quarta-feira, 2 de setembro de 2026

La meilleure adaptation de l’« Odyssée » que (presque) tout le monde a oubliée: Franco Rossi en 1968

 

Série mythique

La meilleure adaptation de l’« Odyssée » que (presque) tout le monde a oubliée

En 1968, Franco Rossi tourne pour la télévision une série adaptée du poème d’Homère. Un coup de maître d’une fidélité exemplaire à redécouvrir absolument… surtout après avoir vu la version de Christopher Nolan !

 

 parRomain Brethes

Le Figaro, le 22 août 2026 à 17h00


L'acteur Bekim Fehmiu livre une interprétation magnétique d'Ulysse dans l'adaptation de Franco Rossi en 1968. INA / CAPTURE D'ÉCRAN

Avec 1,3 milliard de dollars, L’Odyssée de Christopher Nolan est devenue ces derniers jours le film ayant généré le plus de revenus de toute la filmographie du réalisateur, pourtant imposante. Formidable tour de force ? Oui, d’autant qu’au succès s’est ajoutée en librairie une véritable envolée des traductions d’Homère et livres sur l’Odyssée, comme si une véritable redécouverte de cette merveilleuse épopée était en cours. Le film pourrait-il entraîner – on en rêve ! – un retour de flamme de l’étude du grec ancien, qui décline année après année, dans l’indifférence générale ?

Signe du réveil enclenché par cette Odyssée hollywoodienne : le lot de polémiques enflammées dans les cercles académiques, en particulier entre la traductrice et universitaire Emily Wilson et l’écrivaine Joyce Carol Oates. L’enjeu est à peu près toujours le même dans une telle situation : l’adaptation de Nolan est-elle à la hauteur du monument universel homérique ? C’est une question à laquelle tout le monde ne peut forcément répondre, tant la lecture intégrale de l’Odyssée n’est pas chose commune – ni facile. Après tout, il n’est nul besoin d’être un helléniste averti pour profiter du spectacle proposé par Nolan, et c’est heureux.

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Mais pour ceux (et il y en a !) qui ont pu trouver vain ou indigeste ce vacarme exténuant, qui a dilué la langue et la poésie d’Homère jusqu’à l’effacement, on ne saurait trop recommander une autre adaptation de l’Odyssée, la meilleure et de loin depuis la tentative inaugurale de… Georges Méliès en 1905 (L’Île de CalypsoUlysse ou le géant Polyphème).

Já vivemos uma nova crise entre os poderes? - Paulo Roberto de Almeida

Já estamos no meio de uma nova crise entre os poderes?

Todas as crises políticas brasileiras, já ensinava Afonso Arinos de Melo Franco há muito tempo, sempre foram o resultado da oposição entre o Legislativo (a maior parte por voto proporcional, e ele sempre foi conservador) e o Executivo, um chefe eleito pelo voto majoritário. Assim foi com o processo de impeachment de Getúlio (saído antes pelo suicídio), com a renúncia mal calculada de Jânio Quadros, com o golpe contra Goulart, com o impeachment de Collor e de Dilma, e pode ser com a futura (já próxima) briga dos senadores (pouco santos) contra ministros do Supremo, agora ou na próxima legislatura.
O embate entre os poderes já está dado, só ainda não se manifestou de maneira aberta porque todos os personagens estão comprometidos com a corrupção e não querem se destruir entre si.
Será uma crise em circuito fechado, para evitar uma nova implosão institucional...
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 2/09/2026
 

