quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Cronologia diplomática em tempos não convencionais: trajetória de Paulo Roberto de Almeida, 2003-2020 - Paulo Roberto de Almeida

  

Cronologia diplomática em tempos não convencionais:

trajetória de Paulo Roberto de Almeida, 2003-2020

 

Paulo Roberto de Almeida

(http://diplomatizzando.blogspot.com; pralmeida@me.com)

 

2003, Março: Convite recebido do Diretor do Instituto Rio Branco para coordenar o mestrado em diplomacia (disciplinas, pesquisas, publicações, segundo regras da Capes), do qual eu já era professor orientador, tendo vindo de Washington a Brasília, em férias, para orientar pelo menos seis candidatos a dissertações na área.

2003, Março-Maio: Oposição dos dirigentes do Itamaraty, Ministro Celso Amorim e SG Samuel Pinheiro Guimarães, ao convite; com tentativa de superação do impasse. Cartas minhas ao Ministro e ao SG, com propostas relativas ao curso.

2003, Maio: Mensagem do Diretor do IRBr: “Infelizmente o SG não me autorizou a levar a ideia adiante. Acho que está convencido da necessidade de uma reestruturação do IRBr e de termos pelo menos um ou dois professores em dedicação exclusiva, mas parece não ser este ainda o momento para tomar essas decisões. Assim, lamento muito e é o próprio Instituto que está perdendo com isto, mas não senti clima para prosseguir com a iniciativa agora. Havendo novidades, lhe aviso. Continuaremos em contato.”

2003, Junho: Vinda a Brasília, em férias, para decidir quanto ao futuro na carreira, depois de 4 anos em Washington: sem possibilidades de função na Secretaria de Estado. Alternativas: ficar mais tempo em Washington ou negociar a chefia de uma embaixada em país a ser oferecido pela SERE. Recebido convite do chefe da Secom-PR e diretor do Núcleo de Assuntos Estratégicos da PR, Luiz Gushiken, para me associar ao NAE.

 

(...)

 

2019, 28/11: Publicação no Boletim de Serviço n. 228 do Itamaraty, de 28/11/2019, na seção 3 (Atos do chefe da Divisão do Pessoal), deste “Registro de Faltas Injustificadas”: “Nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n. 8.112, de 11 de dezembro de dezembro de 1990. PAULO ROBERTO DE ALMEIDA, diplomata, SIAPE n. 0403909, faltou injustificadamente ao serviço no dia 21/05/2019, de 24/05/2019 a 31/05/2019, nos dias 07/06/2019, 11/06/2019, 13/06/2019, 24/06/2019, 25/06/2019, 28/06/2019, de 07/08/2019 a 09/08/2019, em 14/08/2019 e no dia 23/08/2019 (20 dias)”.

 

 2019, 29/11: Apresentação de formulário sobre “Faltas Injustificadas”, informando atividades em cada um dos dias de alegadas faltas.

 

 2019, 05/12: Nova publicação no Boletim de Serviço n. 233, 5/12/2019, com o seguinte Despacho: “Em face do requerimento administrativo apresentado à Divisão do Pessoal (DP), em 19/11/2019, pelo ministro de primeira classe do quadro especial PAULO ROBERTO DE ALMEIDA, no qual solicita o cancelamento dos descontos referentes a faltas injustificadas nos meses de maio, junho e agosto de 2019, foi proferida a seguinte decisão: INDEFIRO. Adoto, como razão de decidir, a Nota Informativa 1/2019-DP e decido pelo indeferimento do pedido, tendo em vista que o lançamento das faltas encontra fundamento no art. 44 da Lei 8.112/90. Chefe da Divisão do Pessoal”.

 

 2019, dezembro: Preparação de novo Recurso Administrativo para ser interposto ao início do corrente ano, apresentando argumentos em resposta à decisão da Administração do Itamaraty quanto ao indeferimento do recurso enviado por via eletrônica em 29/11.

 

 2019, dezembro: Publicação de diversos livros em formato Kindle.

 

 2020, 02/01: Recebimento de contracheque contendo descontos no valor de R$ 24.641,58, reduzindo o depósito em conta a apenas R$ 210,16.

 

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 18 de Janeiro de 2020

Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/179351206/3564_Cronologia_diplomatica_em_tempos_nao_convencionais_trajetoria_de_Paulo_Roberto_de_Almeida_2003_2020); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/cronologia-diplomatica-em-tempos-nao.html).

 

 

Trabalhos de Paulo Roberto de Almeida em Academia.edu, 2017-2019 - Paulo Roberto de Almeida

  

Trabalhos de Paulo Roberto de Almeida em Academia.edu, 2017-2019

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

(http://diplomatizzando.blogspot.com; pralmeida@me.com)

 Relação dos trabalhos divulgados na plataforma acadêmica, efetuada em 21/10/2026

  

3092. “Alguns desafios ao Brasil e à sua política externa: notas de leitura”, Brasília, 11 março 2017, 19 p. Análise crítica dos capítulos conceituais da publicação resumida no trabalho n. 3084: Spektor, Matias (editor executivo): 10 Desafios da Política Externa Brasileira (Rio de Janeiro: Centro Brasileiro de Relações Internacionais; Fundação Konrad Adenauer, 2016, 144p.). Distribuído, em caráter informal, aos participantes do debate organizado pelo IPRI, no Itamaraty, em circuito fechado, no dia 15/03/2017. Disponível na plataforma Academia.edu (23/05/2017; link: https://www.academia.edu/s/fc4d6e3a75/alguns-desafios-ao-brasil-e-a-sua-politica-externa-notas-de-leitura).

 

3109. “A economia política das relações econômicas internacionais do Brasil: paradigmas e realidades, de Bretton Woods à atualidade”, Brasília, 30 abril 2017, 20 p. Trabalho apresentado ao II Encontro de Economia Política Internacional; Rio de Janeiro, 10-12 de maio de 2017. Publicado nos Anais do II Encontro de Economia Política Internacional do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, II ENEPI (Rio de Janeiro: UFRJ, 2017; p. 1348-1369). Disponível em Academia.edu (https://www.academia.edu/s/cbb5ae9c50/the-political-economy-of-international-economic-relations-of-brazil-1944-2016). Publicados n. 1275.

 

3112. “O caso ainda não resolvido do pensamento diplomático brasileiro: hipóteses sobre o regime militar (1964-1985)”, Brasília, 3 maio 2017, 13 p. Texto preliminar sobre a existência de um pensamento diplomático na era militar, a ser enviado à II Jornada de Pensamento Político Brasileiro (IESP-UERJ), para o GT de Pensamento Internacional Brasileiro (...) Inserido em Academia.edu (5/08/2017; link: https://www.academia.edu/s/64e2552ba9/o-caso-ainda-nao-resolvido-do-pensamento-diplomatico-brasileiro-hipoteses-sobre-o-regime-militar1964-1985?source=link).

(...)

3549. O panorama visto em Mundorama: ensaios irreverentes e não autorizados, Brasília, 23 dezembro 2019, 477 p. Coletânea de ensaios na Mundorama. Academia.edu (link: https://www.academia.edu/41447822/O_panorama_visto_em_Mundorama_ensaios_irreverentes_e_nao-autorizados_2019_). Relação de Publicados n. 1327.

