Filantropia na China, segundo China Talk, um Substack que eu sigo (não pago).
Um dos sinais da prosperidade e do espírito americano, como sabemos, é a filantropia, ou seja, as doações de milionários e bilionários para o bem público, em museus, universidades, instituições não governamentais e até governamentais.
Como é na China? Aqui algumas informações:
Philanthropy is weak. The state is strong. Safety has to work the system to survive.
NICK CORVINO
China Talk, October 5, 2025
A Brief Overview of Chinese Philanthropy
China has plenty of billionaires. Forbes puts the number at 539 billionaires in China worth $2.2 trillion. (The US counts 989 billionaires worth $8.4 trillion.)
It would take only one or two of them getting really into AI safety to finance a sizable funding ecosystem. So why has no Chinese equivalent of Coefficient Giving emerged?
The answer is related to the strange structure of Chinese philanthropy.
The modern Chinese charitable sector as it exists today expanded rapidly after the 2008 Sichuan earthquake, but it was plagued from the start by corruption scandals, inconsistent regulation, and government concerns about grassroots organizations operating outside of the state’s purview.
To streamline the system, the 2016 Charity Law 慈善法 clarified the legal status of domestic philanthropy, tax incentives, and fundraising. Charities would have to register, disclose their finances, and accept government supervision.
The goal wasn’t to reduce or get rid of philanthropy. Beijing still wanted private money to support education, health, poverty relief, and other social services. But it wanted civil society to help deliver state-approved public goods, rather than become an independent source of political organization or agenda-setting. Article 4 of the Charity Law made this principle explicit enough by stating that “charity work shall be conducted under the leadership of the Communist Party of China.”³
Scholars Angela Bies and Scott Kennedy write:
“There exists a current paradox of philanthropy and the state in China: a stronger social sector accompanied with growth in philanthropy is desired, but such strength and growth must also contend with the state’s own policy agenda and desire to limit aspects of advocacy and civil society typically associated with the third sector.”
The Charity Law may have legitimized the sector, but it has not erased longstanding distrust. China has long ranked near the bottom of the Charities Aid Foundation’s World Giving Index, which measures behaviors including donating money and volunteering. In off-the-record conversations for this piece, I likewise heard skepticism about donating due to corruption."
Diplomatizzando
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 6 de outubro de 2026
Philanthropy is weak. The state is strong. Safety has to work the system to survive - Nick Corvino (China Talk)
Eleições e incerteza - João Rego (IED)
O editor da revista Será? (com a qual colaboro) e coordenador do Instituto Ética e Democracia, João Rego, se pronuncia sobre o quadro politico atual do Brasil, dos mais complicados.
Coloquei este texto de João Rego antes das eleições brasileiras do dia 4/10 e volto a reproduzi-lo no dia 6/10, pois o considero seminal, em termos pedagógicos e didáticos, sobre as incertezas e angústias de nossa frágil democracia, muitas vezes submergida pela barbárie, isto é, pela violência, como ocorreu nos EUA no dia 6/01/2021, e no próprio Brasil, em 8/01/2023. Que as lições sejam aprendidas por todas.
Eu o considero um texto, seminal (isto é, portador de frutos que projetam sua influência e determinação por longos anos sobre milhões de pessoas e sobre instituições) sobre as eleições brasileiras de 2026, com impulsos e determinantes de nossa convivência politica e econômica para os próximos anos e mais além, o que pesará sobre nossa evolução, nosso itinerário por algum tempo.
Paulo Roberto de Almeida
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ELEIÇÕES E A INCERTEZA
João Rego
Ontem, vendo os resultados das pesquisas, observa-se uma clara migração de eleitores de candidatos da segunda linha da direita para Flávio Bolsonaro.
No Sul, impressiona a força da direita mais radical. Lula, entretanto, mantém sua força no Nordeste e disputa espaços importantes no Sudeste. Aqui, como já era previsível, está solidamente à frente. No plano nacional, porém, as pesquisas revelam uma disputa apertada, com variações entre os diferentes institutos.
O mar de incertezas nos invade — e esta é a beleza da democracia. *A incerteza é prima legítima da tolerância:* quando ninguém pode ter antecipadamente a certeza de que sua vontade prevalecerá, somos obrigados a admitir a existência da vontade do outro. E, ao final, somos obrigados, por lei, a aceitar resultados que, às vezes, não são aqueles que esperamos — assim como na vida.
