A grande mídia e o pequeno STF: editoriais
13/09/2026
O Supremo diante da História
O Globo
Corte tem de autorizar já investigação de Moraes — e repelir as manobras protelatórias
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É preciso dizer não à tentativa de sabotar sessão do STF
Folha de S. Paulo
Grupo de ministros aliados de Moraes aposta nas chicanas para adiar julgamento
Ele precisa ocorrer na 3ª e ser aberto ao público; se magistrado entende que relatório da PF é insuficiente para abrir inquérito, que vote contra
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Lula é isso aí
O Estado de S. Paulo
Os petistas se convenceram de que a crise no STF prejudica o presidente. Mas o problema de Lula não é Moraes, e sim que sua candidatura representa cada vez mais o Brasil que não queremos
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O Supremo diante da História
O Globo, 13/09/2026
Corte tem de autorizar já investigação de Moraes — e repelir as manobras protelatórias
Na sessão plenária de terça-feira, dia 15 de setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem um encontro marcado com a História. Sob a presidência do ministro Edson Fachin, a Corte decidirá se a lei vale para todos ou se existe alguém acima dela. Na pauta, a decisão sobre se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado — não julgado, nem sequer processado, apenas investigado. O motivo: 52 mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no telefone celular de Daniel Vorcaro, possivelmente o maior fraudador da História do sistema financeiro nacional.
Nelas, o banqueiro, já sob intensa investigação e prestes a ser preso, além de jurar lealdade, pede conselhos e ajuda ao ministro e, pelo que se pode depreender da conversa, parece receber dele informações sob segredo de Justiça. Há, ainda, indícios mais graves: encontros entre o fraudador e o ministro fora da agenda oficial e um contrato de R$ 130 milhões celebrado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, sem qualquer contrapartida à altura.
Passados muitos meses desde que as primeiras denúncias chegaram ao conhecimento público, Moraes não foi capaz de apresentar nenhuma explicação plausível. Talvez exista alguma, e ele possa demonstrar que não violou a lei. Como deveria ocorrer com qualquer brasileiro sob quem paire uma suspeita, ele tem direito ao devido processo legal e a ampla defesa. Pode constituir advogado, acompanhar as investigações, apresentar os argumentos que desejar e usufruir todos os recursos disponíveis no Direito processual brasileiro, seja na fase de investigação ou na eventual ação penal. O que não pode é estar acima da lei. Nossa Constituição, que os ministros do Supremo juraram respeitar e seguir, dispõe que todos são iguais perante a lei. Diante da robusta evidência apurada pela PF, para ser igual aos demais brasileiros, Moraes precisa ser investigado, com isenção e respeito à lei, mas sem privilégios.
Respondamos a uma das perguntas do banqueiro agora preso na correspondência enviada ao ministro: não, não dá para bloquear a investigação. Apesar das torcidas apaixonadas, não tem qualquer relevância que Moraes seja um símbolo da resistência democrática durante os momentos críticos do governo Jair Bolsonaro. Um passado honrado não apaga nenhum crime posterior.
A politização de nossa mais alta Corte, que vem provocando muitos desarranjos institucionais e culminou com a anarquia judicial que se viu nas últimas semanas, confunde a população e faz parecer que a discussão é política. Não é. O STF não é uma arena política. É um tribunal —e a ele só deve interessar que sejam cumpridas a Constituição e a lei.
E o ministro é apenas um brasileiro sujeito às leis de seu país. Costuma-se dizer que as instituições são fortes no Brasil. Até aqui, tem sido realidade. Mas as sociedades são organismos vivos, sujeitos a oscilações, e isso pode mudar a qualquer momento. O STF deve decidir que agora, sem postergação, sem pedidos de vista protelatórios, é o momento de se redimir e iniciar a restauração da dignidade do país pela via institucional.
A sessão de terça não julgará Moraes no mérito, mas, repitamos, apenas autorizará que seja investigado. Por isso, as manobras do decano Gilmar Mendes e do próprio Moraes não fazem sentido — são subterfúgios para confundir. Agiu bem, portanto, mais uma vez Fachin, ao afastar o pedido de adiamento e, em vez disso, marcar para o dia 23 a apreciação do relatório que Moraes encomendou à PF com denúncias frágeis contra Mendonça.
