Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
domingo, 9 de agosto de 2026
Homenagem aos pais, no seu dia, por João Rego (Revista Será?)
Singela homenagem afetiva do editor da revista Será?, no seu dia, que partilho a seguir:
*UM PAI*
João Rego
Perdi meu pai de forma abrupta e precoce quando eu tinha 13 anos. Ele, aos 45, morreu de um infarto fulminante. Mas o pouco tempo que convivemos formou em mim uma sólida base afetiva, construída pelo sentimento de proteção e pelo carinho que ele me dedicava. Levei muitos anos para conseguir escavar essas memórias que habitavam em mim — vivas e atuantes na formação do adulto que me tornei, embora ainda inacessíveis à minha consciência.
Como um mecanismo natural de minha relação com a vida, fui, pela via da identificação, “encontrando” outros pais ao longo do caminho. Um deles, talvez um dos mais importantes, foi meu sogro, que tinha a mesma generosidade e o mesmo sentimento de proteção.
A função primordial de um pai, seja ele biológico ou adotivo — homem ou mulher —, é proporcionar ao filho, pelas poderosas vias do afeto, acolhimento, proteção e amor incondicional. Muitas vezes, esses vínculos afetivos se revelam mais poderosos do que os próprios laços biológicos.
Trata-se de um exercício contínuo, voltado a ajudar o filho a dar os primeiros passos na vida e a acompanhá-lo mesmo quando o tempo e a distância já nos mostram que ele segue seu caminho por seus próprios meios.
Assim, os filhos transformam-se em “patrimônios vivos” de nossa existência e constituem fortes elos da complexa e misteriosa cadeia da vida, que segue seu inexorável fluxo, tecendo o futuro.
Minha homenagem a todos e a todas que exercem essa função paterna, independentemente dos recursos de que dispõem e dos obstáculos que a vida, tantas vezes de forma tão desigual, lhes impõe.
Recife, 9 de agosto de 2026
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