domingo, 5 de abril de 2026

Nota introdutória à Lista Consolidada de Trabalhos Publicados, 1973 a 2026 - Paulo Roberto de Almeida (Academia.edu)

Nota introdutória à Lista Consolidada de Trabalhos Publicados, 1973 a 2026

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Nota introdutória ao trabalho 5268, lista preliminar de Trabalhos Publicados (https://www.academia.edu/165508213/5268_Lista_Consolidada_de_Trabalhos_Publicados_1973_a_2026_abril_ )

        Elaborei, sob o n. 5268, uma listagem preliminar dos meus trabalhos publicados desde o registro inicial (não foi o primeiro, mas o que foi preservado e registrado, a posteriori), que não informa todos os dados de divulgação de grande parte desses trabalhos. Quando recolhi cada lista parcial dos publicados, em bases anuais (com exceção da primeira série, por conter poucos trabalhos), o número de páginas alcançava 273. Ao proceder à verificação minuciosa de cada um dos registros, constatei que grande parte das indicações de localização já não mais se sustentava, e o número de páginas foi reduzida a 218. Ela deverá voltar a aumentar.
        A razão é muito simples. Com exceção dos livros publicados, que podem dispor de URLs estáveis (disponíveis nas editoras, no site da Amazon, ou já tornados livremente disponíveis, por inclusão nas plataformas Academia.edu ou Research Gate), a enorme maioria dos artigos padeceu da mudança ou simples eliminação de suas respectivas URLs. As revistas mais importantes (poucas brasileiras, geralmente estrangeiras) possuem sites próprios e URLs estáveis, o que raramente é o caso de revistas acadêmicas brasileiras, cujas bases de publicação eletrônica sofreram descontinuidades. Ao proceder a essa revisão de cada trabalho tive assim de eliminar os URLs originais, preservando apenas aqueles URLs constantes dessas plataformas, ou do meu próprio blog Diplomatizzando. Meu velho site (pralmeida.org) também foi objeto de descontinuidade (por problemas com o provedor) e ainda não consegui colocar em ordem o novo site (pralmeida.net).
        Mais grave ainda é a situação de entrevistas ou apresentações registradas apenas no formato audiovisual, também objeto de descontinuidades dos veículos de divulgacão original. Minha próxima tarefa será justamente a lenta e meticulosa reconstrução do acesso a todos, ou quase todos esses trabalhos, transcrevendo meus originais para uma base estável de registro e disponibilidade fácil (em meu próprio site, na plataforma Academia.edu ou qualquer outro URL mais seguro). A lista atual voltará, portanto, a aumentar em volume.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5269, 5 abril 2026, 1 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (5/04/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/04/nota-introdutoria-lista-consolidada-de.html


Lista Consolidada de Trabalhos Publicados, 1973 a 2026 (abril)
(do n. 001 ao n. 1632)

Paulo Roberto de Almeida
Atualizado em 5/04/2026.

1973-1991: de 001 a 071

001. “L’Etat Brésilien”, La Revue Nouvelle (Bruxelles: 29ème année, Tome LVIII, numéro 11, spécial “Amériques Latines”, Novembre 1973, p. 426-432) [PR]. Relação de Trabalhos nº 013.

002. “Le Brésil: un miracle aux pieds d’argile”, L’Entreprise et l’Homme (Bruxelles: nº 9, novembre 1973, p. 466-472). Relação de Trabalhos nº 021.

003. “La Fable du Miracle Économique: le développement de l’économie mondiale capitaliste au Brésil”, America Presse (Paris: nº 14, avril-mai 1974) [PR]. Relação de Trabalhos nº 024.

004. “Du Brésil: la fable du miracle économique”, Courrier de Politique Étrangère: Bimensuel de Documentation et d’Information (Paris: 6ème année, nº 109, du 1er au 15 juillet 1974, p. 4-5) [PR]. Relação de Trabalhos nº 024.

005. Idéologie et Politique dans le Développement Brésilien, 1945-1964 (Bruxelles: Université Libre de Bruxelles, Faculté des Sciences Sociales, Politiques et Economiques, 1976, 108 p.). Relação de Trabalhos nº 032.
(...)

1631. “Mensagens presidenciais do regime militar, 2 (Geisel e Figueiredo, 1975-1985): a diplomacia profissional no seu momento de apogeu”, Publicado no portal Interesse Nacional (25/03/2026; link: https://interessenacional.com.br/portal/mensagens-presidenciais-do-regime-militar-geisel-e-figueiredo-1975-1985-a-diplomacia-profissional-no-seu-momento-de-apogeu/); postado no blog Diplomatizzando (25/03/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/mensagens-presidenciais-do-regime.html). Relação de Originais n. 5039.

1632. “De novo a submissão ao Império?”, Colaboração revista Será? (ano xiv, n. 704, 3/04/2026; link: https://revistasera.info/2026/04/de-novo-a-submissao-ao-imperio/); reproduzido no blog Diplomatizzando (3/04/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/04/de-novo-submissao-ao-imperio-por-paulo.html). Relação de Originais n. 5262.

Brasília, 3 abril 2026, 237 p.

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Brasília, 5628, 5 abril 2026, 218 p.
Disponível em Academia.edu (link: https://www.academia.edu/165508213/5268_Lista_Consolidada_de_Trabalhos_Publicados_1973_a_2026_abril_


O reconhecimento internacional do Império do Brasil - Paulo Roberto de Almeida (prefácio a livro de José Theodoro Menck)

O reconhecimento internacional do Império do Brasil

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Prefácio ao livro de José Theodoro Mascarenhas Menck, O ingresso do Brasil no Concerto das Nações: obra comemorativa aos 200 Anos de reconhecimento da independência do Brasil por Portugal (Brasília: Câmara dos Deputados, 2025).

        Países, nações, grandes comunidades étnicas só passam a ser reconhecidos como Estados caracterizados com soberania própria na esfera internacional, dotados de territórios delimitados geograficamente, capazes de controlar sua população e todos os intercâmbios feitos externamente, quando são efetivamente reconhecidos como capazes de exercer jurisdição autônoma sobre tal território, assim como sobre suas interações com os demais Estados: defesa, comércio, correios, movimentos migratórios, meios de pagamentos legítimos e convivência pacífica ou cooperativa com os demais Estados.
        São atributos que podem surgir naturalmente ou como resultado de rupturas com alguma soberania anterior, como é o caso de colônias liberadas pacificamente ou emergindo a partir de algum movimento autônomo em relação à situação precedente, de dominação construída a partir de conquista ou união consentida. Foi o caso, por exemplo, da Noruega, unida ao reino da Suécia até o início do século XX, sendo que o reino contemporâneo da Suécia emergiu ele mesmo de uma conquista napoleônica naquelas paragens da Escandinávia, um século antes.

