terça-feira, 13 de outubro de 2026

Vision for Liberty Award: prêmios para os três melhores trabalhos - Cato Institute

 Ser libertário pode redundar em prêmios:


Vision for Liberty Award

Dear Dr. de Almeida,

The Cato Institute is launching the Vision for Liberty Award, which will pay $50,000, $25,000, and $12,500 to the three best written cases for individual liberty, limited government, free markets, and peace. Submissions open March 1, 2027, which means you have months, starting now, to think, research, and write your best work before the contest window even opens.
Here's the prompt:

Write an article in support of libertarianism, analyze the world through a libertarian lens, propose an innovative libertarian policy proposal, or pen an article with a distinct libertarian theme.
This contest is your chance to put that reasoning on the page. Make the case well enough, and you are not just writing an article, you are handing the next reader a reason to believe in a freer world, and putting your own name on an idea that could shape how people think about liberty long after you have submitted it.

No policy experience required. No famous name needed. Students, entrepreneurs, Hill staffers, government employees, independent thinkers: if you are a US resident and can write 1,500 words that make a fresh, rigorous case for liberty over power, you are eligible.

Winners may be invited to present their work to Cato scholars or the public, record a podcast with Cato, publish further with the Institute, attend Cato University, and build a lasting relationship with one of the most respected institutions in the fight for freedom.
Three awards, $87,500 total:

The Thomas Jefferson Award: $50,000
The David Boaz Award: $25,000
The Trenchard and Gordon Award: $12,500
Key dates:

Submissions open March 1, 2027, so start shaping your idea today
The deadline is July 4, 2027, at 11:59 p.m. ET
Winners are announced in September 2027
Sign up now, and we will remind you with an email the moment the window opens
Learn More ⟶
For complete contest rules and to submit your article starting March 1, 2027, visit the Vision for Liberty Award page.

Questions? Contact visionforliberty@​cato.​org.

Coordenação-Geral de Patrimônio Histórico do Itamaraty: oportunidade de trabalho

Transcrevo nota que apresenta uma oportunidade de trabalho nas condições descritas abaixo. PRA

Nota de divulgação, dirigida aps servidores efetivos do Poder Executivo federal possivelmente interessados, no processo seletivo para o preenchimento de duas vagas na Coordenação-Geral de Patrimônio Histórico do Itamaraty, área responsável pela preservação e divulgação do acervo histórico, artístico e de representação do MRE (à exceção da coleção no RJ). Inscrições até 30/10, exclusivamente na seção "Currículo e Oportunidades" do SouGov. 
 
As vagas são em Brasília, para servidores de nível superior, que poderão receber GSISTE. As informações completas também estão no módulo  "Currículo e Oportunidades" do SouGov. Abaixo, alguns dados gerais sobre as vagas: 

Atividades Executadas:
I - Administrar a Reserva Técnica da unidade, atuando com a guarda física, acondicionamento técnico, segurança, controle ambiental e organização sistemática dos bens culturais sob gestão da CGPH que não estiverem em uso direto;
II - Executar ações contínuas de conservação preventiva, controle microbiológico e monitoramento das condições físicas de exibição e guarda dos itens do acervo;
III - Colaborar, sob instrução e supervisão profissional, em ações de restauração física e conservação curativa de obras de arte e peças históricas sob guarda do MRE;
IV - Coordenar e executar montagem e desmontagem física de exposições temporárias e de longa duração autorizadas pela Chefia, providenciando suportes expográficos, segurança no transporte e layout expositivo;
V - Documentação e Catalogação sistemática do acervo sob gestão da CGPH, zelando pelo controle informatizado permanente de dados e histórico de cada bem cultural;
VI - Monitorar, registrar e acompanhar a movimentação física dos bens sob tutela da CGPH, atualizando em tempo real a base de dados de catalogação patrimonial gerenciada pela unidade e subsidiando a atualização do inventário patrimonial de bens permanentes da SERE, gerenciado pela Coordenação de Patrimônio, Arquitetura e Engenharia (CPAT);
VII - Planejar e desenvolver pesquisas históricas e documentais sobre as peças do AHAR do MRE, estimulando publicações institucionais, e colaborar com pesquisadores internos e externos que tenham interesse no referido campo de estudo;
VIII. Colaborar com as ações pedagógicas a cargo da unidade, compreendendo visitas mediadas ao Palácio Itamaraty e demais espaços ou acervos com valor patrimonial, oficinas pedagógicas, elaboração de material didático;
IX - Atuar nas equipes de planejamento de compras, licitações, elaboração de Termos de Referência (TR) e especificações técnicas no âmbito de atuação desta área técnica;
X - Exercer a fiscalização técnica de contratos de prestação de serviços continuados de mão-de-obra dedicada contratados no âmbito de atuação dessa área técnica;
XI - Colaborar diretamente em tarefas e demandas gerais de interesse da Coordenação-Geral de Patrimônio Histórico, quando solicitado pela Chefia.
 
São desejáveis:
- conhecimentos e experiência nos campos de atuação acima descritos;
- experiência de gestão e difusão de acervos com a plataforma TAINACAN;
- experiência com desenvolvimento e gestão de páginas eletrônicas em WordPress;
- domínio em ferramentas de diagramação visual, gestão de ecossistema digital e otimização e performance (WPO);
- experiência na administração pública;
- boas qualidades de comunicação, trabalho em equipe, inovação, mentalidade digital
- ética e compromisso profissional.



O que a liderança de Flávio no 1º turno muda para a política externa do Brasil - André Lucena InfoMoney

O que a liderança de Flávio no 1º turno muda para a política externa do Brasil

Especialistas avaliam que resultado do primeiro turno envia sinal a Washington e pode influenciar temas de comércio, segurança e relações internacionais

O primeiro lugar de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial de domingo (4) aproximou o Brasil de uma política externa mais alinhada aos Estados Unidos. Ainda assim, a correlação de forças na América Latina poderá influenciar a disputa eleitoral brasileira nos próximos meses.

Especialistas em relações internacionais ouvidas pelo InfoMoney afirmam que a eleição deste ano, já marcada por temas globais, tende a ser ainda mais impactada por acontecimentos fora do Brasil.

Carolina Pedroso, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisadora do Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos (INEU), avalia que o resultado do primeiro turno já sinaliza aos países vizinhos e à Casa Branca que “não será necessária uma pressão externa muito grande para que haja mudança de governo no Brasil”. O senador terminou o primeiro turno com 47% dos votos válidos, contra 45% de Lula.

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Na avaliação de Denilde Oliveira Holzhacker, professora de Relações Internacionais da ESPM, Washington atua em duas frentes.

“Há um nível que é o do Donald Trump, que tem demonstrado estar acompanhando a eleição no Brasil, e outro que é o do Departamento de Estado, que tem atuado diretamente na relação com o país e até mesmo na disputa narrativa”, afirma.

Brasil no tabuleiro global

O interesse americano na candidatura de Flávio Bolsonaro está relacionado ao alinhamento ideológico entre a plataforma bolsonarista e a agenda política de Donald Trump.

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No entanto, há também um elemento estratégico em jogo. Para Carolina Pedroso, uma eventual vitória do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro poderia levar o Brasil a aderir ao Escudo das Américas, coalizão de segurança lançada por Trump em março.

