quarta-feira, 15 de abril de 2026

Uma simples declaração pessoal - Paulo Roberto de Almeida

Uma simples declaração pessoal

Raras vezes, ou praticamente nunca, eu me pronuncio em escolhas eleitorais. Não vou me declarar a favor de qualquer um dos candidatos já presentes ou que possam se apresentar até o fechamento das candidaturas pela lei eleitoral.

Vou apenas dizer, como simples cidadão, que eu jamais apoiaria ou apoiarei qualquer um, a cargo presidencial ou estadual, que tenha tido ou ainda mantém simpatia pelo monstro que foi responsável pelas milhares de mortes “excedentárias” (isto é, que não precisariam ter acontecido, se outros tivessem sido os cuidados) durante a pandemia, e vou afirmar, já como diplomata de carreira, que eu JAMAIS apoiaria quem presta submissão canina a um tresloucado dirigente estrangeiro, que é, ele mesmo, um monstro bárbaro que está destruindo o mundo, junto com outro ditador celerado, assim como o seu próprio país. 

Negacionismo vacinal é INACEITÁVEL! Neutralidade eleitoral, ausência de postura em face de doentes mentais, é INDESEJÁVEL e INADMISSÍVEL!

Dito! Esta é a minha única declaração eleitoral. Cada um com sua consciência e sentimentos MORAIS!

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 15/04/2026

Pontos de estrangulamento e conflitos geopoliticos - Carlos Primo Braga

O conflito iniciado com os ataques de Israel e dos EUA ao Irã em 28/02/2026 já dura mais de um mês. [...]

O conflito iniciado com os ataques de Israel e dos EUA ao Irã em 28/02/2026 já dura mais de um mês. A trégua declarada em 7/04 oferece uma oportunidade para negociações diplomáticas, mas o sucesso dessas negociações é duvidoso. O papel do Estreito de Ormuz na guerra vem recebendo uma atenção crescente na medida em que o controle iraniano do estreito tem implicações significativas para o mercado de energia e de outros produtos estratégicos. O fato dos EUA não terem considerado adequadamente essas implicações no contexto do seu planejamento militar causa espanto, dada a história da região e outros precedentes históricos. O controle do estreito de Ormuz permanecerá como um tema crítico para o sucesso das negociações entre os países envolvidos no conflito.

“Estrangulamentos” podem oferecer vantagens estratégicas no contexto geográfico ou como formas de pressão financeira ou através do controle de insumos críticos para a economia global. Experiências passadas incluem o desastre britânico no ataque à península de Galipoli na tentativa de controlar o Estreito dos Dardanelos, durante a Primeira Guerra Mundial, e o caso recente do impacto das sanções impostas pelos EUA e seus aliados contra a Rússia em fevereiro de 2022. Com a imposição de um teto (US$60 por barril) ao valor do petróleo exportado pela Rússia, as autoridades turcas reagiram interrompendo o trânsito pelo Estreito de Bósforo de navios transportando petróleo russo, exigindo a comprovação de que o limite de preço estava sendo respeitado. Por volta de dezembro de 2022, o trânsito pelo Bósforo ainda era impactado e as autoridades turcas exigiam comprovantes de que os seguros das embarcações permaneciam válidos, refletindo o respeito às sanções ocidentais.

O Estreito de Ormuz, por sua vez, ilustra o impacto do controle de um dos pontos de estrangulamento mais relevantes da atualidade. Desde o início do conflito, o Irã vem controlando o tráfico de navios pelo estreito, afetando cerca de 20 por cento dos fluxos globais de petróleo e 25 por cento dos fluxos de gás natural liquefeito. Antes da guerra, cerca de 135 embarcações transitavam diariamente pelo estreito, mas nas últimas semanas o tráfico se reduziu a menos de 10 navios por dia. No momento existem estimativas que o “estrangulamento” afeta cerca de 800 navios no Golfo Pérsico. As implicações para o preço de energia têm sido significativas, refletindo uma diminuição de 8 a 13 milhões de barris/dia na oferta global de petróleo.

Como discuti anteriormente (https://capabrasil.com.br/baratas-bolhas-e-as-guerras-por-carlos-primo-braga/), os impactos econômicos desse bloqueio variam em termos regionais. No caso dos países asiáticos, eles são significativos já que em condições normais cerca de 80 por cento do petróleo que sai do Golfo Pérsico tem como destino a Ásia.

Existe uma diferença entre o valor em termos financeiros do petróleo (paper value) e o seu valor físico. Em condições normais de operação de mercados, esses preços se mantêm próximos em virtude de práticas de arbitragem. O paper value do barril de petróleo reflete o valor futuro mais próximo de contratos para entrega (por exemplo, nesse momento o preço para entrega no mês de maio). Esses contratos são negociados na Intercontinental Exchange em Londres no caso do barril de Brent (originário do Mar do Norte) e na New York Mercantile Exchange (NYMEX) no caso do barril de WTI (West Texas Intermediate), um tipo de petróleo produzido nos EUA. Esses mercados são caracterizados por um alto nível de liquidez e os preços gerados por essas transações financeiras servem de referência para os preços de energia. Um detalhe importante, porém, é que mais de 90 por cento desses contratos não geram entregas físicas de petróleo.

Já o valor físico do barril de petróleo se baseia no petróleo embarcado em navios tanques, com ajustes por qualidade e por custos de transporte. Uma referência é o preço do Dubai Physical Crude. Ao final de março, o valor físico do petróleo se encontrava cerca de US$ 40 acima do valor do preço futuro do Brent. Essa distorção reflete a hipótese dominante em mercados financeiros de que o conflito não terá uma duração prolongada em contraste com a realidade de uma disrupção significativa no mercado físico para entrega de barris de petróleo.

Uma nova escalada do conflito, caso as negociações diplomáticas não tenham sucesso, e as suas implicações para a infraestrutura do Irã e dos países do Golfo Pérsico irão determinar a evolução futura dos preços de energia. É também importante reconhecer que além dos preços de energia, o conflito está tendo impactos significativos com respeito à oferta de outros produtos estratégicos (por exemplo, fertilizantes e gás hélio) e nos preços de seguros e de frete.

A distância entre os objetivos dos EUA e aqueles considerados pelo Irã (essencialmente a sobrevivência do regime) não permite otimismo quanto ao sucesso das negociações diplomáticas. É bem verdade que os objetivos dos EUA foram modificados ao longo das últimas semanas. Mudança de regime, por exemplo, passou a ser identificada como a eliminação das lideranças políticas e militares do Irã. Em termos básicos, os objetivos que foram apresentados pelo Secretário Pete Hegseth como tendo sido plenamente alcançados em 8/04, incluíam: a destruição da marinha iraniana e da capacidade do Irã de lançar mísseis e drones, bem como a interrupção do apoio militar e financeiro a grupos terroristas como o Hezbollah. Além disso, os EUA consideram como objetivos essenciais a regularização do tráfico marítimo pelo estreito de Ormuz e as limitações ao programa nuclear do Irã.

