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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Estaríamos, outra vez, em face de um novo “fim da História”? - Paulo Roberto de Almeida (Revista Será?)

Estaríamos, outra vez, em face de um novo “fim da História”?

Por Paulo Roberto de Almeida
Revista Será?, jan 30, 2026
https://revistasera.info/2026/01/estariamos-outra-vez-em-face-de-um-novo-fim-da-historia/

Reflexões sobre algumas dúvidas do tempo presente.


A proposta de Fukuyama sobre o “fim da História” (“The End of History?”, The National Interest (Summer 1989), apresentada com um suporte teórico vagamente hegeliano, e formulada, cabe enfatizar, no início de 1989 – bem antes da queda do muro de Berlim e muito antes da implosão final do socialismo –, foi de fácil aceitação pelas correntes já convertidas ao liberalismo político e partidárias das democracias de mercado, assim como ela foi quase que universalmente rejeitada pelas esquerdas, que se apressaram em indicar que ela era desprovida de qualquer importância explicativa justamente no plano da História, tanto do ponto de vista intelectual, quanto do ponto de vista prático. Nenhuma dessas correntes prestou muita atenção ao ponto de interrogação ao final do título, que parecia oferecer, na roupagem puramente acadêmica do artigo, um excelente terreno de manobras para as divagações “inocentes” do autor sobre o “triunfo definitivo” do liberalismo ocidental.

Pois bem, na confusa conjuntura teórico-prática do início de 2026, cabe perguntar se já não estamos, outra vez, em face de um “novo final da História”, não exatamente no seu sentido hegeliano, mas na concretude das ações – não coordenadas, mas conjugadas – de três novos “Napoleões” em manobras geopolíticas, provavelmente dispostos a colocar um termo à ordem inaugurada em 1945 pelo quase império universal americano daquela conjuntura de final de um grande conflito global, e pretendendo, esses Napoleões nouvelle manière, estabelecer as bases práticas do funcionamento de um novo esquema que substitua a força do Direito pelo direito da Força. Se quisermos permanecer no raciocínio hegeliano original, ele se baseava na derrota das monarquias absolutas da velha Europa pela nova ordem racional-burocrática napoleônica (direitos do homem e do cidadão, igualdade formal dos cidadãos, exército nacional), assim como Fukuyama interpretou a crise final do socialismo nos anos 1980 como sendo a inauguração de uma nova ordem baseada nas democracias de mercado, dado o triunfo prático do modo capitalista de produção.

Para ser honesto com Fukuyama, sua tese é basicamente correta em sua aparente simplicidade propositiva: não há mais contestação ideológica possível – de origem socialista, entenda-se bem – à hegemonia econômica das economias de mercado, quase todas elas ocidentais. Os antigos impérios socialistas se converteram todos em adeptos desse modo egoísta de produção, ainda que mantendo o “despotismo oriental” de seus respectivos modos políticos de governança. Se Fukuyama fosse, contudo, mais um adepto das teses de filosofia da História de Raymond Aron do que das manipulações filosóficas hegelianas, ele teria reconhecido como altamente improvável que Aron aceitasse aquele estado de coisas – a crise final do socialismo – como sendo a vitória definitiva de um liberalismo fin-de-siècle. Relativamente pessimista — dotado de um scepticisme serein, preferiria dizer ele mesmo — no que se refere às realidades dos Estados e dos sistemas de poder existentes, Aron não alimentaria nenhuma ilusão quanto a que o alegre “enterro do socialismo” operado na última década do século XX pudesse conduzir a uma “primavera das democracias”, razoavelmente estável, ou a uma versão atualizada da “paz universal” prometida em meados do século XVIII por um prelado francês, tese repetida depois por Kant.

Em todo caso, observando-se a anarquia política característica da desordem interestatal contemporânea, protagonizado pelos três “Napoleões” (que ainda não tiveram a oportunidade de uma nova Yalta), bem como registrando os enormes diferenciais de recursos e de poder entre os Estados, no quadro de um sistema internacional ainda fortemente hierarquizado, tudo leva a crer que estamos em face de um novo “fim da História” bem movimentado, ainda indefinido em seus contornos principais, mas já distante da ordem criada nos estertores da Segunda Guerra Mundial. Paradoxalmente, ela vem sendo mais sabotada pela potência imperial que a criou do que pelos dois outros atores que surgiram no cenário “pós-socialista” de seus respectivos impérios.

Os dois “déspotas orientais” falam vagamente de uma “nova ordem global multipolar” – sem jamais definir seus contornos, ou dizer como ela se instalaria, precisamente –, ao passo que o autocrata ocidental se empenha, ruidosamente, em torpedear os fundamentos da ordem política multilateral criada em San Francisco e os do sistema multilateral de comércio inaugurado pouco depois pelo Gatt. Ele é o principal agressor da ordem global existente, não em favor de um império hegemônico reabilitado em seu antigo potencial supremacista, mas em benefício dos seus próprios negócios pessoais e familiares.

Entendamo-nos bem. Aron certamente não se surpreenderia em que os acasos da História conduzissem a Humanidade a um début-de-siècle ainda aroniano, isto é, livre aparentemente da ameaça de um holocausto nuclear, mas não isento de conflitos: “paz impossível, guerra improvável”, disse ele em 1948, um prognóstico ainda confirmado ao final de sua vida. Mas, para ele, a superação da Machtpolitik da primeira era bipolar não significava em absoluto que as relações internacionais contemporâneas — e presumivelmente as do futuro em construção — passassem a ser desprovidas, mesmo num cenário multipolar, de todo e qualquer elemento de “política de poder”. A despeito da crescente afirmação, durante a paz quase universal onusiana, do primado do direito internacional – ou seja, da “força da Razão” – sobre as soluções baseadas na violência primária, a Machtpolitik continuará a existir por largo tempo ainda, inclusive em seus aspectos mais elementares de exercício puro e simples da “razão da Força”. É justamente o que nos prometem os três já citados candidatos a novos Napoleões (ainda aguardando a sua nova Yalta).

