OS BRICS E AS GUERRAS
Renato Baumann
Linkedin, 7/03/2026
O grupo BRICS foi criado a partir da percepção de quatro economias emergentes quanto à importância de maior aproximação. O grupo tem como objetivo principal influenciar a governança global: seu peso econômico deve ser reconhecido através de participação mais expressiva no processo decisório global.
As quatro economias correspondiam a continentes distintos. Não havia, contudo, representante africano. Essa carência foi contornada, pouco depois, pela inclusão da África do Sul.
Em 2022 houve decisão que surpreendeu a maior parte dos analistas, ao se convidar um conjunto de seis países para se tornarem membros adicionais do grupo.
As dúvidas compreendem desde a falta de critérios objetivos para a ampliação do grupo até o fato de aí estarem países com conflitos bilaterais de longa data. Mas ninguém duvida de que a soma do potencial econômico desse conjunto de países é nada desprezível.
As possibilidades de sucesso na atuação conjunta de um grupo de países depende da homogeneidade de propósitos e da clara identificação de objetivos comuns.
Um primeiro teste dessa homogeneidade surgiu quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Quando o tema foi a consideração da Assembleia Geral da ONU os demais BRICS se abstiveram.
Agora há um segundo teste, envolvendo o ataque ao Irã, país membro recente do grupo. Uma dimensão aparentemente esquecida pela imprensa.
Em prol da homogeneidade se esperaria manifestação de apoio por parte dos sócios do Irã no grupo. Até o momento não se tem conhecimento disso.
As razões alegadas são de que o BRICS é um grupo econômico, não geopolítico. E trata-se de um arranjo informal, não uma instituição. Assim, não faz sentido esperar manifestação formal de parte do grupo. Seria mesmo difícil obter uma declaração, dados os ataques iranianos aos territórios de outros membros do grupo.
Esse silêncio confirma a dimensão estritamente econômica do grupo. De ser assim, no entanto, não fica fácil entender por que as Declarações que se seguem às reuniões de cúpula tenham tantos artigos de caráter geopolítico, condenando reiteradamente situações sensíveis em várias regiões.
A sinalização do grupo nesse sentido não tem sido muito clara, e dá margem a dúvidas sobre como conseguir o requerido grau de homogeneidade.
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