Meu artigo sobre as conexões entre o Adam Smith original, o escocês, e o Adam Smith brasileiro, José da Silva Lisboa, mais tarde Barão e Visconde de Cairu, analisado por Madame IA, ou Gemini IA, abaixo do meu texto, um pouco amputado, a seguir:
O aspecto mais importante das conexões entre Adam Smith escocês, mais exatamente entre sua mais importante obra e os “Brasis” – como ele se referia ao Brasil ainda colonial – foi o fato de que ele encontrou um leitor atento e um precoce seguidor em um dos intelectuais mais ativos na transição do Brasil colonial para o Reino Unido e na consolidação da independência: José da Silva Lisboa (Salvador, 1756; Rio de Janeiro, 1835). O primeiro contato que Silva Lisboa teve com a obra seminal de Adam Smith ocorreu em torno de 1795, quando ele leu e anotou extensivamente The Wealth of Nations, para compor as lições do seu primeiro livro: Princípios de Direito Mercantil (1798), complementado pela sua sequência: Princípios de economia política (1804). Logo ao início, ele confidencia: "... para não desgostar logo aos leitores com discussões prolixas (...), exponho os motivos por que recomendo a lição da imortal obra da A Riqueza das Nações do celebrado Adam Smith, e o sigo nas teses cardeais de seu sistema; persuadido de ter sido ele o primeiro que dissipou as escuridades da Economia Política, levantando a facha de luz para esclarecer às nações e governos sobre os seus genuínos interesses, que são inseparáveis dos da Humanidade." (p. iv). Tendo influenciado o príncipe regente na declaração de abertura dos portos, publicada quando ambos se encontravam em Salvador, em janeiro de 1808, Silva Lisboa produziu de imediato suas Observações sobre o comércio franco no Brasil (1808), que foi seguido, dois anos depois, pelas suas novas Observações sobre a franqueza da indústria e estabelecimento de fábricas no Brasil e, ainda em 1810, pelas Observações sobre a prosperidade do Estado pelos liberais princípios de nova legislação. A despeito da importância dessas obras, Silva Lisboa não conheceu a fama que sempre cercou Adam Smith, que ele teria direito de desfrutar, inclusive por ter inovado em relação ao escocês. A pouca afeição que ele teve no panteão dos estadistas da independência –José Bonifácio, Hipólito da Costa, Evaristo da Veiga, Bernardo Pereira de Vasconcelos, entre outros – se deve à fidelidade extrema aos Braganças que ele sempre manteve. No Brasil independente, ele se mostrou servil a D. Pedro I, que lhe atribuiu os títulos de barão e de visconde de Cairu, e fez dele um senador do Império. Cairu passou a ser visto como um conservador, senão um reacionário. É a esse título que José Honório Rodrigues o classifica e, sua História da História do Brasil (1988), sob o signo da historiografia conservadora, na qual Silva Lisboa é colocado na “linha reacionária e contrarrevolucionária”. Mas, ele não fez apenas obra teórica de economia política, como também discorreu sobre os problemas do Brasil e sobre as maneiras de superar as dificuldades causadas por três séculos de colonização baseada no escravismo, para colocar o país numa rota de crescimento, de redução das desigualdades sociais, de progresso tecnológico e de conexão com todas as partes do mundo, via livre comércio internacional. Não obstante a novidade e a riqueza das contribuições de Silva Lisboa para a precoce preeminência das ideias liberais no Brasil, posturas protecionistas se tornaram predominantes desde meados do século XIX e estiveram no coração dos projetos industrializadores a partir da República. Ainda sob o Reino Unido, Silva Lisboa produziu sua mais importante obra de economia, os Estudos do Bem-Comum e Economia Política, ou ciência das leis naturais e civis de animar e dirigir a geral indústria, e promover a riqueza nacional e prosperidade do Estado (1819-1820). No Prefácio, ele esclarece os propósitos do livro: "Vali-me com preferência das doutrinas de Smith, Malthus, Ricardo, que sobressaem, como Escritores originais, profundos e didáticos, e que se podem intitular os Triúnviros da Economia Política; por terem elevado à dignidade de Ciência esta Literatura, e contribuído para o seu progresso com rapidez, e maior número de princípios exatos... – Smith a caracterizou como um ramo da Ciência do Legislador e Homem de Estado. – Malthus afirma ser a única Ciência de que talvez se possa dizer, que a ignorância dos seus capitais aforismo não é só privação de bem, mas grande positivo mal. – Ricardo se propôs resolver o que chama Principal Problema da importante Ciência da Economia Política, o determinar as Leis, que, nos diferentes estados da Sociedade, progressivo, estacionário, ou retrógrado, regulam a Distribuição dos produtos da terra, segundo as proporções que competem às suas diferentes classes, a título de salário, proveito e renda." (Ipea, 1975, p. 7). Silva Lisboa reconhece a genialidade de Adam Smith, que dizia que a quantidade anual de trabalho necessário à produção das “conveniências para a vida”, que uma sociedade consome, depende, em certa proporção, da perícia, destreza e tirocínio – skill, dexterity, and judgement – no trabalho que é aplicado a essa produção (1776, I, 1); mas foi Silva Lisboa quem sofisticou tal visão, ao propor que, na relação entre os diferentes volumes de riqueza das nações, caberia considerar a quantidade de trabalho e a quantidade de inteligência que a fundamentam. Tal concepção se aproxima bastante da visão que, na atualidade, economistas inovadores possuem a respeito do conhecimento como um elemento próprio e distinto dentre os fatores de produção, a chamada knowledge economics. Silva Lisboa inova sobre o sistema smithiano, ao considerar que a inteligência, nas operações da sociedade, representa quase tudo para a prosperidade e a ordem própria na vida do povo.