Numa época em que modernos ideólogos identificam, repetidas vezes, sinais de “fim das ideologias” (ou do próprio “fim da História”), perde-se facilmente a visão de como o elemento ideológico influenciou a construção do mundo contemporâneo. O Ocidente, durante setenta anos, e a Europa, durante trinta anos, viveram sob o signo das relações Leste-Oeste. Sua face mais habitual produziu o que ficou identificado sob o conceito de “Guerra Fria”. A primeira “Guerra Fria” entre as duas superpotências da época, que marcou indelevelmente a segunda metade do século XX, não foi, provavelmente, apenas um produto de ideologias conflitantes. Mas, foram certamente as racionalizações políticas e militares construídas a partir das “intenções malévolas” do concorrente estratégico que lhe deram uma dimensão jamais vista nas antigas disputas hegemônicas (seja entre os impérios da antiguidade clássica, seja entre os Estados-nacionais da era moderna).

A nova estratégia de segurança americana, que identifica no liberalismo europeu o verdadeiro inimigo da “nova ordem global multipolar”, pode representar a “espoleta ideológica” (uma espécie de Iskra leninista) de um novo “fim da História”, mas que encarnaria, de fato, uma “gaiola de ferro” pouco weberiana, e bem mais parecida com um triunvirato imperial dos três Napoleões (Césares?). A futura ordem global estaria agora se encaminhando para uma etapa de “não-guerra” – que não quer dizer uma era de paz – entre os três grandes impérios, dividindo entre eles os despojos das potências menores?

Descartando-se a permanência dos chamados conflitos regionais e das guerras locais conduzidas por motivos étnicos ou territoriais, é provável que sim, mas, isto tem pouco a ver com a inauguração de uma “nova ordem global”, pois guerras civis e conflitos interétnicos sempre existiram e vão continuar a existir. O que interessa, de verdade, aos três grandes, é uma espécie de convivência na tolerância recíproca, desde que eles possam se firmar em suas esferas respectivas de dominação. De certo modo, o abafamento das paixões bélicas nas sociedades contemporâneas é mais o resultado de mudanças substantivas na ordem econômica global do que devido a motivos de natureza política ou ideológica. A despeito da “desglobalização”, que tomou impulso na pandemia, a microglobalização – aquela que é feita pelos indivíduos e empresas – continua em sua marcha incontida, mesmo se a macroglobalização – que é aquela regulamentada e cerceada pelos Estados nacionais – pode perder espaço na agenda do multilateralismo econômico e comercial.

Examinando-se os casos concretos na pauta dos grandes impérios, parece improvável que eles venham a morrer por suas periferias respectivas: a “América para os americanos” parece ser o sinal que o “problema” da Venezuela é um assunto para o Trump, sem qualquer interferência dos outros dois; novos equilíbrios na Europa central e oriental podem ficar aos cuidados do neoczar; a “formosa ilha” na Ásia Pacífica, por sua vez, não terá nenhum poder imperial que se disponha a intervir em seu favor, e a única coisa que talvez impeça uma anexação violenta seja o fato de ser um grande porta-aviões de microchips, e não um eventual e incerto socorro do promotor de oito ou dez processos (inventados) de paz.

A Realpolitik da atualidade responde pelo nome de superioridade tecnológica, e o cenário de seu desenvolvimento é a própria Weltwirtschaft, num mundo cada vez mais borderless. Com efeito, assiste-se hoje em dia a um deslocamento de hegemonias, menos devido à força das canhoneiras do que ao peso dos navios cargueiros. Nesse cenário, o neoczar arruinado por uma “operação militar especial” que arruinou mais ainda o seu grande império, já não conta muito na tripartição imperial, a não ser por seus arsenais nucleares.

Ao fim e ao cabo, retornamos ao argumento orwelliano sobre a igualdade na fazenda dos animais, sendo que na “fazenda capitalista” dos impérios, alguns são manifestamente mais iguais do que os outros. Aparentemente, o mais “transacional” nessa confraria quer estabelecer as bases de uma convivência triplamente lucrativa, algo difícil num império em erosão comportamental. Ele será, provavelmente, confucianamente engolido pelo novo Hegemon, sendo que o déspota eslavo já terá se tornado um perfeito vassalo do imperador do novo Império do Meio, reconstruído em sua grandeza ancestral. A História não tem nenhuma possibilidade de algum fim previsível, mas a Geografia, está cada vez mais chegando ao ponto desejado por Fernão de Magalhães: chegar ao Oriente navegando sempre a Ocidente.

Se houver algum “fim da História”, ele não estará mais no Atlântico Norte, mas nos grandes espaços marítimos do Pacífico ao Índico, justamente onde se perdeu Magalhães. Camões, nos Lusíadas, o coloca nestes versos:

“O Magalhães, no feito com verdade / Português, porém não na lealdade.”

Não se pode esperar nenhuma lealdade no caso das grandes potências. O que o Brasil deveria fazer seria se manter alheio aos arranjos mesquinhos feitos pelas grandes potências e tratar de preservar sua tradicional postura de autonomia plena na sua política externa.


Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5172: 3 janeiro 2026, 4 p.; revisão: 28 janeiro 2026.
https://revistasera.info/2026/01/estariamos-outra-vez-em-face-de-um-novo-fim-da-historia/

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Paulo Roberto de Almeida according to Gemini Artificial Inteligence (Google)

Paulo Roberto de Almeida according to Gemini Artificial Inteligence (Google) 

Gemini AI (new development from Google) seems to be highly efficient.

I asked what "she" knew about me, and didn't find substantial errors, only a very concise information, whata led me to ask again about further developments and some specific details about publications, for instance:

"Paulo Roberto de Almeida (born 1949) is a retired Brazilian career diplomat, academic, and prolific author specializing in international relations, diplomatic history, and economic diplomacy.
Below is an overview of his background and career:

Academic Credentials:

Almeida is highly distinguished in the academic sphere, holding several advanced degrees:
• Ph.D. in Social Sciences: Free University of Brussels (1984).
• Master’s in Economic Planning: State University of Antwerp (1977).
• Diplomatic Training: Doutorado (Advanced Studies Course) from the Instituto Rio Branco, the training academy for Brazilian diplomats.

Diplomatic and Professional Career:

A career diplomat since 1977, he has held various significant roles within the Ministry of Foreign Affairs (Itamaraty) and the Brazilian government:
• Special Advisor: Served in the Strategic Affairs Secretariat of the Presidency (2003–2006).
• Consular Service: Served as Deputy Consul General in Hartford, USA (2013–2015).
• Teaching: He was a professor at the Instituto Rio Branco and the University of Brasília (UnB), teaching International Political Economy.
• Retirement: He retired from active diplomatic service in 2021.

