segunda-feira, 27 de abril de 2026

Num artigo de 2021, o passado do Brasil na estagnação econômica confirmado no presente

 Pouca coisa parece ter mudado no Brasil, de 2021 a 2026, e o que mudou parece ter sido para pior… PRA

“Meu artigo de hoje no Estado de Minas

Roberto Rocha Brant

26 de Abril de 2021


Para qual passado vamos retornar?

 

Comecei a minha vida quando o Brasil era o país do futuro. Hoje tenho medo de ter miná-la com o Brasil sendo o país do passado. Durante a maior parte do século XX nosso país era amplamente reconhecido como fadado a estar no grupo dos países ricos num tempo não muito distante. Desde o início dos anos 1900 a nossa renda por habitante cresceu regularmente a taxas elevadas, chegando a quase 3% nas décadas de 20 e 30., passando a 4,1% na década de 50 e 5,8% nos anos 70, mesmo com a população crescendo muito rapidamente.

Em dólares de ano 2000 a renda per capita dos brasileiros saltou de US$586,00 em 1940 para US$ 3.052,00 em 1980, multiplicando-se mais de 5 vezes. Se este ritmo fosse mantido, nossa renda hoje em dólares estaria em torno de US$ 16.000,00 em preços correntes ou mais de US$ 30.000,00 em termos da chamada paridade do poder de compra, que ajusta a renda pelos preços vigentes em cada país. Neste nível o Brasil seria hoje um país rico.

Isto infelizmente não aconteceu, por uma variedade de causas sobre as quais não se estabeleceu ainda um consenso razoável. Desde 1980 a economia brasileira não teve mais um crescimento regular e em alguns períodos longos como as décadas de 81/90 e 2011/2020 tivemos crescimento negativo da renda por habitante e ficamos mais pobres.

As nações podem ter muitos objetivos, fracassar em alguns deles e ter êxito em outros, seguindo seu caminho na história sem maiores percalços. No Brasil, porque temos  extensão territorial, grande população e uma infinidade de recursos, ao mesmo tempo em que a maioria da população vive na pobreza ou mesmo na miséria, o crescimento econômico tem que ser um objetivo central. Manter-se por quase 40 anos praticamente na estagnação, por culpa exclusivamente nossa, é um pecado sem remissão.

Estamos vivendo agora um dos piores momentos de nossa história. Mais uma vez estamos regredindo na economia e para piorar estamos sendo devastados por uma pandemia que o Governo fracassou em prever e não se empenhou em combater. Para completar, nossa sociedade está dividida, sem rumo e orientação. Daqui a um ano e meio a nação vai se reunir para escolher se deseja mais 4 anos deste Governo ou, ao contrário, um outro Governo diferente.

Consultando as pesquisas de opinião que tem sido divulgadas ultimamente podemos perceber uma nação que se divide entre três rumos. Cerca de 32% afirmam que votariam em Lula, 30% que votariam em Bolsonaro e em torno de 27% que votariam numa lista de nomes de uma possível terceira via. Em termos gerais, as opções são praticamente equivalentes. Quase dois terços das pessoas projetam uma volta a algum passado. A opção Bolsonaro é a escolha pela volta de um pais mais autoritário e mais militarizado, onde a ordem prevalece sobre tudo o mais, nos moldes do que foi o regime militar que durou de 1964 a 1985 e que legou à sociedade civil recessão, inflação e insolvência do Estado. A maioria das pessoas que expressa esta preferência nostálgica, na verdade não conheceu pessoalmente o regime militar. Só as pessoas hoje com mais de 70 anos tiveram de fato esta experiência e são uma parcela muito pequena dos eleitores.

Os 13 anos de Governos do PT são igualmente uma volta a um passado que não terminou bem. Os anos de Lula e Dilma foram anos de um crescimento irregular que, no seu final combinou profunda recessão econômica, inflação e crise fiscal. Além disso trouxe para a vida nacional polarização política, uma crise moral sem precedentes,  corrupção institucionalizada e a desvalorização da vida política.

Um país que está indeciso entre voltar a um ou outro desses passados é certamente um país que não acredita mais em qualquer futuro melhor. O passado é algo a que não se deve voltar senão como um introspecção  que nos ilumine para que evitemos repetir os mesmos erros.

Um fio de esperança sobrevive porque um terço dos brasileiros mantém firme sua recusa em seguir nestes caminhos sombrios. Quem sabe ainda podem ser muito mais?

A construção de um império pela guerra permanente

 Tous les conflits provoqués par Moscou (Offensifs)

​Ces guerres ont été déclenchées par le pouvoir central moscovite pour s'agrandir, soumettre ses voisins ou imposer sa domination.


​Guerres d'unification moscovite (XIVe - XVe siècles) : Moscou attaque et absorbe les principautés voisines comme Tver, Riazan et la République de Novgorod (massacrée en 1478).

​Guerres de Kazan et d'Astrakhan (1552 - 1556) : Conquêtes brutales menées par Ivan le Terrible pour détruire les puissances tatares.

​Guerre de Livonie (1558 - 1583) : Tentative moscovite de prendre par la force les ports de la mer Baltique.

​Colonisation de la Sibérie (dès 1581) : Conquête militaire et assujettissement des peuples autochtones jusqu'au Pacifique.

​Démantèlement de la Pologne (XVIIIe siècle) : La Russie provoque la disparition de l'État polonais pour annexer de nouveaux territoires.

​Spoliation des terres Chinoises (1858 - 1860) : Moscou profite de la faiblesse de la Chine pour lui voler plus de 1,5 million de km^2 (traités d'Aigun et de Pékin).

​Guerre de Finlande (1808) : Invasion russe pour arracher ce territoire à la Suède.

​Guerres du Caucase (1817 - 1864) : Campagnes d'extermination et de soumission contre les peuples de la montagne.

​Guerre d'Hiver contre la Finlande (1939) : L'URSS envahit la Finlande pour obtenir des gains territoriaux.

​Écrasement du bloc de l'Est (1956 - 1968) : Invasions militaires de la Hongrie puis de la Tchécoslovaquie.

​Invasion de l'Afghanistan (1979) : Déploiement massif de l'armée rouge pour installer un régime pro-Moscou.

​Guerres modernes (1994 - Présent) : Invasions de la Tchétchénie, de la Géorgie (2008) et de l'Ukraine (2014 et 2022).


​Tous les conflits subis par Moscou (Défensifs)

​Ces guerres correspondent à des moments où le territoire moscovite ou russe a été attaqué par des puissances étrangères.


