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terça-feira, 22 de setembro de 2020

Bolsonaro na ONU: Um discurso recheado de mentiras: confronto com a realidade - Paulo Roberto de Almeida

Um discurso recheado de mentiras: confronto com a realidade 

 

Paulo Roberto de Almeida

(www.pralmeida.orghttp://diplomatizzando.blogspot.com)

[Objetivoconfrontar o discurso de Bolsonaro à realidadefinalidadedebate público]

  

Um exercício de leitura linear a partir do canhestro discurso do presidente, com poucas platitudes, muitas mentiras e um pouco menos de agressividade do que o ridículo discurso de 2019, que foi mais dirigido para o público interno do que tratou da agenda internacional. Ele agrediu menos dirigentes estrangeiros desta vez, mas agrediu a imprensa, a verdade e não teve sequer o decoro de respeitar a inteligência de quem o ouviu, proclamando virtudes – em matéria de meio ambiente, pandemia – que certamente não possui.

 

Um exercício de confrontação: o discurso do presidente na 75ª. AGNU e seus problemas com a realidade observável

Discurso de Bolsonaro na AGNU, 22/10/2020

Observações, comentários e retificações de Paulo R. de Almeida

É uma honra abrir esta assembleia com os representantes de nações soberanas, num momento em que o mundo necessita da verdade para superar seus desafios.

DISTORÇÃO: verdade é o que menos teve no discurso do presidente na AGNU. Existem uma ou duas, apenas, e nenhuma delas se deve a seu governo; são platitudes, apenas e tão somente.

A COVID-19 ganhou o centro de todas as atenções ao longo deste ano e, em primeiro lugar, quero lamentar cada morte ocorrida.

MENTIRA: Nunca lamentou sinceramente as milhares de mortos no Brasil, e só o fez, de forma canhestra, quando instado a fazê-lo

Desde o princípio, alertei, em meu País, que tínhamos dois problemas para resolver: o vírus e o desemprego, e que ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade.

MENTIRA: Sempre negou a gravidade da pandemia, como negacionista que sempre foi, e tentou evitar por todos os meios quarentenas ou afastamentos, determinados unicamente com o objetivo de salvar vidas, por governadores.

Por decisão judicial, todas as medidas de isolamento e restrições de liberdade foram delegadas a cada um dos 27 governadores das unidades da Federação. Ao Presidente, coube o envio de recursos e meios a todo o País.

MENTIRA: É a Constituição que prevê essa repartição de responsabilidade. O STF apenas se limitou a respeitar a CF-1988. Enviou recursos em caráter muito precário, inclusive porque não houve comitê nacional de coordenação na área.

Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população. Sob o lema “fique em casa” e “a economia a gente vê depois”, quase trouxeram o caos social ao país.

MENTIRA CALHORDA: A imprensa, no Brasil e no mundo, sempre fez o papel que se espera dela, refletindo objetivamente tudo o que governos e outras autoridades falam e fazem. Quem trouxe o caos foi ele mesmo, ao desafiar continuamente as recomendações de cientistas.

Nosso governo, de forma arrojada, implementou várias medidas econômicas que evitaram o mal maior:

– Concedeu auxílio emergencial em parcelas que somam aproximadamente 1000 dólares para 65 milhões de pessoas, o maior programa de assistência aos mais pobres no Brasil e talvez um dos maiores do mundo;

MENTIRA DESLAVADA: O governo queria dar apenas 200 reais, o Congresso aumentou para 500 e o presidente concedeu 600, apenas para prevalecer, de forma demagógica. Os 1.000 dólares são uma interpretação muito ampliada da realidade, juntando o máximo que alguns poderiam ganhar cumulativamente. Não houve tal generosidade de forma geral à população.

– Destinou mais de 100 bilhões de dólares para ações de saúde, socorro a pequenas e microempresas, assim como compensou a perda de arrecadação dos estados e municípios;

MEIA VERDADE, DISTORÇÃO: Até parece que tudo se desenvolveu de forma perfeita, a todas as microempresas, quando a realidade está muito longe disso; existem fatos que o provam.

