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quinta-feira, 5 de março de 2026

A obra mais recente do intelectual francês especializado no mundo árabe e especialmente no terrorismo muçulmano, Gilles Kepel, é analisada, como sempre, por Madame IA (Le Figaro)

 A obra mais recente do intelectual francês especializado no mundo árabe e especialmente no terrorismo muçulmano, Gilles Kepel, é analisada, como sempre, por Madame IA:


Em seu novo livro, Holocausto (Plon), o professor universitário descreve o novo cenário geopolítico que emergiu após 7 de outubro e o início da guerra em Gaza. Ele aponta para os becos sem saída de um "Sul Global" cujos defensores não compartilham nada além do ódio ao Ocidente. LE FIGARO - O título do seu livro, Holocausto, pode dar a impressão de que o senhor está equiparando os pogromistas de 7 de outubro à guerra travada pelas Forças de Defesa de Israel em Gaza. O mesmo termo pode ser usado para ambos os eventos? GILLES KEPEL. O objetivo não é estabelecer uma equivalência entre o massacre em Gaza e os ataques do Hamas, que lembram pogroms, mas sim mostrar que, com o 7 de outubro e suas consequências, estamos testemunhando uma tentativa de remodelar completamente a ordem moral mundial. Após o extermínio dos judeus pelos nazistas, houve um consenso entre o bloco soviético e o Ocidente — os julgamentos de Nuremberg, em 1947, sendo sua expressão mais significativa. Contudo, hoje, em muitos países do "Sul Global", e até mesmo em certos círculos europeus e entre estudantes universitários, vemos o apagamento da memória do 7 de outubro devido ao subsequente massacre em Gaza. O fundamento ético da ordem mundial não é mais o "nunca mais" após os horrores de Hitler, mas a luta contra a colonização, retrospectivamente redefinida como genocídio. Isso altera o cenário geopolítico, uma vez que o confronto entre o Ocidente e o bloco soviético é substituído por um conflito essencializado entre um Norte que supostamente personifica todo o horror moral e o "Sul Global", que supostamente carrega todas as virtudes positivas. Para efetivar essa inversão epistemológica — e especialmente ideológica —, invoca-se o Holocausto. A África do Sul, portanto, levou um caso de genocídio contra Israel ao Tribunal Internacional de Justiça, insinuando que o povo judeu, vítima do genocídio nazista que levou a ONU a criar o Estado de Israel em 1947, tornou-se um povo genocida e, consequentemente, que seu Estado é desprovido de legitimidade. Você fala de uma nova Guerra Fria entre o "Sul Global" e o Ocidente. Não deveria esse conceito de "Sul Global" ser questionado, especialmente após o ataque jihadista que atingiu a Rússia? De fato. A noção abrangente de "Sul Global" ignora o fato de que esses estados, supostamente personificando o bem e a lei, são em sua maioria governados por regimes iliberais e repressivos e, sobretudo, que uma parcela significativa da população do Sul Global em questão, oprimida por potências autoritárias ou sofrendo com sua falência e corrupção, deseja vir viver no supostamente odiado, porém democrático e próspero, Norte Global. O exemplo mais recente foi a decisão de Ursula von der Leyen e dos demais chefes de Estado da União Europeia de pagar 7,5 bilhões de euros ao Marechal Sisi para evitar um ataque israelense a Rafah e uma possível entrada de palestinos fugindo para o Egito, o que resultaria em travessias ilegais para países europeus. Portanto, estamos lidando com um grande engano ideológico, mas também com uma aberração geopolítica. Isso porque esse chamado "Sul Global" engloba o antigo Terceiro Mundo e a maior parte do antigo bloco soviético que não foi integrada à União Europeia, ou seja, a China de Xi Jinping e a Rússia de Putin. Este último tentou a reconciliação palestina, sem sucesso, unindo o Hamas e o Fatah e estendendo o tapete vermelho para o presidente iraniano Khamenei, líder do "eixo da resistência" contra Israel. Mas ele sofreu um golpe terrível com o ataque em Moscou, reivindicado pelo Estado Islâmico no Khorasan. Este grupo é composto por sunitas ultrarradicais originários do sul muçulmano — da Rússia à Ásia Central, Afeganistão e o nordeste sunita do Irã, o Baluchistão. Eles aprimoraram suas habilidades na Síria, nas fileiras do ISIS, onde lutaram contra Bashar al-Assad e os russos que o apoiavam. Assim, são assombrados por seu próprio "Sul global". O Kremlin, apesar de se autoproclamar campeão do BRICS+, enfrenta uma ameaça jihadista em seu próprio território. A população étnica da Rússia é extremamente pequena, ainda menor que a da União Europeia, enquanto a população muçulmana da Rússia, do Cáucaso à Ásia Central, representa atualmente 20% da Federação e chegará a 30% em dez anos. Isso alterará drasticamente o equilíbrio de poder, e Moscou está lidando com a situação de forma bastante inadequada. Esse defensor do "Sul Global", paradoxalmente, possui as características internas de um país do Norte! Você fala de um "choque de civilizações inverso", um termo adotado pelos inimigos do Ocidente. Que "civilização" o "Sul Global" alega defender? Não existe uma única civilização do "Sul Global"; isso é uma fantasia. Samuel Huntington, em seu artigo de 1994 "Choque de Civilizações?", citou meu livro *A Vingança de Deus*, e posteriormente almocei com ele em Harvard. Disse-lhe que, no entanto, não compartilhava de sua visão essencialista de civilizações e religiões. Isso se deve, em particular, ao fato de que, em nosso país, temos inúmeros exemplos de cidadãos de origem muçulmana e imigrante que compartilham os valores da cidadania e até mesmo se consideram parte de nossas elites econômicas, culturais ou políticas. Eles abominam o separatismo defendido pelo movimento islâmico, que, além disso, os estigmatiza como "apóstatas". Contudo, hoje, encontramos essa visão essencialista novamente, mas sendo promovida de forma inversa pelos proponentes do "Sul Global". Para eles, todo indivíduo do "Sul Global" é moralmente bom, e o Norte é reduzido à mancha ética do colonialismo. Essa é a teoria de Huntington de cabeça para baixo! É tudo uma farsa ideológica, da qual a África do Sul, onde o ANC enfrenta dificuldades, se tornou o principal exemplo. Com a acusação de genocídio contra Israel feita pela África do Sul, você diria que a ONU também está cedendo a essa retórica? A ONU está atualmente em uma crise bastante profunda. Os Estados que afirmam representar o "Sul Global" querem que a França e o Reino Unido, antigas potências em declínio demográfico e emblemáticas culpadas de crimes coloniais, sejam expulsas do Conselho de Segurança e substituídas por países emergentes mais populosos, como a Índia ou o Brasil. A ONU se encontra em um estado de impotência sem precedentes devido à desconexão entre suas instituições e essas demandas. Isso pode ser visto, por exemplo, no caso da UNRWA, a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina: um escândalo irrompeu quando os israelenses conseguiram comprovar que 12 de seus funcionários estavam entre os autores dos ataques de 7 de outubro. Philippe Lazzarini, chefe da agência, foi questionado sobre este assunto precisamente no dia em que outro órgão da ONU, o Tribunal Internacional de Justiça, emitiu sua decisão sobre o pedido da África do Sul e indicou, não que Israel era "culpado de genocídio" — como Pretória esperava — mas pediu ao Estado judeu que "tomasse medidas para prevenir quaisquer práticas genocidas". Para Israel, isso foi, portanto, uma forma de contradizer a ONU, que não tinha controle sobre a UNRWA, no exato momento em que o Tribunal Internacional de Justiça proferia um veredicto que Israel não apreciou. Mas não é apenas a ONU que é afetada por essa reconfiguração da ordem moral mundial. Os Estados Unidos também são impactados. Tradicionalmente, a política americana no Oriente Médio era ditada, antes de tudo, pelo lobby pró-Israel, tanto democrata quanto republicano. No entanto, hoje, um grupo de árabes-americanos que se uniram em Dearborn, Michigan, conseguiu estabelecer uma espécie de lobby anti-Israel em todo o estado, que influencia a eleição presidencial graças aos seus votos eleitorais. Nesse estado decisivo, que Joe Biden venceu em 2020 por apenas 150 mil votos, 100 mil eleitores votaram em candidatos indecisos nas primárias democratas, punindo o então presidente por fornecer a Israel as bombas usadas para devastar Gaza. Biden, portanto, está numa situação delicada: ou ele se alinha com as minorias árabes e africanas nos Estados Unidos, bem como com os jovens democratas, e perde os votos dos judeus americanos, que ainda o apoiam de forma esmagadora [...].

