Meu artigo sobre as conexões entre o Adam Smith original, o escocês, e o Adam Smith brasileiro, José da Silva Lisboa, mais tarde Barão e Visconde de Cairu, analisado por Madame IA, ou Gemini IA, abaixo do meu texto, um pouco amputado, a seguir:
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
Meu artigo sobre as conexões entre o Adam Smith original, o escocês, e o Adam Smith brasileiro, José da Silva Lisboa, mais tarde Barão e Visconde de Cairu, analisado por Madame IA, ou Gemini IA, abaixo do meu texto, um pouco amputado, a seguir:
Uma nota histórica (ou pré-histórica)
Paulo Roberto de Almeida
Antes que o chanceler acidental tomasse posse, em dezembro de 2028, um grupo de diplomatas (obviamente não identificados) já se manifestava contra o submisso instrumento da política externa esquizofrênica do bolsolavismo diplomático, como relatado pelo Antagonista e pela revista Crusoé:
Crusoé, 20/12/2018; link: https://crusoe.com.br/diario/exclusivo-diplomatas-fazem-manifesto-em-defesa-do-itamaraty/
O Antagonista, 20/12/2018; link:
https://www.oantagonista.com/brasil/diplomatas-fazem-manifesto-contra-futuro-chanceler-de-bolsonaro/
Diplomatas fazem manifesto contra futuro chanceler de Bolsonaro
Brasil 20.12.18 18:32
Diplomatas da ativa e aposentados redigiram, sob anonimato, um manifesto "em defesa do Itamaraty" em que atacam Ernesto Araújo, informa Duda Teixeira em Crusoé...
==================
Nota final: Apenas por honestidade, eu (PRA) não participei da redação desse manifesto. Eu já vinha fazendo criticas, formulando objeções bem antes, e publicando em meu blog Diplomatizzando, o que posso provar.
|
|
|
|
A matéria é importantíssim, pois avalio que essa roubalheira é ainda maior e muito mais grave e indisiosa que o Petrolão, que incidiu sobre poucas empresas, sobretudo a Petrobras, e que roubou bilhões da empresa e do Tesouro.
O roubo dos sindicatos incidiu sobre pequenos valores, mas multiplicado milhões de vezes, sobre milhões de aposentados, ao longo de anos e anos. Ou seja, roubou bilhões e bilhões sobre milhões de pessoas modestas, descaradamente, impiedosamente, vergonhosamente, inclusive os sindicato que teoricamente deveriam defender aposentados, pensionistas, de muito poucos recursos.
O autor da matéria comete um pequeno erro logo ao início, ao escrever que:
A operação da Polícia Federal, batizada de "Sem Desconto", revelou um escândalo bilionário de fraudes por meio de descontos associativos que atingiu os cofres do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entre 2019 e 2024...
Não, as fraudes não incidiram sobre "os cofres do INSS", que aliás não existem. O INSS recolhe impostos de TODOS os brasileiros, que deveriam ser empregados para pagar os aposentados que saem de contribuintes e entram na categoria de beneficiários todos os anos.. O certo seria que cada um dos contribuintes tivesse uma conta de CAPITALIZAÇÃO e não fosse submetidos ao sistema de REPARTIÇÃO como é hoje. Mas o ROUBO não incidiu sobre os COFRES do INSS, mas sobre as CONTAS INDIVIDUAIS de cada beneficiário, por FRAUDES que receberam, SIM, a colaboração do INSS, ou de seus funcionários bem colocados. A CUPIDEZ maior, obviamente é dos SINDICATOS, que estão sendo PROTEGIDOS pelo governo que representa justamente a REPÚBLICA SINDICAL.
Isso tem de ficar bastante CLARO.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 31 de agosto de 2025
|
|
|
|
Lula tem medo do PT? Dos militantes do Partido? Dos esquerdistas em geral? Do Maduro?
Escondeu que falou sobre a DITADURA venezuelana com o presidente Macron. Que vergonha!
Lula esconde Maduro na conversa com Macron
Nota oficial do governo francês diz que os dois presidentes falaram sobre a Venezuela ao telefone, mas petista omitiu esse fato
Duda Teixeira
O Antagonista, 11/01/2025
O presidente Lula quer esconder que conversou sobre a ditadura do venezuelano Nicolás Maduro em telefonema com o presidente da França, Emmanuel Macron (foto).
Na sexta, 10, Maduro tomou posse para um terceiro mandato após uma fraude eleitoral, no dia 28 de julho.
Mais de onze países não reconheceram a vitória do ditador nas urnas, mas o Brasil de Lula tem preferido fugir do assunto.