“Muito provavelmente, o Brasil se alinharia e se integraria a essa nova estrutura de cooperação em segurança, que abre espaço para operações conjuntas com as Forças Armadas dos Estados Unidos e outros países sul-americanos”, afirma.

A adesão direta, porém, pode gerar efeitos na relação do Brasil com a China, principal parceiro comercial do país desde 2009. “Como ele [Flávio Bolsonaro] vai equilibrar essa postura de alinhamento com os Estados Unidos diante das pressões que podem vir do próprio Trump para que o Brasil reduza seus laços com a economia chinesa?”, questiona Holzacker.

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O governo Bolsonaro foi marcado por momentos de tensão diplomática com Pequim, embora a solidez da relação econômica e estratégica entre os dois países tenha limitado os impactos dessas divergências.

Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, foi sucinto ao comentar os resultados do primeiro turno no domingo (4), afirmando que já era esperado que a disputa fosse decidida apenas no segundo turno. Uma eventual vitória, seja de Lula ou de Flávio, poderá ter efeitos sobre as tarifas atualmente impostas a produtos brasileiros.

Holzhacker não prevê uma redução automática dessas tarifas, mas acredita que as negociações poderiam ser mais fluidas em um governo liderado por Flávio. “Marco Rubio, que hoje é um grande opositor do governo Lula, teria uma relação mais fluida com o próprio Flávio”, afirma.

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Já uma reeleição de Lula manteria a relação marcada por atritos, na avaliação de Pedroso. O petista tem feito da defesa da soberania nacional um dos principais eixos de sua campanha. “Ficaria ainda mais desafiador para Lula manter essa postura e até mesmo esse discurso de defesa da soberania, porque ele teria menos margem para negociar”, diz a pesquisadora.

Diante desse cenário, tanto a campanha petista quanto o governo brasileiro, no plano institucional, têm buscado ampliar apoios internacionais para reduzir a dependência em relação aos Estados Unidos. “No caso de Lula, existem limites. Por isso, a estratégia tem sido diversificar os apoios para depender menos do governo americano”, avalia Holzacker.

Pauta internacional?

Desde o ano passado, o debate público passou a discutir se temas de política externa entrariam de forma mais decisiva na disputa presidencial de 2026.

Para Pedroso, a pauta da soberania nacional favoreceu Lula em meados de 2025, após o tarifaço, mas perdeu força até a votação. “Política externa nem sempre define voto. Aliás, quase nunca define voto”, afirma.

Holzhacker, por sua vez, avalia que o resultado deste domingo mostrou que o eleitorado brasileiro foi mobilizado principalmente por questões econômicas e domésticas.

“O eleitor olhou para outras questões, principalmente a econômica, o endividamento das famílias, o embate e a posição contra o STF. Isso pesou muito mais do que a questão da política externa”, conclui.

 

 

Como o Brasil virou centro de uma disputa global - DeutscheWelle, interpretado por Madame IA

 Leia toda a transcrição do vídeo do link https://www.youtube.com/watch?v=_p1xaFjHznA 

"Como o Brasil virou centro de uma disputa global") e, depois, apresente um texto discursivo (somente frases e parágrafos) com, no mínimo, 3300 caracteres; o texto deverá usar linguagem acessível e didática, e deverá relatar todo o conteúdo do vídeo de modo detalhado e crítico.

O vídeo da DW Brasil apresenta uma análise profunda e multifacetada sobre a posição estratégica do Brasil no cenário geopolítico global contemporâneo, marcado por uma disputa intensa entre potências como os Estados Unidos, a China e a União Europeia. O país é retratado não apenas como um mero espectador, mas como um ator relevante que detém recursos cruciais para a economia do futuro, incluindo minerais críticos, terras raras, biodiversidade e uma matriz energética diversificada. Esse conjunto de ativos coloca o Brasil no centro de atenções internacionais, tornando o resultado de suas eleições presidenciais um evento de impacto que transcende as fronteiras nacionais.
Um dos pontos centrais da discussão (1:15 - 2:06) é a interferência externa nas escolhas políticas brasileiras, exemplificada pela pressão vinda do governo americano sob a gestão de Donald Trump. O interesse de Washington vai além de uma convergência ideológica; trata-se de buscar um aliado estratégico no Sul Global para equilibrar a balança de poder frente à influência crescente da China, que hoje ocupa o posto de principal parceiro comercial brasileiro. Essa dinâmica cria o que especialistas chamam de "país pêndulo", uma nação que, embora tente manter sua autonomia diplomática histórica, vê-se pressionada a tomar decisões que podem alterar o curso de suas relações internacionais (3:19 - 4:48).
O debate sobre minerais críticos e terras raras ilustra bem esse dilema (2:07 - 3:04). Embora o Brasil possua reservas vastas, o domínio tecnológico do processamento desses materiais está concentrado em Pequim. A questão para o Brasil, portanto, transcende a simples extração e exportação; exige uma política industrial sofisticada que permita agregar valor e utilizar esses recursos em tecnologias avançadas. O vídeo aponta que, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto, a necessidade de definir um modelo de desenvolvimento para esses recursos será um desafio incontornável.
Outro pilar abordado é a crise do multilateralismo e o papel da diplomacia brasileira (5:02 - 5:51). Historicamente, a tradição brasileira de autonomia e negociação multilateral enfrenta um teste de estresse em um mundo cada vez mais fragmentado e competitivo. A liderança, como observado, não é algo que se declara, mas algo que se exerce na prática e se reconhece no fórum internacional. A União Europeia, por sua vez, vê no Brasil um parceiro estratégico para pautas fundamentais como a transição energética e a agenda climática, especialmente em um contexto onde o protagonismo americano e chinês pressiona o espaço relativo do bloco europeu (5:52 - 6:29).
Finalmente, o aspecto simbólico da democracia brasileira é destacado como um termômetro global (6:30 - 7:05). Após os eventos de janeiro de 2022 e a polarização intensa vivida no país, o Brasil tornou-se um indicador de como democracias lidam com o populismo, ataques às instituições e a desinformação. O comportamento do governo perante pressões externas, notadamente as do governo americano, contrastou em diversos momentos com a postura de outros aliados globais, reafirmando a complexidade do alinhamento externo brasileiro.
Em suma, o vídeo oferece uma visão crítica e didática sobre a interdependência entre os destinos políticos de uma grande nação em desenvolvimento e os interesses das superpotências globais. A campanha eleitoral brasileira não é apenas uma disputa interna de poder, mas o palco de uma definição estratégica que ditará o grau de soberania e o papel do Brasil na nova ordem econômica e climática mundial. É uma reflexão necessária para entender que a política externa e interna são, na verdade, duas faces da mesma moeda, onde a capacidade de manobra e a clareza institucional são os ativos mais valiosos para garantir a relevância brasileira nas próximas décadas.

*Fonte: Gemini (obs.: IA acionada na barra/guia lateral do próprio vídeo no YT).

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Economia e democracia podem sobreviver; mas e a soberania? - Paulo Roberto de Almeida

Economia e democracia podem sobreviver; mas e a soberania?