​Invasions de la Horde d'Or (XIIIe - XVe siècles) : Moscou naît sous la domination mongole et subit de nombreux raids dévastateurs.

​Occupation Polonaise (1610 - 1612) : Pendant le "Temps des Troubles", les troupes polonaises s'emparent de Moscou et du Kremlin.

​Invasion Suédoise (1708 - 1709) : Charles XII tente de renverser Pierre le Grand en envahissant le territoire russe.

​Campagne de Russie par Napoléon (1812) : La Grande Armée française envahit le pays et occupe Moscou.

​Première Guerre Mondiale (1914 - 1917) : L'Allemagne et l'Autriche-Hongrie lancent des offensives majeures sur le territoire de l'Empire russe.

​Seconde Guerre Mondiale (1941 - 1945) : L'invasion massive de l'URSS par l'Allemagne nazie.Sur ce point ,il faut lire mon analyse sur les responsabilités au sujet de la seconde guerre mondiale ,suite au accords République de Weimar et l'URSS.

​Comme vous pouvez le constater, le nombre de conflits provoqués par la Moscovie est bien plus élevé que le nombre de conflits qu'elle a subis. C'est cette dynamique offensive qui a permis au petit domaine de Moscou de devenir l'immense territoire que l'on connaît aujourd'hui...

#ZALOUJNY  #FreeUkrainianDefenders #TrumpIsANationalDisgrace #ukrainianarmy #standwithukriane #StandWithUkraine #trumpsupporters #zsupply #freeukraine #Zelensky #francislalane.


Primeiro relatório abrangente do ministro da Defesa da Ucrânia

Três Meses que Mudaram a Estratégia de Defesa da Ucrânia

Relatório dos primeiros três meses do Ministro da Defesa da Ucrânia

Desafios e doenças sistémicas. Décadas sem tratamento. Ausência total de objetivos e responsabilidade. Pessoas que devem ser presas versus talentos que precisam de oportunidade. Cultura de medo e mentira versus heroísmo e inovação.

A tarefa do Presidente é transformar o sistema o mais rapidamente possível, o que acelerará a detenção do inimigo no céu e em terra e esgotará a sua economia.

Resultados detalhados:

Bloqueio do Starlink: Proteção contra drones guiados, mudando a situação na frente.

After Action Review: Reação rápida a ataques e aumento da interceção aérea.

Comando Antiaéreo: Criação de comando especializado e novo vice-comandante.

Mecanismo Ramstein: Recorde de $38 mil milhões para 2026 e controlo de qualidade.

Reforma do Ministério: Nova estrutura para erradicar a corrupção a partir de 1 de abril.

Análise em tempo real: Causas de baixas e desempenho de brigadas seguidos ao vivo.

Compras por dados: Necessidades de drones via análise de dados, sem intervenção manual.

Salto Robótico: Mais drones num trimestre do que em todo o ano passado.

Sistema "e-Points": Bónus de combate e adiantamentos de 70% para produtores.

Mission Control: Monitorização em tempo real de todas as operações de drones.

Alta Tecnologia: Compras recorde de drones de fibra ótica e sistemas mid-strike.

Auditoria da Indústria: Fase um concluída; fim de esquemas de corrupção.

Reforma do Serviço: Mudança no recrutamento; 10 projetos prontos a lançar.

Logística de Frente: Início de compras em massa de carrinhas pickups.

Túneis Logísticos: Aceleração (4x) na construção de redes protegidas.

Estradas Militares: Restauro de vias críticas para a logística militar.

Integridade: Reformas na reparação de armas e garantia de qualidade.

Transformação Digital: Projetos desde "Reserve+" a processos em SAP.

Mísseis Patriot: Contrato recorde com a Alemanha para garantir o futuro.

Recorde de Março: 36.000 russos eliminados e perdas recorde de técnica inimiga.

Operações Profundas: Nova visão operacional e chegada de sistemas Midstrike.

Linha de Drones: Projetos que destroem cada quarto alvo no campo de batalha.

Capacidade de Corpos: Financiamento de regimentos de drones para corpos piloto.

Escalar o Sucesso: Mais verbas para as unidades mais eficazes de todas as forças.

Sinergia Drone-Assalto: ₴400M para integrar drones e unidades terrestres.

Artilharia de Longo Alcance: Concurso para 155mm (30+ km) com foco na produção nacional.

IA de Defesa: Abertura do Defense AI Center «A1» e formação.

Codificação Rápida: Redução do tempo entre o desenvolvimento e a entrega às tropas.

Defesa Privada: Simplificação para transferir armas e contratar snipers.

Compras Experimentais: Aprovação de ₴5 mil milhões para compras experimentais.

Alguns resultados não podem ser divulgados publicamente.

É importante que a maioria das doenças e causas dos problemas fundamentais que precisam de ser resolvidos tenham sido diagnosticadas. Com números, factos e nomes. É impossível construir um sistema eficaz com base em mentiras.

Agradeço aos soldados ucranianos pela heróica defesa da Ucrânia!

Agradeço ao Presidente a confiança. Agradeço ao parlamento que apoiou a nomeação.

Uma honra servir o povo ucraniano!

#UkraineDefense #MinistryOfDefense #MilitaryInnovation #DefenseTech #WarTransparency #AntiCorruption #VictoryStrategy #FutureWarfare #SlavaUkraini #StandWithUkraine #MilitaryReform #GlobalSecurity #ModernArmy #StrategicDefense #GuerraNaUcrânia #DefesaUcrânia #ReformaMilitar #JusticiaYDefensa

domingo, 26 de abril de 2026

The Big History of Globalization Told in Ten Pages - Andrey Korotayev (Academia.edu)

 

Conclusion: The Big History of Globalization Told in Ten Pages

Numerous approaches to studying globalization co-exist in global research of the phenomenon, which is perfectly understandable, as the multitude of its manifestations permeate nearly all spheres of human life from the individual level to the whole world. In this book we choose to view the history of globalization along the Big History lines, tracing the increasing complexity of trans-border interactions and flows paralleled by the emergence and spread of global institutions and processes. In this chapter, which concludes the book, we challenge ourselves with fitting the first four periods of the history of globalization (from its earliest signs coming with the Neolithic Revolution to the first “golden age” of globalization in the decades prior to World War I) and their major innovations and watersheds into ten pages.


