Insistindo numa tarefa ainda não cumprida (não inteiramente):
Duvidas depois da meia-noite:
Uma pergunta sem resposta precisa: por que os poucos, pouquíssimos liberais brasileiros acabam marchando com a direita, por vezes até com a extrema-direita, que costuma ser estúpida, sórdida e canalha, em lugar de reforçar as tendências social-democráticas que existem na sociedade, mas estão dispersas e desorganizadas?
Por que? Por que?
Acham que a direita burra, e a extrema-direita burríssima vai respeitar seu liberalismo envergonhado?
Eu acho que vou parar de xingar a extrema-direita, deixar de criticar acerbamente a esquerda ingênua e comecar a escrever para os liberais desorganizados, não que eu seja um liberal experimentado, mas porque imagino que esses poucos liberais sejam um pouco mais inteligentes do que os extremos.
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5 junho 2026.
Nota adicional em 13/06/2026:
O eleitorado me parece mais pragmático do que iludido ou ideológico e parece pensar assim: os politicos, em geral, ou são incompetentes ou são corruptos (com várias exceções honradas), em todo caso pensam neles mesmos do que na comunidade que representam, e muito menos no país como um todo. O eleitor típico tende a votar, dentre os nomes mais propensos a ganhar, naquele que lhe parece o menos pior, por oscila, por vezes entre dois extremos populistas e demagogos, do que em algum nome que seria o ideal, mas que não tem chance de ganhar. “Por que vou desperdiçar o meu voto no aparentemente melhor, mas sem apoio suficiente para ganhar, quando minha única esperança é impedir o demagogo mais nocivo de levar a presidência por quatro anos?”
De fato, o eleitor médio pensa mais no presidente, do que nos parlamentares, quando o Brasil já deixou de ser puramente presidencialista, e passou a viver sob um parlamentarismo deformado, deficiente, dominado em grande medida por interesses rasteiros individuais, num aparelhamento por partidos dominados por caciques geralmente corruptos ou coniventes com a bandalheira generalizada, em meio a comportamentos predatórios por parte da alta tecnocracia, em especial a aristocracia do Judiciário que se locupleta com espertezas salariais que beiram a corrupção pura e simples.
E os supostos liberais (voltando ao objeto inicial desta postagem)?
Eles são tão poucos numa nação culturalmente patrimonialista, que não fazem muita diferença no domínio político-representativo, daí sua pouca expressão e dificuldades em se organizarem para constituir um polo de poder. Continuam a viver no mundo mais acadêmico do que prático, e vão ser minoritários pelo futuro indefinido.
Em todo caso, no que me concerne, vou continuar criticando tanto a esquerda ingênua quanto a extrema-direita estúpida, que me oarece muito mais perigosa, justamente por ser extremamente burra, preconceituosa, geralmente racista e possivelmente fanática, em busca de algum “salvador da pátria”, demagogo o suficiente para enganar os menos instruídos, os ingênuos e os desinformados.
Acredito que os liberais verdadeiros possuam sentimentos éticos, mas não dispõem de força politica suficiente para vencer eleições majoritárias, e continuam a ser minoritários até para eleger representantes mais condizentes com seus ideais parlamentaristas.
Paulo Roberto de Almeida
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