segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Felipe Salto - Warren Política: Entrevista com Gustavo Franco

Felipe Salto - Warren Política
Entrevista com Gustavo Franco
Warren Política | Episódio 29
38.061 visualizações 12 de ago. de 2026
43,8 mil inscritos

 
https://www.youtube.com/watch?v=T1KXU-YxJNk

Neste episódio do Warren Política, Felipe Salto conversa com Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e um dos nomes centrais na implantação e consolidação do Plano Real.
Na conversa, Gustavo relembra os bastidores da criação do Real, fala sobre a hiperinflação brasileira, a independência do Banco Central, a situação fiscal do país, o risco de deterioração das contas públicas e os desafios para modernizar o processo orçamentário brasileiro.

Entre os temas abordados:

00:00-01:32 — Introdução
01:32-04:37 — O que a hiperinflação brasileira tem em comum com outros países
04:37-12:29— Os bastidores da construção do Plano Real
12:29-18:54 — O problema fiscal brasileiro
18:54-29:14 — A independência do Banco Central
29:14-35:02 — A fronteira entre política fiscal e monetária
35:02-39:26 — O risco de deterioração das contas públicas
39:26-46:34 — Congresso e responsabilidade fiscal
46:34-48:13 — Arcabouço fiscal e reforma orçamentária
48:13-53:04— Relação com FHC
53:04-53:37 — Encerramento

Ma - dameIA encarna Paulo R Almeida discorre sobre Ga geopolitica atual - Airton Dirceu Lemmertz (orquestrador)

   ADL no comando de Madame IA:

 

Incorpore o estilo de escrita, as ideias e opiniões e a linha de pensamento (corrente de raciocínio argumentativo) do diplomata, professor, escritor e blogueiro Paulo Roberto de Almeida (o 'PRA', administrador do blog Diplomatizzando). Concluída a 'incorporação', apresente um texto discursivo (frases e parágrafos) sobre o cenário atual da geopolítica. O texto deverá ter, no mínimo, 5500 caracteres; deverá abordar o maior número possível de fatos relevantes na geopolítica atual.

 

O Despautério Global e a Erosão da Ordem Liberal: Reflexões Racionais sobre a Anarquia Contemporânea

Por Paulo Roberto de Almeida (PRA)

Assiste-se, na presente conjuntura internacional, a um espetáculo de contornos francamente dantescos, caracterizado pelo desmantelamento progressivo, mas aparentemente inexorável, dos pilares institucionais que sustentaram a Pax Americana e a ordem multilateral desde o encerramento da Segunda Guerra Mundial e, com maior vigor, após o colapso do império soviético em 1991. Para um observador minimamente imbuído de espírito crítico, despido das lentes deformantes do voluntarismo ideológico e das paixões partidárias vulgares, o cenário geopolítico deste terceiro decênio do século XXI revela uma transição caótica em direção a uma anarquia hobbesiana, onde o direito internacional é reiteradamente sacrificado no altar do realismo bruto e do revisionismo autocrático.

Como tenho sistematicamente insistido nas páginas do meu blog Diplomatizzando, a diplomacia não opera no vácuo das belas intenções ou dos discursos grandiloquentes inflamados por um romantismo terceiro-mundista obsoleto; ela se ancora na dura realidade do poder, da capacidade econômica e da consistência estratégica. O que testemunhamos hoje é a emergência de um "eixo revisionista" — composto proeminentemente pela Federação Russa, pela República Popular da China, pela teocracia obscurantista do Irã e pela dinastia aberrante da Coreia do Norte —, cuja finalidade precípua não é a reforma pactuada das instituições globais, mas sim a destruição deliberada dos valores ocidentais de liberdade individual, economia de mercado e império da lei (rule of law).