O Irã, no entanto, continua a desafiar várias dessas prioridades. O controle do Estreito de Ormuz, por exemplo, será uma variável chave para um acordo de longo-prazo. E na medida em que o Irã reconhece que esse é o seu principal trunfo estratégico, o retorno a um cenário de navegação livre como prevalecia antes da guerra é pouco provável. Além disso, a continuidade das ações israelenses contra o Hezbollah no Líbano é interpretada como uma violação da trégua pelo Irã. Em síntese, as chances de sucesso das negociações programadas para Islamabad (Paquistão) não são elevadas.

As externalidades macroeconômicas do conflito não serão triviais. Um cenário de estagflação pode caracterizar a economia global em 2026. As implicações para o papel do dólar na economia global também merecem atenção. O primeiro choque do petróleo em 1973 gerou incentivos para um acordo informal entre os países da OPEP e os EUA. Os exportadores de petróleo adotaram o dólar como a moeda de referência para o comércio de energia. Os países importadores pagavam pelo petróleo em dólares e os países árabes (particularmente a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos) aplicavam essas receitas em títulos da dívida dos EUA. Esse mecanismo funcionou ao longo de décadas, subsidiando os custos de financiamento da dívida pública dos EUA e contribuindo para a manutenção do dólar como moeda de reserva global.

A crise financeira global e a trajetória do déficit público nos EUA vêm impactando a credibilidade do dólar. A guerra com o Irã adicionou tensões no mercado financeiro (nas últimas semanas, bancos centrais diminuíram as suas posições em títulos dos EUA) e, na medida em que os países do Golfo Pérsico têm as suas exportações impactadas, os investimentos financeiros externos da região diminuem.

É bem verdade que não existem alternativas no curto prazo em termos de liquidez e segurança oferecidas pelo mercado de títulos dos EUA. Mas o papel do dólar como “porto-seguro” vem sendo afetado. Além disso, opções como a expansão do “petroyuan” (o pagamento da China pelo petróleo iraniano em yuans) começam a atrair uma atenção crescente.

O papel do Estreito de Ormuz no conflito e a transformação econômica e militar dos EUA no contexto da administração Trump sugerem que o atual choque de oferta poderá ter implicações de longo prazo para a economia mundial. Infelizmente, a observação de que “desta vez é diferente” pode ser válida.

P.S.: Na manhã desse domingo (12/04), o Vice-Presidente JD Vance anunciou que as negociações em Islamabad haviam falhado em produzir um acordo de paz. Isso não chega a ser uma surpresa. Mas os mercados financeiros, e a administração Trump, têm um encontro marcado com a realidade nas próximas semanas.

Carlos Primo Braga é Ph.D. em Economia pela Universidade de Illinois Urbana-Champaign, Professor Associado da Fundação Dom Cabral. Foi Diretor de Política Econômica e Dívida do Banco Mundial. Autor.

Putin is done: aggression is crumbling. Ukraine wins!

 It Started With A BRUTAL Breach... Now UA Paratroopers Just ERASED 3,011 Russians on One Front


Everything will be over by the spring of 2026. The Kremlin's entire strategy was based on this bold claim.

However, these words amounted to nothing more than Vladimir Putin's hope, which ended in disappointment.

The plan relied on immense power. A domino effect starting with the fall of Pakovsk would sweep through Sloviansk and throw the gates of Donetsk wide open to the Russian army.

But the Kremlin hit an unexpected wall. Moscow's supposedly invincible motorized divisions and elite Spettznaz units were halted by a single Ukrainian corps.

The force standing against them was the Ukrainian airborne forces. And these units made their name known once again through the most devastating operations of March 2026.

These operations, which in just one month took 3,11 Russian soldiers out of action, liberated nine settlements and completely disrupted Russia's entire spring offensive plans, were one of the most effective defense counterattack combinations in modern military history.

The most shocking moment of this unique resistance, however, lies hidden in that deadly drone trap we'll delve into shortly.

But before reaching that moment, we must see how this destruction was woven step by step.

All of this chain reaction of destruction lies within the chaotic details of the past 5 days.

On the morning of March 31st, 2026, a thick layer of fog had settled over the northwestern approaches to Hersini.

Russian forces saw this fog as an opportunity. Units attached to the fifth motorized rifle brigade began advancing covertly under the cover of the fog.

They were accompanied by drone operators from the 57th Spettznaz battalion. This was not a routine reconnaissance mission, but a full-scale infiltration operation.

Their objective was to penetrate Ukrainian positions undetected and reached the center of Hersia. From there, they would seize control of the road leading to Picrok and collapse the entire Daetsk defense line from within.

However, they had one problem. The seventh rapid reaction corps had already spotted them. Ukrainian paratroopers drones were piercing through the fog.

Thermal sensors were projecting every movement of the Russian units advancing under the fog onto the screens.

The position of each group was marked. Their advanced speeds were calculated. The moment of attack was planned down to the minute.

And just as the Russians were at their most vulnerable in open terrain, fire rained down.

Artillery and FPV drones engaged simultaneously. A company commander was eliminated in this attack. This single casualty triggered a domino effect.

The chain of command broke down, leaving the remaining Russian soldiers unable to receive orders.

Discipline completely collapsed in the units, which had already been suffering from food and water shortages for days.

The soldiers were left unsure of what to do. Some tried to press forward. The drones hunted them down.

Others attempted to retreat. Artillery fire cut off their paths. Not a single Russian soldier managed to enter the center of Hersa.

According to the Ukrainian general staff, a total of 29 Russian attacks in the direction of Pukovsk were repelled that day.

Russian offensives collapsed in every sector from Tetska to Mirnharad and from Rodinska to Adachna.

Let's go back a day. The picture was no different. On March 30th, the Russians were trying the same tactic, a motorized assault under a screen of fog and smoke.

Infantry groups supported by ATVs, motorcycles, and light vehicles were attempting to bypass Rashinia. The core stopped them as well.

With drone and artillery coordination, the Russian advance was once again halted. Footage from the front showed burning Russian vehicles scattered across open terrain.

March 28th was even more dangerous. This time, the Russians tried something different. They attacked from both flanks simultaneously using the small pinser tactic.

Simultaneous assaults were launched from both the Hasha and Rodinska directions. Poor weather conditions were making it difficult for Ukraine to conduct drone reconnaissance.

The Russians were looking for an opportunity amid this chaos. But Ukrainian paratroopers adapted. They switched to detecting the enemy using thermal imaging and acoustic sensors.

Street battles ensued. A Russian infiltration attempt from the eastern flank was blocked. Russian troops were unable to make any significant advances.

The positions remained in Ukrainian hands once again. Looking at March 27th, a broader picture emerges.

On that day, the core was not merely defending. It was systematically cutting off the T0515 highway, the main logistics route for Russian forces with drone strikes.

Russian reserve forces could not reach the front lines. Ammo convoys were being targeted and reinforcements were being destroyed on route.

For an army to fight on the front lines, its logistics supply line behind it must function.

Ukrainian paratroopers cut that line, and the Russians found themselves unable to both fight at the front and sustain themselves.

