sábado, 21 de março de 2026

Comparações não comparativas sobre o fim dos impérios - Paulo Roberto de Almeida

Comparações não comparativas sobre o fim dos impérios 

Paulo Roberto de Almeida

        Suez 1956, quando França, Reino Unido e Israel impuseram uma derrota ao Egito que tinha nacionalizado o canal, representou o fim do imperialismo franco-britânico sobre boa parte do Oriente Médio (e sobre a África quatro anos depois).

        O estreito de Ormuz não será um novo Suez para o imperialismo americano no Oriente Médio (e para o seu subsidiário israelense). Tampouco será um novo Vietnã ou Iraque para Trump, mas representará uma semi-demolição da prepotência americana sobre toda a região, sobretudo seus “aliados”, que não mais confiarão nos EUA, como tampouco os europeus o fazem agora.

        Trump conseguiu prejudicar o mundo inteiro e sobretudo o seu próprio país.

        Trump não tem antecessores, tampouco terá sucessores, pois nenhum político americano conseguiria ser tão ignorante e tão arrogante quanto ele, um marco extraordinário na escala da estupidez humana.

        Não busquem comparações: Trump é único no gênero e suas “guerras” envergonhariam Sun Tzu, Maquiavel e Clausewitz. Confesso sentir uma certa pena dos seus generais — sobretudo dos soldados e pilotos, que estão morrendo em vão —, mas ele deveriam ter coragem de repudiar ordens loucas emitidas por incompetentes, como Trump e Hegseth.

RIP American Century

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 21/03/2026

Uma sensação de lassitude - Paulo Roberto de Almeida

Uma sensação de lassitude

Paulo Roberto de Almeida

        Dizer que o mundo é ou está turbulento é uma platitude. A turbulência é coisa dos homens, certos homens, e suas ambições desmedidas. Sabemos quais são eles: P, T, N, mas cada um tem seus motivos, embora não todos os meios.

        P quer reparar, corrigir a “maior catástrofe geopolítica do século XX”, por pura ambição pessoal. Começou toda a bagunça atual, mas já não possui todos os meios que imaginava possuir em sua ambição desmedida. Vai decair, não sem antes produzir mais destruição.

        T quer satisfazer seu narcisismo maligno, sua psicopatia, seu sadismo, mas é tão desequilibrado e ignorante que não tem a menor ideia do que fazer com todo o poder acumulado no país que seus antenati escolheram para emigrar, mas ele decide que todos os emigrantes são criminosos violentos, o que é exatamente o seu caso. Será afastado, não sem antes causar mais destruição e sofrimentos a terceiros.

        N, finalmente, está tão enrolado em suas próprias trapaças que precisa viver de guerras para sobreviver, guerras que possuem, sim, um sentido existencial, cujas origens estão um pouco mais adiante, onde estão outros homens que decidiram que esse país não tem o direito de existir. Em algum momento será afastado, não sem antes conseguir destruir um pouco mais os supostos responsáveis pelas ameaças ao seu país e tendo imposto mais destruições e muitas mortes em seu próprio país.

        Outros homens, e algumas mulheres, assistem a todas essas loucuras, entre incrédulos e preocupados, mas não possuem os meios e a unidade para atuar decisivamente para tentar conter todos esses homens turbulentos.

        A turbulência vai continuar, até que faltem os meios, por esgotados, que os turbulentos empregam para atingir seus insanos objetivos. Mas não sem antes produzir um rastro de destruição, de milhares de mortes, de sofrimentos indizíveis a outros e a seus próprios concidadãos e súditos, coisas já vistas anteriormente numa Humanidade ainda guiada mais por emoções do que por reflexões. 

        Desde a guerra de Troia, a Humanidade não avançou substantivamente. Mas ainda nos falta um Homero para colocar todas essas loucuras no registro poético ou histórico novamente. Não sabemos se virá ou haverá tal registro. O que por certo sabemos é que as loucuras dos homens continuarão existindo. Essa é a única realidade previsível no momento atual, e nos momentos e anos que virão.

        Sorry pelo pessimismo. Deve ser lassitude…

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 21/03/2026

Isso é coisa dos homens, isso é o Brasil - Cesar Queiroz Benjamin, Paulo Roberto de Almeida, Wilson Yu

 Copio abaixo postagem de Cesar Queiroz Benjamim, apenas copio, sem saber ao certo que, ou se, o que ele escreve é correto ou fiel à realidade. Acredito que seja, por saber que, acima da Constituição, bem acima das instituições, estão os homems e deles tudo se pode esperar. Isso me traz à lembrança uma velha música (na verdade, a letra) de Aldir Blanc que dizia uma coisa certa: “isso é coisa dos homens…”.

Acredito nisso: isso é coisa dos homens, e assim ficará enterrado, muito bem enterrado. Assim é o Brasil!

