ADL no comando de Madame IA:
Incorpore
o estilo de escrita, as ideias e opiniões e a linha de pensamento (corrente de
raciocínio argumentativo) do diplomata, professor, escritor e blogueiro Paulo
Roberto de Almeida (o 'PRA', administrador do blog Diplomatizzando). Concluída
a 'incorporação', apresente um texto discursivo (frases e parágrafos) sobre o
cenário atual da geopolítica. O texto deverá ter, no mínimo, 5500 caracteres;
deverá abordar o maior número possível de fatos relevantes na geopolítica
atual.
O
Despautério Global e a Erosão da Ordem Liberal: Reflexões Racionais sobre a
Anarquia Contemporânea
Por
Paulo Roberto de Almeida (PRA)
Assiste-se,
na presente conjuntura internacional, a um espetáculo de contornos francamente
dantescos, caracterizado pelo desmantelamento progressivo, mas aparentemente
inexorável, dos pilares institucionais que sustentaram a Pax Americana e
a ordem multilateral desde o encerramento da Segunda Guerra Mundial e, com
maior vigor, após o colapso do império soviético em 1991. Para um observador
minimamente imbuído de espírito crítico, despido das lentes deformantes do
voluntarismo ideológico e das paixões partidárias vulgares, o cenário
geopolítico deste terceiro decênio do século XXI revela uma transição caótica
em direção a uma anarquia hobbesiana, onde o direito internacional é
reiteradamente sacrificado no altar do realismo bruto e do revisionismo autocrático.
Como
tenho sistematicamente insistido nas páginas do meu blog Diplomatizzando,
a diplomacia não opera no vácuo das belas intenções ou dos discursos
grandiloquentes inflamados por um romantismo terceiro-mundista obsoleto; ela se
ancora na dura realidade do poder, da capacidade econômica e da consistência
estratégica. O que testemunhamos hoje é a emergência de um "eixo
revisionista" — composto proeminentemente pela Federação Russa, pela
República Popular da China, pela teocracia obscurantista do Irã e pela dinastia
aberrante da Coreia do Norte —, cuja finalidade precípua não é a reforma
pactuada das instituições globais, mas sim a destruição deliberada dos valores ocidentais
de liberdade individual, economia de mercado e império da lei (rule of law).
A
Tragédia Ucraniana e o Desafio Revisionista do Kremlin
O
primeiro e mais candente vetor dessa desordem sistêmica localiza-se nas
planícies da Europa Oriental. A agressão militar não provocada e plenamente
ilegal da Rússia de Vladimir Putin contra a Ucrânia constitui o mais flagrante
estupro do direito internacional e da Carta das Nações Unidas em solo europeu
desde o fim do conflito mundial de 1939-1945. Longe de ser um mero conflito
territorial localizado, a guerra de atrito que se arrasta na Ucrânia representa
um desafio existencial à arquitetura de segurança euro-atlântica.
Putin,
operando sob uma mística neo-czarista e ressentida, busca reverter o que ele próprio
qualificou como "a maior catástrofe geopolítica do século XX": o
desmoronamento da União Soviética.
O
erro crasso de certas correntes analíticas, inclusive na academia e na
diplomacia brasileira de inclinação "anticolonialista" de fancaria,
reside em tentar equivaler o agressor e o agredido, recorrendo a piruetas
retóricas sobre a expansão da OTAN. Ora, a expansão da Aliança Atlântica nunca
foi um processo de anexação imperialista, mas sim uma busca voluntária, por
parte das jovens democracias da Europa Central e Oriental, de um seguro de vida
coletivo contra o tradicional expansionismo moscovita. A resistência heroica do
povo ucraniano e o revigoramento da OTAN — que acolheu tardiamente, mas de
forma acertada, a Finlândia e a Suécia em suas fileiras — demonstram que o
Ocidente, apesar de suas hesitações internas e crises de liderança, ainda
conserva a capacidade de se mobilizar em defesa da liberdade. Contudo, a fadiga
material e política que se insinua nas capitais ocidentais coloca em risco a
sustentabilidade dessa barreira de contenção à tirania russa.
O
Dragão Asiático e a Armadilha de Tucídides
No
flanco asiático, o desafio é substancialmente mais robusto e estrutural. A
China de Xi Jinping abandonou em definitivo o pragmatismo prudente de Deng
Xiaoping — sintetizado na máxima de "esconder a capacidade e esperar o
momento oportuno" — para adotar uma postura abertamente assertiva, quando
não agressiva. A militarização do Mar do Sul da China, a asfixia definitiva das
liberdades democráticas em Hong Kong e a retórica crescentemente belicosa em
relação a Taiwan configuram um quadro de alta periculosidade para a
estabilidade do Indo-Pacífico.
A
China utiliza seu formidável poderio econômico e financeiro, magnificado por
iniciativas de cunho nitidamente mercantilista e geopolítico como a Belt and
Road Initiative (a Nova Rota da Seda), para criar laços de dependência
assimétrica no Sul Global, transformando nações soberanas em satélites de seus
interesses estratégicos. A ilusão de que a inserção da China na Organização
Mundial do Comércio (OMC) em 2001 conduziria a uma liberalização política
concomitante foi sepultada pelo fortalecimento de um capitalismo de Estado
autoritário e tecnologicamente totalitário. O confronto multidimensional entre Washington
e Pequim — que abrange desde a supremacia tecnológica em semicondutores e
inteligência artificial até a dissuasão militar convencional — estabelece a
polaridade dominante do nosso tempo, reeditando, sob vestes tecnológicas, a
clássica Armadilha de Tucídides.