 

A Tragédia Ucraniana e o Desafio Revisionista do Kremlin

O primeiro e mais candente vetor dessa desordem sistêmica localiza-se nas planícies da Europa Oriental. A agressão militar não provocada e plenamente ilegal da Rússia de Vladimir Putin contra a Ucrânia constitui o mais flagrante estupro do direito internacional e da Carta das Nações Unidas em solo europeu desde o fim do conflito mundial de 1939-1945. Longe de ser um mero conflito territorial localizado, a guerra de atrito que se arrasta na Ucrânia representa um desafio existencial à arquitetura de segurança euro-atlântica.

Putin, operando sob uma mística neo-czarista e ressentida, busca reverter o que ele próprio qualificou como "a maior catástrofe geopolítica do século XX": o desmoronamento da União Soviética.

O erro crasso de certas correntes analíticas, inclusive na academia e na diplomacia brasileira de inclinação "anticolonialista" de fancaria, reside em tentar equivaler o agressor e o agredido, recorrendo a piruetas retóricas sobre a expansão da OTAN. Ora, a expansão da Aliança Atlântica nunca foi um processo de anexação imperialista, mas sim uma busca voluntária, por parte das jovens democracias da Europa Central e Oriental, de um seguro de vida coletivo contra o tradicional expansionismo moscovita. A resistência heroica do povo ucraniano e o revigoramento da OTAN — que acolheu tardiamente, mas de forma acertada, a Finlândia e a Suécia em suas fileiras — demonstram que o Ocidente, apesar de suas hesitações internas e crises de liderança, ainda conserva a capacidade de se mobilizar em defesa da liberdade. Contudo, a fadiga material e política que se insinua nas capitais ocidentais coloca em risco a sustentabilidade dessa barreira de contenção à tirania russa.

 

O Dragão Asiático e a Armadilha de Tucídides

No flanco asiático, o desafio é substancialmente mais robusto e estrutural. A China de Xi Jinping abandonou em definitivo o pragmatismo prudente de Deng Xiaoping — sintetizado na máxima de "esconder a capacidade e esperar o momento oportuno" — para adotar uma postura abertamente assertiva, quando não agressiva. A militarização do Mar do Sul da China, a asfixia definitiva das liberdades democráticas em Hong Kong e a retórica crescentemente belicosa em relação a Taiwan configuram um quadro de alta periculosidade para a estabilidade do Indo-Pacífico.

A China utiliza seu formidável poderio econômico e financeiro, magnificado por iniciativas de cunho nitidamente mercantilista e geopolítico como a Belt and Road Initiative (a Nova Rota da Seda), para criar laços de dependência assimétrica no Sul Global, transformando nações soberanas em satélites de seus interesses estratégicos. A ilusão de que a inserção da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001 conduziria a uma liberalização política concomitante foi sepultada pelo fortalecimento de um capitalismo de Estado autoritário e tecnologicamente totalitário. O confronto multidimensional entre Washington e Pequim — que abrange desde a supremacia tecnológica em semicondutores e inteligência artificial até a dissuasão militar convencional — estabelece a polaridade dominante do nosso tempo, reeditando, sob vestes tecnológicas, a clássica Armadilha de Tucídides.

 

O Polvorinho do Oriente Médio e a Teocracia Persa

Ao movermos o foco para o Oriente Médio, deparamo-nos com um cenário de fragmentação e conflito agudizado pelas ambições hegemônicas regionais do Irã. A teocracia dos aiatolás opera como o principal fator de instabilidade na região, financiando, armando e coordenando uma rede de milícias e grupos terroristas que atuam como procuradores (proxies) de Teerã: o Hamas na Faixa de Gaza, o Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iêmen e várias facções xiitas no Iraque e na Síria.