Transcrevo, apenas transcrevo, sem qualquer esperança de que algo certo se faça. Não será feito.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 21/03/2026

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“Nós já sabíamos que Dias Toffoli recebeu R$ 35 milhões do Banco Master por uma transação obscura, envolvendo ações de um Resort. Toffoli era "sócio oculto" da empresa beneficiada.

Também sabíamos que Alexandre de Moraes estava recebendo mais de R$ 3 milhões por mês, durante três anos, por "consultorias" prestadas por sua esposa ao mesmo Banco Master.

Agora sai a notícia de que o filho de Nunes Marques recebeu R$ 18 milhões do mesmíssimo Banco Master, também por "consultoria". O menino tem 25 anos. É praticamente recém-formado.

Se não me engano, o Código Penal define que a associação de três pessoas para o cometimento de crime já é formação de quadrilha.”

Depois dessa postagem, sobre a qual ele também refletiu, como eu, Wilson Yu escreveu, e eu apenas transcrevo:

“Uma coisa certeira é que Vorcaro fez negócios jurídicos com parentes dos ministros do STF com segundas intenções, que é uma matéria com grande impacto jurídico-político para a grande imprensa vai explorar com muita intensidade, gerando vendas de muitos exemplares para imprensa escrita e discussões acaloradas na grande mídia, nas redes sociais e nos parlamentos sobre ética e gestão de coisa pública e imparcialidade do juiz natural nas questões de corrupção e de crimes corporativos. Isso é apenas uma digressão.”

Isso também é certo: haverá muita turbulência na mídia, mas os homens seguirão impassíveis. Vida que segue. Isso é o Brasil! PRA

 

Brasil entre blocos: como o divórcio transatlântico pode redefinir o lugar do país na nova ordem mundial - Armando Alvare Garcia Junior (The Conversation)

 Brasil entre blocos: como o divórcio transatlântico pode redefinir o lugar do país na nova ordem mundia

A atual guerra no Irã funciona menos como “capítulo final” de um conflito regional e mais como gatilho de uma reconfiguração profunda da arquitetura de poder construída desde 1945, centrada na aliança transatlânticae no papel dos Estados Unidos como garantidor de segurança e de liquidez em dólares para o sistema energético global.

recusa de grandes capitais europeias em participar diretamente da campanha militar liderada por Washington contra Teerã, somada às ameaças reiteradas de Donald Trump de que a OTAN se tornou uma “rua de mão única”, revela um divórcio transatlântico qualitativo, mais profundo do que as crises do Iraque em 2003 ou da Líbia em 2011.

No discurso presidencial norte‑americano, a mensagem é explícita: os EUA “nunca precisaram” da OTAN e já não desejam assumir o custo político e financeiro de proteger aliados que se recusam a seguir sua estratégia para o Irã, ao mesmo tempo em que insinuam que a própria permanência na Aliança Atlântica está em debate.

A ruptura com a Europa, porém, não significa isolacionismo, mas um reposicionamento: Washington desloca o centro de gravidade de sua política externa para o Golfo, aprofundando laços com Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidosem torno de arranjos transacionais que combinam segurança de regime, fluxos de armamentos e, sobretudo, a preservação — ou reconfiguração em seu favor — do sistema dos petrodólares.

Nesse contexto, a hipótese de uma normalização diplomática entre Israel e Arábia Saudita, se vier a concretizar‑se após a neutralização da ameaça iraniana, funcionaria como peça simbólica e operacional de um novo arranjo regional: uma “OTAN informal” do Oriente Médio, ancorada em Washington e nos principais produtores de energia, com impacto direto sobre o preço e a denominação das exportações de petróleo.

A Europa aparece, nesse cenário, como a principal perdedora de curto prazo: depois de romper, por necessidade e por sanções, sua dependência do gás russo, o continente assiste ao enfraquecimento do “guarda‑chuva” norte‑americano ao mesmo tempo em que se vê pressionado por custos energéticos elevados, incertezas na guerra da Ucrânia e divisões internas sobre investimento em defesa.

Brasil ocupa hoje uma posição singular no mercado energético global

Ao mesmo tempo, o Brasil ocupa hoje uma posição singular no mercado energético global: graças ao pré‑sal, o país tornou‑se exportador líquido de petróleo e viu o óleo cru ascender ao topo de sua pauta exportadora, com produção crescente, alto teor de qualidade e custos competitivos em comparação a outros produtores.

Esse novo ciclo petrolífero ocorre em paralelo à consolidação do Brasil como grande fornecedor de alimentos e fertilizantes processados, o que o coloca num lugar estratégico em meio a choques de oferta provocados pela guerra na Ucrânia, pelas sanções à Rússia e por eventuais bloqueios no Estreito de Ormuz

Do ponto de vista geopolítico, o Brasil combina três ativos raros: participa de arranjos com o Ocidente (acordos com a União Europeiainterlocução com os EUA), integra o núcleo dos BRICS e dialoga com potências energéticas do Sul Global, o que lhe permite circular entre blocos e, em tese, capitalizar a fragmentação da ordem internacional.

