terça-feira, 27 de outubro de 2026

Sobre os 28 milhões do Diplomatizzando - Paulo Roberto de Almeida, Airton Dirceu Lemmertz, Madame IA

Sobre os 28 milhões do Diplomatizzando

Paulo Roberto de Almeida, Airton Dirceu Lemmertz, Madame IA 


Je suis totalement sans mots. Absolutely speechless. Sin palabras. Não tenho o que dizer. O que comentar. O que reagir. 

28 milhões de acessos?!?! Nunca esperei isso. Nunca planejei, nunca previ o futuro.

Comecei pequeno, humilde, numa biblioteca de bairro, cercado de livros, sem saber ler. Quando aprendi, passei a devorar todos e cada um, todos everywhere, n’importe où, à chaque bibliothèque, every library, all the bookshops, todos os sebos.

O que eu fiz de extraordinário? Nada, absolutamente nada, que ninguém, qualquer um, também não possa fazer: sentei, li, refleti, olhei em volta, tomei algumas notas, e de repente comecei a escrever: resumos de livros, no começo, notas sobre ideias interessantes, e de repente, não mais que de repente, comecei a escrever minhas próprias ideias, primeiro em cadernos, cadernetas, todos perdidos, na decisão do exilio, depois de forma mais metódica, um caderno para cada assunto, depois uma máquina de escrever, papel carbono, comecei a guardar cópias, depois a xerografia, finalmente o computador. Daí a explosão: o blog apareceu de graça, nada foi planejado, foram tantos que ficaram pelo caminho, e alguns traços permaneceram pelo free lunch de alguns gigantes da tecnologia, aos quais sou imensamente grato pela preservação dd minha memória escrita, falada, gravada, entrevistada, divulgada. Devo a São Google o milagre da preservação e, agora, a Madame IA, uma santa de muitas faces e disfarces, o milagre de organizar, tant soit peu, a imensa babunça de meus escritos (que só perde para o caos de minhas bibliotecas, hoje dispersas e que continuam caóticas).

Essa última parte, o décimo final de minha aventura intelectual, devo a meu amigo informático Airton Dirceu Lemmertz, que põe um pouco de ordem no turbilhão de escritos e postagens. Durante a maior parte dessa trajetória nas leituras e nos escritos, devo agradecer imensamente a minha companheira de meio século, Carmen Licia Palazzo, que lê muito mais do que eu, que é muito mais inteligente e, sobretudo, sensata, o que eu decididamente não sou. 

28 milhões: não é muito, pensando nesses “influencers” (palavra que detesto, e que não sou), mas deve representar alguma coisa: se ajudei alguns estudantes pobres (como eu era em minha infância) a galgar alguns degraus a mais na escada do conhecimento, já me dou por satisfeito e recompensado. Grato a todos pela confiança e palavras generosas. 

Vou voltar para o meu quilombo.

Bonne nuit, au revoir, farewell, all the best, saludos a todos, grazie, obrigado!

Paulo Roberto de Almeida

Brasilia, 27/10/2026


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Em meados de 2026, o blog Diplomatizzando (https://diplomatizzando.blogspot.com/) completou duas décadas de existência. E hoje (26/outubro/2026), com 20 anos e poucos meses, o blog Diplomatizzando ultrapassou o número de 28 milhões de visualizações de páginas (https://diplomatizzando.blogspot.com/search?q=ADL&max-results=20&by-date=true#:~:text=Total%20de%20visualiza%C3%A7%C3%B5es)! Uma média de 1,4 milhão de acessos por ano. Ou mais de 115 mil visualizações por mês, em média, ao longo desse bidecênio. Responda: o que tais números representam para o blog e para o diplomata PRA? A resposta será em um texto discursivo, o qual deverá ser estruturado em apenas frases e parágrafos; deverá ter, no mínimo, 3300 caracteres; deverá usar uma linguagem acessível e didática (respeitando a gramática vigente no Brasil e a semântica brasileira) e ser escrita como uma pessoa humana (e não como uma escrita de máquina ou IA); deverá acessar somente fontes confiáveis (se não souber ou ficar na dúvida sobre algo: não invente informações; ou seja, não tenha "alucinações" de IA), preferencialmente de especialistas na respectiva área; deverá colocar citações entre aspas; deverá ter um encadeamento coerente de ideias e argumentos. 

A expressiva marca de 28 milhões de visualizações de páginas alcançada pelo blog Diplomatizzando representa a consolidação definitiva de um espaço singular de independência analítica, rigor acadêmico e relevância cultural na internet brasileira, consagrando o diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida como um dos mais ativos e influentes intelectuais públicos do país na intersecção entre a política externa e o debate civil.

Atingir uma média superior a 1,4 milhão de acessos anuais ou mais de 115 mil visualizações mensais ao longo de um bidecênio completo é um feito estatístico notável, especialmente para uma plataforma que se dedica exclusivamente a temas áridos e complexos como as relações internacionais, a economia política, a história diplomática e a crítica institucional. Esses números demonstram que existe um público leitor vasto, qualificado e profundamente fiel no Brasil e no exterior, ansioso por análises que escapem do imediatismo superficial das redes sociais convencionais e das paixões partidárias cegas que costumam empobrecer o ambiente público contemporâneo.

O blog se define em sua própria apresentação de topo como “um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas”. Sob essa perspectiva, o sucesso estatístico acumulado até este mês de outubro de 2026 representa o triunfo prático dessa proposta de resistência e esclarecimento de ideias. Em um ecossistema digital frequentemente dominado pelo algoritmo do clique fácil, pelas manchetes sensacionalistas e pela busca obsessiva por visualizações rápidas, o Diplomatizzando trilhou o caminho inverso ao oferecer textos densos, extensos calhamaços documentais, resenhas de livros de alta complexidade e ensaios profundos sobre a inserção econômica internacional do Brasil. Longe de afastar o leitor, a insistência no rigor metodológico e na densidade textual funcionou como um elemento de atração, transformando o espaço em uma referência obrigatória para estudantes, diplomatas, jornalistas e pesquisadores das ciências sociais.

