O que é este blog?

Este blog trata basicamente de ideias, se possível inteligentes, para pessoas inteligentes. Ele também se ocupa de ideias aplicadas à política, em especial à política econômica. Ele constitui uma tentativa de manter um pensamento crítico e independente sobre livros, sobre questões culturais em geral, focando numa discussão bem informada sobre temas de relações internacionais e de política externa do Brasil. Para meus livros e ensaios ver o website: www.pralmeida.org. Para a maior parte de meus textos, ver minha página na plataforma Academia.edu, link: https://itamaraty.academia.edu/PauloRobertodeAlmeida;

Meu Twitter: https://twitter.com/PauloAlmeida53

Facebook: https://www.facebook.com/paulobooks

Mostrando postagens com marcador Bolsonaro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bolsonaro. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Le Brésil de Bolsonaro - Editorial Le Monde (18/05/2020)


Brésil : la dangereuse fuite en avant de Bolsonaro

Editorial. Malgré un bilan de plus en plus lourd, le président brésilien continue d’affirmer sans barguigner que le coronavirus est une « grippette » ou une « hystérie » née de l’« imagination » des médias.

Editorial du « Monde ». 
Il y a, à n’en pas douter, quelque chose de pourri au royaume du Brésil, où le président, Jair Bolsonaro, peut affirmer sans barguigner que le coronavirus est une « grippette » ou une « hystérie » née de l’« imagination » des médias. Quelque chose de pourri, lorsqu’il prend des bains de foule, exhorte les autorités locales à abandonner les restrictions et prétend que l’épidémie « commence à s’en aller », alors que les cimetières du pays enregistrent un nombre record d’enterrements. Quand son ministre des affaires étrangères, Ernesto Araujo, pourfend le « comunavirus »,affirmant que la pandémie est le résultat d’un complot communiste. Quand le ministre de la santé, Nelson Teich, démissionne le 15 mai, quatre semaines après sa nomination à ce portefeuille crucial, pour « divergences de vues », le jour où le pays atteint 240 000 cas confirmés et plus de 16 000 morts.
Article réservé à nos abonnés
Pour beaucoup, les heures sombres que traverse le Brésil, désormais cinquième nation la plus touchée par la pandémie, rappellent celles de la dictature militaire, quand le pays était soumis à la peur et à l’arbitraire. Avec une différence de taille : alors que les généraux revendiquaient la défense d’une démocratie attaquée, selon eux, par le communisme, le Brésil de Bolsonaro habite un monde parallèle, un théâtre de l’absurde où les faits et la réalité n’existent plus. Dans cet univers sous tension, nourri de calomnies, d’incohérences et de provocations mortifères, l’opinion se polarise sur une nuée d’idées simples mais fausses.
Le déni entretenu par le pouvoir dissuade la moitié de la population de se confiner, tandis que les appels à la distanciation physique lancés par les professionnels de santé, les gouverneurs et les maires ne sont que modérément suivis. L’activité économique doit continuer à tout prix, affirme Bolsonaro, qui peine surtout à prendre la mesure de la pandémie tout en faisant un calcul politique insensé : les effets dévastateurs de la crise seront attribués à ses opposants, espère-t-il.

Chaos sanitaire

Officier subalterne exclu de l’armée et obscur député d’extrême droite, raillé par ses pairs pendant trois décennies, Bolsonaro n’avait rien d’un homme d’Etat. Arrivé au pouvoir, rongé par la rancœur et la nostalgie brune, l’ex-capitaine de réserve n’a cessé de sonner la charge contre le « système » honni. Une posture qui, en période de pandémie aiguë, provoque le chaos sanitaire et sème la mort.
Article réservé à nos abonnés
A force de tricher avec les faits, les gouvernants populistes finissent par croire à leurs propres mensonges. On le voit ailleurs dans le monde. Mais ici, dans ce pays sorti voici à peine trente-cinq ans de la dictature, où la démocratie reste fragile, voire dysfonctionnelle, le fait de politiser ainsi une crise sanitaire à outrance est totalement irresponsable.
Avec un socle de 25 % d’électeurs, Bolsonaro sait que sa marge de manœuvre est étroite. Certains évoquent aujourd’hui le scénario d’un coup de force institutionnel. Devant la foule venue le soutenir à Brasilia, le président a d’ailleurs clairement laissé entendre, le 3 mai, que, en cas d’enquête de la Cour suprême contre lui ou ses proches, il ne respecterait pas la décision des juges. Après avoir pratiqué le négationnisme historique en vantant la dictature, nié l’existence des incendies en Amazonie et la gravité de la pandémie de Covid-19, Bolsonaro et sa tentation autoritaire risquent d’entraîner le pays dans une dangereuse fuite en avant.

