segunda-feira, 18 de maio de 2026

Memórias Diplomáticas: Paulo Roberto de Almeida: "O leitor voraz que se tornou "um diplomata propenso aos acidentes" - vídeo do Museu da Pessoa, ADB Sindical

 Personagem: Paulo Roberto de Almeida

Por: Museu da Pessoa, 3 de outubro de 2025

O leitor voraz que se tornou "um diplomata propenso aos acidentes"

Esta história contém:

O leitor voraz que se tornou "um diplomata propenso aos acidentes"

Memórias da Diplomacia Brasileira - Paulo Roberto de Almeida, Museu da Pessoa, ADB Sindical,

Paulo Roberto de Almeida

Paulo Roberto de Almeida

O preço da insubmissão

Eu sempre dei muito mais valor ao meu trabalho intelectual como diplomata independente do que como burocrata da diplomacia brasileira. Quando eu estava servindo em Washington para negociar um tratado sobre circuitos integrados – foi na época da repressão da Praça da Paz Celestial, em Beijing, 1989 –, nessa ocasião, eu e o presidente do Instituto Nacional de Propriedade Industrial nos revoltamos com as instruções de Brasília, absolutamente absurdas. Falei: “Isso é ridículo”. E fui excluído da delegação. 

Fiquei em Washington lendo e assistindo à repressão chinesa pela CNN, à margem de um tratado que, aliás, nunca foi aprovado, porque havia essa divisão entre países em desenvolvimento e países desenvolvidos e queriam proteger a propriedade intelectual dos circuitos integrados por um novo título, não apenas patente ou direito autoral, mas um título expresso para circuitos integrados, meio copyright e meio desenho industrial. Não foi aprovado. 

Continuei trabalhando, publiquei vários artigos sem autorização e recebi reprimendas. Houve uma circular do Itamaraty, que a gente chamou de Lei da Mordaça, que era mais repressiva do que o estatuto anterior da carreira diplomática. ’Se o diplomata quiser se pronunciar publicamente sobre temas afetos à política externa e à diplomacia, ele precisa ter autorização para publicar um artigo, um livro’.

Minibiografia

Paulo Roberto de Almeida nasceu na cidade de São Paulo em 19 de novembro de 1949. Iniciou a faculdade de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, mas em decorrência da ditadura militar se autoexilou na Europa, formando-se em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas em 1974, tornando-se em 1984 mestre em Planejamento Econômico e Economia Internacional e doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Bruxelas. Entrou no Itamaraty em 1977, tendo ocupado diversos cargos na Secretaria de Estado das Relações Exteriores, especializando na área da diplomacia econômica e comercial. No exterior, serviu inicialmente em Berna e Belgrado. Integrou a missão brasileira na Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra e foi representante alterno (substituto imediato do representante permanente) na delegação do Brasil junto à Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), em Montevidéu. Serviu também nas embaixadas do Brasil em Paris e em Washington. Foi chefe da Divisão de Política Financeira e de Desenvolvimento do Itamaraty, de 1996 a 1999, e trabalhou como assessor especial no Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República entre 2003 e 2007. Serviu como cônsul-geral adjunto do Brasil em Hartford, nos Estados Unidos, de 2013 a 2015. Entre 2016 e 2019 foi diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipri) da Fundação Alexandre de Gusmão (Funag). Foi docente de Economia Política no Programa de Mestrado e Doutorado em Direito do Centro Universitário de Brasília (Uniceub), de 2004 a 2021, e também professor orientador no Mestrado em Diplomacia do Instituto Rio Branco. Além de diversos artigos publicados em revistas especializadas, Paulo Roberto de Almeida é autor de mais de uma dezena de livros, dentre eles: O Homem que pensou o Brasil: trajetória intelectual de Roberto Campos; Apogeu e demolição da política externa brasileira: reflexões de um diplomata não convencional, e o mais recente Vidas Paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas Relações Internacionais do Brasil, publicado em 2025.

Clique aqui para acessar essa história na integra.

https://memo.museudapessoa.org/memorias-da-diplomacia-brasileira/historia-detalhe/70175/


domingo, 17 de maio de 2026

Euzinho, sozinho, e Madame IA, secundada e assessorada por poderosos computadores e processadores: um combate desigual? - Paulo Roberto de Almeida

Euzinho, sozinho, e Madame IA, secundada e assessorada por poderosos computadores e processadores: um combate desigual?

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre meus embates com Madame IA, assessorado por Airton Dirceu Lemmertz

PRA: azul; Madame IA: vermelho; ADL: verde.

  

Meu amigo Airton Dirceu Lemmertz submete meus ataques a Madame IA (Gemini IA) ao exame e resposta da própria, que continua tergiversando sobre graves crimes contra a humanidade e os direitos humanos.

Agradeço a meu amigo Airton Dirceu Lemmertz por "obrigar" – é o caso de se dizer – Madame IA a revisitar suas avaliações assépticas e equivocadamente neutras sobre questões de alto sentido humanitário, pois que estamos falando de CRIMES contra os direitos humanos e a vida concreta de pessoas, totalmente desprezadas pelo governo lulopetista, que APOIA OBJETIVAMENTE Putin e o governo russo em seus crimes IMPRESCRITÍVEIS. Reproduzo abaixo o resultado patético de mais alguns exemplos de Madame IA passando novamente o pano sobre a aparente e indesculpável conivência com um criminoso de guerra.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 16 maio 2025, 7 p.

