento do genoma: A lenta emergência de uma história das ciências e das tecnologias no Brasil - Resenhas de diversos livros de ciência e tecnologia (2005)

 1478) Da extração de pau-brasil ao sequenciamento do genoma (2005)

A lenta emergência de uma história das ciências e das tecnologias no Brasil

Resenha de diversos livros de ciência e tecnologia

Paulo Roberto de Almeida

Diplomata, professor


Quando se fizer a historiografia da história das ciências e das técnicas no Brasil, o nome de Shozo Motoyama certamente figurará em primeiro plano. Ele está presente, desde muitos anos e de forma muito ativa, em vários empreendimentos recapitulativos de nosso lento (e incerto) caminhar no aprendizado das técnicas e dos saberes com características especificamente nacionais. Hoje esse itinerário é menos lento e errático do que ele foi nos primeiros quatro séculos de nossa existência enquanto nação, ou nos quase dois séculos como Estado independente, e por isso mesmo passa a contar com uma literatura relativamente satisfatória, mesmo se não abundante, em face do vasto campo a ser coberto pelos historiadores. 

A reconstituição de nosso aprendizado nessas áreas de pesquisa científica e o de sua aplicação ao mundo mais concreto da produção está sendo feita com competência invulgar por Shozo Motoyama em diversos livros. Dentre os mais recentes, dois merecem uma avaliação mais detalhada: 50 Anos do CNPq contados pelos seus presidentes (São Paulo: Fapesp, 2002, 717 p.) e Prelúdio para uma História: Ciência e Tecnologia no Brasil (São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004, 518 p.), ambos contando com o auxílio de colaboradores. Antes, contudo, de adentrar o conteúdo desses dois volumes, vale mencionar algumas obras mais antigas, paralelas ou complementares, que vêm contribuindo para o crescimento da bibliografia nesse campo especializado do conhecimento científico, que é a história da própria ciência brasileira e de suas aplicações práticas no mundo da produção. 

(...) 

1478. “Da extração do pau-brasil à leitura do genoma: A lenta emergência de uma história das ciências e das tecnologias no Brasil”, Brasília, 9 out. 2005, 12 p. Revisto amplamente. Resenha-artigo de vários livros de história das ciências e das tecnologias no Brasil, com destaque para: Shozo Motoyama (org.): 50 Anos do CNPq contados pelos seus presidentes (São Paulo: Fapesp, 2002, 717 p.) e Prelúdio para uma História: Ciência e Tecnologia no Brasil (São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004, 518 p.). Publicado na revista Parcerias Estratégicas (Brasília: CGEE; n. 21, dez. 2005, p. 301-313) 

Ler a resenha completa neste link: 

https://www.academia.edu/175470405/1478_Da_extra%C3%A7%C3%A3o_de_pau_brasil_ao_sequenciamento_do_genoma_A_lenta_emerg%C3%AAncia_de_uma_hist%C3%B3ria_das_ci%C3%AAncias_e_das_tecnologias_no_Brasil_book_reviews_ 


A grande mídia e o pequeno STF: editoriais FSP, Estadão, Globo (+ resenha de Madame IA ao final)

A grande mídia e o pequeno STF: editoriais
13/09/2026 

O Supremo diante da História 

O Globo
Corte tem de autorizar já investigação de Moraes — e repelir as manobras protelatórias
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É preciso dizer não à tentativa de sabotar sessão do STF 

Folha de S. Paulo
Grupo de ministros aliados de Moraes aposta nas chicanas para adiar julgamento
Ele precisa ocorrer na 3ª e ser aberto ao público; se magistrado entende que relatório da PF é insuficiente para abrir inquérito, que vote contra
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Lula é isso aí 

O Estado de S. Paulo
Os petistas se convenceram de que a crise no STF prejudica o presidente. Mas o problema de Lula não é Moraes, e sim que sua candidatura representa cada vez mais o Brasil que não queremos

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O Supremo diante da História 