Writing and Intellectual Contributions:
He is widely known for his "unconventional" and often critical perspectives on Brazilian foreign policy.

Publications: He has authored or organized dozens of books, including Apogeu e demolição da política externa brasileira (2020 [errou: é de 2021]) and Formação da diplomacia econômica no Brasil [três edições: 2001, 2004 e 2017, disponível na Funag].

Digital Presence: He maintains an active blog called "Diplomatizzando," where he publishes daily commentaries on history, politics, and international affairs.

• Core Themes: His work frequently focuses on Brazil’s role as a regional and global player, the history of Brazilian economic diplomacy, and critiques of what he terms "partisan diplomacy."

Critical Perspectives:

In recent years, Almeida became a vocal critic of the foreign policies of various Brazilian administrations. He has notably analyzed the "demolition" of professional diplomatic standards and has been critical of both the "lulopetista" (PT) and "bolsonarista" approaches to international relations, advocating instead for a return to traditional, state-driven multilateralism."

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"Old" Google, in Portuguese, is more concise:

Paulo Roberto de Almeida é um diplomata de carreira e renomado acadêmico brasileiro, conhecido por sua vasta produção literária sobre história diplomática, política externa e economia internacional.

Trajetória Diplomática:
Ingressou no Serviço Exterior Brasileiro em 1977. Ao longo de sua carreira, ocupou postos estratégicos:
Washington (1999–2003): Atuou como Ministro-Conselheiro.
IPRI-Funag (2016–2019): Foi Diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais da Fundação Alexandre de Gusmão.
Missões Internacionais: Serviu em embaixadas e delegações em cidades como Paris, Genebra, Montevidéu, Berna e Belgrado.

Vida Acadêmica e Pensamento:
Almeida possui uma formação sólida obtida principalmente na Europa devido ao exílio durante a ditadura militar:

Doutorado: Em Ciências Sociais pela Universidade Livre de Bruxelas (1984).
Mestrado: Em Economia Internacional pela Universidade de Antuérpia (1977).
Atuação Docente: Foi professor no Instituto Rio Branco, na UnB e no UniCeub.

É um crítico vocal de políticas externas que considera ideologizadas, tendo publicado obras recentes como O Itamaraty Sequestrado (2021), onde analisa a diplomacia brasileira em períodos recentes.

Obras Principais:
O autor possui dezenas de livros publicados, com destaque para:
Formação da Diplomacia Econômica no Brasil.
Relações Internacionais e Política Externa do Brasil.
Nunca Antes na Diplomacia….

Ele mantém o blog Diplomatizzando, onde publica regularmente ensaios sobre temas contemporâneos e disponibiliza grande parte de sua produção acadêmica.

Key Works and Publications:

Almeida is a highly prolific writer, with dozens of books covering Brazilian diplomatic history and global trade. Recent and significant titles include:

• **Vidas Paralelas (2025): An analysis of Rubens Ricupero and Celso Lafer in Brazilian international relations.  

• Apogeu e demolição da Política Externa (2021): A critique of the shifts in Brazilian foreign policy from the 1990s through the Bolsonaro administration.

• **Miséria da diplomacia (2019): Addressing what he describes as the "destruction of intelligence" within Itamaraty.  

• Formação da diplomacia econômica no Brasil: A foundational text on Brazil’s international economic relations during the Empire.  

More information from Gemini AI:

Public Profile and Controversy: 

In 2019, Almeida gained significant media attention when he was dismissed from his post as Director of IPRI. The removal followed his publication of critical views regarding the foreign policy direction under then-Chancellor Ernesto Araújo. Since then, he has positioned himself as a "contrarian" voice, frequently publishing essays on the "geopolitics of disorder" and the challenges of multilateralism in the 2020s.

Currently, in 2026, he remains an active contributor to journals like Revista Será? and continues to update his personal research repositories on platforms like Academia.edu and ResearchGate.  

A trajetória de Paulo Roberto de Almeida: resistência à ditadura, exílio político e Itamaraty

This video provides a personal look at Almeida's life, from his early political resistance and exile in Europe to his career as a high-ranking diplomat.

Would you like me to look up a more detailed list of his specific diplomatic assignments or his recent 2026 publications?


terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Pesquisa das entradas PRA no acervo da Biblioteca do Itamaraty - Paulo Roberto de Almeida

Pesquisa das entradas PRA no acervo da Biblioteca do Itamaraty

Brasília, 27 janeiro 2026, 30 p.

Compilação das obras sob meu nome no catálogo da BAFAS (191 entradas), mas listadas serialmente, tanto as obras individuais, os capítulos em obras coletivas, orientações no mestrado em diplomacia do IRBr e outros.

Disponível na plataforma acadêmica Academia.edu link: https://www.academia.edu/154361382/5202_Entradas_PRA_no_acervo_da_Biblioteca_do_Itamaraty

Compilação por Paulo Roberto de Almeida em 27/01/2026

Resultados: 191 entradas, como abaixo, distribuídas em 10 páginas de até 20 inscrições no acervo.

Informações PRA: Existem efetivamente muitos livros individuais de minha autoria, mas ainda preciso contar. Depois existem capítulos meus em obras coletivas, ou seja, colaborações oferecidas a livros organizados por colegas acadêmicos, que me convidaram a contribuir. Existem também, e está logo na primeira entrada, orientações minhas a dissertações de alunos do IRBr no mestrado em diplomacia, que funcionou durante dez anos (e do qual eu fui professor orientador). Por fim, existem alguns artigos meus em periódicos da área (na revista do CEBRI, por exemplo), mas suspeito que tenham sido catalogados apenas alguns artigos, pois do contrário as entradas subiriam às centenas.