Ler a íntegra do prefácio neste link:
https://www.academia.edu/165507747/5107_O_reconhecimento_internacional_do_Imperio_do_Brasil_2025_

sábado, 4 de abril de 2026

Como era bizarro o bolsonarismo diplomático: entrevista com o jornalista Gustavo Nogy (Gazeta do Povo) - Paulo Roberto de Almeida

Saudades daqueles tempos? Certamente não, mas cabe sempre recordar para que o Brasil não venha a cair novamente nessa trampa. Reproduzo abaixo uma entrevista dos anos sombrios da diplomacia brasileira: 

sábado, 11 de abril de 2020

A diplomacia brasileira em tempos de olavo-bolsonarismo: um ponto fora da curva: Entrevista com o diplomata Paulo Roberto de Almeida - Gustavo Nogy (Gazeta do Povo)

[A diplomacia brasileira em tempos de olavo-bolsonarismo: um ponto fora da curva]
Entrevista com o diplomata Paulo Roberto de Almeida

Gazeta do Povo, 11/04/2020


Por Gustavo Nogy
·        [11/04/2020] [15:44]

Sede das Nações Unidas em Nova Iorque Foto ONU Manuel Elias

Paulo Roberto de Almeida é diplomata de carreira, historiador das relações internacionais e estudioso da economia política, além de escritor e organizador de diversos livros. Graduou-se em Ciências Sociais, fez Mestrado em Planejamento Econômico na Universidade de Antuérpia e Doutorado em Ciências Sociais na Université Libre de Bruxelles. Publicou dezenas de livros, muitos dos quais podem ser encontrados para compra nas livrarias virtuais ou baixados gratuitamente de seu blog pessoal, Diplomatizzando.

1 Primeiro, as apresentações: poderia falar sobre sua trajetória intelectual e no Itamaraty?
Sem qualquer intenção de parecer diferente ou melhor do que os colegas, devo começar por dizer que minha postura e minha trajetória na carreira diplomática são, efetivamente, originais, talvez únicas, no Itamaraty, e cabe, portanto, começar pela formação e perfil de vida para ressaltar minha distinção vis-à-vis o diplomata mediano. Venho de uma família muito modesta, de pais sem formação primária completa, sem livros no lar de origem, mas beneficiado por uma biblioteca pública infantil nos arredores da casa, o que determinou de forma decisiva minha trajetória intelectual pelo resto da vida. Politizado precocemente em função do golpe militar de 1964, passei a cumprir uma trajetória típica de jovem de esquerda de meados dos anos 1960: protestos contra o governo militar, estudos de ciências sociais e alinhamento com os movimentos de resistência à ditadura, antes de decidir sair do país por absoluta inocuidade daquela forma de oposição.
Os sete anos de autoexílio na Europa, entre 1970 e 1977, confirmaram a vocação intelectual no trabalho acadêmico, com um grande conhecimento e experiência adquiridos em viagens, leituras e atenta observação do mundo real, praticamente todos os socialismos realmente existentes, e capitalismos centrais e periféricos. A volta ao Brasil se deu pela vertente acadêmica, mas rapidamente alterada pelo ingresso na diplomacia, mais pela curiosidade da profissão do que por uma verdadeira vocação de ser um servidor do Estado. O que posso dizer é que nunca cultivei e sequer me dobrei àquilo que diplomatas seniores não cansam de repetir como sendo os dois princípios básicos da diplomacia, em similitude com o que ocorre nas FFAA: hierarquia e disciplina. Nunca deixei de exercer minha própria capacidade de arbítrio individual, como de seguir meu próprio julgamento – sempre embasado em sério estudo das questões – na avaliação de políticas públicas e nas posturas assumidas pelo Brasil no plano internacional. Com isso, posso ter confrontado mais de um chefe ocasional, ao valorizar mais a autoridade do argumento do que o argumento da autoridade, talvez em função de minha predisposição a me guiar bem mais pelo ceticismo sadio do que pela adesão irrestrita a quaisquer dogmas de uma Casa estilo Vaticano.
Minha carreira se desenvolveu normalmente, sem que eu jamais tivesse de pedir favores aos superiores para promoção, remoção ou cargos: apenas dedicação ao trabalho. Meu primeiro “memorandum” lido na Casa foi a respeito da escolha de Karol Wojtilla como novo papa, e o papel da Igreja na Polônia e no socialismo em geral. Depois tive alguns livros e ensaios parcialmente censurados pelas chefias, o que fez com que, a partir de conselheiro, eu decidisse não mais submeter meus textos para autorização institucional antes de publicar. Mas evitei muitas críticas à política externa oficial, até que os companheiros me vetassem para dirigir o mestrado em diplomacia do Instituto Rio Branco, logo no início de 2003, o que me levou a permanecer toda a longa duração do regime lulopetista sem qualquer cargo na Secretaria de Estado das Relações Exteriores. Aproveitei os anos de lazer involuntário passados na biblioteca do Itamaraty para escrever livros, fazer pesquisas, dedicar-me a meus afazeres intelectuais nunca interrompidos: tenho de ser grato aos meus algozes pelo limbo.
Só fui chamado a trabalhar – não na SERE, mas no IPRI – com o impeachment de 2016, e tive dois anos de intensas atividades e publicações claramente refletidas em meu relatório de gestão (feito ao final de 2018, pois já antecipava o desfecho, tendo observado o que se passou na campanha); ele pode ser lido nesta postagem da plataforma Research Gate. Uma breve síntese sobre minha trajetória de carreira desde 2003 figura em duas cronologias que ofereci no blog Diplomatizzando (aqui e aqui). Creio que isto já atende ao pedido de informações sobre minha trajetória no Itamaraty.

