domingo, 25 de outubro de 2026

O Fim do Mundo? Sim, já foi previsto, por professores universitários...

 Retiro da Folhinha do Futuro, do meu amigo e colega José Antonio Macedo Soares, esta "data comemorativa": 

"13 de novembro (sexta-feira) - Foi previsto por três professores da Universidade

de Illinois na cidade de Urbana que o mundo terminaria em 13 de novembro de 2026,

apropriadamente uma sexta-feira. A previsão e os cálculos demográficos correspondentes foram publicados na edição de 4 de novembro de 1960 na prestigiosa revista “Science” e argumentavam que o aumento da população mundial chegaria a um infinito em 13 de novembro de 2026 (o mundo terminaria, não pela fome, mas pelo esmagamento).

Interessante notar a precisão dos dados de crescimento da população mundial até 1960. A extrapolação dos números para o futuro alem de 1960 revelou-se falha por não ter podido incluir fatores até então imprevisíveis como, e.g., a queda no número médio de filhos por família (de 6 em 1960 para 2 atualmente). 

A imprensa de todos os países jácomenta o “Dia do Juízo Final’ do vindouro 13 de novembro. Excelente leitura para poder tranquilizar amigos e conhecidos viciados em

catastrofismos."


Brésil: élections 2026 Sciences Po CERI

 

Brésil: élections 2026
Sciences Po CERI
Sciences Po Paris, Campus de PoitiersPoitiers, Nouvelle-Aquitaine
Thursday, November 5 • 5 PM - 7 PM (Brésil, 12-14hs)
Overview
Cet événement est organisé dans le cadre du séminaire mensuel d'OPALC « Último Jueves », en partenariat avec l'association Abya Yala
En hommage à la revue cubaine Temas qui organise depuis 2002 des débats publics tous les derniers jeudis de chaque mois à La Havane, l’OPALC propose ses "Últimos Jueves" autour d’invités. Le séminaire porte aussi bien sur l'actualité politique de l'Amérique latine que sur les recherches en cours portant sur cette région.
 
Intervenants : Marcelo Medeiros (UFPE), Gabriel Feltran (CEE-Sciences Po), Frédéric Louault (ULB), Margaux Barros (ULB), Morgane Reina (CEBRAP).
Responsable(s) scientifique(s)
Frédéric Louault (Université Libre de Bruxelles et CERI-Sciences Po/CNRS), Kevin Parthenay (Université de Tours et CERI-Sciences Po/CNRS) et David Recondo (CERI-Sciences Po/CNRS)

Madame IA sintetiza meu artigo sobre a evolução do voto no Brasil

 Mais um artigo analisado por Madame IA, sob comando de ADL:


Acesse e leia o texto da postagem do link https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/autobiografia-de-um-fora-da-lei-12-o.html ("AUTOBIOGRAFIA DE UM FORA-DA-LEI, 12: O VOTO, DO BICO-DE-PENA AO BOTÃO ELETRÔNICO - Paulo Roberto de Almeida (Revista Será, 23/10/1016)") e, depois, apresente um texto discursivo com todas as informações do texto original, mas reescrito de maneira a ter menos caracteres (palavras mais curtas, expressões mais curtas, frases mais curtas), mantendo as ideias e os argumentos originais. Repito: redução de caracteres, mas não redução de informações. O texto discursivo deverá usar uma linguagem acessível e didática (respeitando a gramática vigente no Brasil e a semântica brasileira) e ser escrita como uma pessoa humana (e não como uma escrita de máquina ou IA); deverá acessar somente fontes confiáveis (caso seja necessário para a construção da resposta no texto), ou seja, não tenha "alucinações" de IA; deverá ter um encadeamento coerente de ideias e argumentos na estruturação do texto. 

Confesso que, por impulsos egoístas, eu não ligava para eleições livres ou voto secreto.
Achava que isso atrapalhava o monopólio e a manutenção do poder. A democracia grega aberta na ágora me parecia impossível em terras brasileiras.
O voto chegou aqui com Tomé de Sousa para expulsar os franceses. Donos de terras votavam em líderes locais. O poder ficava com os “homens bons”, que escravizavam indígenas e africanos para garantir mão de obra.
Depois, ideias iluministas me mostraram que obter o consentimento dos súditos era melhor que a força bruta. Com a Revolução Francesa, partidos passaram a exigir livre expressão e voto legítimo. Tive que ceder.
A “Constituição da Mandioca” limitou o voto e os cargos aos ricos. Eles escolhiam quem concorreria e quem venceria. O voto "a bico-de-pena" imperava. No interior, coronéis da Guarda Nacional garantiam a ordem, simulando um parlamentarismo inglês de fachada. Frei Caneca e outros pernambucanos criticavam o sistema e queriam uma república federal.
Mais tarde, juristas baianos atacaram o arbítrio militar e a corrupção da República Velha. O poder era controlado pelas comissões estaduais de verificação. Tudo era previsível. Surgiram o tenentismo, anarquistas, socialistas e comunistas. Dizia-se que as eleições eram falsas, mas a representação era real. Os anos 1920 seguiram atrasados, apesar do modernismo das elites.
A Revolução de 1930 trouxe o voto feminino e criou a Justiça Eleitoral. Contudo, barrou analfabetos, que eram a maioria. O país continuou sob o "voto de cabresto" no interior. Vivemos o fascismo de Vargas e depois a redemocratização alinhada aos EUA. Mas as fraudes persistiram: os títulos não tinham foto e cédulas eram trocadas por bens e empregos. Analfabetos só votaram em 1985. A ditadura militar barrou o voto direto para presidente.
A Constituinte de 1988 gerou angústia. Eu preferia uma assembleia exclusiva, sem misturar a nova Carta com a gestão de crises como a inflação e a dívida externa. A pressão de grupos de interesse gerou um texto obeso, detalhista e punitivo contra o regime anterior, cheio de incisos longos e regras de transição. Em vez do parlamentarismo esperado, adotou-se um presidencialismo refém do Legislativo, que não assume a gestão do orçamento.
O maior desafio foi unificar as contas públicas. Sob a ditadura, o Brasil tinha três orçamentos simultâneos: o fiscal, o monetário (gerador de inflação) e o das estatais deficitárias. Quase tudo era indexado e muitos serviços eram cobrados em dólar.
Evitar a dolarização oficial foi um milagre. A democracia herdou velhos vícios populistas: gastos sem receita, dívidas e planos econômicos ruins. O país mudou de moeda oito vezes em duas gerações, sendo seis em dez anos.
A Carta de 1988 também foi retrógrada no plano internacional. Contra o mercado global, foi nacionalista, protecionista e estatizante. Presidentes seguintes precisaram fazer emendas para abrir a economia. A Constituição inflou direitos corporativos e criou monopólios que deveriam ser leis comuns. Isso gerou mais de 130 emendas em três décadas.
A grande inovação foi a urna eletrônica em 1996, um sistema seguro e sem fraudes. Recentemente, saudosistas da ditadura atacaram esse modelo. Esse negacionismo eleitoral gerou a contestação das eleições de 2022 e a invasão dos três poderes em 2023. Esse movimento se somou ao negacionismo da vacina na pandemia de Covid-19, multiplicando as mortes.
O golpismo e a postura antivacina copiaram líderes de nações ricas, provando que a ignorância não tem fronteiras. Internamente, o último governo extremista isolou o país, destruiu o ambiente e atacou as urnas de forma caluniosa. Por denunciar esse cenário nesta biografia, acabei virando, ironicamente, um fora-da-lei. 

