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quinta-feira, 12 de março de 2026

A estrutura da polarização: Lula, Flávio Bolsonaro e o empate técnico que organiza a disputa presidencial brasileira - Paulo Baía (Agenda do Poder)

A estrutura da polarização: Lula, Flávio Bolsonaro e o empate técnico que organiza a disputa presidencial brasileira

* Paulo Baía
Agenda do Poder, 12/03/2026

A pesquisa nacional realizada pelo instituto Genial/Quaest em março de 2026 constitui um documento sociológico de grande relevância para compreender o estado atual da política brasileira. O levantamento foi realizado entre os dias 6 e 9 de março, com 2.004 entrevistas presenciais realizadas em municípios distribuídos por todas as regiões do país. A amostra foi construída por meio de um desenho probabilístico em múltiplos estágios, envolvendo seleção de municípios, setores censitários e entrevistados, com cotas que reproduzem a distribuição da população brasileira segundo sexo, idade, renda e escolaridade. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95 por cento.
Esses elementos metodológicos não são apenas detalhes técnicos. Eles são parte fundamental da interpretação sociológica da pesquisa. Um levantamento dessa natureza permite observar, ainda que de forma aproximada, como as clivagens sociais, culturais e políticas se distribuem na sociedade brasileira contemporânea. Mais do que uma fotografia do momento eleitoral, a pesquisa oferece uma espécie de radiografia das forças simbólicas que estruturam o campo político nacional.
Ao analisar os números com atenção, torna-se evidente que o Brasil vive uma configuração política marcada por equilíbrio estrutural entre dois grandes polos eleitorais. Esses polos não se organizam apenas em torno de partidos ou programas. Eles se estruturam ao redor de narrativas políticas que ganharam densidade histórica ao longo das últimas décadas. De um lado está a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, liderança política cuja biografia atravessa quarenta anos da vida pública brasileira. De outro lado emerge a consolidação eleitoral de Flávio Bolsonaro como herdeiro político do movimento que reorganizou a direita brasileira na última década.
A pesquisa revela que a disputa presidencial de 2026 tende a ser organizada por um empate técnico estrutural entre esses dois polos. Esse equilíbrio aparece tanto nos cenários de primeiro turno quanto no confronto direto de segundo turno. A sociedade brasileira encontra-se dividida em dois campos políticos de dimensões semelhantes, intensidade emocional comparável e capacidade equivalente de mobilização eleitoral.
Antes mesmo de apresentar os cenários eleitorais, o levantamento oferece um indicador importante sobre o ambiente político nacional. A avaliação do governo Lula registra 44 por cento de aprovação e 51 por cento de desaprovação. À primeira vista, esse resultado poderia sugerir fragilidade eleitoral do presidente. Entretanto, a análise sociológica mostra que a relação entre avaliação administrativa e preferência eleitoral raramente é linear.
Lideranças políticas que acumulam capital simbólico ao longo do tempo podem preservar bases eleitorais mesmo em momentos de desgaste governamental. O caso de Lula ilustra esse fenômeno com clareza. Sua trajetória política está profundamente entrelaçada com experiências de mobilidade social, expansão de políticas públicas e reconhecimento simbólico de setores historicamente excluídos da esfera do poder.
Essa dimensão simbólica aparece de maneira clara na pergunta espontânea da pesquisa. Quando os entrevistados são convidados a indicar livremente um candidato, Lula aparece com 18 por cento das menções. Flávio Bolsonaro surge com 10 por cento. O dado mais expressivo é a presença de 69 por cento de eleitores que não indicam preferência.
Esse volume de indecisos revela que o processo eleitoral ainda se encontra em fase inicial de consolidação. Em cenários dessa natureza, a campanha tende a desempenhar papel central na definição das escolhas finais. O eleitorado que ainda não possui preferência consolidada torna-se espaço decisivo de disputa política.
Quando se observam os cenários estimulados de primeiro turno, um padrão consistente emerge. Lula lidera todos os cenários testados. No primeiro cenário, registra 37 por cento das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece com 30 por cento. Em seguida surgem Ratinho Júnior com 7 por cento, Romeu Zema com 3 por cento, Renan Santos com 1 por cento e Aldo Rebelo também com 1 por cento.
Esse cenário inicial mostra Lula com vantagem de sete pontos percentuais. Trata-se de uma liderança clara, embora ainda distante de um patamar capaz de assegurar vitória no primeiro turno.
No segundo cenário, Lula aparece com 39 por cento e Flávio Bolsonaro com 32 por cento. Ronaldo Caiado registra 4 por cento. Romeu Zema aparece com 2 por cento, enquanto Renan Santos e Aldo Rebelo mantêm 1 por cento cada.
Nesse quadro, Lula se aproxima da marca simbólica dos quarenta por cento, mas Flávio Bolsonaro também amplia sua presença eleitoral.
No terceiro cenário, a disputa torna-se mais apertada. Lula aparece com 36 por cento e Flávio Bolsonaro com 33 por cento. Eduardo Leite registra 3 por cento. Romeu Zema também aparece com 3 por cento. Renan Santos e Aldo Rebelo surgem com 2 por cento cada.
A diferença entre os dois principais candidatos reduz-se para três pontos percentuais.
No quarto cenário, Lula registra novamente 36 por cento e Flávio Bolsonaro 33 por cento. Ratinho Júnior aparece com 7 por cento. Renan Santos e Aldo Rebelo registram 2 por cento cada.
No quinto cenário, Lula aparece com 37 por cento e Flávio Bolsonaro com 34 por cento. Romeu Zema registra 3 por cento, enquanto Renan Santos e Aldo Rebelo aparecem com 2 por cento cada.
No sexto cenário, Lula registra 36 por cento e Flávio Bolsonaro 34 por cento. Ronaldo Caiado aparece com 4 por cento, enquanto Renan Santos e Aldo Rebelo registram 2 por cento cada.
No sétimo cenário, o quadro torna-se ainda mais apertado. Lula aparece com 36 por cento e Flávio Bolsonaro com 35 por cento. Eduardo Leite registra 3 por cento. Renan Santos e Aldo Rebelo aparecem com 2 por cento cada.
