Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
domingo, 24 de maio de 2026
Duas opiniões contrarianistas: Sul Global e BRICS - Paulo Roberto de Almeida
sábado, 23 de maio de 2026
Paulo Roberto de Almeida, diplomata não convencional, blogueiro, visto por vários rebentos de Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz)
PRA: Preciso ler com calma, detectar exageros ou imprecisões e escolher a milha preferida das inúmeras filhas de Madame IA, que já parece uma matrona com muitos rebentos espalhados pelo mundo.
Mas preciso agradecer, em primeiríssimo lugar, a meu amigo Airton Dirceu Lemmertz, essa distinção de submeter meu nome, relativamente desimportante na carreira diplomática, a tantos garimpeiros de minhas atividades, reflexões e produção intelectual.
(23/01/2026)
Paulo Roberto de Almeida ingressou na carreira diplomática em 1977, por concurso do Instituto Rio Branco, pertencendo à geração de diplomatas formada ainda durante o regime militar, mas intelectualmente consolidada no contexto da redemocratização brasileira. Ao longo da carreira, trabalhou em diversas áreas do Ministério das Relações Exteriores, sobretudo nos temas de comércio exterior, integração econômica, finanças internacionais e política econômica externa.
Serviu em postos no exterior e em funções técnicas na Secretaria de Estado do Itamaraty. Sua especialização sempre esteve mais associada à diplomacia econômica e à história da política externa do que à diplomacia político-estratégica clássica. Em vários textos autobiográficos e entrevistas, ele se define como um “diplomata acadêmico” ou “intelectual público” dentro do Itamaraty.
Entre as funções institucionais relevantes, destacou-se como diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), órgão vinculado à Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), responsável por publicações e pesquisas em diplomacia e relações internacionais.
Sua atuação profissional é marcada por forte defesa da profissionalização do Itamaraty, da autonomia técnica da diplomacia e da continuidade institucional da política externa brasileira. Ele frequentemente critica o que considera “partidarização” da política externa em diferentes governos, especialmente quando percebe interferência ideológica excessiva na burocracia diplomática.
Academicamente, Paulo Roberto de Almeida pertence à tradição dos diplomatas-historiadores brasileiros, ao lado de nomes como Rubens Ricupero, Luiz Felipe de Seixas Corrêa e Gelson Fonseca Jr..
Sua formação superior foi realizada na Europa: graduação em Ciências Sociais pela Université Libre de Bruxelles; mestrado em Planejamento Econômico pela Universidade de Antuérpia; doutorado em Ciências Sociais, também pela Université Libre de Bruxelles, concluído em 1984.
Como professor, lecionou no Instituto Rio Branco e na Universidade de Brasília. Posteriormente, passou a atuar no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), especialmente em programas de pós-graduação em Direito e Relações Internacionais.
Sua produção bibliográfica é extremamente extensa, envolvendo: história diplomática brasileira; formação econômica do Brasil; economia política internacional; integração regional; comércio internacional; crítica da política externa contemporânea; história intelectual da diplomacia brasileira.
Entre suas obras mais conhecidas estão: Formação da Diplomacia Econômica do Brasil; Contra a Corrente; Uma certa ideia do Itamaraty; Miséria da Diplomacia.
Do ponto de vista intelectual, ele é frequentemente associado a posições: liberalizantes em economia; favoráveis à abertura comercial; críticas ao nacional-desenvolvimentismo; céticas em relação a alinhamentos ideológicos Sul-Sul; defensoras de maior inserção do Brasil nas cadeias globais e no Ocidente liberal.
Seu pensamento dialoga bastante com tradições liberais e institucionalistas das relações internacionais, embora conserve traços fortes de historicismo diplomático brasileiro.
Paulo Roberto de Almeida tornou-se uma figura particularmente influente na internet diplomática brasileira. Seu blog, Diplomatizzando, converteu-se ao longo dos anos em um enorme arquivo de textos sobre: política externa; história diplomática; concursos do CACD; bibliografias; debates intelectuais; críticas ao Itamaraty; comentários políticos e econômicos.
O blog é amplamente conhecido entre estudantes do CACD e pesquisadores de relações internacionais, funcionando quase como um repositório paralelo da memória intelectual diplomática brasileira. Diversos fóruns de preparação para a carreira diplomática citam seus textos como referência recorrente.
Midiaticamente, Almeida ocupa uma posição peculiar: não é exatamente um “comentarista de TV” tradicional; mas é muito presente em artigos, entrevistas, debates acadêmicos e redes intelectuais digitais.
Seu estilo é conhecido por: erudição enciclopédica; produção textual incessante; tom polêmico e contrarianista; crítica contundente a correntes ideológicas que considera anti-liberais ou antiocidentais; defesa enfática da racionalidade burocrática do Itamaraty.