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Esta análise crítica processa as teses de Gilles Kepel em seu livro Holocausto, confrontando-as com a reconfiguração da ordem moral e geopolítica global contemporânea.
1. A Inversão Epistemológica: Do "Nunca Mais" ao "Anticolonialismo"
A observação central de Kepel é a substituição do paradigma ético que sustentou o pós-Guerra.
O Deslocamento do Eixo: Se em 1947 o consenso de Nuremberg estabeleceu o genocídio nazista como o "mal absoluto", hoje o "Sul Global" (e setores da academia ocidental) elege o colonialismo como o pecado original.
A Instrumentalização do Holocausto: A análise de Kepel sugere que o uso do termo "genocídio" contra Israel pela África do Sul no TIJ não é apenas uma disputa jurídica, mas uma tentativa de anular a legitimidade moral do Estado judeu, invertendo os papéis de vítima e agressor históricos para validar uma nova hierarquia de virtudes.
2. A Falácia da Civilização do "Sul Global"
Kepel desconstrói o "Sul Global" como uma entidade coesa, classificando-o como uma farsa ideológica:
Regimes Iliberais: Ele aponta a contradição de regimes autoritários e corruptos (como a Rússia e o Irã) se apresentarem como defensores da "justiça" contra um Ocidente "decadente".
O Paradoxo Migratório: O autor destaca o "plebiscito dos pés": as populações do Sul Global, embora teoricamente ensinadas a odiar o Norte, buscam refúgio e prosperidade nas democracias liberais, evidenciando a superioridade prática das instituições ocidentais sobre a retórica de seus líderes.
A Ameaça Interna Russa: A análise sobre a Rússia é perspicaz ao notar que Moscou, ao tentar liderar o BRICS+, enfrenta sua própria insurgência islâmica interna. A Rússia possui características de um país do "Norte" (demografia declinante e elite étnica minoritária) tentando gerir um "Sul" interno explosivo.
3. O Choque de Civilizações Inverso
Ao citar Huntington, Kepel propõe que vivemos uma versão essencialista invertida.
Reducionismo Moral: Enquanto Huntington via o Ocidente sob ameaça, os ideólogos do Sul Global agora veem o Norte como intrinsicamente maligno.
A Crise das Instituições Multilaterais: A paralisia da ONU e os escândalos da UNRWA são vistos como sintomas de uma organização que perdeu sua bússola moral ao tentar acomodar as exigências de potências emergentes (como Brasil e Índia) que buscam substituir a hegemonia europeia no Conselho de Segurança.
4. A Geopolítica Doméstica dos EUA
Kepel identifica o impacto direto desse "choque inverso" na política interna americana. A pressão de minorias e jovens democratas em estados-chave como Michigan (Dearborn) força Joe Biden a um equilibrismo precário: manter a aliança estratégica com Israel ou ceder à pressão de uma base eleitoral que identifica a causa palestina com a luta antirracista e anticolonial doméstica.
Síntese Crítica
A tese de Kepel sugere que o mundo não está apenas dividido por interesses econômicos, mas por uma guerra de narrativas morais. O perigo reside na perda de um padrão universal de direitos humanos em favor de um julgamento baseado na "identidade política" das nações. O Sul Global, ao se definir puramente pelo "ódio ao Ocidente", corre o risco de ignorar suas próprias contradições e o radicalismo que cresce em suas fronteiras internas.