A leitura sociológica desses números revela dois fenômenos simultâneos. Lula mantém piso eleitoral estável, situado entre 36 e 39 por cento. Esse piso representa o núcleo duro do lulismo, formado por eleitores que mantêm identificação histórica com sua trajetória política e com o conjunto de políticas sociais associadas aos governos petistas.
Flávio Bolsonaro apresenta comportamento diferente. Seu desempenho varia entre 30 e 35 por cento. Essa variação indica capacidade de crescimento à medida que o campo conservador se reorganiza.
Esse crescimento progressivo mostra que sua candidatura está não apenas consolidada, mas em processo de expansão política. Ele emerge como figura capaz de concentrar parte significativa do eleitorado conservador brasileiro.
Quando a pesquisa apresenta os cenários de segundo turno, o padrão de equilíbrio torna-se ainda mais evidente. No confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, ambos registram exatamente 41 por cento das intenções de voto.
Esse empate numérico simboliza o equilíbrio estrutural que caracteriza a polarização brasileira contemporânea.
Quando Lula é testado contra outros nomes da direita, o resultado é diferente. Contra Ratinho Júnior, Lula registra 42 por cento contra 33 por cento. Contra Romeu Zema registra 44 por cento contra 34 por cento. Contra Ronaldo Caiado registra 44 por cento contra 32 por cento.
Contra Eduardo Leite, Lula aparece com 42 por cento contra 26 por cento. Contra Aldo Rebelo registra 44 por cento contra 23 por cento. Contra Renan Santos aparece com 43 por cento contra 24 por cento.
Esses resultados indicam que Flávio Bolsonaro é o único candidato capaz de produzir empate direto com Lula. Esse dado reforça a interpretação de que sua candidatura ocupa posição singular dentro do campo conservador brasileiro.
Outro elemento relevante revelado pela pesquisa refere-se aos índices de rejeição. Os dados indicam que Lula e Flávio Bolsonaro apresentam níveis de rejeição semelhantes. Essa simetria cria uma situação eleitoral peculiar. Nenhum dos dois candidatos possui vantagem clara na capacidade de mobilizar rejeição contra o adversário.
Quando dois candidatos possuem rejeições equivalentes, a disputa tende a tornar-se mais agressiva. Campanhas baseadas em propostas programáticas amplas tornam-se menos prováveis. Em seu lugar, emergem disputas narrativas intensas e confrontos simbólicos.
Nesse ambiente político, temas como violência urbana, segurança pública e corrupção tendem a ocupar posição central no debate eleitoral.
A violência tornou-se presença constante na experiência cotidiana de grande parte da população brasileira. A percepção de insegurança produz ansiedade social e demanda respostas políticas rápidas. O bolsonarismo construiu parte significativa de sua identidade política explorando essa sensação coletiva de ameaça.
Discursos associados ao endurecimento penal, ao fortalecimento das forças policiais e à ampliação da autoridade estatal encontram ressonância em setores importantes do eleitorado.
O campo político associado a Lula tende a responder enfatizando políticas sociais, programas de inclusão e estratégias de prevenção da violência baseadas em políticas públicas estruturais. Esse contraste entre visões de segurança pública cria uma arena de disputa simbólica intensa.
O tema da corrupção também continuará desempenhando papel central na disputa. Ao longo das últimas décadas, denúncias de corrupção tornaram-se elemento estruturante da percepção política brasileira. O bolsonarismo frequentemente mobiliza esse discurso para atacar adversários políticos. O campo lulista responde destacando realizações sociais e criticando o uso político dessas narrativas.
Do ponto de vista psicológico, a polarização produz identidades políticas intensas. Eleitores passam a interpretar a disputa eleitoral como confronto moral entre projetos de sociedade incompatíveis.
O adversário político deixa de ser apenas concorrente eleitoral e passa a ser percebido como ameaça simbólica.
A antropologia política mostra que eleições polarizadas funcionam como rituais coletivos de reafirmação identitária. Grupos sociais utilizam o processo eleitoral para reafirmar valores, memórias e pertencimentos culturais.
Nesse contexto, o voto torna-se gesto simbólico de pertencimento.
A candidatura de Flávio Bolsonaro surge como fenômeno político relevante nesse cenário. Seu desempenho crescente nos cenários de primeiro turno indica que parte significativa do eleitorado conservador o reconhece como herdeiro legítimo do bolsonarismo.
O fato de alcançar até 35 por cento das intenções de voto mostra que sua candidatura possui base social consistente e potencial de crescimento.
Ao mesmo tempo, Lula permanece como liderança singular na história política brasileira. Sua trajetória política continua produzindo identificação em amplos setores populares, especialmente entre eleitores que associam sua figura às experiências de inclusão social e expansão de direitos ocorridas nas primeiras décadas do século XXI.
A eleição de 2026 tende a ser definida nesse espaço de tensão entre duas memórias políticas. De um lado, a memória de um ciclo de governos associado à expansão social. De outro, a memória recente de um movimento político que mobilizou ressentimentos sociais, críticas às instituições e demandas por ordem.
Os números da pesquisa mostram que nenhuma dessas memórias desapareceu. Ambas permanecem vivas e capazes de mobilizar milhões de eleitores.
O Brasil aproxima-se, portanto, de uma eleição que não será apenas disputa administrativa pelo controle do Estado. Será confronto simbólico entre duas narrativas poderosas sobre o país.
Os percentuais revelados pela pesquisa indicam que a sociedade brasileira continua dividida em dois grandes campos políticos de tamanho semelhante.
Esse equilíbrio explica por que a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro aparece como empate técnico estrutural em praticamente todos os cenários testados.
A eleição presidencial de 2026 tende a ser uma das mais intensas da história política recente do Brasil.
Mais do que escolher um governante, o país será chamado a decidir qual narrativa política será capaz de interpretar suas angústias, seus conflitos e suas expectativas de futuro.
Entre Lula e Flávio Bolsonaro, o Brasil se aproxima de mais um momento decisivo de sua história política e de república.

