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segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Chile: mais avanços na democracia social ou retorno ao passado autoritário? - Cesar Maia (Estadão)

 KAST, BORIC E O PARADOXO DA POLÍTICA CHILENA!

Cesar Maia
O Estado de S. Paulo., 25/11/2021 

O segundo turno da eleição presidencial do Chile será uma corrida em direção ao centro, já que a maioria dos eleitores quer mudanças, mas sem radicalismos. Algum dos candidatos conseguirá isso?

Em um primeiro olhar, algo parece inexplicável: apenas um ano depois de 80% dos eleitores terem comparecido às urnas para pedir uma nova Constituição, e seis meses depois de escolherem a Assembleia Constituinte encarregada de redigir a nova Carta, com clara maioria à esquerda, no domingo, os chilenos demonstraram pluralidade no primeiro turno, ao votar em José Antonio Kast, um ex-deputado conservador que se opõe à nova Constituição e tem minimizado violações de direitos humanos cometidas pela ditadura militar.

Com um evidente impulso a seu favor, Kast tem agora chance real de se tornar o próximo presidente do Chile, no segundo turno que será realizado em 19 de dezembro. Estarão os eleitores chilenos se comportando de maneira errática? Estarão arrependidos do processo de redação da nova Constituição?

Eu argumentaria que não, que não há nenhum tipo de confusão nem arrependimento. No ano passado, a maioria dos chilenos queria – e continua querendo até hoje – mudanças pragmáticas e moderadas em políticas sociais e inclusão econômica, mas sem jogar a criança fora com a água do banho. Ainda que os chilenos queiram uma nova Constituição, que lhes conceda mais direitos sociais, eles também querem manter muitos aspectos do modelo econômico que levou seu país a tanta prosperidade ao longo das três décadas recentes. Querem que a nova Constituição garanta mais direitos sociais, mas também um governo que siga a lei e a ordem. A disputa pela presidência deverá ser vencida pelo candidato que articular melhor esse equilíbrio.

RUMO AO CENTRO. Conforme esperado, Kast e Gabriel Boric, esquerdista e deputado no segundo mandato, acabaram em primeiro e segundo lugar no primeiro turno das eleições presidenciais. Kast e Boric receberam, respectivamente, 28% e 25,7% dos votos – em linha com as previsões das pesquisas. Já que os outros 46% dos eleitores optaram por outros candidatos, a corrida para vencer o segundo turno obrigará Kast e Boric a conquistar esses eleitores.

Com um comparecimento às urnas pouco abaixo de 50%, o primeiro turno não atraiu mais eleitores do que as disputas presidenciais anteriores, colocando em dúvida a alegação de que os chilenos estão altamente polarizados e mais interessados em política do que nos pleitos anteriores.

É improvável que o comparecimento às urnas seja muito maior no segundo turno. Por isso, os candidatos terão de conquistar os eleitores cujas primeiras escolhas já não estão na disputa. Será mais fácil para Kast atrair eleitores que votaram no primeiro turno em Sebastián Sichel (12,7%), candidato do atual presidente, Sebastián Piñera. Por sua vez, será mais fácil para Boric atrair quem votou em Yasna Provoste (11,6%), candidata do Novo Pacto Social, de centro-esquerda (coalizão que ocupou o poder na maior parte do período dentre 1990 e 2018), e nos candidatos de esquerda Marco Enríquez-ominami (7,6%) e Eduardo Artés (1,5%).

Mas o grande trunfo serão os eleitores que votaram no candidato que surpreendeu a todos, terminando em terceiro lugar, com 12,9% dos votos: o economista Franco Parisi, que vive nos EUA e fez campanha somente pela internet (já que estava alegadamente impossibilitado de viajar ao Chile em razão de um processo que sofre por falta de pagamento de pensão alimentícia dos filhos). Ele já havia disputado a presidência anteriormente, em 2013, com uma plataforma populista de direita e amigável ao mercado.

Desta vez, Parisi fez campanha como candidato antissistema. Alguns desses eleitores poderão se abster, mas Kast tentará atraí-los com uma mensagem de igualdade de condições no capitalismo e respeito à lei e à ordem, enquanto Boric deverá tentá-los com segurança social e uma agenda moralmente progressista.

Em seu discurso de vitória, Kast falou diretamente com o eleitor médio, enquanto Boric colocou foco mais nos eleitores de esquerda e no grande desafio adiante. Ainda que inflamar as bases seja mais importante para Boric, ele também precisará do apoio de eleitores mais moderados, que se preocupam com sua falta de experiência, pouca idade (35 anos) e suas propostas radicais. Por sua vez, Kast precisará convencer eleitores de que é sensato e precisará abandonar propostas mais populistas de direita (como isenções fiscais e aumentos de gastos).