2 O Brasil passa por um momento curioso: um governo com plataforma econômica liberal que detesta o liberalismo. Como o senhor, que é estudioso de economia e leitor atento da obra de Roberto Campos – além de organizador de livros sobre ele – vê o atual governo?
O atual governo é um animal estranho, uma espécie de ornitorrinco brasileiro, só surgido em virtude das circunstâncias excepcionais criadas pela trajetória julgada gloriosa do lulopetismo – crescimento econômico, distribuição social, projeção internacional etc. –, mas, a partir de certo momento (2013 em diante), avaliado como corrupto e incompetente pela classe-média, que é quem determina grandes mudanças políticas e eleitorais no país (como aliás em quaisquer outros países). A atmosfera otimista cercando o partido e seus principais protagonistas veio abaixo sob os golpes combinados da recessão econômica e da luta contra a gigantesca corrupção empreendida por eles. A partir daí, infelizmente, tivemos a trajetória de ascensão de uma direita conservadora, mas sem qualquer doutrina, sem ideias claras de governança, movimento lamentavelmente simbolizado por um dos piores representantes do chamado baixo-clero do sistema político brasileiro, um outcast do estamento militar, sem qualquer capacidade de governança, menos ainda de liderança.
O atual governo representa uma assemblage daquilo que emergiu na fase de “resistível ascensão” do nosso “Arturo Ui”, um personagem medíocre, mas que teve a agregação em torno de si de tudo o que possa haver de “bom, de mau e de feio” na política e na economia brasileira. A rejeição absoluta dos eleitores ao lulopetismo corrupto e inepto entregou a sociedade a uma outra coalizão de corruptos e ineptos – de certo modo também alucinados, pelas outras vertentes a ela agregados –, mas que conseguiu cooptar elementos razoáveis das elites, do estamento burocrático, dos meios políticos. O governo é esse animal estranho, que pode ter os seus burocratas competentes, certos técnicos de nível, nos quais se incluem alguns elementos militares, mas também representantes alucinados desse amálgama que se convencionou chamar de olavo-bolsonarismo, mas que não corresponde a nenhum pensamento claramente formulado, apenas aos instintos mais primitivos que possam existir.
Eu não considero sequer que o governo tenha uma “plataforma econômica liberal”, mas “que detesta o liberalismo”, pois este aspecto foi apenas um subterfúgio ocasional usado pelo capitão – orientado por políticos hábeis – para conquistar poderosos apoios – e que serve de resguardo para ingênuos ou oportunistas. O fato é que o governo, pela absoluta falta de concepções sobre qualquer coisa do dirigente máximo – a não ser o instinto primitivo do capitão, impulsionado por filhos ambiciosos –, é uma nau sem rumo, que ora voga para algumas reformas possíveis, impulsionadas pela ala dita “racional”, mas que bem mais frequentemente tende a singrar sem rumo num mar encapelado. Não se poderá esperar nada de muito diferente nos meses, e talvez anos, à frente, infelizmente para o país desgovernado.

3 Aproveitando que falamos de Roberto Campos, uma pergunta necessária: existe uma tradição consistente de ideias liberais no país? Quem são, o que fizeram, nossos grandes liberais? E em que eles são diferentes daqueles que se pretendem anunciadores de novidades velhas? Porque Campos e Merquior, por exemplo, já liam e divulgavam Mises e Hayek há tempos...
Não creio que exista, no Brasil, uma “tradição liberal”, pois isso significaria a existência de uma corrente, uma escola, uma tendência, movimentos, partidos agregados em torno de doutrinas, ideias, propostas liberais, e não consigo detectar nada semelhante em toda a nossa história. O que temos, de tempos em tempos, são expoentes que não sei se poderiam ser chamados de liberais, pois sua formação, sua atuação social, sua influência pública são no mais das vezes ocasionais, intercaladas, aos repentes de certos momentos ou de algumas lideranças identificadas com essas ideias, mas que agem mais por pragmatismo, ou em reação a trajetórias problemáticas, que adotam “algumas” (não todas) soluções mais ou menos liberais em função de necessidades urgentes ou de ensaios de curta duração nessa linha. Se juntássemos todos os liberais do Brasil veríamos que geralmente foram trabalhadores do mundo acadêmico, pensadores independentes, absolutamente únicos em seus respectivos meios acadêmicos ou governamentais. O nacionalismo instintivo, o protecionismo recorrente e o patrimonialismo explícito e implícito têm sido as características mais frequentes de nossa governança e do “pensamento” acadêmico.
É uma ironia da nossa trajetória nacional que as propostas consistentemente liberais tenham sido recorrentemente derrotadas pelas coalizões de escravistas, de industriais liztianos e por militares nacionalistas ao extremo. É também uma ironia que as poucas fases de ação mais ou menos tendentes a um horizonte liberal tenham sido feitas em reação aos desastres criados pela trajetória errática da maior parte dos governantes. É outra ironia o fato de que os poucos liberais que tenhamos tido em nossa história tenham atuado a contrario sensu do que se poderia esperar – e permito-me aqui citar alguns exemplos históricos.
Bonifácio construindo um governo forte para evitar o fantasma da desagregação nacional; Mauá tendo de fazer apelo a concessões do Estado para sustentar seus negócios privados; Campos Salles e Murtinho tendo de aumentar a proteção para resolver urgentes problemas fiscais e de endividamento; Oswaldo Aranha condescendendo com o autoritarismo de Vargas na falta de qualquer alternativa de governança; Gudin tentando colaborar com políticos antivarguistas para impulsionar políticas que nenhum deles, de fato, queria defender; Otavio Gouvêa de Bulhões e Roberto Campos construindo as bases do Estado todo-poderoso ao pretender reformar o Brasil e eliminar todas as mazelas existentes; Collor (um despreparado) tentando abrir o Brasil a golpes de martelo; FHC (que não era liberal) tendo de compor com a direita reacionária, pois a esquerda sectária recusou qualquer proposta reformista socialdemocrata; e agora um inepto, um destrambelhado, um alucinado capitão sabotando o trabalho dos poucos tecnocratas liberais existentes no seu governo.
É também evidente que o liberalismo não se sustentará, no Brasil, apenas pelo movimento das ideias, pelo número de professores (ou até políticos) que citam Mises e Hayek, ou quaisquer outros doutrinários liberais. Se o liberalismo não possuir uma conexão firme com a governança prática, com o oferecimento de soluções aos problemas reais do Brasil, com vida dos cidadãos, ele não terá muita chance de prosperar no Brasil.

