sábado, 10 de outubro de 2026

Quo Vadis, Itamaraty? - Paulo Roberto de Almeida

  

Quo Vadis, Itamaraty?

 

 

Paulo Roberto de Almeida, professor, diplomata

Interrogações sobre uma conjuntura histórica de mudança.

 

 

“Apesar de você” foi uma famosa música, de um dos mais famosos bardos da música popular brasileira, feita em plena ditadura militar, e que sobreviveu graças à distração dos censores do regime. Pois foi apesar da ditadura que o Itamaraty retomou suas melhores tradições doutrinais, concebendo uma política externa razoável (dentro do que era possível) e uma das diplomacias de melhor qualidade substantiva, e que sobreviveu à ditadura e se expandiu na redemocratização, ao ponto de construir uma credibilidade internacional que se manteve nas décadas seguintes.

Tivemos contratempos, é verdade, mas a essência de nossas qualidades diplomáticas conseguiu se manter, a despeito de algumas loucuras feitas na política externa por um ou outro de nossos presidentes eleitos ocasionalmente, naquele estilo do populismo velho de guerra tão conhecido e usual em nossa história política. “Contra ventos e marés” conseguimos manter a qualidade e o sabor da nossa pizza diplomática, mesmo se um ou outro dos dirigentes políticos acrescentassem um ou outro ingrediente novo na pizza, que não figurava exatamente no nosso receituário de uma boa pizza diplomática, e menos ainda no visual completo de uma política externa que concebíamos como relevante para um país em desenvolvimento, como era persistentemente o Brasil.

Pois “a gente foi levando”, como rezava uma outra canção popular, pelo menos enquanto os dirigentes aceitavam receber conselhos dos nossos melhores quadros, eventualmente deslocados para dar uma ajudinha no Planalto com certas coisas da política externa que demandavam alguns bons conselhos diplomáticos, como ocorreu, por exemplo, com o projeto estratégico da integração regional – começando pelo Cone Sul – , muito estimulada pelas ideias dos “itamaratecas”, mas nem sempre bem aceitas por certos populistas no poder, ou pelos industriais protecionistas que, no país e no parceiro vizinho, relutavam em aceitar, um pouquinho que fosse, qualquer abertura mais ousada em nossas respectivas fortalezas industriais, inexpugnáveis até os dias que correm.

Houve até um desses acadêmicos distinguidos nas elaborações teóricas sobre uma suposta dependência estrutural – uma dessas invenções elegantes que volta e meia pululam nas academias – que aceitou muitas de nossas elaborações práticas, e daí passamos a cultivar nossa circunstância orteguiana na América do Sul, o que prometia grandes resultados a médio prazo, na diplomacia e na política externa, mas que não frutificou o suficiente para superar tanto as resistências internas, quanto certas loucuras externas que vinham lá da cozinha do império hemisférico. Foi o tempo das “relações carnais” aqui perto, o que dificultou o fortalecimento do Mercosul, nos tempos em que ele ainda usava fraldas e dependia da mamadeira integracionista para crescer belo e forte. Crises inflacionistas internas e crédito mais caro no exterior não facilitaram as coisas, e voltamos a enfrentar algumas borrascas, que não ajudaram muito na consecução de todos os objetivos diplomáticos que figuravam em nosso “cahier de charges” itamaratiano.

Vieram então os tempos da “ativa e altiva”, quando o entusiasmo exagerado com algumas promessas irrealistas superou nossa racionalidade estrito senso, e quando alguns amadores metidos a diplomatas andaram exacerbando certas improvisações mal pensadas de uma política externa já marcada por excesso de personalismo e de saltos maiores do que a perna (sobretudo na escolha de algumas companhias problemáticas, na região e fora dela). Pela primeira vez em nossa história tivemos de engolir, de cima para baixo, ideias que jamais passaram por nossas oficinas sofisticadas de elaboração de novas iniciativas diplomáticas, as quais sempre eram previamente submetidas a cuidadosas análises de custo-benefício e de custo-oportunidade, antes de serem convertidas em propostas efetivas na frente da política externa (regional ou outra).

Foi assim que, pela primeira vez em nossa história, aderimos ao tal de “nunca antes”, e embarcamos em aventuras de consistência duvidosa, sem que todo o manual de boas práticas itamaratianas pudesse ser seguido, na tentativa de exercer algum esforço de contenção daquele personalismo exagerado já mencionado no parágrafo anterior. Veio então uma primeira reação da sociedade, não tanto em razão de erros diplomáticos, mas mais em função de equívocos repetidos nas políticas econômicas e de alguns outros exageros na trajetória da tradicional corrupção nos meios político-partidários, o que acabou precipitando a maior crise econômica de nossa história, ainda maior do que a famosa crise dos anos 1929-1931. A corrupção tinha atingido, é verdade, proporções amazônicas, com derivas externas nunca antes vistas nos anais das patifarias políticas e empresariais: pela primeira vez, políticos e executivos passaram algum tempo em celas normalmente só frequentadas por delinquentes comuns.

