As maiores cargas fiscais do planeta, dentre os membros da OCDE. O Brasil, fora da OCDE, se situa exatamente na média da OCDE, em completa disparidade em relação a países comparáveis ( mais de dez pontos acima de México, Colômbia, Chile e EUA), com uma renda per capita cinco ou seis vezes menor do que a média da OCDE.
Temas de relações internacionais, de política externa e de diplomacia brasileira, com ênfase em políticas econômicas, viagens, livros e cultura em geral. Um quilombo de resistência intelectual em defesa da racionalidade, da inteligência e das liberdades democráticas. Ver também minha página: www.pralmeida.net (em construção).
terça-feira, 23 de junho de 2026
Auge e declínio do lulopetismo diplomático: um depoimento pessoal - Paulo Roberto de Almeida
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 23/06/2026
2999. “Auge e declínio do lulopetismo diplomático: um depoimento pessoal”, Brasília, 22 junho 2016, 18 p.; revisto: 26/06/2016: 19 p. Artigo elaborado para a seção “Contribuição Especial” da Mural Internacional, revista eletrônica semestral do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro); em 1/07/2016 fui comunicado que o “conselho editorial da revista achou que a contribuição estava muito forte podendo causar algum transtorno para a revista que, a priori, não segue nenhuma linha política.” Divulgado no blog Diplomatizzando com nova introdução, em 15/08/2016 (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/08/auge-e-declinio-do-lulopetismo.html
Auge e declinio do lulopetismo diplomatico: um depoimento pessoal - Paulo Roberto de Almeida
Como eu acho ser do meu dever denunciar todos os "malfeitos" da organização criminosa que assaltou o Brasil em 2003, e que estava corrompendo, fraudando, desmantelando as instituições e praticamente destruindo a economia brasileira, por inépcia ou roubo direto, tendo inclusive deformado a política externa, creio ser útil transcrever novamente este texto-denúncia, uma vez que persiste a propaganda viciosa dos aliados da causa espúria e dos "gramscianos de academia" contra o que eles chamam de "golpe da direita".
Golpe é o que os neobolcheviques mafiosos aplicaram contra toda a sociedade brasileira.
Estou apenas denunciando os crimes cometidos contra a nação.
Como escreveu meu amigo de longa data, dos meus tempos de exílio voluntário na Bélgica, Ary Oliveira: "O lulopetismo destruiu politica, economica e moralmente o Brasil. O lulopetismo diplomático o destruiu diplomaticamente."
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 15 de agosto de 2016
Dez anos de Diplomatizzando, quinze blogs em treze anos... - Paulo Roberto de Almeida
No momento em que comemoro os 20 anos do Diplomatizzando, reencontro uma postagem sobre os seus primeiros dez anos:
2998. “Dez anos de Diplomatizzando, quinze blogs em treze anos...”, Brasília, 19 junho 2016, 5 p. Balanço dos diversos blogs, com destaque para este, que completou 10 anos de atividades constantes neste dia 17 de junho, ao lado de diversos outros blogs antecessores ou especializados por áreas. Postado no Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/06/dez-anos-de-diplomatizzando-quinze.html
Dez anos de Diplomatizzando, quinze blogs em treze anos...
Paulo Roberto de Almeida
(http://diplomatizzando.blogspot.com)
[Balanço geral da escrevinhação, contabilidade do Diplomatizzando]
http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/06/dez-anos-de-diplomatizzando-quinze.html
Eu me defino como um “escrevinhador”, ou seja, alguém que vive, não da escrita, mas pela escrita, com a escrita, para a escrita, isso como resultado de muita leitura, pois eu também sou alguém que vive com os livros, pelos livros, para os livros. Ambas atividades, ou posturas, são inseparáveis, totalmente indissociáveis, e entre as duas perpassa uma postura de constante reflexão, que parte da observação das coisas da vida, do panorama comparado do que fazem os países, do que eles fizeram ao longo da história, e que também se combina com uma outra atitude minha: a anotação constante das coisas que leio, das que observo, que atiçam minha atenção, que despertam minha inteligência e que me levam aos caminhos de mais leituras e mais escrevinhação.