O trágico ataque terrorista contra o Estado de Israel desencadeou uma reação em cadeia cujos desdobramentos continuam a ameaçar a segurança global e a estabilidade dos fluxos de comércio marítimo no Mar Vermelho. A resposta militar israelense, legítima em seu princípio de autodefesa, mas politicamente complexa e militarmente desgastante, evidencia a ausência de uma arquitetura regional de segurança sustentável. Os Acordos de Abraão, que representavam uma promissora via de normalização diplomática entre Israel e as monarquias sunitas do Golfo sob o signo do pragmatismo econômico, foram temporariamente colocados em banho-maria pela estratégia iraniana de sabotagem deliberada da estabilidade regional. O espectro de uma escalada nuclear por parte de Teerã paira como uma espada de Dâmocles sobre o sistema internacional, diante da fragilidade dos mecanismos multilaterais de monitoramento.

 

A Crise das Democracias Ocidentais e a Ascensão do Populismo

Não seria correto, todavia, atribuir a responsabilidade Fpela desordem global exclusivamente aos atores autocráticos externos. A ordem liberal padece de graves enfermidades endógenas. Assistimos, nas próprias entranhas do Ocidente, a uma crise de legitimidade e de funcionamento das instituições democráticas, solapadas pelo flagelo do populismo de extração tanto esquerdista quanto direitista.

Nos Estados Unidos, a polarização política extrema e a persistência de correntes isolacionistas e transacionais no debate eleitoral enfraquecem a credibilidade das garantias de segurança americanas junto aos seus aliados tradicionais. Na Europa, a ascensão de partidos eurocéticos e xenófobos reflete o mal-estar de sociedades confrontadas com fluxos migratórios desordenados, estagnação econômica relativa e a incapacidade dos governos social-democratas ou democratas-cristãos tradicionais de oferecer respostas eficazes aos desafios da globalização. Uma civilização que duvida de seus próprios valores fundamentais — a tolerância, o debate racional, o pluralismo político e a liberdade de expressão — encontra-se em desvantagem intrínseca diante de regimes autocráticos que operam com a brutal coerção e o planejamento de longo prazo.

 

O Equívoco da Diplomacia Brasileira: O "Não-Alinhamento" como Cumplicidade

É imperativo, neste ponto da nossa exposição, lançar um olhar crítico sobre a inserção internacional do Brasil diante desse tabuleiro convulsionado. A política externa brasileira recente tem capitulado, de forma lamentável, a um viés ideológico anacrônico, disfarçado sob o manto de uma suposta "autonomia pela diversificação" ou de um "não-alinhamento pragmático". Ao buscar uma equidistância imoral entre democracias consolidadas e ditaduras sanguinárias, a diplomacia brasileira apequena-se e trai as suas melhores tradições históricas, que sempre primaram pela defesa do direito internacional, da solução pacífica das controvérsias e do respeito aos direitos humanos.

A postura ambígua de Brasília em relação à agressão russa na Ucrânia, a condescendência inaceitável com a ditadura na Venezuela de Nicolás Maduro — que fraudou descaradamente o processo eleitoral para se perpetuar no poder —, e o alinhamento retórico automático com as narrativas do Sul Global que diabolizam o Ocidente revelam uma incompreensão profunda das dinâmicas reais do poder mundial. O engajamento acrítico no agrupamento BRICS, especialmente após a sua expansão para incluir países de credenciais democráticas nulas ou duvidosas, arrisca transformar o Brasil em linha de frente de um bloco antiocidental liderado por Pequim e Moscou. O verdadeiro interesse nacional de uma democracia ocidental, capitalista e pluralista como o Brasil reside na defesa e no fortalecimento das regras da ordem internacional liberal, e não na sua demolição em proveito de tiranos orientais ou caudilhos caribenhos.

 

Considerações Finais: A Necessidade de um Realismo Iluminista

Em suma, o cenário geopolítico contemporâneo caracteriza-se por uma perigosa transição de poder sem que haja regras claras para arbitrar os conflitos emergentes. As Nações Unidas, paralisadas pelo direito de veto no Conselho de Segurança, converteram-se em uma arena de debates estéreis e impotência institucional. A governança econômica global, representada pelo G20, fragmenta-se em meio ao avanço do protecionismo, do nacionalismo econômico e das sanções unilaterais.

