Diplomatizzando
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 27 de outubro de 2026
Sou 'milionário" em número de acessos no Diplomatizzando; o responsável pelo sucesso foi o marketing do Airton Dirceu Lemmertz, com o trabalho gratuito de Madame IA
Os desafios internos e externos para o Lula 4 - Rubens Barbosa (Estadão)
PRA observação: Só discordo desta frase:
"Com a China, o ataque vem da agressiva onda de exportação para o mercado nacional com prejuízos para o emprego e a renda no setor automobilístico, têxtil e eletroeletrônico."
Não existe agressão da China. Para que ela exporte ao Brasil é preciso que alguém importe, e esse alguém não vai perder dinheiro. Se ela manda muita coisa para cá é porque os bens são baratos e de qualidade, do contrário seriam recusados pelos importadores e pelos consumidores.
Opinião:
Os desafios internos e externos para o Lula 4
A política externa deve ser vista como política de Estado, sem influência ideológica e partidária
O Estado de S. Paulo, 27/10/2026
Em seu quarto mandato, o governo Lula, desde o início, terá de enfrentar desafios institucionais, de governabilidade, econômicos, na área de defesa e segurança e na de política externa para atender aos anseios e demandas do eleitorado de centro que o apoiou para não votar em Flávio Bolsonaro. O Congresso, de maioria conservadora, pode dificultar as iniciativas do novo Executivo. A contestação do resultado eleitoral acrescentará problemas internos e externos. A nova geopolítica global impõe uma nova agenda na defesa dos interesses nacionais.
O Brasil está hoje sob ataque político de parte dos EUA, com a política de área de influência na região e com os efeitos do tarifaço. Nesse sentido, a negociação do contencioso comercial com Washington e de um modus vivendi com a nova lei de segurança dos EUA, que prevê que a “dominância de Washington nunca será questionada de novo” deveria ser prioritária (“o Brasil não é quintal de ninguém”). A crise política e diplomática com o não reconhecimento do resultado das eleições por Donald Trump, a ação de Washington no combate aos narcoterroristas, o tratamento dos minerais críticos e a promessa de Lula de regular as plataformas digitais e as big techs, inclusive com taxação, vai escalar a crise com os EUA e dificultar essas negociações.
Com a China, o ataque vem da agressiva onda de exportação para o mercado nacional com prejuízos para o emprego e a renda no setor automobilístico, têxtil e eletroeletrônico. Para evitar maiores prejuízos, medidas de defesa comercial e de política industrial poderiam ser implementadas, sem afetar o relacionamento comercial bilateral.
Em termos geopolíticos, deveria ser reforçada a posição de independência e equidistância no tocante às tensões entre os EUA e a China. Na relação bilateral com os dois países, para reduzir a dependência, torna-se urgente a busca de novos parceiros nos setores mais vulneráveis, como tecnologia e inovação digital. A América do Sul – abandonada nos últimos anos – deveria ser a principal prioridade da política externa, apesar das diferenças ideológicas, com medidas concretas de ampliação da integração física, de criação de cadeias regionais de produção e de ações de política comercial para a expansão do comércio e da cooperação energética e mineral.
A política ambiental e de mudança de clima, a de segurança alimentar e a de transição energética justa e de minérios estratégicos – áreas em que o Brasil é uma potência global – deveriam merecer, com a participação do Itamaraty, um planejamento estratégico de médio e longo prazo pela importância da sustentabilidade no contexto das mudanças climáticas, para a incorporação de avanços tecnológicos, para a atração de investimentos produtivos e para a expansão do comércio exterior.
Nas negociações comerciais, deverão continuar a ser intensificados entendimentos com o objetivo de ampliar o número de acordos comerciais, com o Japão, o Canadá, a Coreia e os EUA, além da implementação do acordo do Mercosul com a União Europeia e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA). Seria importante revigorar o Mercosul e melhor coordenar com a Argentina e o Uruguai as iniciativas isoladas de adesão ao acordo comercial na Ásia (Parceria Transpacífica, integrada pelo Japão e Aliança do Pacífico e países asiáticos).
