segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Madame IE reescreve um dos meus capítulos de autobiografia do Estado: sobre as oligarquias, sempre presentes - Paulo Roberto de Almeida

 ADL:  Reescreva o texto/conteúdo da postagem do link:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/autobiografia-de-um-fora-da-lei-9-das.html

(título da postagem, entre aspas: "Autobiografia de um fora-da-lei, 9: das oligarquias que me serviram - Paulo Roberto de Almeida"). 

O texto reescrito deverá manter a linha de pensamento/argumentos (de raciocínio argumentativo/expositivo); deverá utilizar a linguagem coloquial/popular do interior do Brasil (mas sem exageros na caricatura do linguajar); deverá ter, aproximadamente, 5500 caracteres.

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Aqui está a versão reescrita do ensaio de Paulo Roberto de Almeida, adaptada para o

linguajar simples e acolhedor do interior do Brasil, mantendo com fidelidade toda a linha cronológica e a argumentação crítica do autor original.

 

Autobiografia de um fora-da-lei, 9: das oligarquias que me serviram...


Olha aqui, meu compadre, senta aqui na beira do jirau com calma, pega um café passado na hora, porque a prosa hoje é comprida e puxada bem no rastro da nossa história. Quero te contar o causo de como essas tais de oligarquias — que é o nome  chique que o povo da cidade dá para as patotas de mandões — sempre viveram deitadas às minhas custas, mandando e desmandando no terreiro. O pessoal da farda, de todas as turmas que já se encastelaram no comando, foi o que deixou o prejuízo mais dolorido no lombo do povo, travando o passo da verdadeira democracia.

Se chamo esta história de "autobiografia de um fora-da-lei" , é porque nestes duzentos anos em que me firmei como dono do meu nariz, pouquíssimas vezes fomos governados pela lei justa; na maior parte do tempo, reinou o capricho dos homens fortes. Antes e depois dos militares, estiveram os mandões civis, barões do dinheiro e da terra, que dão as ordens mudando apenas a estampa da roupa ou o partido. Do tempo de colônia aos donatários e sesmeiros, a coisa começou torta.

Quando passei a cuidar da minha vida, as velhas oligarquias do latifúndio e do comércio logo tomaram conta de tudo, mantendo a escravidão e criando forças de repressão. Para fechar as portas, inventaram em 1850 a Lei de Terras, impedindo o caboclo ou ex-escravo de comprar um pedaço de chão e gerando a sina dos donos do poder descrita por Raymundo Faoro.

Os primeiros sustentáculos foram os sesmeiros virados "coronéis" da Guarda Nacional. Depois da Guerra do Paraguai, cresceu a oligarquia militar, que daria dor de cabeça por mais de cem anos, começando com o golpe sem rumo de 1889. Seguiram-se os barões do café e do açúcar no poder à base de eleições de mentira no café com articulação de Oswaldo Aranha e aliados levou à revolução de 1930, que de revolução teve pouco, sendo mais uma troca de guarda. Getúlio assumiu, mas o provisório esticou-se.

Após revoltas como a paulista de 1932, a Constituinte de 1934 e a Intentona Comunista de 1935 — que serviu de vacina e gerou o ranço anticomunista nos quartéis — , Getúlio deu o golpe do Estado Novo em 1937 sob pretexto do Plano Cohen. No fim, os 15 anos de Getúlio carimbaram a força do Estado e engordaram as oligarquias. Os militares viraram fiscais da República com arrogância, e a carruagem seguiu distribuindo benesses a fazendeiros, industriais, banqueiros e políticos profissionais. O Brasil seguiu profundamente desigual, gerando uma pindaíba crônica e uma ferida aberta de injustiças que é o mote para nossa próxima prosa. 


O fascismo de Mussolini tinha uma doutrina: ele mesmo a compôs num livro: versão francesa, 1938

BENITO MUSSOLINI

LA DOCTRINE DU FASCISME

IIIe ÉDITION

(Firenze, 1938 XVI — Stab. Grafici A. Vallecchi, Viale del Mille, 72)

 Versão em francês disponível neste link: 

https://fr.wikisource.org/wiki/La_Doctrine_du_fascisme/Texte_entier 

 

APPENDICE

Notes relatives au Ier chapitre.