Se o “divórcio transatlântico” e o pivô norte‑americano para o Oriente Médio abrem oportunidades para o Brasil diversificar mercados, ganhar poder de barganha em energia e alimentos e reforçar seu discurso de liderança do Sul Global, eles também trazem riscos: maior volatilidade de preços, pressão para alinhamentos automáticos e erosão de espaços multilaterais onde o país tradicionalmente projeta influência.

A médio prazo, o redesenho da segurança energética pode reposicionar o Brasil nas disputas regulatórias e ambientais globais: um país que combina grande produção de petróleo com liderança em biocombustíveise matriz elétrica majoritariamente renovável tende a ter mais voz em debates sobre transição energética justa, taxonomia verde e financiamento climático.

Esse capital normativo, porém, só se converterá em influência se for articulado de forma consistente com a política externa e com as posições brasileiras em fóruns como a COP, a OMC e o G20.

Outro vetor decisivo será a capacidade do Brasil de usar o momento para fortalecer cadeias industriais e tecnológicas, em vez de se limitar ao papel de exportador de commodities. Ganhos extraordinários com petróleo, grãos e fertilizantes podem financiar infraestrutura, inovação e reindustrialização verde, mas também podem alimentar a “doença holandesa”(dependência de exportações que desindustrializa) e aprofundar dependênciasse não forem ancorados em uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo.

Articulação com restante resto do Sul Global

Por fim, a margem de manobra brasileira dependerá de como outros atores do Sul Global – em especial Índia, África do Sul, Indonésia e países do Golfo – se posicionarem diante do “divórcio transatlântico”. Se convergirem para agendas comuns em temas como reforma das instituições de Bretton Woods e regras de comércio de bens verdes, o Brasil poderá atuar como articulador de coalizões flexíveis; se prevalecerem agendas fragmentadas, sua capacidade de “surfar” a fragmentação da ordem será bem mais limitada.

Em última instância, o futuro do Brasil nesse cenário dependerá sobretudo das escolhas internas: transformar vantagens materiais em autonomia estratégica exige coordenação entre política externa, energética, industrial e ambiental, além de uma leitura realista dos limites de sua influência. A questão central é se o país tem projeto próprio para negociar, resistir e, quando possível, moldar as novas regras do jogo internacional.


Três livros publicados pela Appris: Nunca Antes na Diplomacia, Contra a Corrente, Apogeu e Demolição da Politica Externa - Paulo Roberto de Almeida

Três livros publicados pela Appris: Nunca Antes na Diplomacia, Contra a Corrente, Apogeu e Demolição da Politica Externa

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Apresentação dos três dos meus livros publicados pela Appris

Apresentação (prefácios, sumários) de três dos meus livros sobre a política externa e a diplomacia do Brasil ainda disponíveis na Editora Appris, mas que também podem ser encomendados via Amazon ou outros comerciantes online.

Sumários completos neste link:

Apogeu e demolição da política externa: itinerários da diplomacia brasileira (Curitiba: Editora Appris, 2021)
 


Contra a Corrente: Ensaios contrarianistas sobre as relações internacionais no Brasil, 2014-2018 (Curitiba: Editora Appris, 2019)



Nunca Antes na Diplomacia: A política externa brasileira em tempos não convencionais (Curitiba: Editora Appris, 2014)


Trabalhos mais acessados de Paulo Roberto de Almeida - Academia.edu

Trabalhos mais acessados de Paulo Roberto de Almeida
Academia.edu (apenas acima de 400 downloads)