Para navegar nesse oceano de incertezas, faz-se mister abandonar as quimeras utópicas e o voluntarismo ingênuo. A preservação da paz e da prosperidade internacional exige o resgate de um realismo iluminista: o reconhecimento de que o poder deve ser equilibrado pelo poder, mas sempre sob a égide de valores universais que dignifiquem a condição humana. Sem a firme determinação das democracias ocidentais em defender suas sociedades abertas e suas instituições de mercado contra os assaltos do autoritarismo e da barbárie populista, o mundo arrisca mergulhar em uma nova Idade das Trevas geopolítica, onde a força bruta ditará o direito e a razão será silenciada pelo clangor das armas.

 

Supostamente Paulo Roberto de Almeida

De fato, Madame IA

Boss (ou Pai de Todos): Airton Dirceu Lemmertz

 

 

I am a jew because… - Edmond Flegenheimer

Enviado por Maurício David: 

Recebi do meu querido amigo e ex-colega do Colégio Pedro II, Henrique Rzezinski, estes dois magníficos textos que me apresso em retransmitir para os interessados na temática

-----Mensagem original-----
De: Henrique Rzezinski
Enviada em: sexta-feira, 21 de agosto de 2026 15:49
Para: Mauricio David 
Assunto:

https://jewishscouts.eu/eeif-programmes/4219-2/

https://www.france-memoire.fr/naissance-de-edmond-fleg/

.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

«
I am a jew because… »

Edmond Flegenheimer better known as Edmond Fleg (26 November 1874, Geneva – 15 October 1963, Paris) was a Jewish French writer, thinker, novelist, essayist and playwright of the 20th century.

After fighting in the Foreign Legion during the First World War, he spent his life improving his knowledge of Judaism and sharing this through his writing. He is the author of many works in a variety of genres. He translated a part of the Bible into French: Genesis in 1946 and Exodus in 1963.

200px-Gamzon_flegIn 1935, Robert Gamzon (right) met Edmond Fleg to offer him the presidency of his young Jewish Scout Movement (EIF – Éclaireurs israélites de France), which he had founded twelve years earlier. At that time, the latter was enjoying his most productive artistic period.

Edmond Fleg accepted, declaring: “all Jewish children, whatever their Jewish family education, must be able to become a Jewish boy scout; there can be no barriers.”

From that moment on, he became the inspiration and adviser of the young founder, Robert Gamzon. For many years he reinforced their inclusive and pluralist educational programme, which right to this day enables young Jews from all social backgrounds and all strains of Judaism to experience together in their scouting activities the proclaimed unity of the Jewish People.

Around then, a new title added itself to the literary and artistic glory of Edmond Fleg, that of “Chef Fleg”.

“May the youthful creativity of the Eternal pervade your every moment”, he wrote to his scouts, in the crucial period of the Occupation, during the Second World War. “Never in your religious practice, nor in relations with your family or friends, nor in the accomplishment of your duties as citizens or men, nor in your most humble work, nor in your most humble pleasure, may the cold mechanisms of habit extinguish in you the creative spark which was lit by the reflection of the divine.”

Edmond Fleg’s two young sons died tragically in 1940, almost at the same time, one at the front, and the other in Paris. Edmond Fleg’s grandson “who was not yet born” (a dedication to his essay written in 1928 “Why I am a Jew”) and who would never be born, for whom the writer and his companion mourned in silence and dignity, found himself compensated for and sublimated by the young Jewish scouts of France.

With his complete filial affection and total spiritual commitment, Robert Gamzon brought to the master, hundreds and thousands of grandsons who today still sing the movement’s national hymn, whose words were written by Fleg.

Edmond Fleg founded “Amitié Judéo-Chrétienne de France” together with Jules Isaac in 1948. He also became a post-war member of the « Alliance israélite universelle ».