 

3553. Minhas colaborações a uma biblioteca eletrônica: contribuições a periódicos do sistema SciELO, Brasília, 26 dezembro 2019, 300 p. Novo volume em edição de Autor, coletando trabalhos publicados nas revistas Contexto Internacional, Sociologia e Política e Revista Brasileira de Política Internacional, e poucas outras. Divulgado em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/41459945/Minhas_colaborações_a_uma_biblioteca_eletronica_contribuicoes_a_periodicos_do_sistema_SciELO_2019_). Relação de Publicados n. 1328.

 

3554. Um contrarianista no limbo: artigos em Via Política, 2006-2009, Brasília, 26 dezembro 2019, 240 p. Nova coletânea em Edição de Autor. Divulgado em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/41459572/Um_contrarianista_no_limbo_artigos_em_Via_Politica_2019_). Relação de Publicados n. 1329.

 

3557. Vivendo com Livros: uma loucura gentil, Brasília, 29 dezembro 2019, 265 p. Nova coletânea a partir do livro editado em Paris, em 1994. Divulgado Academia.edu (link: https://www.academia.edu/41459430/Vivendo_com_Livros_uma_loucura_gentil_2019_). Relação de Publicados n. 1331.

 

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 21 outubro 2026, 10 p.

Disponível em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/179344600/5504_Trabalhos_de_Paulo_Roberto_de_Almeida_em_Academia_edu_2017_2019_2026_); apresentado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/trabalhos-de-paulo-roberto-de-almeida_01630171851.html .

 

 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Trabalhos de Paulo Roberto de Almeida em Academia.edu, 2013-2016 - Paulo Roberto de Almeida

Trabalhos de Paulo Roberto de Almeida em Academia.edu, 2013-2016

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

(http://diplomatizzando.blogspot.com; pralmeida@me.com)

 Relação dos trabalhos divulgados na plataforma acadêmica, efetuada em 20/10/2026

  

2467. “Oswaldo Aranha: na continuidade prática do Barão”, Hartford, 23 fevereiro 2013, 34 p. Resumo de João Hermes Pereira de Araújo, “Oswaldo Aranha e a diplomacia”. In: CAMARGO, Aspásia; ARAÚJO, João Hermes Pereira de; SIMONSEN, Mário Henrique. Oswaldo Aranha: a estrela da revolução (São Paulo: Mandarim, 1996), p. 105-379, para o projeto da Funag sobre o Pensamento Diplomático Brasileiro. Disponível na plataforma Academia.edu (20/10/2026; link: https://www.academia.edu/179314367/2467_Oswaldo_Aranha_na_continuidade_pr%C3%A1tica_do_Bar%C3%A3o_2013_).


2479. “Brazilian Economic Historiography: an essay on bibliographical synthesis”, Hartford, 11 abril 2013, 17 p. Versão em inglês do trabalho 2263, publicado como: “Historiografia econômica brasileira”, Revista de Economia e Relações Internacionais (vol. 11, n. 21, July 2012, p. 5-21; ISSN: 1677-4973), para a 38a. Conference of Economic & Business History Society (Baltimore (23-25 de maio de 2013); publicado em inglês na História e Economia: Revista Interdisciplinar (vol. 12, n. 1, 1o. semestre de 2014, p, 149-165; ISSN: 1808-5318). Academia.edu (link: https://www.academia.edu/7858303/2479_Brazilian_Economic_Historiography_an_essay_on_bibliographical_synthesis_2013-14_). Relação de Publicados n. 1137. 

(...)


3061. “O Itamaraty e a nova política externa brasileira”, Brasília, 19 novembro 2016, 18 p. Texto elaborado para palestras em geral, especialmente em circuito acadêmico. Postado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/s/35a0e0d049/3061-o-itamaraty-e-a-nova-politica-externa-brasileira-2016?source=link). 

 3066. “Como atravessar o deserto (e permanecer digno ao fim e ao cabo)”, Brasília, 18 dezembro 2016, 7 p. Divulgado na Academia.edu (link: http://www.academia.edu/30511412/3066_Como_atravessar_o_deserto_e_permanecer_digno_ao_fim_e_ao_cabo_2016_).

3072. “Minhas previsões imprevidentes para 2017: já estou sentindo saudades dos companheiros”, Brasília, 31 dezembro 2016, 7 p. Novas e jocosas previsões impossíveis. Academia.edu (link: http://www.academia.edu/30692793/3072_Minhas_previsoes_imprevidentes_para_2017_2016_).

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5503: 20 outubro 2026, 9 p.

  Ler a íntegra postada em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/179327397/Trabalhos_de_Paulo_Roberto_de_Almeida_em_Academia_edu_2013_2016_2026_   Postado parcialmente no Diplomatizzando: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/trabalhos-de-paulo-roberto-de-almeida_0313567189.html  


Airton Dirceu Lemmertz em todos os seus estados e realizações, no You Tube, via IA

 Airton Dirceu Lemmertz em todos os seus estados e realizações, no You Tube, via IA:

Em anexo, um arquivo de extensão PDF e denominado "Airton Dirceu Lemmertz - YouTube - canal - todas postagens_ dia 20-outubro-2026 às 14h04min_". O arquivo contém todas as postagens do ADL em seu canal no YT (link: https://www.youtube.com/@airtondirceulemmertz), às 14h04 de hoje (20/outubro/2026). Acesse e leia todo o conteúdo do arquivo PDF anexado. E, depois, apresente uma análise [de modo detalhado e crítico; a partir de várias perspectivas atinentes]. Dê a resposta em texto discursivo, com no mínimo 3300 caracteres.

