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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Carreira Diplomática: respondendo a um questionário - Paulo Roberto de Almeida

  

2007. “Carreira Diplomática: respondendo a um questionário”, Brasília, 21 maio 2009, 8 p. Respostas a questões colocadas por graduanda em administração na UFSC. Postado no blog Diplomatizzando (21.05.2009; link: http://diplomatizzando.blogspot.com/2009/05/1112-carreira-diplomatica-respondendo.html). Postado novamente no blog Diplomatizzando em 8/01/2016 (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/01/um-questionario-sobre-carreira.html).

 

Carreira Diplomática: respondendo a um questionário

 

Paulo Roberto de Almeida (www.pralmeida.org)

Respostas a questões colocadas por:

graduanda em administração na UFSC.

 

1. Como você se sente por ter escolhido essa profissão (área de atuação)?

PRA: Bastante bem: de certa forma, a profissão me escolheu, posto que desde muito cedo comecei a viajar, primeiro pelo Brasil, depois pela América do Sul e, finalmente, ao completar 21 anos, decidi estudar na Europa, por meus próprios meios e obtendo meus próprios recursos. Foi uma escolha que me preparou para uma vida nômade e aventureira e nunca me arrependi de ter-me lançado ao mundo em fase ainda precoce e sem sequer ter terminado o segundo ano da graduação. Como minha intenção era estudar fora do Brasil, pode-se dizer que realizei meu intento. Quando regressei ao Brasil, depois de quase sete anos na Europa, eu já estava preparado, digamos assim, para tornar-me diplomata. Mas, antes, não tinha pensado: “tropecei” com a carreira, se ouso dizer. Até então, eu só queria derrubar o governo militar.

 

2. Como você descreveria a sua profissão?

PRA: Uma burocracia de alto nível de qualificação técnica com ampla abertura para as humanidades e o conhecimento especializado. Trata-se, simplesmente, da mais intelectualizada carreira na burocracia federal, combinando aspectos da carreira acadêmica, da pesquisa aplicada e da elaboração de decisões em ambiente altamente competitivo, tanto interna, quanto externamente. Uma elite, como se costuma dizer.

 

3. Qual sua formação acadêmica? Você considera que ela foi fundamental para o sucesso profissional?

PRA: Ciências Sociais, ou humanidades, no sentido lato, e acredito que ela foi fundamental no ingresso e sucesso na carreira escolhida. Desde muito cedo inclinei-me para os estudos sociais, com forte ênfase na história, na política e na economia, complementados por uma dedicação similar a geografia, antropologia, línguas e cultura refinada, de uma maneira geral. Sou basicamente um autodidata e creio que isso facilitou-me enormemente o ingresso na carreira, pois quase não necessitei de muito estudo para os exames de ingresso. Aliás, entre a decisão de fazer o concurso (direto, no meu caso) e o ingresso efetivo, decorreram pouquíssimos meses (três).

 

4. Quais as principais dificuldades enfrentadas para conseguir passar no concurso?

PRA: Direito e Inglês, posto que eu havia estudado amplamente todas as demais matérias, mas não Direito, e todos os meus estudos foram feitos em Francês, que eu dominava amplamente. Mas, meu Inglês era muito elementar, servindo tão somente para leituras. Acho que passei raspando nessas duas matérias, nas outras fui bem.

 

5. Quando você iniciou sua carreira você tinha definido alguns objetivos e metas de onde queria chegar?

PRA: Não especialmente: nunca fui carreirista, no sentido tradicional do termo, e não me preocupava em ser embaixador ou ocupar qualquer posto de distinção. O que me seduzia era a profissão em si, a mobilidade geográfica, o conhecimento de novos países, a possibilidade de estar sempre aprendendo, estudando, viajando. Sou basicamente um estudioso, um observador da realidade, um “compilador” de informações e análises e um escritor improvisado. Todo o resto me é secundário.

 

6. Como você integra as diversas esferas de sua vida (trabalho, família, lazer, esporte, cursos, etc.)? Está satisfeito?

PRA: Imenso sacrifício para consegui fazer tudo aquilo que tenho vontade, pela simples razão que eu tenho vontade de ler tudo, o tempo todo, em qualquer circunstância, assim como tenho vontade de viajar, de participar de atividades acadêmicas e intelectuais, tendo ao mesmo tempo de me desempenhar em funções atribuídas pela burocracia no meio de tudo isso. Ora, é praticamente impossível conciliar tantas vontades, e ainda ser um marido perfeito, um pai de família perfeito e outras coisas da vida social e relacional. Em síntese, esses outros aspectos foram de certa forma sacrificados no empenho pessoal em ler, estudar e escrever. Reconheço essas imperfeições, mas não se pode ter tudo na vida: escolhas são inevitáveis, e as minhas estão do lado da leitura, do saber e da escrita. São atividades nas quais eu me realizo plenamente. Em outros termos, ninguém consegue integrar todos os seus interesses perfeitamente, e algum aspecto (ou vários) acaba sempre sendo sacrificado; no meu caso, são horas de sono, de lazer, de simples far niente, e também certa negligência familiar, reconheço. Não pratico esportes, a não ser caminhadas moderadas, já em idade madura. Pratico leituras, com alguma intensidade, eu diria intensíssima, e sobretudo o gosto da escrita. No mais, sou um pouco eremita...

 

7. Quais os períodos de sua carreira que você mais gostou?

PRA: Todos, pois em todos e em cada um eu fiz aquilo que mais gosto: viajar, muito, intensamente, ler, também intensamente, escrever, observar, aprender, em toda e qualquer circunstância, mesmo em situações difíceis de abastecimento, conforto, restrições monetárias ou outras. Toda a minha carreira me trouxe algo de bom, mesmo em situações temporariamente de sacrifício. Nunca deixei de fazer aquilo que mais gosto, e que já foi descrito anteriormente.