* Sociólogo, cientista político, ensaísta e professor da UFRJ 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A ilusão das “regras” e o risco estratégico para o Brasil - DefesaNet

 A ilusão das “regras” e o risco estratégico para o Brasil

Editor DefesaNet, 22 de janeiro de 2026

A ilusão das regras nos artigos de Lula e Celso Amorim e o risco estratégico para o Brasil

Nota DefesaNet
https://www.defesanet.com.br/gh/a-ilusao-das-regras-e-o-risco-estrategico-para-o-brasil/

O Presidente Lula publicou um artigo no jornal The New York Times , edição de18 de janeiro de 2026. O texto original em inglês e tradução em português.

Tanto o artigo de Lula, no dia 18JAN2026, no The New York Times como o de Celso Amorim na revita The Economist seguem uma linha que merece ser analisada,

Claramente texto saidos da pena de Celso Amorim que ao longo de 25 anos, tantop no comando da Diplomacia, Defessa ou eminência parda sempre obteve resultados ou confrontos contestáveis.

1 – The New York Times – 18 Janeiro 2026, edição web, e 20 Janeiro edição impressa

Lula: Este Hemisfério Pertence a Todos Nós
Lula: This Hemisphere Belongs to All of Us

2 – The Economist – 19 Janeiro 2026 edição online
Celso Amorim – Como podemos viver em um mundo sem regras?
Celso Amorim – How can we live in a world without rules?

A ilusão das “regras” e o risco estratégico para o Brasil

Observador DefesaNet

O artigo “How can we live in a world without rules”, assinado por Celso Amorim, não é apenas um exercício acadêmico ou diplomático. Ele expressa uma visão de mundo que, aplicada como política de Estado, representa risco concreto à segurança nacional brasileira. Ao insistir em uma leitura normativista das relações internacionais, o texto ignora a realidade do poder e empurra o Brasil para uma posição de ambiguidade estratégica perigosa, especialmente diante dos Estados Unidos sob Donald Trump.

O problema não é defender regras. O problema é acreditar que regras sobrevivem sem poder — e, pior, moldar a política externa brasileira como se o mundo ainda operasse sob consensos que já não existem.

Regras não protegem países fracos — poder protege.

A tese central de Amorim parte de uma premissa falsa: a de que a crise internacional decorre do abandono de normas multilaterais. Não decorre. A crise decorre da ruptura do equilíbrio de poder que sustentava essas normas.

China e Rússia e – agora os Estados Unidos – não desafiam a ordem internacional porque ela é “imperfeita”, mas porque não lhes interessa. E não há nenhum indício de que aceitarão regras que limitem seus objetivos estratégicos. Defender regras universais nesse contexto não é idealismo — é desarmamento intelectual.

Ao adotar essa visão, o Brasil:

• substitui estratégia por retórica;
• confunde desejo com realidade;
• e abdica da lógica do poder em um ambiente internacional brutalmente competitivo.

Neutralidade moral é sinônimo de irrelevância estratégica

A diplomacia defendida por Amorim insiste na ideia de que o Brasil pode ocupar o papel de mediador moral, equidistante entre grandes potências. Esse espaço não existe mais.

No mundo atual:

• quem não se alinha claramente é visto como não confiável;
• quem evita nomear ameaças é tratado como ambíguo;
• quem prega equilíbrio sem poder vira arena, não ator.

A neutralidade defendida no artigo não preserva autonomia. Ela a corrói, pois retira do Brasil capacidade de barganha, previsibilidade estratégica e credibilidade como parceiro de segurança.

Conflito direto com os EUA sob Donald Trump

A visão de Amorim colide frontalmente com a lógica estratégica dos Estados Unidos sob Donald Trump. Washington opera de forma simples e dura: interesses primeiro, alinhamentos claros, reciprocidade concreta.

Nesse contexto, o discurso do “multilateralismo como fim em si mesmo” é interpretado como:

• resistência aos interesses americanos;
• relativização das ameaças centrais (China e Rússia);
• falta de compromisso estratégico.

Para Trump, ambiguidade equivale a oposição potencial. Um Brasil que insiste nessa postura se coloca, voluntariamente, sob suspeita.

Os custos não são teóricos — são práticos

A adoção dessa visão como política de Estado tem consequências diretas:

• restrições ao acesso a tecnologias sensíveis, sobretudo em defesa, aeroespacial, cibernética e inteligência;
• redução da cooperação militar e industrial, com impactos diretos na Base Industrial de Defesa;
• pressões econômicas indiretas, travestidas de exigências regulatórias ou comerciais;
• perda de credibilidade como parceiro estratégico no hemisfério ocidental.

Nenhuma grande potência confia sua segurança a um país que se recusa a definir prioridades estratégicas.

O erro conceitual fatal: confundir ordem com justiça

Amorim confunde ordem internacional com justiça normativa. Ordem não nasce de consenso moral; nasce da capacidade de impor custos a quem a viola. Regras vêm depois — e apenas quando sustentadas por poder.

Ao insistir nessa inversão, o Brasil:

• defende uma ordem que já colapsou;
• antagoniza parceiros estratégicos reais;
• e se aproxima retoricamente de potências revisionistas que não oferecem garantias de segurança, tecnologia ou desenvolvimento autônomo.

Isso não é política externa independente. É exposição estratégica

Conclusão: diplomacia sem poder é risco à soberania

O artigo de Celso Amorim pode soar elegante, coerente e moralmente confortável. Mas, no mundo real, é estrategicamente inadequado e potencialmente danoso.

Persistir nessa linha:

• enfraquece a posição do Brasil diante dos Estados Unidos;
• aumenta desconfiança em Washington, especialmente sob Trump;
• reduz margem de negociação dura;
• e transforma o país em variável passiva da disputa entre grandes potências.

No século XXI, quem não escolhe claramente seus interesses tem seus interesses escolhidos por outros.

Diplomacia sem poder não protege soberania.

E soberania não se sustenta com retórica.

DefesaNet

sábado, 24 de janeiro de 2026

Diplomatizzando sobre Lula e os petistas, entre 2006 e 2015 - Paulo Roberto de Almeida

Airton Dirceu Lemmertz selecionou postagens minhas no Diplomatizzando sobre Lula, o PT e as aventuras petistas no poder, de 2009 até 2015. PRA

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 - No blog Diplomatizzando, relembre algumas postagens atreladas a Lula e/ou aos companheiros:


Ele era informante do governo na ditadura brasileira?