Atravessamos alguns anos difíceis, num momento em que alguns amigos da Ásia Pacífico conheciam uma projeção internacional excepcional, tanto pelo lado do crescimento econômico e da diminuição da pobreza excessiva, quanto no plano do fortalecimento da presença diplomática na agenda internacional. A despeito desses contratempos, a consistência das boas qualidades da nossa Casa no campo das formulações diplomáticas voltou a se fazer presente nos escalões mais elevados da política externa presidencial, um tanto dada, é verdade, a trejeitos linguísticos bizarros.

O pior veio logo depois, com o crescimento da reação popular à estagnação relativa no campo econômico e a impulsão de novas ideias supostamente avançadas, tudo isso facilitado pelo surgimento de novas ferramentas de informação e de comunicação, o que se somou, paradoxalmente, a velhas ideias diretamente saídas dos tempos mais sombrios da ditadura militar. Parte da reação foi empurrada pelo ressentimento de milicos ressabiados pelos resultados de uma tal Comissão da Verdade, que pesou bem mais nos crimes cometidos pela tropa de tigres fardados do que na responsabilidade dos resistentes dos anos de chumbo na deterioração do jogo político normal em situações democráticas.

O resultado foi uma caída no abismo do fanatismo antiglobalista da franja lunática do extremismo direitista americano, que se abateu com especial furor justamente no Itamaraty, onde um chanceler acidental, cheio de ideias malucas, não se importava em que nos transformássemos em “párias internacionais”. Durou pouco, é verdade, só metade do mandato do tresloucado dirigente saído diretamente das catacumbas do regime militar, o que, se serviu para acalmar os ardores mais lunáticos contra a Casa de Rio Branco, não melhorou muito na qualidade mesma da política externa, que continuou aderente à esquizofrênica invenção do antiglobalismo, anti diplomática por excelência.

O balanço deplorável do capitão potencialmente golpista foi tão arrasador, sobretudo no campo da proteção às vidas humanas durante a pandemia da Covid – que resultou num número mais elevado de vítimas no Brasil do que nossa proporção de afligidos em escala mundial –, que, nas eleições de 2022, o representante do “nunca antes em nossa história” voltou triunfalmente a ocupar a cúpula do poder político, depois de amargar algum tempo uma detenção politicamente motivada num processo eivado de inovações jurídicas. Até liberais comprometidos com uma visão moderada das políticas econômicas se juntaram à massa dos que rejeitavam a reeleição do autocrata ignorante: foi o que permitiu uma curta vitória eleitoral, mas não impediu uma aventura golpista que tentou reproduzir, no Brasil, o assalto ao poder já visto dois anos antes na capital do império hemisférico.

Mas, o fato é que o entusiasmo da frente ampla política que obstou a volta do antiglobalismo mais histriônico já conhecido em nossa história diplomática não resultou igualmente abrangente ao ponto de renovar certas diretrizes na política externa que teimavam em retomar as opções preferenciais da primeira década do século. A aliança com os bolivarianos logo se deteriorou, por exageros autoritários no país andino, o que afetou igualmente alguns movimentos táticos no âmbito daquele monstro metafísico criado entre o primeiro e o segundo mandato do carismático presidente, que já era um Frankenstein na origem, e que passou a incorporar mais partes e peças saídas de um BRIC original a quatro, acrescido de mais um pedaço no BRICS a cinco e que decidiu, depois, extravasar num BRICS+, repleto de novos frequentadores de reputação duvidosa.

A condução normal da diplomacia profissional se viu afetada pela fragmentação do sistema multilateral, tanto na frente propriamente política – dada a violação flagrante da Carta da ONU por um saudosista dos tempos soviéticos –, quanto no plano econômico e comercial pelo retorno do impetuoso imperador hemisférico, que pretendia impor sua insanidade tarifária ao resto do mundo, a antigos aliados e a supostos adversários. A política externa “ativa e altiva”, por sua vez, confirmou várias vezes sua adesão à duvidosa tese de uma “nova ordem global multipolar”, jamais referendada em sua consistência intrínseca e possibilidades extrínsecas pela diplomacia profissional. O fato é que o mundo, ao Norte, se aproxima de um recrudescimento de turbulências geopolíticas já conhecidas, sob outras formas, no século precedente, ao passo que um fantasmagórico “Sul Global” entretém ideias inexequíveis de uma reforma das instituições multilaterais que seus principais países, inclusive o Brasil, não têm condições de implementar.

Do lado do Brasil, justamente, um novo embate eleitoral coloca a nação entre dois opostos aparentemente rejeitados pela maioria dos cidadãos, mas que teimam em dividir a cidadania nos dois polos que disputam acirradamente, mas não substantivamente, os corações e mentes dos eleitores convocados a um segundo turno ainda imprevisível. A diplomacia profissional assiste a esse cenário de confrontação, temendo ser engolfada num novo ciclo de impasses políticos e diplomáticos, sem que a governança a ser escolhida nas urnas tenha condições de enfrentar adequadamente os desafios atualmente existentes no âmbito regional, em escala hemisférica e no plano do sistema mundial (hoje praticamente estraçalhado).