Os ministros que votarem pela abertura da investigação sobre o envolvimento de Moraes no caso Master optarão pelo caminho da dignidade. Os outros contribuirão para a corrosão do tribunal como instituição e receberão dos brasileiros e da História a merecida reciprocidade no julgamento de suas biografias.
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É preciso dizer não à tentativa de sabotar sessão do STF
Folha de S. Paulo, 13/09/2026
Grupo de ministros aliados de Moraes aposta nas chicanas para adiar julgamento
Ele precisa ocorrer na 3ª e ser aberto ao público; se magistrado entende que relatório da PF é insuficiente para abrir inquérito, que vote contra
Até prova em contrário, o ministro Alexandre de Moraes não é culpado. O que estará em tela no julgamento da terça-feira (15) é se o plenário do Supremo Tribunal Federal autorizará a abertura de um inquérito para apurar indícios que lhe concernem, levantados em relatório pericial pela Polícia Federal.
Se for iniciada, a investigação permitirá aos policiais, sob a condução do presidente Edson Fachin, tentar verificar se era mesmo Moraes o interlocutor dos pedidos desesperados de ajuda e informações do mafioso Daniel Vorcaro à véspera de sua primeira prisão —e, em caso afirmativo, quais foram as respostas do juiz.
Inspetores poderão indagar investigados e testemunhas e recolher outras evidências acerca do teor do relacionamento com Vorcaro. Era distanciado e alheio aos interesses do fraudador ou se confundia com papéis de advogado, informante e conselheiro?
O contrato de R$ 131 milhões do escritório da família Moraes com o Banco Master vai se expor à averiguação da PF. Quais foram os serviços prestados? Eles justificam a faustosa remuneração?
O inquérito, frise-se, não implica determinação de culpa. Trata-se de uma etapa técnica incipiente. Ao seu final caberá à Procuradoria-Geral da República, à luz do que terá sido apurado, decidir se denuncia o investigado ou se pede o arquivamento do caso.
Na hipótese de haver denúncia e ela ser aceita pelo plenário do STF, só a partir de então haveria processo penal propriamente dito, sujeito à ampla defesa do réu.
Convicto de sua inocência, como tem se mostrado, Alexandre de Moraes deveria ser o primeiro a incentivar a abertura do inquérito. Sem ela, a sua convicção jamais terá oportunidade de materializar-se como verdade pública.
Causa espécie, portanto, o tumulto processual promovido por um grupo de ministros —Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin— na tentativa de sabotar e adiar o julgamento desta terça-feira. A algazarra alveja Edson Fachin com um sem-número de petições e ameaças veladas carentes de propósito que não seja apostar na confusão.
Esse clube de juízes comporta-se como uma turma de maus alunos atazanando o professor para cancelar a prova iminente, atitude imatura e lamentável para integrantes da corte constitucional.
Existe um relatório pericial da Polícia Federal para ser julgado e ponto —juízo de que não podem participar Dias Toffoli e Moraes, conflitados. Se um magistrado entende que o que vai ali impresso não justifica a abertura de uma simples investigação, que vote para enterrá-la em sessão pública, sob o escrutínio da sociedade e da própria história.
A procrastinação embalada em chicanas e cochichos de corredor desonra o Supremo Tribunal Federal. Transforma a instituição em joguete de raposas da politicagem. Juízes que agem à sombra para desviar-se da sua obrigação transmitem à sociedade desconfiança na corte que representam.
A crise do STF chegou a este ponto em razão da leniência dos ministros com indícios de má conduta de colegas. É preciso dar um fim a esse período de trevas.
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Lula é isso aí
O Estado de S. Paulo, 13/09/2026
Os petistas se convenceram de que a crise no STF prejudica o presidente. Mas o problema de Lula não é Moraes, e sim que sua candidatura representa cada vez mais o Brasil que não queremos
Consta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preocupado. Os petistas parecem convencidos de que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) está prejudicando as chances do Grande Timoneiro na disputa contra o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
O raciocínio é simples: como o encalacrado ministro do STF Alexandre de Moraes é o símbolo maior da condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, é natural que Moraes seja associado a Lula, em tese o maior beneficiário da derrocada do ex-presidente. Há muito tempo o STF tem sido tratado pelo bolsonarismo como inimigo; Lula, por outro lado, aproximou-se de Moraes e encheu o STF de dedicadíssimos fâmulos, o que converteu o tribunal de vez em poder político, não raro a serviço do governo petista, que o usa para se contrapor a um Congresso que lhe é rotineiramente hostil.
