segunda-feira, 13 de julho de 2026

Madame IA se debruça sobre minhas diabruras no blog Diplomatizzando (que eu considero um divertissement) - Airton Dirceu Lemmert como agencidador, Paulo Roberto de Almeida como escrevinhador

Apenas transcrevo, sem qualquer comentário, mas acho que Madame IA está me tratando bem... PRA 

No primeiro semestre de 2026, o blog Diplomatizzando publicou 926 postagens. Mantendo esse ritmo, o diplomata PRA terminará o ano de 2026 com mais de 1800 postagens no blog. E caso seja confirmada essa estimativa, 2026 será o ano com o maior número de postagens desde 2014 (ano que postou mais de 3,1 mil vezes). Ou seja, será o maior número anual de postagens nos últimos doze anos. O que isso tudo significará e simbolizará, tanto para o blog quanto para o diplomata? 



Se o diplomata Paulo Roberto de Almeida (PRA) mantiver o ritmo atual e ultrapassar a marca de 1.800 postagens em 2026, esse volume consolidará o blog Diplomatizzando como um dos maiores acervos digitais independentes de análise política, histórica e diplomática do Brasil. Essa projeção matemática, confirmada pelo ritmo do primeiro semestre, carrega significados profundos que dividem-se em aspectos quantitativos, intelectuais e biográficos:
1. Resiliência Intelectual e Combate ao "Esquecimento"
Alcançar o maior número de publicações dos últimos 12 anos simboliza uma reação intelectual deliberada ao cenário de policrise global e nacional de 2026.
  • Urgência do Debate: O aumento da frequência reflete a percepção do autor de que o momento histórico exige posicionamento contínuo.
  • Resistência à Linha do Tempo Efêmera: Enquanto o debate público migrou para o imediatismo fragmentado das redes sociais, PRA dobra a aposta no formato de blog. Isso significa a defesa do texto longo, do ensaio histórico e da bibliografia comentada como ferramentas de disputa de narrativa.
2. O Blog como Diário de Bordo da Conjuntura Global
Superar 1.800 posts em um único ano transforma o blog de uma página de opinião para um repositório em tempo real da história imediata. Em 2026, o ecossistema de temas do Diplomatizzando — que inclui a cobertura ácida das eleições americanas, a guerra na Ucrânia, o avanço da Inteligência Artificial e a revisão da formação econômica brasileira — funciona como uma enciclopédia pessoal da transição geopolítica contemporânea.
3. Hipergrafia e Disciplina Monástica
Para a biografia do diplomata, este recorde de doze anos simboliza a consolidação da hipergrafia acadêmica como traço definidor de sua identidade pública. Escrever e curar quase 2 mil textos em 365 dias exige uma disciplina de leitura e síntese equivalente à de centros de pesquisa inteiros. Representa um diplomata que, mesmo fora dos quadros ativos do Itamaraty, recusa a aposentadoria intelectual e atua como um "ombudsman" informal da política externa e da saúde democrática do país.
4. O Contraste com o Ápice de 2014
O fato de 2026 ser o ano mais produtivo desde 2014 guarda um forte simbolismo político:
  • 2014 foi o ano de uma das eleições mais polarizadas da história recente do Brasil, do início da Operação Lava Jato e das preliminares da crise que culminou no impeachment de 2016.
  • O paralelo estatístico sugere que, para PRA, o nível de fricção política, os riscos institucionais e a necessidade de revisão histórica em 2026 são equivalentes ou demandam tanta energia analítica quanto o turbulento cenário de doze anos atrás.

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Até o momento (hoje é 13 de julho de 2026), quais são as categorias e os marcadores mais utilizados por PRA no blog neste ano? 

Até o momento, em julho de 2026, o embaixador Paulo Roberto de Almeida (PRA) estruturou o fluxo massivo de postagens do blog Diplomatizzando em torno de grandes eixos temáticos recorrentes. [1, 2]
Diferente de portais que usam categorias formais e estáticas, o Diplomatizzando organiza seu acervo por meio de marcadores contextuais e funcionais anexados ao final de cada publicação. [1]
Os blocos de marcadores e categorias mais utilizados por PRA ao longo deste ano dividem-se em quatro grupos principais:
1. Ensaios Autoriais e Séries Históricas (Os mais recorrentes)
O grande destaque em volume de publicações no ano de 2026 envolve a produção acadêmica e a revisão biográfica do próprio diplomata:
  • Autobiografia de um fora-da-lei: uma história do Estado brasileiro: Marcador que acompanha a sua densa série de ensaios semanais (avançando pelos capítulos de 1 a 7 em julho) focados na formação institucional e nas transgressões moderadas da história política do Brasil. [1, 2]
  • Livros e História do Brasil: Usados continuamente para indexar as resenhas críticas e transcrições de capítulos inteiros de suas obras ou de autores terceiros de relevância historiográfica. [1, 2]
2. A "Virada Tecnológica" no Blog
Uma inovação nos marcadores de 2026 foi a introdução da Inteligência Artificial como personagem e organizadora do acervo do blog: [1]
  • Madame IA se pronuncia sobre o blog Diplomatizzando: Marcador criado por PRA para catalogar as interações, análises conceituais e revisões críticas que ferramentas de IA (especialmente o Gemini) realizam sobre a imensa base de dados de seus textos históricos. [1, 2, 4]
  • Airton Dirceu Lemmertz: Tag recorrente que acompanha análises estatísticas, homenagens e estudos sobre os 20 anos do blog (completados em junho de 2026) e o fenômeno de "cauda longa" da sua produção escrita. [1]
3. Geopolítica, Relações Internacionais e Crise Institucional
Como reflexo de sua carreira diplomática, o monitoramento internacional e doméstico dita o ritmo diário do blog:
  • Política Externa Brasileira: Análises focadas nos rumos da diplomacia nacional e nos debates preparatórios e projetos de inserção global para as próximas eleições. [1, 2]
  • Guerra política interna: Marcador analítico utilizado para agrupar postagens que tratam da polarização, conflitos institucionais do ambiente doméstico e a erosão do sistema político. [1]
4. Parcerias Editoriais e Atividade Intelectual Externa
  • Revista Será?: Marcador de alta frequência que indica a reprodução de editoriais e artigos que o diplomata escreve ou seleciona diretamente para a publicação parceira ao longo de todo o ano. [1, 2]