Brincando com hipóteses impensáveis - Paulo Roberto de Almeida

Brincando com hipóteses impensáveis 

Paulo Roberto de Almeida

Certas coisas podem ser pensadas, mas não ditas

 
Mas ouso dizer.
Vcs já pensaram que podemos ter um governo saído diretamente do apoio às milícias do RJ para o Planalto e o Alvorada?
Seria como se o chefe da máfia italiana (ou da Camorra, ou da Ndraghetta) fosse guindado à presidência da República italiana. Não seria o retorno dos fasci di combatimento, mas algo como a República Social Italiana, aquela de Salò, de breve vida no final da segunda guerra mundial.
Já tivemos (e temos) bandidos em diversas representações parlamentares brasileiras nos três níveis (um até assassino da motosserra na Camara federal), talvez até governadores (alguns removidos pelo TSE por excesso de bandidagem), mas não creio que eles já alcançaram o poder máximo, como já ocorreu efetivamente em alguma república bananeira da região latino-americana, muito na África, talvez na Ásia.
Talvez seja esse o resultado da confusão reinante na República, no atual quadro de corrupção disseminada nos três poderes.
Termino dizendo apenas isto: a chegada do fascismo ao poder não seria uma novidade. Já tivemos isso no Estado Novo, e em parte na ditadura militar. Mas ambos os regimes eram nacionalistas e soberanistas.
No caso brasileiro, se a desgraça chegar, poderia ser a primeira vez na história do Brasil, que a renúncia de soberania seria explícita. Acho que os próprios militares não topariam.
Eu, como diplomata, abominaria, não só o fascismo, como também a rendição do Brasil ao imperador demencial hemisférico.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 2/09/2026

 

As dez eleições presidenciais do Brasil depois da redemocratização, a décima ainda não decidida - Wikipedia e Paulo Roberto de Almeida

As dez eleições presidenciais do Brasil depois da redemocratização, a décima ainda não decidida - Wikipedia e Paulo Roberto de Almeida

As eleições presidenciais no Brasil desde 1989 (lista retirada da Wikipedia): 

As eleições diretas ocorreram nos seguintes anos:
  • 1989 (vencida por Fernando Collor)
  • 1994 (vencida [no primeiro turno] por Fernando Henrique Cardoso)
  • 1998 (vencida [no primeiro turno] por Fernando Henrique Cardoso)
  • 2002 (vencida por Luiz Inácio Lula da Silva)
  • 2006 (vencida por Luiz Inácio Lula da Silva)
  • 2010 (vencida por Dilma Rousseff)
  • 2014 (vencida por Dilma Rousseff)
  • 2018 (vencida por Jair Bolsonaro)
  • 2022 (vencida por Luiz Inácio Lula da Silva) 

PRA: Em 2026, as eleições presidenciais parecem ter assumido um caráter diferente das precedentes, pois estamos em face (não sei se de forma permanente) de um evidente predomínio do Legislativo sobre o Executivo, e circunstancialmente, em meio a uma crise inédita da Suprema Corte, ela mesma abalada pela trama da corrupção, que já atingiu, desde longo tempo, os dois outros poderes.

Minha opinião pessoal, já refletida em outras postagens em meus canais: estamos em face da volta do fascismo, processo que tem muitas causas e terá ainda muitas outras consequências, talveza até catastróficas para o nosso país, como nação soberana e ainda dotada de democracia (ainda que de baixa qualidade).

Agora apenas um "chute": independentemente do curso que terão os embates políticos, judiciais e investigatórios até as eleições, podemos estar caminhando para o retorno do bolsonarismo ao poder, talvez sem os excessos histriônicos do pai capitão, mas com efeitos terríveis para o Brasil em todos os domínios, a começar pela subordinação ao imperador do hemisfério, a degradação da educação, o ataque aos direitos humanos e ao meio ambiente, enfim, a destruição de nossa democracia já abalada pelas oligarquias criminosas que nos dirigem. Não será o fascismo clássico, mas uma tentativa de trazê-lo de volta.