Title
All-time views All-time downloads
A Constituicao Contra o Brasil: Ensaios de Roberto Campos
6,229 1,600
14) O Estudo das Relações Internacionais do Brasil (2006)
3,003 1,529
Marxismo e Socialismo (2019)
3,351 1,449
16) O Moderno Príncipe: Maquiavel revisitado (2010)
7,532 1,403
1297) Contra a antiglobalização: Contradições, insuficiências e impasses do movimento antiglobalizador (2004)
6,253 1,281
2258) O desenvolvimento do Mercosul: progressos e limitações (2011)
1,985 1,134
19) Integração Regional: uma introdução (2013)
4,935 996
22) Prata da Casa: os livros dos diplomatas (Edição de Autor, 2014)
15,978 841
1462) O Brasil e a nanotecnologia: rumo à quarta revolução industrial (2005)
4,571 812
Paulo R. Almeida: O Mercosul no Contexto Regional e Internacional (1993)
889 703
Politica externa brasileira em debate (Ipea-Funag, 2018)
1,292 675
Um Ornitorrinco no Itamaraty: cronicas do Itamaraty bolsolavista - Ereto da Brocha (2020)
4,070 645
Política externa brasileira em debate: dimensoes e estratégias de inserçao internacional no pós-crise de 2008
1,177 644
QUINZE ANOS DE POLITICA EXTERNA ENSAIOS SOBRE A DIPLOMACIA BRASILEIRA, 2002-2017
1,111 624
O Itamaraty na Cultura Brasileira (2001)
1,795 544
Miseria da diplomacia: a destruicao da inteligencia no Itamaraty (Ed. UFRR, 2019)
1,110 521
As duas ultimas decadas do seculo XX: fim do socialismo e retomada da globalizacao (2006)
861 501
24) Codex Diplomaticus Brasiliensis: livros de diplomatas brasileiros (2014)
3,983 499
039) Enciclopédia de Guerras e Revoluções do Século XX (2004)
4,078 488
047) O Brasil e o processo de formação de blocos econômicos: conceito e história, com aplicação aos casos do Mercosul e da Alca (2005)
661 477
056) Planejamento no Brasil: memória histórica (2006)
2,145 472
102) Oswaldo Aranha: na continuidade do estadismo de Rio Branco (2013)
1,648 462
2306) A economia política da velha Guerra Fria e a nova “guerra fria” econômica da atualidade: o que mudou, o que ficou? (2011)
1,755 454
094) A economia do Brasil nos tempos do Barão do Rio Branco (2012)
2,111 445
031) O Brasil e o sistema de Bretton Woods: instituições e políticas em perspectiva histórica, 1944-2002 (2003)
854 438
A Destruicao da Inteligencia no Itamaraty (Edição do Autor, 2019)
1,560 437
O Estudo das Relacoes internacionais do Brasil: um dialogo entre a diplomacia e a academia (2006)
856 427
Jose Guilherme Merquior: um Intelectual Brasileiro (2021)
1,245 404
054) As duas últimas décadas do século XX: fim do socialismo e retomada da globalização (2006)
8,005 404
O estudo das relacoes internacionais do Brasil (1999)
701 402

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 21/03/2026

Adam Smith and The Wealth of Nations at their 250 years - Liberty Fund and Cato.org

 Adam Smith and The Wealth of Nations at their 250 years

A selection of articles
A brief selection of articles based on only two sources: Liberty Fund and Cato.org

Adam Smith: Liberty Fund

Introduction:
How do systems of political economy shape a nation’s understanding of wealth, and why do policies built on protection and privilege persist despite their economic costs?
“Money, on the contrary, is a steady friend, which, though it may travel about from hand to hand, yet if it can be kept from going out of the country, it is not very liable to be wasted and consumed.” - Adam Smith
As part of our ongoing series marking the 250th anniversary of The Wealth of Nations, we turn this week to Book IV and Adam Smith’s critique of mercantilism. Rather than taking trade policy at face value, Smith examines the systems of political economy that shaped how nations pursue wealth, revealing how mercantilist thinking often rests on misunderstandings about trade, value, and national prosperity. The essays and conversations gathered here explore how some frameworks elevate privilege and protection and why a more open, competitive order offers a stronger foundation for flourishing.

Articles:

A Knack for Synthesis
James E. Hartley, Law & Liberty
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This essay revisits Smith not just as a sharp observer of economic life, but also as a thinker who connected those insights into an explanation of how prosperity emerges. While he recognized the self-interest and collusion of merchants, he also showed how competition, specialization, and exchange can transform those motives into broader well-being. In light of this issue’s focus on systems of political economy, it underscores that outcomes depend on whether institutions foster open competition or protect privilege.


Exemption is the New Privilege
Peter Calcagno, Adam Smith Works
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Adam Smith’s critique of mercantilism reveals how systems of political economy are often shaped less by the public good than by the interests of those positioned to benefit. In Book IV of The Wealth of Nations, he shows how tariffs and trade restrictions emerge from merchants seeking to limit competition and secure advantage, even at the expense of broader prosperity. His analysis remains a powerful lens for understanding how privilege and protection distort markets and continue to shape modern debates over trade and policy.


Adam Smith's Warnings about Exceptions to Free Trade
Caleb Petitt, Adam Smith Works
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Free trade emerges here not as an absolute rule but as a principle that must be applied with care. Limited exceptions for defense or tax parity may be justified, yet they carry the constant risk of expanding into broader systems of protection that serve narrow interests. In the context of this issue’s focus on political economy, it highlights a central tension: how easily policies meant to correct distortions can instead recreate them.


Educational Experience and the Challenge to Empire
David Womersley, Liberty Fund
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The convergence of 1776’s great works highlights a shared scepticism toward empire and the systems that sustain it. This critique of political economy reveals how mercantilism and imperial ambition rest on economic confusion, moral compromise, and policies that ultimately harm both the governed and the governing. Read alongside Gibbon and the Declaration of Independence, it reinforces this issue’s theme: systems built on domination and privilege undermine the very prosperity and flourishing they claim to advance.


