Antecipando os efeitos da guerra de agressão de Putin contra a Ucrânia
Paulo Roberto de Almeida
Putin e Trump, agindo de forma coordenada ou não, estão obrigando a Europa, compulsoriamente ou de forma voluntária, a se armar novamente. Make Europe Stronger Again, esse vai ser o resultado, mas depois da destruição de metade da Ucrânia, da emigração de milhares de ucranianos e da morte de milhares de seus soldados.
Tudo isso provocado pela ambição de um ditador frustrado — facilitado por um outro dirigente desequilibrado — que deixará como legado uma Rússia mais pobre, sancionada pelas democracias que respeitam o Direito Internacional (entre as quais o Brasil não se inclui), um vácuo superior a um milhão de baixas em suas FFAA e outras centenas de milhares de emigrados forçados, talvez para sempre.
A Rússia de Putin e a Venezuela de Chávez-Maduro (esta, de forma progressiva, aquela mais rapidamente) destruíram seu capital humano e passarão mais de uma geração empenhadas numa difícil reconstrução nacional.
Quais são os beneficiários do atual desmantelamento do sistema multilateral dos últimos 80 anos?
A China, em primeiro lugar, da forma mais oportunista possível, a Europa em segundo lugar, de forma involuntária e malgré soi-même.
E o Brasil? Vai permanecer mais ou menos no mesmo lugar, mantendo, provavelmente, a ilusão do Brics+ como supostamente representativo de um diáfano “Sul Global” (como se China e Rússia pertencessem a essa ficção geopolítica).
A diplomacia profissional brasileira se equilibra dificilmente entre seus padrões habituais de respeito aos valores e princípios de uma doutrina respeitável, construída por grandes estadistas do passado, e a submissão a dirigentes pouco preparados para dirigir um país que não chegou a completar sua modernização integral pela via da educação de qualidade, infelizmente historicamente desleixada por elites mediocres, sem visão de futuro.
Concluo repetindo minha estrofe preferida, de um poema escrito por Mario de Andrade em 1924:
“Progredir, progredimos um tiquinho/
Que o progresso também é uma fatalidade…”
Paulo Roberto Almeida
Brasília, 23 de março de 2025
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