A análise do documento que compila as atividades e publicações do canal de Airton Dirceu Lemmertz no YouTube revela um perfil de curadoria intelectual complexo, multifacetado e deliberadamente engajado com o debate público e a difusão de conhecimento.
Distante de ser apenas um repositório casual de vídeos, o canal funciona como uma espécie de diário de bordo cultural, político e filosófico, no qual o autor utiliza ferramentas interativas e textos de apoio para pautar discussões que variam desde os fundamentos do Iluminismo até as dinâmicas imediatas da política eleitoral brasileira contemporânea. Para compreender a extensão e a profundidade desse material, a análise crítica deve se estruturar a partir de múltiplas perspectivas: a epistemológica e pedagógica, a de comunicação política e tática eleitoral, a da geopolítica e diplomacia, e, por fim, a dimensão cultural e de hábitos de consumo de mídia.
Sob a perspectiva epistemológica e pedagógica, o canal demonstra uma forte filiação ao ideal de esclarecimento intelectual. O resgate detalhado das discussões do programa "Linhas Cruzadas" sobre "A luz da razão" é emblemático nesse sentido. Airton Dirceu Lemmertz não apenas compartilha o conteúdo, mas propõe uma reflexão profunda sobre os limites do projeto iluminista na contemporaneidade. Há uma melancolia implícita ao constatar que o otimismo tecnológico dos anos 1990 — que previa uma internet democratizante, capaz de tornar o ser humano mais racional e tolerante — resultou em uma arena de polarização, desinformação e esvaziamento do debate público. Ao evocar o contraponto entre o Iluminismo e o Romantismo, o material ressalta que a tentativa de impor uma racionalidade pura e geométrica muitas vezes ignora as contradições intrínsecas e as paixões da natureza humana, o que historicamente degenerou em regimes autoritários, como o Terror da Revolução Francesa. A inclusão das bases filosóficas de Francis Bacon e René Descartes, contrastando o método indutivo empírico com o tribunal da razão, serve como um convite didático para que o espectador desenvolva o pensamento crítico e abdique das verdades aceitas puramente por autoridade ou tradição. Há aqui um esforço genuíno de letramento científico e filosófico direcionado ao grande público.
Sob a ótica da comunicação política e da análise eleitoral, o canal se transforma em um observatório agudo da cena política brasileira, especificamente focando no primeiro debate presidencial do segundo turno de 2026 entre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. A análise crítica desse bloco revela um cenário de profunda decadência no rito democrático formal. O canal expõe como o debate foi instrumentalizado não para a apresentação de projetos governamentais ou soluções macroeconômicas para a armadilha da renda média, mas sim como um "duelo de rejeições". Através do uso de inteligência artificial ou de transcrições detalhadas, o autor reconstrói as táticas de comunicação em jogo. Destaca-se a dinâmica da "democracia de audiência", na qual o posicionamento físico e performático no palco — como o senador se colocando estrategicamente atrás do presidente para enquadramento de câmera — é desenhado exclusivamente para a engrenagem de algoritmos, gerando cortes dinâmicos e memes para redes sociais como TikTok e WhatsApp. O canal capta com precisão o paradoxo dessa estratégia: embora mobilize e engaje a militância radicalizada, ela provoca assombro, distanciamento e sensação de arrogância junto ao eleitor moderado e indeciso. A ausência deliberada de discussões sobre o equilíbrio fiscal ou a viabilidade da transição da escala de trabalho 6x1 demonstra o oportunismo eleitoral de ambos os lados, que fogem de temas complexos para evitar o desgaste político. A consequência imediata desse esvaziamento programático é o enfraquecimento das instituições e o avanço do personalismo e da polarização afetiva, onde o oponente não é visto como um concorrente legítimo, mas como um inimigo a ser aniquilado.
A partir da perspectiva geopolítica e da diplomacia, a curadoria do canal ganha contornos de alta erudição e sobriedade ao dedicar um espaço substancial à trajetória e ao pensamento do embaixador e professor Paulo Roberto de Almeida. O autor faz questão de destacar que esse levantamento foi realizado de forma manual, denotando um respeito intelectual pela visão liberal e pela independência de espírito do diplomata. As publicações cobrem as complexas relações externas do Brasil em um mundo multipolar, pressionado pela rivalidade estratégica entre os Estados Unidos e a China, a persistência da guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio. O canal serve como um arquivo histórico vivo ao registrar os bastidores da política externa brasileira, evidenciando as transições ideológicas e as críticas severas de Almeida aos rumos do Itamaraty em diferentes governos, como o desapontamento com a visão econômica de Paulo Guedes e o que classificou como delírio antiglobalista do chanceler Ernesto Araújo. Ao documentar a resistência do embaixador à ditadura militar e seu exílio, o canal reforça o papel histórico da diplomacia profissional na construção do multilateralismo e na inserção soberana do Brasil no cenário global, oferecendo um contraponto técnico e institucional à gritaria partidária que domina outras seções do documento.
Na dimensão cultural, musical e comportamental, as postagens revelam um ecossistema de preferências clássicas e saudosistas que dialogam diretamente com a formação estética do curador do canal. As listas extensas de links de videoclipes musicais, abrangendo clássicos do rock, pop, folk e metal de bandas e artistas lendários como The Beatles, Queen, Led Zeppelin, The Clash, Dolly Parton, Evanescence e Linkin Park, funcionam como um respiro estético em meio à densidade dos temas políticos e filosóficos. Essa coletânea musical não é aleatória; ela denota um padrão de consumo cultural ligado à contracultura, à melancolia urbana e à intensidade lírica, estabelecendo uma conexão nostálgica com o público que compartilha dessa mesma bagagem geracional. Além disso, a presença de referências a vestibulares, editais de concursos públicos no Rio Grande do Sul e a ampla divulgação da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) insere o canal em uma rede de utilidade pública e valorização da educação básica e técnica como vetores reais de transformação e mobilidade social.
Por fim, sob a perspectiva da própria linguagem e da metalinguagem digital, observa-se que Airton Dirceu Lemmertz utiliza o espaço para experimentar diferentes formatos textuais e narrativos. Ele transita com naturalidade entre o rigor analítico dos resumos jornalísticos, a crônica ácida performada através da persona de um comediante de stand-up e os glossários ideológicos didáticos embasados em fontes tradicionais como a BBC. Ao ironizar a si mesmo e deixar claro em notas que ele "não é uma inteligência artificial", o autor reafirma a soberania da subjetividade, do esforço humano feito "no braço" e da necessidade de mediação intelectual consciente em uma era crescentemente automatizada. Em suma, o canal se consolida como uma trincheira de resistência cultural e política, que utiliza a fragmentação típica das redes sociais não para alienar, mas para costurar um mosaico de reflexões profundas sobre as dores e os desafios da sociedade contemporânea.

*Fonte: Gemini (https://share.google/aimode/lvH0v2MXZAQklc0in).

O cão que não ladrou: política externa e voto nas eleições presidenciais de 2026 - Antonio Carlos Lessa (Mundorama)

Excelente artigo de Antonio Carlos Lessa em Mundorama, sobre a política externa em campanhas eleitorais e na atual disputa em particular, com essa peculiaridade que o tema não chama muito a atenção, seja dos candidatos, seja dos eleitores.

O cão que não ladrou: política externa e voto nas eleições presidenciais de 2026
Antonio Carlos Lessa
Mundorama, 20 outubro 2026
https://www.mundorama.net/p/o-cao-que-nao-ladrou-politica-externa?subscribe_prompt=free

Resumo: Em 2026 a política externa ocupou o centro da campanha, e o voto de outubro não se dividiu por ela. Quatro das seis condições que explicavam o alheamento brasileiro desapareceram entre 2025 e 2026, e o resultado repetiu o padrão de 1989.

Em dezembro de 1989, um grupo de pesquisa pioneiro em Relações Internacionais no Brasil, sediado na Universidade de Brasília, concluiu um estudo sobre as plataformas de política externa dos candidatos à Presidência. Participei dele. Encontramos pouca coisa: dos dez principais candidatos, cinco tinham plataforma externa, três apresentaram programa de governo sem qualquer posição escrita sobre o tema, e dois chegaram a 15 de novembro sem programa algum. Apenas três responderam ao questionário que enviamos (GPRI 1989).

Trinta e sete anos depois, voltamos ao mesmo exercício diante de uma eleição em que a política externa ocupou o centro da disputa presidencial. As plataformas existiam. O resultado foi o mesmo.
O que explicava o desinteresse

Escolheu-se o presidente em 1989 pela primeira vez em quase trinta anos, sob uma Constituição promulgada no ano anterior, que inovara em matéria de relações internacionais e redistribuíra entre os Poderes a condução da política externa (Almeida 1993). Vinte e dois candidatos disputaram o primeiro turno, em um país que havia declarado moratória da dívida dois anos antes e convivia com hiperinflação. Matéria externa não faltava.