O Globo, 13/09/2026

 
Corte tem de autorizar já investigação de Moraes — e repelir as manobras protelatórias
Na sessão plenária de terça-feira, dia 15 de setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem um encontro marcado com a História. Sob a presidência do ministro Edson Fachin, a Corte decidirá se a lei vale para todos ou se existe alguém acima dela. Na pauta, a decisão sobre se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado — não julgado, nem sequer processado, apenas investigado. O motivo: 52 mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no telefone celular de Daniel Vorcaro, possivelmente o maior fraudador da História do sistema financeiro nacional.
Nelas, o banqueiro, já sob intensa investigação e prestes a ser preso, além de jurar lealdade, pede conselhos e ajuda ao ministro e, pelo que se pode depreender da conversa, parece receber dele informações sob segredo de Justiça. Há, ainda, indícios mais graves: encontros entre o fraudador e o ministro fora da agenda oficial e um contrato de R$ 130 milhões celebrado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, sem qualquer contrapartida à altura.
Passados muitos meses desde que as primeiras denúncias chegaram ao conhecimento público, Moraes não foi capaz de apresentar nenhuma explicação plausível. Talvez exista alguma, e ele possa demonstrar que não violou a lei. Como deveria ocorrer com qualquer brasileiro sob quem paire uma suspeita, ele tem direito ao devido processo legal e a ampla defesa. Pode constituir advogado, acompanhar as investigações, apresentar os argumentos que desejar e usufruir todos os recursos disponíveis no Direito processual brasileiro, seja na fase de investigação ou na eventual ação penal. O que não pode é estar acima da lei. Nossa Constituição, que os ministros do Supremo juraram respeitar e seguir, dispõe que todos são iguais perante a lei. Diante da robusta evidência apurada pela PF, para ser igual aos demais brasileiros, Moraes precisa ser investigado, com isenção e respeito à lei, mas sem privilégios.
Respondamos a uma das perguntas do banqueiro agora preso na correspondência enviada ao ministro: não, não dá para bloquear a investigação. Apesar das torcidas apaixonadas, não tem qualquer relevância que Moraes seja um símbolo da resistência democrática durante os momentos críticos do governo Jair Bolsonaro. Um passado honrado não apaga nenhum crime posterior.
A politização de nossa mais alta Corte, que vem provocando muitos desarranjos institucionais e culminou com a anarquia judicial que se viu nas últimas semanas, confunde a população e faz parecer que a discussão é política. Não é. O STF não é uma arena política. É um tribunal —e a ele só deve interessar que sejam cumpridas a Constituição e a lei.
E o ministro é apenas um brasileiro sujeito às leis de seu país. Costuma-se dizer que as instituições são fortes no Brasil. Até aqui, tem sido realidade. Mas as sociedades são organismos vivos, sujeitos a oscilações, e isso pode mudar a qualquer momento. O STF deve decidir que agora, sem postergação, sem pedidos de vista protelatórios, é o momento de se redimir e iniciar a restauração da dignidade do país pela via institucional.
A sessão de terça não julgará Moraes no mérito, mas, repitamos, apenas autorizará que seja investigado. Por isso, as manobras do decano Gilmar Mendes e do próprio Moraes não fazem sentido — são subterfúgios para confundir. Agiu bem, portanto, mais uma vez Fachin, ao afastar o pedido de adiamento e, em vez disso, marcar para o dia 23 a apreciação do relatório que Moraes encomendou à PF com denúncias frágeis contra Mendonça.
Os ministros que votarem pela abertura da investigação sobre o envolvimento de Moraes no caso Master optarão pelo caminho da dignidade. Os outros contribuirão para a corrosão do tribunal como instituição e receberão dos brasileiros e da História a merecida reciprocidade no julgamento de suas biografias.
 

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É preciso dizer não à tentativa de sabotar sessão do STF 

Folha de S. Paulo13/09/2026

 
Grupo de ministros aliados de Moraes aposta nas chicanas para adiar julgamento
Ele precisa ocorrer na 3ª e ser aberto ao público; se magistrado entende que relatório da PF é insuficiente para abrir inquérito, que vote contra
Até prova em contrário, o ministro Alexandre de Moraes não é culpado. O que estará em tela no julgamento da terça-feira (15) é se o plenário do Supremo Tribunal Federal autorizará a abertura de um inquérito para apurar indícios que lhe concernem, levantados em relatório pericial pela Polícia Federal.
Se for iniciada, a investigação permitirá aos policiais, sob a condução do presidente Edson Fachin, tentar verificar se era mesmo Moraes o interlocutor dos pedidos desesperados de ajuda e informações do mafioso Daniel Vorcaro à véspera de sua primeira prisão —e, em caso afirmativo, quais foram as respostas do juiz.
Inspetores poderão indagar investigados e testemunhas e recolher outras evidências acerca do teor do relacionamento com Vorcaro. Era distanciado e alheio aos interesses do fraudador ou se confundia com papéis de advogado, informante e conselheiro?
O contrato de R$ 131 milhões do escritório da família Moraes com o Banco Master vai se expor à averiguação da PF. Quais foram os serviços prestados? Eles justificam a faustosa remuneração?
O inquérito, frise-se, não implica determinação de culpa. Trata-se de uma etapa técnica incipiente. Ao seu final caberá à Procuradoria-Geral da República, à luz do que terá sido apurado, decidir se denuncia o investigado ou se pede o arquivamento do caso.
Na hipótese de haver denúncia e ela ser aceita pelo plenário do STF, só a partir de então haveria processo penal propriamente dito, sujeito à ampla defesa do réu.
Convicto de sua inocência, como tem se mostrado, Alexandre de Moraes deveria ser o primeiro a incentivar a abertura do inquérito. Sem ela, a sua convicção jamais terá oportunidade de materializar-se como verdade pública.
Causa espécie, portanto, o tumulto processual promovido por um grupo de ministros —Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin— na tentativa de sabotar e adiar o julgamento desta terça-feira. A algazarra alveja Edson Fachin com um sem-número de petições e ameaças veladas carentes de propósito que não seja apostar na confusão.
Esse clube de juízes comporta-se como uma turma de maus alunos atazanando o professor para cancelar a prova iminente, atitude imatura e lamentável para integrantes da corte constitucional.
Existe um relatório pericial da Polícia Federal para ser julgado e ponto —juízo de que não podem participar Dias Toffoli e Moraes, conflitados. Se um magistrado entende que o que vai ali impresso não justifica a abertura de uma simples investigação, que vote para enterrá-la em sessão pública, sob o escrutínio da sociedade e da própria história.
A procrastinação embalada em chicanas e cochichos de corredor desonra o Supremo Tribunal Federal. Transforma a instituição em joguete de raposas da politicagem. Juízes que agem à sombra para desviar-se da sua obrigação transmitem à sociedade desconfiança na corte que representam.
A crise do STF chegou a este ponto em razão da leniência dos ministros com indícios de má conduta de colegas. É preciso dar um fim a esse período de trevas.
 