O Itamaraty continuará a defender, sem resultados práticos, o multilateralismo, a reforma dos organismos internacionais, em especial do Conselho de Segurança da ONU e o fortalecimento da OMC. No âmbito global, a política externa deverá continuar a manifestar preocupação, por suas repercussões econômicas e políticas globais, inclusive sobre o Brasil, com a guerra da Rússia na Ucrânia, bem assim com o ciclo de violência no Oriente Médio por causa da guerra entre Israel e o Hamas, a destruição da Faixa de Gaza, os ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano e pelo conflito entre os EUA/Israel e o Irã.
O governo Lula deveria voltar a apoiar o ingresso do Brasil na OCDE, como fez a presidente Dilma. Deveriam ser buscadas formas de expandir a participação política e econômica no Brics ampliado, no G-20, na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no Acordo Índia, Brasil e África do Sul (Ibas) e na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Os interesses nacionais – que devem ser defendidos em primeiro lugar – não aconselham a criação do Conselho de Política Externa, proposta pelo MST e pelo PT, que poderia fortalecer uma agenda partidária no Itamaraty.
A política externa deve ser vista como política de Estado, sem influência ideológica e partidária. Nesse contexto, será importante restabelecer o papel central do Itamaraty como principal assessor do presidente da República para que possa agir com autonomia na coordenação das políticas nacionais em todas as áreas de negociação internacional e regional e para a defesa da soberania nacional. Para tanto, a gestão do Itamaraty deveria ser fortalecida, com urgente reforço orçamentário e reformas que atendam aos anseios dos funcionários diplomáticos. Os efeitos negativos dessas deficiências afetam o funcionamento do Ministério das Relações Exteriores e aumentam o descontentamento dos funcionários, o que poderá levá-los a uma inédita greve com consequências imprevisíveis para a instituição.
Rubens Barbosa, ex-embaixador em Washington e presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE).
https://www.estadao.com.br/opiniao/rubens-barbosa/os-desafios-internos-e-externos-para-o-lula-4/
Brasil Pós-JK 50 anos de legado Ecos do desenvolvimento no Brasil contemporâneo: Livro do IHG-MG
No prelo:
Brasil Pós-JK 50 anos de legado Ecos do desenvolvimento no Brasil contemporâneo
Cinquenta anos depois da morte de Juscelino Kubitschek, uma obra coletiva revisita o homem, a obra e o legado do presidente que mudou o Brasil.
O livro vai da raiz mineira em Diamantina ao Plano de Metas, da construção de Brasília à vida democrática e ao país que queremos em 2076. Historiadores, economistas, arquitetos, diplomatas, juristas e biógrafos se reúnem em torno de uma pergunta: o que permanece de JK no Brasil de hoje?
📚 Organização: Moises Mota
✍️ Autores:
Adonay Moreira
Bruno Viveiros Martins
Carlos Alberto Teixeira de Oliveira
Cecília Adão
Celso Lafer
Frederico de Holanda
Glaucia Nasser
Itamar Franco (in memoriam)
José Theodoro Mascarenhas Menck
Lea Vidigal
Lenora de Castro Barbo
Marcelo Cedro
Murilo Badaró (in memoriam)
Paulo Roberto de Almeida
Ronaldo Costa Couto
Silvestre Gorgulho
📍 Os lançamentos estão previstos em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Goiânia. A obra também será distribuída a bibliotecas e instituições públicas de todo o país.
Em breve, mais novidades. 🇧🇷
#BrasilPosJK #JK50Anos #JuscelinoKubitschek #Brasília #HistóriaDoBrasil #MinasGerais #Lançamento
Sobre os 28 milhões do Diplomatizzando - Paulo Roberto de Almeida, Airton Dirceu Lemmertz, Madame IA
Sobre os 28 milhões do Diplomatizzando
Paulo Roberto de Almeida, Airton Dirceu Lemmertz, Madame IA
Je suis totalement sans mots. Absolutely speechless. Sin palabras. Não tenho o que dizer. O que comentar. O que reagir.
28 milhões de acessos?!?! Nunca esperei isso. Nunca planejei, nunca previ o futuro.
Comecei pequeno, humilde, numa biblioteca de bairro, cercado de livros, sem saber ler. Quando aprendi, passei a devorar todos e cada um, todos everywhere, n’importe où, à chaque bibliothèque, every library, all the bookshops, todos os sebos.