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Autobiografia de um fora-da-lei: uma história do Estado brasileiro: publicados na série, de 1 a 5 - Paulo Roberto de Almeida: 

Acesse especificamente as partes que trazem o texto reescrito (em linguagem popular/coloquial) nos links: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/a-autobiografia-de-um-fora-da-lei-o.html (partes 1 e 2), https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/autobiografia-de-um-fora-da-lei-3-do.html(parte3), https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/a-autobiografia-do-estado-relida-e.html (parte 4); além do texto original em: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/autobiografia-de-um-fora-da-lei-5-como.html (parte 5). Aglutine/Junte os textos citados anteriormente em um único texto. O texto juntado/aglutinado será reescrito novamente e deverá considerar os links na ordem que aparecem; deverá ser novamente em linguagem popular do interior do Brasil; deverá ter, aproximadamente, 5500 caracteres; deverá manter a linha de pensamento e as ideias e opiniões. 

O Causo do Estado Sem-Vergonha (Partes 1 e 2)
Achegue o banco, tire o chapéu e escute esse causo comprido. Sabe o Estado brasileiro? Pois é, esse danado resolveu ele mesmo contar a sua própria vida, numa prosa sincera que nem conversa de compadre na beira do fogão a lenha. Mas já vou avisando: o sujeito não é flor que se cheire, não! Ele mesmo já começa batendo no peito e confessando que é um baita de um fora-da-lei, um cabra sem-vergonha que nunca ligou pros bons costumes e muito menos pras leis que ele mesmo inventa pro povo cumprir. [1]
Na Parte 1, esse malandro chega proseando com todo mundo: com o trabalhador de enxada na mão, com as donas de casa, com os donos de venda e os doutores. Ele destampa o bico pra dizer que canso de se esconder atrás de conversa fiada de político e resolveu confessar como é que ele funciona por dentro. O bicho confessa que a sua verdadeira lida, desde que fincou os pés nessas terras, é viver às custas do suor alheio. Ele se acha o dono do terreiro e olha pro cidadão comum não como um patrão, mas como um "contribuinte" passivo — ou seja, uma vaquinha leiteira que tá ali só pra ser ordenhada dia e noite através de imposto. [1]
Já na Parte 2, o Estado vem explicar o seu "modo de fazer as coisas", o tal do método. Ele dá uma risada rasteira e zomba da cara de quem acha que ele foi feito pra ajudar os mais necessitados ou pra botar ordem no galinheiro. Que nada! Ele conta que a sua história de contraventor foi escrita sob medida pra proteger o bolso dos coronéis, dos barões e dos ricaços de plantão. Ele cria as regras do jogo, mas na hora de jogar, ele mesmo passa a perna na lei pra favorecer os seus chegados. O danado do Estado se pinta como uma engrenagem pesada, que engole o dinheiro do povo e devolve muito pouco, mandando e desmandando conforme o capricho de quem tá sentado na cadeira do poder. É um legítimo lobo em pele de cordeiro contando como aprendeu a dominar o galinheiro sem precisar pedir licença pra ninguém! [1]
O Causo do Estado Sem-Vergonha (Parte 3: Do Nascimento a Tempos Incertos)
Pois é, compadre, na Parte 3 esse cabra sem-vergonha do Estado resolveu contar como foi que ele nasceu. E olha que a parteira dele não foi nenhuma santa, não! Ele confessa que nasceu de um cruzamento heróico, mas bem do esquisito, lá pelos idos de mil e quinhentos, quando umas caravelas de Portugal aportaram por aqui cheias de marujos que não queriam saber de pegar na enxada.
O bicho conta que, desde o primeiro choro de recém-nascido, a sua sina já era ser meio "torto". Ele não nasceu com aquele propósito bonito de cuidar da terra ou de fazer o bem pro povo que já morava aqui ou pros coitados que vieram amarrados nos porões dos navios. Que nada! O Estado brasileiro assume que nasceu com uma fome de leão, criado sob medida por um rei que morava lá na baixa do amparo, do outro lado do mar, só para arrancar tudo o que essa terra dava e mandar de balsa para a Europa. Era ouro, era pau-brasil, era açúcar... o Estado era o capataz que vigiava o eito para garantir que ninguém escondesse uma pepita no bolso.
Nesses tempos antigos e incertos, ele era uma mistura de soldado com cobrador de impostos. Não tinha essa conversa de escola pública, de posto de saúde ou de estrada boa para a carroça passar. A única coisa que funcionava direito era a tal da "derrama" — que era quando o Estado entrava nas fazendas chutando a porta para levar até as panelas de cobre se o povo não pagasse os quintos do ouro pro rei.
Ele dá risada contando que o povo da roça achava que as coisas iam mudar quando o tempo passasse, mas o Estado já tinha aprendido o truque de ser folgado desde o berço. Ele foi crescendo, fincando as garras em cada canto desse sertão e mostrando que, mudando o vento ou mudando o mestre, a única certeza é que o lombo do caboclo continuaria servindo de esteira para a bota do jandala passar. Nasceu na malandragem e, pelo que ele mesmo diz, tomou gosto pelo serviço!
O Causo do Estado Sem-Vergonha (Partes 4 e 5: De Reino Unido a Dono do Terreiro)
Na Parte 4, esse danado do Estado conta com um sorriso de orelha a orelha a época em que a corte de Portugal veio correndo pra cá, com medo de um tal de Napoleão que tava tocando o terror lá na Europa. O Estado achou bom demais! Ele se gabava dizendo que o Brasil deu um salto: deixou de ser uma colônia largada às moscas e virou "Reino Unido" junto com Portugal. Foi uma promoção merecida, sô!
Pouco tempo depois, veio aquele grito na beira do riacho do Ipiranga e a gente virou um Império independente. Mas o Estado confessa, na maior cara de pau, que essa independência foi só para inglês ver. Por fora, a carcaça mudou, ganhou brasão bonito e coroa de ouro; por dentro, a engrenagem continuou a mesmíssima coisa: cobrando caro do povo para sustentar a corte e os mimos do imperador.
Aí a prosa chega na Parte 5, e o bicho destampa o bico para contar o maior golpe de mestre. Ele dá risada dizendo: "Pois é, compadre, eu consegui me livrar dos portugueses, mas acabei ficando amarrado no toco com os oligarcas nacionais!". Quando proclamaram a tal da República, o povo da roça achou que ia finalmente ter vez. Que bobagem!
O Estado conta que só trocou de patrão. Saíram os nobres de Lisboa e entraram os barões do café com leite e os coronéis do interior. Esse Estado malandro se uniu com os ricaços das finanças e os donos de grandes terras para mandar no terreiro. Ele criou um sistema onde as leis só valem para o caboclo descalço, enquanto a turma do colarinho branco faz a festa, divide o bolo do orçamento entre os seus chegados e deixa as migalhas para o resto do espólio. O bicho termina a prosa rindo da nossa cara, dizendo que passou séculos mudando de roupa e de nome, mas continua sendo o mesmo fora-da-lei de sempre, mandando no sertão e vivendo da nossa lida!