Lire aussi  Au Brésil, Jair Bolsonaro s’enfonce dans le déni et la crise politique
Lire aussi  Coronavirus : le Brésil désarmé face à l’effondrement sanitaire

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Trump surfa no puxa-saquismo de Bolsonaro para tirar sarro do Brasil - Andrei Meireles (Os Divergentes)

Trump surfa no puxa-saquismo de Bolsonaro para tirar sarro do Brasil

Nem em seus momentos mais sombrios, a diplomacia brasileira foi tão capacho e recebeu tanto desprezo de um governo dos Estados Unidos.
Trump e Bolsonaro nos Estados Unidos
O que nessa pandemia do novo coronavírus rendeu a incondicional submissão do governo brasileiro a uma suposta parceria com a gestão de Donald Trump? O de mais concreto foi a pirataria com compras de respiradores e outros insumos básicos por estados brasileiros  tomados pela mão grande dos supostos aliados americanos. Em suas performances nas entrevistas coletivas, quando em dificuldade, Trump sempre apelou para ameaças ao Brasil, como o reiterado anúncio de que pode suspender os voos entre os dois países. Isso virou um descarado recurso em seus embates com a imprensa, mesmo consciente de que a epidemia nos Estados Unidos é maior do que a brasileira, por saber que o governo Bolsonaro vergonhosamente o agasalha.
Em nova entrevista nessa terça-feira (19), Donald Trump primeiro repetiu, com mais gravame, a mesma ladainha sobre os voos do Brasil para os Estados Unidos. “Não quero que esse povo venha para cá infectar americanos”. Depois seguiu em seu roteiro de mentiras. Disse que estava ajudando o Brasil com muitos respiradores. Insinuou inclusive que seriam milhares. Se fosse verdade, seriam bem-vindos. Estão fazendo muita falta. Pelo o que até agora se sabe, é mais uma cascata. A mentira torna mesquinho até o saudável hábito dos americanos de valorizar cada dólar que doam, afinal é dinheiro do seu contribuinte.
O embaixador americano Todd Chapman e o presidente Jair Bolsonaro – Foto Divulgação/PR
Nessa terça-feira, foi anunciado que o governo americano doou mais US$ 3 milhões (na maluquice do nosso câmbio diário, chegou a R$ 17 milhões). É uma ajuda com a pretensão de atender a Fiocruz e a 99 municípios brasileiros em todas as fronteiras do país nessa guerra bilionária contra a pandemia. Com até mais pompa, o novo embaixador dos EUA no Brasil, Todd Chapman, anunciou no começo do mês uma ajuda para o combate ao novo coronavírus de exatos US$ 950 mil. Vendeu essa grana como uma grande ajuda.
Em qualquer conta nas várias frentes de combate a ascendente epidemia no país, não passam de merrecas. O governo americano melhor ajudaria se impedisse a pirataria contra a desesperada tentativa brasileira de comprar equipamentos essenciais ao combate do novo coronavírus.
O ex ministro das Relações Exteriores do Brasil, Azeredo da Silveira, discursa na ONU
Nem quando, logo após o golpe militar de 1964, o embaixador Juraci Magalhães pronunciou a célebre frase “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, a diplomacia brasileira se submeteu tanto à americana. Sequer agora tendo a justificativa da Guerra Fria. Atropela inclusive toda a doutrina militar de soberania nacional. Um dos pilares do sucesso internacional da diplomacia brasileira foi seu profissionalismo, que virou política de Estado na gestão do chanceler Azeredo da Silveira, no governo do general Ernesto Geisel.
Agrava esse problema o fato de Bolsonaro tratar a tragédia como uma pilhéria. Ele diz que não está nem aí. E insiste na mesma aposta sem base científica: “Quem for de direita toma cloroquina, de esquerda toma Tubaína”. E a vida que siga ou não nessa roleta presidencial.
O fãs de Bolsonaro levam a propaganda da Cloroquina às ruas – Foto Orlando Brito
Bolsonaro continua dando seu show de insensibilidade, com o aparente propósito de exibir nesse suposto machismo uma coragem que não demonstra quando enfrenta paradas reais. Sua paranoia diante  investigações, supostas ou reais, mostra uma covardia diante de qualquer ameaça a seu clã familiar.
Por causa desse receio, ele mete os pés pelas mãos e transforma seu governo em um pandemônio. Ninguém ali com alguma competência se sente seguro. Todos se sentem cada vez mais à deriva pelo piloto inseguro que perdeu o rumo. Que não sabe mais, apesar de cercado por uma penca de militares, como navegar nesse nevoeiro.  Sequer consegue enxergar que o Brasil só perde com a idolatria cega e de mão única do seu clã e de seus gurus a Donald Trump.
O que ainda piora todo esse quadro é a sensação de falta de altivez dos chefes militares.
É triste assim.

