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domingo, 25 de fevereiro de 2024

Lula ajuda Putin na sua guerra de agressão contra a Ucrânia- José Meléndez (El Universal)

E alivia as sanções ocidentais contra a Rússia. Nenhuma neutralidade!

Lula tendió flotador

financiero a Putin

José Meléndez Corresponsal

San José.  Más allá de la lealtad garantizada quevía propaganda o silenciorecibió de Cuba, Venezuela y Nicaragua, sus principales aliados políticos en América Latina y el Caribe, Rusia convirtió a Brasil en 2023 en uno de sus más importantes soportes financieros en tiempo de guerra para exportar diésel al mercado brasileño eludir las sanciones económicas mundialesque se le impusieron al gobierno ruso desde que hace dos años invadió Ucrania.

En contra vía de las represalias que Occidente dictó a partir de que, el 24 febrero de 2022Rusia agredió militarmente a Ucrania, el presidente de Brasil, el izquierdista Luiz Inácio Lula da Silva, tendió un salvavidas financiero a Moscú desde quasumió en enero de 2023. Lula rompió con las represalias económicas internacionales con las que Estados Unidos y sus socios intentaron castigar al gobierno del presidente de Rusia, Vladimir Putin, por atacar a Ucrania.

Moscú ofreció a Brasil una rebaja de 20% en diésel para atrapar clientes. La diferencia en diciembre de 2023 entre ese derivado del petróleo producido en Rusia fue de solo un céntimo más barato que el de EU.

Aadvertir que “se trata de un oportunismo moralmente cuestionable de Lulael analista e investigador independiente brasileño Leonardo Coutinho, presidente de Inbrain Consultants, consultora privada de Washingtonexplicó que “la justificación de la repentina preferencia de los brasileños por el diésel ruso es económica.

(Pero) el combustible ruso es una importante fuente de financiación de la guerra de agresión de Putin contra Ucrania”, dijo Coutinho a EL UNIVERSAL.

Los importadores (brasileños), incluida la estatal Petrobras (Petróleo Brasileño S.A.) afirman que los descuentos de más del 20% en comparación con los precios aplicados por otros países son una ganga que no hay que desaprovechar, recordó.

Al ir a contracorriente de las democracias que condenan la invasión rusa, Lula adopta una posición ambigua. Todavía no ha renunciado a mediar en el conflicto”, alegó, en referencia a que el mandatario brasileño intentó, sin éxito, convertirse en 2023 en un mediador imparcial entre Moscú y Kiev para terminar con la guerra.

Además de financiar a Putin con la compra de diésel, Lula tomó medidas contra los ucranianos y la Organización del Tratado del Atlántico Norte (OTAN). Vetó la venta de vehículos blindados fabricados en Brasil que habrían sido utilizados como ambulancias por los ucranianos y prohibió la venta de material militar”, recordó.

Tras aducir que en más de una ocasión, Lula y su equipo han culpado a la OTAN de iniciar la guerra y su principal asesor de asuntos internacionales ha dicho que no hay forma de hablar de paz sin pensar en la seguridad de Rusiarecalcó que se trató de una clara muestra de parcialidad.

En Brasil hay un líder que se presenta como pacificador, pero sus actos y palabras demuestran quepara él, en caso de guerra de agresión, la paz sería sinónimo de rendición ucraniana”, argumentó.

Edefensa de los negocios con Rusia, el ministro de Minas y Energía de Brasil, Alexandre Silveira, alegó desde 2023 que las compras fueron por precios, con el diésel ruso “extremadamente” competitivonegó intereses diplomáticos.

Lula inició el primero de enero de 2023 su tercer cuatrienio (gobernó en dos seguidode 2003 a 2010), y ejulio anterior en Bruselas ratificó ser neutral en el conflicto en Ucrania.

Putin, que se justificó en que la OTAN cercó a Rusia al expandirse por más de 30 años al este de Europatambién contó en la zona con Cuba, Nicaragua y Venezuela que, fieles a Moscú, negaron referirse a la guerra como invasión a Ucrania y la definieron como “operación militar especial.

Los datos

Las exportaciones de diésel de Rusia a Brasil pasaron de 95 millones 94 mil dólares en 2022, con meses como mayo, junio, julio, agosto y septiembre con cero ventas, a 5 mil 7 millones 679 mil dólares de febrero de 2023 a enero de 2024reportó elgobierno brasileño.