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A ironia cômica da tirinha da Mafalda baseia-se no forte contraste entre uma afirmação idealizada e a realidade factual, gerando uma crise de riso incontrolável na personagem.
Aqui está a explicação detalhada da piada estruturada quadro a quadro:
  • O Disparo da Ironia (Quadro 1): Mafalda lê em um livro de título "Le football" que "A FIFA é uma organização não lucrativa cuja principal motivação é o esporte saudável, limpo e honesto".
  • A Quebra de Expectativa: A FIFA (Federação Internacional de Futebol) é mundialmente conhecida por ser uma entidade bilionária, frequentemente envolvida em grandes escândalos de corrupção, suborno e comercialização extrema do esporte. A definição do livro é tão absurdamente distante da realidade que a personagem não consegue digeri-la seriamente.
  • A Progressão da Crise de Riso (Quadros 2 e 3): Mafalda começa a rir ainda no quarto, continua gargalhando descontroladamente durante o jantar com a família (deixando os pais e o irmão totalmente confusos) e a crise se estende até a hora de dormir.
  • O Clímax Cômico (Quadro 4): A piada atinge o ápice quando a mãe de Mafalda, preocupada com a filha que não consegue parar de rir na cama, liga para um médico no meio da noite para relatar o "surto".
O humor da tirinha (que é uma montagem satírica sobre os quadrinhos originais do autor Quino) funciona porque transforma uma leitura supostamente séria e institucional em uma das maiores piadas que a personagem já ouviu na vida.

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Liderança pessoal no contexto diplomático: entrevista concedida à Agência Sputnik - Paulo Roberto de Almeida

Transcrevo abaixo notas preparadas parra uma entrevista concedida nesta data a um jornalista, Leonardo Macachero, da agência citada abaixo, que costuma defender os pontos de vista da Rússia nsa relações internacionais

           Liderança pessoal no contexto diplomático

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Notas para entrevista telefônica concedida a jornalista da agência de notícias Sputnik Brasil, em 13/07/2026.

Recebi novo convite da agência de notícias Sputnik Brasil para tratar de uma série de questões relativas à diplomacia, em geral e com relação ao Brasil. Transcrevo as questões apresentadas e formulo a priori minhas ideias a respeito de cada uma delas.

1) Quando falamos em diplomacia, a gente pensa, em um primeiro momento, na relação entre Estados. Qual é o peso da figura do líder nesse processo? Também pesa?

PRA: Diplomacia é o termo genérico para as relações internacionais; é um universo composto de três esferas interconectadas e interpenetráveis: a política internacional, ou seja, o contexto mais amplo no qual atuam os Estados soberanos, comportando um sistema político multilateral (por exemplo, a ONU), um sistema de relações econômicas internacionais (Gatt-OMC, Bretton Woods etc.); em segundo lugar, a política externa dos Estados soberanos (com relações bilaterais, plurilaterais, entre blocos e grupos de países); e, finalmente, a diplomacia estrito senso, que é a ferramenta pela qual e com a qual se articulam as relações diplomáticas, de cooperação (econômicas, culturais, ou até militares), inclusive eventuais conflitos entre os países, podendo redundar em enfrentamentos bélicos, o que representaria o fracasso da diplomacia.