  

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Sobre uma escolha decisiva em 2026 para preservar a dignidade nacional em 2027

 

O Brasil assistiu a um recrudescimento da polarização política no período recente, até se defrontar, no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, com um resultado preliminar que surpreendeu, nos dois lados, os militantes engajados e os observadores interessados (como são os jornalistas). O eleitorado caminha agora para a encruzilhada do segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro, quando, aparentemente, estaremos em face de dois projetos de governo nas antípodas das principais políticas públicas e setoriais em 2027-2030. Dúvidas persistem a esse respeito, mas vou me deter em um aspecto que me interessa pessoalmente, como diplomata, além e acima da questão democrática e a da economia.

Analisando de maneira objetiva, o cenário que pode se abrir em 2027 cabe, contudo, constatar que nem a economia, nem a política parecem perto de sofrer mudanças radicais. A economia porque, a despeito da inquietação de economistas e empresários com a questão fiscal e a do endividamento, e a ainda mais natural preocupação dos eleitores comuns com problemas econômicos mais prosaicos, os do dia a dia em feiras e supermercados, apresenta constrangimentos suficientes, nos terrenos macro e setoriais, para que um presidente, de esquerda ou de direita, tenha forçosamente de encontrar respostas credíveis aos desafios já colocados no plano da dívida pública em expansão, da persistência de uma inflação acima dos indicadores de referência, de um endividamento excessivo de núcleos familiares.

No terreno político, por sua vez, não parece existir nenhum risco maior à democracia – como se temeu no decurso do mandato anterior, sob Jair Bolsonaro –, mas o aumento da representação da direita e da extrema-direita no âmbito legislativo vai provavelmente levar à possível cassação de um ou outro ministro da Suprema Corte, dado seu envolvimento direto na política partidária e em acusações de corrupção nas altas esferas do Judiciário. Também no terreno da política, torna-se altamente provável o reforço de medidas vinculadas à segurança pública, o aumento de medidas punitivas dada a expansão disseminada da criminalidade organizada, assim como, no campo das políticas sociais, uma propensão mais para negativa à continuidade de políticas assistencialistas implementadas desde o início do milênio.

Existem, porém, preocupações latentes com uma mudança radical, dependendo da escolha em 25 de outubro, num campo extremamente relevante para a nação, mais exatamente para a sua reputação internacional e para credibilidade externa de sua diplomacia. Essa mudança tem a ver com a postura do Brasil na definição de algumas orientações básicas no tocante à política externa e à manutenção da plena soberania na escolha de alianças externas, tanto no campo do multilateralismo, das interações regionais e no tocante a certas relações bilaterais num contexto de fragmentação crescente do sistema internacional.

Soberania nacional é um termo um pouco difuso e quase abstrato para a maioria da população, mas o seu exercício e efetivação implicam pleno controle, pelo Estado e pelo seu governo, de todos os processos decisórios atinentes à determinação das principais políticas públicas, ou de todas elas, sejam as domésticas, sejam aquelas voltadas para posicionamentos externos, em todos os planos: relacionamentos bilaterais, interação em nível regional, e no âmbito multilateral, ou internacional (nos organismos internacionais de que o Brasil é membro, ou de outros órgãos dos quais ele faça parte).

Sinteticamente, é a capacidade que o Estado possui de decidir de forma autônoma, pelos seus poderes constituídos, pelas suas instituições governativas, sobre todas as políticas, escolhas orientações na condução interna e externa dos seus negócios, sem ter de prestar contas ou de responder a quaisquer pressões externas, legítimas ou ilegítimas, sobre suas decisões próprias. A soberania não precisa sequer ser proclamada ou anunciada, ela se exerce, simplesmente, com base na força do Direito – a Constituição e os tratados internacionais dos quais o país é parte ou signatário – ou com base no direito da força, ou seja, a defesa nacional, em todas as suas formas.

A soberania se exerce em primeiro lugar em todo o território nacional, e sabemos que o Estado nacional e os governos estaduais não detêm o controle efetivo sobre certas partes dos territórios em causa, o que pode criar alguma alegação de necessidade de intervenção externa ou internacional, o que de fato existe para alguns Estados falidos, vários na África, por exemplo, no caso da Jihad islâmica, ou aqui no hemisfério americano, no Haiti, com gangues criminosas detendo o controle de partes do território dessa ilha dividida com a República Dominicana. Recentemente, o governo expansionista e interventor dos Estados Unidos sob Trump, sob pressão de influenciadores brasileiros expatriados, julgarem dever decretar que dois grupos criminosos atuando no Brasil são, de fato, organizações terroristas, o que lhes daria o direito, unilateralmente, de intervir nos assuntos internos do Brasil, mediante a aplicação extraterritorial de sua legislação interna, aliás já exercida de forma ilegal no caso de supostos traficantes de drogas no mar do Caribe ou no Oceano Pacífico.

Se trata, nesse caso, de mais um sintoma da desagregação da ordem internacional por um dos Estados construtores dessa ordem, nos estertores da Segunda Guerra Mondial, o mais destruidor de todos os conflitos globais, de uma violação do Direito Internacional e da Carta da ONU, aliás precedida por violações ainda mais contundentes por parte de um verdadeiro êmulo dos czares absolutos e dos autocratas soviéticos, na tentativa de reconstruir o império que tinha existido por alguns séculos até quase o final do século XX. Movimentos e grupos nacionalistas costumam ser conservadores, ou de extrema direita, mas regimes autocráticos se distribuem pelos dois extremos do leque político-ideológico conhecido desde o século XIX.

A soberania de potências médias, ou de Estados menores, pode ser ameaçada pela ação de grandes potências, de forma direta ou indireta, por ações agressivas ou por ameaças veladas, quando não pela sabotagem e pela intervenção armada direta, como golpes de Estado, invasões armadas, pressão econômica e uma combinação de todas essas ações. O Brasil só conheceu uma ameaça direta à sua soberania, no caso da guerra dita do Paraguai, um século e meio atrás. Depois teve embarcações afundadas no primeiro e no segundo conflitos europeus, o que motivou a cessação de nossa neutralidade, o rompimento de relações com as potências agressoras – nos dois casos a Alemanha, o Império e o Reich e nossa entrada nessas guerras que já tinham se tornado mundiais.

As intervenções não explícitas em nossa soberania foram mais numerosas, como sempre por iniciativa de grandes impérios expansionistas, no entre guerras, por parte da Alemanha e da Itália fascistas, e antes e depois desse período, por parte dos Estados Unidos, já convertidos em grande potência mundial, neste caso de forma mais sutil. Uma intervenção direta em nossos processos eleitorais ocorreu pela primeira vez, de forma documentada, nas eleições estaduais de 1962, quando dinheiro americano e material da CIA, a agência de inteligência americana foram repassados a candidatos e partidos de oposição ao governo parlamentarista de João Goulart. O golpe de 1964 contou, obviamente, com todo o apoio do governo americano, de forma mais preventiva do que por alguma ação direta.

