segunda-feira, 6 de abril de 2026

Itinerário bibliográfico de PRA no campo das relações internacionais - Paulo Roberto de Almeida

Itinerário bibliográfico de PRA no campo das relações internacionais


Paulo Roberto de Almeida
Atualização do trabalho 4625 (2024) sobre os livros pessoais nos campos afetos à política internacional e do Brasil, desde os anos 1990.

Seleção dos livros publicados por editoras comerciais: 24

1) 56) Vidas Paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil (Rio de Janeiro: Ateliê de Humanidades, 2025, ISBN: 978-65-86972-43-6, 364 p. Relação de Originais n. 5014. Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/08/vidas-paralelas-rubens-ricupero-e-celso_10.html); disponível na Amazon.com.br (link).
2) 55) Intelectuais na diplomacia brasileira: a cultura a serviço da nação (Rio de Janeiro: Editora Francisco Alves; ISBN: 978-85-265-0497-4; São Paulo: Editora Unifesp; ISBN: 978-65-5632-199-8; 2025, 425 p. Divulgado no blog Diplomatizzando (15/08/2025: link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/08/intelectuais-na-diplomacia-brasileira.html).
3) 50) Apogeu e demolição da política externa: itinerários da diplomacia brasileira (Curitiba: Appris, 2021, 291 p.; ISBN: 978-65-250-1634-4)

(...)

[Livros digitais:]
(...)
17) Codex Diplomaticus Brasiliensis: livros de diplomatas brasileiros (Kindle, 2014, 326 p.; ASIN: B00P6261X2; Academia.edu; ).
18) 23) Polindo a Prata da Casa: mini-resenhas de livros de diplomatas (Kindle edition, 2014, 151 p., 484 KB; ASIN: B00OL05KYG).
19) 22) Prata da Casa: os livros dos diplomatas (Hartford: edição para a Funag, 2013, 667 p; não publicada; disponível em Research Gate; 2ª. edição de Autor; 16/07/2014, 663 p.; Academia.edu; Research Gate).

Brasília, 5270: 6 abril 2026.

Consultar a integra neste link de Academia.edu: 

https://www.academia.edu/165534688/5270_Itinerario_bibliografico_de_PRA_no_campo_das_relacoes_internacionais_2026_



Brasil precisa repensar indústria de defesa, afirmam especialistas - Rafael Rosas, Francisco Góes (Valor Econômico)

 "Brasil já vai à guerra?", cantava Juca Chaves nos tempos do JK, música censurada depois. Mas o fato é que gastamos muito com as FFAA, mas grande parte para pessoal (e muito pessoal!). Talvez o Congresso devesse determinar que recursos para defesa deveriam ser NO MÁXIMO 35% com pessoal, o resto sendo equipamente e P&D. PRA


Comentário inicial de Mauricio David:
R$ 140,4 bilhões (para Defesa (????) Mon Dieu !!! E para gastos de pessoal : R$ 119,2 bilhões destinados ao pagamento de pessoal, encargos sociais e outras despesas correntes, o equivalente a mais de 90% do total. Dos quais R$ 8,675 bilhões serão destinados aos investimentos. My God ! E não podemos nem prender os narcotraficantes nas fronteiras... (MD)

Matéria:
..."Informações do governo mostram que, em 2025, foram empenhados R$ 132 bilhões para o Ministério da Defesa, dos quais R$ 119,2 bilhões destinados ao pagamento de pessoal, encargos sociais e outras despesas correntes, o equivalente a mais de 90% do total. Os investimentos receberam R$ 10,032
bilhões. Para este ano, a previsão orçamentária é de R$ 140,4 bilhões, dos quais R$ 8,675 bilhões serão destinados aos investimentos. Ainda em termos de fontes de recursos, o BNDES destinou R$ 44,089 bilhões entre 2016 e 2025 para projetos de tecnologias de defesa e soberania."...

Brasil precisa repensar indústria de defesa, afirmam especialistas
Setor representa 4,3% do PIB, mas carece de ação mais articulada entre Forças Armadas, universidades e empresas privadas
Rafael Rosas e Francisco Góes
Valor Econômico, 6/04.2026