Moraes tem de sair do Supremo - Editorial do Estadão

OPINIÃO DO ESTADÃO

Moraes tem de sair do Supremo
Diante das gravíssimas revelações feitas por este jornal sobre sua relação com o Master, o ministro tem a obrigação de renunciar, sob pena de arrastar o Supremo para sua crise pessoal

Notas & Informações
Estadão, 01/09/2026 | 17h15
Atualização: 02/09/2026 | 00h01

Notícia de presente

 
Alexandre de Moraes não tem mais condições de seguir como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e deveria pedir exoneração do cargo, para o bem da própria Corte. As revelações feitas pelo Estadão de que Moraes ajudou a elaborar o contrato milionário entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, desmentem categoricamente que o ministro fosse alheio ao acerto e a todas as suas implicações éticas e legais.
Para começar, participar da elaboração de um contrato é exercício de advocacia, atividade incompatível com a magistratura. Mas as mensagens do celular de Vorcaro tornadas públicas ontem pintam um quadro muito mais grave. O banqueiro, pivô do maior escândalo da história do sistema financeiro nacional, tratava Moraes como alguém a quem podia recorrer para influir no curso de investigações. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, perguntou, em referência ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Em outra mensagem: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar
possível”. Dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
Não se sabe o que Moraes respondeu. Pouco importa, porque já não se pode negar o que está diante dos olhos: um investigado por fraudes bilionárias buscava num ministro informação, orientação e intervenção sobre atos da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), enquanto seu banco pagava somas exorbitantes ao escritório de sua família – contrato que tem as digitais do próprio Moraes.
Há perguntas que só uma investigação responderá. Moraes procurou Gonet? Falou com Andrei? Tentou retardar diligências? Transmitiu informações sigilosas? Dependendo das respostas, podem estar em jogo ilícitos de imensa gravidade, como prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de justiça e corrupção passiva. Gonet não pode continuar tratando esse material como “insuficiente”, como já o fez no passado, sem cair ele mesmo em suspeição.
Gonet arquivou anteriormente uma representação contra o ministro. Agora surgiram evidências novas, e uma delas envolve o procurador-geral nominalmente: Vorcaro pedia a Moraes que recorresse ao próprio Gonet para conter a investigação. André Mendonça já cobrou esclarecimentos da PGR e avalia os próximos passos. Se isso ainda não basta para abrir uma investigação formal e independente, é difícil saber o que bastaria.
Investigar, porém, resolve apenas parte da crise. As suspeitas recaem justamente sobre o uso do poder que Moraes continua exercendo. O homem que lhe pedia ajuda para alcançar o chefe da PF e o procurador-geral era o dono do banco que despejava dezenas de milhões de reais no escritório de sua mulher. O ministro participou pessoalmente do contrato e agora pode ter de ser investigado pelas mesmas instituições sobre as quais Vorcaro esperava que ele exercesse influência. Essa situação é incompatível com a normalidade institucional.
Moraes tem direito à presunção de inocência, ao devido processo e a todas as garantias legais que tantas vezes negou a outros, mas essas garantias não obrigam o Supremo a carregar, por tempo indefinido, o peso de um ministro cuja permanência compromete a autoridade da própria Corte.
O STF já errou demais no caso Master. Dias Toffoli, que também mantinha negócios com Vorcaro, só deixou a relatoria do caso depois que sua posição se tornou insustentável. Agora a crise atinge Moraes em outro patamar – o mesmo ministro que tantas vezes invocou a defesa do STF e do Estado Democrático de Direito para justificar o exercício de seus poderes.
Chegou a hora de demonstrar que seu compromisso com as instituições vale também quando o sacrifício é seu.
Moraes tem de deixar o Supremo. Sua responsabilidade criminal será apurada, mas a responsabilidade institucional já se impõe. Se ele se recusar a retirar esse peso da Corte, sua permanência terá de ser enfrentada por quem a Constituição encarregou de julgar crimes de responsabilidade de ministros do STF: o Senado. Defender o Supremo, agora, significa impedir que a crise de um ministro se torne a crise da instituição.
 