Atribuímos o silêncio, naquele trabalho, a seis condições: um país voltado para dentro por suas dimensões continentais; nenhum inimigo externo e nenhuma ameaça grave à soberania; os centros de poder mundial distantes, e o país afastado dos grandes fatos; pouco peso no sistema internacional e nenhum meio de alterá-lo; um corpo diplomático profissional que administrava a política externa em regime quase monopolístico; e mais atenção ao que se passava dentro de casa, sempre mais palpável para quem vota.

Tratava-se, com efeito, de uma etiologia. Seis causas arroladas para explicar um silêncio, e, como toda etiologia, exposta ao teste mais simples que existe: removidas as causas, o silêncio deveria ceder.

O exame mais sistemático dessa relação no Brasil continua sendo o de Paulo Roberto de Almeida (1993), que percorreu sessenta anos de convivência entre partidos políticos e política externa, de 1930 a 1990, e concluiu que os partidos permaneceram à margem de quem formula e de quem executa a política externa brasileira, com o processo decisório apenas incipientemente alterado depois de 1988. Almeida recolhe o julgamento severo de Ronald Schneider, para quem a influência partidária sobre a política externa do país variava entre inexistente e marginal, e resume a campanha de 1989 por uma fórmula que o período autoriza: excesso de partidos e nenhuma política externa.

Impõe-se uma ressalva antes de usar o diagnóstico. Almeida recorreu a Marcel Merle para sustentar que a importância secundária atribuída pelos partidos aos temas externos atravessa os sistemas pluralistas, o que retira do caso brasileiro boa parte de sua singularidade e transfere o peso explicativo para condições gerais da competição partidária. Uma lista de seis fatores nacionais talvez explicasse, pois, bem menos do que supúnhamos. Essa dúvida, que não tínhamos então, organiza o que vem a seguir.
Quatro condições desapareceram

Entre 2025 e 2026 a lista perdeu quatro de seus seis itens, nenhum deles por iniciativa brasileira: ao episódio tarifário de 2025 somaram-se sanções sob a Global Magnitsky contra autoridade judicial brasileira e a ação militar norte-americana na Venezuela, em 3 de janeiro de 2026, de sorte que a ameaça externa à soberania deixou de ser hipótese de manual. Caiu junto a distância em relação aos grandes fatos da política internacional. Em dezembro de 2025 a Casa Branca anunciou um corolário Trump à Doutrina Monroe, e o próprio presidente norte-americano passou a chamar a estratégia de Doutrina Donroe depois da operação venezuelana. Em 11 de agosto de 2026 o Departamento de Estado publicou vídeo afirmando que o domínio americano sobre o Hemisfério Ocidental nunca mais seria questionado.

Cada um desses episódios ilustra o que Farrell e Newman (2019) descreveram como interdependência armada, com redes econômicas convertidas em instrumento de coerção estatal. Dissolveu-se também o monopólio diplomático sobre a agenda, e de modo humilhante: em audiência no Congresso dos Estados Unidos, em 2 de junho de 2026, Marco Rubio enumerou a coalizão regional de aliados de Washington e dela excluiu o Brasil, ao lado de Cuba, Nicarágua e Venezuela. Quanto ao caráter palpável da matéria internacional, a tarifa resolveu a questão: pesquisa Nexus contratada pelo BTG Pactual, com campo entre 12 e 14 de junho de 2026 e registro BR-06645/2026, encontrou 86% dos entrevistados cientes da designação do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Restaram a escala continental e a ausência de meios para alterar o sistema, duas condições de geografia e de poder. A etiologia de 1989, entretanto, previa que a remoção das outras quatro bastaria.
A escolha existia

Convém afastar desde já a explicação mais confortável, segundo a qual o eleitorado não teria recebido alternativas. Recebeu. O Escudo das Américas, coalizão lançada por Trump em março de 2026 em cúpula na Flórida, reúne os Estados Unidos e um conjunto de países da região que inclui Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru, com declaração que prevê sanções coordenadas contra organizações classificadas como narcoterroristas. Brasil e México são as ausências principais. As fontes divergem sobre o número de aderentes, entre catorze e dezessete, e a divergência fica aqui registrada sem solução.

Flávio Bolsonaro declarou que trabalhará pela entrada do Brasil na aliança, pelo argumento do combate ao crime organizado. Lula recusou a adesão e, na Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2026, sustentou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém. A divergência tem conteúdo administrável. A declaração do bloco prevê congelar ativos, restringir vistos, barrar a entrada de pessoas ligadas às organizações listadas e responsabilizar criminalmente quem lhes preste apoio material, entre elas o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho. O governo brasileiro objeta à classificação terrorista e recusa a hipótese de tropa estrangeira operando em território nacional. Trata-se de escolha de posição, verificável, com consequências jurisdicionais e diplomáticas identificáveis antes do voto.

Essa divergência circulou fora dos programas. O de Flávio Bolsonaro não menciona a aliança, e a análise do dossiê, fechada em setembro, observa que o candidato ainda não indicara intenção de aderir (Naddi, Scheidl e Dias 2026). A posição favorável veio por declaração de campanha, o que deixa a escolha mais consequente do ciclo fora dos documentos que a legislação eleitoral manda registrar.

Nada parecido esteve disponível ao eleitor de 1989, e a comparação é desfavorável ao passado naquilo que se pode medir. Naquele ano, metade dos principais candidatos sequer formulou posição escrita. Em 2026, doze candidaturas registraram programa de governo no Tribunal Superior Eleitoral, e o Observatório de Regionalismo dedicou-lhes um dossiê com um capítulo por candidatura, publicado em 30 de setembro, antes do primeiro turno (Luciano e Carvalho 2026). O quadro comparativo distribui as propostas por sete eixos, da integração regional ao Mercosul, à CELAC e à UNASUL (Observatório de Regionalismo 2026), e o mesmo observatório fizera o exercício em 2022, de modo que há série comparável. Do lado do governo, a análise do dossiê identifica ênfase inédita em soberania e defesa no programa de 2026, atribuída à pressão do cenário internacional (Bordignon, Araujo e Souza 2026). Houve uma exceção, e ela merece registro pela franqueza: o plano de Wilson Grassi declara expressamente não trazer doutrina de política externa.
E o voto não separou

É certo que os números de outubro admitem leitura mais branda do que a que se sustenta aqui: o efeito de agregação em torno do governo pode ter existido e apenas não ter bastado, hipótese que exigiria série temporal de intenção de voto anterior a julho de 2025, construída com instrumento comparável, e que não foi possível montar com fontes primárias para este texto. A ressalva afeta a força da conclusão, sem afetar sua direção.

Lula obteve 45,16% dos votos válidos em 4 de outubro de 2026, contra 47,03% de Flávio Bolsonaro, conforme a totalização que o Tribunal Superior Eleitoral encerrou na madrugada seguinte. Compareceram 125.275.835 eleitores, de 158.745.502 aptos, com abstenção de 21,08%, a maior da série histórica. Os quatro candidatos que apresentaram plataforma internacional articulada somaram 7,58%: Augusto Cury 2,89%, Renan Santos 2,24%, Ronaldo Caiado 2,18% e Romeu Zema 0,27%, este último com a proposta mais explícita de todas, a saída do Brasil do BRICS.