* Comando [texto original de 2024]:
https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/gilles-kepel-le-sud-global-est-une.html
https://www.lcrs-politica.com/research/gilles-kepel-le-sud-global-est-une-grande-imposture-ideologique-et-une-aberration-geopolitique
** Resposta:
https://share.google/aimode/5WwjppwTj04y3XCc1

Madame IA, novamente requisitada por Airton Dirceu Lemmertz, comenta meu artigo mais recente na revista digital Será? - Paulo Roberto de Almeida

Não foi palestra, foi uma conferência, com todas as honras, mas Madame IA não precisa saber de todos os detalhes.

 A palestra de Rui Barbosa, assim como diversos dos seus outros discursos por ocasião da segunda Conferência da Paz da Haia, em 1907, sempre constituíram um marco conceitual relevante na formulação jurídica e na implementação prática da doutrina diplomática brasileira, integrando nosso patrimônio político e moral na tomada de posição em relevantes questões da agenda internacional, sobretudo em problemas atinentes à paz e a segurança internacionais, tal como modernamente regulamentadas pelos principais dispositivos da Carta das Nações Unidas (contra a guerra e a opressão, justamente), assim como em diversos outros instrumentos do Direito Internacional. Ou pelo menos constituíam, pois que desde a invasão violenta e a anexação ilegal, pela mesma Rússia, em 2014, da península ucraniana da Crimeia, tais princípios de Direito Internacional e do sistema político multilateral deixaram de fazer parte de nossa doutrina diplomática: o governo Dilma Rousseff não tomou oficialmente posição, mas declarou informalmente sua “neutralidade” em relação àquela violência perpetrada contra um Estado soberano, membro das Nações Unidas. Naquela ocasião, diversos estados membros da Organização das Nações Unidas, tomaram oficialmente posição na defesa dos princípios da Carta da ONU, acusando a violação do Direito Internacional e adotando sanções contra o agressor, sanções inteiramente conformes ao espírito e à letra dos artigos 41 e 42 da Carta, apenas “unilaterais” em virtude do uso abusivo do “direito de veto” pela Rússia, então como agora, em circunstâncias similares e até semelhantes, mas de natureza muito mais grave, pois que se estava falando da invasão unilateral, não provocada, do território soberano de um Estado parte por outro membro, inclusive em situação ainda mais ilegal, pois que formalmente responsável pela garantia da lei e da ordem, da paz e da segurança internacionais, em conformidade com os princípios que regem a atuação dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, como é o caso da Rússia. Tal “neutralidade” distorcida, em relação ao que recomendam artigos da Carta das Nações Unidas em casos de guerras de agressão unilaterais, como a que ocorreu na Ucrânia duas vezes, 12 e 5 anos atrás, continuou a fazer parte da política externa do governo Bolsonaro, em 2022, e como tal foi mantida, até com agravantes políticos e diplomáticos, pelo governo de Lula 3, a partir de 2023 até os dias que correm. Voltando ao tema da “neutralidade” brasileira, e retomando princípios e valores que já pareciam consagrados em nossa doutrina jurídico-diplomática desde Rui Barbosa, hoje aparentemente esquecidos pelos governos de Bolsonaro e de Lula 3, cabe remeter a argumentos de natureza simplesmente moral, ou de cunho apenas humanos, expostos por um sobrevivente do Holocausto nazista, o judeu polonês Elie Wiesel, tal como transcritos abaixo: “Precisamos tomar partido. A neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. O silêncio encoraja o algoz, nunca o atormentado. Às vezes, precisamos intervir. Quando vidas humanas estão em perigo, quando a dignidade humana está ameaçada, fronteiras e sensibilidades nacionais tornam-se irrelevantes. Onde quer que homens e mulheres sejam perseguidos por causa de sua raça, religião ou opiniões políticas, esse lugar deve — naquele momento — tornar-se o centro do universo.” (Elie Wiesel) Tradução livre: “Precisamos tomar partido. A neutralidade ajuda o opressor, jamais a vítima. O silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado. Em algumas ocasiões, precisamos interferir. Quando vidas humanas estão em perigo, quando a dignidade humana está sob ameaça, quando as fronteiras nacionais e as sensibilidades se tornam irrelevantes. Onde quer que homens e mulheres são perseguidos por causa de sua raça, religião ou posturas políticas, aquele lugar precisa — naquele momento — tornar-se o centro do universo.” Este é o caso, neste momento e nos últimos 4 anos, em relação à guerra de agressão, ilegal, desumana, contra o país e o povo da Ucrânia, violadora do Direito e da consciência universais. Os princípios e valores da nossa tradição diplomática, as cláusulas de relações internacionais de nossa própria Constituição assim o pedem. Assim deveríamos fazer: tomar partido, como recomendava Rui Barbosa, como aquiesceu Oswaldo Aranha, como apelou Elie Wiesel.