Durante o governo de Jair Bolsonaro e da gestão do chanceler Ernesto Araújo, Paulo Roberto de Almeida tornou-se um crítico importante da orientação ideológica da política externa brasileira. O livro Miséria da Diplomacia sintetiza boa parte dessa crítica.
Ao mesmo tempo, ele também criticou aspectos da política externa dos governos do Partido dos Trabalhadores, especialmente em temas como:
integração regional ideologizada; aproximação com regimes autoritários; diplomacia Sul-Sul; protagonismo político-partidário da diplomacia presidencial.
4) Estilo intelectual e reputação:
No meio diplomático e acadêmico, Paulo Roberto de Almeida é visto simultaneamente como: um intelectual extremamente produtivo; um historiador respeitado da diplomacia brasileira; um polemista permanente.
Sua reputação é marcada por: vasta erudição histórica; domínio bibliográfico raro; independência intelectual; crítica frequente ao corporativismo e ao conformismo institucional.
Também é conhecido por cultivar deliberadamente uma identidade “heterodoxa” ou “contrarianista”, termo que ele próprio utiliza para definir sua postura intelectual.
Entre estudantes do CACD, é frequentemente lembrado como: referência bibliográfica importante; incentivador da formação autodidata; crítico do excesso de formalismo acadêmico; defensor de sólida cultura histórica e econômica para diplomatas.
Em síntese, Paulo Roberto de Almeida representa uma tradição específica do Itamaraty: a do diplomata-intelectual liberal, fortemente ligado à história diplomática, à economia política internacional e à defesa de uma diplomacia profissionalizada, racional e menos subordinada a orientações ideológicas conjunturais.
Entrou no Itamaraty em 1977, após concurso de ingresso, e atuou em diversas áreas temáticas (comércio exterior, integração, finanças, investimentos, ciência e tecnologia, direitos humanos e desarmamento).
Serviu em postos no exterior como Berna, Belgrado, Paris, Genebra, Montevidéu e Washington, além de exercer funções em Brasília, incluindo chefia de Divisão de Política Financeira e de Desenvolvimento e cargo de Ministro‑Conselheiro na Embaixada em Washington (1999–2003).
No Brasil, foi Assessor Especial no Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (2003–2007) e, posteriormente, Diretor do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI‑Funag/MRE) entre agosto de 2016 e março de 2019, somando ainda experiência como Cônsul‑Geral Adjunto em Hartford até se aposentar em 2021.
É licenciado e doutor em Ciências Sociais pela Université Libre de Bruxelles (doutorado em 1984) e mestre em Planejamento Econômico pela Universidade de Antuérpia (1977).
Foi professor de Sociologia Política no Instituto Rio Branco e na Universidade de Brasília (1986–1987) e, desde 2004, docente de Economia Política no Programa de Pós‑Graduação (Mestrado e Doutorado) em Direito do Centro Universitário de Brasília (Uniceub).
Integrante de comitês editoriais de várias revistas acadêmicas, como a Revista Brasileira de Política Internacional e a Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, atuando também como editor adjunto e, em alguns períodos, como editor efetivo.
3) Produção bibliográfica e linha de pensamento:
É autor de dezenas de livros e de centenas de artigos, com destaque para temas como política externa brasileira, diplomacia, relações internacionais, economia política e análise histórica do Itamaraty (por exemplo, Apogeu e demolição da Política Externa: itinerários da diplomacia brasileira).
Publicou, entre outros trabalhos, Marxismo e socialismo: trajetória de duas parábolas da era contemporânea e Miséria da diplomacia: a destruição da inteligência no Itamaraty, nos quais combina crítica histórica e análise política sobre a burocracia externa brasileira.
Sua linha de pensamento é fortemente racionalista‑institucionalista, com forte ênfase em instituições, normas, planejamento e na “inteligência” estratégica da política externa, além de crítica ao esvaziamento técnico e político do corpo diplomático em certos períodos recentes.
Mantém o blog Diplomatizzando, desde 2006, em que publica ensaios, notas de leitura, comentários sobre política externa e relações internacionais, consolidando‑se como um dos principais espaços de reflexão crítica de um diplomata brasileiro na esfera digital.
Disponibiliza boa parte de seus textos em plataformas acadêmicas como Academia.edu e ResearchGate, com ampla difusão de artigos, capítulos e livros completos, reforçando sua presença como autor de acesso aberto.
Frequentemente aparece em entrevistas, palestras e artigos em instituições liberais e de cunho intelectual (como o Instituto Millenium), comentando temas como diplomacia, integração regional, globalização e crise institucional da política externa brasileira.
Em síntese, Paulo Roberto de Almeida encarna um perfil híbrido de diplomata‑acadêmico‑publicista: um funcionário de carreira com forte base teórica nas ciências sociais, que ampliou sua influência para além das fronteiras do Itamaraty por meio de uma produção constante de livros, artigos e escritos em blogs, situando‑se como referência crítica e analítica para debates sobre a política externa e a diplomacia brasileiras no século XXI.