 


Foi muito lido no Brasil:? Certamente: 

Existem traduções brasileiras do ensaio de Benito Mussolini (escrito em coautoria com Giovanni Gentile), publicado no Brasil sob o título A Doutrina do Fascismo em edições digitais e impressas recentes. [1, 2]
  • O texto original: Foi escrito em 1932 como um verbete da Enciclopedia Italiana, dividido em "Ideias Fundamentais" (por Giovanni Gentile) e "Doutrina Política e Social" (por Mussolini). [1, 2, 3]
  • Disponibilidade no Brasil: O texto circula no país em formato digital (como e-books na Amazon Brasil) e em coletâneas históricas dedicadas ao tema.
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  • Manifesto-Programa da Ação Integralista Brasileira 



    É certo que Plínio Salgado e a Ação Integralista Brasileira foram as forças mais polêmicas de toda a história do Brasil. Por onde passam seus nomes, nascem acirradas controvérsias e discussões. É ideia quase unânime que eram fascistas ou nazistas; lugar-comum que eram totalitários e queriam a ditadura de partido único. De qualquer forma, fato é que, ainda assim, em novembro de 1937, Plínio Salgado era o nome mais cotado para a Presidência da República: todas as pesquisas presidenciais o apontavam como o vencedor das eleições que deveriam acontecer em janeiro de 1938. Foi então que Getúlio Vargas, por motivos jamais conhecidos, proferiu um golpe de Estado. Todos os seguidores de Plínio Salgado que permaneceram foram perseguidos, presos, torturados e até mortos. Plínio nunca foi eleito. Mas o que era isso que esse caboclo, de família pobre e sem fortuna alguma, que construiu uma vida inteira do zero e liderou o maior movimento de massas da história da América Latina, propunha para a Nação e que tanto a animou? Qual foi o programa presidencial que despertou a ira de Getúlio Vargas e mudou para sempre a história do Brasil, sendo adotados até hoje a maioria de seus pontos, embora ainda não integralmente?Neste Manifesto-Programa, distinto de todos os outros programas presidenciais da história da República brasileira, o leitor aprenderá o que realmente foi a Ação Integralista Brasileira, qual era o genuíno pensamento político de Plínio Salgado e quais eram essas ideias que emocionaram milhões de brasileiros, levando centenas deles ao martírio até os dias de hoje.
     

domingo, 6 de setembro de 2026

Fascismo: resumo por Ricardo Bergamini

sábado, 13 de junho de 2020

Fascismo: resumo por Ricardo Bergamini

Prezados Senhores

Para os “papagaios de piratas” que repetem sem saber o que estão dizendo, abaixo um breve resumo do pensamento fascista, termo muito popular atualmente no Brasil. 

Defender o fascismo é negar: os ideais liberal-democráticos; o saber e o conhecimento, a razão e a lógica e defender o militarismo, a guerra e o conflito como projetos de uma nação. Qualquer semelhança com alguns governantes atuais, não são meras coincidências. 

Totalitarismo – Negação dos ideais liberal-democráticos. Absoluta soberania do Estado, que deve ser governado por uma elite forte e audaz. “A liberdade é um cadáver em putrefação, um dogma cediço da Revolução Francesa”. Só pode existir “um partido fascista, uma imprensa fascista e uma educação fascista”.

Romantismo – Antiintelectualismo. Não é a razão que resolve os grandes problemas nacionais, mas “a fé mística, o auto-sacrifício e o culto do heroísmo e da força”. “O espírito fascista é vontade, não intelecto”.

Militarismo – As nações que não se expandem – morrem. “A guerra exalta e enobrece o homem, e regenera os povos ociosos e decadentes”.

O Fascismo na Itália

Ricardo Bergamini

Causas

Sentimento de nacionalismo humilhado (desde a anexação da Tunísia, pela França, em 1881, e a derrota de Ádua, perante os abissínios, em 1890); sentimento de revolta – após a I Guerra Mundial – contra o não cumprimento integral das promessas dos Aliados. Os italianos receberam menos do que esperavam; inflação, carestia da vida, especulação dos aproveitadores. Queda das exportações e dos negócios. Caos econômico; crescimento do partido socialista (1/3 da Câmara dos Deputados, em 1919). Radicalismo econômico e político dos socialistas (operários socialistas assumem o controle de quase 100 fábricas); influência da filosofia hegeliana: supremacia do Estado. “Nada pelo indivíduo, tudo pela Itália”; fraqueza do regime parlamentar: queda frequente dos ministérios, pela falta de maioria na Câmara. Luta constante entre os dois maiores partidos. O Socialista e o Popular (católico).

A Revolução Fascista

O movimento fascista começou em 1919. Sua primeira doutrina redigida por Mussolini (antigo agitador socialista), era assaz radical: “sufrágio universal, a abolição do Senado, a instituição legal da jornada de 8 horas, um pesado imposto sobre o capital, o confisco de 85% dos lucros de guerra, a aceitação da Liga das Nações, a oposição a todos os imperialismos, e a anexação do Fiúme e da Dalmácia“.

Em 1920, essa plataforma foi substituída por uma de caráter mais conservador. No novo programa desapareceram os argumentos em prol duma reforma econômica. Condenava-se apenas, dubiamente, “o socialismo dos políticos”, e reclamava-se o cumprimento de algumas promessas feitas pelos aliados durante a guerra. Nenhum dos dois programas trouxe algum prestígio apreciável aos fascistas. Em 1922, quando se apoderaram do governo, os fascistas só possuíam 35 deputados, na Câmara – num total de 500.