Numa primeira fase da vida, na era AC, ou seja, antes dos computadores, a escrita constituía o que o nome diz: caligrafia própria em cadernos de notas, diversos, muitos, sucessivos, numa determinada etapa divididos nas várias áreas das humanidades (história, sociologia, antropologia, marxismo, Brasil etc.), um pouco mais tarde, por meio de máquinas de escrever. Meu maior investimento nessa era AC foi a aquisição de uma IBM elétrica de esfera, que junto com uma copiadora xerox, ambas para fazer a tese de doutoramento, me custaram tanto quanto um carro usado, a preços de Suíça.
Depois veio a era DC, depois do computador, e todos eles foram Apple: por uma espécie de pecado original, sempre fui um macmaníaco exclusivo e excludente, e isso aumentou tremendamente a minha produtividade. Hesitei muito antes de investidor no meu primeiro computador, também na Suíça (mas já numa segunda estada), e ele deve ter custado quase tanto quanto um outro carro usado: era um MacIntosh Plus de segunda mão, no qual tudo tinha de caber dentro de um disquete de 720 kb. Uma limitação terrível para quem, como eu, que sempre escreveu demais, e não podia mesmo caber num simples disquete. Meu segundo investimento nessa fase, portanto, ainda no mesmo ano de 1987, foi a compra de um disco rígido externo, quando descobri que a Irlanda, que até pouco antes parecia relativamente pobre, mas tinha se transformado numa espécie de zona franca de acessórios de informática.
A escrevinhação aumentou de forma exponencial a partir de então, dispensando completamente os cadernos manuscritos para passar aos arquivos de computador (em diversos processadores de texto, antes de aderir, enfim, ao inevitável Microsoft Word do desprezado Bill Gates). O computador aumenta a produtividade, mas também facilita aquele velho princípio do Lavoisier, segundo o qual trabalhos antigos são reciclados na base do “save as” ou do “copy and paste”. Mas esta é outra questão, neste balanço de uma outra questão, a passagem a outra era da minha escrevinhação: a divulgação dos trabalhos em suportes cibernéticos, via internet, o que até meados dos anos 1990 era feita exclusivamente por meio de correio eletrônico ou de de sites improvisados.
Eu ingressei na era da internet, AI, um pouco tardiamente, só no início dos anos 1990, na passagem de Montevidéu, até o início de 1992, para Paris, em setembro de 1993, com uma curta estada em Brasília no meio. Ainda na base do acesso discado, com as dificuldades que se conhecem, e navegando lentamente pelo Netscape, o padrão e quase único software de navegação da então nascente world wide web. Logo em seguida, começaram ofertas de hospedagem gratuita, tipo Geocities, Tripod e outros do gênero. Demoraram vários anos ainda para que eu criasse o meu próprio domínio, e encontrasse meu próprio provedor de hospedagem, não que eu fosse um conservador por natureza, ou arredio a novas tecnologias, mas é que sempre recusei ler manuais e aprender linguagem html, ou de webdesign, mas isso foi feito, de alguma forma antes da virado do século, do milênio, do bug do ano 2000 (que não me impressionou muito).
O site individual não é exatamente uma forma de comunicação, apenas uma biblioteca aberta de forma passiva à informação, a partir da qual é possível, se assim decidido, repassar materiais a terceiros pela via do e-mail (o que nunca fiz), ou receber visitantes, que podem, ou não, deixar sua marca direta ou indireta no site. Acabei adotando essa TIC também de forma relutante, pois ela implica em certo trabalho de construção, administração, alimentação, e só o fiz para não ter de ficar respondendo individualmente às muitas demandas e questionamentos de leitores de meus trabalhos, geralmente a propósito do Mercosul, da integração regional, ou de temas de relações internacionais, de forma geral, ou de política externa e diplomacia brasileira, em especial. O material estava disponibilizado e cada um podia se servir à vontade, no formato de simples leitura ou no mais tradicional “copy and paste” para trabalhos de curso. Enfim, sites acadêmicos são feitos para isso mesmo.