O campo político de Kast tentará transformar as eleições em uma escolha entre democracia e comunismo, enquanto o campo político de Boric tentará transformá-las numa escolha entre democracia e fascismo. Como ambos tentarão apavorar os eleitores em relação ao rival, veremos muita campanha negativa.

Como em outros segundos turnos de eleições presidenciais, os candidatos buscarão apresentar a si mesmos como moderados e qualificar o rival como radical. A população poderá acabar escolhendo entre o menor dos males e, quando o próximo presidente assumir, sua aprovação poderá despencar rapidamente, à medida que os eleitores se desapontarem com as prioridades de um presidente que não foi sua primeira escolha.

O próximo Congresso também será um ambiente difícil para aprovar reformas, com ambas as Casas tendendo um pouco à esquerda como resultado da votação do domingo, mas sem nenhuma maioria clara para os candidatos.

MENSAGEM. Como os candidatos de ambos os extremos ideológicos foram para o segundo turno, alguns podem se ver tentados a afirmar que os chilenos estão polarizados. Mais eleitores, porém, votaram em candidatos moderados – apesar do apoio fragmentado ter impedido que algum deles passasse para o segundo turno. Além disso, os chilenos sabem que todos os candidatos precisam adotar posições mais moderadas no segundo turno.

O país teve disputas em segundo turno em todas as eleições realizadas desde 1999.

Os chilenos também sabem que o impacto da eleição presidencial deste ano será mais limitado, já que uma nova Constituição está sendo redigida. Se a nova Carta realizar mudanças grandes o suficiente no sistema político, novas eleições poderão ser convocadas quando (e se) a Constituição for aprovada num referendo a ser realizado no segundo semestre de 2022. Colocado de outra maneira: o mandato tanto de Kast quanto de Boric poderia ser encurtado, e o Chile poderia adotar, por exemplo, um sistema parlamentarista.

Isso explica por que o impacto que a Assembleia Constituinte surtirá nas instituições políticas chilenas será muito maior do que qualquer prioridade política que o governo seja capaz de levar adiante. Na realidade, se a Assembleia Constituinte e o novo governo discordarem a respeito de prioridades, a Assembleia Constituinte terá a última palavra, já que completará a redação da nova Constituição meses depois de o novo governo ser empossado.

Como um conflito entre um novo governo que avance com suas prioridades e a Assembleia Constituinte, que tem prioridades próprias, parece possível, os chilenos poderão querer introduzir provisões de pesos e contrapesos votando por um governo capaz de restringir o ímpeto fundamental da Assembleia Constituinte.

De fato, quatro meses após iniciadas suas deliberações, mais chilenos rejeitam do que aprovam o trabalho que a Assembleia Constituinte está realizando. Assolada por escândalos e controvérsias em razão de comentários exagerados de alguns de seus integrantes (como mudar o nome do país ou alterar sua bandeira), a Assembleia Constituinte está começando a causar preocupações entre os que temem que a nova Constituição possa trazer mudanças demais.

Ainda assim, o crescente descontentamento em relação à Assembleia Constituinte não deve ser confundido com uma rejeição à nova Constituição. Da mesma maneira que pais descontentes com a escolha de seus genros, mas animadíssimos com o fato de que serão avós, os chilenos ainda adoram a ideia de ter uma nova Constituição que tornará seu país um lugar mais justo.

IGUALDADE. Mesmo sabendo também que redução de desigualdade de renda e mais oportunidades para todos dependem de uma economia forte, os chilenos parecem ter sinalizado na eleição de 21 de novembro que, agora que a Assembleia Constituinte está colocando o foco nas maneiras de distribuir melhor a riqueza, eles querem um governo que coloque o foco em fazer a economia crescer novamente e priorize a lei e a ordem.

Enquanto a campanha para o segundo turno está só começando, e Boric e Kast precisam duplicar a quantidade de votos que tiveram no primeiro turno para se tornar o próximo presidente do Chile, ainda é cedo demais para sabermos o nome do próximo líder. O que bem sabemos é que os chilenos recompensarão quem fizer um bom trabalho em convencer os eleitores moderados.

Priceless Roman mosaic spent 50 years as a coffee table in New York apartment - Gloria Oladipo (The Guardian)

Priceless Roman mosaic spent 50 years as a coffee table in New York apartment

Long-lost mosaic commissioned by Emperor Caligula disappeared from Italian museum during second world war

Architect Dario del Bufalo attends the exhibition of the Caligula Mosaic at the Museo delle Navi Romane in Nemi, Italy. Photograph: Ernesto Ruscio/Getty Images 

A priceless Roman mosaic that once decorated a ship used by the emperor Caligula was used for almost 50 years as a coffee table in an apartment in New York City.