Tem vasta experiência em política externa, especialmente em temas relacionados à América Latina, relações internacionais, e política global.
Atuou em diversas missões diplomáticas brasileiras no exterior, incluindo postos em países estratégicos para a política externa do Brasil.
Além de atuar em representações diplomáticas, também ocupou cargos em órgãos internacionais e participou de negociações multilaterais.
É reconhecido por sua análise crítica e contextualizada das políticas externas, com enfoque em integração regional e cooperação internacional.
Frequentemente atua como professor e pesquisador em universidades brasileiras e instituições acadêmicas, contribuindo para a formação de novos profissionais da área.
Já publicou diversos artigos, livros e ensaios acadêmicos que abordam temas de diplomacia, política internacional, e história das relações exteriores do Brasil.
Sua produção acadêmica destaca-se pela abordagem interdisciplinar, combinando teoria e prática diplomática.
Participa de seminários, congressos e debates acadêmicos, sendo uma voz influente na área de estudos internacionais.
Mantém um blog e/ou perfis em redes sociais onde compartilha análises e reflexões sobre política externa e eventos globais.
Sua comunicação é conhecida por ser clara, didática e acessível, contribuindo para a popularização do debate sobre temas internacionais junto ao público geral.
Participa de entrevistas e debates, oferecendo uma visão experiente e fundamentada sobre os desafios da diplomacia brasileira e global.
É reconhecido como uma referência confiável para jornalistas, estudantes e interessados em relações internacionais.
Este perfil detalhado evidencia a atuação multifacetada de Paulo Roberto de Almeida como diplomata, acadêmico e comunicador, destacando sua contribuição para o entendimento e desenvolvimento da política externa brasileira.
Paulo Roberto de Almeida é um diplomata de carreira do Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Ele possui ampla experiência em questões internacionais, especialmente no campo da política externa brasileira, segurança internacional e relações multilaterais. Ao longo de sua trajetória, ocupou diversos cargos relevantes dentro do serviço diplomático, participando ativamente da formulação e implementação da política externa do Brasil em várias regiões e contextos.
No meio acadêmico, Paulo Roberto de Almeida destaca-se como um pesquisador e docente respeitado. Ele é doutor em Relações Internacionais e tem contribuições importantes na área, com publicações que abordam temas como estratégia internacional, história diplomática e segurança global. Almeida colabora frequentemente com universidades e centros de estudos, promovendo debates e análises aprofundadas sobre temas atuais da política internacional e das relações exteriores brasileiras.
Além de sua atuação profissional e acadêmica, Paulo Roberto de Almeida é presença constante nos meios de comunicação, onde atua como comentarista e analista de política externa e assuntos internacionais. Ele participa de entrevistas, debates, artigos e programas televisivos e radiofônicos, sendo reconhecido por sua clareza, profundidade analítica e capacidade de contextualizar eventos internacionais para o público geral. Sua participação midiática contribui para a disseminação do conhecimento sobre diplomacia e relações internacionais no Brasil.
Em resumo, Paulo Roberto de Almeida é um diplomata experiente, um acadêmico rigoroso e um comunicador que contribui significativamente para o entendimento da política externa brasileira e dos assuntos internacionais, tanto no âmbito profissional quanto no público.
Paulo Roberto de Almeida é uma figura proeminente na diplomacia brasileira, com uma carreira multifacetada que abrange atuação em diversas frentes: profissional, acadêmica e midiática. Seu perfil é marcado por uma profunda compreensão das relações internacionais, um aguçado senso analítico e uma capacidade notável de comunicar ideias complexas de forma acessível.
A carreira diplomática de Paulo Roberto de Almeida é extensa e repleta de experiências significativas, que o qualificam como um profundo conhecedor das dinâmicas internacionais e da política externa brasileira.
Carreira Diplomática: Ingressou na carreira diplomática brasileira em 1971, através de concurso público do Instituto Rio Branco (IRBr). Desde então, ocupou diversas posições de destaque em postos no exterior e no Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Ampla Experiência Internacional: Serviu em embaixadas e consulados em países estratégicos, como Estados Unidos (Washington e Nova Iorque), Argentina (Buenos Aires), Chile (Santiago), França (Paris) e Índia (Nova Deli). Essa vivência internacional lhe proporcionou um conhecimento prático e teórico das realidades de diferentes regiões e sistemas políticos.
Atuação em Organismos Multilaterais: Sua experiência se estende à atuação em importantes organismos multilaterais. Foi representante permanente do Brasil junto ao Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), antecessor da Organização Mundial do Comércio (OMC), e atuou em missões junto às Nações Unidas (ONU). Essa atuação o coloca como um especialista em negociações comerciais e temas de governança global.
Cargos de Liderança no MRE: Dentro do Ministério das Relações Exteriores, ocupou posições de relevo, demonstrando sua capacidade de gestão e articulação política. Foi Diretor do Departamento de Planejamento e Projetos (DPP) e também exerceu a função de Chefe da Assessoria de Imprensa do MRE, o que lhe conferiu uma visão privilegiada da comunicação diplomática.