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Pedido de Impeachment da ABI contra o presidente - Resumo

Pedido de Impeachment da ABI
Neste link:
https://www.academia.edu/43002755/Pedido_de_Impeachment_contra_o_presidente_Bolsonaro_-_ABI

Revendo algumas passagens: 

ABI: "Os crimes que se imputam ao Exmo. Senhor Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, têm previsibilidade constitucional no art. 85, III e IV da Constituição da República, e estão tipificados no art. 7º, incisos 7 e 8, e art. 9º, incisos 4 e 7, da lei 1079/50." 


ABI: "O comportamento criminoso do Sr. Jair Messias Bolsonaro na Presidência da República afronta os valores nos quais se fundamentam a República brasileira (art. 1º da CR), a independência e harmonia dos poderes (art. 2º da CR), os objetivos fundamentais da República (art. 3º da CR) e os princípios pelos quais se rege nas relações internacionais (art. 4º da CR)."

Conferindo: 
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
        I -  construir uma sociedade livre, justa e solidária;
        II -  garantir o desenvolvimento nacional;
        III -  erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
        IV -  promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Vamos rever: 
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
        I -  independência nacional;
        II -  prevalência dos direitos humanos;
        III -  autodeterminação dos povos;
        IV -  não-intervenção;
        V -  igualdade entre os Estados;
        VI -  defesa da paz;
        VII -  solução pacífica dos conflitos;
        VIII -  repúdio ao terrorismo e ao racismo;
        IX -  cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
        X -  concessão de asilo político.
    Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:
        I -  a existência da União;
        II -  o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;
        III -  o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
        IV -  a segurança interna do País;
        V -  a probidade na administração;
        VI -  a lei orçamentária;
        VII -  o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
    Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas de processo e julgamento.

Finalmente: 
Artigo 7º, incisos 7 e 8, da Lei 1079/1950: 
São crimes de responsabilidade contra o livre exercício dos direitos políticos, individuais e sociais: 
(...) 
7 - incitar militares à desobediência à lei ou infração à disciplina; G.N. 
8 - provocar animosidade entre as classes armadas ou contra elas, ou delas contra as instituições civis; G.N. 


O debate está aberto...




domingo, 3 de maio de 2020

Militares no apoio a Bolsonaro: teste de autonomia

Novo ato golpista de Bolsonaro torna obrigatória explicação de militares

Cúpula fardada havia se reunido com o presidente na véspera, levando a dúvidas sobre suas intenções