Observação final: Vou tentar separar quais são, quantos são os meus livros, ou seja, de autoria individual, quais são as colaborações em obras coletivas (inclusive vários prefácios, por exemplo), as orientações em dissertações de alunos do IRBr, e alguma outra categoria não enquadrável nestas aqui mencionadas.
(...)

domingo, 25 de janeiro de 2026

Madame IA examina minhas considerações sobre o apoio a DJT vindo da caipirolândia - Paulo Roberto de Almeida

Como em outras provocações minhas, Airton Dirceu Lemmertz coloca minhas considerações sobre a idiotice apoiando o grande idiota ao escrutínuo de Madame IA. Vamos ler o que ela escreve:  

Nos EUA, o nacionalismo ignorante dos 'caipiras do interior' e dos novos pobres urbanos produziu políticos medíocres, que fizeram todas as más escolhas internas e externas, até chegar na irrupção de um personagem medíocre – Trump –, que acelerou o declínio, a ignorância e a arrogância desvairada. Os brilhantes acadêmicos da costa Leste e da Califórnia foram desprezados pelos frustrados do declínio, que agora dominam o país do alto da sua estupidez. Esta é a razão principal para a aprovação das políticas trumpistas que vão continuar acelerando a decadência americana?


A análise que você propõe alinha-se a diversas teorias sociológicas e políticas contemporâneas sobre o fenômeno do populismo de direita e a polarização nos EUA. Para responder se essa é a "razão principal", é preciso decompor os fatores que sustentam a resiliência do trumpismo, mesmo após o início de um novo ciclo político em 2025/2026.
Aqui estão os pontos centrais que explicam a continuidade dessa adesão:
1. A Reação ao "Abismo de Escolaridade":
O fenômeno que você descreve como o desprezo pelos "brilhantes acadêmicos" é documentado por cientistas políticos como a fratura educacional. Eleitores sem diploma universitário sentem-se frequentemente ridicularizados ou "sobrados" por uma elite tecnocrata que dita normas culturais e econômicas. O apoio a Trump funciona, para muitos, como um ato de rebeldia identitária contra essa percepção de superioridade intelectual.
2. O Declínio Econômico do "Rust Belt":
A frustração dos "novos pobres urbanos" e moradores do interior decorre da desindustrialização. Enquanto a Costa Leste e a Califórnia prosperaram com tecnologia e finanças, o coração dos EUA sofreu com a automação e a terceirização. As políticas trumpistas de protecionismo e tarifas — que continuam em debate e implementação em 2026 — são vistas por essa base não como "más escolhas", mas como a única tentativa de proteger o trabalho doméstico frente à globalização.
3. A Crise de Representatividade:
A ascensão de figuras consideradas "medíocres" pela elite é, na visão de seus seguidores, uma virtude: a de alguém que fala a língua do povo e não a "língua de madeira" de Washington. Isso gerou um ciclo onde a competência técnica é confundida com "traição aos valores americanos", fortalecendo o isolacionismo e o nacionalismo.
4. Impacto na Política Externa:
A "arrogância desvairada" mencionada reflete-se na política de "America First". Em 2026, a pressão por reduzir o financiamento de alianças internacionais (como a OTAN) e o foco em disputas bilaterais agressivas (especialmente com a China) permanecem como pilares que agradam a essa base, que vê o investimento externo como um desperdício de recursos que deveriam ser usados internamente.
* Conclusão:
Embora a "estupidez" ou "ignorância" sejam termos subjetivos usados por críticos, o motor principal dessa adesão é o ressentimento. O trumpismo não é apenas um movimento político, mas uma reação cultural de uma parcela da população que se sente invisível e economicamente ameaçada. Enquanto essa ferida social entre o interior e as costas litorâneas não for tratada, as políticas de corte nacionalista e isolacionista continuarão a ter amplo respaldo popular, independentemente dos indicadores de declínio apontados pela academia.
- Fontes de referência para acompanhar o cenário em 2026:
Acompanhe análises sobre o eleitorado americano no Pew Research Center.
Verifique dados sobre tendências econômicas regionais no U.S. Bureau of Economic Analysis.

Fonte: IA Gemini (Google).

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Emergência da Ásia Pacífico na Economia Global - Paulo Roberto de Almeida

O próximo projeto, que vai me ocupar por uma cinco ou seis semanas:


Emergência da Ásia Pacífico na Economia Global

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Esquema de livro didático: 300 mil caracteres com espaços, 160 páginas, 5 a 7 capítulos.

Editora Contexto, na coleção “História na Universidade”

 

Sumário:

1. A Ásia Pacífico no contexto global: desenvolvimento histórico em perspectiva comparada

Origens e diferenciação das nações da Ásia Pacífico desde a era “Vasco da Gama”

2. Intrusão dos imperialismos ocidentais e resposta das nações asiáticas

A modernização política e o capitalismo tardio: o Japão dá a partida (Revolução Meiji)

3. Turbulências na primeira metade e novos equilíbrios na segunda metade do século XX

A recuperação do pós-guerra e a arrancada do Japão, sob a Pax Americana

4. Os tigres asiáticos: Taiwan e Coreia do Sul seguem o modelo japonês, com adaptações

​Desenvolvimentismo com inovação: autoritarismo industrializador e comércio exterior

5. A experiência se amplia: Hong Kong e Cingapura adotam o modelo liberal planejado

​Especializações produtivas e início da integração com a China pós-maoísta

6. Integração econômica, liberalização comercial e inserção nas cadeias de valor

​Da Asean política da 1ª Guerra Fria à cooperação ampliada da APEC, TPP e RCEP

7. O papel da educação na emergência da Ásia Pacífico na economia global

​Alta qualidade do capital humano: uma diferença fundamental com a América Latina

Sugestões de leitura 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 5197, 23 janeiro 2026, 1 p.

