A política externa paralela do lulopetismo diplomático:
uma entrevista de 2016 resumida por Demoiselle IA
em 2026
Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Entrevista concedida em de 2016, que foi
objeto de resumo pela IA em 2026.
Em outubro de 2015, recém
reincorporado ao trabalho ativo no Itamaraty, como diretor do Instituto de Pesquisa
de Relações Internacionais, vinculado à Funag (Itamaraty), amigos das Forças
Armadas apreciadores de minhas posições em matéria de política externa e de
diplomacia, sugeriram que eu concedesse uma entrevista a uma nova organização
de comunicação social, da qual eu nunca tinha ouvido falar, uma tal de Brasil
Paralelo, que pretendia estimular uma visão diferente da política e da economia
do Brasil, supostamente de visão liberal e oposta, portanto, à versão lulopetistas
da diplomacia, que havia dominado não só o Itamaraty como quase toda a academia
brasileira desde 2003, e se apresentava como a “versão progressista” da política
externa.
Sem saber exatamente o
tratamento que seria dado a essa entrevista, eu a concedi, sem qualquer roteiro
ou preparação, e sem notas de apoio, ou seja, de maneira completamente
improvisada. Apenas meses mais tarde tomei conhecimento que essa iniciativa do
Brasil Paralelo estava bem mais vinculada à extrema-direita, e que ela também
se caracteriza por uma grande dose de desonestidade intelectual, tanto quanto
os companheiros, cuja visão do mundo ela pretendia combater. Em todo caso, a
entrevista, de mais de uma hora, foi concedia, e apenas algum tempo depois eu
recebi os recortes efetuados pela gravação. A ficha dessa entrevista foi
efetuada da seguinte forma, onde também comparece o link para o YouTube, original
e retransmitida em meu canal, para os que desejarem assistir:
3047. “A política
externa paralela do lulopetismo diplomático”, Brasília, 14 outubro 2016,
gravação de entrevista, em vídeo, para servir como depoimento no quadro de
documentário do Brasil Paralelo, a realizar-se online no Brasil, em novembro,
com a participação de diferentes personalidades, em suporte puramente virtual. Entrevista
registrada na lista de trabalhos originais, em 15/10/2016, por nota divulgada
no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/10/congresso-brasil-paralelo-como-refundar.html).
Gravação disponível no YouTube (links: https://www.youtube.com/watch?v=meCec0dM_8U&feature=share;
no canal pessoal: https://www.youtube.com/user/paulomre,
neste link: https://youtu.be/fWZXaIz8MUc).
Fui tomado de surpresa,
dez anos depois, ao constatar que meu amigo informático, Airton Dirceu Lemmertz,
que também serve de canal de interação entre a minha produção intelectual –
sobretudo a divulgada no blog Diplomatizzando – e esses novos agentes da
coleta e tratamento da informação agrupados sob a rubrica geral da Inteligência
Artificial, submeteu essa minha entrevista a uma análise-resumo do Gemini AI, a
quem eu chamo de Demoiselle IA, cujo resultado (talvez até mais compreensível do
que a própria entrevista) figura na transcrição abaixo:
==========
Brasil Paralelo: Paulo
Roberto de Almeida (14/10/2016):
Fonte original: https://www.youtube.com/watch?v=fWZXaIz8MUc
A análise a seguir detalha cronologicamente o depoimento e
as reflexões do diplomata Paulo Roberto de Almeida para o Congresso Brasil
Paralelo, gravado originalmente no final de 2016. [1, 2]
A Divisão Histórica do Brasil
Contemporâneo
O diplomata inicia sua exposição estabelecendo uma
cronologia comparativa para explicar a história recente do país (0:28). Ele propõe
uma divisão cronológica inspirada na tradição ocidental cristã, que separa o
tempo entre antes e depois de Cristo (0:47). Para Almeida,
o Brasil pode ser compreendido sob a ótica do "ACDC": antes e depois
dos companheiros (1:02). No centro dessa divisão, situa-se um intervalo de
treze anos e meio de gestões que ele qualifica como bizarras e exóticas, o que
se aplicaria perfeitamente à condução das políticas internas e externas daquele
período (0:41).