– Assistiu a mais de 200 mil famílias indígenas com produtos alimentícios e prevenção à COVID;

GRANDE MENTIRA: Inúmeras matérias de imprensa e relatos de ONGs atestam os desafios às populações indígenas, com muitas vítimas.

– Estimulou, ouvindo profissionais de saúde, o tratamento precoce da doença;

MENTIRA CALHORDA: Dois ministros da Saúde foram desmentidos, por falar a verdade;

– Destinou 400 milhões de dólares para pesquisa, desenvolvimento e produção da vacina de Oxford no Brasil;

DISCRIMINAÇÃO: Tal financiamento se fez apenas a UM dos projetos de vacina; a vacina do Instituto Butantã com a China não teve nada.

Não faltaram, nos hospitais, os meios para atender aos pacientes de COVID.

MENTIRA MAIS UMA VEZ: Hospitais nas regiões NO e NE ficaram sem equipamentos.

A pandemia deixa a grande lição de que não podemos depender apenas de umas poucas nações para produção de insumos e meios essenciais para nossa sobrevivência. Somente o insumo da produção de hidroxicloroquina sofreu um reajuste de 500% no início da pandemia. Nesta linha, o Brasil está aberto para o desenvolvimento de tecnologia de ponta e inovação, a exemplo da indústria 4.0, da inteligência artificial, nanotecnologia e da tecnologia 5G, com quaisquer parceiros que respeitem nossa soberania, prezem pela liberdade e pela proteção de dados.

DÚVIDAS: O retorno a práticas de autarquia não é a melhor solução para os problemas temporários trazidos pela pandemia; em breve prazo, as relações de interdependência e de abastecimento voltam a níveis normais.

inflação no preço da cloroquina se DEVE INTEIRAMENTE à recomendação demencial do próprio Bolsonaro pelo uso, sem qualquer comprovação científica de sua eficácia efetiva.

O Brasil é, dos países do G20, o mais fechado às cadeias de valor. Cabe ao presidente ordenar à abertura, se preciso UNILATERAL, do Brasil, já que é o Brasil que é fechado ao mundo.

No Brasil, apesar da crise mundial, a produção rural não parou. O homem do campo trabalhou como nunca, produziu, como sempre, alimentos para mais de 1 bilhão de pessoas.

ABUSANDO DO TRABALHO ALHEIO: Nada dessa imensa produtividade do campo se deve ao atual governo, menos ainda ao se chefe, pois esse ciclo ascendente vem de longe.

O Brasil contribuiu para que o mundo continuasse alimentado.

IDEM: O Brasil é um grande ator na área, pelo trabalho dos agricultores, não do governo.

Nossos caminhoneiros, marítimos, portuários e aeroviários mantiveram ativo todo o fluxo logístico para distribuição interna e exportação.

INÓCUO: Uma economia normal funciona sem que o governo precise fazer qualquer concessão aos agentes reais da economia brasileira. Aliás, a infraestrutura que depende dele é péssima.

Nosso agronegócio continua pujante e, acima de tudo, possuindo e respeitando a melhor legislação ambiental do planeta.

IDEM:A construção da pujança do agronegócio é uma obra coletiva que vem de pelo menos três décadas de trabalho contínuo, não de 2019-20.

Mesmo assim, somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal.

MENTIRA CALHORDA: Acusar o mundo de se entregar à desinformação deliberada sobre o Brasil, é uma mentira calhorda e insultuosa.

A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil.

IGNORÂNCIA: Confunde recursos naturais com riqueza; esta só existe quando existem meios de explorar de maneira sustentável. Essa noção de que que estrangeiros querem retirar a Amazônia de nossa soberania é errada e também ridícula; quem prejudica o Brasil é a postura destruidora do presidente e seu antiministro.

Somos líderes em conservação de florestas tropicais. Temos a matriz energética mais limpa e diversificada do mundo.

ARROGÂNCIA: Não foi este governo quem fez a matriz energética diversificada; ela vem de longe; quanto a ser líder, resta provar...