O que eu fiz de extraordinário? Nada, absolutamente nada, que ninguém, qualquer um, também não possa fazer: sentei, li, refleti, olhei em volta, tomei algumas notas, e de repente comecei a escrever: resumos de livros, no começo, notas sobre ideias interessantes, e de repente, não mais que de repente, comecei a escrever minhas próprias ideias, primeiro em cadernos, cadernetas, todos perdidos, na decisão do exilio, depois de forma mais metódica, um caderno para cada assunto, depois uma máquina de escrever, papel carbono, comecei a guardar cópias, depois a xerografia, finalmente o computador. Daí a explosão: o blog apareceu de graça, nada foi planejado, foram tantos que ficaram pelo caminho, e alguns traços permaneceram pelo free lunch de alguns gigantes da tecnologia, aos quais sou imensamente grato pela preservação dd minha memória escrita, falada, gravada, entrevistada, divulgada. Devo a São Google o milagre da preservação e, agora, a Madame IA, uma santa de muitas faces e disfarces, o milagre de organizar, tant soit peu, a imensa babunça de meus escritos (que só perde para o caos de minhas bibliotecas, hoje dispersas e que continuam caóticas).
Essa última parte, o décimo final de minha aventura intelectual, devo a meu amigo informático Airton Dirceu Lemmertz, que põe um pouco de ordem no turbilhão de escritos e postagens. Durante a maior parte dessa trajetória nas leituras e nos escritos, devo agradecer imensamente a minha companheira de meio século, Carmen Licia Palazzo, que lê muito mais do que eu, que é muito mais inteligente e, sobretudo, sensata, o que eu decididamente não sou.
28 milhões: não é muito, pensando nesses “influencers” (palavra que detesto, e que não sou), mas deve representar alguma coisa: se ajudei alguns estudantes pobres (como eu era em minha infância) a galgar alguns degraus a mais na escada do conhecimento, já me dou por satisfeito e recompensado. Grato a todos pela confiança e palavras generosas.
Vou voltar para o meu quilombo.
Bonne nuit, au revoir, farewell, all the best, saludos a todos, grazie, obrigado!
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 27/10/2026
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Em meados de 2026, o blog Diplomatizzando (https://diplomatizzando.blogspot.com/) completou duas décadas de existência. E hoje (26/outubro/2026), com 20 anos e poucos meses, o blog Diplomatizzando ultrapassou o número de 28 milhões de visualizações de páginas (https://diplomatizzando.blogspot.com/search?q=ADL&max-results=20&by-date=true#:~:text=Total%20de%20visualiza%C3%A7%C3%B5es)! Uma média de 1,4 milhão de acessos por ano. Ou mais de 115 mil visualizações por mês, em média, ao longo desse bidecênio. Responda: o que tais números representam para o blog e para o diplomata PRA? A resposta será em um texto discursivo, o qual deverá ser estruturado em apenas frases e parágrafos; deverá ter, no mínimo, 3300 caracteres; deverá usar uma linguagem acessível e didática (respeitando a gramática vigente no Brasil e a semântica brasileira) e ser escrita como uma pessoa humana (e não como uma escrita de máquina ou IA); deverá acessar somente fontes confiáveis (se não souber ou ficar na dúvida sobre algo: não invente informações; ou seja, não tenha "alucinações" de IA), preferencialmente de especialistas na respectiva área; deverá colocar citações entre aspas; deverá ter um encadeamento coerente de ideias e argumentos.
A expressiva marca de 28 milhões de visualizações de páginas alcançada pelo blog Diplomatizzando representa a consolidação definitiva de um espaço singular de independência analítica, rigor acadêmico e relevância cultural na internet brasileira, consagrando o diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida como um dos mais ativos e influentes intelectuais públicos do país na intersecção entre a política externa e o debate civil.
Atingir uma média superior a 1,4 milhão de acessos anuais ou mais de 115 mil visualizações mensais ao longo de um bidecênio completo é um feito estatístico notável, especialmente para uma plataforma que se dedica exclusivamente a temas áridos e complexos como as relações internacionais, a economia política, a história diplomática e a crítica institucional. Esses números demonstram que existe um público leitor vasto, qualificado e profundamente fiel no Brasil e no exterior, ansioso por análises que escapem do imediatismo superficial das redes sociais convencionais e das paixões partidárias cegas que costumam empobrecer o ambiente público contemporâneo.