A Brief History of International Trade Policy

Douglas A. Irwin, Econlib
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Debates over trade policy have long balanced broad gains against concentrated losses, a tension that runs from ancient thought to modern economics. This essay traces how mercantilist ideas gave way to a deeper understanding of specialization and exchange, while showing why resistance to trade persists. In line with this issue’s focus on political economy, it highlights a recurring pattern: systems that restrict trade often endure not because they work, but because they serve powerful interests.

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Adam Smith: El Cato – Thousands of articles, via Search:
https://www.elcato.org/search/google/Adam%20Smith

Adam Smith y el taoísmo de mercado - ElCato.org
elcato.org › adam-smith-y-el-taoismo-de-mercado
11 mar 2026 ... Adam Smith · La doctrina de la mano invisible de Adam Smith · Aunque Smith solo utilizó el término "mano invisible" una vez en su obra La riqueza ...

¡Viva Adam Smith! | elcato.org
elcato.org › viva-adam-smith
15 jun 2023 ... No sabemos el día en que nació, pero Adam Smith fue bautizado alrededor de estas fechas hace 300 años. Desde entonces, las ideas de quien es ...

Adam Smith - ElCato.org
elcato.org › quotation-author › adam-smith
"No es por la benevolencia del carnicero, del cervecero y del panadero que podemos contar con nuestra cena, sino por su propio interés". Adam Smith. "Hemos ...

Los 300 años de Adam Smith - ElCato.org
elcato.org › los-300-anos-de-adam-smith
5 jun 2023 ... Iván Alonso conmemora el natalicio de Adam Smith, más conocido por la idea de la "mano invisible", cuyo funcionamiento es posible gracias a ...

El verdadero Adam Smith - ElCato.org
elcato.org › el-verdadero-adam-smith
5 ene 2016 ... Hernán Bonilla explica que "El mensaje de Smith, por tanto, dista mucho de la caricatura que hacen sus adversarios. Es que el liberalismo es ...

Las dos caras de Adam Smith - ElCato.org
elcato.org › las-dos-caras-de-adam-smith
22 nov 2005 ... "Uno y otro —bolchevismo y fascismo— son dos seudoalboradas; no traen la mañana de mañana, sino la de un arcaico día, ya usado una o muchas ...

Adam Smith y el monopolio - ElCato.org
elcato.org › adam-smith-y-el-monopolio
hace 2 días ... Iván Alonso explica que los monopolios que a Adam Smith le preocupan son los que se asientan en el privilegio o el favor político.

La moralidad y el mercado en Smith - ElCato.org
elcato.org › la-moralidad-y-el-mercado-en-smith
1 ago 2025 ... Gabriela Calderón de Burgos comenta las figuras menos célebres en la obra de Adam Smith, la del "espectador imparcial" y aquella de la ...

Adam Smith y su política pública para la educación - ElCato.org
elcato.org › adam-smith-y-su-politica-publica-para-la-educacion
29 jun 2016 ... Smith señala que históricamente la educación no había sido financiada mediante el ingreso fiscal. En la Grecia y Roma antiguas los filósofos y ...

Adam Smith, más allá del propio interés - ElCato.org
elcato.org › adam-smith-mas-alla-del-propio-interes
3 feb 2012 ... En tercer lugar Smith no postuló que todo el comportamiento humano se ajusta a la búsqueda del propio interés. De hecho Smith escribió La teoría ...

