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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Fevereiro de 2026: quatro anos de guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia: o que eu andei postando em Janeiro e Fevereiro de 2022? (Diplomatizzando)

Eu e a Ucrânia 

Paulo Roberto de Almeida 

Comecei a seguir os assuntos da Ucrânia desde o início dos anos 2000, depois que o Congresso brasileiro recusou aprovação ao acordo de salvaguardas Brasil-Estados Unidos para o lançamento de satélites contendo tecnologia americana – vetores e componentes – a partir da base de Alcântara. Na época, petistas nacionalistas e outros companheiros aliados fizeram oposição ao acordo, concebido pelo ministro de Ciência e Tecnologia do governo Fernando Henrique Cardoso, embaixador Ronaldo Mota Sardenberg, a pretexto de que seria uma subordinação inaceitável ao imperialismo americano, pois preservava tecnologia restrita dos EUA, que não estaria aberta ao Brasil. Um acordo substituto entre o Brasil e a Ucrânia foi assinado pelo governo Lula, mas nunca produziu resultados práticos, um pouco pelos mesmos motivos – cuidados com segredos tecnológicos – e também por outras causas mais prosaicas. Depois de gastar centenas de milhões de dólares, e nada de lançamento brasilo-ucraniano, o acordo bilateral (que também tinha salvaguardas) foi encerrado no governo Dilma, deixando possíveis pendências financeiras e contratuais.

Mas na mesma época, minha atenção às questões ucranianas foi novamente chamada pelas revoltas políticas e reviravoltas governamentais que se processavam no país desde a revolução "laranja", uma década antes, mas, obviamente, bem mais em 2013-2014, por uma nova revolução, na qual estava em questão a possível adesão da Ucrânia à União Europeia e, possivelmente, à Otan. Foi a janela encontrada por Putin para invadir a península ucraniana da Crimeia e anexá-la ilegalmente à Rússia, em fevereiro de 2014. Lembro-me que o governo Dilma Rousseff sequer se pronunciou sobre a questão, com a alegação de que se tratava de assunto interno à Ucrânia. A realização de uma cúpula do BRICS no meio do ano de 2014, em Fortaleza, talvez explique melhor as razões do silêncio complacente do Brasil para com a Rússia ante esse gesto claramente violador da Carta da ONU, contrário, portanto, às tradições, valores e princípios da postura diplomática do Brasil. Nunca aceitamos usurpações territoriais pela forças, antes mesmo da Carta da ONU, ainda no Estado Novo varguista, suspeito de simpatias com as forças nazifascistas europeias. 

Quando Hitler invadiu a Polônia, em 1939, não reconhecemos a anexação violenta de seu território pela Alemanha nazista. O mesmo ocorreu em 1940, quando Stalin invadiu e anexou os três países bálticos, com os quais mantínhamos relações diplomáticas, desde seu surgimento como Estados independentes.

A partir de 2014, eu passei, portanto, a seguir mais de perto os assuntos ucranianos, tanto por interesse na situação em si da paz e segurança na Europa central, tendo em vista outras movimentações de Putin naquela região (Georgia, Moldova), quanto pelo fato de a diplomacia brasileira permanecer estranhamente silenciosa, em face de uma grave violação do direito internacional.

Natural, assim, que nos últimos meses de 2021 e nas primeiras semanas de 2022, eu tenha passado a seguir diariamente os anúncios de uma possível invasão russa da Ucrânia, inclusive porque o presidente americano Joe Biden não cessava de falar nisso, praticamente todos os dias desde setembro-outubro de 2021 e de modo ainda mais enfático em janeiro e fevereiro de 2022.

Apenas para demonstrar meu grau de interesse pelo assunto, transcrevo abaixo todas as postagens que efetuei em meu blog Diplomatizzando em janeiro e fevereiro de 2022, que devem ser consideradas na ordem inversa, obviamente, as mais antigas abaixo, em cima as mais recentes: 

 

  fevereiro (116)

Depois vou dar destaque a algumas dessas postagens, como aliás já nesta aqui: 

 https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/02/quatro-anos-completos-de-guerra-de.html

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 24 de fevereiro de 2026 

 

 

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

O imperialismo chinês, ou o capitalismo chinês, não têm nada a ver com equivalentes atuais ou passados: uma pesquisa publicada na revista International Security