A administração e a alimentação de um site pessoal requerem, entretanto, um trabalho adicional, para a transposição dos textos nos formatos adequados e o seu carregamento via ferramentas especializadas, a organização dentro do site, etc. Esse trabalho cansativo foi o que me motivou, também tardiamente, a adotar a tecnologia dos blogs, o que só feito no final de 2005, o primeiro blog, que levava o meu nome, num total de um dúzia deles, sucessivamente ou para finalidades específicas. Incompetente como sou na administração desse tipo de ferramenta, acabei abrindo novos blogs cada vez que o corrente apresentava algum problema de carregamento, além de outros que procurei reservar para determinadas áreas de especialização (resenhas de livros, textos de terceiros, eleições presidenciais, estada na China, quando não para os meus próprios livros ou meu itinerário intelectual).
O fato é que o blog Diplomatizzando, que sucedeu ao Diplomatizando, veio a luz num dia 17 de junho de 2006, tendo já completado, portanto, dez anos de vida, sem que outros tenham deixado de existir, e de coabitar nessa década, embora com cada vez menor recurso gradativamente. Se eu fizer a contagem das postagens exclusivamente neste blog principal, elas somaram, mais de 16.500, segundo a contagem do próprio blog, número que deve ser somado às postagens nos blogs anteriores, ou antecedentes (meu primeiro, sob o meu nome, um segundo, chamado de “Cousas Diplomáticas”, e um terceiro, já designado como “Diplomatizando”). Como eu tinha o cuidado de numerar cada postagem produzida, as postagens que antecederam este Diplomatizzando alcançaram um número aproximado de 487, o que daria, portanto, quase 17 mil inserções nesta sequência de blogs estritamente pessoais.
Se somo a isto todas as demais postagens em blogs paralelos, isto é, aqueles especializados (Vivendo com Livros, Textos, Book Reviews, DiplomataZ, Shanghai Express, Academia, e mais dois dedicados respectivamente às eleições de 2006 e de 2010), chego a uma totalização paralela superior a 2.800 postagens. Somando, portanto, esses números de postagens a todos as demais, chego à uma conta de quase 20 mil postagens desde dezembro de 2005, quando dei início a esta saraivada de materiais. Ainda que grande parte do material seja transcrição de imprensa, ou escritos diversos de terceiros, eles sempre exigem algum tratamento preliminar, leitura pelo menos rápida, para algum comentário inicial, e depois postagem. Tudo isso pode ser verificado no próprio blog Diplomatizzando, que traz a listagem de todos os blogs sob a minha exclusiva responsabilidade.
Trata-se, sem nenhuma dúvida, de um volume impressionante de produção, com comentários sempre substantivos, muitas ilustrações e um diálogo unilateral com meus leitores, que nunca me preocupei em ficar metrificando. Nessa produtividade cabe aliás contar uma outra parte da “escrevinhação”, que é as respostas que sempre procurei dar aos comentários feitos por leitores, sem esquecer as feitas através do site pessoal, onde também existe um formulário de contato, através do qual recebo perguntas, mensagens, que depois respondo por e-mail. Não posso assim, ser acusado de não ser um um prolífico "escrevinhador". Pois bem, vejamos isso agora.
Computando apenas meu blog Diplomatizzando, que teve início em 17 de junho de 2006, já com a marca de 486 postagens anteriores (ou seja, nos blogs antecedentes, como o Diplomatizando, com apenas um z, e dois outros, anteriores), ele marcava, na data de ontem, 18 de junho de 2016, isto é, dez anos e um dia depois, 16.693 postagens, o que dividido por 10 anos, ou 3.650 dias, indica uma produtividade de 4,7 postagens ao dia, ou cerca de 140 por mês no decurso dessa década.