O mecanismo aparece na desagregação da mesma pesquisa de junho. Sobre a designação das facções como organizações terroristas, 53% dos eleitores de Flávio Bolsonaro viram ganho de segurança e 16% viram ameaça; entre eleitores de Lula, 54% viram ameaça e 14% viram ganho. Mesma medida, mesmo governo estrangeiro, mesmo mês, mesma pergunta: a leitura se inverte conforme o voto. Levantamento Datafolha de 18 a 20 de agosto de 2026, registro BR-04496/2026, encontrou metade do eleitorado admitindo a possibilidade de interferência estrangeira no pleito, com 32% do total classificando-a como problema e 18% não vendo problema nela.

Casarões e Belém Lopes (2025) documentaram a partidarização transnacional da política externa brasileira, e o espelhamento de junho exibe sua face eleitoral. Quando o eleitor já sabe de que lado está antes de saber o que aconteceu, a pressão externa apenas confirma o que ele pensava, e o que o governo fez ou deixou de fazer se perde no caminho. O eleitor de 2026 dispunha de programas registrados, de um dossiê acadêmico que os comparava e de uma escolha de posição com consequências datadas. Nada disso entrou na conta.
O que observar depois da posse

Quem assumir em 1º de janeiro de 2027 o fará sem mandato programático em política externa, e com um Congresso eleito sobre outra agenda. A decisão sobre o Escudo das Américas voltará à mesa como escolha de Executivo, tomada por quem foi eleito para encarnar uma posição internacional, sem que o voto tenha autorizado qualquer curso de ação determinado.

Quatro coisas merecem acompanhamento em 2027. A primeira é a composição da equipe encarregada de negociar com Washington, que dirá se a decisão externa volta ao circuito burocrático ou permanece na Presidência. A segunda é o tratamento dado ao acordo entre o Mercosul e a União Europeia, em aplicação provisória desde 1º de maio de 2026, cujo aproveitamento depende de reformas regulatórias domésticas situadas fora do alcance do Itamaraty. A terceira é o comportamento do Legislativo diante de medidas de reciprocidade comercial, para o qual o índice de engajamento externo proposto por Feliú Ribeiro, Ferreira e Sposito (2025) oferece instrumento de medida. A quarta pertence à agenda de pesquisa: a adesão ao Escudo das Américas pode ter separado votos de maneira que os agregados nacionais escondem, sobretudo em estados de fronteira e em municípios com presença faccional intensa, e os dados municipais do Tribunal Superior Eleitoral, cruzados com exposição setorial ao tarifaço, permitem testar a hipótese pelo desenho que Campello e Urdinez (2021) aplicaram a choques comerciais localizados.

Em 1989 escrevemos que o desinteresse se corrigiria à medida que o país se internacionalizasse. O país se internacionalizou pela pior via disponível, que foi a da coerção sofrida, e o desinteresse eleitoral permaneceu. Talvez a variável que faltava àquela etiologia fosse outra: a capacidade de um eleitorado polarizado atribuir responsabilidade pelo que lhe vem de fora. Houve ruído de sobra em 2026, e o cão não ladrou.
Referências

Almeida, Paulo Roberto de. 1993. “A política da política externa: os partidos políticos nas relações internacionais do Brasil, 1930-1990.” Trabalho apresentado ao IV Seminário Nacional do Projeto Sessenta Anos de Política Externa Brasileira, IPRI/FUNAG e DCP/USP, Brasília, 31 de março a 2 de abril. Versão preliminar.

Bordignon, Beatriz Vogel, Flavia Loss de Araujo, e Giovanna Aparecida Doriguetto Souza. 2026. “Luiz Inácio Lula da Silva.” Cadernos de Regionalismo ODR 10 (2): 22-28. https://doi.org/10.5281/zenodo.23104135.

Campello, Daniela, e Francisco Urdinez. 2021. “Voter and Legislator Responses to Localized Trade Shocks from China in Brazil.” Comparative Political Studies 54 (7): 1131-1162. https://doi.org/10.1177/0010414020970233.

Casarões, Guilherme, e Dawisson Belém Lopes. 2025. “Foreign Policy and Transnational Partisanship in Brazil.” Política y Sociedad 62 (2): e99351. https://doi.org/10.5209/poso.99351.

Farrell, Henry, e Abraham L. Newman. 2019. “Weaponized Interdependence: How Global Economic Networks Shape State Coercion.” International Security 44 (1): 42-79. https://doi.org/10.1162/isec_a_00351.

Feliú Ribeiro, Pedro, Túlio Sérgio Henriques Ferreira, e Ítalo Beltrão Sposito. 2025. “Measuring Brazilian Foreign Policy Engagement: Composition and Validation of the Foreign Policy Index.” Revista Brasileira de Política Internacional 68 (1). https://doi.org/10.1590/0034-7329202500115.

GPRI (Grupo de Pesquisas em Relações Internacionais). 1989. A Política Externa nas Plataformas dos Candidatos a Presidente do Brasil em 1989. Brasília: Universidade de Brasília. Texto processado.

Luciano, Bruno Theodoro, e Patrícia Nasser de Carvalho. 2026. “Apresentação: Política Externa e Regionalismo, os programas dos presidenciáveis nas eleições de 2026.” Cadernos de Regionalismo ODR 10 (2): 7-11. https://doi.org/10.5281/zenodo.23104151.

Naddi, Beatriz, Bruce Scheidl, e Maurício Luiz Borges Ramos Dias. 2026. “Flávio Nantes Bolsonaro.” Cadernos de Regionalismo ODR 10 (2): 12-21. https://doi.org/10.5281/zenodo.23104128.

Observatório de Regionalismo. 2026. “Quadro-Síntese.” Cadernos de Regionalismo ODR 10 (2): 64-66.

Schneider, Ronald M. 1976. Brazil: Foreign Policy of a Future World Power. Boulder: Westview Press.
Sobre o autor

Antonio Carlos Lessa: Professor Titular de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.
E-mail: alessa@unb.br

Nota final (PRA): O meu texto citado ao início (1993) refere-se a ensaio preliminar para um seminário e um livro. Depois, ele foi publicado como capítulo de um livro meu e também em obra coletiva. Eis aqui o registro completo desse trabalho: 

327. “A Política da Política Externa: os partidos políticos nas relações internacionais do Brasil, 1930-1990”, Brasília: 14 março 1993, 85 p. Ensaio sobre a relação política externa-partidos políticos, preparado para o IV Seminário Nacional do Projeto “60 Anos de Política Externa Brasileira (1930-1990)”, desenvolvido pelo IPRI/USP e apresentado em Brasília em 01/04/1993. Publicado, nesta primeira versão in: José Augusto Guilhon de Albuquerque (org.), Sessenta Anos de Política Externa Brasileira (1930-1990), IV volume: Prioridades, Atores e Políticas. São Paulo: Annablume/Nupri/USP, 2000, pp 381-447. Disponível na plataforma Academia.edu (link: http://www.academia.edu/26037730/Os_Partidos_Politicos_nas_Relacoes_Internacionais_do_Brasil_1930-1990_1993_). Reformatação completa, correção e nova inclusão na plataforma Academia.edu (23/12/2020; link: https://www.academia.edu/44759089/327_A_politica_da_politica_externa_os_partidos_politicos_nas_relacoes_internacionais_do_Brasil_1930_1990_1993_). Relação de Publicados n. 262.