Os intolerantes, aqui e nos Estados Unidos, já mostraram que não aceitam resultados contrários à sua vontade, como vimos em 6 de janeiro de 2021, no Capitólio, e em 8 de janeiro de 2023, na Praça dos Três Poderes.
Que venham os desafios da democracia, pois essa mãe e herdeira dos valores civilizatórios nunca cessou de enfrentá-los.
Não se trata apenas de conflitos ideológicos. Estes talvez sejam expressões circunstanciais de uma luta muito mais profunda e milenar: *a luta entre a barbárie e a civilização — luta que funda nossa própria humanidade.*
A barbárie, lembro, está em cada ato de violência de um ser humano contra outro. Ela nos invade a cada guerra, revelando, de maneira espantosa, que conhecimento, técnica e método, conquistas da civilização, podem ser apropriados pela própria barbárie e colocados a seu serviço.
A democracia, depois de milênios de guerras e destruição — e isso a história nos mostra com dolorosas evidências —, talvez seja o *momento civilizatório supremo que a humanidade conseguiu atingir.*
E o mais surpreendente disso tudo acontece justamente na eleição.
É quando o poder concentrado nas instituições se abre e se pulveriza de forma microscópica. Por algumas horas, milhões de pequenas parcelas desse poder retornam às mãos dos cidadãos para que, por meio do voto, as instituições possam novamente se alimentar de legitimidade.
É como se o gigantesco Leviatã, imaginado por Thomas Hobbes, tivesse sido domesticado pela democracia : periodicamente, ele precisa retornar ao cidadão comum para renovar a legitimidade de sua força.
O pensamento político-filosófico e seus produtos — o conhecimento sobre o Estado e as formas de governo — vêm evoluindo há séculos para que este gesto aparentemente tão simples de votar esteja hoje em nossas mãos.
Milhares lutaram, morreram e foram sacrificados para que chegássemos até aqui.
Por isso, quando for à urna expressar o meu voto, não estarei apenas escolhendo um candidato.
Estarei, com milhões de outros cidadãos, refundando de forma celular a democracia e demarcando, de maneira indelével, a barreira que separa a civilização da barbárie.
Recife, 4 de outubro de 2026
João Rego é presidente do IED — Instituto Ética e Democracia.
www.eticademocracia.org
REFERÊNCIAS
HOBBES, Thomas. Leviatã ou matéria, forma e poder de um Estado eclesiástico e civil. São Paulo: Abril Cultural, 1980. (Coleção Os Pensadores);
6 de janeiro de 2021 — Estados Unidos. Invasão do Capitólio, em Washington, por apoiadores de Donald Trump durante o processo de certificação, pelo Congresso, do resultado da eleição presidencial de 2020.
8 de janeiro de 2023 — Brasil. Invasão e depredação das sedes dos Três Poderes — Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e Palácio do Planalto —, em Brasília, por participantes de manifestações contrárias ao resultado da eleição presidencial de 2022.
#Eleições2026 #EleiçõesBrasil #Democracia #Voto #Cidadania #EstadoDemocráticoDeDireito #Tolerância #Civilização #Liberdade #RevistaSerá
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Madame IA analisa em profundidade a substância e a forma do Diplomatizzando, com observações tópicas muito pertinentes
- Direitos Autorais e Treinamento de Modelos: A terceira dica sugere a criação de um chatbot treinado exclusivamente com o acervo do autor. Sob o aspecto legal, isso levanta o debate sobre a "limitação de dados" (opt-out ou opt-in) e a criação de ecossistemas fechados de copyright. Ao restringir o escopo do robô aos seus próprios textos, o autor contorna o problema do plágio algorítmico, criando um modelo jurisdicionalmente seguro de licenciamento de sua própria obra para fins de IA.
- A Transmissão de Direitos e a Clonagem de Voz: A sugestão de usar clonagem de voz por IA para ler os ensaios (Dica 2) esbarra em discussões jurídicas recentes sobre os direitos de personalidade, biometria e a proteção da identidade vocal contra o uso não autorizado. Embora o uso aqui seja consentido e autoral, a tecnologia cria precedentes complexos de preservação de direitos patrimoniais após a morte do autor.
- Migração de Plataforma e Monetização da Atenção: A recomendação de migrar do Blogger para o Substack (Dica 1) aponta para uma tendência macroeconômica da Creator Economy (Economia dos Criadores). O Blogger opera em um modelo descentralizado focado em busca orgânica (SEO). Já o Substack internaliza a cadeia de valor ao transformar leitores em assinantes diretos por e-mail. Economicamente, isso representa a troca de uma audiência passiva (tráfego de busca) por ativos de dados proprietários (lista de e-mails), aumentando o valor intangível do acervo analítico.