Esta é uma 
análise crítica e estruturada sobre a antinomia entre a tradição jurídica da diplomacia brasileira e a prática política contemporânea frente ao conflito na Ucrânia, conforme proposto em sua argumentação.
1. A Genealogia da Doutrina: De Rui Barbosa à Constituição de 1988
Sua análise identifica corretamente o "pecado original" da descontinuidade doutrinária. A atuação de Rui Barbosa em Haia (1907) não foi apenas um exercício retórico; foi a afirmação da igualdade soberana das nações contra a hegemonia das grandes potências.
  • O Marco Jurídico: Essa tradição foi cristalizada no Artigo 4º da Constituição de 1988, que rege as relações internacionais do Brasil sob os princípios da não intervenção, mas também da defesa da paz, da solução pacífica de conflitos e do repúdio ao terrorismo e ao racismo.
  • A Incoerência: Quando o Estado brasileiro se omite diante de uma anexação territorial (Crimeia em 2014 e a invasão total em 2022), ele não está sendo "neutro" no sentido clássico, mas sim leniente com a violação do princípio da integridade territorial, que é a pedra angular da própria segurança brasileira.
2. A "Neutralidade" como Opção Política, não Jurídica
A transição da política externa entre os governos Rousseff, Bolsonaro e Lula 3 revela uma continuidade pragmática que atropela a ética normativa:
  • O Pragmatismo de Curto Prazo: A dependência de fertilizantes russos (agronegócio) e a articulação dentro dos BRICS criaram uma "neutralidade transacional".
  • A Crítica ao Veto: Você aponta com precisão o paradoxo do Conselho de Segurança: a Rússia, como membro permanente, utiliza o mecanismo desenhado para manter a paz para garantir a impunidade de sua própria agressão. Ao não condenar isso enfaticamente, o Brasil abdica de sua estatura como "potência moral" e proponente de uma reforma justa das instituições multilaterais.
3. A Dimensão Ética: Elie Wiesel e o Custo do Silêncio
A introdução do pensamento de Elie Wiesel eleva o debate do campo do Realpolitik para o campo da responsabilidade humanitária.
  • O Silêncio como Endosso: A citação de Wiesel desconstrói a ilusão da neutralidade como zona de conforto. No Direito Internacional moderno, a indiferença diante de crimes de agressão e violações massivas de direitos humanos (como os ataques a infraestruturas civis na Ucrânia) é, na prática, uma conivência estratégica.
  • A Universalidade da Vítima: Ao afirmar que o local da perseguição deve tornar-se o "centro do universo", Wiesel anula o argumento da "distância geográfica" ou do "conflito alheio", frequentemente usado pelo Itamaraty para justificar o não engajamento em sanções ou condenações diretas.
4. Conclusão Crítica
O Brasil parece viver um descompasso entre sua Carta Magna e sua atuação no palco global. Enquanto a Constituição e a tradição de Rui Barbosa exigem a defesa de princípios universais, a política externa recente tem optado por um equidistanciamento ambíguo. Essa postura, embora pretenda preservar a autonomia nacional, acaba por enfraquecer o Direito Internacional — o único escudo real para países de médio poder como o Brasil.
A "neutralidade" brasileira atual, portanto, não é a busca por uma mediação equilibrada, mas sim uma omissão que corrói o patrimônio diplomático construído desde o século XX.

* Comando:
** Resposta:

Madame IA, incitada por Airton Dirceu Lemmeertz, analisa minha postagem sobre a obra de Caio Prado Jr de 1954 - Paulo Roberto de Almeida

 Caio Prado Junior: Diretrizes para uma Política Econômica Brasileira (1954). 

Trata-se de uma monografia que ele escreveu para o concurso de Economia Política da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Caio Prado foi aprovado, até com louvor, mas sua cadeira de professor foi recusada, pela maioria conservadora da Faculdade. Ele era comunista, desde os anos 1930, tinha viajado à União Soviética em 1933, visita da qual resultou o livro URSS: um mundo novo. Tinha sido eleito deputado estadual por São Paulo pelo Partido Comunista em 1946, mas foi cassado logo no ano seguinte, com a ilegalidade do Partidão decretada pelo governo Dutra (no seguimento do rompimento de relações diplomáticas com a União Soviética, que mal tinha dois anos). Em 1968 voltou a se candidatar para novo cargo de professor na USP, mas o regime militar baniu o concurso, em meio à aposentadoria compulsória de vários professores, entre eles pelo menos três meus, na Fefelech, curso de Ciências Sociais: Florestan Fernandes, Octávio Ianni, Fernando Henrique Cardoso, entre vários outros. Caio Prado, que tinha fundado a Revista Brasiliense em 1955, bastião do pensamento avançado nos meios acadêmicos do Brasil, havia publicado, em 1966, uma obra não dogmática, A Revolução Brasileira, na qual criticava as concepções políticas do Partidão, do Komintern, do movimento comunista internacional nos anos 1930 e até o pós-guerra.

Esta é uma análise detalhada sobre a trajetória intelectual e política de 
Caio Prado Júnior, com foco na obra de 1954 e seu papel na historiografia e economia política brasileira.
1. A Tese de 1954: Rigor Técnico vs. Barreiras Ideológicas
A monografia "Diretrizes para uma Política Econômica Brasileira" (1954), apresentada para a cátedra de Economia Política na Faculdade de Direito da USP, representa um esforço de Caio Prado para sistematizar uma proposta de desenvolvimento nacional pautada na autonomia.
  • Aprovação com Louvor e Vetos Políticos: Embora aprovado no concurso e tendo obtido o título de livre-docente, a recusa de sua contratação pela congregação conservadora da USP é um dos episódios mais emblemáticos de censura acadêmica antes mesmo do regime militar.
  • O Conteúdo da Obra: Diferente de seus trabalhos puramente históricos, este texto focava na necessidade de independência econômica e na formação de um mercado interno robusto como premissa para superar o "sentido da colonização" — a nossa histórica vocação exportadora de bens primários.
2. A Ruptura Teórica com o PCB e "A Revolução Brasileira" (1966)
O seu relato destaca a coragem intelectual de Prado ao publicar "A Revolução Brasileira" (1966). Esta obra é fundamental por realizar uma crítica interna ao marxismo ortodoxo praticado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB).
  • Combate ao "Feudalismo" no Brasil: Prado refutou a tese oficial do Partidão de que o Brasil possuía uma estrutura "feudal" ou "semifeudal". Para ele, o Brasil sempre foi capitalista (embora dependente), inserido na lógica de mercado mundial desde o século XVI.
  • A Metodologia: Ele criticava o "transplante" de modelos teóricos soviéticos para a realidade brasileira sem a devida análise dos fatos locais, o que ele chamava de invertar o processo metodológico.
3. O Contexto de 1968 e a Expulsão Acadêmica
O ano de 1968, mencionado em sua vivência na FFLCH, marca o auge do autoritarismo com o AI-5.
  • Aposentadorias Compulsórias: O banimento do concurso de Caio Prado e a cassação de nomes como Florestan FernandesOctávio Ianni e Fernando Henrique Cardoso representaram um desmonte deliberado do pensamento crítico nas Ciências Sociais.
  • Resistência Editorial: A fundação da Revista Brasiliense (1955) e da própria Editora Brasiliense foram as vias que Prado encontrou para manter o debate intelectual vivo quando os muros da universidade lhe foram fechados.
Síntese Crítica
Caio Prado Júnior não foi apenas um historiador; ele foi um economista político que buscou entender a "anatomia" da sociedade brasileira para propor sua transformação. Seu drama pessoal — ser um professor "sem cátedra" — reflete a tensão entre a produção de um conhecimento transformador e as estruturas de poder que regem a academia e o Estado no Brasil.