O blog se define em sua própria apresentação de topo como “um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas”. Sob essa perspectiva, o sucesso estatístico acumulado até este mês de outubro de 2026 representa o triunfo prático dessa proposta de resistência e esclarecimento de ideias. Em um ecossistema digital frequentemente dominado pelo algoritmo do clique fácil, pelas manchetes sensacionalistas e pela busca obsessiva por visualizações rápidas, o Diplomatizzando trilhou o caminho inverso ao oferecer textos densos, extensos calhamaços documentais, resenhas de livros de alta complexidade e ensaios profundos sobre a inserção econômica internacional do Brasil. Longe de afastar o leitor, a insistência no rigor metodológico e na densidade textual funcionou como um elemento de atração, transformando o espaço em uma referência obrigatória para estudantes, diplomatas, jornalistas e pesquisadores das ciências sociais.
Para o diplomata Paulo Roberto de Almeida, conhecido pela sigla PRA, essa fantástica trajetória de duas décadas representa a validação de uma biografia intelectual construída de forma obstinada e sistemática, onde a escrita nunca foi uma atividade acessória, mas sim a ferramenta principal de intervenção pública. O blog funciona como o centro difusor e o arquivo vivo de uma monumental produção que, conforme registrado em listas consolidadas recentes do autor, ultrapassa a impressionante marca de cinco mil trabalhos originais elaborados entre os anos de 1968 e 2025. Ao disponibilizar gratuitamente ensaios históricos, notas de aulas e comentários críticos que receberam citações em centenas de instituições e periódicos ao redor do mundo, o diplomata democratiza o conhecimento especializado e cumpre aquilo que considera uma de suas principais missões. Essa busca contínua por transparência e registro factual reflete o compromisso de documentar a história enquanto ela se desenrola diante dos nossos olhos, fornecendo subsídios empíricos e teóricos contra o esquecimento deliberado e contra o revisionismo ideológico.
O amadurecimento do Diplomatizzando também revela um fascinante paradoxo sobre a relação de PRA com a modernidade tecnológica e a comunicação contemporânea, algo que se evidencia nos diálogos e postagens recentes envolvendo o uso de ferramentas de inteligência artificial. O autor frequentemente recorre de forma irônica e sofisticada a assistentes computacionais, apelidados no blog de “Madame IA”, para resumir, traduzir ou organizar transcrições de suas intervenções em conferências internacionais, como a realizada recentemente na Academia de Ciências do Ultramar, em Paris. Contudo, os milhões de acessos registrados deixam evidente que o público busca justamente o oposto do automatismo mecânico: o valor do blog reside na personalidade vigorosa do analista humano, em sua verve assertiva e na disposição inabalável de continuar a “dar nomes aos bois” no cenário político nacional e internacional. Ao adotar uma postura assumidamente contrarianista, PRA recusa o pensamento de rebanho e utiliza a plataforma para fustigar o populismo e os desvios institucionais, mantendo uma independência crítica que não poupa as lideranças contemporâneas e as formulações diplomáticas que considera equivocadas.
O momento em que o blog cruza a marca dos 28 milhões de acessos coincide com um período histórico de profunda polarização e transição política no Brasil e no mundo, servindo como uma bússola analítica indispensável para interpretar a conjuntura de outubro de 2026. Nas páginas do Diplomatizzando, o leitor encontra um registro minucioso e crítico sobre os desdobramentos das eleições presidenciais brasileiras, as reações da imprensa internacional e os imensos desafios macroeconômicos e fiscais que se impõem ao país nas relações com potências globais como os Estados Unidos e a China. A análise pragmática de Almeida sobre as limitações e contradições de arranjos multilaterais, como o bloco BRICS Plus — muitas vezes classificado em seus escritos como um “Frankenstein geopolítico” destituído de valores democráticos compartilhados —, oferece um contraponto realista necessário aos discursos puramente retóricos das chancelarias. A perenidade do interesse público nesses textos mostra que o blog se consolidou como uma instituição de preservação do debate racional e científico no país.