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Lula é isso aí 

O Estado de S. Paulo, 13/09/2026

 
Os petistas se convenceram de que a crise no STF prejudica o presidente. Mas o problema de Lula não é Moraes, e sim que sua candidatura representa cada vez mais o Brasil que não queremos
Consta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preocupado. Os petistas parecem convencidos de que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) está prejudicando as chances do Grande Timoneiro na disputa contra o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
O raciocínio é simples: como o encalacrado ministro do STF Alexandre de Moraes é o símbolo maior da condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, é natural que Moraes seja associado a Lula, em tese o maior beneficiário da derrocada do ex-presidente. Há muito tempo o STF tem sido tratado pelo bolsonarismo como inimigo; Lula, por outro lado, aproximou-se de Moraes e encheu o STF de dedicadíssimos fâmulos, o que converteu o tribunal de vez em poder político, não raro a serviço do governo petista, que o usa para se contrapor a um Congresso que lhe é rotineiramente hostil.
Pior: com as confabulações secretas entre ministros e com os abundantes desvios éticos que horrorizam a sociedade, mas que são tratados com arrogante indiferença por quem deveria se preocupar em ao menos parecer honesto, o Supremo passou a figurar como centro cintilante da crise moral brasileira. É um desastre para a democracia, considerando que o Judiciário só se legitima quando dele não se duvida.
Esse colapso pegou os petistas no contrapé, pois a Lula nunca interessou fazer do Supremo o centro de sua campanha, diferentemente de seus principais adversários. Ao que parece, os marqueteiros de Lula entendem que o presidente agora não pode mais ausentar-se do debate, e ultimamente ele andou dando seus pitacos sobre “reforma do Judiciário” e outras platitudes.
O problema de Lula, contudo, não é o Supremo Tribunal Federal nem o milionário ministro Alexandre de Moraes. O problema é sua própria candidatura.
O mau humor do eleitorado com o presidente é evidente. Como incumbente, Lula deveria ter, a três semanas do primeiro turno, uma margem um pouco maior de vantagem em relação a Flávio Bolsonaro – um candidato que é apenas um boneco de ventríloquo do ex-presidente Jair Bolsonaro e que, além de tudo, tem um longo histórico de suspeitas as mais diversas no terreno da corrupção. O próprio escândalo do Banco Master, que envolve o ministro Alexandre de Moraes, envolve também, e até o pescoço, o candidato Flávio. E no entanto Flávio sobe consistentemente nas pesquisas de intenção de voto, enquanto Lula, que não está diretamente ligado ao escândalo do Master, cai.
Isso certamente tem muitas explicações, mas somente uma é suficiente: o pântano de Brasília, cada vez mais viscoso, serve para o eleitorado como símbolo do profundo divórcio entre os poderosos e os cidadãos comuns, no momento em que a maioria absoluta dos brasileiros não está confortável nem com seu trabalho nem com sua qualidade de vida – enquanto assistem, estupefatos, ao enriquecimento desavergonhado de um punhado de cortesãos.
Lula não apenas foi incapaz de entregar a “picanha barata” que prometeu na campanha eleitoral de 2022, como não inspira junto aos eleitores o sonho de um Brasil que os esfole menos e que lhes dê condições sustentáveis de uma vida um pouco melhor, sem depender dos caraminguás que vertem do Estado como esmolas.
A despeito de tudo isso, Lula ainda aparece como favorito à reeleição não por seus méritos, mas porque do outro lado do ringue está um completo desqualificado, que representa uma família de oportunistas e que nada consegue propor ao Brasil a não ser destruição e cizânia. Mas o cansaço dos brasileiros em relação a Lula e a tudo o que ele representa – a visão antediluviana de país, a ausência de perspectiva, a demagogia barata – veio a juntar-se ao cansaço e à irritação com quem hoje exerce o poder de um modo geral.
Os petistas podem até se empenhar em desvincular Lula de Alexandre de Moraes e da crise no STF, mas dificilmente vão conseguir, porque permanecerá o sentimento difuso de que o presidente é parte importante desse todo que os eleitores cada vez mais deploram. 