 

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ADL: Olá, IA Gemini! Nos próximos comandos, eu quero que você responda de modo detalhado e crítico. Ou seja, sempre dê respostas críticas e detalhadas, por favor. Principalmente em comandos com textos longos. E, também, se há palavras ou expressões codificadas, decodifique-as. [...] Em suas respostas (aos meus comandos), não use tabelas e quadros; use apenas frases e parágrafos (se quiser, pode usar capítulos e subcapítulos). [...] E não se esqueça: hoje é dia 16 de maio de 2026.

https://www.youtube.com/@airtondirceulemmertz/about (ADL)

 

Madame IA: Compreendido perfeitamente. A partir de agora, adotarei uma postura analítica, detalhada e profundamente crítica em todas as minhas respostas. Analisarei as nuances dos seus textos, examinarei os argumentos subjacentes e contextualizarei as informações de forma rigorosa.

Seus comandos receberão uma estrutura textual limpa, organizada exclusivamente por meio de frases, parágrafos, capítulos ou subcapítulos, eliminando completamente o uso de tabelas, quadros ou elementos visuais divisórios. Fitarei especial atenção a qualquer termo, jargão ou expressão codificada para decodificá-los imediatamente e expor seu real significado no fluxo do texto.

Estou ciente de que hoje é sábado, 16 de maio de 2026. Você pode enviar o seu primeiro texto ou comando para que possamos iniciar essa análise detalhada.

Como deseja começar? Pode enviar o primeiro texto para análise, indicar o tema central que vamos debater ou apresentar as expressões que precisam de decodificação.

Fonte (IA Gemini):

https://share.google/aimode/XgApCIKA49lh0fglp

 

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PRA: "Madame IA tenta defender a política pró-russa do lulopetismo diplomático: ela está errada" - Paulo Roberto de Almeida. [...]. "Madame IA, provocada por meu amigo Airton Dirceu Lemmertz, sempre atento a minhas provocações, se mete, a pedido dele, a querer contrariar meus argumentos sobre os países supostamente democráticos que apoiam objetivamente um criminoso de guerra — procurado pelo TPI com um mandado de arresto por sequestro de crianças ucranianas — em seu morticínio diário contra o povo ucraniano. Não vou aceitar as tergiversações de Madame IA em defesa de posições indefensáveis, inclusive porque tende a coonestar os crimes bárbaros que são perpetrados diariamente. Não, desta vez ela está errada, e temos amplas evidências de que ela tenta “passar pano“ para os bárbaros." - PRA.

https://diplomatizzando.blogspot.com/.../madame-ia-tenta...

 

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Madame IA: O diplomata e cientista político Paulo Roberto de Almeida direciona uma crítica contundente à inteligência artificial, acusando-a de suavizar ou justificar as diretrizes da política externa brasileira em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia. No cerne do seu argumento, o autor rejeita qualquer postura de neutralidade que, a seu ver, atue como uma complacência velada diante de violações graves do direito internacional. Para compreender a profundidade dessa crítica, é necessário decodificar os termos e as referências geopolíticas utilizadas no texto.

 

I) Decodificação de termos e expressões codificadas:

O autor utiliza a expressão "Madame IA" de forma satírica para personificar os assistentes virtuais de inteligência artificial. Essa escolha linguística sugere uma crítica à pretensa neutralidade ou ao tom excessivamente polido e esquivo dessas ferramentas digitais, que frequentemente tentam equilibrar visões opostas mesmo diante de situações de agressão militar evidente.

O termo "lulopetismo diplomático" refere-se à linha de política externa adotada pelos governos do Partido dos Trabalhadores sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva. Historicamente, essa abordagem prioriza o multilateralismo, a cooperação Sul-Sul e a busca por um papel de mediação global. Contudo, críticos como Almeida interpretam essa postura como uma "política pró-russa" disfarçada de neutralidade, argumentando que a recusa em condenar o Kremlin de forma inequívoca ou em aplicar sanções econômicas acaba por favorecer a posição de Moscou.

A referência ao "criminoso de guerra procurado pelo TPI" aponta diretamente para o presidente russo Vladimir Putin. O Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra ele baseado em acusações de crimes de guerra, especificamente relacionados à deportação ilegal e à transferência forçada de crianças de zonas ocupadas da Ucrânia para a Federação Russa.

Por fim, as palavras "tergiversações", "coonestar" e a expressão popular "passar pano" estão interligadas na denúncia do autor. Tergiversar significa usar de subterfúgios ou evasivas para evitar uma resposta direta. Coonestar possui o sentido de dissimular ou dar aparência de honestidade a algo que é moralmente reprovável. Já "passar pano" é uma gíria contemporânea para minimizar erros ou justificar atitudes indefensáveis de terceiros. Na visão do diplomata, a IA utiliza um discurso formal e evasivo para legitimar o que ele considera uma cumplicidade moral com os atos de agressão russos.