Analisando o início da era lulopetista, o diplomata pontua
que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura inicial de
cautela na economia (1:18). Tendo saído derrotado em três disputas
presidenciais anteriores com uma plataforma puramente esquerdista, Lula buscou
uma concertação com o grande capital e a burguesia, selando uma aliança ao
convidar um grande industrial mineiro para ser seu vice-presidente (1:18). Essa
estratégia garantiu a preservação de pilares macroeconômicos herdados,
associados ao tripé composto por superávit primário, metas de inflação e regime
de flutuação cambial, elementos anteriormente criticados pela militância
partidária e acadêmica (1:34).
A Ideologização da Política Externa e as
Heranças
Para contrabalançar a manutenção das diretrizes liberais na
economia interna e satisfazer suas bases aliadas, o governo promoveu uma
guinada à esquerda na condução do Itamaraty (1:55). Almeida descreve essa guinada como uma diplomacia
pautada por uma visão de mundo anacrônica, anti-imperialista, antiamericana e
fundamentada na divisão maniqueísta entre opressores e oprimidos, ricos e
pobres, norte hegemônico e o sul em libertação (2:03). Essa
concepção foi implementada sob a liderança dos diplomatas Celso Amorim e Samuel
Pinheiro Guimarães, este último apontado como o principal ideólogo do que
denomina lulopetismo diplomático (2:32).
O diplomata rebate a narrativa governamental de que teria
sido recebida uma herança maldita do governo de Fernando Henrique Cardoso (2:56). Segundo
Almeida, a deterioração das contas ocorrida em 2002 foi gerada justamente pela
crise de confiança que a iminente ascensão dos companheiros provocou nos
mercados, resultando na desvalorização do real, na alta da inflação e na
depreciação dos títulos da dívida externa (3:15). Para mitigar esses efeitos e demarcar uma suposta
ruptura com o passado, o partido rotulou sua política como ativa, altiva,
soberana e focada na cooperação sul-sul (3:40). Ele argumenta que essa retórica acusava falsamente
as gestões anteriores de submissão a Washington e ao neoliberalismo, omitindo o
fato de que o Brasil jamais foi um país estritamente neoliberal (4:19).
O Alinhamento Ideológico e a Bonança das
Commodities
Na prática, Almeida sustenta que a diplomacia petista não
alterou a substância das grandes linhas tradicionais do Itamaraty, mantendo a
prioridade aos vizinhos da América do Sul, ao multilateralismo e à busca por um
assento no Conselho de Segurança da ONU (4:55). A mudança real ocorreu na rotulagem retórica e no
alinhamento pragmático com ditaduras do Oriente Médio e da América Latina (3:49). O sucesso
político de Lula decorreu do palanque sindical e, fundamentalmente, do
benefício gerado pela estabilidade macroeconômica consolidada desde 1993 com o
Plano Real (6:03).
A esse cenário somou-se um crescimento extraordinário da
economia mundial na primeira década do milênio, impulsionado pelo fator China (6:44). O país
asiático passou a consumir mais de um terço do cimento, ferro, alimentos e
energia do planeta, tornando-se o principal parceiro comercial do Brasil em
2009 e desbancando a liderança histórica de cento e cinquenta anos dos Estados
Unidos (7:08). O afluxo
massivo de dólares decorrente da explosão dos preços das commodities — com a
soja atingindo patamares elevados e o minério de ferro disparando — permitiu ao
governo financiar programas de distribuição de renda internos e projetar o
presidente como um líder global do terceiro mundo (7:25). Lula
circulava entre potências e ditaduras africanas como Moammar Kadafi, modulando
seu discurso conforme os interesses de cada plateia (9:18).
Os Três Fracassos Estratégicos e a
Pirotecnia
Apesar da grande expansão de postos e embaixadas pelo
mundo, Almeida aponta que os três grandes objetivos estratégicos inaugurados em
janeiro de 2003 resultaram em fracasso absoluto (10:46). O primeiro
era a conclusão das negociações multilaterais da Rodada Doha da Organização
Mundial do Comércio para abertura de mercados ao Brasil, o que foi
inviabilizado pela visão estreita da diplomacia comercial partidária (13:02). O segundo
era o fortalecimento e expansão do Mercosul, bloco que acabou desestruturado
pelo comportamento protecionista e arbitrário da Argentina sob os governos de
Nestor e Cristina Kirchner (13:50). Lula, segundo o palestrante, foi conivente com
essas medidas, solicitando à Fiesp tolerância com as barreiras argentinas, o
que solapou o mercado de manufaturados brasileiros e transformou um tratado de
integração comercial em palanque ideológico (14:38).
