Paulo Roberto de Almeida
Lula não se parece em quase nada com Trump, ou nada mesmo. Para ser mais preciso, eles estão nas antípodas, em extremos opostos, no que se refere a concepções politicas, sociais, econômicas, culturais, enfim, em tudo o que conta de significativo em gostos ou preferências.
Uma coisa porém os une, de uma maneira indefectível, e até surpreendente.
Essa coisa é uma extrema deferência para com Putin. Ambos, a despeito de muito diferentes em todas as outras coisas, se sentem muito próximos do lider russo, mais exatamente do tirano de Moscou.
Trump faz tudo para não descontentar o ditador pós- (ou pró-)soviético, e até quis ajudá-lo a ficar com 1/5 da Ucrânia, e tem vetado qualquer suprimento de armas diretamente às FFAA ucranianas, apenas para defesa, não para ataque.
Lula tem sido, desde antes mesmo de assumir o seu terceiro mandato, um apoiador ovjetivo e deliberado do esforço de guerra russo na agressão à Ucrânia, tendo, por exemplo, aumentado exponencialmente as importações de fertilizantes e combustíveisda Rússia. Ele até cogitou retirar o Brasil do TPI, apenas para poder receber o terrorista russo no Brasil. Não foi possível (pois mesmo no caso de abanfono do TPI, seus deveres e obrigações permanecem por um ou dois anos), mas tratou de visitar seu amigo na Praça Vermelha, para o desfile dos 80 anos do final da Grande Guerra Patriótica contra o agressor e ocupante nazista (mas esquecendo completamente a aliança com a Alemanha nazista até 1941).
Lula pode ignorar por completo essas coisas, mas a diplomacia profissional poderia lembrá-lo de todos crimes de guerra e contra a humanidade perpetrados por Putin na Ucrânia, assim como das atrocidades cometidas pela Rússia todos os dias contra alvos e pessoas civis, uma campanha de puro terror.
A diplomacia do Itamaraty sabe de tudo isso, mas não consegue emitir uma simples notinha de comiseração pelos terriveis ataques lançados cotidianamente contra a população civil ucraniana, assim como Lula vetou, desde o inicio, até a venda de ambulâncias blindadas, que já tinham A concordância do Exército e do próprio Itamaraty.
Não há nenhuma dúvida quanto a isso: por mais diferentes e até opostos que sejam Trum e Lula, ambos possuem uma secreta e muito estranha fascinação pelo tirano de Moscou. As razões de Lula são quase evidentes, para quem conhece o seu pensamento e a sua diplomacia muito personalista, certamente ideológica. As razões de Trump são mais obscuras, mas para alguns serviços de inteligência, ou para jornalistas atilados, elas são mais do que evidentes.
Como diria um poeta, simpatia é quase amor. Uma coisa estranha mesmo…
Para mim, como diplomata, que Trump ajude voluntariamente Putin e também a Xi Jinping, mas involuntariamente e indiretamente, acho estranho, mas isso pode acontecer no mundo dos loucos.
Que Lula, do seu lado, ajude objetivamente um criminoso de guerra e violador da Carta da ONU, isso já me é insuportável e até inaceitável no plano mais rasteiro da credibilidade internacional da diplomacia brasileira, da própria dignidade politica e do respeito ao direito humanitário.
Com meu sentimento de consternação pelos colegas da ativa, que compreendem exatamente o que isso significa para a respeitabilidade de nossos valores e princípios, até constitucionais…
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 24 de agosto de 2026
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