A pergunta do título talvez não seja exatamente “para onde vai o Itamaraty”, mas, mais precisamente, a que grau de turbulências internas seremos conduzidos, em nossa condição de diplomatas profissionais, num ambiente de enorme divisão nacional entre projetos políticos talvez não fundamentalmente opostos na área econômica – inclusive em virtude de vários constrangimentos objetivos e inadiáveis nessa frente –, e sim no campo de valores e princípios de cunho social e cultural e, dramaticamente, principalmente, no plano das opções externas, no qual nosso potencial de escolhas próprias pode ser reduzido pelo resultado do pleito iminente.

“Nunca antes” na história deste país, é o caso de se dizer, a autonomia decisória no domínio da política externa se apresentou tão concretamente ameaçada por embates internos na frente política, a ponto de colocar em dúvida a preservação integral das cláusulas de relações internacionais previstas em nossa Carta constitucional. Para onde vamos ainda não sabemos, mas adivinhamos, ou tememos, que as previsões de momento são especialmente difíceis em face da primeira eleição presidencial na qual a política externa e a diplomacia assumiram um papel de “reféns” de escolhas nas antípodas, um cenário que jamais conhecemos no registro de nossos embates eleitorais anteriores. Não é o “fim da História”, mas pode ser o fim de um consenso que imaginávamos existir do lado das nossas relações exteriores.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5486: 10/10/2026.

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Autobiografia de um fora-da-lei, 11: nosso fascismo eterno, tão familiar - Paulo Roberto de Almeida (revista Será?)

 5474. "Autobiografia de um fora-da-lei, 11: nosso fascismo eterno, tão familiar”, Brasília, 28 setembro 2026, 4 p. A recorrência de uma ideia, mais por instinto do que por deriva genética. Publicado na revista Será? (ano xiv, n. 732, 9/10/2026, link:  https://revistasera.info/2026/10/autobiografia-de-um-fora-da-lei-11-nosso-fascismo-eterno-tao-familiar/ 

Autobiografia de um fora-da-lei, 11: nosso fascismo eterno, tão familiar

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

A recorrência de uma ideia, mais por instinto do que por deriva genética.

 

Meus antigos súditos, aqueles da época imperial, meus caros concidadãos, já vivendo – teoricamente pelo menos – num regime republicano, se acostumaram a importar ideias de outros sistemas políticos e outras experiências exógenas de governo, tanto porque a reflexão própria sobre a governança, na época colonial e mesmo na fase independente, não eram, por assim dizer, espécies acostumadas ao rústico ambiente que era o nosso, inclusive porque tais ideais nunca conseguiram se manter dignamente por aqui. O chamado “patriarca da Independência”, que viveu longos anos entre acadêmicos europeus, enfrentou imensas dificuldades ao tentar criar um projeto de país perfeitamente alinhado com aqueles modelos que ele vira florescer no contexto do imaginário constitucional iluminista, ainda que não perfeitamente kantiano. Não deu muito certo, desde a partida.

O novo encarregado dos meus assuntos domésticos, tanto enquanto príncipe regente, quanto já imperador coroado, causou-lhe os maiores dissabores, ainda que atraído para uma das lojas maçônicas que trabalharam pela independência, ademais do bando de republicanos alucinados que alimentavam os ardores da plebe, exigindo todos os direitos imediatamente. Bonifácio teve de mandar aplicar-lhes alguns cacetes no momento certo, para evitar novos percalços na construção do meu legítimo Estado. Ainda assim, o fogoso imperador mandou fechar a Constituinte que eu esperava ver triunfante, ao estilo de um parlamentarismo quase inglês, e mandou-o para um exílio naquelas mesmas paragens onde ele já vira a guilhotina sedenta de sangue decepar alguns recalcitrantes mais afoitos. Anos depois, ele chamou-o de volta, para ser o preceptor daquele que seria o seu sucessor natural no Império do Brasil, um menino de cinco anos, que lhe pareceu muito tímido, ainda que prometedor.

A essa altura, a governança já tinha sido conquistada pelas oligarquias escravocratas, e o seu projeto de abolição imediata do tráfico e de fim a escravatura a médio prazo, enviado de Paris, não causou nenhum efeito nos negócios do primeiro reinado. As regências foram uma outra confusão dos diabos: rebeliões espoucaram em diversas partes, inclusive uma republicana que me causou muitos prejuízos lá pelos pagos do Sul. Depois a modorra se instalou no mais longo regime político com que já fui contemplado por estas terras, regido por uma constituição especialíssima, que dava ao segundo imperador o poder de decepar politicamente algumas cabeças, sempre quando julgasse necessário e adequado. Em todo caso, essa carta durou mais tempo do que as seis ou sete que se seguiram, em número menor, em compensação, do que as muitas moedas que a República inventou e se pôs a desfigurar.