O terceiro objetivo frustrado foi a conquista de uma vaga
permanente no Conselho de Segurança da ONU, uma ambição histórica do establishment diplomático e militar desde os tempos da
Liga das Nações em 1926 e da Conferência de São Francisco em 1945 (15:30). Almeida
pessoalmente não considera essa meta prioritária, argumentando que ela exige
altos custos financeiros e a participação em missões complexas de imposição da
paz (peacemaking) (17:56). Na tentativa de angariar votos, Lula abriu
embaixadas na África e perdoou dívidas de autocratas, desconsiderando que a
reforma do conselho depende estritamente do poder de veto dos cinco membros
permanentes, especialmente de Estados Unidos e China, que não possuem interesse
em dividir o poder global (19:05).
Essa frustração de metas deu lugar a uma diplomacia de
pirotecnia e megalomania, exemplificada na tentativa fracassada de mediar a paz
no Oriente Médio e na Declaração de Teerã sobre o programa nuclear iraniano,
que entrou em rota de colisão com as negociações conduzidas pelas grandes
potências do P5+1 (21:09). Para o diplomata, o Brasil perdeu credibilidade e
isenção ao se aliar a regimes autoritários na região e ao intervir ativamente
em processos eleitorais e referendos de vizinhos como a Venezuela de Hugo
Chávez, violando o princípio constitucional de não-intervenção nos assuntos
internos de outros Estados (22:07).
O Processo Decisório Invertido e as Vias
Paralelas
A estrutura organizacional do Itamaraty sofreu alterações
severas no período petista (24:38). O processo decisório tradicional funcionava como
um triângulo perfeito, onde as formulações conceituais nasciam nas secretarias
técnicas de base e subiam de forma unificada até o gabinete ministerial (25:25). No
lulopetismo, essa lógica foi invertida: a base passou a buscar o que pensava a
cúpula partidária para se alinhar ideologicamente à linha dos companheiros (26:21). O centro
formulador deslocou-se do Palácio do Itamaraty para o Palácio do Planalto,
capitaneado por um assessor internacional egresso do partido e de estrita
confiança do regime cubano, que atuava como uma espécie de chanceler paralelo
para a América do Sul (24:04).
Almeida classifica como extremamente grave a consolidação
de uma diplomacia paralela operada à margem dos registros oficiais, baseada em
contatos telefônicos diretos entre lideranças petistas, cubanas e bolivarianas (26:43). Essa
opacidade burocrática impede a reconstituição documental de episódios como o
abrigamento de Manuel Zelaya na embaixada em Tegucigalpa, a suspensão
arbitrária do Paraguai do Mercosul ao arrepio do Protocolo de Ushuaia e a
subsequente entrada forçada da Venezuela no bloco (27:58). O mesmo
padrão repetiu-se quando Evo Morales nacionalizou os hidrocarbonetos na Bolívia
em 2006, ocupando instalações da Petrobras; o governo emitiu uma nota oficial
de apoio à medida de Morales, em vez de defender os ativos estatais e os
tratados internacionais firmados (28:43).
O diplomata assevera que a engrenagem externa estava
umbilicalmente ligada ao esquema de corrupção desvelado pela Operação Lava-Jato (29:06). Ele afirma
que entre 2003 e 2016 o país foi comandado por uma organização criminosa que
utilizou financiamentos bilionários e superfaturados do BNDES direcionados a
obras em ditaduras aliadas em troca de propinas e vantagens pessoais para
capitalistas promíscuos (28:59). Essa dinâmica manchou a reputação internacional do
Brasil nos índices de percepção da Transparência Internacional (44:58).