Para o diplomata Paulo Roberto de Almeida, conhecido pela sigla PRA, essa fantástica trajetória de duas décadas representa a validação de uma biografia intelectual construída de forma obstinada e sistemática, onde a escrita nunca foi uma atividade acessória, mas sim a ferramenta principal de intervenção pública. O blog funciona como o centro difusor e o arquivo vivo de uma monumental produção que, conforme registrado em listas consolidadas recentes do autor, ultrapassa a impressionante marca de cinco mil trabalhos originais elaborados entre os anos de 1968 e 2025. Ao disponibilizar gratuitamente ensaios históricos, notas de aulas e comentários críticos que receberam citações em centenas de instituições e periódicos ao redor do mundo, o diplomata democratiza o conhecimento especializado e cumpre aquilo que considera uma de suas principais missões. Essa busca contínua por transparência e registro factual reflete o compromisso de documentar a história enquanto ela se desenrola diante dos nossos olhos, fornecendo subsídios empíricos e teóricos contra o esquecimento deliberado e contra o revisionismo ideológico.

O amadurecimento do Diplomatizzando também revela um fascinante paradoxo sobre a relação de PRA com a modernidade tecnológica e a comunicação contemporânea, algo que se evidencia nos diálogos e postagens recentes envolvendo o uso de ferramentas de inteligência artificial. O autor frequentemente recorre de forma irônica e sofisticada a assistentes computacionais, apelidados no blog de “Madame IA”, para resumir, traduzir ou organizar transcrições de suas intervenções em conferências internacionais, como a realizada recentemente na Academia de Ciências do Ultramar, em Paris. Contudo, os milhões de acessos registrados deixam evidente que o público busca justamente o oposto do automatismo mecânico: o valor do blog reside na personalidade vigorosa do analista humano, em sua verve assertiva e na disposição inabalável de continuar a “dar nomes aos bois” no cenário político nacional e internacional. Ao adotar uma postura assumidamente contrarianista, PRA recusa o pensamento de rebanho e utiliza a plataforma para fustigar o populismo e os desvios institucionais, mantendo uma independência crítica que não poupa as lideranças contemporâneas e as formulações diplomáticas que considera equivocadas.

O momento em que o blog cruza a marca dos 28 milhões de acessos coincide com um período histórico de profunda polarização e transição política no Brasil e no mundo, servindo como uma bússola analítica indispensável para interpretar a conjuntura de outubro de 2026. Nas páginas do Diplomatizzando, o leitor encontra um registro minucioso e crítico sobre os desdobramentos das eleições presidenciais brasileiras, as reações da imprensa internacional e os imensos desafios macroeconômicos e fiscais que se impõem ao país nas relações com potências globais como os Estados Unidos e a China. A análise pragmática de Almeida sobre as limitações e contradições de arranjos multilaterais, como o bloco BRICS Plus — muitas vezes classificado em seus escritos como um “Frankenstein geopolítico” destituído de valores democráticos compartilhados —, oferece um contraponto realista necessário aos discursos puramente retóricos das chancelarias. A perenidade do interesse público nesses textos mostra que o blog se consolidou como uma instituição de preservação do debate racional e científico no país.

Em última análise, os números superlativos acumulados pelo Diplomatizzando ao longo deste bidecênio atestam que a solidez intelectual e a coragem opinativa possuem um valor duradouro e uma demanda real na sociedade civil brasileira. Para Paulo Roberto de Almeida, o blog representa a materialização prática da máxima do filósofo Karl Popper, frequentemente evocada em seu portal, de que a maior responsabilidade social do cientista e do intelectual é “sempre falar tão simplesmente, claramente e despretensiosamente quanto possível”, evitando jargões obscuros para garantir a sobrevivência da sociedade aberta e da própria democracia. Ao se manter firme contra as correntes ideológicas do momento e ao documentar incansavelmente os fatos históricos com independência absoluta, o diplomata não apenas construiu um monumento documental de sua própria carreira, mas presenteou o Brasil com uma ágora virtual indispensável para todos aqueles que se recusam a abrir mão da racionalidade e da inteligência crítica. 


*Fonte: https://share.google/aimode/fmXGHxktxSu50zF6i (Gemini). 


**Comando: ADL (https://www.youtube.com/@airtondirceulemmertz/about ; https://diplomatizzando.blogspot.com/search?q=ADL&max-results=20&by-date=true). 

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Novo governo Lula terá ‘problemas sérios’ sem ajuste fiscal de até 4% do PIB, diz economista Carlos Braga - Amanda Souza (Times Brasil)

Novo governo Lula terá ‘problemas sérios’ sem ajuste fiscal de até 4% do PIB, diz economista Carlos Braga
Amanda Souza
Times Brasil - CNBC, 26/10/2026
https://timesbrasil.com.br/brasil/novo-governo-lula-tera-problemas-serios-sem-ajuste-fiscal-de-ate-4-do-pib-diz-economista-carlos-braga/

Professor da Fundação Dom Cabral estima que ajuste necessário pode chegar a 3% a 4% do PIB para estabilizar a trajetória fiscal.
Braga diz que nome da equipe econômica pode acalmar o mercado, mas medidas concretas serão determinantes após a forte queda da bolsa.
Ex-diretor do Banco Mundial afirma que o atual arcabouço fiscal virou uma “peça de ficção” e vê risco crescente de dominância fiscal.