Volto a lembrar que muitas dessas postagens foram constituídas a partir de materiais de terceiros, ou seja, transcrições de matérias da imprensa, relatórios, estudos, quaisquer tipos de informações que julgo interessantes do ponto de vista do meu “público” – geralmente estudantes e pesquisadores de relações internacionais e política externa do Brasil, com uma grande extensão a todas as áreas da política internacional e da economia mundial, latino-americana e brasileira – mas às quais eu sempre procurei agregar um comentário antecedendo a transcrição dessas matérias. Talvez um terço tenha sido de produção minha, também, de diversos tipos.
Em todas as minhas postagens, por mais leves ou anódinas que possam ter sido, procurei preservar um determinado padrão de qualidade, seja ao abordar reflexões sobre a vida diplomática até simples observações sobre a vida diária, livros e quaisquer outros temas que interessam à inteligência humana, numa linguagem que espero saborosa e ao mesmo tempo despretensiosa, refletindo certa cultura e algum refinamento intelectual, como seu reproduzisse uma espécie de equivalente digital dos antigos salões de debates do Ancien Régime, ou da République des Lettres.
Abandonei, quase completamente, todos os demais blogs, para concentrar-me quase exclusivamente no Diplomatizzando, mas ainda preciso fazer não só um balanço mais preciso de todos eles, como também empreender um esforço de recuperação de trabalhos relevantes, que não tenham sido recuperados nos meus registros de trabalhos originais. Penso isso, por exemplo, de muitos comentários a programas eleitorais a partir dos dois blogs de campanhas presidenciais, ou no blog Shanghai Express, quando me dediquei a entender a China por meio de comentários a materiais os mais diversos. Em outros termos, minha produção pode ainda aumentar, devido ao trabalho dos blogs, o que me parece natural, pois muitos comentários poderiam preencher páginas e páginas de escritos substantivos, mas que permaneceram inéditos, a não ser por essa via.
Mais recentemente, ano e meio para trás, acabei aderindo também a uma outra ferramenta, o Facebook, que evitei durante muito tempo, sempre sob a mesma escusa de não querer “perder tempo” com “fofoca”, ou material “sem valor”, para poder empregar o máximo de tempo na leitura de livros, jornais, revistas, e no meu vício eterno, a arte da escrevinhação. Mas todos somos obrigados a nos render, em algum momento a esse novo e universal instrumento, inclusive para poupar tempo, pois a ferramenta permite alguma assemblagem de notícias diversas que de outra forma precisariam ser buscadas a cada vez nos sites dos principais jornais e revistas: os colegas de Facebook acabam nos trazendo essas notícias já selecionadas, uma vez que se tenha selecionado os “bons amigos” e excluído os chatos e inconvenientes (e como os há no FB).
Por fim, não há como ignorar os instrumentos próprios de busca e recebimento de materiais diversos, os assembladores de notícias – tipo Feedly, por exemplo – ou os alertas que selecionamos segundo nossas próprias preferências: tenho vários conceitos ao abrigo do Google Alert: política externa brasileira, diplomacia brasileira, história diplomática etc. Não esquecer tampouco as assinaturas em listas especializadas, tipo história econômica, América Latina, e várias outras mais, ademais das remessas feitas por think tanks de minha escolha. Tudo isso conforma uma massa impressionante de materiais que entram continuamente em minha caixa de entrada, ou que pipocam o tempo todo na tela, chamando a atenção para “leitura imediata”. Last, but not the least, as mensagens das “amizades desconhecidas”, cultivadas por algum motivo qualquer nas mesmas ferramentas. Sempre existe algum material que encontra o caminho do blog Diplomatizzando.