A república que foi moldada começou americanizada, tanto que inventaram para mim o pomposo, mas enganoso, título de Estados Unidos do Brasil, estados que podiam ser tudo, menos unidos. Cada um tinha poderes quase soberanos, começando pela faculdade de contrair empréstimos no exterior, sem o meu antigo poder imperial de conceder aval, o que provocou inadimplência geral desses entes irresponsáveis logo nas primeiras décadas do novo regime (tristemente militarizado desde o início). Se atravessamos a Grande Guerra sem novos empréstimos do exterior, depois retomamos o vício infernal do bônus externos, que duraram até uma nova grande crise, desta vez provocada pelos tais americanos quase imperiais. Os milicos me pouparam de uma nova guerra civil, demitindo e mandando para o exterior um desses presidentes paulistas que pretendia manter a clique dos barões do café no poder.

Começou por aí um longo período ditatorial, o primeiro de um dos muitos regimes truculentos que passaram a tisnar a minha imagem e reputação nas décadas seguintes, durante o qual foram educados e treinados os mesmos militares que mais tarde se arrogariam o direito de não apenas a perpetrar mais um golpe, mas a ficar no comando do meu Estado por mais de vinte anos seguidos. Com uma peculiaridade, porém: as ideias de governança já não eram as mesmas, mas alimentadas por uma assemblagem de marxismo vulgar, de um corporativismo embrionário e de um futurismo doentio, de um tal de Marinetti, que, junto com a violência de Nietzsche, produziram a versão direitista do bolchevismo leninista: um sargentão socialista, decepcionado com a humilhação da Itália na Grande Guerra, criou os fasci di combattimenti, e com eles conseguiu convencer um rei idiota a lhe atribuir o cargo de primeiro-ministro, depois de uma marcha sobre Roma, em 1922, quando eu comemorava o meu centenário.

Um outro soi-disant filósofo, Giovanni Gentile, foi o principal elaborador da doutrina fascista. Um dos seus primeiros escritos nessa vertente foi o Manifesto dos Intelectuais Fascistas (1925), seguido, no mesmo ano, por O que é o fascismo, depois por algo mais elaborado: Origens e doutrina do fascismo (1929). As doutrinas políticas de corte fascista tiveram ampla repercussão no meu Brasil, em especial entre intelectuais, muitos dos quais se converteriam, mais tarde, em progressistas avançados ou até em fiéis adeptos do socialismo.

Mas, poucos sabem, por exemplo, que um dos principais tribunos democráticos da República de 1946, grande estadista da Política Externa Independente, San Tiago Dantas, foi fortemente atraído, na juventude, pela mensagem do fascismo mussoliniano e chegou mesmo a escrever, em 1930, um estatuto para um partido fascista do Brasil. Ainda no terceiro ano de Direito, Dantas redigiu, de seu próprio punho, o esboço da estrutura de um Partido Nacional Fascista, o mesmo nome do partido fundado na Itália por Mussolini. Em 1932, Giovanni Gentile assinou, com Mussolini, um verbete na Enciclopedia Italiana, “A Doutrina do Fascismo”, dividido em “Ideias Fundamentais”, por ele mesmo, e “Doutrina Política e Social”, por Mussolini.

O panfleto foi imediatamente traduzido e publicado no Brasil, com várias edições posteriores. Logo após, em outubro, Plínio Salgado e Miguel Reale redigiram um manifesto-programa, dando nascimento a um partido, a Ação Integralista Brasileira, cujo lema era “Deus, Pátria e Família”, por acaso o mesmo slogan que, em 1964, seria usado na “Marcha com Deus, pela Família e pela Propriedade” que antecedeu o golpe militar, e que, em nossos dias, seria utilizado centenas de vezes nos meios bolsonaristas, durante toda a presidência do capitão, e mais amplamente nas correntes que se abrigaram nesse fenômeno que se tornou um verdadeiro movimento a partir dessa conjuntura histórica de involução mental no meu Brasil.

Em 1933, Plínio Salgado publicou O que é o Integralismo, a base de sua filosofia política, num molde já especificamente fascista mussoliniano; adotou, logo após, as “camisas verdes” para os seus seguidores, militarizadas ao estilo dos fasci di combattimenti italianos. No ano seguinte passa a se considerar o Führer brasileiro, sem aderir, contudo, ao racismo e ao antissemitismo de outros integralistas brasileiros (como Gustavo Barroso), uma vez que tinha iniciado sua trajetória literária por um romance de fortes tinturas nacionalistas e indianistas. Era tido como o virtual vencedor das eleições de 1938, mas apoia, ao início, a decretação do Estado Novo por Getúlio Vargas, em novembro de 1937, para se dissociar logo em seguida, já que esperava ser designado ministro da educação nacional, como tinha sido o caso de Giovanni Gentile com Mussolini.

Plínio Salgado tenta um golpe, fracassado, em maio de 1938, o que o leva a um exílio de sete anos em Portugal (onde se afeiçoa ao Estado Novo salazarista). O Partido de Representação Popular, que ele fundou em seu retorno ao Brasil, obteve certo apelo popular, sem, contudo, ser suficientemente forte para elegê-lo presidente em 1955, embora com muito apoio nos meios militares. Plínio Salgado aderiu em 1965 ao partido da ditadura militar, a Arena, mas encerrou a sua carreira em 1974. Independentemente dos caminhos erráticos do fascismo brasileiro, as sementes existentes nos anos 1930 deixaram fortes raízes que continuaram a moldar a ideologia de muitos militares e civis nas décadas seguintes, cujos frutos amadureceram em nosso século. O fascismo eterno continua presente entre nós.