4 Apesar de todo o justificado pesar com a condução da política externa no atual governo, o PT não era lá flor que se cheirasse no cenário das relações internacionais. Tinha, digamos, amigos bastante suspeitos. Como o senhor analisa aquele período, agora em perspectiva?
Creio poder dizer que sou mestre nesse tipo de análise, e talvez seja por isso que fui rejeitado pelo lulopetismo em geral, e pelo lulopetismo diplomático em especial. Muitos anos antes que se começasse a imaginar que os petistas pudessem chegar ao poder – embora todos os “progressistas” no Brasil, como entre os italianos nos tempos do PCI eurocomunista, desejassem a chegada da esquerda ao governo, pela suposta mensagem ética, contra a politicalha corrupta –, eu já escrevia sobre partidos políticos e política externa, e já identificava no PT um típico partido esquerdista latino-americano, com seus cacoetes e equívocos econômicos e diplomáticos. Pior: como antigo “aprendiz” dos movimentos de resistência à ditadura, sabia do que eram feitos os antigos guerrilheiros que se reciclaram na luta política e que se tornaram os “neobolcheviques” que passaram a controlar o partido, ao lado dos sindicalistas mafiosos, na irresistível ascensão do partido ao poder. Sabia que o apoio castrista ao partido desde o início, a existência de aparelhos clandestinos dentro do partido, nos levaria a um outro tipo de Nomenklatura, a uma cleptocracia improvisada, e desorganizada, mas gramscianamente capaz de controlar os “aparelhos do Estado”, e assim monopolizar o poder durante bastante tempo (e quase o conseguiram, não fossem por esses acidentes de percurso que sempre ocorrem, delatores e incompetentes que atrapalham).
Fui isolado desde o início, pois os companheiros – inclusive dentro do Itamaraty – sabiam disso, o que eu poderia fazer para desacreditá-los, por isso me colocaram no limbo. Foi bom para escrever, mas minha carreira ficou irremediavelmente destruída; não que isso me causasse qualquer depressão, mas fiquei isolado no meu blog, o quilombo de resistência intelectual de onde eu disparava petardos contra a política externa oficial. Resumi o essencial de minhas críticas no livro Nunca Antes na Diplomacia (2014), depois complementado pelo Contra a Corrente (2019), onde estão minhas análises mais consistentes sobre o lulopetismo diplomático. A editora quis fazer uma segunda edição do Nunca Antes, a que me opus, por achar que agora, sim, chegamos a um “nunca antes” jamais ultrapassado em nossa história diplomática, por razões que não posso expor detidamente neste espaço. Caberia, talvez, um novo livro, sobre os desvios de governança e de política externa desde o início do século.
Se me permito uma simples imagem gráfica sobre o que significa o “antigo regime” lulopetista comparativamente ao “novo regime” bolsonarista, em matéria de política externa e de diplomacia, poderíamos dizer o seguinte: partindo de uma dessas “pizzas” de economistas, que sinalizam o peso relativo das diferentes porções de um todo (o “bolo” completo), pode-se dizer que na pizza diplomática do lulopetismo diplomático apenas uma, ou no máximo duas fatias correspondiam às ações “cubano-bolivarianas” do assessor presidência da área e seus aliados no partido e na diplomacia. Todo o resto era puro Itamaraty: multilateralismo, adesão ao Direito Internacional, nacionalismo grudado na pele, regionalismo e integracionismo, desenvolvimentismo cepaliano ou unctadiano, terceiro-mundismo onusiano, o tradicional antiamericanismo moderado, o progressismo nos temas politicamente corretos e o novo ambientalismo, que emergiu progressivamente, após o desenvolvimentismo exacerbado de sempre. O que temos agora, na EA – a Era dos Absurdos –, é um horrível molho olavista que se espalha e contamina toda a pizza, mesmo se não consegue impregnar a “massa” da diplomacia profissional, pois falhou em conquistar a adesão de pessoas sensatas, dentro ou fora do Itamaraty, salvo, obviamente, os fanáticos já devidamente identificados com a mais alucinante trajetória de nossa história diplomática.

5 O que pensa a respeito da diplomacia brasileira hoje, sob a influência de Olavo de Carvalho; o voluntarismo dos filhos presidenciais; a estreita (subserviente?) relação com os EUA; o aceno a conflitos que não são nossos, como a questão de Israel; e, em especial, o recente desconforto com a China?
Cabe começar por uma precisão: NÃO existe, atualmente, NENHUMA diplomacia digna desse nome, pelo simples fato de que não tivemos, nunca tivemos, desde o início e até agora, uma EXPOSIÇÃO clara, explícita, do que seria essa diplomacia, ou do que deve ser uma POLÍTICA EXTERNA para o Brasil. Isto por algumas razões muito simples: está claro que o capitão é um inepto total para formular e apresentar qualquer ideia coerente a esse respeito; seu guru expatriado também é um completo inepto nessas questões; o conselheiro internacional do PSL, guindado à condição de assessor presidencial, é um mero aprendiz, um fanático olavista, totalmente despreparado em questões diplomáticas. O único indivíduo que poderia formular algumas ideias em política externa e diplomacia, o chanceler acidental, é um completo boneco nas mãos (e nos pés) da Bolsofamília e, sobretudo, do Rasputin da Virgínia. Ele se revelou incapaz de expressar qualquer postura coerente na sua área, se contentando apenas em agradar e obedecer a seus amos, além de apresentar alguns traços pessoais de desequilíbrio emocional merecedores de registro. Ou seja, estamos atuando no vácuo absoluto, a não ser pelos poucos instintos primitivos dos antimarxistas no poder e por sua adesão sabuja e incompreensível (já que contrária aos seus próprios interesses no comando de um país com postura própria nas relações internacionais), não aos Estados Unidos em geral, mas à figura do Trump em particular, ademais dos arautos da nova direita que ascende em alguns países, os poucos parceiros da diplomacia atual.
Todas as escolhas, opções e orientações determinadas por esse bando de alucinados foram invariavelmente equivocadas e prejudiciais aos interesses nacionais, tanto é que foram sabotadas, contidas ou revertidas e amenizadas pelos indivíduos racionais do governo e pela pressão dos lobbies econômicos interessados mais em defender seus negócios do que as políticas ou doutrinas consistentes com aqueles objetivos. O fato é que vivemos, no Brasil dos Bolsonaros, um apagão da inteligência e uma destruição de qualquer base racional para uma política externa razoável, como já tive a oportunidade de expor em meu livro Miséria da diplomacia: a destruição da inteligência no Itamaraty(2019, livremente disponível no blog).
Mas esse livro ainda é uma crítica “intelectual” da esquizofrenia diplomática, e não uma exposição pragmática dos problemas por ela acarretados, o que talvez eu faça numa obra futura. Em síntese, existe, sim, uma influência nefasta do sofista expatriado sobre o que se poderia chamar de “diplomacia olavo-bolsonarista”, mas cabe registrar, mais uma vez, que não existe nenhuma coerência nos seus fundamentos e diretrizes de atuação, pois ninguém ali está em condições de fazê-lo, e o chanceler acidental treme de medo de expor qualquer ideia própria. Daí que esses “incidentes” criados erraticamente pelos bolsonaristas mais radicais sejam apenas a expressão da completa indigência de raciocínio desses elementos, pois não se lhes pode imputar nenhum conhecimento ou inteligência a respeito de questões internacionais.
Resumindo: não existe NENHUMA política externa atualmente no Brasil, e se formos admitir que existe alguma diplomacia – o que também é algo duvidoso, embora o Itamaraty não pode deixar de funcionar –, ela simplesmente representa um ponto fora da curva, de fato, algo JAMAIS visto em toda a nossa história bissecular. Vai ficar no registro histórico como o período mais sombrio da diplomacia profissional e o ponto mais baixo da credibilidade do Brasil no exterior, atualmente já rebaixada de forma indigna em função dos néscios, loucos e submissos que temos atuando em torno de ambas no momento.

