Olhando certas coisas pelo alto, e displicentemente:
Paulo Roberto de Almeida
O Brasil não é um fracasso total, a despeito das constantes reclamações da cidadania contra a inflação, os juros, a insegurança cidadã, a corrupção que vem pelo alto, das chamadas elites tecnocráticas e dos altos mandarins do Estado, dos parcos progressos em educação e muitas outras coisas mais que afetam cada um dos brasileiros, problemas que, em lugar de retroceder, como seria o normal, continuam se expandindo a um ritmo preocupante.
O Brasil tampouco é um sucesso confirmado, mesmo com exemplos de alto desempenho em vários setores da governança pública e das atividades privadas. Para ser um relativo sucesso, o Brasil precisaria triplicar a sua notória produtividade — o que depende basicamente de uma melhora radical nos padrões educacionais e na infraestrutura — assim como de muitos outros desempenhos na frente econômica, como dobrar ou triplicar a renda per capita, sem afetar o lado responsável das lides econômicas.
O Brasil é um meio termo, sem ilusões, dos dados relevantes sobre crescimento, emprego, educação ou segurança, progredindo menos do que outros paises ou regionais, na percepção do aumento do bem-estar e da satisfação com o progresso geral da sociedade e da nação.
Sem querer ofender meus colegas sociólogos — que teriam melhores explicações institucionais e estruturais sobre desempenho mediano — eu atribuiria esse estado de coisas, ou seja, a insuficiência do desenvolvimento geral do país, à mediocridade de nossas elites e ao caráter predatória da classe politica, sem esquecer o protecionismo renitente das chamadas classes produtoras.
Vou aperfeiçoar minhas razões para esse ceticismo em relação a nossas possibilidades de progressos reais em novas e ulteriores postagens.
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 14/06.2026
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