folha de SÃO PAULO, 3/05/2020

O presidente Jair Bolsonaro fez seu novo ataque ao Legislativo e ao Judiciário exaltando o papel das Forças Armadas, que segundo ele estão “ao lado do povo”.
Não seria novidade, exceto por um detalhe: na véspera, o presidente havia se reunido com os três comandantes de Forças, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, e o chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos.
No cardápio posto, segundo a assessoria de Azevedo, “uma avaliação do emprego das Forças Armadas na Operação de Combate ao Coronavírus, além de avaliação de determinados aspectos da conjuntura atual”.
O demônio mora nos detalhes, no caso os tais determinados aspectos. Segundo a Folha ouviu de interlocutores de pessoas presentes ao encontro, o Supremo Tribunal Federal foi duramente criticado pelos presentes.
O motivo, a decisão provisória de Alexandre de Moraes que inviabilizou a indicação de um amigo da investigada família Bolsonaro, Alexandre Ramagem, para a direção da Polícia Federal.
Isso significa que os generais deram amparo à nova intentona retórica do presidente? Aqui há divergências nos relatos disponíveis.
A versão majoritária apontou a crítica fardada, que de resto já tinha sido feita ao considerar Judiciário e Congresso como forças a cercear o Executivo, mas nega que o presidente tenha sido encorajado a novamente desafiar os Poderes.
Uma leitura alternativa diz que o presidente se sentiu autorizado a ultrapassar o sinal novamente.
No ato de 19 de abril, Dia do Exército, o simbolismo era óbvio, mas velado.
Neste domingo (3), Bolsonaro encheu a boca para colocar as Forças Armadas no mesmo bloco que pedia a cabeça do presidente a Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ataques ao Supremo e, de quebra, espancava jornalistas no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.
Isso abraçando na rampa do Planalto as bandeiras de Israel e dos EUA, além da brasileira, numa cacofonia caótica emulada pelas carreatas da morte vistas em algumas cidades do país.
A terceira leitura, aí feita por políticos, é a especulação acerca do entusiasmo dos militares com aventuras totalitárias.
Isso hoje é improvável. Não se imagina a atual cúpula militar brasileira apoiando fechamento de Poderes, para ficar na caracterização de golpe.
Além disso, não há apoio maciço ao governo na elite econômica, na imprensa e mesmo entre todos os ramos das Forças: Força Aérea e Marinha não têm o mesmo senso de comprometimento com a figura de Bolsonaro que o Exército, fiador de um capitão reformado e renegado.
Pior, os aviadores podem perder o único quinhão a que têm direito no governo, o Ministério da Ciência e Tecnologia, para o PSD, dentro da barganha comandada por Bolsonaro para afastar o fantasma do impeachment.
Ainda assim, a contemporização feita por alguns oficiais ouvidos pela reportagem, de que Bolsonaro se excede sem consequências, fica cada dia mais difícil de ser aceita.
Um oficial-general disse confiar que a população em geral não vê os militares como radicais do bolsonarismo. Talvez, mas a fronteira está cada vez mais turva: ele mesmo admite que a associação é provável.
Para complicar o enredo, um item altamente explosivo no cenário voltou a circular entre os observadores do panorama militar: a substituição do comandante do Exército, general Edson Leal Pujol.
O assunto foi discutido por Bolsonaro em sua reunião no sábado com os comandantes.
Nem tanto por uma troca em si, de resto estranha com o comandante tendo pouco mais de um ano no posto, mas por quem seria o indicado por Bolsonaro: Luiz Eduardo Ramos.
O general, que segue na ativa enquanto exerce a função no Palácio do Planalto, era talvez o mais bolsonarista dos integrantes do Alto Comando do Exército, a elite da elite militar.
Amigo de Bolsonaro quando ambos eram cadetes, dividindo dormitórios, ele sempre foi o número 2 de Azevedo, hoje ministro da Defesa e pivô da ala militar do governo.
Mas sua vinculação sempre foi especial com Bolsonaro. Sua eventual ida para o comando criaria exatamente o oposto do que o general otimista relatou: a ideia de um Exército liderado por uma aliado ideológico do presidente.
Procurado, Ramos negou veementemente a informação. “Não sei de onde isso saiu. Tem uns seis generais mais longevos do que eu na fila”, disse à Folha.
De fato, o general só entra no quesito longevidade para poder assumir a Força no ano que vem. Isso não foi problema no passado: Eduardo Villas Bôas não era o mais longevo ao ser escolhido comandante do Exército por Dilma Rousseff (PT) em 2015.
A retórica inflamada do presidente também tem a ver com o momento específico de seu governo, acumulando 7.000 mortos pelo novo coronavírus e sentindo a brisa do impeachment no ar.
Espectro esse que ronda o Planalto, para ficar na figura de linguagem marxista tão ao gosto do bolsonarismo raiz.
Como disse um almirante, há incertezas demais para garantir que o presidente não será alvo de um processo de impedimento, apesar de seu um terço de apoio no eleitorado.
O nome da equação se chama Sergio Moro. O depoimento de quase nove horas do ex-ministro da Justiça a ouvintes bastante familiarizados com os métodos do ex-juiz da Lava Jato apavora os bolsonaristas.
Qualquer pessoa que já tenha trocado uma mensagem de WhatsApp com Bolsonaro sabe que vulgaridades e sem-cerimônia são o padrão.
Provas que o incriminem talvez estejam no rol também, a depender de como forem interpretadas as conversas.
Isso, somado aos sortilégios que apurações sobre milícias e fake news insinuam sobre o clã presidencial, além do comportamento na condução da crise do coronavírus, alimentam o discurso de Bolsonaro.
O uso feito por Bolsonaro dos militares, ainda mais depois de estar cercado deles, explicita o real drama para a os fardados: a intrínseca conexão com a política, algo que conseguiram evitar durante boa parte do período pós-redemocratização.
O preço de imagem ainda é insondável, mas apenas o fato de serem questionados acerca de seus desígnios evidencia o tamanho do gênio que permitiram sair da garrafa ao se alinhar a Bolsonaro. Os militares terão de responder sobre o discurso golpista do presidente.