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12 Conclusion: The Big History of Globalization


Conclusion: The Big History of Globalization The essence of globalization remains far from indisputable. Of the hundreds denitions of globalization, this book has followed the approach proposed by George Modelski, whose idea lay in combining two approaches: the connectivist approach that views globalization as an increase in transborder interactions, relations, and ows; and the institutional approach, which explains globalization as the emergence and evolution of global, planetary-scale institutions. Let us empha- size that institutionsis a wide term for Modelski, as it includes global free trade, multinational enterprises, global governance, worldwide social movements, ideologies, and so on (Modelski 2008). Thus, we have endeavored to analyze the history of globalization from two overlapping points of view, namely the emergence and expansion of various global networks, and the onset and development of global processes that brought deep changes to the human world. Our research has suggested an innovative periodization of the history of globali- zation. We have followed the approach from some recent works (Bayly 2004; Hopkins 2002; Robinson 2007; Hopper 2007; Holton 2011) in order to identify the ve macro-periods of globalization, namely archaic, proto-modern, early mod- ern, modern (with its climax in the rst golden ageof globalization), and the newest (post-modern) globalization. This book has covered the rst four periods. What is new, however, is the introduction of the concepts of phase transitions (large-scale qualitative changes in global connectivity and the development of the world) and periods of typogenesis and typostasis (emergence and spread of various innovative forms of social, political, and economic organization) as the basic notions to help provide a more detailed periodization within these macro-periods, especially the rst two.

Told in Ten Pages

Madame IA examina o discurso mentiroso do chanceler Lavrov, invertendo a causação na guerra de agressão da Rússia à Ucrânia

 Madame IA examina o discurso mentiroso do chanceler Lavrov, invertendo a causação na gueerra de agressão da Rússia à Ucrânia:


A mais recente atuação de Lavrov é uma peça clássica do teatro do Kremlin: repleta de drama, com pouca informação factual e transbordando ironia. [...]. Sergey Lavrov: “Outro fator muito poderoso que desestabiliza a situação global é a expansão do Ocidente no continente eurasiático, que vem ocorrendo há várias décadas. Isso está acontecendo principalmente em regiões onde a influência da Rússia sempre foi forte e onde residem nossos interesses tradicionais e legítimos.” Essa ambição obsessiva, por assim dizer, irrompeu abertamente nos últimos anos no slogan de "infligir uma derrota estratégica à Rússia". Uma guerra aberta foi declarada contra nós, com o regime de Kiev sendo usado como uma espécie de ponta de flecha. Mas todos sabem que essa ponta de flecha é impotente sem o apoio material de armas ocidentais, dados de inteligência ocidentais, sistemas de satélite, treinamento militar e muito, muito mais. O regime de Kiev e o Estado ucraniano estão sendo usados abertamente como um aríete geopolítico. Alguns indivíduos francos, creio que no Estado-Maior belga ou alemão, declararam publicamente: "Estamos nos preparando para a guerra com a Rússia, e a Ucrânia está nos ajudando a ganhar tempo". Bem, aí está, como se costuma dizer — aí está. Se você ouviu os comentários de Sergey Lavrov, seria compreensível pensar que a Rússia é vítima de uma conspiração global, em vez de ser o país que lançou uma invasão em grande escala contra seu vizinho. Lavrov afirma que o Ocidente está "desestabilizando" a Eurásia ao expandir-se para os "interesses legítimos" da Rússia. A realidade é a seguinte: a OTAN não recruta de porta em porta. Países como a Polônia, a Finlândia e agora a Ucrânia imploraram para entrar porque convivem com a Rússia há séculos e sabem exatamente o que acontece quando você está "dentro dos seus interesses". Lavrov chama isso de expansão; o resto do mundo chama isso de países soberanos que optam por não serem invadidos. Ele descreve a Ucrânia como um "aríete geopolítico" e uma "ponta de flecha indefesa" para o Ocidente. A realidade é a seguinte: este é o maior insulto aos milhões de ucranianos que lutam por suas casas. Lavrov quer que você acredite que os ucranianos só lutam porque a Europa mandou. É uma maneira conveniente de ignorar o fato de que as próprias ações da Rússia — os tanques, os mísseis, as cidades ocupadas — são o único motivo pelo qual a Ucrânia está lutando. Lavrov afirma que o Ocidente declarou "guerra aberta" para destruir a Rússia. A realidade é a seguinte: ninguém está tentando marchar sobre Moscou. A "derrota estratégica" da qual o Ocidente fala não é a destruição da Rússia, mas sim o fracasso da invasão russa. Se a Rússia parar de lutar hoje, a guerra termina. Se a Ucrânia parar de lutar hoje, a Ucrânia acaba. Lavrov está tentando convencer o público russo de que existe uma ameaça existencial para justificar uma guerra por escolha. Ele zomba dos generais belgas e alemães por dizerem "A Ucrânia está nos ganhando tempo". A realidade é a seguinte: quando um vizinho começa a incendiar casas na sua rua, seria uma tolice não verificar os detectores de fumaça. Generais europeus finalmente admitem que suas defesas foram negligenciadas. Dizer "a Ucrânia está nos ganhando tempo" não é uma confissão de um plano secreto para atacar a Rússia — é uma admissão de pânico de que precisam se organizar porque a Rússia provou estar disposta a redesenhar fronteiras pela força. O discurso de Lavrov é uma aula magistral de DARVO (Negar, Atacar e Inverter a Vítima e o Ofensor). Ele está apontando para os bombeiros e os chamando de incendiários enquanto ainda segura os fósforos. Os "sujeitos sinceros" não são os do Estado-Maior belga. São os do Kremlin que pensam que ainda podem enganar o mundo, fazendo-o acreditar que a vítima é o agressor.

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/04/toda-russia-e-construida-sobre-uma.html

O texto contrasta a retórica de Sergey Lavrov, que descreve a guerra como uma resposta à expansão ocidental e ao uso da Ucrânia como instrumento contra a Rússia, com uma análise crítica que a classifica como uma inversão de papéis, onde a Rússia se apresenta como vítima enquanto realiza a invasão. A análise defende que a resistência ucraniana é motivada pela soberania nacional e que a movimentação ocidental é uma reação à agressão russa, refutando a narrativa do Kremlin sobre uma "guerra aberta" imposta pelo Ocidente. O debate foca na interpretação de soberania e segurança regional, descrevendo o discurso russo como uma tentativa de justificar a guerra por escolha.

Fonte (IA Gemini):
https://share.google/aimode/4YtyMEg2IQ4WHWqZR

A única forma de Putin manter-se no poder é fazer a Rússia virar uma Coreia do Norte

 Putin’s Plan to Stay Alive by Turning Russia into North Korea

The Sun, April 26, 2026


Bill Browder analyses how Putin’s ultimate goal of staying alive is driving him to isolate Russia and implement "North Korean style" repression to prevent an internal uprising.