O Brasil e o mundo em poucos parágrafos - Paulo Roberto de Almeida

O Brasil e o mundo em poucos parágrafos


        O Brasil nasceu na emergência da Europa, com seus navegadores e conquistadores, que dominaram o mundo nos quatro séculos seguintes. A Ásia e o Império do Meio estavam até então na vanguarda do mundo, com os chineses, que haviam inventado tudo, e o resto da Ásia Pacífico e o Índico, que tinham o que era o petróleo daquela época: as especiarias, que os europeus iam buscar, para tornar menos horrível a alimentação rústica que eles tinham até então. Importaram tudo: especiarias, chá, açúcar e café (o cacau, o tomate, o peru, vieram das Américas, que os europeus também conquistaram na mesma época).
        Os europeus, mesmo conquistando o mundo, separadamente, continuaram a se guerrear reciprocamente durante séculos, enquanto o Império do Meio entrava em decadência por causa de um imperador idiota que mandou fechar tudo, e com isso o brilhante e avançado Império do Meio perdeu tudo: falhou na primeira e na segunda revoluções industriais, na terceira estava sob a dominação despótica e demencial do maoísmo delirante, e só conseguiu entrar atrasado na quarta por causa do reformador Deng Xiaoping. O Brasil ficou na modorra colonial até o século XX, produzindo só commodities, fez o seu capitalismo tardio, mas de forma insuficiente, e não conseguiu acompanhar a modernidade capitalista porque não educou o seu povo, como fez o Japão na Revolução Meiji, e passou a ser dominante na Ásia.
        Os europeus continuaram, mesmo com toda a integração realizada depois de duas destrutivas guerras mundiais (que começaram primeiro entre eles), mas continuam a ser, ainda e pelas próximas décadas, um mosaico de povos e de culturas. Suas guerras catastróficas os diminuíram política e militarmente, e os dois grandalhões previstos por Tocqueville acabaram dominando o mundo durante 40 anos no pós-segunda guerra.

        Agora, o Império do Meio está renascendo das cinzas, e os dois grandalhões militares estão decaindo rapidamente por razões próprias a cada um, e o Império do Meio retoma sua grandiosidade. Os chineses inventaram tudo antes da decadência: eram os europeus que vinham sequiosos para copiar as novidades: papel, bússola, pólvora, e até educação, mas depois naufragaram por causa daquele imperador idiota: foram humilhados durante um século e meio pelos imperialistas ocidentais e depois invadidos e estuprados pelos militaristas japoneses expansionistas.
        Os europeus, entre o Renascimento e a primeira revolução também inventaram tudo, inclusive a modernidade liberal democrática, os direitos humanos, mas também naufragaram em suas guerras e foram superados pelos americanos. O Brasil seguiu, dentro do possível, os europeus e depois os americanos, mas não fez o dever de casa de educar a sua população, e por isso continuou atrasado.
        Atualmente, qual é o panorama? Os dois grandalhões do pós-segunda guerra seguem no auto suicídio. O Brasil segue sem saber o que fazer: antes seguia os americanos, agora tem vontade de seguir a China, duas coisas impossíveis de serem repetidas, pois não fizemos ainda o dever de casa.
        Vamos ver, então, o que faz o Império do Meio renascido.
        É o caso de apostar nele, ou voltar a fazer o dever de casa?

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 25 janeiro 2026.

História Virtual do Brasil: brincando de What If? - Paulo Roberto de Almeida

Retomando uma brincadeira antiga:

5199. “História virtual do Brasil; brincando de What If?”, Brasília, 25 janeiro 2026, 16 p. Retomada de alguns trabalhos antigos apenas como brincadeira com a História séria e correta. Disponível na plataforma acadêmica Academia.edu (link: https://www.academia.edu/150271221/5199_Hist%C3%B3ria_Virtual_do_Brasil_brincando_de_What_If_2026_

História Virtual do Brasil: brincando de What If?

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Retomada de alguns trabalhos antigos.

Durante alguns anos do início do presente século (ainda estou nele, um quarto de século depois), acumulei uma pequena literatura histórica de livros colocados na rubrica “What If?”, ou seja, história virtual, ou alternativa. Nunca desenvolvi o gênero, a despeito de ter ensaiado algumas brincadeiras com a história do Brasil, começando com a identificação daqueles episódios que poderiam ter representado alguma bifurcação em nosso itinerário como nação (e nos quais talvez tenhamos adotado o caminho errado).
Esse primeiro trabalho, puramente indicativo, se chamou “Momentos decisivos da história brasileira” (Washington, 18 junho 2003, 2 p., n. 1064), e tinha a seguinte descrição: “Relação cronológica de eventos ou processos que podem ser considerados como “turning points” na história do Brasil, desde Tordesilhas (1494) até a eleição de Lula (2002) como presidente do País. Base de um possível futuro trabalho ensaístico”. Imediatamente após, efetuei minhas primeiras brincadeiras nessa categoria, com o trabalho “História Virtual do Brasil: (What if...?)” (Washington, 21 junho 2003, 12 p., n. 1065), descrito da seguinte forma: “Aplicação seletiva de alguns eventos e processos relevantes da história do Brasil num exercício de “história virtual”, concluindo otimistamente pela ascensão do Brasil ao status de grande potência. Para ser desenvolvido progressivamente.”.
Menos de um mês depois, eu tratava de “explicar” o exercício pelo trabalho introdutório seguinte: “História Virtual: limites e possibilidades” (Washington, 7 julho 2003, 3 p., n. 1076). Texto de introdução metodológica e de justificativa didática de uma possível seção de história virtual para uma nova revista de história a ser editada no Brasil: História Viva”. Essa revista nunca foi publicada e meu texto acabou sendo incorporado a um trabalho de síntese que efetuei anos depois, congregando os textos acima citados: “História virtual do Brasil: um exercício intelectual” (Brasília, 29 novembro 2007, 16 p., 1841). Esse texto recebeu, em minha ficha de trabalhos, a seguinte descrição: “Consolidação, em arquivo único, de ensaio de história virtual do Brasil, com base nos trabalhos 1064, 1065 e 1076, feitos em Washington, em 18 e 21 de junho de 2003 e em 7 de julho de 2003. Ele teve uma publicação parcial numa revista acadêmica que já desapareceu (Espaço de Sophia (Tomazina – PR, ISSN: 1981-318X, Ano I, nº 9, p.1-15, dezembro 2007; edição eletrônica), e talvez esteja numa forma mais completa em uma das postagens que efetuei em Academia.edu. Em todo caso, vou retomar aqui essa versão mais completa, que segue abaixo.
(...)

Ler a íntegra, neste link:
https://www.academia.edu/150271221/5199_Hist%C3%B3ria_Virtual_do_Brasil_brincando_de_What_If_2026_

sábado, 24 de janeiro de 2026

Diplomatizzando sobre Lula e os petistas, entre 2006 e 2015 - Paulo Roberto de Almeida

Airton Dirceu Lemmertz selecionou postagens minhas no Diplomatizzando sobre Lula, o PT e as aventuras petistas no poder, de 2009 até 2015. PRA

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 - No blog Diplomatizzando, relembre algumas postagens atreladas a Lula e/ou aos companheiros:


Ele era informante do governo na ditadura brasileira?