A real doutrina fascista de Mussolini: um livro importante sobre os fundamentos doutrinais do fascismo italiano: Lucien Jaume: La Vraie Nature du Fascisme Italien

Nota introdutória a uma postagem já feita e repetida aqui novamente: 

 Como antigo assinante da excelente revista francesa de história, L'Histoire, continuo a receber os avisos mensais sobre os livros publicados na França. Recentemente postei o beve compte-rendu deste importante livro do professor Lucien Jaume, especialista no liberalismo, mas que reuniu material suficiente para provar que o fascismo italiano não era apenas força bruta, golpes e assassinatos, ditadura pura e simples, mas um verdadeiro "manual do poder absoluto", com propósitos de construção de um Estado autoritário centrado no prestígio da antiga Rome e destinado a reforçar o papel da Itália entre as grandes potências da época (final da Grande Guerra e desafios importantes à Itália do Risorgimento, muito abalada pelos conflitos do início do século XX). 

Tanto foi importante, que atraiu muita gente no Brasil, onde ocorreu o que foi provavelmente o mais importante processo de "indução intelectual" a um Novo Estado (que veio finalmente em. 1937), capaz de também modernizar um país atrasado como era o Brasil do início do século XX. O fascismo italiano, mais do que o nazismo alemão, atraiu muita gente no Brasil, entre eles o jovem San Tiago Dantas (que chegou a redigir, em 1931, o estatuto de um Partido Fascista Brasileiro, como revelado no primeiro volume da biografia de Pedro Dutra) e até a "estrela da Revolução de 1930", Oswaldo Aranha, entre muitos outros. O Partido Integralista de Plínio Salgado bebeu nas mesmas fontes. 

O professor Lucien Jaume acaba de me escrever, depois desta postagem de duas semanas atrás. Sugeri a ele que sua editora deveria buscar uma editora brasileira para publicar o livro no Brasil.  Vamos esperar que isso se realize, pois estamos falando da nossa própria história. PRA (2/09/2026) 

 

Doctrine fasciste: un livre sobre les fondements doctrinaux du fascisme mussolinien: 



La Vraie nature du fascisme italien
Lucien Jaume
(Paris: Tallandier, 2026, 320 p., 22,90 €.)

Contre des idées reçues persistantes, Lucien Jaume entend démontrer que Mussolini et le fascisme se sont dotés d’un cadre doctrinal, étayé par une vision du monde originale. L’auteur corrige d’abord le portrait de la « brute inculte ». Le Duce, qui parlait l’allemand, l’anglais, le français et le latin, a nourri son action par de vastes lectures. Nietzsche, William James, Georges Sorel, Gustave Le Bon ont inspiré sa pensée antidémocratique, l’idée du corporatisme, le mythe du surhomme, mais aussi le pragmatisme politique, tandis que Marinetti a renforcé en lui l’idée de la violence créatrice et la sacralisation de la guerre. C’est avec le philosophe Giovanni Gentile qu’il formula en 1932 les principes de La Doctrine du fascisme.

L’auteur en montre l’évolution depuis la prise du pouvoir jusqu’à la République de Salo. Il expose sa rivalité avec l’Église catholique. Il analyse l’antisémitisme d’État devenu officiel en 1938. L’exaltation de la guerre, de la conquête et de l’empire, le volontarisme d’un État qui entend diriger la vie économique, la construction d’une société sur la base d’un homme nouveau débarrassé des normes bourgeoises et des limites imposées par le droit, destiné à la vie héroïque : toutes ces idées doivent être inculquées aux masses par de nombreuses institutions, l’école, les académies, les mouvements de jeunesse, le culte de la personnalité, le contrôle des médias, le parti unique. Plus qu’une simple dictature, le fascisme de Mussolini a voulu être une « révolution par le haut ». Si le mot, usé, galvaudé, a été banalisé, désignant la variété des systèmes autoritaires, un certain nombre de tendances de fond du fascisme historique sont observables aujourd’hui. 