The same outcome persisted for 5 days. Ukrainian paratroopers halted every attack, thwarted every infiltration attempt, and turned Russia's Picrok fantasy into a nightmare.

But this 5-day picture is merely the final act of March. The true devastation becomes clear when looking at the entire month.

Between March 1st and March 31st, the toll of the Ukrainian airborne forces reached staggering figures.

3,11 Russian soldiers were taken out of action. But the losses were not limited to personnel.

6,989 unmanned aerial vehicles and 66 artillery systems were destroyed. Three tanks, six armored vehicles, 170 motorcycles and ATVs were reduced to scrap.

These achievements belong to a single core, and this core is holding one of Daetsk's most critical defense lines.

Take a moment to consider what this casualty rate means. On average, 100 Russian soldiers were taken out of action every day just by this unit alone.

Russia's total losses in the entire Afghanistan war were approximately 15,000 people. This core on its own inflicted 1/5if of those losses on Russia in a single month.

At this point, it is necessary to understand what the Ukrainian airborne forces are. These units are the elite elements of the Ukrainian army.

The 7th Rapid Reaction Corps is the heart of this structure. It includes units such as the 81st, 82nd, and 95th Brigades as well as the 132nd Reconnaissance Battalion.

This core is not a conventional defensive unit. It defends but immediately transitions to a counterattack.

And then small assault groups break through Russian positions to establish a bridge head. Russia's chief offensive doctrine melted away on the front lines of these units.

And now let's look at how a brigade attached to this core stopped the largest Russian mechanized offensive of 2026.

(NOTE: This is just the beginning! The full story and its incredible ending are waiting for you at the link in the comments below.)

👉 Tap "View all comments" to find the link and finish the journey. Wishing you a wonderful day filled with luck—stay true to your amazing, authentic self!!


A realidade do mal: o julgamento de Adolf Eichmann em 1961, em Jersualém, tese de Hannah Arendt - Zevi Ghivelder (O Globo)

Dica de leitura: Impressionante reportagem de Zevi Ghivelder sobre o julgamento de Eichmann há 65 anos

Artigo:
A realidade do mal
Único jornalista brasileiro a cobrir o julgamento de Adolf Eichmann, há 65 anos, relembra postura do nazista no tribunal em Jerusalém e contesta tese de Hannah Arendt de que um dos responsáveis pelo holocausto encarnou a ‘banalidade do mal’
Por Zevi Ghivelder
O Globo, 12/04/2026

O criminoso de guerra Adolf Eichmann. Nazista foi capturado pelo Mossad em 1961 e levado a julgamento em Jerusalém — Foto: AFP/11-4-1961

        Na data de 11 de abril, 65 anos atrás completados ontem, um generoso sol de primavera iluminava os tons dourados da cidade de Jerusalém. Naquele dia, às nove horas da manhã, haveria ali um evento histórico: o início do julgamento do criminoso de guerra Adolf Eichmann, um dos principais responsáveis pela execução da chamada Solução Final, o extermínio dos judeus na Europa ocupada pela Alemanha nazista.
        Para quem não sabe, ou não se lembra, Eichmann vivia com identidade falsa em Buenos Aires, onde se havia refugiado depois da guerra. Foi capturado em maio de 1960 pelo serviço secreto de Israel e levado para julgamento em Jerusalém.
        O austero auditório de um centro cultural da cidade foi transformado em tribunal, no qual durante seis semanas ocupei o assento número 18, na fila H, designado para a cobertura do julgamento pela revista semanal Manchete. Eu era o único brasileiro, ao lado de umas duas centenas de correspondentes internacionais.         Meu lugar ficava a pouca distância de uma jaula feita com vidros à prova de bala, o banco dos réus. Ao fundo, uma portinhola foi aberta no horário exato para dar passagem ao acusado.

Atento e alheio
        Adolf Eichmann entrou em sua jaula com o olhar fixo em algum ponto distante. Não chegou a se sentar porque todos os presentes, na plateia e no balcão lotados, se levantaram à entrada dos três juízes israelenses que o julgariam. Quando Eichmann ficou de pé, percebi que seu terno azul-marinho e a camisa branca pareciam ser de um número acima do seu tamanho. Não aparentava inquietação, mas não conseguia controlar a mão direita com um leve tremor, pouco perceptível, porém resistente.                 Conservou uma postura firme e ereta naquele momento, que decerto era o mais crucial de sua existência. Seria lugar-comum apontá-lo, naquela circunstância, como um homem frio e intrinsecamente perverso. Era surpreendente sua reação: parecia estar ao mesmo tempo tão atento como alheio àquele acontecimento em que era o foco central. Foi como um autômato que se sentou em frente a uma estreita mesa sobre a qual depositou uma pilha de papéis, que viria a consultar com frequência e sobre os quais fez anotações no decorrer do processo. Em seguida, ajeitou os óculos, colocou fones nos ouvidos para tradução simultânea e fixou o olhar na direção de seu advogado.
        Durante todo tempo observei que, se ele não fosse quem era, poderia ser tomado por um réu de colarinho branco ou um diligente funcionário de repartição municipal, examinando relatórios e anotando pareceres. Ele só demonstrou algum desconforto durante os impressionantes depoimentos de testemunhas do Holocausto. Os relatos dos sobreviventes eram inimagináveis. Enquanto os horrores e as atrocidades nazistas eram descritos, ele torcia o nariz para um lado ou para o outro.
        Somente uma vez o vi tirar um lenço do bolso e passá-lo sobre o rosto.
        O libelo do promotor israelense Hausner começou com um gesto teatral e impactante: ele apontou o braço para a jaula de vidro e exclamou: “Aqui estão ao meu lado seis milhões de inocentes assassinados.”
        O advogado alemão de Eichmann levantou uma objeção que parecia pertinente. Como seu cliente tinha sido sequestrado, e sendo o sequestro um ato ilegal, o julgamento deveria ser anulado. A promotoria estava preparada para essa argumentação. Hausner desfilou uma série de julgamentos em diferentes épocas e localidades, nos quais os réus tinham sido sequestrados e seus procedimentos penais haviam sido validados.
        A defesa tinha outra objeção: era inadmissível Eichmann ser julgado em Israel, onde ele não havia cometido nenhum crime e, portanto, a jurisdição era ilegal.
        O promotor rebateu: Eichmann era responsável por atos criminosos na Alemanha, na Polônia e na Hungria. Qual a jurisdição pertinente? Se fosse a Alemanha, o centro do nazismo, qual Alemanha, a Ocidental ou a Oriental?
        Como não havia uma jurisdição precisa para o réu, arguiu que esta deveria ser a da vítima. Quem era a vítima? O povo judeu. Quem representava o povo judeu? O Estado de Israel. Foi a tese que prevaleceu e, ao cabo do julgamento, Eichmann foi condenado à morte, consumada em julho do ano seguinte.
        As pessoas invariavelmente me perguntam se conheci em Jerusalém a pensadora judia-alemã Hannah Arendt, que cobriu o julgamento para a revista The New Yorker. Na verdade, àquela altura, eu não estava familiarizado com sua obra, nem com sua fisionomia. Mas conheci o pensamento de Arendt quando, um ano mais tarde, li seu livro “Eichmann em Jerusalém”, no qual elaborou uma tese que até hoje viraliza: Adolf Eichmann era a síntese da “banalidade do mal”. Com tal afirmação, expôs que Eichmann, assim como centenas ou milhares de seus similares, tinha sido tão somente um fiel cumpridor de suas obrigações como oficial nazista, não podendo ser diretamente responsabilizado pelos atos malignos que eventualmente tenha cometido. O mal se configurava como uma banalidade interposta em sua trajetória de obediência aos propósitos do Terceiro Reich.
        Hannah Arendt incorreu na negligência de omitir que Eichmann fora designado para chefiar a seção judaica do partido nazista em 1937. Além disso, naquele ano foi enviado para a Palestina para avaliar se os judeus alemães poderiam ser deportados em massa para o território sob administração britânica.
        Também não registrou que coube a Eichmann redigir a ata da Conferência de Wansee, em 1942, na qual foi definida a logística da Solução Final, que ele mesmo implementaria.
        Em seu livro, Hannah Arendt escreve que a Solução Final só pôde ser executada porque contou com a colaboração do establishment judaico. É uma afirmação insidiosa baseada em seu repúdio ideológico a qualquer establishment. Ela classifica como establishment os comitês judaicos que foram formados em guetos com a finalidade de dialogar com os alemães e na medida do possível retardar as deportações para os campos de extermínio. Os próprios membros desses comitês também foram executados.
        A tese da banalidade do mal, que a rigor deve dar lugar à tese da realidade do mal, acabou sendo demolida há dois anos, por conta da descoberta da gravação de uma entrevista que Eichmann concedeu a um jornalista holandês, em Buenos Aires, antes de seu sequestro. A certa altura, ele diz: “Apontam seis milhões de judeus mortos. Acho que poderíamos ter chegado a dez.”