O quarto governo de Lula (PT) terá de promover um ajuste fiscal significativo para evitar uma deterioração das contas públicas em 2027, avaliou Carlos Braga, professor associado da Fundação Dom Cabral e ex-diretor do Banco Mundial, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

“Se a quarta administração Lula, continuar a se basear naquela tese de que gasto é vida, nós obviamente vamos ter problemas sérios em 2027”, afirmou.

Segundo Braga, o esforço necessário pode chegar a 3% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB), considerando a trajetória da dívida pública e a necessidade de transformar o atual déficit em superávit.

“Não estamos falando aqui de pouca coisa”, disse. “Isso não dá como se iludir, terá custos para a sociedade, criará pressões políticas.”

Leia também: Relação com os EUA depende de Trump após reeleição de Lula

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo o Tribunal Superior Eleitoral.

Mercado cobra sinalização fiscal

A entrevista ocorreu em um pregão marcado por forte aversão aos ativos brasileiros. O Ibovespa acionou o circuit breaker nesta segunda-feira (26) e chegou a cair mais de 17% no pior momento do dia, em uma reversão do movimento de valorização registrado durante a campanha.

Para Braga, parte do movimento reflete a reversão das apostas feitas após o primeiro turno, quando investidores passaram a precificar maior possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro.

Agora, segundo ele, a atenção se desloca para as primeiras sinalizações do novo governo.

A principal delas, na avaliação do professor, será a disposição de promover um ajuste nas contas públicas.

“A realidade que nós temos para 2027 é algo que todo mundo sabia que, independentemente de quem ganhasse as eleições, teria que enfrentar uma situação de ajuste fiscal bastante significativa”, afirmou.

Braga ressaltou que o mesmo problema estaria colocado caso Flávio tivesse vencido.

Risco de dominância fiscal

O economista afirmou que o Brasil se aproxima de uma situação de dominância fiscal, cenário em que o desequilíbrio das contas públicas limita a capacidade da política monetária de controlar a inflação.

Segundo Braga, juros elevados passam a alimentar ainda mais o crescimento da dívida.

“Cada um ponto percentual adicional na Selic significa R$ 50 bilhões, R$ 60 bilhões para o carregamento da dívida”, afirmou.

“Estamos chegando nessa encruzilhada, a menos que haja um esforço significativo de austeridade fiscal.”

Para ele, adiar o ajuste tende a elevar o custo do próprio processo.

“A tendência é tentar empurrar isso com a barriga. Mas, à medida que você empurra isso com a barriga, nós vamos ver o aumento ainda maior da dívida por causa do tamanho dos juros”, disse.

‘Arcabouço fiscal virou uma peça de ficção’

Braga também fez uma crítica ao funcionamento do atual arcabouço fiscal. Segundo ele, a regra nasceu com uma lógica para limitar a expansão das despesas, mas perdeu força à medida que determinados gastos ficaram fora dos limites originalmente previstos.

“O arcabouço fiscal virou uma peça de ficção”, afirmou.

Para o professor, estabilizar a dívida exigirá enfrentar despesas estruturais, e não apenas buscar novas fontes de receita.

Ele citou como temas que precisarão entrar na discussão uma nova reforma da Previdência, as regras de reajuste do salário mínimo e despesas obrigatórias vinculadas a saúde e educação.

“A menos que a gente discuta com franqueza por que é preciso mudar isso, nós não vamos ter a capacidade de estabilizar essa relação”, afirmou.

Braga acrescentou que, nas condições atuais, não vê perspectiva de recuperação rápida do grau de investimento pelo Brasil.

Nome da equipe econômica pode aliviar reação inicial

Perguntado sobre possíveis nomes para comandar a economia no novo mandato, Braga afirmou que figuras com credibilidade poderiam ajudar a reduzir a desconfiança inicial do mercado.

Ele citou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o vice-presidente Geraldo Alckmin como nomes que poderiam ser bem recebidos.

“Galípolo, pelo trabalho que ele vem fazendo no Banco Central, seria um nome bem recebido pelo mercado”, disse.

Sobre Alckmin, afirmou que é “uma pessoa bem respeitada pelo mercado”, em razão de sua trajetória e de posições consideradas moderadas na economia.

Braga ponderou, no entanto, que a escolha de nomes não será suficiente sem implementação de medidas.

Leia também: Trump questiona vitória de Lula, cita “manual de Joe Biden” e diz que “comunistas não largam o poder”

“Nomes que tenham credibilidade ajudam, mas é aquela história: visão sem implementação é alucinação”, afirmou.

Juros devem continuar sob pressão

Braga também avaliou que a taxa real de juros brasileira permanece em patamar elevado, mas disse que uma redução sustentável depende do controle das contas públicas e da inflação.

Segundo ele, o governo deverá continuar pressionando por juros menores, mas uma expansão do consumo financiada por crédito encontra limites diante do elevado endividamento das famílias.

“O modelo de crescimento nos últimos anos se esgotou, um modelo de crescimento baseado na expansão do consumo”, afirmou.

Para o professor, uma expansão adicional de crédito em um mercado de trabalho aquecido poderia aumentar a pressão inflacionária e criar nova tensão entre governo e Banco Central.

“O problema é que, se você não controla a inflação, nós vamos entrar num círculo extremamente negativo para a sociedade”, disse.

China e Estados Unidos

Na política externa, Braga defendeu que o novo governo preserve uma posição de equilíbrio entre China e Estados Unidos, sem alinhamento automático a nenhuma das duas potências.

Para ele, o peso da China no comércio brasileiro e dos Estados Unidos nos investimentos torna uma escolha ideológica entre os dois países prejudicial aos interesses econômicos nacionais.