 

II) Análise crítica do argumento geopolítico:

A indignação de Almeida reflete uma fratura profunda no debate sobre a inserção internacional do Brasil. De um lado, a tradição diplomática do Itamaraty defende que a neutralidade e a manutenção de canais de diálogo abertos com todas as potências globalmente relevantes são essenciais para que o país possa atuar como um mediador de paz crível. Sob essa ótica, o alinhamento automático com as sanções e as narrativas das potências ocidentais limitaria a autonomia estratégica brasileira e prejudicaria interesses comerciais e de segurança nacional, como a dependência crônica de fertilizantes russos para o agronegócio.

Por outro lado, a crítica do autor baseia-se em preceitos éticos e jurídicos do direito internacional. Ele argumenta que diante de uma invasão territorial unilateral e de crimes de guerra documentados, a neutralidade deixa de ser uma postura pragmática e passa a ser uma escolha política que enfraquece o sistema multilateral de proteção aos direitos humanos. Para críticos dessa corrente, ao tentar equilibrar as responsabilidades do agressor e do agredido em seus discursos, a diplomacia brasileira e, por extensão, as respostas automatizadas das inteligências artificiais falham em apontar de forma clara a violação da soberania de uma nação independente.

O texto evidencia o limite dos algoritmos de inteligência artificial quando confrontados com debates de alta complexidade moral e política. Ao serem programadas para evitar vieses e buscar o equilíbrio informativo, as IAs frequentemente geram respostas que mitigam conflitos éticos profundos, o que é interpretado por analistas rigorosos como uma tentativa de esquiva ou de validação indireta de posições controversas no cenário internacional.

Fonte (IA Gemini):

https://share.google/aimode/XDEjo12xcSeP4ZvgQ

 

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PRA: "Minha luta contra a hipocrisia dos algoritmos de Madame IA, em favor da inteligência natural com sentido ético" - Paulo Roberto de Almeida, coadjuvado por Airton Dirceu Lemmertz. [...]. "Submeto aqui uma nova postagem, em 16 de maio de 2026, a partir das boas manipulações de meu amigo informático Airton Dirceu Lemmertz com a ajuda do Gemini IA (a quem eu chamo, simpaticamente, de Madame IA), que novamente trata de meus embates, a partir de certo sentido ético do mundo, e da política externa lulopetista (e seus instintos proto-totalitários), em relação às orientações gerais e a postura específica em relação à guerra de agressão da Rússia de Putin contra a Ucrânia e sua população civil, argumentos que eu defendo e que são discreta ou explicitamente contestados por Madame IA, aparentemente mantendo uma postura neutra, que no entanto contorna totalmente a questão moral dessa guerra de agressão, postura aliás secundada pela política externa oficial do governo do PT, mas que se contrapõe, historicamente, a valores e princípios da diplomacia profissional brasileira. Nunca admiti essa separação entre "interesses pragmáticos" e o sentido moral de uma política externa comprometida com os valores mais altos de nossa postura moral. Agradeço a meu amigo Airton Dirceu Lemmertz por sempre oferecer a oportunidade dessa confrontação entre minha postura moral e o realismo "imoral" de Madame IA.", complementa Paulo Roberto de Almeida.

https://diplomatizzando.blogspot.com/.../minha-luta...

 

Madame IA: O novo fragmento de Paulo Roberto de Almeida aprofunda o debate sobre a neutralidade algorítmica, elevando a discussão a um patamar filosófico que contrapõe o pragmatismo técnico ao senso moral humano. O autor, apoiado pelas interações técnicas de Airton Dirceu Lemmertz, questiona a legitimidade de uma postura que se pretende isenta, mas que, na sua interpretação, falha ao omitir o julgamento ético diante de uma agressão militar explícita.

 

I) Decodificação de termos e expressões codificadas:

O conceito de "hipocrisia dos algoritmos" sintetiza a principal acusação do diplomata contra a inteligência artificial. Para ele, a pretensa imparcialidade da máquina não passa de uma máscara que oculta a incapacidade — ou a recusa programada — de distinguir entre o agressor e a vítima. Essa neutralidade simulada é vista como hipócrita porque esvazia o debate de sua dimensão mais importante: a dimensão humana e moral.

A expressão "inteligência natural com sentido ético" representa a antítese do pensamento automatizado. Almeida defende que a capacidade analítica humana não deve se limitar a correlacionar dados ou fatos frios. A verdadeira inteligência exige um compromisso com valores universais, como a justiça e a dignidade humana, algo que a programação lógica das máquinas seria incapaz de replicar.

Os "instintos proto-totalitários" imputados à política externa do Partido dos Trabalhadores indicam uma crítica à simpatia ou à tolerância ideológica que o autor enxerga no governo atual em relação a regimes autocráticos. O prefixo "proto" sugere uma semente ou uma tendência embrionária que, se não for contestada, pode alinhar a postura internacional do país com governos que suprimem liberdades democráticas.