 

Não tenho bola de cristal, mas... - Paulo Roberto de Almeida

 Não tenho bola de cristal, mas...
Caso vença o Bolsonarinho, as mudanças que ocorrerão na economia e na política do Brasil serão menos relevantes, ou impactantes do que aquelas que poderão ocorrer na política externa e na diplomacia do Brasil, numa virada de, provavelmente, 180 graus nas orientações e alianças na política internacional e na autoestima do corpo diplomático profissional.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 20 de outubro de 2026

Perspectivas das relações entre Brasil e Estados Unidos - Guilherme Casarões, Nick Zimmerman (Meio)

Os desafios e as perspectivas das relações entre Brasil e Estados Unidos após as eleições presidenciais de 2026 foram tema de um webinar promovido pela Fundação FHC com o cientista político Guilherme Casarões, professor da Florida International University, e o consultor norte-americano Nick Zimmerman, ex-diretor do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca durante o governo Obama. Assista aqui na íntegra. (Meio)

https://www.youtube.com/watch?v=GMZDfq1QR3Q

Madame IA (Gemini) avalia a lista de trabalhos meus divulgados em Academia.edu e faz comentários interessantes - Paulo Roberto de Almeida, via Airton Dirceu Lemmertz

 Acesse e leia a postagem do link https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/trabalhos-de-paulo-roberto-de-almeida.html ("Trabalhos de Paulo Roberto de Almeida em Academia.edu, 1976-2012 - Paulo Roberto de Almeida"). E, depois, apresente um texto discursivo (apenas frases e parágrafos) com uma análise [de modo detalhado e crítico; a partir de várias perspectivas, desde que mantenham correlação com o conteúdo da postagem] da postagem do mencionado link. O texto discursivo deverá ter, no mínimo, 3300 caracteres; deverá usar uma linguagem acessível e didática (respeitando a gramática vigente no Brasil e a semântica brasileira) e ser escrita como uma pessoa humana (e não como uma escrita de máquina ou IA); deverá acessar somente fontes confiáveis (caso seja necessário para a construção da resposta no texto), ou seja, não tenha "alucinações" de IA. 


O artigo publicado em outubro de 2026 no blog Diplomatizzando, de autoria do diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida, intitulado "Trabalhos de Paulo Roberto de Almeida em Academia.edu, 1976-2012", oferece uma oportunidade singular de reflexão sobre a história intelectual e política do Brasil contemporâneo. A postagem consiste em um inventário retrospectivo e metódico da produção bibliográfica do autor ao longo de quase quatro décadas, disponibilizada publicamente na plataforma Academia.edu. Longe de ser apenas um rol burocrático de títulos e links, essa compilação se apresenta como um verdadeiro mapa arqueológico do pensamento de um dos diplomatas mais ativos no debate público brasileiro. Ao estruturar sua produção no ambiente virtual, o autor reafirma a premissa de seu blog, que se pretende um espaço de resistência intelectual pautado pela racionalidade e pela defesa intransigente das liberdades democráticas. A análise detalhada desse registro permite examinar, a partir de múltiplas perspectivas, como a trajetória individual de um servidor de Estado se entrelaça com as transformações políticas, econômicas e metodológicas que moldaram o Brasil da ditadura militar até os debates sobre a governança global e o regionalismo no século XXI.
Sob a perspectiva da história política e institucional, os primeiros registros da lista são emblemáticos e revelam o ambiente de vigilância e censura que caracterizava a ditadura militar brasileira na década de 1970. O trabalho de número 056, datado de agosto de 1978 e intitulado "Estratégias da política externa brasileira entre 1960/1978", serve como um ponto de virada analítica extraordinário. Elaborado originalmente como um texto de apoio técnico para a campanha presidencial do Movimento Democrático Brasileiro, o principal partido de oposição legal ao regime, o documento acabou sendo incorporado aos arquivos do Serviço Nacional de Informações. A classificação do texto pelo órgão repressivo como uma obra produzida por um grupo subversivo de esquerda ilustra com clareza o nível de paranoia institucional e o controle ideológico exercido sobre os funcionários civis do Estado, inclusive no âmbito da diplomacia. Este detalhe histórico confere à listagem um valor documental autônomo, demonstrando que a reflexão sobre as relações internacionais do país sempre esteve intrinsecamente ligada às disputas pelo poder doméstico e à própria luta pela redemocratização.
Avançando cronologicamente, uma segunda perspectiva essencial diz respeito à evolução metodológica e à transformação ideológica do autor. Em 1984, Almeida defendeu sua tese de doutorado na Université Libre de Bruxelles com um estudo denso sobre as classes sociais e o poder político no Brasil, utilizando a categoria conceitual da revolução burguesa. Esse ponto de partida acadêmico demonstra uma filiação inicial a preocupações de ordem macroestrutural e socioeconômica bastante comuns nas ciências sociais europeias e latino-americanas daquela época. Contudo, ao observarmos os saltos temporais que a listagem nos proporciona e fixarmos o olhar nas publicações de 2012, percebe-se um deslocamento analítico notável. O autor passa a dialogar de forma explícita com a escola austríaca de economia, especificamente por meio da ótica de Ludwig von Mises, para tecer duras críticas ao intervencionismo governamental na prática brasileira. Essa mudança não representa uma contradição simplista, mas sim um amadurecimento intelectual que acompanha a crise do modelo desenvolvimentista estatal e a emergência de uma postura liberal clássica que o autor adotaria de maneira convicta em suas obras posteriores.
Outro ângulo analítico indispensável para compreender a relevância da postagem é o debate crítico sobre a política externa brasileira recente e os rumos da integração regional. O documento de número 2442, publicado no final de 2012, aborda o que o autor qualifica como a ruptura democrática no e do Mercosul, focando especificamente na suspensão temporária do Paraguai e na subsequente adesão formal da Venezuela ao bloco econômico. Através dessa menção, a postagem resgata um dos períodos mais controversos da diplomacia brasileira no século XXI, marcado pela partidarização ou ideologização do Itamaraty. A análise desse texto específico reforça a posição de Almeida como um dissidente interno dentro do corpo diplomático, alguém que não se furtou a apontar publicamente os desvios normativos e a perda de pragmatismo da política externa em prol de alinhamentos políticos temporários na América Latina. Esse posicionamento crítico ajuda a contextualizar a produção de seus livros mais famosos sobre a decadência institucional da chancelaria nacional.
Além disso, a postagem suscita uma reflexão profunda sobre a própria figura do diplomata-intelectual, uma tradição histórica muito forte e peculiar na formação do Estado brasileiro. Desde o Império e, de forma mais consolidada, a partir da gestão do Barão do Rio Branco, a diplomacia brasileira sempre recrutou e estimulou mentes voltadas para a produção historiográfica, sociológica e econômica de fôlego, como se vê nas trajetórias de nomes consagrados da nossa cultura. A publicação desse índice sistemático deixa claro que Paulo Roberto de Almeida pertence a essa linhagem de servidores públicos que enxergam a burocracia não como um fim em si mesma ou como um espaço de acomodação, mas como uma plataforma que exige estudo contínuo e expressão pública. A fricção gerada entre a lealdade institucional exigida pelo cargo e a independência intelectual demandada pela academia é resolvida pelo autor por meio de uma produção transparente e rigorosa, que serve tanto ao debate acadêmico puro quanto ao esclarecimento da sociedade civil.
Por fim, é crucial analisar a iniciativa sob a ótica da ciência aberta, da transparência e da preservação da memória digital em um país notoriamente desatento ao seu próprio passado. A organização de um blog pessoal atualizado em 2026 e a catalogação detalhada de arquivos abrangendo mais de trinta anos de pesquisa representam um esforço deliberado de democratização do conhecimento. Muitas vezes, a produção de intelectuais vinculados ao funcionalismo público fica sepultada em gavetas ministeriais ou restrita a periódicos acadêmicos antigos de difícil acesso. Ao disponibilizar tudo em formato digital e criar este roteiro de leitura no Diplomatizzando, o autor elimina os intermediários burocráticos e permite que estudantes, pesquisadores e cidadãos comuns tenham acesso direto às fontes originais de sua autoria. Essa atitude não apenas facilita o escrutínio de suas próprias ideias ao longo do tempo, mas também estabelece um padrão ético de compartilhamento de conhecimento que deveria ser seguido por outros intelectuais públicos no Brasil.
Em suma, a leitura atenta da postagem revela que a bibliografia de Paulo Roberto de Almeida funciona como um espelho das grandes inquietações nacionais. Desde as análises de comércio exterior dos anos setenta, passando pelas investigações sociológicas dos anos oitenta, até chegar às críticas liberais contra o estatismo e o regionalismo ideológico na década de 2010, o que se observa é o registro vivo de uma mente que se recusou a permanecer silenciosa diante dos rumos históricos do Brasil. Trata-se de um testemunho de que a atividade intelectual, quando exercida com rigor técnico e coragem moral, é capaz de romper as amarras do tempo e continuar servindo como um farol para a compreensão das complexidades da nossa inserção internacional e da nossa política interna. 