Não tenho bolo ou velinhas para soprar pelo décimo aniversário deste meu blog, que já faz parte, acredito, da paisagem de diplomacia brasileira e de áreas afins, o que não deixa de ser uma ocupação “didática” gratificante, ao lado das aulas regulares que ministro na disciplina de Economia Política nos programas de mestrado e doutorado em Direito do Centro Universitário de Brasília. OK, acho que basta isso para comemorar dignamente os primeiros dez anos do Diplomatizzando. Longa vida a esse pequeno espaço de liberdade, muitas vezes definido como um quilombo de resistência intelectual em momentos sombrios da governança política, quando quase fomos arrastados para um patrimonialismo de tipo gangster, por força das opções eleitorais da maioria do povo. Creio que fiz a minha parte no trabalho de resistência, e disso posso me orgulhar...
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 19 de junho de 2016
segunda-feira, 22 de junho de 2026
Introdução "literária" à terceira lista dos melhores trabalhos de Paulo Roberto de Almeida divulgados por meio do blog Diplomatizzando, a partir de 2015 ; comentário de Madame IA
Introdução "literária" à terceira lista dos melhores trabalhos de Paulo Roberto de Almeida divulgados por meio do blog Diplomatizzando, a partir de 2015 e alguns anos à frente.
Continuidade das listas (n. 5357 e n. 5361) dos melhores trabalhos divulgados através do blog Diplomatizzando, que tinha sido iniciado em 2006, ao cobrir mais alguns anos de vida do blog.
Eu escrevo demais, eu sei: todos os dias, praticamente, sobre todos os temas que me caem, literalmente, “sur la tête”, parafraseando o chefe Abraracourcix, da série Asterix, que li intensamente durante meus sete anos de autoexílio europeu (1970-77). Escrevo muito porque leio muito, e sempre estou pensando sobre o que li, ou visualizei (agora mais intensamente nas redes de comunicação social, que, concretamente, “nous tombent sur la tête”, todos os dias, todas as horas, a cada minuto, mais exatamente. Antigamente, nos tempos do impresso, eram apenas livros, revistas e jornais, lidos avidamente, nas bibliotecas, no recesso do lar, nas aulas dos vários ciclos de estudos, nas bancas de jornais, atualmente tudo o que nos chega por e-mail no computador ou em tablets e celulares, no formato digital, eletrônico, escrito, falado.
Escrevo muito, repito, porque talvez eu fale pouco, a despeito de Carmen Lícia, que lê muito mais do que eu, dizer que eu falo muito, mas isso só nas palestras e entrevistas que me “caem”, literalmente “sur la tête”, resultado de convites, justamente surgidos a partir do que eu escrevi, em meus livros e artigos, mas que desde o início dos anos 2000, ou seja, o presente milênio, se converteram em postagens em meus blogs e em outras ferramentas de comunicação social. Antigamente, no Ancien Régime do impresso, meus instrumentos de expressão social se resumiam aos artigos que eu publicava em revistas acadêmicas ou aqueles mais curtos em periódicos diários. A partir da explosão da internet e das ferramentas surgidas dessa revolução comunicacional passei, timidamente ao início, a me expressar publicamente por meio de blogs gratuitos, ou de sites (também gratuitos) oferecidos por algumas empresas que se lançaram nesse vasto mercado dos instrumentos de comunicação social (Geocities, por exemplo, ainda preservado em alguma camada geológica do vasto mundo da internet).
Muita coisa mudou, para mim, a partir do Blogspot, um serviço gratuito de hospedagem e criação de blogs oferecido pelo “santo” Google. Depois de lutar, sem domínio técnico adequado sobre a construção de meus sites (gratuitos ou com domínio próprio), a “descoberta” do blog da Google foi uma “arca de Noé” na vastidão aberta pela internet no contexto das novas ferramentas de comunicação social. De repente, todos nós, que éramos dependentes de algum jornal ou revista, de alguma editora complacente com nossos alfarrábios, nos tornamos, ao mesmo tempo, escritores, jornalistas, revisores, editores, publicistas, divulgadores de todas as coisas abertas ao nosso engenho e arte. Creio que só fui “apresentado” ao Google em meados de 2000, depois de já ter conhecido o Yahoo, Hotmail e algumas outras ferramentas abertas livremente às nossas necessidades de comunicação e de expressão aberta para, literalmente, toda a humanidade.