 

8. Quais os períodos de sua carreira que você menos gostou?

PRA: Numa ou noutra situação, alguns postos apresentam dificuldades materiais, desconfortos psicológicos, desafios razoáveis: por pequenos momentos, chega-se a desejar voltar ao Brasil e retornar à rotina burocrática do cerrado central, onde os atrativos são menores, mas também as surpresas. De toda forma, sempre aproveitei os momentos de dificuldade para refletir e escrever, como sempre, aliás.

 

9. Dentro da perspectiva de sua carreira tem alguma coisa que você gostaria especialmente de evitar?

PRA: Sim, talvez eu devesse ter dedicado menos atenção aos livros e mais às pessoas, mas essas são escolhas que fazemos deliberadamente, por opções próprias, pensadas ou não. Quem tem a compulsão pela leitura e pela escrita, não consegue acalmar-se a menos de satisfazer o seu “vicio”, daí o sacrifício de outros aspectos da vida social que muita gente valoriza em primeiro lugar. Por outro lado, nunca, na carreira, fui obrigado a assumir obrigações que eu mesmo não desejasse assumir, como por exemplo trabalhar em áreas para as quais eu não me sinto talhado nem tenho a mínima vontade de experimentar: administração, por exemplo, ou cerimonial, ou talvez ainda consular. São áreas nas quais eu provavelmente me sentiria infeliz, pois o meu terreno natural são os estudos, de qualquer tipo: geográfico, político, econômico, cultura, antropológico, no sentido amplo. Todas as áreas funcionais de caráter geográfico, político ou sobretudo econômico me servem perfeitamente. Aliás, nunca me pediram para trabalhar em áreas nas quais eu não gosto, e se me pedissem eu não teria nenhuma hesitação em recusar, mesmo podendo incorrer em alguma falta funcional ou ser sancionado por isto. Sou um pouco anarquista, e não gosto de fazer o que me mandam e sim o que eu decido e gosto de fazer.

Por outro lado, jamais me pediram para escrever ou dizer algo que violentasse minha consciência, e eu não hesitaria um segundo em recusar-me terminantemente, como algumas vezes me recusei a defender determinados pontos de vista, que não eram os meus. Por outro lado, jamais enfrentei a obrigação de escrever naquele estilo clássico, ou chatérrimo, que é o diplomatês habitual, cheio de adjetivos hipócritas e de pura formalidade vazia: não tenho espírito, paciência nem disposição para esse tipo de enrolação. Costumo escrever o que penso, sem qualquer concessão a formalismos. Sobretudo, não costumo produzir bullshits, muito freqüentes nesta profissão...

 

10. Você tem objetivo em longo prazo na sua carreira? Você tem uma visão de futuro profissional?

PRA: Acredito que o diplomata deve servir antes à Nação do que a governos, deve defender valores, e não se subordinar a teses momentaneamente vitoriosas que por alguma eventualidade confrontem esses valores. Já escrevi algo a esse respeito, e remeto a meu trabalho: “Dez Regras Modernas de Diplomacia” (Chicago, 22 jul. 2001; São Paulo-Miami-Washington 12 ago. 2001, 6 p., n. 800; ensaio breve sobre novas regras da diplomacia; revista eletrônica Espaço Acadêmico, a. 1, n. 4, setembro de 2001; link: http://www.espacoacademico.com.br/004/04almeida.htm).

 

11. Você se considera realmente bom em quê? Quais são seus pontos fortes? E como você aproveita seus pontos fortes no seu trabalho?

PRA: Creio que sou capaz de fazer análises contextuais que envolvam conhecimento histórico, embasamento econômico e situação política, ou seja, tenho instrumentos analíticos e amplos conhecimentos que me permitem situar qualquer problema (ou quase) em um contexto mais amplo, e daí extrair alguns elementos de informação para a instrução de um processo decisório que tenha em conta o interesse nacional. Toda a minha vida eu estudei o Brasil e o mundo, visando tornar o primeiro melhor, num mundo que nem sempre é cooperativo. Registre-se que eu não pretendo tornar o Brasil melhor para si mesmo, ou seja, uma grande potência ou qualquer pretensão desse gênero, que encontro simplesmente ridícula. Eu pretendo tornar o Brasil melhor para os brasileiros, ponto. Contento-me apenas com isso. Minha perspectiva, a despeito de ser um funcionário de Estado, não é a do Estado. Não pretendo trabalhar no Estado, para o Estado, com o Estado: minha perspectiva é a dos indivíduos concretos, e meus objetivos são promover os indivíduos, se preciso for contra o Estado. Não tenho nenhum culto ao Estado e nem pretendo torná-lo maior ou mais poderoso, apenas mais eficiente para servir aos indivíduos, não a si mesmo. Desespera-me essas pretensões nacionalistas estatizantes, pois elas se fazem, em geral, em detrimento do bem-estar individual da maior parte dos cidadãos.

Por outro lado, não me considero patriota, no sentido corriqueiro do termo. Sou brasileiro por puro acidente geográfico, pois poderia ter nascido em qualquer outro país ou em qualquer outra época, por puro acaso. Gostaria de reiterar esse ponto, com toda a ênfase que me é permitida. Não sou dado a patriotismos, nem a chauvinismos ultrapassados e ridículos. A nacionalidade, repito, é um acidente geográfico, ou talvez seja a naturalidade, da qual decorre a primeira. Parto do pressuposto da unidade fundamental e universal da espécie humana. Sou brasileiro, como poderia ter sido esquimó, hotentote ou pigmeu, e ninguém seria responsável por esses acasos demográficos, nem mesmo meus pais, posto que ninguém “fabrica” uma pessoa com base em especificações pré-determinadas. Somos em parte o resultado da herança genética (em grande medida, talvez mais do que o indicado ou desejável, mas talvez não a parte mais decisiva de nossas personalidades); em parte o resultado do meio social e cultural no qual crescemos, e das influências que experimentamos involuntariamente em diversas etapas formativas de nosso caráter; e em parte ainda (o que espero mais substancial ou importante), somos o produto de nossa própria formação ativa, dos estudos empreendidos e dos esforços que fazemos nós mesmos para moldar nossas vidas, nosso estilo de comportamento e nossa maneira de pensar, com base em escolhas e preferências que adotamos ao longo da vida. Devemos sempre assumir responsabilidade pelo que somos, e jamais atribuir ao meio ou a qualquer herança genética determinados traços que podem eventualmente revelar-se menos funcionais para nosso desempenho profissional ou intelectual.