Em última análise, os números superlativos acumulados pelo Diplomatizzando ao longo deste bidecênio atestam que a solidez intelectual e a coragem opinativa possuem um valor duradouro e uma demanda real na sociedade civil brasileira. Para Paulo Roberto de Almeida, o blog representa a materialização prática da máxima do filósofo Karl Popper, frequentemente evocada em seu portal, de que a maior responsabilidade social do cientista e do intelectual é “sempre falar tão simplesmente, claramente e despretensiosamente quanto possível”, evitando jargões obscuros para garantir a sobrevivência da sociedade aberta e da própria democracia. Ao se manter firme contra as correntes ideológicas do momento e ao documentar incansavelmente os fatos históricos com independência absoluta, o diplomata não apenas construiu um monumento documental de sua própria carreira, mas presenteou o Brasil com uma ágora virtual indispensável para todos aqueles que se recusam a abrir mão da racionalidade e da inteligência crítica.
*Fonte: https://share.google/aimode/fmXGHxktxSu50zF6i (Gemini).
**Comando: ADL (https://www.youtube.com/@airtondirceulemmertz/about ; https://diplomatizzando.blogspot.com/search?q=ADL&max-results=20&by-date=true).
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Novo governo Lula terá ‘problemas sérios’ sem ajuste fiscal de até 4% do PIB, diz economista Carlos Braga - Amanda Souza (Times Brasil)
Novo governo Lula terá ‘problemas sérios’ sem ajuste fiscal de até 4% do PIB, diz economista Carlos Braga
Amanda Souza
Times Brasil - CNBC, 26/10/2026
https://timesbrasil.com.br/brasil/novo-governo-lula-tera-problemas-serios-sem-ajuste-fiscal-de-ate-4-do-pib-diz-economista-carlos-braga/
Professor da Fundação Dom Cabral estima que ajuste necessário pode chegar a 3% a 4% do PIB para estabilizar a trajetória fiscal.
Braga diz que nome da equipe econômica pode acalmar o mercado, mas medidas concretas serão determinantes após a forte queda da bolsa.
Ex-diretor do Banco Mundial afirma que o atual arcabouço fiscal virou uma “peça de ficção” e vê risco crescente de dominância fiscal.
O quarto governo de Lula (PT) terá de promover um ajuste fiscal significativo para evitar uma deterioração das contas públicas em 2027, avaliou Carlos Braga, professor associado da Fundação Dom Cabral e ex-diretor do Banco Mundial, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
“Se a quarta administração Lula, continuar a se basear naquela tese de que gasto é vida, nós obviamente vamos ter problemas sérios em 2027”, afirmou.
Segundo Braga, o esforço necessário pode chegar a 3% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), considerando a trajetória da dívida pública e a necessidade de transformar o atual déficit em superávit.
“Não estamos falando aqui de pouca coisa”, disse. “Isso não dá como se iludir, terá custos para a sociedade, criará pressões políticas.”
Leia também: Relação com os EUA depende de Trump após reeleição de Lula
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Tribunal Superior Eleitoral.
Mercado cobra sinalização fiscal
A entrevista ocorreu em um pregão marcado por forte aversão aos ativos brasileiros. O Ibovespa acionou o circuit breaker nesta segunda-feira (26) e chegou a cair mais de 17% no pior momento do dia, em uma reversão do movimento de valorização registrado durante a campanha.
Para Braga, parte do movimento reflete a reversão das apostas feitas após o primeiro turno, quando investidores passaram a precificar maior possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro.
Agora, segundo ele, a atenção se desloca para as primeiras sinalizações do novo governo.
A principal delas, na avaliação do professor, será a disposição de promover um ajuste nas contas públicas.
“A realidade que nós temos para 2027 é algo que todo mundo sabia que, independentemente de quem ganhasse as eleições, teria que enfrentar uma situação de ajuste fiscal bastante significativa”, afirmou.
Braga ressaltou que o mesmo problema estaria colocado caso Flávio tivesse vencido.
Risco de dominância fiscal
O economista afirmou que o Brasil se aproxima de uma situação de dominância fiscal, cenário em que o desequilíbrio das contas públicas limita a capacidade da política monetária de controlar a inflação.