Registro: o segundo “debate” entre Lula e Bolsonaro resumidopela IA

 Para fins de arquivo e documentação unicamente: 


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Ontem (sexta-feira, 23/outubro/2026) na TV Globo, ocorreu o último debate eleitoral de 2026 entre os candidatos remanescentes à disputa do cargo de Presidente do Brasil: Flávio e Lula. 1) Parte 01: as perguntas e respostas dos candidatos; 2) Parte 02: a repercussão na mídia nacional/brasileira; 3) Parte 03: a repercussão na mídia internacional/estrangeira. E (concluído o levantamento dessas três partes: 01, 02 e 03), depois, apresente um texto discursivo (apenas frases e parágrafos) com uma análise [de modo detalhado e crítico; a partir de várias perspectivas, desde que mantenham correlação] do conteúdo atrelado ao referido debate. O texto discursivo deverá ter, no mínimo, 5500 caracteres; deverá usar uma linguagem acessível e didática (respeitando a gramática vigente no Brasil e a semântica brasileira) e ser escrita como uma pessoa humana (e não como uma escrita de máquina ou IA); deverá acessar somente fontes confiáveis (caso seja necessário para a construção da resposta no texto), ou seja, não tenha "alucinações" de IA; deverá apontar incongruências (se existirem) e, principalmente, convergências dentro do debate e das respectivas opiniões de analistas; deverá ter um encadeamento coerente de ideias e argumentos na estruturação do texto. 