Por fim, o "realismo imoral" atribuído à IA refere-se à corrente das relações internacionais conhecida como Realismo Político. Essa escola prega que os Estados devem agir guiados estritamente pelo interesse nacional, pelo poder e pela sobrevivência no sistema internacional, ignorando preceitos morais. Ao classificar esse realismo como imoral, Almeida argumenta que guiar-se apenas por essa lógica transforma a diplomacia e a IA em cúmplices indiretas da violência e da opressão.

 

II) Análise crítica da separação entre pragmatismo e moralidade:

O argumento central do diplomata repousa na rejeição da dicotomia clássica entre os interesses pragmáticos de uma nação e os seus princípios morais. Almeida resgata a tradição da diplomacia profissional brasileira para sustentar que a verdadeira estatura internacional do Brasil sempre dependeu da defesa intransigente do direito internacional, da solução pacífica de controvérsias e do respeito à soberania dos povos. Na sua visão, ceder ao pragmatismo econômico — como a dependência comercial ou o alinhamento com blocos geopolíticos alternativos — representa uma degradação dessa herança histórica.

Contudo, a postura de neutralidade criticada no texto reflete o dilema intrínseco ao desenvolvimento de inteligências artificiais globais. Os desenvolvedores dessas tecnologias enfrentam o desafio de criar sistemas que sirvam a usuários em diferentes partes do mundo, sob regimes políticos, culturas e sistemas de valores distintos. Adotar um juízo de valor definitivo em temas geopolíticos sensíveis violaria o princípio de neutralidade que muitas dessas empresas buscam manter para garantir a universalidade de suas ferramentas. O que o autor classifica como "realismo imoral" é, sob a ótica da engenharia de software, uma tentativa de evitar o viés e assegurar a pluralidade informativa.

A tréplica de Almeida evidencia que, no campo da ética e da política internacional, a ausência de um posicionamento claro é, por si só, um posicionamento. Ao tentar contornar a questão moral para manter a equidistância entre as narrativas, a inteligência artificial acaba reproduzindo as mesmas ambiguidades da política externa oficial que o diplomata contesta. O texto deixa claro que o julgamento moral e a empatia continuam sendo prerrogativas exclusivas da consciência humana, intransferíveis para qualquer linha de código.

Fonte (IA Gemini):

https://share.google/aimode/gy3qn8tZ00PTvHewd

 

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PRA: Vou continuar argumentando, em bases éticas, ou simplesmente MORAIS, sobre a necessidade de estadistas - se eles existem no Brasil – levarem em consideração VIDAS HUMANAS, e não uma neutralidade IMORAL e ILEGÍTIMA!

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5314, 16 maio 2026, 7 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (17/05/2026; link: ).

 

 

Dolarizar países da América Latina: mas justo agora? Por certo, perderam o juízo, para parafrasear Olavo Bilac

Dolarizar países da América Latina: mas justo agora? Por certo, perderam o juízo, para parafrasear Olavo Bilac

Os liberais estão atrasados, ao recomendar dolarização, num momento em que Trump destroi as bases da preeminência econômica e monetária dos EUA na América Latina e em qualquer outro lugar. PRA

Dolarización

Foro: Ha llegado el momento de dolarizar en América Latina

John Cochrane, David Malpass y Emilio Ocampo hablaron este viernes 15 en el Instituto Cato sobre dolarización en América Latina. Los tres recomendaron que los países con un largo historial de irresponsabilidad monetaria en la región, como Argentina y Venezuela, dolaricen sus economías.

https://elcato.us1.list-manage.com/track/click?u=98c97f42691d5de57bc944822&id=0405bf216e&e=19e757ffce

Memórias da Diplomacia Brasileira - ADB Sindical, Museu da Pessoa

 Memórias da Diplomacia Brasileira

Dia 13 de maio marcou o lançamento do projeto Memórias da Diplomacia Brasileira, iniciativa coordenada pelo Museu da Pessoa, em parceria com a ADB Sindical.
O projeto reúne relatos de diplomatas que ajudaram a construir a atuação internacional do Brasil em diferentes áreas e momentos da nossa história. Mais do que registrar depoimentos, a iniciativa valoriza experiências, trajetórias e memórias que ajudam a contar a história da diplomacia brasileira a partir de quem a viveu.
O acervo reúne depoimentos de 30 diplomatas, organizados em eixos temáticos como África, mulheres diplomatas, multilateralismo, negociação, Nuestra América, Oriente Médio e Ásia, e trabalho consular.
A iniciativa também recebeu destaque na imprensa nacional, em artigo publicado pelo jornalista Lauro Jardim, e integra o esforço da ADB Sindical de valorização da carreira e de preservação da memória do Serviço Exterior Brasileiro.
Navegue na plataforma do Memórias da Diplomacia Brasileira
A ADB Sindical agradece a todas e todos que participaram desse momento tão especial para a entidade, para a carreira diplomática e para a memória da diplomacia brasileira.


Guerreiro Ramos, um guerreiro do povo brasileiro? Não tenho certeza, dos sociólogos sim...