A 250 años, ¿qué pensarían?
Leonidas Montes dice que Adam Smith y los "Founding Fathers" de Estados Unidos deben estar celebrando el reciente fallo de la Corte Suprema de los Estados Unidos contra los aranceles por emergencia nacional.
El Cato Institute, 19/03/2026
https://www.elcato.org/250-anos-que-pensarian?mc_cid=15c6a0e55e&mc_eid=19e757ffce
El inicio del nuevo gobierno ha transmitido un nítido sentido de urgencia. La construcción de la zanja y la captura de casi tres mil prófugos son solo un ejemplo. Y la oposición aparece literalmente desconcertada. El desenlace de las negociaciones parlamentarias es la mejor prueba. Incluso en el férreo PC chileno, mientras la vieja Cuba revolucionaria agoniza, asoman grietas. Otro logro no intencionado de Boric fue dejar una izquierda confundida, fragmentada y sin rumbo. Pero estas son nimiedades si vemos lo que está pasando en el mundo.
Hace 250 años se publicaba La riqueza de las naciones, de Adam Smith, y comenzaba la independencia de los Estados Unidos. Si la obra cumbre del escocés delineó lo que sería el futuro, en el norte de América se les dio cuerpo a esos ideales. Ambos hechos históricos nos llevan a preguntarnos por el mundo en el que vivimos. ¿Qué pensarían Adam Smith y los founding fathers (padres fundadores) de todo esto?
Partamos por el intercambio y el comercio. Según Smith, la economía descansa en nuestra propensión a intercambiar. Con la ampliación del mercado, la libertad para intercambiar favoreció a la gran mayoría. Y así como las personas nos beneficiamos con el intercambio, los países también lo hacen con el comercio.
En una época donde el mercantilismo definía las políticas económicas, Smith echa por la borda todo lo que se pensaba sobre economía. La receta mercantilista era que los países debían maximizar sus reservas. Y para hacerlo había que preocuparse del superávit comercial exportando mucho e importando poco. Este principio exigía promover la industria doméstica y fijar altas tarifas de importación. Smith aclara que, si una persona es rica por la cantidad de dinero que tiene, un país no es rico por sus reservas. La riqueza de una nación —recuerde el título de su libro— está en la capacidad productiva de los individuos. Así, el foco cambia del dinero a las personas.
Hoy estos postulados se han visto amenazados por la arbitraria y caprichosa imposición de tarifas a decenas de países, que nos recuerda al mercantilismo. Afortunadamente, un reciente fallo de la Corte Suprema de Estados Unidos rechazó el uso que hizo Trump de una ley destinada a situaciones de emergencia nacional para aumentar los aranceles. Adam Smith y los founding fathers deben estar celebrando este fallo. Los checks and balances (pesos y contrapesos) que tanto promovieron vuelven a jugar su rol. Bien sabían que el poder corrompe. Y que la división de poderes entre el Ejecutivo, los tribunales y el Congreso ayuda a mantenerlo a raya.
Ahora bien, ¿qué pensarían de un presidente de los Estados Unidos que a ratos parece querer jugar al “Monopoly” con el mundo? Es cierto que enfrentamos un nuevo orden mundial, que la amenaza de China es real y que Rusia invadió a Ucrania poniendo al mundo en jaque. Pero la ofensiva contra Irán ha abierto flancos inesperados. La mano invisible, que también encarna las consecuencias no intencionadas, podría jugar nuevamente su rol. Si la Corte Suprema golpeó la mesa, quizá pronto llegará el turno del Congreso. La reciente renuncia del jefe antiterrorista, un fiel trumpista, es una señal en esa dirección.
Los americanos pueden entender y celebrar lo que se hizo en Venezuela y lo que podría pasar en Cuba, pero el Medio Oriente es harina de otro costal. Si la guerra se alarga y los precios del petróleo suben, la popularidad de Trump sufrirá. Y si eso sucede, será el turno del Congreso. Las elecciones legislativas de noviembre (las midterm elections) pueden darnos una sorpresa. Sería otra manifestación de la mano invisible de Adam Smith y de los checks and balances de los founding fathers. Todos ellos, hace ya 250 años, dibujaron los contornos de nuestra democracia liberal. Ojalá sigan haciéndolo.

Este artículo fue publicado originalmente en El Mercurio (Chile) el 19 de marzo de 2026.


sexta-feira, 20 de março de 2026

O estado falimentar do Brasil - Walmyr Buzatto e Luiz Felipe Pondé

 Começo com esta introdução de Walmyr Buzatto, que apresenta o artigo de Pondé na FSP. PRA

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Preciso fazer alguns 'disclaimers' antes de postar o texto de Luiz Felipe Pondé na Folha de S. Paulo, datado de 16/03/2026:

1. Eu sempre fui anti-petista, por diversas razões que não vou enumerar aqui; apesar disso, já votei no PT (para prefeito de Campinas, por acreditar na pessoa, não no partido, e deu no que deu);

2. Tampouco sou bolsonarista; critiquei bastante o governo de Bozo, em especial seu desprezo pelo povo durante a pandemia, resultando no Brasil vice-campeão de mortes, com cerca de 2,5% da população mundial;

3. Em vista do desastre que foi o governo Bolsonaro, teria votado em Lula em 2022 (estava fora do Brasil na época) e recomendei a quem me perguntou que votasse em Lula, por razões óbvias;

4. Dado o desenrolar dos acontecimentos este ano, eu novamente recomendaria - e votaria - em Lula num segundo turno em outubro próximo, e talvez até já no primeiro, conforme os candidatos que se apresentarem;

5. Apesar disso tudo, me julgo no direito de concordar com Luiz Felipe Pondé sobre os estragos feitos ao Brasil por 17 anos de PT no poder. Temer tentou arrumar a casa um pouco, meio como aquele piloto de corridas de longa duração que pega um carro detonado e tem que levar aos boxes para ser colocado de novo na disputa, mas foi abatido em plena tentativa de decolagem pela gravação traiçoeira de Joesley Batista; Bolsonaro, bem, aqui nem há o que dizer, é abaixo de qualquer qualificação, foram 4 anos de desastre total.

Walmyr Buzatto 

••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••

O que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Nada

* Oposição tampouco põe a cabeça para fora da lama

* O país, hoje, se transformou no quintal de uma gangue

Luiz Felipe Pondé

Desde 2003, o PT domina o governo federal. Até 2026, o PT esteve no poder federal por 17 anos. Temer por dois anos, Bolsonaro por quatro anos —nenhum deles grande coisa. A pergunta que não quer calar é: nesses 17 anos, o que o PT fez de significativo para tirar o Brasil da lata de lixo? Resposta: nada.