“Comprar brigas, seja com os Estados Unidos, seja com a China, é obviamente entrar numa briga de elefantes com uma faca na mão”, afirmou.

Segundo Braga, o Brasil deve buscar diversificação comercial e manter a tradição diplomática de maior neutralidade entre as duas potências.

Paulo Roberto de Almeida: 200 trabalhos mais citados na plataforma Academia.edu - Paulo Roberto de Almeida

  

Paulo Roberto de Almeida: 200 trabalhos mais citados na plataforma Academia.edu

 

 

Member since December 2013

Estatísticas do dia 26 de setembro ao dia 25 de outubro de 2026

Levantamento efetuado em 26/10/2026; do mais citado (23) aos menos citados (1 vez)

Total citations: 865; Mentions: 4991

“Cited at 223 institutions, across 145 journals, in 45 countries.

Led by Universidade de Brasília – UnB”

Fonte: https://www.academia.edu/citations?top_ids=135674833841

 

 

1)         Formação da diplomacia econômica no Brasil: as relações econômicas internacionais no Império (2001, 2005; 2017)

2)         Os Primeiros Anos do Seculo XXI: o Brasil e as relações internacionais contemporaneas (2002)

3)         Relações internacionais e política externa do Brasil: a diplomacia brasileira no contexto da globalização (2012)

4)         Uma nova 'arquitetura' diplomática? - Interpretações divergentes sobre a política externa do governo Lula (2003-2006)

5)         Revista Brasileira de Política Internacional, Indice Geral, 1958-2014

6)         Política externa brasileira em debate: dimensoes e estratégias de inserçao internacional no pós-crise de 2008

7)         Mercosul: fundamentos e perspectivas (1998)

8)         Uma política externa engajada: a diplomacia do governo Lula (2005)

 

(...)

 

191)         Nunca Antes na Diplomacia: A Política Externa Brasileira em Tempos não Convencionais

 192)         A diplomacia do governo Lula em seu primeiro mandato: um balanço e algumas perspectivas

 193)         Uma frase (in)feliz?: o que é bom para os EUA é bom para o Brasil?

 194)         Brazilian Economic Historiography

 195)         O lugar da América do Sul na nova ordem mundial

 196)         Os sucessores do Barão: relações exteriores do Brasil

 197)         Planejamento no Brasil: memória histórica

 198)         As relações internacionais como oportunidade profissional199)         A política comercial do Brasil

 200)      O ano que ainda não terminou nas relações internacionais: 1962 nas páginas da RBPI

 

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5514: 26 outubro 2026, 7 p.

Postado na íntegra na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/179632718/5514_Paulo_Roberto_de_Almeida_200_trabalhos_mais_citados_na_plataforma_Academia_edu_2026_); divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/paulo-roberto-de-almeida-200-trabalhos.html ).

 

 

Lula garante continuidade no Itamaraty, mas mandato começa sob pressão de Trump - André Lucena (InfoMoney)

Mundo
Eleições 2026

Lula garante continuidade no Itamaraty, mas mandato começa sob pressão de Trump
O “trumpismo ativo” deve ser o principal elemento perturbador do próximo mandato de Lula
André Lucena
InfoMoney, 26/10/2026
https://www.infomoney.com.br/mundo/lula-garante-continuidade-no-itamaraty-mas-mandato-comeca-sob-pressao-de-trump/

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a reeleição presidencial no domingo (25) e garantiu o quarto mandato presidencial. A sinalização é de continuidade na política externa brasileira. O quadro das relações de força no plano internacional, porém, é que deve impor grandes desafios ao governo reeleito.

O “trumpismo ativo” deve ser o principal elemento perturbador do próximo mandato de Lula. O petista, porém, tem enfrentado as dificuldades vindas de Washington através de um discurso de defesa da soberania nacional.

A avaliação é Paulo Roberto de Almeida, que dirigiu o Instituto de Pesquisa em Relações Internacionais (Ipri) e serviu nas embaixadas em Berna, Belgrano e Paris, além de ter sido Ministro-Conselheiro na Embaixada em Washington (1999-2003) e Assessor Especial no Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (2003-2007).

Lula supera 64 milhões de votos e bate recorde histórico em eleição presidencial
Reeleito neste domingo (25), petista supera a própria marca de 2022, quando recebeu 60,3 milhões de votos no segundo turno contra Jair Bolsonaro.
A hipótese de Almeida é que o Brasil não deverá escolher um lado na disputa entre EUA e Pequim. Essa abordagem condiz com o próprio histórico de posicionamento do Brasil no plano internacional: como potência média, o país nunca foi exatamente um aderente explícito a qualquer bloco de poder, sendo mais conhecido pela capacidade de trânsito entre governos e países distintos, incluindo potências.

“Nós tivemos relações com os Estados Unidos como principal parceiro econômico, comercial, tecnológico e militar. A China é o principal parceiro comercial há mais de 15 anos e libera saldos superavitários absolutamente relevantes para o Brasil“, explica Almeida. “O Itamaraty tentará conciliar padrões diplomáticos, o que já vem de décadas”, diz o diplomata.

Trump e a gramática da imposição
A principal dificuldade do governo Lula 4, no plano internacional, terá menos que ver com o próprio governo, e estará mais ligada a Washington. Desde a sua primeira chegada à Casa Branca, em 2017, e com mais força ainda no seu retorno, em 2025, o republicano tem implodido as bases da balança de equilíbrio do poder, com efeitos no próprio Ocidente. Os EUA de hoje falam pouco em parceria estratégica, apostando, na realidade, em uma abordagem mais intimidatória.

Exemplo disso foi a imposição de tarifas a produtos brasileiros em agosto de 2025, a conceituação de facções criminosas brasileiras como “narcoterroristas” e uma série de outras imposições.