Meus pontos fortes, portanto, são minha capacidade analítica, meus conhecimentos acumulados e meu devotamento à causa dos indivíduos, não dos Estados, e sempre tento passar esses pontos à frente de qualquer outra consideração. Não hesito em defender meus pontos de vista, mesmo contra meus interesses imediatos, que poderiam recomendar uma acomodação com a situação presente – a lei da inércia é uma das mais disseminadas na humanidade – ou com autoridades de qualquer tipo. Não costumo fazer concessões a autoridades apenas para obter vantagens pessoais, e acho essa atitude basicamente correta (ainda que a um custo por vezes enorme no plano pessoal). Talvez seja teimosia de minha parte, mas considero isso antes uma virtude, do que um defeito. Enfim, tendo concepções fortes sobre determinados temas, me é muito mais fácil preparar e expor posições do interesse do Brasil, com base em conhecimentos previamente acumulados, o que me dispensa de longas pesquisas ou buscas em arquivos.

 

12. Quais são seus pontos fracos?

PRA: Devo ter (e tenho) vários, sendo os mais evidentes essa introversão habitual, essa preferência ao convívio com os livros, mais do que a convivência com pessoas, uma certa arrogância intelectual (que reconheço plenamente), derivada de leituras intensas e de uma imensa acumulação de conhecimentos e informações – que em excesso podem ser prejudiciais, dizem alguns – essa pretensão a saber mais do que os outros (o que em parte é verdade, pela simples intensidade de leituras, mas os outros não gostam que se lhes confronte os argumentos, obviamente). Por outro lado, não tenho nenhum respeito pela hierarquia ou pela autoridade, o que muitos consideram um defeito (mas não eu, dado meu anarquismo particular). Não sou de respeitar o argumento da autoridade, mas apenas a autoridade do argumento, a lógica impecável, e a decisão bem formulada, posto que empiricamente embasada, tecnicamente sólida, com menor custo-oportunidade ou a melhor relação custo-benefício. Enfim, sou um racionalista, e detesto impressionismos e subjetivismos, o que é muito fácil de encontrar em quaisquer meios. Daí choques inevitáveis com determinadas pessoas que pretendem mandar a partir de sua vontade exclusiva, não de um estudo aprofundado de situação. Enfim, ser rebelde assim deve ser um defeito...

 

13. O que você mais deseja na sua carreira?

PRA: Todos somos egocêntricos ou narcisistas em certa medida. Todos queremos reconhecimento e prestígio, por mais que se diga o contrário. Todos queremos ser elogiados e premiados (no meu caso não monetariamente ou em qualquer aspecto material). Assim, desejo ser reconhecido não necessariamente como um bom diplomata, mas simplesmente como um bom cidadão, alguém que cumpre seus deveres e atua conscienciosamente em benefício da maioria (que calha de ser o povo brasileiro, mas poderia ser qualquer outro, pois como disse, eu me coloco do ponto de vista dos indivíduos, não do Estado). Gostaria de ser reconhecido como estudioso, como esforçado e, sobretudo, como alguém comprometido com o bem comum. Pode ser vaidade, mas é assim que vejo minha carreira, que para mim não é uma simples carreira de Estado, mas sim uma atividade que me coloca no centro (ou pelo menos numa das agências) do Estado, ali colocado para servir a pessoas, não a instituições abstratas.

Gostaria que se dissesse de mim, em algum momento futuro: foi um funcionário dedicado, foi um homem bom, esforçado, devotado ao bem comum, sobretudo foi correto consigo mesmo e com todas as instâncias de interação social ou profissional. Praticou a honestidade intelectual e se esforçou para fazer do Brasil e do mundo lugares melhores do que aqueles que encontrou em sua etapa inicial de vida.

 

14. O que você pensa que acontecerá à sua carreira nos próximos dez anos?

PRA: Nada de muito relevante, posto que não sou carreirista e não faço da carreira o centro de minhas preocupações intelectuais ou sequer materiais. Estou na carreira diplomática, como poderia estar na academia ou em alguma outra atividade que tenha a ver com o estudo, o esforço intelectual, a análise e a elaboração de propostas. Sou basicamente um intelectual e a carreira para mim é secundária. Provavelmente vou me aposentar nos próximos dez anos, e aí dispor de todo o meu tempo livre para me dedicar àquilo de que mais gosto: leitura, redação, um pouco de aulas e palestras, viagens, alguns prazeres materiais (como a gastronomia, ou a gourmandise, por exemplo) e espero ter condições físicas de continuar escrevendo, ensinando e colaborando com a elevação intelectual da sociedade pelo maior tempo possível. Se me sobrar tempo gostaria de consertar algumas coisas que encontro muito erradas no Brasil, como por exemplo: a corrupção (generalizada em todas as esferas), a desonestidade intelectual nas academias, a miséria material de grande parte da população (que decorre, em minha opinião, de políticas erradas e do excesso de poderes conferidos ao Estado), enfim, tudo aquilo que sabemos errado em nosso País.

