ELEIÇÕES DISPUTADAS EM DEMOCRACIAS POLARIZADAS: OS CASOS DO BRASIL E DOS EUA

Polarização
Considerações sobre as recentes disputas eleitorais nas duas grandes democracias do hemisfério.
A expansão das franquias eleitorais se fez mediante um processo concomitante à consolidação de regimes democráticos nos principais países ocidentais. Desde a emancipação americana, em 1776, continuada pelo estabelecimento da constituição da Filadélfia em 1787, passando pela revolução francesa de 1789 e pelas diversas constituições republicanas e monárquicas que se seguiram, assim como pela ampliação dos direitos de voto na Grã-Bretanha de meados do século XIX, baseada no direito costumeiro progressivamente construído pela Magna Carta (1215), pelo Bill of Rights (1689) e pelas reformas eleitorais a partir de 1832, eleições abertas, censitárias ou igualitárias, têm sido o principal instrumento de formação de governos legítimos nas grandes democracias do Ocidente. A primeira e, aparentemente, a mais estável democracia republicana da era contemporânea, tem sido pautada, desde a origem, pelo princípio da igualdade formal dos cidadãos eleitores, consagrada na única carta constitucional até aqui mantida relativamente similar ao modelo desenhado pelos “pais fundadores”, ainda que o direito universal ao voto livre tenha sempre enfrentado obstáculos procedimentais importantes.
No Brasil, eleições para as câmaras municipais vêm sendo realizadas desde os primeiros anos da colonização, mas de ordinário reservadas aos “homens bons”, o que de certo modo foi preservado até a “Constituição da mandioca”, nas eleições gerais do período imperial, e mesmo na primeira fase do regime republicano. O sistema foi modernizado, inclusive pela admissão do voto feminino, pouco depois da Revolução de 1930, mas sua universalização verdadeira só ocorreu após a inclusão dos eleitores analfabetos na redemocratização pós-ditadura militar. Sua fiabilidade operacional, por meios eletrônicos, desde os anos 1990, colocou o Brasil à frente das principais democracias da atualidade, inclusive da mais antiga democracia republicana.
Brasil e Estados Unidos passaram, recentemente, por contendas eleitorais duramente disputadas. Isso representa uma característica eventual, uma possibilidade ocasional, em regimes democráticos enfrentando fases marcadas por intensas lutas no “mercado do poder” de suas respectivas vidas políticas, ou seja, o embate entre forças políticas organizadas em torno de algum personagem carismático. Essa disputa tem sido identificada, no caso do Brasil, entre forças tradicionais conservadoras ou centristas e a emergência das correntes de esquerda representadas sobretudo pelo PT e, dentro dele, pela figura de Lula; mais recentemente, foi entre esse polo de poder e a contestação de grupos mais estridentes de extrema-direita identificados com o chamado “bolsonarismo”, seja o “pai fundador”, sejam seus familiares. No caso dos EUA, o progressismo sindicalista vinha sendo representado pelo partido Democrata, ao passo que a direita e o conservadorismo estiveram mais bem identificados com o partido Republicano, este dominado, desde dez anos aproximadamente pela figura carismática de Donald J. Trump.
Cabe registrar, antes de qualquer comentário específico sobre os recentes processos eleitorais no Brasil e nos EUA, que a polarização política, isto é, a fratura entre duas fortes correntes nacionais, não é inédita em disputas eleitorais, seja em democracias avançadas, seja em países de desenvolvimento econômico ou político mais incipiente. Países de tradições classistas ou sindicais mais pronunciadas, como na Europa ocidental, exibem, desde o século XIX, tais embates entre a esquerda e a direita, que encarnam, de um lado, o legado liberal-conservador que remanesce desde praticamente o Ancien Régime, e a contestação de tipo social-democrática (socialista ou marxista) que se fortaleceu a partir do final do século XIX. Ela ainda representa um polo progressista bastante forte nessas democracias, existente em regimes republicanos ou monárquicos, mas em ambos de base predominantemente parlamentarista, ao contrário dos presidencialismos de quase todo o hemisfério americano, latino ou anglo-saxão.