* Comando:
** Resposta:

quarta-feira, 4 de março de 2026

Madame IA, via Airton Diceu Lemmertz, comenta varias postagens minhas no Diplomatizzando - Paulo Roberto de Almeida

 "Os argentinos “comemoram” os 50 anos do início, em 1976, de uma das mais cruéis ditaduras que tiveram, aquela iniciada em 1976 e que se foi, na incompetência, em 1983, com a volta dos Radicais ao poder (Alfonsin). Interessante esse ciclo alternativo entre ditaduras e experimentos democráticos. Sim, a ditadura argentina iniciada (depois de algumas outras) em 1976, foi efetivamente cruel. Comparativamente, a nossas foram, por acaso menos cruéis? O que tivemos? O próprio Deodoro, seguido por Floriano. Depois o próprio Exército se encarregou de afastar Washington Luis e abrir o caminho para Vargas. Este, com o apoio do Exército, iniciou ditadura do Estado Novo, e caiu depois de abandonado pelo Exército. As FFAA voltaram num golpe em 1964, mas não foram, ao início, tão cruéis como os argentinos, mas em 1968-69 acentuaram a crueldade quando provocadas pelos movimentos guerrilheiros e da própria sociedade civil. Se autoeliminaram por incompetência na economia e nos repentes de crueldade da “tigrada” em 1984-85. Tentaram ser dominantes novamente, como força de apoio de um novo ciclo autoritário em 2017-18, mais por oportunismo, do que por vontade de governar outra vez. O “comandante em chefe”, por incompetência e covardia, não soube sequer dar um golpe “decente”, ou “en bonne et due forme”. A sociedade civil prevaleceu. Parece que se encerrou no Brasil o ciclo militar iniciado em 1889. Será verdade? Voltamos, desta vez definitivamente, ao ciclo normal de conservadores civis, oligarcas predatórios e populistas não carnívoros (de direita e de esquerda), que sempre governaram o pais independente? Talvez…"


 FAÇA UMA ANÁLISE DEMODO CRÍTICO E DETALHADO DO TEXTO ACIMA, ENTRE ASPAS.

O texto apresenta uma interpretação histórica provocativa, pautada pelo conceito de ciclos

de intervenção militar na política latino-americana. A análise abaixo decompõe os

argumentos sob uma ótica crítica e historiográfica:

1. O Paralelo Argentina-Brasil: Crueldade e Eficiência

O autor acerta ao destacar a extrema violência da ditadura argentina (1976-1983).

Historiadores costumam diferenciar os modelos: enquanto a Argentina adotou o extermínio

sistemático e clandestino (os "desaparecidos"), o regime brasileiro manteve uma fachada

de legalidade institucional (o "Estado de Exceção legalizado") e focou na tortura e censura,

embora a letalidade tenha escalado após o AI-5 em 1968.Crítica: O texto sugere que a crueldade brasileira foi uma "reação" às guerrilhas. Essa é

uma visão controversa; muitos pesquisadores, como os da Comissão Nacional da Verdade,

argumentam que o aparato repressivo era um projeto de controle do Estado que antecedia

ou extrapolava a ameaça armada.

2. O Exército como "Grande Eleitor" (1889-1985)

A narrativa sintetiza corretamente o papel das Forças Armadas como o fiel da balança no

Brasil:

Proclamação e Era Vargas: O texto identifica com precisão que o Exército não apenas

deu o golpe em 1889, mas foi o suporte e, posteriormente, o algoz de Getúlio Vargas

no Estado Novo.

Incompetência Econômica: A tese de que o regime militar (1964-1985) se "autoeliminou"

pela economia é sólida. A hiperinflação e o esgotamento do "milagre econômico" minaram

a base de apoio civil e empresarial, forçando a transição para a democracia com a eleição

de Tancredo Neves.

3. O Ciclo Recente e o Conceito de "Incompetência"

O autor aplica um tom sarcástico ao período 2017-2022. Ao descrever a tentativa de

ruptura como "indecente" ou "covarde", ele se refere aos eventos que culminaram no 8 de

janeiro de 2023.

Ponto Crítico: A afirmação de que os militares agiram por "oportunismo" em vez de

"vontade de governar" é debatível. A ocupação de milhares de cargos civis por militares

sugere um projeto de poder estruturado, e não apenas uma adesão fortuita.

4. A Conclusão: O Fim do Ciclo Militar?

O texto termina com uma indagação cética. Ao classificar a política brasileira como um

revezamento entre conservadores, oligarcas e populistas, o autor adota uma visão

realista (ou pessimista) da sociologia política brasileira.

Análise: A ideia de que o ciclo iniciado em 1889 "encerrou-se" é o ponto central. Embora

as instituições tenham prevalecido em 2023, a história brasileira mostra que o "poder

moderador" fardado costuma hibernar em períodos de estabilidade econômica, retornando

em crises de legitimidade civil.

Resumo da Crítica

O texto é uma crônica política ácida que desmistifica o papel "heroico" das FFAA,

tratando-as como atores políticos que falham pela própria gestão (incompetência) tanto

quanto pela moralidade (crueldade). Ele acerta no diagnóstico da resiliência das oligarquias

civis, mas talvez subestime a capacidade de reinvenção do pensamento autoritário dentro

das casernas.