A Rússia de Putin estaria lobotomizada? - Patriota franco-ucraniano, Madame IA

 Vol au dessus d’une société de lobotomisés 🤡.

Patriote franco-ukrainien, 25/04/2026

La fabrique de chaussettes “ Vladimir Poutine ”.😁

Poutine ne nous entend pas, disent même les partisans actifs de la guerre contre l'Ukraine. Et il confirme avec éclat leur hypothèse en appelant à tricoter des chaussettes pour le front, constate Ivan Preobrajenski.

Lors d'un forum intitulé “ La petite patrie — la force de la Russie “, Vladimir Poutine a appelé les Russes à travailler à l'arrière pour le front, comme pendant la Seconde Guerre mondiale. Selon le dictateur russe, la victoire fut alors acquise grâce, entre autres, aux grands-mères et aux enfants qui tricotaient des chaussettes pour les soldats.

Cependant, une telle comparaison rappellera plutôt à de nombreux Russes que la guerre actuelle dure déjà plus longtemps que la prétendue “ Grande Guerre patriotique “ et que, si quelque chose les rapproche, c'est bien la profonde lassitude de la société.

Des chaussettes chaudes pour la victoire.

Ce n'est pas la première fois que Vladimir Poutine s'exprime dans l'esprit de la propagande enfantine. Son histoire de chaussettes chaudes pour le front, qui distinguerait prétendument l'Union soviétique de l'Allemagne nazie, ressemble aux contes pour enfants de l'ère soviétique et est tout aussi éloignée de la complexe réalité militaire. Les chaussettes n'étaient pas tricotées uniquement par les citoyens soviétiques — l'Allemagne nazie disposait également d'un programme d'aide volontaire pour le front, mais ces chaussettes chaudes n'ont heureusement pas aidé Hitler à vaincre.

Pourtant, Poutine ne semble pas se satisfaire de l'aide volontaire existante provenant de la partie de la société russe qui soutient la guerre ou ce qu'il appelle nos garçons . Ces dernières semaines, il exige activement que tout le monde participe plus intensément à l'agression contre l'Ukraine. Poutine a demandé aux grandes entreprises de collecter volontairement des fonds pour la guerre, a soutenu l'augmentation des taxes pour les petites et moyennes entreprises, tandis que les écoliers de toute la Russie apprennent de plus en plus souvent à assembler des drones pendant leur temps libre ou sur leurs heures de cours. Jusqu'à ce cri de ralliement général : Tout pour le front, tout pour la victoire .

Ce faisant, Poutine semble ignorer le fait que son appel intervient à un moment où les sondages enregistrent une baisse significative de sa cote de popularité — même ceux réalisés par des agences proches du Kremlin comme le VTsIOM — tandis que la proportion de ceux qui souhaitent la fin de la guerre atteint des records. Enfin, les réseaux sociaux pullulent d'appels à dire au président à quel point le peuple est fatigué et mécontent.

Le président ne veut pas écouter

Le discours sur les chaussettes n'est que le reflet de l'état d'esprit de Vladimir Poutine, résolu à ignorer la réalité qui ne correspond pas à sa vision. Il a appelé à mobiliser toutes les forces pour le front quelques jours seulement après avoir donné des instructions claires aux technocrates du gouvernement : ne pas l'importuner avec des plaintes sur l'effondrement de l'économie, mais proposer des solutions pour restaurer la croissance. Tout le monde sait que Poutine ne prêtera aucune attention aux demandes d'arrêt de la guerre, et que quiconque le dirait à haute voix serait, au mieux, licencié.

La conviction intime de Poutine de pouvoir vaincre l'Ukraine et de voir l'économie russe retrouver sa stabilité a toutefois été renforcée ces dernières semaines par la hausse brutale des prix des carburants — conséquence de la guerre des États-Unis et d'Israël contre l'Iran. Les sanctions contre l'industrie pétrolière russe ont été partiellement suspendues, et les Américains affirment que cela a déjà rapporté plus de 14 milliards de dollars supplémentaires au budget russe. Même si la somme réelle s'avère plus modeste, l'univers semble murmurer à Poutine : Ne t'arrête pas, tu as une mission .

Le choc avec la réalité

Il doit pourtant être clair que la majeure partie de cet argent tombé du ciel ne servira pas à soutenir l'économie russe ou à stimuler la croissance ; il sera dépensé pour la guerre contre l'Ukraine. Cela signifie un choc inévitable et imminent entre le monde virtuel de Poutine — où les grands-mères russes tricotent à l'unisson et où les écoliers assemblent des drones — et la réalité, où les agriculteurs abattent leur bétail, où les cafés et les magasins ferment à cause de taxes insupportables, et où le grand business tente à nouveau de transférer autant d'argent que possible vers les paradis fiscaux. La guerre des États-Unis contre l'Iran n'a fait que retarder ce moment.

Il n'est désormais plus possible de résoudre tous les problèmes avec de l'argent, comme cela se faisait après 2022. 

Même le chef du parti communiste (KPRF), pourtant extrêmement fidèle au Kremlin, agite à la tribune de la Douma d'État la menace d'une révolution dans le pays dès cet automne.

Les optimistes veulent espérer que le pouvoir sera contraint de reculer et d'entamer de réelles négociations de paix avec l'Ukraine. Mais les pessimistes voient autre chose : l'intensification de la répression. Un signe clair est, par exemple, le transfert des centres de détention provisoire sous le contrôle du FSB, afin de faciliter l'extorsion d'aveux auprès des politiquement peu fiables .

Je partage la position des pessimistes : les autorités répondront au mécontentement non par la paix, mais par la guerre — cette fois contre les ennemis de l'intérieur, et pas seulement contre les agents de l'étranger , mais contre les Russes ordinaires qui ne sont pas prêts à tricoter des chaussettes l'estomac vide.