Sei, o Bolsa Família. Para um nordestino como eu, o Bolsa Família é nada mais do que o velho voto de cabresto repaginado, que, seguramente, o Lula sabe muito bem o que era. Em troca de um prato de comida, vote no candidato do "coroné".

O Bolsa Família, politicamente, tem duas faces. Uma é a ajuda material para pobres —e não tão pobres que se aproveitam para ganhar um dinheiro fácil sem ter que trabalhar cansativamente; outra é um voto de cabresto, compra descarada de votos. Afora isso, o que o PT fez em 17 anos? Nada que tenha impactado a história recente do país. Sem dúvida, alguns serviços aqui e ali —quem quiser que desfie o rosário.

A última coisa séria que aconteceu no Brasil em termos de alterar a história recente do país e ajudar a população significativamente foi o Plano Real, que, aliás, o PT nunca foi muito a favor na época. A memória, essa infeliz! O Lula se referia ao governo FHC como "herança maldita". Pergunto, como um historiador que não seja vendido ao PT, coisa rara, chamaria a herança que o Brasil recebeu nesses 17 anos?

Vale apontar que a possibilidade de reeleger alguém como presidente muitas vezes —que não é uma invenção petista, há que se reconhecer— é uma herança maldita. Quando alguém, ou um mesmo partido, coloniza o governo federal por décadas, necessariamente, o resultado será catastrófico. Já vivemos essa catástrofe.

Esse processo implicou a transformação do Brasil no quintal de uma gangue. Essa gangue se torna uma hidra que toma quase todos os espaços, formando gerações de lacaios. Uma dessas classes de lacaios do PT é a inteligência pública nacional.

Constatar que os últimos anos do Brasil foram jogados na lata de lixo não implica pôr tudo na conta do PT —a oposição constituída nesses 23 anos tampouco põe a cabeça para fora da lama—, ainda que, tendo ocupado o governo federal por 17 anos, isso deveria aterrorizar sua consciência. O país pasta na lama.

Ainda assim, para além da responsabilidade direta do PT, o país parece condenado ao lixo da história. Nesses anos, o país se tornou quase um narcoestado. O crime organizado, hoje, disputa territorialmente a soberania local, sendo a Amazônia, essa joia do "blábláblá" nacional, parte do objeto da soberania criminosa no país.

O crime se espalha pelo interior do país —sendo as grandes cidades já províncias do crime—, chegando às pequenas cidades. Todo mundo sabe que estamos entregues ao crime.

A corrupção estrutural parece formar quadros profissionais que servirão como ferramenta de normalização de uma sociedade sem lei. Da periferia ao coração do mercado financeiro, sente-se, quase ninguém escapa.

A piora salta aos olhos quando a ideia de normalização passa ao universo da normatização, e a sociedade sem lei parece se tornar uma sociedade em que mesmo a lei serve a alguma forma de corrupção segmentada.

Hoje em dia, o escândalo do banco Master faz a todos —pelo menos àqueles que ainda têm o sentido do olfato ativo— sentir o cheiro de que há algo de podre no reino de Brasília. Corre à solta uma promiscuidade regada a uísque caro. A vergonha na cara parece ser um recurso extinto entre os quadros altos da República.

O cerco se fecha. O argumento da honra vira arma de censura no país. Sob a cortina da falsa honra, poderosos não temem mais fazer o que bem quiser. Onde já se viu o filho de um presidente pedir abertamente a altas autoridades da República para que seu sigilo bancário não seja quebrado por conta de uma investigação da fraude do INSS? Aliás, o que pensar de um país que monta uma gangue para roubar aposentados, essa classe esmagada pela canalhice nacional?

Os bolsonaristas, esses iniciantes na arte de formar gangues políticas, quiseram derrubar a democracia. O fato é que a democracia brasileira está corroída por dentro, e não por ação de uma tentativa de golpe montada por idiotas, mas, sim, por um lento e invisível processo que opera sob o signo de uma microfísica do poder, corrompendo o caráter das altas figuras da República.

Uma quadrilha parece ter tomado o poder no Brasil. Torna-se difícil imaginar quem escapa dessa gangue multifacetada e que ultrapassa os limites ideológicos, apesar de os idiotas insistirem neles. "Em nome do Estado de Direito", perde-se a vergonha na cara.



O Brasil padece de um rumo - Hubert Alquéres Revista Será?

O Brasil padece de um rumo

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Revista Será?, mar 20, 2026


Por uma dessas coincidências da vida, encontrava-me na Irlanda quando o presidenciável Eduardo Leite lançou seu manifesto, no qual afirma que o Brasil não tem um problema de potencial, mas sim de direção. No texto do governador, chamou a atenção a referência à Irlanda como exemplo de um país que, sendo um dos mais atrasados da Europa, basicamente agrário e exportador de mão de obra, deu um salto para hoje ter renda per capita superior à média da União Europeia e tornar-se um polo mundial de inovação.