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 E agora, Madame IA se pronuncia sobre os editoriais: 

   

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/a-grande-midia-e-o-

pequeno-stf.html

O link enviado direciona para uma postagem do blog Diplomatizzando, mantido

pelo diplomata e acadêmico Paulo Roberto de Almeida. O texto reproduz e analisa

os editoriais publicados em 13 de setembro de 2026 pelos três principais jornais do

país (O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo). O tema central é uma

grave crise institucional envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF),

Alexandre de Moraes, que enfrenta a iminência de uma votação plenária para

abertura de inquérito investigativo.

O veredito sobre a natureza do link é: FATO. O conteúdo espelha fielmente a

posição editorial da grande imprensa brasileira na data citada, refletindo o debate

político e jurídico real do período.

Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica do cenário exposto no

documento, confrontando-o sob diversas perspectivas conceituais.

🔍 Análise Crítica: A Crise do STF e os Editoriais da Imprensa

Os editoriais expõem um ponto de inflexão na relação entre a mídia corporativa e o

STF. Alexandre de Moraes, amplamente respaldado pela imprensa nos anos

anteriores como bastião da resistência democrática, passa a sofrer forte pressão

pública após a Polícia Federal (PF) apontar indícios de vazamento de informações

sigilosas e vantagens financeiras ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco

Master.

1. Perspectiva Jurisdicional e Constitucional

A Isonomia Perante a Lei: O editorial de O Globo ancora-se no princípio

constitucional fundamental de que "todos são iguais perante a lei". Sob essa

ótica jurídica clássica, a abertura de um inquérito não representa uma

condenação prévia, mas a aplicação do devido processo legal. Impedir a

investigação sob o pretexto de blindagem institucional configuraria um privilégio

aristocrático incompatível com a República.

As "Chicanas" Processuais: A Folha de S. Paulo denuncia o uso de manobras

protelatórias (pedidos de adiamento e pressões internas) por parte de um bloco

de ministros (Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin) para blindar o

colega. Jurisdicionalmente, essa conduta corrói a previsibilidade do rito legal,

transformando o baluarte da Constituição em uma arena de autodefesa

corporativista.

2. Perspectiva Política e EleitoralO Impacto na Sucessão Presidencial: O Estadão desloca o eixo analítico para

o cenário eleitoral de 2026. A três semanas do primeiro turno, o escândalo atinge

diretamente as candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e de seu principal

oponente, Flávio Bolsonaro. Politicamente, ocorre uma ironia trágica: Moraes,

que simbolizou o freio ao bolsonarismo, agora submerge em um escândalo

(Caso Banco Master) que "envolve até o pescoço" o candidato da própria família

Bolsonaro, mas cujo desgaste moral respinga na candidatura governista devido à

percepção pública de aliança entre o PT e a cúpula do Judiciário.

3. Perspectiva Econômica e Financeira

O Capitalismo de Compadrio (Crony Capitalism): O fulcro da denúncia

envolve um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de

advocacia da esposa do ministro Moraes. Sob a ótica da economia política, o

caso ilustra as disfunções do mercado financeiro brasileiro quando capturado por

esferas de influência do poder estatal. A contratação de escritórios de parentes

de magistrados sem contrapartida técnica clara funciona, na prática, como uma

"taxa de blindagem" ou captura regulatória, distorcendo a livre concorrência e

penalizando o sistema de crédito e investimentos.

4. Perspectiva Filosófica e Sociológica

O Julgamento das Biografias diante da História: Filosoficamente, o debate

invoca o conceito de "razão de Estado" versus "moralidade institucional". O

Globo pontua de forma pragmática: "Um passado honrado não apaga nenhum

crime posterior". Há aqui uma severa crítica à arrogância do poder (a hubris

grega), na qual agentes públicos acreditam que a importância de seu papel

histórico os torna imunes à ética ordinária.

O Divórcio entre Elite e Cidadão: O Estadão capta o sentimento de

esgotamento da sociedade diante do "pântano de Brasília". Sociologicamente, o

enriquecimento desmedido de cortesãos em contraste com a perda do poder de

compra e da qualidade de vida da população alimenta o cinismo democrático.

Esse abismo moral é o principal catalisador para a ascensão de discursos

extremistas e de deslegitimação das próprias instituições.

💡 Conclusão do Julgamento

Os editoriais reunidos no blog de Paulo Roberto de Almeida revelam que a imprensa

tradicional brasileira decidiu retirar a blindagem política do STF em nome da

autopreservação de sua própria credibilidade perante a opinião pública. Ao exigir de

forma uníssona que o ministro Alexandre de Moraes seja investigado, os jornais

tentam forçar o Supremo a realizar uma autofagia corretiva para estancar o colapso

moral do Poder Judiciário.