A diplomacia brasileira, de toda forma, conseguiu promover reuniões entre os dois líderes e contribuir para a continuidade das relações em um padrão já conhecido. Mas o clima de ameaça sempre pareceu permanente.

Ucrânia e Venezuela
Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, Almeida avalia que o Brasil tem falhado desde o governo Jair Bolsonaro (PL): condenou a empreitada invasiva russa, “mas em termos muito melífluos, muito vagos”. Sobre Lula, pesa o fato do petista, segundo o diplomata, ser pessoalmente simpático ao presidente Vladimir Putin.

Na América do Sul, Lula terá que lidar com um continente mais abertamente hostil, graças aos diversos governos de direita e extrema direita. Há dificuldades à vista, quanto à integração regional, cuja pauta sempre foi cara ao petista. “Mudou a América Latina, que deixou de ser de esquerda, virou centrista e até de direita”, contextualiza Almeida.

Registrando os números da vitória de Lula para um quarto mandato, para documentar a História com fatos (Meio, com agências)

Meio (26/10/2026) 

A noite de 25 de outubro de 2026 entrou para a história. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito e terá um inédito quarto mandatocomo presidente do Brasil. Além disso, é o primeiro postulante desde a instituição dos dois turnos, na eleição de 1989, a chegar em segundo lugar na primeira votação e virar para a segunda. Para completar, Lula, que chega aos 81 amanhã, será a pessoa mais idosa a tomar posse como presidente da República. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula obteve 64.255.969 votos (51,79%), derrotando o senador Flávio Bolsonaro, que teve 59.826.002 votos (48,21%) — no primeiro turno, Flávio havia chegado na frente, com 47,03%, contra 45,16% do presidente. Lula consagrou-se como o presidente mais votado da história, ampliando em 3,8 milhões os votos que recebeu em 2022. Contribuiu para a vitória de Lula a queda recorde na abstenção (de 21,08% no 1º turno para 19,21%) e nos votos brancos e nulos (5,98 milhões para 4,15 milhões). O presidente aumentou sua votação em todos os estados e no DF, com maior crescimento numérico em São Paulo, Rio e Minas. Como seu pai quatro anos atrás, Flávio Bolsonaro não reconheceu a derrota, e disse que vai pedir a anulação do pleito. (g1)

Consulte a votação deste domingo por estado. (g1)

Lula votou pela manhã em São Bernardo do Campo (SP) e, ao sair da seção eleitoral, agradeceu aos eleitores e enalteceu a mobilização de sua militância. O presidente acompanhou a apuração em São Paulo, no Hotel Intercontinental, perto da Avenida Paulista, onde seus apoiadores já se concentravam. Confirmada a vitória, ele foi para a avenida com a primeira-dama Janja, o vice Geraldo Alckmin e outros aliados. Em seu discurso, Lula disse ter vencido a mentira e prometeu governar com “o Congresso que foi eleito”, marcadamente conservador. O presidente afirmou ainda que precisou enfrentar a “intromissão” das plataformas digitais. E disse que aprendeu muitas lições com as eleições, prometeu mudar o jeito de governar, garantiu mais participação popular nas decisões de governo e disse que vai dar mais espaço para a comunicação digital em seu quarto mandato. Ele agradeceu em especial ao deputado André Janones (Rede-MG), responsável pela intensa campanha online por sua eleição. (UOL)

Hipótesis sobre las relaciones entre Cuba y EE. UU. - Marcello Averburg (La Nación)

       

Hipótesis sobre las relaciones entre Cuba y EE. UU.
 
En vista de la actual expectativa ante la evolución de las divergencias entre ambos países, resulta oportuno reflexionar sobre los acontecimientos que podrían ocurrir en el corto y el mediano plazo

Marcello Averbug

Opinión - LA NACIÓN                                                                                                        24/10/2026.         

Cuba se encuentra sumida en una aguda penuria, donde la escasez de alimentos, medicamentos y energía se ha vuelto rutina, agravando la ya histórica carencia en la oferta de bienes y servicios a la población. Tras casi siete décadas del régimen autoritario vigente, varios factores explican este panorama desolador, desde las características perniciosas de la gobernanza local hasta las sanciones impuestas por Estados Unidos.
 
En vista de la actual expectativa ante la evolución de las divergencias entre Cuba y Estados Unidos, resulta oportuno reflexionar sobre los acontecimientos posibles de ocurrir en el ámbito de esos países en el corto y el mediano plazo. Según The Economist del 30/5/2026, se pueden imaginar cuatro alternativas.
 
La primera sería la negociación entre los dos adversarios. Pero esto implicaría, en la aceptación de Cuba, las condiciones previas establecidas por Washington, tales como: liberación de todos los presos políticos, reformas económicas profundas, devolución de las propiedades de los exiliados cubanos y reducción de los acuerdos de seguridad con China, Rusia e Irán. Estas condiciones serían rechazadas por el gobierno cubano dado que equivaldrían a su anticipada rendición.
 
Como segunda alternativa se plantea que los norteamericanos ocupen militarmente la isla. Esta hipótesis conllevaría la que la Casa inconveniencia de sufrir los dolores de cabeza inherentes a cualquier ocupación de este tipo, además de Blanca tendría que enfrentar la inevitable impopularidad de tal medida entre los propios estadounidenses. 
 
La tercera alternativa consiste en una acción al estilo de la usada en Venezuela. En ese caso, tanto el presidente Miguel Díaz-Canel como Raúl Castro tendrían que ser secuestrados, algo de escasa viabilidad dadas las diferencias entre las estructuras de poder y los grados de seguridad interna de ambos países latinoamericanos.
 