O encerramento do ciclo de debates televisivos das Eleições de 2026 ocorreu na noite de sexta-feira, 23 de outubro de 2026, nos estúdios da TV Globo.
Sob a mediação do jornalista César Tralli, o confronto colocou frente a frente o atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato da oposição. Realizado a menos de 48 horas da abertura das urnas para o segundo turno, o debate foi estruturado em quatro blocos que mesclaram temas sorteados, enfrentamento direto com tempo controlado e considerações finais, servindo como o principal balizador para o eleitorado indeciso.
Abaixo está o levantamento detalhado das três partes solicitadas, seguido por uma análise crítica e discursiva aprofundada sobre o evento.
- Parte 01: As Perguntas e Respostas dos Candidatos:
A dinâmica do debate alternou entre a rigidez dos temas socioeconômicos e a volatilidade das rodadas de tema livre, expondo as prioridades e as fragilidades de cada campanha.
• Bloco 1 (Economia e Social): A rodada inicial focou na condução econômica, inflação e o custo de vida. Lula abriu a argumentação defendendo a estabilidade dos indicadores macroeconômicos de sua gestão, a geração de empregos formais e a manutenção do poder de compra por meio de programas de transferência de renda. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro concentrou seus questionamentos na eficiência fiscal, criticando o tamanho da máquina pública e a atual carga tributária. Flávio cobrou do presidente medidas concretas para o alívio fiscal do setor produtivo, argumentando que o excesso de impostos freia investimentos privados.
• Bloco 2 (Educação e Saúde): Neste bloco de temas sorteados, o foco voltou-se para as políticas de infraestrutura e serviços básicos. Lula questionou o senador da oposição sobre propostas específicas para a expansão do ensino em tempo integral, apontando o modelo como essencial para a redução da desigualdade. Flávio Bolsonaro, em sua resposta e réplica, focou nos gargalos administrativos e de infraestrutura que as escolas públicas enfrentam e criticou a gestão das verbas federais de saúde enviadas a estados e municípios, exigindo auditorias mais rígidas.
• Bloco 3 (Segurança Pública e Meio Ambiente): A discussão mais acalorada do debate ocorreu na rodada de temas livres. Flávio Bolsonaro priorizou a segurança pública, cobrando do governo federal ações mais enérgicas contra as facções criminosas e criticando as políticas de progressão de regime prisional. Lula rebateu focando nos índices de preservação e fiscalização da Amazônia. O atual presidente defendeu a retomada do protagonismo internacional do Brasil na agenda climática e a redução do desmatamento, enquanto Flávio defendeu o equilíbrio entre desenvolvimento do agronegócio e soberania nacional sobre as riquezas naturais.
• Bloco 4 (Considerações Finais e Fechamento): Com maior flexibilidade de tempo livre (cerca de 8 minutos para cada um administrar), o bloco final foi utilizado para apelos diretos ao eleitorado. Lula buscou associar sua imagem à estabilidade institucional, à inclusão e à previsibilidade democrática. Flávio Bolsonaro encerrou seu tempo apresentando-se como um vetor de renovação geracional para o país, fazendo críticas severas à continuidade do modelo petista e focando no eleitor descontente com a atual gestão.
- Parte 02: A Repercussão na Mídia Nacional:
A cobertura da imprensa brasileira e as análises pós-debate enfatizaram o pragmatismo e o forte teor estratégico adotado pelas duas frentes.
• Estratégia e Equilíbrio: Veículos de comunicação de grande alcance nacional destacaram que o confronto foi marcado por uma forte combatividade verbal, mas contido por amarras estratégicas bem desenhadas por ambas as assessorias. Nenhum dos candidatos arriscou adotar posturas excessivamente agressivas que pudessem resultar em erros crassos ou na perda do eleitorado moderado de última hora.
• A Visão dos Analistas: Comentaristas políticos pontuaram que Lula conseguiu demonstrar maior segurança ao transitar por temas de assistência social e relações institucionais, operando na defesa de seu legado político. Por outro lado, analistas apontaram que Flávio Bolsonaro demonstrou habilidade ao focar nas vulnerabilidades de segurança e no sentimento de estagnação econômica de parcelas da classe média, conseguindo nacionalizar pautas que historicamente favorecem a oposição.
• Fact-Checking em Tempo Real: Redes de checagem nacionais (como o serviço Fato ou Fake, do Grupo Globo) mobilizaram equipes para verificar o mar de dados estatísticos trazidos à tela. As checagens expuseram distorções pontuais de ambos os lados: Lula ao arredondar para cima dados de investimento em educação e Flávio Bolsonaro ao citar dados descontextualizados sobre a evolução dos índices de criminalidade e desonerações tributárias passadas.
- Parte 03: A Repercussão na Mídia Internacional:
A imprensa estrangeira e as agências internacionais de notícias cobriram o evento sob o prisma do impacto geopolítico e da consolidação democrática na América Latina.
• Termômetro Político Regional: Jornais e redes de notícias da Europa, dos Estados Unidos e da América Latina trataram o debate da TV Globo como o ápice de uma das disputas mais polarizadas da história recente do continente. A eleição brasileira foi descrita como um termômetro crucial para a direção macroeconômica da maior economia da América do Sul e para o futuro das políticas globais de preservação climática.
• Foco no Ambiente Institucional: Correspondentes estrangeiros elogiaram a condução do programa e a manutenção da ordem nos estúdios. A mídia internacional salientou que, apesar da polarização ideológica explícita, as regras do debate foram estritamente respeitadas pelos candidatos, o que foi interpretado por analistas externos como uma demonstração de resiliência e amadurecimento formal das instituições eleitorais brasileiras em comparação com pleitos anteriores.
- Análise Crítica e Discursiva do Debate:
O debate promovido pela TV Globo na noite de 23 de outubro de 2026 consolidou-se como o documento político mais fiel do atual estágio da democracia brasileira. Longe de ser apenas um programa de televisão voltado ao entretenimento ou ao esclarecimento didático de propostas de governo, o encontro funcionou como um microcosmo das fraturas ideológicas, sociais e econômicas que dividem o país. Uma análise aprofundada e crítica sobre o conteúdo desse enfrentamento revela que, por trás das táticas exaustivamente ensaiadas por marqueteiros e assessores, reside uma profunda disputa de narrativas sobre o passado recente, a realidade presente e os rumos institucionais do Brasil.
Do ponto de vista puramente formal e metodológico, o desenho do debate — estruturado com blocos de tempo livre gerenciados pelos próprios candidatos — transferiu para o palco a responsabilidade sobre o ritmo da discussão. Essa escolha de formato expôs as verdadeiras prioridades de cada projeto de poder. Quando os candidatos têm a liberdade de estipular o tempo de fala e os temas de interesse, o debate deixa de ser uma sabatina técnica e passa a ser uma guerra de desgaste psicológico e de enquadramento temático. O gerenciamento de tempo tornou-se, por si só, um indicador de competência política e controle emocional, aspectos fundamentais na avaliação de um governante em potencial.
Ao analisar o desempenho de Luiz Inácio Lula da Silva, nota-se o uso recorrente da estratégia de ancoragem no legado e na normalidade institucional. Para o atual mandatário, a principal linha de defesa consistiu em apresentar o país como um organismo que se recuperou de turbulências passadas e que caminha em direção à estabilidade econômica e social. Quando Lula evocou dados de emprego, controle de inflação e programas sociais, ele não tentou apenas conquistar o eleitor pelo bolso, mas também pelo anseio de previsibilidade. O discurso governista operou sob a premissa de que a continuidade representa o caminho mais seguro, blindando-se contra as flutuações do mercado por meio do reforço de sua conexão histórica com as classes mais vulneráveis do extrato social.
No entanto, essa postura de guardião da estabilidade cobra um preço crítico em termos de inovação programática. A argumentação do candidato à reeleição muitas vezes esbarrou em uma visão excessivamente retrospectiva. Ao ser provocado sobre os problemas estruturais que ainda assolam a educação pública e a eficiência do gasto do Estado, a resposta tendeu a se deslocar para comparações com períodos anteriores, esvaziando o debate sobre soluções modernas e reformas administrativas profundas que o funcionalismo público exige contemporaneamente. Essa dificuldade em apresentar um horizonte de futuro audacioso e desvinculado de fórmulas tradicionais de governabilidade representou um dos pontos de vulnerabilidade explorados pela oposição.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro construiu sua performance a partir de uma retórica de contestação da ordem e de canalização das insatisfações estruturais. A estratégia da oposição foi forçar o presidente a sair de sua zona de conforto socioeconômica, deslocando o eixo do debate para temas onde o governo enfrenta maior desgaste na opinião pública, notoriamente a segurança pública e a eficiência da máquina estatal. Ao adotar uma postura de cobrança enérgica sobre o combate às organizações criminosas e o controle de fronteiras, o senador buscou sintonizar-se com a sensação difusa de insegurança que afeta tanto os grandes centros urbanos quanto o interior do país.
Apesar do vigor na ofensiva, a estratégia da oposição esbarrou em incongruências quando confrontada com a necessidade de detalhamento técnico. O discurso focado na redução drástica da carga tributária e na flexibilização de regulamentações econômicas frequentemente careceu de uma contrapartida que explicasse como manter a sustentabilidade das contas públicas e o financiamento dos serviços essenciais como saúde e previdência, dos quais a maior parte da população depende diretamente. Ao focar na desconstrução da gestão atual, a candidatura oposicionista por vezes flertou com o reducionismo, oferecendo soluções simplificadas para problemas de altíssima complexidade fiscal e federativa.
O cruzamento entre as opiniões de analistas políticos e as checagens de fatos realizadas no pós-debate revela uma importante convergência: ambos os candidatos priorizaram a consolidação de suas bases eleitorais em detrimento de uma busca real e profunda pelos eleitores de centro ou totalmente desinteressados pelo pleito. O debate da TV Globo não produziu o que a literatura política costuma chamar de "fato novo" ou "momento de ruptura". Houve um consenso claro na mídia nacional de que o encontro foi pautado pela cautela mútua. O medo de cometer um erro irreversível nas vésperas da votação engessou os discursos, fazendo com que as falas parecessem mais monólogos paralelos do que um diálogo propositivo direcionado à nação.
Outra convergência analítica relevante diz respeito à nacionalização e sofisticação de pautas como a segurança pública e a preservação ambiental. O meio ambiente, que em eleições passadas era tratado como uma pauta periférica ou meramente burocrática, assumiu uma centralidade de segurança nacional e econômica. O reconhecimento de que o isolamento internacional por questões climáticas penaliza o agronegócio e atrai barreiras alfandegárias forçou ambos os lados a tratarem a Amazônia não apenas como uma floresta a ser protegida ou explorada, mas como um ativo estratégico nas negociações de comércio exterior. Essa mudança de patamar temático reflete uma evolução na própria consciência coletiva do país e na cobertura jornalística.
No plano das incongruências discursivas que merecem destaque, sobressai o uso seletivo da estatística por ambas as partes. Durante o enfrentamento, os candidatos utilizaram os mesmos indicadores econômicos e sociais para pintar retratos completamente antagônicos do Brasil. Enquanto o governismo apresentou índices de desemprego em queda como prova cabal de uma economia pujante, a oposição utilizou os dados de subocupação e a perda do poder de compra decorrente da inflação de alimentos para ilustrar um cenário de crise silenciosa. Essa manipulação retórica demonstra que, no ambiente hiperpolarizado contemporâneo, a verdade factual muitas vezes é fragmentada e instrumentalizada para servir a propósitos eleitorais imediatos, desafiando a capacidade de discernimento do cidadão comum.
A repercussão internacional trouxe um contraponto analítico fundamental ao evidenciar o papel do Brasil no tabuleiro geopolítico global. Enquanto a cobertura interna focou nas picuinhas partidárias e nas trocas de acusações pessoais, a imprensa estrangeira direcionou sua atenção para o impacto institucional do pleito. Para os observadores internacionais, o principal ganho do debate da TV Globo não foi o triunfo retórico de Lula ou de Flávio Bolsonaro, mas sim a preservação da liturgia e do rito democrático. Em um mundo marcado pelo retrocesso democrático e pela violência política em diversas latitudes, a realização de um debate de alto nível de audiência, mediado de forma firme e sem rupturas de decoro, sinalizou que o Brasil mantém suas instituições funcionando dentro de uma normalidade formal apreciável.
Conclui-se, portanto, que o último debate de 2026 não alterou de forma drástica as estruturas das intenções de voto, mas cumpriu o papel vital de explicitar com clareza cirúrgica as duas visões de país que se enfrentam nas urnas. De um lado, uma proposta baseada no fortalecimento do Estado indutor, no resgate de políticas sociais tradicionais e na busca por uma estabilidade ancorada na previsibilidade institucional. Do outro, um projeto que aposta na redução do escopo estatal, no estímulo às forças de mercado, na centralidade da pauta de segurança pública e em uma renovação de lideranças à direita do espectro político. O veredicto final sobre qual dessas narrativas possui maior aderência com os anseios profundos da sociedade brasileira foi transferido do ambiente controlado dos estúdios de televisão para a soberania do voto popular. 