‘Un momentito, señor’
Poucos anos depois do julgamento, fiz grande amizade com Zvi Malkin, conhecido como Zvika, o agente do Mossad que foi incumbido de interceptar Adolf Eichmann na Rua Garibaldi, localizada num subúrbio de Buenos Aires. Zvika me contou muitos pormenores da captura de Eichmann, que nunca foram divulgados. O maior cuidado da equipe de agentes israelenses era se certificar se aquele homem que vinham monitorando à distância era realmente o coronel nazista. Depois, coube a Zvika aprender a dizer em espanhol: “Un momentito, señor.”
        O criminoso nazista desceu de um ônibus e seguiu caminhando, quando foi abordado por Zvika, que lhe disse a frase decorada e deu mais um passo para capturar Eichmann. No entanto, foi ele quem segurou Zvika, e os dois caíram numa vala aberta junto à rua sem calçamento. Outro agente veio em socorro, e conseguiram arremeter Eichmann abaixo do banco traseiro de um automóvel.
        O carro partiu em velocidade e, minutos depois, já com o rosto encapuzado, ele murmurou: “Já sei que vocês são de Israel.”
        Zvika foi o primeiro a se comunicar com Eichmann, que lhe falou sobre a viagem à Palestina. Relatou ter admirado as conquistas dos judeus na agricultura, a modernidade que começava a chegar a Tel Aviv e até aprendeu o verso inicial do “Shemah”, a mais tradicional oração judaica, que recitou em hebraico. Zvika me revelou que quando ouviu aquele texto sagrado dito por Eichmann, soube se conter para não agredi-lo.
        Em outra ocasião, Zvika lhe falou que sua irmã e dois sobrinhos tinham sido mortos numa câmara de gás. Adolf Eichmann respondeu: “Sinto muito. Mas eles eram judeus, não eram?”
        O julgamento de Adolf Eichmann deixou o importante legado de estimular pesquisas e estudos sobre o Holocausto, que hoje se contam aos milhares.
        Além disso, reafirmou um princípio transcendental: cumprir ordens não exime de culpa.

 

O Livro do Nordeste II - André Heráclio do Rego e Mucio Aguiar; capítulo de Paulo Roberto de Almeida


Livro do Nordeste II

Participei, em 2025, com um capítulo no Livro do Nordeste II, uma homenagem aos 200 anos de vida do mais antigo jornal do Brasil e da América Latina, o Diário de Pernambuco, fundado em 1825, um ano e meio depois da revolução de 1824.

Um primeiro Livro do Nordeste, em 1925, aos cem anos do Diário, tinha um artigo de Oliveira Lima, discorrendo sobre as relações internacionais do Brasil de 1825 a 1925. Tive a honra de ser convidado pelo meu colega historiador, diplomata e editor, André Heráclio do Rêgo, a fazer o mesmo que Oliveira Lima, escrevendo sobre as relações internacionais do Brasil de 1925 a 2025, conforme este registro:

1615. “Um século de relações internacionais do Brasil, 1925-2025”, in: André Heráclio do Rego e Mucio Aguiar (orgs.), Livro do Nordeste II (Recife, PE: Associação da Imprensa de Pernambuco, 2025, p. 141-157; ISBN: 978-85-5726-003-0).
Disponível na plataforma acadêmica Academia.edu (link: https://www.academia.edu/164473055/4840_Um_seculo_de_relacoes_internacionais_do_Brasil_1925_2025 ) e no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/um-seculo-de-relacoes-internacionais-do_7.html ). Relação de Originais n. 4840.

Livro do Nordeste II

organização André Heráclio do Rêgo , Múcio Aguiar.

1. ed. -- Recife, PE: AIP, 2025; ISBN 978-85-5726-003-0

O indice é o seguinte:

INTRODUÇÃO, 9
O CENTENÁRIO DE UM DIÁRIO AMERICANO, 21
DIARIO DE PERNAMBUCO: UM JORNAL COMO ESPAÇO DE LIBERDADE, 27
O DIARIO DE PERNAMBUCO: UM LEGADO E SUA RELEVÂNCIA HISTÓRICA, 33
UM SÉCULO DE JORNALISMO EM PERNAMBUCO, 41
UM SÉCULO DE VIDA LITERÁRIA EM PERNAMBUCO, 53
O SUPLEMENTO LITERÁRIO DO DIARIO DE PERNAMBUCO, 63
MEMÓRIAS DE MÃOS GIGANTES, 73
GILBERTO FREYRE E O DIARIO DE PERNAMBUCO, 87
GILBERTO FREYRE, O RECIFE E OLINDA NAS PÁGINAS DO DIARIO DE PERNAMBUCO, 107
DOIS PERSONAGENS DA CULTURA BRASILEIRA:
GILBERTO FREYRE E ARIANO SUASSUNA, 123
O VIGOR DAS CONVICÇÕES: BARBOSA LIMA SOBRINHO, UM NACIONALISTA, 131
CEM ANOS DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DO BRASIL, 1925-2025, 141
MEMÓRIA DO MUNDO, 159
O NORDESTE DE DOM PEDRO II, 171
1925–2025: UM SÉCULO DE POLÍTICA NO NORDESTE, 187
OS “SANTOS” DO NORDESTE NAS PÁGINAS DO DIARIO DE PERNAMBUCO, 209
SECAS E DESERTIFICAÇÃO, 221
SABORES DO NORDESTE, 237
OS NOVOS MASCATES, 259
COMPLEXO INDUSTRIAL PORTUÁRIO DE SUAPE: O HUB LOGÍSTICO NO NORDESTE BRASILEIRO, 271


segunda-feira, 13 de abril de 2026

Leo XIV , a true pope

 “Are you deaf, blind, or simply too afraid to admit that this administration poisoned the system from top to bottom?” Pope Leo XIV said firmly, his voice echoing through the hall as his hand struck the table sharply.