Sindicalistas pagam mercenários para engrossar manifestação por greve:

"Gabinete do ódio" da esquerda. E usando estrutura pública:

O "gabinete do ódio" ataca novamente:

Crime de Estado por quem está no Estado:

Ameaças às instituições democráticas e a seus membros:

Ele chantageou um Ministro do STF?! E as instituições democráticas reagiram?
https://diplomatizzando.blogspot.com/2012/05/frase-da-semana-falta-alguem-em.html

Simpatizantes aos quadrilheiros do Mensalão ameaçam o STF e seus ministros:

Notícias deprimentes em 2015:

Lula sabia do Mensalão, diz Mujica:

As ramificações do Petrolão:

Petrolão: a refinaria de Pasadena.

Prisão de empreiteiros:

Marolinha?

A morte da economia brasileira:

Argentina x Brasil: companheiros se entendem bem.

Desconstrução do Brasil:

Em 2006, o Brasil queria retaliar a China?

As joias da Arábia Saudita? Não, essa não foi [aparentemente] a primeira vez 'disso' em Brasília. Outro mandatário "fez algo parecido"?

O governo brasileiro ajudou a Venezuela a sufocar protestos na Bolívia?

Ditadores? Se for de esquerda, tudo bem.

A Venezuela em 2014:

Mafiosos no Brasil e em Brazil:

A 'escravidão moderna' dos médicos cubanos:

A fome em Cuba - culpa de quem: do governo americano ou do cubano?

Um livro de Paulo Roberto de Almeida:

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Diplomacia telefônica - Rubens Barbosa (Editorial Interesse Nacional)

Diplomacia telefônica

Rubens Barbosa
Editorial Interesse Nacional, 5/12/2025
https://interessenacional.us17.list-manage.com/track/click?u=b838fc839fc674ae04ae9e142&id=0334867663&e=42320605d3

Nos últimos dias, noticiou-se que conversas telefônicas entre presidentes tentaram avançar interesses concretos nas políticas externas dos EUA em relação à Venezuela e do Brasil em relação aos EUA.

No fim de semana, o presidente Donald Trump ligou para o presidente venezuelano e deu um ultimato para Nicolás Maduro deixar o poder em Caracas. A conversa teria sido intermediada por Brasil, Catar e Turquia.

No telefonema, talvez a última tentativa de Washington de mudar o regime sem uma ação militar, Trump ofereceu uma saída da família de Maduro para um terceiro país, onde ficaria exilado, em troca da renúncia de seu cargo presidencial e a volta da democracia à Venezuela.

Do ponto de vista do Brasil, a iniciativa de Lula de ligar para Trump foi oportuna e pragmática
Por Rubens Barbosa, presidente do Grupo Interesse Nacional

Clique aqui para ler o editorial da semana:

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

As frases mais polêmicas ditas por nossos líderes políticos: Lula, Bolsonaro, FHC, Dilma, Ciro Gomes - Airton Dirceu Lemmertz

 

O eleitor brasileiro costuma ter "memória curta" (ou seria memória seletiva?). Assim, com o auxílio da IA do Google, relembre algumas frases [polêmicas] de políticos conhecidos nacionalmente: Lula, Bolsonaro, Ciro, Dilma, Cardoso.

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As frases mais polêmicas ditas por Lula:

Diferentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao longo de seus mandatos e carreira política, geraram polêmicas por diversos motivos, como a repercussão negativa, críticas ou reações adversas na sociedade. As falas que se destacaram por essa razão incluem: 

Sobre alimentos e consumo
"Não compre, force os produtores a baixar o preço": Em fevereiro de 2025, Lula declarou que a população deveria parar de comprar alimentos caros, argumentando que isso forçaria os produtores a reduzir os preços. A declaração gerou críticas e debate sobre a efetividade da sugestão e a realidade do poder de compra da população.
"Comam ovos": Na mesma ocasião, em um contexto de preços altos da carne, Lula sugeriu que as pessoas poderiam comer ovos, contando que, no palácio, ele comia ovos de diferentes aves, incluindo ovos de ema. 

Sobre política interna e Justiça
"Que porra que é essa?": Em 2016, em áudio divulgado, Lula criticou o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e a investigação da Receita Federal sobre o Instituto Lula.
Críticas ao STF: Ao longo de sua carreira, Lula fez declarações que geraram críticas por seu tom confrontador em relação ao Supremo Tribunal Federal. Em 2017, foi desmentida uma frase atribuída a ele que ameaçava o STF, mas outras falas geraram controvérsia. 

Sobre política externa
Declarações sobre a guerra na Ucrânia: Durante a guerra, Lula fez declarações que causaram repercussão internacional e que, segundo analistas, demonstraram falta de alinhamento com a postura de outros líderes ocidentais. 

Sobre comentários considerados preconceituosos
Comentário sobre a ministra Gleisi Hoffmann: Em um evento em 2025, a fala de Lula sobre a ministra ser "bonita", ao invés de destacar sua competência profissional, foi considerada machista e gerou críticas nas redes e na mídia.
Declarações consideradas capacitistas e gordofóbicas: Em julho de 2024, falas de Lula consideradas capacitistas e gordofóbicas também geraram críticas.

Fonte:

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As frases mais polêmicas ditas por Jair Bolsonaro:

Algumas das frases mais polêmicas de Jair Bolsonaro foram ditas ao longo de sua trajetória política, antes e durante a sua presidência. As declarações geraram controvérsia em relação a temas como homossexualidade, tortura, democracia, minorias e, mais recentemente, a pandemia de COVID-19. 

Comentários sobre a pandemia de COVID-19
"Não sou coveiro": Em abril de 2020, ao ser questionado sobre o aumento no número de mortes causadas pela COVID-19, Bolsonaro respondeu: "Não sou coveiro, tá?".
"E daí?": Após ser perguntado sobre o Brasil ter ultrapassado a marca de 5 mil mortos pela doença, em abril de 2020, Bolsonaro disse: "E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê?".
"Histórico de atleta": Em março de 2020, Bolsonaro minimizou a gravidade do vírus, afirmando que, se fosse infectado, não precisaria se preocupar, pois tinha um "histórico de atleta".
"Gripezinha": Em uma de suas primeiras manifestações sobre a pandemia, Bolsonaro referiu-se à COVID-19 como uma "gripezinha" ou "resfriadinho".
"País de maricas": Em novembro de 2020, ao abordar as preocupações com o vírus, ele declarou: "Tem que deixar de ser um país de maricas, pô". 