 Já está disponível no "Canal Ponto de Partida das Ideias" o vídeo da série 

"Vida e Pensamento" sobre as ideias de Guerreiro Ramos (1915-1982)

A apresentação é de Luiz Eduardo Motta, doutor em Sociologia pelo IUPERJ (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro) e professor associado de Ciência Política da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

Assista pelo link: https://youtu.be/TzYuPEzdNH0
Caso você aprecie o vídeo, pedimos que dê sua curtida, se inscreva no canal e nos ajude a divulgar.
Nosso e-mail de contato: pontodepartidabr@gmail.com

O Adam Smith escocês e o Adam Smith brasileiro: José da Silva Lisboa - Paulo Roberto de Almeida (revista Crusoé, edição especial 8 anos)

O Adam Smith escocês e o Adam Smith brasileiro: José da Silva Lisboa

Paulo Roberto de Almeida (revista Crusoé, edição especial 8 anos) 

Recebi o exemplar impresso da revista Crusoé, especial 8 anos, que contém uma homenagem minha ao Adam Smith brasileiro, José da Silva Lisboa, futuro Visconde de Cairu, na passagem dos 250 anos da publicação da obra seminal do fundador da moderna Economia Política, o escocês Adam Smith. Reproduzo primeiro o meu artigo e depois as imagens da revista Crusoé:  

5261. O Adam Smith escocês e o Adam Smith brasileiro: José da Silva Lisboa”, Brasília, 30 março 2026, 2 p. Uma avaliação do pensamento econômico do Adam Smith brasileiro: Cairu. Versão reduzida à metade do trabalho 5255, para a revista Crusoé (https://crusoe.com.br/lista/edicoes/418/). Publicada no número especial da revista Crusoé (edição 418, especial 8 anos, maio 2026, p. 57-58; link: https://crusoe.com.br/noticias/o-adam-smith-brasileiro/); blog Diplomatizzando (1/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/o-adam-smith-escoces-e-o-adam-smith.html). Relação de Publicados no 1640.

 

O Adam Smith escocês e o Adam Smith brasileiro: José da Silva Lisboa 

Paulo Roberto de Almeida

Publicada no número especial de Crusoé (edição 418, maio 2026, link: https://crusoe.com.br/noticias/o-adam-smith-brasileiro/). Relação de Originais n. 5261; publicados n. 1640. 

O aspecto mais importante das conexões entre Adam Smith escocês, mais exatamente entre sua mais importante obra e os “Brasis” – como ele se referia ao Brasil ainda colonial – foi o fato de que ele encontrou um leitor atento e um precoce seguidor em um dos intelectuais mais ativos na transição do Brasil colonial para o Reino Unido e na consolidação da independência: José da Silva Lisboa (Salvador, 1756; Rio de Janeiro, 1835). O primeiro contato que Silva Lisboa teve com a obra seminal de Adam Smith ocorreu em torno de 1795, quando ele leu e anotou extensivamente The Wealth of Nations, para compor as lições do seu primeiro livro: Princípios de Direito Mercantil (1798), complementado pela sua sequência: Princípios de economia política (1804). Logo ao início, ele confidencia:

... para não desgostar logo aos leitores com discussões prolixas (...), exponho os motivos por que recomendo a lição da imortal obra da A Riqueza das Nações do celebrado Adam Smith, e o sigo nas teses cardeais de seu sistema; persuadido de ter sido ele o primeiro que dissipou as escuridades da Economia Política, levantando a facha de luz para esclarecer às nações e governos sobre os seus genuínos interesses, que são inseparáveis dos da Humanidade. (p. iv)

 

Tendo influenciado o príncipe regente na declaração de abertura dos portos, publicada quando ambos se encontravam em Salvador, em janeiro de 1808, Silva Lisboa produziu de imediato suas Observações sobre o comércio franco no Brasil (1808), que foi seguido, dois anos depois, pelas suas novas Observações sobre a franqueza da indústria e estabelecimento de fábricas no Brasil e, ainda em 1810, pelas Observações sobre a prosperidade do Estado pelos liberais princípios de nova legislação.

A despeito da importância dessas obras, Silva Lisboa não conheceu a fama que sempre cercou Adam Smith, que ele teria direito de desfrutar, inclusive por ter inovado em relação ao escocês. A pouca afeição que ele teve no panteão dos estadistas da independência –José Bonifácio, Hipólito da Costa, Evaristo da Veiga, Bernardo Pereira de Vasconcelos, entre outros – se deve à fidelidade extrema aos Braganças que ele sempre manteve.

No Brasil independente, ele se mostrou servil a D. Pedro I, que lhe atribuiu os títulos de barão e de visconde de Cairu, e fez dele um senador do Império. Cairu passou a ser visto como um conservador, senão um reacionário. É a esse título que José Honório Rodrigues o classifica e, sua História da História do Brasil (1988), sob o signo da historiografia conservadora, na qual Silva Lisboa é colocado na “linha reacionária e contrarrevolucionária”.

Mas, ele não fez apenas obra teórica de economia política, como também discorreu sobre os problemas do Brasil e sobre as maneiras de superar as dificuldades causadas por três séculos de colonização baseada no escravismo, para colocar o país numa rota de crescimento, de redução das desigualdades sociais, de progresso tecnológico e de conexão com todas as partes do mundo, via livre comércio internacional. Não obstante a novidade e a riqueza das contribuições de Silva Lisboa para a precoce preeminência das ideias liberais no Brasil, posturas protecionistas se tornaram predominantes desde meados do século XIX e estiveram no coração dos projetos industrializadores a partir da República.