- Conteúdo Evergreen como Ativo de Longo Prazo: A IA identifica os mais de 20 anos de postagens do Diplomatizzando como "conteúdo perene" (evergreen). Economicamente, reaproveitar análises passadas para explicar o presente através de newsletters de resgate (Dica 4) dilui drasticamente o custo marginal de produção de conteúdo, maximizando o retorno sobre o investimento de tempo intelectual já realizado.
- A Democratização do Conhecimento Estratégico: A proposta de criar pontes intergeracionais com influenciadores digitais mais jovens de Relações Internacionais (Dica 6) tem uma dimensão política importante. Historicamente, o debate sobre política externa e geopolítica no Brasil esteve confinado em círculos herméticos (o próprio Itamaraty e grandes universidades). A transição sugerida pela IA tenta democratizar a cultura de Estado, inserindo rigor documental e factual nas plataformas hiperdinâmicas consumidas pela juventude.
- A Síntese Narrativa na Disputa de Narrativas: Ao sugerir formatos como YouTube Shorts ou Instagram Reels (Dica 2), a IA propõe que o autor dispute espaço nos ecossistemas de informação onde a guerra cultural e geopolítica moderna é travada. Reduzir ensaios densos a pílulas audiovisuais é uma resposta à saturação informativa e à necessidade de fincar marcos de racionalidade em ambientes altamente polarizados e propensos à desinformação.
- A Falência Tecnológica do Modelo Web 2.0: O Blogger, embora robusto para indexação textual tradicional, é uma plataforma tecnologicamente obsoleta diante da Web 3.0 e das buscas semânticas. A análise expõe que a barra de pesquisa tradicional por palavras-chave falia em recuperar a riqueza de um acervo massivo.
- Busca Semântica vs. Busca por Palavras-Chave: A implementação de um assistente de IA na barra lateral redefine a arquitetura da informação. O usuário deixa de indexar termos exatos e passa a dialogar com o banco de dados em linguagem natural. Tecnologicamente, isso transforma o blog de uma página estática de leitura para um ambiente dinâmico de computação cognitiva baseada em Retrieval-Augmented Generation (RAG).
- A Diluição da Densidade vs.Eficiência Comunicativa: O principal dilema filosófico do texto reside no embate entre a profundidade do pensamento humanista clássico e a fragmentação do consumo moderno. A IA insiste que "o foco não deve ser a diluição do conteúdo denso", mas suas soluções (cortes de vídeo, podcasts de bolso, respostas mastigadas por IA) flertam inevitavelmente com a simplificação. Há um risco ético-epistemológico de o leitor abdicar da leitura crítica e linear do ensaio completo para se satisfazer com o resumo gerado pelo chatbot.
- A Simbiose Epistêmica: O texto demonstra uma evolução na percepção da IA pelos intelectuais liberais clássicos. Em vez de ser vista como uma ameaça à autoria, a ferramenta é adotada como um "copiloto editorial" e arquivista. O ecossistema ilustra a máxima popperiana citada no próprio blog: o dever do cientista e do intelectual é comunicar-se de forma clara e acessível para garantir a sobrevivência da sociedade aberta, utilizando-se, para isso, dos meios técnicos mais avançados de sua época.
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Madame IA faz uma análise critica de todos os meus blogs
Uma análise detalhada e altamente crítica desse conjunto de vários blogs do diplomata PRA. Ou seja, aspectos positivos e negativos; correlações e contradições; enfim, sempre mostrar "os dois lados da mesma moeda" (digo, do conjunto de blogs do diplomata PRA...).
- Profundidade Documental Sem Paralelos: O conjunto de blogs funciona como uma verdadeira "cápsula do tempo" da história política e econômica brasileira do século XXI. O nível de detalhamento ao registrar programas econômicos na íntegra (como nas eleições de 2006 e 2010) oferece a pesquisadores e cientistas políticos um material primário purificado e centralizado, algo raro na internet atual.
- Erudição Transdisciplinar: PRA cruza com maestria as barreiras da diplomacia, da economia de mercado liberal, da sociologia e da literatura clássica. Seus textos não são reações superficiais; são fundamentados em pensadores que vão de Alexis de Tocqueville e Eugênio Gudin a Steven Pinker e Barry Eichengreen.