Mesmo assim, apesar do seu reduzido número, os fascistas – disciplinados e agressivos – marcharam sobre Roma e tomaram o poder. A famosa “marcha sobre Roma”, dos camisas-pretas (milicianos fascistas), foi apenas simbólica: eles só se arriscaram depois que o rei Vitor Manuel se negou a decretar o estado de sítio, como reclamava Facta, o último democrata.

Em 28 de outubro de 1922, sem disparar um só tiro e sem oposição da polícia, do exército ou do governo, 50.000 camisas-pretas “ocuparam” Roma. O primeiro-ministro demitiu-se e Mussolini foi convidado pelo rei a organizar um novo gabinete. Assim, em meio ao caos do pós-guerra, e pela ausência, em certas camadas do povo italiano, de apego ao regime democrático, os fascistas assumiram o poder, no qual ficaram durante 21 anos.

Características do Fascismo Italiano

Estado corporativo – Fundamentos econômicos, mas subordinação do Capital e do Trabalho ao Estado. Proibição de greves e locautes.

Totalitarismo – Negação dos ideais liberal-democráticos. Absoluta soberania do Estado, que deve ser governado por uma elite forte e audaz. “A liberdade é um cadáver em putrefação, um dogma cediço da Revolução Francesa”. Só pode existir “um partido fascista, uma imprensa fascista e uma educação fascista”.

Nacionalismo – O internacionalismo é “uma grosseira perversão do progresso humano”. A nação deve ser grande e forte, “pela autossuficiência, por um poderoso exército e pela rápida elevação do índice de natalidade”.

Idealismo – O fascismo se opõe à interpretação materialista da história. É, sobretudo, contra o materialismo e dialética dos marxistas.

Romantismo – Antiintelectualismo. Não é a razão que resolve os grandes problemas nacionais, mas “a fé mística, o auto-sacrifício e o culto do heroísmo e da força”. “O espírito fascista é vontade, não intelecto”.

Militarismo – As nações que não se expandem – morrem. “A guerra exalta e enobrece o homem, e regenera os povos ociosos e decadentes”.

“O regime fascista, escreve Taunay, mais oportunista que baseado em considerações doutrinárias, procurando sempre se adaptar às condições do momento, pode ser caracterizado pelo nacionalismo agressivo, pela ação antiparlamentar, pela ambição de adquirir prestígio internacional e conquistar colônias. No poder, não admitiram os fascistas qualquer oposição e assim foi suprimida a liberdade de imprensa, proibido o funcionamento de outros partidos e instituída uma justiça especial para julgamento dos crimes políticos. O desemprego foi combatido com a instalação de organizações profissionais, e com o incentivo do comércio e da indústria, ambos submetidos ao controle governamental: obras públicas, algumas mesmo monumentais, foram realizadas, e assim, de um modo geral, todas as atividades italianas tiveram o apoio do governo, que interferia na atuação da família, das organizações profissionais e a economia”.

Algumas Realizações do Fascismo

Reduziu o analfabetismo; solucionou a contenda com a Santa Sé (tratado de Latrão); eliminou a Máfia, na Sicília; melhorou a agricultura; intensificou a produção industrial (sobretudo: seda, rayon e automóveis); duplicou a força hidroelétrica; obteve grandes progressos na drenagem de pântanos.

Há, porém, o reverso da medalha. Embora aumentassem as horas de trabalho, o padrão de vida dos assalariados não melhorou. Ademais, a estabilidade e a ordem imposta pelo fascismo exigiram do povo italiano uma esmagadora “uniformidade de pensamento e ação”.

O governo fascista atirou-se a duas dispendiosas aventuras no setor das guerras estrangeiras: A conquista da Etiópia (1935-1936); intervenção aberta (ao lado dos nazistas) na guerra civil da Espanha (1936-1939), em prol de Franco, “representante dos elementos conservadores e fascistas espanhóis (nobreza territorial, clero e forças armadas)”. O governo legal de Madrid foi derrotado e a República Espanhola suprimida.

Todavia, “havia poucos indícios de que quaisquer uns desses empreendimentos tivessem sido bem recebidos pelo povo italiano, ou de que os proveitos para o país viessem a compensar os sacrifícios”.

Ricardo Bergamini

Ricardo Bergamini deixou de fora a principal "realização" fascismo mussoliniano: a aliança com a Hitler e a Alemanha nazista no "Pacto de Aço" – ao qual aderiu depois o Japão – que levou ao seu envolvimento na guerra deslanchada pelo ditador alemão, um dos maiores desastres, senão o maior, da história da Itália.
Paulo Roberto de Almeida

 

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