Mesmo sendo uma das 10 maiores economias do mundo, somos responsáveis por apenas 3% da emissão de carbono.

DADOS NÃO CONFIRMADOS: Emissões de carbono não têm relação direta com o tamanho da economia; emissões podem ser ambientais.

Garantimos a segurança alimentar a um sexto da população mundial, mesmo preservando 66% de nossa vegetação nativa e usando apenas 27% do nosso território para a pecuária e agricultura. Números que nenhum outro país possui.

CANTANDO VANTAGEM: O governo não é o responsável por essa situação que vem de longe; outros países participam da oferta alimentar no mundo, e isso ocorre tanto por produtividade quanto por extensão de terras e outros recursos, que são dados da natureza.

O Brasil desponta como o maior produtor mundial de alimentos.

PLATITUDE: Trata-se apenas de uma simples constatação de fato, uma evidência primária.

E, por isso, há tanto interesse em propagar desinformações sobre o nosso meio ambiente.

MENTIRA CRASSA: A mídia não tem nenhum interesse em propagar desinformações.

Estamos abertos para o mundo naquilo que melhor temos para oferecer, nossos produtos do campo. Nunca exportamos tanto. O mundo cada vez mais depende do Brasil para se alimentar.

EM TERMOS: Se acaso Brasil desaparecer, o mundo vai se arranjar de outra forma; existem outros países que podem fornecer os produtos que o Brasil produz; não há essa dependência.

Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente, nos mesmos lugares, no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas.

BOBAGEM: Os incêndios são em áreas já devastadas, não na floresta virgem. Caboclos e índios são absolutamente marginais para efeito do desmatamento e das queimadas; a maior parte é feita por grileiros, fazendeiros voltados para a pecuária e agricultura, desmatadores em geral; essa acusação é indigna de um presidente.

Os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação. Mantenho minha política de tolerância zero com o crime ambiental. Juntamente com o Congresso Nacional, buscamos a regularização fundiária, visando identificar os autores desses crimes.

MENTIRA, MENTIRA! A tolerância zero é justamente com os desmatadores e grileiros. O governo não tem fiscalizado, não tem aplicado multas, tem sido leniente e conivente com os destruidores dos recursos naturais. A mentira é evidente para quem conhece a realidade.

Lembro que a Região Amazônica é maior que toda a Europa Ocidental. Daí a dificuldade em combater, não só os focos de incêndio, mas também a extração ilegal de madeira e a biopirataria. Por isso, estamos ampliando e aperfeiçoando o emprego de tecnologias e aprimorando as operações interagências, contando, inclusive, com a participação das Forças Armadas.

PROMESSAS: Todos sabem disso e estão dispostos a conceder essa condição ao Brasil, de não ser capaz de controlar um imenso território da Amazônia; mas até aqui não se viu qualquer providência governamental de PROTEÇÃO da Amazônia, apenas projetos de EXPLORAÇÃO não sustentável; FFAA não seriam necessárias se os órgãos tradicionais não tivessem sido objeto de cortes e cerceamentos de atuação.

Pantanal, com área maior que muitos países europeus, assim como a Califórnia, sofre dos mesmos problemas. As grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição.

MENTIRA: Grandes queimadas não ocorrem apenas naturalmente pela alta temperatura, e sim pela ação do homem, criminosa ou não; governo é feito para controlar essas ações em áreas expostas a esses riscos, na Califórnia, no Brasil, no Pantanal ou na Amazônia.

A nossa preocupação com o meio ambiente vai além das nossas florestas. Nosso Programa Nacional de Combate ao Lixo no Mar, um dos primeiros a serem lançados no mundo, cria uma estratégia para os nossos 8.500 quilômetros de costa.

CABE VERIFICAR: A Marinha brasileira há muito tempo vem se dedicando a esse projeto. Ela está de parabéns pelo seu trabalho. O governo quer tirar vantagem sobre aquilo que ele não fez, e sim que recebeu como legado das instituições e programas já existentes.