As mudanças na ordem global impulsionadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colocam o Brasil diante do desafio de repensar o papel da indústria nacional de defesa, dizem especialistas ouvidos pelo Valor. O setor passou por altos e baixos nos últimos 50 anos e responde por 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB), mas carece de maior articulação entre as Forças Armadas, universidades, centros de pesquisa e empresas privadas. Essa é uma realidade apesar de as Forças disporem de um maior orçamento mesmo em um contexto de crise fiscal, o que limita gastos, afirmam os especialistas.
A indústria de defesa ganha relevância nos dias atuais, uma vez que deixou de ser vista apenas como a capacidade de produzir equipamentos bélicos - blindados, armas de fogo, mísseis, aviões, navios e submarinos - para considerar também o desenvolvimento de tecnologias estratégicas, caso da robótica, cibernética, da automação e de sistemas eletrônicos, diz Darc Costa, ex-vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e social (BNDES) no primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003.
A questão que me parece mais relevante pra gente se preocupar é a nossa base industrial de defesa, que inexiste, disse Costa. Ele lança, no dia 16, no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo, uma obra em dois volumes intitulada :Fundamentos para o estudo da guerra - a ética e a máquina no campo de batalha no século XXI (ver ao lado).
Embora o Brasil tenha tradição de ser um país pacífico - o último conflito no qual se envolveu foi a Guerra do Paraguai, entre 1864 e 1870, além do envio de tropas para a II Guerra Mundial, na década de 1940 -, ter uma base industrial de defesa é importante, dizem os especialistas, uma vez que funciona como estratégia de dissuasão e ajuda a reduzir a dependência de tecnologias e equipamentos estrangeiros em um momento em que a ordem global passa por transformações com a agenda imposta por Donald Trump.
Desde que assumiu, em 2025, Trump aumentou de forma unilateral tarifas de importação sobre outros países, privilegiou acordos comerciais bilaterais, atacou regras internacionais válidas desde a II Guerra Mundial e, em fevereiro, lançou os EUA, ao lado de Israel, em uma guerra contra o Irã, cujo desfecho é difícil de prever.
Costa, ex-coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Escola Superior de Guerra (ESG), disse que o Brasil precisa fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID). A sigla define um conjunto de instituições, públicas e privadas, indústrias e centros de pesquisa responsáveis pelo desenvolvimento e produção de tecnologias e equipamentos militares: A sua existência é essencial para garantir autonomia tecnológica, desenvolvimento econômico e capacidade de dissuasão de um país, disse Costa.
O principal documento orientador da Política de Defesa Brasileira é a Estratégia Nacional de Defesa (END), instituída em 2008 e revisada em 2012, 2016, 2020 e 2024. A END estabelece diretrizes para modernizar as Forças Armadas, fortalecer setores e integrar defesa e desenvolvimento nacional. O Ministério da Defesa diz que um dos pontos centrais da END é o fortalecimento da BID.
Um especialista do governo em defesa disse que o Brasil sempre teve produção de equipamentos militares, mas de forma assimétrica. Significa que nem todos os setores se desenvolveram igualmente. Algumas empresas cresceram e se tornaram exportadoras, caso de Embraer, Taurus, IDV (Iveco) e Helibrás. Mas a rede da BID é maior e deve incluir não só grandes, mas toda a cadeia de fornecedores. Há um trilema para implementar a BID e ele é formado por capacidade operacional, fabricação local e preço. Se os dois primeiros elementos [aspecto operacional e fabricação local] forem viáveis, mas o preço for muito alto ou muito baixo, a BID não vinga, disse o técnico do governo.
Outra questão é que são as compras governamentais e tecnologias (P&D) que viabilizam a BID. Nenhuma indústria de defesa se desenvolve em um país para atender mercado local e exportar se, primeiro, as próprias Forças Armadas não comprarem. Um exemplo está no cargueiro KC-390, fabricado pela Embraer, mas que é um projeto pertencente ao Comando da Aeronáutica do Brasil. Tanto é assim que a Aeronáutica recebe royalties sobre as vendas da aeronave.
A dificuldade, na visão desse técnico, é que para viabilizar a BID o orçamento das Forças Armadas deveria ser determinativo (gastar o previsto) e não autorizativo, dependendo de contingenciamentos de recursos.
O Ministério da Defesa disse que a construção da BID envolve desafios típicos de setores intensivos em P&D e a articulação entre governo, indústria e academia. Entre os principais desafios estão a falta de financiamento contínuo e previsível, essencial para um setor caracterizado por ciclos longos de desenvolvimento tecnológico, que compromete o planejamento de longo prazo, e gera a dependência tecnológica externa, que limita a autonomia nacional em áreas críticas, afirma o ministério.
O economista Rafael Barros Barbosa, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), entende que o país não tem espaço fiscal para gastos de defesa se o objetivo for controlar o crescimento da dívida pública. Em 2025, o presidente Lula sancionou projeto aprovado pelo Congresso que autoriza o governo a gastar R$ 5 bilhões por ano pelos próximos seis anos por fora das regras do arcabouço fiscal. As exceções ao arcabouço têm sido diversas e somente por isso o governo conseguiu cumprir a meta fiscal do ano passado.
Esse tipo de compra tem ciclo longo e o negócio demora para ser fechado. Então o governo não quis comprometer o arcabouço. No entanto, para a dívida pública isso pouco importa. Gastos em defesa às vezes precisam ser realizados por caráter emergencial e, se este é o caso, talvez o governo deva fazer. Mas é preciso equilibrar as contas em outras áreas para manter o equilíbrio fiscal, afirmou.
Informações do governo mostram que, em 2025, foram empenhados R$ 132 bilhões para o Ministério da Defesa, dos quais R$ 119,2 bilhões destinados ao pagamento de pessoal, encargos sociais e outras despesas correntes, o equivalente a mais de 90% do total. Os investimentos receberam R$ 10,032 bilhões. Para este ano, a previsão orçamentária é de R$ 140,4 bilhões, dos quais R$ 8,675 bilhões serão destinados aos investimentos. Ainda em termos de fontes de recursos, o BNDES destinou R$ 44,089 bilhões entre 2016 e 2025 para projetos de tecnologias de defesa e soberania.
O setor de Defesa no país representa 4,29% do PIB, nas contas de Vinicius Mariano de Carvalho, professor do departamento de Estudos de Guerra do Kings College London. O Ministério da Defesa registra 327 empresas credenciadas e 2.345 produtos classificados como de defesa. Países emergentes como o Brasil devem buscar uma autonomia relativa em termos de produtos de defesa, precisamente para ganhar poder relativo e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros", afirmou Carvalho. Para o acadêmico, essa autonomia deve ser sobre o que é essencial: produção local de munição e armas leves, desenvolvimento de softwares militares nacionais, capacidade interna de manutenção e atualização de sistemas e domínio sobre ciclos críticos de operação, incluindo a integração de sistemas de comunicação e armamentos.
O país deve ter capacidade de produzir meios básicos essenciais que garantam certa autonomia em suprimentos no caso do emprego real das Forças Armadas. O Brasil pode ainda, via alianças estratégicas, tornar-se fornecedor de produtos de alta demanda na área de defesa, e desenvolver projetos de maior envergadura, afirmou.
Quando se fala em indústria de defesa, pensa-se imediatamente em grandes produtos, hardwares, como blindados, navios e submarinos, aviões de combate e mísseis. No entanto, a base industrial de defesa é muito mais do que isso. Sistemas e softwares que equipam quase todos os meios bélicos hoje são também parte deste ecossistema econômico, disse.
Carvalho entende que os investimentos na BID não podem viver de espasmos orçamentários: É irrealista pensar que se possa conduzir um programa como o do submarino convencional de propulsão nuclear sem uma regularidade orçamentária em investimentos. Esses programas industriais de defesa requerem regularidade e constância. Caso contrário, acabam saindo mais caros do que se previa e nunca conseguem entregar seus produtos em tempo.
O submarino nuclear, por exemplo, se tornou prioridade da Marinha pois é um instrumento para defesa da chamada Amazônia Azul, incluindo reservas de petróleo, disse o técnico do governo. No caso da Força Aérea, o caça Gripen, comprado da sueca Saab e construído nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP), pode ser relevante para o país participar das Forças de Paz das Nações Unidas, o que reforça, por sua vez, a ambição brasileira de um dia ocupar assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Darc Costa entende que um dos principais pontos do fortalecimento da BID é a nacionalização de equipamentos de ponta, de forma a evitar transtornos como aqueles vistos na pandemia. Na ocasião, houve interrupção das cadeias logísticas de suprimento e muitos países ficaram sem a vacina contra a covid-19 e respiradores.
Na defesa, Costa cita o caso da guerra da Argentina contra a Inglaterra nas Malvinas, que este mês completou 44 anos. O arsenal da Argentina tinha como base equipamentos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), do qual o Reino Unido faz parte. Em defesa, fábrica de equipamentos é o relevante. Quando trata de gastos de defesa, precisa de uma tríade: 30% para pesquisa, 35% para compra de equipamentos e 35% de custeio. O Brasil hoje tem 85% de custeio. Os outros 15% servem para comprar equipamentos, afirmou.