The room instantly grew tense. This was not the calm, ceremonial tone people usually expected from a papal appearance — it was a moment of unmistakable moral confrontation. His voice carried deep intensity as he looked toward the audience and the cameras, making it clear that his words were meant to be heard without dilution.

“I have spent my life serving faith, conscience, and humanity,” he continued. “And what we have witnessed is not leadership — it is chaos, deception, and the arrogance of power imposed upon the public.”

Pope Leo XIV went on to accuse the administration of Donald Trump of “trying to bend reality until it submits,” arguing that truth had been treated as expendable in political battles.

“They shouted ‘fake news’ while suffocating the truth,” he said with visible disappointment. “That is not politics. That is a moral failure.”

Someone off camera reportedly attempted to intervene, perhaps worried about the diplomatic consequences of such direct criticism. The Pope responded with a calm but unmistakably dismissive gesture.

“Let us not pretend that silence serves justice,” he said. “If laws and institutions still carry meaning, then accountability must reach every level — advisers, enablers, and those who designed the system that allowed this disorder to flourish.”

Within minutes, the clip began spreading rapidly online. Supporters praised the Pope’s remarks as courageous and morally necessary, arguing that spiritual leaders have a responsibility to speak out when truth and justice are threatened. Critics, however, described the moment as unusually political for a pontiff and questioned whether such direct language blurred the traditional line between spiritual leadership and political debate.

Pope Leo XIV appeared unmoved by the controversy.

“I do not need permission to speak for truth and conscience,” he said calmly in closing. “History does not remember those who stayed silent when integrity was at stake.”

And with that, the room — filled with diplomats, journalists, and observers — fell into a heavy silence.

Don't miss out on the full story of Pope Leo XIV's powerful speech. Learn how integrity and accountability are essential in today’s world👉 https://ifeg.info/2026/04/08/pope-leo-xivs-bold-confrontation-a-call-for-truth-and-accountability/

O mundo ainda é uma selva, mas já devidamente cartografada - Paulo Roberto de Almeida

O mundo ainda é uma selva, mas já devidamente cartografada pelos seus “animais” carnívoros e herbívoros 

Paulo Roberto de Almeida

        Os EUA não são um “tigre de papel”: o potencial ofensivo de suas Forças Armadas, de sua inteligência e da sua rede de monitoramento exterior é, de longe, o monstro bélico mais poderoso do planeta, e da História, insuperável por qualquer outro adversário no horizonte histórico previsível, ainda alimentado por uma máquina econômica não alcançável por qualquer outro competidor nos anos à frente. Força bruta não é o problema desse “tigre”.
        O problema, grave, gravíssimo, é que o “tigre” foi capturado por um chimpanzé autocentrado, infantil, totalmente despreparado e absolutamente errático, que atua como um “domador” alienado quanto ao exercício das ações desse “tigre de aço”, e que o conduz por sendas incompatíveis com a trajetória mais adequada ao seu papel na ordem global que costumava ser administrada de forma racional, até ser capturado por esse chimpanzé tresloucado.
        Na verdade, o chimpanzé se submete a um urso envelhecido e semiparaplégico, mas pretende enfrentar e dominar um dragão rejuvenescido, com o qual poderia estabelecer uma convivência aceitável e até uma parceria benéfica a ambos numa administração condizente com a situação transitória da “selva” econômica mutuamente partilhável.
        Não é o que ocorre atualmente, pois o chimpanzé conseguiu produzir uma desordem indescritível na “selva” relativamente previsível, criada 80 anos atrás, desde sua última reorganização, após a derrota de hienas e chacais.
        Os herbívoros mais racionais deveriam juntar forças para conter, com a ajuda do dragão, os instintos mais primitivos desse tigre alienado e desse urso senil que causaram todos os estardalhaços indesejáveis desde o início do século.
        Uma nova cartografia poderia ajustar a convivência entre todos os animais, que reconhecem sua unidade fundamental, na igualdade soberana de todos eles, embora alguns animais sejam mais iguais do que outros. 
        Vai ser uma tarefa difícil, mas factível, desde que os herbívoros mais racionais se concertem entre si, sem qualquer ilusão quanto a um convencimento possivel dos atuais “trouble makers” dessa selva em fase de mutação.
        Uma proposta modesta por um mero observador do zoo civilizatório…

Paulo Roberto Almeida
Brasília, 13/04/2026

Caso Master: o Brasil entrou na era dos grandes crimes financeiros - Adriana Fernandes, Lucas Marxhesini (FSP)

Caso Master teve espionagem e envolveu uma teia de 216 fundos e 143 empresas

ADRIANA FERNANDES / LUCAS MARCHESINI

FSP 10.04.2026

Espiões contratados por Daniel Vorcaro já sabiam desde 23 de julho do ano passado que investigadores estavam muito perto de fechar o quebra-cabeça de fraudes que envolveram a tentativa de aquisição do Master pelo BRB (Banco de Brasília).

Naquele dia, uma ação de hackers conseguiu acessar toda a documentação do caso, que estava no computador do procurador Gabriel Pimenta, então responsável pela investigação criminal aberta pelo MPF (Ministério Público Federal) contra o dono do Master.

Só Pimenta tinha acesso aos arquivos do processo que foram parar no dia seguinte no celular do ex-banqueiro.

O acesso ilegal foi descoberto pelo procurador poucos dias após uma varredura nos sistemas pela área de tecnologia do MPF, mas o esquema de espionagem não parou por aí.

A despeito do nível 5, grau máximo de sigilo adotado pela Justiça, o ex-banqueiro também soube com antecedência que o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, havia assinado, por volta das 15h de 17 de novembro, o pedido para prendê-lo na primeira fase da operação Compliance Zero, que investigou a venda de R$ 12,1 bilhões de carteiras de crédito para o BRB.

O vazamento da operação deflagrou um contra-ataque do time de Vorcaro, segundo relatos feitos à Folha, numa sucessão de eventos comparada por investigadores a um enredo de filme policial. A jogada final de Vorcaro na tentativa de sair ileso seria a fuga do país.

Ao mesmo tempo em que corria para conseguir autorização pelos órgãos de controle do tráfego aéreo para um plano de voo para Malta, no Mediterrâneo, a defesa dele apresentava uma petição ao juiz para revogar qualquer medida cautelar que fosse expedida para evitar a prisão.

