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sábado, 17 de outubro de 2026

Relações Brasil-Estados Unidos: desalinhamentos desde o regime militar - Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz)

Introdução Paulo Roberto de Almeida 

 Trabalho excepcional de "arqueologia político-diplomática" sobre as relações entre o Brasil dos militares (e dos diplomatas) com o império americano, sobretudo no tocante aos "desalinhamentos" – um conceito não exatamente adequado para expressar posturas diferentes nas relações bilaterais e nos temas da agenda internacional – entre os dois países, numa época em que a historiografia de esquerda achava que o Brasil dos generais da ditadura, assim como os diplomatas do Itamaraty, eram convergentes com os interesses americanos, o que não foi absolutamente verdade.

Devo este documento primoroso, pela coleta do material factual ao amigo Airton  Dirceu Lemmertz, que mobilizou os serviços sempre atentos de Madame IA (Chat GPT)

Paulo Roberto de Almeida (17/10/2026)

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É notória a relação umbilical dos bolsonaristas com os trumpistas. Aliás, Flávio Bolsonaro já declarou, inúmeras vezes, que irá alinhar-se (ou seria submissão canina?) com o governo de Trump em variadas áreas. Jair Messias e outros são exaltadores do período da ditadura militar no Brasil. Porém, os governos militares brasileiros, em alguns casos, estavam desalinhados com os interesses do governo dos EUA àquela época. Então, apresente um texto discursivo sobre o assunto: "As decisões dos governos da ditadura militar do Brasil que eram desalinhadas com os interesses dos governos dos EUA à época.". Texto somente com frases e parágrafos; com, no mínimo, 5500 caracteres; usando linguagem acessível e didática. Informações amparadas apenas em fontes confiáveis. Se não souber ou ficar em dúvida, não invente (não tenha 'alucinações'). [ADL]

As decisões dos governos da ditadura militar do Brasil que eram desalinhadas com os interesses dos governos dos Estados Unidos à época:
 
A relação entre o Brasil e os Estados Unidos durante a ditadura militar brasileira, iniciada com o golpe de 1964 e encerrada com a transição para o governo civil em 1985, foi marcada por uma combinação de convergências políticas, interesses econômicos comuns e divergências estratégicas. Embora o regime militar brasileiro tenha chegado ao poder com o apoio do governo estadunidense e tenha compartilhado com Washington o anticomunismo característico da Guerra Fria, isso não significou que os dois países mantivessem interesses idênticos durante todo o período. Na realidade, principalmente a partir da década de 1970, os governantes brasileiros adotaram decisões que contrariavam interesses importantes dos Estados Unidos, demonstrando que a ditadura não se limitou a seguir automaticamente as orientações de seu poderoso aliado.
Essa distinção é fundamental para compreender o período histórico sem cair em simplificações. O apoio dos Estados Unidos ao golpe de 1964 e a convergência entre os dois governos em matéria de combate à esquerda não significavam que o Brasil tivesse renunciado a todos os seus próprios interesses nacionais. Ao mesmo tempo, a existência de divergências diplomáticas não transforma a ditadura em um regime democrático, soberano em todas as suas decisões ou comprometido necessariamente com os interesses da população brasileira. O governo militar perseguiu opositores, restringiu liberdades políticas, censurou a imprensa e praticou graves violações de direitos humanos. Sua política externa, por sua vez, procurou combinar a aproximação com as potências ocidentais com a busca de maior autonomia econômica, tecnológica e diplomática.
A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em seu estudo sobre as relações entre os dois países durante a ditadura, observa justamente essa combinação: o anticomunismo aproximou Washington e Brasília, mas divergências sobre direitos humanos, descolonização, energia nuclear e relações com outros países contribuíram para o desgaste das relações bilaterais, sobretudo durante os anos 1970. Para compreender esse processo, é necessário examinar decisões concretas dos governos brasileiros e explicar por que elas entravam em conflito com as prioridades dos diferentes governos estadunidenses da época.

1. A busca por autonomia na política externa e o distanciamento em relação a Washington:
Uma das principais características da política externa brasileira durante a presidência do general Ernesto Geisel, entre 1974 e 1979, foi a tentativa de ampliar a margem de decisão do país nas relações internacionais. O governo adotou uma orientação frequentemente descrita como pragmatismo responsável e ecumênico. Em termos simples, isso significava procurar relações comerciais e diplomáticas com países de diferentes orientações políticas, sem aceitar que o anticomunismo determinasse automaticamente todas as decisões brasileiras.
Essa orientação não representava uma ruptura completa com o Ocidente, muito menos uma adesão do Brasil ao bloco soviético. O objetivo era aumentar as possibilidades de desenvolvimento econômico e tecnológico do país, diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência de uma única potência. Na prática, entretanto, essa estratégia produziu conflitos com os Estados Unidos, que procuravam limitar a disseminação de tecnologias consideradas sensíveis e preservar sua influência internacional.
É importante lembrar que a política externa brasileira não foi igualmente independente durante todos os governos militares. O marechal Humberto Castelo Branco, que governou entre 1964 e 1967, promoveu uma aproximação particularmente estreita com Washington, enquanto outros governos passaram a enfatizar mais intensamente a autonomia nacional. Portanto, seria incorreto afirmar que a ditadura militar brasileira sempre enfrentou os interesses estadunidenses. O que se observa é uma mudança de prioridades ao longo do tempo, condicionada pelas necessidades econômicas brasileiras e pelas transformações da política internacional.
 