Declarações sobre grupos minoritários
Ameaça a uma deputada: Em 2003, durante uma discussão com a deputada Maria do Rosário, Bolsonaro afirmou: "Eu não te estupro porque você não merece".
Ataques a quilombolas: Em uma palestra em 2017, ele descreveu os quilombolas de forma preconceituosa, dizendo: "O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador servem mais".
Comentários sobre a homossexualidade: Em entrevista à revista Playboy em 2011, ele afirmou: "Prefiro que meu filho morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí".
"Fraquejada" ao ter uma filha: Durante um evento do PSL em 2017, ele declarou que tem cinco filhos: "Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher".
Comentários sobre indígenas: Em 1999, o então deputado lamentou que a cavalaria brasileira não tivesse sido tão "eficiente" quanto a norte-americana, que "dizimou os índios". 

Frases sobre democracia, ditadura e tortura
Elogio à ditadura e à tortura: Em 1999, em entrevista, ele defendeu a ditadura militar e a tortura, dizendo: "Eleições não vão mudar nada neste país. Só vai mudar no dia em que nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro e fizermos o trabalho que o regime militar não fez: matando uns 30 mil".
Elogio a coronel da ditadura: Em 2016, na votação do impeachment de Dilma Rousseff, Bolsonaro dedicou seu voto ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi chefe do DOI-Codi e é considerado torturador.
Ameaças ao STF: Em manifestação em setembro de 2021, Bolsonaro afirmou que não mais cumpriria decisões do ministro Alexandre de Moraes e declarou: "Nós vamos para o campo da batalha".
Ataques à imprensa: Em julho de 2019, questionado sobre uma reportagem que o criticava, Bolsonaro questionou a jornalista Miriam Leitão sobre a tortura que ela sofreu durante a ditadura militar.

Fonte:

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As frases mais polêmicas ditas por Ciro Gomes:

Algumas das frases mais polêmicas ditas por Ciro Gomes ao longo de sua trajetória política incluem comentários sobre a ex-esposa, Patrícia Pillar, falas direcionadas ao ex-presidente Lula e declarações sobre questões sociais. 

Sobre a ex-esposa, Patrícia Pillar:
"A Patrícia é a mulher que eu amo, que eu respeito... O papel dela é de uma mulher de um candidato, e de uma bela mulher, e que me apoia" (2002): A frase, dita durante uma entrevista, foi alvo de muitas críticas e acusada de machismo por reduzir a figura de Patrícia Pillar ao papel de "mulher de candidato" e de "bela mulher", em vez de reconhecer sua própria trajetória e valor. Ciro se desculpou publicamente várias vezes pela declaração. 

Sobre o ex-presidente Lula:
"Lula é um enganador profissional" (2019): A crítica ao antigo aliado foi feita em uma entrevista exclusiva ao Congresso em Foco e expressa o rompimento político entre os dois. A declaração reforçou a rivalidade entre Ciro e o Partido dos Trabalhadores (PT).
"Se eu prometesse o indulto ao Lula, ele me mandaria para o Pakiparu" (2018): Em um vídeo, Ciro Gomes ironiza a situação legal de Lula, que na época apelava contra a condenação, indicando que um perdão seria para condenados em última instância. A fala gerou repercussão na imprensa. 

Sobre questões sociais:
"Moro em Paris, mas sou do Brasil" (2018): Ciro Gomes fez essa afirmação durante sua campanha eleitoral, causando polêmica por sugerir um certo distanciamento da realidade brasileira ao morar na França.
Declarações sobre a população em situação de rua (2022): Em um evento com empresários, Ciro Gomes fez comentários sobre a população em situação de rua que foram interpretados por muitos como elitistas. Depois da repercussão negativa, ele se defendeu nas redes sociais e culpou a "má-fé" por trás da interpretação de sua fala. 

Sobre a "guerra de bonés"
"Vão trabalhar, vagabundos" (2025): Ciro Gomes publicou uma foto em suas redes sociais com um boné amarelo com a frase, em meio a uma disputa simbólica com 
parlamentares do PL. 

Outras polêmicas:
Acusações de agressão (2023): Ao longo de sua carreira, Ciro Gomes foi acusado algumas vezes de comportamento agressivo. O jornal O Globo publicou um levantamento de cinco ocasiões em que Ciro Gomes foi acusado de agressão.
Dados falsos e exagerados (2018): A Agência Pública publicou uma checagem de fatos apontando que Ciro Gomes usou dados falsos e exagerados ao falar sobre a situação do Brasil em diversas ocasiões.

Fonte:

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As frases mais polêmicas ditas por Dilma:

Algumas das frases mais polêmicas de Dilma Rousseff, que se tornaram alvo de debates e memes, incluem: 
"Quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder". 
Contexto: Esta frase, dita antes do resultado das eleições de 2014, gerou confusão por sua construção complexa e foi interpretada como uma análise equivocada do processo eleitoral.
"Estocar vento". 
Contexto: Ao defender investimentos em energia eólica em um discurso, Dilma usou a expressão para explicar a dificuldade de armazenar energia gerada pelo vento. A frase foi amplamente satirizada, embora alguns analistas mais tarde tenham apontado que a ideia de armazenar energia intermitente não era totalmente irracional. 
"Saudação à mandioca". 
Contexto: Durante a abertura dos Jogos Mundiais Indígenas, em 2015, Dilma afirmou que a mandioca era "uma das maiores conquistas do Brasil" e que, por isso, estava "saudando a mandioca". A frase foi vista como peculiar e gerou memes e críticas. 
"Mulheres sapiens". 
Contexto: No mesmo discurso sobre a mandioca, Dilma fez uma analogia sobre a evolução humana, afirmando que ao lidar com a mandioca, "nós nos transformamos em homo sapiens ou mulheres sapiens". A expressão gerou críticas e piadas, por parecer desassociar "mulheres" de "homo sapiens". 
"A figura oculta do cachorro". 
Contexto: Ao falar sobre o Dia das Crianças em 2015, Dilma se referiu ao cachorro que uma criança ganha, mencionando que "a figura do cachorro é uma figura oculta". A frase, embora tenha sido uma tentativa de metáfora, acabou gerando confusão.

