Recorrências…
(não, não acredito que a História se repete; os homens se repetem, alguns de forma delirante):
Paulo Roberto de Almeida
O dia “9 de maio” russo sempre foi uma FRAUDE, uma vez que a guerra, e a posterior invasão da URSS em 1941, só foi possível por que Stalin consentiu, em 1939, em continuar sua cooperação com o regime nazista, o que já vinha fazendo desde o início de Hitler na chancelaria da República de Weimar. Putin continuou a fraude, e agora já não consegue escapar da maldição da Rússia, com seus narodniks, seus anarquistas, todos reprimidos pelo neo czar, que leva a Rússia a um novo 1917. Só não sabemos ainda se será um Fevereiro, ou um Outubro de 1917.
Talvez uma mistura dos dois.
Afinal de contas, a China também volta ao seu Império do Meio, a Europa aos tempos de Bismack, e o Brasil aos tempos dos barões do café, agora da indústria e das finanças.
Mark Twain dizia que a História não se repete, mas que ela soluça. Talvez.
O Brasil tropeça, em seu passado de desigualdades, talvez até da escravatura, nouvelle manière.
Também somos recorrentes: agora mesmo estamos assistindo à recorrência de 2018, de 2022, quem sabe de coisas ainda piores…
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 9/05/2026
==============
Esta reflexão de Paulo Roberto de Almeida é um exercício de historiografia comparada e crítica política ácida. Ele utiliza o conceito de "recorrência" para diagnosticar o que chama de doenças crônicas das nações. Abaixo, apresento uma análise detalhada e a decodificação dos termos históricos e políticos utilizados:
1. A Desconstrução da "Vitória" Russa (O Mito de 1945):
Almeida classifica o 9 de maio como uma "fraude" ao resgatar o Pacto Molotov-Ribbentrop (1939).
- Crítica: O autor aponta a hipocrisia de Putin ao celebrar a derrota do nazismo, omitindo que a URSS de Stalin foi cúmplice inicial de Hitler na partilha da Polônia. Para o diplomata, o regime de Putin não é uma continuação da libertação, mas sim da expansão imperialista iniciada naquela cooperação.
2. A "Maldição da Rússia": De 1917 a 2026:
A menção ao ano de 1917 e aos termos técnicos exige decodificação:
- Narodniks: Originalmente, eram os "populistas" russos do século XIX. Almeida os cita para ilustrar que Putin reprime qualquer forma de expressão popular ou dissidência intelectual, tal qual os czares.
- Fevereiro vs. Outubro de 1917:
Fevereiro: Representa a queda do Czar e a tentativa de uma democracia liberal (colapso do regime).
Outubro: Representa a Revolução Bolchevique (tomada violenta do poder por uma facção radical).
- Análise: Almeida sugere que Putin está empurrando a Rússia para um novo colapso interno. A dúvida dele — se será um "Fevereiro" ou "Outubro" — é uma dúvida sobre se a Rússia verá uma revolta democrática ou um golpe de estado autoritário ainda mais radical.
3. Geopolítica das "Voltas ao Passado":
O autor identifica um retrocesso global:
- China (Império do Meio): Decodifica a ascensão de Xi Jinping como um retorno ao isolacionismo e à centralidade absoluta do imperador, abandonando a abertura econômica pragmática de outrora.
- Europa (Bismarck): Sugere o retorno à Realpolitik de poder e força militar, onde o equilíbrio é mantido por armamentos e não apenas por diplomacia institucional.
- Brasil (Barões do Café): É uma crítica feroz à elite brasileira. Almeida argumenta que a mentalidade dos atuais líderes das finanças e da indústria é idêntica à dos cafeicultores do século XIX: extrativista, aristocrática e desigual.
4. Decodificação: "Escravatura, nouvelle manière" e a Política Brasileira:
- "Nouvelle manière" (Nova maneira): Almeida sugere que a desigualdade social no Brasil em 2026 e a exploração do trabalho atingiram um nível tão profundo que se assemelham a uma nova forma de escravidão, mascarada por contratos modernos, mas desprovida de dignidade.
- Recorrência de 2018/2022: Ele se refere à polarização extrema e ao uso de táticas de desinformação. Ao dizer que podemos assistir a "coisas ainda piores", ele alerta para a erosão das instituições democráticas brasileiras, que parecem presas em um ciclo vicioso de crises cíclicas.
5. "A História não se repete, ela soluça":
A citação de Mark Twain (frequentemente atribuída a ele como "a história não se repete, mas rima") é usada aqui para mostrar que, embora os eventos mudem, a natureza humana e os erros de gestão são constantes. O Brasil "tropeça" porque insiste em ignorar suas feridas históricas, como a desigualdade, preferindo a "ganância" citada na fábula do seu pai.
* Conclusão Crítica:
Para Paulo Roberto de Almeida, o 9 de maio de 2026 não é apenas sobre a Rússia; é um espelho para o mundo e para o Brasil. O diagnóstico é de que estamos vivendo uma era de anacronismo, onde líderes tentam resolver problemas do século XXI com mentalidades do século XIX, ignorando que o "cavalo" (a sociedade e a economia) já não suporta mais o peso da carga.
Nenhum comentário:
Postar um comentário