Segundo Braga, juros elevados passam a alimentar ainda mais o crescimento da dívida.
“Cada um ponto percentual adicional na Selic significa R$ 50 bilhões, R$ 60 bilhões para o carregamento da dívida”, afirmou.
“Estamos chegando nessa encruzilhada, a menos que haja um esforço significativo de austeridade fiscal.”
Para ele, adiar o ajuste tende a elevar o custo do próprio processo.
“A tendência é tentar empurrar isso com a barriga. Mas, à medida que você empurra isso com a barriga, nós vamos ver o aumento ainda maior da dívida por causa do tamanho dos juros”, disse.
‘Arcabouço fiscal virou uma peça de ficção’
Braga também fez uma crítica ao funcionamento do atual arcabouço fiscal. Segundo ele, a regra nasceu com uma lógica para limitar a expansão das despesas, mas perdeu força à medida que determinados gastos ficaram fora dos limites originalmente previstos.
“O arcabouço fiscal virou uma peça de ficção”, afirmou.
Para o professor, estabilizar a dívida exigirá enfrentar despesas estruturais, e não apenas buscar novas fontes de receita.
Ele citou como temas que precisarão entrar na discussão uma nova reforma da Previdência, as regras de reajuste do salário mínimo e despesas obrigatórias vinculadas a saúde e educação.
“A menos que a gente discuta com franqueza por que é preciso mudar isso, nós não vamos ter a capacidade de estabilizar essa relação”, afirmou.
Braga acrescentou que, nas condições atuais, não vê perspectiva de recuperação rápida do grau de investimento pelo Brasil.
Nome da equipe econômica pode aliviar reação inicial
Perguntado sobre possíveis nomes para comandar a economia no novo mandato, Braga afirmou que figuras com credibilidade poderiam ajudar a reduzir a desconfiança inicial do mercado.
Ele citou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o vice-presidente Geraldo Alckmin como nomes que poderiam ser bem recebidos.
“Galípolo, pelo trabalho que ele vem fazendo no Banco Central, seria um nome bem recebido pelo mercado”, disse.
Sobre Alckmin, afirmou que é “uma pessoa bem respeitada pelo mercado”, em razão de sua trajetória e de posições consideradas moderadas na economia.
Braga ponderou, no entanto, que a escolha de nomes não será suficiente sem implementação de medidas.
Leia também: Trump questiona vitória de Lula, cita “manual de Joe Biden” e diz que “comunistas não largam o poder”
“Nomes que tenham credibilidade ajudam, mas é aquela história: visão sem implementação é alucinação”, afirmou.
Juros devem continuar sob pressão
Braga também avaliou que a taxa real de juros brasileira permanece em patamar elevado, mas disse que uma redução sustentável depende do controle das contas públicas e da inflação.
Segundo ele, o governo deverá continuar pressionando por juros menores, mas uma expansão do consumo financiada por crédito encontra limites diante do elevado endividamento das famílias.
“O modelo de crescimento nos últimos anos se esgotou, um modelo de crescimento baseado na expansão do consumo”, afirmou.
Para o professor, uma expansão adicional de crédito em um mercado de trabalho aquecido poderia aumentar a pressão inflacionária e criar nova tensão entre governo e Banco Central.
“O problema é que, se você não controla a inflação, nós vamos entrar num círculo extremamente negativo para a sociedade”, disse.
China e Estados Unidos
Na política externa, Braga defendeu que o novo governo preserve uma posição de equilíbrio entre China e Estados Unidos, sem alinhamento automático a nenhuma das duas potências.
Para ele, o peso da China no comércio brasileiro e dos Estados Unidos nos investimentos torna uma escolha ideológica entre os dois países prejudicial aos interesses econômicos nacionais.
“Comprar brigas, seja com os Estados Unidos, seja com a China, é obviamente entrar numa briga de elefantes com uma faca na mão”, afirmou.
Segundo Braga, o Brasil deve buscar diversificação comercial e manter a tradição diplomática de maior neutralidade entre as duas potências.