Fonte:

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As frases mais polêmicas ditas por Fernando Henrique Cardoso:

Diversas frases e declarações de Fernando Henrique Cardoso ao longo de sua carreira política causaram polêmica e repercussão. Algumas das mais notórias incluem: 
"Esqueçam o que eu escrevi" 
Contexto: Esta frase, frequentemente atribuída a ele, teria sido dita em um almoço com empresários, ainda durante a sua atuação como Ministro da Fazenda, antes da implementação do Plano Real.
Polêmica: A declaração gerou controvérsia, pois soou como um rompimento com suas ideias acadêmicas de esquerda, que criticavam o sistema capitalista. FHC sempre negou ter dito a frase, que, segundo a Folha de S.Paulo, tornou-se parte do folclore político brasileiro. 
"Tenho um pé na cozinha"
Contexto: Durante a campanha presidencial de 1994, FHC, em um esforço para se aproximar da população mais simples, disse que tinha um "pé na cozinha".
Polêmica: A frase, considerada de cunho racista e paternalista, foi mal recebida e rendeu críticas da oposição. FHC se retratou, afirmando que a expressão não deveria ter sido interpretada de forma preconceituosa. 
"Vagabundos"
Contexto: Em 1998, durante a campanha de reeleição, FHC comentou sobre aposentadorias antecipadas, referindo-se aos aposentados antes dos 50 anos como "vagabundos".
Polêmica: A declaração causou grande reação, especialmente porque alguns de seus próprios aliados e membros do governo se encaixavam na descrição. FHC teve que se explicar em rede nacional para amenizar o desgaste. 
"Nosso sistema político deu cupim nele, está todo podre, ele bichou" 
Contexto: Em 2017, FHC se referiu à corrupção sistêmica na política brasileira em uma declaração à revista Época.
Polêmica: Embora muitos concordassem com a crítica, a frase gerou debate sobre o papel do próprio PSDB e de FHC na manutenção desse sistema político "apodrecido". 
Crítica a Lula com erro gramatical
Contexto: Em 2007, FHC, ao criticar o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cometeu um erro de concordância verbal ao dizer que "ele tem que saber que as coisas não se faz assim".
Polêmica: O erro de português, vindo de um ex-presidente intelectual, foi ironizado por adversários e virou tema de debate político, ofuscando a crítica que ele pretendia fazer. 
"Nunca se roubou tanto em nome de uma causa" 
Contexto: Em 2015, FHC disse essa frase em referência aos escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras e os governos do PT.
Polêmica: A declaração foi criticada por defensores do PT, que argumentaram que a frase minimizava os casos de corrupção ocorridos em governos anteriores, inclusive os do próprio FHC.

Fonte:
https://www.google.com/search?q=As+frases+mais+pol%C3%AAmicas+ditas+por+Fernando+Henrique+Cardoso%3A&rlz=1C2GCEA_enBR1094BR1098&sca_esv=0ce7f51f65b406f8&sxsrf=AE3TifOGv0CaJxloyyA8Fi1-MxmAJ975Zw%3A1760625579947&source=hp&ei=qwPxaPCiN6WH5OUPiuCz4Aw&iflsig=AOw8s4IAAAAAaPERuwKrR_8KgzH0lwEGuGoZJMvD_Ott&aep=22&udm=50&ved=0ahUKEwiwpJey-aiQAxWlA7kGHQrwDMwQteYPCBE&oq=&gs_lp=Egdnd3Mtd2l6IgBIAFAAWABwAHgAkAEAmAEAoAEAqgEAuAEByAEAmAIAoAIAmAMAkgcAoAcAsgcAuAcAwgcAyAcA&sclient=gws-wiz&mtid=sgPxaOenLbCT5OUP0Jy92AM&mstk=AUtExfAJ8EzgAfExafb0kIMucjGemlOmcVAiF_ZfJNEF_2gPo3n5iFm1jQfWTuI864eCOBJgUeLy1fSVB4WyfTA8dqXQ2NT0HOfxmd92yh1UUNJB-vay9r9_Uwv-iDtgzCDaUHQXxRo5-oZmEysygdsrb-m50KiMVmMcaku1gTDZhQl7ASC9XpT5IPQkO4X3NPfDiufgo9YJQoZd6qPzuoPFZsH1qcL4QoCShxXEMbFvQ_qVhdS-q3-BgcxWrxfuZ-OwTxuuVVXctqPEPurOUmn1LZLOUgHTFBmhHJ8&csuir=1

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terça-feira, 23 de setembro de 2025

Dois discursos na AGNU, dos dois primeiros presidentes: Trump e Lula - Paulo Roberto de Almeida

 Dois discursos na AGNU, dos dois primeiros presidentes: Trump e Lula

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Nota sobre os discursos de Lula e de Trump na AGNU.