Esta análise disseca a trajetória de José da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu, sob uma perspectiva crítica que confronta sua vanguarda intelectual com o seu anacronismo político, situando-o como o elo perdido entre o iluminismo escocês e a formação econômica do Brasil.
Em 02 de maio de 2026, olhar para Cairu exige decodificar por que um homem que antecipou conceitos de knowledge economics (economia do conhecimento) foi relegado ao rótulo de "reacionário".
1. Decodificação: A "Inteligência" como Fator de Produção:
O texto destaca que Silva Lisboa "sofisticou" Adam Smith ao introduzir a "quantidade de inteligência" como pilar da riqueza.
- Tradução Analítica: Enquanto Smith focava na divisão do trabalho físico e na destreza mecânica (Wealth of Nations, 1776), Cairu percebeu que o valor agregado não advém apenas do esforço, mas do capital intelectual. Em termos modernos, ele estava descrevendo a inovação tecnológica e o know-how como motores de produtividade, séculos antes de essas teorias se tornarem o cânone do desenvolvimento no século XXI.
2. A "Facha de Luz" vs. O "Escravismo":
Há uma contradição fundamental no texto que merece um olhar crítico:
- Cairu é descrito como seguidor da "luz" de Smith e defensor do livre comércio para superar o "atraso do escravismo".
- Contraponto Crítico: Embora Silva Lisboa fosse um liberal na economia (defendendo a Abertura dos Portos em 1808), ele era um conservador orgânico na política. Sua fidelidade canina aos Braganças e seu papel como senador de D. Pedro I revelam o "Liberalismo à Brasileira": liberdade para as mercadorias, mas manutenção da hierarquia social e da mão de obra escravizada (visto que a abolição efetiva demoraria quase um século após seus escritos). Ele via a "ciência do legislador" como uma ferramenta de ordem, não de subversão social.
3. A Historiografia de José Honório Rodrigues:
O texto menciona que Cairu foi classificado na "linha reacionária e contrarrevolucionária".
- Análise: Essa classificação de 1988 reflete a tensão entre o pensamento econômico e a ação política. Cairu foi o intelectual que deu base teórica para o Brasil não se fragmentar em repúblicas (como a América Espanhola), mas essa estabilidade veio ao custo da preservação de estruturas coloniais. Ele era um "revolucionário do topo", que queria o progresso técnico inglês sem a desordem democrática francesa.
4. Silva Lisboa e o "Triunvirato" (Smith, Malthus, Ricardo):
A citação de Cairu sobre os "Triúnviros" revela seu esforço em elevar o Brasil ao debate acadêmico global da época. Ele não apenas traduzia; ele adaptava:
- O Problema da Distribuição de Ricardo: Ao citar Ricardo, Cairu demonstrava preocupação com a "Distribuição dos produtos". Contudo, na prática brasileira, essa distribuição permanecia concentrada na elite agrária, evidenciando o abismo entre sua obra teórica progressista e sua prática política servil.
5. Síntese Crítica: O Gênio Incompreendido ou o Ideólogo do Império?
Cairu sofre de uma "injustiça histórica" em termos de fama porque seu liberalismo não venceu. O Brasil seguiu o caminho do protecionismo e da industrialização dirigida a partir de meados do século XIX (como a Tarifa Alves Branco). Sua visão de um Brasil conectado ao mundo pelo livre comércio e pela "inteligência" foi sufocada pelo nacionalismo econômico.
* Conclusão: José da Silva Lisboa foi o primeiro brasileiro a entender que a riqueza de uma nação depende da sua capacidade cognitiva, e não apenas da extração de recursos. No entanto, sua incapacidade de romper com o absolutismo e o escravismo o tornou um "true believer" da monarquia, impedindo que sua genialidade econômica fosse celebrada fora dos círculos conservadores.
Fonte (IA Gemini):
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