Brincando de Arnold Toynbee
Paulo Roberto de Almeida
Não tenho grandes teorias históricas a oferecer, mas tenho a impressão de que grandes impérios — que continuam a perecer, segundo um famoso historiador francês, Jean-Baptiste Duroselle — acabam sendo levados ao declínio e a graves crises transformadoras (como a Grande Guerra de 1914-1918, seminal para o resto do século XX) pelo fato de serem dominados, numa certa etapa de seus itinerários respectivos, por líderes muito velhos, mas ainda ambiciosos.
Parece ser exatamente o caso de dois autocratas megalomaníacos, como Trump e Putin, mas não parece ser ainda o caso de Xi Jinping, imperial despótico como possa ser, mas auxiliado por uma tecnocracia weberiana-smithiana de muito boa qualidade.
Pode ser que estejamos no limiar de um desses processos seminais de mudança nas relações internacionais, que um outro grande historiador francês, Ernest Labrousse, chamou de “conjuntura histórica de transformação”, como foram as revoluções atlânticas do século XVIII.
Quem viver verá! Eu só espero as derrotas de Trump e de Putin, para expressar um pouco de otimismo a respeito de um começo de século que ameaça inaugurar uma nova conjuntura labrousseana.
PRA (30/08/2026)
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