Brasil pa 4 mil 530 millones 811 mil dólares a Rusia por suministro de diésel dfebrero a diciembre de 2023 y la factura de enero de 2024 ascendió a 476 millones 867 mil dólares, precisó.

Eregistro oficial brasileño demostró que el promedio mensual de febrero de 2023 a enero de 2024 de las importaciones de diésel Brasil desde Rusia fue de 417 millones 305 mil dólares, pero con tres meses de pico: diciembre con mil 34 millones 261 mil dólares, agosto con 619 millones 918 mil dólares y septiembre con 551 millones 390 mil dólares.

Lula desplazó a Estados Unidos e India como mayores vendedores de diésel del mercado brasileño y elevó a Rusia como el más importantede enero a diciembre del año anterior, el 86.65% de las importaciones brasileñas de ese combustibleprovinieron del mercado ruso.

El total de compras de diésel de Brasil a Rusia, EU y unos 22 proveedores más pasó de 272 mil 610 millones de dólares en 2022 a 240 mil 792 millones de dólares en 2023, con 14 mil 270 millones de dólares en enero de 2024informó el gobierno.


Mauro Boianovsky - André Roncaglia

 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

André Roncaglia* - Mauro Boianovsky, embaixador do pensamento econômico brasileiro 

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Folha de S. Paulo

Em sua obra, economista aliou meticulosidade à sua admirável erudição

No dia 21 de fevereiro de 2024, as ciências sociais brasileiras receberam um golpe triplo: Affonso Celso PastoreLuiz Werneck Vianna e Mauro Boianovsky nos deixaram. Destacarei a obra de Mauro Boianovsky, pela sua importância no campo da história das ideias econômicas.

Figura proeminente, com destacada carreira como professor na Universidade de Brasília, Mauro foi um dos pesquisadores mais influentes do mundo, tendo presidido a History of Economics Society (HES) no biênio 2016-17 e recebido inúmeros prêmios por suas contribuições.

Boianovsky atuou como embaixador do pensamento econômico brasileiro no exterior e enriqueceu o diálogo global sobre a evolução da economia como campo do conhecimento. Sua vasta obra abrange o pensamento econômico brasileiro e as contribuições de economistas de renome internacional, bem como a evolução de teorias econômicas, com destaque para a macroeconomia, em contextos históricos variados.

Sempre meticuloso e com admirável erudição, Boianovsky trouxe à luz as complexidades do estruturalismo latino-americano, explorando a profundidade da visão de Celso Furtado sobre a industrialização e a dependência tecnológica, temas que permanecem relevantes nas discussões sobre desenvolvimento econômico.

Boianovsky também defendeu a prioridade de Mário Henrique Simonsen no entendimento de restrições quantitativas na decisão de consumo (cash-in-advance constraint) e revelou a sofisticação do pensamento de Simonsen sobre política econômica e teoria monetária.

Sua notável habilidade em traçar conexões entre diferentes escolas de pensamento e períodos históricos ampliava nossa compreensão acerca das dinâmicas que moldam as políticas econômicas e teorias ao longo do tempo. Exemplo notório dessa habilidade fica evidente em seu trabalho sobre inflação e estabilização na América Latina, no qual ele combina análise econômica com uma compreensão profunda dos contextos políticos e sociais.

Fui diretamente influenciado pela reconstituição e ressignificação que Mauro fez do pensamento de Knut Wicksell, economista sueco que antecipou em um século o modelo básico de metas de inflação e o conceito de taxa de juros neutra que dominam os debates contemporâneos sobre política monetária.

Seu livro "Transforming modern macroeconomics: exploring disequilibrium microfoundations (1956-2003)", escrito com o pesquisador britânico Roger Backhouse, faz uma magistral reconstrução do pensamento macroeconômico, narrando a busca de fundamentos microeconômicos do desequilíbrio compatíveis com a teoria macroeconômica keynesiana. Esse programa de pesquisa influenciaria a safra de modelos estocásticos dinâmicos usados pelos Bancos Centrais atualmente. O livro foi escolhido pela Sociedade Europeia de História do Pensamento Econômico (ESHET) como a melhor obra de 2013.