Se o itinerário político deste meu país foi uma contínua sucessão de oligarquias conservadoras ao longo da história – primeiro os senhores de escravos, depois os barões do café, seguidos pelos industriais e banqueiros –, neste primeiro quarto do século XXI tivemos, finalmente, um partido saído das chamadas classes populares conquistando o poder político e imprimindo sua própria marca na proposição e execução de políticas, que inverteram, muito modestamente, o curso político da governança. Grosso modo, assistimos no Brasil a uma polarização sui generis que corresponde, aparentemente, à luta entre esquerda e direita pelo domínio do Estado, situação bem conhecida nas democracias ocidentais que, desde a segunda metade do século passado, oscilam entre partidos socialdemocratas e partidos conservadores.

A esquerda conquista o poder com promessas otimistas de distribuição social da renda e de valorização da classe trabalhadora, mas pode incorrer num excesso de gastança estatal, que produz inflação e possível crise no balanço de pagamentos. A direita conservadora retorna ao poder com o intuito de promover um ajuste fiscal e um novo equilíbrio nas contas públicas, o que passa a ser atacado pelos socialdemocratas como sendo um excesso de austeridade. Tem sido assim nos dois lados do Atlântico Norte no último meio século. O meu Brasil chegou tarde nesse tipo de jogo, mas é possível que a oposição entre esquerda e direita, temporariamente representadas pelos lulopetistas e pelos bolsonaristas, tenha esgotado suas possibilidades de seduzir a maioria da população, tendo em vista suas taxas de rejeição.

Mas, o fato é que o meu país não mais possui partidos políticos de verdade, apenas aglomerações predatórias integradas por castas (e dinastias) de políticos profissionais, dirigidos por caciques sôfregos por recursos do Estado, que administram os dois fundos ilegítimos – o Partidário e o Eleitoral – e que passaram a perpetrar o exercício do estupro orçamentário pela via das emendas compulsórias, a via mais fácil para a disseminação da corrupção; esta decuplicou em poucos anos, horizontal e verticalmente, representando várias vezes os investimentos em ciência e tecnologia. O fato é que deputados e senadores se tornaram “vereadores federais”, capturando recursos para suas bases, o que praticamente destruiu qualquer sentido de grandes investimentos estratégicos.

Gilberto Amado dizia, na República Velha, que “as eleições eram falsas, mas a representação era verdadeira”. Nos dias que correm as eleições são verdadeiras, pela fiabilidade do maquinário eletrônico, mas a representação pode não mais ser verdadeira, contemplando-se o plantel de velhos e de novos eleitos que vão determinar o que será a política e a governança no Brasil nos próximos quatro anos, e talvez um pouco mais. Confesso sentir calafrios ao constatar a desesperança ascender por entre o meu povo...

 

Brasília, 5474: 28 de setembro de 2026, 4 p.

1670. “Autobiografia de um fora-da-lei, 11: nosso fascismo eterno, tão familiar”, Brasília, 28 setembro 2026, 4 p. A recorrência de uma ideia, mais por instinto do que por deriva genética. Publicado na revista Será? (ano xiv, n. 732, 9/10/2026, link: https://revistasera.info/2026/10/autobiografia-de-um-fora-da-lei-11-nosso-fascismo-eterno-tao-familiar/). Relação de Originais n. 5474.

 


Revista Será? Desde 2012 acompanhando o fluxo da história. ANO XIV Nº732

Revista Será?
Desde 2012 acompanhando o fluxo da história.
ANO XIV Nº732

 Recife, 09 de outubro de 2026

Caro leitor,

A Revista Será? não poderia passar incólume aos efeitos nefastos da polarização. Entretanto, como nossa essência é a busca da verdade por meio da controvérsia e da troca de ideias, não fugimos dessa missão. Nesta edição, o leitor encontrará reflexões inspiradas por correntes de pensamento distintas, umas mais à esquerda, outras um pouco mais distantes dela.

Todas, porém, situadas no ambiente democrático, próprio à solução civilizada dos conflitos. A diferença reside no fato de que essas reflexões estão fundamentadas em argumentos sólidos sobre uma mesma realidade, que insiste em nos inquietar e desafiar. Temos a profunda convicção de que é no ambiente democrático, e somente nele, que os naturais conflitos sociais encontram caminhos civilizados de resolução.

É dessa convivência entre diferenças, mediada pelo diálogo, pela tolerância e pelo respeito às instituições, que emerge um sentido civilizatório. É com esse espírito que convidamos nossos leitores a percorrer as reflexões desta edição.

Em “O Brasil numa encruzilhada”, nosso Editorial situa a democracia no centro da escolha eleitoral. Ao distinguir as trajetórias de Lula e Flávio Bolsonaro, alertamos para os riscos de erosão democrática associados à candidatura deste último, particularmente pela possibilidade de enfraquecimento das instituições a partir de seu próprio interior.