* Fonte da resposta:

https://share.google/aimode/HLbhT7jIubrixXUfc

** Fonte do comando:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/argentina-e-brasil-e-suas-respectivas.html===

PRIMEIRA LISTA DE FATOS RELEVANTES EM

DETERMINADO PERÍODO: "- 1976 - Crise do petróleo - 1977

- Geisel fecha Congresso Brasileiro - 1978 - 1° bebê de

proveta / Ano dos 3 Papas - 1979 - Revolução islâmica no Irã -

1980 - Star Wars: Oimpério contra-ataca - 1981 - Atentado Rio

Centro - 1982 - Crise da Dívida Externa - FMI - 1983 -

Hiperinflação no Brasil - 1984 - Movimento Diretas Já - 1985 -

Fim da Ditadura no Brasil - 1986 - Acidente Nuclear de

Chernobyl - 1989 - Queda do Muro de Berlim - 1990 - Guerra

do Golfo - 1991 - Fim da Guerra Fria - 1994 - Plano Real -

2001 - 11 de Setembro - 2003– Guerra do Iraque - 2008 - Crise

financeira - 2020 — COVID-19 - 2022– Início da guerra Rússia

× Ucrânia - 2024 - Israel x Palestina - 2025 - Ataque a

Venezuela - 2026 - EUA x Irã". SEGUNDA LISTA DE FATOS

RELEVANTES EM DETERMINADO PERÍODO: "- 1949 -

Nuclearização da URSS - 1950 - Derrota do Brasil na final da

Copa do Mundo no Brasil - 1950 - Guerra da Coreia - 1953 -

Armistício na Coreia - 1953 - Golpe contra Mossadegh no Irã -

1956 - Ataque franco-britânico ao Egito pela nacionalização do

Canal de Suez no Egito de Nasser - 1958 - Vitória do Brasil na

final da Copa do Mundo na Suécia - 1959 - Revolução cubana

- 1960 - Eleição consagradora de Jânio Quadros, o que

prometia “varrer a corrupção do Brasil” - 1961 - Política

Externa Independente, de Afonso Arinos e renuncia de Janio

da presidência em seis meses - 1962 - Crise dos mísseis

soviéticos em Cuba - 1964 - Golpe de Estado no Brasil e inicio

de uma ditadura militar de 21 anos - 1968 - Golpe dentro do

golpe, com o AI-5, e mais repressão no Brasil - 1973 -

Participação ativa da diplomacia brasileira no golpe militar de

Pinochet contra o governo socialista democrático de Salvador

Allende no Chile - 1973 - Primeiro choque do petróleo:

quadruplicação do preço do barril - 1979 - Anistia no Brasil:

retorno dos exilados e liberdade partidária - 1979 - Segundo

choque do petróleo - 2014 - Invasão e anexação ilegais da

peninsula ucraniana da Crimeia pela Russia.". ELABORE UMA

TERCEIRA LISTA DE FATOS RELEVANTES, QUE NÃO

APARECERAM NAS DUAS LISTAS ANTERIORES.

CONSIDERE O PERÍODO DE AMBAS AS LISTAS

ANTERIORES. APRESENTE OS FATOS EM ORDEM

CRONOLÓGICA, COM O RESPECTIVO ANO.Para complementar as duas listas anteriores, selecionei eventos de grande impacto

geopolítico, social e científico que ocorreram entre 1949 e 2026 (período abrangido pelas

suas listas). Esta terceira lista foca em lacunas importantes como a corrida espacial,

marcos de direitos civis e viradas políticas globais.

Terceira Lista de Fatos Relevantes (1949 – 2026)

1954 – Suicídio de Getúlio Vargas no Brasil.

1955 – Início da Guerra do Vietnã.

1957 – Lançamento do Sputnik 1 (URSS), iniciando a Corrida Espacial.

1961 – Construção do Muro de Berlim.

1963 – Assassinato de John F. Kennedy nos EUA.

1967 – Guerra dos Seis Dias no Oriente Médio.

1969 – Homem pisa na Lua (Missão Apollo 11).

1971 – Fim do Padrão-Ouro (Acordo de Bretton Woods) por Richard Nixon.

1974 – Revolução dos Cravos em Portugal.

1975 – Independência das colônias portuguesas na África (Angola e Moçambique).

1987 – Assinatura do Protocolo de Montreal (proteção da camada de ozônio).

1988 – Promulgação da Constituição Cidadã no Brasil.

1992 – ECO-92 no Rio de Janeiro (marco ambiental global).

1994 – Fim do Apartheid na África do Sul com a eleição de Nelson Mandela.

1996 – Clonagem da ovelha Dolly (marco da biotecnologia).

1997 – Transferência de Hong Kong do Reino Unido para a China.

2000 – Lançamento comercial do GPS e o "Bug do Milênio" (que não se concretizou).

2004 – Tsunami no Oceano Índico (desastre natural de escala global).

2010 – Primavera Árabe: onda de protestos e revoluções no Oriente Médio e Norte da

África.

2011 – Morte de Osama bin Laden e acidente nuclear de Fukushima.

2013 – Jornadas de Junho: onda de protestos massivos no Brasil.

2016 – Referendo do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia).

2019 – Incêndios na Amazônia ganham repercussão global e crise diplomática.

2021 – Invasão do Capitólio nos EUA e retomada do Afeganistão pelo Talibã.

2023 – Surgimento em massa e popularização das IAs Generativas (ChatGPT e outros).* Fonte da resposta:

https://share.google/aimode/VI718R8LXwKkFJ49L

** Fonte do comando:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/uma-trajetoria-de-vida-danilo-bueno-e.html

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"Interessante observar que, quando se trata de atacar, mesmo

legitimamente, o imperialismo americano, agora em sua versão

mais canhestra da geopolítica da brutalidade, o Palácio do

Planalto e o Itamaraty são extremamente rápidos e

contundentes na expedição de notas condenatórias. Nunca se

viu tamanha celeridade ou similaridade na feitura de notas de

reprovação aos ataques criminosos do tirano de Moscou em

sua guerra de agressão à Ucrânia. Aliás, nunca houve uma

nota sequer lamentando os crimes de guerra e contra a

humanidade praticados em violação flagrante da Carta da

ONU e dos princípios mais elementares do Direito

Internacional pelo Estado terrorista agressor. Tal subserviência

chega a chocar a dignidade da diplomacia brasileira.". Uma

notória disparidade de atitudes: a guerra de regime change no

Irã e a guerra de agressão contra a Ucrânia - por quê?