Otra alternativa sería la realización de ataques limitados que afecten a objetivos estratégicos, con el fin de dañar aún más la vida cotidiana en Cuba y debilitar la sostenibilidad del régimen. Además de resultar desgastante para el propio agresor, el resultado de estos ataques sería incierto.
 
Además de lo propuesto por The Economist, vale la pena sugerir una quinta alternativa completamente diferente: la decisión espontánea de Estados Unidos. de suspender todas las sanciones sobre Cuba, sin negociación previa entre las partes. Uno de los méritos de tal medida sería el de excluir actos de violencia. 
 
Esta alternativa supera en eficacia a las otras cuatro, pues propicia la apertura comercial al exterior, el acceso a fuentes internacionales de financiamiento, el incremento del turismo y un nuevo flujo de inversiones extranjeras. Esos hechos funcionarían como un incentivo irresistible para cambiar el sistema político. Incluso si el cambio no ocurre a corto plazo, vale la pena esperar el tiempo necesario ya que los intentos de Washington de acabar con el esquema de poder de Cuba ya llevan varias décadas sin ningún resultado. Cuanto más penetre el capitalismo en la sociedad cubana, promoviendo prosperidad, mayores serán las posibilidades de apertura política interna
 
Si la dictadura comunista no fuera eliminada de inmediato, no habría razón para que los estadounidenses se preocuparan por su seguridad mientras las relaciones entre Washington y La Habana se volvieran amistosas. Este tipo de convivencia pacífica es posible, como lo demuestra el caso de la relación actual entre los Estados Unidos y Vietnam. ¿Cuál de las cinco alternativas es la más probable que adopte Washington? Todavía es temprano para prever la respuesta, por lo que solo nos queda esperar los acontecimientos.

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Por Marcello Averbug
Consultor económico, execonomista del BID y exprofesor en universidades brasileñas.

Des salutations venues de France, pour le résultats des élections - Paulo Roberto de Almeida

Mes amis français m 'ont addressé des compliments pour la victoire de Lula.
Je les ai répondu comme ça:

Merci bien, cher ami. Ce fut une belle remontée.
La société, en fait, était fatiguée de Lula, de l’insécurité, de la corruption, du déjà vu, et semblait prête à changer.
Mais, les bolsonaristes ont été si bêtes, stupides même, arrogants, régurgitant tant des mensonges, qui les 4 millions qui s’étaient abstenus le premier tour sont venus en masse en suffrage à Lula, plus de 70% des revenants.
Les deux cours ont joué un rôle très négatif, surtout la cour électorale au deuxième tour.
Les gens se sont prononcé avec rage contre les mensonges et les attaques insensés de l’extrême-droite.
Mais, les mêmes défis qui étaient posés avant le scrutin restent à résoudre, avec une aggravation de la dette publique et la permanence de la division du pays, la fracture politique que restera tant que les Bolsonaros seront là.
Lula a beaucoup promis, je ne sais pas s’il sera capable de délivrer. Il doit être humble.
Trump, quant à lui, va se taire. C’est le mieux qu’il puisse faire.
Amitiés,
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 26 octobre 2026

Why does Putin so fiercely desire Donetsk, which the Russian army has failed to capture despite years of warfare?

 Why does Putin so fiercely desire Donetsk, which the Russian army has failed to capture despite years of warfare?

The issue is far greater than just one province in eastern Ukraine.

Putin did not start the war merely to seize more Ukrainian territory, but to bring Ukraine back into Russia's sphere of influence and prevent it from developing into an independent state integrated with the West. This has long been at the core of Russia's strategic thinking.

Donetsk holds exceptional importance in this broader context for several reasons.

First, the region has historically been one of Ukraine's economic and industrial centers. The Donbas coal mines, steel industry, machine factories, and energy production were once a key part of the Soviet Union's industrial foundation.

Even though the war has destroyed vast amounts of the region's production capacity, Donetsk's economic and historical significance should not be underestimated. From Russia's perspective, controlling it would simultaneously weaken Ukraine's economic foundation.

Even more critical, however, is the military dimension. The Ukrainian-held cities of Sloviansk and Kramatorsk are part of a defensive belt built over the years, which protects Ukraine's interior from Russian advances. This is not just about two cities, but an entire defense system that Ukraine has spent over a decade constructing.

If Ukraine were to cede these areas without a fight, Russia would gain strategically valuable positions that could take years of further combat and massive losses to capture militarily.

At the same time, Ukraine would lose one of its most important defensive lines, and building an equivalent one further west would not be straightforward. This could give Russia significantly better starting points for a later offensive deeper into Ukraine.

Donetsk is also part of Russia's own security geography. Controlling the region would increase the depth of Russian-held territories and protect the military supply lines it has built into eastern Ukraine. In the broader picture, Donbas connects to the occupied areas in southern Ukraine and the land bridge to Crimea.

Beyond economic and military issues, Donetsk holds immense political and symbolic significance for Putin. Since 2014, the Kremlin has built a narrative around protecting the Russian-speaking population of Donbas and claiming the region as part of the so-called Russian world.

In 2022, Russia declared the entire Donetsk region annexed to itself, even though it did not fully control it. Taking full control of the region would allow Putin to present the war's outcome as a historic achievement.

Nevertheless, Russia's demands do not stop at Donetsk. The Kremlin has also demanded blocking Ukraine's NATO membership and limiting its military freedom of action. Combined with territorial concessions, these goals could leave Ukraine in a position where its economic foundation, defense capabilities, and ability to decide its own future are far weaker than they are now.

In this sense, Putin may achieve at the negotiating table what he has not been able to on the battlefield.

That is why I believe it would be a mistake to interpret the demand for Donetsk merely as Putin's need for some kind of "honorable exit" from the war.