Pior: com as confabulações secretas entre ministros e com os abundantes desvios éticos que horrorizam a sociedade, mas que são tratados com arrogante indiferença por quem deveria se preocupar em ao menos parecer honesto, o Supremo passou a figurar como centro cintilante da crise moral brasileira. É um desastre para a democracia, considerando que o Judiciário só se legitima quando dele não se duvida.
Esse colapso pegou os petistas no contrapé, pois a Lula nunca interessou fazer do Supremo o centro de sua campanha, diferentemente de seus principais adversários. Ao que parece, os marqueteiros de Lula entendem que o presidente agora não pode mais ausentar-se do debate, e ultimamente ele andou dando seus pitacos sobre “reforma do Judiciário” e outras platitudes.
O problema de Lula, contudo, não é o Supremo Tribunal Federal nem o milionário ministro Alexandre de Moraes. O problema é sua própria candidatura.
O mau humor do eleitorado com o presidente é evidente. Como incumbente, Lula deveria ter, a três semanas do primeiro turno, uma margem um pouco maior de vantagem em relação a Flávio Bolsonaro – um candidato que é apenas um boneco de ventríloquo do ex-presidente Jair Bolsonaro e que, além de tudo, tem um longo histórico de suspeitas as mais diversas no terreno da corrupção. O próprio escândalo do Banco Master, que envolve o ministro Alexandre de Moraes, envolve também, e até o pescoço, o candidato Flávio. E no entanto Flávio sobe consistentemente nas pesquisas de intenção de voto, enquanto Lula, que não está diretamente ligado ao escândalo do Master, cai.
Isso certamente tem muitas explicações, mas somente uma é suficiente: o pântano de Brasília, cada vez mais viscoso, serve para o eleitorado como símbolo do profundo divórcio entre os poderosos e os cidadãos comuns, no momento em que a maioria absoluta dos brasileiros não está confortável nem com seu trabalho nem com sua qualidade de vida – enquanto assistem, estupefatos, ao enriquecimento desavergonhado de um punhado de cortesãos.
Lula não apenas foi incapaz de entregar a “picanha barata” que prometeu na campanha eleitoral de 2022, como não inspira junto aos eleitores o sonho de um Brasil que os esfole menos e que lhes dê condições sustentáveis de uma vida um pouco melhor, sem depender dos caraminguás que vertem do Estado como esmolas.
A despeito de tudo isso, Lula ainda aparece como favorito à reeleição não por seus méritos, mas porque do outro lado do ringue está um completo desqualificado, que representa uma família de oportunistas e que nada consegue propor ao Brasil a não ser destruição e cizânia. Mas o cansaço dos brasileiros em relação a Lula e a tudo o que ele representa – a visão antediluviana de país, a ausência de perspectiva, a demagogia barata – veio a juntar-se ao cansaço e à irritação com quem hoje exerce o poder de um modo geral.
Os petistas podem até se empenhar em desvincular Lula de Alexandre de Moraes e da crise no STF, mas dificilmente vão conseguir, porque permanecerá o sentimento difuso de que o presidente é parte importante desse todo que os eleitores cada vez mais deploram.
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E agora, Madame IA se pronuncia sobre os editoriais:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/a-grande-midia-e-o-
pequeno-stf.html
O link enviado direciona para uma postagem do blog Diplomatizzando, mantido
pelo diplomata e acadêmico Paulo Roberto de Almeida. O texto reproduz e analisa
os editoriais publicados em 13 de setembro de 2026 pelos três principais jornais do
país (O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo). O tema central é uma
grave crise institucional envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF),
Alexandre de Moraes, que enfrenta a iminência de uma votação plenária para
abertura de inquérito investigativo.