Paulo Roberto de Almeida: 200 trabalhos mais citados na plataforma Academia.edu - Paulo Roberto de Almeida
Paulo Roberto de Almeida: 200 trabalhos mais citados na plataforma Academia.edu
Member since December 2013
Estatísticas do dia 26 de setembro ao dia 25 de outubro de 2026
Levantamento efetuado em 26/10/2026; do mais citado (23) aos menos citados (1 vez)
Total citations: 865; Mentions: 4991
“Cited at 223 institutions, across 145 journals, in 45 countries.
Led by Universidade de Brasília – UnB”
Fonte: https://www.academia.edu/citations?top_ids=135674833841
1) Formação da diplomacia econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império (2001, 2005; 2017)
2) Os Primeiros Anos do Seculo XXI: o Brasil e as relações internacionais contemporaneas (2002)
3) Relações internacionais e política externa do Brasil: a diplomacia brasileira no contexto da globalização (2012)
4) Uma nova 'arquitetura' diplomática? - Interpretações divergentes sobre a política externa do governo Lula (2003-2006)
5) Revista Brasileira de Política Internacional, Indice Geral, 1958-2014
6) Política externa brasileira em debate: dimensoes e estratégias de inserçao internacional no pós-crise de 2008
7) Mercosul: fundamentos e perspectivas (1998)
8) Uma política externa engajada: a diplomacia do governo Lula (2005)
(...)
191) Nunca Antes na Diplomacia: A Política Externa Brasileira em Tempos não Convencionais
192) A diplomacia do governo Lula em seu primeiro mandato: um balanço e algumas perspectivas
193) Uma frase (in)feliz?: o que é bom para os EUA é bom para o Brasil?
194) Brazilian Economic Historiography
195) O lugar da América do Sul na nova ordem mundial
196) Os sucessores do Barão: relações exteriores do Brasil
197) Planejamento no Brasil: memória histórica
198) As relações internacionais como oportunidade profissional199) A política comercial do Brasil
200) O ano que ainda não terminou nas relações internacionais: 1962 nas páginas da RBPI
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5514: 26 outubro 2026, 7 p.
Postado na íntegra na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/179632718/5514_Paulo_Roberto_de_Almeida_200_trabalhos_mais_citados_na_plataforma_Academia_edu_2026_); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/paulo-roberto-de-almeida-200-trabalhos.html ).
Lula garante continuidade no Itamaraty, mas mandato começa sob pressão de Trump - André Lucena (InfoMoney)
Mundo
Eleições 2026
Lula garante continuidade no Itamaraty, mas mandato começa sob pressão de Trump
O “trumpismo ativo” deve ser o principal elemento perturbador do próximo mandato de Lula
André Lucena
InfoMoney, 26/10/2026
https://www.infomoney.com.br/mundo/lula-garante-continuidade-no-itamaraty-mas-mandato-comeca-sob-pressao-de-trump/
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a reeleição presidencial no domingo (25) e garantiu o quarto mandato presidencial. A sinalização é de continuidade na política externa brasileira. O quadro das relações de força no plano internacional, porém, é que deve impor grandes desafios ao governo reeleito.
O “trumpismo ativo” deve ser o principal elemento perturbador do próximo mandato de Lula. O petista, porém, tem enfrentado as dificuldades vindas de Washington através de um discurso de defesa da soberania nacional.
A avaliação é Paulo Roberto de Almeida, que dirigiu o Instituto de Pesquisa em Relações Internacionais (Ipri) e serviu nas embaixadas em Berna, Belgrano e Paris, além de ter sido Ministro-Conselheiro na Embaixada em Washington (1999-2003) e Assessor Especial no Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (2003-2007).
Lula supera 64 milhões de votos e bate recorde histórico em eleição presidencial
Reeleito neste domingo (25), petista supera a própria marca de 2022, quando recebeu 60,3 milhões de votos no segundo turno contra Jair Bolsonaro.
A hipótese de Almeida é que o Brasil não deverá escolher um lado na disputa entre EUA e Pequim. Essa abordagem condiz com o próprio histórico de posicionamento do Brasil no plano internacional: como potência média, o país nunca foi exatamente um aderente explícito a qualquer bloco de poder, sendo mais conhecido pela capacidade de trânsito entre governos e países distintos, incluindo potências.
“Nós tivemos relações com os Estados Unidos como principal parceiro econômico, comercial, tecnológico e militar. A China é o principal parceiro comercial há mais de 15 anos e libera saldos superavitários absolutamente relevantes para o Brasil“, explica Almeida. “O Itamaraty tentará conciliar padrões diplomáticos, o que já vem de décadas”, diz o diplomata.