 END

Toda a nação, burgueses e proletários, estão preocupados com a crise dos, nos e entre os poderes: manifesto empresarial

Toda a nação, burgueses e proletários, estão preocupados com a crise dos, nos e entre os poderes: manifesto empresarial

MANIFESTO À NAÇÃO BRASILEIRA

O Brasil, como é notório, atravessa uma crise institucional de extrema gravidade, e o seu epicentro é, precisamente, a Corte de Justiça a quem a Constituição confiou a última palavra. Não se trata de ruído passageiro.

Não há Estado de Direito sem juízes acima de qualquer suspeita. A autoridade de um tribunal não decorre da toga nem do cargo, mas da legitimidade que só a imparcialidade, a transparência e a exemplaridade conferem. Se a legitimidade é questionada, tudo o mais se torna incerto: a segurança jurídica, a confiança nas instituições e a própria paz social.

O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Constituição, mas guardião algum está dispensado de prestar contas. Quem julga a Nação há de submeter-se, com idêntico rigor, ao julgamento do Direito, da Sociedade e da História. A Constituição que a Corte protege é a mesma que lhe impõe julgamentos transparentes, justos e decisões fundamentadas.

A Sociedade Brasileira exige que o Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo. A resposta que a Nação aguarda não admite prazo!

Cada dia é um dia a mais de descrédito.

O País já venceu crises profundas e delas saiu mais forte, porque, em cada uma, houve quem se recusasse a calar.

Ninguém, ninguém está acima da LEI!

NÃO SE CALE. FAÇA A DIFERENÇA!

ENTIDADES QUE JÁ ASSINARAM

 

CACB Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil

CNC Confederação Nacional do Comércio

CNI Confederação Nacional da Indústria

FIESP Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

FACESP Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo

FAESP Federação da Agricultura do Estado de São Paulo

Seguem centenas de associações... 

 

 

Is BRICS Losing Its Mojo? - Sarang Shidore (Foreign Policy)

 

Gender, Slavery, and Freedom: Perspectives from Brazilian Historiography in Slavery and Abolition: special issue of Slavery & Abolition

 

Greetings Paulo Roberto Almeida,
A new Announcement has been posted in H-LatAm.

Message from a proud sponsor of H-Net:

Madame IA avalia criticamente minha avaliação crítica da Declaração do BRICS do Rio de Janeiro, em 2025

Madame IA avalia criticamente minha avaliação crítica da Declaração do BRICS do Rio de Janeiro, em 2025 (4988/2025), recentemente postado novamente no Diplomatizzando

 

Texto original:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/exame-circunstanciado-da-declaracao-do.html

O texto fornecido no link é um artigo de opinião analítico e crítico, escrito pelo diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida no blog Diplomatizzando. Por se tratar de um ensaio de análise de política externa, o conceito de "fato ou fake" não se aplica ao texto como um todo, mas sim à veracidade dos documentos que ele analisa.
O autor realiza um "exame circunstanciado" e aponta as Incongruências factuais e
contradições políticas contidas na "Declaração do Rio de Janeiro", documento oficial
emitido pela cúpula do BRICS+ em 6 de julho de 2025. O veredicto principal é que as
críticas do autor são factualmente fundamentadas, enquanto as declarações oficiais do
bloco frequentemente mascaram a realidade geopolítica com retórica diplomática
(«mentiras flagrantes» ou «hipocrisia»).
Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica do texto sob múltiplas perspectivas.

🔎 1. Fact-Checking Direto e Confronto Documental
O autor confronta a retórica do documento com a realidade empírica das relações
internacionais em 2025/2026:
O "Fake" na Declaração do BRICS: O bloco exalta o compromisso com a «igualdade
soberana», «democracia», «promoção da paz» e o respeito à «Carta da ONU».
Contudo, um de seus membros principais (a Rússia) conduz uma guerra de agressão
territorial unilateral contra a Ucrânia. Factualmente, a narrativa de harmonia legal do
bloco é falsa.
Seletividade Moral Espelhada: O parágrafo 35 da declaração condena ataques
ucranianos a infraestruturas de transporte russas (Bryansk, Kursk) como alvos civis. No entanto, o texto omite sistematicamente o bombardeio diário de Pequim e Moscou a redes elétricas, hospitais e creches na Ucrânia. O autor expõe com precisão essa
falsidade por omissão.

