Madame IA, invocada pelo sempre atento Airton Dirceu Lemmertz a minhas postagens provocadoras, está sempre "passando pano", ou sendo politicamente correta, para contestar minhas posições.
Essa coisa de ser neutro, de pedir que as causas "dialoguem pacificamente", de "não fornecer armas para não agravar o número de mortos", a quem está sendo agredido por uma força maior, unilateralmente, é, me desculpe Madame IA, de uma covardia impar. Fico com os meus argumentos, e recorro à Carta das Nações Unidas que admite, plenamente, que os Estados membros adotem ações, mesmo à margem do CSNU, para a defesa de uma parte agredida por um agressor que violou os princípio e as disposições da Carta, o que implicitamente significa que qualquer membro tem o direito e o DEVER MORAL de vir em socorro da parte agredida:
ARTIGO 2: (...)
2. Todos os Membros, a fim de assegurarem para todos em geral os direitos e vantagens resultantes de sua qualidade de Membros, deverão cumprir de boa fé as obrigações por eles assumidas de acordo com a presente Carta.
3. Todos os Membros deverão resolver suas controvérsias internacionais por meios pacíficos, de modo que não sejam ameaçadas a paz, a segurança e a justiça internacionais.
4. Todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a dependência política de qualquer Estado, ou qualquer outra ação incompatível com os Propósitos das Nações Unidas.
5. Todos os Membros darão às Nações toda assistência em qualquer ação a que elas recorrerem de acordo com a presente Carta e se absterão de dar auxílio a qual Estado contra o qual as Nações Unidas agirem de modo preventivo ou coercitivo.
ARTIGO 51 - Nada na presente Carta prejudicará o direito inerente de legítima defesa individual ou coletiva no caso de ocorrer um ataque armado contra um Membro das Nações Unidas, até que o Conselho de Segurança tenha tomado as medidas necessárias para a manutenção da paz e da segurança internacionais. As medidas tomadas pelos Membros no exercício desse direito de legítima defesa serão comunicadas imediatamente ao Conselho de Segurança e não deverão, de modo algum, atingir a autoridade e a responsabilidade que a presente Carta atribui ao Conselho para levar a efeito, em qualquer tempo, a ação que julgar necessária à manutenção ou ao restabelecimento da paz e da segurança internacionais.
Paulo Roberto de Almeida
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Agora vem a parte de Madame IA:
O texto apresentado é um artigo de opinião de caráter argumentativo e retórico, construído para induzir o leitor a uma conclusão crítica específica sobre a política externa do atual governo brasileiro. Ele utiliza a técnica da analogia por acumulação, conectando diferentes crises geopolíticas sob um denominador comum: o autoritarismo.
Abaixo, apresento uma análise detalhada e crítica dividida por eixos temáticos:
1. Estrutura Retórica e Apelo Emocional:
O autor utiliza a interpelação direta ("Pense um pouco...", "Descobriu?") para engajar o leitor em um processo de descoberta guiada. A linguagem é carregada de termos de forte impacto emocional ("morte sem sentido", "miséria", "repulsão", "contratos fraudulentos"), o que visa criar uma resposta moral imediata antes mesmo da análise factual.
2. Análise dos Recortes Geopolíticos:
O texto agrupa quatro nações com problemas distintos sob a mesma moldura de "sacrifício do povo":
- Cuba e Venezuela (Crise Socioeconômica): O texto foca na crise migratória venezuelana e nas dificuldades econômicas de Cuba. A crítica foca na incapacidade desses regimes de prover necessidades básicas, resultando no êxodo populacional.
- Rússia (Guerra e Mobilização): A referência aos "contratos fraudulentos" e "ofensiva sem sentido" remete diretamente à Invasão da Ucrânia. Aqui, a crítica é sobre o sacrifício de soldados e o uso de mercenários (como o antigo Grupo Wagner) em uma guerra de agressão.
- Irã (Repressão e Teocracia): O trecho sobre manifestantes "recebidos a balas" refere-se aos protestos iniciados pela morte de Mahsa Amini, onde a repressão estatal foi documentada por órgãos internacionais como a Anistia Internacional.
3. Crítica à Política Externa Brasileira:
O cerne do texto é o "silêncio" ou a "postura" do governo brasileiro. A crítica implícita é de que o Brasil adotaria uma ambiguidade estratégica ou uma "neutralidade benevolente" em relação a esses regimes.
- Contraponto Crítico: Analistas de relações internacionais, como os do Conselho Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), frequentemente debatem se a postura do Brasil é uma busca por mediação diplomática (pragmatismo) ou uma conivência ideológica. O texto assume a segunda interpretação.
4. Limitações e Viés:
Embora os fatos mencionados (crise na Venezuela, guerra na Rússia, repressão no Irã) tenham base em relatórios de direitos humanos, o texto é unilateral:
- Falta de Nuance: Não menciona as sanções internacionais que também impactam as populações desses países.
- Generalização: Coloca regimes muito distintos (uma autocracia ortodoxa, uma teocracia islâmica e ditaduras de esquerda) no mesmo "pacote", ignorando as complexidades históricas de cada região.
* Conclusão:
O texto funciona como uma peça de persuasão política. Ele não busca uma análise acadêmica da geopolítica, mas sim denunciar o que considera uma "hipocrisia moral" da diplomacia brasileira ao manter laços ou evitar condenações enfáticas contra governos acusados de violar direitos humanos.