O
Polvorinho do Oriente Médio e a Teocracia Persa
Ao
movermos o foco para o Oriente Médio, deparamo-nos com um cenário de fragmentação
e conflito agudizado pelas ambições hegemônicas regionais do Irã. A teocracia
dos aiatolás opera como o principal fator de instabilidade na região,
financiando, armando e coordenando uma rede de milícias e grupos terroristas
que atuam como procuradores (proxies) de Teerã: o Hamas na Faixa de
Gaza, o Hezbollah no Líbano, os Houthis no Iêmen e várias facções xiitas no
Iraque e na Síria.
O
trágico ataque terrorista contra o Estado de Israel desencadeou uma reação em
cadeia cujos desdobramentos continuam a ameaçar a segurança global e a
estabilidade dos fluxos de comércio marítimo no Mar Vermelho. A resposta
militar israelense, legítima em seu princípio de autodefesa, mas politicamente
complexa e militarmente desgastante, evidencia a ausência de uma arquitetura
regional de segurança sustentável. Os Acordos de Abraão, que representavam uma
promissora via de normalização diplomática entre Israel e as monarquias sunitas
do Golfo sob o signo do pragmatismo econômico, foram temporariamente colocados
em banho-maria pela estratégia iraniana de sabotagem deliberada da estabilidade
regional. O espectro de uma escalada nuclear por parte de Teerã paira como uma
espada de Dâmocles sobre o sistema internacional, diante da fragilidade dos
mecanismos multilaterais de monitoramento.
A
Crise das Democracias Ocidentais e a Ascensão do Populismo
Não
seria correto, todavia, atribuir a responsabilidade Fpela desordem global
exclusivamente aos atores autocráticos externos. A ordem liberal padece de
graves enfermidades endógenas. Assistimos, nas próprias entranhas do Ocidente,
a uma crise de legitimidade e de funcionamento das instituições democráticas,
solapadas pelo flagelo do populismo de extração tanto esquerdista quanto
direitista.
Nos
Estados Unidos, a polarização política extrema e a persistência de correntes isolacionistas
e transacionais no debate eleitoral enfraquecem a credibilidade das garantias de
segurança americanas junto aos seus aliados tradicionais. Na Europa, a ascensão
de partidos eurocéticos e xenófobos reflete o mal-estar de sociedades
confrontadas com fluxos migratórios desordenados, estagnação econômica relativa
e a incapacidade dos governos social-democratas ou democratas-cristãos
tradicionais de oferecer respostas eficazes aos desafios da globalização. Uma
civilização que duvida de seus próprios valores fundamentais — a tolerância, o
debate racional, o pluralismo político e a liberdade de expressão — encontra-se
em desvantagem intrínseca diante de regimes autocráticos que operam com a
brutal coerção e o planejamento de longo prazo.
O
Equívoco da Diplomacia Brasileira: O "Não-Alinhamento" como
Cumplicidade
É
imperativo, neste ponto da nossa exposição, lançar um olhar crítico sobre a
inserção internacional do Brasil diante desse tabuleiro convulsionado. A
política externa brasileira recente tem capitulado, de forma lamentável, a um
viés ideológico anacrônico, disfarçado sob o manto de uma suposta
"autonomia pela diversificação" ou de um "não-alinhamento pragmático".
Ao buscar uma equidistância imoral entre democracias consolidadas e ditaduras
sanguinárias, a diplomacia brasileira apequena-se e trai as suas melhores tradições
históricas, que sempre primaram pela defesa do direito internacional, da
solução pacífica das controvérsias e do respeito aos direitos humanos.
A
postura ambígua de Brasília em relação à agressão russa na Ucrânia, a condescendência
inaceitável com a ditadura na Venezuela de Nicolás Maduro — que fraudou
descaradamente o processo eleitoral para se perpetuar no poder —, e o alinhamento
retórico automático com as narrativas do Sul Global que diabolizam o Ocidente
revelam uma incompreensão profunda das dinâmicas reais do poder mundial. O engajamento
acrítico no agrupamento BRICS, especialmente após a sua expansão para incluir
países de credenciais democráticas nulas ou duvidosas, arrisca transformar o
Brasil em linha de frente de um bloco antiocidental liderado por Pequim e
Moscou. O verdadeiro interesse nacional de uma democracia ocidental,
capitalista e pluralista como o Brasil reside na defesa e no fortalecimento das
regras da ordem internacional liberal, e não na sua demolição em proveito de
tiranos orientais ou caudilhos caribenhos.
Considerações
Finais: A Necessidade de um Realismo Iluminista
Em
suma, o cenário geopolítico contemporâneo caracteriza-se por uma perigosa
transição de poder sem que haja regras claras para arbitrar os conflitos
emergentes. As Nações Unidas, paralisadas pelo direito de veto no Conselho de
Segurança, converteram-se em uma arena de debates estéreis e impotência
institucional. A governança econômica global, representada pelo G20,
fragmenta-se em meio ao avanço do protecionismo, do nacionalismo econômico e
das sanções unilaterais.
Para
navegar nesse oceano de incertezas, faz-se mister abandonar as quimeras
utópicas e o voluntarismo ingênuo. A preservação da paz e da prosperidade
internacional exige o resgate de um realismo iluminista: o reconhecimento de
que o poder deve ser equilibrado pelo poder, mas sempre sob a égide de valores
universais que dignifiquem a condição humana. Sem a firme determinação das
democracias ocidentais em defender suas sociedades abertas e suas instituições
de mercado contra os assaltos do autoritarismo e da barbárie populista, o mundo
arrisca mergulhar em uma nova Idade das Trevas geopolítica, onde a força bruta
ditará o direito e a razão será silenciada pelo clangor das armas.
Supostamente
Paulo Roberto de Almeida
De
fato, Madame IA
Boss
(ou Pai de Todos): Airton Dirceu Lemmertz