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Postagem feita originalmente em 25/08/2026: 

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/08/mussolini-avait-une-doctrine-il-etai-un.html  

 

O mais importante escândalo da República: o banqueiro fraudador e suas extensas relações com os mandarins da República - canal Meio

Breve nota introdutória, PRA:  

Confesso detestar fofocas e lutas políticas, mas por vezes sou obrigado a – para cumprir um dos motivos de minha atuação como coordenador e executor de dois, principais, canais de comunicação sobre temas relevantes da vida nacional – postar informações da mídia nacional sobre justamente esses temas, que não são intelectuais, tampouco sobre assuntos de política externa e diplomacia, que são meus objetos preferenciais, e postar elementos de informação que são relevantes na vida nacional, como é o atual embate entre os grandes mandarins de nossa tão atormentada República, pois que seu impacto sobre a vida nacional E INTERNACIONAL do Brasil é suficientemente relevante para que eu NÃO passe ao largo da informação.
Eis a única razão para que eu transcreva agora o que acabo de ler no Meio, um canal de notícias de fontes diversas da mídia. PRA

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Meio: 2 de setembro de 2026:

Mendonça, Moraes e Gonet em guerra no caso Master

A crise iniciada no Supremo Tribunal Federal (STF) pelas investigações sobre o Banco Master se transformou em uma guerra aberta entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. No mesmo dia em que Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que expôs uma incômoda proximidade de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro e defendeu levar o caso ao plenário do Supremo, Gonet reagiu pedindo a anulação da ordem que levou à produção do documento. Para o procurador-geral, Mendonça extrapolou suas atribuições ao determinar que a PF aprofundasse a investigação e identificasse o interlocutor de mensagens encontradas no celular de Vorcaro. A polícia concluiu que se tratava de Moraes. A manifestação coloca Gonet diretamente em confronto com Mendonça. O procurador-geral também aparece nas mensagens reveladas pelo relatório cuja nulidade agora pede. A decisão de Mendonça provocou forte reação nos bastidores do Supremo. Ele quer que os demais ministros do Supremo sejam obrigados a se posicionar sobre os fatos revelados pela PF. Caberá ao presidente da Corte, Edson Fachin, decidir se e quando o caso será levado ao plenário. (g1)

O relatório da Polícia Federal publicizado por André Mendonça aponta que Daniel Vorcaro recorreu a Alexandre de Moraes em busca de ajuda no auge da crise da instituição financeira. Mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram pedidos para tentar impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações. Durante um período de 13 dias, Vorcaro enviou mensagens em que perguntava como deveria agir para “desarmar” e “reverter” a situação e fazia apelos para “sensibilizar” autoridades. Segundo a PF, há suspeita de que o banqueiro tenha recebido orientações de Moraes. (Globo)

Em uma das mensagens, Daniel Vorcaro perguntou ao ministro Alexandre de Moraes se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu Vorcaro a Moraes em 15 de novembro de 2025. As mensagens mostram ainda que Vorcaro marcou encontros com Moraes nos dias que antecederam sua prisão. No dia 14, Vorcaro perguntou se estava “marcado amanhã lá em casa” e, minutos depois, confirmou um encontro para as 14h30. Na noite do dia seguinte, pediu uma nova conversa com Moraes, que poderia ser “bem rápida”. No domingo (16), véspera da prisão, avisou: “Já estou em voo, vou pousar 14:20 e irei direto praí, tudo bem?”. (Folha)

Moraes ficou revoltado ao saber que Mendonça havia determinado o aprofundamento das investigações que acabaram revelando suas conversas com Vorcaro. Moraes pediu uma conversa com o colega no STF, mas o encontro terminou em uma discussão ríspida e os dois quase chegaram às vias de fato. Durante a conversa, Moraes acusou o colega de direcionar as investigações contra ele. O tom subiu dos dois lados e, por pouco, a discussão não terminou em agressão física. (Metrópoles)

Vorcaro também era extremamente próximo de Paulo Gonet, com quem conversava por telefone e trocava mensagens por celular. Os contatos eram intermediados pelo advogado Ciro Soares. Em uma das conversas, Gonet chamou Vorcaro de “máquina” e disse sentir saudades do banqueiro. As mensagens também mostram que o procurador-geral aceitou um convite para uma degustação de uísque em Londres e pediu que o filho fosse incluído no evento. (Estadão)

O ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, Fábio Faria, foi o responsável por aproximar Daniel Vorcaro de Alexandre de Moraes e participou da articulação de encontros entre o dono do Banco Master e o ministro do STF. Faria também aparece em conversas relacionadas ao contrato entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Em março de 2024, ele escreveu a Vorcaro: “O careca não pode atrasar”. Na sequência, a funcionária enviou o registro de uma transferência de R$ 3,42 milhões do Master para o escritório de Viviane. (CNN Brasil)

A investigação da PF ainda mostra que Alexandre de Moraes foi o responsável pela última modificação no contrato de cerca de R$ 130 milhões firmado entre o escritório de sua mulher e Vorcaro. A informação consta dos metadados do arquivo obtido pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Segundo relatório da PF, a “minuta de contrato” tinha como autor um usuário identificado como Guilherme Benazzi, administrador do escritório Barci de Moraes, e registra a última modificação pelo usuário “Ministro Alexandre de Moraes”. (g1)

O escritório Barci de Moraes, aliás, firmou um segundo contrato de prestação de serviços com uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, desta vez no valor de até R$ 50 milhões. Desse valor, R$ 40 milhões poderiam ser quitados com participações em duas empresas ligadas a aeronaves. Uma delas era proprietária de um avião Legacy 650. (CNN Brasil)

O Banco Master emitiu cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para Giuliana e Alexandre Barci de Moraes, filhos de Alexandre de Moraes, em outubro de 2025. A emissão foi solicitada pelo escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. (Estadão)

Confira aqui o relatório da Polícia Federal na íntegra. (Meio)

Nos bastidores do Congresso, conta Leticia Casado, parlamentares discutem uma “saída honrosa” para que Moraes deixe o STF sem passar por um processo de impeachment. Uma das opções seria ele pedir aposentadoria antecipada em troca de não sofrer processo criminal. Fontes ligadas ao governo dizem que o melhor seria Moraes assumir um cargo em alguma instituição internacional e morar fora do país por um tempo. (UOL)

Em duros editoriais, Estadão e Folha pedem a renúncia de Moraes. Já o Globo defende que o STF deve exigir explicações do ministro.

Em outra frente do caso Master, reportagem da revista piauí revelou que, mesmo depois de Flávio Bolsonaro ter afirmado repetidamente que o último repasse de recursos de Daniel Vorcaro, supostamente pro filme Dark Horse, havia sido em maio de 2025, US$ 1,6 milhão foram enviados em setembro do mesmo ano, de acordo com documentos do Coaf. Com isso, o total conhecido até aqui do que foi enviado por Vorcaro para o filme de Bolsonaro sobe para US$ 12,2 milhões, ou R$ 65 milhões. Procuradoria, a assessoria do candidato disse “Isso não é com a gente” e sugeriu que o repórter procurasse a produtora do filme.

Malu Gaspar: “Em oito páginas e uma canetada apresentadas com rapidez atípica para seus padrões, Paulo Gonet declarou que nenhuma das provas apresentadas no relatório de mais de 200 páginas da PF vale para que se tome providências e se investigue Moraes. Como procurador da República, Gonet está se saindo um ótimo advogado de defesa”. (Globo)

Bela Megale: “A cerca de um mês das eleições, os magistrados que apoiam Moraes passaram a defender, nos bastidores, que as decisões de Mendonça sobre as mensagens trocadas entre Vorcaro e seu colega de corte teriam como pano de fundo ‘um feito político’. Em reservado, os ministros admitem que a situação é, no mínimo, ‘constrangedora’ para Moraes, mas afirmam que a melhor defesa do ministro é destacar que Vorcaro foi preso e que as investigações estão avançando a todo vapor”. (Globo)