Durante o regime militar, alguma coordenação existiu, quando não coordenação e troca de informações ou treinamento, entre a ditadura brasileira e órgãos de inteligência e de sabotagem dos EUA, contra governos “esquerdistas” latino-americanos, mais concretamente no caso da Bolívia, do Uruguai e, de forma ainda mais direta, contra o governo socialista de Salvador Allende, no Chile, em 1973. As ditaduras militares cooperaram amplamente entre si, com respaldo americano, na repressão aos movimentos esquerdistas e guerrilheiros. Tudo isso constituiu formas de intervenção nos assuntos internos de diferentes países, entre eles o próprio Brasil. Mais recentemente, o governo americano de Joe Biden pode ter atuado de forma menos direta, pelo envio de altos representantes – secretário da Defesa, conselheiro de segurança nacional e chefe da CIA – entre 2021 e 2022, para eventualmente dissuador os comandantes das Forças Armadas, e o próprio presidente Jair Bolsonaro, de empreenderem qualquer aventura golpista antes, durante ou após as eleições, o que finalmente acabou se concretizando, nos moldes do ataque ao Capitólio de janeiro de 2021 contra o próprio Biden.

O ataque mais dramático – talvez consentido –, ainda que apenas hipotético pelo momento, contra a soberania do Brasil, ocorreria num eventual governo de direita, no caso, o do próprio Flávio Bolsonaro, se em janeiro de 2027 se concretizasse, como já anunciado formalmente pelo próprio, a adesão do Brasil ao chamado “Escudo das Américas”, o plano de subordinação imperial e de tutelagem direta de governos latino-americanos modelado pela nova doutrina de segurança nacional instituída pela administração Trump em 2025. Exemplos desse tipo de submissão ao imperador hemisférico já tinham ocorrido durante dois anos de simultaneidade nos governos de Trump 1 (2017-2020) e de Jair Bolsonaro (2019-2022), quando logo ao início do governo deste último, ou ainda antes da inauguração, o dirigente brasileiro prestou toda a vassalagem vergonhosa à pessoa e às políticas do parceiro dos EUA, inclusive mediante um desonroso “I love you Trump”, durante a AGNU de 2019 em NY.

Caso alguma similaridade com 2018 se produza novamente no Brasil, estaríamos em face de um dos mais graves atentados à soberania do Brasil jamais vistos em toda a nossa história, uma vez que “nunca antes” – como aliás se tentou entre 2019 e 2020 – ocorreu essa possibilidade de uma submissão voluntária e gratuita. Cabe, com efeito, não esquecer que, no próprio dia da posse de Jair Bolsonaro, em 1º de janeiro de 2019, o chanceler acidental escolhido pela tropa bolsonarista, um inexpressivo júnior da carreira diplomática, concordou imediatamente com a instalação de bases militares americanas em território brasileiro, tendo sido imediatamente desmentido de forma humilhante pelos generais do governo Bolsonaro. Mas, outros gestos de adesão gratuita do governo brasileiro a ações do governo Trump foram por diversas vezes evidenciados em votações em órgãos da ONU ou por meio de canhestras notas emitidas pelo Itamaraty (ou pelo governo, em nome da chancelaria).

O Itamaraty, oficialmente ou não, possui diversos registros desse tipo de vassalagem que representam, de fato, quebra da soberania brasileira durante o governo de Jair Bolsonaro, e que podem voltar a ocorrer no caso de um possível governo do filho 01, como antecipado, aliás, pelo próprio com respeito a adesão do Brasil ao “Escudo das Américas”, um programa teoricamente elaborado para contrarrestar a influência chinesa na região, mas que redunda, de forma objetiva, na tutela direta e indireta de governos participantes pelos interesses políticos, econômicos e militares da grande potência hemisférica e mundial, sob a ordens, no momento, de um dirigente arrogante, unilateral e demencial. Pressões geopolíticas já vêm sendo exercidas desde Trump 1, renovadas sob Trump 2, com o recrudescimento por vezes violento de ações diretas e o uso de toda sorte de pressões indiretas para obter a aquiescência de governos da região (e até fora dela, como são inúmeros os exemplos).

Concluindo, venho à questão de como defender a soberania brasileira? Talvez se deva agora afirmar, de maneira explícita, que a comunidade nacional, todos os brasileiros, as suas elites políticas e econômicas, os seus servidores do Estado, em especial os militares e os diplomatas, repudiam de maneira clara e peremptória, toda e qualquer adesão às prescrições políticas e diplomáticas de qualquer governo estrangeiro, e que pretendem preservar com todas as forças nossa autonomia decisória sobre todas e quaisquer políticas de Estado e de governo, e que já denunciam preventivamente qualquer intenção de vincular nossa política externa e as demais políticas domésticas a qualquer potência estrangeira eventualmente atraída por nosso atual processo eleitor. Soberania não se proclama; se exerce, simplesmente, mas, no contexto atual, cabe e se deve fazer uma declaração clara e explícita nesse sentido.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5490: 12 outubro 2026, 5 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/economia-e-democracia-podem-sobreviver.html )


Uma análise realista de Thomas Traumann

 Uma análise realista de Thomas Traumann:


“Flávio Bolsonaro saiu na frente no primeiro turno e já começou a preparar o seu governo como se o pleito de 25 de outubro fosse uma formalidade. As intrigas nas disputas pelos cargos do eventual novo governo tomam conta de Brasília.

Nesta newsletter, mostro que as condições dadas para um eventual governo Flávio Bolsonaro são muito superiores às de seu pai, desde o fato de que os erros do governo do pai estão sendo perdoados pelo eleitor, a formação da maior bancada do século e a fragilidade do PT para arranjar um sucessor para Lula. Com tanto poder, Flávio Bolsonaro anunciou que a prioridade será livrar o pai da condenação,

reduzir o poder do STF e ampliar o seu mandato para cinco ou seis anos.

A chance de uma virada de Lula está no Senado. Na quarta-feira, o plenário deve votar o fim da escala 6x1, uma proposta popular e que tem oposição dos bolsonaristas. A aprovação pode dar o fôlego para o presidente encostar nas pesquisas.

Boa leitura!

TT

Nesta edição:

1. Se vencer, Flávio chegará ao Planalto mais forte do que o pai

2. O ‘já ganhou’ do bolsonarismo

3. A aposta de Lula no fim da escala 6x1

4. O peso de Janja

5. Crítica ‘O Brasil da maioria’

6. Crítica ‘Política Sintética’

7. Fique atento


1. Se vencer, Flávio chegará ao Planalto mais forte do que o pai

Caso confirme o favoritismo no segundo turno, FlávioBolsonaro chegará ao Palácio do Planalto com mais força do que o seu pai, Jair, em 2019 e com o ambiente político mais amansado desde a vitória de Fernando Henrique Cardoso na euforia do Plano Real em 1994.

Compare as circunstâncias em que Flávio Bolsonaro pode chegar ao poder se vencer o segundo turno:

1. Legitimidade das urnas

A possível vitória de Flávio depois da derrota de Jair Bolsonaro em 2022, seu julgamento e condenação por tentativa de golpe de Estado, dará à família uma legitimidade popular similar à de Donald Trump no seu segundo governo. Ao contrário da imprevisibilidade e improvisação de 2018, os eleitores de Flávio Bolsonaro em 2026 sabem o que estão comprando. Ninguém poderá se dizer surpreendido.