Especialização Temática: Ao longo de sua carreira, desenvolveu especializações em diversas áreas, incluindo:
-Comércio Internacional e Integração Econômica: Sua passagem pelo GATT e sua vasta produção intelectual nesta área confirmam sua expertise.
-Multilateralismo e Governança Global: Sua atuação em fóruns internacionais o habilita a discutir e analisar os desafios e oportunidades da cooperação global.
-Política Externa Brasileira: Paulo Roberto de Almeida é um dos mais respeitados analistas da política externa brasileira, abordando seus princípios, desafios e estratégias.
-Segurança Internacional e Desarmamento: Sua produção intelectual também abrange estas áreas, demonstrando uma visão ampla dos temas globais.
Perfil Acadêmico:
O aprofundamento teórico e a produção intelectual são pilares importantes da trajetória de Paulo Roberto de Almeida, enriquecendo sua atuação profissional com embasamento científico e crítico.
Pós-Graduação e Estudos Avançados: Realizou estudos de pós-graduação e aperfeiçoamento em instituições renomadas, como a Escola de Guerra Naval (EGN) e o Centro de Estudos de Defesa do Rio de Janeiro (CEDRI).
Produção Intelectual Vasta e Diversificada: É um autor prolífico, com uma extensa obra publicada em livros, artigos em periódicos acadêmicos, jornais e revistas especializadas. Seus escritos abordam temas cruciais das relações internacionais e da política externa brasileira.
Temas de Pesquisa e Análise: Suas publicações frequentemente exploram:
-A evolução do sistema internacional e o papel do Brasil no cenário global.
-As dinâmicas do comércio internacional, o protecionismo e a OMC.
-O multilateralismo, a governança global e as novas instituições internacionais.
-A história e os desafios da política externa brasileira.
-Questões de segurança internacional, desarmamento e não proliferação nuclear.
-A democratização e os desafios da inserção internacional de países em desenvolvimento.
Participação em Debates Acadêmicos: Frequentemente é convidado a palestrar em universidades, centros de pesquisa e eventos acadêmicos, compartilhando suas análises e estimulando o debate qualificado sobre os temas que domina.
Paulo Roberto de Almeida transcende os círculos diplomáticos e acadêmicos, sendo uma voz influente e respeitada nos meios de comunicação, onde compartilha suas análises de forma clara e acessível ao público em geral.
Presença Constante na Mídia: É um comentarista frequente em jornais, revistas, programas de televisão e rádio, oferecendo análises sobre assuntos de política internacional, economia, comércio e diplomacia.
Articulista e Colunista: Mantém colunas e escreve artigos frequentemente para veículos de grande circulação, como o jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) e outros jornais e revistas com foco em política e economia. Sua escrita é conhecida pela clareza, objetividade e profundidade.
Influência nas Discussões Públicas: Suas opiniões e análises têm um peso considerável na formação da opinião pública sobre temas complexos da agenda internacional. Ele tem a capacidade de traduzir jargões diplomáticos e acadêmicos em linguagem compreensível para um público mais amplo.
Crítico e Analista Afiado: Não hesita em apresentar críticas construtivas e análises aprofundadas sobre as decisões de política externa, os desafios da diplomacia brasileira e as tendências globais.
Presença Digital: Paulo Roberto de Almeida também utiliza plataformas digitais para compartilhar seus pensamentos e engajar-se com o público, através de blogs e redes sociais, onde frequentemente divulga seus artigos e comentários.
Comunicação Eficaz: Sua habilidade de comunicação é um de seus grandes trunfos. Ele consegue apresentar argumentos sólidos e bem fundamentados, tornando seus comentários relevantes e impactantes.
Em suma, Paulo Roberto de Almeida personifica um diplomata completo. Sua vasta experiência profissional no serviço exterior, aliada a um robusto arcabouço acadêmico e a uma notável capacidade de comunicação midiática, o consolida como uma referência incontornável para a compreensão das relações internacionais e da política externa brasileira. Sua contribuição para o debate público sobre esses temas é de inegável valor, demonstrando a importância de uma diplomacia acessível e analiticamente embasada.
Profissionalmente, Almeida foi diplomata de carreira, atuando em postos no Brasil e no exterior, tendo desenvolvido expertise em temas relacionados às políticas externas brasileiras, integração regional, segurança internacional e economia mundial. Sua trajetória inclui cargos em órgãos do Ministério das Relações Exteriores, onde contribuiu para a formulação e implementação de políticas diplomáticas e estratégias de cooperação internacional.
Resumindo, o perfil de Paulo Roberto de Almeida é o de um diplomata experiente, com forte formação acadêmica e atuação midiática relevante, dedicado ao estudo, à análise e à promoção do entendimento das questões internacionais no contexto brasileiro.