Flávia Tavares: “Defender Moraes agora não é razoável, porque se trata de uma conduta individual que precisa ser explicada, pra dizer o mínimo. É mais do que lamentável que essa conduta coloque em risco a própria instituição, na medida em que enfraquece sua credibilidade. Mas é o que é. Toffoli e Nunes Marques devem explicação por suas condutas individuais também. E Mendonça vai precisar prestar contas da condução e dos vazamentos do caso”. A análise completa no Cá entre Nós. (Meio)

A crise deflagrada pelo avanço de Mendonça contra Moraes atravessa o Judiciário, contamina o Executivo e reconfigura o tabuleiro eleitoral a um mês do pleito. No Meio Político desta semana, exclusivo para assinantes premium, Creomar de Souza analisa esse momento sem precedentes na Nova República e avalia quem pode ou não se beneficiar eleitoralmente do caos. Faça agora uma assinatura premium e receba o Meio Político hoje, às 11h."

Link principal: https://www.canalmeio.com.br/wp-content/uploads/2026/09/pet16662_relatorio_pf_celular_vorcaro_moraes_gonet_andrei_barci.pdf?utm_source=meio&utm_medium=email  

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PRA: Não sei que resultado terão todas essas notícias, mas temo, como já aconteceu inúmeras vezes, que todos os importantes personagens citados atravessarão incólumes a presente borrasca, que no entanto, pode ter importantes repercussões eleitorais. Suspeito que a consequência possa ser uma viragem à direita das eleições, ou até o desalento geral do eleitorado em relação à classe política e aos poderosos da nossa República tão desacreditada pelos seus próprios guardiões.

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Novo livro: Economia política das constituições brasileiras: seu impacto nas relações econômicas internacionais - Paulo Roberto de Almeida (ElivaPress)

 

 

Economia política das constituições brasileiras: seu impacto nas relações econômicas internacionais


        O foco central deste livro é essencialmente o impacto das constituições no itinerário econômico da nação, marcado por uma presença significativa do Estado na organização econômica da sociedade e nas inconstâncias de nosso desenvolvimento econômico. O Estado brasileiro, em suas diversas configuração, precede a nação e, de certa forma, ele a cria, a molda e a organiza. O centralismo ibérico foi preservado na institucionalidade estabelecida pelos primeiros mandatários, depois adaptada às peculiaridades da terra e do povo, como definido desde cedo pelos liberais conservadores das Regências e do Regresso, ao início do Segundo Reinado. 
        O primeiro centenário da nossa primeira Carta constitucional, em 1924, não foi devidamente comemorado, provavelmente porque se queria esquecer a monarquia. As constituições de 1934 (derivada de uma Constituinte corporativa), foi seguida pela imposta em 1937, inaugurando a ditadura do Estado Novo. A de 1946, votada democraticamente por uma Constituinte, foi “reformada” em 1961, para a introdução do parlamentarismo, mas logo revertida ao presidencialismo por um plebiscito em 1963. O golpe de 1964 a desfigurou mediante atos institucionais, até ser substituída pela de 1967, ela própria emporcalhada por um ato adicional autoritário em 1969. 
        A Carta democrática de 1988, que vem sendo acrescida de inúmeras emendas, é a mais prolixa de todas elas, o que é justamente a razão de tantos acréscimos puramente circunstanciais, quando não oportunistas; não é um exagero dizer que a maior parte desses acréscimos objetivam “redistribuir” os recursos duramente amealhados pelo Estado, seja concedendo novos “direitos” à cidadania, seja criando favores para grupos privilegiados. Elaborar e reformar constituições parece ser uma constante na história política do Brasil. Todas elas produziram impactos significaticos na vida econômica nacional e na inserção econômica internacional da nação. Este livro aborda todas essas questões.
   