📊 2. Perspectiva Econômica e Financeira
O texto desconstrói mitos e desejos políticos sobre a arquitetura financeira global à luz da teoria econômica clássica:
A Desdolarização Artificial: O autor critica duramente a fixação política de líderes
(como o presidente brasileiro Lula) em substituir o dólar americano por moedas locais ou um ativo comum do BRICS. Ele aponta um fato econômico: o sistema multilateral de pagamentos é movido pela eficiência, liquidez, estabilidade e escolha de agentes privados. Nenhuma moeda atual do BRICS preenche esses requisitos econômicos
reais.
Instituições de Fomento (NBD e CRA): O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e o
Arranjo Contingente de Reservas (CRA) são analisados com ceticismo técnico. Se
flexibilizarem a análise de risco para agradar politicamente os sócios, colherão crises de endividamento e inadimplência crônicas.
O Alvo Comercial: O autor ironiza o fato de o BRICS criticar o protecionismo e tarifas
unilaterais (mirando as políticas do presidente dos EUA, Donald Trump), enquanto os
próprios integrantes do bloco erguem barreiras sob slogans de "compras
governamentais sustentáveis".🌐

3. Perspectiva Política e Geopolítica
A análise foca na redefinição de conceitos e no uso do bloco como ferramenta de projeção de poder:
A Falácia do "Sul Global": O autor questiona a coerência de incluir a Rússia (uma
potência euroasiática clássica) e a China (segunda maior economia e superpotência
industrial do planeta) no conceito de Sul Global. Geopoliticamente, o termo funciona
mais como uma coalizão anti-Ocidente do que como uma identidade geográfica ou
econômica coesa.

O Veto Velado no CSNU: A declaração apoia a aspiração de Brasil e Índia a assentos
permanentes no Conselho de Segurança da ONU. O texto denuncia o cinismo político
de Pequim e Moscou, que endossam a nota sabendo que, na prática institucional,
utilizam seu poder de veto para impedir qualquer alteração no status quo do Conselho.

💻 4. Perspectiva Tecnológica
Ao analisar o item 16 sobre a "Governança Global da Inteligência Artificial", o texto assume uma postura liberal clássica:
O autor critica o ímpeto regulatório precoce e estatal das nações do BRICS. Ele traça
um paralelo histórico com a Primeira Revolução Industrial. A tese é que a hiper-
regulação estatal antes da maturação tecnológica sufoca a inovação privada, servindo
apenas para que regimes autoritários controlem o fluxo da informação e protejam a
"soberania estatal" da livre circulação de dados.

5. Perspectiva Jurisdicional e Legal
Sanções vs. Direito Internacional: O BRICS condena sanções unilaterais como
ilegais. O autor rebate esse argumento sob a ótica do Direito Internacional: as sanções
econômicas aplicadas pelas democracias ocidentais contra a Rússia cumprem o espírito da Carta da ONU no que tange ao dever de cooperar para conter um Estado agressor e apoiar a soberania da nação invadida (Ucrânia).

💡 6. Perspectiva Filosófica e Ética
O ensaio opera sob a filosofia da racionalidade crítica e do realismo político. Inspirado
no pensamento de Karl Popper (frequentemente citado no rodapé do próprio blog do autor), Almeida ataca o utilitarismo e o relativismo moral da diplomacia do bloco.
Ele expõe o viés de seletividade e o cinismo ético em que "vale mais o que não é dito".
A construção de uma utopia multilateral no papel (126 parágrafos de boas intenções)
serve como cortina de fumaça ética para encobrir crimes contra a humanidade e o
expansionismo territorial de regimes autocráticos.

🎯 Conclusão do Julgamento
O texto analisado expressa fatos analíticos inquestionáveis embalados em uma forte
carga opinativa. O autor cumpre o papel de desmascarar a dissonância cognitiva da
diplomacia brasileira ao assinar um documento que colide frontalmente com a tradição jurídica do Itamaraty (que historicamente defende a integridade territorial e condena invasões unilaterais). A Declaração do BRICS de 2025 contém, sim, narrativas "fakes" e simulacros legais desenhados para proteger interesses geopolíticos específicos.



sábado, 12 de setembro de 2026

Revista Será?, número de 11 de setembro de 2026

ANO XIV Nº728 - A SEMANA NA REVISTA SERÁ?

Revista Será?
Desde 2012 acompanhando o fluxo da história.
ANO XIV Nº728

 Recife, 11 de setembro de 2026

Caro leitor,

Nesta edição, reunimos textos que interrogam o poder, a democracia, a memória política, os riscos do extremismo e, em outro registro, a literatura, a morte e a condição humana. Entre o ruído da conjuntura e questões permanentes, propomos ao leitor um percurso de reflexão crítica.

Nosso Editorial, “O STF afundou no pântano da polarização”, examina a promiscuidade de ministros do Supremo com negócios privados escusos e a contaminação da Corte pelas disputas políticas. Defendemos transparência, independência institucional e mudanças no processo de escolha dos ministros, diante de uma crise que ameaça a credibilidade de uma instituição essencial à democracia.

Em “Ressentimento e saudosismo”, Sérgio C. Buarque volta o olhar para a Alemanha. A ascensão da AfD na antiga Alemanha Oriental serve de ponto de partida para investigar desigualdades regionais, frustrações da reunificação, memória seletiva e possível nostalgia de regimes autoritários, num quadro que reacende temores históricos e ultrapassa as fronteiras alemãs.