2. Base no Congresso

Com 28 senadores e 121 deputados, o PL é o maior partido do Congresso neste século. Somados aos bolsonaristas do PP (6 senadores e 41 deputados), União Brasil (6 e 46), Republicanos (5 e 41), Podemos (2 e 9) e Novo (3 e 7), além da maioria do MDB (8 senadores e 36 deputados), um governo Bolsonaro poderá eleger os presidentes das duas Casas, aprovar projetos e, dependendo do tema, mudar a Constituição. Jair Bolsonaro nunca teve uma situação tão confortável.

O fato de os partidos do Centrão não terem apoiado Bolsonaro desde o início vai diminuir seu espaço no eventual governo. Ao contrário do que aconteceu no governo de Jair Bolsonaro, agora é o PL que vai delimitar o poder do Centrão na disputa por cargos.

3. Fragilidade do STF

Base da resistência a Jair Bolsonaro, o STF será a grande vítima da volta da família ao poder. Se Alexandre de Moraes não renunciar, sofrerá impeachment pelo novo Senado.

O projeto de reforma judicial vai propor transferir a competência criminal do STF para os Tribunais Regionais Federais e para o Superior Tribunal de Justiça, transformando a Corte num órgão constitucional. A mudança retira do STF quase todos os inquéritos envolvendo políticos, inclusive as investigações sobre desvios de verbas das emendas parlamentares, hoje nas mãos do ministro Flávio Dino.

4. Lua de mel do mercado

Por mais genéricas que sejam as promessas de reforma da equipe econômica, os investidores acreditam num pote de ouro ao fim do arco-íris.

Em apenas um dia, na segunda-feira (5), os investidores estrangeiros ingressaram com US$ 10 bilhões na Bolsa de Valores. De acordo com analistas, o efeito imediato de uma vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno será uma alta contínua na Bolsa, desvalorização do dólar e uma baixa nos juros futuros.

Se os projetos do eventual governo Bolsonaro 2 forem frágeis como aparentam ser, a euforia pode ser apenas uma bolha. Mas o otimismo do mercado assegura ao eventual novo governo uma lua de mel de mais de três meses.

5. A oposição sem rumo

Em 2018, mesmo depois do impeachment de Dilma Rousseff, a operação Lava-Jato e a prisão de Lula, a esquerda tinha um norte: a volta de Lula. Mas, se o bolsonarismo vencer no final do mês, a esquerda ficará sem perspectiva de poder. Lula está velho demais e não preparou sua sucessão. A esquerda terá que construir um novo candidato a partir da derrota.

O lulismo tem menos de 120 deputados e 20 senadores, insuficientes até para bancar uma CPI.

No caso de derrota, sem um candidato natural e com as previsíveis divisões, a esquerda estará frágil para resistir a um governo que começará forte.

A questão, portanto, é: o que Flávio Bolsonaro pretende fazer com circunstâncias tão favoráveis? Com maioria para comandar Senado e Câmara, ele elencou ao longo da campanha as seguintes prioridades:

Libertar seu pai e anular o julgamento do golpe de Estado;

Anular a condenação ao irmão Eduardo;

Reformar o Judiciário, reduzindo o poder do STF;

Reduzir a maioridade penal para 16 anos e, em alguns casos, 14 anos;

Adiar a implantação da Reforma Tributária, prevista para entrar em vigor em janeiro;

Flexibilizar o licenciamento ambiental e diminuir os poderes do Ibama;

Ampliar o próprio mandato para cinco ou seis anos, cancelando as eleições de 2030.

Jair Bolsonaro chegou ao Planalto repartindo poderes com seu mentor econômico, Paulo Guedes, uma dúzia de generais reformados e sob desconfiança do establishment político. Ao longo do mandato, ele enquadrou os militares, entrou em acordo com o Centrão e encolheu a agenda Guedes.

Flávio Bolsonaro chega a outubro de 2026 comendo um saco de sal com um grupo mínimo de pessoas fiéis: o pai, o irmão Eduardo, o coordenador de campanha Rogério Marinho, a porta-voz de economia Daniella Marques, o marqueteiro Duda Lima e o jornalista Fábio Portella — os únicos que estiveram com ele nos momentos difíceis. Ele não deve nada ao mercado financeiro e ao empresariado, que duvidaram de suas chances, e ao Centrão, que o abandonou e agora corre para agradá-lo.

Com poucas dívidas e com condições objetivas de poder mudar a Constituição, Flávio Bolsonaro tem sido evasivo sobre reformas econômicas. A sua agenda econômica segue uma parolagem de “cortar desperdícios”, reduzir o número de ministérios e vender ativos da União — medidas que não fazem cócegas no crescimento da dívida pública.

Com quase 40 senadores eleitos apenas com a promessa de impichar o ministro do STF Alexandre de Moraes, o Senado não terá tempo nem disposição para debater outra pauta no primeiro semestre do ano que vem. O encolhimento dos poderes do Supremo é a prioridade zero da volta do bolsonarismo. 

A economia a gente vê depois.

 

Uma nova vergonha à espreita? - Paulo Roberto de Almeida

Uma nova vergonha à espreita?

Paulo Roberto de Almeida

Uma coisa que me envergonhou profundamente e da qual, como diplomata, jamais esquecerei, foi que, no dia 1o de janeiro de 2019, posse de Jair Bolsonaro na Presidência da República, depois de seu discurso (lamentável), o representante do presidente Trump 1, o Secretário de Estado Mike Pompeo sugeriu ao patético chanceler acidental a instalação de bases militares americanas no Brasil. O fanático olavista aceitou imediatamente, mas os ministros militares presentes ao evento de pronto rechaçaram liminarmente a indecorosa proposta aceita pelo submisso chanceler.

Em janeiro de 2027, se por alguma desgraça o Bolsonarinho miliciano for empossado, ele proclamará, de moto próprio, sem qualquer solicitação de Trump 2, a adesão do Brasil ao projeto imperial do “Escudo das Américas”, colocando o Brasil  a serviço do “imperador hemisférico”, de modo totalmente voluntário e submisso.

Poderá ser uma nova vergonha para a nação, para mim como diplomata em especial.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 12/10/2026


O fantasma da cleptocracia - Simon Schwartzman (Estadão)

 O fantasma da Cleptocracia

Simon Schwartzman

O Estado de S. Paulo, 9/10/2026


Dois resultados do primeiro turno me impressionaram mais: o mapa político do país, que separa com nitidez o Nordeste mais pobre e lulista do Centro-Sul mais rico e bolsonarista, e a vitória esmagadora de Cleitinho para governador de Minas Gerais. O primeiro mostra o esgotamento do sistema político criado por Lula e o PT, baseado na distribuição de benefícios e cooptação de elites políticas tradicionais, que perdeu sentido para a parte mais dinâmica do país. O segundo confirma o que se diz de Minas, que o Estado aponta para onde o Brasil vai: o esvaziamento tanto do PT quanto da oposição conservadora, e a eleição de um governador que aparentemente nada sabe e nada diz.