No final da tarde, a Fictor Holding Financeira anunciou uma proposta de compra do Master. Para investigadores, o lance não passou de um simulacro para facilitar a fuga de Vorcaro.

Mais cedo, entre 13h30 e 14h10, Vorcaro se reuniu, por videoconferência, com o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, com o então chefe do departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana, e o seu adjunto, Paulo Sérgio de Souza. Os dois últimos foram afastados do banco e são investigados por prestar suposta consultoria informal ao ex-banqueiro.

Na reunião, o dono do Master falou das iniciativas que estariam em curso em busca de uma solução de mercado que evitasse a liquidação do banco. O relato apresentado incluía a hipótese de venda da instituição a potenciais investidores estrangeiros. Ele chegou a informar que viajaria a Dubai para avançar nas tratativas.

A fala acendeu a desconfiança no BC do risco de fuga, reforçada pelo fato de que o ex-banqueiro tinha pedido para antecipar para aquela segunda-feira um encontro que estava marcado só para o fim daquela semana.

Enquanto as conversas com o BC aconteciam, a PF monitorava os passos de Vorcaro. Os policiais identificaram pelo menos três planos de voo. A defesa de Vorcaro sempre negou a tentativa de fuga, alegando que ele estava embarcando para Dubai para contatos com compradores.

Integrantes da corporação avaliam que a existência de mais de uma rota comprovaria que ele tentava fugir do país e que foi abastecido por informantes, como mostraram depois mensagens retiradas do celular trocadas com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o "Sicário".

Identificado pela PF como operador central de um grupo chamado "A Turma", ele coordenava atividades voltadas à obtenção de informações e monitoramento de pessoas e uso de violência.

Mourão morreu, no início de março, após tentativa de suicídio em uma cela da superintendência do órgão em Minas Gerais, segundo informações da PF, logo depois de ter sido preso na segunda fase da Compliance Zero.

ESTADO TERMINAL

A estratégia de Vorcaro não deu certo. Ele foi preso pela PF no aeroporto de Guarulhos na noite do dia 17. O colegiado do BC já tinha aprovado a liquidação do Master, quase na mesma hora em que o juiz assinou a prisão.

O anúncio só foi feito no dia seguinte (18) depois que o liquidante Eduardo Félix Bianchini entrou no prédio do Master em São Paulo. O BC concluiu que o conglomerado enfrentava uma crise crônica de liquidez, que evoluiu para uma crise aguda e insustentável:

"As estratégias de negócios inadequadas, acompanhadas de graves irregularidades e ilícitos (incluindo cessão de créditos inexistentes e descumprimento reiterado de normas regulatórias), aliadas à composição de ativos de baixa liquidez e à frustração de soluções de mercado, justificaram a adoção imediata de medidas saneadoras", justificou o BC em relatório ao TCU (Tribunal de Contas da União).

Funcionários antigos do BC contaram à reportagem que nunca tinham visto tanta pressão sobre o órgão. Em depoimento à CPI do crime organizado, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, relatou um episódio às vésperas da decisão de veto à operação com o BRB, em setembro, que retrata a situação:

"Na semana da rejeição da compra do BRB, eu me lembro de fazer o caminho da minha residência até o BC e não havia um ponto de ônibus em que não tivesse a foto de um diretor do BC [Renato Gomes] acusado por rejeitar a aquisição, [dizendo] que ele estava fazendo um trabalho político por estar rejeitando", contou.

Imagens com a foto do então diretor Renato Gomes, responsável pela área que analisou e recomendou o veto à operação, foram espalhadas em painéis luminosos gerenciados pelo Metrópoles em Brasília, apontando ele como responsável por dificultar o negócio. O ex-senador Luiz Estevão disse recentemente à Folha que os painéis exibem, além de propagandas, reportagens jornalísticas.

"Conforme conhecimento público, diversos veículos de comunicação firmaram contratos de publicidade com a dupla Master/BRB", completou.

Na véspera da negativa, partidos do Centrão na Câmara assinaram requerimento de urgência para um projeto de lei permitindo ao Congresso destituir presidentes e diretores do BC.

Os dois movimentos resultaram numa união maior no colegiado do BC, que no início do processo estava dividido. Essa fragmentação ficou representada pelos diretores Aquino, que defendia uma venda do banco, e Gomes, que era a favor de uma liquidação mais rápida.

No dia do anúncio da liquidação, o Master tinha em caixa R$ 4,8 milhões, enquanto os vencimentos de CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) eram de R$ 48,6 milhões naquela data. Somando os vencimentos de toda aquela semana, o passivo era de R$ 123,8 milhões.

O banco de Vorcaro terminou com um déficit de liquidez imediato superior a 2.400%. Ao TCU, o BC disse que a liquidação reduziu os custos para a sociedade e o FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Procurada nesta quinta (9) e sexta-feira (10), a defesa de Vorcaro não se manifestou.

TEIA DE FUNDOS E EMPRESAS

As fraudes do Master contavam com pelo menos 216 fundos diferentes e 143 empresas, de acordo com levantamento da Folha, que começou a ser montado a partir de janeiro deste ano. Um software especial foi utilizado para montar as conexões como se fossem um sistema solar e seus satélites. A lista é abastecida regularmente.

O fio dessa rede começou a ser puxado com base nos seis fundos da Reag, identificados como suspeitos pelo BC na investigação sobre o Master: Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna. Juntos, eles tinham um patrimônio líquido de R$ 102,4 bilhões.

Nesses fundos estão os ativos usados por Vorcaro para operar as fraudes, como os papéis podres do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), conhecidas como cártulas, e créditos de carbono.

Esses ativos de difícil avaliação tinham o seu valor estimado como bilionário pelos fundos. A partir daí, suas cotas se valorizavam.

O dinheiro obtido era injetado em outros fundos e empresas da ciranda de fraudes. Em um desses casos, o dinheiro serviu para comprar a mansão de R$ 36 milhões que Vorcaro usava quando estava em Brasília e que foi frequentada por autoridades.

LINHA DO TEMPO

3 de setembro de 2025

BC veta o pedido de autorização para venda de ativos do Master para o BRB. O indeferimento foi fundamentado no fato de que a operação não satisfazia o requisito de viabilidade econômica-financeira exigido para esse tipo de transação

23 de setembro de 2025

Vorcaro vende sua participação na seguradora Kovr para os sócios minoritários no negócio e tenta renovar a linha de assistência do FGC com promessa de venda de outros ativos pessoais

30 de setembro de 2025

Reportagem da Folha revela que a PF abriu inquérito sigiloso sobre o banco Master após o BC denunciar suspeitas de fraudes ao MPF. Com o inquérito, Vorcaro não tem mais chance de renovação de linha no FGC devido à cláusula das regras contratuais do fundo

Novembro de 2025

BC faz nova comunicação ao MPF após descobrir novos indícios de crimes de desvio de recursos e gestão fraudulenta

17 de novembro de 2025

Reunião entre Vorcaro e a supervisão do BC, entre 13h30 e 14h10, sem apresentação de propostas formais de solução. É protocolada no mesmo dia proposta de sócios da Fictor para aquisição do Master. Operação é anunciada no final da tarde

17 de novembro de 2025

Diretoria do BC aprova a liquidação extrajudicial dos bancos Master, Master de Investimentos, Letsbank, Master corretora e Raet (Regime de Administração Especial Temporária) para o Will Bank. Vorcaro é preso no Aeroporto Internacional ao tentar embarcar em jatinho particular ao tentar embarcar para Dubai.