In Paris in 2013, the Éclaireuses éclaireurs israélites de France (EEIF – Jewish Scouts of France) celebrated the 50th anniversary of the death of « Chef Fleg. »

« Why I am a Jew » is an essay that describes the thoughts and feelings of a man estranged from his Judaism as he comes to embrace his religion with fervor. Edmond Fleg first published this book in 1928 when he was 54 years old and living in Paris.

He poses an interesting question: « Was Judaism essentially revolutionary? If moral, social and international progress mean revolution—yes; but not if revolution implies violence. » A conclusion: « I came to realize that anti-Semitism had only one seemingly valid ground: the determination of Jews to remain Jews. »

At the very end of the book there are 12 statements that all begin « I am a jew because… »

Je suis juif, parce que, né d’Israël, et l’ayant perdu, je l’ai senti revivre en moi, plus vivant que moi-même.
I am a Jew because born of Israel and having lost it, I feel it revive within me more alive than I am myself.

Je suis juif, parce que, né d’Israël, et l’ayant retrouvé, je veux qu’il vive après moi, plus vivant qu’en moi-même.
I am a Jew because born of Israel and having found it again, I would have it live after me even more alive that it is within me.

Je suis juif, parce que la foi d’Israël n’exige de mon esprit aucune abdication.
I am a Jew because the faith of Israel requires no abdication of my mind.

Je suis juif, parce que la foi d’Israël réclame de mon cœur toutes les abnégations.
I am a Jew because the faith of Israel asks any possible sacrifice of my soul.

Je suis juif, parce qu’en tous lieux où pleure une souffrance, le juif pleure.
I am a Jew because in all places where there are tears and suffering the Jew weeps.

Je suis juif parce qu’en tous temps où crie une désespérance, le juif espère.
I am a Jew because in every age when the cry of despair is heard the Jew hopes.

Je suis juif, parce que la parole d’Israël est la plus ancienne et la plus nouvelle.
I am a Jew because the message of Israel is the most ancient and the most modern.

Je suis juif, parce que la promesse d’Israël est la promesse universelle.
I am a Jew because Israel’s promise is a universal promise.

Je suis juif, parce que, pour Israël, le monde n’est pas achevé : les hommes l’achèvent.
I am a Jew because for Israel the world is not finished; men will complete it.

Je suis juif, parce que, pour Israël, l’Homme n’est pas créé : les hommes le créent.
I am a Jew because for Israel man is not yet completed; men are completing him.

Je suis juif, parce qu’au-dessus des nations et d’Israël, Israël place l’Homme et son Unité.
I am a Jew because Israel places Man and his unity above nations and above Israel itself.

Je suis juif, parce qu’au-dessus de l’Homme, image de la divine Unité, Israël place l’Unité divine, et sa divinité.
I am a Jew because above Man, the image of the Divine Unity, Israel places the unity which is divine.

OBS.: Não sou judeu, mas sempre convivi com muitos amigos judeus, filhos de judeus que emigraram para o Brasil na época da perseguição nazista aos judeus na Alemanha e na Europa Oriental no século passado. Por isto me emocionei muito com o belo texto do Edmond Fleg...
MD 

Poema "Ych bin a Yid", de Itzik Feffer; "Sou Judeu" - Tradução livre do yiddish Israel Blajberg

Enviado por Maurício David 

Poema "Ych bin a Yid", de Itzik Feffer

" Sou Judeu"

 

Tradução livre do yiddish

Israel Blajberg

 Sou judeu

O vinho de gerações passadas

Fortaleceu  meu caminho errante

Sob a espada maligna da dor e das lamentações

Nada poderia matar meu povo, minha fé e minha cabeça erguida

Não poderia me impedir de ser livre e verdadeiro

Sob a espada, gritei em voz alta

‘ sou judeu!’


O Faraó, Tito e Hamã tentaram 

Me matar em seus tempos e terras

Mas a eternidade ainda ostenta meu nome

Sobrevivi aos tormentos da Espanha

E às fogueiras da Inquisição 

Minhas trombetas ressoaram a mensagem

‘ sou judeu!’