O capitalismo é uma máquina infernal de fazer dinheiro. Até com o final do padrão ouro-dólar e com o seu eventual retorno.
O capitalismo é uma máquina infernal de fazer dinheiro. Até com o final do padrão ouro-dólar e com o seu eventual retorno.
O capitalismo é uma máquina infernal de fazer dinheiro. Pode até ser imoral, mas é a maneira mais eficiente de criar riqueza e melhorar a vida de todos, ainda que alguns, os espertos, ganhem mais do que os apenas acompanhantes do processo.
Pois oportunistas estão querendo ganhar mais algum dinheiro dos "apenas acompanhantes", fazendo propagando do ouro, essa "relíquia bárbara" da qual falava Keynes. Mas ainda é uma riqueza sólida (ainda que enganosa), à qual os acompanhantes se apegam na falta de confiança em algum governo, qualquer governo, qualquer país, qualquer época.
Abaixo, a primeira parte da nota pode ser lida como informação fiável – Nixon e a quebra do padrão ouro-dólar –, mas descarto a oferta do livro sobre "as oportunidades do ouro", pois se trata apenas de comércio para ganhar dos acompanhantes.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 23/05/2026
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On Sunday evening, August 15, 1971, Richard Nixon interrupted regular television programming.
He spoke for 15 minutes.
By the time he finished, the gold standard was over. The dollar was no longer backed by anything except the government's word. And every dollar in every American's savings account had quietly changed — not in number, but in what it actually meant.
Nixon didn't ask Congress. He didn't hold a debate. He used a single executive authority and by Monday morning the monetary world had shifted.
The people who saw it coming had already moved. Gold tripled in three years. Over the next decade it went up twenty times.
The people who didn't understand what was happening watched their savings quietly lose value for a decade. They never recovered it.
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Aqui termina a parte fiável da informação. Abaixo o capitalismo oportunista querendo vender o seu produto para os simples acompanhantes do capitalismo...
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Here's what the financial press isn't saying clearly:
Trump has that same executive authority today. And his own advisors are now openly saying the reversal of what Nixon did is on the table.
If he acts, it moves fast. There are two ways this plays out. Both of them move gold in the same direction.
We put together a free briefing on exactly what Nixon did, why Trump is the first president positioned to reverse it, and the one move Americans can make right now to be on the right side of what comes next.
Free. 30 seconds to request.
Nixon didn't warn anyone before that Sunday night broadcast.
Trump's advisors are warning you right now.
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Termino por aqui. DJT tem realmente muitos poderes. Mas como é um ignorante perverso, podemos esperar tudo dele, as maiores maldades, as piores catástrofes, ou rigorosamente NADA.
Segundo os psiquiatras ele é um "narcisista maligno, psicopata, megalomaníaco e sádico", é o que me basta para classificá-lo. Diferente é o caso de VP, um obsessivo com o poder, um autocrata impiedoso, um cleptocrata instruído e um mafioso consumado. Mas, foi longe demais, o excesso de "esperteza" agora vai engulí-lo. Vica a Ucrânia (com toda a sua corrupção, como em todos os países, aliás). PRA.
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: webinar com o professor Carlos Braga e os diplomatas Victor do Prado e Paulo Roberto de Almeida
No dia 21 de abril foi realizado o webinar da Fundação Dom Cabral, animada pelo professor Carlos Braga, sobre o tema das Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira. Aqui o link do evento:
https://www.youtube.com/watch?v=2r62zsVsIeA
Alguns dos textos que preparei em previsão desse webinar:
5320. “Textos preparados para o webinar ‘Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira’”, Brasília, 20 maio 2026, 2 p. Relação de textos preparados para o webinar ocorrido em 21/05/2026. Disponível no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/textos-preparados-para-o-webinar.html). Complementado em 21/05, com o trabalho 5325. Nova versão disponível no blog Diplomatizzando (link: Papers preparados para o webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira - Paulo Roberto de Almeida).
Textos preparados para o webinar Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 21 maio 2026, 1 p.
Relação de textos preparados para o webinar em 21/05/2026.
5290. “Uma política externa que denega os fundamentos doutrinais da diplomacia do Brasil”, Brasília, 24 abril 2026, 2 p. Notas para exposição em webinar do Imagine Brasil, a convite do professor Carlos Alberto Primo Braga. Postado no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/uma-politica-externa-que-denega-os.html). Divulgado na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/167416632/5290_Uma_pol%C3%ADtica_externa_que_denega_os_fundamentos_doutrinais_da_diplomacia_do_Brasil_2026).
5311. “O que eu teria a dizer sobre “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira”?, Brasília, 15 maio 2026, 2 p. Nota sobre algumas evidências e outras incertezas. Divulgado no blog Diplomatizzando (15/05/2026; link:https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/o-que-eu-teria-dizer-sobre-tensoes.html).