Partidos e candidatos se apresentam com discursos de direita e esquerda que mobilizam suas militâncias. Ideologias mais conservadoras e autocráticas têm hoje mais força do que as mais liberais e progressisas. Mas interpretar as eleições nesses termos é não entender bem o que está acontecendo. Lula, ao lançar a campanha do segundo turno, prometeu dobrar a aposta no que imagina serem os grandes sucessos de seu governo, como educação, ciência e tecnologia e a velha política industrial, áreas em que o que mais se observa é o contraste entre os discursos, os custos crescentes e a pobreza de resultados. A imprensa mal notou. Flávio se limitou a anunciar o fim da era do PT e a promessa de um STF a seu gosto, sem dizer como seu governo seria diferente da experiência desastrada dos anos de seu pai.

Estamos no fim de uma era, sem saber como será a próxima. Ganhe quem ganhe o segundo turno, o melhor cenário seria um governo com capacidade e condições de enfrentar os desafios do futuro. O pior cenário é que o novo governo continue a remoer os cacoetes e ressentimentos do passado. Nesse caso, corremos o risco de descer ladeira abaixo, pelos desequilíbrios crescentes dos gastos públicos, a esclerose do Judiciário, o envelhecimento da população e a deterioração do meio ambiente. Sabemos hoje, mais do que antes, como desenvolver políticas competentes para a violência, a saúde, a educação, a pobreza, e o funcionamento das cidades, mas todas dependem de condições políticas e institucionais que não sabemos se teremos.

Uma dessas condições é conter a corrupção antes que ela se transforme em cleptocracia. As pesquisas de opinião durante a companha eleitoral diziam que a corrupção era a maior preocupação dos eleitores, Mas o escândalo do Banco Master, em seu ecumenismo, fez com que os candidatos só falassem dela como arma contra o adversário. No Brasil, parece, só é corrupto quando quem rouba é o outro.

Mas, com quanta corrupção podemos conviver, e quando ela se torna intolerável? Se as leis favorecem os mais ricos ou nossos adversários, não seria justo envergá-las a nosso favor?

Émile Durkheim, um dos fundadores da sociologia, ajuda a pensar essa questão com sua distinção entre o normal e o patológico na vida social. Para ele, o crime é normal, existe em todas as sociedades, e cumpre a função de criar seus anticorpos. Quando o criminoso é julgado e punido, a sociedade se robustece, fortalecendo as regras violadas. Patológico não é o crime, mas a situação em que essa reação deixa de funcionar. Com a corrupção é parecido. Ela existe em todos os países, e é ilusão supor que possa ser eliminada. A corrupção “normal” é a que continua sendo tratada como desvio: o corrupto precisa se esconder, a imprensa denuncia, a polícia investiga, os tribunais julgam, e de vez em quando alguém importante vai para a cadeia. Os escândalos não são sinais de doença, mas de que o organismo reage.

A cleptocracia começa quando a corrupção deixa de ser desvio e passa a ser o modo de funcionamento da política. A diferença não é de quantidade, mas de natureza. Os órgãos de controle são capturados por quem deveriam controlar, a sociedade fica sem ter a quem recorrer. No limite, o Estado se torna propriedade pessoal dos governantes e de seus aliados, que o administram em causa própria. A própria ideia de corrupção perde então o sentido, substituída por uma versão depravada de patrimonialismo, em que não há distinção entre o público e o privado.

Quando as instituições funcionam, a questão fiscal, a pobreza, a segurança e a educação podem ser tratadas como problemas de interesse de todos, cuja solução depende de negociar perdas e ganhos entre os diferentes setores da sociedade. Quando se transformam em balcões de negócios, a política se reduz a uma disputa de soma zero, perde - ganha, pela partilha dos recursos do Estado, e ninguém mais acredita no interesse público nem se preocupa com o bem comum.

Por isso, mais do que as ideologias ou promessas de campanha, o grande desafio dos próximos anos será restaurar as instituições que garantem a legitimidade do sistema político: um Congresso que não se aproprie dos recursos públicos em benefício de seus membros, um Judiciário sujeito às regras que aplica, órgãos de controle protegidos da captura política, a autonomia de instituições técnicas como o Banco Central e o IBGE, e uma polícia e Ministério Público que investiguem sem escolher alvos.

O caso Master ainda provoca indignação, e isso é um bom sinal: a sociedade reage. O pior será se, à força de ver investigações paralisadas e culpados protegidos, ela deixe de reagir, e a cleptocracia se instale de vez.

 

Stalin era um intelectual! Geoffrey Roberts, Stalin’s Library

Stalin era um intelectual! Desculpem a afirmação, mas é o que se pode deduzir do livro de Geoffrey Roberts: Stalin’s Library, The Dictator and his books, que estou  lendo na versão impressa na edição brasileira, e na edição original no Kindle (sempre prefiro os originais, nas línguas conhecidas). 

A imagem de um bruto assassino, que detestava intelectuais como Trotsky, é totalmente errada. Stalin tinha uma biblioteca de mais de 20 mil volumes, depois dispersa por Kruschev após a sua morte. Geoffrey Roberts examinou crntenas de livros anotados por Stalin. Depois de Marx, Engels e Lênin, quem mais ele leu e anotou foi TROTSKY, quem ele perseguiu e fez assassinar em 1940. 

Stalin lia de tudo. Recomendo este livro de um grande historiador da União Soviética, uma espécie de biografia intelectual do maior tirano assassino da história do mundo, só perdendo, talvez para Gengis Khan (deliberadamente) e para Mao Tsetung (indiretamente). 

Nota final: paguei R$ 99,00 na livraria, mas poderia ter pago apenas $65 na Amazon: que raiva. Nunca comprem direto nas livrarias: sempre tem mais barato na Amazon.

Paulo Roberto de Almeida

12/10/2026

domingo, 11 de outubro de 2026

Livro a ser publicado: Brasil Pós-JK: 50 anos de legado - Moises Mota (org.)

 Um livro do qual participei e cuja publicação aguardo:

Brasil Pós-JK: 50 anos de legado

Organizador: Moises Mota da Silva (III vice-presidente do IHG-MG)

Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais


Sumário

Brasil Pós-JK: 50 anos de legado — Ecos do desenvolvimento no Brasil contemporâneo reúne nove textos de dez autores, organizados em cinco eixos, que vão da formação mineira de Juscelino Kubitschek ao Brasil de 2076. Os resumos a seguir apresentam, para cada capítulo, o autor, o tema, o argumento central e o que o texto traz de singular.

 

Eixo I — O Homem e o Berço (A Raiz Mineira)

Juscelino Kubitschek no Clube da Esquina: encontro em Diamantina

Bruno Viveiros Martins

O capítulo parte de uma fotografia de Juvenal Pereira, feita em julho de 1971 em Diamantina. Por acaso, uma equipe da revista O Cruzeiro que acompanhava Milton Nascimento, Fernando Brant, Márcio Borges e Lô Borges cruzou com o ex-presidente, que gravava uma entrevista para a Manchete. Diante de JK, os músicos cantaram "Travessia" e "Beco do Mota". A partir das memórias de Márcio Borges e das crônicas de Fernando Brant, o autor lê o encontro como o diálogo entre duas gerações comprometidas com a liberdade e a cultura democrática. A canção "Beco do Mota", lançada logo após o AI-5, serve de chave para revelar a Diamantina ambígua que formou JK: a cidade que reza de dia e faz serestas de madrugada, entre o esplendor do ouro e a exploração colonial. O texto reconstitui também a perseguição sofrida por Juscelino depois de 1964: a cassação, os inquéritos policiais militares, o exílio, a Frente Ampla com Carlos Lacerda e João Goulart e a prisão no dia do AI-5. Nesse contexto, o encontro de 1971 aparece como um sopro de esperança nos anos de chumbo.