6 Por fim: o senhor tem sofrido represálias do ministro Ernesto Araújo? De alguma maneira, sua atuação crítica lhe tem trazido prejuízo ou complicações?
Como, por espírito e vocação, eu sou o único “contrarianista de plantão” no Itamaraty – e isso desde sempre, daí a longa travessia do deserto que me foi imposta pelos lulopetistas –, era inevitável que eu fosse sancionado pela tribo de alucinados que se apossou do controle do Itamaraty. Registro que o chanceler acidental se situa apenas em terceiro ou quarto escalão da cadeia decisória naquele ministério, pois todas as ordens vêm de fora, e ele só requer submissão (pois sabe que nunca terá adesão) aos novos déspotas temporários. Eu já deveria ter sido expurgado desde o primeiro dia do governo, e só não o fizeram porque não tinham um substituto para o cargo; fui, contudo, proibido, desde o dia 2/01/2019, de empreender qualquer atividade, até a aprovação de nova chefia. Sempre soube que seria exonerado. Alguns colegas me diziam, em 2018, para requerer um posto no exterior, como fizeram vários outros, prevendo a tempestade. Não quis fazê-lo, pois nunca fui de pedir nada a ninguém. Na verdade, gosto do mundo das ideias e das leituras, de reflexão e de produção intelectual. Era o que pretendia fazer, até o chanceler ordenar “retaliação maciça”.
Com efeito, o chanceler e o seu chefe de gabinete deram ordens à administração para seguir escrupulosamente minha “catraca eletrônica”. Sem qualquer aviso prévio ou demanda de compensação, publicaram no Boletim de Serviço “faltas injustificadas” e “atrasos e saídas antecipadas”, para a partir daí passar a ordenar descontos punitivos no contracheque, assim como “reposição ao Erário” por “pagamentos a maior” por “horas não trabalhadas”. A ironia de toda essa história é que estou lotado, mas apenas formalmente, na Divisão do Arquivo – respondendo a um primeiro secretário, a quem tenho de pedir autorização para sair de férias ou qualquer outra providência administrativa; sem qualquer função precisa, as “horas não trabalhadas” seriam para ficar olhando as paredes oito horas por dia, cinco dias por semana.
Por todas essas razões, meu caso pode ser assimilado ao de K, no Processo de Franz Kafka, como sugeriu o embaixador Rubens Ricupero: deu o título ao meu artigo “Kafka no Itamaraty”. Como os descontos já foram feitos, e outros se prenunciam – sendo que a intenção real, do chanceler acidental e do chefe de gabinete, seria um processo administrativo para demissão sumária por “inassiduidade habitual” –, meu único recurso, na presente fase, foi o de abrir uma ação na Justiça para obstar às manobras intimidatórias e punitivas da dupla. Parafraseando o camponês da Prússia, acredito que ainda existam juízes em Brasília.


Gustavo Nogy
**Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.



2 comentários:

Anônimo disse...


Como a história do Brasil pode ajudara a entender o atual contexto político do país.

Aula Ao Vivo com o Professor Marco Antônio Villa:

https://www.youtube.com/watch?v=0fnmNnN5gHo&feature=youtu.be

Programado para 22 de abril de 2020.

Anônimo disse...

Fico admirado com o espírito de independência que você tem, Paulo. De fato, são tempos de exceção; mas é inacreditável que tenhamos que nos submeter a indivíduos tão lunáticos e fora de órbita - somos mais fortes, eu não tenho dúvida. Nós temos a inteligência e a militância verdadeiramente democrática do nosso lado, o que explica vermos a destruição escancarada das instituições, entre elas o Itamaraty (o que diria, o que faria o Barão do Rio Branco?) ante nossa letargia? 

Uma Estratégia para o Brasil: o lugar do Brasil no mundo - embaixador Rubens Barbosa (Grupo Interesse Nacional)

Vamos Discutir o Brasil
Grupo Interesse Nacional
Presidente Rubens Barbosa
Documento:
Uma Estratégia para o Brasil: o lugar do Brasil no mundo
https://interessenacional.com.br/vamos-discutir-o-brasil/

Nos dias que correm, a divisão e a polarização da sociedade brasileira dificultam e influenciam a discussão e o debate sobre os múltiplos aspectos das questões nacionais. O foco de debate reproduzido pela mídia tradicional e pela mídia social refletem aspectos importantes da economia, da política, das questões sociais, das questões identitárias, as reformas estruturais, da relação entre o executivo, legislativo e judiciário, as questões ambientais e de mudança de clima, a violência e a corrupção. São raramente analisados os impactos relacionados com o cenário global (guerras, nacionalismo, protecionismo, geoeconomia e uso da força, inovação, IA, entre outras) sobre a economia e a política nacionais.

Discute-se tudo, mas pouco ou quase nada sobre o Brasil. É quase inexistente hoje o pensamento sobre o Brasil como país, não como palco de disputas ideológicas e partidárias. A ausência de lideranças no governo, no legislativo, no Judiciário, na classe política, nos setores industriais e agrícolas contribuem para a discussão fatiada, sem a preocupação mais geral de pensar o Brasil em primeiro lugar, em um mundo em grandes transformações e sem reconhecer as mudanças ocorridas nas últimas décadas no país e no seu entorno geográfico (América Latina e do Sul), relevantes para uma análise objetiva. Está mudando a economia global, a ordem internacional, a geopolítica, meio ambiente e mudança de clima, a inovação tecnologia se acelerou e a inteligência artificial criou desafios na área civil e militar, a geoeconomia e a segurança nacional são as forças do momento. Qual o impacto sobre o Brasil dessas transformações? Quais as decisões estratégicas, internas e externas, que terão de ser adotadas para o Brasil responder a esses desafios. Como tentar reduzir as vulnerabilidades e aproveitar as oportunidades que se oferecem na nova ordem econômica e mundial? Como enfrentar as novas e as tradicionais ameaças `a soberania, ao desenvolvimento e a segurança do país?

A radicalização da política interna, na minha visão, torna difícil, neste momento, a discussão sobre um projeto para o Brasil. Na impossibilidade de se chegar a um acordo em torno de um projeto nacional por diferenças ideológicas e político-partidárias, torna-se necessário preencher essa grave lacuna do ponto de vista estratégico. Não existe nenhum documento oficial (e poucos de origem na academia) que pensem o Brasil no contexto global e que tenha sido discutido com a sociedade civil.

Chegou a hora de começar a discutir o Brasil e tentar colocar os interesses nacionais permanentes acima de visões setoriais, como fazem todos os principais países do mundo, com uma visão de médio e longo prazo. O documento UMA ESTRATEGIA PARA O BRASIL – O LUGAR DO BRASIL NO MUNDO, preparado pelo IRICE (www.interessenacional.com.br), procura contribuir para um debate que está atrasado, mas que se faz necessário. Não se trata de um documento elaborado a partir das políticas do governo de turno, nem com viés ideológico ou partidário. Necessariamente genérico, sempre com uma visão estratégica e não conjuntural, o trabalho trata dos objetivos nacionais, do lugar do Brasil no mundo, sinaliza as prioridades e vulnerabilidade de uma potência de médio porte emergente que tem um peso no cenário internacional como 8ª. economia global, com um território continental e mais de 210 milhões de habitantes. O documento vai além da Estratégia Nacional de Defesa e da Política Nacional de Defesa, produzidos pelo Ministério da Defesa, que refletem posições nacionais, mas de um ponto de vista setorial.

Durante o ano de 2025, serão promovidos encontros virtuais e presencias para discutir o trabalho e suscitar o debate sobre uma estratégia para o Brasil, do ponto de vista interno e externo, com uma visão de médio e longo prazo. Com isso, se pretende começar a focalizar o Brasil em primeiro lugar, em um novo mundo, em complemento ao debate interno conjuntural de todos os problemas políticos, econômicos e sociais nacionais.

O Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE), com o apoio do Portal Interessenacional, organizará uma série de encontros para sensibilizar a sociedade civil para esse debate. Serão buscadas parcerias com as Comissões de Relações Exteriores e Defesa, da Câmara e do Senado, com os Partidos políticos, com instituições civis e militares, públicas ou privadas, empresariais e acadêmicas, além de formadores de opinião na mídia social que possam se interessar.

Leia o texto na íntegra: https://interessenacional.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Uma_estrategia_para_o_brasil_12102025.pdf

Vamos discutir o Brasil acima de interesses ideológicos e partidários. 

Desculpem o simplismo redutor, mas existem os bons e os maus - Paulo Roberto de Almeida

Desculpem o simplismo redutor, mas existem os bons e os maus

Paulo Roberto de Almeida

        Existem pessoas que aparecem para fazer o bem para a Humanidade e outras que estão no cenário mundial ou nacional para o mal.
        Na primeira categoria, não é difícil identificar alguns representantes maiores: Confúcio, "profetas" judeus (não todos), Zoroastro, Jesus, Buda, os letrados muçulmanos (não apenas árabes) que preservaram o conhecimento acumulado pelos povos (indiano, grego) antes de sua aparição, os copistas medievais, os iluministas escoceses que promoveram os direitos humanos e a dignidade dos valores democráticos (antes dos ingleses e continentais), os cientistas (como Pasteur) que pesquisaram e fabricaram vacinas, todos os cientistas que trabalharam benevolamente para o bem-estar da humanidade, Cruz Vermelha (e todas as outras também), Médicos Sem Fronteiras, músicos e compositores de todas as categorias (dispenso algumas), professores vocacionados ao ensino infantil, os historiadores imparciais (o que não é fácil), enfim, todos aqueles que se dedicam ao bem-estar coletivo, local, nacional, internacional, que são numerosos e resilientes...
        Na segunda categoria, hesito, em primeiro lugar, em colocar Gengis Khan, Átila e seus hunos e seus bárbaros, uma vez que eles foram provocados antes de passarem à ação, hesito quanto a Drácula, pois tem muito folclore em torno dele, mas colocaria, sem hesitação, Stalin, Hitler, e todos os que colaboraram voluntária e orgulhosamente com eles, Mao Tsetung (mais por ignorância e teimosia do que por perversidade deliberada), Pol Pot (certamente), e mais modernamente, Saddam Hussein, Muammar Gadaffi (ao ordenar bombas em aviões), Putin mais que legitimamente, por todos os crimes de guerra e contra a humanidade que desejou ardentemente, e por todos os opositores políticos que mandou assassinar, Trump, com todo o direito a um Nobel da ignorância, estupidez, crueldade sádica, arrogância criminosa, Netanyahu, que contradiz TODOS os ensinamentos do humanismo judaico, e, finalmente, eu não hesitaria em incluir um, ou mais, entre certos representantes políticos responsáveis por milhares de mortes "excedentárias" num certo país da América do Sul que nem preciso indicar nominalmente, pois todos sabem de quem estou falando.

Brasília, 404/2026.

Nota final: Quem ousar vir aqui defender qualquer um dos assassinos em massa indicados acima será imediatamente incluído naquele último círculo dantesco e excluído "à jamais" de minhas redes. Aos que concordarem, nem precisam aderir, para poupá-los da retaliação dos malvados...

 

The Next Coup Attempt And How to Stop It - Timothy Snyder (Substack)

Timothy Snyder está preocupado por, ou com, um possivel golpe que Mister DJT aplique na mais longa República democrática (sort of) do mundo contemporâneo:


The Next Coup Attempt

And How to Stop It

TIMOTHY SNYDER

APR 4

 

We are seven months away from the most consequential midterm election in the history of the United States. Meanwhile, we are fighting a war. These are the structural conditions for a coup attempt in which a president tries to nullify elections and take permanent power as a dictator. If we see this, we can stop it, overcome the movement that brought us to this point, and make a turn towards something better.


President Donald Trump and Secretary of State Pete Hegseth are stuck in the logic of escalation, according to which the feeling of defeat today can be reversed by doing the first thing that comes to mind tomorrow. Trump is surrounded by people who are making money from the war; each day of war strengthens a warmongering lobby with personal access to the president. As the war lengthens, the chance that it will be exploited for a coup attempt increases.


Trump tells us that he is chiefly concerned with the permanence of his own comfort and power (think about ballroom and bunker), much of which he will lose when his party is defeated decisively in the midterms. He regularly declares his intention to meddle in the elections. His party backed a bill which would have turned elections into a sham. Trump wants to increase the defense budget by nearly 50% without any review of what the money is for; this is strategic nonsense, and has to be understood as a payoff for the men who, as he imagines, will help him install a dictatorship. Hegseth is meanwhile purging the highest officer ranks of people of principle.


It is up to us to put two and two together: Trump will seek to exploit the war (or the next one) to alter the elections. We bear responsibility for what comes next.


The eventuality can seem frightening, but Trump’s position is weak. The gambit of turning a foreign war into a domestic dictatorship is complicated and difficult. Its success depends on us. If the possibility of such a coup is not anticipated and the variants of the gambit are not called out as they emerge, he can succeed. He has attempted a coup (or, technically, a self-coup) once, in January 2021 -- there is no reason to think that he will not try to do so again.


As always, history can help us to imagine the immediate future. History does not repeat, but it does instruct. We know that war offers at least five kinds of opportunities for aspiring dictators. Let us consider the moves that Trump could make, and how they could be stopped. I offer them as five clear types; in practice, of course, they will be mixed and matched from day to day. But if we have the concepts in advance, we can recognize the threat, and turn any sort of coup attempt against Trump.


We are not spectators of this unfolding drama. We are actors inside every scenario. And “we” means journalists who report, judges who follow the law, servicemen and servicewomen who follow the Constitution, and above all citizens who organize, protest and vote. If we know the coup scripts in advance, we know when to take the stage — and where to take the rage.


So here are the scenarios:


1. The Steady Hand. A war is going on, is the claim here, and so we should not change leadership, regardless of what happens in an election. This stance nicely dodges the questions of whether the war was worth starting in the first place, and whether the people in charge are the best qualified to make war (or peace). The steady hand argument has been used countless times; it was the approach that George W. Bush took against John Kerry in the presidential campaign of 2004. But whereas Bush was using such arguments to win an election, Trump will have to use them to overturn the results of an election that his party loses, most likely by huge margins. Given that Trump’s polling on the war is terrible, he is in a weaker position than Bush was, and would have to do much more. It is unclear why a steady hand would rig elections; and, for that matter, Trump’s conduct during this war has made his hand seem (even) less steady. To rig an election, he needs a tight elite consensus around him; he needs allies who are willing to break the law and the Constitution, risking not only prison time but also historical infamy as people who wanted to end the republic. The war is breaking up that consensus and leading to the firing of some of the likely election riggers. The case for a steady hand that should not be hindered by electoral results should be easy to defeat; but we have to see the logic and work to break the ranks of Trump allies who would follow orders to rig elections. They have to know that they will fail and that when they will bear the consequences for the rest of their lives. The one truly steady hand is that of justice.