Acordo de minerais raros entre Goiás e EUA expõe fragilidade na diplomacia brasileira - Giovana Cardoso (R7)

Acordo de minerais raros entre Goiás e EUA expõe fragilidade na diplomacia brasileira
Repercussão do acordo acendeu um alerta ao governo Lula, que estuda a constitucionalidade da parceria
Brasília|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
06/04/2026 - 02h00 (Atualizado em 06/04/2026 - 02h00)

O acordo entre o estado de Goiás e os Estados Unidos sobre minerais críticos e terras raras vem gerando tensão no governo e tem desagradado o Palácio do Planalto, que estuda a legalidade da parceria. Na prática, o tratado não viola soberania no sentido clássico, mas expõe a fragilidade de coordenação da União sobre um setor estratégico, analisam especialistas ouvidos pelo R7.

A parceria foi assinada no dia 18 de março e estabelece uma cooperação entre as partes, com foco em pesquisa, inovação e segurança jurídica. Segundo os EUA, a ideia é abrir caminho para atrair investimentos e desenvolver toda a cadeia produtiva, do minério ao produto final.

Goiás é o estado que tem a única mina privada do segmento e em atividade comercial no Brasil, em Minaçu, no norte do estado. Além disso, o governo goiano tem um projeto orçado em R$ 2,8 bilhões para a abertura de novas minas nos municípios de Nova Roma e Aparecida de Goiânia.

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Para João Alfredo Nyegray, coordenador do Observatório de Negócios Internacionais da PUC-PR, o acordo não ultrapassa formalmente a União, mas politicamente a constrange.

“Constrange porque revela que, diante da omissão federal, um estado passou a atuar como plataforma de atração de capital, tecnologia e interlocução externa numa área em que Brasília gostaria de monopolizar a condução. Esse é o núcleo do mal-estar no governo Lula”, comenta.

A repercussão do acordo acendeu um alerta ao governo Lula, que estuda a constitucionalidade da parceria. Pela Constituição, manter relações com Estados estrangeiros é competência da União, e celebrar tratados, convenções e atos internacionais é atribuição privativa do presidente da República.

Na visão de Nyegray, o problema real para o Planalto não é um vício jurídico claro no documento, mas o fato de Goiás ter sido mais rápido do que a formulação de uma política federal.

“A meu ver, a crítica ao governo federal é inevitável: em vez de organizar um ambiente nacional previsível para investimento, processamento e agregação de valor, Brasília reagiu com reflexo burocrático, retórica soberanista e até flertes estatizantes”, completou.

A professora de relações internacionais Natali Hoff explica que estados podem fechar acordos internacionais, mas não tratados. Ou seja, no caso de Goiás, o governo local deve deixar explícito que ele respeita os limites constitucionais brasileiros.

“Para além de tentar barrar juridicamente esse acordo, o que o governo Lula pode fazer, e eu acredito que a gente provavelmente vai ver isso, é tentar inviabilizar em certa medida a execução desse memorando, considerando a primazia que o governo federal tem com relação à exploração desse tipo de recurso”, comenta.

De todo modo, ela ressalta que eventuais acordos do Brasil sobre minerais raros devem levar em consideração não apenas a venda desses recursos.

“Não é simplesmente estabelecer cooperações que nos possibilitem explorar esses recursos e vendê-los, mas também estabelecer acordos e tratados com quem detém a tecnologia para a exploração desse tipo de mineral. Acordos que permitam a transferência dessa tecnologia para que a gente também possa ter condições de explorar esses minerais”, pontua.

Enquanto isso, hoje no final da viagem a Índia, o presidente Lula disse que vai discutirPlay Video
Lula diz que discute narcotráfico e terras raras com Trump após tarifaço por Brasília

Lula x Trump
Além da tensão interna, o acordo entre os EUA e Goiás levantou questionamentos sobre o futuro da relação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.

Nyegray acredita que o episódio não deve prejudicar de forma decisiva a relação entre os dois, mas pode agravar uma percepção já existente em Washington de que o governo atual é um parceiro mais difícil, mais lento e mais ideologicamente desconfiado em temas estratégicos.

“O governo federal preferiu não judicializar o caso e buscaria continuar a comunicação de alto nível com a Casa Branca, inclusive sem criar uma agenda negativa enquanto se prepara um encontro entre Lula e Trump. Isso sugere que o Planalto percebeu o risco político de transformar um memorando fraco juridicamente numa crise diplomática desnecessária”, analisa.

Hoff ressalta que o acordo entre os goianos e americanos foi visto como negativo do ponto de vista do Planalto. A especialista entende que, para alguns integrantes do governo, a parceria pode ser uma forma de os Estados Unidos passarem por cima do Executivo brasileiro, podendo até influenciar nas eleições deste ano.