Os Estados são entidades reconhecidas, mas atuam e se relacionam por meio de governos constituídos, que são liderados por representantes eleitos democraticamente ou que são dominados por ditadores geralmente não eleitos (mas alguns assumem a postura depois de eventualmente eleitos). Líderes podem ser, portanto, temporários, ou mais ou menos “estáveis”, no caso de reeleições contínuas ou autocracias.

Os líderes têm importância nesse quadro, pois são eles que determinam as diretrizes ou grandes orientações para a política externa dos Estados, nos planos bilateral, plurilateral, regional ou multilateral, de forma mais determinativa nos sistemas presidencialistas ou ditatoriais, de forma mais consensual e coletiva nos casos de regime parlamentaristas. O peso dos líderes depende, portanto, da estrutura e do funcionamento dos governos respectivos, sendo ele mais relevante no caso de regimes personalistas, mais diluído nos sistemas de tipo parlamentar. Exemplos concretos: líderes autoritários como Putin, Xi Jinping, Kim Jon-Un, Trump detêm um poder indisputado na formulação e execução da política externa de seus respectivos Estados, sendo inclusive responsáveis pela forma de operar a diplomacia. Líderes democráticos, como na maior parte dos sistemas parlamentares em regimes de mercados livres, precisam negociar com seus respectivos parlamentos, outros líderes partidários e a própria sociedade as orientações a serem dadas à política externa e à diplomacia.

2) Existe, na Ciência Política e nas Relações Internacionais, um conceito para explicar a influência das relações pessoais entre chefes de Estado?

PRA: Não exatamente um conceito formalizado, mas se pode falar de uma diplomacia presidencialista ou de cúpula, quando as relações entre Estados são conduzidas diretamente pelos chefes de governo ou de Estado, podendo também existir relações de confiança, de amizade ou até de alianças formais estabelecidas no plano pessoal entre eles. Em sistemas democráticos tais relações pessoais se submetem ao escrutínio dos demais membros do governo – entre os partidos de uma coalizão, por exemplo – e ganham maior consistência, ao passo que nos regimes autocráticos essas relações pessoais podem envolver considerações de mais curto prazo, ou de interesse oportunista, cabendo também certa dose de hipocrisia, uma vez que os humores ou interesses pessoais desses autocratas podem variar significativamente em função de circunstâncias específicas e de interesses temporários. Regimes personalistas costumas ser mais instáveis do que sistemas políticos caracterizados, na terminologia weberiana, por tipos de dominação racional-legal, em contraste com os tipos tradicionais ou carismáticos.

3) Uma boa relação entre dois presidentes pode acelerar negociações que normalmente levariam meses ou anos?

PRA: Sem dúvida, pois eles podem superar certos temores corporativos ou dificuldades burocráticas superficiais, mas existe também um grande risco embutido nesse tipo de situação, pois que um líder político – presidente, primeiro ministro, ditador – pode até ser um experiente e sofisticado administrador, competente nas principais áreas de governo, mas isso é mais raro, e a verdade é que nenhuma personalidade pública, eleita ou não, pode dominar toda a complexidade funcional de um moderno Estado inserido plenamente na política global.

4) Isso já aconteceu em algum momento na história? Poderia citar quais casos?

PRA: Sim, em diversos momentos, reis, ditadores, presidentes, chefes de gabinete podem chegar a dirimir dificuldades que perduraram durante décadas ou até mais. Inglaterra e França se combateram durante séculos no contexto europeu, mas num determinado momento, no âmbito do império bonapartista, decidiram estabelecer um acordo de livre-comércio entre ambos os países – o tratado Cobden-Chevalier – que lançou uma onda de acordos similares de liberalização tarifária entre vários outros países. Alemanha e França se combateram em três grandes guerras, uma exclusiva, duas conflitos globais, entre 1870 e 1945: em 1950, o Memorando Schuman lançou a semente do primeiro tratado supranacional entre os dois Estados, envolvendo ainda Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo e Itália, o Tratado de Paris de 1951 criando a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, base dos tratados ulteriores de Roma, em 1957, criando o Mercado Comum Europeu e outras instituições baseadas no mesmo princípio da supranacionalidade. Mais tarde, De Gaulle e Ludwig Erhard, a despeito de diferentes visões políticas, consolidaram a construção das comunidades europeias.

Outro exemplo, de caráter ainda mais pessoal, foi a relação de confiança construída entre Winston Churchill e Franklin D. Roosevelt, no contexto do enfrentamento contra as potências fascistas militaristas e expansionistas, com a assinatura da Carta do Atlântico (em agosto de 1941), que estabeleceu a base doutrinal da futura Carta das Nações Unidas.

5) Até onde vai a influência da afinidade pessoal? Ela pode superar divergências ideológicas ou interesses estratégicos? 