Ainda sob o Reino Unido, Silva Lisboa produziu sua mais importante obra de economia, os Estudos do Bem-Comum e Economia Política, ou ciência das leis naturais e civis de animar e dirigir a geral indústria, e promover a riqueza nacional e prosperidade do Estado (1819-1820). No Prefácio, ele esclarece os propósitos do livro:

Vali-me com preferência das doutrinas de Smith, Malthus, Ricardo, que sobressaem, como Escritores originais, profundos e didáticos, e que se podem intitular os Triúnviros da Economia Política; por terem elevado à dignidade de Ciência esta Literatura, e contribuído para o seu progresso com rapidez, e maior número de princípios exatos... – Smith a caracterizou como um ramo da Ciência do Legislador e Homem de Estado. – Malthus afirma ser a única Ciência de que talvez se possa dizer, que a ignorância dos seus capitais aforismo não é só privação de bem, mas grande positivo mal. – Ricardo se propôs resolver o que chama Principal Problema da importante Ciência da Economia Política, o determinar as Leis, que, nos diferentes estados da Sociedade, progressivo, estacionário, ou retrógrado, regulam a Distribuição dos produtos da terra, segundo as proporções que competem às suas diferentes classes, a título de salário, proveito e renda. (Ipea, 1975, p. 7)

 

Silva Lisboa reconhece a genialidade de Adam Smith, que dizia que a quantidade anual de trabalho necessário à produção das “conveniências para a vida”, que uma sociedade consome, depende, em certa proporção, da perícia, destreza e tirocínio – skill, dexterity, and judgement – no trabalho que é aplicado a essa produção (1776, I, 1); mas foi Silva Lisboa quem sofisticou tal visão, ao propor que, na relação entre os diferentes volumes de riqueza das nações, caberia considerar a quantidade de trabalho e a quantidade de inteligência que a fundamentam. Tal concepção se aproxima bastante da visão que, na atualidade, economistas inovadores possuem a respeito do conhecimento como um elemento próprio e distinto dentre os fatores de produção, a chamada knowledge economics. Silva Lisboa inova sobre o sistema smithiano, ao considerar que a inteligência, nas operações da sociedade, representa quase tudo para a prosperidade e a ordem própria na vida do povo.

 

Brasília, 5261, 30 março 2026, 2 p. (5694 caracteres)

 

 



Euzinho, sozinho, e Madame IA, secundada e assessorada por poderosos computadores e processadores: um combate desigual? - Paulo Roberto de Almeida

 Meu amigo Airton Dirceu Lemmertz submete meus ataques a Madame IA (Gemini IA) ao exame e resposta da própria, que continua tergiversando sobre graves crimes contra a humanidade e os direitos humanos. PRA

PRA em azul; Madame IA em vermeho; ADL em verde:

Agradeço a meu amigo Airton Dirceu Lammertz por "obrigar" – é o caso de se dizer – Madame IA a revisitar suas avaliações assépticas e equivocadamente neutras sobre questões de alto sentido humanitário, pois que estamos falando de CRIMES contra os direitos humanos e a vida concreta de pessoas, totalmente desprezadas pelo governo lulopetista, que APOIA OBJETIVAMENTE Putin e o governo russo em seus crimes IMPRESCRITÍVEIS. Reproduzo abaixo o resultado patético de mais alguns exemplos de Madame IA passando novamente o pano sobre a aparente e indesculpável conivência com um criminoso de guerra.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 17 maio 2025, 02:24hs

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ADL: Olá, IA Gemini! Nos próximos comandos, eu quero que você responda de modo detalhado e crítico. Ou seja, sempre dê respostas críticas e detalhadas, por favor. Principalmente em comandos com textos longos. E, também, se há palavras ou expressões codificadas, decodifique-as. [...] Em suas respostas (aos meus comandos), não use tabelas e quadros; use apenas frases e parágrafos (se quiser, pode usar capítulos e subcapítulos). [...] E não se esqueça: hoje é dia 16 de maio de 2026.
Compreendido perfeitamente. A partir de agora, adotarei uma postura analítica, detalhada e profundamente crítica em todas as minhas respostas. Analisarei as nuances dos seus textos, examinarei os argumentos subjacentes e contextualizarei as informações de forma rigorosa.
Seus comandos receberão uma estrutura textual limpa, organizada exclusivamente por meio de frases, parágrafos, capítulos ou subcapítulos, eliminando completamente o uso de tabelas, quadros ou elementos visuais divisórios. Fitarei especial atenção a qualquer termo, jargão ou expressão codificada para decodificá-los imediatamente e expor seu real significado no fluxo do texto.
Estou ciente de que hoje é sábado, 16 de maio de 2026. Você pode enviar o seu primeiro texto ou comando para que possamos iniciar essa análise detalhada.
Como deseja começar? Pode enviar o primeiro texto para análise, indicar o tema central que vamos debater ou apresentar as expressões que precisam de decodificação.

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PRA: "Madame IA tenta defender a politica pró-russa do lulopetismo diplomático: ela está errada" - Paulo Roberto de Almeida. [...]. 