A polarização política foi bem mais pronunciada no caso do presidencialismo do Brasil, inicialmente no embate entre “tucanos” (do PSDB) e lulopetistas, mas na fase recente, entre esta última corrente, mais bem encarnada na figura carismática de Lula – cujo alcance popular e cuja adesão eleitoral são bem maiores do que as do seu partido – e esse difuso grupo identificado com o “bolsonarismo”; este, no entanto, não possui qualquer doutrina política identificável, a não ser uma confusa incorporação de slogans (mais do que “teses”) das franjas lunáticas da extrema-direita, defendendo a luta contra o multilateralismo, o globalismo, o progressismo de maneira geral. No caso dos EUA, a “polarização” sempre foi mais bem representada pela alternância entre os dois partidos tradicionais, um bipartidarismo quase secular, o que é, aliás, um cenário político mais próximo – ainda que com tonalidades ideológicas diferentes – do observado nos modelos políticos da Europa continental, um panorama que assiste, desde décadas, à alternância entre forças liberal-conservadoras – grosso modo, de direita – e aquelas identificadas com os diversos polos progressistas (socialdemocracia, esquerda socialista).
No caso do Brasil, a “polarização” foi basicamente estimulada pelo próprio PT, numa tentativa de monopolizar toda a esquerda – mesmo contra os partidos trabalhistas da República de 1946 – e para se demarcar dos conservadores, que na verdade sempre dominaram o poder legislativo por excelência, em face da alternância entre presidentes de tendências populistas ou centristas. A ditadura militar acentuou certa polarização no cenário político, entre “socialistas” e “direitistas”, o que reforçou o discurso lulopetista do “nós e eles”, do “povo vs. elites”. Já a experiência histórica americana não se encaixa muito bem nessa oposição ideológica, bem mais europeia ou latino-americana, pois o bipartidarismo tradicional seguia linhas socioeconômicas ou regionais, com adesões políticas mais firmes no eleitorado-padrão (mas que também foi sendo transformado aos poucos por influxos imigratórios mais intensos nas últimas décadas).
Pode-se dizer que uma espécie de “polarização” parcialmente carismática acabou sendo introduzida pela figura de Trump, que aparece num momento de maior fragmentação do cenário geopolítico internacional, com o desafio montante de uma segunda grande potência econômica, que passou a representar um contraponto à hegemonia americana, triunfantemente unipolar no momento da implosão do comunismo da primeira Guerra Fria, mas logo em seguida contestada por um poder supostamente “comunista”, em irresistível ascensão nesta “segunda Guerra Fria”. O movimento MAGA, encarnado por Trump e seus seguidores imediatos, não é exatamente um “canto de cisne” de uma potência em declínio, pois que os EUA apresentam uma produtividade e uma capacidade de inovação – sem precisar aventar o poderio militar – bem superiores aos níveis registrados na Europa ocidental das últimas décadas, mas o substrato da “mensagem” trumpista, personalista – se ela existe, parcialmente representada pelo programa “Mandate for Leadership”, de 2025 – é a de um desmantelamento completo do sistema multilateral criado pelos próprios EUA ao final da IIGM, em especial do sistema multilateral de comércio e do “guarda-chuva” militar americano em favor dos europeus, no quadro da Otan.
O principal resultado do programa trumpista de “fazer a América grande de novo” foi a deterioração da situação econômica interna dos EUA – sobretudo pela insanidade tarifária, que impulsionou a inflação doméstica –, seguida pela total perda de credibilidade da grande potência ocidental pela escolha dos adversários errados em conflitos errados. Trump – por motivos que no futuro podem ser esclarecidos – escolheu claramente o lado de Putin na guerra de agressão do ditador russo contra a Ucrânia, e o lado de Netanyahu, numa guerra de escolha contra o Irã, o que acabou por agravar a situação econômica não apenas do eleitorado americano, mas de grande parte do mundo, pela elevação dos preços do petróleo e derivados (sem mencionar as tentativas de anexação do Canadá, da Groenlândia e do Panamá, e a invasão e tutela sobre a Venezuela e seu petróleo). A arrogância trumpista parece refletir uma arrogância invejada, a de Putin, que está destruindo a economia (e a demografia) russa na sua guerra de escolha contra a Ucrânia, personalidade autocrática que Trump visivelmente admira, além do líder chinês, em princípio o “inimigo principal”, mas respeitado pelo patológico narcisista norte-americano.