O autor conclui que a memória de JK "está impregnada de democracia": respeito às instituições, diálogo entre contrários e confiança no futuro do país.

 

Eixo II — A Sinfonia do Desenvolvimento

A economia política do desenvolvimento brasileiro sob JK

Paulo Roberto de Almeida

O capítulo situa o governo JK no cenário da economia mundial do pós-guerra, marcado pela reconstrução europeia e japonesa, pela Guerra Fria e pelas instituições de Bretton Woods. O Brasil de meados dos anos 1950 ainda dependia do café e do açúcar, que respondiam por mais de 60% das exportações, e sofria com termos de troca instáveis. 1O autor apresenta o Plano de Metas, elaborado sob Lucas Lopes e Roberto Campos no âmbito do BNDE, como "um dos maiores e mais bem elaborados programas de desenvolvimento" da história econômica do país. Mostra a distribuição dos investimentos entre energia, transportes, alimentação, indústrias de base e educação, o papel da Instrução 113 da Sumoc na atração da indústria automobilística e a criação da SUDENE, sob Celso Furtado.

O texto não esconde os custos: a inflação alimentada por emissões sem contrapartida fiscal e as finanças externas, "calcanhar de Aquiles" do desenvolvimentismo. Na política externa, aponta JK como precursor da Política Externa Independente: a diplomacia presidencial, antes mesmo da posse, e a Operação Pan-Americana, que resultou na criação do Banco Interamericano de Desenvolvimento. O autor conclui por um desenvolvimentismo "exitoso ainda que controverso", que reduziu a dependência de insumos importados.

 

A sinfonia do desenvolvimento: economia, indústria, Plano de Metas e os impactos do desenvolvimentismo

Carlos Alberto Teixeira de Oliveira

O capítulo contrapõe a política de desenvolvimento do período JK à adotada pelos governos do século XXI. A partir das palavras do próprio Juscelino, o autor sustenta que desenvolvimento exige uma "nova mentalidade" e que a estabilidade não precede o desenvolvimento, mas deve ser construída dentro dele. Critica a primazia absoluta das políticas de estabilização e os juros reais elevados das últimas décadas.

Com séries do IPEA, do IBGE e da FGV, o texto mostra que o PIB cresceu 47,5% no acumulado do governo JK, com média de 8,1% ao ano, contra 4,3% da média mundial. A indústria acumulou alta de 61%, os serviços de 37,5% e a agricultura de 20,3%, e o PIB per capita cresceu 5% ao ano, mesmo com a população crescendo acima de 3% ao ano.

O autor detalha o funcionamento do Plano de Metas e do Conselho de Desenvolvimento, com depoimentos de João Pinheiro Neto, Celso Lafer, Carlos Lessa e Nelson Mello e Souza. Destaca Brasília como "meta-síntese" e, com Paulo Haddad, o impacto da nova capital no Centro-Oeste, cuja economia cresceu mais de 11% ao ano entre 1959 e 1980. Conclui que a integração territorial e a produção de grãos no Cerrado estão entre os maiores legados de JK, e que o crescimento vigoroso e contínuo deve voltar a ser a meta número um do país.

 

Eixo III — A Interiorização e a Integração

Brasília e a conquista do território nacional

José Theodoro Mascarenhas Menck

O capítulo desfaz a ideia de que a mudança da capital nasceu com JK e reconstitui quatro séculos de história. Começa em Salvador, primeira capital planejada, em 1549, e mostra como o ouro de Minas e as invasões francesas de 1710 e 1711 tornaram o Rio de Janeiro o centro do poder, mas também revelaram sua vulnerabilidade.

O autor segue a ideia mudancista nos depoimentos dos inconfidentes mineiros, nos artigos de Hipólito da Costa no Correio Braziliense (1813), na memória de José Bonifácio à Constituinte de 1823, que propunha a comarca de Paracatu, e na viagem de Varnhagen ao Planalto, em 1877. Inclui o sonho profético de Dom Bosco, de 1883, e percorre as Constituições republicanas, a Missão Cruls, a pedra fundamental de 1922 e os projetos de lei que tramitaram por décadas. 

O texto chega ao comício de Jataí, em 4 de abril de 1955, quando JK se comprometeu a cumprir a Constituição e mudar a capital, e fecha com uma cronologia, hora a hora, da inauguração de Brasília, nos dias 20 e 21 de abril de 1960.

 

Brasília, a capital da esperança: interiorização, geopolítica e monumentalidade (1946–1961)

Lenora de Castro Barbo

A autora contesta a imagem de que Brasília "nasceu do nada" e a apresenta como uma "solução histórica" amadurecida por quase dois séculos. Mostra como as comissões de Luiz Cruls (1892–1896) deram base científica ao sonho e como a Constituição de 1946 tornou a mudança obrigatória.

O capítulo narra o "duelo das capitais" entre o Triângulo Mineiro, defendido por Lucas Lopes, e o Planalto Goiano, que venceu na Comissão Polli Coelho por sete votos a cinco, em 1948. Analisa a justificativa geopolítica da "Terra Central", inspirada na teoria do Heartland, e o ano decisivo de 1955, quando o governo de Goiás desapropriou as terras e abriu estradas e campos de pouso.

Em seguida, trata da "inflexão de Juscelino", que transformou um preceito constitucional inerte em meta-síntese, da arquitetura de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, saudada por André Malraux como "a capital da esperança", e dos efeitos geopolíticos e demográficos da nova capital. A autora conclui que Brasília foi "obra de muitas mãos", com destaque para o papel de Goiás, e prova de que o Brasil "pode ser maior do que as suas próprias dúvidas".

 

O legado de JK

Silvestre Gorgulho

Texto de memória e documento, ilustrado com cerca de quinze imagens. O autor compara a posse de JK, em 1956, à chegada da família real, em 1808, como os dois grandes divisores de águas da história do país. Narra a difícil chegada de Juscelino ao Catete, as articulações contra sua candidatura e o "Golpe da Legalidade" do marechal Lott, que garantiu a posse.

O capítulo trata de Brasília como meta-síntese, desde o desafio lançado em Jataí, e se detém no "trágico ano de 1976": as anotações do diário de JK, o Prêmio Intelectual do Ano, a visita à fábrica da Fiat em Betim e a morte na Via Dutra. Descreve o velório na Catedral, quando o povo de Brasília levou o caixão do aeroporto ao cemitério, e reúne as homenagens de Tancredo Neves e de Carlos Lacerda.

Por fim, reúne as "profecias que não se cumpriram": editoriais, discursos e reportagens de 1956 a 1959, de Carlos Lacerda, Gustavo Corção e jornais como Correio da Manhã e O Globo, que davam Brasília como impossível ou inútil.