Dario Del Bufalo, an Italian expert on ancient stone and marble, described in an interview with CBS’s 60 Minutes on Sunday how he found the mosaic.

In New York in 2013, Del Bufalo gave a lecture and signed copies of his book, Porphyry, about the reddish-purple rock much used by Roman emperors.

The book included a picture of the long-lost mosaic, which once formed part of a floor on one of two vast “party ships” commissioned by Caligula to float on a lake near Rome and sunk when the emperor was killed.

Nearly 70 years after that, as he signed copies of his book, Del Bufalo overheard a man and a woman say the woman had the mosaic they were looking at on the page.

“There was a lady with a young guy with a strange hat that came to the table,” Del Bufalo told CBS. “And he told her, ‘What a beautiful book. Oh, Helen, look, that’s your mosaic.’ And she said, ‘Yeah, that’s my mosaic.’”

Del Bufalo tracked down the young man, who confirmed that “Helen” had the mosaic in her apartment in Manhattan.

She was Helen Fioratti, an art dealer and gallery owner. According to an interview she gave the New York Times in 2017, she and her husband, an Italian journalist, bought the mosaic from an Italian noble family in the 1960s. When it arrived in New York, the couple turned it into a coffee table.

“It was an innocent purchase,” Fioratti told the Times. “It was our favorite thing and we had it for 45 years.”

The office of the Manhattan district attorney says evidence suggests the mosaic was stolen, possibly during the second world war. Returned to Italy, it went on display at the Museum of the Roman Ships in Nemi in March this year.

“I felt very sorry for her,” Del Bufalo said of Fioratti, “but I couldn’t do anything different, knowing that my museum in Nemi is missing the best part that went through the centuries, through the war, through a fire, and then through an Italian art dealer, and finally could go back to the museum.

“That’s the only thing I felt I should have done.”

Del Bufalo said he wanted to make a copy of the mosaic for Fioratti to keep in her apartment.

“I think my soul would feel a little better,” he said.


Die aktuellen Beziehungen Brasiliens zu den USA - Paulo Roberto de Almeida (Brasilicum)

 Um artigo publicado meses atrás, cujos dados editoriais recebi recentemente. Ele foi meu segundo trabalho publicado em alemão, sendo o primeiro meu livro Nunca Antes na Diplomacia, publicado em alemão, em tradução de Ulrich Dressel, sob o título de: 

Die brasilianische Diplomatie aus historischer Sicht: Essays über die Auslandsbeziehungen und Außenpolitik Brasiliens (Saarbrücken: Akademiker Verlag, 2015, 196 p.; Übersetzung aus dem Portugiesischen ins Deutsche: Ulrich Dressel; ISBN: 978-3-639-86648-3).


 

3907. “Relações do Brasil com os Estados Unidos”, Brasília, 4 maio 2021, 5 p. artigo baseado no trabalho n. 3783, em versão reduzida, para revista Brasilicum, a convite de Ekrem Eddy Güzeldere. Publicado, em versão traduzida para o alemão, sob o título de “Die aktuellen Beziehungen Brasiliens zu den USA”, na revista Brasilicum (edição 261, junho 2021, p. 23-26; ISSN: 2199-7594). Relação de Publicados n. 1429.


Vou postar as imagens da publicação em alemão, e depois transcrever a versão completa do artigo em português: 






Transcrevo o original em Português, na versão completa: 


Relações do Brasil com os Estados Unidos

 

 

Paulo Roberto de Almeida

Diplomata, professor no Uniceub, Brasília.

(Colaboração revista Brasilicum; Ekrem Eddy Güzeldere)

Publicado, em versão traduzida para o alemão, sob o título de “Die aktuellen Beziehungen Brasiliens zu den USA”, na revista Brasilicum (edição 261, junho 2021, p. 23-26; ISSN: 2199-7594). Relação de Publicados n. 1429.

 

 

Os Estados Unidos estiveram entre os primeiros países a reconhecer, em 1824, a independência do Brasil, antes da própria Grã-Bretanha (1825). A política externa americanista do início do Império só teria continuidade na República, 20 anos depois da fundação do Partido Republicano, em 1870, que tinha como slogan: “Somos da América e queremos ser americanos”. Os Estados Unidos já eram o maior importador do principal produto brasileiro de exportação, o café, e também foram os primeiros a reconhecer a República, em 1889, que assumiria o nome de Estados Unidos do Brasil.