PRA: Eventualmente sim, dependendo da gravidade dessas divergências, que podem ser de origem personalista, ou da extensão dos interesses estratégicos, que dependem de fatores mais estruturais, portanto, menos contingentes. Churchill era um liberal, Roosevelt um socialdemocrata; o Reino Unido fazia discriminação comercial contra os EUA e mantinha um império fechado ao comércio e investimentos americanos, o que não os impediu de construir uma relação especial que se manteve durante décadas, sendo terminada mais recentemente, por obra do unilateralismo trumpista. Na redemocratização argentina e brasileira dos anos 1980, a confiança entre Alfonsin e Sarney em muito contribuiu para acelerar o processo de integração entre os dois países. Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso mantiveram uma amizade pessoal que permitiu superar certos entraves diplomáticos e militares entre os dois países, inclusive um acordo para o uso da Base de Alcântara, depois sabotada no âmbito do Congresso brasileiro (mas também visto com desconfiança pelos “falcões” de Washington. Personalidades que se conheceram durante guerras e conflitos entre seus respectivos países podem criar pontes de confiança e de amizade que depois frutificam em situações de normalidade democrática (inclusive entre colonizador e colonizado, por exemplo). 

6) É possível que dois países tenham divergências importantes, mas mantenham uma boa cooperação graças à relação entre seus líderes? 

PRA: Perfeitamente possível, mas os impulsos pessoais precisam ser muito fortes para superar barreiras burocráticas ou situações geopolíticas contrastantes. As relações entre a França e a Alemanha, por exemplo, sempre foram muito difíceis, dado um passado de guerras e até um presente com visões divergentes sobre a união europeia, enquanto projeto de caráter supranacional, e os compromissos atlantistas de cada um dos países; mas, as reuniões de consulta, institucionalizadas, desde muito tempo permite aos respectivos líderes se entenderem sobre a agenda a ser apresentada aos demais membros da União Europeia. Nem sempre isso é possível: o Reino Unido se esforçou durante décadas por ingressar nas CEE, mas as péssimas relações entre os líderes britânicos (desde Margaret Thatcher) e os demais europeus o mantiveram fora do projeto de moeda comum e, subsequentemente, criaram a decisão de se retirar do projeto comunitário.

7) Donald Trump afirmou recentemente que tem "química" com Lula. Em termos diplomáticos, uma declaração como essa tem algum significado prático ou é apenas um gesto político? 

PRA: Não tem nenhum significado prático, nem se trata de um gesto político; é pura hipocrisia, de ambas as partes, para fingir que as coisas podem ir bem entre os dois líderes, a despeito de um oceano de distância entre ambos, radicalmente opostos em tudo, menos talvez no populismo, do qual são ambos adeptos, embora de tipos e por motivos diferentes. Essa suposta “química” não tem nenhuma consistência, pois o personalismo de cada um supera quaisquer outros fatores de possível aproximação. A hostilidade entre os dois presidentes subjaz a quaisquer posturas que pretendam assumir publicamente, para consumo da mídia.

8) Ao mesmo tempo, Trump mantém uma relação próxima com Jair Bolsonaro e sua família. Como isso pode influenciar a relação entre Washington e Brasília? 

PRA: Trump não mantém nenhuma relação próxima com Bolsonaro, apenas pretende usar a predisposição à submissão do brasileiro para seus objetivos pessoais, aliás sempre confusos e sem uma estratégica clara ou eficiente de liderança hemisférica. Trump não tem nenhum respeito por qualquer líder estrangeiro, a não ser de forma suspeita em relação a Putin (por motivos que talvez algum dia venham a público) e em relação a Xi Jinping, pois se trata de um “cachorro muito grande” para impor sua dominação, como tenta fazer com todos os demais líderes democráticos. Portanto, estamos falando de um líder egocêntrico, que só pretende a submissão dos Bolsonaros, envolvendo não a relação institucional entre os dois países, mas negócios nos quais Trump e sua tropa possam tirar vantagens exclusivas. Trump não trabalha para os Estados Unidos, mas para si próprio, o que é exatamente o caso da família subserviente que busca agradá-lo, envolvendo o Brasil nessa relação assimétrica.

9) Essa proximidade com Bolsonaro pode criar algum constrangimento para a diplomacia brasileira ou o governo tende a separar as relações institucionais das relações pessoais? 

PRA: Difícil dizer, pois Trump e Bolsonaro não atuam como estadistas, mas sim como chefes de gangues políticas motivadas por interesses pessoais, não nacionais. As duas diplomacias corporativas são constrangidas de forma constante pelo arbítrio pessoal dos dois autocratas, o primeiro bem mais poderoso, obviamente, do que foi o segundo por ocasião de seu horroroso mandato: teve de recuar várias vezes na sua hostilidade para com a China, no seu endeusamento de Israel e em diversos outros dossiês da agenda externa, pois que estava prejudicando os interesses de importantes setores da economia brasileira. Bolsonaro, por exemplo, foi praticamente obrigado a demitir o seu primeiro chanceler acidental porque ele estava prejudicando os interesses do agronegócio nas relações com a China. Personalidades autocráticas como Trump e Bolsonaro (e seu rebento candidato) ignoram por completo as relações institucionais de cada um dos países, assim como o impacto do arbítrio pessoal sobre as respetivas diplomacias nacionais. Governos personalistas, e arbitrários, como no caso dos dois autocratas em sistemas formalmente democráticos, costumam justamente misturar e confundir as relações de Estado a Estado com suas relações pessoais esquizofrênicas.

10) O Itamaraty costuma trabalhar justamente para evitar que mudanças de governo ou afinidades pessoais comprometam a política externa? 