“Acho que há um desconforto muito profundo no Planalto com esse receio de que o governo americano possa passar por cima, ignorar negociações com o governo federal para construir alianças com unidades da Federação que têm uma posição contrária ao governo”, pontua.

Minerais raros
Desde o início do atual mandato, Trump olha para o Brasil como um “parceiro” promissor em minerais críticos. Atualmente, o país sul-americano é o segundo do mundo com maior reserva de terras raras — 23% do total —, atrás apenas da China (49%).

Um comunicado publicado em março pela Administração de Comércio Internacional dos EUA (International Trade Administration, em inglês) destacou que “o Brasil possui um portfólio altamente estratégico e geograficamente diversificado de minerais críticos, alinhado às prioridades dos EUA, criando fortes oportunidades para exportadores americanos de equipamentos, tecnologia e serviços de mineração, que podem apoiar o crescente setor de minerais críticos do país”.

Protagonistas no setor, os chineses chegaram a ter 95% da participação global em 2010. Os minerais raros são usados para fabricação de diversos produtos de alta tecnologia, como celulares, computadores, turbinas eólicas, equipamentos médicos ou até mísseis e caças.

A ofensiva americana no Brasil surge como uma tentativa dos Estados Unidos de reduzir a dependência do material chinês. Apesar do acordo com Goiás, a parceria não permite uma redução relevante dos EUA com a China.

Os Estados Unidos anunciaram a formação de uma aliança com a União Europeia, o Japão e o MéxicoPlay Video
Estados Unidos anunciam aliança para mapeamento de minerais raros por Brasília

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Filmes e documentários sobre a ditadura militar no Brasil - Silvio Tendler e outros

 Assistir para reconhecer... lembrar para nunca mais esquecer:

62 anos do Golpe Militar no Brasil

Para que ninguém esqueça, para que nunca mais aconteça!

Ditadura Nunca Mais!

59 Filmes e Documentários sobre o Golpe de 1964 e a Ditadura Empresarial, Civil e Militar 

Lamarca:

https://www.youtube.com/watch?v=Wy1g8kRMD5Q


ARAGUAYA conspiração do silencio:

https://www.youtube.com/watch?v=SKagL2WmH-0


O Que É Isso, Companheiro?

https://youtu.be/ZIPn2I5-knA


Zuzu Angel:

https://www.youtube.com/watch?v=duCoCVG2tt8


O Ano em que meus Pais Saíram De Férias:

https://youtu.be/yplwrQIWgIw


Pra Frente, Brasil

https://youtu.be/d3M-ybJiBZQ


Cidadão Boilesen - Um dos Empresários que Financiou a Tortura no Brasil:

https://www.youtube.com/watch?v=yGxIA90xXeY


Documentário | João Goulart: Jango:

https://www.youtube.com/watch?v=1O4SZQZ-ikk


Marighella - retrato falado do guerrilheiro

https://www.youtube.com/watch?v=4BP-OMjP08Q


Eles não Usam Black-tie:

https://www.youtube.com/watch?v=Uzl2K1bDRog


Ação entre Amigos

https://youtu.be/Qm6yxx6ycgU


Militares da Democracia: os militares que disseram NÃO:

https://www.youtube.com/watch?v=6hD8JIHbu3w


Osvaldão 

https://m.youtube.com/watch?v=cZEMVK2VtKo&feature=share


Batismo de Sangue

https://youtu.be/YuwY9vkkAYw


Retratos de Identificação 

https://youtu.be/7tmN6VMaP8o


Carlos Eugênio Paz (Clemente) - Depoimento completo

https://youtu.be/OEPCT8E9ArA


Chumbo Quente, a série sobre a Ditadura Militar no Brasil

https://youtu.be/UTuC0r4KZo0


Cúmplices? - A Volkswagen e a Ditadura Militar no Brasil 

https://youtu.be/1iWmAmvNMNg


Jango- O filme

https://youtu.be/SaU6pIBv9f4


30 Anos de Anistia

https://youtu.be/IMAQJIIjue4


Carlos Marighella - Quem samba fica, quem não samba vai embora

https://youtu.be/KkFozCuVm1M


Advogados Contra a Ditadura

https://youtu.be/Vuyz-M6vRyE


Tempos de Resistência 

https://youtu.be/J2MrSLoB6BI


Araguaia, Presente!