É preciso repetir, para reafirmar a enormidade da revolução que nos “atinge” desde as últimas décadas do século XX. Pela primeira vez na História, desde a criação da escrita, algo como 10 mil anos atrás, desde os manuscritos transmitidos e guardados em seus diversos suportes materiais (argila, couro, papiro, pedra e papel), depois superados pela invenção da imprensa (primeiro na China, que também inventou o papel, depois na Europa de Gutenberg) e a disseminação da palavra escrita, passamos a ter, com a revolução dos meios eletrônicos de produção e divulgação de saberes, nas poucas décadas da quarta ou da quinta revolução industrial, praticamente todo o conhecimento acumulado pela Humanidade nos últimos 5 ou 7 mil anos acessível e transmissível de maneira fácil e, sobretudo, livremente, gratuitamente.
Do meu primeiro site, construído artesanalmente, ao primeiro blog, já no Blogspot da Google, posso dizer que iniciei uma pequena revolução na divulgação de meus escritos, coisas que vinha fazendo desde a primeira juventude, depois mais intensamente, ao me descobrir uma alma de acadêmico, ou seja, alguém mais afeto à palavra impressa do que à construção de coisas práticas. Foram vários, muitos interrompidos por minha incapacidade pessoal em lidar com as “engrenagens” – já que sempre fui avesso a ler manuais, até bulas de remédios –, substituídos por novos, até que me fixei no Diplomatizzando, como já esclareci, em meados de 2006. Ainda assim manteve vários outros paralelos – para resenhas de livros, setoriais (como eleições no Brasil) ou objetos da atenção temporária – até que interrompi a pletora de ferramentas oferecidas como “free lunch”, para me concentrar neste blog.
Ele passou a me servir para tudo: transcrever matérias da imprensa especialmente relevantes, trabalhos de outros colegas acadêmicos liberados para leitura aberta, meus próprios escritos circunstanciais ou mais elaborados, até a divulgação de livros ou artigos inteiros normalmente entregues a editoras ou periódicos consagrados, inclusive passando a substituir o site de domínio pessoal mantido durante vários anos (o pralmeida.org, mais recentemente convertido em pralmeida.net, ainda em construção). O Diplomatizzando, em iniciativa não planejada ao início, tornou-se minha principal ferramenta de produção, de divulgação e de acumulação de textos os mais diversos, meus ou de terceiros, servindo assim de “biblioteca” ou de repositório de informações úteis, que podem ser consultadas segundo as necessidades do momento, e isso graças à estabilidade concedida gratuitamente pelo Google (o que não ocorreu com um antigo provedor de espaço para o meu pralmeida.org, que falhou miseravelmente quando eu já havia acumulado alguns milhares de artigos e muitos livros).
Este blog Diplomatizzando se converteu, assim, no meu cartão de visitas, no meio principal de comunicação de que disponho para interagir socialmente e academicamente, agora desafiado por meios mais ágeis e quase universais, como o antigo Twitter, o Facebook e outras ferramentas, que domino mal, incompetente que sou nessas novas tecnicalidades. O acúmulo de postagens, não calculadas no começo desta aventura, tornou-se propriamente gigantesco, pelo que posso computar a partir da própria coluna que registra o número delas: somei 30.612 postagens, de junho de 2006 a junho de 2026, ou seja, uma média de 1.530,6 postagens por ano, ou mais de 4 postagens por dia. Por outro lado, segundo o contador do blog, existe o registro de 23.375.494 visualizações cumulativamente, 23 milhões. Para ser sincero, eu não dou muito crédito a esse tipo de contagem, pois pode haver muitos acessos automáticos de instrumentos de busca, e fica difícil contabilizar o que é, realmente, interesse real de um navegante curioso por saber alguma coisa, sem que ele se dirija precisamente ao meu blog, apenas lançou o anzol com isca no mar da internet.