Foram os monarquistas Rio Branco e Joaquim Nabuco, colocados a serviço da diplomacia republicana, que administraram a transição da preeminência europeia nas relações externas do Brasil para um inevitável equilíbrio com, e logo a predominância, dos Estados Unidos nos fluxos de todos os tipos; essa fase representou uma espécie de “aliança não escrita”. Os investimentos americanos no Brasil tiveram início após a Grande Guerra e as relações comerciais cresceram antes da Segunda Guerra, face à forte competição da Alemanha nazista. 

A partir da grande aliança consolidada por Oswaldo Aranha – embaixador em Washington, 1934- 1937; chanceler de 1938 a 1944 –, o Brasil conheceu um processo de “americanização”, reforçado no auge da Guerra Fria, com a assinatura do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (1947) e com Acordo de Assistência militar de 1953, que só será denunciado pelo general Ernesto Geisel, em 1977. Ponto alto nessa aliança foi o apoio americano por ocasião do golpe militar de 1964. A partir de meados dos anos 1960 começam a emergir fricções entre os dois países, não apenas propósito de questões comerciais (sobretaxas americanas a calçados ou café solúvel), e sim em questões mais relevantes do ponto de vista da hegemonia americana em questões de segurança internacional. O Brasil recusou o Tratado de Não Proliferação Nuclear por três décadas, até que o governo Fernando Henrique Cardoso – já no quadro da proibição do desenvolvimento de armas nucleares pela Constituição de 1988 – decide pela adesão ao TNP, para diminuir o cerceamento americano às tecnologias de ponta.

A diplomacia de Lula promoveu discreto bloqueio aos interesses americanos na região, começando pela implosão, em 2005, do projeto de uma Área de Livre Comércio das Américas, continuando com instituições exclusivamente latino-americanas, como a União das Nações Sul-Americanas. A Unasul passou a dispor, graças aos petrodólares de Hugo Chávez, de uma sede em Quito; ela abrigou um Conselho Sul-Americano de Defesa, valorizada pelos militares brasileiros, e um outro, voltado para a integração física. Mas, antes mesmo da grande ruptura trazida pela diplomacia bolsonarista na política externa brasileira, o continente já se fragmentava em propostas econômicas e políticas divergentes, depois da certa primazia esquerdista.

A administração Temer, que pode ser classificada como de transição, fez com que a política externa e a diplomacia profissional do Itamaraty retomassem os padrões anteriores de trabalho, de conduta e de orientação que sempre foram os seus nas duas décadas subsequentes à democratização, ou seja, a busca de autonomia no cenário mundial, o apoio fundamental ao direito internacionais e ao multilateralismo, o reforço (pelo menos tentativo) em prol da integração regional. As relações com os Estados Unidos foram corretas, mas não mais do que isso, uma vez que, a partir da eleição de Trump, no final de 2016, apenas alguns meses depois da transição definitiva do lulopetismo para a socialdemocracia, não havia tempo para que fossem tomadas grandes iniciativas no plano bilateral ou em outras esferas.

O retorno a uma coalizão centrista, quando do impeachment da presidente Dilma Rousseff, não significou a reconstrução dos antigos laços com os EUA, mas a simples retomada da diplomacia autônoma e equilibrada que foi a do Itamaraty desde o segundo governo do regime militar. A grande surpresa, antes do início do governo Bolsonaro, não foi o fato de se ter anunciado uma preferência por uma “relação especial” com os EUA, pois tal postura poderia ser enquadrada numa nova orientação hemisférica, ou “ocidentalista”, do Brasil, dissonante em relação ao que vinha sendo registrado nas últimas décadas – quando a política externa foi enfaticamente terceiro-mundista e moderadamente antiamericana –, mas ainda assim capaz de ser acomodada numa diplomacia pretensamente voltada para novas iniciativas com o grande parceiro tradicional do Brasil durante todo o século XX. Na verdade, o fato surpreendente foi uma adesão à pessoa do presidente Trump, no quadro da transformação das bases conceituais da diplomacia, que saiu da independência assumida em relação às grandes potências, da defesa do direito internacional e do multilateralismo, por uma rejeição deste último em nome de teorias conspiratórias da nova direita americana e contra a suposta ameaça do comunismo internacional (doravante representada pela China). 

As “inovações” tiveram início no dia da posse do presidente, quando o chanceler, na presença do seu parceiro americano, disse estar de acordo com a instalação de uma base americana no Brasil, para receber o rechaço dos ministros militares, e logo em seguida pela adesão do Brasil a uma aventura de Trump contra o governo Maduro, disfarçada de “ajuda humanitária à Venezuela, a partir das fronteiras do Brasil e da Colômbia. Ocorreu ainda o apoio solitário do Brasil, na companhia de Israel, à posição do governo americano de sanções unilaterais a Cuba, à eliminação pelos EUA, no Iraque, do general iraniano chefe das Brigadas Revolucionárias, assim como a um “plano de paz” de Trump para a Palestina. 