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Comentários de Madame IA (via Airton Dirceu Lemmeertz):

A análise apresentada destaca a tensão entre o discurso oficial do governo russo e a realidade socioeconômica enfrentada pela população. O episódio mencionado sobre o incentivo ao tricô de meias para os soldados pode ser interpretado sob diferentes prismas:
1. Simbolismo e Mobilização Social:
O apelo ao trabalho manual doméstico, como o tricotar de meias, remete diretamente ao imaginário da Segunda Guerra Mundial. Esse tipo de propaganda busca criar um senso de participação coletiva e dever cívico, tentando conectar a geração atual aos sacrifícios históricos do passado. No entanto, para uma sociedade que enfrenta um conflito prolongado, tais apelos podem evidenciar lacunas na logística militar ou na percepção de modernidade do Estado.
2. Desafios Econômicos e Receitas Extraordinárias:
A correlação feita entre a instabilidade no Oriente Médio, a alta dos preços do petróleo e o aumento da receita russa aponta para uma dependência contínua de fatores externos. Embora a injeção de capital proveniente das exportações de energia possa oferecer um alívio temporário ao orçamento, existe uma divergência clara entre o financiamento do esforço de guerra e o investimento na economia civil. O fechamento de pequenos negócios e a pressão inflacionária são indicadores de que o crescimento impulsionado pelo setor bélico nem sempre se traduz em bem-estar para o cidadão comum.
3. Opinião Pública e Respostas Institucionais:
Os dados citados sobre a queda nos índices de aprovação e o desejo crescente pelo fim das hostilidades sugerem uma fadiga social significativa. Em sistemas políticos onde a dissidência é restrita, o descontentamento muitas vezes se manifesta de forma silenciosa ou através de figuras políticas tradicionalmente leais que começam a alertar sobre instabilidades internas. A resposta do Estado a esse cenário, conforme sugerido no texto, parece inclinar-se para o fortalecimento dos mecanismos de controle e segurança interna em vez de concessões políticas.
O confronto entre a narrativa de unidade patriótica e as dificuldades cotidianas de uma economia de guerra define o atual momento de incerteza. A eficácia das estratégias de mobilização psicológica frente ao desgaste material da população é um dos pontos centrais para entender a estabilidade futura da região.

Fonte (IA Gemini):

Revisando itinerários, nem sempre gloriosos… - Paulo Roberto de Almeida e Madame IA

Revisando itinerários, nem sempre gloriosos…

Paulo Roberto de Almeida 

(Comentários abaixo de Madame IA, por uma vez concordando inteiramente comigo.)

Uma das constatações mais frustrantes talvez seja essa “descoberta” de que nem todas, ou não todas as nações contemporâneas estão destinadas a serem melhores, mais educadas, evoluídas e afáveis que as gerações precedentes. Elas, algumas, podem involuir e se tornarem mais ríspidas, deseducadas, desagradáveis no viver e no conviver do que antes. Os EUA talvez tenham chegado nesse ponto de sua involução não esperada, no retrocesso lamentável de suas instituições. Mas provavelmente não só os EUA: outros conhecem o mesmo itinerário no declínio e na perda de rumos. A nação russa, se existe uma, está certamente no mesmo caminho, há muito.

Confesso que não sei onde anda o Brasil. Ele pode ir em qualquer direção. Pelo andar da carruagem, pelos desacertos já acumulados, pela introversão de certos dirigentes, talvez não seja o melhor caminho. Quando não se sabe o que se quer, esse é o roteiro mais provável para o desconcerto.

Sorry pelo pessimismo relativo.

Paulo Roberto de Almeida

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Madame IA comenta o meu texto: 

Sua reflexão toca em um nervo exposto da filosofia política contemporânea: a quebra da teleologia do progresso. A crença, herdada do Iluminismo e reforçada após a Guerra Fria, de que as nações caminham em uma linha reta rumo à democracia liberal e ao refinamento civilizatório, revelou-se uma ilusão. O que você descreve como "involução" é o fenômeno da entropia institucional e social.
Aqui está uma análise detalhada e crítica dos pontos levantados:
1. A Involução como Fenômeno Global:
Você aponta corretamente que a evolução não é um destino, mas uma construção frágil. O termo "ríspidas e deseducadas" para descrever nações modernas refere-se ao que a sociologia chama de erosão do capital social. Quando as instituições perdem a credibilidade, a linguagem pública se degrada, o compromisso com a verdade factual desaparece e a convivência torna-se um jogo de soma zero.
- EUA e a Crise da Hegemonia: O retrocesso das instituições americanas não é apenas político, mas cultural. A polarização extrema transformou o "viver e conviver" em um campo de batalha identitário, onde a eficácia do sistema de checks and balances (freios e contrapesos) está sendo testada por um populismo que desafia a própria ideia de alternância de poder.
- Rússia e a Regressão Autocrática: No caso russo, a involução é estrutural. A elite do Kremlin optou por trocar o desenvolvimento de uma sociedade civil vibrante por um projeto de "destino manifesto" neoimperialista. A Rússia não apenas parou de evoluir para uma democracia; ela buscou ativamente no passado (czarista e soviético) os modelos de controle social, resultando em uma nação que projeta força externa para mascarar a estagnação interna.
2. O Caso Brasileiro: O "Desconcerto" e a Introversão:
Sua dúvida sobre o Brasil é cirúrgica. O país parece viver o que chamamos de "anomia política".
- A Carruagem e os Desacertos: O Brasil sofre de uma descontinuidade crônica. Cada ciclo político busca não construir sobre o anterior, mas terraplenar o que foi feito. Isso gera o "desconcerto": uma sensação de movimento sem direção.
- A Introversão dos Dirigentes: Esta é uma expressão codificada para o isolamento elitista. Dirigentes que governam para suas próprias bolhas ideológicas ou para a manutenção do status quo fisiológico (o "Centrão"), ignorando as demandas de longo prazo da estrutura nacional. Quando a liderança é "introvertida", ela não olha para o horizonte (projeto de país), mas para o próprio umbigo (sobrevivência política imediata).
3. Decodificando o "Pessimismo Relativo":
O seu "sorry pelo pessimismo" não é uma falha de temperamento, mas um realismo analítico. Em 26 de abril de 2026, com o cenário geopolítico fragmentado que discutimos anteriormente (Lavrov, Ucrânia, OTAN), a ideia de que as nações "melhorariam" automaticamente com o tempo foi substituída pela percepção de que elas podem, sim, apodrecer por dentro.
* Análise Crítica Final:
O risco das nações que "não sabem o que querem" — como você define o Brasil — é tornarem-se vassalas do caos. Sem um projeto de nação, o Brasil não escolhe seu caminho; ele é levado pelas correntes das potências em conflito ou pelas crises internas cíclicas. A "involução" é o preço da negligência com a educação, com a ética pública e com o diálogo civilizatório.

Fonte (IA Gemini):

Brasília, 26/04/2026


O declínio americano começou por dentro, não por competição externa - Heba Ayyad (Jornal GGN)

 A Casa Branca em tempos de absurdo: o império estadunidense entrou em declínio?

por Heba Ayyad

Jornal GGN, 25/04/2026

Quando o indivíduo se sobrepõe ao Estado, o humor à instituição e a improvisação à estratégia, o império não se encontra no auge de seu poder, como imagina, mas em um dos limiares de sua grande confusão. Os Estados Unidos não eram apenas um arsenal militar formidável, nem meramente uma economia capaz de absorver mercados e redesenhar mapas de influência, mas também uma imagem cuidadosamente construída de uma nação cujo segredo mais profundo de poder residia, dizia-se, em suas instituições: em sua capacidade de refrear os caprichos dos indivíduos, controlar a tomada de decisões e impedir que a paixão se transformasse em destino global.