A complexidade do momento ganha novas dimensões em “As eleições e o futuro como desafio”. Marco Aurélio Nogueira examina o avanço da extrema direita, os equívocos estratégicos do PT e as transformações sociais produzidas pela revolução digital. Sua reflexão aponta para a necessidade de reconstruir o diálogo entre as forças democráticas.

Em “Eleições e a Incerteza”, João Rego propõe uma reflexão político-filosófica sobre a democracia como conquista civilizatória. Ao afirmar que “a incerteza é prima legítima da tolerância”, sustenta que reconhecer a legitimidade da vontade do outro é condição essencial à convivência democrática. O voto surge como gesto de renovação da legitimidade do poder.

Sob outro ângulo, Helga Hoffmann, em “A eleição e a alta tolerância ao risco”, questiona a disposição dos brasileiros para escolhas cujas consequências nem sempre são devidamente avaliadas. Sua análise alcança tanto o comportamento do eleitorado quanto a decisão de Lula de disputar um quarto mandato sem preparar adequadamente sua sucessão.

Nosso correspondente Rui Martins, em “Estudantes na França e a Dinastia Bolsonaro”, aproxima dois cenários distintos. Compara as manifestações estudantis francesas de 2026 à rebelião de Maio de 1968 e, voltando-se ao Brasil, questiona as pesquisas eleitorais e alerta para possíveis retrocessos sociais e riscos à soberania nacional.

Com sua ironia característica, José Paulo Cavalcanti Filho apresenta “Restos Das Eleições”, uma crônica sobre derrotas de personagens conhecidos da política brasileira. Contrariando a célebre advertência de Ulysses Guimarães, considera a possibilidade de que o novo Congresso seja melhor que o atual.

A questão da liderança política ganha profundidade sociológica em “Lulopetismo: entre o carisma e a institucionalização”. Sérgio Alves recorre a Max Weber para examinar um paradoxo: o carisma de Lula, principal elemento de coesão do movimento, constitui também seu maior desafio sucessório. Sua continuidade dependerá da construção de mecanismos institucionais capazes de sobreviver ao líder.

Em “Autobiografia de um fora-da-lei, 11: nosso fascismo eterno, tão familiar”, Paulo Roberto de Almeida percorre, com erudição e ironia, a história brasileira para identificar a persistência de ideias autoritárias. Do integralismo ao bolsonarismo, sua reflexão alcança também a degradação partidária, o domínio das oligarquias e as fragilidades da representação política.

Mudando o registro, mas permanecendo no terreno da convivência humana, Paulo Gustavo nos oferece “A Conversa na Contramão”. Inspirado em Montaigne e em estudos contemporâneos da neurociência e da sociologia, reflete sobre um paradoxo de nosso tempo: multiplicam-se as conexões digitais enquanto empobrecem os encontros humanos. Afinal, conectividade não é sociabilidade.

Fechamos a edição com “Última Página”, a charge de Elson.

Em tempos nos quais a polarização frequentemente transforma divergências em hostilidades, reafirmamos nossa disposição de acolher o pensamento plural. A democracia não exige unanimidade, mas a capacidade de conviver com diferenças, reconhecer incertezas e sustentar argumentos. É nessa perspectiva que a Revista Será? continuará participando do debate público.

Boa leitura.

Os Editores

Índice

  1. O Brasil Numa Encruzilhada - Editorial
  2. As eleições e o futuro como desafio - Marco Aurélio Nogueira
  3. Eleições e a Incerteza - João Rego
  4. A eleição e a alta tolerância ao risco - Helga Hoffmann
  5. Estudantes na França e a Dinastia Bolsonaro - Rui Martins
  6. Restos das Eleições - José Paulo Cavalcanti Filho
  7. Lulopetismo: entre o carisma e a institucionalização - Sérgio Alves
  8. Autobiografia de um fora-da-lei, 11: nosso fascismo eterno, tão familiar - Paulo Roberto de Almeida
  9. A Conversa na Contramão - Paulo Gustavo
  10. Última Página, a charge de Elson

 

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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Nobel de Literatura: relembre os vencedores dos dez últimos anos - G1

 

Por Redação g1

Anne Carson ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2026. — Foto: Reprodução

Anne Carson ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2026. — Foto: Reprodução 

Anne Carson ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2026. O anúncio da premiação foi feito nesta quinta-feira (8). Segundo a Academia Sueca, a canadense Carson foi escolhida “por sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”. 

Ao longo de toda a carreira, combinou a escrita de poesia com o trabalho de tradução e o ensino em diferentes universidades. A década de 1990 marcou a publicação de uma obra frequentemente apontada como a maior de Carson: "Autobiography of Red: A Novel in Verse (1998)". O livro demonstra sua notável capacidade de atualizar a tradição literária clássica. Com um olhar preciso para os modos de falar e as experiências contemporâneas, Carson parte de fragmentos de poemas do poeta grego Estesícoro, do século VI a.C., sobre o monstro vermelho alado Gerião. 