Meia verdade
Lula e Macron conversaram por trinta minutos na sexta, 10.
Ao relatar sobre o telefonema na rede X, Lula só falou sobre a decisão da Meta de mudar a moderação nas redes sociais.
"Recebi ligação do presidente francês, Emmanuel Macron, para discutir as relações entre nossos países. Durante o telefonema, também conversamos sobre a decisão da Meta de reduzir a checagem de fatos e sobre o trabalho conjunto que podemos realizar para impedir que a disseminação de mentiras coloque em risco a soberania dos países e de nossas democracias", afirmou o presidente brasileiro.
Uma nota divulgada no site da Agência Brasil, do governo, também não fala nada sobre Maduro.
"Os governos do Brasil e da França compartilham de posicionamento similar na preocupação com o risco que a disseminação de notícias falsas, por meio de redes sociais, pode representar para a soberania dos países", diz o texto oficial.
Novamente, não há nenhuma frase sobre o ditador venezuelano.
A verdade inteira
Mas a nota divulgada na sexta, 10, pelo Palácio do Eliseu, sede do Executivo em Paris, conta outra história.
"O presidente da República (Macron) conversou por telefone nesta sexta-feira, 10 de janeiro de 2025, com o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil a respeito da situação na Venezuela. Os dois líderes expressaram primeiro o total apoio da França e do Brasil ao povo venezuelano. Condenaram nos termos mais veementes a tentativa de prisão de Maria Corina Machado, durante uma manifestação pacífica. Neste contexto, o chefe de Estado e o presidente Lula apelaram conjuntamente para que não fossem exercidas medidas de intimidação ou repressão contra membros da oposição. Os direitos dos cidadãos venezuelanos de se manifestarem e de se reunirem pacificamente devem ser respeitados. Afirmaram também que todos os detidos devido às suas opiniões ou compromissos políticos deveriam ser imediatamente libertados. O presidente da República e o presidente Lula apelaram a Nicolas Maduro para retomar o diálogo com a oposição. A França e o Brasil estão preparados para facilitar esta retomada do comércio, o que deverá permitir o retorno da democracia e da estabilidade à Venezuela", diz a nota francesa.
A nota oficial francesa dá um curto parágrafo para falar sobre a "luta comum contra a desinformação e pela regulamentação de conteúdos nas redes sociais".
Em seguida, o documento do Palácio Eliseu volta a se preocupar com a Venezuela, sem citar a conversa com Lula.
"Dando continuidade aos últimos intercâmbios com a oposição venezuelana, o chefe de Estado (Macron) voltou a falar hoje por telefone com Edmundo González Urrutia e depois com Maria Corina Machado para perguntar sobre o seu estado de saúde e a sua segurança. Lembrou toda a atenção que a França dedica ao respeito pelos direitos das mulheres e dos homens envolvidos na defesa da democracia na Venezuela", diz o texto oficial.
Macron tem a estatura moral que falta a Lula.
Reunião com representantes do governo
Também na sexta, Lula publicou a foto de uma reunião (foto) com onze "representantes do governo", para falar da Meta.
Entre os participantes estava Celso Amorim, o assessor especial para temas internacionais.
Ao ignorar a Venezuela e valorizar a questão da moderação nas redes sociais, Lula despreza um problema real e inventa outro que não existe.
Maduro prende, tortura e mata.
De acordo com a ONG venezuelana Foro Penal, ainda há 1.697 presos políticos na Venezuela.
Desses, três são adolescentes e 202 são mulheres.
Mas Lula prefere apontar o dedo para a empresa americana que permite a interação remota entre pessoas.
Na legenda da foto da reunião desta sexta, Lula escreveu:
"Reunião com os representantes do governo para tratar sobre os recentes anúncios da Meta e as implicações no Brasil. Duas decisões foram tomadas neste encontro. A primeira é uma notificação enviada pela AGU para que a Meta explique, em até 72 horas, as mudanças na política de checagem de fatos e notícias falsas, que podem afetar crianças, adolescentes e mulheres, por exemplo", afirma o presidente.
Não há nada na decisão da Meta que afete crianças, adolescentes e mulheres brasileiras.
A empresa só vai mudar a maneira de fazer moderação de conteúdo.
Em vez de recorrer às agências de checagem, que se mostraram tendenciosas, utilizará as notas de comunidade, que se provaram eficientes na rede X.
Não há nada que represente uma ameaça à sociedade civil no anúncio de Mark Zuckerberg.
"Eu não estou aqui para falar de Venezuela"
O presidente brasileiro sabe que falar de Maduro não cai bem e por isso quer evitar o tema a todo custo.