sábado, 25 de abril de 2020

Brazil Deserves Better Than Jair Bolsonaro - Mac Margolis (Bloomberg)


Politics & Policy

Brazil Deserves Better Than Jair Bolsonaro

The angry resignation of Justice Minister Sergio Moro promises to mire the country deeper in political crisis and economic misery.

When a congressional back-bencher with fringe right-wing ideas took office last year, many Brazilians held their breath. Some hoped and prayed that Jair Bolsonaro might rise to the occasion, moderate his rhetoric and compensate for his lack of executive experience by delegating to a first-rate cabinet. Leave it to the adults in the room — Economy Minister Paulo Guedes, Vice President Hamilton Mourao, and Justice Minister Sergio Moro — and all would turn out well. We know now that was a fever dream. Moro’s acrimonious resignation on Friday, after accusing Bolsonaro of meddling in the justice system, is only the latest symptom.
Less than a year and half on, the former army captain has clearly neither risen to the task nor delegated to the able. Instead Bolsonaro governs by trial and error, second-guessing his ministers in favor of a bilious claque of kin and confidants. The result: Brazil’s presidency has shrunk even as the country’s challenges grow larger than ever.
In a way, Moro’s exit was a collision foretold. If Guedes was Bolsonaro’s “one-stop shop” for righting Latin America’s biggest market, he has gone conspicuously silent as the coronavirus pandemic roils the economy: When a government panel announced a national rescue plan, he was nowhere to be found. After Health Minister Luiz Henrique Mandetta drew plaudits for choosing science over faith-based policies to confront the coronavirus pandemic, Bolsonaro fired him. When uncontrolled fires in the Amazon brought global criticism, Bolsonaro sacked the respected head of the space agency monitoring the rain forest and blamed the fires on partisan saboteurs.
After presiding as a federal judge over the storied Carwash anti-corruption trials, Moro was hired as Bolsonaro’s Mr. Clean in a government pledged to bury the “old politics” of cronyism and payola. To hear it from Bolsonaro, Moro left Brasilia a self-centered liar.
True, Moro is no saint. His integrity took a beating last year, when hacked text messages leaked to the press showed that he had overreached, apparently coaching prosecutors in the storied Carwash case he presided over. And of course, ministers in any democracy serve at the chief executive’s pleasure — even super-ministers may fall.

Yet Moro’s parting shot against Bolsonaro had the whiff of an unfinished row, not a rout. “I am always at the country’s disposal,” Moro concluded in his provocative exit message. Despite his questionable Carwash actions, Moro was by far Bolsonaro’s most popular minister. Judging by the markets, he will be missed. Stock prices slumped at one point by nearly 10% on Friday and the real tanked against the dollar, forcing the central bank to intervene four times in the foreign exchange market.
Among his motives for resigning, Moro cited Bolsonaro’s alleged attempts to interfere in criminal investigations, pressure cops and stack the police with friends. Tellingly, Bolsonaro’s reshuffling of the federal police comes as investigators close in on his eldest son Flavio for allegedly commanding a kickback scheme and second eldest son Carlos for allegedly ginning up fake news against members of the Supreme Court. The federal police chief who was sacked against Moro’s will was “tired of being harassed” by Bolsonaro to step down, Moro later tweeted.
Bolsonaro denied any wrongdoing. In a long, rambling statement on Friday, he defended his honor “as a man, a soldier and a Christian.” He went on to rebut charges that he’d meddled in police work, although he admitted to demanding government intel on some pending investigations and to soliciting, “almost imploring,” the federal police to probe certain cases involving his family, including the man who stabbed him on the campaign trail in 2018 and was later found to be mentally impaired.  
Despite Bolsonaro’s denials, Moro last night released text messages showing that he had recommended swapping out several federal police investigators who were probing wrongdoing by several legislators loyal to his government. If the charges hold up in congress, the only court where sitting politicians may be judged, they could be grist for impeachment. Brazil has been there before. Two of Brazil’s last four popularly elected presidents were removed by impeachment, the last one less than four years ago, with a push from then federal congressman Bolsonaro.
Tellingly, Bolsonaro is bleeding allies and credibility. After an internal row, he abandoned the political party he rode to office 16 months ago, and his new party has yet to pass the eligibility bar by electoral authorities. With no solid legislative base, he has lost control of the congressional agenda. His response? Turn adversaries into enemies, starting with influential congressional speaker Rodrigo Maia, and wave on the loyal Bolsonaristas who clamor for closing the congress and the Supreme Court.
Moro’s departure amid an unprecedented health emergency and the worst economic slump since the Great Depression drops a full-blown political crisis onto Brazil’s miseries. Adding yet another long and surely acrimonious impeachment process will do the country little good.
A statesman in such a corner might see as much and spare his compatriots the pain. Regrettably, Bolsonaro likes a cage fight. Bolsonaro “is digging his own grave,” former President Fernando Henrique Cardoso tweeted. “Better he renounces than be renounced.”
Brazil deserves better.
    This column does not necessarily reflect the opinion of the editorial board or Bloomberg LP and its owners.
    To contact the author of this story:
    Mac Margolis at mmargolis14@bloomberg.net
    To contact the editor responsible for this story:
    James Gibney at jgibney5@bloomberg.net

