AS CINCO ESTAÇÕES DO AMOR
João Almino
240 págs. | R$ 69,90
Ed. Record| Grupo Editorial Record
O amor na virada do século
Um grupo de amigos de Brasília que se conhece desde a juventude, ainda no período da ditadura militar, se reencontra anos depois. Originalmente lançado em 2001, As cinco estações do amor, de João Almino, retorna às livrarias com novo projeto gráfico, seção inédita de fortuna crítica, com textos de nomes como Heloísa Teixeira (ex-Buarque de Hollanda), Silviano Santiago, José Castello, João Gilberto Noll e Luiz Ruffato, e orelha assinada por Adriana Lisboa. Vencedor do Prêmio Casa de las Américas em 2003, foi traduzido para diversas línguas, como espanhol, inglês e italiano.
“Embora meus romances sejam lidos de forma independente, criei personagens levados de um a outro. Ana, citada no primeiro e personagem do segundo, narra o terceiro. Toda a obra trata da memória: neste, Ana/Diana tenta esquecer o passado e viver do instante. No seguinte, um fotógrafo, agora cego, para reviver a emoção de 62 fotos, só pode fazê-lo rememorando o passado. Através de seu grupo dos ´inúteis´, que inclui uma desaparecida política, Ana passa em revista, em três décadas, a transformação, inclusive a do transexual Norberto/Berta. A crítica denominou os primeiros romances de A Trilogia de Brasília. Os demais também se passariam numa Brasília distópica de gente comum.” João Almino
As cinco estações do amor é uma obra fascinante que explora as transformações que marcaram o Brasil nas últimas três décadas. Oferecendo, como descreve o próprio autor, “uma reflexão contemporânea sobre os dilemas de uma juventude perdida, a violência, os papéis sexuais e as mutações no amor e amizade”, o terceiro romance de João Almino se apresenta como uma metáfora engenhosa sobre o fim de uma era e a ilusão do surgimento de um novo homem.
O livro contrapõe a Brasília atual, marcada pela violência, à cidade que os personagens conheceram em sua juventude, um lugar onde a utopia parecia possível. Com uma linguagem cativante, a obra é narrada do ponto de vista feminino, pela personagem Ana, que busca “um sentido para o vazio do Planalto Central”. A trama tem, como fio condutor, a história de um amor possível e nem um pouco idealizado, e, a partir dele, João Almino analisa, além da relação exclusivamente erótica, várias manifestações do amor: o desejo de completar-se no outro, o amor-paixão – uma espécie de servidão voluntária –, o amor não correspondido, o desejo de posse, o amor faminto, entre outros. Através dessas múltiplas manifestações, o autor reinterpreta temas universais como amor e amizade, investigando como o sexo e a sexualidade interferem na percepção e vivência dessas emoções.
SOBRE O LIVRO
“É interessante ver de que maneiras o romance, originalmente lançado em 2001, também se ressignifica nos nossos dias. Se, “desfeita a ilusão juvenil”, a narradora de João Almino busca o outro à altura do seu sonho, também nos recorda, sóbria, que “a realidade que desconhecemos é sempre maior que todos os sonhos que sonhamos”. Já não falta o mar. Basta a Brasília, a liberdade de um céu imenso.” – Adriana Lisboa
“É um estilo necessário na atual ficção brasileira.” – João Gilberto Noll
“Almino pertence à estirpe daqueles autores que expõem e examinam os estados de alma dos personagens, amplificando as possibilidades de apreensão e reflexão sobre o fato narrado.” – Luiz Ruffato
“A literatura de João Almino é contemporânea; sem ilusões, impiedoso com as utopias e os sonhos fáceis, ele escreve não como o retratista que deseja reproduzir o real, para celebrá-lo, mas como o carrasco que, pisando o real, nos empurra de cara no chão.” – José Castello
CONHEÇA TAMBÉM
O que Machado de Assis diria se escrevesse sobre a realidade contemporânea? Em Homem de papel, João Almino resgata o personagem-narrador conselheiro Aires, transportando-o para os dias atuais. Se no machadiano Esaú e Jacó o conselheiro está numa trama sobre dois irmãos que disputam a mesma mulher e defendem regimes políticos contrários (Monarquia e República), aqui ele ganha protagonismo metamorfoseado em livro, do qual consegue dar escapadelas para o mundo real, regido pela ignorância e estupidez. Oitavo romance do escritor, Homem de papel foi finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti.
SOBRE O AUTOR
João Almino nasceu em Mossoró, RN. Um dos nomes mais importantes da literatura nacional, tem sido aclamado pela crítica por seus romances Ideias para onde passar o fim do mundo (indicado ao Jabuti), Samba-enredo, As cinco estações do amor (Prêmio Casa de las Américas), O livro das emoções, Cidade livre (Prêmio Passo Fundo, finalista do Jabuti e Portugal Telecom), Enigmas da primavera (finalista do Prêmio São Paulo de Literatura), Entre facas, algodão e Homem de papel (finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e semifinalista do Jabuti). Membro da ABL, com romances publicados na Argentina, Espanha, EUA, França, Holanda, Itália e México, entre outros, diplomata e autor de ensaios literários, seus escritos são também referência no tema do autoritarismo.
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