A disparidade apontada no texto reflete o tensionamento entre a tradição diplomática

brasileira e a atual orientação política de "autonomia ativa" ou "não alinhamento", que

críticos frequentemente classificam como uma assimetria ideológica.

Abaixo, os pontos fundamentais para entender por que o governo brasileiro reage de

formas distintas a esses conflitos:

1. A Doutrina da "Equidistância" vs. Condenação Direta

O governo atual, sob a liderança do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty),

defende a tese de que o Brasil deve ser um "facilitador da paz".

Na Ucrânia: O Brasil evita notas contundentes contra a Rússia para preservar o papel de

mediador no clube da paz e não antagonizar um parceiro estratégico dos BRICS.

No Irã/EUA: O Brasil tende a ser mais célere em criticar intervenções ocidentais por

interpretá-las como violações da soberania nacional, um pilar clássico da nossa diplomacia

que, neste governo, ganha contornos de crítica ao que chamam de "unilateralismo

americano".

2. A Dependência Estratégica (Fertilizantes e BRICS)

A diplomacia brasileira opera sob um pragmatismo econômico severo em relação à Rússia:

O Brasil é altamente dependente dos fertilizantes russos para manter o agronegócio.Criticar a Rússia com o mesmo rigor despendido contra os EUA ou Israel poderia isolar o

Brasil dentro do bloco BRICS+, que é visto como o contrapeso à hegemonia do G7.

3. A Percepção de "Dois Pesos e Duas Medidas"

O discurso oficial do Planalto frequentemente acusa o Ocidente de hipocrisia. Para o

governo:

A invasão da Ucrânia é vista como uma consequência da expansão da OTAN (visão

compartilhada por setores da esquerda e realistas geopolíticos).

Já as ações dos EUA no Oriente Médio (como o Irã) são lidas como tentativas de regime

change (mudança de regime) puramente predatórias.

4. Crítica à "Subserviência"

O texto menciona que a omissão choca a "dignidade da diplomacia brasileira".

Historicamente, o Itamaraty era conhecido pelo legalismo (apego estrito ao Direito

Internacional). Críticos argumentam que, ao não condenar explicitamente crimes de guerra

documentados na Ucrânia, o Brasil abandona esse legalismo em favor de um alinhamento

tácito com o "Eixo do Sul Global", liderado por China e Rússia.

Análise de Contexto: A disparidade não é apenas uma questão de velocidade, mas

de vocabulário. Notas sobre o Irã ou Gaza costumam usar termos como "genocídio" ou

"agressão ilegal", enquanto sobre a Ucrânia o governo prefere termos neutros como

"conflito" ou "hostilidades".

* Fonte da resposta:

https://share.google/aimode/q2oG7AF6XZDI1OZXp

** Fonte do comando:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/uma-notoria-disparidade-de-atitudes.html

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O que teria de mais moralmente abjeto numa eventual volta da

extrema direita bolsonarista ao poder em 2027 — ademais de,

no plano puramente sanitário e da saúde publica, a terrível

perspectiva de novo ciclo de negacionismo vacinal — é a

possibilidade de mais submissão beata e vergonhosa, no

plano da política externa, ao destruidor do multilateralismo

político e econômico, o ignorante pretensioso que se crê

imperador do mundo e que pratica a geopolítica da

brutalidade. “Flávio critica nota do Itamaraty sobre ataque ao

Irã - Revista Oeste. “O Brasil não deve escolher o lado

moralmente errado”, escreveu. Para o senador, “política

externa responsável exige prudência…”. Alinhamento servil a

qualquer potência estrangeira não faz parte de nossas

tradições diplomáticas. A política externa bolsonarista destruiu

o Itamaraty, retirou credibilidade da diplomacia brasileira e nostornou “párias internacionais”. Não aos entreguistas de nossa

soberania. Miséria da diplomacia outra vez?

O texto apresenta uma crítica contundente que contrapõe duas formas de "subserviência"

na política externa brasileira, utilizando o cenário prospectivo de 2026/2027 para ilustrar o

que o autor considera a degradação da diplomacia nacional.

A análise crítica desse posicionamento revela os seguintes eixos:

1. O Embate de "Submissões"

O autor estabelece um paralelo direto entre a postura do atual governo (acusado de

silêncio perante a Rússia) e a postura da extrema-direita bolsonarista (acusada de

alinhamento servil aos EUA/Trump).

A crítica ao Bolsonarismo: O texto foca no conceito de "entreguismo". A política externa

do período 2019-2022 foi marcada pelo abandono do multilateralismo em favor de um

alinhamento ideológico bilateral com a ala conservadora americana. Isso feriu a tradição de

"Estado" do Itamaraty, que historicamente busca autonomia.

O "Lado Moral": A fala do senador Flávio Bolsonaro citada no texto sugere que o "lado

moral" seria o alinhamento com potências ocidentais contra o Irã. O autor rebate isso,

sugerindo que qualquer alinhamento automático — seja ao "imperador do mundo"

(referência a Trump) ou a teocracias/ditaduras — é uma abdicação da soberania.

2. O Conceito de "Pária Internacional"

O termo "pária", mencionado pelo próprio ex-chanceler Ernesto Araújo como algo positivo

na época ("se for para ser pária, que sejamos"), é aqui usado como prova da destruição

da credibilidade diplomática.

Uma diplomacia de Estado busca ser interlocutora de todos.

Quando o Brasil escolhe um "lado" de forma "beata" (religiosa/ideológica), ele perde a

capacidade de mediar conflitos, reduzindo seu peso geopolítico.