    domingo, 19 de abril de 2020

    Ministros do STF e parlamentares reagem à presença de Bolsonaro em protesto com pedidos de intervenção militar - João Paulo Saconi e Natália Portinari (O Globo)

    Ministros do STF e parlamentares reagem à presença de Bolsonaro em protesto com pedidos de intervenção militar

    Presidente esteve em ato no qual apoiadores pediam afrouxamento de medidas contra a Covid-19, o fechamento do Congresso e do Supremo e um novo AI-5; ex-presidente Fernando Henrique Cardoso classifica atitude como 'lamentável'
    RIO e BRASÍLIA - A presença do presidente JairBolsonaro em um protesto em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, gerou reações de autoridades ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e parlamentares . No ato, os manifestantes utilizaram cartazes e gritos de ordem para expressar demanda inconstitucionais, como uma intervenção militar, o fechamento do Congresso e do STF e um novo AI-5, ato que marcou o início da fase mais violenta da ditadura militar. Entre os principais pedidos estava também a retomada de atividades econômicas não-essenciais, interrompidas por prefeitos e governadores como forma de combater o avanço do novo coronavírus.
    O incômodo com o episódio ficou evidente em mensagens publicadas nas redes sociais pelos ministros do Supremo Marco Aurélio Mello e Luis Roberto Barroso, recém-eleito para presidir o Superior Tribunal Eleitoral (TSE). Também se manifestaram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e os governadores João Doria (SP), Wilson Witzel (RJ), Flávio Dino (MA), Camilo Santa (CE) e Rui Costa (BA). Além desses, outros governadores assinaram uma carta em defesa do Congresso e contrária às manifestações recentes de Bolsonaro.
    Houve ainda falas de senadores e deputados, incluindo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Ele afirmou que, além da ameaça do coronavírus, o Brasil tem que lutar contra o autoritarismo. Ao repudiar "todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição", Maia afirmou que os pedidos por intervenção militar estimulam a desordem e flertam com o caos. Na concepção dele, o país não tem tempo a perder com retóricas golpistas".
    O PSDB, partido de FH e Doria, se expressou por meio de nota assinada pelo presidente da sigla, Bruno Araújo. O PSL, antigo partido de Bolsonaro, também se manifestou. Houve ainda manifestação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por meio de seu presidente Felipe Santa Cruz.
    Além de ter se encontrado com os manifestantes, que estavam aglomerados e contrariavam recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do próprio Ministério da Saúde, Bolsonaro discursou para eles e depois reproduziu um vídeo da reunião nas redes sociais. Em um dos trechos, é possível ver uma das faixas com pedido de intervenção militar. Hoje, 19 de março, é comemorado o Dia do Exército.
    O ministro Marco Aurélio disse ao GLOBO que o ato é uma atitude de "saudosistas inoportunos":
    — Tempos estranhos! Não há espaço para retrocesso. Os ares são democráticos e assim continuarão. Visão totalitária merece a excomunhão maior. Saudosistas inoportunos. As instituições estão funcionando.
    Barroso publicou duas mensagens no Twitter nas quais classificou o traço autoritário do movimento como "assustador" e afirmou que "pessoas de bem e que amam o Brasil" não desejam o retorno do estado de exceção vivido entre as décadas de 1960 e 1980.
    "É assustador ver manifestações pela volta do regime militar, após 30 anos de democracia. Defender a Constituição e as instituições democráticas faz parte do meu papel e do meu dever. Pior do que o grito dos maus é o silêncio dos bons (Martin Luther King). Só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve. Ditaduras vêm com violência contra os adversários, censura e intolerância. Pessoas de bem e que amam o Brasil não desejam isso", escreveu Barroso.