Índice

 

Apresentação:

As constituições e as relações internacionais do Brasil

 

1. A representação política no Brasil até a Constituição de 1824 

1.1.              Uma longa tradição de representação política

1.2.               O controle da metrópole

1.3.               A tradição liberal de Cádiz chega no Porto

1.4.               O nascimento do federalismo

1.5.               Um parlamentarismo “presidencialista”?

1.6.               Monarquistas “republicanos”?

1.7.               Uma divisão de poderes sui generis

1.8.               O imperador dissolve a primeira Constituinte

1.9.               A primeira insurreição contra a Constituição outorgada

 

2. Formação do constitucionalismo luso-brasileiro no século XIX 

2.1. As grandes datas da evolução constitucional na Europa e nas Américas

2.2. Pré-história da Revolução do Porto de 1820: a Constituição de Cádiz (1812)

2.3. O mundo restaurado e novamente turbulento: ascensão do liberalismo

2.4. O processo liberal português e suas consequências no Brasil: nova colonização?

2.5. A constituição liberal portuguesa de 1822 e as consequências para o Brasil

 

3. Da Constituinte de 1823 à Constituição de 1824: aspectos econômicos

3.1. No Brasil, as receitas seguem as despesas, não o contrário

3.2. A Constituinte de 1823 e o seu “pai fundador”: Antonio Carlos Ribeiro de Andrada

3.3. A economia política do projeto de Constituição de 1823

3.4. A Constituição Política do Império do Brasil: seus aspectos econômicos

3.5. Uma economia comandada pelo gasto público, não pela poupança ou investimento

 

4. A economia nas constituições brasileiras, de 1824 a 1946 

4.1. A interpretação econômica das constituições

4.2. A estrutura constitucional do império liberal escravista

4.3. A República aprofunda a intervenção do Estado na economia

4.4. A União e os estados na repartição do bolo tributário

4.5. O estatismo e o nacionalismo nascentes na Constituição de 1891

4.6. O nacionalismo econômico é constitucionalizado a partir de 1930

4.7. Intervencionismo econômico constitucionalmente assegurado em 1937

 

5. Uma interpretação econômica das constituições (1986)

5.1. A constituição como instrumento econômico

5.2. A representação dos interesses na experiência de 1946

5.3. A elaboração do processo constituinte de 1987-88

5.4. A “economia política” da Constituição na perspectiva de 1987

 

6. As relações internacionais na ordem constitucional de 1988  

6.1. Constituição e sociedade no Brasil

6.2. Relações exteriores e Constituição

6.3. A Experiência histórica brasileira

6.4. As relações internacionais na nova Constituição

6.5. Implicações para a política externa do Brasil

 

7. Análise crítica do conteúdo econômico da Constituição de 1988

7.1. Introdução: sobre mudanças de regime econômico

7.2. Mudanças de regime econômico no Brasil contemporâneo

7.3. A Constituição de 1988: um novo contrato social para o Brasil?

7.4. O que a Constituição promete, e o que ela produz, na realidade?

7.5. A Constituição “cidadã”: distribuindo bondades para todos

7.6. A Constituição “estatal”: reduzindo o espaço da livre iniciativa

7.7. A Constituição “parlamentar”: muitos privilégios, baixa produtividade

7.8. A Constituição “econômica”: equívocos em cadeia

7.9. A Constituição dos “direitos sociais”: sem qualquer análise dos custos

7.10. Uma Constituição economicamente esquizofrênica

 

8. A Constituição e a integração regional  

8.1. Um país voltado para si mesmo

8.2. Uma vocação integracionista, a despeito de tudo

8.3. Supranacional vs. intergovernamental

 

9. Brasil: um país de ponta-cabeça? Sobre as propostas de Modesto Carvalhosa 162

9.1. O Brasil de ponta cabeça?

9.2. Como ficamos de pés para cima?

9.3. Como fazer o Brasil apoiar-se sobre os seus próprios pés?

9.4. O que nos diz a história sobre o papel dos municípios na administração do Brasil?

9.5. O diferencial de produtividades como indicador crucial de desenvolvimento

9.6. Um manual para colocar o Brasil sobre os pés, a partir de Modesto Carvalhosa

9.7. Há salvação para o Brasil com seu atual sistema político? A regeneração pela base

 

Referências bibliográficas 

Apêndices

Nota sobre o autor  

Livros de Paulo Roberto de Almeida   

 

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