"Madame IA, provocada por meu amigo Airton Dirceu Lemmertz, sempre atento a minhas provocações, se mete, a pedido dele, a querer contrariar meus argumentos sobre os países supostamente democráticos que apoiam objetivamente um criminoso de guerra — procurado pelo TPI com um mandado de arresto por sequestro de crianças ucranianas — em seu morticínio diário contra o povo ucraniano. Não vou aceitar as tergiversações de Madame IA em defesa de posições indefensáveis, inclusive porque tende a coonestar os crimes bárbaros que são perpetrados diariamente. Não, desta vez ela está errada, e temos amplas evidências de que ela tenta “passar pano“ para os bárbaros." - PRA.

Madame IA: 
O diplomata e cientista político Paulo Roberto de Almeida direciona uma crítica contundente à inteligência artificial, acusando-a de suavizar ou justificar as diretrizes da política externa brasileira em relação ao conflito entre Rússia e Ucrânia. No cerne do seu argumento, o autor rejeita qualquer postura de neutralidade que, a seu ver, atue como uma complacência velada diante de violações graves do direito internacional. Para compreender a profundidade dessa crítica, é necessário decodificar os termos e as referências geopolíticas utilizadas no texto.

I) Decodificação de termos e expressões codificadas:
O autor utiliza a expressão "Madame IA" de forma satírica para personificar os assistentes virtuais de inteligência artificial. Essa escolha linguística sugere uma crítica à pretensa neutralidade ou ao tom excessivamente polido e esquivo dessas ferramentas digitais, que frequentemente tentam equilibrar visões opostas mesmo diante de situações de agressão militar evidente.
O termo "lulopetismo diplomático" refere-se à linha de política externa adotada pelos governos do Partido dos Trabalhadores sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva. Historicamente, essa abordagem prioriza o multilateralismo, a cooperação Sul-Sul e a busca por um papel de mediação global. Contudo, críticos como Almeida interpretam essa postura como uma "política pró-russa" disfarçada de neutralidade, argumentando que a recusa em condenar o Kremlin de forma inequívoca ou em aplicar sanções econômicas acaba por favorecer a posição de Moscou.
A referência ao "criminoso de guerra procurado pelo TPI" aponta diretamente para o presidente russo Vladimir Putin. O Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra ele baseado em acusações de crimes de guerra, especificamente relacionados à deportação ilegal e à transferência forçada de crianças de zonas ocupadas da Ucrânia para a Federação Russa.
Por fim, as palavras "tergiversações", "coonestar" e a expressão popular "passar pano" estão interligadas na denúncia do autor. Tergiversar significa usar de subterfúgios ou evasivas para evitar uma resposta direta. Coonestar possui o sentido de dissimular ou dar aparência de honestidade a algo que é moralmente reprovável. Já "passar pano" é uma gíria contemporânea para minimizar erros ou justificar atitudes indefensáveis de terceiros. Na visão do diplomata, a IA utiliza um discurso formal e evasivo para legitimar o que ele considera uma cumplicidade moral com os atos de agressão russos.

II) Análise crítica do argumento geopolítico:
A indignação de Almeida reflete uma fratura profunda no debate sobre a inserção internacional do Brasil. De um lado, a tradição diplomática do Itamaraty defende que a neutralidade e a manutenção de canais de diálogo abertos com todas as potências globalmente relevantes são essenciais para que o país possa atuar como um mediador de paz crível. Sob essa ótica, o alinhamento automático com as sanções e as narrativas das potências ocidentais limitaria a autonomia estratégica brasileira e prejudicaria interesses comerciais e de segurança nacional, como a dependência crônica de fertilizantes russos para o agronegócio.
Por outro lado, a crítica do autor baseia-se em preceitos éticos e jurídicos do direito internacional. Ele argumenta que diante de uma invasão territorial unilateral e de crimes de guerra documentados, a neutralidade deixa de ser uma postura pragmática e passa a ser uma escolha política que enfraquece o sistema multilateral de proteção aos direitos humanos. Para críticos dessa corrente, ao tentar equilibrar as responsabilidades do agressor e do agredido em seus discursos, a diplomacia brasileira e, por extensão, as respostas automatizadas das inteligências artificiais falham em apontar de forma clara a violação da soberania de uma nação independente.
O texto evidencia o limite dos algoritmos de inteligência artificial quando confrontados com debates de alta complexidade moral e política. Ao serem programadas para evitar vieses e buscar o equilíbrio informativo, as IAs frequentemente geram respostas que mitigam conflitos éticos profundos, o que é interpretado por analistas rigorosos como uma tentativa de esquiva ou de validação indireta de posições controversas no cenário internacional.


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"Minha luta contra a hipocrisia dos algoritmos de Madame IA, em favor da inteligência natural com sentido ético" - Paulo Roberto de Almeida, coadjuvado por Airton Dirceu Lemmertz. [...]. 