Nessa linha, o Brasil se esforçou na COP25 em Madri para regulamentar os artigos do Acordo de Paris que permitiriam o estabelecimento efetivo do mercado de carbono internacional. Infelizmente, fomos vencidos pelo protecionismo.

MENTIRA, ERRADO: O fracasso do Brasil na COP25 – que deveria ter sido REALIZADA no Brasil, e foi recusada desde 2018 – se deve basicamente à atitude irracional do antiministro do 1/2 Ambiente, que não conseguiu êxito em seu projeto de chantagear os países ricos. 

Em 2019, o Brasil foi vítima de um criminoso derramamento de óleo venezuelano, vendido sem controle, acarretando severos danos ao meio ambiente e sérios prejuízos nas atividades de pesca e turismo.

CABE ESCLARECER: Até agora, a Marinha ou outros órgãos (PF, etc.) não conseguiram determinar a origem exata desse derramamento, que é efetivamente de petróleo venezuelano, mas provavelmente exportado ilegalmente. 

O Brasil considera importante respeitar a liberdade de navegação estabelecida na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

PLATITUDE: Não precisaria afirmar o óbvio: que o Brasil respeita convenções internacionais que ele próprio soberanamente aceitou e cumpre como deve ser nas relações internacionais.

Entretanto, as regras de proteção ambiental devem ser respeitadas e os crimes devem ser apurados com agilidade, para que agressões como a ocorrida contra o Brasil não venham a atingir outros países.

OUTRA PLATITUDE: O Brasil pode contar com a colaboração da IMO e de outros órgãos para ajudar nisso, ou seja, precisa reafirmar sua adesão ao MULTILATERALISMO, o que vem sendo combatido por alguns IDIOTAS.

Não é só na preservação ambiental que o país se destaca. No campo humanitário e dos direitos humanos, o Brasil vem sendo referência internacional pelo compromisso e pela dedicação no apoio prestado aos refugiados venezuelanos, que chegam ao Brasil a partir da fronteira no estado de Roraima.

MENTIRA, MENTIRA, MENTIRA: Como é possível ao presidente mentir tão abertamente, tão descaradamente? O Brasil é acusado por organismos internacionais e por ONGs por não respeitar, justamente, compromissos internos e externos no plano do meio ambiente e dos DH; o Brasil saiu do Pacto Global das Migrações.

A Operação Acolhida, encabeçada pelo Ministério da Defesa, recebeu quase 400 mil venezuelanos deslocados devido à grave crise político-econômica gerada pela ditadura bolivariana.

COMPROMISSOS EXTERNOS: Somos membros de convenções internacionais, ou seja, MULTILATERAIS, que comandam o refúgio e o acolhimento de pessoas em situação de perigo; temos de cumprir nossas obrigações.

Com a participação de mais de 4 mil militares, a Força Tarefa Logística-Humanitária busca acolher, abrigar e interiorizar as famílias que chegam à fronteira.

O QUE SE FAZ É O NECESSÁRIO: o Brasil estaria falhando a seus compromissos se não estivesse acolhendo refugiados em situação de extrema precariedade; é uma questão MORAL!

Como um membro fundador da ONU, o Brasil está comprometido com os princípios basilares da Carta das Nações Unidas: paz e segurança internacional, cooperação entre as nações, respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais de todos. Neste momento em que a organização completa 75 anos, temos a oportunidade de renovar nosso compromisso e fidelidade a esses ideais. A paz não pode estar dissociada da segurança.

PLATITUDE DIPLOMÁTICA: O que se diz aqui figura em todos os discursos de delegados brasileiros às AGNUs desde 1946, ou seja, não existe nenhuma novidade nessa repetição de platitudes que qualquer terceiro secretário da carreira diplomática aprende desde suas aulas no Instituto Rio Branco. O discurso aqui retoma, portanto, um tom e estilo, que deveria ser o do ano passado, quando o que tivemos foi uma VERGONHA anti-onusiana e agressiva.