Vale lembrar que, quando apoiava a campanha para Guilherme Boulos para a prefeitura de São Paulo, no ano passado, o presidente aconselhou seu apadrinhado a não falar sobre a Venezuela.
"Eles não fazem pergunta para a gente responder mostrando que a gente tem competência. Eles querem fazer perguntas que não têm nada a ver com o papel do prefeito de São Paulo. Quando você for nesse debate, não responde provocação. Se perguntar para você: 'E a Venezuela?', você responde: 'A Venezuela é o seguinte: eu tô aqui para fazer casa para o povo, eu tô aqui para melhorar o transporte para o povo, para melhorar a saúde do povo. Eu não estou aqui para falar de Venezuela. Quer falar sobre a Venezuela, vai falar com o Ministério das Relações Exteriores ou vai falar com o Lula", disse o petista em um vídeo de outubro.
Leia em Crusoé: Maduro ainda está aqui
Leia em Crusoé: Lula quer falar tudo de Zuckerberg e nada de Maduro
1509. “Se eu quiser falar com o tal de Sul Global, telefono para quem?”, Brasília, 27 abril 2023, 3 p. Publicado na revista Crusoé (edição 265, 25/05/2023; link: https://crusoe.uol.com.br/secao/paulo-roberto-de-almeida/se-eu-quiser-falar-com-o-sul-global-telefono-para-quem/); divulgado no blog Diplomatizzando (25/10/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/10/e-como-anda-o-tal-de-sul-global-muito.html . Relação de Originais n. 4375.
Se eu quiser falar com o tal de Sul Global, telefono para quem?
Paulo Roberto de Almeida
Diplomata, professor
(www.pralmeida.org; diplomatizzando.blogspot.com)
Artigo para a revista Crusoé
Como encontrar interlocutores válidos, na pletora de Estados e blocos regionais?
Meio século atrás, quando Mister K – Henry Kissinger, o grande nome da diplomacia americana e mundial – pontificava em diferentes cenários problemáticos – Vietnã, China, Oriente Médio, Chile, por bons e maus motivos –, e quando a Europa enfrentava uma longa fase de “euroesclerose” – aproximadamente desde a quebra do sistema de Bretton Woods, em 1971, e o projeto do “mercado unificado” em 1986 –, havia uma preocupação entre as grandes potências ocidentais (já organizadas no G7), sobre como efetuar a coordenação entre elas para assuntos não exclusivamente econômicos, geralmente tratando de guerras ou ameaças de conflitos envolvendo uma ou outra das grandes potências. Tendo de exercer o que foi chamado de “shuttle diplomacy”, ou seja, de viagens rápidas, conectando duas ou mais capitais, para extinguir alguma fogueira preocupante, Kissinger não sabia como mobilizar os principais líderes europeus para associá-los a uma ou outra de suas missões “pacificadoras” (ou guerreiras, segundo os casos). Indagado por que empreendia sozinho todas aquelas missões desafiadoras para qualquer diplomata experiente, ele costumava dizer: “Se eu quiser falar com a Europa, eu telefono para quem?”
De fato, a Europa ocidental – tanto a então Comunidade Europeia, quanto outros países membros da Otan – não possuía um representante definido para negociações diplomáticas complexas, pois as instâncias comunitárias ainda não tinham evoluído no plano institucional para designar os equivalentes dos “presidentes”, “porta-vozes” ou “chanceleres” dos Estados nacionais. Ela fez progressos, desde então, e já consegue falar de uma voz única (ou quase), como no caso da guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia. Hoje, o Secretário de Estado, ou qualquer outro chanceler “externo”, sabe a quem telefonar quando quiser falar com a Europa, ou com qualquer outra potência ou Estado membro da ONU.
Saindo dos campos verdejantes do “centro” para as selvas e desertos da “periferia”
Essa mesma preocupação da velha raposa metternichiana que era o Kissinger dos anos 1970, se manifesta atualmente quando alguém (geralmente um acadêmico, ou político) fala desse tal de “Sul Global”. Essa entidade diáfana e praticamente fantasmagórica existe, apenas que não tem personalidade ou representante definidos. O chamado Sul Global, no entanto, não é novo, aliás, é eterno, existindo em todas as épocas, geralmente no hemisfério sul, como fica geograficamente evidente pela própria designação. Essa configuração bonita e pretensiosa – quando se fala de um “Sul Global” dá a impressão de algo grandioso e muito relevante – já existiu sob a forma de colônias europeias, depois de “países subdesenvolvidos” ou, numa reencarnação mais simpática, “em desenvolvimento”, alguns deles ascendendo como “economias emergentes” (os tigres asiáticos, por exemplo), ou, os mais infelizes, sendo rebaixados à categoria de “menos desenvolvidos” (isto é, os “super pobres”), com muito poucas variações no que se refere à divisão entre todos eles e os “países desenvolvidos”, antigas metrópoles coloniais ou “potências hegemônicas”, isto é, imperialistas, por definição.