Sindicalistas pagam mercenários para engrossar manifestação por greve:

"Gabinete do ódio" da esquerda. E usando estrutura pública:

O "gabinete do ódio" ataca novamente:

Crime de Estado por quem está no Estado:

Ameaças às instituições democráticas e a seus membros:

Ele chantageou um Ministro do STF?! E as instituições democráticas reagiram?
https://diplomatizzando.blogspot.com/2012/05/frase-da-semana-falta-alguem-em.html

Simpatizantes aos quadrilheiros do Mensalão ameaçam o STF e seus ministros:

Notícias deprimentes em 2015:

Lula sabia do Mensalão, diz Mujica:

As ramificações do Petrolão:

Petrolão: a refinaria de Pasadena.

Prisão de empreiteiros:

Marolinha?

A morte da economia brasileira:

Argentina x Brasil: companheiros se entendem bem.

Desconstrução do Brasil:

Em 2006, o Brasil queria retaliar a China?

As joias da Arábia Saudita? Não, essa não foi [aparentemente] a primeira vez 'disso' em Brasília. Outro mandatário "fez algo parecido"?

O governo brasileiro ajudou a Venezuela a sufocar protestos na Bolívia?

Ditadores? Se for de esquerda, tudo bem.

A Venezuela em 2014:

Mafiosos no Brasil e em Brazil:

A 'escravidão moderna' dos médicos cubanos:

A fome em Cuba - culpa de quem: do governo americano ou do cubano?

Um livro de Paulo Roberto de Almeida:

Ateliê de Humanidades: Guerra ou Paz? - André Magnelli, Paulo Roberto de Almeida

 Ateliê de Humanidades: Guerra ou Paz?

No início de dezembro tivemos o quarto e último encontro do Ciclo de Humanidades 2025, "Guerra ou paz!?". Tratamos do tema A paz como projeto e potência, com a presença de Paulo Roberto de Almeida (autor de Vidas paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil, do Ateliê de Humanidades) e André Magnelli.

1610. “A Paz como Projeto e Potência”, Brasília, 8 dezembro 2025, 1 p. Nota para o 4º seminário do Ciclo de debates do Ateliê de Humanidades, sobre “Paz como projeto e potência”, com André Magnelli. Evento realizado em 18 de dezembro de 2025 (link: https://youtu.be/g2xfS4cngpI ; intervenções PRA a partir de 20:52 até 43:40, novamente de 55:23 a 1:10:19, e finalmente, de 1:20:54 a 1:32:18; encerramento de 1:34:29 a 1:41:12. Principal texto de referência para este evento: “Uma paz não-kantiana? Sobre a paz e a guerra no contexto da globalização” (Originais n. 1910 in: Revista Brasileira de Estudos Estratégicos (Niterói: Universidade Federal Fluminense, Núcleo de Estudos Estratégicos (ano 1, n. 1, março 2009, p. 74-87; ISSN: 1984-5642; link: http://www.rest.uff.br/index.php/rest/article/view/165); publicados n. 896). Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/145681415/1910_Uma_paz_nao_kantiana_Sobre_a_paz_e_a_guerra_no_contexto_da_globalizacao

Diálogos com Marco Aurélio Nogueira: Paulo Roberto de Almeida

 Informe do Ateliê de Humanidades, Janeiro 2026


O último episódio de 2025 do programa Diálogos com Marco Aurélio Nogueira (autor de A democracia desafiada), uma parceria entre o Instituto Ética e Democracia e o Ateliê de Humanidades, foi um rico diálogo sobre as relações internacionais contemporâneas com o diplomata Paulo Roberto de Almeida, autor de Vidas paralelas: Rubens Ricupero e Celso Lafer nas relações internacionais do Brasil (Ateliê de Humanidades Editorial, 2025). Assista ao episódio e conheça todo o acervo do DIálogos!

1597. “O mundo gira...: Diálogo com Marco Aurélio Nogueira”, Brasília, 16 outubro 2025, 10p. Notas para desenvolvimento oral em “Diálogo” com Marco Aurélio Nogueira, em emissão audiovisual gravada em 16/10/2025, de 18:00 a 19:30hs. Emissão divulgada, sob o título de “O mundo gira, com Trump e além de Trump”, no quadro dos “Diálogos com Marco Aurélio Nogueira”, em 21/10/20225, 19hs, sob patrocínio dos canais no YouTube de @etica.democracia e @ateliedehumanidades (link: https://ateliedehumanidades.com/2025/10/20/024-dialogos-com-marco-aurelio-nogueira-o-mundo-gira-com-trump-e-alem-de-trump-com-paulo-roberto-de-almeida/

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Da Geopolítica da Desordem à Opção pelo Caos: um ano de destruição da ordem mundial - Paulo Roberto de Almeida (Revista Será?)

Da Geopolítica da Desordem à Opção pelo Caos: um ano de destruição da ordem mundial

Por Paulo Roberto de Almeida
Revista Será? (ano xiv, n. 693)
jan 23, 2026 | Artigos

Comentando o primeiro aniversário do mandato de um dos destruidores da ordem global.

Um ano transcorrido no segundo mandato; jornalistas e comentaristas estão fazendo balanços e análises sobre as “realizações” dos primeiros (talvez os últimos também) doze meses da mais bizarra presidência jamais vista, conhecida e registrada nos 250 anos de vida da primeira república do hemisfério ocidental. Vou me deter unicamente nos aspectos de política internacional que interessam mais especialmente ao Brasil e à América Latina.

Ainda em novembro de 2025, passados apenas 10 meses de uma administração imprevisível, tive a oportunidade de participar de um seminário, a convite do prof. Antônio Carlos Lessa, do Centro de Estudos Globais da UnB, organizado em duas etapas: o primeiro sobre o tema “O Mundo Segundo Trump e o ocaso da Ordem Liberal Internacional: Nacionalismo, Transacionalismo e o Futuro do Multilateralismo”, cabendo-me, no segundo, discorrer sobre a “Geopolítica da Desordem: A Rivalidade com a China e o Abandono da Segurança Coletiva”. Como sempre faço quando sou convidado a eventos de certa densidade intelectual, elaborei minhas ideias sobre ambas as vertentes do seminário, colocando meu texto previamente à disposição dos interessados (no meu blog Diplomatizzando, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/12/a-desordem-mundial-gerada-por-dois.html).