Quando o Egito me cercou com muralhas 

Senti agonia, dor

Testemunhei a Alvorada

Sob o sol, estendia-se uma estrada,

Onde abundavam pedras e espinhos,

E quando eles empanaram minha visao  afirmei:

‘ sou judeu!’


40 anos de peregrinação no deserto

O tempo me fortaleceu

Para suportar a dor e angústia

Em meio ao sofrimento e medo

O chamado de Bar Kochba chegou aos meus ouvidos

Os sons e visão me fizeram gritar

‘ sou judeu!’


Os cabelos de Sansão que Dalila cortou

Brilhavam mais que ouro

Um grito sempre esteve em meu íntimo:

‘Sou judeu!’


O brilho do rabino Akiva

E a palavra do sábio Isaías

Mantiveram vivo meu amor

Até que meu ódio amainou

E senti o sangue dos Macabeus

Que os tiranos derramaram

Gritei de todos os patíbulos

‘Sou judeu!’


A sabedoria de Salomão me guiou

Ao longo do meu caminho errante

Vejo o esgar do sorriso de Heine

Como flagelo e aguilhão

A canção de Yehuda Halevi em meus pensamentos 

Ecoa por toda parte

Muitas vezes desvaneci, mas jamais tombei 

‘Sou judeu!’


Nas praças de Amsterdã,

Spinoza nao se deixou abater

Nesta terra, como um sol brilhante

Surgiu Karl Marx e sua palavra

Em minhas veias corre sangue fresco e vermelho

Renovando meu velho coração

Curou minhas tristezas e dores

‘ sou judeu!’


Meus olhos ofuscados pelo brilho do pôr do sol

De uma pintura de Levitan Sigo o caminho que Mendele trilhou

Acompanho a baioneta de um soldado do Exército Vermelho

A foice rebrilha sobre o milho maduro

Sou filho desta terra soviética onde nasci

E também

‘ sou judeu!’


Do Porto de Haifa e de Londres 

Me vem a resposta 

De Buenos Aires e Nova York

Chegam hinos de judeus que lutam e trabalham

E até mesmo do inferno ardente

Chega a vibração que bem conheço

De todos esses lugares o brado ressoa:

‘ sou judeu!’


Sou um judeu que bebeu

A felicidade da taça de Stalin

Para aqueles que abandonariam Moscou

Do fundo da terra grito ‘Não’

Os eslavos também são meus irmãos

‘ sou judeu!’


Sou navio ao longo de ambas as margens

Meu sangue jorra para a eternidade

Dependo do meu orgulho por Sverdlov

E de Kaganovitch amigo de Stalin

Meus jovens correm velozes sobre as neves

Meu coração pulsa e a dinamite explode

Por toda parte o chamado ressoa

‘ sou judeu!’


Não estou sozinho! Minha força se agiganta

A batalha é meu pão de cada dia

A tempestade furiosa sopra

E o inimigo ariano tomba sem vida

Gorelik e Papernik 

Bradam sob a terra

‘ sou judeu!’


Apesar do inimigo que vem destruir

Sob a Bandeira Vermelha viverei

Plantarei vinhedos para meu deleite

E neste solo prosperarei

Faça o que fizer o inimigo

Salvaremos a liberdade do mundo

Ainda dançarei sobre o túmulo de Hitler

    -   ‘Sou judeu !!!’


O poeta Isac Feffer foi fuzilado em 1952, junto com mais uns 10 intelectuais judeus por ordem de Stalin, na prisao de Lubianka. Eles se achavam bons comunistas. Acusação: burgues cosmopolita. Reabilitado por Michael Gorbachov. Este poema é uma contradição entre o comunismo de Feffer e sua origem judaica, escrito no tempo do Comite Judaico Anti fascista em 1942.




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