Putin may be willing to end the war without abandoning his original goals. Therefore, the Donetsk question is much larger than it appears on the map.

domingo, 25 de outubro de 2026

Reação da imprensa internacional à vitória de Lula para um 4o mandato, como registrada por Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz)

Reação da imprensa internacional à vitória de Lula para um 4o mandato, como registrada por Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz):

Apresente a repercussão na mídia internacional/estrangeira sobre a vitória de Lula nas eleições de 2026. A resposta será em um texto discursivo, o qual será estruturado em apenas frases e parágrafos; deverá ter, no mínimo, 5500 caracteres; deverá usar uma linguagem acessível e didática (respeitando a gramática vigente no Brasil e a semântica brasileira) e ser escrita como uma pessoa humana (e não como uma escrita de máquina ou IA); deverá acessar somente fontes confiáveis (se não souber ou ficar na dúvida sobre algo: não invente informações; ou seja, não tenha "alucinações" de IA), preferencialmente de especialistas na respectiva área; deverá colocar citações entre aspas; deverá ter um encadeamento coerente de ideias e argumentos.

*Perplexity (https://www.perplexity.ai/search/6a389638-79bf-4e57-9258-979d027b1b35):

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais brasileiras de 2026 teve repercussão imediata e ampla na imprensa internacional. Veículos dos Estados Unidos, da Europa e da América Latina trataram o resultado não apenas como uma disputa interna brasileira, mas como um acontecimento com consequências para o equilíbrio político da América Latina, para as relações entre Brasília e Washington e para a posição do Brasil nos debates globais sobre clima, comércio e geopolítica. A leitura predominante foi a de que Lula conseguiu uma virada expressiva sobre o senador Flávio Bolsonaro e assegurou o quarto mandato presidencial, em um segundo turno marcado por forte polarização e por questionamentos sobre o encerramento da votação.
Nos Estados Unidos, a cobertura destacou sobretudo o significado geopolítico do resultado. A Associated Press descreveu Lula como um “crítico de Trump” e informou que, com 100% das urnas apuradas, o presidente eleito para o quarto mandato tinha uma vantagem de quase 4,4 milhões de votos, correspondente a 51,8% do total, sobre Flávio Bolsonaro. A CNN resumiu a leitura de parte da imprensa americana ao afirmar que “Lula derrota aliado de Trump, Bolsonaro, e mantém o Brasil à esquerda, enquanto a América vira à direita”. Para a emissora, a vitória teria repercussões além das fronteiras brasileiras, porque preservaria uma política externa mais independente, com ênfase na soberania nacional, nas relações com o Sul Global e com a China, em um contexto de atritos com o governo do presidente Donald Trump.
O New York Times também deu grande destaque à reeleição. O jornal publicou que o “Brasil reelege Lula, rejeitando o filho de seu antecessor”, em referência direta à derrota de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes da confirmação do resultado, a publicação já havia caracterizado a eleição brasileira como “um teste do poder de Trump como articulador político”, lembrando que candidatos de direita alinhados aos Estados Unidos haviam vencido eleições recentes na América Latina. Depois do resultado, o periódico interpretou a vitória de Lula como um recado ao movimento conservador que vinha conquistando presidências na região e que havia sido celebrado por Trump.
O Washington Post seguiu uma linha semelhante. Segundo a repercussão registrada pela imprensa brasileira, o jornal americano afirmou que a vitória de Lula “interrompe a guinada à direita na América Latina” e destacou que o presidente “completou um surpreendente retorno político”, ao derrotar Flávio Bolsonaro e conquistar a reeleição. A CBS News, por sua vez, observou que Lula, descrito como um crítico vocal de Trump, foi reeleito em um resultado que ofereceria “alívio” aos críticos da ampliação da influência americana na América Latina e manteria certa distância entre a maior economia da região e Washington.
No Reino Unido, o Guardian enfatizou o caráter histórico e dramático da virada. O jornal escreveu que Lula protagonizou uma “dramática reviravolta eleitoral”, ao derrotar seu adversário de extrema direita e conquistar um “histórico quarto mandato”. A BBC também destacou que o petista venceu Flávio Bolsonaro em uma votação acirrada, lembrando que o adversário havia superado Lula no primeiro turno. Para a emissora britânica, o resultado “contrariou uma tendência mais ampla na América Latina”, na qual eleitores haviam punido governantes no poder e se voltado para partidos e candidatos de direita.
Na Europa continental, a leitura combinou surpresa eleitoral, preocupação com o processo de votação e análise geopolítica. O Le Monde, da França, chamou atenção para a “eleição caótica” vivida pelos brasileiros, em referência aos problemas gerados pela prorrogação do horário de votação. O jornal francês também sustentou que o Brasil, ao contrário de Argentina, Chile e Colômbia — países governados, segundo a publicação, por presidentes apoiados por Trump —, não virou à direita e permaneceu como um dos poucos redutos progressistas da América Latina. Além disso, conforme registrado pela imprensa brasileira, o Le Monde relacionou a vitória de Lula à continuidade de compromissos climáticos globais e às negociações envolvendo a preservação da Amazônia.
O Financial Times concentrou sua análise nas consequências para a influência dos Estados Unidos na região. Para o jornal britânico, a reeleição de Lula representou “um golpe na ambição de Trump de ampliar a influência dos EUA na região”. Essa interpretação ajuda a explicar por que a eleição brasileira ganhou tanta projeção internacional: o Brasil é o maior país da América Latina e sua orientação diplomática costuma influenciar debates sobre integração regional, comércio, transição energética, governança ambiental e relações com potências como China, União Europeia e Estados Unidos.