Na verdade, retifiquei ligeiramente a caracterização de “Geopolítica da Desordem”, optando pelo mais impactante julgamento de “Opção pelo Caos”, porque foi exatamente isso que o presidente americano introduziu no mundo, e em seu próprio país, desde janeiro de 2025. A Desordem já tinha sido iniciada bem antes, quando seu íntimo amigo russo passou a invadir países vizinhos, começando pela Georgia, em 2008. Não contente, deslocou soldados russos para uma franja setentrional da República da Moldávia, a Transnístria, por acaso na fronteira com a Ucrânia, conservando esse contingente nessa “região autônoma” desde 2010, supostamente para proteger certo número de russos que lá habitam. Imediatamente após deu a partida a seu plano mais ambicioso, o de incorporar a Ucrânia de volta na Federação Russa, por meio de agitação nas regiões russófonas do Donbas, Donetsk e Luhansk. Em 2014, aproveitou mais uma das várias revoluções políticas na Ucrânia, para invadir e anexar, ilegalmente, a península da Crimeia, primeira etapa da guerra de agressão ao país inteiro a partir de fevereiro de 2022. A anexação da Crimeia e a invasão da Ucrânia valeram à Rússia sanções adotadas por diversos países aderentes aos dispositivos pertinentes da Carta da ONU, entre os quais nunca esteve o Brasil (a pretexto de não serem “sanções multilaterais”, et pour cause: pelo uso abusivo do direito de veto pelo agressor, membro permanente do CSNU).

Mas voltemos ao primeiro “aniversário” do transgressor americano, personagem que já foi diagnosticado, por psiquiatras, como sendo um “narcisista maligno” – caracterização feita pela primeira vez com respeito a Hitler por Erich Fromm, refugiado do nazismo –, um “psicopata”, além de “paranoico” e “sádico”. Como não sou especialista na matéria, dedico-me a analisar suas ações no plano das relações exteriores dos Estados Unidos. Já tivemos o registro de suas ações no primeiro mandato (2017-2020), a maior parte concentrada na “política comercial”, se o termo se aplica ao desmantelamento por completo da cláusula de nação mais favorecida, o núcleo central do sistema multilateral de comércio (embora bem mais do que isso, pois é um princípio de séculos, vindo da Lex Mercatoria).

Ele começou anulando o Nafta, o acordo de livre comércio da América do Norte (Canadá-EUA-México, 1994), continuando pela aplicação de sobretaxas unilaterais sobre importações de aço e alumínio de qualquer procedência. Suas medidas abusivas tiveram de ser “negociadas” – na base da imposição – com cada um dos fornecedores habituais. O Brasil foi fortemente atingido e aceitou cotas para o aço e uma sobretaxa no alumínio. Deslanchou uma guerra comercial contra a China – vista como inimiga preferencial – e exigiu que o país asiático importasse toneladas adicionais de soja americana, atingindo mais uma vez o Brasil. Ele também passou a atacar e perseguir os imigrantes, retirou os EUA do acordo de Paris (de 2015) e já anunciava pretender fazer o país retornar à era do carvão e reforçar o petróleo. Na área da segurança, já ameaçava deixar a Otan se os membros europeus não pagassem mais.

Se a Desordem foi a tônica do primeiro mandato, no segundo a Opção pelo Caos foi não apenas uma preferência pessoal, mas o método usado para implodir a ordem existente. Tudo o que ele não havia implementado no primeiro mandato, passou sistematicamente a praticar a partir de 20 de janeiro de 2025, começando pelo ímpeto selvagem imprimido às milícias de caça aos imigrantes, praticamente similares aos Einsatzgruppen, os esquadrões móveis da SS nazista, perseguindo judeus, ciganos e outros inimigos do regime extremista. No plano externo, como a comprovar a sua profunda ignorância econômica, apresentou, em abril, suposto “Dia da Libertação”, um tarifaço comercial sem qualquer base racional, pelo qual déficits bilaterais no intercâmbio registrado eram convertidos em alíquotas totalmente desproporcionais ao comércio efetivamente realizado, penalizando pequenos países.

O Brasil foi inicialmente “premiado” com uma sobretaxa modesta, a baseline de 10%, mas logo em seguida punido politicamente com uma cacetada de 40% adicionais sobre a quase totalidade da nomenclatura aduaneira, num ato de interferência direta na Justiça brasileira, a pedido da família golpista, visando a liberação do capo da tramoia que imitava o assalto ao Capitólio de janeiro de 2021, em favor do autor da carta acusatória. Ao mesmo tempo vieram sanções diretamente pessoais – Lei Magnitsky, cancelamento de vistos e outras ameaças – contra a soberania brasileira. O impacto do tarifaço em produtos de significativo consumo popular redundou mais adiante na redução ao baseline, mas não em toda a gama afetada pelas medidas unilaterais, claramente contra as regras da OMC. Mas esse tipo de retaliação passou a ser adotado praticamente contra todos os parceiros comerciais dos EUA, aliados ou adversários (salvo um, protegido da ira jupiteriana por segredos de inteligência).

Um dos atos mais exemplares da nova fúria imperial, extraordinariamente expandida desde o primeiro mandato, encontrou expressão documental na nova versão da Estratégia de Segurança nacional, divulgada em novembro de 2025, sintetizando a “visão do mundo” – se ela existe – de toda uma equipe voltada contra a Europa liberal, supostamente decadente, e indisfarçavelmente promotora de uma tripartição imperial da governança global. Nesse esquema, o destruidor primário da ordem onusiana, o tirano de Moscou, recebeu todas as deferências do imperador hemisférico, inclusive com uma recepção de verdadeira visita de Estado, em sua incursão à terra gelada que já tinha pertencido ao império czarista até meados do século XIX. Ao mesmo tempo, o impulso colonialista na parte do mundo considerada chasse gardée do renascido império hemisférico começou com ameaças ao Panamá, foi concretizado numa incursão direta para a captura do ditador da pátria chavista, cuja ditadura foi preservada, mas sob regime de tutela, até se estender à Groenlândia, considerada parte vital na arquitetura de segurança nacional, mas contra uma ameaça inexistente.