2. O acordo nuclear com a Alemanha Ocidental em 1975:
Um dos exemplos mais expressivos de divergência entre Brasília e Washington foi o acordo de cooperação nuclear firmado entre o Brasil e a Alemanha Ocidental em 27 de junho de 1975, durante o governo Geisel. Naquele momento, o Brasil procurava ampliar sua capacidade de produzir energia, desenvolver tecnologia própria e diminuir sua dependência externa em um setor considerado estratégico.
A questão energética era especialmente importante porque o país dependia significativamente da importação de petróleo, cuja cotação havia aumentado fortemente após a crise internacional de 1973. A elevação dos preços do combustível pressionou as contas externas brasileiras e tornou mais urgente a procura por fontes alternativas de energia. Nesse contexto, a energia nuclear passou a ocupar posição importante nos planos de desenvolvimento do governo militar.
O acordo com os alemães previa uma ampla cooperação nuclear, incluindo a transferência de tecnologia, o fornecimento de equipamentos e a construção de instalações relacionadas ao ciclo do combustível nuclear. O ciclo do combustível compreende etapas como a transformação do urânio, seu enriquecimento e o tratamento do material utilizado nos reatores. O domínio dessas tecnologias poderia ampliar consideravelmente a capacidade científica e industrial brasileira.
O problema para os Estados Unidos era que determinadas etapas desse processo também poderiam facilitar, em circunstâncias específicas, a produção de materiais utilizáveis em armas nucleares. Washington defendia controles internacionais mais rigorosos sobre a transferência de tecnologias de enriquecimento de urânio e reprocessamento de combustível nuclear usado. Por isso, o governo estadunidense procurou impedir ou limitar aspectos do acordo entre brasileiros e alemães.
Os documentos diplomáticos publicados pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos registram que autoridades americanas estavam preocupadas com as implicações do acordo para a política de não proliferação nuclear. Um telegrama da embaixada estadunidense no Brasil, de junho de 1975, avaliava que a iniciativa refletia a ambição brasileira de conquistar maior projeção internacional e poderia afastar o país de Washington. Outro documento, de julho daquele ano, recomendava esclarecer às autoridades alemãs e brasileiras a oposição americana à transferência de tecnologias sensíveis. 
A divergência era relevante porque o Brasil não aceitou simplesmente abandonar seus planos diante da pressão dos Estados Unidos. O governo Geisel sustentou a validade do acordo e defendeu a possibilidade de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos. A posição brasileira estava associada tanto à busca por autonomia tecnológica quanto à percepção de que as potências mais desenvolvidas procuravam preservar vantagens industriais e científicas sobre países em desenvolvimento.
É necessário fazer uma ressalva importante: o acordo de 1975 não comprova, por si só, que o governo brasileiro tenha decidido fabricar uma bomba atômica. O desenvolvimento de tecnologia nuclear, a possibilidade técnica de produzir materiais utilizáveis em armas e a decisão política de construir armamentos são questões distintas. Os documentos históricos citados permitem afirmar que existiam preocupações estadunidenses com os riscos de proliferação e que o governo brasileiro resistiu às pressões para modificar sua estratégia. Não autorizam, porém, tratar como fato comprovado que o acordo tivesse como objetivo declarado a fabricação de armas nucleares.
O episódio demonstra que o governo militar brasileiro podia entrar em confronto com um importante aliado quando considerava que estavam em jogo seus interesses estratégicos. Também evidencia que a relação entre os dois países não era uma relação de obediência automática: Washington tinha capacidade de exercer pressão, mas Brasília procurava preservar sua liberdade de decisão em determinados assuntos. 
 
3. A recusa brasileira em aderir ao Tratado de Não Proliferação Nuclear:
A controvérsia nuclear não se limitou ao acordo com a Alemanha Ocidental. Outro ponto de divergência foi a posição brasileira diante do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, conhecido pela sigla TNP.
O tratado foi aberto para assinatura em 1968 e entrou em vigor em 1970. Seu objetivo era dificultar a disseminação de armas nucleares, estabelecer compromissos de desarmamento e promover a cooperação para usos pacíficos da energia nuclear. Entretanto, a estrutura do acordo reconhecia uma distinção entre os países considerados Estados com armas nucleares para os fins do tratado e aqueles que não possuíam esse status.
O Brasil militar questionava aspectos dessa estrutura porque a considerava desigual. Na perspectiva brasileira, o sistema internacional não deveria permitir que determinadas potências preservassem seus arsenais nucleares enquanto exigiam que outros países aceitassem restrições duradouras às próprias possibilidades tecnológicas. Assim, os governos militares procuraram manter aberta a possibilidade de desenvolver capacidades nucleares sem aderir ao tratado nas condições estabelecidas.
Essa postura contrariava uma prioridade importante dos Estados Unidos, que buscavam ampliar a adesão internacional ao regime de não proliferação. A divergência ficou particularmente evidente durante o governo Geisel, quando as autoridades brasileiras resistiram às pressões americanas tanto em relação ao TNP quanto ao acordo nuclear com os alemães.
Em conversas diplomáticas de junho de 1977, durante a presidência de Jimmy Carter, o governo brasileiro manteve sua posição contrária à adesão ao TNP e insistiu que o país não pretendia adquirir armas nucleares. O registro da conversa também mostra que a questão da soberania nacional ocupava lugar central nas justificativas brasileiras. 
Para entender a controvérsia, é importante não confundir a recusa em assinar um tratado com a comprovação de uma intenção de produzir armamentos proibidos. O governo brasileiro defendia a liberdade de desenvolver tecnologia nuclear, enquanto os Estados Unidos procuravam reduzir os riscos de que essa capacidade pudesse ser utilizada para fins militares. Havia, portanto, um conflito entre duas prioridades: de um lado, a autonomia tecnológica reivindicada pelo Brasil; de outro, a tentativa estadunidense de estabelecer limites internacionais mais rígidos à proliferação nuclear.
Essa divergência revela uma contradição interessante do período. O regime brasileiro era autoritário e reprimia a oposição política internamente, mas, na esfera internacional, reivindicava maior independência diante de uma potência ocidental. A defesa da autonomia externa, contudo, não significava que o governo militar respeitasse de maneira equivalente os direitos e as liberdades dos cidadãos brasileiros.
 