Suas colaborações com artistas visuais, coreógrafos e diretores de ópera e teatro demonstram a liberdade com que ela se relaciona com as expectativas literárias e os sistemas de regras. É essa liberdade que está por trás da importância que sua obra, desde os anos 1990, adquiriu para o cenário internacional da arte e da literatura. 

A escritora canadense Anne Carson na 75ª edição do National Book Awards no Cipriani Wall Street em 20 de novembro de 2024, na cidade de Nova York. — Foto: DIMITRIOS KAMBOURIS / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

A escritora canadense Anne Carson na 75ª edição do National Book Awards no Cipriani Wall Street em 20 de novembro de 2024, na cidade de Nova York. — Foto: DIMITRIOS KAMBOURIS / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP 

Relembre os vencedores do Prêmio Nobel de Literatura na última década:

2025: László Krasznahorkai (Hungria)

László Krasznahorkai, Nobel de Literatura em 2025 — Foto: Matt Dunham/AP

László Krasznahorkai, Nobel de Literatura em 2025 — Foto: Matt Dunham/AP 


László Krasznahorkai ganhou o prêmio Nobel de literatura no ano passado.Krasznahorkai nasceu em 1954 na pequena cidade de Gyula, no sudeste da Hungria, perto da fronteira com a Romênia. Uma área rural remota semelhante é o cenário do primeiro romance de Krasznahorkai, "Sátántangó", publicado em 1985, que foi uma sensação literária na Hungria e a obra que marcou a ascensão do autor. Segundo o comitê, o escritor venceu “por sua obra convincente e visionária que, em meio ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte.” 

Especializado em latim, ele se formou em direito na Universidade József Attila (JATE) (atual Universidade de Szeged) e na Universidade Eötvös Loránd (ELTE) (anteriormente Universidade de Budapeste). 

Sua obra "Sátántangó" retrata um grupo de moradores desamparados em uma fazenda na zona rural da Hungria, pouco antes da queda do comunismo. O livro foi uma sensação literária entre os húngaros, transformado em um filme de Béla Tarr, em 1994. O autor recebeu diversos prêmios de prestígio, entre eles o Man Booker International Prize em 2015 pelo conjunto da obra. 

2024: Han Kang (Coreia do Sul)

Han Kang — Foto: AP Photo/Lee Jin-man, File

Han Kang — Foto: AP Photo/Lee Jin-man, File 


Han Kang, escritora sul-coreana, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2024. De acordo com a Academia, o prêmio foi concedido "por sua intensa prosa poética que confronta traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana". Seu livro mais famoso é "A vegetariana", lançado no Brasil em 2018. 

Han Kang nasceu em 1970 na cidade sul-coreana de Gwangju, e se mudou para Seul aos nove anos. Ela vem de uma formação literária, e seu pai é um renomado romancista. Junto à sua escrita, ela também se dedicou à arte e à música, o que se reflete em toda a sua produção literária. 

2023: Jon Fosse (Noruega)

Jon Fosse, escritor norueguês, ganhou Prêmio Nobel de Literatura 2023 — Foto: Jornal Nacional/Reprodução

Jon Fosse, escritor norueguês, ganhou Prêmio Nobel de Literatura 2023 — Foto: Jornal Nacional/Reprodução 

Jon Fosse, autor norueguês, ganhou o Nobel de Literatura de 2023. Segundo a Academia, o prêmio foi concedido "por suas peças e prosa inovadoras que dão voz ao indizível". 

Nascido em 1959, em Strandebarm, na costa oeste da Noruega, seu primeiro conto, "Han", foi publicado em um jornal estudantil em 1981. Dois anos mais tarde, Fosse fez sua estreia com o romance "Raudt, svart" ("Vermelho, preto", sem publicação no Brasil). Já chamado de "Samuel Beckett norueguês do século XXI", sua obra inclui ficção, poesia, ensaios, mais de 40 peças teatrais e títulos infantis. 

Em setembro, a Companhia das Letras publicou "É a Ales", que apresenta uma reflexão de amor e a perda a partir das memórias de Signe, uma mulher que espera seu marido, desaparecido depois de sair de barco em um fiorde. 

2022: Annie Ernaux (França)

Annie Ernaux — Foto: Julie Sebadelha/AFP

Annie Ernaux — Foto: Julie Sebadelha/AFP 

Annie Ernaux é considerada uma das autoras mais importantes da França, ao escrever romances sobre a vida cotidiana em seu país. 

Professora universitária de Literatura, Annie escreveu quase 20 livros, nos quais aborda o peso da dominação das classes sociais e a paixão do amor, dois temas que marcaram sua trajetória. Sua obra, essencialmente autobiográfica, constitui uma radiografia da intimidade de uma mulher que evolui na esteira das grandes mudanças na sociedade francesa do pós-guerra. 

Entre seus livros está "O Acontecimento", de 2000, em que relata um aborto clandestino que fez nos anos 1960. A Academia afirmou que sua "narrativa clinicamente contida" sobre o aborto ilegal de uma narradora de 23 anos no livro continua sendo uma obra-prima entre seus trabalhos. 