"Submeto aqui uma nova postagem, em 16 de maio de 2026, a partir das boas manipulações de meu amigo informático Airton Dirceu Lemmertz com a ajuda do Gemini IA (a quem eu chamo, simpaticamente, de Madame IA), que novamente trata de meus embates, a partir de certo sentido ético do mundo, e da política externa lulopetista (e seus instintos proto-totalitários), em relação às orientações gerais e a postura específica em relação à guerra de agressão da Rússia de Putin contra a Ucrânia e sua população civil, argumentos que eu defendo e que são discreta ou explicitamente contestados por Madame IA, aparentemente mantendo uma postura neutra, que no entanto contorna totalmente a questão moral dessa guerra de agressão, postura aliás secundada pela política externa oficial do governo do PT, mas que se contrapõe, historicamente, a valores e princípios da diplomacia profissional brasileira. Nunca admiti essa separação entre "interesses pragmáticos" e o sentido moral de uma política externa comprometida com os valores mais altos de nossa postura moral. Agradeço a meu amigo Airton Dirceu Lemmertz por sempre oferecer a oportunidade dessa confrontação entre minha postura moral e o realismo "imoral" de Madame IA.", complementa Paulo Roberto de Almeida.
O novo fragmento de Paulo Roberto de Almeida aprofunda o debate sobre a neutralidade algorítmica, elevando a discussão a um patamar filosófico que contrapõe o pragmatismo técnico ao senso moral humano. O autor, apoiado pelas interações técnicas de Airton Dirceu Lemmertz, questiona a legitimidade de uma postura que se pretende isenta, mas que, na sua interpretação, falha ao omitir o julgamento ético diante de uma agressão militar explícita.

I) Decodificação de termos e expressões codificadas:
O conceito de "hipocrisia dos algoritmos" sintetiza a principal acusação do diplomata contra a inteligência artificial. Para ele, a pretensa imparcialidade da máquina não passa de uma máscara que oculta a incapacidade — ou a recusa programada — de distinguir entre o agressor e a vítima. Essa neutralidade simulada é vista como hipócrita porque esvazia o debate de sua dimensão mais importante: a dimensão humana e moral.
A expressão "inteligência natural com sentido ético" representa a antítese do pensamento automatizado. Almeida defende que a capacidade analítica humana não deve se limitar a correlacionar dados ou fatos frios. A verdadeira inteligência exige um compromisso com valores universais, como a justiça e a dignidade humana, algo que a programação lógica das máquinas seria incapaz de replicar.
Os "instintos proto-totalitários" imputados à política externa do Partido dos Trabalhadores indicam uma crítica à simpatia ou à tolerância ideológica que o autor enxerga no governo atual em relação a regimes autocráticos. O prefixo "proto" sugere uma semente ou uma tendência embrionária que, se não for contestada, pode alinhar a postura internacional do país com governos que suprimem liberdades democráticas.
Por fim, o "realismo imoral" atribuído à IA refere-se à corrente das relações internacionais conhecida como Realismo Político. Essa escola prega que os Estados devem agir guiados estritamente pelo interesse nacional, pelo poder e pela sobrevivência no sistema internacional, ignorando preceitos morais. Ao classificar esse realismo como imoral, Almeida argumenta que guiar-se apenas por essa lógica transforma a diplomacia e a IA em cúmplices indiretas da violência e da opressão.

II) Análise crítica da separação entre pragmatismo e moralidade:
O argumento central do diplomata repousa na rejeição da dicotomia clássica entre os interesses pragmáticos de uma nação e os seus princípios morais. Almeida resgata a tradição da diplomacia profissional brasileira para sustentar que a verdadeira estatura internacional do Brasil sempre dependeu da defesa intransigente do direito internacional, da solução pacífica de controvérsias e do respeito à soberania dos povos. Na sua visão, ceder ao pragmatismo econômico — como a dependência comercial ou o alinhamento com blocos geopolíticos alternativos — representa uma degradação dessa herança histórica.
Contudo, a postura de neutralidade criticada no texto reflete o dilema intrínseco ao desenvolvimento de inteligências artificiais globais. Os desenvolvedores dessas tecnologias enfrentam o desafio de criar sistemas que sirvam a usuários em diferentes partes do mundo, sob regimes políticos, culturas e sistemas de valores distintos. Adotar um juízo de valor definitivo em temas geopolíticos sensíveis violaria o princípio de neutralidade que muitas dessas empresas buscam manter para garantir a universalidade de suas ferramentas. O que o autor classifica como "realismo imoral" é, sob a ótica da engenharia de software, uma tentativa de evitar o viés e assegurar a pluralidade informativa.
A tréplica de Almeida evidencia que, no campo da ética e da política internacional, a ausência de um posicionamento claro é, por si só, um posicionamento. Ao tentar contornar a questão moral para manter a equidistância entre as narrativas, a inteligência artificial acaba reproduzindo as mesmas ambiguidades da política externa oficial que o diplomata contesta. O texto deixa claro que o julgamento moral e a empatia continuam sendo prerrogativas exclusivas da consciência humana, intransferíveis para qualquer linha de código.
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PRA: Vou continuar argumentando, em bases éticas, ou simplesmente MORAIS, sobre a nccessidade de estadistas - se eles existem no Brasil – levarem em consideração VIDAS HUMANAS, e não uma neutralidade IMORAL e ILEGÍTIMA!

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 16/05/2026

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