5313. “Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira: o que há de novo?”, Brasília, 17 maio 2026, 11 p. Nota mais extensa, a partir do trabalho n. 5311, sobre os temas colocados pelo projeto “Imagine Brasil”, da Fundação Dom Cabral, a convite do professor Carlos Alberto Primo Braga, na companhia de Victor do Prado. Complementar com respostas às questões sugeridas pelo coordenador, Carlos Braga. Disponível na plataforma Academia.edu (link: https://www.academia.edu/167416751/5313_Tensoes_Geopoliticas_e_a_Diplomacia_Brasileira_o_que_ha_de_novo_2026_); divulgado parcialmente no blog Diplomatizzando (20/05/2026, link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/tensoes-geopoliticas-e-diplomacia_0349459191.html).
5315. “Temas para debate no webinar “Imagine Brasil” da Fundação Dom Cabral”, Brasília, 17 maio 2026, 5 p. Notas para debater as questões colocada pelo coordenador, professor Carlos Primo Braga. Enviado, com o trabalho 5313, para conhecimento prévio, assim como a Victor do Prado. Disponível no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/temas-para-debate-no-webinar-imagine.html).
5320. “Textos preparados para o webinar ‘Tensões Geopolíticas e a Diplomacia Brasileira’”, Brasília, 20 maio 2026, 2 p. Relação de textos preparados para o webinar ocorrido em 21/05/2026. Disponível no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/textos-preparados-para-o-webinar.html). Complementado em 21/05, com o trabalho 5325.
5322. “Tensões geopolíticas: então e agora”, Brasília, 21 maio 2026, 3 p. Reflexões sobre um conceito e especificidades históricas. Divulgado no blog Diplomatizzando (21/05/2026; link:https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/tensoes-geopoliticas-entao-e-agora.html).
5323. “Nova Ordem Global Multipolar?”, Brasília, 20 maio 2026, 2 p. Uma fraude completa: quatro argumentos contrários. Divulgado no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link:https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/nova-ordem-global-multipolar-paulo.html).
5325. “Quais foram as grandes tensões geopolíticas do passado?”, Brasília, 21 maio 2026, 1 p. Listagem cronológica dos “embates” entre grandes potências. Divulgado no blog Diplomatizzando (20/05/2026; link:https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/quais-foram-as-grandes-tensoes.html).
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5320: 21/05/2026, 2 p.
Disponível no blog Diplomatizzando (link: https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/05/textos-preparados-para-o-webinar.html).
FUNAG lança primeira edição do IPRI Policy Brief
FUNAG lança primeira edição do IPRI Policy Brief
Funag, 20/05/2026A FUNAG acaba de publicar a primeira edição do IPRI Policy Briefs, periódico organizado pelo seu Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais. A iniciativa reúne os estudos produzidos pelo grupo Pesquisas Contemporâneas IPRI e inaugura um formato dedicado a converter estudos acadêmicos em análises políticas claras, objetivas e baseadas em evidências.
Com uma linguagem acessível, a publicação sintetiza temas-chave da agenda internacional, apresenta resultados e sugere opções de políticas, com o objetivo de alcançar um público mais amplo, para além do acadêmico.
O exemplar está disponível nas versões português e inglês para download gratuito na biblioteca digital.
https://funag.gov.br/biblioteca-nova/produto/1-1351
IPRI Policy Briefs (IPRI-PB) n. 1 . 2025
Descrição:
A primeira edição do IPRI Policy Briefs (2025), organizada pelo IPRI/FUNAG, apresenta resultados de pesquisas do grupo "Pesquisas Contemporâneas IPRI". Publicada em formato bilíngue (português-inglês), a obra visa traduzir estudos acadêmicos complexos em recomendações políticas baseadas em evidências, utilizando linguagem acessível para informar o público não especializado e subsidiar a formulação de políticas públicas. O conteúdo abrange três eixos centrais: diplomacia e inserção internacional (reforma do Conselho de Segurança da ONU, BRICS e paradiplomacia), governança e regulação (temas climáticos, de gênero, fundiários e energéticos) e desafios transnacionais, como a imigração irregular. A publicação destaca a interdependência entre as esferas local e global, analisando desde a capacidade estatal de municípios brasileiros frente às mudanças climáticas até a governança energética no bloco BRICS. O IPRI Policy Briefs é um esforço para contribuir para a formação de uma opinião crítica com subsídios para tomada de decisão a partir de dados fundamentados em evidências de política internacional.
Detalhes
| Organizador(a) | IPRI - Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais |
|---|---|
| Editora | FUNAG - Fundação Alexandre de Gusmão |
| Assunto | Brasil-Relações internacionais | Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI) |
| Ano | 2025 |
| Edição | 1a. edição |
| Nº páginas | 161 |
| Idioma | Português |
| ISSN | 3086-4496 |
| ISSN DIGITAL | 3086-4909 |
Autobiografia de um fora-da-lei, 2: o Estado visto por ele mesmo Por- Paulo Roberto de Almeida (revista Será?)