PRA: Pode tentar, mas por vezes é difícil. Bolsonaro atuou em favor de Trump durante a contestação que este fez contra a vitória de Biden nas eleições de 2020, inclusive no triste episódio do 6 de janeiro de 2021, com a invasão do Capitólio (que provavelmente serviu de exemplo e modelo para a preparação do putsch tentativo de 8 de janeiro de 2023 contra os três poderes em Brasília). Nunca pretendeu enviar um telegrama de cumprimentos pela vitória de Biden e não tinha nenhuma intenção de reconhecer sua presidência: o Itamaraty, já sem o fanático olavista da primeira fase, envidou o máximo esforço para evitar maiores constrangimentos nas relações entre os dois Estados e governos. O mesmo ocorreu já sob Lula, que cometeu a impropriedade – e tremendo equívoco constitucional – de declarar seu apoiou à candidata democrata nas eleições de 2024, o que o Itamaraty jamais recomendaria. Ou seja, Trump já começou o seu segundo mandato com uma disposição negativa em relação a Lula, o que seria totalmente dispensável se o presidente fosse melhor instruído pelo corpo diplomático profissional. Diplomacias excessivamente personalistas, como são, ou foram, as três – Trump, Bolsonaro e Lula – sempre causam problemas, seja à direita ou à esquerda.


Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5397, 11 julho 2026, 6 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (13/07/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/07/lideranca-pessoal-no-contexto.html).

 

Nov livro de Paulo Antônio Pereira Pinto: CHINA DE 1980 A 2025: da busca pelo Caminho Real ao multilateralismo chinês (2026)

Recebo, com imenso prazer, do meu amigo e colega Paulo Antonio Pereira Pinto, o anúncio de seu livro mais recente: China de 1980 a 2025: 

Com preocupações mais imediatas em outras partes do mundo, é possível notar recente recuo da “virada” (“pivot”) dos EUA em direção à Ásia. Como consequência da “menor interferência” de Washington na região, antagonismos históricos reemergiram, assim como formas seculares de convivência e negociação entre diferentes civilizações também voltaram a ser consideradas por atores regionais. Cabe observar, ademais, possíveis oportunidades nas relações asiáticas com outras áreas do planeta, com efeitos para o Brasil.
Em 14 de junho passado, publiquei texto no qual sugiro a reflexão sobre o fato de que, até a visita do Presidente Trump à China, em abril de 2026, a “Questão através do Estreito de Taiwan” era colocada no contexto da confrontação de nova “Guerra Fria” que oporia os EUA e a RPC quanto à soberania sobre aquela ilha. Em suma, a contradição entre Washington e Pequim era “simplificada” à escolha de qual destas capitais seria sede de melhor “forma de governança”, a ser adotada para um futuro formoso taiwanês.
Nessa perspectiva, acredito que os que buscavam entender a importância dos diferentes argumentos, sobre a reincorporação da ilha ao continente, julgavam que caberia avaliar se o alardeado estabelecimento de uma “democracia” em Taiwan constituiria uma “contradição principal”, que dificultaria a solução da disputa de soberania sobre aquela “província rebelde”, conforme se refere Pequim ao território administrado por Taipé.
Em 29 do mesmo mês de junho passado, sugeri em outro texto publicado que, tanto no plano interno, quanto no externo, identificam-se, na década de 1980, alterações resultantes de condicionantes históricas de forma de pensar chinesa, capazes de influenciar o cenário atual da RPC.
 Isto é, para o entendimento do momento presente naquele país, cabe abandonar raciocínios e equações, a partir de modelos fora do contexto cultural da China. Assim, o discurso chinês teria evoluído da imagem crítica de que, quando, na década de 1970, a PRC se inseria no cenário internacional, haveria “desordem sob os céus”, para atual devoção a um “multilateralismo com características chinesas”.
No exercício de reflexão a seguir, passo a apresentar argumentos publicados em meu livro mais recente, China de 1980 a 2025 – Da Busca pelo “Caminho Real” ao “multilateralismo chinês”, editado pela editora AGE em 2026, no qual busco escrever sobre a evolução recente da China, não de acordo com metodologia adotada por centros acadêmicos ocidentais, nem seguir orientação de formas de pensar o país seguindo lógica gerada fora de suas fronteiras.
Assim, a partir de vivência pessoal e da frequência a centros de estudos asiáticos, procuro mapear tendências e identificar atores que as conduziriam, no momento de inflexão histórico chinês, durante o “processo de modernização” ocorrido a partir do final da década de 1970.

DA BUSCA DO “CAMINHO REAL” À “MULTIPOLARIDADE COM CARACTERÍSTICAS CHINESAS” – O LIVRO.

Paulo Pinto
Embaixador do Brasil aposentado. Percursos diplomáticos diferenciados.
10 de julho de 2026

Quando cheguei à China, no início da década de 1980, para servir na Embaixada do Brasil em Pequim, costumava-se dizer que: ao aterrizar na capital chinesa, o visitante queria logo escrever um livro com o título “a China, hoje, ontem e amanhã”, pois achava que já entendera o país de história milenar, em apenas um dia; seis meses depois –  não existindo então o internet – o ainda recém chegado, já teria dificuldades de escrever uma carta de cinco páginas, pois começaria a perceber que se demora muito tempo para entender a China; ao final de um ano,  nem as três linhas de um “cartão postal” (lembram o que era isso, antes dos e-mails) o já “experiente observador” se animaria ainda a escrever.

Tendo servido 21 anos na área de influência cultural chinesa, me animo a efetuar exercício de reflexão sobre o cenário vigente naquele país, quando iniciei minha missão em Pequim.[1]

Meu sétimo livro, DA BUSCA DO “CAMINHO REAL” À “MULTIPOLARIDADE COM CARACTERÍSTICAS CHINESAS” é composto por artigos publicados no LinkedIn, durante o ano de 2025. Não busco, nestes ensaios, conforme já mencionado na introdução acima, escrever sobre a história da China, de acordo com metodologia adotada por centros acadêmicos ocidentais, ou seguir orientação de formas de pensar o país seguindo lógica gerada fora de suas fronteiras.

