quarta-feira, 20 de maio de 2026

Nova Ordem Global Multipolar? - Paulo Roberto de Almeida

Nova Ordem Global Multipolar?

Paulo Roberto de Almeida 

A tal proposta de uma “nova ordem global multipolar” nada mais é que uma fraude completa, apenas capaz de seduzir ingênuos, ignorantes e/ou desinformados. Ela é uma fraude dupla, no plano conceitual e no plano operacional, ou tripla, no plano das aspirações também.

Primeiro, porque o mundo sempre foi multipolar; nunca houve uma ordem universal, com ONU, ou com qualquer pretendente a Hegemon mundial. 

Segundo, porque “novas ordens” não surgem por decreto ou pela vontade de pretensos novos, falsos, candidatos a Hegemons substitutos. Elas surgem ao cabo de enfrentamentos de fato globais, como na Grande Guerra de 1914-1918 e na IIGM (1939-1945), que na verdade começou antes, com a agressão à China por parte do Japão militarista-fascista.

Terceiro, porque nem China, nem Rússia— hoje um estado vassalo da primeira — têm algo superior a oferecer ao mundo, que corresponda às aspirações da maior parte da humanidade: liberdades, democracia, direitos humanos, justiça independente, todas essas virtudes emanadas do iluminismo fundado sobre os direitos individuais, não baseadas no poder despótico de um Estado opressor.

Quarto, porque proclamações unilaterais e puramente frutos da vontade de ditadores não criam uma nova realidade condizente com as aspirações dos povos.

Quinto e último, porque não existe força humana, estatal, militar ou política, capaz de criar uma nova ordem out of the blue, na existência de uma ordem — que pode ser parcial, limitada ou mesmo imperfeita — ainda existente, real e defendida por grande parte da humanidade, compatível com as aspirações sociais de liberdades individuais e objetivos politicos de regimes democráticos, baseados rm eleições livres e alternância de poder.

Surpreende-me, assim, que certos dirigentes — talvez por motivos inconfessáveis — se apressem em dar apoio a tais propostas. Não me surpreende que acadêmicos o façam, os sonhadores, ou já comprometidos com regimes opressores e inimigos das liberdades democráticas (que são, sim, virtudes ocidentais, mas que foram universalizadas progressivamente pela ampliação dos espaços de liberdades e de bem-estar trazidos por regimes de liberdades econômicas, inclusive no coração do modo “alternativo” de produção, que depois de muitos fracassos acabou acolhendo Adam Smith).

Finalizando: vamos reconhecer as poucas virtudes da ordem imperfeita criada ao final da mais terrível guerra global, e tentar reconstrui-la, depois da triste passagem da intrusão agressiva de liberticidas autocráticos, alguns até mafiosos cleptocratas.

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 20/05/2026

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