3. A Geopolítica da Brutalidade vs. Tradição Diplomática

O texto toca em um ponto nevrálgico: a diferença entre Política Externa de

Governo e Política Externa de Estado.

Tradição: Desde o Barão do Rio Branco, o Brasil preza pela solução pacífica de

controvérsias e pelo não intervencionismo.

Ruptura: Tanto a "geopolítica da brutalidade" (intervenções militares diretas) quanto o

apoio a regimes agressores (como a omissão sobre a Ucrânia mencionada anteriormente)

representam rupturas com essa tradição, embora por caminhos ideológicos opostos.

4. A Perspectiva de 2027: Riscos Apontados

O autor projeta um cenário onde a volta desse grupo ao poder resultaria em:

Negacionismo Científico: Impacto direto na diplomacia da saúde (o Brasil deixando de

ser líder em fóruns como a OMS).Desmonte Institucional: O uso do Itamaraty como ferramenta de guerra cultural

doméstica, em vez de instrumento de promoção comercial e política.

Síntese Crítica

O texto argumenta que a "miséria da diplomacia" ocorre quando o país deixa de olhar para

seus próprios interesses de longo prazo para servir de caixa de ressonância para

potências estrangeiras. O autor parece defender uma terceira via: uma diplomacia que não

seja nem "subserviente ao tirano de Moscou", nem "beata perante o imperador de

Washington".

Pergunta para reflexão: Se a tradição brasileira é a autonomia, seria

possível ao Brasil manter-se neutro em um cenário de polarização extrema

entre EUA/Irã ou Rússia/Ucrânia sem ser acusado de "omissão" por ambos

os lados?

* Fonte da resposta:

https://share.google/aimode/78BdqI4U7CWfBiBpb

** Fonte do comando:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/miseria-da-diplomacia-outra-vez-paulo.html

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A Rússia como Estado Terrorista, criminoso de guerra: uso de

fósforo branco contra uma cidade inteira.

O uso de substâncias incendiárias, como o fósforo branco, em áreas civis é um dos temas

mais sensíveis e graves do Direito Internacional Humanitário, e as denúncias contra a

Rússia no conflito da Ucrânia elevaram o debate sobre a classificação do país como um

"Estado Terrorista".

Abaixo, apresento uma análise técnica e política sobre essa acusação e o impacto do uso

dessas armas:

1. O Fósforo Branco e o Direito Internacional

O fósforo branco é uma substância química que se inflama espontaneamente em contato

com o oxigênio, gerando um calor de até 800°C e fumaça densa.

Status Legal: Não é classificado estritamente como uma "arma química" sob a Convenção

de Armas Químicas, pois seu efeito primário é térmico (fogo) e não tóxico. No entanto, o

seu uso é regulado pelo Protocolo III da Convenção sobre Certas Armas

Convencionais (CCW).

O Crime de Guerra: O protocolo proíbe o uso de armas incendiárias contra alvos militares

localizados dentro de concentrações de civis. Se uma cidade inteira é atingida, como

sugerem denúncias em locais como Bakhmut e Mariupol, a distinção entre combatente e

civil desaparece, configurando, em tese, um crime de guerra.2. A Classificação de "Estado Terrorista"

O termo "Estado Terrorista" ou "Estado Patrocinador do Terrorismo" é uma designação

política com profundas consequências jurídicas:

Parlamento Europeu e OTAN: Em 2022, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução

declarando a Rússia como um "Estado patrocinador do terrorismo" devido aos ataques

deliberados contra infraestrutura civil (energia, água) e o uso de métodos de terror contra a

população.

A Posição dos EUA: Apesar da pressão de Kiev, o governo dos EUA tem evitado essa

classificação formal, pois ela obrigaria o corte total de relações comerciais (incluindo o

setor de energia e grãos) e impediria qualquer negociação diplomática futura.

3. Evidências de Atrocidades e "Brutalidade Geopolítica"

O texto que você citou anteriormente menciona a "geopolítica da brutalidade". No caso

russo, essa brutalidade é documentada por organizações como a Anistia Internacional e

a Human Rights Watch através de:

Bombardeios Indiscriminados: Uso de bombas de fragmentação e munições

termobáricas em áreas densamente povoadas.

Massacres de Civis: Casos como o de Bucha e Irpin, onde foram encontradas evidências

de execuções sumárias.

Ataques à Infraestrutura Crítica: O uso do inverno como arma, destruindo a rede elétrica

para causar sofrimento em massa.

4. A Resposta do Itamaraty e o "Silêncio Eloquente"

A crítica central do seu texto anterior sobre a "subserviência chocante" da diplomacia

brasileira reside aqui:

Enquanto o mundo ocidental utiliza os relatos de fósforo branco e crimes em Bucha para

isolar Moscou, o Brasil tem mantido uma postura de "neutralidade pragmática".

Para os críticos, essa postura não é apenas diplomacia, mas uma omissão moral diante de

violações flagrantes da Carta da ONU, que o Brasil ajudou a redigir e que proíbe

categoricamente a agressão à integridade territorial de Estados soberanos.

Conclusão do Cenário

A utilização de fósforo branco contra cidades não serve a um propósito tático de conquista

territorial, mas sim de desmoralização e terror. Ao não emitir notas contundentes sobre

tais fatos, o Brasil arrisca ser visto como um país que relativiza o Direito Internacional em

função de interesses imediatistas (como o fornecimento de fertilizantes), o que corrobora o

temor de uma "miséria da diplomacia" mencionada por você.

* Fonte da resposta:

https://share.google/aimode/RHcWl3NNk2dMVEDz4

** Fonte do comando:

https://diplomatizzando.blogspot.com/2026/03/a-russia-como-estado-terrorista.html===

Observação: A lista, acima, foi elaborada por Airton Dirceu Lemmertz (https://www.youtube.com/channel/UCs-

gjkE6stjxaYXbVxL18SA). Todas as respostas foram geradas pela IA Gemini (a IA do Google).


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