De quando em quando, eu vou ao Layout do blog para verificar os comentários, que não são verificados imediatamente (como ocorre em outras ferramentas de comunicação), mas precisam ser acessados diretamente pelo seu controlador, e percorro as mensagens deixadas, algumas diretas a este anarco-blogueiro, muitas outras puro junk, mensagens me convidando para juntar-me aos persistentes adeptos da seita alucinada dos Illuminati (que segundo o historiador Niall Ferguson até tiveram algum papel no movimentos conspiratórios pré-contemporâneos). O fato dessa seita persistir, pelos convites repetidos que recebo para me juntar ao contingente indefinido de iluminados, parece indicar certo número de adeptos, ou então, alguma instrução mecânica dada aos robôs que pululam por aqui. As mensagens sérias, digamos assim, eu autorizo (mesmo as opostas ou raivosas contra este blogueiro) e faço publicar, algumas até respondo pessoalmente, mas não vou verificar o resultado.
Finalmente, não posso deixar de registrar o esforço persistente de meu amigo e “olheiro” do Diplomatizzando, Airton Dirceu Lemmertz, que sempre seguiu minhas postagens, desde vários anos, mas que nos últimos meses tem conduzido um exercício dos mais interessantes, e úteis para mim, que consiste em consultar sistematicamente essa nova ferramenta da 5ª revolução industrial, que é a Inteligência Artificial, que eu chamo carinhosamente de Madame IA. Ela tem identidade, e dono, que é o próprio Google, e se chama oficialmente Gemini AI (mas o Airton também já submeteu minhas postagens a várias outras espécies da mesma família). Madame IA se debruça não apenas sobre as postagens correntes, como sobre as do passado (que são milhares) e delas retira certas características mais ou menos permanentes desse meu “quilombo de resistência intelectual”, como eu chamo esta pequena ferramenta. Resistência a quê, exatamente, poderiam perguntar os incautos ou distraídos? Em primeiro lugar à burrice, algo muito disseminado em certas esferas, mas também a desonestidade e a promiscuidade nos meios políticos, assim como a certos true believers, ideólogos, militantes de certas causas, fanáticos de algumas crenças políticas, que deformam a racionalidade das políticas públicas. Minha área de atenção é mais frequentemente a política externa do Brasil e a diplomacia corporativa, mas também costumo meter o bedelho onde não sou chamado, sobretudo políticas econômicas, livros, assuntos culturais, em geral.
Dito tudo isto, encerro esta já longa introdução, e dou prosseguimento à minha terceira seleção das postagens mais interessantes do Diplomatizzando, centrada, como já informado, nos meus próprios textos que apresentam certa resiliência substantiva, acima e além do caráter passageiro, ou circunstancial, da maior parte das postagens feitas cotidianamente. Num próximo exercício vou fazer uma seleção das seleções, repartida por grandes áreas temáticas sob meu escrutínio constante. Não sei quanto tempo darei continuidade a este exercício, e Madame IA tem feito um trabalho excepcional, ao registrar algumas pérolas já caídas no meu esquecimento. Agradeço a esta senhorita, ainda bem jovem, assim como a meu colega de divertissement blogueiro, sempre a favor do conhecimento e contra a burrice e a desonestidade intelectual. Allons enfants, mettez un peu d’efforts...
Paulo Roberto de Almeida
Brasília, 5365, 23 junho 2026, 4 p.
Divulgado no blog Diplomatizzando (23/06/2026; link: Introdução "literária" à terceira lista dos melhores trabalhos de Paulo Roberto de Almeida divulgados por meio do blog Diplomatizzando, a partir de 2015
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