A cooperação entre os povos não pode estar dissociada da liberdade. O Brasil tem os princípios da paz, cooperação e prevalência dos direitos humanos inscritos em sua própria Constituição, e tradicionalmente contribui, na prática, para a consecução desses objetivos.

MAIS PLATITUDES: Ou seja, pelo menos, desta vez, usaram alguns conceitos típicos da diplomacia profissional para incorporar num discurso que não deveria repetir PLATITUDES, mas tratar da agenda internacional, dos grandes problemas da humanidade.

O Brasil já participou de mais de 50 operações de paz e missões similares, tendo contribuído com mais de 55 mil militares, policiais e civis, com participação marcante em Suez, Angola, Timor Leste, Haiti, Líbano e Congo.

BLÁ, BLÁ, BLÁ: O presidente não tem a menor ideia do que o Brasil já fez na esfera das missões de paz da ONU, e apenas repete o que lhe foi servido por assessores internacionais um pouco menos idiotas do que em 2019. 

O Brasil teve duas militares premiadas pela ONU na Missão da República Centro-Africana pelo trabalho contra a violência sexual.

As FFAA cumprem com o seu dever: mais uma colaboração da diplomacia profissional para evitar que ele fale muita bobagem.

Seguimos comprometidos com a conclusão dos acordos comerciais firmados entre o MERCOSUL e a União Europeia e com a Associação Europeia de Livre Comércio. Esses acordos possuem importantes cláusulas que reforçam nossos compromissos com a proteção ambiental.

EQUIVOCADO: Não, o Brasil, ou o presidente não está minimamente comprometido com esses objetivos, pois vem se exercendo como touro desembestado numa loja de cristais; ele vem contrariando sistematicamente o espírito e a letra desses acordos, por sua atitude destrutiva no meio ambiente e em DH; o acordo não sai.

Em meu governo, o Brasil, finalmente, abandona uma tradição protecionista e passa a ter na abertura comercial a ferramenta indispensável de crescimento e transformação.

MENTIRA RIDÍCULA: até aqui não houve NENHUMA medida de abertura; a Tarifa do Mercosul continua alta e o Brasil continua aplicando restrições indevidas no comércio.

Reafirmo nosso apoio à reforma da Organização Mundial do Comércio que deve prover disciplinas adaptadas às novas realidades internacionais.

OUTRA MENTIRA: o chanceler acidental, submisso e servil ao governo Trump, vem aderindo à visão anti-OMC dos EUA; por isso mesmo, perdeu o Diretor Geral brasileiro.

Estamos igualmente próximos do início do processo oficial de acessão do Brasil à OCDE. Por isso, já adotamos as práticas mundiais mais elevadas em todas as áreas, desde a regulação financeira até os domínios da segurança digital e da proteção ambiental.

ILUDIDO OU IGNORANTE: O Brasil não tem nenhuma chance de ser admitido na OCDE se não corrigir sua postura contrária às medidas de luta contra a corrupção e à lavagem de cash; a sabotagem contra a COAF e a Lava Jata devem deixar o Brasil de fora da OCDE.

No meu primeiro ano de governo, concluímos a reforma da previdência e, recentemente, apresentamos ao Congresso Nacional duas novas reformas: a do sistema tributário e a administrativa.

RETÓRICA VAZIA: Reforma da Previdência não teve a nada a ver com o governo; já vinha da presidência Temer e deve mais ao Congresso do que ao ministro da Economia. As reformas tributária e administrativa ainda são promessas.

Novos marcos regulatórios em setores-chave, como o saneamento e o gás natural, também estão sendo implementados. Eles atrairão novos investimentos, estimularão a economia e gerarão renda e emprego.

PROMESSAS, PALAVRAS: Como ocorreu em presidências anteriores, algumas reformas se impõem pela própria situação calamitosa de certos serviços públicos que não podem contar com recurso públicos; daí a privatização.

O Brasil foi, em 2019, o quarto maior destino de investimentos diretos em todo o mundo. E, no primeiro semestre de 2020, apesar da pandemia, verificamos um aumento do ingresso de investimentos, em comparação com o mesmo período do ano passado. Isso comprova a confiança do mundo em nosso governo.