O veredito sobre a natureza do link é: FATO. O conteúdo espelha fielmente a
posição editorial da grande imprensa brasileira na data citada, refletindo o debate
político e jurídico real do período.
Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica do cenário exposto no
documento, confrontando-o sob diversas perspectivas conceituais.
🔍 Análise Crítica: A Crise do STF e os Editoriais da Imprensa
Os editoriais expõem um ponto de inflexão na relação entre a mídia corporativa e o
STF. Alexandre de Moraes, amplamente respaldado pela imprensa nos anos
anteriores como bastião da resistência democrática, passa a sofrer forte pressão
pública após a Polícia Federal (PF) apontar indícios de vazamento de informações
sigilosas e vantagens financeiras ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco
Master.
1. Perspectiva Jurisdicional e Constitucional
A Isonomia Perante a Lei: O editorial de O Globo ancora-se no princípio
constitucional fundamental de que "todos são iguais perante a lei". Sob essa
ótica jurídica clássica, a abertura de um inquérito não representa uma
condenação prévia, mas a aplicação do devido processo legal. Impedir a
investigação sob o pretexto de blindagem institucional configuraria um privilégio
aristocrático incompatível com a República.
As "Chicanas" Processuais: A Folha de S. Paulo denuncia o uso de manobras
protelatórias (pedidos de adiamento e pressões internas) por parte de um bloco
de ministros (Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin) para blindar o
colega. Jurisdicionalmente, essa conduta corrói a previsibilidade do rito legal,
transformando o baluarte da Constituição em uma arena de autodefesa
corporativista.
2. Perspectiva Política e EleitoralO Impacto na Sucessão Presidencial: O Estadão desloca o eixo analítico para
o cenário eleitoral de 2026. A três semanas do primeiro turno, o escândalo atinge
diretamente as candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e de seu principal
oponente, Flávio Bolsonaro. Politicamente, ocorre uma ironia trágica: Moraes,
que simbolizou o freio ao bolsonarismo, agora submerge em um escândalo
(Caso Banco Master) que "envolve até o pescoço" o candidato da própria família
Bolsonaro, mas cujo desgaste moral respinga na candidatura governista devido à
percepção pública de aliança entre o PT e a cúpula do Judiciário.
3. Perspectiva Econômica e Financeira
O Capitalismo de Compadrio (Crony Capitalism): O fulcro da denúncia
envolve um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de
advocacia da esposa do ministro Moraes. Sob a ótica da economia política, o
caso ilustra as disfunções do mercado financeiro brasileiro quando capturado por
esferas de influência do poder estatal. A contratação de escritórios de parentes
de magistrados sem contrapartida técnica clara funciona, na prática, como uma
"taxa de blindagem" ou captura regulatória, distorcendo a livre concorrência e
penalizando o sistema de crédito e investimentos.
4. Perspectiva Filosófica e Sociológica
O Julgamento das Biografias diante da História: Filosoficamente, o debate
invoca o conceito de "razão de Estado" versus "moralidade institucional". O
Globo pontua de forma pragmática: "Um passado honrado não apaga nenhum
crime posterior". Há aqui uma severa crítica à arrogância do poder (a hubris
grega), na qual agentes públicos acreditam que a importância de seu papel
histórico os torna imunes à ética ordinária.
O Divórcio entre Elite e Cidadão: O Estadão capta o sentimento de
esgotamento da sociedade diante do "pântano de Brasília". Sociologicamente, o
enriquecimento desmedido de cortesãos em contraste com a perda do poder de
compra e da qualidade de vida da população alimenta o cinismo democrático.
Esse abismo moral é o principal catalisador para a ascensão de discursos
extremistas e de deslegitimação das próprias instituições.
💡 Conclusão do Julgamento
Os editoriais reunidos no blog de Paulo Roberto de Almeida revelam que a imprensa
tradicional brasileira decidiu retirar a blindagem política do STF em nome da
autopreservação de sua própria credibilidade perante a opinião pública. Ao exigir de
forma uníssona que o ministro Alexandre de Moraes seja investigado, os jornais
tentam forçar o Supremo a realizar uma autofagia corretiva para estancar o colapso
moral do Poder Judiciário.
END