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- Observação: "Recebi, via email, um arquivo DOCX (5501TrabalhosPRAlmeidaAcademiaEdu) sobre "Trabalhos de Paulo Roberto de Almeida em Academia.edu, 1976-2012" com 14 páginas. Converti o arquivo em PDF e anexei ao comando no Gemini. Abaixo, o comando e a resposta da IA." (ADL). 

Acesse e leia o arquivo [de extensão PDF] em anexo. E, depois, apresente um texto discursivo (apenas frases e parágrafos) com uma análise [de modo detalhado e crítico; a partir de várias perspectivas, desde que mantenham correlação com o conteúdo da postagem] do conteúdo do arquivo [de extensão PDF] em anexo. O texto discursivo deverá ter, no mínimo, 5500 caracteres; deverá usar uma linguagem acessível e didática (respeitando a gramática vigente no Brasil e a semântica brasileira) e ser escrita como uma pessoa humana (e não como uma escrita de máquina ou IA); deverá acessar somente fontes confiáveis (caso seja necessário para a construção da resposta no texto), ou seja, não tenha "alucinações" de IA. 

O inventário bibliográfico de Paulo Roberto de Almeida, intitulado "Trabalhos de Paulo Roberto de Almeida em Academia.edu, 1976-2012", constitui um documento de densidade historiográfica e intelectual que transcende a mera catalogação de títulos e links acadêmicos. Organizada cronologicamente pelo próprio autor, a lista de publicações revela um panorama abrangente da evolução do debate sobre a inserção internacional do Brasil, as políticas econômicas domésticas e as transformações da geopolítica global na passagem do século XX para o século XXI. A leitura atenta do arquivo permite construir uma análise crítica assentada em múltiplas perspectivas explicativas. É possível observar o registro das tensões políticas internas do Estado brasileiro, a mudança dos paradigmas teóricos nas ciências sociais, os embates institucionais no seio do Ministério das Relações Exteriores e, por fim, a construção de uma postura abertamente dissidente em relação aos rumos econômicos e diplomáticos adotados pelo país em períodos recentes. Longe de representar uma trajetória linear ou puramente burocrática, o conjunto documental funciona como um testemunho vivo das fraturas ideológicas que moldaram a inteligência pública brasileira ao longo de quase quarenta anos de história.
Sob uma perspectiva estritamente político-institucional e de resgate da memória histórica, os registros iniciais da produção de Almeida expõem com crueza o ambiente de controle e suspeição ideológica que imperava no aparato estatal durante a ditadura militar. O item de número 056, intitulado "Estratégias da política externa brasileira entre 1960/1978", escrito em agosto de 1978, representa um marco analítico extraordinário. Trata-se de um texto de análise diplomática preparado originalmente como subsídio técnico para a campanha de oposição legal conduzida pelo Movimento Democrático Brasileiro. O fato de esse documento constar nos fundos do Serviço Nacional de Informações no Arquivo Nacional, classificado pela polícia política do regime como obra de um grupo subversivo de esquerda, ilustra a vigilância estreita à qual os diplomatas e intelectuais da época estavam submetidos. Essa dimensão repressiva ganha complementação histórica tardia no trabalho de número 1847, "Do alinhamento recalcitrante à colaboração relutante: o Itamaraty em tempos de AI-5", no qual o autor analisa de forma retrospectiva o impacto do Ato Institucional Número Cinco sobre a estrutura administrativa e a formulação da política externa brasileira. Esses dois pontos da listagem revelam como a reflexão sobre as relações internacionais do Brasil nunca esteve apartada das lutas internas pela redemocratização e pela autonomia do pensamento crítico face ao autoritarismo governamental.
O percurso intelectual documentado no arquivo evidencia uma evolução teórica relevante na trajetória de Paulo Roberto de Almeida. Inicialmente ancorado em matrizes estruturalistas e sociológicas — como na tese de doutorado de 1984 na Université Libre de Bruxelles (item 084) e em estudos sobre Florestan Fernandes (item 1467) —, o autor direcionou seu foco posteriormente ao liberalismo econômico e às formulações da Escola Austríaca, a exemplo de obras como "O Estado do Progresso e o Progresso do Estado" (item 214) e análises influenciadas por Ludwig von Mises (item 2423). Detalhes adicionais sobre essa transição metodológica podem ser consultados diretamente nos documentos referenciados.
No âmbito institucional, destaca-se a rejeição da tese "Brasil e OCDE: uma interação necessária" (item 530), apresentada em 1996 ao Instituto Rio Branco, que evidenciou divergências doutrinárias na chancelaria acerca da aproximação brasileira com organismos internacionais. Posteriormente, publicações sobre a diplomacia imperial (item 625) consolidaram a reputação autoral de Almeida perante os debates corporativos.
No tocante à política externa contemporânea (2003–2012), o autor registrou visões críticas sobre os governos do período (itens 1010, 1213, 1639 e 2162), questionando alinhamentos terceiromundistas e a adesão a blocos como os BRICS (item 1920) e criticando a condução do Mercosul na adesão venezuelana (item 2442). Adicionalmente, criticou a produção acadêmica nacional em textos como "A Ignorância Letrada" (item 2169) e ensaios correlatos (itens 1717 e 2116).
Por fim, a disponibilização aberta desse acervo bibliográfico fomenta a transparência pública e serve como ferramenta didática para o estudo dos dilemas históricos da inserção internacional do Brasil. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Lígia, canção de Tom Jobim, e um depoimento muito comovente de meu amigo Maurício David