ATRAÇÃO DE INVESTIMENTOS: Como grande economia o Brasil sempre vai atrair maiores fluxos de IED; a desvalorização da moeda também ajuda, pois se pode “comprar” o Brasil com “descontos” de 40% sobre o passado e isso deve continuar; Investidores de fora já alertaram o governo para as posturas erradas.

O Brasil tem trabalhado para, em coordenação com seus parceiros sul-atlânticos, revitalizar a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul.

MAIS PLATITUDE DIPLOMÁTICA: Isso na verdade é apenas uma intenção; não quer dizer quase nada na prática.

O Brasil está preocupado e repudia o terrorismo em todo o mundo.

TERIA COMO SER DE OUTRA FORMA? Ser contra o terrorismo não é mérito nenhum...

Na América Latina, continuamos trabalhando pela preservação e promoção da ordem democrática como base de sustentação indispensável para o progresso econômico que desejamos.

SIM, QUAIS SÃO OS EXEMPLOS? Tirartodo o pessoal diplomático e consular da Venezuela ajuda nesse projeto? O Brasil atual se excluiu de qualquer solução diplomática para a tragédia venezuelana, se auto-excluiu. 

A LIBERDADE É O BEM MAIOR DA HUMANIDADE.

PRECISA COMENTAR? Alguém tem outra opinião? O presidente descobriu a pólvora?

Faço um apelo a toda a comunidade internacional pela liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia.

CONTRA A LAICIDADE DO ESTADO: O país tem outras denominações religiosas; caber dizer isso aos “aliados” da Arábia Saudita. 

Também quero reafirmar minha solidariedade e apoio ao povo do Líbano pelas recentes adversidades sofridas.

COMO EU SOU BONZINHO...: O Brasil tem a maior população de origem libanesa, e não faz mais do que a sua obrigação de solidariedade.

Cremos que o momento é propício para trabalharmos pela abertura de novos horizontes, muito mais otimistas para o futuro do Oriente Médio.

PRETENSÕES LULOPETISTAS? Bolsonaro também pretende fazer a paz entre israelenses e palestinos? Vai se meter em imbróglios eternos? Acha que tem capacidade para tanto? Ilusões? 

Os acordos de paz entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, e entre Israel e o Bahrein, três países amigos do Brasil, com os quais ampliamos imensamente nossas relações durante o meu governo, constitui excelente notícia.

CONSTATAÇÃO ELEMENTAR: Será que a mídia não está enganando ninguém nesse tema? O fato de Israel e países supostamente inimigos do Irã estarem estabelecendo relações é uma boa notícia em si. Trump se aproveita disso, e o seu seguidor vai atrás, querendo tirar vantagem.

O Brasil saúda também o Plano de Paz e Prosperidade lançado pelo Presidente Donald Trump, com uma visão promissora para, após mais de sete décadas de esforços, retomar o caminho da tão desejada solução do conflito israelense-palestino.

SERVILISMO DIPLOMÁTICO: O Brasil foi um dos poucos países que apoiaram esse plano que não respeita os direitos dos palestinos e foi inclusive desativado pelas novas posturas que Israel vem adotando a esse respeito. Nenhum outro país importante apoiou o Plano Trump.

A nova política do Brasil de aproximação simultânea a Israel e aos países árabes converge com essas iniciativas, que finalmente acendem uma luz de esperança para aquela região.

WISHFUL THINKING: O Brasil já tinha boas relações com as duas partes há décadas, e foi esse governo que se inclinou para o lado de Israel, causando desconforto entre os árabes. A “luz de esperança” é apenas uma promessa. 

O Brasil é um país cristão e conservador e tem na família sua base.

NOVIDADE CONSTITUCIONAL: Desde a República o Brasil é um país laico e secular. 

Deus abençoe a todos!

VOTO: Podia começar iluminando ele mesmo.

E o meu muito obrigado!

UFA! Terminaram as mentiras...