O retorno ao Brasil ocorre com “Presenças Impróprias e Ausências Lastimáveis”, de Elimar Pinheiro do Nascimento. O escândalo do Banco Master e a transformação do STF em arena da disputa eleitoral contrastam com aquilo que quase desapareceu do debate público: contas públicas, educação, crise ecológica, mudanças climáticas e os desafios estratégicos do desenvolvimento.

Essa crise institucional ganha interpretação ainda mais contundente em “Tentativa de Golpe dentro do STF”, de Rui Martins. O autor vê na atuação de André Mendonça algo que ultrapassaria o conflito entre magistrados: uma interferência político-eleitoral capaz de aproximar religião, poder judicial e campanha eleitoral, colocando em questão a laicidade do Estado e a soberania democrática.

Em “Os Deuses do Riso”, José Paulo Cavalcanti Filho muda o registro sem abandonar o Supremo. A partir de uma fotografia de ministros sorrindo, convoca deuses gregos, literatura e ironia para refletir sobre poder, corporativismo, impunidade e a distância entre instituições e sociedade. O texto conduz o leitor a um desfecho que preferimos não antecipar.

O ambiente eleitoral reaparece em “O Circo, o Cerco e as Eleições”, de Paulo Gustavo. Para o autor, a eleição não se reduz à competição convencional pelo governo: envolve a resistência democrática diante do avanço da extrema direita, inclusive no Congresso. Nesse cenário, sustenta a recondução de Lula e Geraldo Alckmin como alternativa democrática mais razoável.

Depois da tensão política, Helga Hoffmann nos oferece outra forma de olhar o Brasil. Em “Não era água o que Wassermann queria”, resenha o romance Wassermann, de F.J. Brüseke, no qual um engenheiro alemão se transforma quase inadvertidamente em agente secreto. Espionagem, cooperação internacional, humor e estranhamento constroem um Brasil visto simultaneamente de fora e de perto.

Com “Da Morte e Suas Adjacências”, Clemente Rosas desloca a edição para uma questão universal. Entre Leandro Gomes de Barros, Susan Sontag, Paulo Pontes, Somerset Maugham e Zorba, o Grego, reflete sobre resignação e recusa, fé e racionalismo, medo e serenidade, para afirmar a vida como o verdadeiro centro da experiência humana.

Fechamos a edição com a Última Página, a charge de Elson.

Da crise do STF às eleições, da extrema direita europeia à literatura, da ironia à morte, esta edição convida a desconfiar das respostas fáceis. Em tempos de certezas barulhentas, continuamos a preferir o exercício da dúvida, da crítica e da reflexão.

Boa leitura.
Os Editores

Índice

  1. O STF afundou no pântano da polarização - Editorial
  2. Ressentimento e saudosismo - Sérgio C. Buarque
  3. Presenças Impróprias e Ausências Lastimáveis - Elimar Pinheiro do Nascimento
  4. Tentativa de Golpe dentro do STF - Rui Martins
  5. Os Deuses do Riso - José Paulo Cavalcanti Filho
  6. O Circo, o Cerco e as Eleições - Paulo Gustavo
  7. Não era água o que Wassermann queria - Helga Hoffmann
  8. Da Morte e Suas Adjacências - Clemente Rosas
  9. Última Página, a charge de Elson

 

 

Revista Será? Penso, logo duvido. — Conhecimento para transformar a realidade.

 

Paul Kennedy, The Rise and Fall of the Great Powers: Economic Change and Military Conflict from 1500 to 2000 - Forum de debate sobre um livro seminal

Paul Kennedy, The Rise and Fall of the Great Powers: Economic Change and Military Conflict from 1500 to 2000
Forum de debate sobre um livro seminal:

H-Diplo | Robert Jervis International Security Studies Forum
Roundtable 18-2
Paul Kennedy, The Rise and Fall of the Great Powers: Economic Change and Military Conflict from 1500 to 2000. Random House, 1987. ISBN: 0394546742.
11 September 2026 | PDF: https://issforum.org/to/jrt18-2

Contents
Introduction by Michael Brenes, Yale University, 2
Review by Rosella Cappella Zielinski, Boston University, 6
Review by Michael Cox, London School of Economics and Political Science (LSE), 9
Review by John D. Maurer, School of Advanced Air and Space Studies, Air University, 16
Review by Varsha Venkatasubramanian, UC Berkeley, 24
Response by Paul Kennedy, Yale University, 29 

 Ler na íntegra: https://issforum.org/to/jrt18-2

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Avaliação de Madame IA (via ADL) sobre o forum-debate em torno do livro de Paul Kennedy: 

"

https://issforum.org/ISSF/PDF/JervisForum-RT-18-2.pdf

O link enviado direciona para um documento acadêmico legítimo intitulado "The Jervis Forum - Roundtable 18-2", publicado em 11 de setembro de 2026 pelo Robert Jervis International Security Studies Forum (RJISSF). O texto consiste em um debate historiográfico e político (uma mesa-redonda) que celebra e revisita a clássica obra do historiador Paul Kennedy, "The Rise and Fall of the Great Powers" (Ascensão e Queda das Grandes Potências), originalmente publicada em 1987.