Reproduzindo trecho de uma postagem que se encontra neste mesmo blog um pouco abaixo: 

Temos um imperialismo cruel em plena ação, por um líder assassino racional: Putin. Temos um outro em ação desencontrada por um líder demencial: Trump. Ambos condenados desde já no plano da ética, e mais adiante na prática. Temos um outro imperialismo, mas de uma outra natureza e isto pode ser constatado num artigo da International Security, que li e transcrevi recentemente. Um excerto:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2025/08/china-its-true-objectives-in-foreign.html

"Our findings indicate that China is a status quo power concerned with regime stability and is more inwardly focused than externally oriented. China's aims are unambiguous, enduring, and limited: It cares about its borders, sovereignty, and foreign economic relations. China's main concerns are almost all regional and related to parts of China that the rest of the region has agreed are Chinese—Hong Kong, Taiwan, Tibet, and Xinjiang. Our argument has three main implications. First, China does not pose the type of military threat that the conventional wisdom claims it does. Thus, a hostile U.S. military posture in the Pacific is unwise and may unnecessarily create tensions. Second, the two countries could cooperate on several overlooked issue areas. Third, the conventional view of China plays down the economic and diplomatic arenas that a war-fighting approach is unsuited to address."


This leads to a key question: What does China want? To answer this question, this article examines contemporary China's goals and fears in words and deeds. In contrast to the conventional view, the evidence provided in this article leads to one overarching conclusion and three specific observations. Overall, China is a status quo power concerned with regime stability, and it remains more inwardly focused than externally oriented. More specifically: China's aims are unambiguous; China's aims are enduring; and China's aims are limited.

First, China's aims are unambiguous: China cares about its borders, its sovereignty, and its foreign economic relations. China cares about its unresolved borders in the East and South China Seas and with India, respectively. Almost all of its concerns are regional. Second, China deeply cares about its sovereign rights over various parts of China that the rest of the region has agreed are Chinese—Hong Kong, Taiwan, Tibet, and Xinjiang. Third, China has an increasingly clear economic strategy for its relations with both East Asia and the rest of the world that aims to expand trade and economic relations, not reduce them.

It is also clear what China does not want: There is little mention in Chinese discourse of expansive goals or ambitions for global leadership and hegemony. Furthermore, China is not exporting ideology. Significantly, the CCP's emphasis on “socialism with Chinese characteristics” is not a generalized model for the world.15 In contrast, the United States claims to represent global values and norms. What China also does not want is to invade and conquer other countries; there is no evidence that China poses an existential threat to the countries on its borders or in its region that it does not already claim sovereignty over.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Blog Diplomatizzando: algumas estatísticas - Paulo Roberto de Almeida

Blog Diplomatizzando:

Levantamento efetuado em 2/12/2024: 

Total de visualizações da página em contagens anualizadas: 

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Postagens efetuadas, número anuais: 

Últimas Postagens:

Total de postagens, de 17/06/2006 a 2/12/2024: 

28.055 postagens

 (ou 434 visualizações por cada uma das postagens, em média)




sábado, 29 de junho de 2024

O mundo fraturado e o Brasil - Paulo Roberto de Almeida

 O mundo atual não está apenas fragmentado: na verdade, ele está claramente dividido, fraturado entre dois grandes blocos, dois impérios geopoliticamente opostos, plenamente evidente desde quando Putin empreendeu de restabelecer a grandeza totalitária do império soviético, e também visivel desde quando Xi Jinping resolveu restabeleceu s grandez do Império do Meio.

 Não apenas ao nível geopolítico: o mundo também está dividido em dois campos culturalmente, democraticamente opostos., valores e princípios claramente diferenciados.

 E o Brasil, já escolheu o seu lado? Democracia e DH, ou o quê? 

Sabemos?

O fato é que o Brasil não sabe o que é, não sabe o que pretende, e não tem ideia do que fazer para superar sua atual letargia.

Paulo Roberto de Almeida 

Brasília, 30/06/2024

sábado, 20 de abril de 2024

Perspectivas negativas para a ordem mundial no futuro imediato - Paulo Roberto de Almeida

Perspectivas negativas para a ordem mundial no futuro imediato

 

Paulo Roberto de Almeida, diplomata, professor.

Nota sobre o difícil parto de uma nova ordem mundial.