https://youtu.be/dEZS0OKl2eE


Guerrilha do Araguaia - As faces Ocultas da História 

https://youtu.be/jJV8DrN8-uc


Guerrilha do Caparaó

https://youtu.be/lFHZaJ6jPT0?si=P4Af-Vf4YR1eMeM3


Perdão Mister Fiel

https://youtu.be/xv0SFgf4iDE?si=7vO00HZQKxtlIdSJ


Torre das Donzelas

https://youtu.be/A2GmztBPq94?si=r7M6YUKBn4U5Wkmk


Barra 68 - sem perder a Ternura

https://youtu.be/nzq9l3Eu7i4?si=crf6GrATzZZT19Tc


Tatuagem

https://youtu.be/b47SUeNdtNA?si=qhNIOeRrZIvqw3gg


Hércules 56

https://youtu.be/Wra-g1bSB5w?si=i0q_BW60WsaoUmty


Pastor Cláudio 

https://youtu.be/UiXwacJjIzA?si=dvaBplxczGZtFhZZ


Calabouço 1968 - Um tiro no coração do Brasil

https://youtu.be/ZNRxpfUMwQw?si=6VdX4giIv1MpHH_0


O apito da panela de pressão https://youtu.be/DuGZABQ0L5c?feature=shared


Que bom te ver viva

https://youtu.be/zqpybT37k9A?si=IFcvRxnYPcVmoERs


A grande partida

https://youtu.be/EIk2IIkmoJM?si=NYkJXx8I5VFxypWy


Você também pode dar um presunto legal

https://youtu.be/0XPQZp_LHjk?si=QI2f0R9tbz_hUzgD


Damas da liberdade 

https://youtu.be/lGrZvFCj414?si=40VkjKsysefsD_KW


Verdade 12.528

https://youtu.be/7l9OJOGfOc0?si=4JbcKlh6degqAZVG


Em busca da verdade 

https://youtu.be/5plh7N7Lv_8?si=U7C8aUiHW1U-BOH5


Céu Aberto

https://youtu.be/YyTtG5ycKMo?si=ayGbaoZhVpIEgG3Y


Mesa vermelha 

https://youtu.be/LMlAg6tNGAg?si=D24FTGujxCFdn2tm


Porque lutamos! - Resistência a ditadura militar 

https://youtu.be/hRSC4x-93WI?si=zujr824LJSkrJVzb


Manoel Lisboa - Herói da Resistência à ditadura 

https://youtu.be/4D2k0imx6TA?si=aeItD0I_WUENQZX1


Cabra Cega

https://youtu.be/VDWbNnLVu3s?si=2AI0_5Hfp9iZWbzV


Setenta

https://youtu.be/8lJ-_IaI2z4


Vala Comum

https://youtu.be/2AheyN37l8Q


Memória para uso Diário 

https://youtu.be/Ys4781EYPBU


Manhã Cinzenta

https://youtu.be/3p-ozsRH0xY


Se um de nós se cala

https://youtu.be/Uu-VzWN6m_I


Soldados do Araguaia

https://youtu.be/dg6UE6hFYzM


Vladimir 30 anos depois

https://youtu.be/pB8XCSwyOeU


Libelu - Abaixo a Ditadura


https://youtu.be/BBQCWsrgbNs?si=kuJr5oM9s1VB50x8


O Desafio, de Paulo César 


https://youtu.be/952SLuAuQSs?si=_4PcNKvySvidB90N


Opastor e o Guerrilheiro


https://youtu.be/UstgQ-mW3qA?si=ysX0FoX4TbkamaFp


Lampião da Esquina


https://youtu.be/anEyLq-uvMc?si=GVL1bK6pIgMC3I2P


Democracia em preto e branco https://youtu.be/ydj0Wb4ylLo?si=sbbb2o056q3E_xOP


Quase dois irmãos

https://youtu.be/eVNAGhCTk_4?si=GW6mUghJQ94yF7wo


Dzi Croquettes

https://youtu.be/3-Yt7ArxjrI?si=V0ZAOvJbnsTlfcvw

Um mineiro que retorna: Resenha de: Seis Gigantes que Retornam e outros estudos por Bolívar Lamounier (SIMON SCHWARTZMAN)

Um mineiro que retorna

Resenha de:
Seis Gigantes que Retornam e outros estudos
Bolívar Lamounier (Edicon, São Paulo, 2025)

SIMON SCHWARTZMAN
ABR 5

Seis Gigantes que Retornam e outros estudos, de Bolívar Lamounier (Edicon, 2025), não deve ser lido como uma apresentação erudita de clássicos das ciências sociais, e sim como uma coleção de pistas sobre as ideias e contribuições do autor para o debate político brasileiro ao longo de sua carreira. A parte mais substancial é um belo ensaio sobre Minas Gerais no período colonial, que não aparece no título, mas revela não só as origens do autor como também sua interpretação sobre as características do Estado e do sistema político brasileiro, objetos de suas preocupações. Nascido em Dores do Indaiá, no interior do estado, Lamounier estuda sociologia e política em Belo Horizonte no início dos anos 1960, vai para Los Angeles para seus estudos de doutorado, interrompidos por uma prisão pela ditadura militar em uma visita a Belo Horizonte, e escreve uma tese sobre as ideologias políticas autoritárias que vicejavam no Brasil. De volta, organiza os cursos de pós-graduação em Ciência Política e Sociologia do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e depois se muda para São Paulo para trabalhar com Fernando Henrique Cardoso no Centro Brasileiro de Planejamento — CEBRAP. Acompanha de perto as eleições dos anos 1970 e 1980 e, em 1985, integra a Comissão Afonso Arinos, que preparou o anteprojeto da Constituição brasileira. Desde então, pesquisa, escreve e participa ativamente dos debates sobre a consolidação e funcionamento da democracia brasileira.

No ensaio sobre Minas Gerais, Lamounier descreve o processo tumultuado de ocupação da região para a exploração do ouro no século XVIII, com a população que chegava para trabalhar nas minas, o esforço cada vez maior do Estado português para controlar a riqueza que se produzia, e as tensões e conflitos que surgiam não só entre a administração portuguesa e os mineradores, mas também entre estes e os escravizados e libertos que vinham de toda parte e faziam o trabalho pesado. O que sobrou no século XIX, quando o ciclo do ouro se encerrou? Nem uma economia de subsistência e pobreza extrema, nem uma sociedade tradicional de tipo feudal, mas uma sociedade complexa e viva, apoiada sobretudo na agricultura e na pecuária, combinando uma elite rural empobrecida com trabalhadores escravizados e libertos vivendo nas fazendas e aldeias que haviam sobrevivido ao ciclo do ouro.

Um dos “gigantes” da primeira parte do livro, Victor Nunes Leal, dá a chave principal para entender Minas Gerais a partir do século XIX, na figura do “coronel”. Ele não é simplesmente um chefe local, mas um ponto de contato e transição entre a sociedade rural e o Estado que, aos poucos, vai crescendo de importância, não só na capital, no Rio de Janeiro, mas também nos governos provinciais, que se afirmam sobretudo com a inauguração de Belo Horizonte, em 1897. O coronel manda seus filhos estudar nas cidades, vai à capital negociar cargos e simboliza, não a força do atraso, mas o enfraquecimento do poder privado ante um país que se moderniza. Outro gigante, Celso Furtado, é louvado pela contribuição decisiva que deu à constituição da moderna história econômica do Brasil e à reflexão sobre os caminhos do desenvolvimento econômico, mas é criticado pela ênfase quase exclusiva que atribuía à industrialização, sem perceber a vitalidade existente também no meio rural. O terceiro dos brasileiros, Sérgio Buarque de Holanda, é visto sobretudo de forma negativa, ao interpretar a cultura brasileira como avessa à racionalidade e à modernização, sem perceber o dinamismo e a racionalidade que também ocorriam de outras formas.