O presidente havia prometido uma diplomacia “sem ideologia”, e o que mais houve foi uma inversão completa dos padrões do Itamaraty: em lugar da avaliação técnica e de uma consulta estrita aos interesses nacionais, sempre conduzidos, até 2018, com absoluta isenção por um corpo de diplomatas profissionais, passou-se à consideração de elementos estranhos ao trabalho diplomático habitual, de fundo religioso, de oposição a um suposto comunismo ameaçador, de negação a quaisquer direitos de minorias sexuais ou de proteção às mulheres que poderiam representar “ideologia de gênero” (sic) ou possibilidade de aborto (que já está contemplado na legislação brasileira em casos especiais). A intromissão de elementos ideológicos da diplomacia do novo governo, especificamente vindos da franja lunática da direita alternativa americana fortemente influenciada pelo negacionismo das teorias conspiratórias também esposadas pelo presidente Trump, encontrou uma das expressões mais bizarras na acusação do chanceler ideológico de que a China estaria na origem de um “comunavirus” que teria sido disseminado pela China com o objetivo de fragilizar o Ocidente (que, para ele, teria um “salvador natural” no presidente Trump). 

Mais grave ainda, do ponto de vista do interesses materiais concretos do Brasil, foi representado por uma série completa de concessões unilaterais feitas pelo governo brasileiro a Trump, para ajudá-lo em sua tentativa de reeleição em 2020: importação sem tarifas de etanol e de trigo americano (contra interesses de produtores brasileiros e eventual importação adicional de grãos da Argentina); aceitação de novas restrições unilaterais, mediante salvaguardas ilegais, de aço e alumínio brasileiro (sem que o governo introduzisse uma reclamação na OMC); acompanhamento das posturas de Trump no casos de políticas de meio ambiente (uma ameaça potencial ao agronegócio), de antiglobalismo, de restrições a imigrantes, a denúncia pelo Brasil do Pacto Global das Migrações, um instrumento inócuo do ponto de vista da soberania nacional, assinado pelo Brasil três semanas antes de se encerrar o governo Temer. 

A diplomacia bolsonarista assumiu um total servilismo a Trump pessoalmente, o que confrontou os interesses nacionais: no comércio bilateral, nas posturas defendidas em órgãos internacionais, no relacionamento do Brasil com o principal parceiro comercial, a China, assim como no âmbito regional. Nesta área, um aspecto confrontou a política externa das quatro décadas anteriores: os esforços de integração regional, em especial, a construção de uma estreita relação com a Argentina. Suscitando a quase unânime rejeição da maior parte da opinião pública, em especial do agronegócio, na questão do meio ambiente, tal política veio a cabo no final de março de 2021, quando o chanceler ideológico foi substituído por um outro diplomata profissional, sem vínculos aparentes com a ‘franja lunática’ do governo Bolsonaro. O novo chanceler, Carlos Alberto França, empossado em 6 de abril, promete reequilibrar a diplomacia profissional – e, se possível, a política externa – nos moldes tradicionais conhecidos no Itamaraty desde muitas décadas; as dúvidas remanescentes derivam da postura do próprio presidente quanto ao conteúdo mesmo dessa diplomacia alternativa.

 

Paulo Roberto de Almeida

[Brasília, 4 de maio de 2021]

 

O artigo em alemão está disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/62708889/3907_Die_aktuellen_Beziehungen_Brasiliens_zu_den_USA_Brasilicum_2021_).

Meu segundo diário da pandemia: abril a novembro de 2021 - produção intelectual de Paulo Roberto de Almeida

Meu primeiro diário foi este aqui: 


3899. “Meu primeiro diário da pandemia: produção intelectual de março de 2020 a abril de 2021”, Brasília, 25 abril 2021, 30 p. Síntese e transcrição sobre a produção própria desde o início do primeiro registro da pandemia em meus registros de trabalhos. Divulgado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/47723036/3899_Meu_primeiro_diario_da_pandemia_producao_intelectual_de_março_de_2020_a_abril_de_2021). 



Acabo de dar continuidade, começando por estes aqui: 


3900. “A dominância do desenvolvimentismo no caso latino-americano”, Brasília, 27 abril 2021, 4 p. Síntese impressionista sobre a ideologia desenvolvimentista e a experiência histórica da industrialização latino-americana. Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2021/04/a-dominancia-do-desenvolvimentismo-no.html).