Assista ao discurso de Bolsonaro:

https://www.oantagonista.com/brasil/leia-a-integra-do-discurso-de-bolsonaro-na-onu/

Quem tiver paciência, obviamente, para ouvir mentiras, meias verdades, falcatruas ridículas...

 


Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 3759, 22 de setembro de 2020

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

A empulhação americana no caso do açúcar e a sabujice confirmada do chanceler acidental - Mariana Sanches (BBC)

 Os americanos querem enganar os brasileiros? Parece que sim. E quais são os idiotas que querem se deixar enganar? São aqueles que pretendem que os americanos fizeram uma concessão ao Brasil em troca da importação livre de direitos de etanol de milho americano, quando eles NÃO FIZERAM NENHUMA CONCESSÃO, apenas realocaram cotas de açúcar já disponíveis.

MENTIRA, o que qualquer autoridade americana ou brasileira possa dizer sobre esse "acordo" enganoso.

Paulo Roberto de Almeida 

Por que anúncio de Bolsonaro sobre cota de açúcar dos EUA para o Brasil não é vitória diplomática


  • Mariana Sanches - @mariana_sanches
  • Da BBC News Brasil em Washington, 21/09/2020

Depois de uma sequência recente de derrotas diplomáticas para os Estados Unidos no comércio bilateral, o presidente Jair Bolsonaro foi ao Twitter nesta segunda-feira, dia 21, anunciar que os americanos aumentarão a compra de açúcar brasileiro em 80 mil toneladas e, junto com uma foto do chanceler Ernesto Araújo, afirmou que esse é "o primeiro resultado das recém-abertas negociações Brasil-EUA para o setor de açúcar e álcool". 

A manifestação ocorre semanas após o aço brasileiro ter sido cortado em mais de 80% das importações americanas e de o Brasil ter renovado uma isenção de tarifas à entrada de quase 200 milhões de litros de etanol americano no país, o que o setor sucroalcooleiro classificou como "enorme sacrifício". 

Final de Twitter post, 1

De acordo com fontes com conhecimento direto das negociações ouvidas pela BBC News Brasil, o Itamaraty teria tomado as medidas para tentar colaborar com a campanha de reeleição do presidente Donald Trump, que tem entre os operários da siderurgia e os fazendeiros de milho parte de sua base eleitoral. 

Oficialmente, o chanceler Araújo afirmou que a concessão era necessária para abrir negociações que poderiam resultar em uma redução das barreiras tarifárias de 140% que os americanos impõem sobre o açúcar brasileiro há décadas. 

Mas as negociações caíram mal politicamente e geraram críticas de subserviência do país diante de seu aliado preferencial. A tensão ainda aumentou depois que Araújo serviu de cicerone ao secretário de Estado americano Mike Pompeo em uma visita relâmpago à Roraima, na última sexta-feira, quando o americano fez críticas ao regime venezuelano. 

"No geral, há uma percepção de que o Brasil não está sendo tratado de uma maneira justa perante os Estados Unidos, por isso o governo está tentando dar uma publicidade para algo trivial e esperado, para buscar um equilíbrio nessa imagem para o seu público", afirmou reservadamente à BBC News Brasil um embaixador especializado em comércio internacional.

Segundo o diplomata, trata-se de algo "trivial" e "esperado" porque embora o presidente sugira que houve um incremento permanente na quantidade de açúcar que o Brasil poderá exportar aos americanos, o que aconteceu na verdade foi uma realocação temporária de fornecedores feita pelos americanos. 

Os Estados Unidos importam anualmente mais de 3 milhões de toneladas de açúcar - e dão preferência a vendedores da África ou América Central. Mas, caso esses fornecedores habituais não vendam a quantidade necessária e haja um subabastecimento do mercado americano, a Secretaria de Agricultura dos Estados Unidos informa o representante comercial do país que redireciona suas compras para outros produtores, como o Brasil. 

A mesma coisa aconteceu no ano passado e em fevereiro desse ano, sem que Bolsonaro fizesse do fato motivo de comemoração nas redes nessas duas ocasiões.