4. A denúncia do acordo de assistência militar com os Estados Unidos em 1977:
Um dos episódios mais claros de distanciamento entre os dois países ocorreu em 1977, quando o governo Geisel denunciou o acordo de assistência militar firmado entre Brasil e Estados Unidos em 15 de março de 1952. A decisão foi formalizada pelo Decreto sob número 79.376, de 11 de março de 1977, publicado no ordenamento jurídico brasileiro.
Esse acordo havia constituído um instrumento importante de cooperação militar entre os dois países. Sua denúncia representou, portanto, uma decisão política de peso, pois atingia um dos mecanismos institucionais que sustentavam a relação bilateral no campo da defesa.
A justificativa apresentada pelo governo brasileiro estava relacionada às mudanças introduzidas na legislação estadunidense sobre a prestação de assistência militar. Brasília considerou inaceitáveis as novas condições que vinculavam esse tipo de assistência à avaliação da situação interna dos países beneficiários. Em outras palavras, o governo brasileiro rejeitava que Washington condicionasse a cooperação militar a critérios que pudessem envolver o exame de suas práticas políticas e de direitos humanos.
O episódio ocorreu durante a presidência de Jimmy Carter, iniciada em janeiro de 1977. Carter procurava dar maior destaque aos direitos humanos na política externa dos Estados Unidos, inclusive nas relações com governos autoritários que anteriormente haviam recebido apoio americano. Essa orientação provocou reações negativas de diferentes regimes latino-americanos, entre eles o brasileiro.
A documentação oficial do Congresso brasileiro registra a denúncia do acordo e reproduz a justificativa diplomática apresentada pelo governo Geisel. Os documentos diplomáticos estadunidenses também registram o desconforto brasileiro com as condições associadas à assistência militar e a decisão de rejeitar determinadas formas de cooperação. 
A decisão é especialmente significativa porque demonstra que a divergência não se limitava a assuntos comerciais ou tecnológicos. Ela atingia diretamente a relação entre as forças armadas dos dois países. O governo brasileiro preferiu abrir mão de um instrumento tradicional de assistência a aceitar determinadas condições impostas por Washington.
Entretanto, não se deve interpretar essa decisão como prova de que os Estados Unidos haviam abandonado toda a relação com os militares brasileiros ou de que o Brasil havia rompido suas relações diplomáticas com o país. A medida dizia respeito a um acordo específico e se inseria em um processo mais amplo de revisão dos vínculos militares. As relações diplomáticas continuaram existindo, embora atravessassem um período de atrito.
O caso também expõe uma contradição importante do discurso oficial brasileiro. O governo Geisel invocava a soberania nacional para rejeitar avaliações estrangeiras sobre a situação interna do país, mas mantinha um regime que restringia direitos políticos, censurava a imprensa e perseguia opositores. A defesa da não intervenção servia, nesse contexto, tanto como princípio diplomático quanto como argumento para resistir a críticas internacionais sobre o autoritarismo doméstico.
 
5. A aproximação com a China comunista em 1974:
Outra decisão importante foi o estabelecimento de relações diplomáticas entre o Brasil e a República Popular da China, em 15 de agosto de 1974, também durante o governo Geisel.
Desde a vitória dos comunistas na guerra civil chinesa, em 1949, existiam duas autoridades rivais que reivindicavam representar a China. A República Popular da China, liderada pelo Partido Comunista, controlava a China continental, enquanto a República da China, sediada em Taiwan, mantinha relações diplomáticas com diversos países, inclusive com os Estados Unidos durante boa parte do período.
A aproximação brasileira com Pequim ocorreu em um momento de mudanças na política internacional. Embora a China fosse governada por um partido comunista, sua relação com os Estados Unidos e com a União Soviética era complexa. As divergências entre chineses e soviéticos haviam se aprofundado, e o governo de Richard Nixon iniciara um processo de aproximação com Pequim no começo da década de 1970.
Portanto, a decisão brasileira não deve ser apresentada como uma atitude tomada contra toda a política externa estadunidense. Os próprios Estados Unidos já haviam iniciado a reaproximação com a China, inclusive por meio da visita de Nixon em 1972 e da abertura de escritórios de ligação em 1973. A diferença é que, em 1974, Washington ainda não havia estabelecido relações diplomáticas formais com Pequim, o que só ocorreria em janeiro de 1979.
O Brasil, por sua vez, reconheceu o governo da República Popular da China como o único governo legal chinês e estabeleceu relações diplomáticas em nível de embaixadas. O comunicado conjunto assinado em Brasília em 15 de agosto de 1974 registrou formalmente essa decisão. 
A iniciativa contrariava a posição diplomática tradicional de Taiwan, que perdeu mais um parceiro internacional, e ampliava as relações brasileiras com um país comunista. Para os dirigentes militares brasileiros, porém, a ideologia não deveria impedir automaticamente o estabelecimento de relações comerciais e diplomáticas consideradas úteis ao desenvolvimento nacional.
A aproximação também se enquadrava na estratégia de diversificação de parceiros. Ao buscar relações com Pequim, o Brasil ampliava suas possibilidades diplomáticas e econômicas, em vez de limitar suas relações internacionais ao grupo de países tradicionalmente alinhados com Washington.
Esse exemplo exige cuidado para evitar uma conclusão equivocada. A aproximação com a China não significou que a ditadura brasileira tivesse abandonado o anticomunismo na política interna. O regime continuou perseguindo organizações de esquerda e reprimindo opositores. O que ocorreu foi uma separação pragmática entre a repressão ao comunismo dentro do país e a conveniência de manter relações com um governo comunista no exterior.
O episódio demonstra que a política externa dos militares podia ser menos rigidamente ideológica do que sua política doméstica. Ao reconhecer a China, o governo brasileiro colocou interesses diplomáticos e econômicos acima de uma interpretação absoluta do anticomunismo, embora isso não tenha alterado a natureza autoritária do regime.
 