Isto é, procuro, inicialmente, mapear tendências e identificar atores que as conduziriam, no momento de inflexão histórico chinês, durante o “processo de modernização” ocorrido a partir do final da década de 1970.

Conteúdo do artigo

Para tanto recorro, principalmente, a experiências e interpretações pessoais, informações colhidas durante a participação de seminários ou visitas a Centros de Estudos na China e Sudeste Asiático, bem como à literatura por eles produzidas.

Tratava-se, então, de vivenciar a retomada chinesa do “Caminho Real”[2], como recomenda aquela civilização milenar.

Por outro lado, a maioria dos textos do livro foram reescritos, após a publicação no Linkedin, a partir do estímulo proporcionado pelo primeiro ano da atual administração do Presidente Donald Trump. Isto é, a superficialidade com que decisões do governo estadunidense com respeito à Ásia-Pacífico foram tomadas, neste período – sempre em busca de “deals” (negócios) - me incentivaram a recorrer a reflexões já publicadas, como resultado do impulso de procurar corrigir interpretações incompletas, segundo minha percepção.

O objetivo é, modestamente, contribuir para que se pense melhor a situação presente e cenários futuros da República Popular da China (RPC). Entre as evoluções consideradas possíveis, cabe registrar:

- A China estaria no caminho certo. Sua economia está florescendo e sua população ficando mais rica, o que levaria a reformas políticas e estabelecimento de regime de governo liberal e “democrático”;

- A RPC está “a caminho do desastre”, incluindo a falência de seu sistema econômico e desintegração política;

- E, a terceira hipótese, os chineses seriam capazes de manter seu crescimento econômico, enquanto seu sistema político continuaria autoritário, na forma atual, conduzida por partido único, com a mesma repressão a críticos, como acontece hoje. Isto é, economicamente, cresceria a “conectividade” com o resto do mundo, enquanto, internamente, o Partido Comunista Chinês (PCC) manteria seu rígido controle político sobre o país.

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No capítulo inicial, reflito sobre a possibilidade de que a experiência em curso, no começo da década de 1980, tenha contribuído, de forma significativa, para a atual inserção internacional chinesa.

Em capítulos seguintes, retorno a observações colhidas durante o período em que servi em Pequim e proponho reflexão sobre a abertura para o exterior da República Popular, enquanto seguia em seu processo de modernização.

Persisto na tese de que, tanto no plano interno, quanto no externo, identificam-se, na década de 1980, alterações resultantes de condicionantes históricas de forma de pensar chinesa, capazes de influenciar o cenário atual da RPC.

Isto é, para o entendimento do momento presente naquele país, cabe abandonar raciocínios e equações, a partir de modelos fora do contexto cultural da China. Assim, o discurso chinês teria evoluído da imagem crítica de que, quando se inseria no cenário internacional, haveria “desordem sob os céus”, para atual devoção a um “multilateralismo com características chinesas”.

Nessa perspectiva, dedico, no livro, diferentes textos à análise de que a cooperação atual e resolução de possíveis conflitos, entre a China e países do Sudeste Asiático, possam ser conduzidas e resolvidas no contexto de sua própria cultura.

A propósito, ressalto que é fundamental o protagonismo da ASEAN, que, no âmbito de herança cultural chinesa, disporia de mecanismos próprios para “construir um futuro de progresso compartilhado”.

Fundada em 8 de agosto de 1967, a ASEAN[3] foi entendida como a expressão de países que pretendiam apresentar-se ao Ocidente industrializado como área dedicada aos propósitos de uma economia de mercado. Além de não se situarem em região diretamente inserida na fronteira ideológica dos Estados Unidos da América - como acontecia com a Coréia do Sul, Taiwan e o então Vietnam do Sul - Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura e Tailândia não desejavam, tampouco, aparecer como promotoras de bloco militar semelhante à SEATO[4].

Nesse sentido, práticas agressivas e contrárias ao correto relacionamento diplomático, evidentes em 2025, incentivaram reflexões sobre o papel agregador que a ASEAN exerceu na evolução das relações entre o Sudeste Asiático e países da Ásia Pacífico, conforme procuram ressaltar artigos publicados no livro. Tal percurso foi repleto de contradições, quase todas superadas pelo conceito de “resiliência”.

Em artigo sobre o assunto, relato conclusões obtidas – sobre o conceito de “resiliência” - durante périplo que efetuei, por centros de estudos estratégicos, em países do Sudeste Asiático, China e Hong Kong, em 1994, por instruções recebidas do Itamaraty. Relembro, a propósito, conclusões trazidas dos diálogos com estes estabelecimentos de pesquisas quanto aos aspectos de segurança regional, que influenciam, ainda hoje - em minha opinião - decisões políticas tomadas naquelas cidades visitadas.

Texto específico trata das relações preferenciais entre Malásia e Singapura – dois países fundadores da Associação dos Países do Sudeste Asiático – com a República Popular da China, nos anos seguintes a seu estabelecimento, em 1949.

A complexidade do relacionamento entre a China e o Vietnã é tratada em capítulo seguinte.

Reitera-se, a propósito, que a estabilidade, hoje alcançada, na Ásia-Pacífico, deve-se à formulação de objetivos nacionais claros, tanto na China, quanto nos países ao Sul, e à coerência em sua implementação.