O lado mais obscuro e brutal das ações do narcisista maligno se revelou nas duas guerras terrivelmente mortíferas, mantidas em Gaza, pelo aliado israelense, e nas terras da Ucrânia, objeto de uma complacência cúmplice em relação ao morticínio especialmente cruel conduzido pelo seu amigo (e possível controlador) russo. Na Faixa de Gaza, a intenção inicial era a de expulsar toda a população palestina para fazer dela uma grande Riviera de luxo, na qual o especulador imobiliário provavelmente exploraria resorts para turistas milionários. A reação negativa das monarquias do Golfo operou uma mudança tática, até chegar numa mais do que duvidosa proposta de um “Conselho da Paz”, integrado por chefes de Estado e de governo, mas no qual o novo imperador possuiria poder absoluto.

Em relação à Ucrânia, a desfaçatez do personagem com respeito às propostas de cessar-fogo ou de armistício, todas elas favoráveis ao, quando não propostas diretamente pelo criminoso de guerra agressor, não tinha sequer uma aparência de equanimidade nas condições impostas ao lado agredido e em relação às amplas e inaceitáveis benesses e vantagens que eram concedidas gratuitamente ao criminoso de guerra iniciador do conflito. Nos dois casos, o desprezo total e integral ao Direito Internacional, o abandono completo de considerações humanitárias e o descarte evidente das instâncias multilaterais onusianas, assim como dos “parceiros” europeus, ficou evidente ao longo de todos os episódios lamentáveis registrados neste primeiro ano de arbítrio personalista em todos os azimutes visados pelo imperador.

No caso do Brasil, e do seu líder, situado nas antípodas ideológicas de concepções políticas e sociais, depois das manifestações de hostilidade ao início, uma suposta “química favorável” não esconde a hipocrisia de uma simpatia construída para evitar novos problemas com o maior país da América do Sul, num contexto de ameaças à Colômbia e mesmo ao México, os países mais diretamente envolvidos com o negócio da cocaína, dois infelizes fornecedores de uma demanda incessante e inesgotável a partir do próprio império. A nova doutrina formulada com base em duvidosa similaridade histórica não chega sequer a ser uma proposta de relacionamento diplomático, mas apenas um convite à submissão colonial, algo praticamente impossível no caso brasileiro, a menos de um improvável retorno eleitoral da mesma tropa de devotos adoradores do imperador hemisférico, que simplesmente conduziu o Itamaraty a um quadriênio inédito de subserviência e de docilidade jamais vistos na história já bissecular de nossa diplomacia profissional.

Impossível prever, dado o caráter errático do narcisista maligno, o que advirá nos dez meses precedendo as eleições intermediárias numa democracia já seriamente abalada e destroçada em seus fundamentos institucionais e, sobretudo, no tocante ao relacionamento do império visivelmente declinante com as demais potências grandes e médias que atuam nos cenáculos ainda abertos a um incerto e titubeante “diálogo”. Dentre os observadores mais atilados – presentes no Financial Times, na Economist, na Foreign Affairs, ou nos principais think tanks vinculados às relações internacionais – não surgiu alguma pitonisa de Delfos que seja capaz de visualizar o que pode ocorrer em 2026 e mais além. O fato é que o mundo já se encontra radicalmente transformado, primeiro pelas ações expansionistas do neoczar, agora pelas turbulências continuamente criadas pelo “psicopata paranoico e sádico” referido pelos psiquiatras. O Brasil e a América Latina estão singularmente expostos à sua bílis deletéria; pena que o cenário regional seja marcado por uma fragmentação também inédita na história.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5195, 21 janeiro 2026, 4 p.

A Ucrânia traída em Davos - Olena Tregub e Paulo Roberto de Almeida

 From: Olena Tregub, Transparency International 

“Listening to Western leaders at the Ukrainian Breakfast in Davos left a very bitter aftertaste. You can feel the fear of the US administration in the room, and the fact that almost no one dares to say openly what is obvious: Trump is putting pressure on Ukraine, not on Russia. There were only a few veiled remarks from Sikorski – and almost nothing from anyone else.

Instead, we hear things like the Belgian Prime Minister saying: “Europe is not at war with Russia, therefore we did not confiscate Russian assets.” Or Sikorski claiming that “Europe does not buy Russian energy,” which is simply not true. Then comes the self-congratulation about sanctions, about sanctioning the shadow tanker fleet, while in reality they add a few ships to each new package instead of adopting the radical and long-known solutions that would actually change the situation.

A special moment was the speech of a  “special envoy” who said he came only because a friend invited him and he couldn’t refuse. That he and Kushner are like two volunteers, working for free to end the war in Ukraine. That everything is going great, the result is coming soon, and Putin will agree to everything any moment now.

The only voices of reality came from Ukrainian soldiers. One of them said that Europe should not be surprised when the war comes to its own territory, and that Ukraine is currently holding back over a million Russian troops on Europe’s borders. In other words, Ukraine is already de facto the defensive shield of the European Union. Yet on stage, European leaders still spoke about Ukraine as something external: unclear timelines, unclear criteria, fears that Ukraine’s accession could “destabilize” the EU.

It feels like people whose house is already being approached by a maniac have locked themselves inside, while Ukraine is outside, fighting and defending their home. But for them, Ukraine is only a sacred sacrifice: something to praise for courage, for surviving winter without heating, for endurance under terror – but not something they are ready to fully let into their warm and comfortable house.

Their house is too safe, too warm, too comfortable. And somewhere out there, “two savages” – Ukrainians and Russians – are fighting, and maybe it will somehow pass, maybe it will not reach them, maybe the maniac is not really coming for their house after all.

In the end, everyone praised themselves. Everyone talked about how much they support Ukraine. One congressman even said he prays every night. And only one question remains: if the support is so extraordinary, why has Ukraine not yet won? 

The honest conclusion came from Niall Ferguson: Putin does not care about speeches in Davos. Ukraine needs weapons.”

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Acrescento (PRA): Trump e Putin não decepcionam: são irmãos gêmeos na destruição do multilateralismo e da vida civilizada no mundo. A Europa e os europeus me decepcionam.

Postagem em destaque

Livro Marxismo e Socialismo finalmente disponível - Paulo Roberto de Almeida

Meu mais recente livro – que não tem nada a ver com o governo atual ou com sua diplomacia esquizofrênica, já vou logo avisando – ficou final...