Dos três “gigantes” da literatura internacional, o mais importante para Lamounier é o espanhol Juan Linz, um dos fundadores dos modernos estudos de sistemas políticos comparados dos anos 1970 e 1980, acompanhando os processos de democratização que ocorriam em tantos países naqueles anos, inclusive no Brasil. Os estudos pareciam indicar que os regimes parlamentaristas tinham mais chance de dar certo do que os presidencialistas, e Lamounier também defendeu essas ideias para o Brasil naqueles anos. O segundo, Mancur Olson, entra somente pelo axioma central de sua obra: o de que indivíduos racionais não agem espontaneamente para promover o interesse comum quando os benefícios são públicos. No papel, democracias são regimes governados pelo povo, mas, na prática, elas dependem de elites que se mobilizam para o bem ou para o mal. Regimes democráticos efetivos são aqueles que conseguem administrar sem violência a pluralidade de interesses da sociedade e fazer com que os interesses das elites coincidam com os interesses comuns.

Mas como conseguir esse milagre? Aí entraria o primeiro da série dos gigantes, Max Weber. Weber deixou uma obra enorme, difícil e inacabada, e é natural que diferentes leitores enfatizem coisas distintas. Em seu texto, Lamounier fala de suas conhecidas contribuições sobre tipos ideais de dominação política, os textos famosos sobre ciência e política como vocação e a relação entre a religião protestante e o capitalismo. Mas a ênfase é a interpretação das escolhas políticas que Weber fez nos anos confusos da Alemanha da década de 1910, baseada no livro de Wolfgang Mommsen de 1959, publicado em inglês em 1984 (Mommsen, 1984). Por esta interpretação — questionada depois por muitos outros autores, abrindo uma discussão que perdura e não vem ao caso aqui —, Weber professava valores nacionalistas e elitistas que o tornariam um “proto-nazista”, salvo por ter morrido em 1920. Com isto, Lamounier, na prática, descarta Weber como mais um representante do pensamento autoritário que ele tanto repudia — e, ao fazê-lo, deixa de lado o que me parece ser a contribuição mais importante e duradoura de Weber: sua análise da dinâmica das hierarquias de classe, status e poder, e a transformação histórica das formas de dominação — da autoridade tradicional e carismática para a dominação racional-legal — como o processo estrutural que define a modernidade política. Foi essa interpretação que utilizei quando trabalhei em meu livro sobre as bases do autoritarismo brasileiro (Schwartzman, 1975; 1982).

* * *

Aproveito o espaço que não teria em um artigo de jornal para uma pequena digressão sobre a herança intelectual de Max Weber (com a ajuda de Claude).

Existem pelo menos três linhas principais de interpretação de suas ideias.

A primeira, mais antiga, adotada tanto por Sérgio Buarque de Holanda quanto por Raimundo Faoro, é de Weber como sociólogo da cultura, tanto das sociedades capitalistas quanto das sociedades e religiões tradicionais, como no tema do patrimonialismo. É possível que a fonte desta interpretação sejam os trabalhos de Talcott Parsons, responsável pela edição inglesa de A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de 1930 (Parsons, 1930) — embora Buarque de Holanda tenha vivido na Alemanha nessa época e lido os escritos de Weber no original, e Faoro tenha tido como fonte principal a tradução espanhola de José Medina Echavarría, publicada no México em 1944 (Weber, 1944).

A segunda é a de Weber como analista dos sistemas burocráticos modernos, que aparece nos escritos de Alberto Guerreiro Ramos a partir da década de 1950, também pela leitura da edição mexicana (Guerreiro Ramos, 1966).

A terceira — a que mais me interessa — é a de Weber como pioneiro da análise comparada dos sistemas políticos, tendo como referência principal os ensaios traduzidos e publicados em inglês por H. H. Gerth e C. Wright Mills, considerados à esquerda a sociologia norte-americana, em 1946 (Gerth e Mills, 1946). Esta linha foi desenvolvida sobretudo por Reinhard Bendix, autor de uma grande síntese da obra de Weber (Max Weber: An Intellectual Portrait, 1960) e de Nation Building and Citizenship (1964), onde, incorporando também as ideias do liberal inglês T. H. Marshall sobre cidadania (Marshall, 1950), mostra que a construção do Estado nacional moderno não é um fenômeno uniforme nem linear, mas um processo de extensão gradual — e sempre conflituosa — da autoridade central sobre territórios e populações que antes viviam sob lealdades particularistas, senhoriais ou comunitárias. O que está em jogo, nessa perspectiva, é a questão de como a legitimidade se desloca: de vínculos pessoais e tradicionais para normas impessoais e institucionais, e de como, nesse processo, emergem — ou não — os direitos de cidadania como contraparte da submissão ao Estado. É aí, nestes processos, e não nas interpretações essencialistas de Buarque de Holanda e Raimundo Faoro, que estão as chaves para entender o percurso complicado e inacabado de construção do Estado e da sociedade brasileira — e de todas as demais —, como se vê no próprio ensaio de Lamounier sobre Minas Gerais.

Referências

Bendix, Reinhard. Max Weber: An Intellectual Portrait. New York: Doubleday, 1960. [Edição brasileira: Max Weber: um perfil intelectual. Brasília: Editora UnB, 1986.]

Bendix, Reinhard. Nation Building and Citizenship: Studies of Our Changing Social Order. New York: Wiley, 1964. [Edição ampliada: Berkeley: University of California Press, 1977.]

Faoro, Raimundo. Os Donos do Poder: formação do patronato político brasileiro. Porto Alegre: Editora Globo, 1958. [2ª ed. ampliada, 2 vols. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1975.]

Gerth, H. H. e Mills, C. Wright (orgs. e trads.). From Max Weber: Essays in Sociology. New York: Oxford University Press, 1946.

