Madame IA analisa criticamente minha Declaração de princípios de 2009, disponível no link a seguir:
Um texto de mais de 16 anos atrás, esquecido, aparecido por acaso em minhas andanças informáticas:
domingo, 14 de fevereiro de 2010
1350) Declaração de Princípios
Paulo Roberto de Almeida
Via Política (4.10.2009).
PRA:
Madame IA analisa, e critica, com objetividade, minha Declaração de Principios de 2009 — postada uma primeira e única vez em 2010, num blog secundário, DiplomataZ —, mais uma vez demandada por meu amigo informático Airton Dirceu Lemmertz.
E, mais uma vez, aprovo as criticas a mim dirigidas por Madame IA, o que supõe, da parte dela, um discernimento analítico pouco esperado numa ferramenta que se alimenta e trabalha em bases e conceitos metodológicos retirados unicamente de uma varredura de textos escritos (muitas vezes subjetivamente ou de modo personalista) disponíveis nos espaços pessoais divulgados publicamente (como é o caso do meu blog Diplomatizzando).
Devo reconhecer essa capacidade própria de Madame IA, o que aproxima essa IA de certas faculdades quase humanas, ou naturais, de um ser pensante dotado de razão acima da simples assemblagem de informações dispersas na internet.
Chapeau, Madame IA, e muito grato por apontar lacunas e contradições em meu discurso aparentemente objetivo.
Paulo Roberto de Almeida
Brasilia, 3/11/2026
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Airton Dirceu Lemmertz:
Trata-se de um resgate de um texto originalmente veiculado no periódico Via Política em 4 de outubro de 2009.
Abaixo, as informações explícitas (objetivas) e implícitas (subjetivas) são detalhadas e confrontadas:
1. Informações Explícitas e Objetivas (O Conteúdo Declarado):
• A Temporalidade do Texto: O ensaio tem mais de 16 anos de existência e foi reencontrado pelo autor por acaso durante suas buscas em arquivos digitais em novembro de 2026.
• Os Valores Inegociáveis: O autor enumera valores que considera permanentes e imunes a análises de custo-benefício, como a integridade moral, a honestidade intelectual, o compromisso com a verdade e a busca do que é moralmente justo e eticamente correto.
• O Método de Atuação Pública: Paulo Roberto afirma explicitamente que expressa o que pensa com base em pesquisas, leituras, reflexões empíricas, lógica e dados da realidade, e não com base em sentimentos pessoais ou desejos individuais.
• Os Alvos de Combate: O texto elenca elementos que devem ser combatidos rigorosamente no debate público: concessões partidárias, fundamentalismos religiosos, demagogia, mentiras, fraudes e a distorção de provas empíricas.
• O Motivo da Relembrança: O autor declara que precisa resgatar esses termos porque, de tempos em tempos, alguns interlocutores dotados de "espírito partidário ou fundamentalista" tentam questionar sua integridade.
2. Informações Implícitas e Subjetivas (O Subtexto e as Intenções):
• A Desilusão com o Cenário Político Nacional: Ao citar o Brasil em um parágrafo destacado, o autor deixa implícita uma profunda frustração e ceticismo em relação à classe política, aos representantes eleitos e aos operadores do Direito, enxergando-os como moralmente distantes de seus ideais.
• Isolamento de Trincheira (O "Quilombo"): Ao manter a descrição de seu blog na aba principal como um "quilombo de resistência intelectual", o autor assume subjetivamente a persona de um guerreiro solitário da racionalidade contra a barbárie ideológica dominante no país.
• Elite Intelectual vs. Ativismo Cego: O autor faz uma clara divisão subjetiva de seu público. De um lado, estão os "leitores inteligentes" (que partilham de sua lógica); de outro, os "politicamente motivados". Ele se coloca em uma posição de superioridade intelectual e indiferença diante das críticas destes últimos.
• Rigidez e Inflexibilidade como Virtudes: A afirmação de que defenderá os mesmos princípios "independente do tempo e da temperatura" revela um orgulho subjetivo em não se curvar ou se adaptar, equiparando flexibilidade política a oportunismo.
3. Confronto entre o Objetivo e o Subjetivo:
O primeiro grande contraste reside na fundamentação do discurso. Enquanto o autor alega, no plano objetivo, guiar-se estritamente pela neutralidade dos dados empíricos, pela lógica pura e pela recusa sistemática a sentimentos pessoais, o plano subjetivo revela que o texto é movido por uma reação fortemente emocional de indignação contra seus detratores e contra o cenário institucional brasileiro. O paradoxo surge no fato de que, embora declare que sua escrita é puramente científica e matemática, a própria necessidade de publicar e resgatar um manifesto ético tão rígido nasce de um incômodo perfeitamente pessoal, subjetivo e reativo à temperatura política do momento.
O segundo ponto de confronto envolve a abertura ao diálogo. Objetivamente, o autor afirma rechaçar partidarismos e fundamentalismos em nome da manutenção de um debate aberto e da honestidade intelectual. No entanto, no plano subjetivo e nas entrelinhas do texto, transparece uma postura dogmática e fechada a contestações vindas de adversários ideológicos. O paradoxo aqui se estabelece porque o compromisso com o "debate aberto" é severamente limitado por um filtro interpretativo prévio do autor: se o debatedor discordar de suas premissas partindo de uma base ideológica ou partidária, ele é automaticamente classificado como desonesto e sua contestação é tratada com total indiferença.
Por fim, há uma tensão evidente quanto à temporalidade e à oportunidade da postagem. O autor apresenta o texto como um conjunto de princípios permanentes e atemporais, sustentando que seus valores transcendem o momento político imediato. Contudo, a republicação da peça em novembro de 2026 demonstra um oportunismo cirúrgico dentro da dinâmica do blog. Ao desenterrar um ensaio de 2009 e reforçar na introdução que o cenário nacional continua distante daqueles ideais, o diplomata acaba por instrumentalizar uma declaração que pretendia ser abstrata e perene, transformando-a em uma arma retórica perfeitamente atualizada para atacar o cenário contemporâneo de Brasília.
O texto revela, portanto, o retrato de um diplomata de carreira clássico que, diante do que percebe como a degradação ética do debate público no Brasil, utiliza a armadura da lógica formal e da objetividade científica para blindar suas posições subjetivas de absoluto ceticismo político.