Similaridades entre os recentes processos eleitorais no Brasil e nos EUA, em torno de uma aparente “polarização”, são superficiais e sem identidades substanciais entre a natureza dos resultados em cada um dos países. Uma comparação pode, no entanto, ser feita, quanto à forma pela qual o incumbente americano e o desafiante brasileiro foi decisivamente derrotado ao cabo dos respectivos pleitos. No caso brasileiro, a rejeição dos dois candidatos era inegavelmente alta, mas não foi Lula quem venceu o embate, e sim foi o desafiante que perdeu, por seus enormes erros de posicionamento e os grandes equívocos da campanha no segundo turno. No caso dos EUA, não foram os Democratas que infligiram uma tremenda derrota a Trump, e sim o próprio incumbente, quem “fabricou” imensas perdas para o Partido Republicano, em quase todos os estados e distritos, muitos deles ainda dependentes de procedimentos eleitorais disfuncionais.
Trump possui programas e políticas inadequadas ou totalmente equivocadas para os desafios atuais dos EUA, que ele resume à “reindustrialização” (impossível) e à imigração, ambos problemas atacados pela via de métodos errados e inconsequentes. Lula 4, do seu lado, possui os mesmos problemas que já eram os de Lula 3 (e de Dilma 2): gastos estatais em nítida ascensão, insustentáveis no médio prazo, e uma visão anacrônica do sistema internacional, como sempre foi a do lulopetismo diplomático. Diferenças e aproximações à parte, entre cada uma das duas experiências eleitorais recentes, nos EUA e no Brasil, dois elementos substanciais precisam ser enfatizados: Trump representa uma diminuição ainda mais pronunciada dos fundamentos da governança interna e uma contínua perda da credibilidade externa do seu país, ao passo que Lula confirma a manutenção dos elementos básicos do regime democrático e uma reafirmação (ainda que parcialmente equivocada) da credibilidade diplomática do Brasil. O mundo (ou pelo menos parte dele) fez o “L”. Trata-se de uma imagem muito positiva para o Brasil. Esperemos que ela não seja afetada pela má condução dos assuntos econômicos domésticos. Inshalá…
Brasília, 5528: 5 de novembro de 2026.

43 comentários:
Muito bom o post! Excelente! Esclarecedor já que pouco se vê e se sabe das tarefas profissionais. Algumas delas envolta em mitos ou caricaturas. Parabéns meu amigo.
Bjs
Excelente forma de esclarecer o que os amantes desta profissão gostaríam de saber. Sem dúvidas, esta profissão é ardua e trabalhosa, mas com muita dedicação e esforço chegamos onde desejamos! Ser um diplomata não é somente ser uma pessoa relevante, mas também é ser um Eistein moderno, lutando pelos "problemas" que o mundo nos oferece. A carreira diplomatica com certeza é minha vocação. Obrigada pela ajuda que me deste neste momento...
Boa noite Doutor Paulo Roberto!
Gostaria muito que o senhor me enviasse um e-mail, me esclarecendo sobre a carreira diplomatica. Tenho interesses, mas gostaria de saber de uma pessoa totalmente qualificada na área e com boa experiência. Gostaria De saber remuneração e campos? E oque Agrada no senhor a carreira diplomatica?.cal_13@msn.com
estou muito grato ao senhor por esclarecer de forma tão ampla e de forma memorável a trajetória de uma das mais celebres e entusiasmantes profissões ,sou um aluno de ensino médio que sonha com uma carreira diplomática, ainda mais agora depois desse maravilhoso esclarecimento ,muito obrigado!
Fico feliz em ler algo realmente positivo sobre a carreira diplomática, tenho 24 anos e iniciei agora a minha faculdade de direito e quero me especializar em relações internacionais, ouço tantas conversas que de uma certa forma me desanima, ouço que para começar uma carreira diplomática teria que começar aos 10 anos de idade, falo inglês e dizem que não é suficiente. É verdade? Mesmo assim continuo investindo e correndo a frente de meu sonho.
Muito obrigada
Joseane Rocha
Senhor Paulo,
Tenho uma dúvida e gostaria de saber sua opinião a respeito de escolas que tem o ensino médio voltado a diplomacia.