**Comando editado e ativado na IA por: ADL (https://www.youtube.com/@airtondirceulemmertz/about). 

Élections au Brésil : quoi de neuf, quoi de vieux ? Paulo Roberto de Almeida (Académie des Sciences d’Outremer)

 

5494. « Élections au Brésil : quoi de neuf, quoi de vieux ? », Brasília, 16 octobre 2026, 3 p. Notes pour une visioconférence avec l’Académie des Sciences d’Outremer, Paris. Postado preventivamente no blog Diplomatizzando (link : https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/elections-au-bresil-quoi-de-neuf-quoi.html). Madame IA (Gemini, acionado por Airton Dirceu Lemmetz) efetuou não apenas uma tradução desse texto para o português, como elaborou uma reflexão analítica e interpretativa do conteúdo ; agregado ao texto original e na postagem. Recebidos cumprimentos do organizador, a quem agradeci por sua mensagem, postada no blog (link : https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/des-complements-partir-de-paris-pour.html). Transcrição traduzida de minha fala por Madame IA, graças a ADL, aceita como texto publicado (na verdade YouTube) registrada como trabalho n. 1674 da Lista de Publicados.

   

Élections au Brésil : quoi de neuf, quoi de vieux ? 

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomate, professeur

Notes pour une visioconférence à l’Académie des Sciences d’Outremer, Paris, 16/10/2026.

 

Il faut commencer par une platitude : personne, aujourd’hui, à moins de neuf jours du second tour des élections présidentielles, peut faire un pari, de ceux qui sont acceptés par les bookmakers de Londres, sur qui sortira vainqueur du vote populaire. La seconde platitude ce serait dire que le Brésil est profondément divisé, aujourd’hui – d’ailleurs, depuis plus de trois décennies – mais aussi qu’il continuera d’être politiquement divisé, pendant le prochain mandat, n’importe qui sera élu président pour les quatre prochaines années.

Ce sont deux platitudes, mais avec certaines différences : anciennement c’étaient des populistes conservateurs contre des politiciens progressistes ; ensuite on a eu 21 ans de dictature militaire qui s’est effondré dans l’inflation et la dette extérieure, les mêmes motifs par lesquels les militaires sont intervenus contre un gouvernement populiste ; par après, on a eu les sociaux-démocrates style Fernando Henrique Cardoso contre les gauchistes de Lula et ses compagnons. Chacun des deux ont tenu pour deux mandats – une invention malheureuse de Fernando Henrique Cardoso – et Lula a représenté des avances sociales indéniables, et aussi une politique extérieure différente, ce qui me tient particulièrement à cœur. 

(...)

1674. « Le Brésil face aux défis du monde contemporain », Paris, 16 octobre 2026 ; link video : https://www.youtube.com/watch?v=4na__oIj6u4 ; intervention online à l’Académie des Sciences d’Outremer, « Élections au Brésil : quoi de neuf, quoi de vieux ? », Postage et transcription de mon intervention, grâce aux services d’IA sous demande de Airton Dirceu Lemmertz. 

Academia.edu (link : https://www.academia.edu/179532376/5494_%C3%89lections_au_Br%C3%A9sil_quoi_de_neuf_quoi_de_vieux_2026_) ; 

 

blog Diplomatizzando (link :  https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/elections-au-bresil-quoi-de-neuf-quoi_01413311882.html  

Relação de Originais n. 5494.

 

Outros trabalhos preparados para a mesma finalidade: 

 

 

 

 

5374. “Le Brésil, au premier quart du XXIème siècle : héritages et défis”, Brasília, 27 juin 2026, 4 p. Premier planning, provisoire, pour une intervention à un colloque de l’Académie des Sciences d’Outre-mer, à Paris, le 16 octobre 2016, entre les deux tours des élections présidentielles. À réviser, en attendant la campagne électorale et les résultats du premier tour (4/10/2026). Envoyé, en caractère préliminaire, à Daniel Jouanneau, président de la deuxième section de l'Académie des sciences d'Outre-mer, en attendant version corrigée et actualisée en octobre.

5424. « Introduction sommaire au panorama électoral au Brésil d’aujourd’hui », Brasília, le 7 août 2026, 3 p. Note sur les élections au Brésil, pour futur débat à l’Académie des sciences d’Outre-Mer. Versão em inglês, « Short summary of 2026 Brazil elections ». Postado no blog Diplomatizzando (links : https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/introduction-sommaire-au-panorama.html ; https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/short-summary-to-brazil-elections-in_01421601359.html).  

5442. Le Brésil au premier quart du 21ème siècle : héritages et défis; Brasília, le 31 août 2026, 7 p. Note sur les élections au Brésil entre le premier et le second tour, pour présentation et débat à l’Académie des Sciences d’Outre-Mer, Paris, le 16 octobre, 15-17hs (10 à 12hs de Brasília), mais versão em português do mesmo texto.

 

5443. Le Brésil au premier quart du 21ème siècle : héritages et défis ; Brasília, le 4 septembre 2026, 5 p. Note sur les élections au Brésil entre le premier et le second tour, pour présentation et débat à l’Académie des Sciences d’Outre-Mer, Paris, le 16 octobre, 15-17hs (10 à 12hs de Brasília) ; complété par un addendum, sur la crise du STF et ses impacts sur les élections. Postado no blog Diplomatizzando (link : https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/le-bresil-au-premier-quart-du-21eme.html). 

 

5472. “Élections au Brésil: une approche indépendante sur la polarisation”, Brasília, 22 septembre 2016, 5 p. Synthèse des échanges au sujet d’un colloque à l’Académie des Sciences d’Outremer, 16/10/2026. Disponível no blog Diplomatizzando (link : https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/elections-au-bresil-une-approche.html).

 

 

Nova manifestação de Madame IA sobre os idealistas, enganadores e patifes na política mundial, ao não identificar cada um deles - Paulo Roberto de Almeida

Madame IA se distingue imitando o contrarianista do Diplomatizzando (eu mesmo); excelente descrição da realidade, mas faltou "dar nomes aos bois" - Paulo Roberto de Almeida, Madame IA, ADL: 

A postagem intitulada “Madame IA se distingue imitando o contrarianista do Diplomatizzando (eu mesmo); excelente descrição da realidade, mas faltou 'dar nomes aos bois'”, publicada em 24 de outubro de 2026, registra uma irônica e sofisticada triangulação intelectual entre o diplomata Paulo Roberto de Almeida, seu interlocutor Airton Dirceu Lemmertz (ADL) e as inteligências artificiais de última geração.
O cerne do texto consiste na reprodução de um ensaio mimetizado — encomendado via IA — que divide os agentes das políticas interna e internacional em três categorias inspiradas no clássico western spaghetti de Sergio Leone: "os bons, os malvados e os brutos". Ao avaliar o teor da publicação, Almeida elogia o exercício estilístico, mas aponta, com sua típica verve assertiva, uma lacuna essencial: a timidez da máquina em "dar nomes aos bois", abstendo-se de carimbar diretamente os idealistas, os enganadores e os patifes que circulam pelas instâncias de poder.
Uma análise minuciosa e discursiva deste documento, partindo de perspectivas correlacionadas, permite destrinchar a tipologia proposta e compreender as convergências e os choques que emergem dessa interação entre a inteligência humana contrarianista e a simulação computacional.

A) O Triângulo Comportamental na Política Interna e Internacional: 
Sob a ótica da ciência política e da sociologia dos temperamentos práticos, o texto mimetizado pela IA e validado por Almeida oferece uma anatomia das forças que movem o Estado contemporâneo. Longe de se amarrar às tradicionais e muitas vezes anacrônicas legendas partidárias, a análise divide os atores políticos por seus métodos de atuação e suas disposições éticas.