Trump e a gramática da imposição
A principal dificuldade do governo Lula 4, no plano internacional, terá menos que ver com o próprio governo, e estará mais ligada a Washington. Desde a sua primeira chegada à Casa Branca, em 2017, e com mais força ainda no seu retorno, em 2025, o republicano tem implodido as bases da balança de equilíbrio do poder, com efeitos no próprio Ocidente. Os EUA de hoje falam pouco em parceria estratégica, apostando, na realidade, em uma abordagem mais intimidatória.
Exemplo disso foi a imposição de tarifas a produtos brasileiros em agosto de 2025, a conceituação de facções criminosas brasileiras como “narcoterroristas” e uma série de outras imposições.
A diplomacia brasileira, de toda forma, conseguiu promover reuniões entre os dois líderes e contribuir para a continuidade das relações em um padrão já conhecido. Mas o clima de ameaça sempre pareceu permanente.
Ucrânia e Venezuela
Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, Almeida avalia que o Brasil tem falhado desde o governo Jair Bolsonaro (PL): condenou a empreitada invasiva russa, “mas em termos muito melífluos, muito vagos”. Sobre Lula, pesa o fato do petista, segundo o diplomata, ser pessoalmente simpático ao presidente Vladimir Putin.
Na América do Sul, Lula terá que lidar com um continente mais abertamente hostil, graças aos diversos governos de direita e extrema direita. Há dificuldades à vista, quanto à integração regional, cuja pauta sempre foi cara ao petista. “Mudou a América Latina, que deixou de ser de esquerda, virou centrista e até de direita”, contextualiza Almeida.
Registrando os números da vitória de Lula para um quarto mandato, para documentar a História com fatos (Meio, com agências)
Meio (26/10/2026)
A noite de 25 de outubro de 2026 entrou para a história. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito e terá um inédito quarto mandatocomo presidente do Brasil. Além disso, é o primeiro postulante desde a instituição dos dois turnos, na eleição de 1989, a chegar em segundo lugar na primeira votação e virar para a segunda. Para completar, Lula, que chega aos 81 amanhã, será a pessoa mais idosa a tomar posse como presidente da República. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula obteve 64.255.969 votos (51,79%), derrotando o senador Flávio Bolsonaro, que teve 59.826.002 votos (48,21%) — no primeiro turno, Flávio havia chegado na frente, com 47,03%, contra 45,16% do presidente. Lula consagrou-se como o presidente mais votado da história, ampliando em 3,8 milhões os votos que recebeu em 2022. Contribuiu para a vitória de Lula a queda recorde na abstenção (de 21,08% no 1º turno para 19,21%) e nos votos brancos e nulos (5,98 milhões para 4,15 milhões). O presidente aumentou sua votação em todos os estados e no DF, com maior crescimento numérico em São Paulo, Rio e Minas. Como seu pai quatro anos atrás, Flávio Bolsonaro não reconheceu a derrota, e disse que vai pedir a anulação do pleito. (g1)
Consulte a votação deste domingo por estado. (g1)
Lula votou pela manhã em São Bernardo do Campo (SP) e, ao sair da seção eleitoral, agradeceu aos eleitores e enalteceu a mobilização de sua militância. O presidente acompanhou a apuração em São Paulo, no Hotel Intercontinental, perto da Avenida Paulista, onde seus apoiadores já se concentravam. Confirmada a vitória, ele foi para a avenida com a primeira-dama Janja, o vice Geraldo Alckmin e outros aliados. Em seu discurso, Lula disse ter vencido a mentira e prometeu governar com “o Congresso que foi eleito”, marcadamente conservador. O presidente afirmou ainda que precisou enfrentar a “intromissão” das plataformas digitais. E disse que aprendeu muitas lições com as eleições, prometeu mudar o jeito de governar, garantiu mais participação popular nas decisões de governo e disse que vai dar mais espaço para a comunicação digital em seu quarto mandato. Ele agradeceu em especial ao deputado André Janones (Rede-MG), responsável pela intensa campanha online por sua eleição. (UOL)
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