2. Bonapartism. In this tactic the aspiring dictator says: I know that you would like democracy at home, and so let us prove our ardor together by fighting a war for democracy abroad. This is meant to allow the tyrant to claim the mantle of democracy even while he undoes it at home. This approach was behind the original Napoleonic wars; it was perfected by Napoleon III in the 1850s as “diplomatic nationality.” Trump, however, is not pretending to care about democracy. He prefers dictators; and among dictators, he prefers Putin more then the rest. Trump’s allies though will make the case that war spreads “the American way” or something of the sort. But such arguments can be easily defeated. Whether by insider trading, political bets, arms dealing or (in Putin’s case) higher oil prices and conveniently dropped sanctions, the people around Trump are making money on this war -- they are literally warmongers. What is good in America is bled away in this war; as oligarchs foreign and domestic make billions of dollars, as we are asked to sacrifice everything in exchange for nothing. Trump himself ran for office on an anti-Bonapartist platform: no wars abroad for democracy, spend money instead at home. Instead he is proposing to defund basic domestic services in order to the bribe the armed services with a ridiculous funding increase during a senseless war.


ocean during daytime

3. Bismarckian Unification. Here the ruler no longer pretends to care about democracy (so far so good for Trump), but speaks about bringing the nation together. This was the great success of Otto von Bismarck in central Europe between 1864 and 1871. Germany before Bismarck was a culture but not a unified state; in the age of nationalism the question was who would succeed in bringing numerous German entities together. By winning three wars (against Denmark, the Habsburgs, and France), the Prussian leader was able to create the conditions for the establishment of a new, united German Reich. Because unification was achieved by force of arms rather than by revolution or elections (as many Germans had hoped in 1848), the new state was a militaristic monarchy from the beginning, with an essentially symbolic parliament. Trump would no doubt like this model; but he has the problem of being unable to win one war, let alone three; also, the war that he is fighting do not address an essential national problem. Instead it seems to be about tearing the American republic apart. Trump’s budget proposal, offered during the war, amounts to this: the wealth of working Americans will be transferred to oligarchs and defense contractors, and the government will no longer provide basic services. It uses war to advance the impoverishment and peonization of everyone but a tiny elite.


4. Fascist Sacrifice. The fascist leader kills enough of his own people in a major campaign so that the survivors begin to accept the worldview: that all is struggle, that enemies are everywhere, that the world is a conspiracy against us, etc. Death on a mass scale becomes a source of meaning, uniting the Führer with his Volk. There is an element of this in Putin’s war in Ukraine, but the classic example is the Nazi invasion of the Soviet Union. The very difficulty of the war after 1941 helped fascist arguments in Germany -- Victor Klemperer’s diaries are helpful here -- for more than three years. Trump, however, lacks some of the attributes of historical fascism: the historical fascists actually did believe in struggle, which he does not. Trump believes in saying words and then having things handed to him on a silver platter. Fascists always believed in war; Trump converted to war late in life, having become convinced that it was a way to easy “wins” abroad that could be translated into dictatorship at home. Having boasted of winning in Iran dozens of times already, he is in a poor position to call for the large-scale land invasion that would be necessary to trigger huge American casualties and the bloody fascist dialectic of events and sentiments. Even if he did order a land invasion, it would probably not work, either militarily or politically. He has not done any of the ideological spadework; no one, listening to Trump, would think that he believed in a struggle for survival. By 1941, Hitler had already won quick wars in Poland and France, which created a sense among previously doubtful military commanders and civilians that he knew what he was doing, which then opened the way for a second, more ideological, stage of the war. Military commanders are presumably dubious of Trump; in any event, they are being fired by Hegseth at an extraordinary rate during a war. It is in this light, again, that one must understand Trump’s strategically senseless notion that we should increase the military budget right now by nearly 50%: it is meant as a payoff for officers, soldiers, and sailors -- people he has openly disrespected his entire life, people whose funerals he treats as an opportunity to sell his own branded merchandise -- to assist him in a coup against Americans. That bribe should fail, for many reasons; but it will not fail unless we notice what is happening.


5. Exploitation of Terror. This gambit (or one variant of it) depends on something happening during a war. A foreign enemy carries out an act of terrorist violence against Americans, providing an aspiring dictator with a pretext for a state of emergency and a suspension of elections. Nothing exactly like this has happened in the United States, although we can recall our self-destructive reactions to 9/11. This is Trump’s best hope among all of these scenarios, which is one reason why it might not happen: Iranian leaders must be aware that Trump would seek to exploit such an event. Iranian propaganda certainly involves threats against individual American leaders, but it seems unlikely that they would carry them out. Teheran has more to gain by mocking Pete Hegseth (as in a recent video) than by seeking to assassinate him. (Indeed, given Hegseth’s particular combination of strategic incompetence and Christian nationalism, he must seem like a God-given enemy for the regime in Teheran.)


Another possibility is that Iranians do nothing inside US borders, but Trump and his people pretend that they have, or even organize a fake terrorist strike themselves. It is important to understand that such things do happen, and have been done by the people Trump admires the most. Consider the 1999 false flag terrorist attacks in Russia, the bombing of apartment buildings by the Russian secret services, which began a chain of events that allowed Putin begin his march towards dictatorship. Self-terror is a Putinist strategy, and it worked. This means that it can be presumed to have been considered by Trump, Putin’s client in the White House. Putin is one of the people to whom Trump listens.


But Trump unlike Putin does not come from the secret services, and it is hard to imagine him not botching such an operation (even the Russians had some slips); it is also hard to imagine that Americans ordered to do such a thing would not leak such a plan before it could be realized (it did leak in Russia and was reported before it happened -- but it still worked). Even if the false flag attack itself took place, Trump would have to go from self-terror to a state of emergency and some sort of self-invasion to halt the elections. But a self-invasion by whom? ICE is unpopular and untrained. The war has not been run in a way that brings military commanders to trust the president. Again, one has to see Trump’s proposal to increase the defense budget by nearly 50% as a kind of desperate bribe. There are sound strategic reasons why it is a terrible idea, but there is also a political one.


Elements of these scenarios can be mixed together. Some variant of terrorism is Trump’s best bet. And so one should be (preemptively, now) skeptical of Trump’s account of any future terrorist attack; we can be sure that, whatever its true origins and character, Trump will provide a self-serving account meant to serve a coup and a dictatorship. It is utterly predictable that he will attempt to pass responsibility for any act of terror to his domestic political opponents and discredit or undo elections. We have to think through this chain of events now to make sure that we are ready to block it -- and to turn any such attempt against him.