 

15. O que você aconselharia para alguém que estivesse iniciando na mesma área?

PRA: Seja estudioso, dedicado, honesto intelectualmente, esforçado no trabalho, um pouco (mas apenas um pouco) obediente, inovador, curioso, questionador – mas ostentando um ceticismo sadio, não uma desconfiança doentia –, tente aprender com as adversidades, trate todo mundo bem (e, para mim, da mesma forma, um porteiro e um presidente), não seja preguiçoso (embora dormir seja sumamente agradável), cultive as pessoas, mais do que os livros (o que eu mesmo não faço), seja amado e ame alguém, ou mais de um... Enfim, seja um pouco rebelde, também, pois a humanidade só avança com aqueles que contestam as situações estabelecidas, desafiam o status quo, tomam novos caminhos, propõem novas soluções a velhos problemas (alguns novos também). No meio de tudo isso, não se leve muito a sério, pois a vida é uma só – sim, sou absolutamente irreligioso – e vale a pena se divertir um pouco. Tudo o que eu falei ou escrevi acima, parece sério demais. Não se leve muito a sério, tenha tempo de se divertir, de contentar a si mesmo e os que o cercam.

 

Brasília, 21 de maio de 2009.

 

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Msg de 24.04.2009:

Boa tarde!

Sou acadêmica da última fase de graduação em administração na UFSC, e tenho interesse em seguir a carreira diplomática.

Como trabalho da disciplina de planejamento de carreira preciso fazer uma entrevista com profissional da área que pretendo atuar.

Se houver disponibilidade, eu tenho interesse que o entrevistado seja o sr., para tanto solicito que responda as perguntas abaixo.

 

1. Como você se sente por ter escolhido essa profissão (área de atuação)?

2. Como você descreveria a sua profissão?

3. Qual sua formação acadêmica? Você considera que ela foi fundamental para o sucesso profissional?

4. Quais as principais dificuldades enfrentadas para conseguir passar no concurso?

5. Quando você iniciou sua carreira você tinha definido alguns objetivos e metas de onde queria chegar?

6. Como você integra as diversas esferas de sua vida (trabalho, família, lazer, esporte, cursos, etc.)? Está satisfeito?

7. Quais os períodos de sua carreira que você mais gostou?

8. Quais os períodos de sua carreira que você menos gostou?

9. Dentro da perspectiva de sua carreira tem alguma coisa que você gostaria especialmente de evitar?

10. Você tem objetivo em longo prazo na sua carreira? Você tem uma visão de futuro profissional?

11. Você se considera realmente bom (boa) em quê? Quais são seus pontos fortes? E como você aproveita seus pontos fortes no seu trabalho?

12. Quais são seus pontos fracos?

13. O que você mais deseja na sua carreira?

14. O que você pensa que acontecerá à sua carreira nos próximos dez anos?

15. O que você aconselharia para alguém que estivesse iniciando na mesma área?

 

 

 

De onde vem a expressão “Brasil, país do futuro”? - Paulo Roberto de Almeida

De onde vem a expressão “Brasil, país do futuro”?
Paulo Roberto de Almeida (2022)

    Stefan Zweig coloca a origem da expressão no frontispício da obra que ele consagrou ao Brasil:

    Um pays nouveau, un port magnifique, l’éloignement de la mesquine Europe. Un nouvel horizon politique, une terre d’avenir et un passé presque inconnu qui invite l’homme d’étude à des recherches, une nature splendide et le contact avec des idées exotiques nouvelles.

    Quem escreveu isto foi um diplomata austríaco, o conde Prokesch Osten, em carta a Arthur Gobineau, em 1868, quando este hesitava em aceitar o posto de ministro na corte de D. Pedro II, que lhe havia sido oferecido pelo imperador Napoleão III.

    Gobineau foi oficial de gabinete de Alexis de Tocqueville, quando este foi ministro das Relações Exteriores na Segunda República francesa (1848-1851), e se tornou mais conhecido como teórico do racismo quando publicou em 1853, o livro "Essai sur l’inegalité des races humaines", quando ele inventou a partícula aristocrática “de”, agregando-a ao seu nome de família, e passando a se intitular “conde”.  

    Gobineau, integrou-se à carreira diplomática, tendo servido em Berna, Hannover, Frankfurt, Terra Nova e Teerã, e foi ministro da França em Atenas. Hesitou muito em aceitar o novo posto no Brasil: permaneceu no Rio de Janeiro apenas quatorze meses, de abril de 1869 a maio de 1870; a despeito de se ter ligado de amizade com o imperador Pedro II, achou insuportável sua estada no Brasil, um país de “mestiços degenerados”, o que certamente reforçou seus preconceitos racistas.


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Comércio Exterior: o Brasil no plano global - Paulo Roberto de Almeida (Encontro Acadêmico do Livres)

  

Comércio Exterior: o Brasil no plano global

  

Paulo Roberto de Almeida

Notas para apresentação oral em Encontro Acadêmico do Livres, com a economista Sandra Rios, em 17/09/2026, 19h00, online.

 

 

Breve histórico do sistema multilateral de comércio

O sistema multilateral de comércio, instituído em 1949 pelo acordo geral sobre tarifas aduaneiras e comércio (GATT-1947), funcionou provisoriamente durante aproximadamente meio século, até ser absorvido na estrutura institucional da Organização Mundial do Comércio, um dos resultados (ainda que não previsto) da Rodada Uruguai de negociações comerciais multilaterais, lançada pela Declaração de Punta del Este, em setembro de 1986, e que se desenvolveu entre 1987 e 1993, com a assinatura dos acordos de Marrakesh em 1994. A WTO-OMC tinha 166 membros até 2024, sendo que o Brasil é membro fundador tanto da OMC, quanto do GATT.