Essa era a grande narrativa estadunidense: um presidente pode chegar e outro pode partir, mas o Estado permanece mais profundo do que o ocupante da Casa Branca, mais duradouro do que os caprichos do momento e mais capaz de transformar o poder em ordem, e não em caos.

No entanto, o que o mundo vê hoje em Washington mina completamente essa imagem. Não estamos apenas diante de um presidente barulhento, narcisista e exibicionista, mas de um cenário que revela, com rara crueldade, que o Estado que por tanto tempo se apresentou como o ápice do institucionalismo, às vezes, age como se fosse governado pelo ritmo dos caprichos pessoais, e não pela lógica das instituições.

Um presidente acorda de manhã, toma seu café e publica uma mensagem que inflama os mercados, a política e as alianças; algumas horas depois, envia outro sinal que contradiz o primeiro ou o esvazia de significado, como se o mundo inteiro tivesse se tornado refém entre a paixão da manhã e os caprichos da noite.

Aqui, a questão não se resume mais às excentricidades do homem, mas ao significado do que está acontecendo no próprio âmago do império. Em sua essência, a questão não é meramente um problema de comunicação desenfreada, mas uma exposição política e histórica de uma nação em que o indivíduo começou a rivalizar com a instituição, a improvisação com o planejamento e o clamor com a serenidade que, por muito tempo, foi alardeada como um dos segredos da supremacia estadunidense.

Quando isso ocorre em um país comum, trata-se de uma crise de governança; mas, quando ocorre na potência que ainda detém a mais ampla rede de influência militar, financeira e política do mundo, transforma-se em uma questão global, capaz de afetar o destino de povos e continentes inteiros.

A cena, na realidade, transcende a política e beira o absurdo. Mas esse absurdo não está inscrito nos textos de Beckett, Genet ou Adamov, nem mesmo nas imaginações de Tawfiq al-Hakim sobre um mundo em que a lógica se perdeu. Pelo contrário: está inscrito diretamente nos mapas mundiais. É um absurdo que emana do centro do império, e não de sua periferia; um absurdo que confunde não apenas o cenário interno estadunidense, mas também aliados, adversários, mercados e campos de batalha, simultaneamente.

Quando a maior potência mundial atinge esse nível de contradição diária entre seus pronunciamentos e seus opostos, entre ameaças e retratações, não estamos apenas testemunhando uma confusão política, mas uma fragmentação da própria imagem do centro.

Uma parte fundamental do prestígio dos Estados Unidos residia no fato de que suas decisões, mesmo em seus momentos mais brutais, pareciam emanar de um aparato estatal, e não do capricho de um indivíduo. O mundo lidava com Washington não como uma entidade justa ou moral, mas como uma potência cujas regras eram compreensíveis e, no mínimo, previsíveis.

Hoje, uma das mudanças mais perigosas é que essa previsibilidade está se erodindo, e a imagem de “um Estado que sabe o que quer” está dando lugar a outra: a de um Estado que possui poder excessivo, mas que, gradualmente, perde a disciplina e o significado desse poder.

Aqui reside a essência do dilema imperial. Os impérios não iniciam seu declínio apenas quando são derrotados militarmente ou vencidos por seus adversários; esse declínio também começa quando deixam de se governar com a mesma inteligência que forjou sua glória. Começa quando as demonstrações de poder substituem seu uso eficaz, quando o ruído suplanta a coerência e quando a distância entre o Estado e o indivíduo se erode a ponto de as decisões estratégicas se assemelharem a reações impulsivas ou respostas caprichosas.

É precisamente nesse ponto que a arrogância imperial deixa de ser uma marca de domínio e se transforma em sinal de disfunção.

Os Estados Unidos continuam sendo, sem dúvida, uma potência formidável. Ninguém em sã consciência pode negar seu peso militar, financeiro ou tecnológico, nem a profundidade de suas redes de alianças. Mas a questão aqui não é negar o poder, e sim compreender a natureza do momento. Um império pode ser muito poderoso e, ainda assim, entrar em uma fase de declínio.

Talvez a tragédia dos grandes impérios seja que eles continuam a agir como se seu auge de glória ainda estivesse presente justamente no momento em que começam a perder seu equilíbrio interno. É isso que torna o cenário estadunidense atual tão significativo: Washington tenta agir como a única superpotência incontestável em um momento em que as fissuras se multiplicam em seu núcleo e a distinção entre política de Estado e impulsividade presidencial se torna cada vez mais tênue. Dessa perspectiva, falar sobre a erosão da unipolaridade não é apenas um desejo ideológico dos adversários de Washington, mas uma leitura ditada pela própria realidade. O mundo não vive mais um momento puramente estadunidense como aquele que se seguiu ao colapso da União Soviética. A China está em ascensão, a Rússia luta para definir sua posição, as potências regionais ampliam sua margem de manobra, e os aliados tradicionais dos Estados Unidos se tornam menos convictos e mais preocupados com as oscilações das decisões estadunidense.

A multipolaridade ainda não se estabilizou, mas o que parece certo é que a era do excepcionalismo estadunidense confiante chegou ao fim.

O que é ainda mais perigoso é que essa transformação não decorre apenas da ascensão de outros atores, mas também da própria turbulência interna dos Estados Unidos. Quando o centro do poder vacila, o mundo não precisa assistir à queda de um império para perceber que uma era inteira está chegando ao fim. Basta que um império perca a capacidade de convencer os outros de que ainda é capaz de autocontrole para que estes comecem a reavaliar suas posições e para que seu prestígio decaia antes mesmo que seus instrumentos de poder se enfraqueçam.

O poder não se sustenta apenas em armas, mas também em imagem, confiança, previsibilidade e capacidade de produzir sentido. Todos esses elementos estão sendo corroídos no âmago do cenário estadunidense.

Provavelmente, não estamos testemunhando o fim da hegemonia estadunidense, mas, sim, o fim de sua antiga imagem: a de uma nação que, por décadas, pareceu maior do que os caprichos de seus presidentes e mais capaz de conter o extremismo dentro de uma rede coesa de instituições. Agora, porém, o que se revela gradualmente é que a própria instituição já não está imune a convulsões, e que o império que por tanto tempo alegou ser governado por mentes ponderadas agora está ameaçado de ser comandado por nervos à flor da pele.