A estreia da autora foi em 1974, com o romance "Les Armoires Vides", que não foi lançado no Brasil. Ela só obteve reconhecimento internacional após a publicação de "Os Anos", em 2008, com o qual ganhou o prêmio Renaudot. Sobre este livro, a Academia disse que "é seu projeto mais ambicioso, que lhe deu uma reputação internacional e uma série de seguidores e discípulos." 

2021: Abdulrazak Gurnah (Tanzânia)

Abdulrazak Gurnah posa para foto em sua casa em Canterbury, Inglaterra — Foto: Frank Augstein/AP

Abdulrazak Gurnah posa para foto em sua casa em Canterbury, Inglaterra — Foto: Frank Augstein/AP 

Gurnah nasceu em 1948 e cresceu na ilha de Zanzibar, chegando na Inglaterra na década de 1960 como refugiado. O romancista começou a escrever aos 21 anos de idade e publicou dez livros e diversos contos ao longo da carreira. A temática de refugiados é a base de todo seu trabalho. 

O romancista é conhecido sobretudo pelo livro "Paraíso", de 1984, ambientado no leste da África durante a Primeira Guerra Mundial. A obra foi finalista na época do Booker Prize de ficção. 

2020: Louise Glück (Estados Unidos)

Louise Glück em imagem de novembro de 2014, quando recebeu o National Book Awards, em Nova York — Foto: Robin Marchant / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

Louise Glück em imagem de novembro de 2014, quando recebeu o National Book Awards, em Nova York — Foto: Robin Marchant / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP 

Nobel de Literatura: relembre os vencedores dos dez últimos anos

Louise Glück, poeta americana, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2020. Considerada por muitos uma das poetas contemporâneas mais talentosas dos Estados Unidos, Glück é conhecida pela precisão técnica, sensibilidade e uma obra sobre solidão, relações familiares, divórcio e morte. Ela é autora de obras como "Receitas De Inverno Da Comunidade" e a coleção "Poemas (2006-2014)". 

Seus primeiros livros são centrados em casos de amor fracassados, encontros familiares desastrosos e desespero existencial. Nos trabalhos posteriores, ela continuou a tratar de temas como decepção, rejeição, perda e isolamento. 

2019: Peter Handke (Áustria)

O vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2019, Peter Handke, em foto de novembro de 2018 durante uma premiação de teatro. — Foto: Georg Hochmut / APA / AFP

O vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 2019, Peter Handke, em foto de novembro de 2018 durante uma premiação de teatro. — Foto: Georg Hochmut / APA / AFP 

O romancista e ensaísta Peter Handke – que é coautor do roteiro do premiado filme "Asas do desejo" (1987) – foi escolhido ganhador do Nobel "por um trabalho influente que, com engenhosidade linguística, explorou a periferia e a especificidade da experiência humana", justificou a Academia Sueca. 

O romance de estreia dele, Die Hornissen, ("As vespas", em tradução livre), foi publicado em 1966. A obra, junto com a peça '"Ofendendo o público", de 1969, são citadas como responsáveis por deixar a marca do escritor no cenário literário. Os trabalhos são reconhecidos pelas experimentações radicais. 

2018: Olga Tokarczuk (Polônia)

Olga Tokarczuk posa com o Man Booker International no Victoria and Albert Museum em Londres — Foto: Associated Press

Olga Tokarczuk posa com o Man Booker International no Victoria and Albert Museum em Londres — Foto: Associated Press 

Sua estreia na ficção foi em 1993, com "Podróz ludzi Księgi" ("A jornada do povo do livro", em tradução livre). 

Segundo o Nobel, a verdadeira inovação de Olga veio com seu terceiro romance, "Prawiek i inne czasy" ("Primitivo e outros tempos"), de 1996. O volume é "um excelente exemplo de nova literatura polonesa após 1989", avaliou o comitê do prêmio. No Brasil, obras dela como "Sobre ossos e mortos" foram publicadas. 

2017: Kazuo Ishiguro (Reino Unido)

Kazuo Ishiguro — Foto: Reprodução/Facebook

Kazuo Ishiguro — Foto: Reprodução/Facebook 

Considerado um dos mais importantes autores vivos da língua inglesa, ele é autor de oito livros (sete romances e um volume de contos). São de Ishiguro "Os vestígios do dia" (1989), que ganhou o Man Booker Prize, e "Não me abandone jamais" (2005), ambos adaptados ao cinema. Com obra versátil, já foi de registros de memória a ficção científica e fantasia. 

2016: Bob Dylan (Estados Unidos)

Bob Dylan recebeu Nobel de Literatura — Foto: Vince Bucci/Invision/AP

Bob Dylan recebeu Nobel de Literatura — Foto: Vince Bucci/Invision/AP 

A opção por um músico – e não por um escritor de ofício – soou incomum, mas o nome do Dylan vinha sendo cotado havia muitos anos. Também poeta e com diversos livros lançados, o artista é aclamado sobretudo pelo lirismo de suas letras.

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