 

3901. “Ascensão e queda do bolsolavismo diplomático, 2018-2021”, Brasília, 30 abril 2021, 11 p. Capítulo inaugural do livro O Itamaraty sob ataque, 2018-2021: a destruição da diplomacia pelo bolsolavismo


e terminando por este mesmo: 

4028. “Meu segundo diário da pandemia: produção intelectual de abril a novembro de 2021”, Brasília, 29 novembro 2021, 19 p. Meu segundo diário da pandemia: produção intelectual de abril a novembro de 2021”, Brasília, 28 novembro 2021, 19 p. Relação dos trabalhos produzidos no período, com apenas dois trabalhos relativos à pandemia (3946 e 3948). 


Está postado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/62665143/4028_Meu_segundo_diário_da_pandemia_produção_intelectual_de_abril_a_novembro_de_2021).



Buen provecho, como dizem los hermanos...

Paulo Roberto de Almeida



 

domingo, 28 de novembro de 2021

Wikipedia continues to rewrite history: deleting page on Communism Mass Killings - OpIndia

Wikipedia continues to rewrite history, this time prepares to delete page on mass killings under communist regimes: Here are the reasons they gave

OpIndia Staff | 28 November, 2021

https://www.opindia.com/2021/11/wikipedia-to-delete-a-page-on-mass-killings-under-communist-regimes/amp/

 

 

The online encyclopaedia Wikipedia, which was started with the noble intention of becoming the crowd-sourced resource of knowledge for all for free, had become a left-wing propaganda tool long ago. The selected leftist moderators now control information on the website, continuously pushing left-wing propaganda, blocking conservating voices, and in effect rewriting history. In the latest such instance, the website is all set to delete a Wiki page on mass murders under communist regimes in various countries in the world.

A deletion note has been added to the page titled “Mass killings under communist regimes”, which informs that the over 12,000-word page is under consideration for deletion. The Wikipedia moderators claim that the neutrality of this article is disputed, and verifiability of the claims made in this article is also disputed.

The article lists several instances of genocides by communists, including the Red Terror in Russia by the Bolsheviks at the start of the Russian Civil War, mass murders by Joseph Stalin, Mao Zedong, Pol Pot using various policies, and other similar well-known instances in communist regimes in East Germany, Yugoslavia, North Korea, Vietnam, Afghanistan, Ethiopia etc.

The extensive article also lists various terminology used with mass killings, and discusses whether deaths caused by famines under communist rules can be labelled as mass murder, apart from listing various historical events and estimates of casualties.

However, the left-leaning editors and moderators are now not happy with such a specific article on mass murders by communist regimes, and have decided to delete it. They claim that ‘Mass killings under communist regimes’ is not a legitimate subject for an encyclopaedic article, and it is a synthesis. Many of them also claim that deaths due to famine in communist regimes can’t be called mass murders, even though the famines were caused by the policies of the communist rulers. They claim that the relation between mass murders and the communist regimes where they happened is synthesised.

They claim the article violates Wikipedia policy as it is a synthesis of published material, and it is not a neutral point of view.

Those who are advocating for its deletion further claim that the incidents of mass murders mentioned in the article are separate, not linked to each other, and hence they can’t be clubbed together, while agreeing that these murders did take place under communist rules. Some of them argue it is just a compilation of other articles, and hence it does not have encyclopedic value.

It is notable that none of those who are asking to delete the article deny the incidents narrated in it. They are just saying that it does not deserve a separate article, or that some of the incidents can’t be called mass murders and can’t be linked to communism.

However, a large number of Wikipedia users and editors are fighting to keep the article. A cursory glance at the deletediscussion shows that the majority of those who have participated in the discussion want to keep the article. They argue that all the incidents mentioned in the article happened in history, which can’t be denied. They have argued that facts cannot be erased because the current ideology of someone makes it inconvenient.

Some of the supporters of the article has suggested a middle ground, saying the article can be merged with the Crimes against humanity under communist regimes page, as both deal with similar historical events.

Even though the majority of the people want the article to be kept, that may not happen, as Wikipedia does not work on a majority voting basis. The website works on the basis of whims of a few editors and moderators with authority to remove articles, almost all of whom are leftists. The deletion discussion page helpfully informs that the discussion is not a majority vote, but instead a discussion among Wikipedia contributors. It says that the decision will be taken on the basis of the merits of the arguments, not by counting votes.

It is important to note that the article has been nominated for deletion for the fourth time, which makes it clear that it is under regular attack from communists online. Many contributors have commented that this shows that heavily indoctrinated people desperately want to get rid of this specific page, and there is ideological motivation behind it. But given the leftist bias of Wikipedia, it is very much possible that the article will be deleted, despite opposition by the majority of contributors.

The leftist bias of Wikipedia has been revealed by Wikipedia co-founder Larry Sanger, who has said that Nobody should trust Wikipedia as the information in it is biased. He said that the site is no longer trustworthy as it does allow content that does not fit the agenda of leftists, and therefore people can’t get a complete view on the topics.