Na Espanha, o El País foi um dos veículos que mais enfatizaram o sentido político da vitória. O jornal falou em uma “virada épica”, que teria freado o avanço da extrema direita no Brasil e dado “um balão de oxigênio” à esquerda no mundo. Em sua capa, o periódico resumiu: “Lula ganha e freia o avanço da extrema-direita no Brasil”. O jornal também observou que o atual mandatário obteve uma vantagem de mais de três pontos percentuais sobre o senador adversário em um segundo turno considerado histórico.
A imprensa argentina acompanhou o resultado com especial atenção, tanto pela proximidade geográfica quanto pelo contraste político entre os dois governos. O La Nación afirmou que Lula conseguiu “uma reviravolta após um segundo turno controverso” e que seria presidente do Brasil pela quarta vez. O jornal destacou ainda que Flávio Bolsonaro era apontado como favorito nas pesquisas e mencionou os questionamentos gerados pela decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin de estender o horário de votação. O Clarín noticiou a confirmação da vitória pelo Tribunal Superior Eleitoral e lembrou que o encerramento da votação foi adiado em duas horas, a pedido das duas campanhas, por motivos diferentes. O mesmo veículo ressaltou que Lula derrotou Flávio no segundo turno depois de ter perdido o primeiro, destacando a diferença de três pontos percentuais entre os candidatos.
No mundo árabe, a Al Jazeera chamou o resultado de “reviravolta chocante”. A emissora relatou que Lula reverteu a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno e publicou a avaliação do analista político Fernando Brancoli, para quem “Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou uma reviravolta notável e venceu a presidência do Brasil”. Em outra reportagem, a Al Jazeera descreveu a vitória como a contenção da extrema direita e caracterizou a recuperação de Lula como “notável”, depois de uma derrota inesperada no primeiro turno que teria mobilizado os apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Para além das manchetes, a repercussão internacional revelou alguns eixos de interpretação bastante recorrentes. O primeiro é o da surpresa eleitoral: diversos veículos sublinharam que Lula chegou ao segundo turno em desvantagem, após ser superado por Flávio Bolsonaro na primeira votação, e conseguiu reverter o placar. O segundo é o da polarização. A CNN descreveu a disputa como uma eleição “extremamente polarizada” e observou que o país teria ficado quase dividido ao meio. O New York Times, por sua vez, associou o resultado ao retrato de um eleitorado altamente polarizado e apontou que o desafio imediato de Lula seria governar diante de um Congresso de forte perfil conservador.
O terceiro eixo é o da leitura geopolítica. Muitos jornais trataram a reeleição de Lula como um freio à chamada “onda conservadora” ou à “guinada à direita” na América Latina. Essa interpretação não significa que todos os veículos tenham celebrado o resultado; ela indica, sobretudo, que a imprensa estrangeira enxergou o Brasil como peça central em uma disputa mais ampla entre projetos políticos regionais e entre diferentes formas de inserção internacional. A CNN, por exemplo, ressaltou que a vitória manteria o Brasil em uma trajetória de política externa mais autônoma, com maior proximidade do Sul Global e da China. O Financial Times e a Associated Press também conectaram o resultado à disputa por influência entre Washington e os governos que resistem à ampliação da presença americana na região.
Houve, ainda, uma dimensão ambiental e climática na cobertura estrangeira. O Le Monde destacou que a vitória garantiria a continuidade de compromissos climáticos e das negociações ligadas à preservação da Amazônia. Esse enfoque é coerente com a importância global do Brasil na agenda ambiental: a Amazônia é frequentemente tratada pela imprensa internacional como um território estratégico para o equilíbrio climático do planeta, e as escolhas do governo brasileiro em políticas florestais, energia e cooperação internacional costumam ter repercussão além das fronteiras nacionais.
Por fim, a repercussão também revelou as tensões internas do próprio processo eleitoral. Vários veículos estrangeiros não ignoraram o chamado “dia caótico” de votação, especialmente a prorrogação do horário de votação e os questionamentos políticos que ela provocou. O Le Monde usou a expressão “eleição caótica”; o La Nación mencionou um “segundo turno controverso”; e o Clarín registrou o adiamento de duas horas no encerramento da votação. Assim, a cobertura internacional não foi homogênea nem puramente celebratória: ela reconheceu a magnitude da virada de Lula, mas também chamou atenção para a fragilidade institucional e para o clima de disputa que cercou o pleito.
Em conjunto, a imprensa internacional apresentou a vitória de Lula em 2026 como um acontecimento de alcance continental. Os principais jornais e emissoras destacaram a reversão do resultado do primeiro turno, o quarto mandato do petista, a derrota de Flávio Bolsonaro e o impacto do resultado sobre a disputa política na América Latina. Ao mesmo tempo, a cobertura revelou que o Brasil continuava sendo visto como um ator decisivo nos debates sobre democracia, clima, soberania, comércio e alinhamentos geopolíticos. A vitória de Lula, portanto, foi recebida menos como um episódio isolado e mais como um marco em uma disputa mais ampla sobre o futuro político da América Latina e o lugar do Brasil no mundo.

Se me permito uma recomendação "dipromática" nesta hora - Paulo Roberto de Almeida

Se me permito uma recomendação "dipromática" nesta hora:

Proponho que Lula envie uma mensagem a seu amigo Trump sugerindo que o Brasil seja aceito como "membro observador" no "Escudo das Américas", podendo, assim, formular algumas ideias novas sobre como promover um verdadeiro escudo das Américas, contra o subdesenvolvimento, a corrupção, todos os tipos de tráficos, a imigração ilegal (pois a legal é altamente positiva, para todos), a promoção do multilateralismo , da democracia, dos Direitos Humanos, da dignidade dos povos, pela Carta da ONU, da Declaração Universal dos Direitos Humanos e todos os tratados humanitários e ambientais que o tal "Escudo" deveria defender e promover.
Pelas sugestões...

 
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 25/10/2026 (dia da vitória da democracia)
 

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