Vou iniciar a oitava serie em 2009,e pretendo seguir a carreira.Moro no interior de Minas Gerais e tenho duvidas quanto a escolha de fazer um ensino médio em algum colégio que de ênfase a essa carreira.
Busco uma ajuda a escolha de uma capital que tenha esse suporte.
Agradeço desde já.
Hanna
É muito bom ver a sua dedicação em esclarecer pontos importantes sobre a carreira diplomática.Depois do que disse,me alegro mais e mais em ingressar nessa carreira fascinante .
è muito bom ver a sua dedicação em esclarecer pontos importantes sobre a carreira diplomática.Depois do que disse,me alegro mais e mais em ingressar nessa carreira fascinante .
Olá Sr. Paulo!
Fiz como os Diplomatas e pesquisei sobre essa carreira realmente exigente, como acabo de ler no seu post.
Ainda tenho 16 anos, mas já me interesso pela maioria das coisas que os Diplomatas se interessam, ou são obrigados á conviver. Então acho que estou no caminho certo.
Amo línguas, falo Inglês, brevemente Espanhol e Francês.
Pretendo cursar Relações Internacionais e Ciências Políticas.
Gostaria de saber se estou no caminho certo, e se o Sr. mantém contato com questões internacionais,e qual foi a pessoa mais ilustre que o Sr. já conheceu.
Parecem dúvidas pouco inteligentes, mas sem dúvida me dariam um grande estímulo.
Obrigada por esclarecer tudo, ou quase tudo dessa carreira tão bonita que é a Diplomacia.
Grande Abraço.
Elisa Duarte de Mattos.
Elisa,
Se voce tem 16 anos e já faz e já sabe tantas coisas, então está no caminho certo para tornar-se diplomata. Mas, tenha plena consciência de que precisará ler muita coisa, que está no Guia de Estudos do Instituto Rio Branco (veja em mre.gov.br)
No meu site (www.pralmeida.org), secao Carreira Diplomatica tem muitos textos e alugns conselhos que respondem a algumas de suas questoes.
Bons estudos e boa sorte
PRA
Boa noite Sr. Paulo,
Quando fala a respeito dos baixos salários baixos para os diplomatas na Secretaria do Estado, em que termos de valores médios você se refere?
Muito obrigado Paulo, fazia tempo que procurava algo assim.
Bem esclarecedor.. eu gostaria de saber quais os critérios que determinarão a posição em que o diplomata vai atuar: se aqui no Brasil mesmo, ou em alguma missão no exterior. Seria essa um opção do próprio diplomata?
agradeço a resposta.
Natalia,
A carreira é composta de estagios no exterior e na Secretaria de Estado em Brasilia, geralmente a razao de 2-3 e 1-3 do tempo, aproximadamente, mas isso é flexivel.
A decisao é tomada em interacao entre o diplomata e o setor de Administracao. Geralmente voce tem de cumprir prazos no exterior para poder ser promovido, entao as pessoas tem interesse em sair para ficar em cinducoes de ser promovido.
Para onde se vai é uma negociacao complexa, mas sempre tem alguma compensacao posterior: se voce pega um posto C ou D (de maior sacrificio), voce tem direito, depois, de ir a posto A ou B (que são as grandes capitais do mundo desenvolvido).
Natalia,
A carreira é composta de estagios no exterior e na Secretaria de Estado em Brasilia, geralmente a razao de 2-3 e 1-3 do tempo, aproximadamente, mas isso é flexivel.
A decisao é tomada em interacao entre o diplomata e o setor de Administracao. Geralmente voce tem de cumprir prazos no exterior para poder ser promovido, entao as pessoas tem interesse em sair para ficar em cinducoes de ser promovido.
Para onde se vai é uma negociacao complexa, mas sempre tem alguma compensacao posterior: se voce pega um posto C ou D (de maior sacrificio), voce tem direito, depois, de ir a posto A ou B (que são as grandes capitais do mundo desenvolvido).
Sr. Paulo,
Tenho apenas 11 anos de idade. Curso inglês e espanhol, gosto, tenho prazer em estudar,tiro notas boas e acho a carreira de diplomacia fascinante. Será que eu poderia seguir essa carreira? Minha mãe diz que sou jovem para ficar pensando nessas coisas, mas eu já gostaria de investir no meu futuro.
E a propósito adorei o texto!