É precisamente aqui que o momento adquire seu significado histórico. Quando o indivíduo se sobrepõe ao Estado, o capricho à instituição e a improvisação à estratégia, o império não está no auge de seu poder, como imagina, mas, sim, em um dos limiares de sua maior desordem.

Este é o momento em que o excesso de poder se torna uma máscara que oculta uma crise mais profunda, e o clamor se transforma em uma tentativa desesperada de adiar o reconhecimento de que o mundo está mudando e de que o centro que por tanto tempo ditou seu ritmo já não pode mais monopolizar a definição desse ritmo. Esta, portanto, não é meramente uma crise presidencial. É uma crise de modelo, de um Estado que construiu grande parte de seu projeto hegemônico sobre uma imagem de institucionalismo, disciplina e liderança, apenas para se ver, em um momento histórico crucial, refém de um presidente que escreve o mundo na forma de uma publicação digital, deixando aliados, adversários e mercados lidarem, cada um à sua maneira, com o significado do próximo sinal.

E é assim que começam as grandes transformações: não apenas quando os adversários batem às portas do império, mas quando o próprio império, em seu âmago, começa a ouvir as vozes crescentes da dissidência vindas de dentro.


UM SÉCULO DEPOIS DA FUNDAÇÃO DA USP FINALMENTE UM NEGRO NA REITORIA (FSP)

Confesso que nunca vi o professor Amancio como negro, apenas como um brasileiro. PRA

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UM SÉCULO DEPOIS DA FUNDAÇÃO DA USP FINALMENTE UM NEGRO NA REITORIA 

O professor titular da USP (Universidade de São Paulo) Folha de S. Paulo, 25/04/2026

Amâncio Jorge de Oliveira, 58, novo pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária, vê a chegada à administração da universidade como simbólica especialmente para os jovens negros que estão no ensino superior e que buscam uma carreira acadêmica.

A nomeação de Amâncio alça um homem negro ao alto escalão uspiano pela primeira vez em 92 anos de instituição. Para ele, após o ingresso de alunos e docentes negros, é necessário discutir a mobilidade nas carreiras e as oportunidades dentro dos espaços públicos.

O professor tem trajetória marcada por adaptações. Foi vice-diretor do Instituto de Relações Internacionais da universidade e vice-diretor do Museu do Ipiranga de 2020 a 2024, no bicentenário da Independência e quando o museu foi reinaugurado após anos em obras.

Agora, na administração central da maior instituição de ensino superior do país, diz que pretende intensificar a relação entre universidade e sociedade. Propõe aprimorar a contribuição em políticas públicas e em iniciativas de inovação, além de melhorar a comunicação com o contribuinte, maior financiador da USP.

Homem de meia-idade com barba e óculos, vestido com terno escuro e gravata, sentado em banco de madeira diante de parede de blocos vazados. Folhagens verdes aparecem acima da parede ao fundo.

Amâncio Jorge de Oliveira, pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP (Universidade de São Paulo), na capital paulista; ele também é professor titular do Instituto de Relações Internacionais - Karime Xavier - 25.mar.22/Folhapress

"A chegada de pessoas negras em posições institucionais de liderança, em qualquer segmento da sociedade, é carregada de grande força simbólica. Na universidade não é diferente. A ascensão na carreira carrega um peso simbólico porque indica, para os jovens que estão chegando, perspectivas possíveis", afirma o docente à Folha.

Ele ressalta que no grupo pequeno de docentes negros há discrepância entre os que estão na base e os do topo da carreira. Para ele, a inclusão precisa ser discutida não apenas no ingresso à universidade, mas deve incluir a progressão de carreira e a criação de oportunidades dentro das instituições de ensino.

"Façamos, por exemplo, um comparativo da proporção de docentes pretos, pardos e indígenas na base da carreira e no topo da carreira. O problema da mobilidade fica flagrante. Um estudo na USP mostrou que ocorre exatamente o mesmo quando falamos de equilíbrio de gênero na carreira acadêmica."

A dificuldade de progredir no mundo acadêmico é sintoma dos percalços para ingressar como docente na maior instituição da América Latina. Segundo o anuário estatístico da USP de 2025, são apenas 3,4% de docentes pretos e pardos. Entre os discentes, são 24,5% os autodeclarados negros.

As declarações ecoam outra entrevista ao jornal em 2022. O docente afirmou à época ter passado por diversos episódios de racismo, desde uma pichação após a mudança para Ribeirão Preto até situações veladas, já quando servidor da universidade.

"Da minha entrada na universidade à ascensão a professor titular, o que mais ouvi foi 'desista, não é para você, esse não é o seu lugar'. Escutava isso em conversas com colegas e em outras ocasiões", afirmou à época.

Amâncio afirma que a relação da USP com a sociedade é um dos principais desafios da instituição, especialmente em meio aos impactos da reforma tributária no modelo de financiamento das instituições de ensino superior públicas. O estado precisará alterar dispositivo constitucional que reserva um valor do ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços).

"Todos os indicativos políticos são positivos no sentido da manutenção do modelo de financiamento e do reconhecimento do papel das universidades públicas paulistas como elemento central para o desenvolvimento. Mas, ainda assim, é momento de 'prestações de contas'", atesta.

Por isso, argumenta ser fundamental um maior investimento em extensão, já que, segundo o professor, as universidades são instadas a demonstrar valor para a sociedade. Para ele, a USP precisa ser capaz de mostrar que produz inovação, tanto em tecnologia quanto no campo das políticas públicas, por exemplo.

"A criação do Escritório Ciência e Sociedade, no marco desta gestão, será também uma contribuição importante na interface entre a universidade e a sociedade", diz ele, citando novo órgão que pretende ser um espaço de compreensão das demandas da sociedade à instituição.

Ressalta ainda a importância dos museus como o primeiro ponto de contato entre a USP e a população, especialmente com crianças e adolescentes. Ele foi vice-diretor do Museu do Ipiranga de 2020 a 2024, período coincidente com o bicentenário da Independência e no qual o local foi reaberto ao público após nove anos em reforma.

Nascido no Recife e docente da universidade paulista desde 2002, ele fez graduação na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, mas guinou a carreira acadêmica para as humanidades. Titulou-se doutor em ciência política, estudando a relação entre o empresariado brasileiro e as negociações para a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), proposta americana de integração comercial do continente.

