O tempora, o mores…
Paulo Roberto de Almeida
Antigamente, muito antigamente, na Velha República, os presidentes eram eleitos em eleições geralmente arranjadas pelas oligarquias regionais— os PRs estaduais — no mês de março a intervalos de quatro anos. Mas eles só tomavam posse em 15 de novembro.
Então, nos seis meses de espera, eles viajavam de navio para a Europa e aproveitavam para visitar banqueiros, com os quais eles renegociavam empréstimos, os famosos funding loans, ou pediam mais dinheiro e investimentos no Brasil para o seu quadriênio.
Jair Bolsonaro inaugurou a submissão voluntária ao Império, primeiro recebendo no RJ, ainda em dezembro de 2018, o conselheiro de Segurança Nacional de Trump 1, John Bolton, um conhecido falcão. Depois, após a posse, em fevereiro de 2019, sua primeira viagem foi à Florida, para prestar vassalagem ao desequilibrado presidente americano, antes de proferir o famoso “I love you Trump“, na ONU, em setembro do mexmo ano.
O filhote 01 inaugurou um outro tipo de vassalagem: ofereceu, assim que fosse eleito, em outubro deste ano, a vinda de uma equipe trumpista para participar do processo de transição para o seu hipotético governo. Uma submissão já prometida e decidida.
Como diria um outro candidato, “nunca antes neste pais” (agora sim, de verdade). Os Bolsonaros são da tese da servidão voluntária: eles querem se colocar a serviço de Trump 2.
Se for assim , prefiro a volta das eleições fraudadas da Velha República.
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 27/06/2026
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