 

Brasília: estranheza e fascínio

Frederico de Holanda

Arquiteto recifense radicado em Brasília desde 1972, o autor parte da estranheza que a cidade lhe causou para entender sua natureza. Lê Brasília em duas escalas: como peça da configuração do território nacional e como cidade, com atenção ao Plano Piloto e às relações com a região metropolitana de quase cinco milhões de habitantes.

Na primeira parte, discute a formação de uma sociedade "voltada para fora", a integração nacional e a natureza do Estado brasileiro. Mostra como JK retomou a industrialização, puxada pela indústria automobilística, e a integração do mercado nacional, com Brasília como elemento mais simbólico que instrumental. Na segunda, examina o centro urbano, as superquadras e o Eixo Monumental, e pergunta se o Plano Piloto é, de fato, moderno.

O autor compara Brasília a outros "espaços de exceção" da história, de Stonehenge e dos centros cerimoniais maias à Acrópole e a Versalhes. Conclui que a capital não foi apenas a síntese do desenvolvimento de JK, mas o que esse processo teve de mais avançado, e que compreendê-la exige superar oposições simplistas como moderno e arcaico ou democrático e autoritário.

 

Eixo IV — A Democracia e o Legado Político

Os impasses da conciliação: a experiência política de Juscelino Kubitschek e os limites da estabilidade institucional

Marcelo Cedro

O capítulo examina a imagem de JK como político conciliador e mostra que ela não nasceu da ausência de conflitos, mas de uma prática de negociação. Com apoio em Norbert Elias, Robert Dahl e José Honório Rodrigues, o autor situa a conciliação como traço recorrente da cultura política brasileira, do Império ao varguismo.

O texto acompanha esse estilo desde a Prefeitura de Belo Horizonte, com a Pampulha e a criação do Museu Histórico da cidade, passando pelo Governo de Minas, com a CEMIG e a siderurgia Mannesmann. Na Presidência, com base em jornais da época, analisa a posse sob contestação, a revogação do estado de sítio, a anistia aos militares da Revolta de Jacareacanga e a negociação com os estudantes nos protestos contra o aumento dos bondes no Rio, em 1956.

O autor mostra também os limites dessa estratégia: parte dos militares anistiados voltou a conspirar em Aragarças, em 1959, e as anistias sucessivas reduziram o custo político de novas rupturas até 1964. Conclui que a conciliação garantiu um equilíbrio sempre provisório e deixa uma lição atual: lidar com as diferenças sem transformar o adversário em inimigo permanente.

 

Eixo V — Prospectiva (O Brasil de 2076)

A infraestrutura invisível do Brasil: JK e a reconstrução do "nós" — cultura, pertencimento e a superação do subdesenvolvimento

Glaucia Nasser e Lea Vidigal

As autoras propõem a noção de "infraestrutura invisível": o tecido de pertencimento, confiança e horizonte comum que sustenta uma nação antes da economia e das leis. A tese é que JK foi o último grande construtor dessa base no Brasil e que Celso Furtado foi o seu teórico mais lúcido, ao mostrar que o subdesenvolvimento é uma estrutura, inclusive cultural, que o crescimento econômico não supera sozinho.

O artigo relê o Plano de Metas e o lema "cinquenta anos em cinco" como uma convocação nacional, e o otimismo do período como uma "tecnologia de coesão". Destaca a dimensão democrática de JK, que cumpriu o mandato e entregou o poder a um sucessor da oposição, e trata Brasília como obra de arte a céu aberto, com Lucio Costa, Oscar Niemeyer e o engenheiro-poeta Joaquim Cardozo. O encontro entre JK e Furtado se materializa na criação da SUDENE.

O texto aborda também a "construção interrompida" em 1964, com a cassação dos dois, e registra a decisão de maio de 2026 da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que reconheceu a morte de JK como não natural e causada pelo Estado. Defende a cultura como política de nação e, olhando para 2076, centenário da morte de Juscelino, propõe traduzir o seu otimismo audacioso para os desafios da tecnologia, da inteligência artificial e do trabalho, sem abrir mão do espírito democrático e conciliador.


Ricardo Bergamini é um velho combatente pela racionalidade econömica no Brasil: como muitos outros, antes, agora e depois dele, é um deerrotado.

 

O Brasil desmoralizou a corrupção (Ricardo Bergamini)

 

Prezados Senhores 

 

Qualquer que seja o presidente eleito, não terá força política para enfrentar a tragédia atual vivida pelo Brasil, assim sendo o impedimento do próximo presidente eleito será inevitável para nova composição de forças políticas, haja vista que o centrão já se posicionou para votar a favor do impedimento do próximo presidente eleito.

 

´É humanamente impossível o Brasil sobreviver por mais 4 anos com um presidente eleito por ser o menos rejeitado (ambos com 47%). O impedimento é a forma democrática de exterminar essa anomalia gerada pelos irmãos gêmeos xifópagos primatas Bolsonaro/Lula.

 

1 - Política Fiscal (BCB) 

 

Até agosto de 2026, o governo para obter um déficit fiscal primário de R$ 82,1 bilhões (0,62% do PIB), pagou R$ 1.182,2 bilhões (8,86% do PIB) de juros.

 

No acumulado em doze meses até dezembro de 2022, o déficit fiscal nominal alcançou R$ 460,4 bilhões (4,68% do PIB). No acumulado em doze meses até agosto de 2026, o déficit fiscal nominal alcançou R$ 1.264,2 bilhões (9,48% do PIB). Aumento real em relação ao PIB de 102,56%, comparativamente ao acumulado em doze meses até dezembro de 2022.

 

2 – Patrimônio líquido negativo da união (MF)

 

É lamentável que a grande maioria dos brasileiros não tenha interesse em números, gráficos e tabelas, se tivessem conhecimento do balanço patrimonial da União, que apresentou um patrimônio líquido negativo de R$ 2,5 trilhões em 2018. Em 2022 migra para R$ 5,3 trilhões. Crescimento do patrimônio líquido negativo de 112,00% em relação ao ano de 2018.  Em 2025 migra para R$ 6,8 trilhões. Crescimento do patrimônio líquido negativo de 28,30% em relação ao ano de 2022. No consolidado (união, estados e municípios) de 2025 o patrimônio líquido negativo foi de R$ 10,1 trilhões.

 

3 - Estoque da Dívida Líquida da União (MF)

 

Em 2010, o estoque da dívida líquida da União (interna mais líquida externa) era de R$ 2.388,0 bilhões (61,46% do PIB). Em dezembro de 2018 era de R$ 5.671,4 bilhões (80,97% do PIB). Crescimento real em relação ao PIB de 31,74%, comparativamente a dezembro de 2010. Em dezembro de 2022, migra para R$ 8.106,8 bilhões (80,43% do PIB). Redução real em relação ao PIB de 0,67%, comparativamente a dezembro de 2018. Em agosto de 2026, migra para R$ 12.222,6 bilhões (92,22% do PIB). Aumento real em relação ao PIB de 14,66%, comparativamente a dezembro de 2022.

 

Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo

 

Em áudio e documentos obtidos por VEJA, ex-banqueiro afirma ter pago os recursos em esquema com ex-tesoureiro ... 

 

Leia mais em: https://veja.abril.com.br/politica/vorcaro-conta-que-liberou-dinheiro-para-filme

 

 

Ricardo Bergamini

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