Meu caro George Sanguinetti Segundo,
Acho que com 11 anos voce tem a idade perfeita para comecar a se preparar. Diga para a sua mae que quanto mais cedo melhor. Eu comecei antes, bem antes, lendo livros de historia mundial, de historia do Brasil, de geografia e sobre temas internacionais de maneira geral.
Os examos de ingresso na carreira diplomatica sao extremamente dificeis e exigentes, assim que so conseguem entrar os mais bem preparados, aqueles otimamente preparados, o que so se consegue com estudos de longo prazo, nao com preparacao rapida em poucos meses.
Assim que eu recomendaria a voce continuar a estudar linguas, sobretudo ingles (que precisa ser perfeito), ler muita literatura e classicos da cultura brasileira (seu Portugues precisar ser perfeito tambem) e ler todos os materiais relevantes para a carreira que voce encontrar.
Entre no site do Instituto Rio Branco (no mre.gov.br) e veja o Guia de Estudos, que traz a lista dos livros de referencia. Comece a ler desde agora e faca notas em algum caderno ou no computador.
Bons estudos para voce, desde ja.
Cordialmente,
Paulo Roberto de Almeida
Senhor Paulo,
Primeiramente, muito obrigada pelos excelentes textos que tenho encontrado de sua autoria. Tenho 17 anos, moro no interior de Rondônia.
Sou formada em língua inglesa, e obtive boas notas em algumas provas de caráter internacional. Dou aulas de inglês também.
Estou fascinada com o curso e a carreira diplomática, porém tenho ainda algumas dúvidas.
Estou prestando vários vestibulares, em sua maioria em Brasília.
Sempre me recomendam fazer o curso de Direito antes do curso de Relações Internacionais, gostaria de saber se isso é mesmo necessário, ou não.
Obrigada pela atenção. Abraços.
Laise,
Voce vai precisar de muito mais do que apenas conhecimento de ingles para passar em todas as demais materiais.
Se eu fosse voce, eu faria direito, antes de RI, esta como especializacao, nao como bacharelado ou licenciatura.
Paulo R Almeida
Dr. Paulo, muito elucidativo esta sua descrição, pois raras são as vezes em que encontramos informações tão diretas sobre a carreira diplomática. Pois então, eu estou com 19 anos, curso direito, e estou decidida a ser uma diplomata, entretanto, surgiu uma possibilidade de terminar meus estudos de direito na célebre Universidade de Coimbra, o que, provavelmente, me afastaria um pouco dos estudos destinados à diplomacia, mas seria uma grande experiência para a carreira diplomática em si, penso eu. Tal é minha dúvida, que eu, humildemente, lhe peço a sua opinião como um diplomata. Por favor, envie sua resposta ao meu email o mais rápido que puder.
Grata pela atenção,
Aline. (email: aline.guiotti@hotmail.com)
Olá sr. Paulo
Tenho 15 anos, me interesso muito por temas relacionados a carreira diplomática, faço minhas provas de história e geografia sem estudar e tiro notas boas, por exemplo, achei seu texto interessantissimo.
Gostaria de saber se você acha melhor fazer um cursinho preparatório como o curso Clio ou é melhor tentar na "raça" estudando sozinho?
Henrique,
Estude na raça, como voce diz, mas se puder fazer um cursinho, desses bem bitoladores, talvez seja melhor. Nunca se deve confiar apenas na sorte e no estudo descompromissado. Pode vezes, um estudo dirigido, desses que pegam as questões mais idiotas que os professores conseguem formular, e dão as respostas adequadas, é bom. Nem sempre a lógica e o conhecimento triunfam. Por vezes, a versão vale mais do que a realidade.
O abraco do
Paulo Roberto de Almeida
Senhor Paulo,
Primeiramente,agradeço pelo seu texto acerca da diplomacia e dos estudos internacionais. Sempre me interessei por esta carreira. No entanto, meu desejo é fazer um curso de Direito para adiante me especializar em relações internacionais, não procurando ser especificamente um bacharel na última. É prudente esta minha posição? Estarei em desvantagem com relação aos que já buscam,a priori, o grau de bacharel na área? O que devo fazer para,digamos,me acostumar com a área ao longo do curso de Direito?