Autobiografia de um fora-da-lei, 2: o Estado visto por ele mesmo
Por Paulo Roberto de Almeida | maio 22, 2026 | Artigos | 0 |

Eu, o Estado
Uma questão de método: como o Estado pode escrever sua própria biografia?
Expostas as razões pelas quais decidi escrever minha própria história, cabe agora responder à difícil questão de como pode uma entidade que é, por definição, impessoal, vale dizer, indefinível enquanto personalidade individual e, portanto, sem vontade própria, escrever sua biografia na primeira pessoa? A pergunta é: quem é você, seu fora-da-lei assumido?
Sim, afinal de contas, quem está falando, ou quem está escrevendo, exatamente? Seria sempre a mesma pessoa, ao longo do tempo, em toda e qualquer circunstância? Qual inteligência anima essa pluma, ou movimenta esse mouse a bate os dedos nesse teclado de computador? Qual cérebro está por trás dos argumentos escritos e responde pela veracidade do que vou aqui expor? O Estado, isto é, eu mesmo, não foi sempre o mesmo ao longo do tempo, não há um fio condutor que leva da mera capitania-geral e do vice-reinado da era colonial, para um reino sui generis no contexto americano, no início do século XIX, daí para um império pretensioso em seu aristocratismo mestiço e, finalmente, uma república de oligarcas e de aventureiros que foi se transformando ao longo do século XX.
Em cada uma dessas etapas da minha existência, forças e ânimos diferentes estiveram atrás de minhas ações (e omissões), vontades diversas, e muitas vezes contraditórias, me empurraram para esta ou aquela aventura política ou militar, interesses concretos daqueles que ocuparam minhas sedes eventuais levaram a características muito particulares que fui assumindo como minhas, no decorrer dessas fases, algumas mais tempestuosas do que outras, sem que se possa, em todos os casos, identificar o momento certo de ruptura com certas práticas e hábitos ancestrais e o começo de uma nova era de dominação. Parece que eu fui me transformando, mas permanecendo o mesmo contraventor incontrolável das minhas próprias leis a cada época.
Claro, o que permanece constante no decorrer de toda a minha existência é essa essência verdadeira de todo Estado: a concentração do poder e o exercício indisputável da dominação política – algumas vezes disputada –, ou seja, o comando sobre os homens e a administração das coisas. Tirando essa característica fundamental do meu modo de ser, tudo o mais mudou, ao longo desses anos e séculos de trajetória errante, de ações claudicantes, por vezes decisivas, outras vezes timoratas, em todo caso, determinantes para o destino de tanta gente e de tantos interesses. Eu sempre fui fiel a um único princípio, a uma única vontade, ou seja, a mim mesmo, buscando preservar a lógica do poder absoluto, que é o monopólio do uso da força e a eliminação de todo e qualquer concorrente no exercício daquela capacidade de agir que cientistas políticos, entre eles Raymond Aron, chamam de nomes aliás coincidentes: Macht, power, puissance. Não admito competição quando se trata da minha própria vontade!
Por isso mesmo eu sou único, ainda que diversas personalidades se tenham sucedido no comando de minhas ações. Mas todos aqueles que se sentaram na minha cadeira de comando, estiveram a meu serviço exclusivo e encarnaram minha vontade pessoal, mesmo sem o saber ou sequer perceber. Muitos pensaram, sobretudo aqueles com vocação caudilhesca ou ditatorial, que se guiavam por sua própria vontade, quando na verdade estavam cumprindo meus desígnios permanentes, que são o de sempre acumular poder e o de aumentar cada vez mais meu domínio sobre os homens e as coisas. Alguns me serviram fielmente, outros pensaram que estavam devolvendo o “poder ao povo”, quando nada mais faziam do que confirmar minha determinação em exercer solitariamente toda e qualquer decisão relevante na vida da nação. O país se coloca aos meus pés: este é princípio diretor que orienta todas as minhas ações.
Isto não quer dizer que eu tenha sido sempre arbitrário e prepotente no decorrer de minha história multissecular, longe disso. Na maior parte das vezes, eu agi com o consentimento e a concordância da maior parte dos meus súditos, ou cidadãos, conforme o caso. Raras vezes me vi obrigado a me afastar de meu próprio livro-guia para impor minha vontade unilateral ao povo miúdo ou aos poderosos que me sempre me cercaram. Normalmente todos eles me obedecem, por costume ou porque são sensatos, não lhes importando muito saber de onde vem a minha força e o poder de minha clave, apenas interessando-lhes ter certeza de que ela poderia se abater sobre suas cabeças, caso ousassem infringir as normas fixadas nas tábuas da lei (que eu mesmo ditei).