• Os Bons (Os Reformistas Incomodados): Na política interna, representam os técnicos burocráticos, os juristas apegados ao império da lei e o cidadão contribuinte comum. Trata-se de uma facção que atua sob a premissa idealista de que as instituições possuem racionalidade própria e de que o interesse público deve prevalecer sobre as ambições egoístas. No cenário internacional, "os bons" traduzem-se nos defensores de uma ordem internacional baseada em regras multilaterais, no comércio livre de barreiras arbitrárias e na solução pacífica de controvérsias. O texto ressalta que essa vertente representou, historicamente, a melhor e mais respeitada tradição diplomática do Itamaraty: pragmática, discreta e juridicamente orientada.

• Os Malvados (Os Engenheiros da Hipocrisia): Definidos como figuras dotadas de alta sofisticação intelectual, o que os torna marcadamente perigosos. Eles dominam a engenharia das regras institucionais e convertem a pauta moral em puro ativo de dominação. No plano doméstico, transformam grandes princípios em meras ocasiões e conveniências: evocam o combate à corrupção apenas para estrangular adversários ou empunham bandeiras de inclusão social e soberania nacional para blindar privilégios corporativos de castas estatais. No plano externo, são os arquitetos do cinismo geopolítico: defendem o multilateralismo apenas quando este serve aos seus interesses e o sabotam quando são constrangidos por ele, pregando virtudes aos vizinhos enquanto reservam a si próprios o direito de exercer a exceção.
 
• Os Brutos (Os Operadores da Força): Representam os agentes que abandonaram qualquer verniz de liturgia ou apego normativo. Eles governam pela intimidação, pelo barulho e pela polarização permanente. Os brutos internos não elaboram programas de desenvolvimento, mas fabricam inimigos imaginários e ocupam estruturas estatais para fins de aparelhamento, oferecendo culpados simplórios para canalizar as frustrações de uma sociedade historicamente desigual. 
No tabuleiro global, os brutos prescindem de máscaras regulatórias: anexam territórios soberanos, asfixiam populações e vendem a violência aberta como imperativo de segurança nacional.
 
B) Convergências, Incongruências e o Papel do Intelectual Público: 
O cruzamento crítico entre o comentário introdutório de Paulo Roberto de Almeida e o ensaio gerado pela inteligência artificial revela uma convergência analítica fundamental: ambos reconhecem que o colapso da credibilidade e o avanço da incoerência são os maiores vetores de erosão de uma nação. A postagem adverte que o pior cenário político não é o domínio dos "malvados" — que, por dependerem das instituições para parasitar o poder, guardam certo interesse em preservá-las —, mas sim a ascensão dos "brutos", que operam sob a lógica da pura demolição e da vingança ressentida. Há uma convergência popperiana clara de que a civilização política é uma conquista frágil que exige firmeza e recusa cabal à banalização da força.
 
Contudo, a publicação abriga uma incongruência metodológica e conceitual fascinante, evidenciada pelo próprio autor do blog. A IA produziu um diagnóstico preciso e fluido da realidade estrutural, capturando com precisão o compasso estilístico do blog Diplomatizzando. No entanto, ao operar sob uma lógica de abstração conceitual pura, a máquina falhou em realizar o ato político mais característico do intelectual público: a individualização da crítica. Enquanto a IA se refugiou na segurança das categorias teóricas universais, o analista humano reivindicou a necessidade de "dar nomes aos bois", sugerindo que a verdadeira honestidade intelectual exige correlacionar o conceito abstrato aos rostos específicos dos mandatários e diplomatas que conduzem a conjuntura.

Outro paradoxo implícito repousa no próprio uso da inteligência artificial pelo bloco contrarianista. Almeida, que historicamente combate o automatismo e o pensamento de rebanho nas relações internacionais, celebra o fato de uma ferramenta digital conseguir mimetizar e, por vezes, refinar seu estilo ensaístico. Esse espelhamento demonstra que, na era da desinformação e da polarização hiperbólica que marca o ano de 2026, a inteligência artificial pode atuar tanto como um vetor de massificação da brutalidade digital quanto como um instrumento capaz de organizar e amplificar a resistência intelectual baseada na racionalidade e na defesa das liberdades democráticas. 

 

sábado, 24 de outubro de 2026

Madame IA comenta minha participação na conferiencia em Paris sobre as eleições brasileiras, resumindo minhas intervenções - Paulo Roberto de Almeida

Madame IA comenta minha participação na conferiencia em Paris sobre as eleições brasileiras, resumindo minhas intervenções  - Paulo Roberto de Almeida 

Acesse e leia toda a transcrição do vídeo do link https://www.youtube.com/watch?v=4na__oIj6u4 (título do vídeo, entre aspas: "16 octobre 2026. « Le Brésil face aux défis du monde contemporain »"). Solicito que, a partir do tempo 1:07:10 (1 hora e 7 minutos e 10 segundos), você (Gemini AI) organize o texto da transcrição deste vídeo a partir da participação do diplomata Paulo Roberto de Almeida (ou seja, a partir de 1:07:10): correções gramaticais (grafias, acentuação gráfica, pontuação, primeira letra maiúscula de cada frase, concordâncias verbais e nominais, etc), correções semânticas (linguagem brasileira; exceto onde a língua estrangeira estiver empregada corretamente); exclua as marcações temporais (minutos:segundos ; xx minutos yy segundos) que não mantenham correlação com o conjunto de informações. Ressalto que o áudio original do referido vídeo está em língua estrangeira, mas que deverá [na resposta] ser traduzido adequadamente à língua portuguesa do Brasil (como indicado em regras anteriores neste comando). Apresente a resposta em um texto discursivo (apenas frases e parágrafos). 