 

A chamada “ordem mundial” – que é, mais bem, uma desordem atualmente –encontra-se fragmentada, muito em função de desacordos e até mesmo hostilidade entre as grandes potências mundiais, que são as que possuem algum controle sobre a agenda multilateral, hoje esgarçada entre interesses divergentes entre a comunidade ocidental (EUA e o meio império europeu) e as duas grandes autocracias que lhe são opostas nos objetivos políticos globais.

A capacidade de liderança americana parece paralisada por uma grande divisão interna. O delírio do povo trumpista foi longe demais; a deformação do partido Republicano parece irreversível; se a Justiça não conseguir barrar o populista autoritário ele vai destruir instituições e arruinar a credibilidade dos EUA no mundo. Os europeus tampouco conseguem mostrar-se unidos, em grande medida pelos avanços da extrema-direita em diversos países: a guerra da Ucrânia pode ter exacerbado essas divisões.

A Rússia pode até o reter parte do território ucraniano, sacrificando milhares de seus soldados e mercenários estrangeiros, mas sairá terrivelmente diminuída economicamente e militarmente dessa guerra insana de Putin, portanto dependente de favores chineses. 

Quanto à China, o novo imperador parece ter exercido um controle nefasto sobre o seu dinamismo econômico, centralizando demais as decisões de investimento. Ou seja, a perspectiva de superar a economia americana parece ter ficado mais afastada em vários anos. 

A tal de “nova ordem” virou uma paródia, com o ajuntamento de países autoritários nesse Brics+ sem qualquer papel positivo para um sistema interdependente no plano econômico global ou liberal no plano das liberdades democráticas. 

Pena que Lula embarcou nessa aventura lá atrás, como eu sempre critiquei: não existe NENHUMA convergência entre os objetivos das duas grandes autocracias e as aspirações nacionais do Brasil. Dificuldades visíveis para o Brasil na liderança do G20 em 2024.

 

Paulo Roberto de Almeida

Brasília, 4545, 9 janeiro 2024, 1 p.

 

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Blog Diplomatizzando: O sentido do trabalho de resistência intelectual - Paulo Roberto de Almeida

 O sentido do trabalho de resistência intelectual 

Paulo Roberto de Almeida

Nota no blog Diplomatizzando sobre a essência de meu trabalho solitário.

   

A resistência puramente “literária”, conduzida solitariamente no âmbito de uma reclusão reflexiva, no isolamento de um limbo, ou no contexto de uma longa travessia do deserto, pode ser a menos eficiente de todas: ela não pertence a nenhum movimento, não está ligada a nenhum partido, não tem vínculos organizacionais nem pretende ter seguidores próprios.

Ela se sustenta em si mesma, na convicção de defender uma causa legítima, a preservação das liberdades, a necessidade de pensar com sua própria cabeça, a vontade de não fazer parte de nenhum rebanho, a certeza de que não se pode jamais renunciar à reflexão independente, ao espírito crítico, à contestação eventual das idées reçues, das verdades estabelecidas.

Isolada no seu canto, ela pode ter de se instalar numa pequena fortaleza feita de cadernos e livros, de se refugiar num humilde e obscuro quilombo de resistência intelectual, tendo como “armas” unicamente a palavra e a escrita, raramente um megafone, simplesmente pequenas mensagens, em garrafas, lançadas em um mar desconhecido.

Dificilmente, essas “pílulas” de resistência obstinada alcançam repercussão. Elas se perdem, na voragem do entusiasmo pelos novos tempos, na promessa dos lendemains qui chantent, nas mentiras confortáveis que satisfazem os ingênuos e os espíritos incautos.

Mas é preciso persistir, por um simples dever de consciência, individual e, no mais das vezes, solitária, cidadã se for o caso. Não importa: o que se faz não tem intenção de criar nenhum movimento, de mobilizar nenhuma força organizada, apenas tem a pretensão de alertar os demais membros da comunidade, a partir do conhecimento do passado, de uma atenta observação do presente e de alguma percepção quanto ao que pode vir pela frente.

Tive essa percepção, precocemente, em 2003, adquiri plena certeza em 2004, e vi confirmados meus piores temores nos dois anos seguintes. Mas aí já era tarde: eu já estava no limbo. E permaneci na minha longa travessia do deserto pelos dez anos seguintes, só cercado de meus livros e cadernos, refugiado em meu quilombo de resistência intelectual, de onde eu eventualmente lançava uma garrafa ao mar.