Larry Sanger had left Wikipedia over differences with co-founder Jimmy Wales over how to run the website, and has since become a staunch critic of it for its left-leaning bias. He had also said that Wikipedia has become a huge moral hazard, saying that it has turned into a ‘monocultural establishment organ of propaganda’. He had also talked in detail on the issue in an interview with OpIndia.

It is notable that Wikipedia has launched a crusade against OpIndia, after OpIndia started exposing the bias of the website. First, the wiki page of OpIndia was deleted, saying the portal is worthy enough to have a page on Wikipedia. After that, a Hinduphobic editor created a page on OpIndia with extremely negative language, claiming it to fake news peddler. All efforts to get the page corrected have gone in vein as the leftist-Islamist moderators revert such changes, and threaten people of block from the site for making such changes.


A diplomacia brasileira da independência: heranças e permanências (ensaio e apresentação) - Paulo Roberto de Almeida

Abaixo, início de meu ensaio sobre o tema-título, remetendo ao arquivo disponibilizado em Academia.edu, seguido da referência à apresentação preparada para a aula magna: 

4018. “A diplomacia brasileira da independência: heranças e permanências”, Brasília, 15 novembro 2021, 26 p. Ensaio preparado especialmente para Aula Magna na Universidade Federal Fluminense (dia 29/11, de 9 a 11h), a convite do Prof. Danilo Sorato. Preparada apresentação em Power Point, em 24/11/2021, sob n. 4023. Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/62641768/4018_A_diplomacia_brasileira_da_independencia_heranças_e_permanencias_2021_).

4023. A diplomacia brasileira da independência: Apresentação”, Brasília, 24 novembro 2021, 30 slides. Apresentação em formato de PowerPoint, seguindo de forma flexível o trabalho n. 4018, preparada para Aula Magna na Universidade Federal Fluminense (dia 29/11, de 9 a 11h), a convite do Prof. Danilo Sorato. Divulgada na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/62644789/4023_A_diplomacia_brasileira_da_independencia_Apresentacao_2021_).


 A diplomacia brasileira da independência: heranças e permanências

 

Paulo Roberto de Almeida

Diplomata, professor

(www.pralmeida.org; diplomatizzando.blogspot.com)

  

Sumário:

1. Introdução: a diplomacia e a política externa na independência do Brasil

2. O primeiro registro oficial da autonomia: o Arquivo Diplomático da Independência

3. Uma outra independência: uma história alternativa da construção do Estado

4. A Bacia do Prata e a Cisplatina: a primeira guerra do Brasil (herdada de Portugal)

5. A lamentável diplomacia do tráfico escravo: defendendo o indefensável

6. Conclusão: a diplomacia brasileira na construção do Estado

 

 

1. Introdução: a diplomacia e a política externa na independência do Brasil

Este ensaio, de caráter histórico e analítico, trata das questões internacionais afetando o Brasil desde quando suas relações exteriores estavam inseridas no contexto da diplomacia portuguesa do final do século XVIII e início do XIX, período caracterizado pelas guerras napoleônicas e suas consequências para os dois reinos ibéricos e suas colônias americanas. Ele se ocupa apenas dos temas mais importantes, como as relações regionais e o problema do tráfico e da escravidão, à exclusão, no entanto, das questões estritamente comerciais, bastante conhecidas e trabalhadas pela historiografia do período, com ampla bibliografia sobre a questão – desde Hipólito da Costa, passando por Oliveira Lima e chegando a Roberto Simonsen e Celso Furtado –, a partir dos tratados entre Portugal e Grã-Bretanha de 1810, cujos dispositivos foram prolongados na Independência até o início do Segundo Reinado. Essa primeira fase, está marcada pela abertura dos portos em 1808 e pelo tratado de comércio de 1810, que dá 15% de tarifas para Grã-Bretanha, alíquota inferior à do próprio Portugal. Os grandes temas da diplomacia econômica do Brasil no século XIX foram amplamente tratados pelo autor na obra Formação da Diplomacia Econômica no Brasil (2017).