A Ficção do Sul Global e o Custo do
Isolamento
A substituição do universalismo ecumênico da política
externa tradicional pela chamada diplomacia sul-sul é qualificada por Almeida
como uma decisão exótica, canhestra e estúpida (31:35). Ele
argumenta que o conceito de Sul Global é uma ficção anacrônica em um mundo
interdependente e globalizado (34:25). A criação do fórum IBAS (Índia, Brasil e África do
Sul) e a institucionalização diplomática da sigla BRICs — termo cunhado
originalmente pelo economista Jim O'Neill do Goldman Sachs como mero indicador
de mercados de investimento emergentes — serviram para aprisionar o Brasil em
uma visão confrontacionista e sindical do cenário internacional (34:49).
Almeida aponta que restringir alianças preferenciais ao sul
assemelha-se a caminhar com uma viseira ou amarrar uma bola de ferro na perna,
abrindo mão do comércio com as economias ricas e detentoras de alta tecnologia (37:36). Ele cita que
os próprios parceiros asiáticos enriqueceram integrando-se aos mercados
dinâmicos dos Estados Unidos e da Europa, enquanto o Brasil estagnou e reduziu
sua participação no comércio global para menos de um por cento (33:11). O ápice
desse isolamento foi o programa de substituição de importações sul-sul
idealizado pelo chanceler Amorim e defendido por Lula perante a Fiesp,
exortando industriais a comprarem insumos mais caros e de menor qualidade de
vizinhos pobres para ajudá-los, uma lógica que ele considera antieconômica e
ignorada pelo setor privado (42:25).
Como consequência, o ambiente de negócios brasileiro
deteriorou-se drasticamente, conforme atestava o relatório Doing Business do Banco Mundial, posicionando o país em
patamares desfavoráveis devido à alta carga fiscal e à burocracia kafkiana da
Receita Federal (45:54). O diplomata destaca o dado de que uma empresa no
Brasil gastava em média duas mil e seiscentas horas anuais apenas para cumprir
obrigações fiscais, em contraste gritante com a média da OCDE, o que afastava
investimentos em inovação tangível e intangível (45:27).
O Stalinismo Industrial e a Involução da
Produtividade
A transição do governo Lula para a gestão de Dilma Rousseff
acentuou o declínio econômico através do que Almeida denomina estalinismo
industrial e keynesianismo de botequim (1:04:21). Se Lula possuía uma ignorância enciclopédica
aliada a uma inteligência instintiva para falar o que os interlocutores queriam
ouvir, Dilma revelou-se uma governante arrogante e teimosa (1:28:19). Sob a
condução de Guido Mantega na Fazenda, a administração implementou a Nova Matriz
Econômica e o programa Inova Auto, fechando o mercado nacional ao comércio
externo e impondo taxas abusivas sobre o conteúdo importado sob o pretexto de
proteger o mercado interno (50:29).
Esse modelo estimulou artificialmente a demanda e o
endividamento por meio da expansão desmesurada do crédito — elevando-o de menos
de vinte por cento para mais de cinquenta por cento do PIB —, ignorando o
princípio econômico básico de que o crescimento sustentável depende do lado da
oferta (supply side) e da taxa de investimento produtivo (1:18:01). Em 2005,
Dilma já havia rejeitado propostas de consolidação fiscal formuladas por
Palocci e Meirelles na Casa Civil, sob a justificativa de que gasto público é
vida, pavimentando a explosão das despesas estatais acima do crescimento do PIB
(1:13:54).
Almeida argumenta que as desonerações e subsídios
distribuídos pelo BNDES não geraram modernização tecnológica, mas sim uma
sinalização errática de mercado (1:05:15). O esporte principal do empresariado nacional
passou a ser a busca por favores e protecionismo em Brasília, consolidando
cartéis e monopólios em setores como telecomunicações, cimento e aço, o que
eliminou a livre concorrência microeconômica e estrangulou a produtividade (57:20). Ele cita o
exemplo do agronegócio, que opera com altíssima eficiência científica e de
custos "até a porteira da fazenda", mas perde competitividade global
da porteira para fora devido ao apagão de infraestrutura de portos e
transportes sob responsabilidade de um Estado inepto (1:22:17).