18 de novembro de 2025

Anúncio da liquidação é feito na manhã do dia seguinte após liquidante entrar na sede do Master em São Paulo


domingo, 12 de abril de 2026

A cultura da esquerda: sete pecados dialéticos que atrapalham seu desenvolvimento - Paulo Roberto de Almeida (Espaço Acadêmico)

Dez anos depois de escrito e publicado, um leitor autodesignado Epicuro, me questiona sobre este artigo, perguntando se eu ainda me encontro trabalhando sobre o assunto. Tive de responder que eu sempre me ocupo de assuntos importantes.
Segue o registro, cujo link ainda funciona. Parece que esquerdistas ainda ficam incomodados com os meus arrgumentos, por isso deixo o registro aqui.

1412. “A cultura da esquerda: sete pecados dialéticos que atrapalham seu desenvolvimento”, Brasília, 25 março 2005, 22 p. Comentários sobre obsessões da esquerda (antimercado, igualitarismo, estatismo, etc.), que conformam pensamento ultrapassado para suas tarefas políticas. Publicado na revista Espaço Acadêmico (a. IV, n. 47, abr. 2005; link: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/58847; pdf: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/article/view/58847/751375152060 . Objeto de crítica de Robinson dos Santos, intitulada “‘Milk-shake’ indigesto ou sete equívocos de uma crítica à esquerda?: Réplica a Paulo de Almeida” (Espaço Acadêmico, na. IV, n. 48, abr. 2005). Feita tréplica registra em Trabalhos n. 1425, publicada no número de junho. Reproduzido no blog português “O Insurgente”, em 10/2005, com comentários agregados por leitores de Portugal (registrados no dossiê 1412). Nova réplica de outro leitor, respondida com o trabalho n. 1432. Relação de Publicados n. 549.

Resumo:
Identificação e discussão de sete equívocos que dificultam a formulação de políticas públicas que permitiriam um processo de crescimento sustentado, com transformações tecnológicas e desenvolvimento social qualificado, nomeadamente os seguintes:

1) A esquerda é estupidamente anti-mercado
2) Ela é (falsamente) igualitarista
3) Ela se posiciona contra a “democracia formal”, preferindo a “democracia real”
4) A esquerda é geralmente estatizante (o que é, realmente, uma pena)
5) Ela é anti-individualista, preferindo os “direitos coletivos”
6) Ela é tristemente populista e popularesca
7) Também costuma ser voluntarista e anti-racionalista

(...)


Monteiro Lobato: pioneiro do petróleo no Brasil - Paulo Roberto de Almeida (Revista de História da Biblioteca Nacional)

A Revista de História da Biblioteca Nacional, enquanto existiu, me pediu um artigo de divulgação geral sobre o papel de Monteiro Lobato na história do petróleo no Brasil. Escrevi esse artigo na China, em 2010.

Monteiro Lobato: pioneiro do petróleo no Brasil

Escritor antecipou, meio século atrás, a condição do Brasil como grande produtor
Publicado sob o título “Um Agitador Petrolífero”, Revista de História da Biblioteca Nacional (Edição Especial n. 1, História da Ciência, outubro 2010, p. 40-43; ISSN: 1808-4001). Relação de Originais 2158. Relação de Publicados n. 1002.

O nome de José Bento Monteiro Lobato domina a primeira história do petróleo no Brasil. Despertado para a importância crucial do petróleo para o desenvolvimento nacional pelo exemplo dos Estados Unidos, ele começou cedo: já em 1918, fundou a Empresa Paulista de Petróleo, sem que, no entanto, dela adviessem resultados concretos, à falta de capitais, equipamentos e competências. Durante sua estada como adido comercial no Consulado do Brasil em Nova York, entre 1928 e 1931, Lobato aprofundou seus conhecimentos no setor. De volta ao Brasil, empreendeu campanhas de mobilização pública e de incitamento à ação do Estado em direção da libertação do Brasil do petróleo importado.
Suas iniciativas eram dotadas de otimismo exagerado e o que mais ele acumulou, ao longo dos anos, foram frustrações e decepções com prospecções mal-sucedidas. Os insucessos não o esmoreceram; Lobato conduziu, através da imprensa e de sua editora, um esforço intenso para conscientizar o país e as autoridades da necessidade de encontrar petróleo, contra a “má vontade da geologia”.
Em 1934, Lobato escrevia a um amigo: “Se o governo não me atrapalhar, dou ferro e petróleo ao Brasil em quantidades rockefellerianas”. Investindo contra as autoridades do setor, ele se convenceu, nessa época, que o principal culpado pela não descoberta de petróleo era o Serviço Geológico Nacional, cuja política, para ele, encampava a dos “trusts” internacionais: “não tirar petróleo e não deixar que ninguém o tire”.
As Forças Armadas, conscientes da fragilidade estratégica do País, impulsionavam os esforços nessa área. A elas foi dedicado seu livro-denúncia, O Escândalo do Petróleo, que teve três edições no mês do seu lançamento (agosto de 1936) e várias outras ao longo dos anos. O papel fundamental de Lobato, nessa fase, foi o de um agitador petrolífero, quase um panfletário. Ele chegou a exibir uma atitude conspiratória, acusando os “trusts” internacionais e as próprias autoridades nacionais de agir contra a extração de petróleo no País:
O petróleo está hoje praticamente monopolizado por dois imensos trusts, a Standard Oil e a Royal Dutch & Shell. Como dominaram o petróleo, dominaram também as finanças, os bancos, o mercado do dinheiro; e como dominaram o dinheiro, dominaram também os governos e as máquinas administrativas. Esta rede de dominação constitui o que chamamos os Interesses Ocultos. (...) Os trusts sabem de tudo [e] lá entre si combinaram: – Nada mais fácil do que botar um tapa-olho nessa gente. Com um bom tapa-olho, eles, que vegetam de cócoras sobre um oceano de petróleo, ficarão a vida inteira a comprar o petróleo nosso; enquanto isso, iremos adquirindo de mansinho suas terras potencialmente petrolíferas, para as termos como reservas futuras. Quando nossos atuais campos se esgotarem, então exploraremos os “nossos” campos do Brasil.