Guerreiro Ramos, Alberto. Administração e Estratégia do Desenvolvimento: elementos de uma sociologia especial da administração. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1966.

Holanda, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro: José Olympio, 1936.

Lamounier, Bolívar. Seis Gigantes que Retornam e outros estudos. São Paulo: Edicon, 2025.

Leal, Victor Nunes. Coronelismo, enxada e voto: o município e o regime representativo no Brasil. Rio de Janeiro: Revista Forense, 1948.

Marshall, T. H. Citizenship and Social Class, and Other Essays. Cambridge: Cambridge University Press, 1950. [Edição brasileira: Cidadania, classe social e status. Rio de Janeiro: Zahar, 1967.]

Medina Echavarría, José (trad.). Economía y Sociedad: esbozo de sociología comprensiva, de Max Weber. México: Fondo de Cultura Económica, 1944.

Mommsen, Wolfgang J. Max Weber and German Politics, 1890–1920. Chicago: University of Chicago Press, 1984. [Original alemão: Max Weber und die deutsche Politik, 1890–1920. Tübingen: Mohr, 1959.]

Olson, Mancur. The Logic of Collective Action: Public Goods and the Theory of Groups. Cambridge, MA: Harvard University Press, 1965.

Parsons, Talcott (trad.). The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism, de Max Weber. London: Allen & Unwin, 1930.

Schwartzman, Simon. São Paulo e o Estado Nacional. São Paulo: Difel, 1975.

Schwartzman, Simon. Bases do Autoritarismo Brasileiro. Rio de Janeiro: Campus, 1982. [4ª ed. revista: Rio de Janeiro: Publit, 2007.]

Weber, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. Original alemão publicado em Archiv für Sozialwissenschaft und Sozialpolitik, 1904–1905. Publicado em livro: Tübingen: Mohr, 1920.

Weber, Max. Wirtschaft und Gesellschaft: Grundriss der verstehenden Soziologie. Tübingen: Mohr, 1922. [Edição espanhola: Economía y Sociedad, trad. José Medina Echavarría et al. México: FCE, 1944. Edição inglesa: Economy and Society, ed. Guenther Roth e Claus Wittich. Berkeley: University of California Press, 1978.]

A Noruega ficoui rica demais para se preocupar em ficar não mais rica, mas mais eficiente? - The Economist

 A Noruega já era rica antes de se tornar imensamente rica, com o petróleo. Parece que está tratado de construir uma riqueza pós-petróleo...


... mais de 70% dos trabalhadores não qualificados do setor de serviços (como baristas e atendentes de call center) nascidos na Noruega possuem mestrado...

THE ECONOMIST
05abr26

É possível um país ficar rico demais?

A Noruega mostra os potenciais perigos de uma prosperidade incomum
The Economist

A homenagem da Noruega a Edvard Munch, o pintor mais famoso da Escandinávia, é uma impressionante estrutura de 13 andares feita de alumínio e vidro reciclados, construída na orla do porto de Oslo. Concluída em 2021, ao custo de US$ 350 milhões, sua obra foi ainda mais impressionantemente
atrasada (em uma década) e com um estouro de orçamento (de US$ 200 milhões). Erguendo-se acima da densa névoa que cobre o mar em uma tarde de inverno, o museu encapsula o país que o financiou: sofisticado e tão rico que dinheiro não é problema.

O petróleo norueguês construiu uma economia que é a inveja de outros países ricos, para não mencionar os pobres. O PIB per capita é de impressionantes US$ 90 mil, ficando atrás apenas de cidades-Estado, paraísos fiscais e da Suíça. Desde 1991, o governo acumulou um fundo soberano no valor de US$ 2,2 trilhões, ou US$ 400 mil para cada um dos 5,6 milhões de habitantes da Noruega. Os rendimentos sustentam um dos estados de bem-estar social mais generosos do mundo.

No entanto, nem todos os noruegueses estão satisfeitos com isso. Em 2025, o livro de não ficção mais vendido no país foi O País que Ficou Rico Demais, uma crítica ao modelo econômico escrita por Martin Bech Holte, economista e ex-consultor da McKinsey. Bech Holte captou um sentimento emergente. Nas eleições de setembro passado, o partido Progresso, de centro-direita, que argumentou que a Noruega “joga mais dinheiro nos problemas” e precisa parar, foi o partido que mais ganhou terreno. A preocupação é que a riqueza da Noruega esteja distorcendo o comportamento de todos, desde políticos a trabalhadores de escritório e estudantes. Confiantes em receber generosos auxílios, poucos se preocupam o suficiente com o futuro. Será que a riqueza de um país pode comprometer suas perspectivas?

Com os lucros inesperados do petróleo e os retornos dos investimentos, que dobraram o tamanho do fundo soberano na última década, os políticos noruegueses tornaram-se perdulários, acredita Bech Holte. Embora o fundo invista apenas no exterior, para evitar prejudicar o setor privado nacional, ele canaliza dinheiro de volta para o governo, que o utiliza para cobrir a diferença entre gastos e impostos. Em 2008, esse pagamento foi de modestos 36 bilhões de coroas norueguesas (US$ 6,4 bilhões na época), ou menos de 5% das despesas. Em 2025, 414 bilhões de coroas norueguesas (US$ 40 bilhões), um quinto dos gastos, vieram do fundo petrolífero.

Isso está tendo consequências perversas. Os políticos podem adiar decisões difíceis. Os eleitores veem poucos motivos para moderar as demandas por mais gastos. Considere a saúde, a maior despesa do governo. Em média, os serviços médicos custam 30% a mais na Noruega do que na União Europeia.

Mas por que reformar hospitais quando se pode simplesmente investir mais dinheiro no problema? A Dinamarca, que gasta quase o mesmo por pessoa que a Noruega, reduziu o tempo de espera para cirurgias de rotina duas vezes mais rápido que seu vizinho do norte.