    O ministro Gilmar Mendes replicou em sua rede social a fala de Barroso, apesar de os dois pouco se falarem, e também escreveu uma mensagem:
    "A crise do #coronavirus só vai ser superada com responsabilidade política, união de todos e solidariedade. Invocar o AI-5 e a volta da Ditadura é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática #DitaduraNuncaMais".
    O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em rede social, que é "lamentável que o PR adira a manifestações antidemocráticas. É hora de união ao redor da Constituição contra toda ameaça à democracia. Ideal que deve unir civis e militares; ricos e pobres. Juntos pela liberdade e pelo Brasil".
    O ex-presidente Lula também se manifestou. "A mesma Constituição que permite que um presidente seja eleito democraticamente têm mecanismos para impedir que ele conduza o país ao esfacelamento da democracia e a um genocídio da população", escreveu o petista.
    Adversário político de Bolsonaro, João Doria fez menção direta à atitude do presidente e cobrou respeito às instituições brasileiras.
    "Lamentável que o presidente da república apoie um ato antidemocrático, que afronta a democracia e exalta o AI-5. Repudio também os ataques ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal. O Brasil precisa vencer a pandemia e deve preservar sua democracia", publicou o governador.
    Witzel, que também tem se oposto às posições do presidente, disse que Bolsonaro ataca governadores e comanda uma rede de notícias falsas.
    "Em vez de o presidente incitar a população contra os governadores e comandar uma grande rede de fake news para tentar assassinar nossas reputações, deveria cuidar da saúde dos brasileiros. Seguimos na missão de enfrentamento do Covid-19.#rjcontraocoronavirus".
    Para Flávio Dino, Bolsonaro busca "desviar o foco de suas absurdas atitudes quanto ao coronavírus e a sua péssima gestão econômica" e que o presidente "não sabe e não quer governar". Camilo Santana disse que os pedidos por intervenção militar são "inaceitáveis e repugnantes". Rui Costa defendeu "o trabalho e o equilíbrio de quem foi eleito para governar" e que "o momento é de união para salvar vidas".
    Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, disse que "o presidente da República atravessou o Rubicão" e, após mencionar que "a sorte da democracia brasileira está lançada", completou afirmando que é "hora dos democratas se unirem, superando dificuldades e divergências, em nome do bem maior chamado liberdade".
    Mais ecos no Congresso
    Também por meio do Twitter, senadores e deputados se manifestaram sobre a presença de Bolsonaro na manifestação. Houve publicações de Randolfe Rodrigues (Rede-AP) — líder da oposição no Senado — e dos deputados Marcelo Freixo (PSOL-RJ); Ivan Valente (PSOL-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ); Paulo Pimenta (PT-RS); Helder Salomão (PT-ES); Alessandro Molon (PSB-RJ), Tabata Amaral (PDT-SP), entre outros.
    "Enquanto enfrentamos a pior crise da nossa geração, com a capacidade do nosso sistema de Saúde comprometida, com pessoas morrendo e os casos aumentando, Bolsonaro vai às ruas, além de aglomerar pessoas, atacar as instituições democráticas. É patético!", diz trecho da mensagem compartilhada por Randolfe.
    O senador ainda cobrou atitudes do procurador-geral da República, Augusto Aras, para que a participação de Bolsonaro no ato tenha consequências jurídicas:
    "Agora cabe ao procurador-geral da República, Augusto Aras, abrir processo contra o Presidente da República por mais esse atentado ao povo brasileiro. Se Bolsonaro não respeita a Constituição Federal, as instituições devem funcionar tanto para ele, enquanto presidente, como para qualquer cidadão que comete crimes!", defendeu Randolfe.