Praticamente quase todos os países importantes do mundo são membros da OMC, com exceção da Coreia do Norte, de poucos países com status de observadores, em negociações para ingressar, na África do Norte e no Oriente Médio, além da Groenlândia, que Donald Trump quer absorver. Taiwan possui um status especial, como território aduaneiro, mas tem uma espécie de tratado de livre comércio com a China desde 2010, embora batizado de acordo quadro de cooperação econômica e formalizado, não entre os dois Estados, mas entre duas organizações civis. Existem ainda duas dúzias de países que possuem status de observadores junto à OMC, entre eles Argélia, Belarus, Líbano, Sérvia e a Santa Sé.

No momento de fundação da OMC, em 1994, 128 países eram partes contratantes ao GATT-1947, que começou com uma dúzia e meia de aderentes em 1948, e que se transformou em GATT-1994, ao final da Rodada Uruguai, a última exitosa (parcialmente), pois que a Rodada Doha, começada em 2001, nunca foi concluída (a despeito de avanços muito parciais logrados ulteriormente). Uma das principais inovações institucionais da Rodada Uruguai foi a criação de um mecanismo de solução de controvérsias comerciais entre Estados, de maneira muito mais efetiva do que os procedimentos flexíveis anteriormente existentes. Mas, o tribunal de apelação encontra-se paralisado desde 2019, devido à oposição política dos EUA em designar novos membros para o órgão.

O Brasil ratificou o acordo do GATT em julho de 1948, com algumas dificuldades, pois os congressistas tiveram de ser convencidos pelos diplomatas e por alguns parlamentares de que se tratava de um acordo aceitável para o Brasil, mesmo com a resistência de muitos; o então deputado Horácio Lafer, depois ministro da Fazenda de Getúlio Vargas e chanceler de Juscelino Kubitschek, foi um dos principais defensores do Gatt, convencendo os deputados a ratificar o Acordo Geral. Até aquela época o Brasil tinha em sua legislação comercial vários dispositivos contrários às tábuas da lei, isto é, contrários aos princípios básicos do Acordo Geral, inclusive derrogações ao tratamento nacional depois do ingresso dos produtos no território nacional, discriminações diversas, tarifas abusivas e distorções de todos os tipos.

Na segunda metade dos anos 1950, quanto se reformou nossa legislação aduaneira (nova Tarifa de 1958, claramente protecionista) até se cogitou, nas mais altas esferas do governo, de nos retirarmos do GATT. Cabe registrar que a Argentina só aderiu em 1967, e o México apenas em 1986, pouco antes da Rodada Uruguai.

Participamos de todas as rodadas, embora nas primeiras fossemos relutantes nas reduções tarifárias. Recomendável a leitura do livro organizado e introduzido por Rogério de Souza Farias: A palavra do Brasil no sistema multilateral de comércio (1946-1994) (Brasília: Funag, 2013, 885 p.; disponível na Biblioteca Digital da Funag: https://funag.gov.br/biblioteca-nova/produto/1-187-palavra_do_brasil_no_sistema_multilateral_de_comercio_1946_1994_a ), pois ele refaz a longa história de nossa participação no SMC e nas rodadas de negociação até a criação da OMC.

 

Comércio exterior do Brasil: breves notas

Nossos principais parceiros comerciais são, pela ordem, a China – que sozinha faz mais do que o dobro dos dois outros parceiros – a UE e os Estados Unidos, seguidos pela Argentina e depois pelo Chile. Nosso teto tarifário se situa pouco acima do 30% ad valorem (35% em produtos agrícolas), embora a média das alíquotas, segundo o princípio MFN (NMF) esteja pouco acima de 10%, um pouco mais acima para produtos agrícolas. A TEC do Mercosul, como se sabe, vai de 0 a 20%, mas existem exceções (nacionais) que podem chegar a 35% (no caso de automóveis), ou até mais em regimes especiais. Também somos um dos países que mais aplicamos medidas antidumping, o que é outra forma de protecionismo, além das tarifas mais elevadas 3 ou 4 vezes acima da alíquota média dos principais comerciantes globais.

Nosso último Trade Policy Review foi feito em novembro de 2022, ou seja, quase quatro anos atrás, e as reclamações já são conhecidas: protecionismo renitente, altas tarifas, abuso em antidumping e mecanismos pouco transparentes em matéria de medidas para-tarifárias ou regulações minuciosas, ou seja, barreiras técnicas ao comércio, sempre perseguindo a proteção do mercado nacional contra a competição estrangeira. Esse último TPRM pode ser consultado neste link: https://www.wto.org/english/tratop_e/tpr_e/tp532_e.htm  

 

Acordos de livre comércio e liberalização tarifária parcial

Existem mais de 600 acordos regionais de comércio atualmente em vigor, desde o início do Gatt, sendo metade pelo Artigo 24 do GATT, que regula as exceções à cláusula MFN, mais de 200 ao abrigo do Artigo 5 do GATS, e mais de 60 acordos entre países em desenvolvimento, ou seja, ao a abrigo da cláusula de habilitação, que deriva da Rodada Tóquio (1979) do Gatt, na qual se inclui igualmente a Aladi e o próprio Mercosul.

O Brasil é parte de uma dezena de acordos regionais de comércio, metade via Mercosul, inclusive o recentemente aprovado acordo Mercosul-UE (ainda não ratificado, mas entrado provisoriamente em vigor), além do próprio Mercosul, da Aladi, e de um acordo preferencial com o México. O Mercosul tem ainda velhos e limitados acordos com a SACU, Índia, Egito e Israel, ademais de mais recentes com EFTA, Singapura, e negociações com Canadá e Coreia do Sul. Com o Canadá existem negociações desde 2018, e pode ser que elas se acelerem agora com os vários ataques de insanidade tarifária por parte de Trump. A Argentina, por sua vez, assinou um acordo de livre comércio com os EUA de Trump, o que parece ser um prolongamento das “relações carnais” que existiram na era Menem. Na América Latina, apenas a Colômbia, o Peru e o Chile participam de um número significativo de acordos de livre comércio, do tipo que Trump vem destruindo sistematicamente, desde o Nafta sob Trump 1, e agora até o acordo tripartite com Canadá e México que ele mesmo impôs aos outros dois parceiros dos EUA.