A origem do livro foi uma carta aberta dirigida por Lobato ao Ministro da Agricultura, denunciando dois técnicos estrangeiros do Departamento Nacional de Produção Mineral pela “venda de segredos do subsolo a empresas estrangeiras”. Diante da grave denúncia, o presidente Getúlio Vargas determinou a instalação de uma Comissão de Inquérito, à qual Lobato ofereceu um depoimento escrito, que veio a ser o núcleo de seu livro.
Para o escritor paulista, a Lei de Minas, elaborada pelo DNPM, criara embaraços “para impedir que os trusts estrangeiros se apossassem das riquezas do nosso subsolo. Mas como para embaraçar os estrangeiros fosse necessário também embaraçar os nacionais, resultou o que temos hoje: o trancamento da exploração do subsolo, tanto para nacionais como para estrangeiros – exatamente o que os trusts queriam...” Lobato desconfiava “de todas as entidades estrangeiras que se metem em petróleo no Brasil, já que a intenção confessada não é tirá-lo, e sim, impedir que o tiremos”. Curiosamente, mesmo denunciando a ação dos “trusts” internacionais, Lobato não era contra a participação do capital estrangeiro na exploração do petróleo, e lamentava a postura nacionalista do Código de Minas:
Não sou chauvinista, nem inimigo da técnica e das empresas estrangeiras. Reconheço a nossa absoluta incapacidade de fazer qualquer coisa sem recurso ao estrangeiro, à ciência estrangeira, à técnica estrangeira, à experiência estrangeira, ao capital estrangeiro, ao material estrangeiro. Tenho olhos bastante claros para ver que tudo quanto apresentamos de progresso vem da colaboração estrangeira. E nesse caso do petróleo nada faremos de positivo, se insistirmos em afastar o estrangeiro e ficarmos a mexer na terra com as nossas colheres de pau.

Frustrado com o insucesso de sua campanha junto aos adultos, Monteiro Lobato leva o tema ao público infantil: em outubro de 1937 é lançado O Poço do Visconde, apresentado como um livro de “geologia para crianças”, mas que constituía um manifesto em favor da descoberta e da exploração do petróleo no Brasil.
Não obstante o empenho das autoridades na viabilização da exploração do petróleo, Monteiro Lobato estava convencido de que o governo agia contra as companhias privadas, sabotando suas atividades de empreendedor. Escrevendo, em 1938, a Getúlio Vargas, ele investia contra o diretor do Departamento Nacional da Produção Mineral, autor do Código de Minas, acusando-o de ser “agente secreto dos Poderes Ocultos hostis ao petróleo brasileiro”. Em janeiro de 1940, o presidente sancionou o novo Código de Minas, confirmando todas as disposições nacionalistas existentes e exigindo, dos candidatos ao direito de pesquisar ou lavrar jazidas, “prova de capacidade financeira”, o que foi recebido por Monteiro Lobato como um óbice às suas iniciativas.
Em carta ao general Góis Monteiro, chefe do Estado Maior do Exército, no início de 1940, ele volta às acusações: “sou obrigado a continuar na campanha, não mais pelo livro ou pelos jornais, porque já não temos a palavra livre, e sim por meio de cartas aos homens do Poder”. Ele então acusa o CNP de agir em favor dos “interesses do imperialismo da Standard Oil e da Royal Dutch”, perpetuando “a nossa situação de colônia econômica dos trustes internacionais”. Sua carta mais desafiadora, em maio de 1940, foi dirigida ao próprio chefe de Estado, quando acusou o CNP de perseguir as empresas nacionais, de criar embaraços à exploração do subsolo e de manter a “idéia secreta” do monopólio estatal.
Getúlio Vargas consultou o presidente do CNP, general Júlio Horta Barbosa, que, em agosto de 1940, desmentia as acusações de Lobato: “àqueles que se dispõem a cumprir a lei o Conselho tem tudo facilitado, mas ao que pretendem burlá-la, como é o caso do Sr. Monteiro Lobato, este organismo, como é de seu dever, vem, não só se opondo, como também dando publicamente as razões [de] porque o faz”. Entre as irregularidades das empresas de Lobato eram apontadas a insuficiente provisão de fundos e a nacionalidade estrangeira de alguns dos seus sócios. Ato contínuo, Horta Barbosa enviou ofício ao Tribunal de Segurança Nacional no qual pedia abertura de inquérito contra o escritor. Esta é a origem das duas prisões de Lobato, em janeiro e em março de 1941, por “injúrias aos poderes públicos”.
Monteiro Lobato se batia pelo petróleo nacional com todas as suas forças, movido bem mais pelo instinto do que pelo conhecimento técnico e pela boa informação geológica. Sua atividade empresarial foi quase amadora – daí a razão do não-credenciamento de suas “empresas de petróleo” pelo CNP – e sua agitação panfletária estava no limite das ofensas às autoridades governamentais. Ele tocava, porém, nos pontos que a seu ver dificultavam e atrasavam a exploração do petróleo no país. Numa carta a Getúlio Vargas de maio de 1940, ele assim se pronunciava em relação ao pretendido monopólio estatal que se cogitava criar nessa área: “Outro aspecto do monopólio é a impossibilidade de o Governo criar com ele a grande indústria do petróleo de que o Brasil precisa. O senhor não ignora a incapacidade do Estado, no mundo inteiro, para dirigir empresas industriais, incapacidade por demais evidente no Brasil. O Lóide Brasileiro e a Central do Brasil são casos típicos.”
Monteiro Lobato se insurgia contra geólogos e funcionários do governo que não estivessem de acordo com suas iniciativas empresariais, confundindo muitas vezes a cautela necessária com que eles viam seus rompantes de entusiasmo pela causa do petróleo com o que ele considerava ser uma sabotagem deliberada em torno desses empreendimentos. Grande escritor, mas dotado de conhecimentos escassos na geologia do petróleo, Lobato agitou mais do que qualquer outro homem público o problema do petróleo no Brasil. Foi um nacionalista sem ser contrário ao capital estrangeiro, e antecipou uma realidade que se materializaria meio século depois de sua morte, em 1948.

Saiba Mais:
Azevedo, Carmen Lucia de; Camargos, Marcia Mascarenhas de Rezende; Sacchetta, Vladimir. Monteiro Lobado: Furacão na Botocúndia (3a. ed.; São Paulo: Senac, 2001)
Lobato, Monteiro. O Escândalo do Petróleo (4a. ed.; São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1936)
Vargas, Getúlio. A Política Nacionalista do Petróleo no Brasil (Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1964)
Victor, Mario. A Batalha do Petróleo Brasileiro (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1970)

Paulo Roberto de Almeida é doutor em Ciências Sociais (Universidade de Bruxelas, 1984) e diplomata de carreira desde 1977. Trabalhou no Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (2003-2007). É professor de Economia Política Internacional no Programa de Pós-Graduação em Direito do Centro Universitário de Brasília (Uniceub). E-mail: pralmeida@me.com.

[Beijing, 2158: 28 de junho de 2010]
Publicado sob o título “Um Agitador Petrolífero”, Revista de História da Biblioteca Nacional (Edição Especial n. 1, História da Ciência, outubro 2010, p. 40-43; ISSN: 1808-4001). Relação de Publicados n. 1002.

Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/165644966/2158_Monteiro_Lobato_pioneiro_do_petr%C3%B3leo_no_Brasil_2010_

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