6. O reconhecimento da independência de Angola e a relação com os movimentos de libertação africanos:
A política brasileira para a África também oferece um exemplo importante de decisões que nem sempre coincidiam com as preferências de Washington ou com as posições dos aliados ocidentais.
Durante o século XX, vários territórios africanos conquistaram sua independência após longas lutas contra as potências coloniais europeias. Portugal, entretanto, procurou manter seu domínio sobre Angola, Moçambique e outras colônias até a Revolução dos Cravos, em abril de 1974, que derrubou a ditadura portuguesa e abriu caminho para a descolonização.
O governo brasileiro precisava decidir como se posicionar diante desse processo. Portugal possuía vínculos históricos, culturais e diplomáticos com o Brasil, mas o país africano também representava uma oportunidade de ampliar as relações comerciais brasileiras com novos Estados independentes. Essa combinação de interesses levou Brasília a desenvolver uma política mais pragmática para o continente africano.
O caso de Angola foi particularmente expressivo. Quando a independência foi proclamada, em 11 de novembro de 1975, três movimentos disputavam o poder: o Movimento Popular de Libertação de Angola, conhecido como MPLA; a Frente Nacional de Libertação de Angola, ou FNLA; e a União Nacional para a Independência Total de Angola, a UNITA.
O MPLA tinha orientação marxista e recebia apoio da União Soviética e de Cuba. Os Estados Unidos, por sua vez, apoiaram adversários do movimento no contexto da Guerra Fria. A disputa angolana, portanto, tornou-se parte de uma competição internacional que envolvia interesses africanos, europeus, soviéticos, cubanos e estadunidenses.
Nesse cenário, o Brasil reconheceu o governo do MPLA como representante de Angola independente. Um telegrama do Departamento de Estado dos Estados Unidos, datado de 13 de novembro de 1975, registra o reconhecimento brasileiro entre as decisões tomadas por países que aceitaram o governo do movimento. 
A decisão brasileira foi significativa porque contrariou a preferência dos setores estadunidenses que se opunham ao MPLA. Também demonstrou que Brasília estava disposta a estabelecer relações com um governo de orientação marxista quando considerava que isso correspondia aos seus interesses diplomáticos.
Não se deve, contudo, afirmar que o Brasil se tornou aliado militar do MPLA ou que aderiu ao bloco soviético. O reconhecimento diplomático de um governo não equivale automaticamente à adoção de sua ideologia, à participação em suas operações militares ou à submissão a seus aliados internacionais. A política brasileira procurava, sobretudo, ampliar a presença do país na África, desenvolver relações com os Estados recém-independentes e criar oportunidades comerciais.
A escolha também estava ligada a interesses econômicos concretos. O acesso a mercados africanos, as possibilidades de exportação de produtos industrializados e a procura por fornecedores de matérias-primas e fontes de energia contribuíam para tornar a região relevante para a diplomacia brasileira. Pesquisas acadêmicas sobre o reconhecimento de Angola destacam justamente o pragmatismo do governo Geisel e a relação entre autonomia diplomática e interesses econômicos. 
Assim, o reconhecimento de Angola representa uma das demonstrações mais claras de que a política externa brasileira da década de 1970 não obedecia integralmente à divisão ideológica entre capitalismo e comunismo. Mesmo sob uma ditadura profundamente anticomunista no plano interno, o governo brasileiro reconheceu um governo revolucionário africano quando avaliou que essa decisão favoreceria sua posição internacional.
 
7. A reivindicação brasileira de soberania sobre o mar territorial de 200 milhas:
Outro episódio relevante envolveu a ampliação da área marítima reivindicada pelo Brasil. Em 1970, o governo brasileiro adotou a posição de que seu mar territorial se estendia até 200 milhas náuticas a partir da costa, buscando ampliar o controle sobre os recursos marítimos e as atividades pesqueiras nessa área.
Para compreender a importância dessa medida, é necessário lembrar que o direito do mar era objeto de intensas negociações internacionais. Muitos países costeiros procuravam ampliar sua autoridade sobre os recursos existentes nas águas próximas a seus territórios, enquanto potências marítimas defendiam regras que preservassem a liberdade de navegação e os direitos de pesca em determinadas áreas.
Os Estados Unidos estavam entre os países que rejeitavam reivindicações unilaterais de mar territorial superiores ao limite tradicional de três milhas náuticas e contestavam pretensões de jurisdição pesqueira além de doze milhas. A posição brasileira, portanto, entrava em conflito com interesses econômicos e estratégicos estadunidenses.
A documentação oficial do Departamento de Estado registra que Washington procurou persuadir o governo brasileiro a adiar a aplicação de medidas que afetariam embarcações estrangeiras de pesca em águas reivindicadas pelo Brasil. A resposta brasileira foi a de que as novas regras já constituíam uma decisão legal do governo e não poderiam ser simplesmente suspensas a pedido dos Estados Unidos. 
A controvérsia tinha consequências econômicas concretas. Embarcações estadunidenses, especialmente as envolvidas na pesca de camarão, utilizavam áreas próximas à costa brasileira. A ampliação da jurisdição pretendida por Brasília ameaçava limitar essas atividades, criando atritos entre os dois países.
Um acordo bilateral sobre a pesca de camarão, promulgado pelo Brasil em 1973, documentou expressamente a divergência: o governo brasileiro sustentava sua reivindicação de 200 milhas, enquanto os Estados Unidos mantinham sua posição contrária ao reconhecimento de reivindicações tão amplas. O texto estabeleceu uma solução provisória para a atividade pesqueira sem eliminar a discordância jurídica entre as partes. 
É importante observar que a reivindicação brasileira da época não deve ser confundida com o regime jurídico da zona econômica exclusiva atualmente previsto no direito internacional. Mar territorial e zona econômica exclusiva são conceitos diferentes, com alcances e direitos distintos. A posição brasileira de 1970 era uma reivindicação de soberania territorial marítima muito mais ampla do que o limite tradicional defendido pelos Estados Unidos.
O episódio mostra que a divergência entre os dois países não dependia exclusivamente da ideologia política. Mesmo governos que compartilhavam valores anticomunistas podiam entrar em conflito por causa de recursos naturais, direitos de exploração econômica e liberdade de navegação. O Brasil procurava aumentar seu controle sobre áreas marítimas e proteger interesses nacionais, enquanto Washington defendia uma interpretação do direito do mar mais favorável à mobilidade naval e às atividades de suas embarcações.
 