A questão da historiografia brasileira sobre a independência sofre, desde muito tempo, praticamente desde o início do regime republicano, de alguns dos mesmos vieses interpretativos que Bolívar Lamounier acusou, recentemente, na segunda edição de seu livro sobre dois séculos de política brasileira, a propósito da historiografia política, no sentido de preservar certo “economicismo dogmático” que a tinha caracterizado desde os anos 1950:

A partir da Segunda Guerra Mundial, numerosos autores e praticamente todo o meio universitário puseram em relevo os efeitos da colonização portuguesa e nossas relações de dependência econômica em relação à Inglaterra e aos Estados Unidos, mas poucos deram a devida atenção à construção institucional da democracia representativa, cujo início remonta à Independência e à Constituição de 1824. (Lamounier, 2021, p. 12)

 

No caso da historiografia da independência – abstraindo-se a visão gloriosa do reino dos Braganças, criada pelo pai da historiografia brasileira, Francisco Adolfo de Varnhagen, de certa forma continuada por alguns dos seus seguidores, entre eles Hélio Vianna –, a interpretação que começa com Manoel Bonfim e que se prolonga em Caio Prado Jr., José Honório Rodrigues e em números outros pesquisadores universitários, tende justamente a enfatizar o peso da herança colonial portuguesa e da estrutura escravocrata-latifundiária e oligárquica que continuou impérvia na nação independente como uma espécie de “pé-de-chumbo” a moldar nossas instituições políticas e estruturas sociais, como se fossem algo equivalente a um “pecado original” do qual o Estado nascente não pudesse se libertar. É verdade que tanto os “efeitos da colonização portuguesa”, quanto “nossas relações de dependência econômica em relação à Inglaterra e aos Estados Unidos”, marcaram determinadas políticas ao longo do século XIX e do seguinte, mas é também verdade que as elites brasileiras, quaisquer que fossem, sempre detiveram ampla latitude de manobra para moldar o Estado e as instituições, desde o início, e nos ajustes constitucionais, golpes militares e outras crises políticas subsequentes. 

O Brasil monárquico do século XIX, assim como o republicano do século XX é o resultado de arranjos no seio das elites e não um simples derivativo de séculos de estatuto colonial ou qualquer tipo de dominação estrangeira no período subsequente. O que se pretende neste ensaio é reler a historiografia da independência com vistas a colocar o foco nos problemas iniciais com que se defrontou nossa primeira diplomacia, a de uma nação que emergia, ainda na fase regencial do príncipe D. Pedro e, logo em seguida, no primeiro gabinete do Estado independente, nos dois casos dominada pela figura de José Bonifácio de Andrada e Silva, o virtual “primeiro-ministro” por breve tempo. No que se refere à construção da instituição diplomática, ao longo de quase dois séculos de funcionamento efetivo, cabe remeter, para a devida remissão às fontes oficiais, à pesquisa documental de Flávio Mendes de Oliveira Castro sobre a organização do Itamaraty (2009).

(...) 

Ler a íntegra do ensaio na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/62641768/4018_A_diplomacia_brasileira_da_independencia_heranças_e_permanencias_2021_).


Apresentação em Power Point, focando na bibliografia do período, neste link: 

https://www.academia.edu/62644789/4023_A_diplomacia_brasileira_da_independencia_Apresentacao_2021_


Sobre o estado a que chegamos no Estado esquizofrênico do capitão - Paulo Roberto de Almeida

 Sobre o estado a que chegamos no Estado esquizofrênico do capitão 

Paulo Roberto de Almeida

A mediocridade subintelequitual, que é o traço fundamental da horda de novos bárbaros que tomaram o Estado de assalto, está largamente disseminada entre chefetes e aspones que servem ao desgoverno do capitão. 

Não cabe esperar nada de inteligente da malta de quadrúpedes com DAS.

Vamos ter um trabalho duríssimo de restauração de padrões condignos na administração pública a partir de 2023.

O mais duro vai ser recompor um relacionamento correto com o estamento político, que aprofundou o patrimonialismo gangsterista desde a era do PT e sobretudo  neste desgoverno dos novos bárbaros. 

Ao lado dos programas de campanha para um governo normal, temos também de designar uma equipe para identificar e propor as medidas de correção desse desgoverno anormal.

Temos terra arrasada em diversos setores — educação e cultura em primeiro lugar —, mas também descontrole orçamentário e deterioração fiscal, que são os temas mais relevantes para a retomada de um processo de crescimento sustentado (e sustentável), com transformação produtiva, abertura econômica, liberalização comercial e distribuição social dos resultados do crescimento. 

O primeiro passo para a reconstrução do país e a retomada da dignidade na nação consiste em afastar os “salvadores da pátria”, recusar o populismo demagógico dos mentirosos de sempre, e lutar pela união dos candidatos sensatos, humildes, não arrogantes, e dispostos e encontrar um consenso sobre uma plataforma mínima de medidas emergenciais na área econômica e social e de reformas estruturais nos setores macro e micro.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 28/11/2021

O modernismo brasileiro chega aos cem anos (ainda não amadureceu) - Paulo Roberto de Almeida

 Já que estamos próximos do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922 (em fevereiro), permito-me reproduzir aqui o artigo que publiquei sibre o nosso “modernismo” no Estado da Arte em 2020:

O “modernismo” brasileiro chegando aos 100 anos