A participação do diplomata Paulo Roberto de Almeida no evento internacional de outubro de 2026 foi estruturada a partir da tradução, correção e organização gramatical e semântica de sua fala na Academia de Ciências do Ultramar (1:07:14).
O texto a seguir reflete, de forma fluida e em português do Brasil, as ideias, o posicionamento crítico e o resgate histórico apresentado pelo acadêmico durante a sessão (1:08:43).
O diplomata iniciou sua intervenção cumprimentando os presentes e expressando sua satisfação pelo convite, relembrando sua ligação com a França, onde serviu como ministro-conselheiro na embaixada brasileira em Paris, além de ter vivido no continente europeu como exilado durante o período da ditadura militar no Brasil (1:08:53). Almeida mencionou que, além de um texto anterior enviado aos organizadores sobre o último quarto de século, disponibilizou um novo artigo sintético focado nos elementos arcaicos e inovadores que moldam o processo eleitoral brasileiro de 2026 (1:09:21). Ele pontuou que o cenário de profunda polarização e divisão ideológica entre esquerda e direita não é uma exclusividade do Brasil, sendo uma realidade observável também na própria França e em outras democracias ocidentais (1:09:39).
Ao analisar as permanências históricas do cenário político nacional, o palestrante destacou o que classificou como "o velho" no Brasil: a histórica dominância de forças conservadoras e de centro-direita no Parlamento (1:09:56). Ele apontou que essa realidade legislativa contrasta e colide frequentemente com o perfil dos presidentes eleitos pelo voto popular direto, cujos mandatos flutuam entre a esquerda e a direita ao longo das décadas (1:10:06). Recordando a história política recente, Almeida situou a ascensão de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder em 2003, após quatro tentativas eleitorais consecutivas iniciadas no final dos anos 1980 (1:10:18). Ele relatou que acompanhava os reflexos financeiros e as restrições de crédito internacional impostas ao Brasil daquela época a partir dos Estados Unidos, onde estava baseado (1:10:47). Reconheceu, contudo, que a gestão de Lula promoveu avanços significativos na área social por meio da expansão de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, resultando em uma redução tangível dos índices de miséria e pobreza extrema (1:10:54).
O diplomata ponderou que esse processo de inclusão social e distribuição de renda não nasceu no vácuo, tendo sido iniciado na década de 1990 sob a presidência de Fernando Henrique Cardoso (1:11:05). Ele relembrou o impacto do Plano Real em 1994, mecanismo que debelou uma inflação crônica que chegava ao patamar hoje inimaginável de 3.000% ao ano (1:11:11). Almeida compartilhou uma memória daquele período, quando estava em Paris e a monarquia do franco se preparava para a transição em direção à moeda única europeia (1:11:23). Na ocasião, autoridades e técnicos franceses o procuravam na embaixada para compreender a engenharia de estabilização macroeconômica do Plano Real (1:11:30). Ele explicava aos interlocutores que o modelo brasileiro não se tratava de uma mera substituição fiduciária de moedas aos moldes do bloco europeu, mas sim de um profundo programa de reestruturação econômica que logrou retirar milhões de cidadãos da indigência (1:11:39).
Na virada para os anos 2000, conforme detalhou Almeida, o Brasil beneficiou-se fortemente do ciclo de alta nos preços das commodities minerais e agrícolas, período que coincidiu com a transformação da China no principal parceiro comercial do país, quebrando uma hegemonia norte-americana que perdurava por 150 anos (1:12:12). Ele lembrou que a penetração comercial chinesa acelerou-se drasticamente após a admissão de Pequim na Organização Mundial do Comércio em 2009, um processo de negociação diplomática arrastado que ele também testemunhou de perto na Europa (1:12:40). Atualmente, o comércio com o mercado chinês responde por mais de 30% do fluxo externo brasileiro, gerando os superávits comerciais necessários para cobrir os déficits crônicos do balanço de pagamentos e transações correntes do Brasil com o resto do mundo (1:12:58). O volume de intercâmbio com a China supera a soma dos dois parceiros seguintes, a União Europeia e os Estados Unidos (1:13:18). Essa aproximação estratégica teve suas fundações lançadas ainda no período da redemocratização, quando o governo de José Sarney firmou o programa bilateral de desenvolvimento e lançamento de satélites espaciais com tecnologia de foguetes chineses, iniciativa que permanece ativa (1:13:45).
Almeida estabeleceu um contraponto histórico ao mencionar que, na década de 1970, as tentativas do Brasil de desenvolver capacidades aeroespaciais e de enriquecimento de urânio por meio de parcerias com a França e a Alemanha Ocidental sofreram severas pressões e embargos políticos por parte dos Estados Unidos (1:13:53). As interferências de Washington na soberania brasileira, segundo o diplomata, remontam ao período anterior ao golpe militar de 1964, quando a CIA atuou diretamente no financiamento de campanhas eleitorais estaduais em 1962 (1:14:26). Ironicamente, o palestrante apontou que a eleição de Lula contou com uma espécie de blindagem e suporte institucional indireto da diplomacia de Joe Biden (1:14:45). Ele argumentou que o ex-presidente Jair Bolsonaro planejava uma ruptura institucional inspirada no modelo autocrático de Viktor Orbán ou uma intervenção militar direta para reter o poder (1:14:53). Após a derrota nas urnas em outubro de 2022, Bolsonaro viajou aos Estados Unidos para evitar a transmissão da faixa presidencial, culminando nos episódios de vandalismo golpista em Brasília em janeiro de 2023, que mimetizaram a invasão do Capitólio por partidários de Donald Trump em 2021 (1:15:03).
O fracasso daquela intentona golpista, na visão de Almeida, deveu-se em larga medida à atuação preventiva do governo americano, que enviou três emissários de alto escalão ao Brasil entre 2021 e 2022 para alertar os comandantes militares brasileiros contra qualquer aventura institucional (1:15:33). Entre os enviados estavam o conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, o secretário de Defesa e o diretor da CIA, William Burns (1:15:42). Apenas o então comandante da Marinha engajou-se diretamente na conspiração, encontrando-se atualmente detido junto a outros generais de alta patente (1:15:57). Almeida ressaltou o ineditismo histórico de se aplicar penas de prisão em regime fechado a militares envolvidos em crimes contra o Estado de Direito no Brasil (1:16:16). Diante disso, o diplomata identificou o verdadeiro núcleo da campanha da oposição liderada por Flávio Bolsonaro: a busca obsessiva pela anistia política de seu pai e dos demais conspiradores condenados pela Suprema Corte (1:16:34). Ele alertou também para a existência de articulações em andamento com o ambiente político de Trump nos Estados Unidos para desestabilizar o país por meio de pressões e tarifas comerciais agressivas (1:16:44).
Dessa forma, o debate político brasileiro contemporâneo encontra-se desprovido de um confronto real de programas de governo de longo prazo, sendo tragado por ressentimentos e pelo desejo de vingança das forças de extrema-direita contra o Partido dos Trabalhadores e contra os ministros do Supremo Tribunal Federal (1:17:00). Almeida apontou como um elemento "novo" e potencialmente desestabilizador a forte judicialização do processo eleitoral, com magistrados de diferentes espectros ideológicos — nomeados tanto nas gestões passadas de Lula quanto no mandato de Bolsonaro — intervindo diretamente no conteúdo e nas regras da propaganda partidária, mimetizando uma verdadeira "guerra civil" no interior das instâncias superiores do Poder Judiciário (1:17:26).
O palestrante ironizou as concessões e acenos populistas que marcam a reta final do segundo turno das Eleições de 2026 (1:20:58). Mencionou que, enquanto o governo de Lula acelerou a concessão de benesses fiscais, reajustes no Bolsa Família, programas de renegociação de dívidas familiares e subsídios a microempreendedores, o candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, ensaiou um recuo em suas convicções ultraliberais (1:20:58). Flávio declarou apoio à revisão da jornada de trabalho de seis dias por um de descanso — a chamada escala 6x1 —, sinalizando uma adesão tática à proposta de transição para o modelo de cinco dias de trabalho por dois de descanso (5x2), pauta historicamente ligada ao campo progressista (1:21:48).
Ao abordar a crise da segurança pública, classificada como a principal angústia da sociedade civil brasileira, Almeida traçou um diagnóstico sombrio sobre o avanço das milícias e do crime organizado, particularmente no estado do Rio de Janeiro (1:22:27). Ele rejeitou a classificação simplista feita por Donald Trump de classificar essas facções como grupos terroristas transnacionais, argumentando que se trata de uma simbiose criminosa complexa (1:22:47). Para o diplomata, o Rio de Janeiro contemporâneo transformou-se em uma amálgama perigosa entre a Medellín da época do cartel de Pablo Escobar e a Palermo dominada pela máfia siciliana que executava juízes e generais (1:23:07). Apontou que a contaminação institucional é tamanha que sucessivos governadores fluminenses foram destituídos e encarcerados por corrupção e vínculos diretos com lideranças milicianas, cujos tentáculos econômicos já alcançam o controle de rotas internacionais de escoamento e lavagem de dinheiro do narcotráfico em plena região amazônica (1:23:16).
Por fim, Paulo Roberto de Almeida manifestou profunda preocupação com a perda de autonomia do Brasil no tabuleiro geopolítico global frente às investidas da nova ordem proposta por Washington (1:25:32). Ele detalhou que cerca de 19 nações da América do Sul, América Central e Caribe já aderiram como parceiras à Parceria Econômica das Américas (APEP), plataforma de alinhamento preferencial patrocinada pelo governo americano (1:24:17). Essa adesão inclui três membros importantes do Mercosul: a Argentina de Javier Milei, o Paraguai e a Bolívia (1:24:36). Apenas as diplomacias do México e do Brasil permanecem formalmente fora dessa zona de influência imperial hemisférica (1:24:53).
Em sua conclusão, o diplomata alertou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro representaria o sepultamento da histórica tradição gaulista, pragmática e soberana da política externa brasileira, arrastando o país para uma submissão automática aos ditames estratégicos, comerciais e militares de Washington (1:25:32). Por outro lado, o acadêmico não poupou críticas à condução da diplomacia presidencial de Lula no âmbito do bloco BRICS Plus, classificando o grupo como um "Frankenstein geopolítico" — um arranjo sem coordenação centralizada, desprovido de valores democráticos compartilhados e instrumentalizado unicamente para servir aos interesses imperiais e revisionistas da Rússia e da China (1:45:48). Almeida revelou que o próprio corpo diplomático do Itamaraty nutre severas ressalvas à expansão desordenada do bloco, interpretada como um fator de diluição do poder relativo e da capacidade de influência internacional do Brasil (1:46:03). 