The terrorism scenario should not work. We should consider it in advance, and hold Trump responsible for any horror inside the United States brought about by his mad war. None of the other scenarios should work either, in any combination. Indeed, all of them should only hurt him, if we are attentive and active. But there is no neutral position. We cannot do nothing and expect the republic to make it through. Indeed, Trump’s one chance to succeed, in any of these scenarios, is our own silent collaboration. He can only carry out a coup if we decide to obey in advance: to pretend that wartime pretexts for coups are never used, although history instructs us that they are; and then to offer our surprise to Trump as the unique political resource that can transform his weak position into a strong one.


Trump is weak, but weakness only matters if it is treated as vulnerability and pushed towards defeat. He will try to make his weak position strong, which will expose further vulnerabilities that have to be seen and exploited. All of his policies make him vulnerable; the war in particular makes him vulnerable; and any gambit to exploit that war should make him and his party easy to defeat and discredit his authoritarian movement forever.


A coup attempt is not at all unthinkable; Trump has done it before, and he makes it very clear that he is thinking about it now. When we think about it now, about how it might take shape, we make it less likely; indeed, we deter it. Knowledge of history can change the future. If we remember what history shows us is possible, we can prevent a coup from succeeding -- and turn any such attempt against its instigator.


For general guidance, On Tyranny

For a vision of a better USA, On Freedom


On Putin and Trump, Road to Unfreedom

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© 2026 Timothy Snyder

548 Market Street PMB 72296, San Francisco, CA 94104”

Certas coisas são necessárias, mas parecem impossíveis - Paulo Pinto e Paulo Roberto de Almeida

Certas coisas são necessárias, mas parecem impossíveis
Meu amigo e colega diplomata Paulo Antonio Pereira Pinto — também conhecido como PaPePinto antigamente, na carreira, mas que simplificou para Paulo Pinto — é um dos maiores especialistas em mundo asiático, junto com Fausto Godoy, um “monstro” em matéria de profundo conhecimento, não só historicamente, e na diplomacia, economia e todo o mais, mas também na história cultural e artística.
Mas o Paulo Pinto fez um artigo brilhante, que preciso repostar aqui, sobre as conexões entre os dois gigantes asiáticos, que chamou de “Chindia”.
Eu o provoquei, dizendo que Ásia era geografia, mas Chindia uma fantasia. Ele me respondeu gentilmente, usando um velho bordão nosso conhecido: “Vamos rasgar a fantasia…”.
Talvez seja o caso, mas penso que ainda vai demorar para acontecer, tslvez uns cinquenta ou cem anos, assim como um equivalente também muito bem-vindo: o “Chimerica”, de que falava o historiador Niall Ferguson desde o começo do século. Certas coisas que correspondem à mais elementar sensatez, ainda parecem distantes no mundo de certos chefes de Estado, que não mereceriam receber essa caracterização
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 4/04/2026

Segue a nota de Paulo Pinto no Linkedin:
“No artigo publicado em 19 de fevereiro passado, sob o título de “Chindia”: vasto espaço para a convivência entre diferentes culturas”, relembrei que a “antiga ordem internacional” se encontra em momento de transição, com o surgimento de um mundo multipolar.
No que diz respeito à “Ásia”, um dos possíveis novos polos de poder - conforme exposto, no texto de referência - a meu ver, a partir do final do século passado, teorias sobre novos paradigmas regionais surgiram e desapareceram, substituídas por teses geradas fora da região a que se aplicam, sem que fossem necessariamente contrárias, apenas inovadoras.
Fica, então esquecida a importância do diálogo cultural, entre diferentes países. Esta omissão fica mais evidente, por exemplo, quando faltam reflexões sobre o desafio maior que seria o de imaginar como China e Índia poderiam voltar a influenciar-se mutuamente com suas respectivas “soft powers”. 
 O mais importante seria considerar a possibilidade de formação de enorme espaço de cooperação cultural, caso viesse a ressurgir, com naturalidade e de forma pacífica, o intercâmbio de ideias, manifestações artísticas e material genético, via Sudeste Asiático, que existiu, há séculos, entre hinduístas e chineses. 
Volto a refletir, portanto, sobre a hipótese do que poderia ser chamada de “Chindia”. Para tanto, cabe recordar de que “Ásia” estamos falando.”

O moderno príncipe: Uma releitura maquiaveliana do poder contemporâneo - Paulo Roberto de Almeida (Revista Temas & Matizes)

De vez em quando, ou muito de quando em vez, eu encontro um trabalho antigo, publicado em alguma revista acadêmica, cujo link AINDA FUNCIONA, o que é uma surpresa absoluta, como esta aqui:

572. “O moderno príncipe: Uma releitura maquiaveliana do poder contemporâneo”, Revista Temas & Matizes (Cascavel/PR, Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Unioeste, a III, n. 5, ISSN: 1519-7972; p. 1-15.

O moderno príncipe
Uma releitura maquiaveliana do poder contemporâneo

Paulo Roberto de Almeida
Doutor em ciências sociais, mestre em planejamento econômico.
Revista Temas & Matizes (Cascavel/PR, Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Unioeste, a III, n. 5, ISSN: 1519-7972; p. 1-15; link:
http://e-revista.unioeste.br/index.php/temasematizes/article/download/548/459
Relação de Trabalhos Originais n. 1324. Relação de Publicados n. 572.

Introdução

Este ensaio consiste numa releitura linear do – e tanto quanto possível vinculada conceitualmente ao – clássico de Maquiavel, O Príncipe. Trata-se de uma tentativa de aplicar as categorias analíticas e a metodologia utilizada pelo pensador florentino às mesmas realidades por ele tratadas: as diversas formas de conquistar e de manter o poder especificamente político e as técnicas empregadas para tal finalidade, com a diferença essencial de que estaremos falando das formações políticas da contemporaneidade, não das cidades-Estado do Renascimento.
O objeto em si não é diferente daquele analisado no mais famoso tratado de política, mas os instrumentos e os contextos econômicos, sociais e culturais nos quais se movimentam os “modernos príncipes” são obviamente diferentes – não, talvez, moralmente superiores –, mas operacionalmente distintos daquele universo de traições na ponta da espada no qual se movia o diplomata e conselheiro Niccolò. Para assegurar uma comparabilidade e uma ponte conceitual com o pensador florentino, estilo e estrutura dos primeiros capítulos de sua obra mais conhecida foram mantidos o mais próximo possível do original (lida em várias edições, sobretudo italianas e francesas). Os temas e inclusive os títulos desses primeiros capítulos são idênticos aos do conhecido texto maquiaveliano, mas o discurso e a lógica argumentativa aqui seguidos diferem, obviamente, do original de quase cinco séculos atrás.
(...)

Íntegra no link acima.


Postagem em destaque

Nota introdutória à Lista Consolidada de Trabalhos Publicados, 1973 a 2026 - Paulo Roberto de Almeida (Academia.edu)

Nota introdutória à Lista Consolidada de Trabalhos Publicados, 1973 a 2026 Paulo Roberto de Almeida , diplomata, professor. Nota introdutóri...