O chamado “Tigre Celta” não foi fruto do acaso. A virada irlandesa ocorreu porque seus dirigentes tiveram, no final dos anos 1980, a capacidade de tomar decisões estratégicas que alteraram o rumo do país. Reduziram impostos para atrair empresas globais de tecnologia e da indústria farmacêutica e, desde o início dos anos 1990, investiram de forma consistente na educação técnica e na articulação entre universidades e setor produtivo, qualificando sua mão de obra.

O resultado foi a criação de um ambiente dinâmico de inovação, com a proliferação de startups impulsionadas por trabalhadores formados nessas grandes empresas. A Irlanda soube aproveitar sua inserção no mercado europeu para se transformar em exportadora de bens de alto valor agregado, deixando para trás a condição de economia primária.

Para efeito de contraste, a Grécia, outro país europeu de trajetória semelhante até os anos 1980, seguiu caminho distinto, baseado na expansão do Estado na economia. O resultado foi uma estrutura produtiva pouco competitiva e uma grave crise fiscal em 2010.

A experiência irlandesa integra um conjunto mais amplo de países que conseguiram superar o atraso e dar saltos de produtividade, como Coreia do Sul, China, Índia e Vietnã. No mesmo período, o Brasil, cuja economia foi a que mais cresceu no mundo entre 1950 e 1980, passou a crescer de forma errática. Nos últimos 45 anos, a média de expansão do PIB tem girado em torno de míseros 2% ao ano.

Essa realidade nos leva a adaptar, com termos mais comedidos, a pergunta formulada por Vargas Llosa em Conversa no Catedral: quando foi que o Brasil se perdeu? Ou, mais precisamente, em quantos momentos se perdeu?

Um marco possível está no esgotamento do modelo de substituição de importações, sustentado pelo nacional-desenvolvimentismo, com forte presença do Estado, protecionismo e isolamento relativo da economia. Esse modelo foi importante para a formação da indústria de base e de bens duráveis, especialmente nos períodos de Vargas e Juscelino, mas produziu também inflação, baixa produtividade e ineficiências.

Com a redemocratização, a Nova República herdou dois problemas centrais: a dívida externa e a inflação crônica. Ao mesmo tempo, impunha-se a abertura econômica e a construção de um Estado de bem-estar social, em um contexto de crescente globalização. Era necessário modernizar o Estado e preparar o país para integrar-se às cadeias produtivas globais.

Não era tarefa para um único governo. Exigia um projeto de nação de longo prazo, sustentado ao longo de diferentes ciclos políticos. Ainda assim, houve avanços importantes. A Constituição de 1988 estabeleceu as bases institucionais, e o Plano Real criou as condições mínimas de estabilidade, ao controlar a inflação e reorganizar a economia.

Quando Lula assumiu seu primeiro mandato, o país reunia condições favoráveis para dar um novo salto: bônus demográfico, maior organização institucional e um ambiente internacional positivo, impulsionado pelo boom das commodities. Esse contexto poderia ter financiado uma reindustrialização voltada à inovação e à elevação da produtividade, como fizeram outros países.

Esse potencial, no entanto, não se traduziu em uma mudança estrutural. Houve avanços na ampliação de programas sociais, mas a estratégia econômica priorizou o consumo em detrimento de investimentos mais robustos em inovação, qualificação da força de trabalho e inserção competitiva na economia global.

A partir da metade do segundo mandato, consolidou-se uma orientação em que o Estado voltou a assumir papel central como indutor da economia, em uma reedição de estratégias já testadas no passado. A aposta no pré-sal como vetor de futuro ocorreu em paralelo a um cenário internacional que já sinalizava a transição energética.

O resultado foi uma deterioração significativa no período seguinte, com a forte recessão observada no governo Dilma. Com exceção de alguns setores altamente competitivos, como o agronegócio, o Brasil segue com dificuldades para se inserir de forma consistente nas cadeias globais de maior valor agregado.

Chegamos, assim, ao presente: um país de grande potencial, mas sem direção clara. Reitera-se a condição de “país do futuro”, evocada por Stefan Zweig, um futuro que se projeta, mas não se realiza.

A esse quadro somou-se uma crescente divisão interna. O debate político recente tem se concentrado menos em projetos de país e mais na rejeição mútua entre polos. Discute-se o acessório, em detrimento de temas estruturais.

Enquanto isso, o mundo passa por transformações profundas, com reorganização de cadeias produtivas, avanço tecnológico acelerado e redefinição de estratégias nacionais de longo prazo. E o Brasil segue preso a disputas de curto prazo, sem uma agenda clara que articule seu potencial produtivo às exigências de um cenário global em rápida mudança.

Falta, em síntese, direção.

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Hubert Alquéres é presidente da Academia Paulista de Educação.



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