**Comando editado e ativado na IA por: ADL (Airton Dirceu Lemmertz - https://www.youtube.com/@airtondirceulemmertz/about). 

 

Comentários de Madame IA a meu artigo sobre o voto na história política do Brasil - Gemini e Paulo Roberto de Almeida

 Meu artigo na revista Será?, linkado a seguir, atraiu os comentários de Madame IA, que transcrevo logo abaixo:

1673. “Autobiografia de um fora-da-lei, 12: voto, do bico-de-pena ao botão eletrônico”, Brasília, 17 outubro 2026, 4 p. Das eleições falsas, mas representação verdadeira, à votação verdadeira, mas representações falsas. 

Colaboração à revista Será? (ano xv, n. 734, 23 outubro 2026, link: https://revistasera.info/2026/10/autobiografia-de-um-fora-da-lei-12-o-voto-do-bico-de-pena-ao-botao-eletronico/); divulgado no blog Diplomatizzando (24/10/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/autobiografia-de-um-fora-da-lei-12-o.html 

Relação de Originais n. 5498.

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ADL:
Acesse e leia o texto da postagem do link https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/autobiografia-de-um-fora-da-lei-12-o.html
"AUTOBIOGRAFIA DE UM FORA-DA-LEI, 12: O VOTO, DO BICO-DE-PENA AO BOTÃO ELETRÔNICO -
Paulo Roberto de Almeida (Revista Será?, 23/10/1016)")
e, depois, apresente um texto discursivo com todas as informações do texto original, mas reescrito de maneira a ter menos caracteres (palavras mais curtas, expressões mais curtas, frases mais curtas), mantendo as ideias e os argumentos originais. Repito: redução de caracteres, mas não redução de informações. O texto discursivo deverá usar uma linguagem acessível e didática (respeitando a gramática vigente no Brasil e a semântica brasileira) e ser escrita como uma pessoa humana (e não como uma escrita de máquina ou IA); deverá acessar somente fontes confiáveis (caso seja necessário para a construção da resposta no texto), ou seja, não tenha "alucinações" de IA; deverá ter um encadeamento coerente de ideias e argumentos na estruturação do texto.

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Madame IA:
Confesso que, por impulsos egoístas, eu não ligava para eleições livres ou voto secreto.
Achava que isso atrapalhava o monopólio e a manutenção do poder. A democracia grega aberta na ágora me parecia impossível em terras brasileiras.
O voto chegou aqui com Tomé de Sousa para expulsar os franceses. Donos de terras votavam em líderes locais. O poder ficava com os “homens bons”, que escravizavam indígenas e africanos para garantir mão de obra.
Depois, ideias iluministas me mostraram que obter o consentimento dos súditos era melhor que a força bruta. Com a Revolução Francesa, partidos passaram a exigir livre expressão e voto legítimo. Tive que ceder.
A “Constituição da Mandioca” limitou o voto e os cargos aos ricos. Eles escolhiam quem concorreria e quem venceria. O voto "a bico-de-pena" imperava. No interior, coronéis da Guarda Nacional garantiam a ordem, simulando um parlamentarismo inglês de fachada. Frei Caneca e outros pernambucanos criticavam o sistema e queriam uma república federal.
Mais tarde, juristas baianos atacaram o arbítrio militar e a corrupção da República Velha. O poder era controlado pelas comissões estaduais de verificação. Tudo era previsível. Surgiram o tenentismo, anarquistas, socialistas e comunistas. Dizia-se que as eleições eram falsas, mas a representação era real. Os anos 1920 seguiram atrasados, apesar do modernismo das elites.
A Revolução de 1930 trouxe o voto feminino e criou a Justiça Eleitoral. Contudo, barrou analfabetos, que eram a maioria. O país continuou sob o "voto de cabresto" no interior. Vivemos o fascismo de Vargas e depois a redemocratização alinhada aos EUA. Mas as fraudes persistiram: os títulos não tinham foto e cédulas eram trocadas por bens e empregos. Analfabetos só votaram em 1985. A ditadura militar barrou o voto direto para presidente.
A Constituinte de 1988 gerou angústia. Eu preferia uma assembleia exclusiva, sem misturar a nova Carta com a gestão de crises como a inflação e a dívida externa. A pressão de grupos de interesse gerou um texto obeso, detalhista e punitivo contra o regime anterior, cheio de incisos longos e regras de transição. Em vez do parlamentarismo esperado, adotou-se um presidencialismo refém do Legislativo, que não assume a gestão do orçamento.
O maior desafio foi unificar as contas públicas. Sob a ditadura, o Brasil tinha três orçamentos simultâneos: o fiscal, o monetário (gerador de inflação) e o das estatais deficitárias. Quase tudo era indexado e muitos serviços eram cobrados em dólar.
Evitar a dolarização oficial foi um milagre. A democracia herdou velhos vícios populistas: gastos sem receita, dívidas e planos econômicos ruins. O país mudou de moeda oito vezes em duas gerações, sendo seis em dez anos.
A Carta de 1988 também foi retrógrada no plano internacional. Contra o mercado global, foi nacionalista, protecionista e estatizante. Presidentes seguintes precisaram fazer emendas para abrir a economia. A Constituição inflou direitos corporativos e criou monopólios que deveriam ser leis comuns. Isso gerou mais de 130 emendas em três décadas.
A grande inovação foi a urna eletrônica em 1996, um sistema seguro e sem fraudes. Recentemente, saudosistas da ditadura atacaram esse modelo. Esse negacionismo eleitoral gerou a contestação das eleições de 2022 e a invasão dos três poderes em 2023. Esse movimento se somou ao negacionismo da vacina na pandemia de Covid-19, multiplicando as mortes.
O golpismo e a postura antivacina copiaram líderes de nações ricas, provando que a ignorância não tem fronteiras. Internamente, o último governo extremista isolou o país, destruiu o ambiente e atacou as urnas de forma caluniosa. Por denunciar esse cenário nesta biografia, acabei virando, ironicamente, um fora-da-lei.

*Fonte: https://share.google/aimode/eiPzbmIUb77eoWNi5 (Gemini).

Madame IA (aqui disfarçada de Perplexity) se distingue imitando o contrarianista do Diplomatizzando (eu mesmo); excelente descrição da realidade, mas faltou "dar nomes aos bois"...