Poucos parlamentares se preocupam em avaliar os benefícios e custos econômicos de suas propostas, lamenta um deles. Essa é uma fraqueza em outros lugares, mas a Noruega parece especialmente propensa a ela. Assim como no caso do Museu Munch, as reformas do prédio do parlamento em Oslo levaram quatro anos, em vez de um, e custaram seis vezes mais do que o previsto. Em 2023, o governo destinou 250 bilhões de coroas norueguesas (US$ 25,25 bilhões), metade da arrecadação de impostos sobre o trabalho e o capital, para ajuda externa e para instituições de caridade nacionais. Esse é um preço alto a se pagar para conquistar boa vontade no exterior e aliviar a culpa climática interna. No Reino Unido, esse valor é inferior a 10% dos impostos sobre o trabalho e o capital.

Os cidadãos noruegueses não são menos perdulários que seus
representantes. A dívida média das famílias é de 250% da renda anual, a mais alta da Europa. Quando se pode contar com a riqueza nacional para socorrer, a necessidade de poupar para tempos difíceis parece menos urgente.

Assim como a necessidade de gerar renda. Quase um em cada dez noruegueses na faixa dos 20 anos está desempregado, em comparação com um em cada 20 dinamarqueses. A taxa de evasão escolar no ensino médio e na universidade na Noruega está entre as mais altas da Europa. O sistema de ensino superior oferece quantos diplomas o estudante desejar, gratuitamente, além de generosos empréstimos estudantis. Isso incentiva as pessoas a adiarem seus cursos, mudarem de área e prolongarem seus estudos.

Consequentemente, a população é altamente qualificada: mais de 70% dos trabalhadores não qualificados do setor de serviços (como baristas e atendentes de call center) nascidos na Noruega possuem mestrado. Pessoas de origem imigrante ocupam 100 mil vagas de pesquisa em ciência, tecnologia e engenharia, metade do total. Outras 100 mil vagas precisarão ser preenchidas até 2030.

Esse hedonismo financeiro já está prejudicando a economia. O Banco Central reluta em aumentar as taxas de juros diante do alto endividamento das famílias, o que enfraqueceu a coroa norueguesa e afastou investidores estrangeiros. A produtividade dos trabalhadores parou de crescer. Os salários reais estão começando a cair.

Poderíamos argumentar que nada disso importa, desde que o país consiga prover para a população atual e as gerações futuras. O PIB importa, politicamente falando, porque é uma forma de garantir o bem-estar dos cidadãos: diretamente, por meio do trabalho remunerado, e indiretamente, por meio de auxílios financiados por impostos. Em teoria, esse bem-estar pode ser financiado com rendas, e não com produção. Enquanto a riqueza nacional crescer mais rápido do que os gastos do governo, isso pode continuar indefinidamente.

Esse tem sido o caso na Noruega. Embora o Tesouro tenha extraído dez vezes mais dinheiro de sua principal fonte de renda em 2025 do que em 2008, essa parcela representava uma parcela menor da avaliação total do fundo. Enquanto os retornos anuais (ajustados pela inflação) ultrapassarem 6%, o governo poderá reduzir a arrecadação de impostos e aumentar os gastos no ritmo atual, mesmo depois que seus poços de petróleo se esgotarem, o que poderá acontecer em 50 anos.

Doença norueguesa
Essa visão é complacente por dois motivos. Primeiro, na prática, a menos que a inteligência artificial impulsione drasticamente a produtividade global, retornos de 6% podem se mostrar inatingíveis. Segundo, e mais importante, uma economia próspera beneficia as sociedades de maneiras que vão além da subsistência. Os políticos são mais responsabilizados se tiverem de pedir dinheiro aos eleitores por meio de impostos. Investidores estrangeiros trazem novos conhecimentos. Muitas pessoas encontram satisfação no trabalho. Tudo isso contribui para o florescimento humano. Ninguém deveria invejar a riqueza da Noruega - exceto, se forem sábios, os próprios noruegueses.


domingo, 5 de abril de 2026

Madame IA e a Ciência - via Airton Dirceu Lemmertz

Grato a Airton Dirceu Lemmertz por me remeter material sempre útil:
Sérgio Sacani em um novo podcast ("Além Da Ciência"): https://www.youtube.com/watch?v=RmbtafUwhEA (https://www.youtube.com/watch?v=TXdCjjY6nv8)
- Abaixo, uma lista de vídeos onde Sacani analisa a resposta dada pela IA (inteligência artificial). A maioria das questões é ligada à ciência. Confira:
Computadores quânticos analisando o Universo: https://www.youtube.com/watch?v=zi16FVn2QzU
Cometa, asteróide, meteorito: quais as diferenças? https://www.youtube.com/watch?v=Aax3-IEzeIE
Na equação final do número de empregos, a IA tende a criar mais desempregados (de funções já existentes) do que a criar mais empregos (de novas funções laborais). Assim, indaga-se: a renda mínima (talvez até universal) seria a solução? https://www.youtube.com/watch?v=FcJmlHt638w
A sombra de um buraco negro: https://www.youtube.com/watch?v=dK5vjEm3k5Y
Física: relatividade x quântica. https://www.youtube.com/watch?v=oWuliKKV3Hc
Há cinco anos, IA pilotou veículo em Marte: https://www.youtube.com/watch?v=m_Cn0yNp3so
O Palmeiras tem Mundial [de Clubes de Futebol]? https://www.youtube.com/watch?v=ts6Q-1CF2Ro
Uma explicação extremamente simples: como uma IA funciona? https://www.youtube.com/watch?v=7GoQDHpOyT0 (https://www.youtube.com/watch?v=PkUGuroPWZ4)
O ambiente acadêmico (Universidades) é o meio 'mais tóxico' (de relações interpessoais) que existe! https://www.youtube.com/watch?v=96GdNRVYt38
Nikola Tesla x Thomas Edson: https://www.youtube.com/watch?v=tFFjAOsfogI
Qual a teoria mais complexa de Einstein? https://www.youtube.com/watch?v=AXwbm7hlOzE
Brasil x França: a IA acertou o placar...! https://www.youtube.com/watch?v=nDfEPEoaz3o

 

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