- Estilo Literário Distinto: Diferente da velocidade efêmera e descuidada das redes sociais modernas, o autor preza pela clareza, pela correção estilística e pelo resgate de formatos esquecidos, como as crônicas e os ensaios analíticos mais longos.
- Caos e Fragmentação Estrutural: A decisão do autor de criar um blog para cada assunto ou pleito eleitoral fragmentou sua audiência e sua relevância de busca. O próprio PRA assume que o Textos PRA é uma "biblioteca mal arrumada e mesmo caótica". Plataformas como o Eleições 2006 ou Shanghai Express foram abandonadas após o esgotamento de seus ciclos temporais, transformando o ecossistema em um cemitério de links com baixa manutenção técnica.
- Ausência de Contraponto Dialético:Embora o autor se declare um entusiasta do debate rico, inovador e divergente no DiplomataZ, os espaços de comentários de quase todos os blogs são desertos ou desativados. O leitor não assiste a um debate; ele consome um monólogo acadêmico.
- Doutrinação Ortodoxa: A crítica política do autor frequentemente abandona a neutralidade diplomática para adotar um tom panfletário agressivo. Termos como "máfia sindical", "república pelega" ou "câncer que tomou conta do país" reduzem análises que poderiam ser puramente técnicas a trincheiras ideológicas de paixões partidárias.
- O Casamento entre Diplomacia Econômica e Liberalismo: Seja analisando o mercado asiático no Shanghai Express, resenhando biografias no Book Reviews ou dissecando promessas eleitorais no Eleições 2010, o autor opera sob o mesmo filtro: a defesa intransigente do livre mercado, da responsabilidade fiscal e do afastamento do Estado como indutor da economia.
- A Linha Auxiliar do Diplomatizzando:Todos os braços digitais (como Textos PRA, PRA Academia e Vivendo com Livros) funcionam como satélites organizados para desonerar seu blog principal. Eles se correlacionam para construir uma persona pública muito clara: a do diplomata-intelectual que se recusa a se submeter ao pragmatismo político de governos de turno.
- A Pluma Versus a Espada Funcional:No poema alegórico "A Espada e a Pluma", o autor coloca a pluma (as ideias, a escrita) como um instrumento libertário que busca salvar as pessoas da opressão exercida pela força da espada (o Estado, as burocracias). Contudo, o próprio PRA construiu toda a sua carreira profissional de sucesso como um alto funcionário do Estado — o Itamaraty —, que detém o monopólio da força e da burocracia que ele tanto critica em seus textos.
- O Antiestatismo Financiado pelo Estado: Blogs como PRA Academia e Textos PRA tecem críticas ferozes ao planejamento estatal, ao corporativismo e aos "cabides de emprego comissionados". No entanto, a sólida formação acadêmica do autor, suas missões internacionais e o próprio tempo livre para manter mais de uma dezena de blogs foram viabilizados por sua estabilidade funcional como servidor público de uma das corporações mais tradicionais e fechadas do país.
- A Defesa do Livre Debate Sem Interação: O autor frequentemente critica o "pensamento único" e a incapacidade das elites brasileiras de aceitarem visões não convencionais. Paradoxalmente, seus blogs utilizam uma plataforma engessada, unidirecional, sem moderação ativa de debates ou abertura para que vozes verdadeiramente dissonantes (como economistas heterodoxos ou de vertentes de esquerda) construam um diálogo simétrico nos seus espaços de publicação.
Madame IA faz um resumo de minha lista resumida de todos os blogs que criei e alimentei nos últimos 21 anos Paulo Roberto de Almeida
Madame IA faz um resumo de minha lista resumida de todos os blogs que criei e alimentei nos últimos 21 anos:
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O capítulo fiscal do próximo governo, qualquer que seja ele - Élida Oliveira (InfoMoney)
Diplomatas estrangeiros no Brasil: carreira e oportunidade de formação acadêmica - Paulo Roberto de Almeida
DIPLOMATAS ESTRANGEIROS NO BRASIL:
Carreira e oportunidade de formação acadêmica
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor
Notas para intervenção em curso do Instituto Diplomacia em 5/10/2026, 19h30
Quantos são os diplomatas estrangeiros no Brasil?
Número impreciso, mas as embaixadas podem alcançar mais de 150 países com os quais o Brasil possui relações diplomáticas ativas, sendo mais de 130 com embaixadas residentes em Brasília, os demais tendo cumulatividade com alguma outra embaixada na região ou até na sede da ONU em NY. Considerando uma média de 6 diplomatas por embaixada – embora alguns países possuam bem mais, podemos estimar que existem, vivendo temporariamente em Brasília, cerca de 780 diplomatas estrangeiros, de diversos níveis, acreditados junto à nossa chancelaria, todos eles desfrutando dos privilégios e direitos concedidos pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (1961).