Senhor Paulo,
Primeiramente,agradeço pelo seu texto acerca da diplomacia e dos estudos internacionais. Sempre me interessei por esta carreira. No entanto, meu desejo é fazer um curso de Direito para adiante me especializar em relações internacionais, não procurando ser especificamente um bacharel na última. É prudente esta minha posição? Estarei em desvantagem com relação aos que já buscam,a priori, o grau de bacharel na área? O que devo fazer para,digamos,me acostumar com a área ao longo do curso de Direito?
Ramon Aleixo,
Acho que você está certo em fazer Direito e estudar as matérias do concurso paralelamente. Relações Internacionais se aprende basicamente nos livros, e isso você pode fazer sozinho.
Paulo R. Almeida
Eu realmente fiquei muito feliz em encontrar um texto claro e objetivo sobre diplomacia, o que é bem raro visto a complexidade do tema.
Tenho 17 moro em Brasília e estou me preparando para ingressar em Relações Internacionais na UNB com foco para diplomacia, desde muito cedo me interessei em seguir carreira diplomática, amo história, geografia, ler, me expresso bem, falo inglês fluentemente e tenho facilidade com línguas estrangeiras;O fato de não fazer Direito antes de RI realmente me deixaria em desvantagem mesmo se antes de eu prestar o concurso para a Fundação Rio Branco eu me preparasse em cursinhos como o Clio?
Amanda,
Você não precisa fazer Direito, para ser diplomata. Alias, não precisa fazer nada especificamente, só precisa de um canudo universitário, qualquer um, pode ser economia doméstica, educação física, física nuclear, engenharia, whatever. Por mim, eu não exigiria nem diploma de curso primário, mas o Rio Branco pede um título universitário, qualquer título reconhecido pelo MEC. Portanto, o RI da UnB serve, o que não quer dizer que o curso seja suficiente. Você vai ter de estudar por conta própria ou fazer um cursinho.
Esqueça Direito: ainda que possa trazer alguns rudimentos de conhecimento especializado, não existe nada, literalmente NADA no curso que você não possa aprender sozinha, lendo livros ou se se informando na internet.
Esqueça a chateação de fazer Direito na UnB: o curso é fraco, está abaixo do Uniceun.
Melhor fazer Direito na Wikipedia...
Estude sozinha, você sempre estará melhor do que mal acompanhada...
Paulo Roberto de Almeida
Olá Sr. Paulo
Tenho 14 anos e a pouco tempo li seu blog, estou interessada em ser diplomata mas tenho algumas duvidas, gostaria de saber se a Matemática é uma matéria de muito peso para quem quer ser diplomata, pois tenho dificuldade nesta matéria,mas em contrapartida gosto muito de inglês inclusive faço curso além de gostar de viajar e não ter problema em ficar longe da família por um longo tempo.
grata
Geovanna
olá!
Estou com diversas dúvidas sobre a carreira diplomática, o seu texto ajudou-me a esclarecer algumas delas.
Moro o interior do RS, na cidade de Sinimbu,tenho 16 anos, estou no terceiro ano de ensino médio. Sempre estudei em escola púbica,e vou prestar vestibular para a UFRGS, UFSM e UNISC. Prtendo cursar a faculdade de Direito, gostaria de saber a sua opinião qual a graduação mais indicada para adquirir habilidades e competências para a carreira diplomática.Estudo a língua alemã, este ano faço a prova A2, poderia me informas quais são as línguas mais requisitadas no currículo de um diplomata? Desde já muito grata, Lucia Carolina Raenke Ertel.
Meu e-mail é:lucia_carolina@hotmail.com
Sr. Paulo,
Sou recém formada em Relações Internacionais e trabalho numa empresa multinacional.
Compartilho, no entanto e assim como muitos jovens internacionalistas, o desejo de ingressar na carreira diplomática.
Não me importo em passar anos investindo pois sou uma pessoa muito determinada e acredito que tudo é possível com fé e esforço pessoal.
No entanto, um dos meus maiores temores é acabar me frustando por causa da burocracia. Ou ainda, me sentir impotente diante de tantos fatos envolvendo interesses diversos.
Gostaria de saber na opinião do senhor se vale a pena investir na diplomacia visto que, a meu ver tais possibilidades são reais.
Obrigada pelo excelente texto.