8. A reação à política de direitos humanos do governo Jimmy Carter:
A chegada de Jimmy Carter à presidência dos Estados Unidos, em janeiro de 1977, introduziu um elemento adicional de tensão nas relações bilaterais. Carter defendia que os direitos humanos recebessem maior importância na política externa americana. Essa orientação afetava as relações com governos autoritários que, durante a Guerra Fria, haviam sido considerados parceiros estratégicos na luta contra o comunismo.
O Brasil estava entre esses países. A ditadura militar brasileira havia restringido direitos políticos, mantido a censura, perseguido adversários e utilizado a repressão estatal contra opositores. Por isso, a preocupação estadunidense com os direitos humanos passou a criar dificuldades diplomáticas para o governo Geisel.
A reação brasileira foi de resistência à possibilidade de que Washington condicionasse a assistência militar ou outros instrumentos de cooperação à avaliação da situação interna do país. O governo brasileiro interpretava essas exigências como uma forma de interferência externa em assuntos que considerava de sua competência exclusiva.
Documentos do Departamento de Estado publicados em 1977 mostram que diversos governos latino-americanos rejeitaram, total ou parcialmente, programas de assistência militar vinculados às novas exigências americanas sobre direitos humanos. O Brasil foi um dos países envolvidos nessa reação. 
Essa divergência ajuda a explicar a denúncia do acordo de assistência militar de 1952 e o posterior cancelamento de outros instrumentos de cooperação militar entre os dois países. A ruptura de determinados acordos, portanto, não pode ser entendida isoladamente, como se tivesse ocorrido apenas por uma questão técnica. Ela estava inserida em uma disputa sobre soberania, assistência externa e legitimidade internacional do regime brasileiro.
Entretanto, seria incorreto apresentar a política de direitos humanos de Carter como uma defesa perfeita ou universalmente coerente das liberdades democráticas. A política externa estadunidense continuava condicionada por interesses estratégicos, econômicos e geopolíticos. Além disso, as relações entre os Estados Unidos e regimes autoritários não desapareceram simplesmente porque Carter conferiu maior destaque aos direitos humanos.
Do mesmo modo, a resistência brasileira às pressões americanas não deve ser confundida com uma defesa dos direitos humanos. O governo militar utilizava o argumento da soberania nacional para rejeitar avaliações estrangeiras, mas isso não eliminava a responsabilidade do Estado brasileiro pelas violações cometidas contra seus próprios cidadãos.
O episódio revela, portanto, uma divergência real, mas de natureza específica. Washington passou a pressionar o governo brasileiro em nome de uma política externa que atribuía maior relevância aos direitos humanos, enquanto Brasília rejeitava a vinculação entre assistência militar e avaliação internacional de sua situação política. Essa disputa contribuiu para o enfraquecimento de mecanismos tradicionais de cooperação entre os dois países.
 
9. O significado dessas divergências para a compreensão da ditadura brasileira:
Os exemplos examinados permitem compreender que a política externa da ditadura militar brasileira não pode ser resumida à ideia de submissão permanente aos Estados Unidos. Houve momentos de forte alinhamento, sobretudo nos primeiros anos após o golpe de 1964, mas também existiram decisões que contrariaram interesses importantes de Washington.
O acordo nuclear com a Alemanha Ocidental demonstrou que o governo Geisel estava disposto a enfrentar pressões americanas para ampliar a capacidade tecnológica brasileira. A resistência à adesão ao Tratado de Não Proliferação Nuclear expressou a contestação brasileira a uma ordem internacional considerada desigual. A denúncia do acordo de assistência militar de 1952 evidenciou o grau de desgaste alcançado pelas relações bilaterais. O reconhecimento da China e de Angola demonstrou que a diplomacia brasileira podia privilegiar interesses econômicos e estratégicos em detrimento de critérios ideológicos rígidos. Por fim, a reivindicação de 200 milhas marítimas mostrou que disputas por recursos naturais e jurisdição também podiam colocar os dois países em lados opostos.
Essas decisões não ocorreram todas pelo mesmo motivo, nem tiveram o mesmo peso. Algumas foram motivadas pela busca de autonomia tecnológica, outras pela diversificação comercial, pela defesa de interesses marítimos ou pela reação a pressões diplomáticas. Em conjunto, contudo, revelam uma característica importante da política externa brasileira durante parte da ditadura: a tentativa de aumentar o poder de negociação do país diante das grandes potências.
Isso não significa que o Brasil tenha se tornado independente de todas as pressões externas. A economia brasileira continuava vinculada aos mercados internacionais, dependia de tecnologia estrangeira em diversos setores e enfrentava limitações financeiras e industriais. A capacidade de contrariar Washington era real, mas tinha limites. Além disso, os governos militares continuaram mantendo relações próximas com os Estados Unidos em diversos campos.
Também é essencial distinguir autonomia internacional de legitimidade política interna. Um governo pode tomar decisões independentes no cenário internacional e, ao mesmo tempo, ser autoritário dentro de suas fronteiras. A defesa dos interesses nacionais no exterior não justifica a supressão de direitos políticos, a censura, a perseguição de opositores ou a violência estatal. No caso brasileiro, a existência de divergências com Washington não apaga o caráter ditatorial do regime nem transforma suas decisões diplomáticas em prova de compromisso com a democracia.
Essa distinção é particularmente importante quando o período é lembrado em debates políticos contemporâneos. A relação entre a direita brasileira e movimentos políticos estrangeiros, assim como a aproximação entre governos de países diferentes, deve ser analisada a partir de decisões concretas, interesses materiais e contextos históricos. Não basta identificar afinidades ideológicas para concluir que dois governos necessariamente compartilham todas as suas prioridades.
A experiência da ditadura brasileira mostra justamente que a política externa pode combinar afinidade ideológica, cooperação estratégica e divergências importantes. Os militares brasileiros compartilhavam com os Estados Unidos o anticomunismo e mantiveram relações próximas com Washington, mas, quando consideraram que determinados interesses nacionais estavam em jogo, adotaram decisões contrárias às preferências americanas.
 
Em conclusão, as divergências entre o Brasil militar e os Estados Unidos demonstram que a relação bilateral foi mais complexa do que uma simples relação de obediência. O Brasil procurou, em determinados momentos, ampliar sua autonomia diplomática, tecnológica e econômica, mesmo sob um regime autoritário e fortemente anticomunista. Essa constatação histórica não deve servir para idealizar a ditadura, mas para compreendê-la de maneira rigorosa, reconhecendo simultaneamente suas contradições internas, seus vínculos internacionais e os limites de sua política de independência. A lição central é que alinhamento ideológico não equivale necessariamente a identidade de interesses, assim como autonomia diplomática não equivale a democracia ou respeito aos direitos humanos. 