De sua parte, a ASEAN desenvolveu o conceito de “regional resiliance”, enquanto o Presidente Xi Jinping tem afirmado o compromisso da China com a construção de paz duradoura, com prioridade atribuída ao Sudeste Asiático. O conceito da “comunidade de destino da humanidade”, que Xi tem proposto, articularia a experiência chinesa “de convívio pacífico” e solução negociada de conflitos com sua própria retórica de cooperação econômica.

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Entre os artigos publicados no livro, há também os que tratam da “questão de Taiwan”, no contexto das relações da RPC com os Estados Unidos da América.

Incluo reflexão sobre diferenças na evolução das formas de convivência entre a República Popular da China e os chineses que incluem significativa população no Sudeste Asiático (“overseas chinese”), e as dificuldades nas relações da Rússia, com países vizinhos onde vivem, como herança da União Soviética, “russos do exterior próximo”.

Encerro com texto sobre a parceria entre Pequim e Brasília. Isto porque a estonteante velocidade com que evolui a atual dinâmica das relações internacionais parece explicar o fato de que análises, sobre a inserção do Brasil no mundo, vejam o país apenas a partir de estímulos do exterior.

Pouca reflexão é feita iniciando-se com nossa mais próxima realidade nacional e regional. Nesse contexto, seria oportuna a recapitulação, inicialmente, da importância do Atlântico Sul, em cenário futuro de prosperidade compartilhada, entre Brasil e África, através deste oceano.

Em seguida cabe considerar como a África poderia ser incluída, em nossa parceria com a China.

A título de conclusão, reforço a proposta de que se deva olhar nossa inserção internacional, tanto com países asiáticos, quanto com os menos distantes, sempre com visão a partir do entorno imediato brasileiro.

Concluo com citação do Sr. Juri Ferrario, que tem sido um de meus interlocutores no intercâmbio de reflexões que venho publicando no LinkedIn. Segundo o Sr. Ferrario, “Talvez as rotas comerciais se transformem ao longo dos séculos, mas as ligações culturais, linguísticas e humanas tenham uma capacidade muito maior de atravessar o tempo.”

Nesse sentido - refiro-me ao texto que publiquei em 4 de fevereiro de 2026, sob o título de “REFLEXÕES SOBRE A INSERÇÃO INTERNACIONAL DE UM BRASIL TRI-OCEÂNICO E A PROSPERIDADE COMPARTILHADA ATRAVÉS DO ATLÂNTICO” - lembro que a busca pelo entendimento da evolução histórica de antigas civilizações, conforme compreendida por seus próprios povos e por vínculos que liguem o Brasil à África e à Ásia, possam contribuir não apenas para preservar heranças culturais compartilhadas, mas também para construir novas formas de diálogo e intercâmbio comercial entre sociedades que hoje enfrentam desafios semelhantes, embora em contextos atuais diferentes.

Título: CHINA DE 1980 A 2025: da busca pelo Caminho Real ao multilateralismo chinês; Autor: Paulo Antônio Pereira Pinto. Peso: 315 g. Páginas: 184.ISBN: 9786558634249. Amazon.com – Estante Virtual – Livraria Inovação – Livraria A Página (Paraná e São Paulo) – Leitura Livraria – Zamboni Books (São Paulo) – Livrarias Cameron (Porto Alegre) – Vanguarda (Pelotas RS).

[1] Esclareço que, após ter trabalhado durante seis anos e meio, na África, sucessivamente, em Libreville, Gabão; Maputo, Moçambique; e Pretória, África do Sul, entre 1976 e 1982; servi em Pequim, entre 1982 e 1985; fui subchefe da Divisão de Ásia do Ministério de Relações Exteriores, em Brasília, entre 85 e 86; trabalhei em Embaixadas no Sudeste Asiático, sucessivamente, Kuala Lumpur, Singapura e Manila, entre 86 e 95; fui designado para a Secretaria de Assuntos Estratégicos, da Presidência da República, entre 95 e 98; e nomeado diretor do Escritório Econômico e Comercial em Taipé, entre 1998 e 2006. Na sequência, fui designado o primeiro Cônsul-Geral em Mumbai, Índia; Embaixador em Baku, Azerbaijão; Representante do Ministério das Relações Exteriores no Estado do Rio Grande do Sul; e Embaixador em Minsk, Belarus. Aposentei-me em janeiro de 2019.

[2] A expressão “Caminho Real” na filosofia chinesa costuma ser mencionada como uma forma de traduzir ideias centrais de harmonia, conduta correta e via justa — especialmente no Confucionismo.

[3] A ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático, em inglês “Association of Southeast Asian Nations”). Local da fundação: Bangkok, Tailândia. Documento fundador: Declaração de Bangkok. Membros fundadores: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia. Hoje, a ASEAN conta com 10 países-membros: os cinco fundadores mais Brunei (1984), Vietnã (1995), Laos (1997), Mianmar (1997) e Camboja (1999).

[4] A “Southeast Asia Treaty Organization” (SEATO) foi fundada, em 1954, logo após a retirada da França do Sudeste Asiático. Com o objetivo de conter “a expansão comunista” naquela região e foi integrada pelos Estados Unidos, Austrália, França, Grã-bretanha, Nova Zelândia, Paquistão, Filipinas e Tailândia”. Com sede em Bangkok, a Organização teve como principal objetivo legitimar a presença militar dos EUA no Vietnam, apesar da oposição francesa e paquistanesa. Foi extinta em 1977.

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