Contando com a sua experiência junto com os seus colegas de profissão, gostaria de saber se ser diplomata requer realmente um despreendimento familiar. Sou mãe e não moro com o pai da minha filha, e estas informações são importantes para mim.
Se for como muitas profissões, onde o trabalho faz parte da rotina dos pais, por mim tudo bem. O que não gostaria é ser uma mãe ausente em busca de um sonho.
Cara Cecilia,
A carreira é realmente exigente, pois voce tem viagens em fins de semana e ausências seguidas e isso pode causar algum stress familiar. Mas, se voce conta com alguma ajuda domestica, tudo pode ser arranjado.
Ser mae ausente é outro problema e pode ocorrer em qualquer profissao. Pode-se ser diplomata e presente, como sempre fomos, eu e minha mulher, em qualquer circunstancia. Eventualmente o conjuge nao diplomata vai arcar com um pouco mais de responsabilidade e encargos, mas isso faz parte da profissão.
Paulo Roberto de Almeida
Senhor Paulo,
Tenho 17 anos e pretendo cursar relações internacionais, queria que o senhor me ajudasse, terminando o curso se eu escolher trabalhar em uma empresa, você poderia me esclarecer um pouco como seria esse trabalho ?
agradeço a ajuda.
Lucas Peixoto,
Se voce fizer RI e escolher (ou tiver de) trabalhar em uma empresa, certamente você seria chamado para a area de negocios internacionais dessa empresa, se ela estiver envolvida nesse tipo de assunto obviamente: importação, exportação, regras de comércio internacional, processos de integração dos quais o Brasil participa (como o Mercosul, por exemplo), etc.
Por isso recomendo que você reforce o estudo de economia, leia bastante sobre relações econômicas internacionais, mais, bem mais do que você tiver como matéria no curso de RI (que costumam ser fraquinhos e ter poucas matérias práticas, de corte empresarial, sendo bem mais teórico-acadêmicos). Estude por sua conta, lendo jornais e revistas de economia internacional e pesquisando sozinho na internet.
Nada é melhor do que você garantir a sua própria formação em economia: ela lhe será útil numa empresa.
Paulo Roberto de Almeida
Sr Paulo,
Tenho 15 anos e sempre tive uma fascinação com os assuntos relacionados à geografia, principalmente na área econômica e também à história.
Estava decidido à fazer o curso de história até que encontrei o curso de RI e comecei a pesquisar sobre ele.
Em vários fóruns pela internet há um grande debate sobre viagens internacionais.
Meu sonho sempre foi trabalhar em outro país ou apenas fazer viagens de negócios.
Eu queria saber se quando se trabalha com RI há a possibilidade de se atuar em outros países e se há algum outro curso que se necessite atuar em outros países?
Rafael G B,
Uma graduação universitária, qualquer uma, apenas qualifica alguém em alguma área do conhecimento, eventualmente ajudando a conseguir uma profissão cujos requerimentos são afinados com aquela área.
Mas ela não garante qualquer chance de trabalho, ou emprego, se a própria pessoa não for realmente capacitada -- aos olhos de um empresário empregador, por exemplo -- ou capaz de passar em algum concurso em uma profissão que permita atuar em outros países.
Existem muitas profissões que permitem esse tipo de abertura, na vida privada -- em empresas multinacionais, digamos assim -- ou na vida pública, passando no concurso para a diplomacia, por exemplo.
Neste caso, você teria de estudar muito, pois o concurso é extremamente exigente.
Sorte sua, pois com 15 anos, você tem tempo de se preparar adequadamente. Comece agora, a ler tudo o que voce precisa ler (no meu site tem indicações sobre isso: www.pralmeida.org) e estude sempre, independentemente do curso que voce for fazer.
Tem de estudar por contra própria, sem depender de ninguém.
Bons estudos.
Paulo Roberto de Almeida
Olá, encontrei seu blog pesquisando sobre a carreira diplomática.
Tenho 15 anos e sou apaixonada pelas ciências humanas, por idiomas e pelo mundo, pelos países. Recentemente descobri que existe a possibilidade desse emprego que eu julgo maravilhoso, mas tenho medo de estar idealizando. Como é a vida pessoal de um diplomata? Eles têm uma vida normal no que se diz à isso? E sobre o trabalho em outros países, gostaria muito de saber sobre isso.
Muito Obrigada.