A Falência do Capital Humano e o Remédio
Constitucional
O fator mais crítico e limitante para o desenvolvimento de
longo prazo do Brasil situa-se, segundo o palestrante, na falência do capital
humano (58:42). Ele
contrapõe o destino do país ao do Japão e da Coreia do Sul, nações desprovidas
de recursos naturais que priorizaram a educação básica universal e a inovação
tecnológica aplicada ao chão de fábrica (58:51). Enquanto em 1960 a Coreia possuía metade da renda
per capita brasileira, nas primeiras décadas do século XXI ela ultrapassou
amplamente o patamar nacional, que permaneceu estagnado (1:02:51). Almeida
atribui o colapso educacional medido pelos exames internacionais do PISA ao que
classifica como "freirismo", uma ideologia maoísta de pedagogia que
teria destruído os currículos escolares (59:49). Critica também o isolamento corporativo das
universidades públicas brasileiras, voltadas à escolha de reitores demagogos em
detrimento da meritocracia científica e de patentes aplicadas (1:00:43).
Essa paralisia microeconômica, o desmantelamento
institucional e o rombo fiscal de dez por cento do PIB resultaram no processo
de impeachment de Dilma Rousseff em 2016 (51:21). O diplomata
esclarece que o impedimento não foi um golpe da direita, mas sim o remédio
constitucional legítimo previsto em democracias consolidadas como a dos Estados
Unidos e na própria tradição ocidental que remonta à Magna Carta de 1215 (1:31:56). Ele
assevera que o impeachment teria sido evitado, apesar das pedaladas
fiscais e crimes contra a responsabilidade orçamentária, se a presidente não
demonstrasse total incapacidade de negociação política com o Congresso Nacional
no âmbito do presidencialismo de coalizão (1:34:07).
Almeida lamenta a leniência e inépcia histórica de partidos
de oposição, como o PSDB de Fernando Henrique Cardoso, que não impulsionaram o
impedimento de Lula em 2005 por ocasião do escândalo do Mensalão, permitindo
que o esquema de compra de apoio parlamentar fosse industrializado e ampliado
pelas estatais nos dez anos seguintes (1:16:49). No plano externo, a versão partidária de golpe
ecoou em setores acadêmicos e jornalísticos internacionais politicamente
corretos devido ao capital de prestígio acumulado por Lula, detentor de dezenas
de títulos de doutor honoris causa financiados por campanhas de marketing
governamentais (1:38:05).
O Cenário de Insolvência e o Pêndulo do
Futuro
Encerrando seu depoimento com projeções econômicas, Almeida
detalha uma visão pessimista para o futuro de curto e médio prazo do Brasil (1:53:25). Sob o
governo de Michel Temer, o país tentava administrar uma transição fiscal
complexa ancorada na PEC dos gastos públicos (PEC 241), buscando sinalizar
previsibilidade aos investidores sem aumentar tributos de imediato (1:41:44). Contudo, o diplomata adverte que a trajetória da
dívida pública em direção a oitenta e cinco por cento do PIB, combinada com
taxas de juros elevadas, colocava o Estado à beira da insolvência técnica,
consumindo a maior parte das receitas com juros e previdência (1:47:35).
Ele projeta que o fechamento do bônus demográfico nos vinte
anos seguintes inverterá a pirâmide populacional, aumentando a proporção de
aposentados e idosos dependentes sobre a base de trabalhadores ativos (1:08:36). Sem o
ganho de produtividade que uma reforma educacional profunda traria, Almeida
prevê que o crescimento econômico do país permanecerá ridículo, gerando
escassez de recursos para arcar com os custos de saúde e previdência de uma
sociedade envelhecida (1:09:16). Ele vaticina que o ano de 2022, centenário da
Independência, registrará uma renda per capita real inferior à de 2012,
configurando uma década inteira perdida como preço da destruição macroeconômica
da Nova Matriz (1:50:50).
A superação desse atraso relativo perante os vizinhos
liberais da Aliança do Pacífico e os emergentes asiáticos exigiria a redução
drástica do tamanho e dos privilégios dos mandarins da burocracia estatal e a
inserção unilateral do Brasil nas cadeias globais de valor, premissas das quais
ele se declara cético devido ao peso do corporativismo fascista que molda as
instituições nacionais (1:10:54).
===
Fim da transcrição.
Paulo Roberto de
Almeida
Brasília, 5378, 28 junho
2026, 6 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (link:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/06/a-politica-externa-paralela-do.html).