**Resposta da IA foi gerada em 16/10/2026 às 13h23min. 

 

Carta de Zelensky para Trump: do inglês ao português, por Madame IA, via Airton Dirceu Lemmertz

 Carta de Zelensky para Trump:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/10/carta-de-zelensky-trump.html
00h30, 16 de outubro de 2026.

Carta do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky ao presidente dos EUA Donald Trump:
(Tradução de Madame IA, sob injunção de Airton Dirceu Lemmertz, o maior e mais prestativo interlocutor, instrutor e praticamente mestre de Madame IA, para 1001 utilidades):

Prezado Senhor Presidente, 

A guerra no Oriente Médio está causando enorme sofrimento à população de todos os países da região. Vidas estão sendo perdidas, cidades estão sendo destruídas e civis inocentes estão sofrendo. 

Mas as consequências desta guerra estão sendo sentidas em todo o mundo, inclusive na Ucrânia. Devido à guerra com o Irã, os preços do petróleo e do diesel subiram drasticamente. Isso significa custos mais altos para transporte, alimentos e produção industrial. Na prática, todas as famílias ucranianas estão sendo obrigadas a pagar por uma guerra na qual não temos absolutamente nenhum envolvimento. 

Por isso, hoje dirijo-me ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com um apelo direto: Senhor Trump, ponha fim a esta guerra imediatamente! Você não pode vencer. Além disso, na minha opinião, você já perdeu. 

Certa vez, na Casa Branca, você me disse algumas palavras muito sábias. Lembro-me bem delas. E hoje, gostaria de lhe relembrar essas palavras: Senhor Trump, o senhor não tem cartas na manga! Continuar os combates só aumentará o número de vítimas e o sofrimento de civis inocentes. A Ucrânia sempre defendeu a paz. E não podemos ficar de braços cruzados enquanto nossos parceiros americanos continuam uma guerra sem perspectiva de vitória. 

Por isso, devo alertá-los: se os Estados Unidos não cessarem as hostilidades contra o Irã, a Ucrânia será forçada a reconsiderar a extensão de sua cooperação técnico-militar e de inteligência com os Estados Unidos. Em particular, deixaremos de compartilhar informações confidenciais com o lado americano a respeito dos mais recentes mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, drones de ataque, sistemas de orientação e métodos para neutralizá-los da Rússia. 

Seremos também obrigados a suspender a transferência dos nossos mais recentes desenvolvimentos em tecnologia de drones e da experiência de combate única adquirida pelas forças ucranianas. Não podemos permitir que a tecnologia e a inteligência ucranianas sejam usadas para prolongar uma guerra que deve terminar imediatamente. 

Senhor Trump! 

Tenho imenso respeito pelo povo americano. É uma grande nação, merecedora de paz, estabilidade e prosperidade. Infelizmente, você não conseguiu trazer essa paz. O povo americano não deveria ter que sofrer por causa das ambições de um único político. E o povo do Irã também não deveria. "Conversei com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian. Ele me garantiu que realmente deseja a paz, mas não conseguiu chegar a um acordo com o senhor, Sr. Trump, devido à sua recusa categórica em fechar todas as bases militares americanas no Oriente Médio. 

E acredito que, em nome da paz, o senhor deve estar disposto a fazer esse compromisso." Estou confiante de que o novo Congresso dos Estados Unidos será capaz de alcançar a paz por meio de negociações e dos compromissos necessários. Talvez até mesmo dentro de 24 horas. 

Nós defendemos a paz, Sr. Trump! 

E espero sinceramente que você finalmente ouça a voz da razão. 

Glória à Ucrânia!

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Repercussão na mídia brasileira do primeiro debate presidencial eleitoral na BandNews: avaliação de Madame IA (via Airton Dirceu Lemmertz)

 No domingo (23/agosto/2026), na Band TV, ocorreu o primeiro debate eleitoral entre os candidatos à Presidência. Apresente, de modo detalhado, a repercussão na mídia jornalística profissional no Brasil; citando, no mínimo, 10 reportagens e opiniões em diferentes veículos jornalísticos brasileiros. 