Trump e os “trumpistas comerciais” simplesmente ignoram e abominam a cláusula de nação mais favorecida e encontram-se empenhados em desmantelar o sistema multilateral de comércio, da mesma forma como Putin está desmantelando o sistema multilateral político, a Carta da ONU, ou a simples decência no respeito ao Direito Internacional. Trump e Putin são duas almas gêmeas, talvez até mais do que isso.

 

Relações comerciais Brasil-Estados Unidos sob Trump

Não é preciso descrever as várias etapas da insanidade tarifária de Trump contra o Brasil e praticamente todos os países do mundo, desde o Liberation Day de abril de 2025 (quando ficamos temporariamente aliviados por termos caído na cota mínima de 10%), seguido das tarifas punitivas e outras medidas retaliatórias por razões claramente políticas ligadas ao processo Bolsonaro, todas elas demandadas pela família Bolsonaro, que é fiel aliada e submissa a Trump. Ao mesmo tempo, foram iniciadas investigações absurdas ao abrigo da seção 301 do Trade Act de 1974, que chegam até a incriminar o PIX por concorrência desleal com os cartões Visa e Master Card, ademais de outras recriminações esquizofrênicas.

Posteriormente, ocorreram mudanças parciais de humor e de raiva, com alterações limitadas nessas medidas exclusivamente e unilateralmente trumpistas, contra as quais o presidente Lula tem procurado atuar por meio de um diálogo errático, ao estilo da canção de Aldir Blanc e João Bosco, “são dois prá lá, dois prá cá”. Isso deve continuar enquanto Trump existir como o mais desequilibrado presidente que os EUA e o mundo já conheceram.

Nossa disputa mais recente é com os EUA, como não poderia deixar de ser, mas o Brasil apenas solicitou consultas a propósito da última rodada das marteladas tarifárias eminentemente políticas, ao abrigo da seção 301 do Trade Act, por parte do insano dirigente que se crê o imperador hemisférico. O pedido, circulado no final de julho de 2026, pode ser visto aqui: https://www.wto.org/english/news_e/news26_e/ds646rfc_30jul26_468_e.htm .

 

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5439, 29 agosto 2026, 4 p.; revisão, 5461: 17/09/2026.

  Disponível no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/comercio-exterior-o-brasil-no-plano.html

 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Encontro com o Conselho Acadêmico do Livres: Comércio Exterior: o Brasil no plano global: Sandra Rios⁩, Paulo Roberto de Almeida

Encontro com o Conselho Acadêmico do Livres: 

Comércio Exterior: o Brasil no plano global: 

Sandra Rios⁩, Paulo Roberto de Almeida 

 

*Encontro com o Conselho Acadêmico*!
O Livres convida você para o debate "*Comércio Exterior: o Brasil no plano global",* no dia 17/09, às 19h!
Para discutir a abertura comercial, a competitividade do nosso mercado e o papel estratégico do Brasil na economia global, receberemos dois grandes especialistas do nosso Conselho Acadêmico:
👤 @⁨Pralmeida@me.com⁩ — Diplomata e Conselheiro Acadêmico
👤 @⁨Sandra Rios⁩ — Economista e Conselheira Acadêmica
🗓️ Data: *17/09*
⏰ Horário: *19h*
💻 Onde: Ao vivo pelo *Google Meet*

sábado, 12 de setembro de 2026

As ideias e as práticas da política externa brasileira (incompleto) - Paulo Roberto de Almeida

Um trabalho feito no celular, que não tinha sido transposto para o computador:  

As ideias e as práticas da política externa brasileira 

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor

Texto incompleto de um trabalho iniciado, mas não terminado, encontrado numa postagem no Threads, com data de 11/08/2026 (21 Views), sem qualquer registro anterior nesta lista de trabalhos ou nos arquivos do computador.

  

Toda política de Estado, que não seja pura reação a fatos intervenientes que se infiltram de forma independente na agenda dos governantes de plantão, resulta sempre de alguma concepção própria que possua o chefe de Estado e de governo, junto com seus assessores imediatos e seus inspiradores indiretos, sobre como conduzir as principais políticas governamentais que respondam aos desafios da própria governança.

Governos inspirados por ideias gerais sobre como conduzir os mais importantes assuntos de Estado — economia, segurança pública e defesa externa, educação e saúde da população, infraestrutura e relações exteriores — retiram de sua própria experiência governativa anterior (nos munícipios, nos estados, na esfera legislativa) as principais diretrizes a serem aplicadas num mandato determinado (em democracias, pela via eleitoral), ou então buscam sugestões com base em estudos técnicos disponíveis e em propostas que lhes são submetidas por homens de ideias, ditos ideólogos, do momento presente, ou de etapas anteriores da trajetória do país.

Ideias movem o mundo pretendem intelectuais, mas o mais exato é que ideias, teorias, programas de governo resultem de uma interação entre ideias puras, ou seja, conceitos ideais, e necessidades e constrangimentos extraídos da vida como ela é, o turbilhão de processos, iniciativas e reações vindas de agentes internos e externos, produtores, consumidores, reguladores, governos e empresas estrangeiras interagindo com seus parceiros nacionais, públicos e privados.

Na economia, que é o núcleo central, e o mais relevante polo das políticas governamentais, o Brasil atual é o resultado de uma colonização extratora, com quatro séculos de regime de trabalho escravocrata que moldou boa parte da sociedade, adentrando na própria independência, ao lado da marginalidade estrutural dos setores livres da população dedicados à atividade agrícola de abastecimento e todos os demais serviços urbanos, primeiro artesanais, depois numa atividade manufatureira-industrial.