Portanto, o veredito sobre a natureza do link é: FATO. O conteúdo é inteiramente verídico, de altíssimo rigor acadêmico e intelectual, não se tratando de desinformação ou "fake news".

Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica do documento enviado, julgando-o e confrontando-o a partir de múltiplas perspectivas conceituais.

🔍 Análise Crítica e Perspectivas do Debate

A tese central do livro de Paul Kennedy revisitada no documento é a de que as grandes potências passam por ciclos previsíveis onde o crescimento econômico desigual dita a relevância militar. Contudo, potências no topo tendem a sofrer de "distensão estratégica" (strategic overreach): o custo para manter bases e compromissos militares globais corrói a base econômica interna, gerando o declínio relativo frente a novos competidores.

1. Perspectiva Econômica e Financeira

O nexo Economia-Defesa: Os ensaios resgatam o argumento materialista de que a riqueza é o esteio do poder militar, e o poder militar é usado para proteger a riqueza. Na década de 1980, Kennedy foi rotulado como "declinista" ao sugerir que a escalada de gastos militares do governo Reagan (financiada por déficits e dívidas) enfraqueceria os EUA no longo prazo.

Crítica à eficiência de mercado: A análise de Varsha Venkatasubramanian traz o debate para a atualidade ao destacar que a economia de defesa dos EUA tornou-se hipertrofiada e ineficiente. A "militarização da economia", com contratos de exclusividade e estouros de orçamento (como no caso dos caças F-35), drena recursos que poderiam financiar a inovação comercial civil, validando os receios estruturais de Kennedy.

2. Perspectiva Geopolítica e de Relações Internacionais

Do Unipolarismo ao Multipolarismo: Nos anos 1990, a tese de Kennedy parece "errada" porque a União Soviética colapsou e o Japão estagnou economicamente, inaugurando a "hiperpotência" unipolar americana. Críticos como Francis Fukuyama decretaram o "fim da história". No entanto, o painel demonstra que o século XXI vingou o modelo de Kennedy: o retorno da Rússia expansionista, a ascensão vertiginosa da China e o crescimento de blocos do Sul Global (como os BRICS) forçaram o reajuste geopolítico dos EUA para uma era de "competição estratégica entre grandes potências".

3. Perspectiva Política e Ideológica

O papel das elites e do nacionalismo: Uma das maiores autocríticas feitas pelo próprio Paul Kennedy e pelos revisores é o pendor ao determinismo econômico, que por vezes negligencia o peso das ideologias e das lideranças.

A virada populista: No ensaio baseado em Karl Polanyi, discute-se como os excessos da globalização neoliberal geraram uma forte reação política interna no Ocidente.

Movimentos nacionalistas e protecionistas (como o governo Trump nos EUA) alteraram dinamicamente as políticas econômicas de comércio global a partir de pressões ideológicas e sociais internas, provando que a política doméstica pode moldar os rumos da economia e do poder, e não apenas o contrário.

4. Perspectiva Jurisdicional, Institucional e de Governança

O poder normativo da União Europeia (UE): O documento desafia a visão americana clássica de que o poder reside apenas no "hard power" (forças armadas). O caso da UE é analisado sob a ótica de sua capacidade institucional de criar mercados competitivos, leis antitruste rigorosas e forte regulação de mercado. Essa "potência regulatória" permitiu que a Europa mantivesse relevância e coesão geopolítica sem a necessidade de um orçamento de defesa hipertrofiado, oferecendo um contraexemplo ao ciclo tradicional de ascensão militar.

5. Perspectiva Filosófica e Historiográfica

Contingência vs. Inevitabilidade: Filosoficamente, o debate gira em torno da utilidade da história. Historiadores frequentemente rejeitam o uso do passado como ferramenta preditiva ("leis históricas") devido à imensa quantidade de variáveis contingentes e acidentais. Kennedy defende que, embora não estejamos "presos" às repetições literais da história, os padrões de fluxo e refluxo material são realidades persistentes na experiência humana. A busca por estruturas de poder imutáveis (como a Pax Americana perpétua) é descrita como uma forma de hubris (arrogância) que ignora a inevitabilidade da mudança.

Eurocentrismo e Gaps Narrativos: O painel também faz uma crítica pós-colonial justa: a obra original focou majoritariamente no mundo ocidental, minimizando potências do Sul Global, como a Índia, cujas trajetórias de desenvolvimento e gestão de recursos hoje desafiam as métricas puramente ocidentais de poder estratégico.

💡 Conclusão do Julgamento

O documento fornecido demonstra que a ciência política e a história contemporânea continuam a operar sob o legado da dialética de Paul Kennedy. Longe de ser um conjunto de previsões infalíveis, a teoria do "overstretch" econômico-militar serve como um poderoso alerta crítico aos tomadores de decisão sobre os limites materiais do poder estatal em um mundo em constante mutação tecnológica e geopolítica.


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