(Madame IA, via Airton Dirceu Lemmertz)
O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, realizado pela Band TV em parceria com o jornal O Estado de S. Paulo no domingo (23 de agosto de 2026), foi amplamente classificado pela imprensa brasileira como o encontro mais esvaziado desde a redemocratização em 1989. [1, 2]
A ausência dos líderes das pesquisas — o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) —, somada à desistência de última hora do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), deixou o palco com apenas três participantes: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Como resultado, a cobertura midiática focou massivamente no esvaziamento do formato e nos ataques direcionados aos candidatos ausentes. [1, 2]
Abaixo, detalha-se a repercussão do evento por meio de 10 reportagens, análises e opiniões de diferentes veículos jornalísticos profissionais brasileiros.
I) Repercussão Detalhada na Mídia Profissional:
1. Folha de S.Paulo: "Lula e Flávio viram alvo em debate":
A reportagem da Folha de S.Paulo sintetizou o encontro em oito pontos principais. O jornal destacou que o evento foi marcado por ofensas pesadas aos líderes das pesquisas e por uma "dobradinha" entre Caiado e Cury na área de segurança pública. A publicação enfatizou a agressividade de Renan Santos, que usou termos como "cagão" para se referir a Flávio Bolsonaro e criticou duramente a ausência do petista. [, 2]
2. G1 (Portal da Globo): "Púlpitos vazios marcam primeiro confronto":
O portal de notícias G1 focou o aspecto visual e o simbolismo do estúdio, destacando que os púlpitos vazios de Lula, Flávio e Zema serviram como a principal moldura do programa. O texto apontou que, mesmo ausentes, os líderes das intenções de voto ditaram o ritmo das discussões, já que Caiado, Renan e Cury gastaram boa parte de seus tempos criticando a falta de disposição dos adversários para o confronto direto. [1]
3. BBC News Brasil: "O confronto mais esvaziado desde 1989":
A análise da BBC News Brasil sublinhou o paradoxo de um debate presidencial contar apenas com três candidatos que, somados, detêm cerca de 10% das intenções de voto. O veículo detalhou as estratégias de contraprogramação dos ausentes: enquanto o debate ocorria, Lula concedia uma entrevista gravada à TV Record e Flávio Bolsonaro publicava vídeos de campanha nas redes sociais. [1, 2]
4. Nexo Jornal: "O fiasco do primeiro debate de 2026":
Em seu editorial expresso, o Nexo Jornal classificou a noite como um "fiasco" institucional para o rito das campanhas presidenciais brasileiras. O jornal contextualizou historicamente a importância dos debates da Band e criticou a postura pragmática-eleitoral de Lula e Flávio, argumentando que a fuga dos palcos prejudica o direito do eleitor de comparar propostas. [1, 2]
5. O Estado de S. Paulo (Estadão): "Estadão Verifica monitora dados do palco":
Como parceiro oficial do evento, o Estadão concentrou seus esforços na checagem de fatos em tempo real por meio do Estadão Verifica. O jornal submeteu as falas de Caiado, Renan e Cury ao crivo técnico, analisando dados apresentados sobre criminalidade, gastos com educação e segurança pública, identificando exageros e imprecisões nas promessas e estatísticas estaduais citadas. [1]
6. Blog do Sonar (O Globo): "Ataques a ausentes dominam um terço da repercussão":
O monitoramento digital publicado n'O Globo trouxe dados sobre o comportamento das redes sociais. A análise revelou que 32% de todas as menções na internet foram focadas nos ataques a Lula e Flávio. Curiosamente, o veículo registrou que um fato de bastidor roubou a cena entre os perfis de direita: o momento em que Gilberto Kassab, vice na chapa de Caiado, apareceu supostamente cochilando na plateia, gerando 63% do engajamento desse ecossistema. [1]
7. JOTA: "Movimentação nas redes fica aquém do esperado":
O portal especializado JOTA utilizou dados da consultoria Palver para demonstrar que o interesse geral da população pelo debate foi morno. Embora tenha havido um pico de mensagens em aplicativos de mensagens por volta das 21h, o volume total de engajamento ficou muito abaixo do registrado em debates de anos anteriores, provando que a falta dos cabeças de chapa desmobilizou a audiência geral. [1]
8. Gazeta do Povo: "Só faltaram os candidatos":
Em sua newsletter de opinião Bom Dia, a Gazeta do Povo ironizou a estrutura montada pela emissora afirmando que "o debate aconteceu... só faltaram os candidatos". O texto criticou veementemente a postura "covarde" dos líderes de isolarem-se em bolhas virtuais ou entrevistas amigáveis para evitar o contraditório, elogiando, por outro lado, a resiliência do jornalismo em manter o espaço aberto. [1, 2]
9. Canal Livre (Band): "Propositivo e agressivo":
Dentro da própria emissora que organizou o evento, o programa Canal Livre promoveu um debate pós-transmissão com analistas e cientistas políticos como Fernando Schüler e Deysi Cioccari. Schüler argumentou que, apesar do esvaziamento político, o formato livre permitiu que os três candidatos presentes fizessem um enfrentamento direto de ideias "propositivo e agressivo", expondo os participantes a temas altamente desconfortáveis e sem o engessamento tradicional. [1]
10. Exame: "O vaivém teatral de Augusto Cury":
A cobertura da Exame destacou os bastidores tensos minutos antes do início do programa. O veículo repercutiu que o candidato Augusto Cury chegou a anunciar que não participaria por considerar o debate um "teatro" sem Lula e Flávio, mas recuou no último instante. A Exame pontuou como essa indecisão quase implodiu de vez a transmissão, que acabou salva pela decisão do candidato de entrar no estúdio "em respeito ao jornalismo". [1]
II) Resumo dos Principais Eixos Temáticos Abordados no Palco:
Conforme sintetizado pelos levantamentos de imprensa, os três candidatos que compareceram focaram suas propostas em diretrizes muito específicas: [1]
  • Segurança Pública: Ronaldo Caiado usou Goiás como vitrine, defendendo classificar facções criminosas como terroristas. Renan Santos adotou tom beligerante prometendo endurecimento radical ("banho de sangue") no combate ao crime. []
  • Educação: Augusto Cury focou suas críticas na gestão educacional do governo federal e mirou o eleitorado de base. []
  • Economia e Trabalho: Renan Santos aproveitou o espaço para criticar a proposta do fim da escala 6x1, defendendo um modelo alternativo de contratação por horas trabalhadas. []
  • Reforma Política: Houve consenso unânime entre os três presentes de que a legislação eleitoral deveria ser alterada para tornar obrigatória a presença de candidatos registrados em debates televisivos. []

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No domingo (23/agosto/2026), na Band TV, ocorreu o primeiro debate eleitoral entre os candidatos à Presidência. Apresente, de modo detalhado, a repercussão na mídia jornalística profissional no exterior (ou seja, mídia estrangeirade jornalismo profissional); citando, no mínimo, 10 reportagens e opiniões em diferentes veículos jornalísticos estrangeiros. 