A forte imigração desde o final do século XIX e início do XX, sofisticou serviços, comércio e indústria, ao lado do estabelecimento de instituições de ensino nos diversos níveis, mas sempre com atraso relativo em relação a países mais avançados e vis-à-vis as próprias necessidades da sociedade nacional, que passa por rápidos processos de urbanização e de democratização social ao longo do século XX.

Na segunda metade do século XX, o Brasil já tinha uma feição econômica, politica e educacional relativamente similar à que temos atualmente, mas enfrentou, ao lado da modernização dinâmica que continuou moldando a sociedade e o Estado, ciclos inflacionários e de descontrole nas contas públicas que consolidaram e praticamente congelaram os altos índices de concentração de renda e de iniquidade social que exibia tradicionalmente.

O Brasil é uma sociedade moderna, mas com um número excessivamente elevado de pobres e de miseráveis, resultado de estruturas oligárquicas que sempre se mantiveram estáveis, nos diferentes formatos assumidos ao longo do tempo. Governos social-democratas ou de esquerda nas últimas três décadas não lograram corrigir esse lado mais deplorável da sociedade brasileira, que é uma desigualdade estrutural resiliente às transformações na sua base econômica— inclusive um agro bastante moderno, que enterrou a agricultura atrasada que se arrastou até os anos 1980-90 — e no próprio substrato industrial, em serviços e nas instituições de ensino. A marginalidade social e a exclusão política persistem nas grandes cidades e no campo brasileiro.

Passemos agora ao panorama das ideias e das práticas no terreno da política externa e da diplomacia.

(A continuar)

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5456: 12 setembro 2026, 2 p.

Divulgado no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/09/as-ideias-e-as-praticas-da-politica.html)

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Uma nova cúpula do BRICS+: estou aguardando uma nova declaração lacunar, capciosa, mentirosa - Paulo Roberto de Almeida

 

O Brasil participa da cúpula do BRICS+ na Índia, como informado na nota do Itamaraty, reproduzida abaixo. Estou aguardando uma nova Declaração tão lacunar, capciosa e mentirosa como a de 2025, cúpula no RJ, que analisei no ano passado, postagem novamente feita hoje, às vésperas da cúpula de Nova Delhi: 
 
Do PRA, 11/09/2026:
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Exame circunstanciado da Declaração do Brics de 2025 - Paulo Roberto de Almeida 
 
 
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Do Itamaraty:
"NOTA À IMPRENSA Nº 290
Cúpula de Líderes do BRICS - Nova Delhi, 12 e 13 de setembro de 2026
Publicado em 10/09/2026 11h53
O Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representará o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula de Líderes do BRICS, em Nova Delhi, nos dias 12 e 13 de setembro. A Cúpula concluirá a presidência indiana do BRICS.
Durante os dois dias de evento, o Ministro Mauro Vieira participará de duas sessões de trabalho. Na tarde do dia 12, em sessão restrita aos países membros do BRICS, os líderes debaterão o tema “Governança Global Inclusiva e Fortalecimento do Multilateralismo”. A segunda sessão, no dia 13, contará com a participação dos países membros, dos 10 países parceiros e dos 16 países convidados que integram o chamado “segmento ampliado”. O tema será “Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade: Moldando o Futuro para um Crescimento Global Inclusivo”.
Em um cenário internacional marcado por conflitos armados, pela crise do multilateralismo e por profundos desequilíbrios econômicos e na arquitetura de governança global, o BRICS apresenta-se como foro central para a articulação de posições conjuntas entre países em desenvolvimento, com vistas à construção de uma ordem global mais justa e inclusiva."

A Convenção contra a Corrupção da OCDE e um ministro corrupto da Suprema Corte do Brasil - Vladimir Aras, Paulo Roberto de Almeida

As decisões monocráticas delituosas de certo personagem que NUNCA poderia ter sido aceito para a Suprema Corte do país.

 
Nota preliminar: Vladimir Aras foi meu aluno no mestrado do Uniceub e fui eu quem, como chefe da Divisão de Política Financeira e Desenvolvimento do Itamaraty, providenciou para que o Brasil aderisse à Convenção Anticorrupção da OCDE, em 1997, mesmo sem que o Brasil fosse parte da OCDE. PRA 

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Vladimir Aras 🇧🇷. (Dr. Direito, Prof. UnB, IDP, Procurador Federal)
@VladimirAras
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10 de set 2026
CASO ODEBRECHT

Em setembro de 2023, o ministro Dias Toffoli, do STF, tomou uma decisão inusitada.

Monocraticamente e com base em informações incorretas passadas pelo governo, ele anulou todas as provas obtidas por meio de acordo de leniência no caso Odebrecht. Essas provas estavam no exterior, na Suíça e na Suécia.

Agora, 30 organizações da sociedade civil de 21 países enviaram uma carta ao Grupo de Trabalho sobre Suborno da OCDE (WGB) no 3º aniversário dessa decisão.

A carta das ONGs destaca que a decisão monocrática de Toffoli barrou a cooperação com autoridades estrangeiras, beneficiando indevidamente ao menos 28 pessoas ou empresas de 8 países, inclusive ex-presidentes peruanos.

As entidades globais anticorrupção pedem ao WGB que, como órgão de monitoramento da Convenção, solicite ao STF o julgamento pelo plenário dos três recursos pendentes, interpostos pela PGR, pela ANPR e pelo MPSP.

Pedem também que o WGB consulte os Estados membros da OCDE sobre impactos dessa morosidade em casos em curso.

Por fim, solicitam que o WGB recomende a continuidade de investigações baseadas nos HDs da Odebrecht, podendo os Estados valer-se de cooperação com países que possam oferecer provas oriundas de fontes independentes (como a Suíça).

Embora o Brasil não seja parte da OCDE, nosso País é membro do WGB, por haver ratificado a Convenção Anticorrupção de 1997 (OECD Anti-Bribery Convention).