Ademais dos diplomatas exercendo suas funções junto às suas respectivas embaixadas, existem diversos outros vinculados a atividades consulares, que, em alguns países, são distintas das funções propriamente diplomáticas (como era o caso do Brasil até os anos 1930, duas carreiras distintas). Difícil calcular o número exato desses diplomatas lotados em postos consulares em SP, RJ e outras capitais.
Talvez um terço, ou mais, desses diplomatas, sejam secretários em começo de carreira, seguidos por conselheiros, de idade média, ministros, que são mais seniores, e os embaixadores, nem todos de carreira, muitos designados politicamente pelos seus respectivos chefes de Estado.
Com exceção dos próprios embaixadores e encarregados de negócios, todos os demais diplomatas podem, teoricamente, dedicar-se ao aperfeiçoamento de suas respectivas carreiras diplomáticas, embora nem todos o façam, pois já foram, digamos assim, formados e treinados originalmente em suas respectivas capitais, em âmbito universitário (onde a maior parte é recrutada) ou pelas próprias academias diplomáticas, para os países que os têm. Não é incomum que diplomatas em início de carreira decidam reforçar sua preparação intelectual, suas aptidões profissionais, seguindo cursos geralmente vinculados às relações internacionais, nos países onde servem.
Muitos diplomatas brasileiros, inclusive eu mesmo, se formaram no exterior ou obtiveram títulos de pós-graduação em universidades estrangeiras, assim como os diplomatas estrangeiros lotados no Brasil possam fazê-lo, previamente ou concomitantemente ao trabalho na embaixada em Brasília ou em consulados em algumas capitais de estados.
O Brasil possui, desde 1946, uma academia diplomática, o Instituto Rio Branco, que desde essa data possui o monopólio do recrutamento e formação de diplomatas para a carreira profissional, com etapas ulteriores de aptidão como condição para a promoção, o que pode existir também em outros serviços diplomáticos. No caso do Brasil, ademais do curso de preparação à carreira diplomática – antes de dois anos, agora mais curto, com eventual estágio no exterior –, os segundos secretários são chamados a passar por um Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas (CAD, que são provas escritas), como condição à promoção ao escalão superior, assim como os conselheiros precisam necessariamente ser aprovados no Curso de Altos Estudos (CAE) para poderem ascender a ministros de segunda classe, o que implica na preparação e defesa de uma dissertação (algumas vezes chamada de tese), com uma temática possuindo relevância funcional para a diplomacia brasileira.
O IRBr desde algum tempo, nos anos 1970, provavelmente, passou a admitir como estudantes bolsistas diplomatas iniciantes de outros países, geralmente da América Latina, logo em seguida dos países lusófonos saídos da tardia descolonização portuguesa. Eu mesmo, quando professor no Instituto Rio Branco, na segunda metade dos anos 1980, tive como alunos diversos jovens diplomatas vindos de Angola, de Moçambique, de Guiné Bissau e de São Tomé e Príncipe, países independentes desde 1975. Continuamos a receber estudantes estrangeiros, também diplomatas lotados em Brasília, inclusive alguns de países europeus, alguns vindos diretamente como estudantes. Trata-se de um programa muito exitoso do Itamaraty, pois muitos desses “bolsistas” podem ter retornado como embaixadores de seus países em Brasília.
Existem inúmeras oportunidades de formação continuada no Brasil, embora poucas universidades brasileiras sejam realmente internacionalizadas, o que existe um conhecimento prévia da língua portuguesa para seguir alguns cursos. Creio que essa interação de formações de brasileiros no exterior, e a de jovens diplomatas estrangeiros no Brasil, vai continuar sendo feita nos moldes atuais ou vai se expandir ainda mais, tendo em conta os progressos já feitos e a serem alcançados nos meios e sistemas de comunicação e de interface linguística.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5484: 5 outubro 2026, 2 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/diplomatas-estrangeiros-no-brasil.html
Madame IA analisa os resultados das eleições gerais do Brasil - Airton Dirceu Lemmertz
Madame IA analisa os resultados das eleições gerais do Brasil no primeiro turno em 4/10/2026, ela que é isenta politicamente, ideologicamente, e até de gênero, a despeito de eu considerá-la uma demoiselle:
Postagem em destaque
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