Não foi suficiente: o problema cresceu, o câncer da inépcia e da corrupção se agigantou, e terminou por engolfar o país na Grande Destruição, a maior de toda a nossa história.

Tive novamente a mesma percepção em meados de 2018, antes mesmo que a possibilidade se confirmasse. Imaginei que o desastre pudesse ser contido em algum momento, pelo temor de um novo desastre, por alertas que pudessem ser feitos em apelo à consciência cidadã – abafada, porém, pela ignorância eleitoral –, pela ilusão de que, uma vez consumada a escolha, as necessidades práticas da administração corrigissem as piores perspectivas de gestão.

Não foi suficiente: adquiri a certeza de estávamos embarcando numa viagem para o desconhecido logo nos dois primeiros dias da nova aventura, e obtive todas as confirmações nas semanas seguintes. A partir de 2019, as etapas e sinais construtores da nova caminhada ao precipício foram se acumulando.

Fui levado novamente ao ostracismo, ao que eu chamo de limbo de resistência intelectual, e iniciei nova jornada de uma penosa viagem pelo deserto de minha solidão, cujo percurso e duração são ainda indeterminados. Não importa, eu me disse: persistirei, como da outra vez, embora não deseje um novo desastre para a comunidade. Foram quatro longos anos de desvarios, de bizarrices e de loucuras. 

No final de 2022, tive a percepção de que havia a possibilidade real de um novo mergulho no desconhecido, tantas foram as paixões desatadas. 

De novo senti a necessidade de lançar novas garrafas ao mar. Assim o fiz...

O desastre poderia ter sido maior, dadas as revelações feitas recém em 2024, por externalidades que nada têm a ver com as inconsistências da dinâmica interna, própria à inépcia e à corrupção embutidas no pacote adquirido lá atrás.

Só fomos salvos porque os conspiradores eram incompetentes, burros demais para implementarem um golpe com todos os requisitos de um golpe efetivo. E isto apenas porque os militares não toparam entrar numa nova aventura. Não porque fossem democratas, apenas porque a situação lhes era confortável para embarcar num novo itinerário que lhes trouxesse tantos desastres quanto a ditadura do regime militar de 1964 a 1984. Não foram conscientes e democratas, pois se o fossem teriam denunciado os golpistas. Apenas ficaram calados e parados.

Tenho confiança de que expresso o que efetivamente ocorreu no Brasil nos últimos cinco anos: nossa democracia ainda é frágil.

Persistirei no meu quilombo de resistência intelectual, este meu blog.

Como disse, não tenho movimento, nem partido, nem seguidores. Apenas minha liberdade, minha consciência, minha pluma, de vez em quando a palavra, quase inaudível.

Não importa!

Persistirei...

 

Brasília, 11 de fevereiro de 2024


domingo, 31 de dezembro de 2023

Blog Diplomatizzando: um resistente intelectual, 17 anos de postagens, 10 milhões de acessos - Paulo Roberto de Almeida

Blog Diplomatizzando: um resistente intelectual

Paulo Roberto de Almeida

 Meu blog, na verdade o quilombo de resistência intelectual, já completou 17 anos, acredito que de bons serviços à comunidade acadêmica interessada em relações internacionais, política externa e diplomacia do Brasil, ademais de temas de relações econômicas internacionais, integração, finanças e comércio internacional, sem esquecer livros e cultura em geral.

Abaixo, um simples registro numérico do número de postagens ao longo dos anos, destacando alguns anos especialmente produtivos, nem sempre no Brasil. Antes deste Diplomatizzando, eu tive uma série de outros blogs, sucessivos ou simultâneos (dedicados a temas setoriais), cuja lista também pode ser encontra mais abaixo na coluna da direita (não por isto).

Nesse período, tive quase 11 milhões de "visitas", acessos, visualizações, ou o que seja, com muitos comentários feitos em muitas postagens.

Convido a mais visitas, especialmente estudantes.

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Tenho mais de 900 seguidores, mas não tenho certeza de que todos eles acessem o blog regularmente: 

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Postagem em destaque

Putin renounces to International Law, proclaimed until 2005; no more now

Putin intends to authorise missile strikes or ‘special operations’ abroad to save himself and his accomplices from a jail cell in The Hague....