 

Apenas uma reflexão sobre o grave momento que vivemos - Paulo Roberto de Almeida

Apenas uma reflexão sobre o grave momento que vivemos
Paulo Roberto de Almeida

A política brasileira em geral, mas também os três poderes da República, vivem atualmente uma grave crise MORAL, e também um IMPASSE INSTITUCIONAL, uma vez que a corrupção, a venalidade, a mentira e a desfaçatez, todas essas más qualidades de simples mortais, PENETRARAM as instituições e a própria prática da política, a da sua execução (o Executivo), da sua legalidade republicana (o Parlamento) e a do julgamento de eventuais crimes (o Judiciário), o que faz com que tudo isso e todas essas instituições da República encontram-se, e se revelam CONTAMINADAS por práticas delituosas, algumas já reveladas, outras ainda não. Daí muitas dúvidas, sinceras algumas, oportunistas e rasteiras, outras.

Em consequência, nós, simples observadores, pessoas civis, ou seja, as pessoas que assistem, que participam do processo como eleitores que são, assistimos, alguns estupefatos, outros incrédulos, outros assustados, a todo esse espetáculo deplorável de uma FALÊNCIA MORAL da nossa "Quinta República" (talvez mais), reagimos como simples cidadãos que somos, mas também como seres pensantes que somos, alguns mais à esquerda, outros à direita, muitos centristas ou moderados, ou apenas indiferentes ao mundo da política, cuidando dos nossos afazeres, mas AFETADOS por todos os agentes públicos que atuam nos três poderes e nos órgãos de controle e de segurança pública, todos somos levados a expressar a nossa opinião sobre essa CONFUSÃO GERAL que se instalou no país, e que ATINGE O VOTO de cada um de nós ao sermos chamados para a urna no começo de outubro, de maneira definitiva para os cargos representativos, ou de maneira provisória, em previsão do segundo turno, para cargos executivos (presidente e governadores).

Como simples observador da vida pública, mas também como ser pensante, modestamente participante, como emissor de opiniões pessoais sobre a política, a economia e as relações exteriores do Brasil, também estou imerso no espetáculo deplorável que se oferece todos os dias aos nossos olhos, e preocupado com os destinos do país, de nossos filhos e netos, com a imagem do país na comunidade internacional, sou levado a refletir essa realidade em meus canais de comunicação social (como assinante de certos meios oferecidos por entidades privadas da área, como administrador de um blog pessoal, o Diplomatizzando), com inevitáveis lapsos de informação, e com julgamentos pessoais, escolhas políticas, opções MORAIS, no que posso acertar ou me equivocar nos julgamentos e opiniões.

Tenho de tomar partido, escolher quem, quais serão os eleitos como Executivos (no país ou num estado) ou Representantes nos corpos legislativos, nacional ou estadual, para o próximo período subsequente às eleições de outubro (geralmente por quatro anos, 2027-2030, senadores por oito anos, o que acho um exagero).

As "ofertas" que temos não são as ideais, algumas no domínio do continuísmo, outras como "novidade", mas praticamente todas marcadas por graves deficiências morais, políticas ou até criminosas (até julgamento), algumas, poucas, como esperança de uma melhor condução dos assuntos públicos. Não tenho muita ilusão de que o Brasil vai melhorar dramaticamente nos próximos anos, naquilo que conta: o bem-estar dos simples cidadãos na vida diária, especialmente os mais modestos e necessitados de ajuda, a estabilidade e a prosperidade na vida econômica e financeira de cada um, a credibilidade e a correção da postura do país na comunidade internacional, vale dizer, a qualidade da nossa política externa e da nossa diplomacia (o que me concerne pessoalmente). Sem ilusão, portanto, creio que vamos ter de escolher aquelas figuras, aqueles candidatos que possam trazer, acarretar, produzir o MÍNIMO de prejuízos para a nação em todas essas esferas da vida.

Isso é triste de se reconhecer, de afirmar, pois significa que as opções são todas muito limitadas, uma vez que os candidatos são muitos, e neles, com eles, suas respectivas qualidades, ou falta delas, podem ser duvidosas ou até mentirosas. O que fazer? Não tenho nenhuma recomendação especial, nominal, a fazer, apenas o uso de minha inteligência e informação, nenhum interesse pessoal, tão somente o uso do tirocínio pessoal para escolher – considero a abstenção uma renúncia ineficiente – os candidatos que se aproximam de certos princípios morais e políticos que julgarmos os mais qualificados, ou os menos danosos para a continuidade da democracia de qualidade em nosso país.

Esta é apenas uma mensagem reflexiva. Talvez eu volte com algum pronunciamento mais engajado (já tenho opinião formada sobre vários candidatos), ou apenas formulando sugestões de escolhas bem informadas, numa escala de prioridades que julgo relevantes na vida nacional. Apenas antecipando: sou contra mentirosos e falsificadores de suas próprias "qualidades", contra os vendidos e cúmplices da venalidade, da soberania nacional e dos preceitos simplesmente republicanos, não tenho partido ou religião (usada muitas vezes de maneira sórdida), tenho apenas a consciência de que nossas escolhas são provisórias, até que a crise, as CRISES que nos abatem atualmente sejam resolvidas da melhor forma possível, do que tenho enormes dúvidas.

O Brasil caminha para as eleições mais dramáticas de sua história, não tanto pela falta de informação, mas por informações deformadas pelos próprios impasses que nos atingem atualmente. Temos menos de um mês para refletir e escolher, sabendo que essa escolha vai se refletir em nossas vidas nos próximos anos, para alguns um futuro já curto, para outros uma esperança relativamente duvidosa.

Espero poder contribuir para um futuro melhor, com os meios de que disponho, com a inteligência formada no estudo e na experiência de vida.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 11 de setembro de 2026

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