A repercussão do primeiro debate presidencial de 2026 da Band TV na imprensa internacional focou maciçamente no ineditismo institucional do esvaziamento do palco, tratando a ausência simultânea de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro como um sintoma da profunda crise de mediação democrática e hiperpolarização no Brasil. Correspondentes estrangeiros e agências globais destacaram que a "fuga" dos líderes das pesquisas transformou o evento tradicional em um palanque para azarões e transformou o formato em um "teatro de púlpitos vazios".
Abaixo, detalha-se a cobertura internacional por meio de 10 reportagens, análises e opiniões de veículos de jornalismo profissional estrangeiros.
I) Repercussão na Mídia Estrangeira:
1. Reuters (Agência Global / Reino Unido): "Líderes nas pesquisas boicotam primeiro debate no Brasil":
A agência de notícias britânica distribuiu uma ampla cobertura detalhando a decisão de Lula e Flávio Bolsonaro de não comparecerem à Band. A reportagem da Reuters pontuou que o boicote simultâneo reflete uma estratégia pragmática de risco calculado, em que candidatos consolidados evitam o desgaste do confronto direto em canais abertos, preferindo se comunicar com suas bases por meios digitais controlados ou entrevistas exclusivas pré-gravadas.
2. The New York Times (EUA): "Púlpitos vazios ilustram a nova era das campanhas digitais":
A correspondência do The New York Times no Brasil trouxe uma análise focada no impacto das mídias digitais sobre os ritos tradicionais da democracia. O jornal destacou a imagem forte dos púlpitos vazios no estúdio de São Paulo e apontou que, ao trocarem o estúdio de TV por transmissões ao vivo em redes sociais e entrevistas amigáveis paralelas, as principais forças políticas brasileiras escanteiam o jornalismo profissional e enfraquecem o debate público.
3. El País (Espanha): "O debate mais fantasma da história democrática brasileira":
O periódico espanhol El País classificou o encontro como o mais "fantasma" e esvaziado desde a redemocratização do país em 1989. A reportagem descreveu o constrangimento logístico de ter apenas Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Curydividindo um palco montado para seis pessoas e ressaltou que a agressividade verbal de candidatos menores serviu para expor o tamanho do ressentimento das franjas políticas contra a atual polarização.
4. Le Monde (França): "No Brasil, a ausência de debate expõe uma democracia sob estresse":
A análise do correspondente do francês Le Monde contextualizou a ausência dos líderes sob a ótica da saúde institucional do Brasil. O artigo argumentou que, quando o atual presidente e o herdeiro político do bolsonarismo se recusam a responder a questionamentos da imprensa e de adversários em rede nacional, cria-se um precedente perigoso para as eleições na América Latina, onde a prestação de contas pública passa a ser tratada como opcional.
5. Financial Times (Reino Unido): "Investidores de olho no silêncio fiscal do debate brasileiro":
O jornal econômico britânico Financial Times abordou o esvaziamento sob a perspectiva de mercado. A publicação registrou que as propostas econômicas ficaram em segundo plano devido à ausência das duas candidaturas que realmente têm chances de ditar a política fiscal a partir de 2027. O texto mencionou que o debate acabou dominado por discursos populistas de endurecimento da segurança pública e propostas vagas sobre a jornada de trabalho (escala 6x1).
6. Clarín (Argentina): "O curioso debate presidencial brasileiro sem os favoritos":
O principal jornal da Argentina, o Clarín, cobriu o evento destacando o descontentamento geral da população brasileira, conforme monitorado pelas redes. A reportagem traduziu as ofensas e acusações trocadas no palco — incluindo os termos fortes usados pelo candidato Renan Santos contra Flávio Bolsonaro — e explicou ao público argentino que o fenômeno das "cadeiras vazias" frustrou os eleitores que esperavam o primeiro grande choque entre o PT e o PL na TV.
7. Bloomberg (EUA): "Lula e Bolsonaro evitam confronto enquanto corrida eleitoral esfria na TV":
A agência de notícias econômicas Bloomberg destacou que o desinteresse público pelo debate medido nos índices de audiência foi uma vitória tática para Lula e Flávio Bolsonaro. De acordo com a análise, as campanhas dos líderes conseguiram mitigar os riscos de deslizes ao vivo, deixando que os candidatos menores gastassem sua energia brigando entre si ou atacando "alvos invisíveis" no estúdio.
8. DW - Deutsche Welle (Alemanha): "O esvaziamento dos debates e o isolamento em bolhas":
O serviço internacional de comunicação da Alemanha, a Deutsche Welle, publicou um artigo de opinião criticando a postura dos candidatos ausentes. A DW ressaltou que o cancelamento de última hora do ex-governador Romeu Zema consolidou a percepção de que os debates televisivos tradicionais estão perdendo sua centralidade na América Latina, sendo progressivamente substituídos pelo engajamento hiper-segmentado de bolhas ideológicas na internet.
9. Associated Press - AP (EUA): "Terceira via tenta roubar os holofotes em palco deserto":
A agência americana Associated Press focou na performance dos três candidatos presentes. O despacho da AP explicou que Ronaldo Caiado buscou se posicionar como um nome de centro-direita equilibrado, focado em segurança, enquanto o autor Augusto Cury tentou apelar para a moderação e para o eleitorado de base na educação. A agência pontuou, contudo, que sem os líderes das pesquisas no local para contrapor os dados, o esforço da chamada "terceira via" teve pouco alcance prático.
10. El Universo (Equador): "Brasil repete tendência regional de boicote a debates na TV":
O jornal equatoriano El Universo traçou um paralelo entre o ocorrido no Brasil e os processos eleitorais recentes em outros países da América Latina, onde candidatos favoritos frequentemente faltam aos primeiros debates televisivos para preservar capitais políticos. O veículo apontou que a estratégia de Lula de classificar debates prévios como locais para "ouvir bobagem" virou tendência e fragiliza o modelo de pools de imprensa na região.
II) Eixos de Crítica da Imprensa Estrangeira:
Ao sintetizar as dez coberturas internacionais, percebe-se que as análises dos correspondentes estrangeiros convergiram em três pontos de preocupação global:
  • Degradação do Rito Democrático: A percepção externa de que o comparecimento a debates televisivos deveria ser uma obrigação moral dos candidatos, e que sua recusa sinaliza um distanciamento da prestação de contas pública.
  • Substituição pela Comunicação Unilateral: O alerta de que o rádio e a televisão aberta estão perdendo a capacidade de mediar e confrontar dados falsos, transferindo o peso da eleição para redes sociais onde o eleitor consome apenas narrativas de sua própria preferência.
  • Inexpressividade da Terceira Via: O registro técnico de que, apesar do esforço de Caiado, Renan Santos e Cury em apresentarem plataformas estruturadas, suas candidaturas continuam marginalizadas pela forte atração gravitacional que Lula e a família Bolsonaro exercem sobre o eleitorado brasileiro. 

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