Recentemente, Mauro explorou como as viagens de economistas pelo mundo afetaram suas visões sobre a economia e como o contexto do regime militar afetou o debate brasileiro sobre distribuição de renda nos anos 1970 (em parceria com Alexandre Andrada). Organizou com Ricardo Bielschowsky e Maurício Coutinho um compêndio sobre o pensamento econômico brasileiro da era colonial até o século 21, no qual Mauro analisa a formação da comunidade científica em economia no Brasil a partir dos anos 1960.

A obra de Mauro Boianovsky é essencial para qualquer pessoa interessada na evolução do pensamento econômico. Sua partida prematura é uma perda inestimável para o campo da economia.

Deixo esta singela homenagem ao mestre que tanto influenciou toda uma geração de pesquisadores no Brasil e no mundo. Descanse em paz, Mauro.

*Professor de economia da Unifesp e doutor em economia do desenvolvimento pela FEA-USP

Professor de Economia da UnB e referência no campo de História do Pensamento Econômico, Mauro Boianovsky faleceu nesta quarta-feira (21). 

OBITUÁRIO

MORRE MAURO BOIANOVSKY, PROFESSOR DE ECONOMIA DA UNB

 

O professor de Economia da Universidade de Brasília (UnB) Mauro Boianovsky morreu na manhã desta quarta-feira (21), aos 64 anos, em decorrência de câncer. Referência no campo de História do Pensamento Econômico, foi considerado um dos pesquisadores mais influentes do mundo, conforme lista elaborada pela Universidade de Stanford e pelo repositório de dados Elsevier em 2023.

Formado em Economia pela UnB, em 1979, Mauro fez mestrado na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e doutorado em Cambridge, na Inglaterra. Era professor titular na Universidade de Brasília, onde lecionava Teoria do Desenvolvimento Econômico, na graduação, e História do Pensamento Econômico na pós-graduação.

Com a morte de Mauro, o Brasil perde duas referências da área da economia no mesmo dia. Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, também morreu nesta quarta-feira.

Durante o doutorado, o professor fez uma tese sobre o pensamento do economista Knut Wicksell e aprendeu sueco para ler os textos originais. “Eu até brincava com o Mauro, comparando-o com Indiana Jones. O que ele fazia era ‘arqueologia econômica’: buscar os textos originais para colocar nuances que eram pouco conhecidas de economistas famosos”, diz José Luís Oreiro, professor de Economia da UnB e colega de Mauro. 

 

Além de ter sido professor na UnB, Mauro Boianovsky também foi presidente da History of Economics Society (HES), um dos mais respeitados fóruns de discussão econômica do mundo, em 2015, sendo o primeiro latino-americano a comandar o órgão. 

“Foi uma grande perda para a Universidade de Brasília e para a linha de pesquisa. Primeiro, porque é uma pessoa com notável conhecimento na área, uma das grandes referências do mundo. Ele era uma pessoa cuja publicação científica era muito importante para o programa de pós-graduação em Economia na Universidade de Brasília. E era especialista em um em um assunto que poucas pessoas têm domínio”, lamenta Oreiro. 

O vice-presidente do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), Jorge Arbache, também lamentou o falecimento de Boianovsky. Em postagem no LinkedIn, o economista destacou que o professor era considerado “um dos mais brilhantes autores de todos os tempos” pelos seus pares na linha de pesquisa de História do Pensamento Econômico.

“A obra de Mauro foi imensa e intensa, e muito influente. Mauro recebeu os mais importantes prêmios nacionais e internacionais, era considerado pela academia de escola do pensamento econômico como um dos mais brilhantes autores de todos os tempos, ocupou os mais importantes cargos internacionais na área, e talvez possa ser considerado o economista brasileiro que mais prestígio e influência teve na sua respectiva área em nível internacional”. 

Publicado há poucas semanas atrás, o último artigo do professor, intitulado “Recollections of My Time at the History of Economics Society” (Lembranças do meu tempo na History of Economics Society), é um balanço da produção acadêmica, de sua atuação no órgão e uma espécie de despedida. 

No arquivo anexo com a Folha de São Paulo de hoje, se poderá ler o material publicado pelo jornal paulista sobre o perfil intelectual do professor Boianovsky.