 

Madame IA (aqui disfarçada de Perplexity) se distingue imitando o contrarianista do Diplomatizzando (eu mesmo); excelente descrição da realidade, mas faltou "dar nomes aos bois"...
Paulo Roberto de Almeida, Madame IA, ADL
Recebo com grande prazer o texto abaixo escrito por Madame IA, a pedido de meu amigo ADL, e nele reconheço um estilo talvez familiar com um personagem que conheço desde certo tempo, excelente mesmo e talvez até melhor do que eu mesmo escreveria. Mas, tímida como ela é, Madame IA se exime de dar nomes aos bois, ou seja, a indentificar os idealistas, os enganadores e os patifes, como existem entre os 20 nomes mais citados (alguns obrigatoriamente, mas infelizmente) em meu "quilombo de resistência intelectual".
Agradeço a distinção, em meu próprio favor, e vou continuar meu trabalho de relatar o que vejo, o que leio, dando nomes aos bois...
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 24 de outubro de 2026
 
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Considerando o histórico de postagens assinadas pelo diplomata PRA (Paulo Roberto de Almeida) no blog Diplomatizzando (https://diplomatizzando.blogspot.com/), com destaque recente para o fragmento textual no início da postagem do link https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/o-bom-o-mau-e-o-feio-lembram-se-do.html (título, entre aspas: "O Bom, o Mau e o Feio (lembram-se do Sergio Leone?): meus "tipos preferidos" no Diplomatizzando - Paulo Roberto de Almeida (via ADL e Madame IA)"), assim como mimetizando/imitando "o estilo de escrita, as ideias defendidas e o modo de exposição dos argumentos", apresente um texto discursivo (apenas frase e parágrafos) sobre o tema/assunto "os bons, os malvados, os brutos - nas políticas interna e internacional - brasileiros e estrangeiros", em aproximadamente 5500 caracteres. 

Seguindo o espírito analítico e crítico do blog Diplomatizzando — sem atribuir a Paulo Roberto de Almeida a autoria deste texto —, eis uma imitação do seu registro ensaístico sobre “os bons, os malvados e os brutos” na política brasileira e internacional.
Os bons, os malvados e os brutos nunca foram categorias tão nítidas quanto gostariam os moralistas de plantão, mas continuam sendo indispensáveis para compreender o espetáculo político, dentro e fora das fronteiras. O bom é aquele que crê, às vezes ingenuamente, que as instituições funcionam, que as regras se aplicam a todos e que o interesse público pode prevalecer sobre as ambições pessoais. O malvado é mais sofisticado: conhece as regras, manipula-as com destreza e converte a retórica moral em instrumento de poder. O bruto, por fim, dispensa sutilezas: governa pela força, pela intimidação e pela repetição de fórmulas simplórias, convencido de que a realidade se dobra à vontade de quem grita mais alto.
Na política interna brasileira, essa tipologia não corresponde necessariamente a partidos, mas a temperamentos e métodos. Os bons são frequentemente os reformistas incomodados, os técnicos que acreditam ainda na possibilidade de um Estado eficiente, os juristas que levam a sério a letra da Constituição e os cidadãos que pagam seus impostos esperando, contra toda evidência, receber em troca serviços públicos decentes. São minoria ruidosa apenas quando escandalizados; na maior parte do tempo, permanecem silentes, absorvidos pela vida privada, enquanto o país é administrado por outros critérios.
Os malvados brasileiros são reconhecíveis pela sua capacidade de transformar princípios em ocasiões. Falam de democracia quando precisam de votos, de combate à corrupção quando desejam atingir adversários, de inclusão social quando buscam legitimidade para ampliar clientelas e de soberania nacional quando pretendem blindar privilégios corporativos. Não são, necessariamente, homens de pouca inteligência; ao contrário, costumam ser bastante inteligentes, o que torna sua ação mais perigosa. Sabem que o Brasil tolera uma dose considerável de impunidade, desde que ela venha acompanhada de discursos generosos e de promessas de futuro.
Os brutos, por sua vez, abundam em todas as correntes. São os que confundem firmeza com grosseria, autoridade com arbitrariedade e lealdade com servilismo. Aparecem nas ruas, nas redes sociais, nos gabinetes e, ocasionalmente, em tribunais e parlamentos. Não elaboram programas; produzem inimigos. Não constroem instituições; as ocupam. Sua força reside precisamente na sua simplicidade: oferecem explicações imediatas para problemas complexos e culpados prontos para todas as frustrações nacionais. Em um país de desigualdades históricas e expectativas permanentemente frustradas, essa mercadoria encontra demanda assegurada.
A política externa reproduz esse quadro em escala maior, embora com cenários mais antigos e atores mais experientes. Os bons, no plano internacional, são os defensores de uma ordem baseada em regras, no comércio relativamente livre, na solução pacífica de controvérsias e na cooperação entre Estados soberanos. Não são ingênuos por reconhecer que a anarquia internacional persiste; são realistas na medida em que sabem que, sem normas comuns, prevalecerá a lei do mais forte. O Brasil teve, em sua melhor tradição diplomática, uma vocação para esse tipo de atuação: pragmática, juridicamente orientada, discreta e atenta ao equilíbrio de interesses.
Os malvados internacionais são os que invocam o multilateralismo quando ele lhes é útil e o abandonam quando passa a constranger seus interesses. Falam de livre-comércio enquanto subsidiam suas indústrias, de direitos humanos enquanto negociam com tiranos, de não intervenção enquanto interveêm, de paz enquanto armam os beligerantes. A hipocrisia não é um acidente do sistema internacional; é um de seus mecanismos constitutivos. Todo grande poder prega virtudes que gostaria de ver praticadas pelos demais, reservando para si a liberdade das exceções.
Os brutos globais são aqueles que já não se preocupam sequer com a máscara. Anexam territórios, ameaçam vizinhos, sufocam populações e apresentam tudo isso como destino histórico, segurança nacional ou direito sagrado. Sua linguagem é a da força bruta, e sua vantagem tática é clara: enquanto os países civilizados debatem proporcionalidade, legalidade e consequências, eles avançam. A história ensina, porém, que essa vantagem costuma ser temporária. Impérios construídos exclusivamente sobre a coerção geram coalizões contra si mesmos, e a brutalidade, longe de resolver conflitos, tende a multiplicá-los.
O Brasil, felizmente, não é um ator brutal no cenário mundial, mas corre o risco de se tornar um ator incoerente. Quando alterna entre o discurso terceiromundista e a busca pragmática de investimentos, entre a crítica ao Ocidente e a dependência de seus mercados, entre a solidariedade com regimes autoritários e a defesa formal da democracia, o país perde aquilo que deveria ser seu principal ativo diplomático: a credibilidade. Uma política externa séria não exige alinhamento automático com nenhuma potência; exige coerência entre valores declarados e interesses defendidos.
O pior cenário não é o do país dominado pelos malvados, que ao menos conhecem o valor das instituições e sabem que precisam preservá-las para delas se servir. É o do país entregue aos brutos, que não distinguem entre autoridade e violência, entre crítica e destruição, entre reforma e vingança. Nas políticas interna e internacional, a tarefa dos bons não é a de serem ingênuos, mas a de serem firmes: defender regras, exigir responsabilidade, recusar a banalização da força e lembrar que a civilização política é uma conquista frágil, permanentemente ameaçada por aqueles que a consideram apenas um obstáculo ao poder. 

*Fonte: https://www.perplexity.ai/search/1de0d384-b3cc-4794-a2d5-84255b72601e (Perplexity). 

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