"Os Estados Unidos não fizeram nenhum favor ao Brasil, apenas realocaram algum volume (de açúcar) ao Brasil, dentro do mercantilismo geral deles. Isso precisa ser esclarecido, para que não pareça uma vitória diplomática que não foi", afirmou o embaixador Paulo Roberto de Almeida.

Pompeo, de máscara, descendo de escada no avião
Legenda da foto, 

Visita de Pompeo a Roraima gerou diversas críticas no mundo político

Mas o momento político atual pode ter levado a essa mudança de postura do presidente. No último fim de semana, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, criticou a visita de Pompeo a Roraima e acusou sua presença de eleitoreira e de afronta à autonomia do país.

"A visita do Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, nesta sexta-feira, às instalações da Operação Acolhida, em Roraima, junto à fronteira com a Venezuela, no momento em que faltam apenas 46 dias para a eleição presidencial norte-americana, não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa", afirmou Maia. 

Suas críticas foram endossadas em carta por todos os ex-chanceleres do período democrático: Fernando Henrique Cardoso (governo Itamar Franco), Francisco Rezek (governo Collor), Celso Lafer (governos Collor e FHC), Celso Amorim (governos Itamar Franco e Lula), José Serra e Aloysio Nunes Ferreira (governo Temer).

O clima político ficou tão difícil que nesta segunda-feira senadores chegaram a cogitar o adiamento da sabatina de mais de 20 candidatos brasileiros a embaixadores pelo mundo, que esperam confirmação pela Casa de seus postos. O boicote foi desmobilizado depois que Ernesto Araújo aceitou comparecer ao Senado na próxima quinta-feira para explicar em detalhes a visita de Mike Pompeo.

Duas grandes sacas de açúcar em galpão
Legenda da foto, 

Sacas de açúcar para exportação no Rio Grande do Sul; produtores negaram que medida anunciada por Bolsonaro seja uma vitória

Os principais interessados no anúncio de Bolsonaro, os produtores de açúcar, tampouco consideraram o aumento na cota uma vitória. De acordo com dados da Câmara de Comércio Exterior, nas últimas cinco safras o Brasil exportou em média 25,6 milhões de toneladas de açúcar no total. Nesse universo, as 80 mil toneladas que os Estados Unidos devem comprar agora representam apenas 0,3%. 

Em nota, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) e o Fórum Nacional Sucroenergético (FNS) afirmaram que "essa cota adicional de açúcar é consideravelmente inferior à cota mensal de etanol que o Brasil ofereceu novamente aos Estados Unidos em setembro" e reafirmou que a medida não é "uma concessão americana". 

"Devemos esclarecer que se trata de um procedimento normal adotado pelos EUA nos últimos anos, sem representar qualquer avanço estrutural para um maior acesso do açúcar brasileiro àquele país", dizem os produtores na nota.

A BBC News Brasil consultou o Itamaraty a respeito das negociações com os americanos e da cota de açúcar, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Dentro do órgão, auxiliares do ministro afirmam que relações comerciais nesses moldes são normais, mas que fica difícil compreender esses movimentos a partir de um prisma "em que concessões brasileiras representam submissão absoluta do Brasil enquanto que qualquer medida americana é 'prêmio de consolação'". 

Desde que assumiu a presidência, Bolsonaro operou uma profunda mudança na política internacional brasileira, transformando os Estados Unidos em seu aliado preferencial.

O embaixador especialista em comércio ouvido reservadamente pela BBC News Brasil afirma que cotas e concessões são comuns nas relações internacionais, mas que em ambientes polarizados, onde que esse tipo de transação tem chamado a atenção, tem levado políticos a tentar explorá-los a seu favor. 

"Nesse caso do açúcar, não há o que se falar em vitória diplomática, é uma questão circunstancial. O Itamaraty e o setor produtivo sabem disso. Mas o resto da população, especialmente os apoiadores do presidente, não sabem. E vão se satisfazer com a mensagem dele", afirma.