Natalia,
Por incrivel que pareça, o diplomata pode ser uma pessoa normal. Enfim, tem de tudo na diplomacia, mas a maioria é bem normalzinha: trabalha, bebe, trabalha, bebe, dorme, bebe...
Estou brincando, claro, mas você vai descobrir muita coisa sobre os diplomatas pesquisando na internet, e corre até o risco de achar muita coisa minha, que sou um diplomata normal (mas tem gente que não acredita...).
Paulo Roberto de Almeida
Olá, encontrei a postagem pesquisando sobre a profissão... Tenho 15 anos, estou cursando inglês e espanhol, e pretendo em breve me tornar fluente nos dois idiomas e até pouco tempo atrás estava convicto em fazer jornalismo como curso superior. No entanto, uma amiga comentou sobre a profissão de diplomata, dizendo que "se encaixaria com meu perfil". Quando ela disse isso, acredito que tenha se referido a meu sonho de viajar para todo e qualquer lugar do mundo. E isso, de fato, me despertou o interesse. Mas receio que, lendo essa postagem - e como quase todas as profissões que um dia pretendi seguir -, eu esteja tendo uma visão romântica da carreira. Compreendo que ser um diplomata não é viajar pelo mundo a turismo com o dinheiro dos contribuintes, acredito ainda que é mais provável fazer turismo como jornalista. Então, gostaria de saber: como aspirante a diplomata, continuo focado no curso de jornalismo e posteriormente realizo o teste de admissão, ou busco fazer um curso de relações internacionais ou direito? (Tem alguma falha no meu raciocínio? Admito que ainda estou meio perdido nesse meio, apesar de me identificar com a profissão)
Guilherme Junkes,
Você pode ser diplomata com qualquer diploma superior, até de economia doméstica, se existir. Portanto, se você se sente atraído pela profissão de jornalista, faça o curso, sabendo, porém, que os cursos de jornalismo são geralmente medíocres, com professores idem, com as exceções de praxe em algumas faculdades, e que a vida de jornalista é relativamente miserável, sem muitos atrativos turísticos e muita espera e suor em torno de uma boa matéria.
Mas se isso lhe encanta, faça.
Mas saiba que você vai precisar se preparar muito para ser diplomata, o que nenhuma faculdade lhe dará, nem mesmo cursos de RI que em geral também são medíocres. Portanto, se você quiser um conselho, estude por sua própria conta todas as matérias do concurso de ingresso na diplomacia, ao mesmo tempo que voce faz uma faculdade qualquer, a menos ruim possível (mas não confie muito).
Paulo Roberto de Almeida
Sr Paulo,
Atualmente faço o curso de Ciências Sociais (segundo semestre) e tenho predileção por Antropologia, pretendo seguir a área acadêmica (mestrado,doutorado e depois dar aula em universidades), mas também tenho interesse na carreira diplomática.As vezes fico pensando se realmente quero ser diplomata ou só é uma idealização da minha parte, acho incrível poder trabalhar cada período em um país diferente, com culturas distintas, quanto maior o choque cultural, melhor.Enfim, eu estou em desvantagem por não cursar Direito? O conhecimento em francês e espanhol tem que ser perfeito igual ao inglês e português? Vi que o Sr. possui doutorado em Ciências Sociais, então eu pergunto se os meus interesses intelectuais e a carreira diplomática não estariam em desacordo, se a diplomacia não seria mais para quem gosta de Ciência Política.
Desde já, agradeço.
Felipe Vasconcelos,
Eu também fiz Ciências Sociais, e acho os diplomatas uma tribo especialmente bizarra, pronta para ser examinada por algum antropólogo especializado em grupos perdidos na selva.
Mas eu nunca dependi de qualquer curso para me tornar diplomata: estudei por minha própria conta e me tornei diplomata, esse ser nomade que fica vagando entre países e o Brasil a intervalos regulares. Acho bom.
Estude, entre, depois você decide se quer ser diplomata, ou se quer ser apenas um etnólogo de diplomatas.
Paulo Roberto de Almeida
Paulo,
Quero lhe parabenizar e agradecer, não somente por informar sobre a rotina do diplomata brasileiro, mas também pela humildade e atenção em responder os comentários.
Era o tipo de opinião que faltava pra eu me decidir pela carreira.
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