Lula na Casa Branca
Rubens Barbosa
Interesse Nacional, 8/06/2026
Do ângulo de Lula, a maneira amistosa como transcorreu o encontro presidencial, sem qualquer armadilha ou constrangimento que pudesse afetar a imagem do presidente brasileiro, vai ser capitalizado pelo presidente
Enfim, depois de mais um ano, Lula foi recebido por Trump na Casa Branca. Participaram do encontro os ministros brasileiros do Exterior, da Fazenda, da Justiça, da Indústria e Comércio, das Minas e Energia. O encontro de trabalho foi seguido de almoço entre os dois presidentes. Chamou a atenção a ausência de Marco Rubio do lado norte-americano.
Em nota divulgada por Trump, depois do encontro, a Casa Branca afirmou que a conversa foi produtiva e ressaltou, entre outros assuntos, a discussão em torno do comércio, sobre as tarifas.
Na entrevista à imprensa, na residência da Embaixada em Washington, Lula, como seria de esperar, ressaltou o clima de entendimento entre os presidentes e suas delegações.
‘Mauro Vieira resumiu os temas tratados nas três horas de reunião: tarifas, seção 301, pix, crime organizado, minérios estratégicos e geopolítica’
Mauro Vieira resumiu os temas tratados nas três horas de reunião: tarifas, investigação sobre restrições a produtos norte-americanos (seção 301), pix, cooperação contra o crime organizado, minérios estratégicos, além de temas geopolíticos (multilateralismo, organizações internacionais).
Os ministros presentes chamaram a atenção dos principais temas de sua área de atuação: definição de novas regras para o relacionamento econômico bilateral. Volta dos investimentos norte-americanos – compartilhamento informações crime organizado e ampliação da cooperação bilateral – relato sobre situação econômica brasileira – cooperação no combate ao crime organizado (não foi discutida a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas)– cooperação entre aduanas (informações e operações conjuntas – (apreendidas armas vinda dos EUA meia tonelada de drogas sintéticas dos EUA) – lavagem de dinheiro – minérios críticos (terras raras) transmitida informação sobre o novo marco regulatório aprovado pelo Congresso.
‘Todos os temas de interesse brasileiro foram abordados por Lula, o que era necessário para permitir as conversas em nível técnico’
Todos os temas de interesse brasileiro foram abordados por Lula, o que era necessário para permitir as conversas em nível técnico. Ficou decidido que em 30 dias os diferentes setores deverão negociar posições comuns para serem apresentadas para decisão final dos presidentes. Lula afirmou que o encontro foi um passo importante na consolidação das relações entre o Brasil e os EUA e para reverter a baixa prioridade dos EUA em relação ao Brasil.
No tocante à geopolítica, Lula ofereceu estar à disposição para ajudar nas conversas com Cuba, Venezuela, ONU e CSNU. Mesmo no tocante ao Irã, Lula disse estar à disposição para ajudar e entregou cópia do acordo negociado com o Irã pelo Brasil e Turquia em 2010. Lula disse não acreditar na interferência de Trump nas eleições de outubro.
‘A reunião presidencial foi positiva porque desbloqueou a negociação setorial sobre toda a agenda’
O governo brasileiro deu sua versão do encontro. A reunião presidencial foi positiva porque desbloqueou a negociação setorial sobre toda a agenda. Do ângulo de Lula, a maneira amistosa como transcorreu o encontro presidencial, sem qualquer armadilha ou constrangimento que pudesse afetar a imagem do presidente brasileiro, vai ser capitalizado pelo presidente.
Do lado brasileiro, nada foi adiantado quanto às reivindicações de Washington no tocante à agenda de seu interesse e sobretudo sobre a reintrodução de tarifas em julho, quando a investigação sobre a seção 301 da lei de comércio norte-americana for concluída e anunciada.
Resta agora aguardar pelas informações do lado norte-americano para ver se o otimismo do governo brasileiro vai ser comprovado.
Presidente e fundador do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE). É presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Trigo (Abitrigo), presidente do Centro de Defesa e Segurança Nacional (Cedesen) e fundador da Revista Interesse Nacional. Foi embaixador do Brasil em Londres (1994–99) e em Washington (1999–04). É autor de Dissenso de Washington (Agir), Panorama Visto de Londres (Aduaneiras), América Latina em Perspectiva (Aduaneiras) e O Brasil voltou? (Pioneira), entre outros.
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