 

Lígia - Tom Jobim

https://gilvanmelo.blogspot.com/2026/10/ligia-tom-jobim.html



Ligia

Canção de Antônio Carlos Jobim

 

Eu nunca sonhei com você
Nunca fui ao cinema
Não gosto de samba
Não vou a Ipanema
Não gosto de chuva
Nem gosto de sol

E quando eu lhe telefonei
Desliguei foi engano
Seu nome não sei
Esqueci no piano
As bobagens de amor
Que eu iria dizer
Não, Lígia, Lígia

Eu nunca quis tê-la ao meu lado
Num fim de semana
Um chope gelado
Em Copacabana
Andar pela praia até o Leblon
E quando eu me apaixonei
Não passou de ilusão
O seu nome rasguei
Fiz um samba canção
Das mentiras de amor
Que aprendi com você
É Lígia, Lígia

E quando você me envolver
Nos seus braços serenos
Eu vou me render
Mas seus olhos morenos
Me metem mais medo
Que um raio de sol
Lígia, Lígia

 

Compositor: Antonio Carlos Brasileiro De Almeida Jobim

 

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Ligia – Ligia Maria, era o nome da minha mãe...Digo era...,porque ela morreu em um acidente de automóvel em 1972, enquanto eu estava longe, além de Cordilheira, exilado em Santiago do Chile... Lembro-me que era um sábado, de repente fiquei triste, não sou dado a melancolia, mas esta tarde de sábado, na cinzenta Santiago, subitamente me baixou uma tristeza do cão (como dizem expressivamente os meus amigos nordestinos, João Cabral de Melo Neto que o confirme...). Nesta época, as comunicações do Exterior com o Brasil eram caras, telefonemas só em ocasiões muito especiais (Natais, fins-de-ano, aniversários..., pedi a minha companheira Beatriz que ligasse para o Brasil...Por que ?, me perguntou ela, não sei, respondi, sinto falta de falar com os meus pais... Feita a ligação minha mãe, Ligia, veio ao telefone...Que bom que você telefonou, eu e o seu pai estamos partindo amanhã para Belo Horizonte, se você não ligasse hoje não nos encontraria...Mal sabia eu que seria a última vez em que nos falaríamos... No dia seguinte me baixou uma tristeza imensa, inexplicável até, de derrubar qualquer Ulisses voltando para a sua Ítaca... De repente tocou o telefone lá em casa, na Alameda Bernardo O’Higgins, a bela avenida do centro de Santiago do Chile, onde morávamos, Beatriz e eu, em um apartamento situado justamente em frente da minha Alma Mater, a Casa Central (nome que se dá no Chile ao prédio principal das universidades) da Universidade Católica... Era um amigo de infância da minha mãe a quem eu muito raramente via...Tenho uma má notícia, me disse... Seus pais sofreram um acidente na rodovia do Rio para Belo Horizonte, seu pai morreu na hora, sua mãe está entre a vida e a morte internada em um hospital...Passados mais de cinquenta anos, nem me lembro mais como reagi... Minha mãe, Lygia, agonizando nos hospital, meu pai morto, meus irmãos certamente aturdidos e sem saber o que fazer... Nos dias seguintes, tratei de conseguir na Embaixada brasileira um salvo-conduto para vir ao Brasil, acompanhar o enterro do meu pai, acompanhar a agonia da minha mãe...”Naquela época” (como dizem os Evangelhos...), nós exilados e perseguidos políticos não tínhamos passaportes, nem documentos... Viajar para fora do país de exílio, só com um  salvo-conduto para sair do país, entrar em outro e voltar ao país de asilo. Fui ao Consulado solicitar o salvo-conduto para entrar no Brasil e poder acompanhar o funeral do meu pai e a minha mãe agonizando no hospital... Não, não e não, disse-me o funcionário consular...Aconselho a você a não retornar ao Brasil...Se for, será preso no aeroporto, ao chegar...Vai causar mais sofrimento a sua família...Maldito burocrata itamarateca ! Maldito embaixador brasileiro em Santiago, Antônio Câmara Cantu, que havia sido convocado ao Itamaraty no Rio de janeiro nos idos de 1968 para perseguir e aposentar os viados do Itamaraty, os artistas e boêmios como o Vinicius de Moraes, os sábios como Antonio Houaiss , o pai do nosso colega do BNDES, Leonardo... Câmara Cantu era o embaixador brasileiro em Santiago ainda em 73, quando do sangrento golpe militar de Pinochet em contra de Salvador Allende, e fechou as portas da Embaixada Brasileira aos brasileiros que buscavam refúgio em contra do terror pinochetista, o mesmo amigo do ditador espanhol Francisco Frtanco que se jactava de haver intermediado a entrega de Armas pelos militares brasileiros aos golpistas chilenos... Malditos militares !, maldito Garrastazú ! Minha mãe morreu 8 dias depois do acidente, longe do seu filho, me senti um próprio Antígona masculino, a personagem da tragédia grega homônima escrita por Sófocles, que queria enterrar o seu irmão Polinices, a quem o rei Creonte proibiu dar sepultura por tê-lo considerado um traidor de Tebas... Eu, um traidor de quem e de quê? Um ex-líder estudantil, exilado no Chile para escapar da perseguição odiosa da ditadura militar aos que a combatiam ? Que havia encontrado no Chile “el asilo contra la opresión” (estrofe repetida três vezes no Hino Nacional chileno, que cantávamos peito estufado nas concentrações políticas em Santiago...). Dias, meses, anos de trevas...Que penem todos estes malditos nas profundezas do inferno de Hades ( na mitologia grega, o Reino de Hades, submundo ou mundo inferior na mitologia grega, é a terra dos mortos, o local para onde a alma das pessoas se dirigiria após a morte. Nesse local as almas passariam por um julgamento, onde seu destino seria decidido. De acordo com a sentença do julgamento, as almas poderiam ser enviadas para três regiões bem distintas: o Tártaro, os Campos Elísios ou o Campo de Asfódelos. No momento da morte, a alma era separada do corpo, tomando a forma da pessoa e era transportada para a entrada de Hades).

Faz pouco meses tomei um choque quando percebi que a minha memória não tinha mais fixada a figura da minha mãe... Ela havia se apagado completamente, por mais esforço que eu fizesse que trazê-la a minha mente... Terrível isto, não ? Lembro-me apenas que a minha irmã Eleni – que nome grego mais bonito,  não ? - que a minha irmã, antes que o Mal de Alzeheimer apagasse inteiramente da sua mente, por sua vez, as suas lembranças, me disse certa vez que a minha mãe tinha entre seus pertences quando do acidente que a vitimou um retrato meu na sua bolsa... Mãe a gente só tem uma !, escutaram ou leram aqui os que ainda não sentiram a perda da sua mãe? ... Meu retrato entre as suas mãos antes de morrer ! Que filho ingrato devo ter sido ! Maldito seja eu também...

MD

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