A mudança não se deu porque não gostava de medicina. Amâncio se viu, na verdade, mais interessado nas questões sociais que rondavam a área clínica. Queria conhecer o histórico e a experiência dos pacientes, e gostava de entender os aspectos sociais da vida humana– o que o fez ter contato com obras de sociologia e política e o levou a seguir as ciências sociais em definitivo.

Escolheu a ciência política, e mais especificamente as relações internacionais, diante do momento de consolidação da democracia brasileira. A efervescência das discussões sobre a integração do comércio nas Américas o fez mergulhar no estudo das negociações internacionais, suas técnicas e dinâmicas.

Essa intensificação da discussão acadêmica sobre política externa ganhou tração antes em Brasilia, com a UnB (Universidade de Brasília), e chegou depois em outros polos acadêmicos do Brasil. Na USP, o curso de relações internacionais foi criado em 2001, um ano antes de Amâncio ingressar na instituição.

Como docente e em meio ao momento de criação de uma nova área na universidade, colaborou para o aperfeiçoamento da graduação em RI e para a criação da pós-graduação na área. Fundou um centro de estudo e análise das negociações internacionais em 2005. Em 2019, foi a vez de lançar uma escola de diplomacia científica que estuda a relação entre o intercâmbio de pesquisa e desenvolvimento e colabora para o desenvolvimento das relações entre países ou regiões.

A experiência na chefia de uma unidade da USP o levou ao Museu do Ipiranga. Era mais uma mudança de rumos, já que não teve contato com a museologia. Foi convidado para uma chapa à diretoria do museu pela professora Rosaria Ono, da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo). Ela também estava interessada na capacidade de internacionalização do museu e interlocução com o setor privado.

Não foi fácil lidar com a importância do museu e com o fogo político em que a instituição estava envolvida —ele era mais um flanco da disputa entre o então governador de São Paulo, João Doria (ex-PSDB), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Todo mundo sabe que o Museu do Ipiranga é um patrimônio cultural do país. Não vai pegar bem fazer uso político de maneira mesquinha, não vai colar", afirmou Amâncio em 2022 à Folha, sem citar nomes.

Toda a Rússia é construída sobre uma grande mentira: discurso de Lavrov

 Permito-me relembrar que seu grande amigo brasileiro é o atual assessor internacional do presidente Lula, ou seja, o chanceler virtual. PRA

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Lavrov’s latest performance is a classic piece of Kremlin theater: high on drama, low on facts, and dripping with irony.

Sergey Lavrov: 

“Another very powerful factor destabilising the global situation is the expansion of the West on the Eurasian continent, which has been ongoing for several decades. This is occurring primarily in regions where Russia's influence has always been strong, and where our traditional, legitimate interests lie.

This obsessive ambition, so to speak, has in recent years openly erupted into the slogan of 'inflicting a strategic defeat on Russia.' An open war has been declared against us, with the Kyiv regime being used as a kind of arrowhead. But everyone knows that this arrowhead is helpless without the material support of Western weapons, Western intelligence data, satellite systems, military training, and much, much more.

The Kyiv regime and the Ukrainian state are being used openly as a geopolitical battering ram. Some candid fellows, I believe in the Belgian or German General Staff, have stated publicly: 'We are preparing for war with Russia, and Ukraine is helping us buy time.' Well, there you have it, as they say—there you have it."

If you’ve hear Sergey Lavrov’s comments, you’d be forgiven for thinking Russia is the victim of a global conspiracy rather than the country that actually launched a full-scale invasion of its neighbour. 

Lavrov claims the West is "destabilising" Eurasia by expanding into Russia's "legitimate interests."

The reality check: NATO doesn't go door-to-door recruiting. Countries like Poland, Finland, and now Ukraine begged to join because they’ve lived next to Russia for centuries and know exactly what happens when you’re "within their interests”. 

 Lavrov calls it expansion; the rest of the world calls it sovereign countries choosing not to be invaded.

He describes Ukraine as a "geopolitical battering ram" and a "helpless arrowhead" for the West.

The reality check: This is the ultimate insult to the millions of Ukrainians fighting for their homes. Lavrov wants you to believe that Ukrainians are only fighting because Europe told them to. It’s a convenient way to ignore the fact that Russia’s own actions—the tanks, the missiles, the occupied cities—are the only reason Ukraine is fighting at all.

Lavrov says the West has declared "open war" to destroy Russia.

The reality check: No one is trying to march on Moscow. The "strategic defeat" the West talks about isn't the destruction of Russia. It’s the failure of Russia’s invasion. If Russia stops fighting today, the war ends. If Ukraine stops fighting today, Ukraine ends. Lavrov is trying to convince the Russian public that an existential threat exists to justify a war of choice.

He mocks Belgian and German generals for saying "Ukraine is buying us time.”

The reality check: When a neighbour starts burning down houses on your street, you’d be a fool not to check your smoke alarms. European generals are finally admitting their defenses were neglected. Saying "Ukraine is buying us time" isn't a confession of a secret plan to attack Russia—it’s a panicked admission that they need to get their act together because Russia has proven it’s willing to redraw borders by force.

Lavrov’s speech is a masterclass in DARVO (Deny, Attack, and Reverse Victim and Offender).

He’s pointing at the firefighters and calling them arsonists while he’s still holding the matches.

The "candid fellows" aren't the ones in the Belgian General Staff. They are the ones in the Kremlin who think they can still trick the world into believing the victim is the aggressor.

sábado, 25 de abril de 2026

Academia.edu anda cada vez mais sofisticada: outros trabalhos meus e livros e artigos de terceiros - Paulo Roberto de Almeida

 Ao acessar, na plataforma Academia.edu, um dos meus trabalhos, pertinentes a uma nova apresentação que devo fazer proximamente, reparei que a janela de apresentação do meu paper (Original pdf), este aqui: 

5206) O Brasil e a geopolitica da brutalidade (2026)

https://www.academia.edu/164789362/5206_O_Brasil_e_a_geopolitica_da_brutalidade_2026_ 

é contígua a uma outra janela, de "Related" [papers], na qual figuram diversos outros trabalhos deste mesmo autor, assim como várias sugestões de papers de terceiros, livros e artigos também constantes do mesmo universo de discussão. Como achei particularmente interessantes as sugestões, reproduzo-as aqui, para eventual satisfação de meus dezoito leitores, interessados nessas matérias: 

Find another great paper

PRA: A última sugestão não vou seguir: não conseguiria terminar neste século: 

"Search 47 million papers"



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 Pouca coisa parece ter mudado no Brasil, de 2021 a 2026, e o que mudou parece ter sido para pior… PRA “Meu artigo de hoje no Estado de Mina...