Nada disso é novo na história da humanidade, pois a divisão entre centro e periferia é básica na evolução histórica das sociedades mais ou menos organizadas sob a forma de Estados soberanos e as comunidades humanas sujeitas a um tipo qualquer de dominação. Quando o sistema internacional de cooperação entre Estados soberanos se consolidou no pós-Segunda Guerra, a ONU mantinha uma divisão quadripartite: os países desenvolvidos, os em desenvolvimento, os socialistas e a China, sempre um “grupo à parte”. A segunda categoria, sempre reclamando algum tratamento de favor – ou preferencial e mais favorável, no linguajar do Gatt e de outros organismos da ONU, se mobilizou nos anos 1950 e 60 para a reforma do tratamento igualitário concedido a todos eles em Bretton Woods: em 1944, não se fazia nenhuma distinção entre todos eles (e de socialista só havia a União Soviética, que participou da conferência que criou o FMI e o Banco Mundial, mas não aderiu a essas entidades do “capitalismo).
As demandas para a reforma do Gatt e do sistema de cooperação ao desenvolvimento focavam na recusa do tratamento igualitário e da reciprocidade estrita, em favor de um tratamento diferencial para os “subdesenvolvidos” ou “em desenvolvimento”, que passaram a ser agrupados no Grupo dos 77, com a criação da Unctad (a conferência das Nações Unidas para comércio e desenvolvimento). Minhas passagens por diversas entidades multilaterais foram marcadas por intensas discussões no interior do G77 (e dentro dele, o Grulac, o subgrupo latino-americano) e “contra” o Grupo B, dos “desenvolvidos” (e dentro dele os europeus da antiga CEE, que demoravam horas para se concertarem entre si, e depois buscarem uma postura unificada com o resto dos “ricos”). As discussões entre os países pobres e emergentes não eram menos acaloradas e demoradas, mas como era preciso contemplar os “interesses nacionais” de todos os membros do G77 (que ascendeu a mais de 120 integrantes), a postura negociadora adotada era, ordinariamente, a mais radical possível, ou a mais confusa, o que frequentemente também ocorria entre americanos, europeus e japoneses. Não foram poucas noites atravessadas em discussões intermináveis em torno de um conceito ou de colchetes ([conceito]) que inundavam alguma resolução, texto de tratado ou declaração (na maior parte das vezes inúteis, pois que poucos cumpriam depois). Certos drafts (rascunhos) de resoluções continham mais brackets (colchetes) do que ideias interessantes. Mas assim era, e é, o mundo da ONU.
Pois bem, o Sul Global é exatamente isso: uma massa de 130 ou 140 países em desenvolvimento – os socialistas desapareceram pelo caminho, e a China permaneceu sendo a China, o “grupo do eu sozinho” –, que pediam “tratamento diferencial e mais favorável”, depois uma “Nova Ordem Econômica Internacional” (NOEI), mais adiante novas preferências comerciais e acordos favoráveis às “políticas nacionais de desenvolvimento” (a palavra chave em todos os convescotes multilaterais), mais “transferência de tecnologia” (de graça, claro), um maior volume de “empréstimos concessionais” e o reforço da “cooperação ao desenvolvimento”. Alguns países (poucos) pularam a barreira do subdesenvolvimento, ascendendo do G77 para os desenvolvidos (os tigres asiáticos), vários ex-socialistas ingressaram na UE e na OCDE, outros, talvez mais numerosos, com as crises financeiras, retrocederam para o grupo dos “super pobres” (ou LDCs, na sigla em inglês).
O Sul Global permanece o mesmo, e até tem gente pedindo uma nova NOEI, quando não uma “nova ordem global” tout court. Pois bem, retomo a pergunta do título: se eu quiser falar com o tal de Sul Global, eu telefono para quem? Mister K teria alguma ideia?
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 4375: 27 abril 2023, 3 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (25/10/2023; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2023/10/e-como-anda-o-tal-de-sul-global-muito.html).
Brasil e México. Amigos Distantes A busca de um ALC Brasil-México em 2008-2010 Sérgio Abreu e Lima Florencio Brasil e México têm ...