Rotineiramente, os debates nas reuniões anuais da AGNU, desde 1946, começam pelo delegado do Brasil, eventualmente o presidente ou o chanceler, seguido pelo representante do país-sede, os EUA, raramente pelo presidente, mais frequentemente pelo Secretário de Estado ou o próprio represente diplomático na ONU.
Durante 70 anos, aproximadamente, os discursos inaugurais do Brasil refletiram os conceitos basilares de nossa diplomacia: estrito respeito à Carta da ONU e às normas mais elementares do Direito Internacional, aliás consolidados na Carta Constitucional de 1988. Ocorreu, sim, uma ruptura com os padrões tradicionais de nossa política externa e da diplomacia, durante os quatro anos do governo Bolsonaro, bizarramente oposta ao mecanismo fundamental da diplomacia contemporânea: o multilateralismo e a igualdade soberana das nações, substituídos pela submissão vergonhosa, não exatamente à nação ainda hegemônica na comunidade internacional, mas ao seu primeiro presidente claramente oposto aos mesmos princípios e supostamente um modelo para o seu subserviente colega brasileiro.
Esse mesmo presidente americano, eleito para um segundo mandato, persiste em seus propósitos de desmantelar o sistema multilateral, especialmente o comercial, e as regras consagradas do Direito Internacional.
Não cabe comentar o inacreditável discurso de Donald Trump, uma vez que não há uma única frase que corresponda à verdade dos fatos, um único argumento que reflita a realidade atual das relações internacionais, justamente afetadas pelas ações arbitrárias e unilaterais do Estado ainda mais poderoso do mundo (infelizmente para quase todo o resto da comunidade mundial). Cada palavra mais contundente, contra a ONU, os imigrantes, as múltiplas guerras supostamente terminadas por sua ação “merecedora de um Prêmio Nobel da Paz”, todos os conceitos constituem apenas o reflexo de seus preconceitos, obsessões e invenções de uma mente distintamente perturbada por uma megalomania raras vezes vistas no cenário mundial. Nada de muito novo, de fato, em termos de previsões sombrias para a Europa e o resto do mundo e de futuros radiantes para o seu próprio país.
Quanto ao discurso de Lula, pode ser considerado positivo — na defesa do multilateralismo e da soberania nacional, o que corresponde, na verdade, ao habitual costumeiro de nossa diplomacia — e correto nas críticas às sanções unilateralmente impostas ao Brasil, sem necessariamente vinculá-las ao presidente norte-americano.
Se examinarmos mais detidamente, porém, os primeiros parágrafos do discurso de Lula, chegaremos à conclusão de que todas as referências às violações à Carta da ONU, a condenação do recurso à guerra para resolver controvérsias e disputas entre Estados ou no tratamento do terrorismo, tudo isso se aplica, inteira e totalmente, à Rússia de Putin, sem que ela seja jamais equiparada às mesmas práticas delitivas e criminosas sendo infligidas à população palestina de Gaza.
[Discurso de Lula: “Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder. Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando a regra.”]
Ao contrário, Lula repete ipsis litteris os argumentos de Putin no que respeita à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, jamais mencionada enquanto tal, como uma grave ruptura do Direito Internacional e dos mesmos princípios que a diplomacia brasileira defende estritamente.
[Discurso de Lula: “No conflito na Ucrânia, todos já sabemos que não haverá solução militar. O recente encontro no Alaska despertou a esperança de uma saída negociada. É preciso pavimentar caminhos para uma solução realista. Isso implica levar em conta as legítimas preocupações de segurança de todas as partes.” [Putin dixit] ]
Em resumo, o discurso de Lula pode ser considerado como 90% adequado aos requerimentos da ONU, mas totalmente falho no tocante à pior ameaça à paz e à segurança internacionais desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 23 de setembro de 2025

domingo, 7 de setembro de 2025

Discurso presidencial de 7 de setembro: minhas observações - Paulo Roberto de Almeida

Discurso presidencial de 7 de setembro: minhas observações

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.
Comentários ao discurso presidencial sobre o significado do 7 de setembro.

        Tenho poucas observações ao discurso efetuado pelo presidente da República na noite do dia 6 de setembro de 2025, a propósito das comemorações pelo Sete de Setembro, o dia símbolo de nossa independência. Considero-o correto em sua essência, embora tenha algumas restrições sobre pontos específicos desse pronunciamento, que exponho a seguir.
        É relativamente correta colocar sua mensagem à nação no contexto da soberania brasileira, embora ela não esteja em risco de ser alienada nas presentes circunstâncias. Não há nenhuma hipótese de que ela seja violada apenas por manifestações desequilibradas de um dirigente estrangeiro, concretamente o presidente Donald Trump, ainda que elas representem interferências indevidas em assuntos de foro exclusivamente nacional. As agressões concretas sob a forma de sanções econômicas e comerciais podem ser obstadas, contornadas, ou até rebatidas por sanções retaliatórias (embora elas não sejam recomendadas na prática). A ameaça verbal pode ser respondida por manifestação formal da instituição diplomática, por meio de uma nota relembrando simplesmente os termos da Convenção de Viena sobre relações diplomáticas entre Estados soberanos, repudiando, portanto, essa interferência indevida e indelicada.
        A soberania brasileira esteve, sim, ameaçada, não por essa declaração unilateral do presidente americano, interferindo em decisões que dependem unicamente do poder judiciário do Brasil, totalmente de acordo à constituição e à legislação brasileira tratando da defesa da democracia, mas por ações do governo anterior, o de Jair Bolsonaro, que, entre 2019 e 2022, alienou a soberania nacional não aos Estados Unidos, mas pessoalmente à figura do mesmo presidente, em seu primeiro mandato. Tanto o presidente, quanto seus principais assessores, entre eles o chanceler acidental, se colocaram de maneira submissa a esse presidente de uma nação estrangeira, cedendo soberania de forma vergonhosa e inédita nos anais da diplomacia e da política externa brasileiras. Essa submissão vergonhosa não alcançou os chefes militares, embora alguns dentre eles seguiram o tresloucado presidente nessa submissão inacreditável ao um dirigente estrangeiro, o que poderia ter sido explorado nesta manifestação de 2025, inclusive como um alerta quanto à improvável, mas possível volta do mesmo vergonhoso dirigente, um verdadeiro traídor da pátria.
        As referências seguintes ao nosso antigo status colonial representam o senso comum da nossa trajetória história, mas no plano puramente sociológico cabe reparos a esta afirmação do presidente Lula: “O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”.         Trata-se de uma típica manifestação populista, uma vez que sabemos que um país, qualquer país, não tem um único dono, ou então, que esse dono represente o conjunto da coletividade nacional, quando a realidade é que não há uma relação de posse, ou de propriedade, centrado numa categoria geral da população inteira do país. Essa “propriedade” é fragmentada por diferentes categorias sociais, estratos da população, cujo patrimônio, material e imaterial, político ou econômico, é fragmentado nos fragmentos humanos e institucionais que dividem o controle parcial e temporário das diversas alavancas de poder legítimo no país.
        Está correta a condenação aos políticos e outras personalidades que alienam a nossa soberania a um dirigente estrangeiro, mas que sobretudo atuam decisivamente contra os interesses nacionais, na área econômica e jurídica. Eles devem ser processados e condenados por esses atos vergonhosos e, como decorrência de decisões plenamente fundamentadas na legislação, afastados de qualquer possibilidade de ter continuidade na política nacional.
        Suas outras declarações sobre medidas governamentais estão clara e diretamente relacionadas à política nacional, reafirmando, de diversas maneiras, medidas que estão sendo implementadas em meio a controvérsias não apenas entre políticos, mas entre economistas igualmente, dados seus efeitos contraditórios sobre as possibilidades de manutenção de um processo sustentado de crescimento econômico e de distribuição social de seus resultados. Com efeito, não custa relembrar que políticas econômicas, macro ou setoriais, exercem impactos diversos sobre os diferentes extratos da população, e podem afetar diversamente empresários, trabalhadores ou grupos sociais assistindo pelo poder estatal.
        Não cabe aqui fazer uma análise sobre as razões da longa estagnação da economia brasileira desde as crises do petróleo e da dívida externa, nas décadas de 1970 e 1980 do século passado, em grande medida agravada pelo peso desmesurado do Estado sobre o conjunto da economia. Mas é um fato de que a carga fiscal, o intervencionismo estatal e o protecionismo comercial, ademais da baixa qualidade do ensino público, nos ciclos fundamental e técnico-profissional, são responsáveis pelo baixo dinamismo da economia e pelos desequilíbrios econômicos impostos a diferentes grupos sociais. Não existe nenhuma dúvida, tampouco, que o Brasil é um dos países mais desiguais dentre as economias de mercado, mas ainda mantendo as mesmas políticas e medidas governamentais que consolidam, congelam e até ampliam a desigual repartição de renda entre a população. O discurso falsamente igualitário sobre os privilégios dos ricos não encontra repercussão nas medidas práticas, a não ser a continuidade das mesmas políticas assistencialistas a cargo do Estado que são a marca registrada do PT e do seu presidente de honra.
        Em conclusão, com o diferencial da defesa da soberania, politicamente exagerada neste pronunciamento por razões circunstanciais, os demais elementos componentes desta manifestação de Lula são plenamente aceitáveis no atual contexto político de uma nítida polarização do ambiente eleitoral do Brasil. Não creio que a manifestação em si tenha o poder de diminuir os contenciosos já evidentes na presente quadra da política nacional, o que antecipa um ambiente já plenamente dividido entre as duas grandes tendências da política concreta, em descompasso com as aspirações prováveis da maioria da população, no sentido da superação do divisionismo estéril que caracteriza a vida nacional em 2025 (e, com toda a probabilidade, em 2026).

Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5051, 7 setembro 2025, 3 p.

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Confira o discurso de Lula na íntegra:
Querido povo brasileiro, amanhã, 7 de setembro, é dia de celebrarmos a Independência do Brasil. É uma boa hora para a gente falar de soberania.
O 7 de setembro representa o momento em que deixamos de ser colônia e passamos a conquistar nossa independência, nossa liberdade e nossa soberania.
Na época da colonização, nosso ouro, nossas madeiras, nossas pedras preciosas, nada disso pertencia ao povo brasileiro. Toda nossa riqueza ia embora do Brasil para ajudar a enriquecer outros países.
Mais de 200 anos se passaram e nós nos tornamos soberanos. Não somos e não seremos novamente colônia de ninguém. Somos capazes de governar e de cuidar da nossa terra e da nossa gente, sem interferência de nenhum governo estrangeiro.
Mantemos relações amigáveis com todos os países, mas não aceitamos ordens de quem quer que seja. O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro.
Por isso, defendemos nossas riquezas, nosso meio ambiente, nossas instituições. Defendemos nossa democracia e resistiremos a qualquer um que tente golpeá-la.
É inadmissível o papel de alguns políticos brasileiros que estimulam os ataques ao Brasil. Foram eleitos para trabalhar pelo povo brasileiro, mas defendem apenas seus interesses pessoais. São traidores da pátria. A História não os perdoará.
Minhas amigas e meus amigos, a soberania pode parecer uma coisa muito distante, mas ela está no dia a dia da gente. Está na defesa da democracia e no combate à desigualdade, a todas as formas de privilégios de poucos em detrimento do direito de muitos. Está na proteção das conquistas dos trabalhadores, no apoio aos jovens para que eles tenham um futuro melhor, na criação de oportunidades para os empreendedores e nos programas que ajudam os mais necessitados.
Se temos direito a essas políticas públicas, é porque o Brasil é um país soberano e tomou a decisão de cuidar do povo brasileiro.
Minhas amigas e meus amigos, um país soberano é um país fora do Mapa da Fome, que zera o Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil enquanto taxa os super-ricos que hoje não pagam quase nada. Que cresce acima da média mundial e registra menor índice de desemprego de todos os tempos. Um país com a coragem de fazer a maior operação contra o crime organizado da história, sem se importar com o tamanho da conta bancária dos criminosos.
Este país soberano e independente se chama Brasil.
Minhas amigas e meus amigos, desde o início do nosso governo, concentramos esforços na abertura de novas parcerias comerciais. Em apenas dois anos e oito meses, abrimos mais de 400 novos mercados para as nossas exportações. Defendemos o livre comércio, a paz, o multilateralismo e a harmonia entre as nações, mas nunca abriremos mão da nossa soberania.
Defender nossa soberania é defender o Brasil.
Cuidamos como ninguém do nosso meio ambiente. Reduzimos pela metade o desmatamento na Amazônia, que, em novembro, vai sediar a COP30, maior conferência mundial sobre o clima.
Defendemos o PIX de qualquer tentativa de privatização. O PIX é do Brasil. É público, é gratuito e vai continuar assim.
Reconhecemos a importância das redes digitais. Elas oferecem informação, conhecimento, trabalho e diversão para milhões de brasileiros, mas não estão acima da lei. As redes digitais não podem continuar sendo usadas para espalhar fake news e discurso de ódio. Não podem dar espaço à prática de crimes como golpes financeiros, exploração sexual de crianças e adolescentes e incentivo ao racismo e à violência contra as mulheres.
Zelamos pelo cumprimento da nossa Constituição, que estabelece a independência entre os Três Poderes. Isso significa que o presidente do Brasil não pode interferir nas decisões da justiça brasileira, ao contrário do que querem impor ao nosso país.
Minhas amigas e meus amigos, este é o momento em que a História nos pergunta de que lado estamos. O Governo do Brasil está do lado do povo brasileiro. Povo que acorda cedo, todos os dias, para trabalhar pela prosperidade da sua família.
Este é o momento da união de todos em defesa do que pertence a todos: a nossa Pátria brasileira e as cores da bandeira do nosso país.
A História nos coloca diante de um grande desafio e pergunta se somos capazes de enfrentá-lo. E nós dizemos: sim. Temos fé, experiência e coragem para seguir cuidando do nosso futuro e da esperança da nossa gente.
Que Deus abençoe o Brasil.
Um abraço, e feliz Dia da Independência.

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