E, para tocar no ponto certo, quem impunha a lei sobre táboas, pergaminhos e papéis que condensavam a vontade superior que eu representava ao longo do tempo? Bem, isso variou muito no decorrer dos séculos pois, ainda que a minha palavra fosse unívoca e singular, os comandos foram sendo articulados pelas diferentes figuras que, na sucessão dos reis postos, de sucessores impostos, de monarcas de ocasião e de tribunos cooptados pelas oligarquias, que ocuparam os palácios, pela razão ou pela força. Essas leis, em todo caso, foram sempre sendo interpretadas à minha própria maneira, que, segundo meus desejos circunstanciais, foram sendo mudadas sempre quando isso me convinha, foram sendo dobradas à minha vontade ou descartadas como inúteis e substituídas por novas leis, sempre melhores (claro) do meu próprio ponto de vista.
Foi assim que eu fui acumulando, sem sequer enrubescer uma única vez, constituições várias e milhares de normas, centenas de alvarás-régios, dezenas de milhares de leis, incontáveis decretos, medidas provisórias, portarias, circulares, instruções, avisos e tudo o que foi possível, de forma humana (e até desumana), inventar como injunções aos súditos e cidadãos (à falta de poder me dirigir às coisas inanimadas). Confesso que eu mesmo me perdi, inúmeras vezes, no meio dessa barafunda de regras, nessa selva de leis, sem saber ao certo qual a que se devia aplicar a cada caso específico. Mas, isso não importa muito, pois o que vem com o carimbo do Estado e a chancela da autoridade merece ser cumprido, sob as penas da lei, que sou eu mesmo quem faço (ainda que alguns togados muito ousados inventem, por vezes, interpretá-la capciosamente).
Sendo assim, nada obsta a que eu escreva minha própria história, nas minhas próprias palavras, com o que hão de concordar (obrigatoriamente) os mais sensatos. Nada impede que eu tenha escolhido para ser meu escriba particular – e temporário – um mero empregado do Estado, um servidor público temporariamente disponível para estas digressões fora do comum, já que raramente me é dado o lazer de eu mesmo descrever minha trajetória política (e econômica). No mais das vezes, minha história e carreira política têm sido escritas por cientistas sociais ou sábios da academia, ocasionalmente até um ou outro psicanalista ou filósofo improvisado. Mas, eles falam ou escrevem muitas bobagens a meu respeito, e até algumas inverdades. Deixo passar…
Esta é, portanto, a minha autobiografia autorizada, a única que me foi dada escrever até este momento, ao que eu saiba, pelo menos. Desconheço, na verdade, se em outras encarnações de minha múltipla personalidade, antecessores tomaram eles mesmos da pluma – aqui no sentido literal – para escrever minha história pregressa, ou se delegaram a outros essa tarefa. Não tenho registro de exemplos precedentes nos meus arquivos implacáveis, algo confusos, é verdade, e, no mais das vezes, impenetráveis. Quero, em todo caso, deixar constância de minha honestidade proverbial na reconstituição dos meus atos e fatos, o que aliás vem expresso na descrição desta autobiografia: eu pretendo que se trata de “uma” história do Estado brasileiro, e não “da” história desse Estado. Esta é a minhahistória, e quem quiser que conte outra. Nunca pretendi retirar o sustento de tantos cronistas voluntários da minha existência, nem competir deslealmente com tantos intérpretes da academia. O presente rábula é de ocasião, mas ele é meu, ele sou eu.
Esta é, portanto, a minha versão da minha história, a única por mim autorizada. Outras existirão, que não receberam a minha chancela, ou elaboradas até à minha revelia, quando não deformando totalmente as minhas ações e os meus dizeres. Não me importa! Sou democrata, se isto não causar arrepios (ou calafrios) ao mais respeitável dos filósofos políticos. Minha vontade é a lei, mas eu deixo que a interpretem à vontade, à condição que ela seja cumprida. Tem sido assim nos últimos quatro ou cinco séculos e não vejo por que isso tenha de mudar agora.
Não temam os historiadores se eu não revelar as fontes documentais dos muitos atos e fatos que eu aqui relatar: não tenho tempo, agora, para ir remexer no pó dos arquivos e dali retirar as “provas irrefutáveis” do que vou contar, em linguagem livre e por vezes desabusada. Vou ser sincero, tanto quanto me permitem a idade e o alcance da memória, e não tenho por que esconder as coisas mais escandalosas que andaram dizendo ao meu respeito. Aprendi, em outros tempos, com um intérprete genial, Niccolò Machiavelli, que não devemos nos envergonhar de exercer a única coisa que nos é dada como essência da nossa própria existência: o poder total, em todas as suas formas e manifestações. Dele faço questão e é por isso mesmo que eu decretei ao meu escriba do momento, aliás voluntário: senta-te e escreva a minha história verdadeira. Se ele não cumprir com o cometido, vai se arrepender pelo resto de sua vida: é só um alerta!
Pois, então vamos à autobiografia, que eu passo agora a relatar…
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5304: 5 maio 2026, 4 p.
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